Convento de São Gonçalo de Amarante
Identificação[editar | editar código-fonte]
| Designação | Convento de São Gonçalo de Amarante |
| Localização | Amarante |
| Cronologia | 1543 |
| Autor(es) | Julião Romero, Mateus Lopes |
Estado da Arte[editar | editar código-fonte]
As características comuns do convento e restantes obras de artistas da família Lopes são exploradas por Catarina Oliveira, indicando como as "igrejas-padrão" se destacam pelas fachadas retabulares. Carlos Ruão tece comparações com edificados na Galiza e como a arquitetura contra-reformista utiliza as mesmas formas em ambos os contextos.
Em A Arquitectura "ao Romano", Maria de Lurdes Craveiro assinala como, no contexto da arquitetura de extração humanista no noroeste de Portugal, a família Lopes vai procurar desenvolver modelos alternativos na arte, impulsionados pelos contra-reformistas.
Enquadramento[editar | editar código-fonte]
Enquadra-se no centro histórico de Amarante, num terreno de declive acentuado, no sentido E. / O., junto do Rio Tâmega, sobre o qual passa, junto do convento, a Ponte de São Gonçalo. A fachada principal, voltada a oeste, é perpendicular a uma rua estreita, que, do lado oposto ao da fachada, tem em cota mais elevada a Igreja de São Domingos; esta, adossada à torre sineira, anexa ao convento. A fachada lateral está voltada para a Praça da República (Largo de São Gonçalo), lajeado de granito. Inserido no complexo, a norte da Igreja, o claustro, o Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, o Paço do Concelho de Amarante e a Câmara Municipal de Amarante. A este encontra-se um parque arborizado, local em que ocorre a feira de São Gonçalo, com uma estátua do poeta, escritor e filósofo, Teixeira de Pascoaes.
Descrição[editar | editar código-fonte]
Objeto arquitetónico[editar | editar código-fonte]
A planta do Convento é composta por igreja longitudinal, com exonártex, de nave singular dividida em três tramos, com capelas laterais profundas, transepto inscrito, cabeceira tripartida e capela-mor retangular; a torre sineira, de planta retangular, entre a fachada principal da igreja e a Igreja de São Domingos; dois claustros retangulares, sendo o mais pequeno imediatamente após a igreja, designado de “Claustro Velho”, e após o mesmo um alongado, atualmente o Museu Amadeo de Souza-Cardoso; e rematada pelos Paços do Concelho. Coberturas de duas águas, em domo sobre o cruzeiro, e em laçaria cruzada, coroada por um pináculo piramidal, de recorte oriental, na torre. O zimbório é dividido em dois setores, cobertos de telha e de diferente inclinação, é coroado por lanternim, forrado a azulejos de padrão seiscentistas, e no topo possui uma esfera armilar. A Igreja conta com fachadas em cantaria de granito aparelhada; a fachada principal em dois registos, sendo no primeiro a galilé, o corpo do exonártex, composta por arcos de volta perfeita, assentes em pilastras larga, e abóbada, no interior, de pedraria, e a porta principal em arco de perfil chanfrado, e no segundo registo, encontra-se uma rosácea flanqueada por janelões retangulares verticais. Na fachada lateral, orientada a sul, de composição e adorno mais elaborado, encontramos a “Varanda dos Reis”, uma loggia, num registo superior, em arcaria de volta perfeita, assentes em pilastras toscanas, com mísulas onde podemos observar quatro estátuas dos monarcas (D. João III, D. Sebastião I, Cardeal-Rei D. Henrique e Filipe I) que contribuíram para a edificação do complexo, e também o pórtico em três registos, estando no primeiro a porta em arco de volta perfeita enquadrada por dois pares de colunas coríntias sobre pedestais. Entre cada par um nicho em arco de volta perfeita com esculturas de São Francisco de Assis e São Domingos de Gusmão, respetivamente. No segundo registo está presente uma fiada de seis colunas coríntias, o entablamento é decorado, e estão entre as colunas três nichos com as representações de São Pedro Mártir, São Gonçalo e São Tomás de Aquino. No terceiro, um quarteirão, nos extremos colunas pseudosalomónicas coríntias, rematado por um frontão ondulado com tímpano decorado, possuindo, ao centro, um nicho com imagem de Nossa Senhora do Rosário. O interior da Igreja, de pavimento em soalho, tem paredes rebocadas e pintadas de branco, com coro-alto sobre o exonártex que se prolonga para o primeiro tramo da nave, suportado por arco abatido. Nave coberta por abóbada de berço com pintura em trompe l'oeil de caixotões, assente em cornija decorada por modilhões. As paredes da nave são rasgadas por arcos de volta perfeita que assentam em pilastras jónicas, de acesso às cinco capelas laterais e à entrada lateral. A encimar os arcos, óculos moldurados, encimados por pintura em trompe l'oeil de abóbada de lunetas. As capelas são cobertas por abóbada de berço de caixotões e alguns possuem pintura mural e nas paredes testeiras retábulos de talha dourada. Do lado do Evangelho, o Batistério, a capela de Santo António, Nossa Senhora do Rosário – entre estas duas localiza-se o órgão – e Santiago; já do lado da Epístola, as capelas de Nossa Senhora do Pópulo ou da Guia, e São Jacinto. Encontramos junto ao transepto púlpitos confrontantes, de talha dourada, com base de pedra escalonada, assente em modilhão, guarda plena, porta decorada por cortina de talha e protegida por baldaquino encimado por estatuária alusiva à Paz. No cruzeiro, a cobertura é em cúpula de caixotões. O transepto possui, além de capelas retabulares de arco de volta perfeita, no braço do lado do Evangelho, uma porta de acesso ao Claustro Velho e retábulo colateral do Santíssimo Sacramento, já no braço do lado da Epístola, retábulo de Santa Luzia ou de Santa Rosa e retábulo colateral de Senhor Jesus. Na cabeceira, arco triunfal de volta perfeita, assente sobre pilastras sobrepostas jónicas, pintado com motivos florais. A ladeá-lo duas grandes colunas com inscrição na base, pintadas com motivos vegetalistas, coroadas pelas estátuas de pedra de São Pedro e São Paulo. A capela-mor, coberta por abóbada de berço de caixotões de pedra, com retábulo-mor, sobre cripta, formando, inferiormente, duas capelas, com escadaria ao centro de acesso ao nível superior. A capela do lado do Evangelho, com silhar de azulejos de padrão seiscentista e restante parede e teto forrados com apainelados de talha, tem ao seu centro o túmulo de São Gonçalo. A capela das Oferendas, do lado oposto, possui a imagem do santo. O acesso à ante sacristia pela capela-mor dá-se do lado do Evangelho, é com corredor aberto por teto de talha dourada e policromada seiscentista. A ante sacristia é coberta por teto de caixotões de madeira, com florões ao centro, a parede E. possui portal de verga reta, ladeado por pilastras molduradas e rematado por cornija reta, a parede S. com grande lavabo, composto por nicho de verga reta, tendo inferiormente, bica carranca, ladeada por querubins, enquadrado por colunas coríntias, sobrepostas sobre pilastras da mesma ordem, que suportam entablamento rematado por cornija reta.

A torre sineira pintada de branco, com as fachadas a sul e este em três registos, e a norte e oeste em dois; nos dois registos inferiores a sul e este, janelas estreitas, e no último, sineira com ventanas em arco de volta perfeita, e na sul, no segundo, relógio. O “Claustro Velho” é de dois registos, o primeiro composto por alas com arcaria plena, o superior, por colunata jónica que suporta um entablamento sob duplo beiral; no primeiro registo, as paredes interiores são em cantaria aparelhada e o pavimento de laje de cantaria, sendo a cobertura interior em abóbada de nervuras com medalhões nos ângulos; no segundo registo é observável um teto de masseira de madeira; já o pátio, possui um pavimento em laje de cantaria, com, ao centro, uma fonte. O designado “Claustro Maior”, de dois registos, tem uma fachada rebocada e pintada de branco depurada de decoração, possui um corpo retangular ao centro que divide o espaço em duas alas; na ala sul o primeiro registo é em arcaria de volta perfeita com capiteis decorados de forma diferente dos demais, e o segundo com galeria em colunata; a ala norte possui, no primeiro registo, arcaria em volta perfeita e, no segundo, janelas de verga reta de tamanhos e ornamentação diversa.
Objeto ou conjunto em destaque[editar | editar código-fonte]
O órgão, de 43 registos: planta trapezoidal, de três castelos sendo o central mais elevado, são rematados por cornija, com mascarão no central e anjos nos laterais. Consola em janela dividida em apainelados, ritmados por pilastras. A tribuna é de planta côncava, forma um semicírculo ao centro, com balaustrada, e é suportada por uma mísula colossal com atlantes.
Fontes e Bibliografia[editar | editar código-fonte]
Fontes[editar | editar código-fonte]
Monumentos. (sem data). Gov.Pt. Obtido 18 de outubro de 2024, de http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=4820
Pesquisa Geral. (sem data). Gov.Pt. Obtido 30 de dezembro de 2024, de https://servicos.dgpc.gov.pt/pesquisapatrimonioimovel/detalhes.php?code=70623
Bibliografia[editar | editar código-fonte]
Carvalho, L. M. R. (sem data). A Construção do Convento de S. Gonçalo de Amarante
Craveiro, M. de L. (2009). A arquitectura “Ao Romano” (Arte Portuguesa – Da Pré-História ao Século XX. Coordenação Dalila Rodrigues.)
Oliveira, C. (2002). A arquitectura de granito em Viana da Foz do Lima - Renascimento e Maneirismo no Noroeste português
Ruão, C. (1995). "O Convento de São Gonçalo de Amarante: o microcosmos da arquitectura maneirista no noroeste de Portugal", Revista Monumentos, n.º 3