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	<title>Porto Barroco - Contribuições do utilizador [pt]</title>
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	<subtitle>Contribuições do utilizador</subtitle>
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		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_santa_teresa&amp;diff=871</id>
		<title>Convento de santa teresa</title>
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		<updated>2025-05-27T11:08:58Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.102.86: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:Fachada do convento de santa teresa.jpg|thumb|Fachada da portuária do Convento de Santa Teresa]]&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;Convento de Santa Teresa&#039;&#039;&#039;, também referido como &#039;&#039;&#039;Convento das Teresinhas&#039;&#039;&#039;, devido a sua ocupação de religiosas [https://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_dos_Carmelitas_Descal%C3%A7os Carmelitas Descalçadas], localiza-se na freguesia de [https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Vicente_(Braga) São Vincente], pertencente a cidade e município de [https://pt.wikipedia.org/wiki/Braga Braga], em [https://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal Portugal.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Identificação ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|+&lt;br /&gt;
|designação&lt;br /&gt;
|Convento de Santa Teresa, também conhecido por Convento das Teresinhas. Atualmente denominado como Asilo de São José&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|localização&lt;br /&gt;
|freguesia de São Vicente, Braga, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|cronologia&lt;br /&gt;
|construção finalizada no ano 1766 - meados do Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|autor(es)&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|classificação&lt;br /&gt;
|nenhuma&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da arte ==&lt;br /&gt;
Este edifício viu ainda pouco estudo, certamente causada por uma falta de documentação histórica tal como contemporânea deste espaço. Encontramos sua em menção em catálogos, dicionários e enciclopédias, como na obra de Pinho Leal, &#039;&#039;Portugal Antigo e Novo.&#039;&#039; Um outro caso mais contemporânea é a investigação de Flávia Oliveira, nomeada as &#039;&#039;Teresinhas: O Carmelo feminino da Braga moderna e contemporânea (1766‑1902),&#039;&#039; mesmo que assume uma investigação histórica, preocupando-se com as condições económicas, sociais e políticas , e não um olhar fundado nas preocupações visuais da historia da arte, e Lucas Ferreira Carneiro com sua obra &#039;&#039;A agulha e a folha: dimensões espaciais na construção de Braga setecentista.&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
Em 1742, um recolhimento feminino é formado pelas religiosas Maria de Jesus e Isabel de Jesus, pertencentes a ordem dominicana, enquadrando-se no recinto da Igreja de São Vítor.. Foi planificado anexar o convento a essa mesma igreja. A passagem de ordem para a dos Carmelitas Descalçados é efetuada um ano depois, em dezembro, 1743, devido a forte devoção entre o recolhimento feminino. (1873, Leal, Pg. 438)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A promoção da edificação do Convento começa em 1756, por licença de Frei D. Aleixo de Miranda, e patrocínio de Pedro Fernandes. Com sua relocalização, as construções iniciam apenas 1763, pós a promoção de D. Gaspar de Bragança, Arcebispo Primaz de Braga. As construções são finalizadas três anos depois, em 1766. (2018, Carneiro, Pg. 174)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A morte da ultima religiosa que tinha ingressado dentro desta casa em 1902, por entanto, estando este complexo conventual na posse de Comendador Fernando Oliveira Guimarães, Governador de Braga, ainda em 1850, por decreto da extinção das ordens religiosas em Portugal no Século XIX, a casa conventual vê se transformada num espaço de solidariedade social. Passará a ser denominada, até período corrente, por Asilo de São José. (Lucas Carneiro, 2018)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
A estrutura é toda feita em granito, sendo esta de planta retangular, sendo esta coberta por um telhado em aguas furtadas, coberto por telha. A Portuária encontra-se na fachada sul a porta principal do antigo convento. No seu tímpano insere-se um nicho, uma estatua de São José, podemos deduzir, então, que esta foi uma potencialmente. Nota-se também a ondulação aqui presente no pináculo do frontão, e as conchas que encimam as volutas, já referentes ao emergente gosto rocaille. O seu entablamento, apoiado sobre pilastras, recebe um letreiro com o ano de acabamento da obra. Atravessando esta primeira porta leva-nos a um vestíbulo onde permaneceria uma religiosa porteira (no caso dos conventos femininos) guardando as duas entradas. Esta segunda porta segue para a arcada que daria acesso ao claustro, um lanço de escadas dava acesso ao segundo piso do convento. Tendo também um nível de austeridade típica do rigor severo da linguagem arquitetónica da Ordem do Carmo e subsequentes ramos.&lt;br /&gt;
[[File:20190307144241-rotated.jpg|left|thumb|418x418px|Capela de São Joaquim, no claustro do convento de Santa Teresa]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====== Claustro ======&lt;br /&gt;
O Claustro é o espaço central da unidade monástica, todos os membros da casa conventual têm acesso a ele, por essa mesma razão, o espaço conventual vai se articular a volta de esta unidade, e todos as unidades principais poderiam ser acessada por este nexo, tendo elevação, no caso do Convento de Santa Teresa, esta em predominante contacto com o piso superior do convento. (2019, Silva, Pg. 11)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Descendo as escadas, encontra-se o ponto de acesso ao poço, donde provem um elemento vital para a vida monástica, pois grandes partes da limpeza dependeriam da sua utilidade, como a lavagem de louças e a lavagem das roupas, ofício destinado aos religiosos mais novos. A água que bebiam os habitantes desta casa também proviria deste mesmo local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Encontramos neste espaço a única restante capela de devoção privada ainda no recinto interior do convento, sendo está consagrada a São Joaquim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====== Celas ======&lt;br /&gt;
As celas eram locais de intendidos para o repouso, para o estudo e para a oração individual, compondo-se apenas dos moveis básicos para a vida quotidiana. Estes locais eram solitários e, por essa mesma razão, privados. Foram concebidos e propostos pelo Concilio de Trento com o âmbito de que cada religioso/a tenha um espaço individual para cumprir suas meditações, suas leituras, escrituras e penitências recebidas pós a confeção (2019, Silva, Pg. 14).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os vãos de iluminação que afrentam o exterior do convento garantiam, com sua pequena dimensão e baixo posicionamento, o bom iluminamento das celas, enquanto mantinha as religiosas de ver fora do convento, tal como mantinha que estas sejam vistas. A torre mirante segue esta mesma lógica, sendo um espaço elevado com vão de elevação de maior dimensão que oferecem as religiosas maior visibilidade para o exterior, mas mantém quem esteja presente na torre ocultado a vista de qualquer transeunte ao exterior do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====== Adega ======&lt;br /&gt;
Na adega, que é agora o museu asilando as mobílias permanecentes, estariam guardados todos elementos produzidos pela casa que necessitavam ser mantidas ao fresco. É neste mesmo local onde se encontra o confessionário, sendo este um elemento de três divisões em comunicação com a igreja anexada ao convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====== Igreja de Santa Teresa ======&lt;br /&gt;
[[File:Fachada da igreja de santa teresa.jpg|thumb|247x247px|Fachada da porta lateral da Igreja de Santa Teresa]]&lt;br /&gt;
A fachada do portal principal da Igreja de Santa Teresa é composta por um frontão aberto, composto por volutas que são interrompidas por um nicho arcado, onde insere-se o orago, sendo esta Santa Teresa de Jesus, cujo a estátua arquitetónica é assente sobre um trono. A metade desta cúpula corta segue a moldura de uma concha, sendo um dos vários elementos da iminente linguagem do rocaille que iremos encontrar nesta igreja, encimando esta, insere-se um cartucho onde é inserido o emblema da Ordem das Carmelitas Descalçadas. Este entablamento ira se repousar sobre a cornija de um frontão triangular, notamos em suas saliências a influencia do Barroco Italiano, e como afirmação e relembrança de sua presença de edificação deste local, encontramos no cartucho centrado no tímpano da moldura desta porta principal o brasão Arquiepiscopal de D. Gaspar de Bragança. Por natureza de ser uma igreja anexada a um convento feminino, a entrada para dentro do edifício é inserida na lateral.&lt;br /&gt;
[[File:7C095C91-D785-4BFE-A454-754900FCC2B9 1 105 c.jpg|thumb|240x240px|órgão com acesso pelo coro alto]]&lt;br /&gt;
Podemos definir este espaço como uma igreja ‘salão’. Para o Oeste da única nave, encontramos o confessionário em comunicação com o convento, sobre este esta o coro alto, onde eram sentados membros da alta hierarquia religiosa, este elemento de elevação, tal como as grades presentes entre o arco que separa a capela-mor do corpo da igreja, onde se assentava a audiência, assegurava a separação, durante a liturgia, entre os religiosos e os leigos. Alem de seu parapeito talhado, posicionaria os membros do clero presentes neste espaço ao mesmo nível do Santíssimo Sacramento. Aqui presente esta uma capela radiante consagrada a Nossa Senhora do Carmo, que vai espalhar o retábulo-mor, consagrado a mesma. Este local também daria acesso ao órgão principal, é anexado ao coro alto, onde o revestimento em escaiola é encarado com a logica de um embutido de pedra. Encimando seu pontiagudo frontão triangular, encontra-se no cartucho o brasão arquiepiscopal do Arcebispo Primaz de Braga, D. Gaspar de Bragança, com suporte de dois putti.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estão presentes duas capelas radiantes no recinto da nave, uma consagrada a São José, presente na lateral Sul, e outra consagrada a Santo António, de estrutura espelhada, presente na lateral norte. Estes altares são inseridos num nicho onde o método da escaiola e da talha dourada são outra vez utilizados. Tendo estes um frontão quebrado, que termina num pináculo piramidal, seu entablamento é assente sobre pilastras onde figuras devocionais são inseridas em nichos. No nicho principal, encontra-se a figura a qual estes altars são consagradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Púlpito é elevado na lateral sul da nave, encontrando-se quase ao centro deste espaço, sendo ele quadrangular, com acesso exterior a igreja, e assente sobre uma mísula. Sua teia saliente é revestida a escaiola e em talha dourada, onde seus ângulos convergentes são ornados com elementos vegetalistas. Ao centro, enquadrado com um baixo-relevo geométrico, encaixa-se a simbólica do olha da providencia rodeado por querubins. Um espaldar recortado e curvo é ornado pela figura do espírito santo, com as mesmas cromáticas escaiolas e talha dourada. Subiam aqui os oradores e os leitores durante a liturgia, estes transmitiam sermões e leituras litúrgicas.&lt;br /&gt;
[[File:Altar-mor do convento de santa teresa.jpg|left|thumb|204x204px|Altar-mor da Igreja de Santa Teresa]]&lt;br /&gt;
O altar-mor é assente sobre um pódio, degraus são inseridos nesta abertura côncava de granito, flanqueado pelos avanços convexos deste patamar. É composto por um frontão duplo triangular, interrompido por avanços e recuos espelhados, com uma saliência em seu tímpano onde se insere uma grinalda forrada a talha dourada, tal como a cornija. É recortado por formas geometrizante de cromática azul e cor-de-rosa, ambos a tons de pastel. Esta estrutura tem como matéria principal o estuque, utilizando um acabamento em escaiola para ornamentar e nobilitar o material, seguindo a noção de que para deus, ou o divino (isto claramente incluindo os santos, cujo culto é exaltado em resposta as reformas) o melhor, o mais belo, o mais nobre. Em sua base está centrado o sacrário na mesa do altar, do plinto emergem misulas onde são assentes as figuras de Santa Teresa de Jesus e de São João da Cruz. Assente sobre este encontra-se uma arcada composta por uma coluna em eixo e uma pilastra, ambas de capitel compósito, que são espelhadas. Tudo este espaço é de um movimento curvilíneo. O retábulo-mor é consagrado a Nossa Senhora do Carmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto e baixo são ambos acessados pelo convento.&lt;br /&gt;
[[File:Coro alto do convento de santa teresa.jpg|thumb|177x177px|Coro alto da Igreja de Santa Teresa]]&lt;br /&gt;
Como sistema de cobertura utilizado é a abobada de berço. Em ambos os espaços da Nave única e da capela-mor, encontramos pintura de teto, respetivamente retratando a transverberação de Santa Teresa e o emblema dos Carmelitas Descalçados. O mestre pintor destas obras é desconhecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sacristia é acessada pela porta lateral da face sul da capela-mor, sendo esta uma peça onde eram guardados os trajes e utensílios litúrgicos. Um sacerdote dito ‘sacristão’ teria como dever guardar e manter o espaço, sabendo este os ritos sacramentais para cuidar dos utensílios necessitados durante as cerimónias. Por natureza do seu uso, e desta presença masculina, não era um espaço cujas religiosas teriam acesso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sob a viga das escadas encontra-se o lavabo, espaço de purificação. Com a água desta, os sacerdotes lavavam suas mãos num processo mundificador antes e depois de atender seus deveres litúrgicos. O altar presente tinha o mesmo efeito, sendo que um limpava o corpo, e o outro limpava a alma. O lavabo presente na Igreja de Santa Teresa é formado de pedra de granito, com seu respaldo curvilíneo que termina num pináculo triangular é encimado por uma concha, outra vez notamos aqui presentes soluções do rocaille. Pela esta unidade encontra-se o ponto de acesso para a tribuna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Imagens ==&lt;br /&gt;
[[File:Antigo claustro do convento de santa teresa.jpg|thumb|323x323px|Antigo claustro]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:6DE06372-94E3-4386-AC8B-F88A949BBD81 1 105 c.jpg|left|thumb|304x304px|Capela de São José]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Capela radiante de santo antonio.jpg|thumb|303x303px|Capela de São António|left]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes e Bibliografia ==&lt;br /&gt;
Convento das Teresinhas na base de dados SIPA da Direção-Geral do Património Cultural&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Oliveira, Flavia (2017) As teresinhas: O Carmelo feminino da Braga moderna e contemporânea (1766‑1902)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Santana,  José Pereira de (1745). Chronica dos Carmelitas da Antiga e Regular Observancia Nestes Reynos de Portugal, Algarves e Seus Dominios&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Leal, Augusto Soares d&#039;Azevedo Barbosa de Pinho (1873). Portugal Antigo e Moderno:  diccionario geographico, estatistico, chorographico, heráldico, arqueológico, historico, biographico e etymologico de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande número de aldeias&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira Carneiro, Lucas (2018). A agulha e a Folha, Dimensões Espaciais na Construção de Braga Setecentista - Livro I&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira Carneiro, Lucas (2018). A agulha e a Folha, Dimensões Espaciais na Construção de Braga Setecentista - Livro II&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rocha, Manuel Joaquim Moreira da (2012). Arquitectura Religiosa Barroca em Braga (Minho): Entre a Tradição e a Modernidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Silva, Alex Rogério (2019). Espaços de reclusão: a vida conventual feminina em Portugal nos séculos XVI e XVII&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.102.86</name></author>
	</entry>
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		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_Jesus_de_Aveiro&amp;diff=859</id>
		<title>Convento de Jesus de Aveiro</title>
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		<updated>2025-05-27T09:35:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.102.86: 100&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
[[File:Fachada_do_Convento_de_Jesus_de_Aveiro,_atual_Museu_de_Aveiro_(frente).jpg|thumb|Fachada do Convento de Jesus de Aveiro, atual Museu de Aveiro]]&lt;br /&gt;
[[File:Planta descritiva do Museu de Aveiro.jpg|thumb|349x349px|&#039;&#039;&#039;Planta descritiva do Museu de Aveiro&#039;&#039;&#039;]]&lt;br /&gt;
O Convento de Jesus de Aveiro, também conhecido por Mosteiro de Jesus, localiza-se na União das freguesias de Glória e Vera Cruz, em Aveiro. É atualmente o Museu de Aveiro, também conhecido como Museu de Santa Joana. Nas suas imediações encontram-se a Sé de Aveiro (obra primitiva do século XV), Igreja da Misericórdia de Aveiro, Igreja Carmelita de Aveiro e um dos canais da cidade, da zona do Rossio. [[File:Fachada_do_Convento_de_Jesus_de_Aveiro.jpg|thumb|301x301px|Fachada do Convento de Jesus de Aveiro, atual Museu de Aveiro]]&lt;br /&gt;
O local pertencente à Ordem Dominicana feminina, foi onde a Princesa Joana, filha de Afonso V de Portugal, viveu até morrer no dia 12 de maio (1490), data instituída como feriado municipal, em reconhecimento da sua importância enquanto padroeira da cidade e da diocese. O convento relaciona-se com o culto religioso devido à vida de santidade que a Princesa Joana levou até à sua beatificação em 1693. Mesmo com obras de melhoramento nos séculos seguintes, a clausura foi mantida até 1874. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O edificado é monumento nacional desde 1911. O túmulo da Princesa Joana, a talha dourada preservada da Igreja de Jesus e o retrato da Princesa&lt;br /&gt;
[[File:Retrato_da_Princesa_Santa_Joana.jpg|thumb|306x306px|Retrato da Princesa Santa Joana]]&lt;br /&gt;
são obras que estão ligadas ao espaço, tornando-o numa das arquiteturas mais exemplares da arte portuguesa, principalmente na expressão artística do período Barroco. Existe uma coleção de arte religiosa do século XV ao século XX. A Igreja de Jesus possui um arco gótico próximo do púlpito como marca da continuação da estrutura primitiva. Diferentes linguagens estão presentes no seu revestimento, fruto dos investimentos de famílias nobres tais como os Tavares, os Duques de Aveiro e a Casa Real.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&lt;br /&gt;
=== &amp;lt;u&amp;gt;Convento  de Jesus de Aveiro&amp;lt;/u&amp;gt; ===&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Código SIPA&lt;br /&gt;
|IPA.00002255&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Ordem religiosa&lt;br /&gt;
|Ordem Dominicana feminina&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Outras nomenclaturas&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Jesus, Museu de  Santa Joana ou Museu de Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|País&lt;br /&gt;
|Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Cidade&lt;br /&gt;
|Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Freguesia&lt;br /&gt;
|Freguesia de Glória e Vera  Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Localidade&lt;br /&gt;
|Av. Santa Joana, 3810-329&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coordenadas&lt;br /&gt;
|40.63933292904409,  -8.65095453441705&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
O Museu de Aveiro tem as suas diferentes partes documentadas no Roteiro do Museu desde 1960. O SIPA configura-se como a fonte para as datas referentes à evolução do monumento ao longo da diacronia e dos artífices e artistas que nele trabalharam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Domingos Maurício Gomes dos Santos, na sua obra de 6 volumes intitulada &amp;quot;&#039;&#039;O Mosteiro de Jesus de Aveiro&#039;&#039;&amp;quot;, configura-se como um dos autores que reuniu o maior número de informações sobre esta arquitetura e a sua história, bem como das pessoas com ela relacionadas. Na dimensão do Barroco em edifícios religiosos, Natália Marinho Ferreira Alves disserta sobre o convento e a talha dourada presente na Igreja de Jesus na sua obra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contexto Histórico ==&lt;br /&gt;
Fundado por D. Brites Leitão e D. Mécia Pereira e construído após a autorização para instituição em 1461 por bula papal do Papa Pio II. Sabe-se que a clausura era existente em 1465 desde o princípio de janeiro. Acompanhadas de D. Catarina, essas figuras teriam chegado a Aveiro em 24 de novembro de 1458 e residido em casas junto à atual Catedral, ou seja, no Convento Dominicano ali existente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através do Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA), é possível obter uma sequência cronológica sobre os acontecimentos que envolveram o monumento em estudo. Quanto à sua edificação, destacam-se também os anos de 1459, em que casas na Rua Direita são vendidas a D. Mécia Pereira pelo cônego do Porto, Rodrigo Anes, para fundação do convento. As primeiras freiras desse, segundo esta fonte, teriam recebido o hábito de noviças a 25 dezembro de 1464. A ajuda régia ao local ocorre por esmola anual de 6 mil reais (unidade monetária da época), feita por D. Afonso V (1432-1481) e concedida em 1466.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fontes bibliográficas apontam a data de 1472 como aquela na qual a Princesa-Infanta D. Joana, nascida em 1452, entra no Convento, onde viveu até morrer. “Embora senhora da vila de Aveiro pelos finais do século XV, a infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, decidiu, contra a vontade do pai e da corte, professar como religiosa [...]. No entanto, impedida de o fazer por razões claramente políticas [...], Joana resistiu e manteve-se como secular no convento. [...] será apesar de tudo, após a coroação do irmão como D. João II, aceite finalmente na ordem, fazendo voto de castidade a 25 de novembro de 1481.” (PEREIRA, 2006) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 28 agosto 1472, “D. Afonso V compromete-se a pagar a Aires Gomes as casas que lhe tomara, para incorporar no Mosteiro, bem como o de cercar, madeirar, forrar e ladrilhar o edifício” &#039;&#039;&#039;(&#039;&#039;&#039;SIPA&#039;&#039;&#039;)&#039;&#039;&#039;. Há um testamento feito em 19 de março de 1490 por D. Joana, a aforrar seus escravos e deixando, todos os seus bens ao convento, com exceção de alguns legados. No dia 12 de maio do mesmo ano, falece na Sala ou Casa de Lavor, sendo de imediato reverenciada pelas freiras pela sua santidade, a qual apenas viria a ser oficialmente reconhecida em 1693, com a beatificação da Princesa Joana. D. António de Vasconcelos e Sousa, bispo de Coimbra, procede ao exame do corpo de Santa Joana em 1711 com outras religiosas e o Provincial da Ordem de São Domingos. Em 1777, D. José autoriza que as religiosas designem um juiz executor e um escrivão para a cobrança de rendas e foros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O decreto de 30 de maio de 1834, com Portaria de 4 de junho, durante o período do Liberalismo e com o crescente laicismo nas instituições de poder, dá-se a Extinção das Ordens Religiosas, o que faz com que a clausura termine em 1874 com a morte da última religiosa do local. Natália Marinho Ferreira Alves escreve sobre como os “conventos femininos portugueses nos dão hoje, uma imagem profundamente distorcida, não só do espírito que presidiu à sua fundação, mas também da evolução artística dos próprios edifícios. Para este facto contribuíram a cobiça, o vandalismo e a ignorância que golpearam as instituições religiosas a partir dos inícios do século XIX” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autora destaca a Extinção das Ordens como uma das principais causas para o estado atual das arquiteturas, caracterizando-as como: “Locais de grande prestígio, os conventos acolhiam senhoras da melhor nobreza, inclusivé de sangue real, encontrando-se entre os seus fundadores os próprios monarcas e, como protectoras por excelência, rainhas e infantas. Dispondo de rendimentos de diversa índole, e por vezes avultados, alguns deles, a partir do último quartel do século XVII e durante os dois primeiros terços do século XVIII, sofrem importantes obras de transformação nas suas dependências. Serão as suas igrejas que irão reflectir a feição magnífica e opulenta do barroco com os revestimentos a azulejo e nomeadamente a talha dourada, criando um espaço único, de que são paradigmas as de Jesus e de Santa Clara.” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O convento é convertido no Colégio de Santa Joana para educação de meninas a partir de Portaria do Governo de 30 de maio. Nos anos seguintes é criada a Irmandade de Santa Joana (1877) e o colégio funciona a partir de 1882 como externato para crianças pobres, sendo encerrado em 21 de junho de 1910, quando o local é “fechado e lacrado e os seus bens arrolados e transferidos para o Estado” (COSTA, 2008-2009). Em 1911 é classificado como monumento nacional e transformado em espaço museológico. A portaria de 7 de junho cria legalmente o Museu de Aveiro, sendo João Augusto Marques Gomes nomeado 1º diretor pela portaria a 24 de janeiro de 1915.  Afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. em 29 de março de 2007, o imóvel foi inaugurado a 18 de dezembro de 2008, correspondendo à reabertura do Museu ao público, com um projeto do arquiteto Alcino Soutinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Alterações Arquitetônicas e Intervenções Interiores ==&lt;br /&gt;
Em relação às alterações na estrutura do objeto de estudo antes da beatificação, juntamente com a adição de elementos artísticos à sua estrutura, revelam-se a reedificação da capela-mor em 1592 por Francisco de Tavares, o contrato de 02 de novembro de 1685 para a obra de Domingos Lopes do forro da igreja e a criação de uma capela na Casa de Lavor em 1689 pelo simbolismo do local de falecimento da infanta D. Joana. A 12 de maio de 1694, as festividades em honra da beatificação da Princesa Santa Joana culminam com uma procissão. Logo em seguida ao feito, o arquiteto régio João Antunes realiza em 1699 o risco e executa o túmulo para a princesa na reforma do coro-baixo (RIBEIRO, 2013), perdurando até 1711. Em 23 de outubro deste ano é transladado o corpo da princesa para o túmulo e feitas as expensas a D. Pedro II.&lt;br /&gt;
[[File:Coro-alto da Igreja de Jesus.jpg|thumb|Coro-alto da Igreja de Jesus]]&lt;br /&gt;
Durante o século XVIII, a linguagem do Barroco torna-se fortemente presente com a introdução da talha da capela-mor pelos entalhadores António Gomes e José Correia e com o douramento dela por Manuel da Silva, pintor de Coimbra, e António José Correia, pintor do Porto. Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. Os painéis laterais foram pintados em 1729 por Manuel Ferreira e Sousa, pintor portuense. Outros acontecimentos relevantes são: a produção do órgão da igreja (1739), as ampliações da ala poente do claustro (1743-1744) e a feitura do órgão do coro-alto (1792). Quanto à talha do convento, Robert C. Smith e Natália Alves dissertam sobre ela. “A influência de S. Pedro, de Miragaia, faz-se sentir na opulenta capela do convento de Jesus, em Aveiro, cuja talha foi principiada cerca de 1702, data que se encontra no arco cruzeiro.” (SMITH, 1962, p.84). “Nos anos seguintes [a 1685], a talha dourada prolifera, iniciando-se o processo que levará ao revestimento total do interior, concretizado no século seguinte. Datado de 1702 é o arco cruzeiro, sendo também contemporâneos os retábulos laterais desconhecendo-se, até ao momento, a sua autoria.” (ALVES, 2019). A riqueza da igreja de Jesus de Aveiro, ainda existe na atualidade, segundo Natália Alves “não corresponde de forma alguma à sobriedade da sua arquitectura”. Para ela, interessa “o período que medeia entre os reinados de D. Pedro II (1683-1706) e D. José I (1750-1777) sendo, no entanto, na época de D. João V (1707-1750) que se atingirá o máximo esplendor no interior das igrejas conventuais”. O rei D. João V, portanto, promove a difusão da influência portuguesa no Mundo, auxiliada pela exploração do ouro do Brasil, ao buscar comparar-se à grandeza do Vaticano e à da corte papal. Através de doações, dotes conventuais e mecenas, o luxo e aparato instauram-se nas instituições religiosas, permitindo a aquisição de ilustres obras de arte. &lt;br /&gt;
[[File:Túmulo D. Gabriel de Lencastre.jpg|left|thumb|Túmulo de D. Gabriel de Lencastre]]&lt;br /&gt;
A ala poente do claustro é ampliada durante 1743 e 1744. Em 8 de julho de 1745, ocorre o sepultamento do sétimo duque de Aveiro, D. Gabriel de Lencastre, na Capela de Santo Agostinho. A Capela de Nossa Senhora do Rosário possui um altar em madeira dourada e policromada, com quatorze tábuas de pintura a óleo do século XVII de autoria de António André. Há um altar secundário decorado com baixos-relevos em cera e, ao centro, um conjunto escultórico da Sagrada Família em madeira policromada, albergando a imagem do Menino Jesus deitado em maquineta-relicário do século XVIII. As portas laterais permitiriam o acesso às capelas, aos oratórios e aos espaços de arrumação das alfaias religiosas. A invocação de Nossa Senhora do Rosário nesta capela é justificada por esta ser a invocação mariana predileta dos Dominicanos. (COSTA, 2008-2009). &lt;br /&gt;
[[File:Capela do Senhor dos Passos - Convento de Jesus de Aveiro.jpg|thumb|294x294px|Capela do Senhor dos Passos]]&lt;br /&gt;
A Capela do Senhor dos Passos é construída no século XVIII nas remodelações do convento e, em virtude da devoção pelos mistérios de Cristo terem destaque à época, uma imagem processional do Senhor dos Passos é albergada pelo retábulo (meados do XVIII) em talha dourada. Do lado direito uma porta dava acesso à desaparecida Capela de Santa Maria Madalena. A Sala do Capítulo Velho era o local onde as freiras se reuniam para decidir assuntos referentes à posse, compra, venda e administração dos bens conventuais. Nela recebiam-se as noviças, onde o hábito era tomado, realizavam-se as eleições para nomear a prioresa, local onde se lia a Regra e eram tratadas questões disciplinares. As &#039;&#039;espreitadeiras&#039;&#039; – janelas laterais, possibilitavam que o maior número de religiosas conseguissem assistir aos atos de maior participação. Foi também usado como capela com invocação a Nossa Senhora da Assunção. No interior os retábulos de talha dourada do século XVIII, o teto com molduras em talha dourada e pinturas alusivas à Virgem, foi o local de enterramento das fundadoras do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas por decreto de D. Pedro IV em 1834, o edificado é convertido em Colégio de Educação de meninas a partir de 1874 e transformado à posteriori em espaço museológico em 1911. Com o projeto de Alcino Soutinho, a reabertura ao público do Museu ocorre em 2008. No ano seguinte, em 2009, abre-se a nova Sala de Exposições Temporárias, a biblioteca e a Galeria da Pedra. Em 2015, a Assembleia Municipal de Aveiro delibera a &amp;quot;municipalização&amp;quot; do museu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Dependências do Convento de Jesus ==&lt;br /&gt;
[[File:Claustro - Convento de Jesus.jpg|alt=Claustro renascentista em forma retangular e em pedra de Ançã.|thumb|Claustro - Convento de Jesus]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Claustro -&#039;&#039;&#039; O claustro renascentista é “&#039;&#039;adintelado de dois pisos, desenvolvendo uma colunata jónica de fuste liso com correspondência de finas colunas pseudo-toscanas no piso superior e implantação central de chafariz com obelisco, em área rebaixada. Ao longo do piso térreo rasgam-se capelas de diferentes dimensões com portais arquivoltados e ogivais&#039;&#039;.” (SIPA).&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Refeitório -&#039;&#039;&#039; Localizado na ala nascente, o refeitório possui planta retangular, com um portal gótico-manuelino. Mantém a estrutura para leitura – a tribuna da leitora – é aberta em três vãos com balcão assente em duas colunas com capitéis anelares de folhagem e de lintéis cortados em arco rebaixado, possuindo acesso através de dois degraus. As paredes são revestidas por azulejo coimbrão do tipo rosácea, padrão azul e branco dos séculos XVII-XVIII, o teto é plano, conservando-se as mesas e bancos; a iluminação é feita por janelas em capialço.&lt;br /&gt;
[[File:Sala_de_Lavor_(entrada)_-_Convento_de_Jesus_de_Aveiro.jpg|thumb|Sala de Lavor - Convento de Jesus de Aveiro, atual Museu de Aveiro]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Sala de Lavor -&#039;&#039;&#039; A Sala de Lavor é atualmente revestida a talha e telas pintadas, que são divididas por cartelões. O local instituído desde o principio da clausura era destinado ao bordado de alfaias e paramentos utilizados no culto, ao “trabalho de lavor”. A Princesa Santa Joana é trazida para esse espaço quando adoeceu. Consequentemente é interrompida a sua função original, devido a permanência dela nesse até à sua morte. Posteriormente, o local passou a ser um cartório, onde foi reunida a documentação necessária para o processo canônico de beatificação, concluído em 1693. Um pequeno altar localiza-se na parede de frente à entrada, com uma tela representando a morte de Santa Joana, onde duas mísulas são ladeadas com imaginária. As pinturas narram à vida da Princesa: a chegada a Aveiro até à realização do seu cortejo fúnebre. Sua remodelação decorativa ocorre em 1734, como nos indica a data presente numa cartela da Casa de Lavor, convertendo a sala em capela-relicário.[[File:Fachada do Convento de Jesus de Aveiro, atual Museu de Aveiro (brasão).jpg|left|thumb|Fachada do Convento de Jesus de Aveiro|265x265px]]&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Fachada do Convento -&#039;&#039;&#039; A fachada principal reveste a estrutura primitiva e prolonga o corpo principal do edifício. Com dois registros, que estão divididos por frisos e cinco panos, há uma entrada central do portal nobre circunscrito por pilastras e frontão semicircular interrompido. Nota-se o escudo e coroa real. Enquanto o piso térreo caracteriza-se assimétrico em relação à abertura dos vãos por vezes entaipados, o piso superior com sistema de abertura de pares de janelões retangulares gradeados de frontões interrompidos. Há um entablamento dórico – friso com métopas e triglifos – na parte superior, com correspondência das pilastras da ordem colossal.&lt;br /&gt;
[[File:Igreja_de_Jesus_-_Convento_de_Jesus_de_Aveiro.jpg|thumb|Igreja de Jesus, vista superior a partir do coro alto - Museu de Aveiro]]&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Igreja de Jesus -&#039;&#039;&#039; A Igreja de Jesus possui nave retangular com cobertura em caixotões almofadados, com duas estruturas retabulares e silhar de azulejos decorativos. Órgão junto ao coro, porta de acesso à zona conventual, arco triunfal a pleno centro. A capela-mor é profunda e com cobertura em falsa abóbada de lunetas; portas de acesso às primitivas sacristias existentes nas paredes laterais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja de Jesus, localiza-se conforme texto de O &#039;&#039;Roteiro do Museu de Aveiro&#039;&#039; de 1960, nas páginas 56 à 59: “&#039;&#039;A pequena porta de acesso da capela de Santo Agostinho à igreja, entrevista da nave do templo, apresenta-se como obra mestra do ogival dos fins de quatrocentos. Enquadra-se nos trechos decorativos mais tardios de azulejo, pintura, talha e outra marcenaria, a formar sequente conjunto. Logo em frente a esta porta se depara o monumental órgão da igreja&#039;&#039;[...]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Coro-baixo -&#039;&#039;&#039; O Coro-baixo apresenta o túmulo da princesa Santa Joana, em mármores embutidos policromos ao gosto italiano. Obra realizada entre 1699 e 1711 do arquiteto régio João Antunes (1645-1712) – responsável pelas obras na Igreja de Santa Engrácia em Lisboa, o artista faz o risco e executa o túmulo para a princesa durante a reforma do espaço. Em pavimento de mosaico, a porta de acesso do ante-coro na sala é uma obra de marcenaria engradada e embrechada, com inspiração renascentista.[[File:Coro baixo.jpg|thumb|Coro-baixo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Túmulo da Princesa Santa Joana na Igreja de Jesus, no Convento de Jesus de Aveiro.jpg|thumb|Túmulo da Princesa Santa Joana]]&lt;br /&gt;
Segundo Paulo Pereira (2006): “[O arquiteto João Antunes] Usou os embrechados que na altura se acomodavam ao gosto cortesão e áulico português, por influência italiana. Antunes já experimentara esta solução com excelentes resultados no retábulo da Capela da Quinta do Calhariz, em Sesimbra (de 1683). Conhecedor da técnica e dos oficiais que dominavam a artesania do embutido de pedra-mármore, e certamente com base em algum modelo preexistente hoje difícil de encontrar, projeta a arca, instalando-a suspensa sobre quatro anjos em cada canto e com escultura de uma fênix no eixo. A arca é paralelepipédica, com emolduramento jônico e enrolamento em forma de consolas. No cimo e ao centro, põe um grupo de lavores heráldicos, oferecendo duas fachadas com volutas. O sentido de toda esta obra é, no entanto, mais do que heráldico: é emblemático. São emblemas os anjos que suportam o túmulo, bem como a fênix, símbolo da Ressurreição. Do mesmo modo, a ordem arquitetônica escolhida (o jônico), remete para o gênero feminino, como era de tradição vitruviana, traduzida embora de forma barroca. Do mesmo modo, a inexistência de qualquer imagem identificadora de Santa Joana, substituída pelas armas do reino, ou a de «desmaterialização» da inércia da pedra pela representação dos leves e inefáveis anjinhos-atlantes, perpetua o mistério sagrado que ali se encena: a incorruptibilidade de um corpo santo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferentes artistas foram chamados para executar obras na Igreja de Jesus de Aveiro após a morte da Princesa Joana entre os séculos XVI e XVIII. (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tabela 1 ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;4&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Obras e contratos da Igreja de  Jesus&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Obra&lt;br /&gt;
|Artista/Feitor  da obra&lt;br /&gt;
|Cronologia&lt;br /&gt;
|Custo  em real&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reedificação  da capela-mor&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares&lt;br /&gt;
|1592&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do retábulo-mor&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|24  janeiro de 1668&lt;br /&gt;
|90$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  da obra do forro da igreja&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|02  de novembro de 1685&lt;br /&gt;
|470$0000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reforma  do coro-baixo e execução do túmulo para a princesa D. Joana&lt;br /&gt;
|João  Antunes&lt;br /&gt;
|1699  - 1711&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para a execução da talha da capela-mor   111&lt;br /&gt;
|António  Gomes e José Correia&lt;br /&gt;
|17  de  janeiro de 1725 &lt;br /&gt;
|3:000$300&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para recuo de dois degraus do adro do Convento para ampliação da capela-mor  da igreja &lt;br /&gt;
|Religiosos  de São Domingos&lt;br /&gt;
|10  de janeiro de 1726&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para feitura de várias vidraças&lt;br /&gt;
|Manuel  da Costa Vale&lt;br /&gt;
|30 de dezembro de 1727&lt;br /&gt;
|$060 casa palmo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para o douramento da talha e pintura dos painéis laterais&lt;br /&gt;
|Manuel  da Silva e António José Correia (douramento); Manuel Ferreira e Sousa  (pintura dos painéis)&lt;br /&gt;
|02 de abril de 1729&lt;br /&gt;
|1.050$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Caixotões  do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1731 (data inscrita)&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do órgão da igreja&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|07 de maio de 1739&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Execução  do órgão&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1784&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura do  órgão do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1792&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA. (*) : Obra não realizada. Real: moeda portuguesa à época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tabela 2 ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Artistas no Convento de Jesus  de Aveiro&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Artista&lt;br /&gt;
|Função&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares &lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes (1685)&lt;br /&gt;
|Carpinteiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|João  Antunes (1699-1711)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  Gomes (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|José  Correia (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Costa Vale (1727) &lt;br /&gt;
|Mestre  vidraceiro (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Silva (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (de Coimbra)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  José Correia (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel  Ferreira e Sousa (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pedro  Guimarães (2003)&lt;br /&gt;
|Organeiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alcino  Soutinho (séc. 21)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
Cardoso da Costa, M. M. G. F.. (2011). &#039;&#039;A Colecção de Escultura do Museu de Aveiro – Historial, Proveniência, Constituição.&#039;&#039; 100 anos do Museu de Aveiro (ed. AMUSA).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
G. F. Cardoso da Costa, M. M. (2008-2009). &#039;&#039;A invocação de Nossa Senhora do Rosário no Convento de Jesus de Aveiro - Os Rosários nas coleções do Museu de Aveiro&#039;&#039;. MUSEU, IV(17), 153–170. Círculo Dr. José de Figueiredo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moiteiro, G. C. (2013). &#039;&#039;As dominicanas de Aveiro (c. 1450-1525): Memória e identidade de uma comunidade textual&#039;&#039;. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pereira, P. (2006). &#039;&#039;História da arte portuguesa&#039;&#039; (1a ed. reimpressão). Vol. III. Círculo de Leitores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pereira, M. T. L. (2017). Primeiras Jornadas de História “Os Dominicanos em Portugal (1216-2016)”. Aveiro, Museu Municipal, 29-30 de janeiro de 2016. Lusitania Sacra, (35), 302-304.&lt;br /&gt;
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Rocha, M. J. M. da, &amp;amp; Monterroso, M. J. M.. (2023). &#039;&#039;História da Arquitetura Perspetivas Temáticas (II). Mosteiros e Conventos: Formas de (e para) Habitar&#039;&#039;. CITCEM.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA). &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2255&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Último acesso em 03/05/2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Smith, R. C. (1962). &#039;&#039;A talha em Portugal&#039;&#039;. Livros Horizonte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Santos, D. M. G. dos. (1963). &#039;&#039;O Mosteiro de Jesus de Aveiro&#039;&#039;. Vol. 1/1. Companhia de Diamantes de Angola. Serviços Culturais.&lt;/div&gt;</summary>
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		<title>Convento de Jesus de Aveiro</title>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
[[File:Fachada_do_Convento_de_Jesus_de_Aveiro,_atual_Museu_de_Aveiro_(frente).jpg|thumb|Fachada do Convento de Jesus de Aveiro, atual Museu de Aveiro]]&lt;br /&gt;
[[File:Planta descritiva do Museu de Aveiro.jpg|thumb|349x349px|&#039;&#039;&#039;Planta descritiva do Museu de Aveiro&#039;&#039;&#039;]]&lt;br /&gt;
O Convento de Jesus de Aveiro, também conhecido por Mosteiro de Jesus, localiza-se na União das freguesias de Glória e Vera Cruz, em Aveiro. É atualmente o Museu de Aveiro, também conhecido como Museu de Santa Joana. Nas suas imediações encontram-se a Sé de Aveiro (obra primitiva do século XV), Igreja da Misericórdia de Aveiro, Igreja Carmelita de Aveiro e um dos canais da cidade, da zona do Rossio. [[File:Fachada_do_Convento_de_Jesus_de_Aveiro.jpg|thumb|301x301px|Fachada do Convento de Jesus de Aveiro, atual Museu de Aveiro]]&lt;br /&gt;
O local pertencente à Ordem Dominicana feminina, foi onde a Princesa Joana, filha de Afonso V de Portugal, viveu até morrer no dia 12 de maio (1490), data instituída como feriado municipal, em reconhecimento da sua importância enquanto padroeira da cidade e da diocese. O convento relaciona-se com o culto religioso devido à vida de santidade que a Princesa Joana levou até à sua beatificação em 1693. Mesmo com obras de melhoramento nos séculos seguintes, a clausura foi mantida até 1874. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O edificado é monumento nacional desde 1911. O túmulo da Princesa Joana, a talha dourada preservada da Igreja de Jesus e o retrato da Princesa&lt;br /&gt;
[[File:Retrato_da_Princesa_Santa_Joana.jpg|thumb|306x306px|Retrato da Princesa Santa Joana]]&lt;br /&gt;
são obras que estão ligadas ao espaço, tornando-o numa das arquiteturas mais exemplares da arte portuguesa, principalmente na expressão artística do período Barroco. Existe uma coleção de arte religiosa do século XV ao século XX. A Igreja de Jesus possui um arco gótico próximo do púlpito como marca da continuação da estrutura primitiva. Diferentes linguagens estão presentes no seu revestimento, fruto dos investimentos de famílias nobres tais como os Tavares, os Duques de Aveiro e a Casa Real.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&lt;br /&gt;
=== &amp;lt;u&amp;gt;Convento  de Jesus de Aveiro&amp;lt;/u&amp;gt; ===&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Código SIPA&lt;br /&gt;
|IPA.00002255&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Ordem religiosa&lt;br /&gt;
|Ordem Dominicana feminina&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Outras nomenclaturas&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Jesus, Museu de  Santa Joana ou Museu de Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|País&lt;br /&gt;
|Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Cidade&lt;br /&gt;
|Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Freguesia&lt;br /&gt;
|Freguesia de Glória e Vera  Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Localidade&lt;br /&gt;
|Av. Santa Joana, 3810-329&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coordenadas&lt;br /&gt;
|40.63933292904409,  -8.65095453441705&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
O Museu de Aveiro tem as suas diferentes partes documentadas no Roteiro do Museu desde 1960. O SIPA configura-se como a fonte para as datas referentes à evolução do monumento ao longo da diacronia e dos artífices e artistas que nele trabalharam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Domingos Maurício Gomes dos Santos, na sua obra de 6 volumes intitulada &amp;quot;&#039;&#039;O Mosteiro de Jesus de Aveiro&#039;&#039;&amp;quot;, configura-se como um dos autores que reuniu o maior número de informações sobre esta arquitetura e a sua história, bem como das pessoas com ela relacionadas. Na dimensão do Barroco em edifícios religiosos, Natália Marinho Ferreira Alves disserta sobre o convento e a talha dourada presente na Igreja de Jesus na sua obra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contexto Histórico ==&lt;br /&gt;
Fundado por D. Brites Leitão e D. Mécia Pereira e construído após a autorização para instituição em 1461 por bula papal do Papa Pio II. Sabe-se que a clausura era existente em 1465 desde o princípio de janeiro. Acompanhadas de D. Catarina, essas figuras teriam chegado a Aveiro em 24 de novembro de 1458 e residido em casas junto à atual Catedral, ou seja, no Convento Dominicano ali existente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através do Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA), é possível obter uma sequência cronológica sobre os acontecimentos que envolveram o monumento em estudo. Quanto à sua edificação, destacam-se também os anos de 1459, em que casas na Rua Direita são vendidas a D. Mécia Pereira pelo cônego do Porto, Rodrigo Anes, para fundação do convento. As primeiras freiras desse, segundo esta fonte, teriam recebido o hábito de noviças a 25 dezembro de 1464. A ajuda régia ao local ocorre por esmola anual de 6 mil reais (unidade monetária da época), feita por D. Afonso V (1432-1481) e concedida em 1466.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fontes bibliográficas apontam a data de 1472 como aquela na qual a Princesa-Infanta D. Joana, nascida em 1452, entra no Convento, onde viveu até morrer. “Embora senhora da vila de Aveiro pelos finais do século XV, a infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, decidiu, contra a vontade do pai e da corte, professar como religiosa [...]. No entanto, impedida de o fazer por razões claramente políticas [...], Joana resistiu e manteve-se como secular no convento. [...] será apesar de tudo, após a coroação do irmão como D. João II, aceite finalmente na ordem, fazendo voto de castidade a 25 de novembro de 1481.” (PEREIRA, 2006) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 28 agosto 1472, “D. Afonso V compromete-se a pagar a Aires Gomes as casas que lhe tomara, para incorporar no Mosteiro, bem como o de cercar, madeirar, forrar e ladrilhar o edifício” &#039;&#039;&#039;(&#039;&#039;&#039;SIPA&#039;&#039;&#039;)&#039;&#039;&#039;. Há um testamento feito em 19 de março de 1490 por D. Joana, a aforrar seus escravos e deixando, todos os seus bens ao convento, com exceção de alguns legados. No dia 12 de maio do mesmo ano, falece na Sala ou Casa de Lavor, sendo de imediato reverenciada pelas freiras pela sua santidade, a qual apenas viria a ser oficialmente reconhecida em 1693, com a beatificação da Princesa Joana. D. António de Vasconcelos e Sousa, bispo de Coimbra, procede ao exame do corpo de Santa Joana em 1711 com outras religiosas e o Provincial da Ordem de São Domingos. Em 1777, D. José autoriza que as religiosas designem um juiz executor e um escrivão para a cobrança de rendas e foros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O decreto de 30 de maio de 1834, com Portaria de 4 de junho, durante o período do Liberalismo e com o crescente laicismo nas instituições de poder, dá-se a Extinção das Ordens Religiosas, o que faz com que a clausura termine em 1874 com a morte da última religiosa do local. Natália Marinho Ferreira Alves escreve sobre como os “conventos femininos portugueses nos dão hoje, uma imagem profundamente distorcida, não só do espírito que presidiu à sua fundação, mas também da evolução artística dos próprios edifícios. Para este facto contribuíram a cobiça, o vandalismo e a ignorância que golpearam as instituições religiosas a partir dos inícios do século XIX” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autora destaca a Extinção das Ordens como uma das principais causas para o estado atual das arquiteturas, caracterizando-as como: “Locais de grande prestígio, os conventos acolhiam senhoras da melhor nobreza, inclusivé de sangue real, encontrando-se entre os seus fundadores os próprios monarcas e, como protectoras por excelência, rainhas e infantas. Dispondo de rendimentos de diversa índole, e por vezes avultados, alguns deles, a partir do último quartel do século XVII e durante os dois primeiros terços do século XVIII, sofrem importantes obras de transformação nas suas dependências. Serão as suas igrejas que irão reflectir a feição magnífica e opulenta do barroco com os revestimentos a azulejo e nomeadamente a talha dourada, criando um espaço único, de que são paradigmas as de Jesus e de Santa Clara.” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O convento é convertido no Colégio de Santa Joana para educação de meninas a partir de Portaria do Governo de 30 de maio. Nos anos seguintes é criada a Irmandade de Santa Joana (1877) e o colégio funciona a partir de 1882 como externato para crianças pobres, sendo encerrado em 21 de junho de 1910, quando o local é “fechado e lacrado e os seus bens arrolados e transferidos para o Estado” (COSTA, 2008-2009). Em 1911 é classificado como monumento nacional e transformado em espaço museológico. A portaria de 7 de junho cria legalmente o Museu de Aveiro, sendo João Augusto Marques Gomes nomeado 1º diretor pela portaria a 24 de janeiro de 1915.  Afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. em 29 de março de 2007, o imóvel foi inaugurado a 18 de dezembro de 2008, correspondendo à reabertura do Museu ao público, com um projeto do arquiteto Alcino Soutinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Alterações Arquitetônicas e Intervenções Interiores ==&lt;br /&gt;
Em relação às alterações na estrutura do objeto de estudo antes da beatificação, juntamente com a adição de elementos artísticos à sua estrutura, revelam-se a reedificação da capela-mor em 1592 por Francisco de Tavares, o contrato de 02 de novembro de 1685 para a obra de Domingos Lopes do forro da igreja e a criação de uma capela na Casa de Lavor em 1689 pelo simbolismo do local de falecimento da infanta D. Joana. A 12 de maio de 1694, as festividades em honra da beatificação da Princesa Santa Joana culminam com uma procissão. Logo em seguida ao feito, o arquiteto régio João Antunes realiza em 1699 o risco e executa o túmulo para a princesa na reforma do coro-baixo (RIBEIRO, 2013), perdurando até 1711. Em 23 de outubro deste ano é transladado o corpo da princesa para o túmulo e feitas as expensas a D. Pedro II.&lt;br /&gt;
[[File:Coro-alto da Igreja de Jesus.jpg|thumb|Coro-alto da Igreja de Jesus]]&lt;br /&gt;
Durante o século XVIII, a linguagem do Barroco torna-se fortemente presente com a introdução da talha da capela-mor pelos entalhadores António Gomes e José Correia e com o douramento dela por Manuel da Silva, pintor de Coimbra, e António José Correia, pintor do Porto. Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. Os painéis laterais foram pintados em 1729 por Manuel Ferreira e Sousa, pintor portuense. Outros acontecimentos relevantes são: a produção do órgão da igreja (1739), as ampliações da ala poente do claustro (1743-1744) e a feitura do órgão do coro-alto (1792). Quanto à talha do convento, Robert C. Smith e Natália Alves dissertam sobre ela. “A influência de S. Pedro, de Miragaia, faz-se sentir na opulenta capela do convento de Jesus, em Aveiro, cuja talha foi principiada cerca de 1702, data que se encontra no arco cruzeiro.” (SMITH, 1962, p.84). “Nos anos seguintes [a 1685], a talha dourada prolifera, iniciando-se o processo que levará ao revestimento total do interior, concretizado no século seguinte. Datado de 1702 é o arco cruzeiro, sendo também contemporâneos os retábulos laterais desconhecendo-se, até ao momento, a sua autoria.” (ALVES, 2019). A riqueza da igreja de Jesus de Aveiro, ainda existe na atualidade, segundo Natália Alves “não corresponde de forma alguma à sobriedade da sua arquitectura”. Para ela, interessa “o período que medeia entre os reinados de D. Pedro II (1683-1706) e D. José I (1750-1777) sendo, no entanto, na época de D. João V (1707-1750) que se atingirá o máximo esplendor no interior das igrejas conventuais”. O rei D. João V, portanto, promove a difusão da influência portuguesa no Mundo, auxiliada pela exploração do ouro do Brasil, ao buscar comparar-se à grandeza do Vaticano e à da corte papal. Através de doações, dotes conventuais e mecenas, o luxo e aparato instauram-se nas instituições religiosas, permitindo a aquisição de ilustres obras de arte. &lt;br /&gt;
[[File:Túmulo D. Gabriel de Lencastre.jpg|left|thumb|Túmulo de D. Gabriel de Lencastre]]&lt;br /&gt;
A ala poente do claustro é ampliada durante 1743 e 1744. Em 8 de julho de 1745, ocorre o sepultamento do sétimo duque de Aveiro, D. Gabriel de Lencastre, na Capela de Santo Agostinho. A Capela de Nossa Senhora do Rosário possui um altar em madeira dourada e policromada, com quatorze tábuas de pintura a óleo do século XVII de autoria de António André. Há um altar secundário decorado com baixos-relevos em cera e, ao centro, um conjunto escultórico da Sagrada Família em madeira policromada, albergando a imagem do Menino Jesus deitado em maquineta-relicário do século XVIII. As portas laterais permitiriam o acesso às capelas, aos oratórios e aos espaços de arrumação das alfaias religiosas. A invocação de Nossa Senhora do Rosário nesta capela é justificada por esta ser a invocação mariana predileta dos Dominicanos. (COSTA, 2008-2009). &lt;br /&gt;
[[File:Capela do Senhor dos Passos - Convento de Jesus de Aveiro.jpg|thumb|294x294px|Capela do Senhor dos Passos]]&lt;br /&gt;
A Capela do Senhor dos Passos é construída no século XVIII nas remodelações do convento e, em virtude da devoção pelos mistérios de Cristo terem destaque à época, uma imagem processional do Senhor dos Passos é albergada pelo retábulo (meados do XVIII) em talha dourada. Do lado direito uma porta dava acesso à desaparecida Capela de Santa Maria Madalena. A Sala do Capítulo Velho era o local onde as freiras se reuniam para decidir assuntos referentes à posse, compra, venda e administração dos bens conventuais. Nela recebiam-se as noviças, onde o hábito era tomado, realizavam-se as eleições para nomear a prioresa, local onde se lia a Regra e eram tratadas questões disciplinares. As &#039;&#039;espreitadeiras&#039;&#039; – janelas laterais, possibilitavam que o maior número de religiosas conseguissem assistir aos atos de maior participação. Foi também usado como capela com invocação a Nossa Senhora da Assunção. No interior os retábulos de talha dourada do século XVIII, o teto com molduras em talha dourada e pinturas alusivas à Virgem, foi o local de enterramento das fundadoras do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas por decreto de D. Pedro IV em 1834, o edificado é convertido em Colégio de Educação de meninas a partir de 1874 e transformado à posteriori em espaço museológico em 1911. Com o projeto de Alcino Soutinho, a reabertura ao público do Museu ocorre em 2008. No ano seguinte, em 2009, abre-se a nova Sala de Exposições Temporárias, a biblioteca e a Galeria da Pedra. Em 2015, a Assembleia Municipal de Aveiro delibera a &amp;quot;municipalização&amp;quot; do museu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Dependências do Convento de Jesus ==&lt;br /&gt;
[[File:Claustro - Convento de Jesus.jpg|alt=Claustro renascentista em forma retangular e em pedra de Ançã.|thumb|Claustro - Convento de Jesus]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Claustro -&#039;&#039;&#039; O claustro renascentista é “&#039;&#039;adintelado de dois pisos, desenvolvendo uma colunata jónica de fuste liso com correspondência de finas colunas pseudo-toscanas no piso superior e implantação central de chafariz com obelisco, em área rebaixada. Ao longo do piso térreo rasgam-se capelas de diferentes dimensões com portais arquivoltados e ogivais&#039;&#039;.” (SIPA).&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Refeitório -&#039;&#039;&#039; Localizado na ala nascente, o refeitório possui planta retangular, com um portal gótico-manuelino. Mantém a estrutura para leitura – a tribuna da leitora – é aberta em três vãos com balcão assente em duas colunas com capitéis anelares de folhagem e de lintéis cortados em arco rebaixado, possuindo acesso através de dois degraus. As paredes são revestidas por azulejo coimbrão do tipo rosácea, padrão azul e branco dos séculos XVII-XVIII, o teto é plano, conservando-se as mesas e bancos; a iluminação é feita por janelas em capialço.&lt;br /&gt;
[[File:Sala_de_Lavor_(entrada)_-_Convento_de_Jesus_de_Aveiro.jpg|thumb|Sala de Lavor - Convento de Jesus de Aveiro, atual Museu de Aveiro]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Sala de Lavor -&#039;&#039;&#039; A Sala de Lavor é atualmente revestida a talha e telas pintadas, que são divididas por cartelões. O local instituído desde o principio da clausura era destinado ao bordado de alfaias e paramentos utilizados no culto, ao “trabalho de lavor”. A Princesa Santa Joana é trazida para esse espaço quando adoeceu. Consequentemente é interrompida a sua função original, devido a permanência dela nesse até à sua morte. Posteriormente, o local passou a ser um cartório, onde foi reunida a documentação necessária para o processo canônico de beatificação, concluído em 1693. Um pequeno altar localiza-se na parede de frente à entrada, com uma tela representando a morte de Santa Joana, onde duas mísulas são ladeadas com imaginária. As pinturas narram à vida da Princesa: a chegada a Aveiro até à realização do seu cortejo fúnebre. Sua remodelação decorativa ocorre em 1734, como nos indica a data presente numa cartela da Casa de Lavor, convertendo a sala em capela-relicário.[[File:Fachada do Convento de Jesus de Aveiro, atual Museu de Aveiro (brasão).jpg|left|thumb|Fachada do Convento de Jesus de Aveiro|265x265px]]&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Fachada do Convento -&#039;&#039;&#039; A fachada principal reveste a estrutura primitiva e prolonga o corpo principal do edifício. Com dois registros, que estão divididos por frisos e cinco panos, há uma entrada central do portal nobre circunscrito por pilastras e frontão semicircular interrompido. Nota-se o escudo e coroa real. Enquanto o piso térreo caracteriza-se assimétrico em relação à abertura dos vãos por vezes entaipados, o piso superior com sistema de abertura de pares de janelões retangulares gradeados de frontões interrompidos. Há um entablamento dórico – friso com métopas e triglifos – na parte superior, com correspondência das pilastras da ordem colossal.&lt;br /&gt;
[[File:Igreja_de_Jesus_-_Convento_de_Jesus_de_Aveiro.jpg|thumb|Igreja de Jesus, vista superior a partir do coro alto - Museu de Aveiro]]&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Igreja de Jesus -&#039;&#039;&#039; A Igreja de Jesus possui nave retangular com cobertura em caixotões almofadados, com duas estruturas retabulares e silhar de azulejos decorativos. Órgão junto ao coro, porta de acesso à zona conventual, arco triunfal a pleno centro. A capela-mor é profunda e com cobertura em falsa abóbada de lunetas; portas de acesso às primitivas sacristias existentes nas paredes laterais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja de Jesus, localiza-se conforme texto de O &#039;&#039;Roteiro do Museu de Aveiro&#039;&#039; de 1960, nas páginas 56 à 59: “&#039;&#039;A pequena porta de acesso da capela de Santo Agostinho à igreja, entrevista da nave do templo, apresenta-se como obra mestra do ogival dos fins de quatrocentos. Enquadra-se nos trechos decorativos mais tardios de azulejo, pintura, talha e outra marcenaria, a formar sequente conjunto. Logo em frente a esta porta se depara o monumental órgão da igreja&#039;&#039;[...]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Coro-baixo -&#039;&#039;&#039; O Coro-baixo apresenta o túmulo da princesa Santa Joana, em mármores embutidos policromos ao gosto italiano. Obra realizada entre 1699 e 1711 do arquiteto régio João Antunes (1645-1712) – responsável pelas obras na Igreja de Santa Engrácia em Lisboa, o artista faz o risco e executa o túmulo para a princesa durante a reforma do espaço. Em pavimento de mosaico, a porta de acesso do ante-coro na sala é uma obra de marcenaria engradada e embrechada, com inspiração renascentista.[[File:Coro baixo.jpg|thumb|Coro-baixo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Túmulo da Princesa Santa Joana na Igreja de Jesus, no Convento de Jesus de Aveiro.jpg|thumb|Túmulo da Princesa Santa Joana]]&lt;br /&gt;
Segundo Paulo Pereira (2006): “[O arquiteto João Antunes] Usou os embrechados que na altura se acomodavam ao gosto cortesão e áulico português, por influência italiana. Antunes já experimentara esta solução com excelentes resultados no retábulo da Capela da Quinta do Calhariz, em Sesimbra (de 1683). Conhecedor da técnica e dos oficiais que dominavam a artesania do embutido de pedra-mármore, e certamente com base em algum modelo preexistente hoje difícil de encontrar, projeta a arca, instalando-a suspensa sobre quatro anjos em cada canto e com escultura de uma fênix no eixo. A arca é paralelepipédica, com emolduramento jônico e enrolamento em forma de consolas. No cimo e ao centro, põe um grupo de lavores heráldicos, oferecendo duas fachadas com volutas. O sentido de toda esta obra é, no entanto, mais do que heráldico: é emblemático. São emblemas os anjos que suportam o túmulo, bem como a fênix, símbolo da Ressurreição. Do mesmo modo, a ordem arquitetônica escolhida (o jônico), remete para o gênero feminino, como era de tradição vitruviana, traduzida embora de forma barroca. Do mesmo modo, a inexistência de qualquer imagem identificadora de Santa Joana, substituída pelas armas do reino, ou a de «desmaterialização» da inércia da pedra pela representação dos leves e inefáveis anjinhos-atlantes, perpetua o mistério sagrado que ali se encena: a incorruptibilidade de um corpo santo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferentes artistas foram chamados para executar obras na Igreja de Jesus de Aveiro após a morte da Princesa Joana entre os séculos XVI e XVIII. (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tabela 1 ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;4&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Obras e contratos da Igreja de  Jesus&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Obra&lt;br /&gt;
|Artista/Feitor  da obra&lt;br /&gt;
|Cronologia&lt;br /&gt;
|Custo  em real&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reedificação  da capela-mor&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares&lt;br /&gt;
|1592&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do retábulo-mor&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|24  janeiro de 1668&lt;br /&gt;
|90$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  da obra do forro da igreja&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|02  de novembro de 1685&lt;br /&gt;
|470$0000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reforma  do coro-baixo e execução do túmulo para a princesa D. Joana&lt;br /&gt;
|João  Antunes&lt;br /&gt;
|1699  - 1711&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para a execução da talha da capela-mor   111&lt;br /&gt;
|António  Gomes e José Correia&lt;br /&gt;
|17  de  janeiro de 1725 &lt;br /&gt;
|3:000$300&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para recuo de dois degraus do adro do Convento para ampliação da capela-mor  da igreja &lt;br /&gt;
|Religiosos  de São Domingos&lt;br /&gt;
|10  de janeiro de 1726&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para feitura de várias vidraças&lt;br /&gt;
|Manuel  da Costa Vale&lt;br /&gt;
|30 de dezembro de 1727&lt;br /&gt;
|$060 casa palmo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para o douramento da talha e pintura dos painéis laterais&lt;br /&gt;
|Manuel  da Silva e António José Correia (douramento); Manuel Ferreira e Sousa  (pintura dos painéis)&lt;br /&gt;
|02 de abril de 1729&lt;br /&gt;
|1.050$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Caixotões  do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1731 (data inscrita)&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do órgão da igreja&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|07 de maio de 1739&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Execução  do órgão&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1784&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura do  órgão do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1792&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA. (*) : Obra não realizada. Real: moeda portuguesa à época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tabela 2 ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Artistas no Convento de Jesus  de Aveiro&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Artista&lt;br /&gt;
|Função&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares &lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes (1685)&lt;br /&gt;
|Carpinteiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|João  Antunes (1699-1711)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  Gomes (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|José  Correia (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Costa Vale (1727) &lt;br /&gt;
|Mestre  vidraceiro (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Silva (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (de Coimbra)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  José Correia (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel  Ferreira e Sousa (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pedro  Guimarães (2003)&lt;br /&gt;
|Organeiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alcino  Soutinho (séc. 21)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
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Fonte: SIPA.&lt;br /&gt;
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		<author><name>172.68.102.86</name></author>
	</entry>
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		<title>Convento da Madre de Deus Guimarães</title>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|+&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
!Convento da Madre de Deus - Guimarães&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Rua de D. Domingos da Silva Gonçalves&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Cronologia&lt;br /&gt;
|Séculos XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Classificação&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 8/83, DR, I Série, 19 de 24 janeiro 1983 / Incluído na Zona Especial de Proteção do Núcleo Urbano da Cidade de Guimarães (v. PT010308340101)&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A historiografia e o lugar do Convento na História da Arte ==&lt;br /&gt;
A arquitetura religiosa feminina em Portugal desempenhou, sobretudo a partir do Concílio de Trento, um papel fundamental na organização do espaço urbano, na afirmação simbólica do catolicismo e na gestão social da clausura. O Convento da Madre de Deus de Guimarães inscreve-se nesse universo, revelando, na sua trajetória arquitetónica e funcional, os mecanismos de poder espiritual, familiar e urbano que moldaram o património monástico ao longo da modernidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A historiografia dos conventos femininos em Portugal evoluiu de meros registos patrimoniais para abordagens críticas mais integradas, que hoje reconhecem o valor arquitetónico, social e simbólico destas instituições. (Pereira 2020. pp. 124-131) O interesse pelos conventos femininos começou muitas vezes por motivos práticos: inventários patrimoniais (especialmente após extinção das ordens religiosas em 1834) para registar bens e obras de arte. Posteriormente, nos séculos XIX-XX, começou-se a olhar para estes conventos não apenas como “depósitos” de arte, mas como elementos arquitetónicos e sociais. Atualmente há alguns estudos mais críticos que ligam os conventos à história urbana, ao papel das mulheres e às dinâmicas de poder. No entanto, os conventos femininos ainda estão menos estudados que os masculinos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As determinações do Concílio de Trento (1545–1563) instituíram um novo modelo para a vida religiosa feminina, impondo clausura rigorosa como forma de garantir a pureza doutrinal e moral. Esta mudança refletiu-se profundamente na arquitetura conventual, que passou a privilegiar espaços fechados, controlando o contacto com o exterior (Conde 2015, pp. 235-257). Em Portugal, país marcadamente católico, essas orientações foram seguidas com grande zelo, levando à adaptação de conventos existentes e à fundação de novas casas segundo os princípios tridentinos (Jacquinet 2015, pp. 4-23). As ordens religiosas femininas ganharam novo protagonismo, funcionando como agentes de ortodoxia e como espaços de contenção social. As mulheres da nobreza, frequentemente destinadas à vida religiosa por motivos de devoção ou conveniência familiar, eram acolhidas em conventos que asseguravam educação básica, reforço moral e prestígio social às suas famílias. Servindo muitas vezes como &amp;quot;depósito&amp;quot; de filhas de famílias nobres que não casavam, garantindo alianças políticas e económicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A extinção das ordens religiosas em 1834 (Oliveira 2015, p.17; Silva 2000), decretada no contexto das reformas liberais que colocaram fim ao Antigo Regime, marcou um ponto de rutura na história do Convento da Madre de Deus de Guimarães. As ordens, tanto masculinas como femininas, foram progressivamente extintas, os seus bens confiscados e os espaços conventuais encerrados (Veiga 2019, pp. 113-120). Como em muitas outras casas religiosas, os bens móveis (livros, imagens, objetos litúrgicos) foram dispersos, vendidos ou simplesmente pilhados. A partir da segunda metade do século XIX, muitos conventos foram adaptados a funções civis (escolas, quartéis, prisões, armazéns ou habitação). Estas reutilizações, quase sempre alheias a qualquer preocupação de preservação histórica, resultaram em descaracterizações graves. A história do convento espelha, de forma paradigmática, os ciclos ideológicos que moldaram Portugal. Nos séculos XVII e XVIII, a construção conventual atinge o seu auge, alimentada por uma religiosidade oficial que servia também a construção de uma identidade nacional. Com a ascensão do Liberalismo no século XIX, verifica-se uma ofensiva sobre o património religioso, enquanto símbolo de um poder a combater.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Bases históricas para a análise arquitectónica ==&lt;br /&gt;
[[File:Claustro Convento da Madre de Deus de Guimarães.jpg|alt=Claustro Convento|thumb|Claustro Convento |268x268px]]&lt;br /&gt;
O Convento da Madre de Deus, localizado em Guimarães, atravessou diversas fases marcadas por sucessivas transformações e intervenções, impulsionadas por figuras de grande relevância. Em junho de 1672, D. Catarina de Chagas chegou a Vale de Donas, acompanhada de um grupo de religiosas, iniciando então a recolha de fundos que possibilitaram, em 1683, a sua instalação definitiva no local, então conhecido como Rosal de Santa Isabel (Caldas 1881, p. 206; Oliveira 2011, vol. I, p. 379). Com o objetivo de conferir uma regra canónica à comunidade, partiu para Roma entre 1690 e 1693, disfarçada com trajes masculinos, na tentativa de obter a Regra de Santa Clara. No entanto, faleceu durante a viagem de regresso e as normas por si adquiridas nunca chegaram a ser implementadas. Mais tarde, em janeiro de 1716, através de Breve D. Rodrigo de Moura Teles, arcebispo de Braga, figura de grande influência e promotor de várias instituições religiosas no norte do país (Rocha 2009, p. 172), envolvendo também membros da nobreza e da alta burguesia urbana, como era comum, motivados tanto pela salvação da alma como pelo prestígio social, nomeia, sua irmã Soror Luísa Maria da Conceição (então recolhida no Mosteiro da Madre de Deus de Lisboa), primeira abadessa da nova fundação ([http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1924 SIPA] 2025; Oliveira 2011, vol. I, p. 379). A sua entrada solene no convento de Guimarães ocorreu a 13 de abril do mesmo ano. Até ao seu falecimento, a 1 de abril de 1739, dedicou-se intensamente ao engrandecimento do edifício, promovendo ampliações e melhorias que permitiram elevar o número de recolhidas a trinta e três. A vida conventual era marcada pela clausura rigorosa, a oração e a educação feminina básica (Silva 2019, p. 352), esta prática de fundação conventual respondia ao modelo pós-tridentino, onde o mecenato religioso reforçava a autoridade familiar e a devoção institucional.                        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XIX marcou o início do seu declínio. A interdição do noviciado, em 1833, e a consequente incorporação do convento nos bens da Fazenda Nacional, no ano seguinte, levaram à redução progressiva da comunidade. O falecimento da última religiosa, Soror Maria de São José, em 1888, marcou o encerramento da vida conventual ([https://digitarq.arquivos.pt/documentDetails/3d147f7410b740718a2ff9ae5c5d34a4 DIGITARQ] 2025). O edifício permaneceu ao abandono, sofrendo atos de vandalismo em 1910. Foi apenas em 1918 que o espaço conheceu nova função, quando D. Domingos da Silva Gonçalves, fundador das Oficinas de São José, arrendou o antigo convento com a intenção de o transformar num internato para jovens rapazes em situação de carência (SIPA 2025). Em 1983, o edifício foi classificado como Imóvel de Interesse Público, nos termos do Decreto n.º 8/83, publicado no &#039;&#039;Diário da República&#039;&#039;, n.º 19, de 24 de janeiro (Oliveira 2011, vol. I, p. 383). Sob a liderança de D. Domingos, realizaram-se obras significativas de reabilitação e ampliação, adaptando o conjunto às novas exigências pedagógicas. À data da sua morte, a 4 de junho de 1960, o convento encontrava-se em pleno funcionamento, albergando diversas atividades formativas e educativas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Arquitetura ==&lt;br /&gt;
[[File:Porta lateral igreja.jpg|thumb|Porta de acesso à igreja|267x267px]]&lt;br /&gt;
O Convento, é também conhecido como Igreja do Convento das Capuchinhas ou Centro Juvenil de S. José, atualmente classificado pelo SIPA e protegido como Imóvel de Interesse Público. Está ainda incluído na Zona Especial de Proteção do Núcleo Urbano da Cidade de Guimarães.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Constata-se que, do antigo convento, apenas a igreja e o claustro subsistem sem alterações significativas. As restantes áreas foram alvo de sucessivas transformações, adequando-se às novas funções impostas pelo uso contemporâneo do espaço. O edifício apresenta uma arquitetura de traço austero, refletindo os princípios da chamada &#039;&#039;Arquitetura Chã&#039;&#039;, uma linguagem formal marcada pela simplicidade volumétrica, pela contenção decorativa e pelo funcionalismo. George Kubler teorizou esta tendência em &#039;&#039;A Arquitectura Portuguesa Chã – Entre as Especiarias e os Diamantes – 1521-1706&#039;&#039;, relacionando-a com os ideais pós-tridentinos de modéstia e recato, especialmente evidentes nas ordens religiosas femininas reformadas (Paiva 2014, p. 73). Esta linguagem, amplamente disseminada na arquitetura religiosa portuguesa, distingue-se por uma depuração formal, ausência de ornamentos supérfluos e soluções construtivas sóbrias (Pereira 1992, p. 24). Tais características estão bem evidenciadas no Convento da Madre de Deus, cuja planta retangular, volumes simples e fachadas despojadas conferem expressividade sobretudo pelo equilíbrio e proporção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta longitudinal, com nave única e capela-mor mais estreita e ligeiramente elevada. A configuração corresponde ao tipo de “igreja-caixa” da &#039;&#039;Arquitetura Chã&#039;&#039;, caracterizada por volumes paralelepipédicos e ausência de compartimentação interna, com cobertura em abóbada e transição entre nave e capela-mor marcada por um arco triunfal. Este último elemento, de origem clássica, desempenha uma função simbólica significativa, assinalando a passagem entre espaços de estatuto litúrgico distinto (Rocha 2017, p. 95). O teto da nave é constituído por caixotões de madeira pintados. O púlpito, utilizado para a pregação, localiza-se do lado da Epístola e assenta numa mísula de cantaria, com guarda plena em madeira. De acordo com Pedro Miguel Oliveira Paiva, existiria um acesso direto entre a sacristia e o púlpito, posteriormente entaipado. “&#039;&#039;A igreja teria perdido o acesso ao púlpito e duas janelas da capela-mor em virtude da construção das escadas de acesso para o segundo piso&#039;&#039;” (Paiva 2014, p. 95). Entre a sacristia e a capela-mor encontra-se uma pia de pedra destinada à purificação ritual das mãos pelo celebrante antes do momento da consagração litúrgica. A capela-mor, centro simbólico do espaço sagrado, acolhe o momento da transubstanciação, ou seja, a conversão do pão e do vinho no corpo e sangue de Cristo, num ritual exclusivamente mediado pelo clero masculino (Rocha 2017, p. 95).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Exteriormente, o edifício distingue-se pela predominância de panos murários lisos, sem elementos decorativos, à exceção do portal principal. Este apresenta uma composição mais elaborada, com volutas, pináculos e espaldar de cantaria encimado por uma cruz latina, sinalizando uma discreta influência do gosto barroco. A estrutura decorativa da entrada revela referências à arquitetura clássica, entablamento e cornija saliente, com pilastras de capitéis que reinterpretam a ordem toscana. O portal principal, com verga saliente, insere-se numa composição simétrica, sendo ladeado por duas janelas gradeadas de verga recta. Sobre o portal, ergue-se um nicho em arco de volta perfeita, que acolhe uma imagem devocional, rematado lateralmente por dois pináculos de cantaria que conferem verticalidade e sobriedade ao conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos conventos femininos, o acesso à igreja pelas religiosas fazia-se geralmente por um percurso autónomo, a partir do interior do claustro, conduzindo ao coro-alto (em certos casos, ao coro-baixo). Estas estruturas permitiam às religiosas assistir à missa através de grades, preservando o anonimato e a clausura, sem contacto direto com os fiéis que acediam pela entrada lateral da igreja (Paiva 2014, p. 165).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O conjunto de equipamentos organiza-se em torno de um claustro central de planta retangular. No piso térreo, apresenta arcadas retas com fachadas em granito aparente; no piso superior, abrem-se janelas com varandins em ferro. O claustro assume aqui o seu papel tradicional de espaço de recolhimento, silêncio e oração (Rocha 2017, p. 93). No seu centro destaca-se um chafariz em pedra, datado do século XVIII. Este elemento cumpre funções simbólicas e práticas: além do abastecimento de água, representava purificação e, segundo Pereira (1992, p. 82), reforçava o dramatismo cénico próprio da estética barroca. A estrutura conventual articulava-se em torno deste núcleo, com acesso às diversas dependências (dormitórios, refeitório, cozinha, enfermaria e noviciado), que foram adaptadas ao longo do tempo, sem anular completamente a memória das suas funções originais (Paiva 2014, p. 45).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há ainda a referir, a existência de um terreiro com um cruzeiro datado de 1775, alinhado com a antiga Calçada das Capuchinhas, e pátios ajardinados que integram fontes decoradas com motivos fitomórficos, testemunho discreto da linguagem barroca. No contexto do Barroco, os cruzeiros assumiam-se como elementos de forte carga simbólica, demarcando o território da fé e integrando o espaço público enquanto sinais da presença religiosa, muitas vezes com funções devocionais e cenográficas (Pereira 2022, p. 20). A fachada orientada a nordeste, estabelecia uma ligação visual direta com a muralha e com a torre da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, reforçando o papel simbólico do convento na paisagem monumental de Guimarães (Paiva 2014, p. 71). Esta intencionalidade espacial foi comprometida, no século XIX, pela chegada da linha férrea e pela construção de pavilhões industriais que obscureceram a leitura urbana do edifício. A arquitetura conventual, mais do que mera funcionalidade, deve ser entendida como um discurso simbólico, um verdadeiro “texto tridimensional” que articula valores religiosos, sociais e políticos através do espaço construído.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Mestres de obra identificados ==&lt;br /&gt;
Atualmente podem observar-se marcas que remetem para as várias fases e épocas construtivas que o edifício atravessou. O edifício preserva, na sua estrutura, os vestígios das intervenções sucessivas de mestres-de-obras, arquitetos e pedreiros, que ao longo do tempo foram moldando o traçado, os volumes e a forma do conjunto, testemunhando assim as diversas fases de transformação e adaptação que marcaram a sua história. Embora não existam documentos que nos consigam levar ao conhecimento do arquiteto responsável pela obra, a tese de doutoramento de António José de Oliveira “Clientelas e Artistas em Guimarães nos séculos XVII e XVIII” (2011), permite identificar os principais mestres construtores responsáveis pelas campanhas construtivas mais relevantes do convento durante os séculos XVII e XVIII.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;André Machado&#039;&#039;&#039;, mestre pedreiro de Arões, foi contratado em 1701 para &amp;quot;&#039;&#039;acabar e aperfeiçoar toda a obra de pedraria que faltava por acabar neste convento&#039;&#039;&amp;quot;, incluindo paredes, portas, janelas, pilares e escadas, segundo a traça definida pelas religiosas. A pedra seria proveniente da Quinta de Vila Nova ou do Montinho de São Roque. O contrato previa uma remuneração de &#039;&#039;&#039;450$000 réis&#039;&#039;&#039;, com cláusulas específicas de prazo, qualidade e penalizações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;António de Oliveira&#039;&#039;&#039;, pedreiro residente no lugar da Cividade (freguesia de São Salvador de Joane), foi contratado em 1719 para a construção de um novo dormitório conventual, pelo valor de &#039;&#039;&#039;615$000 réis&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Manuel da Silva&#039;&#039;&#039;, carpinteiro residente na freguesia de Ruivães, assumiu a execução da carpintaria do mesmo dormitório (portas, janelas, ferragens), pelo valor de &#039;&#039;&#039;385$000 réis&#039;&#039;&#039;. Ambos os contratos mencionam a existência de plantas e apontamentos fornecidos pelas religiosas, e a necessidade de revisão da obra por outros oficiais antes do pagamento final.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O património integrado do Convento da Madre de Deus de Guimarães ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento é um exemplo de como a articulação entre arquitetura religiosa e património integrado, entendendo-se este último como o conjunto de bens cuja existência e função estão intrinsecamente ligadas ao edifício onde se encontram inseridos, formam com ele uma unidade indivisível (Calado et al. 2003, p. 5). Entre os elementos integrados mais relevantes, que estão conservados no convento, sobressai o conjunto de azulejaria figurativa setecentista da capela-mor. Composto por seis grandes painéis azuis e brancos, que representam episódios centrais da vida da Sagrada Família (Paiva 2014, p. 99): a Anunciação, o Sonho de São José, a Apresentação no Templo, a Fuga para o Egipto, o Casamento da Virgem e a Adoração dos Pastores e dos Magos (Oliveira 2011, vol. I, p. 382). Estes painéis não só exemplificam a qualidade técnica da produção azulejar lisboeta do século XVIII (Paiva 2014, p. 167), como revelam uma clara intenção pedagógica e devocional, em linha com os ideais pós-tridentinos de catequese visual.[[File:Retábulo capela mor.jpg|thumb|Retábulo Capela-Mor|268x268px]]O &#039;&#039;retábulo-mor&#039;&#039;, em talha policroma a branco, cinza e dourado, apresenta uma composição tripartida, com tribuna central, colunas coríntias e decoração vegetalista (SIPA 2025), adaptado à sensibilidade franciscana capucha. A presença deste elemento exibe uma contenção ornamental equilibrada com a solenidade litúrgica, preservando o ideal de pobreza decorativa sem abdicar do esplendor do espaço sagrado. Outros &#039;&#039;retábulos dourados&#039;&#039; atualmente existentes nas laterais da nave pintados por António Luís e Luís Lopes Pimenta (1739) (Oliveira 2011, p. 382) — dedicados a &#039;&#039;São José&#039;&#039; e a &#039;&#039;Santa Clara&#039;&#039;, não são originais do convento, tendo sido transferidos da Igreja de Santa Clara de Guimarães no século XX (Oliveira 2011, vol. I, p. 382). Ainda assim, a sua integração posterior mostra bem os desafios contemporâneos na gestão e salvaguarda do património integrado: como defende o IPPAR, a dispersão ou substituição destes bens compromete a coerência simbólica e material do espaço arquitetónico (Calado et al. 2003, p. 14).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A compreensão do património integrado do convento exige também uma consciência crítica dos processos históricos de perda e alienação de bens, particularmente após a extinção das ordens religiosas em 1834. Neste contexto, muitos objetos litúrgicos e artísticos foram removidos ou substituídos, comprometendo a “alma do monumento” — isto é, a unidade simbólica entre espaço, objeto e função (Calado et al. 2003, p. 8). A manutenção e valorização dos elementos ainda preservados, como os azulejos e o retábulo-mor, assume, por isso, particular importância no reconhecimento da identidade do edifício. Neste sentido, o Convento da Madre de Deus de Guimarães oferece-se hoje como um exemplo de património religioso onde a persistência de elementos integrados (apesar das vicissitudes institucionais e funcionais), permite ainda uma leitura coerente da sua função original, simbólica e artística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Do &#039;&#039;Complexo de Noé&#039;&#039; à mercantilização: o património entre memória e função ==&lt;br /&gt;
A intervenção no edificado, ilustra de forma clara as tensões entre a preservação patrimonial e a funcionalização contemporânea de edifícios históricos. Ao longo do século XX, alterações urbanas como a abertura de novas avenidas e a formação de núcleos industriais contribuíram para a descaracterização do entorno conventual. O edifício perdeu a sua relação visual e simbólica com o centro histórico, especialmente com a torre da Colegiada da Oliveira, uma rutura paisagística que compromete o valor monumental da sua implantação original. Internamente, o edifício sofreu intervenções que levantam dilemas clássicos do restauro: conservar o original ou reconstituir o passado? A introdução de betão armado e divisórias em materiais modernos, apontam para uma lógica de adaptação funcional, mais do que de conservação criteriosa. Esta realidade insere-se numa crítica mais ampla à chamada “mercantilização do património”, onde edifícios históricos são descontextualizados em nome da utilidade contemporânea. Por outro lado, alguns teóricos apontam ainda para o &#039;&#039;Complexo de Noé&#039;&#039;, ou seja, a tendência de querer salvar tudo sem qualquer hierarquia de valores, (Zerbetto 2007) poderia diluir o verdadeiro significado do património. A reconversão do Convento insere-se numa tendência mais ampla de reutilização de património religioso desativado, comum em Portugal com abordagens diversas, oscilando entre a conservação e a descaracterização profunda. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Convento como palimpsesto: Leitura crítica do espaço atual ==&lt;br /&gt;
O edificado configura-se hoje como um verdadeiro palimpsesto arquitetónico, (Quintão 2023, pp. 29-34) no qual elementos barrocos originais coexistem com intervenções contemporâneas, ora integradas com sensibilidade, ora contrastantes ou dissonantes. A arquitetura contemporânea sobreposta ao espaço conventual manifesta uma relação dialética com a pré-existência: nalguns pontos, respeita a memória do lugar; noutros, obscurece ou apaga os seus significados. Este fenómeno coloca em causa os princípios da intervenção patrimonial, como os estabelecidos na &#039;&#039;&#039;Carta de Veneza&#039;&#039;&#039; ou nas teorias do restauro crítico, que defendem a distinção clara entre o novo e o antigo, preservando a legibilidade histórica dos conjuntos. Neste sentido, o convento pode ser lido como um espaço de memória em disputa, onde algumas marcas resistem (a estrutura, a função simbólica da clausura, os vestígios artísticos), enquanto outras se perderam ou foram reinterpretadas.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Inserção urbana e função social do convento na cidade de Guimarães ==&lt;br /&gt;
Inserido no denso tecido urbano de Guimarães (cidade de forte tradição religiosa e sede de numerosos conventos masculinos e femininos), o Convento da Madre de Deus não funcionava apenas como espaço de clausura, mas também como instrumento de ordenação social, moral e simbólica. A sua localização, ainda que integrada na malha urbana, criava uma espécie de “&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;ilha de clausura&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;”, separada fisicamente, mas influente espiritualmente. De acordo com alguns autores (Oliveira 2011, pp. 379–387), este tipo de conventos femininos reforçava a autoridade da Igreja sobre o espaço urbano, projetando valores de disciplina, recolhimento e pureza sobre o quotidiano das populações. Esta rede prolongava-se até Braga, sede do arcebispado, onde figuras como D. Rodrigo de Moura Teles promoveram ativamente fundações religiosas. O convento de Guimarães poderá assim ser entendido como parte de uma estratégia episcopal mais ampla, com objetivos devocionais, sociais e políticos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Centro Juvenil São José 2025 ==&lt;br /&gt;
O [https://www.cjsj.pt/ Centro Juvenil de São José (CJSJ)] é atualmente uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) sem fins lucrativos, cuja origem remonta às antigas Oficinas de São José, fundadas em 1915 no Convento das Capuchinhas, em Guimarães.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, o CJSJ dedica-se ao acolhimento e à inserção social de crianças e jovens sem apoio familiar ou em risco de exclusão social. As suas principais respostas sociais incluem uma Casa de Acolhimento e um Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental (CAFAP), ambos sediados em Guimarães, bem como uma creche localizada em Felgueiras. Paralelamente, desenvolve projetos como o “Bons Pais, Bons Filhos” e mantém um Alojamento Local (AL), cujas receitas contribuem para a sustentabilidade das suas atividades sociais. Este AL, tem como objetivo principal apoiar jovens oriundos dos PALOP, que se encontram em dificuldades financeiras, ajudando-os a ajustarem-se à realidade económica e social portuguesa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A missão do Centro assenta na intervenção para a reintegração social, colocando as necessidades da criança e do jovem no centro da sua ação, promovendo a sua inclusão e bem-estar. Embora o edifício tenha perdido o seu contexto religioso original, permanece impregnado de espiritualidade e do compromisso com o próximo, valores fundamentais da doutrina cristã que continuam vivos. Este espaço assume-se, assim, como um lugar de memória histórica, sustentado por princípios de fé, de purificação da alma e de amor ao próximo.&amp;lt;gallery class=&amp;quot;[[File:Sepultura Soror Soror Luísa Maria da Conceição.jpg|thumb|]]&amp;quot; style=&amp;quot;[[File:Sepultura Soror Soror Luísa Maria da Conceição.jpg|thumb|]]&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Sala Interior Oficinas de São José.jpg|&#039;&#039;Sala Interior Oficinas de São José&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Interior Oficinas de São José (Corredor).jpg|&#039;&#039;Interior Oficinas de São José (Corredor)&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Refeitório Oficinas de São José.jpg|&#039;&#039;Refeitório Oficinas de São José&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Galeria Convento: ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Sacristia - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Sacristia&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Nave - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Nave&#039;&#039; &lt;br /&gt;
File:Cruzeiro - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Cruzeiro&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Chafariz - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Chafariz&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Púlpito - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Púlpito&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Pia Sacristia - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Pia Sacristia&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Painéis azulejares - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Painéis Azulejares&#039;&#039; &lt;br /&gt;
File:Capela-mor - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Capela-mor&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Retábulo São José - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Retábulo de São José&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Retábulo Santa Clara - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Retábulo Santa Clara&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Túmulo D. Domingos - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Túmulo D. Domingos&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Grade Coro-Alto - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Grade Coro-Alto&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Sepultura Soror Soror Luísa Maria da Conceição.jpg|&#039;&#039;Sepultura Soror Luísa Maria da Conceição&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Placa sepultura.jpg|&#039;&#039;Placa sepultura&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Anexos imagens: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
© PAIVA, Pedro Miguel Oliveira (2014).&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Estudo de vãos.jpg&lt;br /&gt;
File:Desenhos 3d.jpg&lt;br /&gt;
File:Fig- 32, 33, 34.jpg&lt;br /&gt;
File:Desenho baixo relevo.jpg&lt;br /&gt;
File:Vista aérea convento desenho.jpg&lt;br /&gt;
File:Manuscrito e cartografia.jpg&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
© OLIVEIRA, António José de (2011).&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Pag. 128.jpg&lt;br /&gt;
File:Pag. 129.jpg&lt;br /&gt;
File:Pag. 130.jpg&lt;br /&gt;
File:Pag. 131.jpg&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Bibliografia e Fontes: ==&lt;br /&gt;
ALVES-FERREIRA, Natália M. (2009). Os Franciscanos no Mundo Português. Artistas e Obras I. CEPESE.  ISBN: 978-989-95922-8-5. ROCHA, Manuel Joaquim (2009). Panorama Artístico no Século XVIII dos Conventos Franciscanos Femininos em Braga. Tópicos para uma Abordagem. pp. 170-176.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CALADO, Luís Ferreira &amp;amp; LEITE, Joaquim Passos &amp;amp; PEREIRA, Paulo (2003). Direção do IPPAR.  Património Integrado: Ou a Alma dos Monumentos. Património Estudos - Conservação e Restauro de Património Integrado. Instituto Português do Património Arquitetónico. Ministério da Cultura. ISSN 1645-2453.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CALDAS, Padre Antonio José Ferreira  (1881). Guimarães: Apontamentos para a sua história. Volume I. Porto - Typ. de A. J. da Silva Teixeira - 31761071501647 - &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://archive.org/details/guimaresaponta01ferr/mode/2up&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CONDE, Antónia Fialho (2015). O reforço da clausura no mundo monástico feminino em Portugal e a ação disciplinadora de Trento. In: TORREMOCHA HERNÁNDEZ, Margarita; DRUMOND BRAGA, Isabel (coords.). As mulheres perante os tribunais do Antigo Regime na Península Ibérica. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, pp. 235–257. ISBN: 978-989-26-1033-7.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
JACQUINET, Maria Luísa (2015). Corpos de Clausura. Reflexões Sobre a Arquitetura Monástica Feminina na Época Moderna. digitAR – Revista Digital de Arqueologia, Arquitetura e Artes, n.º 2, pp. 229–237.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
KUBLER, George (1988). A Arquitectura Portuguesa Chã - Entre as Especiarias e os Diamantes - 1521-1706. Vega.  ISBN: 0082000115657. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
KÜHL, Beatriz Mugayar (2010). “Notas Sobre a Carta de Veneza.” Anais Do Museu Paulista, vol. 18, no. 2, pp. 287–320, &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://doi.org/10.1590/S0101-47142010000200008&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
LAGE, Ana Cristina P. (2020). Semelhanças e diferenças entre conventos e recolhimentos femininos da América Portuguesa. Revista Antíteses, vol. 13, n.º 25, Universidade Estadual de Londrina, pp. 671–698&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
OLIVEIRA, António José de (2011). Clientelas e Artistas em Guimarães nos séculos XVII e XVIII. Tese de Doutoramento em História da Arte Portuguesa. Volume I, II, III. Faculdade de Letras da Universidade do Porto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
OLIVEIRA, Miguel de (2015). História Eclesiástica de Portugal. Imprensa Nacional-Casa da Moeda, p. 17. ISBN: 978-972-27-2191-2.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PAIVA, Pedro Miguel Oliveira (2014). Antigo Convento das Capuchinhas em Guimarães: Análise retrospetiva do edifício. Tese de Mestrado Cultura arquitetónica / História da Arquitetura. Universidade do Minho / Escola de Arquitectura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PEREIRA, António Luís (2022). Revista Memória Rural, número 5. Testemunhos Materiais da Fé e da Religiosidade Popular: Cruzes, Cruzeiros, Vias-Sacras, Nichos e Alminhas do Concelho de Carrazeda de Ansiães, pp. 8-75.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PEREIRA, José Fernandes (1992). Arquitetura Barroca em Portugal. Biblioteca Breve - Série Artes Visuais.  ISBN: 9725661710.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PEREIRA de Sousa, Ítalo, and Mariana Zerbone Alves de Albuquerque (2024). “PATRIMÔNIOS HISTÓRICOS E O ENQUADRAMENTO DE MEMÓRIA: LUGARES DE MEMÓRIA PARA TODOS?” Revista Eletrônica Trilhas Da História (Online), vol. 13, no. 26, pp. 221–45, &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://doi.org/10.55028/th.v13i26.20382&amp;lt;/nowiki&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
QUINTÃO, José C. Vasconcelos (2023). Palimpsestos. In: História da Arquitetura. Perspetivas Temáticas (II). Mosteiros e Conventos: Formas de (e para) Habitar. Publicação póstuma. Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto; CEAU, pp. 29–34.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da (2001). A adopção do barroco nas igrejas conventuais femininas de Braga no pontificado de D. Rodrigo de Moura Teles : diálogos artísticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da (2006). O Mosteiro-cidade na Génese e Desenvolvimento Urbano: Uma Interpretação do Espaço. Revista da Faculdade de Letras. Ciências e Técnicas do Património. Porto 2006-2007. I série, Vol. V-VI, pp. 527-548.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ROCHA, Manuel Joaquim (2017). A retórica do espaço na arquitetura religiosa portuguesa nos séculos XVI a XVIII. QUINTANA Nº16 2017. ISSN 1579-7414. pp. 79-102.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SILVA, Alex Rogério (2019). «Espaços de reclusão: a vida conventual feminina em Portugal nos séculos XVI e XVII». CLIO: Revista Pesquisa Histórica, vol. 37, n.&amp;lt;sup&amp;gt;o&amp;lt;/sup&amp;gt; 2, pp. 351–93.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VEIGA, Francisca Branco (2019). 1832–1834: Regência de D. Pedro em nome de sua filha D. Maria da Glória: fim do governo temporal da Igreja Católica e das Ordens Religiosas em Portugal. In: SOARES, Clara Moura; MALTA, Marize (eds.). D. Maria II, princesa do Brasil, rainha de Portugal: Arte, Património e Identidade. Lisboa: Palácio Nacional da Ajuda, pp. 113–120. ISBN: 978-972-27-1234-7.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Archeevo - &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://archeevo.amap.pt/descriptions/306585&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA - &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1924&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Torre do Tombo: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=4224358&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.102.86</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_Jesus_de_Aveiro&amp;diff=802</id>
		<title>Convento de Jesus de Aveiro</title>
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		<updated>2025-05-27T05:04:07Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.102.86: Ed8&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
[[File:Fachada_Convento_de_Jesus.jpg|thumb]]&lt;br /&gt;
O Convento de Jesus de Aveiro, também conhecido por Mosteiro de Jesus, localiza-se na União das freguesias de Glória e Vera Cruz, em Aveiro. É atualmente o Museu de Aveiro, também conhecido como Museu de Santa Joana. Nas suas imediações encontram-se a Sé de Aveiro (obra primitiva do século XV), Igreja da Misericórdia de Aveiro, Igreja Carmelita de Aveiro e um dos canais da cidade, da zona do Rossio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O local pertencente à Ordem Dominicana feminina, foi onde a Princesa Joana, filha de Afonso V de Portugal, viveu até morrer no dia 12 de maio (1490), data instituída como feriado municipal, em reconhecimento da sua importância enquanto padroeira da cidade e da diocese. O convento relaciona-se com o culto religioso devido à vida de santidade que a Princesa Joana levou até à sua beatificação em 1693. Mesmo com obras de melhoramento nos séculos seguintes, a clausura foi mantida até 1874. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O edificado é monumento nacional desde 1911. O túmulo da Princesa Joana, a talha dourada preservada da Igreja de Jesus e o retrato da Princesa são obras que estão ligadas ao espaço, tornando-o numa das arquiteturas mais exemplares da arte portuguesa, principalmente na expressão artística do período Barroco. Existe uma coleção de arte religiosa do século XV ao século XX. A Igreja de Jesus possui um arco gótico próximo do púlpito como marca da continuação da estrutura primitiva. Diferentes linguagens estão presentes no seu revestimento, fruto dos investimentos de famílias nobres tais como os Tavares, os Duques de Aveiro e a Casa Real.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&lt;br /&gt;
=== &amp;lt;u&amp;gt;Convento  de Jesus de Aveiro&amp;lt;/u&amp;gt; ===&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Código SIPA&lt;br /&gt;
|IPA.00002255&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Ordem religiosa&lt;br /&gt;
|Ordem Dominicana feminina&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Outras nomenclaturas&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Jesus, Museu de  Santa Joana ou Museu de Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|País&lt;br /&gt;
|Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Cidade&lt;br /&gt;
|Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Freguesia&lt;br /&gt;
|Freguesia de Glória e Vera  Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Localidade&lt;br /&gt;
|Av. Santa Joana, 3810-329&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coordenadas&lt;br /&gt;
|40.63933292904409,  -8.65095453441705&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
O Museu de Aveiro tem as suas diferentes partes documentadas no Roteiro do Museu desde 1960. O SIPA configura-se como a fonte para as datas referentes à evolução do monumento ao longo da diacronia e dos artifícies e artistas que nele trabalharam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Domingos Maurício Gomes dos Santos, na sua obra de 6 volumes intitulada &amp;quot;&#039;&#039;O Mosteiro de Jesus de Aveiro&#039;&#039;&amp;quot;, configura-se como um dos autores que reuniu o maior número de informações sobre esta arquitetura e a sua história, bem como das pessoas com ela relacionadas. Na dimensão do Barroco em edifícios religiosos, Natália Marinho Ferreira Alves disserta sobre o convento e a talha dourada presente na Igreja de Jesus na sua obra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contexto Histórico ==&lt;br /&gt;
Fundado por D. Brites Leitão e D. Mécia Pereira e construído após a autorização para instituição em 1461 por bula papal do Papa Pio II. Sabe-se que a clausura era existente em 1465 desde o princípio de janeiro. Acompanhadas de D. Catarina, essas figuras teriam chegado a Aveiro em 24 de novembro de 1458 e residido em casas junto à atual Catedral, ou seja, no Convento Dominicano ali existente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através do Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA), é possível obter uma sequência cronológica sobre os acontecimentos que envolveram o monumento em estudo. Quanto à sua edificação, destacam-se também os anos de 1459, em que casas na Rua Direita são vendidas a D. Mécia Pereira pelo cônego do Porto, Rodrigo Anes, para fundação do convento. As primeiras freiras desse, segundo esta fonte, teriam recebido o hábito de noviças a 25 dezembro de 1464. A ajuda régia ao local ocorre por esmola anual de 6 mil reais (unidade monetária da época), feita por D. Afonso V (1432-1481) e concedida em 1466.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fontes bibliográficas apontam a data de 1472 como aquela na qual a Princesa-Infanta D. Joana, nascida em 1452, entra no Convento, onde viveu até morrer. “Embora senhora da vila de Aveiro pelos finais do século XV, a infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, decidiu, contra a vontade do pai e da corte, professar como religiosa [...]. No entanto, impedida de o fazer por razões claramente políticas [...], Joana resistiu e manteve-se como secular no convento. [...] será apesar de tudo, após a coroação do irmão como D. João II, aceite finalmente na ordem, fazendo voto de castidade a 25 de novembro de 1481.” (PEREIRA, 2006) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 28 agosto 1472, “D. Afonso V compromete-se a pagar a Aires Gomes as casas que lhe tomara, para incorporar no Mosteiro, bem como o de cercar, madeirar, forrar e ladrilhar o edifício” &#039;&#039;&#039;(&#039;&#039;&#039;SIPA&#039;&#039;&#039;)&#039;&#039;&#039;. Há um testamento feito em 19 de março de 1490 por D. Joana, a aforrar seus escravos e deixando, todos os seus bens ao convento, com exceção de alguns legados. No dia 12 de maio do mesmo ano, falece na Sala ou Casa de Lavor, sendo de imediato reverenciada pelas freiras pela sua santidade, a qual apenas viria a ser oficialmente reconhecida em 1693, com a beatificação da Princesa Joana. D. António de Vasconcelos e Sousa, bispo de Coimbra, procede ao exame do corpo de Santa Joana em 1711 com outras religiosas e o Provincial da Ordem de São Domingos. Em 1777, D. José autoriza que as religiosas designem um juiz executor e um escrivão para a cobrança de rendas e foros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O decreto de 30 de maio de 1834, com Portaria de 4 de junho, durante o período do Liberalismo e com o crescente laicismo nas instituições de poder, dá-se a Extinção das Ordens Religiosas, o que faz com que a clausura termine em 1874 com a morte da última religiosa do local. Natália Marinho Ferreira Alves escreve sobre como os “conventos femininos portugueses nos dão hoje, uma imagem profundamente distorcida, não só do espírito que presidiu à sua fundação, mas também da evolução artística dos próprios edifícios. Para este facto contribuíram a cobiça, o vandalismo e a ignorância que golpearam as instituições religiosas a partir dos inícios do século XIX” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autora destaca a Extinção das Ordens como uma das principais causas para o estado atual das arquiteturas, caracterizando-as como: “Locais de grande prestígio, os conventos acolhiam senhoras da melhor nobreza, inclusivé de sangue real, encontrando-se entre os seus fundadores os próprios monarcas e, como protectoras por excelência, rainhas e infantas. Dispondo de rendimentos de diversa índole, e por vezes avultados, alguns deles, a partir do último quartel do século XVII e durante os dois primeiros terços do século XVIII, sofrem importantes obras de transformação nas suas dependências. Serão as suas igrejas que irão reflectir a feição magnífica e opulenta do barroco com os revestimentos a azulejo e nomeadamente a talha dourada, criando um espaço único, de que são paradigmas as de Jesus e de Santa Clara.” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O convento é convertido no Colégio de Santa Joana para educação de meninas a partir de Portaria do Governo de 30 de maio. Nos anos seguintes é criada a Irmandade de Santa Joana (1877) e o colégio funciona a partir de 1882 como externato para crianças pobres, sendo encerrado em 21 de junho de 1910, quando o local é “fechado e lacrado e os seus bens arrolados e transferidos para o Estado” (COSTA, 2008-2009). Em 1911 é classificado como monumento nacional e transformado em espaço museológico. A portaria de 7 de junho cria legalmente o Museu de Aveiro, sendo João Augusto Marques Gomes nomeado 1º diretor pela portaria a 24 de janeiro de 1915.  Afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. em 29 de março de 2007, o imóvel foi inaugurado a 18 de dezembro de 2008, correspondendo à reabertura do Museu ao público, com um projeto do arquiteto Alcino Soutinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Alterações Arquitetônicas e Intervenções Interiores ==&lt;br /&gt;
Em relação às alterações na estrutura do objeto de estudo antes da beatificação, juntamente com a adição de elementos artísticos à sua estrutura, revelam-se a reedificação da capela-mor em 1592 por Francisco de Tavares, o contrato de 02 de novembro de 1685 para a obra de Domingos Lopes do forro da igreja e a criação de uma capela na Casa de Lavor em 1689 pelo simbolismo do local de falecimento da infanta D. Joana. A 12 de maio de 1694, as festividades em honra da beatificação da Princesa Santa Joana culminam com uma procissão. Logo em seguida ao feito, o arquiteto régio João Antunes realiza em 1699 o risco e executa o túmulo para a princesa na reforma do coro-baixo (RIBEIRO, 2013), perdurando até 1711. Em 23 de outubro deste ano é transladado o corpo da princesa para o túmulo e feitas as expensas a D. Pedro II.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o século XVIII, a linguagem do Barroco torna-se fortemente presente com a introdução da talha da capela-mor pelos entalhadores António Gomes e José Correia e com o douramento dela por Manuel da Silva, pintor de Coimbra, e António José Correia, pintor do Porto. Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. Os painéis laterais foram pintados em 1729 por Manuel Ferreira e Sousa, pintor portuense. Outros acontecimentos relevantes são: a produção do órgão da igreja (1739), as ampliações da ala poente do claustro (1743-1744) e a feitura do órgão do coro-alto (1792). Quanto à talha do convento, Robert C. Smith e Natália Alves dissertam sobre ela. “A influência de S. Pedro, de Miragaia, faz-se sentir na opulenta capela do convento de Jesus, em Aveiro, cuja talha foi principiada cerca de 1702, data que se encontra no arco cruzeiro.” (SMITH, 1962, p.84). “Nos anos seguintes [a 1685], a talha dourada prolifera, iniciando-se o processo que levará ao revestimento total do interior, concretizado no século seguinte. Datado de 1702 é o arco cruzeiro, sendo também contemporâneos os retábulos laterais desconhecendo-se, até ao momento, a sua autoria.” (ALVES, 2019). A riqueza da igreja de Jesus de Aveiro, ainda existe na atualidade, segundo Natália Alves “não corresponde de forma alguma à sobriedade da sua arquitectura”. Para ela, interessa “o período que medeia entre os reinados de D. Pedro II (1683-1706) e D. José I (1750-1777) sendo, no entanto, na época de D. João V (1707-1750) que se atingirá o máximo esplendor no interior das igrejas conventuais”. O rei D. João V, portanto, promove a difusão da influência portuguesa no Mundo, auxiliada pela exploração do ouro do Brasil, ao buscar comparar-se à grandeza do Vaticano e à da corte papal. Através de doações, dotes conventuais e mecenas, o luxo e aparato instauram-se nas instituições religiosas, permitindo a aquisição de ilustres obras de arte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ala poente do claustro é ampliada durante 1743 e 1744. Em 8 de julho de 1745, ocorre o sepultamento do sétimo duque de Aveiro, D. Gabriel de Lencastre, na Capela de Santo Agostinho. A Capela de Nossa Senhora do Rosário possui um altar em madeira dourada e policromada, com quatorze tábuas de pintura a óleo do século XVII de autoria de António André. Há um altar secundário decorado com baixos-relevos em cera e, ao centro, um conjunto escultórico da Sagrada Família em madeira policromada, albergando a imagem do Menino Jesus deitado em maquineta-relicário do século XVIII. As portas laterais permitiriam o acesso às capelas, aos oratórios e aos espaços de arrumação das alfaias religiosas. A invocação de Nossa Senhora do Rosário nesta capela é justificada por esta ser a invocação mariana predileta dos Dominicanos. (COSTA, 2008-2009). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Capela do Senhor dos Passos é construída no século XVIII nas remodelações do convento e, em virtude da devoção pelos mistérios de Cristo terem destaque à época, uma imagem processional do Senhor dos Passos é albergada pelo retábulo (meados do XVIII) em talha dourada. Do lado direito uma porta dava acesso à desaparecida Capela de Santa Maria Madalena. A Sala do Capítulo Velho era o local onde as freiras se reuniam para decidir assuntos referentes à posse, compra, venda e administração dos bens conventuais. Nela recebiam-se as noviças, onde o hábito era tomado, realizavam-se as eleições para nomear a prioresa, local onde se lia a Regra e eram tratadas questões disciplinares. As &#039;&#039;espreitadeiras&#039;&#039; – janelas laterais, possibilitavam que o maior número de religiosas conseguissem assistir aos atos de maior participação. Foi também usado como capela com invocação a Nossa Senhora da Assunção. No interior os retábulos de talha dourada do século XVIII, o teto com molduras em talha dourada e pinturas alusivas à Virgem, foi o local de enterramento das fundadoras do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas por decreto de D. Pedro IV em 1834, o edificado é convertido em Colégio de Educação de meninas a partir de 1874 e transformado à posteriori em espaço museológico em 1911. Com o projeto de Alcino Soutinho, a reabertura ao público do Museu ocorre em 2008. No ano seguinte, em 2009, abre-se a nova Sala de Exposições Temporárias, a biblioteca e a Galeria da Pedra. Em 2015, a Assembleia Municipal de Aveiro delibera a &amp;quot;municipalização&amp;quot; do museu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Dependências do Convento de Jesus ==&lt;br /&gt;
[[File:Claustro - Convento de Jesus.jpg|alt=Claustro renascentista em forma retangular e em pedra de Ançã.|thumb|&#039;&#039;&#039;Claustro - Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Claustro -&#039;&#039;&#039; O claustro renascentista é “&#039;&#039;adintelado de dois pisos, desenvolvendo uma colunata jónica de fuste liso com correspondência de finas colunas pseudo-toscanas no piso superior e implantação central de chafariz com obelisco, em área rebaixada. Ao longo do piso térreo rasgam-se capelas de diferentes dimensões com portais arquivoltados e ogivais&#039;&#039;.” (SIPA).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Refeitório -&#039;&#039;&#039; Localizado na ala nascente, o refeitório possui planta retangular, com um portal gótico-manuelino. Mantém a estrutura para leitura – a tribuna da leitora – é aberta em três vãos com balcão assente em duas colunas com capitéis anelares de folhagem e de lintéis cortados em arco rebaixado, possuindo acesso através de dois degraus. As paredes são revestidas por azulejo coimbrão do tipo rosácea, padrão azul e branco dos séculos XVII-XVIII, o teto é plano, conservando-se as mesas e bancos; a iluminação é feita por janelas em capialço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Coro-baixo -&#039;&#039;&#039; O Coro-baixo apresenta o túmulo da princesa Santa Joana, em mármores embutidos policromos ao gosto italiano. Obra realizada entre 1699 e 1711 do arquiteto régio João Antunes (1645-1712) – responsável pelas obras na Igreja de Santa Engrácia em Lisboa, o artista faz o risco e executa o túmulo para a princesa durante a reforma do espaço. Em pavimento de mosaico, a porta de acesso do ante-coro na sala é uma obra de marcenaria engradada e embrechada, com inspiração renascentista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Paulo Pereira (2006): “[O arquiteto João Antunes] Usou os embrechados que na altura se acomodavam ao gosto cortesão e áulico português, por influência italiana. Antunes já experimentara esta solução com excelentes resultados no retábulo da Capela da Quinta do Calhariz, em Sesimbra (de 1683). Conhecedor da técnica e dos oficiais que dominavam a artesania do embutido de pedra-mármore, e certamente com base em algum modelo preexistente hoje difícil de encontrar, projeta a arca, instalando-a suspensa sobre quatro anjos em cada canto e com escultura de uma fênix no eixo. A arca é paralelepipédica, com emolduramento jônico e enrolamento em forma de consolas. No cimo e ao centro, põe um grupo de lavores heráldicos, oferecendo duas fachadas com volutas. O sentido de toda esta obra é, no entanto, mais do que heráldico: é emblemático. São emblemas os anjos que suportam o túmulo, bem como a fênix, símbolo da Ressurreição. Do mesmo modo, a ordem arquitetônica escolhida (o jônico), remete para o gênero feminino, como era de tradição vitruviana, traduzida embora de forma barroca. Do mesmo modo, a inexistência de qualquer imagem identificadora de Santa Joana, substituída pelas armas do reino, ou a de «desmaterialização» da inércia da pedra pela representação dos leves e inefáveis anjinhos-atlantes, perpetua o mistério sagrado que ali se encena: a incorruptibilidade de um corpo santo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Sala de Lavor -&#039;&#039;&#039; A Sala de Lavor é atualmente revestida a talha e telas pintadas, que são divididas por cartelões. O local instituído desde o principio da clausura era destinado ao bordado de alfaias e paramentos utilizados no culto, ao “trabalho de lavor”. A Princesa Santa Joana é trazida para esse espaço quando adoeceu. Consequentemente é interrompida a sua função original, devido a permanência dela nesse até à sua morte. Posteriormente, o local passou a ser um cartório, onde foi reunida a documentação necessária para o processo canônico de beatificação, concluído em 1693. Um pequeno altar localiza-se na parede de frente à entrada, com uma tela representando a morte de Santa Joana, onde duas mísulas são ladeadas com imaginária. As pinturas narram à vida da Princesa: a chegada a Aveiro até à realização do seu cortejo fúnebre. Sua remodelação decorativa ocorre em 1734, como nos indica a data presente numa cartela da Casa de Lavor, convertendo a sala em capela-relicário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Fachada do Convento -&#039;&#039;&#039; A fachada principal reveste a estrutura primitiva e prolonga o corpo principal do edifício. Com dois registros, que estão divididos por frisos e cinco panos, há uma entrada central do portal nobre circunscrito por pilastras e frontão semicircular interrompido. Nota-se o escudo e coroa real. Enquanto o piso térreo caracteriza-se assimétrico em relação à abertura dos vãos por vezes entaipados, o piso superior com sistema de abertura de pares de janelões retangulares gradeados de frontões interrompidos. Há um entablamento dórico – friso com métopas e triglifos – na parte superior, com correspondência das pilastras da ordem colossal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Igreja de Jesus -&#039;&#039;&#039; A Igreja de Jesus possui nave retangular com cobertura em caixotões almofadados, com duas estruturas retabulares e silhar de azulejos decorativos. Órgão junto ao coro, porta de acesso à zona conventual, arco triunfal a pleno centro. A capela-mor é profunda e com cobertura em falsa abóbada de lunetas; portas de acesso às primitivas sacristias existentes nas paredes laterais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja de Jesus, localiza-se conforme texto de O &#039;&#039;Roteiro do Museu de Aveiro&#039;&#039; de 1960, nas páginas 56 à 59: “&#039;&#039;A pequena porta de acesso da capela de Santo Agostinho à igreja, entrevista da nave do templo, apresenta-se como obra mestra do ogival dos fins de quatrocentos. Enquadra-se nos trechos decorativos mais tardios de azulejo, pintura, talha e outra marcenaria, a formar sequente conjunto. Logo em frente a esta porta se depara o monumental órgão da igreja&#039;&#039;[...]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferentes artistas foram chamados para executar obras na Igreja de Jesus de Aveiro após a morte da Princesa Joana entre os séculos XVI e XVIII. (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tabela 1 ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;4&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Obras e contratos da Igreja de  Jesus&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Obra&lt;br /&gt;
|Artista/Feitor  da obra&lt;br /&gt;
|Cronologia&lt;br /&gt;
|Custo  em real&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reedificação  da capela-mor&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares&lt;br /&gt;
|1592&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do retábulo-mor&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|24  janeiro de 1668&lt;br /&gt;
|90$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  da obra do forro da igreja&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|02  de novembro de 1685&lt;br /&gt;
|470$0000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reforma  do coro-baixo e execução do túmulo para a princesa D. Joana&lt;br /&gt;
|João  Antunes&lt;br /&gt;
|1699  - 1711&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para a execução da talha da capela-mor   111&lt;br /&gt;
|António  Gomes e José Correia&lt;br /&gt;
|17  de  janeiro de 1725 &lt;br /&gt;
|3:000$300&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para recuo de dois degraus do adro do Convento para ampliação da capela-mor  da igreja &lt;br /&gt;
|Religiosos  de São Domingos&lt;br /&gt;
|10  de janeiro de 1726&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para feitura de várias vidraças&lt;br /&gt;
|Manuel  da Costa Vale&lt;br /&gt;
|30 de dezembro de 1727&lt;br /&gt;
|$060 casa palmo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para o douramento da talha e pintura dos painéis laterais&lt;br /&gt;
|Manuel  da Silva e António José Correia (douramento); Manuel Ferreira e Sousa  (pintura dos painéis)&lt;br /&gt;
|02 de abril de 1729&lt;br /&gt;
|1.050$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Caixotões  do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1731 (data inscrita)&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do órgão da igreja&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|07 de maio de 1739&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Execução  do órgão&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1784&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura do  órgão do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1792&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA. (*) : Obra não realizada. Real: moeda portuguesa à época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tabela 2 ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Artistas no Convento de Jesus  de Aveiro&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Artista&lt;br /&gt;
|Função&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares &lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes (1685)&lt;br /&gt;
|Carpinteiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|João  Antunes (1699-1711)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  Gomes (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|José  Correia (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Costa Vale (1727) &lt;br /&gt;
|Mestre  vidraceiro (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Silva (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (de Coimbra)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  José Correia (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel  Ferreira e Sousa (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pedro  Guimarães (2003)&lt;br /&gt;
|Organeiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alcino  Soutinho (séc. 21)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA.&lt;br /&gt;
----Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA). &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2255&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Último acesso em 03/05/2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pereira, Paulo (2006). &#039;&#039;História da arte portuguesa&#039;&#039; (1a ed. reimpressão). Vol. III. Círculo de Leitores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
G. F. Cardoso da Costa, M. M. (2008-2009). &#039;&#039;A invocação de Nossa Senhora do Rosário no Convento de Jesus de Aveiro - Os Rosários nas coleções do Museu de Aveiro&#039;&#039;. MUSEU, IV(17), 153–170. Círculo Dr. José de Figueiredo.&lt;/div&gt;</summary>
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