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Igreja de São Paulo

Fonte: Porto Renascentista
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Identificação[editar | editar código-fonte]

Designação Igreja de São Paulo
Localização Braga
Cronologia Século XVI
Autor(es)

Estado da Arte[editar | editar código-fonte]

Este trabalho tem como objetivo analisar a prática da arquitetura realizada em Portugal no contexto do Renascimento Europeu, com ênfase na adaptação dos elementos renascentistas à realidade cultural e artística portuguesa. Para isso, foi realizada uma revisão das principais fontes bibliográficas e webgráficas, destacando as suas contribuições para o entendimento deste período.

A obra de George Kubler, A Arquitectura Portuguesa Chã, constitui uma referência essencial, analisando a arquitetura renascentista em Portugal entre 1521 e 1706. Kubler identifica as características singulares do estilo “Chão”, evidenciando como este se adequa à simplicidade e funcionalidade típicas do contexto português. Os estudos sobre monumentos como a Sé de Miranda do Douro e o Mosteiro de São Bento da Vitória permitem compreender a integração de valores clássicos na arquitetura religiosa e monástica do período.

Vítor Serrão, em História da Arte em Portugal – Renascimento e Maneirismo, complementa esta análise ao explorar elementos técnicos e estilísticos, como as abóbadas da Sé de Braga e da Sé de Viseu, atribuídas a mestres como João de Castilho e Francisco de Cremona. O autor também aborda a influência italiana e espanhola nos projetos, evidenciando a circulação de ideias no espaço europeu.

A obra de Maria de Lurdes Craveiro, A Arquitetura “Ao Romano”, contribui com uma visão aprofundada sobre a influência do classicismo renascentista, analisando edifícios como a Igreja de São Paulo de Braga e a Igreja de São João da Foz. O destaque dado à adaptação do vocabulário clássico demonstra a capacidade dos arquitetos portugueses de reinterpretarem o Renascimento de acordo com as demandas locais.

Já o volume dirigido por Paulo Pereira, História da Arte Portuguesa, oferece uma abordagem abrangente sobre o classicismo em Portugal, com análises detalhadas de edifícios como a Igreja Matriz de Caminha e o Convento de São Gonçalo de Amarante, exemplificando a síntese entre inovação e tradição no contexto arquitetônico nacional.

A webgrafia consultada complementa a bibliografia, oferecendo informações adicionais e atualizadas sobre monumentos específicos, como a Igreja de São Paulo de Braga e o impacto da Companhia de Jesus na arquitetura pedagógica e religiosa. Destacam-se sites como o da Direção-Geral do Património Cultural e publicações locais que enriquecem a pesquisa com dados sobre a história e o contexto urbano dessas obras.

Enquadramento[editar | editar código-fonte]

A Igreja de São Paulo, localizada no centro histórico de Braga, insere-se num contexto patrimonial rico e diversificado, refletindo a evolução histórica, arquitetônica e urbanística da cidade. Este edifício emblemático não é apenas um marco religioso, mas também um testemunho das transformações culturais e sociais que moldaram Braga ao longo dos séculos. Situada num quarteirão parcialmente delimitado pelos Largos de São Paulo e de Santiago, a igreja ocupa uma posição privilegiada na malha urbana, integrando-se harmoniosamente no centro histórico da cidade. A sua fachada principal abre-se para o Largo de São Paulo, um espaço que reflete o equilíbrio entre o traçado urbano tradicional e os elementos arquitetônicos de destaque. Por outro lado, o seminário anexo, que complementa o conjunto arquitetônico, tem a sua entrada voltada para o Largo de Santiago, um espaço arborizado, onde o chafariz central seiscentista se destaca como um elemento de valor histórico e estético, enriquecendo a paisagem urbana e reforçando o significado cultural do local.

A proximidade da igreja com outros monumentos de importância patrimonial, como a Torre de Santiago, remanescente da antiga muralha medieval, e o Palácio dos Falcões, atualmente ocupado pelo Governo Civil de Braga, sublinha a relevância estratégica da sua localização. Estes elementos não só conferem à Igreja de São Paulo um enquadramento histórico único, mas também a integram numa narrativa urbana mais ampla, que atravessa diferentes períodos da história da cidade, desde a fundação romana até aos dias atuais.

Braga, sendo uma das cidades mais antigas de Portugal, apresenta um vasto legado arquitetónico e cultural, refletindo a sua evolução como um importante centro de poder político, religioso e económico ao longo dos séculos. Fundada pelos romanos em 16 a.C., sob o nome de Bracara Augusta, Braga foi concebida como capital da província da Galécia. Esta posição conferiu-lhe destaque como um dos principais núcleos administrativos, religiosos e comerciais do noroeste da Península Ibérica. Elementos significativos do período romano, como a Fonte do Ídolo e as Termas do Alto da Cidade, ilustram a sofisticação do planeamento urbano e das infraestruturas públicas da cidade, cuja organização influenciou diretamente o desenvolvimento posterior de Braga.

Após a queda do Império Romano, Braga continuou a desempenhar um papel central, especialmente durante a transição para o cristianismo entre os séculos V e VIII. A cidade tornou-se um dos centros mais influentes do cristianismo ibérico, consolidando-se como sede episcopal e ganhando o título de "Roma portuguesa". A Sé de Braga, uma das catedrais mais antigas da Península Ibérica, destaca-se como um marco dessa época, simbolizando a centralidade religiosa da cidade.

Durante a Idade Média, Braga expandiu-se significativamente, com o surgimento de novas freguesias e edifícios que reforçaram o seu estatuto religioso e comercial. Na Idade Moderna, com o Renascimento e o período barroco, a cidade experimentou uma nova onda de crescimento e transformação urbanística. Foi nesse contexto que a Igreja de São Paulo foi edificada, integrando-se numa malha urbana em modernização. A criação de novos eixos viários, como a Rua Nova em 1512, conectou áreas estratégicas da cidade, evidenciando a dinâmica de um espaço em constante adaptação.

No século XVIII, Braga destacou-se pela consolidação de edifícios de grande impacto artístico, como o Palácio do Raio e o Hospital de São Marcos, que complementam o património arquitetônico e cultural da cidade. Este desenvolvimento foi acompanhado por uma intensa vida cultural e religiosa, consolidada em eventos como a Semana Santa, ainda hoje uma das tradições mais icónicas de Braga.

Já no século XX, a cidade passou por um processo de preservação do seu património histórico. As intervenções urbanísticas incluíram a requalificação do núcleo medieval, a criação de áreas verdes e a renovação de monumentos de relevância histórica. Estas ações garantiram a preservação da identidade histórica de Braga, ao mesmo tempo que integraram elementos contemporâneos.

Nesse contexto, a Igreja de São Paulo emerge como um elemento central, dialogando com as diferentes camadas da história e da evolução de Braga. A sua arquitetura maneirista, o seu enquadramento no centro histórico e a proximidade com outros marcos culturais e patrimoniais reforçam a sua importância como um símbolo da continuidade e transformação da cidade ao longo dos séculos.

Descrição[editar | editar código-fonte]

A Igreja de São Paulo, em Braga, constitui um exemplar notável da arquitetura religiosa, integrando-se num complexo que inclui o seminário, ambos com uma rica expressão artística e funcionalidade. A planta da Igreja de São Paulo é composta por uma estrutura longitudinal com nave única, para onde abrem sete capelas à face, um transepto inscrito e uma capela-mor mais estreita. Esta última é envolvida por um corredor e pela sacristia nos lados leste e norte. A sul, encontra-se adossado o edifício do seminário, cuja planta é irregular e composta por vários corpos articulados. O corpo principal do seminário é retangular e integra um claustro com pátio interior, interligado a outros corpos dispostos transversalmente a leste e paralelamente a norte, criando pequenos pátios e jardins. Os volumes do conjunto são articulados e escalonados, predominando a horizontalidade. A capela-mor, por sua vez, apresenta-se mais baixa do que a nave. As coberturas são diferenciadas, com telhados de uma, duas, três e quatro águas, destacando-se as mansardas nos corpos leste e norte do seminário.

As fachadas da igreja são maioritariamente revestidas em cantaria de granito aparente, com aparelho isódomo, à exceção do lateral sul e da capela-mor, que são rebocadas e pintadas de branco. Estas fachadas são percorridas por um embasamento saliente e rematadas por cornija e beiral, com cunhais apilastrados toscanos. A fachada principal, orientada a leste, é dividida em dois registos separados por um friso. Apresenta três panos definidos por pilastras toscanas, sendo que as dos extremos estão agrupadas em pares. No registo inferior, o pano central destaca-se pelo portal em arco de volta perfeita, enquadrado por pilastras e rematado por frontão triangular, acessível por quatro degraus. Este portal, atribuído ao arquiteto Manuel Luís, reflete a integração de traços maneiristas com as linhas jesuíticas. O registo superior é marcado por um óculo central e janelas retangulares nos panos laterais. A fachada é rematada por um frontão triangular com cruz latina no vértice.

O seminário, adjacente à igreja, possui fachadas rebocadas e pintadas de branco, flanqueadas por cunhais apilastrados e rematadas por cornija de pedra. A fachada principal, voltada a sul, é composta por três panos murários, com o central enquadrado por pilastras colossais. Este é rematado por um espaldar decorado com grinaldas, mísulas volutadas e um óculo oval ladeado por querubins. No interior, o seminário organiza-se em torno de um claustro de dois registos, com arcadas no piso térreo e janelas no superior. Os espaços internos incluem vestíbulos, auditórios, salas de estar, capelas e quartos. Uma das salas é particularmente notável pelo teto em caixotões pintados, alusivos à vida de Santo Inácio de Loyola.

O interior da igreja é caracterizado por paredes rebocadas e pintadas de branco, com um teto plano em madeira decorado com caixotões octogonais. A nave apresenta dois registos separados por um friso de pedra e pavimento em lajes de granito. O coro-alto, assente em dois pares de pilares, destaca-se pela guarda de madeira torneada e pela presença de um órgão de tubos. As capelas laterais, inseridas em arcos de volta perfeita, apresentam uma rica talha dourada e policromada, atribuída ao mestre entalhador Marceliano de Araújo, com dedicações que incluem Maria Santíssima, São José, São João Batista, São Francisco Xavier e Nossa Senhora de Fátima. No transepto, os retábulos dedicam-se ao Sagrado Coração de Jesus e a Nossa Senhora da Luz. A capela-mor, elevada por quatro degraus, é coberta por uma abóbada de granito decorada com caixotões ornamentados. O retábulo-mor, desenhado por André Soares e executado por entalhadores como José Álvares de Araújo, apresenta colunas torsas, anjos encarnados e um trono central ladeado por colunas salomónicas.

1560   D. Frei Bartolomeu dos Mártires entregou o Colégio de São Paulo à Companhia de Jesus.
1562-63 Doação confirmada por bula papal.  
1563 Intervenções na muralha e torre de São Tiago; construção de passadiço provisório.
1568 Obras na igreja interrompidas para priorizar os aposentos dos religiosos
1569 Início da construção das casas de habitação
1570 Epidemia de peste, mas as obras no claustro continuam
1572 Primeira quadra do claustro prevista para conclusão
1579 Recomeço das obras da igreja com revisão significativa no projeto.
1587 Planejamento para cobrir a nova igreja
1588 Transladação do Santíssimo Sacramento para o novo edifício e início do uso litúrgico
1588-90 Obras no lajeamento da nave e construção das colunas do coro
1591 Definição da traça final do colégio com consulta a arquitetos do Porto e Guimarães
1595 Planejamento do refeitório ainda em andamento

Imagens e Iconografia do Objeto[editar | editar código-fonte]

Património integrado[editar | editar código-fonte]

Para património integrado foi escolhido esculturas dos quatro evangelistas do novo testamento.

O destaque para este conjunto escultórico justifica-se não apenas pela sua técnica e expressividade, mas também pelo intrigante pormenor presente na escultura de São Marcos. Segundo o investigador Sérgio da Silva Pinto, licenciado em Ciências Histórico-filosóficas pela Universidade de Coimbra, a imagem de São Marcos se distingue das demais por apresentar o santo trajando a batina característica dos Jesuítas, ao contrário das figuras dos outros Evangelistas que se apresentam com túnicas flutuantes típicas da iconografia dos apóstolos. Além disso, o rosto de São Marcos parece reproduzir o de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, o que leva a refletir sobre a possibilidade de a intenção inicial do artista ter sido esculpir os quatro mentores espirituais dos Jesuítas, em vez dos próprios Evangelistas.

Este conjunto escultórico, ao ser inserido nas laterais dos retábulos da Igreja de São Paulo, na época ainda ao serviço da Companhia de Jesus, destaca-se pelo seu lugar importante na arquitetura religiosa bracarense, uma vez que conjuntos escultóricos deste tipo estavam em voga na época. A expressividade das figuras e a possível intenção de homenagear os fundadores da Companhia de Jesus tornam este conjunto uma peça chave no estudo da arte barroca e da influência jesuíta na arquitetura religiosa de Braga.

Fontes e Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Webgrafia[editar | editar código-fonte]

https://www.infopedia.pt/artigos/$companhia-de-jesus

https://bragaon.blogspot.com/2012/07/igreja-de-sao-paulo.html

https://do-ferro-ao-ouro.pt/?fbclid=IwY2xjawG-YK1leHRuA2FlbQIxMAABHZjbT5jgnauGWKC89WnOiNWMe55fofWfdtNUmsNgEyk2iH1kyotN6nRsIg_aem_H1Ov-gRiWmsvxiaJHQBWTw

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=90

https://www.cm-braga.pt/archive/doc/7_maravilhas_web.pdf

https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3114.pdf

https://pesquisa.auc.uc.pt/details?id=166382&utm

https://pt.wikipedia.org/wiki/Col%C3%A9gio_de_Santo_Ant%C3%A3o

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

KUBLER, George – A Arquitectura Portuguesa Chã. Entre as Especiarias e os Diamantes (1521-1706). Várias Edições.;

Serrão, V. (2002). O renascimento e o maneirismo (1500-1620). Presença.

Craveiro, M. de L. (2009). A Arquitectura “ao Romano”. Fubu.

PEREIRA, P., História da Arte Portuguesa (1995), Vol. II, Círculo de Leitores