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Fonte: Opustessellatum-PT
Revisão em 14h54min de 12 de dezembro de 2024 por AntónioValério97 (discussão | contribs) (primeira edição)

Identificação

Localização actual Museu Nacional de Conimbriga (até 2023, conhecido como Museu Monográfico de Conimbriga), Condeixa-a-Velha e Condeixa-a-Nova, Condeixa-a-Nova, no distrito de Coimbra.
Localização admin. romana Ciuitas de Conimbriga, Conuentus Scalabitanus, na província da Lusitânia.
Cronologia Segundo quartel do séc. III, 226-250.

Estado da Arte

O levantamento e descrição deste mosaico é feita pela primeira vez no Corpus dos Mosaicos Romanos de Portugal, vol I - Casa dos Repuxos, Conímbriga, (Oleiro, 1992), que inclui a análise de cada mosaico da casa, incluindo cores, técnicas, tamanho e iconografia.

Mais tarde, em Le Décor Géométrique de la Mosaïque Romaine II (Balmelle, Blanchard-Lemée, Darmon, 2002) é feita uma análise dos vários padrões e motivos que podem ser encontrados nos mosaicos romanos, onde é feita uma curta menção do mosaico em estudo (p. 209).

Em 2010, na tese de doutoramento A Arquitectura Doméstica de Conímbriga e as Estruturas Económicas e Sociais da Cidade Romana (Correia, 2010), é desenvolvido a arquitetura doméstica e compreende um capítulo dedicado à Casa dos Repuxos e aos seus mosaicos.

No entanto, o mosaico em si ainda não foi objeto de um estudo aprofundado ou exclusivo.

Enquadramento/Contextualização Histórica

As ruínas da Casa dos Repuxos, na cidade romana de Conimbriga e o seu conjunto de mosaicos foram encontradas durante as escavações da Casa de Cantaber, que se iniciaram em 1929, devido à projeção da edificação de um parque de estacionamento adjacente ao lado exterior da muralha do Baixo Império. É tomada a decisão de preservação in situ dos mosaicos, onde ainda hoje se situam.

As escavações nesta casa foram então realizadas entre agosto e outubro de 1939 (Correia, 2013, p. 149), após ser encontrada durante as escavações junto à muralha, mas apenas em 1953 é iniciado o restauro dos mosaicos, auxiliado pelo arqueólogo e estudioso do mosaico romano, João Manuel Bairrão Oleiro (Correia, 2013, p. 20).

Sob a direção de Bairrão Oleiro, é então criado o Museu Monográfico de Conímbriga em 1962 e é estabelecida uma relação com a Universidade de Bordéus, que deu origem às escavações luso-francesas entre 1964 e 1974.

Em 1991 e 1992 é instalada uma cobertura de proteção sobre a Casa dos Repuxos, que se mantém até à presente data e feitas algumas intervenções e revisões de dados das escavações realizadas nos anos 50.

O mosaico estudado encontra-se no interior da Casa dos Repuxos, no canto nordeste do peristilo. Esta casa, edificada em meados do século I d.C. de acordo com o material encontrado nos entulhos, no reinado de Cláudio ou Nero, tinha inicialmente um intuito comercial e artesanal, mas é posteriormente remodelada e adaptada para uma residência aristocrática no início do século II d.C., no reinado de Adriano (Cf Correia, 2004, pp. 54-55) e estende-se até ao século III d.C., quando é destruída para se realizar a construção da muralha do Baixo Império para a proteção das invasões germânicas. Foi nestas alterações que as caves foram fechadas e o piso superior foi quase todo alterado, sendo instalado o conjunto de mosaicos.

Descrição

Decomposição Visual/Gráfica

O mosaico apresenta motivos decorativos geométricos, vegetalistas e objetos e uma composição centrada com um fundo branco. Decompõe-se de um painel emoldurado que inclui 4 espaços residuais e medalhão, que, por si, decompõe-se de 4 molduras com 4 quadrados e 8 losangos centrados num quadrado. Encontra-se na casa dos repuxos, no canto nordeste do peristilo, que define a área central da casa.

Verbal

O Mosaico 1.9

Segundo a obra de Oleiro (p. 55), o mosaico (1.9) do canto nordeste do peristilo encontra-se preservado. Tem um formato quadrangular de 196 x 196 cm, com uma densidade de 93 tesselas por dm2 e com um tamanho médio de tesselas entre 9 a 11 mm. Este mosaico apresenta uma composição centrada, com um medalhão no seu centro, cuja circunferência tem 181 cm de diâmetro. O peristilo está delimitado pelas molduras de filetes pretos e amarelos e um meandro de suásticas.

  • O Painel 1.9.1D e Moldura 1.9.1.1

O painel (1.9.1D) de fundo branco delimita-se por uma moldura (1.9.1.1) de filete preto de 3 tesselas com um medalhão incluso. Encaixados nos espaços residuais A1 e A3, encontram-se dois crater ligeiramente diferentes um do outro, sendo um deles mais estreito, ambos de cores vermelha, preta, branca e amarela, alternando com dois cálices vegetais estilizados nos espaços A2 e A4, de cores vermelha, preta e amarela. Os vasos estão nos cantos nordeste e sudoeste, enquanto os cálices estão nos cantos noroeste e sudeste. De cada um destes elementos, emergem duas gavinhas.

  • As Molduras 1.9.1.2, 1.9.1.3, 1.9.1.4 e 1.9.1.5

O medalhão tem 4 molduras, a mais exterior (1.9.1.2) é constituída por uma trança, em ilhó branca, de dois cordões. Um dos cordões é vermelho, branco e preto, o outro é amarelo, branco e preto. A trança está incluída numa faixa preta que se segue por um intervalo em filete branco. A moldura seguinte (1.9.1.3) é composta por um filete preto montado com dentículo quadrangular de 2x2 tesselas. A parte central do medalhão é emoldurada por dois filetes, um amarelo (1.9.1.4) e outro, preto (1.9.1.5), ambos de 2 tesselas.

  • O Esquema Interior do Medalhão

No interior do medalhão, centrados num quadrado preto e delineados por um filete preto de 2 tesselas, inscrevem-se 4 quadrados pretos menores assentes no vértice tangentes às faces do quadrado central e 8 espaços residuais em formato de losango, de forma a criar uma estrela de 8 pontas. Nos espaços residuais entre a estrela e a moldura (1.9.1.5) encaixam-se triângulos isósceles amarelos e vermelhos concêntricos ao respetivo espaço. Nos espaços residuais losangulares, também se encontram losangos concêntricos amarelos e vermelhos. Os quadrados menores incluem outro quadrado negro concentrico, onde se encontram nós de Salomão pretos, brancos, vermelhos e amarelos. Encaixado no quadrado central encontra-se uma trança encanastrada de 4 cordões em ilhó, preta, branca, amarela e vermelha. Adicionalmente também se repara que um dos losangos é diferente dos outros, este é vermelho com um perfil denteado de 1x1 tessela, que inclui um losango preto concêntrico. Não se sabe certamente porque esta particularidade, mas assume-se ser um mero capricho do autor ou uma assinatura.

[Imagens e Iconografia do Objeto]

Mapas, plantas, alçados, fotografias recentes/antigas, estampas, etc., com numeração, legenda individual que identifique a imagem e o autor ou da fonte da imagem.

Fontes e Bibliografia

  • Abraços, M. F. Viegas, C., Macedo, M. (1993 ): Dicionário de Motivos Geométricos no Mosaico Romano, Liga dos Amigos de Conimbriga, Conimbriga.
  • Balmelle, C., Blanchard-Lemée, M., & Darmon, J.-P. (2002): Le décor géométrique de la mosaïque romaine II. Picard.
  • Carretas, J., Pancadares, C.: Mosaico Romano em Portugal, Tapete do peristilo da Casa dos Repuxos em Conimbriga, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa - http://www2.fcsh.unl.pt/cadeiras/Opusmusiuum/m.conimbriga0001.html
  • Correia, V. H. (2013): A Arquitectura Doméstica de Conímbriga e as Estruturas Económicas e Sociais da Cidade Romana, Coimbra.
  • Limão, F., Silva, M. (2015): Linhas de Fronteira no Desenho do Mosaico: Breve Reflexão Sobre as Relações entre Paineis Centrais e Molduras nos Pavimentos Musivos, Estudios sobre mosaicos antiguos y medievales, Luz Neira Jiménez Editora
  • Oleiro, J. M. B. (1992): Corpus dos Mosaicos Romanos de Portugal, Vol. I, Conuentus Scallabitanus, Conimbriga, Casa dos Repuxos, texto e imagens, Instituto Português dos Museus, Museu Nacional de Conímbriga, Conímbriga.