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Medalhão com Acteon (Casa dos Repuxos, Conímbriga)

Fonte: Opustessellatum-PT

1.7. Medalhao com acteon[editar | editar código-fonte]

Localização actual Casa dos Repuxos, Museu Nacional de Conímbriga (até 2023, designado Museu Monográfico de Conímbriga). Freguesias de Condeixa-a-Velha e Condeixa-a-Nova, distrito de Coimbra
Localização admin. romana Ciuitas de Conimbriga, Conuentus Scalabitanus, Província da Lusitânia
Cronologia primeiro quartel do séc. III, 200-225.

Estado da Arte[editar | editar código-fonte]

Em Portugal, a primeira obra em que se faz um estudo sistemático sobre mosaicos romanos foi com o arqueólogo e professor, João Bairrão Oleiro. Este professor ficou conhecido pelo seu estudo sobre os mosaicos romanos em Portugal, particularmente em Conimbriga e por ter fundado o Museu Monográfico de Conimbriga, em 1959. Foi professor na Universidade Nova de Lisboa e, durante o seu tempo de ensino, foi fomentando nos seus mestrandos o gosto pelo estudo dos mosaicos. Bairrão Oleiro foi convidado a escrever o “Corpus dos Mosaicos Romanos em Portugal, Conimbriga, Casa dos Repuxos” pelo Professor Doutor Artur Nobre de Gusmão que era o antigo Director do Serviço de Belas Artes da Fundação Calouste Gulbenkian. O Corpus é um “corpo” organizado e completo de informação sobre um conjunto de objetos e, por ter este caráter sistemático, serve de base a outros estudos. A obra do “Corpus dos Mosaicos Romanos em Portugal, Conimbriga, Casa dos Repuxos” foi dividida em duas partes e publicada em 1992, com o primeiro volume do "Conventus Scalabitanus", dedicado à Casa dos Repuxos de Conimbriga. A fonte desta informação foi um artigo da revista “Portvgalia”, escrito por Fátima Abraços em 2006.

O primeiro volume do “Corpus dos Mosaicos Romanos em Portugal, Conimbriga, Casa dos Repuxos” é composto por uma introdução, um capítulo sobre a história das escavações e a arquitetura da casa. Além disso, também é composto pelo Corpus analítico e crítico dos 38 mosaicos estudados. O autor procurou fazer um estudo crítico e comparativo, referindo alguns paralelos e propondo a possível cronologia, tendo para isso elaborado uma ficha com os seguintes itens: localização, tema, materiais utilizados, cores, descrição, dimensões, referências bibliográficas, estudo analítico e comparativo e cronologia proposta. No item “descrição”, não só analisa a decoração, mas também, refere os restauros antigos e modernos a que cada mosaico foi submetido. O segundo volume apresenta as estampas com as plantas da casa, o levantamento fotográfico dos mosaicos, o levantamento dos desenhos, dos motivos decorativos e as fotografias dos materiais arqueológicos descobertos na casa. Na década de 1990, o Doutor Justino Maciel continuou o trabalho do professor Bairrão Oleiro, quanto à sensibilização para o estudo do mosaico romano. Esta sensibilização foi importante e teve impactos positivos na área da arqueologia pois foi possível aprofundar melhor o estudo dos mosaicos romanos em Portugal, o que permitiu novas descobertas históricas. A publicação dos dois primeiros volumes do Corpus dos mosaicos romanos mostrou a importância científica do estudo do mosaico nos seus aspectos estilístico e técnico, o que contribuiu para o aumento dos estudos sobre os mosaicos romanos em Portugal. Justino Maciel é um professor português tendo exercido a sua atividade docente no Departamento de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Este professor escreveu obras sobre a província da Lusitânia, incluindo Conimbriga. Sendo conhecido como um dos maiores autores sobre a presença romana em Portugal no período da Antiguidade Tardia. Algumas das suas obras mais prestigiadas foram as traduções dos 10 livros do de “Arquitectura de Vitrúvio” lançado em 2002  e “Antiguidade Tardia e Paleocristianismo em Portugal” de 1996.   Virgilio Hipolito Correia e Jorge de Alarcão também se debruçaram sobre o estudo do espaço romano em Portugal. Virgilio Hipolito Correia é um arqueólogo formado nas universidades do Porto e Coimbra. Este arqueólogo trabalhou no Serviço Regional de Arqueologia do Sul de Portugal e posteriormente em Conimbriga, Museu que dirigiu entre 1999 e 2017. Ele escreveu alguns livros sobre Conimbriga, entre eles, “Conimbriga, a vida de uma cidade da Lusitânia” de 2024 e “A arqueologia doméstica de Conimbriga e as estruturas económicas e sociais da cidade romana” de 2011.   Jorge de Alarcão é um arqueólogo e historiador português que escreveu várias obras sobre o período romano em Portugal. Este arqueólogo também fez parte de uma equipa luso-francesa que investigou as Ruínas de Conimbriga. Em 1977, Jorge de Alarcão junto com o historiador francês, Robert Étienne, lançaram uma obra sobre as escavações luso-francesas em Conimbriga. Esta obra chama-se “Fouilles de Conimbriga”.

Enquadramento/Contextualização Histórica[editar | editar código-fonte]

Conimbriga foi uma cidade romana da Hispânia (Península Ibérica romana), na província da Lusitânia. Atualmente, este espaço engloba um museu onde é possível visitar as ruínas desta cidade. Dentro destas ruínas encontra-se a “Casa dos Repuxos” onde foram encontrados mosaicos romanos, no peristilo desta casa e nas áreas envolventes.

Em 1873, o Instituto de Coimbra efetua a primeira escavação arqueológica e em 1889, recebeu o patrocínio da Rainha D. Amélia. Em 1907, foram encontrados vestígios do peristilo da casa porém, só foram redescobertos em 1939, durante a construção de uma estrada.

Entre 1929 e 1944, numa colaboração entre a Universidade de Coimbra e a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), decorrem escavações sistemáticas dirigidas por Vergílio Correia. Entre 1944 e 1962, a DGEMN procedeu à consolidação e restauro das estruturas. A partir de 1953, as intervenções nos mosaicos foram dirigidas por Bairrão Oleiro.

Entre 1957 e 1958, o mosaico que estudamos da Casa dos Repuxos, Medalhão com Actéon, foi levantado e consolidado sobre 3 placas de betão armado, incluindo as molduras exteriores. Em 1962, o Museu Monográfico de Conimbriga foi aberto com artefatos coletados em várias áreas arqueológicas. (Oleiro, 1992)

A “Casa dos Repuxos” localiza-se a Norte da via romana de acesso à porta principal da muralha (“Porta do Sol” ou “Porta de Tomar”), a um nível um pouco inferior ao da via. O mosaico “Medalhão com Actéon” localiza-se na ala Este do pátio porticado (A-17), frente à entrada para o oecus-triclinium, in situ. (Oleiro, 1992)

Segundo o “Corpus dos Mosaicos Romanos em Portugal, Conimbriga, Casa dos Repuxos”, durante a época romana, a “Casa dos Repuxos” foi a casa de uma família de elite cuja identidade nunca foi descoberta. Acredita-se que os donos da casa eram de uma classe social alta e tinham grandes posses financeiras, devido à grandeza da casa e aos mosaicos que foram encontrados. Também é possível notar que seriam pessoas com um gosto refinado e uma conexão com a cultura e a mitologia. Esta casa é o exemplo perfeito da vida luxuosa que algumas famílias romanas levavam. (Oleiro, 1992)  

Hoje em dia, podemos apreciar a beleza artística da “Casa dos Repuxos” no seu jardim com  mosaicos multicoloridos que contam histórias da cultura e mitologia.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Fig.1. Foto da moldura do Painel "Medalhão com Actéon", adaptada por Mariana Silva e Issa Karuza, "Corpus dos Mosaicos Romanos de Portugal, Conimbriga, Casa dos Repuxos", Bairrão Oleiro, 1992.

-Decomposição visual / gráfica[editar | editar código-fonte]

Fig.2. Foto da moldura do Painel “Medalhão com Actéon”, adaptada por Mariana Silva e Issa Karuza, "Corpus dos Mosaicos Romanos de Portugal, Conimbriga, Casa dos Repuxos", Bairrão Oleiro, 1992.