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Casa da Câmara de Vila do Conde

Fonte: Porto Renascentista
Revisão em 16h45min de 30 de dezembro de 2024 por Rita Rocha (discussão | contribs)

Introdução ao objeto

Esta página é o resultado final do trabalho «Casa da Câmara de Vila do Conde: estudo da relação com a Família Lopes», desenvolvido no âmbito da UC de História da Arquitetura da Época Moderna I da UP (FLUP), lecionada pelo docente Manuel Joaquim Moreira da Rocha, em parceria com o CODA e a Wikimédia, para o projeto «Para a História da Arquitetura do Grande Porto», em específico o trabalho «Arquitetura e Arquitetos a Norte de Aveiro nos séculos XVI – Inicio de XVII».

Fotografia da fachada dos Paços do Concelho de Vila do Conde ou Casa da Câmara de Vila do Conde, juntamente com o Pelourinho. Fotografia de amaianos

Nesta página pretende-se abordar a Casa da Câmara de Vila do Conde, a sua forma, razão de implantação, arquitetos e mestres pedreiros.

Informações

  • Câmara Municipal de Vila do Conde;
  • Construção: 1538-1543;
  • Construída a mando régio de D. João III;
  • Traçada por: Gonçalo Afonso e João Lopes, o Velho;
  • Mestres pedreiros: Gonçalo Afonso e Aparício Gonçalves;

Localização

  • Localiza-se no Norte de Portugal, distrito do Porto, concelho de Vila do Conde, na freguesia de Vila do Conde;
  • Implanta-se na Praça Vasco da Gama (4480-454 Vila do Conde);
  • Coordenadas: 41.35405263182586, -8.743509560626094.

Casa da Câmara de Vila do Conde

A casa da Câmara de Vila do Conde, também podendo ser referida como Paços do Concelho de Vila do Conde ou simplesmente Câmara Municipal de Vila do Conde, é um edifício renascentista, tendo como data de início de construção 1538, sendo terminada em 1543.

Razões da implantação

Captura de ecrã retirada do Google Maps, onde foram rodeados o Mosteiro de Santa Clara (1), Praça Nova (2) e Praça Velha (3), localizados em Vila do Conde.

É mandada erguer no seguimento do projeto de reconstrução da «velha praça medieval» transformando-a numa «Praça Nova», mudando assim o «simples largo, acanhado, um espaço central muito pouco digno de uma vila que se desenvolvia» («Vila do Conde no início da Época Moderna Construção de uma nova centralidade» de Eliana de Sousa).

Vista aérea da igreja matriz e da Praça Nova (atual Praça Vasco da Gama), com os paços do concelho e o pelourinho (1), com localização da Praça Velha (2) (fonte: CMVC, 2005). Retirado de «Vila do Conde no início da Época Moderna Construção de uma nova centralidade» de Eliana de Sousa.

A necessidade de atualizar o espaço administrativo da «velha praça medieval», começa ainda no reinado de D. Manuel I, em 1502 com a Igreja Matriz de Vila do Conde, na «Nova Praça». Desloca o centro religioso e administrativo, mudando-o de um «simples largo, acanhado, um espaço central muito pouco digno de uma vila que se desenvolvia» para uma Nova Praça que agregava os Paços do Concelho, a Igreja Matriz e o Pelourinho, todos construídos na mesma época.

Estas obras são começadas com a Igreja Matriz de Vila do Conde, por ordem de D. Manuel I, seguem-se da Casa da Câmara e posteriormente do pelourinho, já a mando régio de D. João III.

Antes da iniciação das construções em 1538, são acordados os planos para cada obra, os materiais, medidas e mestres pedreiros, o Gonçalo Afonso e o Aparício Gonçalves. As traças da Casa da Câmara também são desenhadas por dois arquitetos Gonçalo Afonso e João Lopes, o Velho.

Arquitetura

A descrição dos Paços do Concelho será baseada na obra de Eliana de Sousa «Vila do Conde no início da Época Moderna Construção de uma nova centralidade», especialmente no capítulo «2.1.2.2 A Arqueologia do edificado».

Fotografia da fachada dos Paços do Concelho e pelourinho de Vila do Conde. Fotografia de Carlos Sousa (2022). https://bit.ly/4frdsa4

Eliana de Sousa começa por referir que o modelo arquitetônico é «simples e o mais comum para a época», tendo a planta retangular, constituída por dois pisos. O piso superior é considerado o «mais nobre» e é dividido em casa da camara («para vereações») e a casa da audiencia («(o tribunal) para o juiz do concelho»).

A cobertura é feita por um «telhado comum, de quatro águas», que cobre as duas divisões.

A fachada é composta por cinco janelas sóbrias e regulares, que iluminam o piso nobre. Sobressai a escadaria monumental, que liga ao piso superior, que acaba numa varanda. A entrada para o piso nobre é feita por uma porta decorada com um pequeno frontão, onde encontramos as armas do reino e a data de finalização da obra, 1543.

No andar térreo, encontramos as arcadas de arco de volta perfeita, onde encosta a escadaria. No lado oposto às arcadas encontramos uma porta ladeada por uma pequena janela gradeada.

A divisão do lado das arcadas é pensada como um suporte para o açougues e do comércio feito na praça. Já a pequena sala, que tem como entrada a porta já mencionada, foi utilizada posteriormente como suporte para o edifício da prisão.

Carlos Caetano, que é citado por Eliana de Sousa, diz que os paços do concelho são um «“exemplo notável de ensaio de uma ordem compositiva nova num corpo arquitectónico tradicional (…) proporcionado pela fachada da casa da câmara”. Diz que apesar de “muito simples, integra e articula elementos tradicionais e elementos inovadores”, onde “tanto a imponente varanda como os arcos dos açougues primitivos, ambos muito vernáculos e de inegável e típico “recorte” tardo-manuelino, coabitam com os dois cunhais de pedraria que sustentam a vasta cornija corrida, elementos inovadores anunciadores de uma ordem, ou melhor, de valores arquitectónicos novos”.»

Planta do piso térreo dos paços do concelho (com a antiga cadeia à esquerda), após intervenção em 2002 (provável reconstituição do interior do edifício no século XVI) (fonte: CMVC – Arquiteto Manuel Maia Gomes). Retirado de «Vila do Conde no início da Época Moderna Construção de uma nova centralidade» de Eliana de Sousa.
Planta do piso superior (com antiga cadeia à esquerda) (fonte: CMVC – Arquiteto Manuel Maia Gomes). Retirado de «Vila do Conde no início da Época Moderna Construção de uma nova centralidade» de Eliana de Sousa.






Bibliografia e Webgrafia

Costa, P., & Filipe, A. (2014). Câmara Municipal de Vila do Conde. Retirado de SIPA. Acessado a 03/10/2024. http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/SIPA.aspx?id=5367

Sousa, E. (2013). Vila do Conde no início da Época Moderna Construção de uma nova centralidade. Universidade do Porto (FLUP). Porto.