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Ala Sudeste do Peristilo

Fonte: Opustessellatum-PT
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1.4 Ala Sudeste do peristilo 1.4 Southeast wing of the peristyle[editar | editar código-fonte]

Localização actual Museu Monográfico de Conímbriga,

(Museu Nacional de Conímbriga, desde 2023)

Localização admin.

romana

Ciuitas de Conímbriga, conuentus

scalabittanus, província da Lusitânia

Cronologia Último quartel do séc. II, e o primeiro quartel

do sec. III

Texto e Imagem por  Rodrigo Silva , Sara Tokälic estudantes da Licenciatura em História da Arte

Estado da Arte[editar | editar código-fonte]

São diversos os estudos que, desde o século XX, se têm feito sobre a Domus designada dos Repuxos em Conimbriga.

Contudo existem três de índole crucial: Justino Maciel, (A Arte da Época Clássica (séculos II a C - II d. C.), In: P. Pereira, ed., História da Arte Portuguesa), Jorge de Alarcão (O Domínio romano em Portugal, Publicações Europa-América) e Bairrão Oleiro (Instituto Português de Museus Corpus dos mosaicos romanos de Portugal), o primeiro corpus dos mosaicos romanos em Portugal, precisamente aí denominada Casa dos Repuxos (Oleiro, 1992). Justino Maciel faz um estudo breve que versa sobre várias casas do complexo arqueológico, mencionando a casa dos repuxos como “mais interessante do conjunto conimbrigense” (Maciel.J,1995, p90.). Jorge de Alarcão aborda Conímbriga em vários capítulos da sua publicação de referência onde, destaca a menção aos escritos de Plínio o Velho, que nos permitem perceber a existência pré-romana de Conimbriga como um pequeno ópido. (Alarcão.J, 1998, p.44). O autor menciona mais que uma vez, a necessidade urgente de realizar e publicar um inventário (Corpus)dos mosaicos de Conímbriga, trabalho que vai ser levado a cabo mais tarde por Bairrão Oleiro.

Já Bairrão Oleiro inventaria não só o mosaico em estudo como todos os restantes desenterrados/descobertos/escavados na Casa do Repuxos em

Conímbriga. O seu trabalho apresenta-se num formato de registo patrimonial formal, publicado no corpus mencionado anteriormente. O próprio autor menciona que o painel, “Não foi ainda um objeto de estudo.” (Oleiro, 1992, p.45).

Assim permaneceu até ter sido objeto de estudo de um projeto académico da Universidade Nova de Lisboa, “Mosaico romano em Portugal”, uma página da web, num vídeo da autoria de Inês Rodrigues e Samya Bruçó: “Mosaico do corredor do peristilo da Casa dos Repuxos em Conimbriga”.

Enquadramento/Contextualização Histórica[editar | editar código-fonte]

Vestígios do Peristilo da Casa dos Repuxos, Conímbriga, 2024, Rodrigo Silva .jpg

O mosaico que será alvo de análise, integra o sítio arqueológico de Conímbriga capital da ciuuitas romana de Conímbriga, que se inseria por sua vez na província da Lusitânia. Localiza-se a sudeste do corredor do peristilo da Casa dos Repuxos. Conímbriga é pré-romana, antes da sua conquista por parte dos mesmos, organizava-se num ópido. Contudo após a conquista Romana, desenvolveu-se “transforming itself into a Roman city and oppidum stipendiarium” (Limão. F 2015, p.5). Mais tarde, ainda no século I, foi elevada a município, albergando até um novo fórum em honra de Flávio, além do mesmo termas, várias domus, anfiteatro, teatro. Estas são as informações que temos, uma vez que apenas 1/3 da cidade foi escavada até à data.

Justino Maciel refere que todas as domus de Conímbriga seguiam um modelo em que o peristilo, se tornava, o coração da casa em torno do qual todas as dependências se organizavam. (Maciel. J, 1995, p. 89). A Casa dos Repuxos é uma construção localizada extramuros, (fora da muralha da antiguidade tardia, data de III-V d.C.) e foi sacrificada como resultado da necessidade de reduzir o perímetro da cidade para fazer face às invasões cada vez mais frequentes dos povos germânicos, mais tarde já no século V, acaba por ser pilhada pelos suevos. (Limão.F, 2015, p.5). As casas (domus) de Conimbriga são profusamente ornamentadas, a “magnificência destas domus” (Maciel. J, 1995, p.90) traduz-se no poderio económico e intelecto da classe romana que habitava Conímbriga, permite-nos perceber a extensão da educação dos mesmos, devido aos temas eruditos representados ao longo do mesmo como o mito do Minotauro, Perseu e as Horas (provem de Horae (provem de uma personificação alegórica clássica das estações do ano). As escavações em Conimbriga iniciaram-se em 1930-44 pelo Arqueólogo Vergílio Correia, mas desde o final do século XIX que o interesse por Conimbriga tinha surgido a mando da rainha D. Amélia. (Limão. f 2015, p.p1-5).

Em relação às escavações é também relevante a menção à publicação das Fouilles de Conímbriga por Etiénne e Alarcão, um trabalho documental acerca das escavações enriquecido por registos fotográficos e ilustrações das mesmas.O valor desta abordagem global pode ser comprovado, pela seguinte citação de Raymond Brulet:

“La parution du septième volume des Fouilles de Conimbriga, qui clôture une série dense et impressionnante de rapports de fouilles et d'analyses de matériel, avalise le succès général de l'entreprise que l'on peut résumer en insistant sur la collaboration efficace des archéologues français et portugais, le respect d'un programme de publication et, enfin, la mise à la disposition de la communauté scientifique d'un nouvel outil de référence.”

Brulet Raymond. Alarcao (Jorge) et Étienne (Robert). Fouilles de Conimbriga. VII. Trouvailles diverses. Conclusions générales. In: Revue belge de philologie et d'histoire, tome 58, fasc. 3, 1980. Langues et littératures modernes — Moderne taal- en letterkunde. pp. 683-684.

Decomposição Verbal[editar | editar código-fonte]

Vectorização do Mosaico 1.4 do Peristilo por Rodrigo Silva

Para decompor verbalmente o mosaico, procedemos a uma subdivisão do mesmo em painéis:

  • Painel 1.4
  • Painel 14.R.a [restauro (a), figura 6 a verde]
  • Painel14. R. b [restauro (b), figura 5 a rosa]
  • 1.4.R.c[restauro (c), figura 7 a rosa].

Produzido em tesselas calcárias, entre último quartel do séc. II, e o primeiro quartel do séc. III, foi alvo de restauros dos próprios romanos, e moderno. (Oleiro, 1992, p.45). “Arrancado, e consolidado, em 1957/58, sobre trinta e quatro camadas de betão armado. Conservaram-se os restauros e remendos antigos, com exceção dos de Opus Signinium(Oleiro, 1992, p.45).

1.4 Ala sudeste do Pátio Porticado (composição principal) / 1.4 Southeast wing of the porticated patio (main composition)

Painel com composição ortogonal de quadrados sobre o vértice e retângulos brancos, delimitados a preto, determinando uma forma geométrica cruciforme. Nos retângulos encontram-se inscritos losangos negros. Já os quadrados são preenchidos por um motivo vegetalista de florão incluído ao qual denominamos: (Florão nº1).

Tipos de Florão, Recorte de uma Vectorização do Mosaico 1.4 do Peristilo
Vetorização do Mosaico 1.4 do Peristilo da Casa dos Repuxos, Detalhe do restauro romano

Na figura cruciforme determinada pela composição encontramos incluídos outros dois tipos de motivo vegetalista: (Florão nº2/ 2.1). No espaço residual da composição observamos peltas negras com as pontas tangentes à moldura. A moldura do painel, constitui um fileto negro com a largura de 3 tesselas.

Esta composição é repetida ao longo do peristilo. Não só esta moldura, como outras, repetem-se ao longo do painel.

Florão (Flower) nº1

Motivo vegetalista composto por 4 pétalas lanceoladas, cruzadas por 4 pétalas apontadas e de espessura delgada, com formato triangular. Ao centro são notáveis dois quadrados sobrepostos. As suas cores alternam entre tons de vermelho, amarelo, azul e negro.

Florão (Flower) nº2

Motivo vegetalista composto por 4 pétalas de aspeto lanceolado, subsequentemente cruzadas por 4 pétalas cordiformes, acentuadas por um contorno á sua integridade que geralmente segue o cromatismo das mesmas. As cores alteram entre tons de amarelo, azul, vermelho e negro.

Florão (Flower) nº2.1

Motivo de florão de carácter vegetalista semelhante ao Florão nº2, difere nas pétalas cordiformes, não apresentando contorno em uma ou mais das suas pétalas. Segue também a policromia do Florão nº2.

Vectorização do Mosaico 1.4 do Peristilo, Detalhe do restauro romano b

1.4.R.a Restauro Romano (a)/ 1.4 Roman restauration (a)

Composição ortogonal de quadrados, brancos e negros com motivos quadrangulares de diversas tipologias (sobre o vértice, de cantos recurvos etc.) inscritos, também a branco e negro. Há apenas um motivo geométrico não quadrangular (rodeado a vermelho), mas lanceolado. A delimitação da área deste painel é de um pendor bastante irregular.

Apresenta na parte inferior um motivo vegetalista em voluta o que poderia indicar a existência de um vaso nesta composição, um tema bastante reproduzido na antiguidade em Portugal, tanto a fresco, como em mosaico(Maciel, J,1995,pp.118-119).

1.4.R.b Restauro Romano (b) /1.4 Roman restauration (b)

Vectorização do Mosaico 1.4 do Peristilo Restauro Romano C.

Painel irregular com composição, composta por filetes recurvos de espessura irregular justapostos de cor branca e negra. Podemos observar uma tentativa de continuação do padrão geométrico do Painel 1.4 com uma pelta de pontas recurvas inseridas num quadrado delimitado a branco (tomando o lugar do florão nº1 na composição do painel principal). Está representado ao lado delimitado a rosa.

1.4.R.c Restauro Romano (c) /1.4 Roman restauration(c)

Painel de delimitações irregulares é composto por um fundo de tesselas negras sobre o qual se destaca um círculo a branco com um diâmetro de aproximadamente 13 tesselas. Em torno desse motivo circular dispõem-se tesselas brancas isoladas de um modo irregular.


Iconografia[editar | editar código-fonte]

A decoração este mosaico carrega acima de tudo um pendor vegetalista e geométrico. Por outro lado, o Painel 1.4.c deixa-nos espaço aberto para

ponderar um sentido iconográfico, ponderamos que carregue um foro astronómico, podendo ser a representação da lua no céu estrelado.

É importante demarcar que, quer na composição principal como nos painéis de restauro, o objeto, a forma, a imagem, adaptam-se ao espaço

em que estão inseridas.

Fontes e Bibliografia[editar | editar código-fonte]

J. M. Bairrão Oleiro, Janine Lancha, (1992) Instituto Português de Museus, Corpus dos mosaicos romanos de Portugal, p.45;

Limão. F, “Conimbriga,” in The Encyclopedia of Ancient History, ed. Roger

S. Bagnall et al., 1st ed. (Wiley, 2015), [p.p.]1–5Maciel, J., (1995) A Arte da Época Clássica (séculos II a C - II d. C.),. In: P.

Pereira , ed., História da Arte Portuguesa , Círculo de Leitores;

Alarcao J., (1988) O Domínio romano em Portugal, Publicações Europa-América;

Viegas, C., Abraços, F., & Macedo, M. (1993). Dicionário de motivos geométricos no mosaico romano. Liga dos Amigos de Conímbriga.

Brulet Raymond. Alarcao (Jorge) et Étienne (Robert). Fouilles de Conimbriga. VII. Trouvailles diverses. Conclusions générales. In: Revue belge de philologie et d'histoire, tome 58, fasc. 3, 1980. Langues etlittératures modernes — Moderne taal- en letterkunde. pp. 683-684.

[s.d],Rodrigues.I, Bruçó.S, Mosaico Romano em Portugal, FCSH, disponível em: <http://www2.fcsh.unl.pt/cadeiras/Opusmusiuum/m.conimbriga0003.html>