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Mosaico da ala sudeste do peristilo (Casa dos Repuxos, Conímbriga)

Fonte: Opustessellatum-PT
Localização actual Casa dos Repuxos, Museu Nacional de Conímbriga (até 2023, designado Museu Monográfico de Conímbriga). Freguesias de Condeixa-a-Velha e Condeixa-a-Nova, distrito de Coimbra
Localização admin. romana Ciuitas de Conimbriga, Conuentus Scalabitanus, Província da Lusitânia
Cronologia último quartel do séc. II a primeiro quartel do séc. III

Estado da Arte[editar | editar código-fonte]

Produzido em tesselas calcárias, entre o último quartel do séc. II e o primeiro quartel do séc. III, foi alvo de restauros dos próprios Romanos, e moderno.[1]

Terá sido escavado aquando das explorações arqueológicas de 1930-44 pelo Arqueólogo Virgilio Correia, a mando da rainha D. Amélia.[2] Será importante referênciar que apenas 1/3 do complexo arqueológico foi escavado até à data.

Há bastantes registos escritos e trabalhos de investigação sobre a domus em que o mosaico inerente ao nosso estudo se insere. Seria um trabalho bastante extenso, embora não impossível, referenciar toda a bibliografia e pesquisa desenvolvida em torno desta casa principalmente do peristilo. Contudo, devido ao tamanho deste trabalho é importante referenciar as mais relevantes. De Justino Maciel a Jorge de Alarcão, muitos foram os autores a fazê-lo.

É importante mencionar que embora a análise desta casa seja extensa, nenhum estudo aborda em específico o painel em questão. Talvez devido ao seu pendor geométrico e o seu carácter de preenchimento do espaço entre os medalhões que carregavam iconografia e simbologia de um pendor mais erudito.

Encontra-se quase como inventariado no Corpus de Conímbriga de J. M. Bairrão Oleiro. O próprio autor menciona que este painel “Não foi ainda um objeto de estudo.”[3]

É descrito brevemente no vídeo “Mosaico do corredor do peristilo da Casa dos Repuxos em Conimbriga” da autoria de Inês Rodrigues e de Samya Bruçó, que integra um projeto académico da Universidade Nova de Lisboa, “Mosaico romano em Portugal”.

Enquadramento/Contextualização Histórica[editar | editar código-fonte]

Como mencionado anteriormente, este mosaico integra o complexo arqueológico de Conímbriga. Está localizado a sudeste do corredor, no peristilo da Casa dos Repuxos.

Justino Maciel refere que todas as domus de Conímbriga seguiam um modelo em que o peristilo se tornava o coração da casa em torno do qual todas as dependências se organizavam.[4]

Trata-se de uma construção localizada extramuros, fora das muralhas da Antiguidade Tardia. Foi mais tarde pilhada pelos suevos.[5]

A Casa dos Repuxos, é um dos melhores exemplares de domus em Portugal. Profusamente ornamentada, especialmente no peristilo, o que traduz não só o poder económico de quem lá viveu, a “magnificência da classe romana”[6] que habitava em Conímbriga, mas também a educação dos mesmos devido aos temas eruditos representados ao longo do mesmo como o mito do Minotauro, Perseu e as Horas.

Sob administração Romana localizava-se na província da Lusitânia, inserida no conuentus scalabittanus.

Escavado por Virgílio Correia (como mencionado a cima), no curso das primeiras escavações iniciadas no local em 1899 patrocinadas pela rainha D. Amélia.

“Arrancado, e consolidado, em 1957/58, sobre tinta e quatro camadas de betão armado. Conservaram-se os restauros e remendos antigos, com exceção dos de Opus Signinium”[7]

Decomposição Visual/Gráfica[editar | editar código-fonte]

Para decompor visualmente o mosaico, procedemos a uma subdivisão do mesmo em painéis:Painel 1.4, Painel 14.R.a [restauro (a)], Painel14.R.b 1.4.R.c.

1.4 Ala sudeste do Pátio Porticado (composição principal) / 1.4 Southeast wing of the porticated patio (main composition)

Composição ortogonal de quadrados sobre o vértice e retângulos brancos, delimitados a preto, determinando uma forma geométrica cruciforme. Losangos negros encontram-se inscritos nos retângulos, já os quadrados são preenchidos por um motivo vegetalista de florão incluído ao qual denominamos: Florão nº1. Na figura cruciforme determinada pela composição encontramos incluídos outros dois tipos de motivo vegetalista: Florão nº2/ 2.1. No espaço residual da composição observamos peltas negras com as pontas tangentes à moldura do painel que constitui um fileto negro com a largura de 3 tesselas. Esta composição é repetida ao longo do peristilo.

Florão (Flower) nº1

Motivo vegetalista composto por 4 pétalas lanceoladas, cruzadas por 4 pétalas apontadas e de espessura delgada, com formato triangular. Ao centro, são notáveis dois quadrados sobrepostos. As suas cores alternam entre tons de vermelho, amarelo, azul e negro.

Florão (Flower) nº2

Motivo vegetalista de florão composto por 4 pétalas de especto lanceolado, subsequentemente cruzadas por 4 pétalas cordiformes. Cada uma destas pétalas composta por 3 formas cordiformes sobrepostas, proporcionando ao observador um efeito de contorno. As cores alternam entre tons de amarelo, azul, vermelho e negro.

Florão (Flower) nº2.1

Motivo de florão de carácter vegetalista semelhante ao Florão nº2, difere nas pétalas cordiformes, não apresentando contorno (sobreposição de formas cordiformes) em uma ou mais das suas pétalas. Segue também a sua policromia.

1.4.R.a Restauro Romano (a)/ 1.4 Roman restauration (a)

Composição ortogonal de quadrados brancos e negros com motivos quadrangulares de diversas tipologias (sobre o vértice, de cantos recurvos etc.) inscritos, também a branco e negro. Na extremidade há apenas um motivo geométrico não quadrangular, mas lanceolado. A delimitação da área deste painel é de um pendor bastante irregular. Apresenta na parte inferior um motivo vegetalista em voluta, o que poderia indicar a existência de um vaso nesta composição, um tema bastante reproduzido na antiguidade em Portugal, tanto a fresco, como em mosaico.

1.4.R.b Restauro Romano (b) /1.4 Roman restauration (b)

Painel irregular com composição em escama, composto por filetes recurvos de espessura irregular justapostos a branco e negro.

1.4.R.c Restauro Romano (c) /1.4 Roman restauration (c)

Painel de delimitações irregulares, composto por um fundo de tesselas negras sobre o qual se destaca um círculo a branco com um diâmetro de aproximadamente 13 tesselas. Em torno desse motivo circular dispõem-se tesselas brancas isoladas de um modo irregular. Na extremidade, vemos uma tentativa de continuação do padrão geométrico do Painel 1.4 com uma pelta de pontas recurvas inseridas num quadrado delimitado a branco (tomando o lugar do Florão nº1 na composição do painel principal).

Imagens e Iconografia do Objeto[editar | editar código-fonte]

A iconografia destes painéis carrega acima de tudo um pendor vegetalista e geométrico. Contudo, o Painel 1.4.c deixa-nos espaço aberto para ponderar o significado iconográfico que o mesmo carrega, poderá ser, por exemplo, uma representação de um forro astronómico. Seria importante demarcar que quer na composição principal como nos painéis de restauro, o objeto, a forma, a imagem, adaptam-se ao espaço em que estão inseridas.

Fontes e notas de rodapé[editar | editar código-fonte]


[1]  J. M. Bairrão Oleiro, Janine Lancha, Instituto Português de Museus, Corpus dos mosaicos romanos de Portugal, p.45

[2]  Limão. F, “Conimbriga,” in The Encyclopedia of Ancient History, ed. Roger S. Bagnall et al., 1st ed. (Wiley, 2015), [p.p.]1–5, acedido em:(14-11-24)  disponível em: <https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/9781444338386.wbeah26212.>

[3] J. M. Bairrão Oleiro, Janine Lancha, Instituto Português de Museus, Corpus dos mosaicos romanos de Portugal, p.45

[4]Maciel, J.; A Arte da Época Clássica (séculos II a C - II d. C.),. In: P. Pereira , ed., História da Arte Portuguesa , Círculo de Leitores , 1995

[5] Limão. F, “Conimbriga,” in The Encyclopedia of Ancient History, ed. Roger S. Bagnall et al., 1st ed. (Wiley, 2015), [p.p.]1–5, acedido em:(14-11-24)  disponível em: <https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/9781444338386.wbeah26212.>

[6] Maciel, J.; A Arte da Época Clássica (séculos II a C - II d. C.),. In: P. Pereira , ed., História da Arte Portuguesa , Círculo de Leitores , 1995

[7] J. M. Bairrão Oleiro, Janine Lancha, Instituto Português de Museus, Corpus dos mosaicos romanos de Portugal, p.45