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Casa da Câmara de Vila do Conde

Fonte: Porto Renascentista
Revisão em 07h32min de 28 de fevereiro de 2025 por Rita Rocha (discussão | contribs)

Identificação

Designação Câmara Municipal de Vila do Conde
Localização
  • Norte de Portugal
  • Distrito do Porto
  • Concelho de Vila do Conde
  • Freguesia de Vila do Conde;
  • Implanta-se na Praça Vasco da Gama (4480-454 Vila do Conde);
Cronologia 1538 - 1543
Autor(es) Traçado por: Gonçalo Afonso e João Lopes, o Velho;

Mestres pedreiros: Gonçalo Afonso e Aparício Gonçalves;

Fotografia da fachada dos Paços do Concelho de Vila do Conde ou Casa da Câmara de Vila do Conde, juntamente com o Pelourinho. Fotografia de amaianos

Estado da Arte

Para a realização do estudo da Casa da Câmara de Vila do Conde, João Lopes, o Velho e João Lopes, o Novo foi consultada bibliografia especifica sobre o tema.

Esta conta com a tese de doutoramento «A decoração esculpida na arquitectura da escola dos Lopes (1553-1603): as formas e os símbolos Vol. I e II» (2022) de Catarina de Oliveira, utilizada para melhor entendimento da arte da Família Lopes.

A dissertação «Vila do Conde no início da Época Moderna Construção de uma nova centralidade» (2013) de Eliana de Sousa, base essencial para este trabalho. Utilizada para o entendimento da implantação da Igreja Matriz de Vila do Conde, da Casa da Câmara de Vila do Conde e do Pelourinho. A sua construção a mando régio, assim como os tracistas e mestres pedreiros, foram também explicadas. Neste trabalho também foi possível aceder à transcrição de partes do documento «Contrato entre a Câmara de Vila do Conde e Gonçalo Afonso e Aparício Gonçalves - A construção da casa da Câmara e do pelourinho», disponível no site do Arquivo Municipal de Vila do Conde

A publicação da Sociedade Martins Sarmento na Revista de Guimarães «LOPES, UMA FAMÍLIA DE ARTÍSTAS EM PORTUGAL E NA GALIZA.» (1986) de António Matos Reis. Esta publicação faz uma cronologia da Família Lopes, detalhando os seus locais de trabalho e implantação das suas obras.  

Enquadramento

A Casa da Câmara de Vila do Conde foi mandada erguer no seguimento do projeto de reconstrução da «velha praça medieval» de Vila do Conde. Altera a localização da praça central e transformando-a numa «Praça Nova». Muda assim o «simples largo, acanhado, um espaço central muito pouco digno de uma vila que se desenvolvia»(Sousa, 2013, p70).

O projeto teve início com a igreja Matriz de Vila do Conde, localizada na mesma praça. Em 1502 é financiada por D. Manuel I. A igreja Matriz substituiria a «primitiva igreja pré-românica […] de S. João Baptista, localizada no monte do mosteiro, que, para além de pequena, estaria certamente já necessitada de obras profundas»(Sousa, 2013, p26). Inicialmente seria construída ainda no monte do mosteiro, «pois em 1502 D. Manuel ordena que a nova igreja seja, afinal, no campo de S. Sebastião, na zona baixa da vila». Deslocando-a assim para «relativamente perto da praça medieval onde estavam os velhos paços do concelho e picota, o principal centro social, político e económico de Vila do Conde»(Sousa, 2013, p30).

Assim, a Casa da Câmara de Vila do Conde e o Pelourinho são construídos, sendo começadas em 1538, já no reinado de D. João III, ambas com financiamento régio.

Descrição

Captura de ecrã retirada do Google Maps, onde foram rodeados o Mosteiro de Santa Clara (1), Praça Nova (2) e Praça Velha (3), localizados em Vila do Conde.
Vista aérea da igreja matriz e da Praça Nova (atual Praça Vasco da Gama), com os paços do concelho e o pelourinho (1), com localização da Praça Velha (2) (fonte: CMVC, 2005). Retirado de «Vila do Conde no início da Época Moderna Construção de uma nova centralidade» de Eliana de Sousa.

Objeto arquitetónico

A pesquisa foi iniciada pela consulta de bibliografia obrigatória, que continha obras como: «História da Arte Portuguesa, Vol. II, Parte 3 – Classicismo: Inovações, Resistências, Academismo» (1995) de Paulo Pereira, «História da Arte em Portugal – O Renascimento e o Maneirismo (1500- 1620).» (2002) de Vítor Serrão, «A arquitectura “Ao Romano”» (2009) de Maria de Lurdes Craveiro e «A Arquitectura Portuguesa Chã. Entre as Especiarias e os Diamantes (1521-1706)» de George Kubler.

A bibliografia especifica sobre o tema, conta com a tese de doutoramento «A decoração esculpida na arquitectura da escola dos Lopes (1553-1603): as formas e os símbolos Vol. I e II» (2022) de Catarina de Oliveira. Com a dissertação «Vila do Conde no início da Época Moderna Construção de uma nova centralidade» (2013) de Eliana de Sousa. E com a publicação da Sociedade Martins Sarmento na Revista de Guimarães «LOPES, UMA FAMÍLIA DE ARTÍSTAS EM PORTUGAL E NA GALIZA.» (1986) de António Matos Reis.

A descrição dos Paços do Concelho será baseada na obra de Eliana de Sousa «Vila do Conde no início da Época Moderna Construção de uma nova centralidade», especialmente no capítulo «2.1.2.2 A Arqueologia do edificado».

Fotografia da fachada dos Paços do Concelho e pelourinho de Vila do Conde. Fotografia de Carlos Sousa (2022). https://bit.ly/4frdsa4

Eliana de Sousa começa por referir que o modelo arquitetônico é «simples e o mais comum para a época», tendo a planta retangular, constituída por dois pisos. O piso superior é considerado o «mais nobre» e é dividido em casa da camara («para vereações») e a casa da audiencia («(o tribunal) para o juiz do concelho»).

A cobertura é feita por um «telhado comum, de quatro águas», que cobre as duas divisões.

A fachada é composta por cinco janelas sóbrias e regulares, que iluminam o piso nobre. Sobressai a escadaria monumental, que liga ao piso superior, que acaba numa varanda. A entrada para o piso nobre é feita por uma porta decorada com um pequeno frontão, onde encontramos as armas do reino e a data de finalização da obra, 1543.

No andar térreo, encontramos as arcadas de arco de volta perfeita, onde encosta a escadaria. No lado oposto às arcadas encontramos uma porta ladeada por uma pequena janela gradeada.

A divisão do lado das arcadas é pensada como um suporte para o açougues e do comércio feito na praça. Já a pequena sala, que tem como entrada a porta já mencionada, foi utilizada posteriormente como suporte para o edifício da prisão.

Carlos Caetano, que é citado por Eliana de Sousa, diz que os paços do concelho são um «“exemplo notável de ensaio de uma ordem compositiva nova num corpo arquitectónico tradicional (…) proporcionado pela fachada da casa da câmara”. Diz que apesar de “muito simples, integra e articula elementos tradicionais e elementos inovadores”, onde “tanto a imponente varanda como os arcos dos açougues primitivos, ambos muito vernáculos e de inegável e típico “recorte” tardo-manuelino, coabitam com os dois cunhais de pedraria que sustentam a vasta cornija corrida, elementos inovadores anunciadores de uma ordem, ou melhor, de valores arquitectónicos novos”.»

Imagens e Iconografia do Objeto

Planta do piso térreo dos paços do concelho (com a antiga cadeia à esquerda), após intervenção em 2002 (provável reconstituição do interior do edifício no século XVI) (fonte: CMVC – Arquiteto Manuel Maia Gomes). Retirado de «Vila do Conde no início da Época Moderna Construção de uma nova centralidade» de Eliana de Sousa.
Planta do piso superior (com antiga cadeia à esquerda) (fonte: CMVC – Arquiteto Manuel Maia Gomes). Retirado de «Vila do Conde no início da Época Moderna Construção de uma nova centralidade» de Eliana de Sousa.







Bibliografia

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Craveiro, M. (2009). A arquitectura “Ao Romano”. Cord..Dalila Rodrigues. Fubu. Vila Nova de Gaia.

Kubler, G. A Arquitectura Portuguesa Chã. Entre as Especiarias e os Diamantes (1521-1706). Várias Edições.

Oliveira, C. (2022). A decoração esculpida na arquitectura da escola dos Lopes (1553-1603): as formas e os símbolos. Universidade de Lisboa. Lisboa

Pereira, P. (1995). História da Arte Portuguesa, Vol. II, Parte 3 – Classicismo: Inovações, Resistências, Academismo. Círculo de Leitores. Lisboa. P. 279-537

REIS, A. M. Lopes, uma família de artístas em Portugal e na Galiza. Revista de Guimarães, 96 Jan.-Dez. 1986, p. 151-180.

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Serrão, V. (2002). História da Arte em Portugal – O Renascimento e o Maneirismo (1500- 1620). Editorial Presença. Lisboa.

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Webgrafia

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