Igreja da Misericórdia de Braga

A Igreja da Misericórdia de Braga é um dos poucos exemplos da arquitetura renascentista na cidade de Braga. Começou a ser edificada por volta de 1562 a pedido do Arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires (1559–1558) e pertence à Santa Casa da Misericórdia de Braga.
Tipo: Religioso
Proprietário: Santa Casa da Misericórdia
Localização:
- Portugal, Braga, Braga, União das freguesias de Braga (Maximinos, Sé e Cividade).
- Endereço: R. Dom Diogo de Sousa 124, 4700-424 Braga;
- Coordenadas geográficas:41º33'1.634"N 8º25'37.344"W
- Encontra-se adjacente à Sé Catedral de Braga;
Cronologia:
- 1513 - Agregada ao claustro da Sé ergue-se a primeira capela associada a Santa Casa da Misericórdia de Braga (capela de Jesus da Misericórdia);
- 1562 - Início da construção da igreja;
- 1563 - Encontravam-se em curso as obras de construção da igreja;
- Até o séc. XIX - sofre alterações e reformas, principalmente no seu interior.
Enquadramento:
A obra encontra-se incluída no agrupamento de construções da Sé Catedral de Braga. A Casa do Despacho, também está associada com a igreja da misericórdia, transformando o espaço arquitetônico num conjunto em L.
Elementos renascentistas:
Na sua fachada encontramos elementos decorativos de matriz "ao romano", Manuel Luís (arquiteto e mestre de obra) também vai utilizar este traçado clássico noutra obra emblemática do Porto renascentista - a Igreja da Misericórdia do Porto.

Esta obra "tipo caixa" não utiliza recursos volumétricos para dar dinamismo á obra, na verdade vemos a intenção de uma forma robusta e firme ao nível da arquitetura- muito comum no período renascentista. Com isto, vemos o uso de um frontão triangular simples, sem tímpano preenchido por relevos, somente um óculo redondo no centro. De seguida, mais embaixo, vemos neste tramo algumas aberturas - uma retangulares ao centro e duas mais pequenas de cada lado acentuando a simetria, juntamente dos elementos escultóricos, mais uma vez com conchas e fogaréus. Por fim, no tramo próximo ao chão vemos outro “portal retábulo” de um porte maior. Este com acesso através de uma simples escadaria é delimitado por pares de colunas compósitas, como podemos verificar pelas imagens, de fuste canelado sobre duas bases: a primeira com relevo escultórico simples e a segunda com uma moldura com interior vazio. Ao centro, vemos um detalhe importante na linguagem clássica deste edifício que a utilização do arco de volta perfeita como sistema de construção, isto é, num tempo em que a tecnologia da arquitetura permite construir arcos quebrados, ogivas e outros, os mestres de obra vão preferir trabalhar com o arco simples, já que para eles estes em termos de beleza correspondiam muito mais aos seus ideais.