Capela/Farol de São Miguel-O-Anjo: diferenças entre revisões
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O farol representa um valor incalculável, não só a nível local, como também a nível nacional devido ao impacto que teve para a evolução da cidade costeira. A sua construção proporcionou o aumento e a melhoria da navegação marítima, e possibilitou mais tráfego através do rio e do mar de uma forma mais segura e calculada. | |||
Se realmente o projeto de D. Miguel da Silva fosse levado a avante, o porto e toda a arquitetura envolvente tornaria esta terra numa das primeiras a conter uma reorganização renascentista, algo necessário nesta época. | |||
A pesquisa concretizada, embora um tanto quanto extensa, foi um pouco repetitiva a nível de informação encontrada. Isto sugere, provavelmente, uma falta de estudo em volta não só desta cidade, como também de D. Miguel da Silva, bispo de Viseu e, ainda de ''Francesco Cremona'', um arquiteto fundamental para o renascimento no Norte de Portugal. | |||
Mais importante que consultar muita bibliografia e webgrafia é realizar uma visita ao próprio local para se ter noção da dimensão e da importância que estes monumentos possam ter tido no passado e até no presente, independentemente do seu estado de conservação e de acessibilidade. | |||
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Revisão das 08h22min de 28 de fevereiro de 2025
Capela/Farol de São Miguel-O-Anjo
| Designação | Capela/Farol de São Miguel-O-Anjo |
|---|---|
| Localização | Foz do Douro |
| Cronologia | Séc. XVI, ano de 1528 |
| Autor | Francesco Cremona |
Estado da Arte
Após muita pesquisa e recolha de informações sobre a Capela/Farol de São Miguel-O-Anjo, na Foz do Douro, percebe-se a importância deste pequeno monumento que passa despercebido, devido à implantação do edifício dos Socorros a Náufragos.
O farol representa um valor incalculável, não só a nível local, como também a nível nacional devido ao impacto que teve para a evolução da cidade costeira. A sua construção proporcionou o aumento e a melhoria da navegação marítima, e possibilitou mais tráfego através do rio e do mar de uma forma mais segura e calculada.
Se realmente o projeto de D. Miguel da Silva fosse levado a avante, o porto e toda a arquitetura envolvente tornaria esta terra numa das primeiras a conter uma reorganização renascentista, algo necessário nesta época.
A pesquisa concretizada, embora um tanto quanto extensa, foi um pouco repetitiva a nível de informação encontrada. Isto sugere, provavelmente, uma falta de estudo em volta não só desta cidade, como também de D. Miguel da Silva, bispo de Viseu e, ainda de Francesco Cremona, um arquiteto fundamental para o renascimento no Norte de Portugal.
Mais importante que consultar muita bibliografia e webgrafia é realizar uma visita ao próprio local para se ter noção da dimensão e da importância que estes monumentos possam ter tido no passado e até no presente, independentemente do seu estado de conservação e de acessibilidade.
Enquadramento
A Capela/Farol de São Miguel-O-Anjo fica localizada na União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde. O monumento atualmente encontra-se integrado no edifício dos Socorros a Náufragos.
Na sua periferia alguns dos edifícios que o inserem na época renascentista são a antiga Igreja de São João da Foz, inscrita no forte de São João Baptista e o Farol da Senhora da Luz, uma construção mais recente que veio substituir o Farol de São Miguel-O-Anjo na primeira metade do século XVII, altura em que passou a funcionar essencialmente como capela votiva.
Foz do Douro, uma freguesia pequena mas cheia de História
A Foz, conhecida por este nome por se localizar no término do rio Douro, era caracterizada, até ao séc. XIX, como uma vila piscatória pobre. O seu tamanho reduzido e o afastamento das muralhas da cidade do Porto faziam com que a sua importância, tanto a nível económico como demográfico, fosse bastante reduzido. Mesmo assim, comparada com outras freguesias, como Massarelos e Nevogilde, apresentava um maior número de casais ou fogos. [1]
A cidade de São João da Foz do Douro, anteriormente assim conhecida, “viu as suas atividades ligadas ao mar incentivadas pelo Império Romano, que trouxe consigo novas técnicas de construção de barcos e uma ampla experiência de navegação.” [2], permitindo a evolução da zona devido ao negócio a nível marítimo.
A sua maior riqueza estava nas relações marítimas que passavam pela barra do rio Douro. Foi aqui que se verificaram os primeiros sinais do renascimento em Portugal, com o forte de São João Baptista da Foz, mandado construir por D. Sebastião.
É ainda importante salientar o brasão desta freguesia. É composto por um escudo com um fundo prateado, uma torre preta com o topo em vermelho, que evoca o Farol de São Miguel-O-Anjo, ladeada por dois ferros de enxada azuis, ligados à vida agrícola desta zona, pois esta população estava ligada à Terra e ao Mar. Na zona inferior do brasão, encontram-se ondas azuis, prateadas e verdes e o nome da freguesia a preto. Na parte superior, uma coroa com quatro torres prateadas simboliza a humildade e a “riqueza da sua entrega total”.
[1] https://www.portosecretspots.com/post/a-foz-a-cantareira-e-o-farol-de-s-miguel-o-anjo
[2] https://aldoarfoznevogilde.pt/autarquia/uniao-das-freguesias/
Descrição
A Capela de São Miguel-O-Anjo, localizada na Cantareira, Foz do Douro, anteriormente conhecida como São João da Foz, em honra do seu santo padroeiro São João Baptista, sempre foi alvo de algumas controvérsias quanto à sua designação.
Foi o farol mais antigo, construído de raiz em Portugal e um dos mais antigos a nível europeu. Também foi o primeiro edifício puramente renascentista no nosso país, o que o torna um dos monumentos mais importantes tanto a nível nacional como internacional.
“Nessa pretendida sintonia entre a Foz e o porto de Ostia se levantaram os dois monumentos construtivos que dignificam a acção mecenática do bispo de Viseu, a capela de S. Miguel-o-Anjo (1528) e a igreja de São João da Foz (1527-46) …” (CRAVEIRO, 2009:75)
O que vemos hoje é o farol que foi construído na torre da capela de São Miguel-O-Anjo, segundo Maria Clementina de Carvalho Quaresma[1]. Neste mesmo livro, está traduzida a inscrição em latim presente na parte traseira desta torre que se lê «D. MIGUEL DA SILVA, BISPO ELEITO DE VIS/EU, FEZ ESTA TORRE PARA GOVERNO DA/ ENTRADA DOS NAVIOS E DEU E CONSIGNOU/CAMPOS COMPRADOS COM O SEU DINHEIRO/PARA QUE DO RESPETIVO RENDIMENTO SE/ ACENDESSEM DA TORRE FOGOS PERPETUA/MENTE» ANO MDXXVIII.»
Esta inscrição é fundamental não só para a datação da torre como também para identificar quem a mandou construir, neste caso D. Miguel da Silva, bispo de Viseu e abade do mosteiro de Santo Tirso, com projeto de Francesco de Cremona, um arquiteto italiano que trabalhou em Portugal a partir de 1525.
[1] Quaresma, M. C. de C. (1995). Cidade do Porto. Academia Nacional de Belas-Artes
Caracterização
Este monumento tem uma planta quadrangular, possivelmente inspirado na torre de Hércules da Corunha, estando destinado a auxiliar as embarcações na difícil entrada na barra.
Na sua fachada, embora coberta quase totalmente pelo edifício do século XIX, ainda é possível observar um alto soco maciço.
Estão também presentes duas janelas de peitoril, percorridas por frisos, com cornija reta na parte superior, uma com a conversadeira ainda presente, sendo possível só observar uma do lado de fora, com o propósito de iluminar o seu interior, friso e cornija encimados por uma balaustrada, antes em pedra e, o seu elemento mais importante, a cúpula oitavada.
Também conta com duas inscrições na pedra, uma no reverso e outra no lado direito do edifício. Estas estão incluídas num número reduzido de inscrições em pedra e um dos primeiros com a utilização do alfabeto capital de origem clássica. [1]
No interior, embora que nos dias correntes esteja bastante maltratado e despojado de qualquer ornamentação, ainda é possível observar três nichos, encimadas por um motivo em forma de concha, tendo o do centro dimensões maiores do que os nichos que o ladeiam.
Segundo o SIPA[2], nestes lugares estariam presentes as figuras de São Miguel, homónimo do bispo de Viseu, D. Miguel da Silva, a de São João Baptista, o santo padroeiro da Foz do Douro e, ainda a de São Bento, patrono do Mosteiro de Santo Tirso, possivelmente albergando um oratório na parede sul do edifício.
Ainda no espaço reduzido da parte interna desta capela, é possível ver uma escadaria em caracol que daria acesso à zona superior do farol.
A sua planta organiza-se numa forma cruciforme, estando coberto por uma pseudo-cúpula de tijolo, com nervuras e oitavada, com uma forte influência das obras de Bramante (arquiteto conhecido pela construção do Tempieto de São Pedro in Montorio).
Tanto na sua cúpula como nos nichos em forma de concha, há ainda vestígios de terem sido espaços policromados, uma prática bastante comum no Renascimento.
[1] http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3862
[2] http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3862
Património integrado
Embora não apresente nenhum património integrado nos dias de hoje, segundo as Memorias Paroquias de 1758[1] este edifício contava com um retábulo “à moderna”, possuindo uma representação de Nossa Senhora de Encarnação ao centro e, ainda “a antiga de São Miguel, com cobertura oitavada, rodeada por balaústres, e com a porta acedida por alguns degraus e ladeado por um púlpito de pedra, ao que parece, precedida por terreiro quadrado, delimitado por parapeito, do qual ainda subsistem alguns vestígios.”[2]
[1] Capela José Viriato, Matos Henrique, Borralheiro Rogério, Capela José Viriato, Matos Henrique, & Borralheiro Rogério. (2009). As freguesias do distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758: memórias, história e património. Edição do Autor.
[2] http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3862
Imagens e Iconografia do Objeto
Bibliografia e Webgrafia
Bibliografia
Quaresma, M. C. de C. (1995). Cidade do Porto. Academia Nacional de Belas-Artes.
Capela José Viriato, Matos Henrique, Borralheiro Rogério, Capela José Viriato, Matos Henrique, & Borralheiro Rogério. (2009). As freguesias do distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758: memórias, história e património. Edição do Autor.
Marnoto, R. (2017). (Org. Dossiê) Arquitectos italianos em Portugal.
Marta Maria Peters Arriscado de Oliveira. (2005). Porto, São Miguel o Anjo: uma torre-farol e capela. Memória para uma intervenção na obra.
Craveiro, M. de L. (2009). A Arquitectura “ao Romano”. Fubu.
PEREIRA, P., História da Arte Portuguesa (1995), Vol. II, Círculo de Leitores
SERRÃO, V., História da Arte em Portugal (2002) - O Renascimento e o Maneirismo (1500- 1620), Lisboa, Editorial Presença.
SOROMENHO, M., A Arquitectura do Ciclo Filipino, 2009
Pereira, P. (2014). Renascimento. Círculo de Leitores.
Fernandes, J. A. R. (1989). A Foz: entre o rio, o mar e a cidade. Associação de Cultura e Turismo da Foz.
Webgrafia
https://www.portosecretspots.com/post/a-foz-a-cantareira-e-o-farol-de-s-miguel-o-anjo consultado em 15 de novembro de 2024
https://www.infopedia.pt/artigos/$latrao-v consultado em 15 de novembro de 2024
https://www.infopedia.pt/artigos/$cisma-do-ocidente?intlink=true consultado em 15 de novembro de 2024
https://diocesedeviseu.pt/catedral/ consultado em 15 de novembro de 2024
http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5541 consultado em 02 de novembro de 2024
https://www.aldoarfoznevogilde.pt/pages/372.html consultado em 05 de dezembro de 2024
https://www.e-cultura.pt/patrimonio_item/13975 consultado em 06 de dezembro de 2024