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Igreja da Misericórdia de Braga

Fonte: Porto Renascentista
Revisão em 07h30min de 31 de março de 2025 por Sofia Sousa (discussão | contribs)
Fig.1-Fachada principal da Igreja da Misericórdia de Braga

Identificação

Designação Igreja da Misericórdia de Braga
Localização Braga, União das freguesias de Braga (Maximinos, Sé e Cividade).Endereço: R. Dom Diogo de Sousa 124, 4700-424 Braga

Coordenadas geográficas:41º33'1.634"N 8º25'37.344"W

Cronologia Século XVI (1562)
Autor(es) Manuel Luís

Estado da Arte

Para um entendimento geral da temática da arquitetura renascentista nas misericórdias de Portugal destaca-se as seguintes três obras essenciais:

A “Arte Portuguesa – Da Pré-História ao Século XX” (2009) de Dalila Rodrigues para compreender o tipo de arquitetura produzida naquele tempo no território português, também conhecida como arquitetura «ao romano».

A obra de Rafael Moreira «As Misericórdias: um património artístico da humanidade.» (2006) introduz as tipologias das misericórdias e explica a importância destas irmandades na época renascentista, devido ao caráter caritativo das 14 obras da Misericórdia que auxilia a sustentação da sociedade.

Quanto a obra «As casas da Misericórdia: confrarias da Misericórdia e a arquitectura quinhentista portuguesa (2013) de Joana Balsa Pinho, acompanha a história e difusão das casas de misericórdias pelo território português e mostra de que modo estas estruturas vão se adaptar ao estilo renascentista.

Enquadramento

Anteriormente, a primeira morada da Casa da Misericórdia localizava-se numa das capelas do claustro da Sé e foi fundada por ordem do Arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires (1514-1590). Mais tarde vai ser alterada para a Rua Dom Diogo de Sousa, no centro histórico de Braga no encontro com a Praça D. João Peculiar, porém desta vez vai estar adjacente a uma parede da Sé de Braga (a Sul do pátio fechado, claustro de Santo Amaro ou de São Geraldo) incluindo-se assim no seu agrupamento arquitetónico. Associado ao novo edifício da Casa da Misericórdia de Braga temos a Casa do Despacho, que transforma o espaço da obra num conjunto de planta em L.

Também, a nordeste do edifício encontra-se o Antigo Paço Arquipiscopal de Braga, e a nordoeste a Câmara Municipal de Braga e a Fonte do Pelicano.

Descrição

Objeto arquitetónico: Igreja da Misericórdia de Braga

No que diz respeito a fachada da obra, encontramos elementos decorativos de matriz "ao romano", que já se manifestava em Portugal.

Fig.2- Igreja da Misericórdia de Braga

Esta obra «tipo caixa» (Moreira, R; 2006) não utiliza recursos volumétricos para dar dinamismo à obra, na verdade vemos a intenção de uma forma robusta e firme ao nível da arquitetura - muito comum neste período.

Confirmamos este gosto pelo o uso de um frontão triangular simples, sem um tímpano com relevos, somente um óculo redondo no centro. Mais a baixo, vemos um tramo com uma sequência de aberturas - umas retangulares ao centro e duas mais pequenas de cada lado acentuando a simetria, juntamente de elementos escultóricos como retábulos decorativos, conchas e fogaréus, que também se vai repetir de modo semelhante no seguinte tramo, que contribui para o embelezamento da fachada.

Por fim, ainda nos tramos horizontais, no nível próximo ao chão vemos um “portal retábulo” de grande porte. Dá-se acesso por uma simples escadaria e é delimitado por pares de colunas compósitas, como podemos verificar pelas imagens, de fuste canelado sobre duas bases: a primeira com relevo escultórico simples e a segunda com uma moldura de interior vazio.

Ao centro, vemos um detalhe importante na linguagem clássica deste edifício que a utilização do arco de volta perfeita como sistema de construção, isto é, num tempo em que a tecnologia da arquitetura permite construir arcos quebrados, ogivas e outros, os mestres de obra vão preferir trabalhar com o arco simples, já que para eles estes em termos de beleza correspondiam muito mais aos seus ideais.

Quanto ao sistema de cobertura este possui um telhado de duas águas, sem abóbadas e estruturas esféricas.

Património integrado

No que diz respeito ao património integrado, os principais momentos de intervenção ao nível de património integrado deu-se nas seguintes datas:

  • 1703 - Bento Coelho pinta uma tela de Nossa Senhora da Boa Morte para o retábulo do Santíssimo Sacramento
  • 1710 - o pintor Manuel da Cunha dourou o retábulo da Boa Morte e o arco da capela;
  • 1722 - pintura do quadro de Nossa Senhora da Visitação por Domingos Silva;
  • 1723- colocação na fachada principal, das imagens da Rainha Santa Isabel e de São Luís, rei de França, executadas por António Correia, de Palmeira;
  • 1741 - Jacinto da Silva executa o retábulo do Santo Cristo;

Imagens e Iconografia do Objeto

Objeto arquitetónico[editar | editar código-fonte]

Património integrado[editar | editar código-fonte]

Objeto ou conjunto em destaque[editar | editar código-fonte]

Fontes e Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Fontes[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Norma CITCEM

Enquadramento:

A obra encontra-se incluída no agrupamento de construções da Sé Catedral de Braga. A Casa do Despacho, também está associada com a igreja da misericórdia, transformando o espaço arquitetônico num conjunto em L.

Elementos renascentistas:

Na sua fachada encontramos elementos decorativos de matriz "ao romano", Manuel Luís (arquiteto e mestre de obra) também vai utilizar este traçado clássico noutra obra emblemática do Porto renascentista - a Igreja da Misericórdia do Porto.

Esta obra "tipo caixa" não utiliza recursos volumétricos para dar dinamismo á obra, na verdade vemos a intenção de uma forma robusta e firme ao nível da arquitetura- muito comum no período renascentista. Com isto, vemos o uso de um frontão triangular simples, sem tímpano preenchido por relevos, somente um óculo redondo no centro. De seguida, mais embaixo, vemos neste tramo algumas aberturas - uma retangulares ao centro e duas mais pequenas de cada lado acentuando a simetria, juntamente dos elementos escultóricos, mais uma vez com conchas e fogaréus. Por fim, no tramo próximo ao chão vemos outro “portal retábulo” de um porte maior. Este com acesso através de uma simples escadaria é delimitado por pares de colunas compósitas, como podemos verificar pelas imagens, de fuste canelado sobre duas bases: a primeira com relevo escultórico simples e a segunda com uma moldura com interior vazio. Ao centro, vemos um detalhe importante na linguagem clássica deste edifício que a utilização do arco de volta perfeita como sistema de construção, isto é, num tempo em que a tecnologia da arquitetura permite construir arcos quebrados, ogivas e outros, os mestres de obra vão preferir trabalhar com o arco simples, já que para eles estes em termos de beleza correspondiam muito mais aos seus ideais.