Igreja do Carmo
Identificação
| Designação | Igreja do Convento de Nossa Senhora do Carmo |
| Localização | Igreja localizada no Distrito de Aveiro, no Concelho de Aveiro, na freguesia de Glória e Vera Cruz, mais especificamente na Rua do Carmo, perto da estação ferroviária. |
| Cronologia | Século XVII |
| Autor(es) | não conhecido |

Estado de arte
( Falar sobre donde a informação foi retirada, de modo, a mostrar a credibilidade.)
Enquadramento
O edifício está integrado na rua que lhe dá o nome, sendo precedido por um adro murado com uma porta central, que é coroada por um arco semicircular. De cada lado, existem dois vãos quadrados, protegidos por grades. Acima da cornija, há uma decoração exuberante, com enrolamentos em voluta.
Cronologia
| 1613 | fundação do Convento, obra custeada pela padroeira D. Brites de Lara; |
| 1620 | anexos conventuais concluídos; |
| 1628 | cerimónia do lançamento da primeira pedra da igreja; |
| 1643 | conclusão das obras da igreja; |
| 1709, 12 abril | feitura de três retábulos, o mor e os colaterais, por António Gomes, pela quantia de 410$000; |
| 1711 | data inscrita no portal do muro de acesso, correspondendo à sua edificação; |
| 1713, 10 julho | douramento de um altar lateral por Francisco da Costa Borges, junto ao púlpito; |
| séc. 19 | desaparecimento dos anexos seiscentistas; |
| séc. 20 | reforma do pátio exterior; |
| 1993 | colocação de três painéis de azulejo no pátio, com temas da vida de São João da Cruz da autoria de A. Limus; |
| 2012, 19 novembro | publicação em DR, 2ª série, nº 223, o anúncio nº 13712/2012 com o projeto de decisão relativo à fixação da zona especial de proteção (ZEP). |
Data de 1251 a instalação da primeira comunidade carmelita em Portugal. Chegados ao território nacional como capelães da Ordem Militar de São João de Jerusalém, os Carmelitas fundaram a sua primeira comunidade em Portugal em 1581. Alguns anos depois, em julho de 1613 instalaram-se em Aveiro, fundando em outubro desse mesmo ano o Convento do Carmo.
Nos primeiros anos, os Carmelitas de Aveiro habitaram numas casas na vila, propriedades de Gil Homem da Costa, enquanto Frei José de Jesus Maria, vigário da comunidade, adquiriu alguns terrenos para a edificação do convento. O Convento de São João Evangelista remonta ao início do século XVII, altura em que D. Brites de Lara, viúva de Pedro de Médicis, manda construir, junto às muralhas da Vila, um palácio para sua habitação. Em 1618 os edifícios onde os Carmelitas habitavam ameaçavam ruir, e nessa data mudaram-se para o palacete de D. Beatriz de Lara Meneses, filha dos Marqueses de Vila Real, onde permaneceram até 1620.
Anos mais tarde, D. Brites solicita ao rei D. João IV autorização para nela fundar um convento. A demora no processo leva a que seja o seu herdeiro, D. Raimundo de Lencastre, 4º Duque de Aveiro, a receber a devida autorização e a cumprir a sua vontade. Em agosto de 1626 D. Beatriz de Lara Meneses ofereceu-se para financiar as obras da igreja, e a primeira pedra era lançada em outubro de 1628. As obras seriam concluídas em abril de 1643, quando o templo foi inaugurado. Em 1658 chegam a Aveiro as primeiras freiras carmelitas. Em março de 1620, com a parte conventual já edificada, a comunidade instalou-se no Convento do Carmo. No entanto, a edificação do templo iria prolongar-se por vinte e cinco anos, uma vez que a comunidade se debatia com falta de verbas.
Em 1661, e durante os três anos seguintes, o Convento do Carmo passou a funcionar como Colégio de Filosofia. Durante o século XVIII foram feitas apenas duas obras de relevância, a construção do adro exterior e uma remodelação do retábulo-mor.
A partir de 1834, com a extinção das Ordens Religiosas, o Convento do Carmo ficou votado ao abandono, sendo entregue ao Ministério da Guerra que o transformou em asilo de veteranos do Exército. Em 1839 era vendida a cerca do convento a Manuel Mendes Leite, que em 1856 comprava o edifício do convento. Durante a década de 50 do século XIX vários habitantes de Aveiro doaram esmolas e trabalharam para a manutenção do convento e sobretudo da igreja. Alguns anos depois, o convento era novamente vendido, desta vez a Sebastião de Carvalho e Lima.
Os diversos proprietários delapidaram por completo o convento, destruindo os edifícios seiscentistas que constituíam a zona conventual. A igreja manteve-se intacta, e em 1884 o templo era entregue à Irmandade dos Passos. Os frades Carmelitas só voltariam a Aveiro em 1928.
Autores
António Gomes (1709) foi o entalhador responsável pela criação das peças de talha dourada presentes no interior da igreja. A talha dourada é uma característica marcante do barroco português e confere ao espaço uma atmosfera de riqueza e grandiosidade. O trabalho de Gomes é especialmente notável pela sua complexidade e pelo detalhamento, com formas ornamentais que cobrem altares, retábulos e outras partes da igreja. O pintor de azulejos A. Limus (1993) também deixou a sua marca na igreja, contribuindo para a tradição de decoração com azulejos que caracteriza o estilo barroco português. Limus, com sua habilidade no trabalho com azulejos, foi responsável por dar vida a belíssimos painéis, que, combinados com a talha dourada, criam um ambiente harmonioso e visualmente deslumbrante. Já o pintor e dourador Francisco da Costa Borges (1713) teve um papel fundamental na ornamentação da igreja, aplicando a técnica de douramento nas peças de talha, uma prática que adicionava um brilho e uma sofisticação impressionantes. O trabalho de Borges, realizado no início do século XVIII, complementou o estilo da época, marcado pela exuberância e pela riqueza visual.
Estes artistas foram essenciais para a criação do ambiente único e impressionante da Igreja do Convento de São João Evangelista, que é um exemplo claro da fusão de diferentes formas de arte, desde a talha dourada até os azulejos, refletindo o esplendor do barroco português.
Descrição
A arquitetura está organizada por uma planta em cruz latina, com uma nave única apenas, precedida depois por nártex, e uma capela-mor pouco profunda.
Apresenta coberturas diferenciadas em telhados de duas águas e de uma água, lateralmente. Além disso, apresenta um Campanário inscrito na fachada lateral direita. Fachada desenvolvida em três panos com os laterais unidos ao corpo central por aletas.
O pano central, marcado por pilastras colossais, apresenta uma composição em quatro registos, abrindo-se no piso térreo um nártex com entrada em arcaria tripartida, sendo a central mais elevada, inscrevendo-se superiormente ao arco central uma edícula decorada por volutas estilizadas e frontão curvo que corresponde ao janelão retangular superior, ladeado por emblemática heráldica. Frontão triangular superior com óculo oval central e cruz de hastes simples no topo.
Alçado lateral marcado por cunhais de cantaria. Nave ritmada por pilastras, com lambril em azulejo, sendo rasgado de cada um lado por um arco de volta perfeita emoldurando capelas com retábulos de talha dourada. Superiormente corre entablamento clássico simples, cobertura em abóbada de cinco tramos com lunetas, os primeiros dois correspondendo ao coro-alto de arco abatido.
No lado da Epístola, púlpito com base pétrea, talha e sanefa. Cruzeiro com cúpula central pintada assente em trompas esféricas e retábulos de talha dourada nas paredes do transepto e capela-mor com retábulo de talha dourada.
E por fim, a Iluminação produzida através de um janelão central retangular, ao coro-alto, e dois ao transepto.
Património Integrado
A Igreja do Convento do Carmo e o seu recheio encontram-se classificados como imóvel de interesse público (IIP), conforme Decreto n.º 45 469, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 303, de 27 de dezembro de 1963.
Situação Atual Classificado
Categoria de Proteção Classificado como IIP – Imóvel de Interesse Público
O diploma define uma zona especial de proteção (ZEP) que tem em consideração a implantação do imóvel numa malha urbana de caraterísticas muito próprias, bem como a existência de outro edificado com valor patrimonial na envolvente. A sua fixação visa salvaguardar a igreja no seu enquadramento, garantindo as perspetivas de contemplação e os pontos de vista que constituem a respetiva bacia visual. É fixada a zona especial de proteção (ZEP) da Igreja do Convento do Carmo e o seu recheio, na Rua do Carmo, Aveiro, União das Freguesias de Glória e Vera Cruz, concelho e distrito de Aveiro, classificados como imóvel de interesse público (IIP) pelo Decreto n.º 45 469, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 303, de 27 de dezembro de 1963, conforme planta constante do anexo à presente portaria, da qual faz parte integrante. 30 de maio de 2014. — O Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier.
Fontes
http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=784
https://servicos.dgpc.gov.pt/pesquisapatrimonioimovel/detalhes.php?code=74017
https://files.dre.pt/2s/2014/06/118000000/1617516175.pdf
https://www.cm-aveiro.pt/visitantes/arte-publica/patrimonio-edificado/poi/igreja-do-convento-do-carmo-e-o-seu-recheio