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	<title>Porto Barroco - Contribuições do utilizador [pt]</title>
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	<updated>2026-05-26T13:50:23Z</updated>
	<subtitle>Contribuições do utilizador</subtitle>
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		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_santa_teresa&amp;diff=870</id>
		<title>Convento de santa teresa</title>
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		<updated>2025-05-27T11:06:33Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.102.211: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:Fachada do convento de santa teresa.jpg|thumb|Fachada da portuária do Convento de Santa Teresa]]&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;Convento de Santa Teresa&#039;&#039;&#039;, também referido como &#039;&#039;&#039;Convento das Teresinhas&#039;&#039;&#039;, devido a sua ocupação de religiosas [https://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_dos_Carmelitas_Descal%C3%A7os Carmelitas Descalçadas], localiza-se na freguesia de [https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Vicente_(Braga) São Vincente], pertencente a cidade e município de [https://pt.wikipedia.org/wiki/Braga Braga], em [https://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal Portugal.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Identificação ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|+&lt;br /&gt;
|designação&lt;br /&gt;
|Convento de Santa Teresa, também conhecido por Convento das Teresinhas. Atualmente denominado como Asilo de São José&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|localização&lt;br /&gt;
|freguesia de São Vicente, Braga, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|cronologia&lt;br /&gt;
|construção finalizada no ano 1766 - meados do Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|autor(es)&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|classificação&lt;br /&gt;
|nenhuma&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da arte ==&lt;br /&gt;
Este edifício viu ainda pouco estudo, certamente causada por uma falta de documentação histórica tal como contemporânea deste espaço. Encontramos sua em menção em catálogos, dicionários e enciclopédias, como na obra de Pinho Leal, &#039;&#039;Portugal Antigo e Novo.&#039;&#039; Um outro caso mais contemporânea é a investigação de Flávia Oliveira, nomeada as &#039;&#039;Teresinhas: O Carmelo feminino da Braga moderna e contemporânea (1766‑1902),&#039;&#039; mesmo que assume uma investigação histórica, preocupando-se com as condições económicas, sociais e políticas , e não um olhar fundado nas preocupações visuais da historia da arte, e Lucas Ferreira Carneiro com sua obra &#039;&#039;A agulha e a folha: dimensões espaciais na construção de Braga setecentista.&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
Em 1742, um recolhimento feminino é formado pelas religiosas Maria de Jesus e Isabel de Jesus, pertencentes a ordem dominicana, enquadrando-se no recinto da Igreja de São Vítor.. Foi planificado anexar o convento a essa mesma igreja. A passagem de ordem para a dos Carmelitas Descalçados é efetuada um ano depois, em dezembro, 1743, devido a forte devoção entre o recolhimento feminino. (1873, Leal, Pg. 438)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A promoção da edificação do Convento começa em 1756, por licença de Frei D. Aleixo de Miranda, e patrocínio de Pedro Fernandes. Com sua relocalização, as construções iniciam apenas 1763, pós a promoção de D. Gaspar de Bragança, Arcebispo Primaz de Braga. As construções são finalizadas três anos depois, em 1766. (2018, Carneiro, Pg. 174)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A morte da ultima religiosa que tinha ingressado dentro desta casa em 1902, por entanto, estando este complexo conventual na posse de Comendador Fernando Oliveira Guimarães, Governador de Braga, ainda em 1850, por decreto da extinção das ordens religiosas em Portugal no Século XIX, a casa conventual vê se transformada num espaço de solidariedade social. Passará a ser denominada, até período corrente, por Asilo de São José. (Lucas Carneiro, 2018)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
A estrutura é toda feita em granito, sendo esta de planta retangular, sendo esta coberta por um telhado em aguas furtadas, coberto por telha. A Portuária encontra-se na fachada sul a porta principal do antigo convento. No seu tímpano insere-se um nicho, uma estatua de São José, podemos deduzir, então, que esta foi uma potencialmente. Nota-se também a ondulação aqui presente no pináculo do frontão, e as conchas que encimam as volutas, já referentes ao emergente gosto rocaille. O seu entablamento, apoiado sobre pilastras, recebe um letreiro com o ano de acabamento da obra. Atravessando esta primeira porta leva-nos a um vestíbulo onde permaneceria uma religiosa porteira (no caso dos conventos femininos) guardando as duas entradas. Esta segunda porta segue para a arcada que daria acesso ao claustro, um lanço de escadas dava acesso ao segundo piso do convento. Tendo também um nível de austeridade típica do rigor severo da linguagem arquitetónica da Ordem do Carmo e subsequentes ramos.&lt;br /&gt;
[[File:20190307144241-rotated.jpg|left|thumb|418x418px|Capela de São Joaquim, no claustro do convento de Santa Teresa]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====== Claustro ======&lt;br /&gt;
O Claustro é o espaço central da unidade monástica, todos os membros da casa conventual têm acesso a ele, por essa mesma razão, o espaço conventual vai se articular a volta de esta unidade, e todos as unidades principais poderiam ser acessada por este nexo, tendo elevação, no caso do Convento de Santa Teresa, esta em predominante contacto com o piso superior do convento. (2019, Silva, Pg. 11)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Descendo as escadas, encontra-se o ponto de acesso ao poço, donde provem um elemento vital para a vida monástica, pois grandes partes da limpeza dependeriam da sua utilidade, como a lavagem de louças e a lavagem das roupas, ofício destinado aos religiosos mais novos. A água que bebiam os habitantes desta casa também proviria deste mesmo local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Encontramos neste espaço a única restante capela de devoção privada ainda no recinto interior do convento, sendo está consagrada a São Joaquim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====== Celas ======&lt;br /&gt;
As celas eram locais de intendidos para o repouso, para o estudo e para a oração individual, compondo-se apenas dos moveis básicos para a vida quotidiana. Estes locais eram solitários e, por essa mesma razão, privados. Foram concebidos e propostos pelo Concilio de Trento com o âmbito de que cada religioso/a tenha um espaço individual para cumprir suas meditações, suas leituras, escrituras e penitências recebidas pós a confeção (2019, Silva, Pg. 14).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os vãos de iluminação que afrentam o exterior do convento garantiam, com sua pequena dimensão e baixo posicionamento, o bom iluminamento das celas, enquanto mantinha as religiosas de ver fora do convento, tal como mantinha que estas sejam vistas. A torre mirante segue esta mesma lógica, sendo um espaço elevado com vão de elevação de maior dimensão que oferecem as religiosas maior visibilidade para o exterior, mas mantém quem esteja presente na torre ocultado a vista de qualquer transeunte ao exterior do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====== Adega ======&lt;br /&gt;
Na adega, que é agora o museu asilando as mobílias permanecentes, estariam guardados todos elementos produzidos pela casa que necessitavam ser mantidas ao fresco. É neste mesmo local onde se encontra o confessionário, sendo este um elemento de três divisões em comunicação com a igreja anexada ao convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====== Igreja de Santa Teresa ======&lt;br /&gt;
[[File:Fachada da igreja de santa teresa.jpg|thumb|247x247px|Fachada da porta lateral da Igreja de Santa Teresa]]&lt;br /&gt;
A fachada do portal principal da Igreja de Santa Teresa é composta por um frontão aberto, composto por volutas que são interrompidas por um nicho arcado, onde insere-se o orago, sendo esta Santa Teresa de Jesus, cujo a estátua arquitetónica é assente sobre um trono. A metade desta cúpula corta segue a moldura de uma concha, sendo um dos vários elementos da iminente linguagem do rocaille que iremos encontrar nesta igreja, encimando esta, insere-se um cartucho onde é inserido o emblema da Ordem das Carmelitas Descalçadas. Este entablamento ira se repousar sobre a cornija de um frontão triangular, notamos em suas saliências a influencia do Barroco Italiano, e como afirmação e relembrança de sua presença de edificação deste local, encontramos no cartucho centrado no tímpano da moldura desta porta principal o brasão Arquiepiscopal de D. Gaspar de Bragança. Por natureza de ser uma igreja anexada a um convento feminino, a entrada para dentro do edifício é inserida na lateral.&lt;br /&gt;
[[File:7C095C91-D785-4BFE-A454-754900FCC2B9 1 105 c.jpg|thumb|240x240px|órgão com acesso pelo coro alto]]&lt;br /&gt;
Podemos definir este espaço como uma igreja ‘salão’. Para o Oeste da única nave, encontramos o confessionário em comunicação com o convento, sobre este esta o coro alto, onde eram sentados membros da alta hierarquia religiosa, este elemento de elevação, tal como as grades presentes entre o arco que separa a capela-mor do corpo da igreja, onde se assentava a audiência, assegurava a separação, durante a liturgia, entre os religiosos e os leigos. Alem de seu parapeito talhado, posicionaria os membros do clero presentes neste espaço ao mesmo nível do Santíssimo Sacramento. Aqui presente esta uma capela radiante consagrada a Nossa Senhora do Carmo, que vai espalhar o retábulo-mor, consagrado a mesma. Este local também daria acesso ao órgão principal, é anexado ao coro alto, onde o revestimento em escaiola é encarado com a logica de um embutido de pedra. Encimando seu pontiagudo frontão triangular, encontra-se no cartucho o brasão arquiepiscopal do Arcebispo Primaz de Braga, D. Gaspar de Bragança, com suporte de dois putti.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estão presentes duas capelas radiantes no recinto da nave, uma consagrada a São José, presente na lateral Sul, e outra consagrada a Santo António, de estrutura espelhada, presente na lateral norte. Estes altares são inseridos num nicho onde o método da escaiola e da talha dourada são outra vez utilizados. Tendo estes um frontão quebrado, que termina num pináculo piramidal, seu entablamento é assente sobre pilastras onde figuras devocionais são inseridas em nichos. No nicho principal, encontra-se a figura a qual estes altars são consagradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Púlpito é elevado na lateral sul da nave, encontrando-se quase ao centro deste espaço, sendo ele quadrangular, com acesso exterior a igreja, e assente sobre uma mísula. Sua teia saliente é revestida a escaiola e em talha dourada, onde seus ângulos convergentes são ornados com elementos vegetalistas. Ao centro, enquadrado com um baixo-relevo geométrico, encaixa-se a simbólica do olha da providencia rodeado por querubins. Um espaldar recortado e curvo é ornado pela figura do espírito santo, com as mesmas cromáticas escaiolas e talha dourada. Subiam aqui os oradores e os leitores durante a liturgia, estes transmitiam sermões e leituras litúrgicas.&lt;br /&gt;
[[File:Altar-mor do convento de santa teresa.jpg|left|thumb|204x204px|Altar-mor da Igreja de Santa Teresa]]&lt;br /&gt;
O altar-mor é assente sobre um pódio, degraus são inseridos nesta abertura côncava de granito, flanqueado pelos avanços convexos deste patamar. É composto por um frontão duplo triangular, interrompido por avanços e recuos espelhados, com uma saliência em seu tímpano onde se insere uma grinalda forrada a talha dourada, tal como a cornija. É recortado por formas geometrizante de cromática azul e cor-de-rosa, ambos a tons de pastel. Esta estrutura tem como matéria principal o estuque, utilizando um acabamento em escaiola para ornamentar e nobilitar o material, seguindo a noção de que para deus, ou o divino (isto claramente incluindo os santos, cujo culto é exaltado em resposta as reformas) o melhor, o mais belo, o mais nobre. Em sua base está centrado o sacrário na mesa do altar, do plinto emergem misulas onde são assentes as figuras de Santa Teresa de Jesus e de São João da Cruz. Assente sobre este encontra-se uma arcada composta por uma coluna em eixo e uma pilastra, ambas de capitel compósito, que são espelhadas. Tudo este espaço é de um movimento curvilíneo. O retábulo-mor é consagrado a Nossa Senhora do Carmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto e baixo são ambos acessados pelo convento.&lt;br /&gt;
[[File:Coro alto do convento de santa teresa.jpg|thumb|177x177px|Coro alto da Igreja de Santa Teresa]]&lt;br /&gt;
Como sistema de cobertura utilizado é a abobada de berço. Em ambos os espaços da Nave única e da capela-mor, encontramos pintura de teto, respetivamente retratando a transverberação de Santa Teresa e o emblema dos Carmelitas Descalçados. O mestre pintor destas obras é desconhecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sacristia é acessada pela porta lateral da face sul da capela-mor, sendo esta uma peça onde eram guardados os trajes e utensílios litúrgicos. Um sacerdote dito ‘sacristão’ teria como dever guardar e manter o espaço, sabendo este os ritos sacramentais para cuidar dos utensílios necessitados durante as cerimónias. Por natureza do seu uso, e desta presença masculina, não era um espaço cujas religiosas teriam acesso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a viga das escadas encontra-se o lavabo, espaço de purificação. Com a água desta, os sacerdotes lavavam suas mãos num processo mundificador antes e depois de atender seus deveres litúrgicos. O altar presente tinha o mesmo efeito, sendo que um limpava o corpo, e o outro limpava a alma. O lavabo presente na Igreja de Santa Teresa é formado de pedra de granito, com seu respaldo curvilíneo que termina num pináculo triangular é encimado por uma concha, outra vez notamos aqui presentes soluções do rocaille. Pela esta unidade encontra-se o ponto de acesso para a tribuna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Imagens ==&lt;br /&gt;
[[File:Antigo claustro do convento de santa teresa.jpg|thumb|323x323px|Antigo claustro]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:6DE06372-94E3-4386-AC8B-F88A949BBD81 1 105 c.jpg|left|thumb|304x304px|Capela de São José]]&lt;br /&gt;
[[File:Capela radiante de santo antonio.jpg|thumb|303x303px|Capela de São António]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes e Bibliografia ==&lt;br /&gt;
Convento das Teresinhas na base de dados SIPA da Direção-Geral do Património Cultural&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Oliveira, Flavia (2017) As teresinhas: O Carmelo feminino da Braga moderna e contemporânea (1766‑1902)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Santana,  José Pereira de (1745). Chronica dos Carmelitas da Antiga e Regular Observancia Nestes Reynos de Portugal, Algarves e Seus Dominios&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Leal, Augusto Soares d&#039;Azevedo Barbosa de Pinho (1873). Portugal Antigo e Moderno:  diccionario geographico, estatistico, chorographico, heráldico, arqueológico, historico, biographico e etymologico de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande número de aldeias&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira Carneiro, Lucas (2018). A agulha e a Folha, Dimensões Espaciais na Construção de Braga Setecentista - Livro I&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira Carneiro, Lucas (2018). A agulha e a Folha, Dimensões Espaciais na Construção de Braga Setecentista - Livro II&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rocha, Manuel Joaquim Moreira da (2012). Arquitectura Religiosa Barroca em Braga (Minho): Entre a Tradição e a Modernidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Silva, Alex Rogério (2019). Espaços de reclusão: a vida conventual feminina em Portugal nos séculos XVI e XVII&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.102.211</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_Jesus_de_Aveiro&amp;diff=774</id>
		<title>Convento de Jesus de Aveiro</title>
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		<updated>2025-05-26T23:33:56Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.102.211: texto&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
[[File:Fachada_Convento_de_Jesus.jpg|thumb]]&lt;br /&gt;
O Convento de Jesus de Aveiro, também conhecido por Mosteiro de Jesus, localiza-se na União das freguesias de Glória e Vera Cruz, em Aveiro. Atualmente, o edifício alberga o Museu de Aveiro, também conhecido como Museu de Santa Joana. Nas suas imediações encontra-se a Sé de Aveiro (obra primitiva do século XV), Igreja da Misericórdia de Aveiro, Igreja Carmelita de Aveiro e um dos canais da cidade, da zona do Rossio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O local pertencente à Ordem Dominicana feminina, foi onde a Princesa Joana, filha de Afonso V de Portugal, viveu até morrer no dia 12 de maio (1490), data instituída como feriado municipal, em reconhecimento da sua importância enquanto padroeira da cidade e da diocese. O convento relaciona-se com o culto religioso devido à vida de santidade que a Princesa Joana levou até à sua beatificação em 1693. Mesmo com obras de melhoramento nos séculos seguintes, a clausura foi mantida até 1874. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O edificado é monumento nacional desde 1911. Nos equipamentos estão integrados, o túmulo da Princesa Joana, a talha dourada preservada da Igreja de Jesus e o retrato da Princesa são obras que estão ligadas ao espaço, tornando-o numa das arquiteturas mais exemplares da arte portuguesa, principalmente na expressão artística do período Barroco. Existe uma coleção de arte religiosa do século XV ao século XX. A Igreja de Jesus possui um arco gótico próximo do púlpito como marca da continuação da estrutura primitiva. Diferentes linguagens estão presentes no seu revestimento, fruto dos investimentos de famílias nobres tais como os Tavares, os Duques de Aveiro e a Casa Real.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&lt;br /&gt;
=== &amp;lt;u&amp;gt;Convento  de Jesus de Aveiro&amp;lt;/u&amp;gt; ===&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Código SIPA&lt;br /&gt;
|IPA.00002255&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Ordem religiosa&lt;br /&gt;
|Ordem Dominicana feminina&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Outras nomenclaturas&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Jesus, Museu de  Santa Joana ou Museu de Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|País&lt;br /&gt;
|Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Cidade&lt;br /&gt;
|Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Freguesia&lt;br /&gt;
|Freguesia de Glória e Vera  Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Localidade&lt;br /&gt;
|Av. Santa Joana, 3810-329&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coordenadas&lt;br /&gt;
|40.63933292904409,  -8.65095453441705&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
O Museu de Aveiro tem as suas diferentes partes documentadas no Roteiro do Museu desde 1960. O SIPA configura-se como a fonte para as datas referentes à evolução do monumento ao longo da diacronia e dos artifícies e artistas que nele trabalharam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Domingos Maurício Gomes dos Santos, na sua obra de 6 volumes intitulada &amp;quot;&#039;&#039;O Mosteiro de Jesus de Aveiro&#039;&#039;&amp;quot;, configura-se como um dos autores que reuniu o maior número de informações sobre esta arquitetura e a sua história, bem como das pessoas com ela relacionadas. Na dimensão do Barroco em edifícios religiosos, Natália Marinho Ferreira Alves disserta sobre o convento e a talha dourada presente na Igreja de Jesus na sua obra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contexto Histórico ==&lt;br /&gt;
Fundado por D. Brites Leitão e D. Mécia Pereira e construído após a autorização para instituição em 1461 por bula papal do Papa Pio II. Sabe-se que a clausura era existente em 1465 desde o princípio de janeiro. Acompanhadas de D. Catarina, essas figuras teriam chegado a Aveiro em 24 de novembro de 1458 e residido em casas junto à atual Catedral, ou seja, no Convento Dominicano ali existente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através do Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA), é possível obter uma sequência cronológica sobre os acontecimentos que envolveram o monumento em estudo. Quanto à sua edificação, destacam-se também os anos de 1459, em que as casas na Rua Direita são vendidas a D. Mécia Pereira pelo cónego do Porto, Rodrigo Anes, para fundação do mosteiro. As primeiras monjas do Mosteiro, segundo esta fonte, teriam recebido o hábito de noviças a 25 dezembro de 1464. A ajuda régia ao mosteiro ocorre por esmola anual de 6 mil reais (unidade monetária da época) feita por D. Afonso V (1432-1481) concedida em 1466.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fontes bibliográficas apontam a data de 1472 como aquela na qual a Princesa-Infanta D. Joana, nascida em 1452, entra no Convento, onde viveu até morrer. “Embora senhora da vila de Aveiro pelos finais do século XV, a infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, decidiu, contra a vontade do pai e da corte, professar como religiosa [...]. No entanto, impedida de o fazer por razões claramente políticas [...], Joana resistiu e manteve-se como secular no convento. [...] será apesar de tudo, após a coroação do irmão como D. João II, aceite finalmente na ordem, fazendo voto de castidade a 25 de novembro de 1481.” (PEREIRA, 2006) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 28 agosto 1472, “D. Afonso V compromete-se a pagar a Aires Gomes as casas que lhe tomara, para incorporar no Mosteiro, bem como o de cercar, madeirar, forrar e ladrilhar o edifício” &#039;&#039;&#039;(&#039;&#039;&#039;SIPA&#039;&#039;&#039;)&#039;&#039;&#039;. Há um testamento feito em 19 de março de 1490 por D. Joana, a aforrar seus escravos e deixando, todos os seus bens ao Mosteiro, com exceção de alguns legados. No dia 12 de maio do mesmo ano, falece na Sala ou Casa de Lavor, sendo de imediato reverenciada pelas freiras do convento pela sua santidade, a qual apenas viria a ser oficialmente reconhecida em 1693, com a beatificação da Princesa Joana. D. António de Vasconcelos e Sousa, bispo de Coimbra, procede ao exame do corpo de Santa Joana em 1711 com outras religiosas e o Provincial da Ordem de São Domingos. Em 1777, D. José autoriza que as religiosas designem um juiz executor e um escrivão para a cobrança de rendas e foros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O decreto de 30 de maio de 1834, com Portaria de 4 de junho, durante o período do Liberalismo e com o crescente laicismo nas instituições de poder, dá-se a Extinção das Ordens Religiosas, o que faz com que a clausura termine em 1874 com a morte da última religiosa do local. Natália Marinho Ferreira Alves escreve sobre como os “conventos femininos portugueses nos dão hoje, uma imagem profundamente distorcida, não só do espírito que presidiu à sua fundação, mas também da evolução artística dos próprios edifícios. Para este facto contribuíram a cobiça, o vandalismo e a ignorância que golpearam as instituições religiosas a partir dos inícios do século XIX” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autora destaca a Extinção das Ordens como uma das principais causas para o estado atual das arquiteturas, caracterizando-as como: “Locais de grande prestígio, os conventos acolhiam senhoras da melhor nobreza, inclusivé de sangue real, encontrando-se entre os seus fundadores os próprios monarcas e, como protectoras por excelência, rainhas e infantas. Dispondo de rendimentos de diversa índole, e por vezes avultados, alguns deles, a partir do último quartel do século XVII e durante os dois primeiros terços do século XVIII, sofrem importantes obras de transformação nas suas dependências. Serão as suas igrejas que irão reflectir a feição magnífica e opulenta do barroco com os revestimentos a azulejo e nomeadamente a talha dourada, criando um espaço único, de que são paradigmas as de Jesus e de Santa Clara.” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O convento é convertido no Colégio de Santa Joana para educação de meninas a partir de Portaria do Governo de 30 de maio. Nos anos seguintes é criada a Irmandade de Santa Joana (1877) e o colégio funciona a partir de 1882 como externato para crianças pobres, sendo encerrado em 21 de junho de 1910, quando o local é “fechado e lacrado e os seus bens arrolados e transferidos para o Estado” (COSTA, 2008-2009). Em 1911 é classificado como monumento nacional e transformado em espaço museológico. A portaria de 7 de junho cria legalmente o Museu de Aveiro, sendo João Augusto Marques Gomes nomeado 1º diretor pela portaria a 24 de janeiro de 1915.  Afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. em 29 de março de 2007, o imóvel foi inaugurado a 18 de dezembro de 2008, correspondendo à reabertura do Museu ao público, com um projeto do arquiteto Alcino Soutinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alterações Arquitetônicas e intervenções Interiores ===&lt;br /&gt;
Em relação às alterações na estrutura do objeto de estudo antes da beatificação, juntamente com a adição de elementos artísticos à sua estrutura, revelam-se a reedificação da capela-mor em 1592 por Francisco de Tavares, [o contrato de 02 de novembro de 1685 para a obra de Domingos Lopes do forro da igreja e a criação de uma capela na Casa de Lavor em 1689 pelo simbolismo do local de falecimento da infanta D. Joana. A 12 de maio de 1694, as festividades em honra da beatificação da Princesa Santa Joana culminam com uma procissão. Logo em seguida ao feito, o arquiteto régio João Antunes realiza em 1699 o risco e executa o túmulo para a princesa na reforma do coro-baixo (RIBEIRO, 2013), perdurando até 1711. Em 23 de outubro deste ano é transladado o corpo da princesa para o túmulo e feitas as expensas a D. Pedro II.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o século XVIII, a linguagem do Barroco torna-se fortemente presente com a introdução da talha da capela-mor pelos entalhadores António Gomes e José Correia e com o douramento dela por Manuel da Silva, pintor de Coimbra, e António José Correia, pintor do Porto. Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. Os painéis laterais foram pintados em 1729 por Manuel Ferreira e Sousa, pintor portuense. Outros acontecimentos relevantes são: a produção do órgão da igreja (1739), as ampliações da ala poente do claustro (1743-1744) e a feitura do órgão do coro-alto (1792). Quanto à talha do convento, Robert C. Smith e Natália Alves dissertam sobre ela. “A influência de S. Pedro, de Miragaia, faz-se sentir na opulenta capela do convento de Jesus, em Aveiro, cuja talha foi principiada cerca de 1702, data que se encontra no arco cruzeiro.” (SMITH, 1962, p.84). “Nos anos seguintes [a 1685], a talha dourada prolifera, iniciando-se o processo que levará ao revestimento total do interior, concretizado no século seguinte. Datado de 1702 é o arco cruzeiro, sendo também contemporâneos os retábulos laterais desconhecendo-se, até ao momento, a sua autoria.” (ALVES, 2019). A riqueza da igreja de Jesus de Aveiro, ainda existe na atualidade, segundo Natália Alves “não corresponde de forma alguma à sobriedade da sua arquitectura”. Para ela, interessa “o período que medeia entre os reinados de D. Pedro II (1683-1706) e D. José I (1750-1777) sendo, no entanto, na época de D. João V (1707-1750) que se atingirá o máximo esplendor no interior das igrejas conventuais”. O rei D. João V, portanto, promove a difusão da influência portuguesa no Mundo, auxiliada pela exploração do ouro do Brasil, ao comparando-a à grandeza do Vaticano e à da corte papal. Através de doações, dotes conventuais e mecenas, o luxo e aparato instauram-se nas instituições religiosas, permitindo a aquisição de ilustres obras de arte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ala poente do claustro é ampliada durante 1743 e 1744. Em 8 de julho de 1745, ocorre o sepultamento do sétimo duque de Aveiro, D. Gabriel de Lencastre na Capela de Santo Agostinho. A Capela de Nossa Senhora do Rosário possui um altar em madeira dourada e policromada, com catorze tábuas de pintura a óleo do século XVII de autoria de António André. Há um altar secundário decorado com baixos-relevos em cera, ao centro há um conjunto escultórico da Sagrada Família em madeira policromada; albergando a imagem do Menino Jesus deitado em maquineta-relicário do século XVIII. As portas laterais permitiriam o acesso às capelas, aos oratórios e aos espaços de arrumação das alfaias religiosas. A invocação de Nossa Senhora do Rosário nesta capela é justificada por esta ser a invocação mariana predileta dos Dominicanos. (COSTA, 2008-2009). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Capela do Senhor dos Passos é construída no século XVIII nas remodelações do convento e, em virtude da devoção pelos mistérios de Cristo terem destaque à época, uma imagem processional do Senhor dos Passos é albergada pelo retábulo (meados do XVIII) em talha dourada. Do lado direito uma porta dava acesso à desaparecida Capela de Santa Maria Madalena. A Sala do Capítulo Velho era o local onde as freiras se reuniam para decidir assuntos referentes à posse, compra, venda e administração dos bens conventuais. Nela recebiam-se as noviças, onde o hábito era tomado, realizando-se as eleições para nomear a prioresa, local onde se lia a Regra e eram tratadas questões disciplinares. As &#039;&#039;espreitadeiras&#039;&#039; – janelas laterais, possibilitavam que o maior número de religiosas conseguissem assistir aos atos de maior participação. Foi também usado como capela com invocação a Nossa Senhora da Assunção. No interior os retábulos de talha dourada do século XVIII, o teto com molduras em talha dourada e pinturas alusivas à Virgem, foi o local de enterramento das fundadoras do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas por decreto de D. Pedro IV em 1834, o edificado é convertido em Colégio de Educação de meninas a partir de 1874 e transformado à posteriori em espaço museológico em 1911. Com o projeto de Alcino Soutinho, a reabertura ao público do Museu ocorre em 2008. No ano seguinte, em 2009, são inauguradas a nova Sala de Exposições Temporárias, a biblioteca e a Galeria da Pedra. Em 2015, a Assembleia Municipal de Aveiro delibera a &amp;quot;municipalização&amp;quot; do museu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Dependências do Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Claustro - Convento de Jesus.jpg|alt=Claustro renascentista em forma retangular e em pedra de Ançã.|thumb|&#039;&#039;&#039;Claustro - Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Claustro -&#039;&#039;&#039; O claustro renascentista é “&#039;&#039;adintelado de dois pisos, desenvolvendo uma colunata jónica de fuste liso com correspondência de finas colunas pseudo-toscanas no piso superior e implantação central de chafariz com obelisco, em área rebaixada. Ao longo do piso térreo rasgam-se capelas de diferentes dimensões com portais arquivoltados e ogivais&#039;&#039;.” (SIPA).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Refeitório -&#039;&#039;&#039; Localizado na ala nascente, o refeitório possui planta retangular, com um portal gótico-manuelino. Mantém a estrutura para leitura – a tribuna da leitora – é aberta em três vãos com balcão assente em duas colunas com capitéis anelares de folhagem e de lintéis cortados em arco rebaixado, possuindo acesso através de dois degraus. As paredes são revestidas por azulejo coimbrão do tipo rosácea, padrão azul e branco dos séculos XVII-XVIII, o teto é plano, conservando-se as mesas e bancos; a iluminação é feita por janelas em capialço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Coro-baixo -&#039;&#039;&#039; O Coro-baixo apresenta o túmulo da princesa Santa Joana, em mármores embutidos policromos ao gosto italiano. Obra realizada entre 1699 e 1711 do arquiteto régio João Antunes (1645-1712) – responsável pelas obras na Igreja de Santa Engrácia em Lisboa, o artista faz o risco e executa o túmulo para a princesa durante a reforma do espaço. Em pavimento de mosaico, a porta de acesso do ante-coro na sala é uma obra de marcenaria engradada e embrechada, com inspiração renascentista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Paulo Pereira (2006): “[O arquiteto João Antunes] Usou os embrechados que na altura se acomodavam ao gosto cortesão e áulico português, por influência italiana. Antunes já experimentara esta solução com excelentes resultados no retábulo da Capela da Quinta do Calhariz, em Sesimbra (de 1683). Conhecedor da técnica e dos oficiais que dominavam a artesania do embutido de pedra-mármore, e certamente com base em algum modelo preexistente hoje difícil de encontrar, projeta a arca, instalando-a suspensa sobre quatro anjos em cada canto e com escultura de uma fênix no eixo. A arca é paralelepipédica, com emolduramento jônico e enrolamento em forma de consolas. No cimo e ao centro, põe um grupo de lavores heráldicos, oferecendo duas fachadas com volutas. O sentido de toda esta obra é, no entanto, mais do que heráldico: é emblemático. São emblemas os anjos que suportam o túmulo, bem como a fênix, símbolo da Ressurreição. Do mesmo modo, a ordem arquitetônica escolhida (o jônico), remete para o gênero feminino, como era de tradição vitruviana, traduzida embora de forma barroca. Do mesmo modo, a inexistência de qualquer imagem identificadora de Santa Joana, substituída pelas armas do reino, ou a de «desmaterialização» da inércia da pedra pela representação dos leves e inefáveis anjinhos-atlantes, perpetua o mistério sagrado que ali se encena: a incorruptibilidade de um corpo santo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Sala de Lavor -&#039;&#039;&#039; A Sala de Lavor é atualmente revestida a talha e telas pintadas, que são divididas por cartelões. O local instituído desde o principio da clausura era destinado ao bordado de alfaias e paramentos utilizados no culto, ao “trabalho de lavor”. A Princesa Santa Joana é trazida para esse espaço quando adoeceu. Consequentemente é interrompida a sua função original, Permaneceu aí até à sua morte. Posteriormente, o local passou a ser um cartório, onde foi reunida a documentação necessária para o processo canônico de beatificação, concluído em 1693. Um pequeno altar localiza-se na parede de frente à entrada, com uma tela representando a morte de Santa Joana, onde duas mísulas são ladeadas com imaginária. As pinturas narram à vida da Princesa: a chegada a Aveiro até à realização do seu cortejo fúnebre. Sua remodelação decorativa ocorre em 1734, como nos indica a data presente numa cartela da Casa de Lavor, convertendo a sala em capela-relicário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Fachada do Convento -&#039;&#039;&#039; A fachada principal reveste a estrutura primitiva e prolonga o corpo principal do edifício. Com dois registros, que estão divididos por frisos e cinco panos, há uma entrada central do portal nobre circunscrito por pilastras e frontão semicircular interrompido. Nota-se o escudo e coroa real. Enquanto o piso térreo caracteriza-se assimétrico em relação à abertura dos vãos por vezes entaipados, o piso superior com sistema de abertura de pares de janelões retangulares gradeados de frontões interrompidos. Há um entablamento dórico – friso com métopas e triglifos – na parte superior, com correspondência das pilastras da ordem colossal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Igreja de Jesus -&#039;&#039;&#039; A Igreja de Jesus possui nave retangular com cobertura em caixotões almofadados, com duas estruturas retabulares e silhar de azulejos decorativos. Órgão junto ao coro, porta de acesso à zona conventual, arco triunfal a pleno centro. A capela-mor é profunda e com cobertura em falsa abóbada de lunetas; portas de acesso às primitivas sacristias existentes nas paredes laterais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja de Jesus, localiza-se conforme texto de O &#039;&#039;Roteiro do Museu de Aveiro&#039;&#039; de 1960, nas páginas 56 à 59: “&#039;&#039;A pequena porta de acesso da capela de Santo Agostinho à igreja, entrevista da nave do templo, apresenta-se como obra mestra do ogival dos fins de quatrocentos. Enquadra-se nos trechos decorativos mais tardios de azulejo, pintura, talha e outra marcenaria, a formar sequente conjunto. Logo em frente a esta porta se depara o monumental órgão da igreja&#039;&#039;[...]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferentes artistas foram chamados para executar obras na Igreja de Jesus de Aveiro após a morte da Princesa Joana entre os séculos XVI e XVIII. (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tabela 1 &lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;4&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Obras e contratos da Igreja de  Jesus&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Obra&lt;br /&gt;
|Artista/Feitor  da obra&lt;br /&gt;
|Cronologia&lt;br /&gt;
|Custo  em real&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reedificação  da capela-mor&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares&lt;br /&gt;
|1592&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do retábulo-mor&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|24  janeiro de 1668&lt;br /&gt;
|90$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  da obra do forro da igreja&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|02  de novembro de 1685&lt;br /&gt;
|470$0000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reforma  do coro-baixo e execução do túmulo para a princesa D. Joana&lt;br /&gt;
|João  Antunes&lt;br /&gt;
|1699  - 1711&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para a execução da talha da capela-mor   111&lt;br /&gt;
|António  Gomes e José Correia&lt;br /&gt;
|17  de  janeiro de 1725 &lt;br /&gt;
|3:000$300&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para recuo de dois degraus do adro do Convento para ampliação da capela-mor  da igreja &lt;br /&gt;
|Religiosos  de São Domingos&lt;br /&gt;
|10  de janeiro de 1726&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para feitura de várias vidraças&lt;br /&gt;
|Manuel  da Costa Vale&lt;br /&gt;
|30 de dezembro de 1727&lt;br /&gt;
|$060 casa palmo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para o douramento da talha e pintura dos painéis laterais&lt;br /&gt;
|Manuel  da Silva e António José Correia (douramento); Manuel Ferreira e Sousa  (pintura dos painéis)&lt;br /&gt;
|02 de abril de 1729&lt;br /&gt;
|1.050$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Caixotões  do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1731 (data inscrita)&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do órgão da igreja&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|07 de maio de 1739&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Execução  do órgão&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1784&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura do  órgão do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1792&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA. (*) : Obra não realizada. Real: moeda portuguesa à época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tabela 2&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Artistas no Convento de Jesus  de Aveiro&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Artista&lt;br /&gt;
|Função&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares &lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes (1685)&lt;br /&gt;
|Carpinteiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|João  Antunes (1699-1711)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  Gomes (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|José  Correia (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Costa Vale (1727) &lt;br /&gt;
|Mestre  vidraceiro (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Silva (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (de Coimbra)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  José Correia (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel  Ferreira e Sousa (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pedro  Guimarães (2003)&lt;br /&gt;
|Organeiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alcino  Soutinho (séc. 21)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA.&lt;br /&gt;
----Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA). &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2255&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Último acesso em 03/05/2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pereira, Paulo (2006). &#039;&#039;História da arte portuguesa&#039;&#039; (1a ed. reimpressão). Vol. III. Círculo de Leitores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
G. F. Cardoso da Costa, M. M. (2008-2009). &#039;&#039;A invocação de Nossa Senhora do Rosário no Convento de Jesus de Aveiro - Os Rosários nas coleções do Museu de Aveiro&#039;&#039;. MUSEU, IV(17), 153–170. Círculo Dr. José de Figueiredo.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.102.211</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_Jesus_de_Aveiro&amp;diff=730</id>
		<title>Convento de Jesus de Aveiro</title>
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		<updated>2025-05-26T21:05:00Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.102.211: texto&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
[[File:Fachada_Convento_de_Jesus.jpg|thumb]]&lt;br /&gt;
O Convento de Jesus de Aveiro, também conhecido por Mosteiro de Jesus, localiza-se na União das freguesias de Glória e Vera Cruz, em Aveiro. Atualmente, o edifício alberga o Museu de Aveiro, também conhecido como Museu de Santa Joana. Nas suas imediações encontra-se a Sé de Aveiro (obra primitiva do século XV), Igreja da Misericórdia de Aveiro, Igreja Carmelita de Aveiro e um dos canais da cidade, da zona do Rossio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O local pertencente à Ordem Dominicana feminina, foi onde a Princesa Joana, filha de Afonso V de Portugal, viveu até morrer no dia 12 de maio (1490), data instituída como feriado municipal, em reconhecimento da sua importância enquanto padroeira da cidade e da diocese. O convento relaciona-se com o culto religioso devido à vida de santidade que a Princesa Joana levou até à sua beatificação em 1693. Mesmo com obras de melhoramento nos séculos seguintes, a clausura foi mantida até 1874. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O edificado é monumento nacional desde 1911. Nos equipamentos estão integrados, o túmulo da Princesa Joana, a talha dourada preservada da Igreja de Jesus e o retrato da Princesa são obras que estão ligadas ao espaço, tornando-o numa das arquiteturas mais exemplares da arte portuguesa, principalmente na expressão artística do período Barroco. Existe uma coleção de arte religiosa do século XV ao século XX. A Igreja de Jesus possui um arco gótico próximo do púlpito como marca da continuação da estrutura primitiva. Diferentes linguagens estão presentes no seu revestimento, fruto dos investimentos de famílias nobres tais como os Tavares, os Duques de Aveiro e a Casa Real.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&lt;br /&gt;
=== &amp;lt;u&amp;gt;Convento  de Jesus de Aveiro&amp;lt;/u&amp;gt; ===&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Código SIPA&lt;br /&gt;
|IPA.00002255&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Ordem religiosa&lt;br /&gt;
|Ordem Dominicana feminina&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Outras nomenclaturas&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Jesus, Museu de  Santa Joana ou Museu de Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|País&lt;br /&gt;
|Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Cidade&lt;br /&gt;
|Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Freguesia&lt;br /&gt;
|Freguesia de Glória e Vera  Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Localidade&lt;br /&gt;
|Av. Santa Joana, 3810-329&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coordenadas&lt;br /&gt;
|40.63933292904409,  -8.65095453441705&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
O Museu de Aveiro tem as suas diferentes partes documentadas no Roteiro do Museu desde 1960. O SIPA configura-se como a fonte para as datas referentes à evolução do monumento ao longo da diacronia e dos artifícies e artistas que nele trabalharam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Domingos Maurício Gomes dos Santos, na sua obra de 6 volumes intitulada &amp;quot;&#039;&#039;O Mosteiro de Jesus de Aveiro&#039;&#039;&amp;quot;, configura-se como um dos autores que reuniu o maior número de informações sobre esta arquitetura e a sua história, bem como das pessoas com ela relacionadas. Na dimensão do Barroco em edifícios religiosos, Natália Marinho Ferreira Alves disserta sobre o convento e a talha dourada presente na Igreja de Jesus na sua obra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contexto Histórico ==&lt;br /&gt;
Fundado por D. Brites Leitão e D. Mécia Pereira e construído após a autorização para instituição em 1461 por bula papal do Papa Pio II. Sabe-se que a clausura era existente em 1465 desde o princípio de janeiro. Acompanhadas de D. Catarina, essas figuras teriam chegado a Aveiro em 24 de novembro de 1458 e residido em casas junto a atual Catedral, ou seja, no Convento Dominicano ali existente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através do Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA), é possível obter uma sequência cronológica sobre os acontecimentos que envolveram o monumento em estudo. Quanto a sua edificação, destacam-se também os anos de 1459, em que casas na Rua Direita são vendidas a D. Mécia Pereira pelo cónego do Porto, Rodrigo Anes, para fundação do mosteiro. As primeiras monjas do Mosteiro, segundo esta fonte, teriam recebido o hábito de noviças em  25 dezembro de 1464. A ajuda régia ao mosteiro ocorre por esmola anual de 6 mil reais (unidade monetária da época) feita por D. Afonso V (1432-1481) concedida em 1466.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fontes bibliográficas apontam a data de 1472 como aquela na qual a Princesa-Infanta D. Joana, nascida em 1452, entra no Convento, onde viveu até morrer. “Embora senhora da vila de Aveiro pelos finais do século XV, a infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, decidiu, contra a vontade do pai e da corte, professar como religiosa [...]. No entanto, impedida de o fazer por razões claramente políticas [...], Joana resistiu e manteve-se como secular no convento. [...] será apesar de tudo, após a coroação do irmão como D. João II, aceite finalmente na ordem, fazendo voto de castidade a 25 de novembro de 1481.” (PEREIRA, 2006) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 28 agosto 1472, “D. Afonso V compromete-se a pagar a Aires Gomes as casas que lhe tomara, para incorporar no Mosteiro, bem como o de cercar, madeirar, forrar e ladrilhar o edifício” &#039;&#039;&#039;(&#039;&#039;&#039;SIPA&#039;&#039;&#039;)&#039;&#039;&#039;. Há o testamento feito em 19 de março de 1490 por D. Joana, a aforrar seus escravos e deixando, todos os seus bens ao Mosteiro, com exceção de alguns legados. No dia 12 maio do mesmo ano, ela morre na Sala ou Casa de Lavor, recebendo desde logo reverência por parte das freiras do espaço quanto a sua santidade, oficializada apenas em 1693 por meio da beatificação da Princesa Joana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
D. António de Vasconcelos e Sousa, bispo de Coimbra, procede o exame do corpo de Santa Joana em 1711 com outras religiosas e o Provincial da Ordem de São Domingos. D. José permite em 1777 que as religiosas a nomeiem um juiz executor e escrivão para a cobrança de rendas e foros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O decreto de 30 de maio de 1834, com Portaria de 4 de junho, durante o período do Liberalismo e o crescente laicismo nas instituições de poder, a Extinção das Ordens Religiosas faz com que a clausura termine em 1874 com a morte da última religiosa do local. Natália Marinho Ferreira Alves escreve sobre que os “conventos femininos portugueses dão-nos hoje uma imagem profundamente distorcida, não só do espírito que presidiu à sua fundação, mas também da evolução artística dos próprios edifícios. Para este facto contribuiram a cobiça, o vandalismo e a ignorância que golpearam as instituições religiosas a partir dos inícios do século XIX” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autora destaca a Extinção das Ordens como uma das principais causas para o estado atual dessas construções, caracterizando-as como: “Locais de grande prestígio, os conventos acolhiam senhoras da melhor nobreza, inclusivé de sangue real, encontrando-se entre os seus fundadores os próprios monarcas e, como protectoras por excelência, rainhas e infantas. Dispondo de rendimentos de diversa índole, e por vezes avultados, alguns deles, a partir do último quartel do século XVII e durante os dois primeiros terços do século XVIII, sofrem importantes obras de transformação nas suas dependências. Serão as suas igrejas que irão reflectir a feição magnífica e opulenta do barroco com os revestimentos a azulejo e nomeadamente a talha dourada, criando um espaço único, de que são paradigmas as de Jesus e de Santa Clara.” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O convento é convertido no Colégio de Santa Joana para educação de meninas a partir de Portaria do Governo de 30 de maio. Nos anos seguintes é criada a Irmandade de Santa Joana (1877) e o colégio funciona a partir de 1882 como externato para crianças pobres, sendo encerrado em 21 de junho de 1910, quando o local é “fechado e lacrado e os seus bens arrolados e transferidos para o Estado” (COSTA, 2008-2009).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1911 é classificado como monumento nacional e transformado em espaço museológico. A portaria de 7 de junho cria legalmente o Museu de Aveiro, sendo João Augusto Marques Gomes nomeado 1º diretor pela portaria de 24 de janeiro de 1915.  Afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. em 29 de março de 2007, o imóvel tem inauguração em 18 dezembro de 2008 e reabertura do Museu ao público com projeto do arquiteto Alcino Soutinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Modificações Arquitetônicas e no Interior ===&lt;br /&gt;
Em relação as alterações na estrutura do objeto de estudo antes da beatificação, juntamente com as adições de elementos artísticos a sua estrutura, revelam-se a reedificação da capela-mor em 1592 por Francisco de Tavares, [o contrato de 02 de novembro de 1685 para a obra de Domingos Lopes do forro da igreja e a criação de uma capela na Casa de Lavor em 1689 pelo simbolismo do local de falecimento da infanta D. Joana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 12 de maio de 1694, terminam as festas de comemoração da beatificação da Princesa Santa Joana por meio de uma procissão. Logo em seguida ao feito, o arquiteto régio João Antunes realiza em 1699 o risco e executa o túmulo para a princesa na reforma do coro-baixo (RIBEIRO, 2013), perdurando até 1711. Em 23 de outubro deste ano é transladado o corpo da princesa para o túmulo feito a expensas de D. Pedro II .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o século XVIII, a linguagem do Barroco se faz presente fortemente com a introdução da talha da capela-mor pelos entalhadores António Gomes e José Correia e com o douramento dela por Manuel da Silva, pintor de Coimbra, e António José Correia, pintor do Porto. Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. Os painéis laterais foram pintados em 1729 por Manuel Ferreira e Sousa, pintor portuense. Outros acontecimentos são a produção do órgão da igreja (1739), as ampliações da ala poente do claustro (1743-1744) e a feitura do órgão do coro-alto (1792). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à talha do convento, Robert C. Smith e Natália Alves dissertam sobre ela. “A influência de S. Pedro, de Miragaia, faz-se sentir na opulenta capela do convento de Jesus, em Aveiro, cuja talha foi principiada cerca de 1702, data que se encontra no arco cruzeiro.” (SMITH, 1962, p.84). “Nos anos seguintes [a 1685], a talha dourada prolifera, iniciando-se o processo que levará ao revestimento total do interior, concretizado no século seguinte. Datado de 1702 é o arco cruzeiro, sendo também contemporâneos os retábulos laterais desconhecendo-se, até ao momento, a sua autoria.” (ALVES, 2019).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A riqueza da igreja de Jesus de Aveiro, ainda existente na atualidade, segundo Natália Alves “não corresponde de forma alguma à sobriedade da sua arquitectura”. Para ela, interessa “o período que medeia entre os entre os reinados de D. Pedro II (1683-1706) e D. José I (1750-1777) sendo, no entanto, na época de D. João V (1707-1750) que se atingirá o máximo esplendor no interior das igrejas conventuais”. O rei D. João V, portanto, promove a difusão da influência portuguesa no Mundo, auxiliada pela exploração do ouro do Brasil, ao buscar comparar-se à grandeza do Vaticano e da corte papal. Através de doações, dotes conventuais e mecenas, o luxo e aparato instauram-se nas instituições religiosas, permitindo-as a aquisição de ilustres obras de arte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ala poente do claustro é ampliada durante 1743 e 1744. Em 8 de julho de 1745, há o sepultamento do sétimo duque de Aveiro D. Gabriel de Lencastre na Capela de Santo Agostinho. A Capela de Nossa Senhora do Rosário possui, em madeira dourada e policromada, um altar com catorze tábuas de pintura a óleo do século XVII de autoria de António André. Há um altar secundário decorado com baixos-relevos em cera e conjunto escultórico da Sagrada Família ao centro em madeira policromada; albergando a imagem do Menino Jesus deitado em maquineta-relicário do século XVIII. As portas laterais permitiriam o acesso a capelas, a oratórios e espaços de arrumação de alfaias religiosas. A invocação de Nossa Senhora do Rosário nesta capela é justificada por esta ser a invocação mariana predileta dos Dominicanos. (COSTA, 2008-2009). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Capela do Senhor dos Passos é construída no século XVIII nas remodelações do convento e, em virtude da devoção pelos mistérios de Cristo terem destaque à época, uma imagem processional do Senhor dos Passos é albergada pelo retábulo (meados do XVIII) em talha dourada. Do lado direito uma porta dava acesso a desaparecida Capela de Santa Maria Madalena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Sala do Capítulo Velho era onde as freiras se reuniam para decidir assuntos referentes a posse, compra, venda e administração de bens conventuais. Nela se recebiam as noviças, onde o hábito era tomado, realizava-se as eleições para nomear a prioresa, local em que se lia a Regra e eram tratadas questões disciplinares. As &#039;&#039;espreitadeiras&#039;&#039; – janelas laterais, possibilitavam que o maior número de religiosas conseguissem assistir aos atos de maior participação. Foi também usado como capela com invocação de Nossa Senhora da Assunção. Com retábulo de talha dourada do século XVIII, teto com molduras em talha dourada com pinturas alusivas à Virgem, foi o local de enterramento das fundadoras do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas por decreto de D. Pedro IV em 1834, é convertido em Colégio de Educação de meninas a partir de 1874 e transformado em espaço museológico em 1911. Com o projeto de Alcino Soutinho a reabertura ao público do Museu ocorre em 2008. Abrem-se a nova Sala de Exposições Temporárias, o espaço da biblioteca e a Galeria da Pedra em 2009, e é votado a &amp;quot;municipalização&amp;quot; do museu pela Assembleia Municipal de Aveiro em 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Partes do Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Claustro - Convento de Jesus.jpg|alt=Claustro renascentista em forma retangular e em pedra de Ançã.|thumb|&#039;&#039;&#039;Claustro - Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Claustro -&#039;&#039;&#039; O claustro renascentista é “&#039;&#039;adintelado de dois pisos, desenvolvendo colunata jónica de fuste liso com correspondência de finas colunas pseudo-toscanas no piso superior e implantação central de chafariz com obelisco, em área rebaixada. Ao longo do piso térreo rasgam-se capelas de diferentes dimensões com portais arquivoltados e ogivais&#039;&#039;.” (SIPA).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Refeitório -&#039;&#039;&#039; Localizado na ala nascente, o refeitório possui planta retangular, com um portal gótico-manuelino. Mantém a estrutura para leitura – a tribuna da leitora – é aberta em três vãos com balcão assente em duas colunas com capitéis anelares de folhagem e de lintéis cortados em arco rebaixado, possuindo acesso através de dois degraus. As paredes são revestidas por azulejo coimbrão do tipo rosácea, padrão azul e branco dos séculos XVII-XVIII, o teto é plano, conservando-se as mesas e bancos; a iluminação é feita por meio de janelas em capialço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Coro-baixo -&#039;&#039;&#039; O Coro-baixo apresenta o túmulo da princesa Santa Joana, em mármores embutidos policromos ao gosto italiano. Obra realizada entre 1699 e 1711 do arquiteto régio João Antunes (1645-1712) – responsável pelas obras na Igreja de Santa Engrácia em Lisboa-, o artista faz o risco e executa o túmulo para princesa durante a reforma do espaço. Com pavimento de mosaico, a porta de acesso do ante-coro na sala é uma obra de marcenaria engradada e embrechada, com inspiração no estilo renascentista. Segundo Paulo Pereira (2006):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“[O arquiteto João Antunes] Usou os embrechados que na altura se acomodavam ao gosto cortesão e áulico português, por influência italiana. Antunes já experimentara esta solução com excelentes resultados no retábulo da Capela da Quinta do Calhariz, em Sesimbra (de 1683). Conhecedor da técnica e dos oficiais que dominavam a artesania do embutido de pedra-mármore, e certamente com base em algum modelo preexistente hoje difícil de encontrar, projeta a arca, instalando-a suspensa sobre quatro anjos em cada canto e com escultura de uma fênix no eixo. A arca é paralelepipédica, com emolduramento jônico e enrolamento em forma de consolas. No cimo e ao centro, põe um grupo de lavores heráldicos, oferecendo duas fachadas com volutas. O sentido de toda esta obra é, no entanto, mais do que heráldico: é emblemático. São emblemas os anjos que suportam o túmulo, bem como a fênix, símbolo da Ressurreição. Do mesmo modo, a ordem arquitetônica escolhida, o jônico, remete para o gênero feminino, como era de tradição vitruviana, traduzida embora de forma barroca. Do mesmo modo, a inexistência de qualquer imagem identificadora de Santa Joana, substituída pelas armas do reino, ou a de «desmaterialização» da inércia da pedra pela representação dos leves e inefáveis anjinhos-atlantes, perpetua o mistério sagrado que ali se encena: a incorruptibilidade de um corpo santo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Sala de Lavor -&#039;&#039;&#039; A Sala de Lavor é atualmente revestida a talha e telas pintadas, que são divididas por cartelões. O local instituído desde o principio da clausura era destinado ao bordado de alfaias e paramentos utilizados no culto, ao “trabalho de lavor”. A Princesa Santa Joana é trazida a esse espaço ao adoecer e, consequentemente, interrompendo a função deste, visto que residiu nele até sua morte. Passa a ser um cartório onde foi reunida a documentação necessária para o processo canônico de beatificação concluído em 1693. Um pequeno altar localiza-se na parede de frente à entrada, com tela representando a morte de Santa Joana, a qual duas mísulas ladeiam com imaginária. As pinturas narram à vida da Princesa: a chegada a Aveiro à realização do seu cortejo fúnebre. Sua remodelação decorativa ocorre em 1734, como indicado pela presença desta data numa cartela da Casa de Lavor, convertendo a sala em capela-relicário. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Fachada do Convento -&#039;&#039;&#039; A fachada principal reveste a primitiva e prolonga o corpo principal do edifício. Com dois registros, estes divididos por frisos e cinco panos, há uma entrada central de portal nobre circunscrito por pilastras e frontão semicircular interrompido. Nota-se o escudo e coroa real. Enquanto o piso térreo caracteriza-se assimétrico em relação à abertura dos vãos por vezes entaipados, o piso superior sistema de abertura de pares de janelões retangulares e gradeados de frontões interrompidos. Há um entablamento dórico – friso com métopas e triglifos – na parte superior, com correspondência das pilastras da ordem colossal.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Igreja de Jesus -&#039;&#039;&#039; A Igreja de Jesus possui nave retangular com cobertura em caixotões almofadados, com duas estruturas retabulares e silhar de azulejos decorativos. Órgão junto ao coro, porta de acesso à zona conventual, arco triunfal a pleno centro. A capela-mor é profunda e com cobertura em falsa abóbada de lunetas; portas de acesso às primitivas sacristias existem nas paredes laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja de Jesus localiza-se, conforme texto de O &#039;&#039;Roteiro do Museu de Aveiro&#039;&#039; de 1960, nas páginas 56 a 59: “&#039;&#039;A pequena porta de acesso da capela de Santo Agostinho à igreja, entrevista da nave do templo, apresenta-se como obra mestra do ogival dos fins de quatrocentos. Enquadra-se nos trechos decorativos mais tardios de azulejo, pintura, talha e outra marcenaria, a formar sequente conjunto. Logo em frente a esta porta se depara o monumental órgão da igreja&#039;&#039;[...]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferentes artistas foram chamados para executar obras na Igreja de Jesus de Aveiro após a morte da Princesa Joana entre os séculos XVI e XVIII. (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tabela 1 &lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;4&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Obras e contratos da Igreja de  Jesus&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Obra&lt;br /&gt;
|Artista/Feitor  da obra&lt;br /&gt;
|Cronologia&lt;br /&gt;
|Custo  em real&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reedificação  da capela-mor&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares&lt;br /&gt;
|1592&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do retábulo-mor&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|24  janeiro de 1668&lt;br /&gt;
|90$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  da obra do forro da igreja&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|02  de novembro de 1685&lt;br /&gt;
|470$0000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reforma  do coro-baixo e execução do túmulo para a princesa D. Joana&lt;br /&gt;
|João  Antunes&lt;br /&gt;
|1699  - 1711&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para a execução da talha da capela-mor   111&lt;br /&gt;
|António  Gomes e José Correia&lt;br /&gt;
|17  de  janeiro de 1725 &lt;br /&gt;
|3:000$300&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para recuo de dois degraus do adro do Convento para ampliação da capela-mor  da igreja &lt;br /&gt;
|Religiosos  de São Domingos&lt;br /&gt;
|10  de janeiro de 1726&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para feitura de várias vidraças&lt;br /&gt;
|Manuel  da Costa Vale&lt;br /&gt;
|30 de dezembro de 1727&lt;br /&gt;
|$060 casa palmo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para o douramento da talha e pintura dos painéis laterais&lt;br /&gt;
|Manuel  da Silva e António José Correia (douramento); Manuel Ferreira e Sousa  (pintura dos painéis)&lt;br /&gt;
|02 de abril de 1729&lt;br /&gt;
|1.050$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Caixotões  do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1731 (data inscrita)&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do órgão da igreja&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|07 de maio de 1739&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Execução  do órgão&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1784&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura do  órgão do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1792&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA. (*) : Obra não realizada.  Real: moeda portuguesa à época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tabela 2&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Artistas no Convento de Jesus  de Aveiro&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Artista&lt;br /&gt;
|Função&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares &lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes (1685)&lt;br /&gt;
|Carpinteiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|João  Antunes (1699-1711)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  Gomes (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|José  Correia (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Costa Vale (1727) &lt;br /&gt;
|Mestre  vidraceiro (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Silva (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (de Coimbra)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  José Correia (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel  Ferreira e Sousa (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pedro  Guimarães (2003)&lt;br /&gt;
|Organeiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alcino  Soutinho (séc. 21)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA.&lt;br /&gt;
----Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA). &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2255&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Último acesso em 03/05/2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pereira, Paulo (2006). &#039;&#039;História da arte portuguesa&#039;&#039; (1a ed. reimpressão). Vol. III. Círculo de Leitores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
G. F. Cardoso da Costa, M. M. (2008-2009). &#039;&#039;A invocação de Nossa Senhora do Rosário no Convento de Jesus de Aveiro - Os Rosários nas coleções do Museu de Aveiro&#039;&#039;. MUSEU, IV(17), 153–170. Círculo Dr. José de Figueiredo.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.102.211</name></author>
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	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_Jesus_de_Aveiro&amp;diff=410</id>
		<title>Convento de Jesus de Aveiro</title>
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		<updated>2025-05-16T08:57:50Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.102.211: /* Enquadramento */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
O Convento de Jesus de Aveiro, também conhecido por Mosteiro de Jesus, localiza-se na União das freguesias de Glória e Vera Cruz, em Aveiro. Atualmente é o  Museu de Aveiro ou Museu de Santa Joana.  Na sua envolvente possui a Sé de Aveiro (obra primitiva do século XV), Igreja da Misericórdia de Aveiro, Igreja Carmelita de Aveiro e um dos canais da cidade, da zona do Rossio.&lt;br /&gt;
[[File:Fachada Convento de Jesus.jpg|upright=0.05]]&lt;br /&gt;
Local pertencente à Ordem Dominicana feminina, foi onde a Princesa Joana, filha de Afonso V de Portugal, viveu até morrer no dia 12 de maio (1490), data tornada em feriado municipal devido à sua importância como padroeira da cidade e da diocese. O convento possui relações com o culto religioso devido à vida de santidade que a Princesa Joana levou até sua beatificação em 1693. Mesmo com obras de melhoramento nos séculos seguintes, a clausura foi mantida até 1874. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é monumento nacional desde 1911. Integram o Museu o túmulo da Princesa Joana, a talha dourada preservada da Igreja de Jesus e o retrato da Princesa são obras ligadas a esse espaço, que o tornam uma das arquiteturas exemplares da arte portuguesa, principalmente na expressão artística do período Barroco. Contém ainda uma coleção de arte religiosa do século XV ao século XX. A Igreja de Jesus possui o arco gótico próximo ao púlpito como marca da continuação da estrutura primitiva. Diferentes linguagens estão presentes no revestimento interno dela, com investimentos de famílias como os Tavares, os Duques de Aveiro e a casa Real.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&lt;br /&gt;
=== &amp;lt;u&amp;gt;Convento  de Jesus de Aveiro&amp;lt;/u&amp;gt; ===&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Código SIPA&lt;br /&gt;
|IPA.00002255&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Ordem religiosa&lt;br /&gt;
|Ordem Dominicana feminina&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Outras nomenclaturas&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Jesus, Museu de  Santa Joana ou Museu de Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|País&lt;br /&gt;
|Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Cidade&lt;br /&gt;
|Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Freguesia&lt;br /&gt;
|Freguesia de Glória e Vera  Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Localidade&lt;br /&gt;
|Av. Santa Joana, 3810-329&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coordenadas&lt;br /&gt;
|40.63933292904409,  -8.65095453441705&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contexto Histórico ==&lt;br /&gt;
Fundado por D. Brites Leitão e D. Mécia Pereira e construído após a autorização para instituição em 1461 por bula papal do Papa Pio II. Sabe-se que a clausura era existente em 1465 desde o princípio de janeiro. Acompanhadas de D. Catarina, essas figuras teriam chegado a Aveiro em 24 de novembro de 1458 e residido em casas junto a atual Catedral, ou seja, no Convento Dominicano ali existente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através do SIPA [1] é possível obter uma sequência cronológica sobre os acontecimentos que envolveram o monumento em estudo. Quanto a sua edificação, destacam-se também os anos de 1459, em que casas na Rua Direita são vendidas a D. Mécia Pereira pelo cónego do Porto, Rodrigo Anes, para fundação do mosteiro. As primeiras monjas do Mosteiro, segundo esta fonte, teriam recebido o hábito de noviças em  25 dezembro de 1464. A ajuda régia ao mosteiro ocorre por esmola anual de 6 mil reais (unidade monetária da época) feita por D. Afonso V (1432-1481) concedida em 1466.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fontes bibliográficas apontam a data de 1472 como aquela na qual a Princesa-Infanta D. Joana, nascida em 1452, entra no Convento, onde viveu até morrer. “Embora senhora da vila de Aveiro pelos finais do século XV, a infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, decidiu, contra a vontade do pai e da corte, professar como religiosa [...]. No entanto, impedida de o fazer por razões claramente políticas [...], Joana resistiu e manteve-se como secular no convento. [...] será apesar de tudo, após a coroação do irmão como D. João II, aceite finalmente na ordem, fazendo voto de castidade a 25 de novembro de 1481.” (PEREIRA, 2006) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 28 agosto 1472, “D. Afonso V compromete-se a pagar a Aires Gomes as casas que lhe tomara, para incorporar no Mosteiro, bem como o de cercar, madeirar, forrar e ladrilhar o edifício” &#039;&#039;&#039;(&#039;&#039;&#039;SIPA&#039;&#039;&#039;)&#039;&#039;&#039;. Há o testamento feito em 19 de março de 1490 por D. Joana, a aforrar seus escravos e deixando, todos os seus bens ao Mosteiro, com exceção de alguns legados. No dia 12 maio do mesmo ano, ela morre na Sala ou Casa de Lavor, recebendo desde logo reverência por parte das freiras do espaço quanto a sua santidade, oficializada apenas em 1693 por meio da beatificação da Princesa Joana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
D. António de Vasconcelos e Sousa, bispo de Coimbra, procede o exame do corpo de Santa Joana em 1711 com outras religiosas e o Provincial da Ordem de São Domingos. D. José permite em 1777 que as religiosas a nomeiem um juiz executor e escrivão para a cobrança de rendas e foros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O decreto de 30 de maio de 1834, com Portaria de 4 de junho[2], durante o período do Liberalismo e o crescente laicismo nas instituições de poder, a Extinção das Ordens Religiosas faz com que a clausura termine em 1874 com a morte da última religiosa do local. Natália Marinho Ferreira Alves escreve sobre que os “conventos femininos portugueses dão-nos hoje uma imagem profundamente distorcida, não só do espírito que presidiu à sua fundação, mas também da evolução artística dos próprios edifícios. Para este facto contribuiram a cobiça, o vandalismo e a ignorância que golpearam as instituições religiosas a partir dos inícios do século XIX” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autora destaca a Extinção das Ordens como uma das principais causas para o estado atual dessas construções, caracterizando-as como: “Locais de grande prestígio, os conventos acolhiam senhoras da melhor nobreza, inclusivé de sangue real, encontrando-se entre os seus fundadores os próprios monarcas e, como protectoras por excelência, rainhas e infantas. Dispondo de rendimentos de diversa índole, e por vezes avultados, alguns deles, a partir do último quartel do século XVII e durante os dois primeiros terços do século XVIII, sofrem importantes obras de transformação nas suas dependências. Serão as suas igrejas que irão reflectir a feição magnífica e opulenta do barroco com os revestimentos a azulejo e nomeadamente a talha dourada, criando um espaço único, de que são paradigmas as de Jesus e de Santa Clara.” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O convento é convertido no Colégio de Santa Joana para educação de meninas a partir de Portaria do Governo de 30 de maio. Nos anos seguintes é criada a Irmandade de Santa Joana (1877) e o colégio funciona a partir de 1882 como externato para crianças pobres[3], sendo encerrado em 21 de junho de 1910, quando o local é “fechado e lacrado e os seus bens arrolados e transferidos para o Estado[3]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1911 é classificado como monumento nacional e transformado em espaço museológico. A portaria de 7 de junho cria legalmente o Museu de Aveiro, sendo João Augusto Marques Gomes nomeado 1º diretor pela portaria de 24 de janeiro de 1915.  Afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. em 29 de março de 2007, o imóvel tem inauguração em 18 dezembro de 2008 e reabertura do Museu ao público com projeto do arquiteto Alcino Soutinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Modificações Arquitetônicas e no Interior ===&lt;br /&gt;
Em relação as alterações na estrutura do objeto de estudo antes da beatificação, juntamente com as adições de elementos artísticos a sua estrutura, revelam-se a reedificação da capela-mor em 1592 por Francisco de Tavares, [o contrato de 02 de novembro de 1685 para a obra de Domingos Lopes do forro da igreja e a criação de uma capela na Casa de Lavor em 1689 pelo simbolismo do local de falecimento da infanta D. Joana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 12 de maio de 1694, terminam as festas de comemoração da beatificação da Princesa Santa Joana por meio de uma procissão. Logo em seguida ao feito, o arquiteto régio João Antunes realiza em 1699 o risco e executa o túmulo para a princesa na reforma do coro-baixo[4], perdurando até 1711. Em 23 de outubro deste ano é transladado o corpo da princesa para o túmulo feito a expensas de D. Pedro II .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o século XVIII a linguagem do Barroco se faz presente fortemente com a introdução da talha da capela-mor pelos entalhadores António Gomes e José Correia[5] e com o douramento dela por Manuel da Silva, pintor de Coimbra, e António José Correia, pintor do Porto. Os painéis laterais foram pintados em 1729 por Manuel Ferreira e Sousa, pintor portuense. Outros acontecimentos são a produção do órgão da igreja (1739), as ampliações da ala poente do claustro (1743-1744) e a feitura do órgão do coro-alto (1792). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à talha do convento, Robert C. Smith e Natália Alves dissertam sobre ela. “A influência de S. Pedro, de Miragaia, faz-se sentir na opulenta capela do convento de Jesus, em Aveiro, cuja talha foi principiada cerca de 1702, data que se encontra no arco cruzeiro.” (SMITH, 1962, p.84). “Nos anos seguintes [a 1685], a talha dourada prolifera, iniciando-se o processo que levará ao revestimento total do interior, concretizado no século seguinte. Datado de 1702 é o arco cruzeiro, sendo também contemporâneos os retábulos laterais desconhecendo-se, até ao momento, a sua autoria.” (ALVES, 2019).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A riqueza da igreja de Jesus de Aveiro, ainda existente na atualidade, segundo Natália Alves “não corresponde de forma alguma à sobriedade da sua arquitectura”. Para ela, interessa “o período que medeia entre os entre os reinados de D. Pedro II (1683-1706) e D. José I (1750-1777) sendo, no entanto, na época de D. João V (1707-1750) que se atingirá o máximo esplendor no interior das igrejas conventuais”. O rei D. João V, portanto, promove a difusão da influência portuguesa no Mundo, auxiliada pela exploração do ouro do Brasil, ao buscar comparar-se à grandeza do Vaticano e da corte papal. Através de doações, dotes conventuais e mecenas, o luxo e aparato instauram-se nas instituições religiosas, permitindo-as a aquisição de ilustres obras de arte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ala poente do claustro é ampliada durante 1743 e 1744. Em 8 de julho de 1745, há o sepultamento do sétimo duque de Aveiro D. Gabriel de Lencastre na Capela de Santo Agostinho. A Capela de Nossa Senhora do Rosário possui, em madeira dourada e policromada, um altar com catorze tábuas de pintura a óleo do século XVII de autoria de António André. Há um altar secundário decorado com baixos-relevos em cera e conjunto escultórico da Sagrada Família ao centro em madeira policromada; albergando a imagem do Menino Jesus deitado em maquineta-relicário do século XVIII. As portas laterais permitiriam o acesso a capelas, a oratórios e espaços de arrumação de alfaias religiosas. A invocação de Nossa Senhora do Rosário nesta capela é justificada por esta ser a invocação mariana predileta dos Dominicanos. (COSTA, 2008-2009). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Capela do Senhor dos Passos é construída no século XVIII nas remodelações do convento e, em virtude da devoção pelos mistérios de Cristo terem destaque à época, uma imagem processional do Senhor dos Passos é albergada pelo retábulo (meados do XVIII) em talha dourada. Do lado direito uma porta dava acesso a desaparecida Capela de Santa Maria Madalena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Sala do Capítulo Velho era onde as freiras se reuniam para decidir assuntos referentes a posse, compra, venda e administração de bens conventuais. Nela se recebiam as noviças, onde o hábito era tomado, realizava-se as eleições para nomear a prioresa, local em que se lia a Regra e eram tratadas questões disciplinares. As &#039;&#039;espreitadeiras&#039;&#039; – janelas laterais, possibilitavam que o maior número de religiosas conseguissem assistir aos atos de maior participação. Foi também usado como capela com invocação de Nossa Senhora da Assunção. Com retábulo de talha dourada do século XVIII, teto com molduras em talha dourada com pinturas alusivas à Virgem, foi o local de enterramento das fundadoras do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas por decreto de D. Pedro IV em 1834, é convertido em Colégio de Educação de meninas a partir de 1874 e transformado em espaço museológico em 1911. Com o projeto de Alcino Soutinho a reabertura ao público do Museu ocorre em 2008. Abrem-se a nova Sala de Exposições Temporárias, o espaço da biblioteca e a Galeria da Pedra em 2009, e é votado a &amp;quot;municipalização&amp;quot; do museu pela Assembleia Municipal de Aveiro em 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Partes do Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Claustro - Convento de Jesus.jpg|alt=Claustro renascentista em forma retangular e em pedra de Ançã.|thumb|&#039;&#039;&#039;Claustro - Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Claustro -&#039;&#039;&#039; O claustro renascentista é “&#039;&#039;adintelado de dois pisos, desenvolvendo colunata jónica de fuste liso com correspondência de finas colunas pseudo-toscanas no piso superior e implantação central de chafariz com obelisco, em área rebaixada. Ao longo do piso térreo rasgam-se capelas de diferentes dimensões com portais arquivoltados e ogivais&#039;&#039;.” (SIPA).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Refeitório -&#039;&#039;&#039; Localizado na ala nascente, o refeitório possui planta retangular, com um portal gótico-manuelino. Mantém a estrutura para leitura – a tribuna da leitora – é aberta em três vãos com balcão assente em duas colunas com capitéis anelares de folhagem e de lintéis cortados em arco rebaixado, possuindo acesso através de dois degraus. As paredes são revestidas por azulejo coimbrão do tipo rosácea, padrão azul e branco dos séculos XVII-XVIII, o teto é plano, conservando-se as mesas e bancos; a iluminação é feita por meio de janelas em capialço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Coro-baixo -&#039;&#039;&#039; O Coro-baixo apresenta o túmulo da princesa Santa Joana, em mármores embutidos policromos ao gosto italiano. Obra realizada entre 1699 e 1711 do arquiteto régio João Antunes (1645-1712) – responsável pelas obras na Igreja de Santa Engrácia em Lisboa-, o artista faz o risco e executa o túmulo para princesa durante a reforma do espaço. Com pavimento de mosaico, a porta de acesso do ante-coro na sala é uma obra de marcenaria engradada e embrechada, com inspiração no estilo renascentista. Segundo Paulo Pereira[6]:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“[O arquiteto João Antunes] Usou os embrechados que na altura se acomodavam ao gosto cortesão e áulico português, por influência italiana. Antunes já experimentara esta solução com excelentes resultados no retábulo da Capela da Quinta do Calhariz, em Sesimbra (de 1683). Conhecedor da técnica e dos oficiais que dominavam a artesania do embutido de pedra-mármore, e certamente com base em algum modelo preexistente hoje difícil de encontrar, projeta a arca, instalando-a suspensa sobre quatro anjos em cada canto e com escultura de uma fênix no eixo. A arca é paralelepipédica, com emolduramento jônico e enrolamento em forma de consolas. No cimo e ao centro, põe um grupo de lavores heráldicos, oferecendo duas fachadas com volutas. O sentido de toda esta obra é, no entanto, mais do que heráldico: é emblemático. São emblemas os anjos que suportam o túmulo, bem como a fênix, símbolo da Ressurreição. Do mesmo modo, a ordem arquitetônica escolhida, o jônico, remete para o gênero feminino, como era de tradição vitruviana, traduzida embora de forma barroca. Do mesmo modo, a inexistência de qualquer imagem identificadora de Santa Joana, substituída pelas armas do reino, ou a de «desmaterialização» da inércia da pedra pela representação dos leves e inefáveis anjinhos-atlantes, perpetua o mistério sagrado que ali se encena: a incorruptibilidade de um corpo santo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Sala de Lavor -&#039;&#039;&#039; A Sala de Lavor é atualmente revestida a talha e telas pintadas, que são divididas por cartelões. O local instituído desde o principio da clausura era destinado ao bordado de alfaias e paramentos utilizados no culto, ao “trabalho de lavor”. A Princesa Santa Joana é trazida a esse espaço ao adoecer e, consequentemente, interrompendo a função deste, visto que residiu nele até sua morte. Passa a ser um cartório onde foi reunida a documentação necessária para o processo canônico de beatificação concluído em 1693. Um pequeno altar localiza-se na parede de frente à entrada, com tela representando a morte de Santa Joana, a qual duas mísulas ladeiam com imaginária. As pinturas narram à vida da Princesa: a chegada a Aveiro à realização do seu cortejo fúnebre. Sua remodelação decorativa ocorre em 1734, como indicado pela presença desta data numa cartela da Casa de Lavor, convertendo a sala em capela-relicário. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Fachada do Convento -&#039;&#039;&#039; A fachada principal reveste a primitiva e prolonga o corpo principal do edifício. Com dois registros, estes divididos por frisos e cinco panos, há uma entrada central de portal nobre circunscrito por pilastras e frontão semicircular interrompido. Nota-se o escudo e coroa real. Enquanto o piso térreo caracteriza-se assimétrico em relação à abertura dos vãos por vezes entaipados, o piso superior sistema de abertura de pares de janelões retangulares e gradeados de frontões interrompidos. Há um entablamento dórico – friso com métopas e triglifos – na parte superior, com correspondência das pilastras da ordem colossal.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Igreja de Jesus -&#039;&#039;&#039; A Igreja de Jesus possui nave retangular com cobertura em caixotões almofadados, com duas estruturas retabulares e silhar de azulejos decorativos. Órgão junto ao coro, porta de acesso à zona conventual, arco triunfal a pleno centro. A capela-mor é profunda e com cobertura em falsa abóbada de lunetas; portas de acesso às primitivas sacristias existem nas paredes laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja de Jesus localiza-se, conforme texto de O &#039;&#039;Roteiro do Museu de Aveiro&#039;&#039; de 1960, nas páginas 56 a 59: “&#039;&#039;A pequena porta de acesso da capela de Santo Agostinho à igreja, entrevista da nave do templo, apresenta-se como obra mestra do ogival dos fins de quatrocentos. Enquadra-se nos trechos decorativos mais tardios de azulejo, pintura, talha e outra marcenaria, a formar sequente conjunto. Logo em frente a esta porta se depara o monumental órgão da igreja&#039;&#039;[...]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferentes artistas foram chamados para executar obras na Igreja de Jesus de Aveiro após a morte da Princesa Joana entre os séculos XVI e XVIII. (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tabela 1 &lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;4&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Obras e contratos da Igreja de  Jesus&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Obra&lt;br /&gt;
|Artista/Feitor  da obra&lt;br /&gt;
|Cronologia&lt;br /&gt;
|Custo  em real&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reedificação  da capela-mor&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares&lt;br /&gt;
|1592&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do retábulo-mor&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|24  janeiro de 1668&lt;br /&gt;
|90$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  da obra do forro da igreja&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|02  de novembro de 1685&lt;br /&gt;
|470$0000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reforma  do coro-baixo e execução do túmulo para a princesa D. Joana&lt;br /&gt;
|João  Antunes&lt;br /&gt;
|1699  - 1711&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para a execução da talha da capela-mor   111&lt;br /&gt;
|António  Gomes e José Correia&lt;br /&gt;
|17  de  janeiro de 1725 &lt;br /&gt;
|3:000$300&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para recuo de dois degraus do adro do Convento para ampliação da capela-mor  da igreja &lt;br /&gt;
|Religiosos  de São Domingos&lt;br /&gt;
|10  de janeiro de 1726&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para feitura de várias vidraças&lt;br /&gt;
|Manuel  da Costa Vale&lt;br /&gt;
|30 de dezembro de 1727&lt;br /&gt;
|$060 casa palmo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para o douramento da talha e pintura dos painéis laterais&lt;br /&gt;
|Manuel  da Silva e António José Correia (douramento); Manuel Ferreira e Sousa  (pintura dos painéis)&lt;br /&gt;
|02 de abril de 1729&lt;br /&gt;
|1.050$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Caixotões  do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1731 (data inscrita)&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do órgão da igreja&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|07 de maio de 1739&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Execução  do órgão&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1784&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura do  órgão do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1792&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA. (*) : Obra não realizada.  Real: moeda portuguesa à época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tabela 2&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Artistas no Convento de Jesus  de Aveiro&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Artista&lt;br /&gt;
|Função&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares &lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes (1685)&lt;br /&gt;
|Carpinteiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|João  Antunes (1699-1711)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  Gomes (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|José  Correia (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Costa Vale (1727) &lt;br /&gt;
|Mestre  vidraceiro (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Silva (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (de Coimbra)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  José Correia (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel  Ferreira e Sousa (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pedro  Guimarães (2003)&lt;br /&gt;
|Organeiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alcino  Soutinho (séc. 21)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA.&lt;br /&gt;
----[1] Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA). &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2255&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Último acesso em 03/05/2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[2] Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[3] Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[4] Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[5] Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[6] Pereira Paulo (2006). &#039;&#039;História da arte portuguesa&#039;&#039; (1a ed. reimpressão). Vol. III. Círculo de Leitores.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.102.211</name></author>
	</entry>
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		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_Jesus_de_Aveiro&amp;diff=409</id>
		<title>Convento de Jesus de Aveiro</title>
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		<updated>2025-05-16T08:57:24Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.102.211: /* Enquadramento */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
O Convento de Jesus de Aveiro, também conhecido por Mosteiro de Jesus, localiza-se na União das freguesias de Glória e Vera Cruz, em Aveiro. Atualmente é o  Museu de Aveiro ou Museu de Santa Joana.  Na sua envolvente possui a Sé de Aveiro (obra primitiva do século XV), Igreja da Misericórdia de Aveiro, Igreja Carmelita de Aveiro e um dos canais da cidade, da zona do Rossio.&lt;br /&gt;
[[File:Fachada Convento de Jesus.jpg|100x100px]]&lt;br /&gt;
Local pertencente à Ordem Dominicana feminina, foi onde a Princesa Joana, filha de Afonso V de Portugal, viveu até morrer no dia 12 de maio (1490), data tornada em feriado municipal devido à sua importância como padroeira da cidade e da diocese. O convento possui relações com o culto religioso devido à vida de santidade que a Princesa Joana levou até sua beatificação em 1693. Mesmo com obras de melhoramento nos séculos seguintes, a clausura foi mantida até 1874. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é monumento nacional desde 1911. Integram o Museu o túmulo da Princesa Joana, a talha dourada preservada da Igreja de Jesus e o retrato da Princesa são obras ligadas a esse espaço, que o tornam uma das arquiteturas exemplares da arte portuguesa, principalmente na expressão artística do período Barroco. Contém ainda uma coleção de arte religiosa do século XV ao século XX. A Igreja de Jesus possui o arco gótico próximo ao púlpito como marca da continuação da estrutura primitiva. Diferentes linguagens estão presentes no revestimento interno dela, com investimentos de famílias como os Tavares, os Duques de Aveiro e a casa Real.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&lt;br /&gt;
=== &amp;lt;u&amp;gt;Convento  de Jesus de Aveiro&amp;lt;/u&amp;gt; ===&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Código SIPA&lt;br /&gt;
|IPA.00002255&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Ordem religiosa&lt;br /&gt;
|Ordem Dominicana feminina&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Outras nomenclaturas&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Jesus, Museu de  Santa Joana ou Museu de Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|País&lt;br /&gt;
|Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Cidade&lt;br /&gt;
|Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Freguesia&lt;br /&gt;
|Freguesia de Glória e Vera  Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Localidade&lt;br /&gt;
|Av. Santa Joana, 3810-329&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coordenadas&lt;br /&gt;
|40.63933292904409,  -8.65095453441705&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contexto Histórico ==&lt;br /&gt;
Fundado por D. Brites Leitão e D. Mécia Pereira e construído após a autorização para instituição em 1461 por bula papal do Papa Pio II. Sabe-se que a clausura era existente em 1465 desde o princípio de janeiro. Acompanhadas de D. Catarina, essas figuras teriam chegado a Aveiro em 24 de novembro de 1458 e residido em casas junto a atual Catedral, ou seja, no Convento Dominicano ali existente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através do SIPA [1] é possível obter uma sequência cronológica sobre os acontecimentos que envolveram o monumento em estudo. Quanto a sua edificação, destacam-se também os anos de 1459, em que casas na Rua Direita são vendidas a D. Mécia Pereira pelo cónego do Porto, Rodrigo Anes, para fundação do mosteiro. As primeiras monjas do Mosteiro, segundo esta fonte, teriam recebido o hábito de noviças em  25 dezembro de 1464. A ajuda régia ao mosteiro ocorre por esmola anual de 6 mil reais (unidade monetária da época) feita por D. Afonso V (1432-1481) concedida em 1466.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fontes bibliográficas apontam a data de 1472 como aquela na qual a Princesa-Infanta D. Joana, nascida em 1452, entra no Convento, onde viveu até morrer. “Embora senhora da vila de Aveiro pelos finais do século XV, a infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, decidiu, contra a vontade do pai e da corte, professar como religiosa [...]. No entanto, impedida de o fazer por razões claramente políticas [...], Joana resistiu e manteve-se como secular no convento. [...] será apesar de tudo, após a coroação do irmão como D. João II, aceite finalmente na ordem, fazendo voto de castidade a 25 de novembro de 1481.” (PEREIRA, 2006) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 28 agosto 1472, “D. Afonso V compromete-se a pagar a Aires Gomes as casas que lhe tomara, para incorporar no Mosteiro, bem como o de cercar, madeirar, forrar e ladrilhar o edifício” &#039;&#039;&#039;(&#039;&#039;&#039;SIPA&#039;&#039;&#039;)&#039;&#039;&#039;. Há o testamento feito em 19 de março de 1490 por D. Joana, a aforrar seus escravos e deixando, todos os seus bens ao Mosteiro, com exceção de alguns legados. No dia 12 maio do mesmo ano, ela morre na Sala ou Casa de Lavor, recebendo desde logo reverência por parte das freiras do espaço quanto a sua santidade, oficializada apenas em 1693 por meio da beatificação da Princesa Joana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
D. António de Vasconcelos e Sousa, bispo de Coimbra, procede o exame do corpo de Santa Joana em 1711 com outras religiosas e o Provincial da Ordem de São Domingos. D. José permite em 1777 que as religiosas a nomeiem um juiz executor e escrivão para a cobrança de rendas e foros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O decreto de 30 de maio de 1834, com Portaria de 4 de junho[2], durante o período do Liberalismo e o crescente laicismo nas instituições de poder, a Extinção das Ordens Religiosas faz com que a clausura termine em 1874 com a morte da última religiosa do local. Natália Marinho Ferreira Alves escreve sobre que os “conventos femininos portugueses dão-nos hoje uma imagem profundamente distorcida, não só do espírito que presidiu à sua fundação, mas também da evolução artística dos próprios edifícios. Para este facto contribuiram a cobiça, o vandalismo e a ignorância que golpearam as instituições religiosas a partir dos inícios do século XIX” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autora destaca a Extinção das Ordens como uma das principais causas para o estado atual dessas construções, caracterizando-as como: “Locais de grande prestígio, os conventos acolhiam senhoras da melhor nobreza, inclusivé de sangue real, encontrando-se entre os seus fundadores os próprios monarcas e, como protectoras por excelência, rainhas e infantas. Dispondo de rendimentos de diversa índole, e por vezes avultados, alguns deles, a partir do último quartel do século XVII e durante os dois primeiros terços do século XVIII, sofrem importantes obras de transformação nas suas dependências. Serão as suas igrejas que irão reflectir a feição magnífica e opulenta do barroco com os revestimentos a azulejo e nomeadamente a talha dourada, criando um espaço único, de que são paradigmas as de Jesus e de Santa Clara.” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O convento é convertido no Colégio de Santa Joana para educação de meninas a partir de Portaria do Governo de 30 de maio. Nos anos seguintes é criada a Irmandade de Santa Joana (1877) e o colégio funciona a partir de 1882 como externato para crianças pobres[3], sendo encerrado em 21 de junho de 1910, quando o local é “fechado e lacrado e os seus bens arrolados e transferidos para o Estado[3]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1911 é classificado como monumento nacional e transformado em espaço museológico. A portaria de 7 de junho cria legalmente o Museu de Aveiro, sendo João Augusto Marques Gomes nomeado 1º diretor pela portaria de 24 de janeiro de 1915.  Afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. em 29 de março de 2007, o imóvel tem inauguração em 18 dezembro de 2008 e reabertura do Museu ao público com projeto do arquiteto Alcino Soutinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Modificações Arquitetônicas e no Interior ===&lt;br /&gt;
Em relação as alterações na estrutura do objeto de estudo antes da beatificação, juntamente com as adições de elementos artísticos a sua estrutura, revelam-se a reedificação da capela-mor em 1592 por Francisco de Tavares, [o contrato de 02 de novembro de 1685 para a obra de Domingos Lopes do forro da igreja e a criação de uma capela na Casa de Lavor em 1689 pelo simbolismo do local de falecimento da infanta D. Joana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 12 de maio de 1694, terminam as festas de comemoração da beatificação da Princesa Santa Joana por meio de uma procissão. Logo em seguida ao feito, o arquiteto régio João Antunes realiza em 1699 o risco e executa o túmulo para a princesa na reforma do coro-baixo[4], perdurando até 1711. Em 23 de outubro deste ano é transladado o corpo da princesa para o túmulo feito a expensas de D. Pedro II .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o século XVIII a linguagem do Barroco se faz presente fortemente com a introdução da talha da capela-mor pelos entalhadores António Gomes e José Correia[5] e com o douramento dela por Manuel da Silva, pintor de Coimbra, e António José Correia, pintor do Porto. Os painéis laterais foram pintados em 1729 por Manuel Ferreira e Sousa, pintor portuense. Outros acontecimentos são a produção do órgão da igreja (1739), as ampliações da ala poente do claustro (1743-1744) e a feitura do órgão do coro-alto (1792). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à talha do convento, Robert C. Smith e Natália Alves dissertam sobre ela. “A influência de S. Pedro, de Miragaia, faz-se sentir na opulenta capela do convento de Jesus, em Aveiro, cuja talha foi principiada cerca de 1702, data que se encontra no arco cruzeiro.” (SMITH, 1962, p.84). “Nos anos seguintes [a 1685], a talha dourada prolifera, iniciando-se o processo que levará ao revestimento total do interior, concretizado no século seguinte. Datado de 1702 é o arco cruzeiro, sendo também contemporâneos os retábulos laterais desconhecendo-se, até ao momento, a sua autoria.” (ALVES, 2019).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A riqueza da igreja de Jesus de Aveiro, ainda existente na atualidade, segundo Natália Alves “não corresponde de forma alguma à sobriedade da sua arquitectura”. Para ela, interessa “o período que medeia entre os entre os reinados de D. Pedro II (1683-1706) e D. José I (1750-1777) sendo, no entanto, na época de D. João V (1707-1750) que se atingirá o máximo esplendor no interior das igrejas conventuais”. O rei D. João V, portanto, promove a difusão da influência portuguesa no Mundo, auxiliada pela exploração do ouro do Brasil, ao buscar comparar-se à grandeza do Vaticano e da corte papal. Através de doações, dotes conventuais e mecenas, o luxo e aparato instauram-se nas instituições religiosas, permitindo-as a aquisição de ilustres obras de arte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ala poente do claustro é ampliada durante 1743 e 1744. Em 8 de julho de 1745, há o sepultamento do sétimo duque de Aveiro D. Gabriel de Lencastre na Capela de Santo Agostinho. A Capela de Nossa Senhora do Rosário possui, em madeira dourada e policromada, um altar com catorze tábuas de pintura a óleo do século XVII de autoria de António André. Há um altar secundário decorado com baixos-relevos em cera e conjunto escultórico da Sagrada Família ao centro em madeira policromada; albergando a imagem do Menino Jesus deitado em maquineta-relicário do século XVIII. As portas laterais permitiriam o acesso a capelas, a oratórios e espaços de arrumação de alfaias religiosas. A invocação de Nossa Senhora do Rosário nesta capela é justificada por esta ser a invocação mariana predileta dos Dominicanos. (COSTA, 2008-2009). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Capela do Senhor dos Passos é construída no século XVIII nas remodelações do convento e, em virtude da devoção pelos mistérios de Cristo terem destaque à época, uma imagem processional do Senhor dos Passos é albergada pelo retábulo (meados do XVIII) em talha dourada. Do lado direito uma porta dava acesso a desaparecida Capela de Santa Maria Madalena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Sala do Capítulo Velho era onde as freiras se reuniam para decidir assuntos referentes a posse, compra, venda e administração de bens conventuais. Nela se recebiam as noviças, onde o hábito era tomado, realizava-se as eleições para nomear a prioresa, local em que se lia a Regra e eram tratadas questões disciplinares. As &#039;&#039;espreitadeiras&#039;&#039; – janelas laterais, possibilitavam que o maior número de religiosas conseguissem assistir aos atos de maior participação. Foi também usado como capela com invocação de Nossa Senhora da Assunção. Com retábulo de talha dourada do século XVIII, teto com molduras em talha dourada com pinturas alusivas à Virgem, foi o local de enterramento das fundadoras do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas por decreto de D. Pedro IV em 1834, é convertido em Colégio de Educação de meninas a partir de 1874 e transformado em espaço museológico em 1911. Com o projeto de Alcino Soutinho a reabertura ao público do Museu ocorre em 2008. Abrem-se a nova Sala de Exposições Temporárias, o espaço da biblioteca e a Galeria da Pedra em 2009, e é votado a &amp;quot;municipalização&amp;quot; do museu pela Assembleia Municipal de Aveiro em 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Partes do Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Claustro - Convento de Jesus.jpg|alt=Claustro renascentista em forma retangular e em pedra de Ançã.|thumb|&#039;&#039;&#039;Claustro - Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Claustro -&#039;&#039;&#039; O claustro renascentista é “&#039;&#039;adintelado de dois pisos, desenvolvendo colunata jónica de fuste liso com correspondência de finas colunas pseudo-toscanas no piso superior e implantação central de chafariz com obelisco, em área rebaixada. Ao longo do piso térreo rasgam-se capelas de diferentes dimensões com portais arquivoltados e ogivais&#039;&#039;.” (SIPA).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Refeitório -&#039;&#039;&#039; Localizado na ala nascente, o refeitório possui planta retangular, com um portal gótico-manuelino. Mantém a estrutura para leitura – a tribuna da leitora – é aberta em três vãos com balcão assente em duas colunas com capitéis anelares de folhagem e de lintéis cortados em arco rebaixado, possuindo acesso através de dois degraus. As paredes são revestidas por azulejo coimbrão do tipo rosácea, padrão azul e branco dos séculos XVII-XVIII, o teto é plano, conservando-se as mesas e bancos; a iluminação é feita por meio de janelas em capialço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Coro-baixo -&#039;&#039;&#039; O Coro-baixo apresenta o túmulo da princesa Santa Joana, em mármores embutidos policromos ao gosto italiano. Obra realizada entre 1699 e 1711 do arquiteto régio João Antunes (1645-1712) – responsável pelas obras na Igreja de Santa Engrácia em Lisboa-, o artista faz o risco e executa o túmulo para princesa durante a reforma do espaço. Com pavimento de mosaico, a porta de acesso do ante-coro na sala é uma obra de marcenaria engradada e embrechada, com inspiração no estilo renascentista. Segundo Paulo Pereira[6]:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“[O arquiteto João Antunes] Usou os embrechados que na altura se acomodavam ao gosto cortesão e áulico português, por influência italiana. Antunes já experimentara esta solução com excelentes resultados no retábulo da Capela da Quinta do Calhariz, em Sesimbra (de 1683). Conhecedor da técnica e dos oficiais que dominavam a artesania do embutido de pedra-mármore, e certamente com base em algum modelo preexistente hoje difícil de encontrar, projeta a arca, instalando-a suspensa sobre quatro anjos em cada canto e com escultura de uma fênix no eixo. A arca é paralelepipédica, com emolduramento jônico e enrolamento em forma de consolas. No cimo e ao centro, põe um grupo de lavores heráldicos, oferecendo duas fachadas com volutas. O sentido de toda esta obra é, no entanto, mais do que heráldico: é emblemático. São emblemas os anjos que suportam o túmulo, bem como a fênix, símbolo da Ressurreição. Do mesmo modo, a ordem arquitetônica escolhida, o jônico, remete para o gênero feminino, como era de tradição vitruviana, traduzida embora de forma barroca. Do mesmo modo, a inexistência de qualquer imagem identificadora de Santa Joana, substituída pelas armas do reino, ou a de «desmaterialização» da inércia da pedra pela representação dos leves e inefáveis anjinhos-atlantes, perpetua o mistério sagrado que ali se encena: a incorruptibilidade de um corpo santo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Sala de Lavor -&#039;&#039;&#039; A Sala de Lavor é atualmente revestida a talha e telas pintadas, que são divididas por cartelões. O local instituído desde o principio da clausura era destinado ao bordado de alfaias e paramentos utilizados no culto, ao “trabalho de lavor”. A Princesa Santa Joana é trazida a esse espaço ao adoecer e, consequentemente, interrompendo a função deste, visto que residiu nele até sua morte. Passa a ser um cartório onde foi reunida a documentação necessária para o processo canônico de beatificação concluído em 1693. Um pequeno altar localiza-se na parede de frente à entrada, com tela representando a morte de Santa Joana, a qual duas mísulas ladeiam com imaginária. As pinturas narram à vida da Princesa: a chegada a Aveiro à realização do seu cortejo fúnebre. Sua remodelação decorativa ocorre em 1734, como indicado pela presença desta data numa cartela da Casa de Lavor, convertendo a sala em capela-relicário. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Fachada do Convento -&#039;&#039;&#039; A fachada principal reveste a primitiva e prolonga o corpo principal do edifício. Com dois registros, estes divididos por frisos e cinco panos, há uma entrada central de portal nobre circunscrito por pilastras e frontão semicircular interrompido. Nota-se o escudo e coroa real. Enquanto o piso térreo caracteriza-se assimétrico em relação à abertura dos vãos por vezes entaipados, o piso superior sistema de abertura de pares de janelões retangulares e gradeados de frontões interrompidos. Há um entablamento dórico – friso com métopas e triglifos – na parte superior, com correspondência das pilastras da ordem colossal.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Igreja de Jesus -&#039;&#039;&#039; A Igreja de Jesus possui nave retangular com cobertura em caixotões almofadados, com duas estruturas retabulares e silhar de azulejos decorativos. Órgão junto ao coro, porta de acesso à zona conventual, arco triunfal a pleno centro. A capela-mor é profunda e com cobertura em falsa abóbada de lunetas; portas de acesso às primitivas sacristias existem nas paredes laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja de Jesus localiza-se, conforme texto de O &#039;&#039;Roteiro do Museu de Aveiro&#039;&#039; de 1960, nas páginas 56 a 59: “&#039;&#039;A pequena porta de acesso da capela de Santo Agostinho à igreja, entrevista da nave do templo, apresenta-se como obra mestra do ogival dos fins de quatrocentos. Enquadra-se nos trechos decorativos mais tardios de azulejo, pintura, talha e outra marcenaria, a formar sequente conjunto. Logo em frente a esta porta se depara o monumental órgão da igreja&#039;&#039;[...]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferentes artistas foram chamados para executar obras na Igreja de Jesus de Aveiro após a morte da Princesa Joana entre os séculos XVI e XVIII. (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tabela 1 &lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;4&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Obras e contratos da Igreja de  Jesus&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Obra&lt;br /&gt;
|Artista/Feitor  da obra&lt;br /&gt;
|Cronologia&lt;br /&gt;
|Custo  em real&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reedificação  da capela-mor&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares&lt;br /&gt;
|1592&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do retábulo-mor&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|24  janeiro de 1668&lt;br /&gt;
|90$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  da obra do forro da igreja&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|02  de novembro de 1685&lt;br /&gt;
|470$0000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reforma  do coro-baixo e execução do túmulo para a princesa D. Joana&lt;br /&gt;
|João  Antunes&lt;br /&gt;
|1699  - 1711&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para a execução da talha da capela-mor   111&lt;br /&gt;
|António  Gomes e José Correia&lt;br /&gt;
|17  de  janeiro de 1725 &lt;br /&gt;
|3:000$300&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para recuo de dois degraus do adro do Convento para ampliação da capela-mor  da igreja &lt;br /&gt;
|Religiosos  de São Domingos&lt;br /&gt;
|10  de janeiro de 1726&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para feitura de várias vidraças&lt;br /&gt;
|Manuel  da Costa Vale&lt;br /&gt;
|30 de dezembro de 1727&lt;br /&gt;
|$060 casa palmo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para o douramento da talha e pintura dos painéis laterais&lt;br /&gt;
|Manuel  da Silva e António José Correia (douramento); Manuel Ferreira e Sousa  (pintura dos painéis)&lt;br /&gt;
|02 de abril de 1729&lt;br /&gt;
|1.050$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Caixotões  do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1731 (data inscrita)&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do órgão da igreja&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|07 de maio de 1739&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Execução  do órgão&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1784&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura do  órgão do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1792&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA. (*) : Obra não realizada.  Real: moeda portuguesa à época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tabela 2&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Artistas no Convento de Jesus  de Aveiro&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Artista&lt;br /&gt;
|Função&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares &lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes (1685)&lt;br /&gt;
|Carpinteiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|João  Antunes (1699-1711)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  Gomes (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|José  Correia (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Costa Vale (1727) &lt;br /&gt;
|Mestre  vidraceiro (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Silva (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (de Coimbra)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  José Correia (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel  Ferreira e Sousa (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pedro  Guimarães (2003)&lt;br /&gt;
|Organeiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alcino  Soutinho (séc. 21)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA.&lt;br /&gt;
----[1] Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA). &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2255&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Último acesso em 03/05/2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[2] Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[3] Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[4] Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[5] Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[6] Pereira Paulo (2006). &#039;&#039;História da arte portuguesa&#039;&#039; (1a ed. reimpressão). Vol. III. Círculo de Leitores.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.102.211</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_Jesus_de_Aveiro&amp;diff=408</id>
		<title>Convento de Jesus de Aveiro</title>
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		<updated>2025-05-16T08:56:50Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.102.211: /* Enquadramento */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
O Convento de Jesus de Aveiro, também conhecido por Mosteiro de Jesus, localiza-se na União das freguesias de Glória e Vera Cruz, em Aveiro. Atualmente é o  Museu de Aveiro ou Museu de Santa Joana.  Na sua envolvente possui a Sé de Aveiro (obra primitiva do século XV), Igreja da Misericórdia de Aveiro, Igreja Carmelita de Aveiro e um dos canais da cidade, da zona do Rossio.&lt;br /&gt;
[[File:Fachada Convento de Jesus.jpg|upright=0.01]]&lt;br /&gt;
Local pertencente à Ordem Dominicana feminina, foi onde a Princesa Joana, filha de Afonso V de Portugal, viveu até morrer no dia 12 de maio (1490), data tornada em feriado municipal devido à sua importância como padroeira da cidade e da diocese. O convento possui relações com o culto religioso devido à vida de santidade que a Princesa Joana levou até sua beatificação em 1693. Mesmo com obras de melhoramento nos séculos seguintes, a clausura foi mantida até 1874. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é monumento nacional desde 1911. Integram o Museu o túmulo da Princesa Joana, a talha dourada preservada da Igreja de Jesus e o retrato da Princesa são obras ligadas a esse espaço, que o tornam uma das arquiteturas exemplares da arte portuguesa, principalmente na expressão artística do período Barroco. Contém ainda uma coleção de arte religiosa do século XV ao século XX. A Igreja de Jesus possui o arco gótico próximo ao púlpito como marca da continuação da estrutura primitiva. Diferentes linguagens estão presentes no revestimento interno dela, com investimentos de famílias como os Tavares, os Duques de Aveiro e a casa Real.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&lt;br /&gt;
=== &amp;lt;u&amp;gt;Convento  de Jesus de Aveiro&amp;lt;/u&amp;gt; ===&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Código SIPA&lt;br /&gt;
|IPA.00002255&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Ordem religiosa&lt;br /&gt;
|Ordem Dominicana feminina&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Outras nomenclaturas&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Jesus, Museu de  Santa Joana ou Museu de Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|País&lt;br /&gt;
|Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Cidade&lt;br /&gt;
|Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Freguesia&lt;br /&gt;
|Freguesia de Glória e Vera  Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Localidade&lt;br /&gt;
|Av. Santa Joana, 3810-329&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coordenadas&lt;br /&gt;
|40.63933292904409,  -8.65095453441705&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contexto Histórico ==&lt;br /&gt;
Fundado por D. Brites Leitão e D. Mécia Pereira e construído após a autorização para instituição em 1461 por bula papal do Papa Pio II. Sabe-se que a clausura era existente em 1465 desde o princípio de janeiro. Acompanhadas de D. Catarina, essas figuras teriam chegado a Aveiro em 24 de novembro de 1458 e residido em casas junto a atual Catedral, ou seja, no Convento Dominicano ali existente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através do SIPA [1] é possível obter uma sequência cronológica sobre os acontecimentos que envolveram o monumento em estudo. Quanto a sua edificação, destacam-se também os anos de 1459, em que casas na Rua Direita são vendidas a D. Mécia Pereira pelo cónego do Porto, Rodrigo Anes, para fundação do mosteiro. As primeiras monjas do Mosteiro, segundo esta fonte, teriam recebido o hábito de noviças em  25 dezembro de 1464. A ajuda régia ao mosteiro ocorre por esmola anual de 6 mil reais (unidade monetária da época) feita por D. Afonso V (1432-1481) concedida em 1466.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fontes bibliográficas apontam a data de 1472 como aquela na qual a Princesa-Infanta D. Joana, nascida em 1452, entra no Convento, onde viveu até morrer. “Embora senhora da vila de Aveiro pelos finais do século XV, a infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, decidiu, contra a vontade do pai e da corte, professar como religiosa [...]. No entanto, impedida de o fazer por razões claramente políticas [...], Joana resistiu e manteve-se como secular no convento. [...] será apesar de tudo, após a coroação do irmão como D. João II, aceite finalmente na ordem, fazendo voto de castidade a 25 de novembro de 1481.” (PEREIRA, 2006) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 28 agosto 1472, “D. Afonso V compromete-se a pagar a Aires Gomes as casas que lhe tomara, para incorporar no Mosteiro, bem como o de cercar, madeirar, forrar e ladrilhar o edifício” &#039;&#039;&#039;(&#039;&#039;&#039;SIPA&#039;&#039;&#039;)&#039;&#039;&#039;. Há o testamento feito em 19 de março de 1490 por D. Joana, a aforrar seus escravos e deixando, todos os seus bens ao Mosteiro, com exceção de alguns legados. No dia 12 maio do mesmo ano, ela morre na Sala ou Casa de Lavor, recebendo desde logo reverência por parte das freiras do espaço quanto a sua santidade, oficializada apenas em 1693 por meio da beatificação da Princesa Joana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
D. António de Vasconcelos e Sousa, bispo de Coimbra, procede o exame do corpo de Santa Joana em 1711 com outras religiosas e o Provincial da Ordem de São Domingos. D. José permite em 1777 que as religiosas a nomeiem um juiz executor e escrivão para a cobrança de rendas e foros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O decreto de 30 de maio de 1834, com Portaria de 4 de junho[2], durante o período do Liberalismo e o crescente laicismo nas instituições de poder, a Extinção das Ordens Religiosas faz com que a clausura termine em 1874 com a morte da última religiosa do local. Natália Marinho Ferreira Alves escreve sobre que os “conventos femininos portugueses dão-nos hoje uma imagem profundamente distorcida, não só do espírito que presidiu à sua fundação, mas também da evolução artística dos próprios edifícios. Para este facto contribuiram a cobiça, o vandalismo e a ignorância que golpearam as instituições religiosas a partir dos inícios do século XIX” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autora destaca a Extinção das Ordens como uma das principais causas para o estado atual dessas construções, caracterizando-as como: “Locais de grande prestígio, os conventos acolhiam senhoras da melhor nobreza, inclusivé de sangue real, encontrando-se entre os seus fundadores os próprios monarcas e, como protectoras por excelência, rainhas e infantas. Dispondo de rendimentos de diversa índole, e por vezes avultados, alguns deles, a partir do último quartel do século XVII e durante os dois primeiros terços do século XVIII, sofrem importantes obras de transformação nas suas dependências. Serão as suas igrejas que irão reflectir a feição magnífica e opulenta do barroco com os revestimentos a azulejo e nomeadamente a talha dourada, criando um espaço único, de que são paradigmas as de Jesus e de Santa Clara.” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O convento é convertido no Colégio de Santa Joana para educação de meninas a partir de Portaria do Governo de 30 de maio. Nos anos seguintes é criada a Irmandade de Santa Joana (1877) e o colégio funciona a partir de 1882 como externato para crianças pobres[3], sendo encerrado em 21 de junho de 1910, quando o local é “fechado e lacrado e os seus bens arrolados e transferidos para o Estado[3]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1911 é classificado como monumento nacional e transformado em espaço museológico. A portaria de 7 de junho cria legalmente o Museu de Aveiro, sendo João Augusto Marques Gomes nomeado 1º diretor pela portaria de 24 de janeiro de 1915.  Afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. em 29 de março de 2007, o imóvel tem inauguração em 18 dezembro de 2008 e reabertura do Museu ao público com projeto do arquiteto Alcino Soutinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Modificações Arquitetônicas e no Interior ===&lt;br /&gt;
Em relação as alterações na estrutura do objeto de estudo antes da beatificação, juntamente com as adições de elementos artísticos a sua estrutura, revelam-se a reedificação da capela-mor em 1592 por Francisco de Tavares, [o contrato de 02 de novembro de 1685 para a obra de Domingos Lopes do forro da igreja e a criação de uma capela na Casa de Lavor em 1689 pelo simbolismo do local de falecimento da infanta D. Joana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 12 de maio de 1694, terminam as festas de comemoração da beatificação da Princesa Santa Joana por meio de uma procissão. Logo em seguida ao feito, o arquiteto régio João Antunes realiza em 1699 o risco e executa o túmulo para a princesa na reforma do coro-baixo[4], perdurando até 1711. Em 23 de outubro deste ano é transladado o corpo da princesa para o túmulo feito a expensas de D. Pedro II .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o século XVIII a linguagem do Barroco se faz presente fortemente com a introdução da talha da capela-mor pelos entalhadores António Gomes e José Correia[5] e com o douramento dela por Manuel da Silva, pintor de Coimbra, e António José Correia, pintor do Porto. Os painéis laterais foram pintados em 1729 por Manuel Ferreira e Sousa, pintor portuense. Outros acontecimentos são a produção do órgão da igreja (1739), as ampliações da ala poente do claustro (1743-1744) e a feitura do órgão do coro-alto (1792). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à talha do convento, Robert C. Smith e Natália Alves dissertam sobre ela. “A influência de S. Pedro, de Miragaia, faz-se sentir na opulenta capela do convento de Jesus, em Aveiro, cuja talha foi principiada cerca de 1702, data que se encontra no arco cruzeiro.” (SMITH, 1962, p.84). “Nos anos seguintes [a 1685], a talha dourada prolifera, iniciando-se o processo que levará ao revestimento total do interior, concretizado no século seguinte. Datado de 1702 é o arco cruzeiro, sendo também contemporâneos os retábulos laterais desconhecendo-se, até ao momento, a sua autoria.” (ALVES, 2019).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A riqueza da igreja de Jesus de Aveiro, ainda existente na atualidade, segundo Natália Alves “não corresponde de forma alguma à sobriedade da sua arquitectura”. Para ela, interessa “o período que medeia entre os entre os reinados de D. Pedro II (1683-1706) e D. José I (1750-1777) sendo, no entanto, na época de D. João V (1707-1750) que se atingirá o máximo esplendor no interior das igrejas conventuais”. O rei D. João V, portanto, promove a difusão da influência portuguesa no Mundo, auxiliada pela exploração do ouro do Brasil, ao buscar comparar-se à grandeza do Vaticano e da corte papal. Através de doações, dotes conventuais e mecenas, o luxo e aparato instauram-se nas instituições religiosas, permitindo-as a aquisição de ilustres obras de arte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ala poente do claustro é ampliada durante 1743 e 1744. Em 8 de julho de 1745, há o sepultamento do sétimo duque de Aveiro D. Gabriel de Lencastre na Capela de Santo Agostinho. A Capela de Nossa Senhora do Rosário possui, em madeira dourada e policromada, um altar com catorze tábuas de pintura a óleo do século XVII de autoria de António André. Há um altar secundário decorado com baixos-relevos em cera e conjunto escultórico da Sagrada Família ao centro em madeira policromada; albergando a imagem do Menino Jesus deitado em maquineta-relicário do século XVIII. As portas laterais permitiriam o acesso a capelas, a oratórios e espaços de arrumação de alfaias religiosas. A invocação de Nossa Senhora do Rosário nesta capela é justificada por esta ser a invocação mariana predileta dos Dominicanos. (COSTA, 2008-2009). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Capela do Senhor dos Passos é construída no século XVIII nas remodelações do convento e, em virtude da devoção pelos mistérios de Cristo terem destaque à época, uma imagem processional do Senhor dos Passos é albergada pelo retábulo (meados do XVIII) em talha dourada. Do lado direito uma porta dava acesso a desaparecida Capela de Santa Maria Madalena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Sala do Capítulo Velho era onde as freiras se reuniam para decidir assuntos referentes a posse, compra, venda e administração de bens conventuais. Nela se recebiam as noviças, onde o hábito era tomado, realizava-se as eleições para nomear a prioresa, local em que se lia a Regra e eram tratadas questões disciplinares. As &#039;&#039;espreitadeiras&#039;&#039; – janelas laterais, possibilitavam que o maior número de religiosas conseguissem assistir aos atos de maior participação. Foi também usado como capela com invocação de Nossa Senhora da Assunção. Com retábulo de talha dourada do século XVIII, teto com molduras em talha dourada com pinturas alusivas à Virgem, foi o local de enterramento das fundadoras do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas por decreto de D. Pedro IV em 1834, é convertido em Colégio de Educação de meninas a partir de 1874 e transformado em espaço museológico em 1911. Com o projeto de Alcino Soutinho a reabertura ao público do Museu ocorre em 2008. Abrem-se a nova Sala de Exposições Temporárias, o espaço da biblioteca e a Galeria da Pedra em 2009, e é votado a &amp;quot;municipalização&amp;quot; do museu pela Assembleia Municipal de Aveiro em 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Partes do Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Claustro - Convento de Jesus.jpg|alt=Claustro renascentista em forma retangular e em pedra de Ançã.|thumb|&#039;&#039;&#039;Claustro - Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Claustro -&#039;&#039;&#039; O claustro renascentista é “&#039;&#039;adintelado de dois pisos, desenvolvendo colunata jónica de fuste liso com correspondência de finas colunas pseudo-toscanas no piso superior e implantação central de chafariz com obelisco, em área rebaixada. Ao longo do piso térreo rasgam-se capelas de diferentes dimensões com portais arquivoltados e ogivais&#039;&#039;.” (SIPA).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Refeitório -&#039;&#039;&#039; Localizado na ala nascente, o refeitório possui planta retangular, com um portal gótico-manuelino. Mantém a estrutura para leitura – a tribuna da leitora – é aberta em três vãos com balcão assente em duas colunas com capitéis anelares de folhagem e de lintéis cortados em arco rebaixado, possuindo acesso através de dois degraus. As paredes são revestidas por azulejo coimbrão do tipo rosácea, padrão azul e branco dos séculos XVII-XVIII, o teto é plano, conservando-se as mesas e bancos; a iluminação é feita por meio de janelas em capialço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Coro-baixo -&#039;&#039;&#039; O Coro-baixo apresenta o túmulo da princesa Santa Joana, em mármores embutidos policromos ao gosto italiano. Obra realizada entre 1699 e 1711 do arquiteto régio João Antunes (1645-1712) – responsável pelas obras na Igreja de Santa Engrácia em Lisboa-, o artista faz o risco e executa o túmulo para princesa durante a reforma do espaço. Com pavimento de mosaico, a porta de acesso do ante-coro na sala é uma obra de marcenaria engradada e embrechada, com inspiração no estilo renascentista. Segundo Paulo Pereira[6]:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“[O arquiteto João Antunes] Usou os embrechados que na altura se acomodavam ao gosto cortesão e áulico português, por influência italiana. Antunes já experimentara esta solução com excelentes resultados no retábulo da Capela da Quinta do Calhariz, em Sesimbra (de 1683). Conhecedor da técnica e dos oficiais que dominavam a artesania do embutido de pedra-mármore, e certamente com base em algum modelo preexistente hoje difícil de encontrar, projeta a arca, instalando-a suspensa sobre quatro anjos em cada canto e com escultura de uma fênix no eixo. A arca é paralelepipédica, com emolduramento jônico e enrolamento em forma de consolas. No cimo e ao centro, põe um grupo de lavores heráldicos, oferecendo duas fachadas com volutas. O sentido de toda esta obra é, no entanto, mais do que heráldico: é emblemático. São emblemas os anjos que suportam o túmulo, bem como a fênix, símbolo da Ressurreição. Do mesmo modo, a ordem arquitetônica escolhida, o jônico, remete para o gênero feminino, como era de tradição vitruviana, traduzida embora de forma barroca. Do mesmo modo, a inexistência de qualquer imagem identificadora de Santa Joana, substituída pelas armas do reino, ou a de «desmaterialização» da inércia da pedra pela representação dos leves e inefáveis anjinhos-atlantes, perpetua o mistério sagrado que ali se encena: a incorruptibilidade de um corpo santo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Sala de Lavor -&#039;&#039;&#039; A Sala de Lavor é atualmente revestida a talha e telas pintadas, que são divididas por cartelões. O local instituído desde o principio da clausura era destinado ao bordado de alfaias e paramentos utilizados no culto, ao “trabalho de lavor”. A Princesa Santa Joana é trazida a esse espaço ao adoecer e, consequentemente, interrompendo a função deste, visto que residiu nele até sua morte. Passa a ser um cartório onde foi reunida a documentação necessária para o processo canônico de beatificação concluído em 1693. Um pequeno altar localiza-se na parede de frente à entrada, com tela representando a morte de Santa Joana, a qual duas mísulas ladeiam com imaginária. As pinturas narram à vida da Princesa: a chegada a Aveiro à realização do seu cortejo fúnebre. Sua remodelação decorativa ocorre em 1734, como indicado pela presença desta data numa cartela da Casa de Lavor, convertendo a sala em capela-relicário. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Fachada do Convento -&#039;&#039;&#039; A fachada principal reveste a primitiva e prolonga o corpo principal do edifício. Com dois registros, estes divididos por frisos e cinco panos, há uma entrada central de portal nobre circunscrito por pilastras e frontão semicircular interrompido. Nota-se o escudo e coroa real. Enquanto o piso térreo caracteriza-se assimétrico em relação à abertura dos vãos por vezes entaipados, o piso superior sistema de abertura de pares de janelões retangulares e gradeados de frontões interrompidos. Há um entablamento dórico – friso com métopas e triglifos – na parte superior, com correspondência das pilastras da ordem colossal.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Igreja de Jesus -&#039;&#039;&#039; A Igreja de Jesus possui nave retangular com cobertura em caixotões almofadados, com duas estruturas retabulares e silhar de azulejos decorativos. Órgão junto ao coro, porta de acesso à zona conventual, arco triunfal a pleno centro. A capela-mor é profunda e com cobertura em falsa abóbada de lunetas; portas de acesso às primitivas sacristias existem nas paredes laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja de Jesus localiza-se, conforme texto de O &#039;&#039;Roteiro do Museu de Aveiro&#039;&#039; de 1960, nas páginas 56 a 59: “&#039;&#039;A pequena porta de acesso da capela de Santo Agostinho à igreja, entrevista da nave do templo, apresenta-se como obra mestra do ogival dos fins de quatrocentos. Enquadra-se nos trechos decorativos mais tardios de azulejo, pintura, talha e outra marcenaria, a formar sequente conjunto. Logo em frente a esta porta se depara o monumental órgão da igreja&#039;&#039;[...]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferentes artistas foram chamados para executar obras na Igreja de Jesus de Aveiro após a morte da Princesa Joana entre os séculos XVI e XVIII. (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tabela 1 &lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;4&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Obras e contratos da Igreja de  Jesus&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Obra&lt;br /&gt;
|Artista/Feitor  da obra&lt;br /&gt;
|Cronologia&lt;br /&gt;
|Custo  em real&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reedificação  da capela-mor&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares&lt;br /&gt;
|1592&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do retábulo-mor&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|24  janeiro de 1668&lt;br /&gt;
|90$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  da obra do forro da igreja&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|02  de novembro de 1685&lt;br /&gt;
|470$0000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reforma  do coro-baixo e execução do túmulo para a princesa D. Joana&lt;br /&gt;
|João  Antunes&lt;br /&gt;
|1699  - 1711&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para a execução da talha da capela-mor   111&lt;br /&gt;
|António  Gomes e José Correia&lt;br /&gt;
|17  de  janeiro de 1725 &lt;br /&gt;
|3:000$300&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para recuo de dois degraus do adro do Convento para ampliação da capela-mor  da igreja &lt;br /&gt;
|Religiosos  de São Domingos&lt;br /&gt;
|10  de janeiro de 1726&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para feitura de várias vidraças&lt;br /&gt;
|Manuel  da Costa Vale&lt;br /&gt;
|30 de dezembro de 1727&lt;br /&gt;
|$060 casa palmo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para o douramento da talha e pintura dos painéis laterais&lt;br /&gt;
|Manuel  da Silva e António José Correia (douramento); Manuel Ferreira e Sousa  (pintura dos painéis)&lt;br /&gt;
|02 de abril de 1729&lt;br /&gt;
|1.050$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Caixotões  do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1731 (data inscrita)&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do órgão da igreja&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|07 de maio de 1739&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Execução  do órgão&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1784&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura do  órgão do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1792&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA. (*) : Obra não realizada.  Real: moeda portuguesa à época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tabela 2&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Artistas no Convento de Jesus  de Aveiro&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Artista&lt;br /&gt;
|Função&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares &lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes (1685)&lt;br /&gt;
|Carpinteiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|João  Antunes (1699-1711)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  Gomes (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|José  Correia (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Costa Vale (1727) &lt;br /&gt;
|Mestre  vidraceiro (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Silva (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (de Coimbra)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  José Correia (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel  Ferreira e Sousa (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pedro  Guimarães (2003)&lt;br /&gt;
|Organeiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alcino  Soutinho (séc. 21)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA.&lt;br /&gt;
----[1] Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA). &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2255&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Último acesso em 03/05/2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[2] Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[3] Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[4] Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[5] Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[6] Pereira Paulo (2006). &#039;&#039;História da arte portuguesa&#039;&#039; (1a ed. reimpressão). Vol. III. Círculo de Leitores.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.102.211</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_Jesus_de_Aveiro&amp;diff=407</id>
		<title>Convento de Jesus de Aveiro</title>
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		<updated>2025-05-16T08:56:25Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.102.211: /* Enquadramento */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
O Convento de Jesus de Aveiro, também conhecido por Mosteiro de Jesus, localiza-se na União das freguesias de Glória e Vera Cruz, em Aveiro. Atualmente é o  Museu de Aveiro ou Museu de Santa Joana.  Na sua envolvente possui a Sé de Aveiro (obra primitiva do século XV), Igreja da Misericórdia de Aveiro, Igreja Carmelita de Aveiro e um dos canais da cidade, da zona do Rossio.&lt;br /&gt;
[[File:Fachada Convento de Jesus.jpg|upright=0.1]]&lt;br /&gt;
Local pertencente à Ordem Dominicana feminina, foi onde a Princesa Joana, filha de Afonso V de Portugal, viveu até morrer no dia 12 de maio (1490), data tornada em feriado municipal devido à sua importância como padroeira da cidade e da diocese. O convento possui relações com o culto religioso devido à vida de santidade que a Princesa Joana levou até sua beatificação em 1693. Mesmo com obras de melhoramento nos séculos seguintes, a clausura foi mantida até 1874. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é monumento nacional desde 1911. Integram o Museu o túmulo da Princesa Joana, a talha dourada preservada da Igreja de Jesus e o retrato da Princesa são obras ligadas a esse espaço, que o tornam uma das arquiteturas exemplares da arte portuguesa, principalmente na expressão artística do período Barroco. Contém ainda uma coleção de arte religiosa do século XV ao século XX. A Igreja de Jesus possui o arco gótico próximo ao púlpito como marca da continuação da estrutura primitiva. Diferentes linguagens estão presentes no revestimento interno dela, com investimentos de famílias como os Tavares, os Duques de Aveiro e a casa Real.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&lt;br /&gt;
=== &amp;lt;u&amp;gt;Convento  de Jesus de Aveiro&amp;lt;/u&amp;gt; ===&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Código SIPA&lt;br /&gt;
|IPA.00002255&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Ordem religiosa&lt;br /&gt;
|Ordem Dominicana feminina&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Outras nomenclaturas&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Jesus, Museu de  Santa Joana ou Museu de Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|País&lt;br /&gt;
|Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Cidade&lt;br /&gt;
|Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Freguesia&lt;br /&gt;
|Freguesia de Glória e Vera  Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Localidade&lt;br /&gt;
|Av. Santa Joana, 3810-329&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coordenadas&lt;br /&gt;
|40.63933292904409,  -8.65095453441705&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contexto Histórico ==&lt;br /&gt;
Fundado por D. Brites Leitão e D. Mécia Pereira e construído após a autorização para instituição em 1461 por bula papal do Papa Pio II. Sabe-se que a clausura era existente em 1465 desde o princípio de janeiro. Acompanhadas de D. Catarina, essas figuras teriam chegado a Aveiro em 24 de novembro de 1458 e residido em casas junto a atual Catedral, ou seja, no Convento Dominicano ali existente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através do SIPA [1] é possível obter uma sequência cronológica sobre os acontecimentos que envolveram o monumento em estudo. Quanto a sua edificação, destacam-se também os anos de 1459, em que casas na Rua Direita são vendidas a D. Mécia Pereira pelo cónego do Porto, Rodrigo Anes, para fundação do mosteiro. As primeiras monjas do Mosteiro, segundo esta fonte, teriam recebido o hábito de noviças em  25 dezembro de 1464. A ajuda régia ao mosteiro ocorre por esmola anual de 6 mil reais (unidade monetária da época) feita por D. Afonso V (1432-1481) concedida em 1466.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fontes bibliográficas apontam a data de 1472 como aquela na qual a Princesa-Infanta D. Joana, nascida em 1452, entra no Convento, onde viveu até morrer. “Embora senhora da vila de Aveiro pelos finais do século XV, a infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, decidiu, contra a vontade do pai e da corte, professar como religiosa [...]. No entanto, impedida de o fazer por razões claramente políticas [...], Joana resistiu e manteve-se como secular no convento. [...] será apesar de tudo, após a coroação do irmão como D. João II, aceite finalmente na ordem, fazendo voto de castidade a 25 de novembro de 1481.” (PEREIRA, 2006) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 28 agosto 1472, “D. Afonso V compromete-se a pagar a Aires Gomes as casas que lhe tomara, para incorporar no Mosteiro, bem como o de cercar, madeirar, forrar e ladrilhar o edifício” &#039;&#039;&#039;(&#039;&#039;&#039;SIPA&#039;&#039;&#039;)&#039;&#039;&#039;. Há o testamento feito em 19 de março de 1490 por D. Joana, a aforrar seus escravos e deixando, todos os seus bens ao Mosteiro, com exceção de alguns legados. No dia 12 maio do mesmo ano, ela morre na Sala ou Casa de Lavor, recebendo desde logo reverência por parte das freiras do espaço quanto a sua santidade, oficializada apenas em 1693 por meio da beatificação da Princesa Joana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
D. António de Vasconcelos e Sousa, bispo de Coimbra, procede o exame do corpo de Santa Joana em 1711 com outras religiosas e o Provincial da Ordem de São Domingos. D. José permite em 1777 que as religiosas a nomeiem um juiz executor e escrivão para a cobrança de rendas e foros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O decreto de 30 de maio de 1834, com Portaria de 4 de junho[2], durante o período do Liberalismo e o crescente laicismo nas instituições de poder, a Extinção das Ordens Religiosas faz com que a clausura termine em 1874 com a morte da última religiosa do local. Natália Marinho Ferreira Alves escreve sobre que os “conventos femininos portugueses dão-nos hoje uma imagem profundamente distorcida, não só do espírito que presidiu à sua fundação, mas também da evolução artística dos próprios edifícios. Para este facto contribuiram a cobiça, o vandalismo e a ignorância que golpearam as instituições religiosas a partir dos inícios do século XIX” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autora destaca a Extinção das Ordens como uma das principais causas para o estado atual dessas construções, caracterizando-as como: “Locais de grande prestígio, os conventos acolhiam senhoras da melhor nobreza, inclusivé de sangue real, encontrando-se entre os seus fundadores os próprios monarcas e, como protectoras por excelência, rainhas e infantas. Dispondo de rendimentos de diversa índole, e por vezes avultados, alguns deles, a partir do último quartel do século XVII e durante os dois primeiros terços do século XVIII, sofrem importantes obras de transformação nas suas dependências. Serão as suas igrejas que irão reflectir a feição magnífica e opulenta do barroco com os revestimentos a azulejo e nomeadamente a talha dourada, criando um espaço único, de que são paradigmas as de Jesus e de Santa Clara.” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O convento é convertido no Colégio de Santa Joana para educação de meninas a partir de Portaria do Governo de 30 de maio. Nos anos seguintes é criada a Irmandade de Santa Joana (1877) e o colégio funciona a partir de 1882 como externato para crianças pobres[3], sendo encerrado em 21 de junho de 1910, quando o local é “fechado e lacrado e os seus bens arrolados e transferidos para o Estado[3]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1911 é classificado como monumento nacional e transformado em espaço museológico. A portaria de 7 de junho cria legalmente o Museu de Aveiro, sendo João Augusto Marques Gomes nomeado 1º diretor pela portaria de 24 de janeiro de 1915.  Afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. em 29 de março de 2007, o imóvel tem inauguração em 18 dezembro de 2008 e reabertura do Museu ao público com projeto do arquiteto Alcino Soutinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Modificações Arquitetônicas e no Interior ===&lt;br /&gt;
Em relação as alterações na estrutura do objeto de estudo antes da beatificação, juntamente com as adições de elementos artísticos a sua estrutura, revelam-se a reedificação da capela-mor em 1592 por Francisco de Tavares, [o contrato de 02 de novembro de 1685 para a obra de Domingos Lopes do forro da igreja e a criação de uma capela na Casa de Lavor em 1689 pelo simbolismo do local de falecimento da infanta D. Joana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 12 de maio de 1694, terminam as festas de comemoração da beatificação da Princesa Santa Joana por meio de uma procissão. Logo em seguida ao feito, o arquiteto régio João Antunes realiza em 1699 o risco e executa o túmulo para a princesa na reforma do coro-baixo[4], perdurando até 1711. Em 23 de outubro deste ano é transladado o corpo da princesa para o túmulo feito a expensas de D. Pedro II .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o século XVIII a linguagem do Barroco se faz presente fortemente com a introdução da talha da capela-mor pelos entalhadores António Gomes e José Correia[5] e com o douramento dela por Manuel da Silva, pintor de Coimbra, e António José Correia, pintor do Porto. Os painéis laterais foram pintados em 1729 por Manuel Ferreira e Sousa, pintor portuense. Outros acontecimentos são a produção do órgão da igreja (1739), as ampliações da ala poente do claustro (1743-1744) e a feitura do órgão do coro-alto (1792). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à talha do convento, Robert C. Smith e Natália Alves dissertam sobre ela. “A influência de S. Pedro, de Miragaia, faz-se sentir na opulenta capela do convento de Jesus, em Aveiro, cuja talha foi principiada cerca de 1702, data que se encontra no arco cruzeiro.” (SMITH, 1962, p.84). “Nos anos seguintes [a 1685], a talha dourada prolifera, iniciando-se o processo que levará ao revestimento total do interior, concretizado no século seguinte. Datado de 1702 é o arco cruzeiro, sendo também contemporâneos os retábulos laterais desconhecendo-se, até ao momento, a sua autoria.” (ALVES, 2019).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A riqueza da igreja de Jesus de Aveiro, ainda existente na atualidade, segundo Natália Alves “não corresponde de forma alguma à sobriedade da sua arquitectura”. Para ela, interessa “o período que medeia entre os entre os reinados de D. Pedro II (1683-1706) e D. José I (1750-1777) sendo, no entanto, na época de D. João V (1707-1750) que se atingirá o máximo esplendor no interior das igrejas conventuais”. O rei D. João V, portanto, promove a difusão da influência portuguesa no Mundo, auxiliada pela exploração do ouro do Brasil, ao buscar comparar-se à grandeza do Vaticano e da corte papal. Através de doações, dotes conventuais e mecenas, o luxo e aparato instauram-se nas instituições religiosas, permitindo-as a aquisição de ilustres obras de arte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ala poente do claustro é ampliada durante 1743 e 1744. Em 8 de julho de 1745, há o sepultamento do sétimo duque de Aveiro D. Gabriel de Lencastre na Capela de Santo Agostinho. A Capela de Nossa Senhora do Rosário possui, em madeira dourada e policromada, um altar com catorze tábuas de pintura a óleo do século XVII de autoria de António André. Há um altar secundário decorado com baixos-relevos em cera e conjunto escultórico da Sagrada Família ao centro em madeira policromada; albergando a imagem do Menino Jesus deitado em maquineta-relicário do século XVIII. As portas laterais permitiriam o acesso a capelas, a oratórios e espaços de arrumação de alfaias religiosas. A invocação de Nossa Senhora do Rosário nesta capela é justificada por esta ser a invocação mariana predileta dos Dominicanos. (COSTA, 2008-2009). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Capela do Senhor dos Passos é construída no século XVIII nas remodelações do convento e, em virtude da devoção pelos mistérios de Cristo terem destaque à época, uma imagem processional do Senhor dos Passos é albergada pelo retábulo (meados do XVIII) em talha dourada. Do lado direito uma porta dava acesso a desaparecida Capela de Santa Maria Madalena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Sala do Capítulo Velho era onde as freiras se reuniam para decidir assuntos referentes a posse, compra, venda e administração de bens conventuais. Nela se recebiam as noviças, onde o hábito era tomado, realizava-se as eleições para nomear a prioresa, local em que se lia a Regra e eram tratadas questões disciplinares. As &#039;&#039;espreitadeiras&#039;&#039; – janelas laterais, possibilitavam que o maior número de religiosas conseguissem assistir aos atos de maior participação. Foi também usado como capela com invocação de Nossa Senhora da Assunção. Com retábulo de talha dourada do século XVIII, teto com molduras em talha dourada com pinturas alusivas à Virgem, foi o local de enterramento das fundadoras do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas por decreto de D. Pedro IV em 1834, é convertido em Colégio de Educação de meninas a partir de 1874 e transformado em espaço museológico em 1911. Com o projeto de Alcino Soutinho a reabertura ao público do Museu ocorre em 2008. Abrem-se a nova Sala de Exposições Temporárias, o espaço da biblioteca e a Galeria da Pedra em 2009, e é votado a &amp;quot;municipalização&amp;quot; do museu pela Assembleia Municipal de Aveiro em 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Partes do Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Claustro - Convento de Jesus.jpg|alt=Claustro renascentista em forma retangular e em pedra de Ançã.|thumb|&#039;&#039;&#039;Claustro - Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Claustro -&#039;&#039;&#039; O claustro renascentista é “&#039;&#039;adintelado de dois pisos, desenvolvendo colunata jónica de fuste liso com correspondência de finas colunas pseudo-toscanas no piso superior e implantação central de chafariz com obelisco, em área rebaixada. Ao longo do piso térreo rasgam-se capelas de diferentes dimensões com portais arquivoltados e ogivais&#039;&#039;.” (SIPA).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Refeitório -&#039;&#039;&#039; Localizado na ala nascente, o refeitório possui planta retangular, com um portal gótico-manuelino. Mantém a estrutura para leitura – a tribuna da leitora – é aberta em três vãos com balcão assente em duas colunas com capitéis anelares de folhagem e de lintéis cortados em arco rebaixado, possuindo acesso através de dois degraus. As paredes são revestidas por azulejo coimbrão do tipo rosácea, padrão azul e branco dos séculos XVII-XVIII, o teto é plano, conservando-se as mesas e bancos; a iluminação é feita por meio de janelas em capialço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Coro-baixo -&#039;&#039;&#039; O Coro-baixo apresenta o túmulo da princesa Santa Joana, em mármores embutidos policromos ao gosto italiano. Obra realizada entre 1699 e 1711 do arquiteto régio João Antunes (1645-1712) – responsável pelas obras na Igreja de Santa Engrácia em Lisboa-, o artista faz o risco e executa o túmulo para princesa durante a reforma do espaço. Com pavimento de mosaico, a porta de acesso do ante-coro na sala é uma obra de marcenaria engradada e embrechada, com inspiração no estilo renascentista. Segundo Paulo Pereira[6]:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“[O arquiteto João Antunes] Usou os embrechados que na altura se acomodavam ao gosto cortesão e áulico português, por influência italiana. Antunes já experimentara esta solução com excelentes resultados no retábulo da Capela da Quinta do Calhariz, em Sesimbra (de 1683). Conhecedor da técnica e dos oficiais que dominavam a artesania do embutido de pedra-mármore, e certamente com base em algum modelo preexistente hoje difícil de encontrar, projeta a arca, instalando-a suspensa sobre quatro anjos em cada canto e com escultura de uma fênix no eixo. A arca é paralelepipédica, com emolduramento jônico e enrolamento em forma de consolas. No cimo e ao centro, põe um grupo de lavores heráldicos, oferecendo duas fachadas com volutas. O sentido de toda esta obra é, no entanto, mais do que heráldico: é emblemático. São emblemas os anjos que suportam o túmulo, bem como a fênix, símbolo da Ressurreição. Do mesmo modo, a ordem arquitetônica escolhida, o jônico, remete para o gênero feminino, como era de tradição vitruviana, traduzida embora de forma barroca. Do mesmo modo, a inexistência de qualquer imagem identificadora de Santa Joana, substituída pelas armas do reino, ou a de «desmaterialização» da inércia da pedra pela representação dos leves e inefáveis anjinhos-atlantes, perpetua o mistério sagrado que ali se encena: a incorruptibilidade de um corpo santo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Sala de Lavor -&#039;&#039;&#039; A Sala de Lavor é atualmente revestida a talha e telas pintadas, que são divididas por cartelões. O local instituído desde o principio da clausura era destinado ao bordado de alfaias e paramentos utilizados no culto, ao “trabalho de lavor”. A Princesa Santa Joana é trazida a esse espaço ao adoecer e, consequentemente, interrompendo a função deste, visto que residiu nele até sua morte. Passa a ser um cartório onde foi reunida a documentação necessária para o processo canônico de beatificação concluído em 1693. Um pequeno altar localiza-se na parede de frente à entrada, com tela representando a morte de Santa Joana, a qual duas mísulas ladeiam com imaginária. As pinturas narram à vida da Princesa: a chegada a Aveiro à realização do seu cortejo fúnebre. Sua remodelação decorativa ocorre em 1734, como indicado pela presença desta data numa cartela da Casa de Lavor, convertendo a sala em capela-relicário. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Fachada do Convento -&#039;&#039;&#039; A fachada principal reveste a primitiva e prolonga o corpo principal do edifício. Com dois registros, estes divididos por frisos e cinco panos, há uma entrada central de portal nobre circunscrito por pilastras e frontão semicircular interrompido. Nota-se o escudo e coroa real. Enquanto o piso térreo caracteriza-se assimétrico em relação à abertura dos vãos por vezes entaipados, o piso superior sistema de abertura de pares de janelões retangulares e gradeados de frontões interrompidos. Há um entablamento dórico – friso com métopas e triglifos – na parte superior, com correspondência das pilastras da ordem colossal.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Igreja de Jesus -&#039;&#039;&#039; A Igreja de Jesus possui nave retangular com cobertura em caixotões almofadados, com duas estruturas retabulares e silhar de azulejos decorativos. Órgão junto ao coro, porta de acesso à zona conventual, arco triunfal a pleno centro. A capela-mor é profunda e com cobertura em falsa abóbada de lunetas; portas de acesso às primitivas sacristias existem nas paredes laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja de Jesus localiza-se, conforme texto de O &#039;&#039;Roteiro do Museu de Aveiro&#039;&#039; de 1960, nas páginas 56 a 59: “&#039;&#039;A pequena porta de acesso da capela de Santo Agostinho à igreja, entrevista da nave do templo, apresenta-se como obra mestra do ogival dos fins de quatrocentos. Enquadra-se nos trechos decorativos mais tardios de azulejo, pintura, talha e outra marcenaria, a formar sequente conjunto. Logo em frente a esta porta se depara o monumental órgão da igreja&#039;&#039;[...]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferentes artistas foram chamados para executar obras na Igreja de Jesus de Aveiro após a morte da Princesa Joana entre os séculos XVI e XVIII. (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tabela 1 &lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;4&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Obras e contratos da Igreja de  Jesus&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Obra&lt;br /&gt;
|Artista/Feitor  da obra&lt;br /&gt;
|Cronologia&lt;br /&gt;
|Custo  em real&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reedificação  da capela-mor&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares&lt;br /&gt;
|1592&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do retábulo-mor&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|24  janeiro de 1668&lt;br /&gt;
|90$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  da obra do forro da igreja&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|02  de novembro de 1685&lt;br /&gt;
|470$0000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reforma  do coro-baixo e execução do túmulo para a princesa D. Joana&lt;br /&gt;
|João  Antunes&lt;br /&gt;
|1699  - 1711&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para a execução da talha da capela-mor   111&lt;br /&gt;
|António  Gomes e José Correia&lt;br /&gt;
|17  de  janeiro de 1725 &lt;br /&gt;
|3:000$300&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para recuo de dois degraus do adro do Convento para ampliação da capela-mor  da igreja &lt;br /&gt;
|Religiosos  de São Domingos&lt;br /&gt;
|10  de janeiro de 1726&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para feitura de várias vidraças&lt;br /&gt;
|Manuel  da Costa Vale&lt;br /&gt;
|30 de dezembro de 1727&lt;br /&gt;
|$060 casa palmo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para o douramento da talha e pintura dos painéis laterais&lt;br /&gt;
|Manuel  da Silva e António José Correia (douramento); Manuel Ferreira e Sousa  (pintura dos painéis)&lt;br /&gt;
|02 de abril de 1729&lt;br /&gt;
|1.050$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Caixotões  do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1731 (data inscrita)&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do órgão da igreja&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|07 de maio de 1739&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Execução  do órgão&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1784&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura do  órgão do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1792&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA. (*) : Obra não realizada.  Real: moeda portuguesa à época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tabela 2&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Artistas no Convento de Jesus  de Aveiro&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Artista&lt;br /&gt;
|Função&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares &lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes (1685)&lt;br /&gt;
|Carpinteiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|João  Antunes (1699-1711)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  Gomes (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|José  Correia (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Costa Vale (1727) &lt;br /&gt;
|Mestre  vidraceiro (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Silva (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (de Coimbra)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  José Correia (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel  Ferreira e Sousa (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pedro  Guimarães (2003)&lt;br /&gt;
|Organeiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alcino  Soutinho (séc. 21)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA.&lt;br /&gt;
----[1] Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA). &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2255&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Último acesso em 03/05/2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[2] Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[3] Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[4] Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[5] Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[6] Pereira Paulo (2006). &#039;&#039;História da arte portuguesa&#039;&#039; (1a ed. reimpressão). Vol. III. Círculo de Leitores.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.102.211</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_Jesus_de_Aveiro&amp;diff=406</id>
		<title>Convento de Jesus de Aveiro</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_Jesus_de_Aveiro&amp;diff=406"/>
		<updated>2025-05-16T08:55:57Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.102.211: /* Enquadramento */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
O Convento de Jesus de Aveiro, também conhecido por Mosteiro de Jesus, localiza-se na União das freguesias de Glória e Vera Cruz, em Aveiro. Atualmente é o  Museu de Aveiro ou Museu de Santa Joana.  Na sua envolvente possui a Sé de Aveiro (obra primitiva do século XV), Igreja da Misericórdia de Aveiro, Igreja Carmelita de Aveiro e um dos canais da cidade, da zona do Rossio.&lt;br /&gt;
[[File:Fachada Convento de Jesus.jpg|thumb|upright=0.1]]&lt;br /&gt;
Local pertencente à Ordem Dominicana feminina, foi onde a Princesa Joana, filha de Afonso V de Portugal, viveu até morrer no dia 12 de maio (1490), data tornada em feriado municipal devido à sua importância como padroeira da cidade e da diocese. O convento possui relações com o culto religioso devido à vida de santidade que a Princesa Joana levou até sua beatificação em 1693. Mesmo com obras de melhoramento nos séculos seguintes, a clausura foi mantida até 1874. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é monumento nacional desde 1911. Integram o Museu o túmulo da Princesa Joana, a talha dourada preservada da Igreja de Jesus e o retrato da Princesa são obras ligadas a esse espaço, que o tornam uma das arquiteturas exemplares da arte portuguesa, principalmente na expressão artística do período Barroco. Contém ainda uma coleção de arte religiosa do século XV ao século XX. A Igreja de Jesus possui o arco gótico próximo ao púlpito como marca da continuação da estrutura primitiva. Diferentes linguagens estão presentes no revestimento interno dela, com investimentos de famílias como os Tavares, os Duques de Aveiro e a casa Real.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&lt;br /&gt;
=== &amp;lt;u&amp;gt;Convento  de Jesus de Aveiro&amp;lt;/u&amp;gt; ===&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Código SIPA&lt;br /&gt;
|IPA.00002255&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Ordem religiosa&lt;br /&gt;
|Ordem Dominicana feminina&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Outras nomenclaturas&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Jesus, Museu de  Santa Joana ou Museu de Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|País&lt;br /&gt;
|Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Cidade&lt;br /&gt;
|Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Freguesia&lt;br /&gt;
|Freguesia de Glória e Vera  Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Localidade&lt;br /&gt;
|Av. Santa Joana, 3810-329&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coordenadas&lt;br /&gt;
|40.63933292904409,  -8.65095453441705&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contexto Histórico ==&lt;br /&gt;
Fundado por D. Brites Leitão e D. Mécia Pereira e construído após a autorização para instituição em 1461 por bula papal do Papa Pio II. Sabe-se que a clausura era existente em 1465 desde o princípio de janeiro. Acompanhadas de D. Catarina, essas figuras teriam chegado a Aveiro em 24 de novembro de 1458 e residido em casas junto a atual Catedral, ou seja, no Convento Dominicano ali existente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através do SIPA [1] é possível obter uma sequência cronológica sobre os acontecimentos que envolveram o monumento em estudo. Quanto a sua edificação, destacam-se também os anos de 1459, em que casas na Rua Direita são vendidas a D. Mécia Pereira pelo cónego do Porto, Rodrigo Anes, para fundação do mosteiro. As primeiras monjas do Mosteiro, segundo esta fonte, teriam recebido o hábito de noviças em  25 dezembro de 1464. A ajuda régia ao mosteiro ocorre por esmola anual de 6 mil reais (unidade monetária da época) feita por D. Afonso V (1432-1481) concedida em 1466.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fontes bibliográficas apontam a data de 1472 como aquela na qual a Princesa-Infanta D. Joana, nascida em 1452, entra no Convento, onde viveu até morrer. “Embora senhora da vila de Aveiro pelos finais do século XV, a infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, decidiu, contra a vontade do pai e da corte, professar como religiosa [...]. No entanto, impedida de o fazer por razões claramente políticas [...], Joana resistiu e manteve-se como secular no convento. [...] será apesar de tudo, após a coroação do irmão como D. João II, aceite finalmente na ordem, fazendo voto de castidade a 25 de novembro de 1481.” (PEREIRA, 2006) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 28 agosto 1472, “D. Afonso V compromete-se a pagar a Aires Gomes as casas que lhe tomara, para incorporar no Mosteiro, bem como o de cercar, madeirar, forrar e ladrilhar o edifício” &#039;&#039;&#039;(&#039;&#039;&#039;SIPA&#039;&#039;&#039;)&#039;&#039;&#039;. Há o testamento feito em 19 de março de 1490 por D. Joana, a aforrar seus escravos e deixando, todos os seus bens ao Mosteiro, com exceção de alguns legados. No dia 12 maio do mesmo ano, ela morre na Sala ou Casa de Lavor, recebendo desde logo reverência por parte das freiras do espaço quanto a sua santidade, oficializada apenas em 1693 por meio da beatificação da Princesa Joana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
D. António de Vasconcelos e Sousa, bispo de Coimbra, procede o exame do corpo de Santa Joana em 1711 com outras religiosas e o Provincial da Ordem de São Domingos. D. José permite em 1777 que as religiosas a nomeiem um juiz executor e escrivão para a cobrança de rendas e foros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O decreto de 30 de maio de 1834, com Portaria de 4 de junho[2], durante o período do Liberalismo e o crescente laicismo nas instituições de poder, a Extinção das Ordens Religiosas faz com que a clausura termine em 1874 com a morte da última religiosa do local. Natália Marinho Ferreira Alves escreve sobre que os “conventos femininos portugueses dão-nos hoje uma imagem profundamente distorcida, não só do espírito que presidiu à sua fundação, mas também da evolução artística dos próprios edifícios. Para este facto contribuiram a cobiça, o vandalismo e a ignorância que golpearam as instituições religiosas a partir dos inícios do século XIX” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autora destaca a Extinção das Ordens como uma das principais causas para o estado atual dessas construções, caracterizando-as como: “Locais de grande prestígio, os conventos acolhiam senhoras da melhor nobreza, inclusivé de sangue real, encontrando-se entre os seus fundadores os próprios monarcas e, como protectoras por excelência, rainhas e infantas. Dispondo de rendimentos de diversa índole, e por vezes avultados, alguns deles, a partir do último quartel do século XVII e durante os dois primeiros terços do século XVIII, sofrem importantes obras de transformação nas suas dependências. Serão as suas igrejas que irão reflectir a feição magnífica e opulenta do barroco com os revestimentos a azulejo e nomeadamente a talha dourada, criando um espaço único, de que são paradigmas as de Jesus e de Santa Clara.” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O convento é convertido no Colégio de Santa Joana para educação de meninas a partir de Portaria do Governo de 30 de maio. Nos anos seguintes é criada a Irmandade de Santa Joana (1877) e o colégio funciona a partir de 1882 como externato para crianças pobres[3], sendo encerrado em 21 de junho de 1910, quando o local é “fechado e lacrado e os seus bens arrolados e transferidos para o Estado[3]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1911 é classificado como monumento nacional e transformado em espaço museológico. A portaria de 7 de junho cria legalmente o Museu de Aveiro, sendo João Augusto Marques Gomes nomeado 1º diretor pela portaria de 24 de janeiro de 1915.  Afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. em 29 de março de 2007, o imóvel tem inauguração em 18 dezembro de 2008 e reabertura do Museu ao público com projeto do arquiteto Alcino Soutinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Modificações Arquitetônicas e no Interior ===&lt;br /&gt;
Em relação as alterações na estrutura do objeto de estudo antes da beatificação, juntamente com as adições de elementos artísticos a sua estrutura, revelam-se a reedificação da capela-mor em 1592 por Francisco de Tavares, [o contrato de 02 de novembro de 1685 para a obra de Domingos Lopes do forro da igreja e a criação de uma capela na Casa de Lavor em 1689 pelo simbolismo do local de falecimento da infanta D. Joana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 12 de maio de 1694, terminam as festas de comemoração da beatificação da Princesa Santa Joana por meio de uma procissão. Logo em seguida ao feito, o arquiteto régio João Antunes realiza em 1699 o risco e executa o túmulo para a princesa na reforma do coro-baixo[4], perdurando até 1711. Em 23 de outubro deste ano é transladado o corpo da princesa para o túmulo feito a expensas de D. Pedro II .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o século XVIII a linguagem do Barroco se faz presente fortemente com a introdução da talha da capela-mor pelos entalhadores António Gomes e José Correia[5] e com o douramento dela por Manuel da Silva, pintor de Coimbra, e António José Correia, pintor do Porto. Os painéis laterais foram pintados em 1729 por Manuel Ferreira e Sousa, pintor portuense. Outros acontecimentos são a produção do órgão da igreja (1739), as ampliações da ala poente do claustro (1743-1744) e a feitura do órgão do coro-alto (1792). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à talha do convento, Robert C. Smith e Natália Alves dissertam sobre ela. “A influência de S. Pedro, de Miragaia, faz-se sentir na opulenta capela do convento de Jesus, em Aveiro, cuja talha foi principiada cerca de 1702, data que se encontra no arco cruzeiro.” (SMITH, 1962, p.84). “Nos anos seguintes [a 1685], a talha dourada prolifera, iniciando-se o processo que levará ao revestimento total do interior, concretizado no século seguinte. Datado de 1702 é o arco cruzeiro, sendo também contemporâneos os retábulos laterais desconhecendo-se, até ao momento, a sua autoria.” (ALVES, 2019).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A riqueza da igreja de Jesus de Aveiro, ainda existente na atualidade, segundo Natália Alves “não corresponde de forma alguma à sobriedade da sua arquitectura”. Para ela, interessa “o período que medeia entre os entre os reinados de D. Pedro II (1683-1706) e D. José I (1750-1777) sendo, no entanto, na época de D. João V (1707-1750) que se atingirá o máximo esplendor no interior das igrejas conventuais”. O rei D. João V, portanto, promove a difusão da influência portuguesa no Mundo, auxiliada pela exploração do ouro do Brasil, ao buscar comparar-se à grandeza do Vaticano e da corte papal. Através de doações, dotes conventuais e mecenas, o luxo e aparato instauram-se nas instituições religiosas, permitindo-as a aquisição de ilustres obras de arte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ala poente do claustro é ampliada durante 1743 e 1744. Em 8 de julho de 1745, há o sepultamento do sétimo duque de Aveiro D. Gabriel de Lencastre na Capela de Santo Agostinho. A Capela de Nossa Senhora do Rosário possui, em madeira dourada e policromada, um altar com catorze tábuas de pintura a óleo do século XVII de autoria de António André. Há um altar secundário decorado com baixos-relevos em cera e conjunto escultórico da Sagrada Família ao centro em madeira policromada; albergando a imagem do Menino Jesus deitado em maquineta-relicário do século XVIII. As portas laterais permitiriam o acesso a capelas, a oratórios e espaços de arrumação de alfaias religiosas. A invocação de Nossa Senhora do Rosário nesta capela é justificada por esta ser a invocação mariana predileta dos Dominicanos. (COSTA, 2008-2009). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Capela do Senhor dos Passos é construída no século XVIII nas remodelações do convento e, em virtude da devoção pelos mistérios de Cristo terem destaque à época, uma imagem processional do Senhor dos Passos é albergada pelo retábulo (meados do XVIII) em talha dourada. Do lado direito uma porta dava acesso a desaparecida Capela de Santa Maria Madalena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Sala do Capítulo Velho era onde as freiras se reuniam para decidir assuntos referentes a posse, compra, venda e administração de bens conventuais. Nela se recebiam as noviças, onde o hábito era tomado, realizava-se as eleições para nomear a prioresa, local em que se lia a Regra e eram tratadas questões disciplinares. As &#039;&#039;espreitadeiras&#039;&#039; – janelas laterais, possibilitavam que o maior número de religiosas conseguissem assistir aos atos de maior participação. Foi também usado como capela com invocação de Nossa Senhora da Assunção. Com retábulo de talha dourada do século XVIII, teto com molduras em talha dourada com pinturas alusivas à Virgem, foi o local de enterramento das fundadoras do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas por decreto de D. Pedro IV em 1834, é convertido em Colégio de Educação de meninas a partir de 1874 e transformado em espaço museológico em 1911. Com o projeto de Alcino Soutinho a reabertura ao público do Museu ocorre em 2008. Abrem-se a nova Sala de Exposições Temporárias, o espaço da biblioteca e a Galeria da Pedra em 2009, e é votado a &amp;quot;municipalização&amp;quot; do museu pela Assembleia Municipal de Aveiro em 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Partes do Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Claustro - Convento de Jesus.jpg|alt=Claustro renascentista em forma retangular e em pedra de Ançã.|thumb|&#039;&#039;&#039;Claustro - Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Claustro -&#039;&#039;&#039; O claustro renascentista é “&#039;&#039;adintelado de dois pisos, desenvolvendo colunata jónica de fuste liso com correspondência de finas colunas pseudo-toscanas no piso superior e implantação central de chafariz com obelisco, em área rebaixada. Ao longo do piso térreo rasgam-se capelas de diferentes dimensões com portais arquivoltados e ogivais&#039;&#039;.” (SIPA).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Refeitório -&#039;&#039;&#039; Localizado na ala nascente, o refeitório possui planta retangular, com um portal gótico-manuelino. Mantém a estrutura para leitura – a tribuna da leitora – é aberta em três vãos com balcão assente em duas colunas com capitéis anelares de folhagem e de lintéis cortados em arco rebaixado, possuindo acesso através de dois degraus. As paredes são revestidas por azulejo coimbrão do tipo rosácea, padrão azul e branco dos séculos XVII-XVIII, o teto é plano, conservando-se as mesas e bancos; a iluminação é feita por meio de janelas em capialço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Coro-baixo -&#039;&#039;&#039; O Coro-baixo apresenta o túmulo da princesa Santa Joana, em mármores embutidos policromos ao gosto italiano. Obra realizada entre 1699 e 1711 do arquiteto régio João Antunes (1645-1712) – responsável pelas obras na Igreja de Santa Engrácia em Lisboa-, o artista faz o risco e executa o túmulo para princesa durante a reforma do espaço. Com pavimento de mosaico, a porta de acesso do ante-coro na sala é uma obra de marcenaria engradada e embrechada, com inspiração no estilo renascentista. Segundo Paulo Pereira[6]:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“[O arquiteto João Antunes] Usou os embrechados que na altura se acomodavam ao gosto cortesão e áulico português, por influência italiana. Antunes já experimentara esta solução com excelentes resultados no retábulo da Capela da Quinta do Calhariz, em Sesimbra (de 1683). Conhecedor da técnica e dos oficiais que dominavam a artesania do embutido de pedra-mármore, e certamente com base em algum modelo preexistente hoje difícil de encontrar, projeta a arca, instalando-a suspensa sobre quatro anjos em cada canto e com escultura de uma fênix no eixo. A arca é paralelepipédica, com emolduramento jônico e enrolamento em forma de consolas. No cimo e ao centro, põe um grupo de lavores heráldicos, oferecendo duas fachadas com volutas. O sentido de toda esta obra é, no entanto, mais do que heráldico: é emblemático. São emblemas os anjos que suportam o túmulo, bem como a fênix, símbolo da Ressurreição. Do mesmo modo, a ordem arquitetônica escolhida, o jônico, remete para o gênero feminino, como era de tradição vitruviana, traduzida embora de forma barroca. Do mesmo modo, a inexistência de qualquer imagem identificadora de Santa Joana, substituída pelas armas do reino, ou a de «desmaterialização» da inércia da pedra pela representação dos leves e inefáveis anjinhos-atlantes, perpetua o mistério sagrado que ali se encena: a incorruptibilidade de um corpo santo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Sala de Lavor -&#039;&#039;&#039; A Sala de Lavor é atualmente revestida a talha e telas pintadas, que são divididas por cartelões. O local instituído desde o principio da clausura era destinado ao bordado de alfaias e paramentos utilizados no culto, ao “trabalho de lavor”. A Princesa Santa Joana é trazida a esse espaço ao adoecer e, consequentemente, interrompendo a função deste, visto que residiu nele até sua morte. Passa a ser um cartório onde foi reunida a documentação necessária para o processo canônico de beatificação concluído em 1693. Um pequeno altar localiza-se na parede de frente à entrada, com tela representando a morte de Santa Joana, a qual duas mísulas ladeiam com imaginária. As pinturas narram à vida da Princesa: a chegada a Aveiro à realização do seu cortejo fúnebre. Sua remodelação decorativa ocorre em 1734, como indicado pela presença desta data numa cartela da Casa de Lavor, convertendo a sala em capela-relicário. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Fachada do Convento -&#039;&#039;&#039; A fachada principal reveste a primitiva e prolonga o corpo principal do edifício. Com dois registros, estes divididos por frisos e cinco panos, há uma entrada central de portal nobre circunscrito por pilastras e frontão semicircular interrompido. Nota-se o escudo e coroa real. Enquanto o piso térreo caracteriza-se assimétrico em relação à abertura dos vãos por vezes entaipados, o piso superior sistema de abertura de pares de janelões retangulares e gradeados de frontões interrompidos. Há um entablamento dórico – friso com métopas e triglifos – na parte superior, com correspondência das pilastras da ordem colossal.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Igreja de Jesus -&#039;&#039;&#039; A Igreja de Jesus possui nave retangular com cobertura em caixotões almofadados, com duas estruturas retabulares e silhar de azulejos decorativos. Órgão junto ao coro, porta de acesso à zona conventual, arco triunfal a pleno centro. A capela-mor é profunda e com cobertura em falsa abóbada de lunetas; portas de acesso às primitivas sacristias existem nas paredes laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja de Jesus localiza-se, conforme texto de O &#039;&#039;Roteiro do Museu de Aveiro&#039;&#039; de 1960, nas páginas 56 a 59: “&#039;&#039;A pequena porta de acesso da capela de Santo Agostinho à igreja, entrevista da nave do templo, apresenta-se como obra mestra do ogival dos fins de quatrocentos. Enquadra-se nos trechos decorativos mais tardios de azulejo, pintura, talha e outra marcenaria, a formar sequente conjunto. Logo em frente a esta porta se depara o monumental órgão da igreja&#039;&#039;[...]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferentes artistas foram chamados para executar obras na Igreja de Jesus de Aveiro após a morte da Princesa Joana entre os séculos XVI e XVIII. (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tabela 1 &lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;4&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Obras e contratos da Igreja de  Jesus&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Obra&lt;br /&gt;
|Artista/Feitor  da obra&lt;br /&gt;
|Cronologia&lt;br /&gt;
|Custo  em real&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reedificação  da capela-mor&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares&lt;br /&gt;
|1592&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do retábulo-mor&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|24  janeiro de 1668&lt;br /&gt;
|90$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  da obra do forro da igreja&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|02  de novembro de 1685&lt;br /&gt;
|470$0000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reforma  do coro-baixo e execução do túmulo para a princesa D. Joana&lt;br /&gt;
|João  Antunes&lt;br /&gt;
|1699  - 1711&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para a execução da talha da capela-mor   111&lt;br /&gt;
|António  Gomes e José Correia&lt;br /&gt;
|17  de  janeiro de 1725 &lt;br /&gt;
|3:000$300&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para recuo de dois degraus do adro do Convento para ampliação da capela-mor  da igreja &lt;br /&gt;
|Religiosos  de São Domingos&lt;br /&gt;
|10  de janeiro de 1726&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para feitura de várias vidraças&lt;br /&gt;
|Manuel  da Costa Vale&lt;br /&gt;
|30 de dezembro de 1727&lt;br /&gt;
|$060 casa palmo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para o douramento da talha e pintura dos painéis laterais&lt;br /&gt;
|Manuel  da Silva e António José Correia (douramento); Manuel Ferreira e Sousa  (pintura dos painéis)&lt;br /&gt;
|02 de abril de 1729&lt;br /&gt;
|1.050$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Caixotões  do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1731 (data inscrita)&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do órgão da igreja&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|07 de maio de 1739&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Execução  do órgão&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1784&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura do  órgão do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1792&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA. (*) : Obra não realizada.  Real: moeda portuguesa à época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tabela 2&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Artistas no Convento de Jesus  de Aveiro&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Artista&lt;br /&gt;
|Função&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares &lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes (1685)&lt;br /&gt;
|Carpinteiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|João  Antunes (1699-1711)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  Gomes (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|José  Correia (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Costa Vale (1727) &lt;br /&gt;
|Mestre  vidraceiro (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Silva (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (de Coimbra)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  José Correia (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel  Ferreira e Sousa (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pedro  Guimarães (2003)&lt;br /&gt;
|Organeiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alcino  Soutinho (séc. 21)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA.&lt;br /&gt;
----[1] Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA). &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2255&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Último acesso em 03/05/2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[2] Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[3] Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[4] Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[5] Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[6] Pereira Paulo (2006). &#039;&#039;História da arte portuguesa&#039;&#039; (1a ed. reimpressão). Vol. III. Círculo de Leitores.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.102.211</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_Jesus_de_Aveiro&amp;diff=405</id>
		<title>Convento de Jesus de Aveiro</title>
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		<updated>2025-05-16T08:55:19Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.102.211: /* Enquadramento */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
O Convento de Jesus de Aveiro, também conhecido por Mosteiro de Jesus, localiza-se na União das freguesias de Glória e Vera Cruz, em Aveiro. Atualmente é o  Museu de Aveiro ou Museu de Santa Joana.  Na sua envolvente possui a Sé de Aveiro (obra primitiva do século XV), Igreja da Misericórdia de Aveiro, Igreja Carmelita de Aveiro e um dos canais da cidade, da zona do Rossio.&lt;br /&gt;
[[File:Fachada Convento de Jesus.jpg|thumb|upright=0.5]]&lt;br /&gt;
Local pertencente à Ordem Dominicana feminina, foi onde a Princesa Joana, filha de Afonso V de Portugal, viveu até morrer no dia 12 de maio (1490), data tornada em feriado municipal devido à sua importância como padroeira da cidade e da diocese. O convento possui relações com o culto religioso devido à vida de santidade que a Princesa Joana levou até sua beatificação em 1693. Mesmo com obras de melhoramento nos séculos seguintes, a clausura foi mantida até 1874. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é monumento nacional desde 1911. Integram o Museu o túmulo da Princesa Joana, a talha dourada preservada da Igreja de Jesus e o retrato da Princesa são obras ligadas a esse espaço, que o tornam uma das arquiteturas exemplares da arte portuguesa, principalmente na expressão artística do período Barroco. Contém ainda uma coleção de arte religiosa do século XV ao século XX. A Igreja de Jesus possui o arco gótico próximo ao púlpito como marca da continuação da estrutura primitiva. Diferentes linguagens estão presentes no revestimento interno dela, com investimentos de famílias como os Tavares, os Duques de Aveiro e a casa Real.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&lt;br /&gt;
=== &amp;lt;u&amp;gt;Convento  de Jesus de Aveiro&amp;lt;/u&amp;gt; ===&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Código SIPA&lt;br /&gt;
|IPA.00002255&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Ordem religiosa&lt;br /&gt;
|Ordem Dominicana feminina&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Outras nomenclaturas&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Jesus, Museu de  Santa Joana ou Museu de Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|País&lt;br /&gt;
|Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Cidade&lt;br /&gt;
|Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Freguesia&lt;br /&gt;
|Freguesia de Glória e Vera  Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Localidade&lt;br /&gt;
|Av. Santa Joana, 3810-329&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coordenadas&lt;br /&gt;
|40.63933292904409,  -8.65095453441705&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contexto Histórico ==&lt;br /&gt;
Fundado por D. Brites Leitão e D. Mécia Pereira e construído após a autorização para instituição em 1461 por bula papal do Papa Pio II. Sabe-se que a clausura era existente em 1465 desde o princípio de janeiro. Acompanhadas de D. Catarina, essas figuras teriam chegado a Aveiro em 24 de novembro de 1458 e residido em casas junto a atual Catedral, ou seja, no Convento Dominicano ali existente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através do SIPA [1] é possível obter uma sequência cronológica sobre os acontecimentos que envolveram o monumento em estudo. Quanto a sua edificação, destacam-se também os anos de 1459, em que casas na Rua Direita são vendidas a D. Mécia Pereira pelo cónego do Porto, Rodrigo Anes, para fundação do mosteiro. As primeiras monjas do Mosteiro, segundo esta fonte, teriam recebido o hábito de noviças em  25 dezembro de 1464. A ajuda régia ao mosteiro ocorre por esmola anual de 6 mil reais (unidade monetária da época) feita por D. Afonso V (1432-1481) concedida em 1466.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fontes bibliográficas apontam a data de 1472 como aquela na qual a Princesa-Infanta D. Joana, nascida em 1452, entra no Convento, onde viveu até morrer. “Embora senhora da vila de Aveiro pelos finais do século XV, a infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, decidiu, contra a vontade do pai e da corte, professar como religiosa [...]. No entanto, impedida de o fazer por razões claramente políticas [...], Joana resistiu e manteve-se como secular no convento. [...] será apesar de tudo, após a coroação do irmão como D. João II, aceite finalmente na ordem, fazendo voto de castidade a 25 de novembro de 1481.” (PEREIRA, 2006) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 28 agosto 1472, “D. Afonso V compromete-se a pagar a Aires Gomes as casas que lhe tomara, para incorporar no Mosteiro, bem como o de cercar, madeirar, forrar e ladrilhar o edifício” &#039;&#039;&#039;(&#039;&#039;&#039;SIPA&#039;&#039;&#039;)&#039;&#039;&#039;. Há o testamento feito em 19 de março de 1490 por D. Joana, a aforrar seus escravos e deixando, todos os seus bens ao Mosteiro, com exceção de alguns legados. No dia 12 maio do mesmo ano, ela morre na Sala ou Casa de Lavor, recebendo desde logo reverência por parte das freiras do espaço quanto a sua santidade, oficializada apenas em 1693 por meio da beatificação da Princesa Joana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
D. António de Vasconcelos e Sousa, bispo de Coimbra, procede o exame do corpo de Santa Joana em 1711 com outras religiosas e o Provincial da Ordem de São Domingos. D. José permite em 1777 que as religiosas a nomeiem um juiz executor e escrivão para a cobrança de rendas e foros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O decreto de 30 de maio de 1834, com Portaria de 4 de junho[2], durante o período do Liberalismo e o crescente laicismo nas instituições de poder, a Extinção das Ordens Religiosas faz com que a clausura termine em 1874 com a morte da última religiosa do local. Natália Marinho Ferreira Alves escreve sobre que os “conventos femininos portugueses dão-nos hoje uma imagem profundamente distorcida, não só do espírito que presidiu à sua fundação, mas também da evolução artística dos próprios edifícios. Para este facto contribuiram a cobiça, o vandalismo e a ignorância que golpearam as instituições religiosas a partir dos inícios do século XIX” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autora destaca a Extinção das Ordens como uma das principais causas para o estado atual dessas construções, caracterizando-as como: “Locais de grande prestígio, os conventos acolhiam senhoras da melhor nobreza, inclusivé de sangue real, encontrando-se entre os seus fundadores os próprios monarcas e, como protectoras por excelência, rainhas e infantas. Dispondo de rendimentos de diversa índole, e por vezes avultados, alguns deles, a partir do último quartel do século XVII e durante os dois primeiros terços do século XVIII, sofrem importantes obras de transformação nas suas dependências. Serão as suas igrejas que irão reflectir a feição magnífica e opulenta do barroco com os revestimentos a azulejo e nomeadamente a talha dourada, criando um espaço único, de que são paradigmas as de Jesus e de Santa Clara.” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O convento é convertido no Colégio de Santa Joana para educação de meninas a partir de Portaria do Governo de 30 de maio. Nos anos seguintes é criada a Irmandade de Santa Joana (1877) e o colégio funciona a partir de 1882 como externato para crianças pobres[3], sendo encerrado em 21 de junho de 1910, quando o local é “fechado e lacrado e os seus bens arrolados e transferidos para o Estado[3]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1911 é classificado como monumento nacional e transformado em espaço museológico. A portaria de 7 de junho cria legalmente o Museu de Aveiro, sendo João Augusto Marques Gomes nomeado 1º diretor pela portaria de 24 de janeiro de 1915.  Afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. em 29 de março de 2007, o imóvel tem inauguração em 18 dezembro de 2008 e reabertura do Museu ao público com projeto do arquiteto Alcino Soutinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Modificações Arquitetônicas e no Interior ===&lt;br /&gt;
Em relação as alterações na estrutura do objeto de estudo antes da beatificação, juntamente com as adições de elementos artísticos a sua estrutura, revelam-se a reedificação da capela-mor em 1592 por Francisco de Tavares, [o contrato de 02 de novembro de 1685 para a obra de Domingos Lopes do forro da igreja e a criação de uma capela na Casa de Lavor em 1689 pelo simbolismo do local de falecimento da infanta D. Joana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 12 de maio de 1694, terminam as festas de comemoração da beatificação da Princesa Santa Joana por meio de uma procissão. Logo em seguida ao feito, o arquiteto régio João Antunes realiza em 1699 o risco e executa o túmulo para a princesa na reforma do coro-baixo[4], perdurando até 1711. Em 23 de outubro deste ano é transladado o corpo da princesa para o túmulo feito a expensas de D. Pedro II .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o século XVIII a linguagem do Barroco se faz presente fortemente com a introdução da talha da capela-mor pelos entalhadores António Gomes e José Correia[5] e com o douramento dela por Manuel da Silva, pintor de Coimbra, e António José Correia, pintor do Porto. Os painéis laterais foram pintados em 1729 por Manuel Ferreira e Sousa, pintor portuense. Outros acontecimentos são a produção do órgão da igreja (1739), as ampliações da ala poente do claustro (1743-1744) e a feitura do órgão do coro-alto (1792). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à talha do convento, Robert C. Smith e Natália Alves dissertam sobre ela. “A influência de S. Pedro, de Miragaia, faz-se sentir na opulenta capela do convento de Jesus, em Aveiro, cuja talha foi principiada cerca de 1702, data que se encontra no arco cruzeiro.” (SMITH, 1962, p.84). “Nos anos seguintes [a 1685], a talha dourada prolifera, iniciando-se o processo que levará ao revestimento total do interior, concretizado no século seguinte. Datado de 1702 é o arco cruzeiro, sendo também contemporâneos os retábulos laterais desconhecendo-se, até ao momento, a sua autoria.” (ALVES, 2019).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A riqueza da igreja de Jesus de Aveiro, ainda existente na atualidade, segundo Natália Alves “não corresponde de forma alguma à sobriedade da sua arquitectura”. Para ela, interessa “o período que medeia entre os entre os reinados de D. Pedro II (1683-1706) e D. José I (1750-1777) sendo, no entanto, na época de D. João V (1707-1750) que se atingirá o máximo esplendor no interior das igrejas conventuais”. O rei D. João V, portanto, promove a difusão da influência portuguesa no Mundo, auxiliada pela exploração do ouro do Brasil, ao buscar comparar-se à grandeza do Vaticano e da corte papal. Através de doações, dotes conventuais e mecenas, o luxo e aparato instauram-se nas instituições religiosas, permitindo-as a aquisição de ilustres obras de arte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ala poente do claustro é ampliada durante 1743 e 1744. Em 8 de julho de 1745, há o sepultamento do sétimo duque de Aveiro D. Gabriel de Lencastre na Capela de Santo Agostinho. A Capela de Nossa Senhora do Rosário possui, em madeira dourada e policromada, um altar com catorze tábuas de pintura a óleo do século XVII de autoria de António André. Há um altar secundário decorado com baixos-relevos em cera e conjunto escultórico da Sagrada Família ao centro em madeira policromada; albergando a imagem do Menino Jesus deitado em maquineta-relicário do século XVIII. As portas laterais permitiriam o acesso a capelas, a oratórios e espaços de arrumação de alfaias religiosas. A invocação de Nossa Senhora do Rosário nesta capela é justificada por esta ser a invocação mariana predileta dos Dominicanos. (COSTA, 2008-2009). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Capela do Senhor dos Passos é construída no século XVIII nas remodelações do convento e, em virtude da devoção pelos mistérios de Cristo terem destaque à época, uma imagem processional do Senhor dos Passos é albergada pelo retábulo (meados do XVIII) em talha dourada. Do lado direito uma porta dava acesso a desaparecida Capela de Santa Maria Madalena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Sala do Capítulo Velho era onde as freiras se reuniam para decidir assuntos referentes a posse, compra, venda e administração de bens conventuais. Nela se recebiam as noviças, onde o hábito era tomado, realizava-se as eleições para nomear a prioresa, local em que se lia a Regra e eram tratadas questões disciplinares. As &#039;&#039;espreitadeiras&#039;&#039; – janelas laterais, possibilitavam que o maior número de religiosas conseguissem assistir aos atos de maior participação. Foi também usado como capela com invocação de Nossa Senhora da Assunção. Com retábulo de talha dourada do século XVIII, teto com molduras em talha dourada com pinturas alusivas à Virgem, foi o local de enterramento das fundadoras do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas por decreto de D. Pedro IV em 1834, é convertido em Colégio de Educação de meninas a partir de 1874 e transformado em espaço museológico em 1911. Com o projeto de Alcino Soutinho a reabertura ao público do Museu ocorre em 2008. Abrem-se a nova Sala de Exposições Temporárias, o espaço da biblioteca e a Galeria da Pedra em 2009, e é votado a &amp;quot;municipalização&amp;quot; do museu pela Assembleia Municipal de Aveiro em 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Partes do Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Claustro - Convento de Jesus.jpg|alt=Claustro renascentista em forma retangular e em pedra de Ançã.|thumb|&#039;&#039;&#039;Claustro - Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Claustro -&#039;&#039;&#039; O claustro renascentista é “&#039;&#039;adintelado de dois pisos, desenvolvendo colunata jónica de fuste liso com correspondência de finas colunas pseudo-toscanas no piso superior e implantação central de chafariz com obelisco, em área rebaixada. Ao longo do piso térreo rasgam-se capelas de diferentes dimensões com portais arquivoltados e ogivais&#039;&#039;.” (SIPA).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Refeitório -&#039;&#039;&#039; Localizado na ala nascente, o refeitório possui planta retangular, com um portal gótico-manuelino. Mantém a estrutura para leitura – a tribuna da leitora – é aberta em três vãos com balcão assente em duas colunas com capitéis anelares de folhagem e de lintéis cortados em arco rebaixado, possuindo acesso através de dois degraus. As paredes são revestidas por azulejo coimbrão do tipo rosácea, padrão azul e branco dos séculos XVII-XVIII, o teto é plano, conservando-se as mesas e bancos; a iluminação é feita por meio de janelas em capialço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Coro-baixo -&#039;&#039;&#039; O Coro-baixo apresenta o túmulo da princesa Santa Joana, em mármores embutidos policromos ao gosto italiano. Obra realizada entre 1699 e 1711 do arquiteto régio João Antunes (1645-1712) – responsável pelas obras na Igreja de Santa Engrácia em Lisboa-, o artista faz o risco e executa o túmulo para princesa durante a reforma do espaço. Com pavimento de mosaico, a porta de acesso do ante-coro na sala é uma obra de marcenaria engradada e embrechada, com inspiração no estilo renascentista. Segundo Paulo Pereira[6]:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“[O arquiteto João Antunes] Usou os embrechados que na altura se acomodavam ao gosto cortesão e áulico português, por influência italiana. Antunes já experimentara esta solução com excelentes resultados no retábulo da Capela da Quinta do Calhariz, em Sesimbra (de 1683). Conhecedor da técnica e dos oficiais que dominavam a artesania do embutido de pedra-mármore, e certamente com base em algum modelo preexistente hoje difícil de encontrar, projeta a arca, instalando-a suspensa sobre quatro anjos em cada canto e com escultura de uma fênix no eixo. A arca é paralelepipédica, com emolduramento jônico e enrolamento em forma de consolas. No cimo e ao centro, põe um grupo de lavores heráldicos, oferecendo duas fachadas com volutas. O sentido de toda esta obra é, no entanto, mais do que heráldico: é emblemático. São emblemas os anjos que suportam o túmulo, bem como a fênix, símbolo da Ressurreição. Do mesmo modo, a ordem arquitetônica escolhida, o jônico, remete para o gênero feminino, como era de tradição vitruviana, traduzida embora de forma barroca. Do mesmo modo, a inexistência de qualquer imagem identificadora de Santa Joana, substituída pelas armas do reino, ou a de «desmaterialização» da inércia da pedra pela representação dos leves e inefáveis anjinhos-atlantes, perpetua o mistério sagrado que ali se encena: a incorruptibilidade de um corpo santo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Sala de Lavor -&#039;&#039;&#039; A Sala de Lavor é atualmente revestida a talha e telas pintadas, que são divididas por cartelões. O local instituído desde o principio da clausura era destinado ao bordado de alfaias e paramentos utilizados no culto, ao “trabalho de lavor”. A Princesa Santa Joana é trazida a esse espaço ao adoecer e, consequentemente, interrompendo a função deste, visto que residiu nele até sua morte. Passa a ser um cartório onde foi reunida a documentação necessária para o processo canônico de beatificação concluído em 1693. Um pequeno altar localiza-se na parede de frente à entrada, com tela representando a morte de Santa Joana, a qual duas mísulas ladeiam com imaginária. As pinturas narram à vida da Princesa: a chegada a Aveiro à realização do seu cortejo fúnebre. Sua remodelação decorativa ocorre em 1734, como indicado pela presença desta data numa cartela da Casa de Lavor, convertendo a sala em capela-relicário. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Fachada do Convento -&#039;&#039;&#039; A fachada principal reveste a primitiva e prolonga o corpo principal do edifício. Com dois registros, estes divididos por frisos e cinco panos, há uma entrada central de portal nobre circunscrito por pilastras e frontão semicircular interrompido. Nota-se o escudo e coroa real. Enquanto o piso térreo caracteriza-se assimétrico em relação à abertura dos vãos por vezes entaipados, o piso superior sistema de abertura de pares de janelões retangulares e gradeados de frontões interrompidos. Há um entablamento dórico – friso com métopas e triglifos – na parte superior, com correspondência das pilastras da ordem colossal.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Igreja de Jesus -&#039;&#039;&#039; A Igreja de Jesus possui nave retangular com cobertura em caixotões almofadados, com duas estruturas retabulares e silhar de azulejos decorativos. Órgão junto ao coro, porta de acesso à zona conventual, arco triunfal a pleno centro. A capela-mor é profunda e com cobertura em falsa abóbada de lunetas; portas de acesso às primitivas sacristias existem nas paredes laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja de Jesus localiza-se, conforme texto de O &#039;&#039;Roteiro do Museu de Aveiro&#039;&#039; de 1960, nas páginas 56 a 59: “&#039;&#039;A pequena porta de acesso da capela de Santo Agostinho à igreja, entrevista da nave do templo, apresenta-se como obra mestra do ogival dos fins de quatrocentos. Enquadra-se nos trechos decorativos mais tardios de azulejo, pintura, talha e outra marcenaria, a formar sequente conjunto. Logo em frente a esta porta se depara o monumental órgão da igreja&#039;&#039;[...]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferentes artistas foram chamados para executar obras na Igreja de Jesus de Aveiro após a morte da Princesa Joana entre os séculos XVI e XVIII. (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tabela 1 &lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;4&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Obras e contratos da Igreja de  Jesus&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Obra&lt;br /&gt;
|Artista/Feitor  da obra&lt;br /&gt;
|Cronologia&lt;br /&gt;
|Custo  em real&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reedificação  da capela-mor&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares&lt;br /&gt;
|1592&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do retábulo-mor&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|24  janeiro de 1668&lt;br /&gt;
|90$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  da obra do forro da igreja&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|02  de novembro de 1685&lt;br /&gt;
|470$0000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reforma  do coro-baixo e execução do túmulo para a princesa D. Joana&lt;br /&gt;
|João  Antunes&lt;br /&gt;
|1699  - 1711&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para a execução da talha da capela-mor   111&lt;br /&gt;
|António  Gomes e José Correia&lt;br /&gt;
|17  de  janeiro de 1725 &lt;br /&gt;
|3:000$300&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para recuo de dois degraus do adro do Convento para ampliação da capela-mor  da igreja &lt;br /&gt;
|Religiosos  de São Domingos&lt;br /&gt;
|10  de janeiro de 1726&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para feitura de várias vidraças&lt;br /&gt;
|Manuel  da Costa Vale&lt;br /&gt;
|30 de dezembro de 1727&lt;br /&gt;
|$060 casa palmo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para o douramento da talha e pintura dos painéis laterais&lt;br /&gt;
|Manuel  da Silva e António José Correia (douramento); Manuel Ferreira e Sousa  (pintura dos painéis)&lt;br /&gt;
|02 de abril de 1729&lt;br /&gt;
|1.050$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Caixotões  do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1731 (data inscrita)&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do órgão da igreja&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|07 de maio de 1739&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Execução  do órgão&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1784&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura do  órgão do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1792&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA. (*) : Obra não realizada.  Real: moeda portuguesa à época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tabela 2&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Artistas no Convento de Jesus  de Aveiro&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Artista&lt;br /&gt;
|Função&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares &lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes (1685)&lt;br /&gt;
|Carpinteiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|João  Antunes (1699-1711)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  Gomes (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|José  Correia (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Costa Vale (1727) &lt;br /&gt;
|Mestre  vidraceiro (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Silva (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (de Coimbra)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  José Correia (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel  Ferreira e Sousa (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pedro  Guimarães (2003)&lt;br /&gt;
|Organeiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alcino  Soutinho (séc. 21)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA.&lt;br /&gt;
----[1] Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA). &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2255&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Último acesso em 03/05/2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[2] Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[3] Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[4] Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[5] Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[6] Pereira Paulo (2006). &#039;&#039;História da arte portuguesa&#039;&#039; (1a ed. reimpressão). Vol. III. Círculo de Leitores.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.102.211</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_Jesus_de_Aveiro&amp;diff=400</id>
		<title>Convento de Jesus de Aveiro</title>
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		<updated>2025-05-16T06:20:13Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.102.211: ED1.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
O Convento de Jesus de Aveiro, também conhecido por Mosteiro de Jesus, localiza-se na União das freguesias de Glória e Vera Cruz, em Aveiro. Atualmente é o  Museu de Aveiro ou Museu de Santa Joana.  Na sua envolvente possui a Sé de Aveiro (obra primitiva do século XV), Igreja da Misericórdia de Aveiro, Igreja Carmelita de Aveiro e um dos canais da cidade, da zona do Rossio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Local pertencente à Ordem Dominicana feminina, foi onde a Princesa Joana, filha de Afonso V de Portugal, viveu até morrer no dia 12 de maio (1490), data tornada em feriado municipal devido à sua importância como padroeira da cidade e da diocese. O convento possui relações com o culto religioso devido à vida de santidade que a Princesa Joana levou até sua beatificação em 1693. Mesmo com obras de melhoramento nos séculos seguintes, a clausura foi mantida até 1874. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é monumento nacional desde 1911. Integram o Museu o túmulo da Princesa Joana, a talha dourada preservada da Igreja de Jesus e o retrato da Princesa são obras ligadas a esse espaço, que o tornam uma das arquiteturas exemplares da arte portuguesa, principalmente na expressão artística do período Barroco. Contém ainda uma coleção de arte religiosa do século XV ao século XX. A Igreja de Jesus possui o arco gótico próximo ao púlpito como marca da continuação da estrutura primitiva. Diferentes linguagens estão presentes no revestimento interno dela, com investimentos de famílias como os Tavares, os Duques de Aveiro e a casa Real.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&lt;br /&gt;
=== &amp;lt;u&amp;gt;Convento  de Jesus de Aveiro&amp;lt;/u&amp;gt; ===&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Código SIPA&lt;br /&gt;
|IPA.00002255&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Ordem religiosa&lt;br /&gt;
|Ordem Dominicana feminina&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Outras nomenclaturas&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Jesus, Museu de  Santa Joana ou Museu de Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|País&lt;br /&gt;
|Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Cidade&lt;br /&gt;
|Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Freguesia&lt;br /&gt;
|Freguesia de Glória e Vera  Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Localidade&lt;br /&gt;
|Av. Santa Joana, 3810-329&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coordenadas&lt;br /&gt;
|40.63933292904409,  -8.65095453441705&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contexto Histórico ==&lt;br /&gt;
Fundado por D. Brites Leitão e D. Mécia Pereira e construído após a autorização para instituição em 1461 por bula papal do Papa Pio II. Sabe-se que a clausura era existente em 1465 desde o princípio de janeiro. Acompanhadas de D. Catarina, essas figuras teriam chegado a Aveiro em 24 de novembro de 1458 e residido em casas junto a atual Catedral, ou seja, no Convento Dominicano ali existente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através do SIPA [1] é possível obter uma sequência cronológica sobre os acontecimentos que envolveram o monumento em estudo. Quanto a sua edificação, destacam-se também os anos de 1459, em que casas na Rua Direita são vendidas a D. Mécia Pereira pelo cónego do Porto, Rodrigo Anes, para fundação do mosteiro. As primeiras monjas do Mosteiro, segundo esta fonte, teriam recebido o hábito de noviças em  25 dezembro de 1464. A ajuda régia ao mosteiro ocorre por esmola anual de 6 mil reais (unidade monetária da época) feita por D. Afonso V (1432-1481) concedida em 1466.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fontes bibliográficas apontam a data de 1472 como aquela na qual a Princesa-Infanta D. Joana, nascida em 1452, entra no Convento, onde viveu até morrer. “Embora senhora da vila de Aveiro pelos finais do século XV, a infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, decidiu, contra a vontade do pai e da corte, professar como religiosa [...]. No entanto, impedida de o fazer por razões claramente políticas [...], Joana resistiu e manteve-se como secular no convento. [...] será apesar de tudo, após a coroação do irmão como D. João II, aceite finalmente na ordem, fazendo voto de castidade a 25 de novembro de 1481.” (PEREIRA, 2006) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 28 agosto 1472, “D. Afonso V compromete-se a pagar a Aires Gomes as casas que lhe tomara, para incorporar no Mosteiro, bem como o de cercar, madeirar, forrar e ladrilhar o edifício” &#039;&#039;&#039;(&#039;&#039;&#039;SIPA&#039;&#039;&#039;)&#039;&#039;&#039;. Há o testamento feito em 19 de março de 1490 por D. Joana, a aforrar seus escravos e deixando, todos os seus bens ao Mosteiro, com exceção de alguns legados. No dia 12 maio do mesmo ano, ela morre na Sala ou Casa de Lavor, recebendo desde logo reverência por parte das freiras do espaço quanto a sua santidade, oficializada apenas em 1693 por meio da beatificação da Princesa Joana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
D. António de Vasconcelos e Sousa, bispo de Coimbra, procede o exame do corpo de Santa Joana em 1711 com outras religiosas e o Provincial da Ordem de São Domingos. D. José permite em 1777 que as religiosas a nomeiem um juiz executor e escrivão para a cobrança de rendas e foros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O decreto de 30 de maio de 1834, com Portaria de 4 de junho[2], durante o período do Liberalismo e o crescente laicismo nas instituições de poder, a Extinção das Ordens Religiosas faz com que a clausura termine em 1874 com a morte da última religiosa do local. Natália Marinho Ferreira Alves escreve sobre que os “conventos femininos portugueses dão-nos hoje uma imagem profundamente distorcida, não só do espírito que presidiu à sua fundação, mas também da evolução artística dos próprios edifícios. Para este facto contribuiram a cobiça, o vandalismo e a ignorância que golpearam as instituições religiosas a partir dos inícios do século XIX” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autora destaca a Extinção das Ordens como uma das principais causas para o estado atual dessas construções, caracterizando-as como: “Locais de grande prestígio, os conventos acolhiam senhoras da melhor nobreza, inclusivé de sangue real, encontrando-se entre os seus fundadores os próprios monarcas e, como protectoras por excelência, rainhas e infantas. Dispondo de rendimentos de diversa índole, e por vezes avultados, alguns deles, a partir do último quartel do século XVII e durante os dois primeiros terços do século XVIII, sofrem importantes obras de transformação nas suas dependências. Serão as suas igrejas que irão reflectir a feição magnífica e opulenta do barroco com os revestimentos a azulejo e nomeadamente a talha dourada, criando um espaço único, de que são paradigmas as de Jesus e de Santa Clara.” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O convento é convertido no Colégio de Santa Joana para educação de meninas a partir de Portaria do Governo de 30 de maio. Nos anos seguintes é criada a Irmandade de Santa Joana (1877) e o colégio funciona a partir de 1882 como externato para crianças pobres[3], sendo encerrado em 21 de junho de 1910, quando o local é “fechado e lacrado e os seus bens arrolados e transferidos para o Estado[3]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1911 é classificado como monumento nacional e transformado em espaço museológico. A portaria de 7 de junho cria legalmente o Museu de Aveiro, sendo João Augusto Marques Gomes nomeado 1º diretor pela portaria de 24 de janeiro de 1915.  Afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. em 29 de março de 2007, o imóvel tem inauguração em 18 dezembro de 2008 e reabertura do Museu ao público com projeto do arquiteto Alcino Soutinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Modificações Arquitetônicas e no Interior ===&lt;br /&gt;
Em relação as alterações na estrutura do objeto de estudo antes da beatificação, juntamente com as adições de elementos artísticos a sua estrutura, revelam-se a reedificação da capela-mor em 1592 por Francisco de Tavares, [o contrato de 02 de novembro de 1685 para a obra de Domingos Lopes do forro da igreja e a criação de uma capela na Casa de Lavor em 1689 pelo simbolismo do local de falecimento da infanta D. Joana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 12 de maio de 1694, terminam as festas de comemoração da beatificação da Princesa Santa Joana por meio de uma procissão. Logo em seguida ao feito, o arquiteto régio João Antunes realiza em 1699 o risco e executa o túmulo para a princesa na reforma do coro-baixo[4], perdurando até 1711. Em 23 de outubro deste ano é transladado o corpo da princesa para o túmulo feito a expensas de D. Pedro II .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o século XVIII a linguagem do Barroco se faz presente fortemente com a introdução da talha da capela-mor pelos entalhadores António Gomes e José Correia[5] e com o douramento dela por Manuel da Silva, pintor de Coimbra, e António José Correia, pintor do Porto. Os painéis laterais foram pintados em 1729 por Manuel Ferreira e Sousa, pintor portuense. Outros acontecimentos são a produção do órgão da igreja (1739), as ampliações da ala poente do claustro (1743-1744) e a feitura do órgão do coro-alto (1792). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à talha do convento, Robert C. Smith e Natália Alves dissertam sobre ela. “A influência de S. Pedro, de Miragaia, faz-se sentir na opulenta capela do convento de Jesus, em Aveiro, cuja talha foi principiada cerca de 1702, data que se encontra no arco cruzeiro.” (SMITH, 1962, p.84). “Nos anos seguintes [a 1685], a talha dourada prolifera, iniciando-se o processo que levará ao revestimento total do interior, concretizado no século seguinte. Datado de 1702 é o arco cruzeiro, sendo também contemporâneos os retábulos laterais desconhecendo-se, até ao momento, a sua autoria.” (ALVES, 2019).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A riqueza da igreja de Jesus de Aveiro, ainda existente na atualidade, segundo Natália Alves “não corresponde de forma alguma à sobriedade da sua arquitectura”. Para ela, interessa “o período que medeia entre os entre os reinados de D. Pedro II (1683-1706) e D. José I (1750-1777) sendo, no entanto, na época de D. João V (1707-1750) que se atingirá o máximo esplendor no interior das igrejas conventuais”. O rei D. João V, portanto, promove a difusão da influência portuguesa no Mundo, auxiliada pela exploração do ouro do Brasil, ao buscar comparar-se à grandeza do Vaticano e da corte papal. Através de doações, dotes conventuais e mecenas, o luxo e aparato instauram-se nas instituições religiosas, permitindo-as a aquisição de ilustres obras de arte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ala poente do claustro é ampliada durante 1743 e 1744. Em 8 de julho de 1745, há o sepultamento do sétimo duque de Aveiro D. Gabriel de Lencastre na Capela de Santo Agostinho. A Capela de Nossa Senhora do Rosário possui, em madeira dourada e policromada, um altar com catorze tábuas de pintura a óleo do século XVII de autoria de António André. Há um altar secundário decorado com baixos-relevos em cera e conjunto escultórico da Sagrada Família ao centro em madeira policromada; albergando a imagem do Menino Jesus deitado em maquineta-relicário do século XVIII. As portas laterais permitiriam o acesso a capelas, a oratórios e espaços de arrumação de alfaias religiosas. A invocação de Nossa Senhora do Rosário nesta capela é justificada por esta ser a invocação mariana predileta dos Dominicanos. (COSTA, 2008-2009). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Capela do Senhor dos Passos é construída no século XVIII nas remodelações do convento e, em virtude da devoção pelos mistérios de Cristo terem destaque à época, uma imagem processional do Senhor dos Passos é albergada pelo retábulo (meados do XVIII) em talha dourada. Do lado direito uma porta dava acesso a desaparecida Capela de Santa Maria Madalena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Sala do Capítulo Velho era onde as freiras se reuniam para decidir assuntos referentes a posse, compra, venda e administração de bens conventuais. Nela se recebiam as noviças, onde o hábito era tomado, realizava-se as eleições para nomear a prioresa, local em que se lia a Regra e eram tratadas questões disciplinares. As &#039;&#039;espreitadeiras&#039;&#039; – janelas laterais, possibilitavam que o maior número de religiosas conseguissem assistir aos atos de maior participação. Foi também usado como capela com invocação de Nossa Senhora da Assunção. Com retábulo de talha dourada do século XVIII, teto com molduras em talha dourada com pinturas alusivas à Virgem, foi o local de enterramento das fundadoras do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas por decreto de D. Pedro IV em 1834, é convertido em Colégio de Educação de meninas a partir de 1874 e transformado em espaço museológico em 1911. Com o projeto de Alcino Soutinho a reabertura ao público do Museu ocorre em 2008. Abrem-se a nova Sala de Exposições Temporárias, o espaço da biblioteca e a Galeria da Pedra em 2009, e é votado a &amp;quot;municipalização&amp;quot; do museu pela Assembleia Municipal de Aveiro em 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Partes do Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Claustro - Convento de Jesus.jpg|alt=Claustro renascentista em forma retangular e em pedra de Ançã.|thumb|&#039;&#039;&#039;Claustro - Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Claustro -&#039;&#039;&#039; O claustro renascentista é “&#039;&#039;adintelado de dois pisos, desenvolvendo colunata jónica de fuste liso com correspondência de finas colunas pseudo-toscanas no piso superior e implantação central de chafariz com obelisco, em área rebaixada. Ao longo do piso térreo rasgam-se capelas de diferentes dimensões com portais arquivoltados e ogivais&#039;&#039;.” (SIPA).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Refeitório -&#039;&#039;&#039; Localizado na ala nascente, o refeitório possui planta retangular, com um portal gótico-manuelino. Mantém a estrutura para leitura – a tribuna da leitora – é aberta em três vãos com balcão assente em duas colunas com capitéis anelares de folhagem e de lintéis cortados em arco rebaixado, possuindo acesso através de dois degraus. As paredes são revestidas por azulejo coimbrão do tipo rosácea, padrão azul e branco dos séculos XVII-XVIII, o teto é plano, conservando-se as mesas e bancos; a iluminação é feita por meio de janelas em capialço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Coro-baixo -&#039;&#039;&#039; O Coro-baixo apresenta o túmulo da princesa Santa Joana, em mármores embutidos policromos ao gosto italiano. Obra realizada entre 1699 e 1711 do arquiteto régio João Antunes (1645-1712) – responsável pelas obras na Igreja de Santa Engrácia em Lisboa-, o artista faz o risco e executa o túmulo para princesa durante a reforma do espaço. Com pavimento de mosaico, a porta de acesso do ante-coro na sala é uma obra de marcenaria engradada e embrechada, com inspiração no estilo renascentista. Segundo Paulo Pereira[6]:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“[O arquiteto João Antunes] Usou os embrechados que na altura se acomodavam ao gosto cortesão e áulico português, por influência italiana. Antunes já experimentara esta solução com excelentes resultados no retábulo da Capela da Quinta do Calhariz, em Sesimbra (de 1683). Conhecedor da técnica e dos oficiais que dominavam a artesania do embutido de pedra-mármore, e certamente com base em algum modelo preexistente hoje difícil de encontrar, projeta a arca, instalando-a suspensa sobre quatro anjos em cada canto e com escultura de uma fênix no eixo. A arca é paralelepipédica, com emolduramento jônico e enrolamento em forma de consolas. No cimo e ao centro, põe um grupo de lavores heráldicos, oferecendo duas fachadas com volutas. O sentido de toda esta obra é, no entanto, mais do que heráldico: é emblemático. São emblemas os anjos que suportam o túmulo, bem como a fênix, símbolo da Ressurreição. Do mesmo modo, a ordem arquitetônica escolhida, o jônico, remete para o gênero feminino, como era de tradição vitruviana, traduzida embora de forma barroca. Do mesmo modo, a inexistência de qualquer imagem identificadora de Santa Joana, substituída pelas armas do reino, ou a de «desmaterialização» da inércia da pedra pela representação dos leves e inefáveis anjinhos-atlantes, perpetua o mistério sagrado que ali se encena: a incorruptibilidade de um corpo santo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Sala de Lavor -&#039;&#039;&#039; A Sala de Lavor é atualmente revestida a talha e telas pintadas, que são divididas por cartelões. O local instituído desde o principio da clausura era destinado ao bordado de alfaias e paramentos utilizados no culto, ao “trabalho de lavor”. A Princesa Santa Joana é trazida a esse espaço ao adoecer e, consequentemente, interrompendo a função deste, visto que residiu nele até sua morte. Passa a ser um cartório onde foi reunida a documentação necessária para o processo canônico de beatificação concluído em 1693. Um pequeno altar localiza-se na parede de frente à entrada, com tela representando a morte de Santa Joana, a qual duas mísulas ladeiam com imaginária. As pinturas narram à vida da Princesa: a chegada a Aveiro à realização do seu cortejo fúnebre. Sua remodelação decorativa ocorre em 1734, como indicado pela presença desta data numa cartela da Casa de Lavor, convertendo a sala em capela-relicário. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Fachada do Convento -&#039;&#039;&#039; A fachada principal reveste a primitiva e prolonga o corpo principal do edifício. Com dois registros, estes divididos por frisos e cinco panos, há uma entrada central de portal nobre circunscrito por pilastras e frontão semicircular interrompido. Nota-se o escudo e coroa real. Enquanto o piso térreo caracteriza-se assimétrico em relação à abertura dos vãos por vezes entaipados, o piso superior sistema de abertura de pares de janelões retangulares e gradeados de frontões interrompidos. Há um entablamento dórico – friso com métopas e triglifos – na parte superior, com correspondência das pilastras da ordem colossal.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Igreja de Jesus -&#039;&#039;&#039; A Igreja de Jesus possui nave retangular com cobertura em caixotões almofadados, com duas estruturas retabulares e silhar de azulejos decorativos. Órgão junto ao coro, porta de acesso à zona conventual, arco triunfal a pleno centro. A capela-mor é profunda e com cobertura em falsa abóbada de lunetas; portas de acesso às primitivas sacristias existem nas paredes laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja de Jesus localiza-se, conforme texto de O &#039;&#039;Roteiro do Museu de Aveiro&#039;&#039; de 1960, nas páginas 56 a 59: “&#039;&#039;A pequena porta de acesso da capela de Santo Agostinho à igreja, entrevista da nave do templo, apresenta-se como obra mestra do ogival dos fins de quatrocentos. Enquadra-se nos trechos decorativos mais tardios de azulejo, pintura, talha e outra marcenaria, a formar sequente conjunto. Logo em frente a esta porta se depara o monumental órgão da igreja&#039;&#039;[...]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferentes artistas foram chamados para executar obras na Igreja de Jesus de Aveiro após a morte da Princesa Joana entre os séculos XVI e XVIII. (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tabela 1 &lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;4&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Obras e contratos da Igreja de  Jesus&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Obra&lt;br /&gt;
|Artista/Feitor  da obra&lt;br /&gt;
|Cronologia&lt;br /&gt;
|Custo  em real&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reedificação  da capela-mor&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares&lt;br /&gt;
|1592&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do retábulo-mor&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|24  janeiro de 1668&lt;br /&gt;
|90$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  da obra do forro da igreja&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|02  de novembro de 1685&lt;br /&gt;
|470$0000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reforma  do coro-baixo e execução do túmulo para a princesa D. Joana&lt;br /&gt;
|João  Antunes&lt;br /&gt;
|1699  - 1711&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para a execução da talha da capela-mor   111&lt;br /&gt;
|António  Gomes e José Correia&lt;br /&gt;
|17  de  janeiro de 1725 &lt;br /&gt;
|3:000$300&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para recuo de dois degraus do adro do Convento para ampliação da capela-mor  da igreja &lt;br /&gt;
|Religiosos  de São Domingos&lt;br /&gt;
|10  de janeiro de 1726&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para feitura de várias vidraças&lt;br /&gt;
|Manuel  da Costa Vale&lt;br /&gt;
|30 de dezembro de 1727&lt;br /&gt;
|$060 casa palmo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para o douramento da talha e pintura dos painéis laterais&lt;br /&gt;
|Manuel  da Silva e António José Correia (douramento); Manuel Ferreira e Sousa  (pintura dos painéis)&lt;br /&gt;
|02 de abril de 1729&lt;br /&gt;
|1.050$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Caixotões  do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1731 (data inscrita)&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do órgão da igreja&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|07 de maio de 1739&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Execução  do órgão&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1784&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura do  órgão do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1792&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA. (*) : Obra não realizada.  Real: moeda portuguesa à época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Tabela 2&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Artistas no Convento de Jesus  de Aveiro&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Artista&lt;br /&gt;
|Função&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares &lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes (1685)&lt;br /&gt;
|Carpinteiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|João  Antunes (1699-1711)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  Gomes (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|José  Correia (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Costa Vale (1727) &lt;br /&gt;
|Mestre  vidraceiro (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Silva (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (de Coimbra)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  José Correia (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel  Ferreira e Sousa (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pedro  Guimarães (2003)&lt;br /&gt;
|Organeiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alcino  Soutinho (séc. 21)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA.&lt;br /&gt;
----[1] Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA). &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2255&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Último acesso em 03/05/2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[2] Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[3] Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[4] Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[5] Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[6] Pereira Paulo (2006). &#039;&#039;História da arte portuguesa&#039;&#039; (1a ed. reimpressão). Vol. III. Círculo de Leitores.&lt;/div&gt;</summary>
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