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Mosaico do canto nordeste do peristilo (Casa dos Repuxos, Conímbriga)

Fonte: Opustessellatum-PT

Identificação[editar | editar código-fonte]

Localização actual Casa dos Repuxos, Museu Nacional de Conímbriga (até 2023, designado Museu Monográfico de Conímbriga). Freguesias de Condeixa-a-Velha e Condeixa-a-Nova, distrito de Coimbra
Localização admin. romana Ciuitas de Conimbriga, Conuentus Scalabitanus, Província da Lusitânia
Cronologia segundo quartel do séc. III, 226-250.

Estado da Arte[editar | editar código-fonte]

Das escavações Luso-Francesas em 1964, foi escrito o Fouilles de Conimbriga (Alarcão, Etienne, 1979), uma obra essencial para os estudos futuros de Conimbriga. De seguida, o levantamento e descrição deste mosaico é feita no Corpus dos Mosaicos Romanos de Portugal, vol I - Casa dos Repuxos, Conímbriga (Oleiro, 1992), que inclui a análise de cada mosaico da casa, incluindo cores, técnicas, tamanho e iconografia. Mais tarde, em Le Décor Géométrique de la Mosaïque Romaine II (Balmelle, Blanchard-Lemée, Darmon, 2002), é feita uma análise dos vários padrões e motivos que podem ser encontrados nos mosaicos romanos, onde é feita uma curta menção do mosaico em estudo (p. 209). Em 2010, na tese de doutoramento A Arquitectura Doméstica de Conímbriga e as Estruturas Económicas e Sociais da Cidade Romana (Correia, 2010), é desenvolvida a arquitetura doméstica e compreende um capítulo dedicado à Casa dos Repuxos e aos seus mosaicos. No entanto, o mosaico em si ainda não foi objeto de um estudo aprofundado ou exclusivo.

Contextualização Histórica[editar | editar código-fonte]

Fig. 1 Planta da Casa dos Repuxos com o mosaico 1.9 assinalado. Imagem original de Morand (2005, p. 21, fig. 4).

As ruínas da Casa dos Repuxos, na cidade romana de Conimbriga, e o seu conjunto de mosaicos, foram encontradas durante as escavações da Casa de Cantaber, que se iniciaram em 1929, devido à projeção da edificação de um parque de estacionamento adjacente ao lado exterior da muralha do Baixo Império. É tomada a decisão de preservação in situ dos mosaicos, onde ainda hoje se situam. As escavações nesta casa foram realizadas entre agosto e outubro de 1939 [1], após ser encontrada durante as escavações junto à muralha, mas apenas em 1953 é iniciado o restauro dos mosaicos, auxiliado pelo arqueólogo e estudioso de mosaico romano, João Manuel Bairrão Oleiro [2]. Sob a direção de Bairrão Oleiro, em 1962 é então criado o Museu Monográfico de Conímbriga e estabelecida uma relação com a Universidade de Bordéus, que deu origem às escavações luso francesas entre 1964 e 1974, resultando na publicação da obra Fouilles de Conimbriga, em 1979. Em 1991 e 1992 é instalada uma cobertura de proteção sobre a Casa dos Repuxos, que se mantém até à presente data e feitas algumas intervenções e revisões de dados das escavações realizadas nos anos 50 do séc. XX. O mosaico estudado encontra-se no interior da Casa dos Repuxos, no canto nordeste do peristilo. Esta casa, edificada no segundo quartel do séc. I d.C., de acordo com o material encontrado nos entulhos, no reinado de Cláudio ou Nero, tinha inicialmente uma função comercial e artesanal. É posteriormente remodelada e adaptada para uma residência aristocrática no início do século II d.C., no reinado de Adriano [3], e estende-se até ao século III d.C., quando é destruída para se realizar a construção da muralha do Baixo Império para a proteção das invasões germânicas. Foi nestas alterações que as caves foram fechadas e o piso superior foi quase todo alterado, sendo instalado o conjunto de mosaicos.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Fig. 2 Painel do canto nordeste da Casa dos Repuxos, Conímbriga (foto: Hugo Marques / Museu Nacional de Conímbriga, s.d.).

Decomposição Visual/Gráfica[editar | editar código-fonte]

Fig. 3 Composição do mosaico.
Fig. 4 Composição do mosaico com as molduras e espaços residuais assinalados.

O mosaico apresenta motivos decorativos geométricos, vegetalistas e objetos e uma composição centrada com um fundo branco. Decompõe-se num painel emoldurado que inclui 4 espaços residuais e medalhão, que, por si, decompõe-se de 4 molduras com 4 quadrados e 8 losangos centrados num quadrado. Encontra-se na Casa dos Repuxos, no canto nordeste do peristilo, que define a área central da casa.

Verbal[editar | editar código-fonte]

O Mosaico 1.9[editar | editar código-fonte]

O mosaico (1.9) do canto nordeste do peristilo encontra-se preservado. Tem um formato quadrangular de 196 x 196 cm, com uma densidade de 93 tesselas por dm2 e com um tamanho médio de tesselas entre 9 a 11 mm.[4] Este mosaico apresenta uma composição centrada, com um medalhão no seu centro, cuja circunferência tem 181 cm de diâmetro. O peristilo está delimitado pelas molduras de filetes pretos e amarelos e um meandro de suásticas.

O Painel 1.9.1D e Moldura 1.9.1.1[editar | editar código-fonte]

O painel (1.9.1D) de fundo branco delimita-se por uma moldura (1.9.1.1) de filete preto de 3 tesselas com um medalhão incluso. Encaixados nos espaços residuais A1 e A3, encontram-se dois crater ligeiramente diferentes um do outro, sendo um deles mais estreito, ambos de cores vermelha, preta, branca e amarela, alternando com dois cálices vegetais estilizados nos espaços A2 e A4, de cores vermelha, preta e amarela. Os vasos estão nos cantos nordeste e sudoeste, enquanto os cálices estão nos cantos noroeste e sudeste. De cada um destes elementos, emergem duas gavinhas com volutas que se estendem nos espaços residuais.

As Molduras 1.9.1.2, 1.9.1.3, 1.9.1.4 e 1.9.1.5[editar | editar código-fonte]

O medalhão tem 4 molduras, a mais exterior (1.9.1.2) é constituída por uma trança, em ilhó branca, de dois cordões. Um dos cordões é vermelho, branco e preto, o outro é amarelo, branco e preto. A trança está incluída numa faixa preta que se segue por um intervalo em filete branco. A moldura seguinte (1.9.1.3) é composta por um filete preto montado com dentículo quadrangular de 2 x 2 tesselas. A parte central do medalhão é emoldurada por dois filetes, um amarelo (1.9.1.4) e outro, preto (1.9.1.5), ambos de 2 tesselas.

O Esquema Interior do Medalhão[editar | editar código-fonte]
Fig. 5 Particularidade do Painel (foto: Hugo Marques / Museu Nacional de Conímbriga, s.d.)

No interior do medalhão, centrados num quadrado preto e delineados por um filete preto de 2 tesselas, inscrevem-se 4 quadrados pretos menores assentes no vértice tangentes às faces do quadrado central e 8 espaços residuais em formato de losango, de forma a criar uma estrela de 8 pontas. Nos espaços residuais entre a estrela e a moldura (1.9.1.5) encaixam-se triângulos isósceles amarelos e vermelhos concêntricos ao respetivo espaço. Nos espaços residuais losangulares, também se encontram losangos concêntricos amarelos e vermelhos. Os quadrados menores incluem outro quadrado negro concêntrico, onde se encontram nós de Salomão pretos, brancos, vermelhos e amarelos. Encaixado no quadrado central encontra-se uma trança encanastrada de 4 cordões em ilhó, preta, branca, amarela e vermelha. Adicionalmente também se repara que um dos losangos é diferente dos outros, este é vermelho com um perfil denteado de 1 x 1 tessela, que inclui um losango preto concêntrico. Não se sabe certamente porque esta particularidade, mas assume-se ser um mero capricho do autor ou uma assinatura.

Fig. 6 Painel do canto nordeste da Casa dos Repuxos, Conímbriga (foto: Hugo Marques / Museu Nacional de Conímbriga, s.d.)
Fotografia do canto nordeste do peristilo (fotografia de Carolina Fonseca)

Imagens e Iconografia do Objeto[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Correia (2013) p. 149
  2. Correia (2013) p. 20
  3. Correia (2004) pp. 54-55
  4. Oleiro (1992) p. 55

Fontes e Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Abraços, M. F. Viegas, C., Macedo, M. (1993). Dicionário de Motivos Geométricos no Mosaico Romano, Liga dos Amigos de Conimbriga, Conimbriga.
  • Balmelle, C., Blanchard-Lemée, M., & Darmon, J.-P. (2002). Le décor géométrique de la mosaïque romaine II. Paris: Picard.
  • Carretas, J., Pancadares, C.: Mosaico Romano em Portugal, Tapete do peristilo da Casa dos Repuxos em Conimbriga, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa - http://www2.fcsh.unl.pt/cadeiras/Opusmusiuum/m.conimbriga0001.html
  • Correia, V. H. (2013). A Arquitectura Doméstica de Conímbriga e as Estruturas Económicas e Sociais da Cidade Romana, Coimbra.
  • Limão, F., Silva, M. (2015). Linhas de Fronteira no Desenho do Mosaico: Breve Reflexão Sobre as Relações entre Paineis Centrais e Molduras nos Pavimentos Musivos, Estudios sobre mosaicos antiguos y medievales, Luz Neira Jiménez Editora
  • Oleiro, J. M. B. (1992). Corpus dos Mosaicos Romanos de Portugal, Vol. I, Conuentus Scallabitanus, Conimbriga, Casa dos Repuxos, texto e imagens. Conímbriga: Museu Nacional de Conímbriga; Lisboa: Instituto Português dos Museus.