<?xml version="1.0"?>
<feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xml:lang="pt">
	<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/api.php?action=feedcontributions&amp;feedformat=atom&amp;user=172.68.102.88</id>
	<title>Porto Barroco - Contribuições do utilizador [pt]</title>
	<link rel="self" type="application/atom+xml" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/api.php?action=feedcontributions&amp;feedformat=atom&amp;user=172.68.102.88"/>
	<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php/Especial:Contribui%C3%A7%C3%B5es/172.68.102.88"/>
	<updated>2026-05-26T15:47:09Z</updated>
	<subtitle>Contribuições do utilizador</subtitle>
	<generator>MediaWiki 1.43.1</generator>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_Jesus_de_Aveiro&amp;diff=922</id>
		<title>Convento de Jesus de Aveiro</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_Jesus_de_Aveiro&amp;diff=922"/>
		<updated>2025-05-31T20:17:01Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.102.88: Ed1001&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
[[File:Fachada_do_Convento_de_Jesus_de_Aveiro,_atual_Museu_de_Aveiro_(frente).jpg|thumb|Fachada do Convento de Jesus de Aveiro, atual Museu de Aveiro]]&lt;br /&gt;
[[File:Planta descritiva do Museu de Aveiro.jpg|thumb|349x349px|Planta descritiva do Museu de Aveiro. Fonte: Entrada do Museu de Aveiro (em exposição).]]&lt;br /&gt;
O Convento de Jesus de Aveiro, também conhecido por Mosteiro de Jesus, localiza-se na União das freguesias de Glória e Vera Cruz, em Aveiro. É atualmente o Museu de Aveiro, também conhecido como Museu de Santa Joana. Nas suas imediações encontram-se a Sé de Aveiro (obra primitiva do século XV), Igreja da Misericórdia de Aveiro, Igreja Carmelita de Aveiro e um dos canais da cidade, da zona do Rossio. [[File:Fachada_do_Convento_de_Jesus_de_Aveiro.jpg|thumb|301x301px|Fachada do Convento de Jesus de Aveiro, atual Museu de Aveiro]]&lt;br /&gt;
O local pertencente à Ordem Dominicana feminina, foi onde a Princesa Joana, filha de Afonso V de Portugal, viveu até morrer no dia 12 de maio (1490), data instituída como feriado municipal, em reconhecimento da sua importância enquanto padroeira da cidade e da diocese. O convento relaciona-se com o culto religioso devido à vida de santidade que a Princesa Joana levou até à sua beatificação em 1693. Mesmo com obras de melhoramento nos séculos seguintes, a clausura foi mantida até 1874. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O edificado é monumento nacional desde 1911. O túmulo da Princesa Joana, a talha dourada preservada da Igreja de Jesus e o retrato da Princesa&lt;br /&gt;
[[File:Retrato_da_Princesa_Santa_Joana.jpg|thumb|306x306px|Retrato da Princesa Santa Joana]]&lt;br /&gt;
são obras que estão ligadas ao espaço, tornando-o numa das arquiteturas mais exemplares da arte portuguesa, principalmente na expressão artística do período Barroco. Existe uma coleção de arte religiosa do século XV ao século XX. A Igreja de Jesus possui um arco gótico próximo do púlpito como marca da continuação da estrutura primitiva. Diferentes linguagens estão presentes no seu revestimento, fruto dos investimentos de famílias nobres tais como os Tavares, os Duques de Aveiro e a Casa Real.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&lt;br /&gt;
=== &amp;lt;u&amp;gt;Convento  de Jesus de Aveiro&amp;lt;/u&amp;gt; ===&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Código SIPA&lt;br /&gt;
|IPA.00002255&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Ordem religiosa&lt;br /&gt;
|Ordem Dominicana feminina&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Outras nomenclaturas&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Jesus, Museu de  Santa Joana ou Museu de Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|País&lt;br /&gt;
|Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Cidade&lt;br /&gt;
|Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Freguesia&lt;br /&gt;
|Freguesia de Glória e Vera  Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Localidade&lt;br /&gt;
|Av. Santa Joana, 3810-329&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coordenadas&lt;br /&gt;
|40.63933292904409,  -8.65095453441705&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
O Museu de Aveiro tem as suas diferentes partes documentadas no Roteiro do Museu desde 1960. O SIPA configura-se como a fonte para as datas referentes à evolução do monumento ao longo da diacronia e dos artífices e artistas que nele trabalharam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Domingos Maurício Gomes dos Santos, na sua obra de 6 volumes intitulada &amp;quot;&#039;&#039;O Mosteiro de Jesus de Aveiro&#039;&#039;&amp;quot;, configura-se como um dos autores que reuniu o maior número de informações sobre esta arquitetura e a sua história, bem como das pessoas com ela relacionadas. Na dimensão do Barroco em edifícios religiosos, Natália Marinho Ferreira Alves disserta sobre o convento e a talha dourada presente na Igreja de Jesus na sua obra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contexto Histórico ==&lt;br /&gt;
Fundado por D. Brites Leitão e D. Mécia Pereira e construído após a autorização para instituição em 1461 por bula papal do Papa Pio II. Sabe-se que a clausura era existente em 1465 desde o princípio de janeiro. Acompanhadas de D. Catarina, essas figuras teriam chegado a Aveiro em 24 de novembro de 1458 e residido em casas junto à atual Catedral, ou seja, no Convento Dominicano ali existente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através do Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA), é possível obter uma sequência cronológica sobre os acontecimentos que envolveram o monumento em estudo. Quanto à sua edificação, destacam-se também os anos de 1459, em que casas na Rua Direita são vendidas a D. Mécia Pereira pelo cônego do Porto, Rodrigo Anes, para fundação do convento. As primeiras freiras desse, segundo esta fonte, teriam recebido o hábito de noviças a 25 dezembro de 1464. A ajuda régia ao local ocorre por esmola anual de 6 mil reais (unidade monetária da época), feita por D. Afonso V (1432-1481) e concedida em 1466.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fontes bibliográficas apontam a data de 1472 como aquela na qual a Princesa-Infanta D. Joana, nascida em 1452, entra no Convento, onde viveu até morrer. “Embora senhora da vila de Aveiro pelos finais do século XV, a infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, decidiu, contra a vontade do pai e da corte, professar como religiosa [...]. No entanto, impedida de o fazer por razões claramente políticas [...], Joana resistiu e manteve-se como secular no convento. [...] será apesar de tudo, após a coroação do irmão como D. João II, aceite finalmente na ordem, fazendo voto de castidade a 25 de novembro de 1481.” (PEREIRA, 2006) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 28 agosto 1472, “D. Afonso V compromete-se a pagar a Aires Gomes as casas que lhe tomara, para incorporar no Mosteiro, bem como o de cercar, madeirar, forrar e ladrilhar o edifício” &#039;&#039;&#039;(&#039;&#039;&#039;SIPA&#039;&#039;&#039;)&#039;&#039;&#039;. Há um testamento feito em 19 de março de 1490 por D. Joana, a aforrar seus escravos e deixando, todos os seus bens ao convento, com exceção de alguns legados. No dia 12 de maio do mesmo ano, falece na Sala ou Casa de Lavor, sendo de imediato reverenciada pelas freiras pela sua santidade, a qual apenas viria a ser oficialmente reconhecida em 1693, com a beatificação da Princesa Joana. D. António de Vasconcelos e Sousa, bispo de Coimbra, procede ao exame do corpo de Santa Joana em 1711 com outras religiosas e o Provincial da Ordem de São Domingos. Em 1777, D. José autoriza que as religiosas designem um juiz executor e um escrivão para a cobrança de rendas e foros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O decreto de 30 de maio de 1834, com Portaria de 4 de junho, durante o período do Liberalismo e com o crescente laicismo nas instituições de poder, dá-se a Extinção das Ordens Religiosas, o que faz com que a clausura termine em 1874 com a morte da última religiosa do local. Natália Marinho Ferreira Alves escreve sobre como os “conventos femininos portugueses nos dão hoje, uma imagem profundamente distorcida, não só do espírito que presidiu à sua fundação, mas também da evolução artística dos próprios edifícios. Para este facto contribuíram a cobiça, o vandalismo e a ignorância que golpearam as instituições religiosas a partir dos inícios do século XIX” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autora destaca a Extinção das Ordens como uma das principais causas para o estado atual das arquiteturas, caracterizando-as como: “Locais de grande prestígio, os conventos acolhiam senhoras da melhor nobreza, inclusivé de sangue real, encontrando-se entre os seus fundadores os próprios monarcas e, como protectoras por excelência, rainhas e infantas. Dispondo de rendimentos de diversa índole, e por vezes avultados, alguns deles, a partir do último quartel do século XVII e durante os dois primeiros terços do século XVIII, sofrem importantes obras de transformação nas suas dependências. Serão as suas igrejas que irão reflectir a feição magnífica e opulenta do barroco com os revestimentos a azulejo e nomeadamente a talha dourada, criando um espaço único, de que são paradigmas as de Jesus e de Santa Clara.” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O convento é convertido no Colégio de Santa Joana para educação de meninas a partir de Portaria do Governo de 30 de maio. Nos anos seguintes é criada a Irmandade de Santa Joana (1877) e o colégio funciona a partir de 1882 como externato para crianças pobres, sendo encerrado em 21 de junho de 1910, quando o local é “fechado e lacrado e os seus bens arrolados e transferidos para o Estado” (COSTA, 2008-2009). Em 1911 é classificado como monumento nacional e transformado em espaço museológico. A portaria de 7 de junho cria legalmente o Museu de Aveiro, sendo João Augusto Marques Gomes nomeado 1º diretor pela portaria a 24 de janeiro de 1915.  Afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. em 29 de março de 2007, o imóvel foi inaugurado a 18 de dezembro de 2008, correspondendo à reabertura do Museu ao público, com um projeto do arquiteto Alcino Soutinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Alterações Arquitetônicas e Intervenções Interiores ==&lt;br /&gt;
Em relação às alterações na estrutura do objeto de estudo antes da beatificação, juntamente com a adição de elementos artísticos à sua estrutura, revelam-se a reedificação da capela-mor em 1592 por Francisco de Tavares, o contrato de 02 de novembro de 1685 para a obra de Domingos Lopes do forro da igreja e a criação de uma capela na Casa de Lavor em 1689 pelo simbolismo do local de falecimento da infanta D. Joana. A 12 de maio de 1694, as festividades em honra da beatificação da Princesa Santa Joana culminam com uma procissão. Logo em seguida ao feito, o arquiteto régio João Antunes realiza em 1699 o risco e executa o túmulo para a princesa na reforma do coro-baixo (RIBEIRO, 2013), perdurando até 1711. Em 23 de outubro deste ano é transladado o corpo da princesa para o túmulo e feitas as expensas a D. Pedro II.&lt;br /&gt;
[[File:Coro-alto da Igreja de Jesus.jpg|thumb|Coro-alto da Igreja de Jesus]]&lt;br /&gt;
Durante o século XVIII, a linguagem do Barroco torna-se fortemente presente com a introdução da talha da capela-mor pelos entalhadores António Gomes e José Correia e com o douramento dela por Manuel da Silva, pintor de Coimbra, e António José Correia, pintor do Porto. Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. Os painéis laterais foram pintados em 1729 por Manuel Ferreira e Sousa, pintor portuense. Outros acontecimentos relevantes são: a produção do órgão da igreja (1739), as ampliações da ala poente do claustro (1743-1744) e a feitura do órgão do coro-alto (1792). Quanto à talha do convento, Robert C. Smith e Natália Alves dissertam sobre ela. “A influência de S. Pedro, de Miragaia, faz-se sentir na opulenta capela do convento de Jesus, em Aveiro, cuja talha foi principiada cerca de 1702, data que se encontra no arco cruzeiro.” (SMITH, 1962, p.84). “Nos anos seguintes [a 1685], a talha dourada prolifera, iniciando-se o processo que levará ao revestimento total do interior, concretizado no século seguinte. Datado de 1702 é o arco cruzeiro, sendo também contemporâneos os retábulos laterais desconhecendo-se, até ao momento, a sua autoria.” (ALVES, 2019). A riqueza da igreja de Jesus de Aveiro, ainda existe na atualidade, segundo Natália Alves “não corresponde de forma alguma à sobriedade da sua arquitectura”. Para ela, interessa “o período que medeia entre os reinados de D. Pedro II (1683-1706) e D. José I (1750-1777) sendo, no entanto, na época de D. João V (1707-1750) que se atingirá o máximo esplendor no interior das igrejas conventuais”. O rei D. João V, portanto, promove a difusão da influência portuguesa no Mundo, auxiliada pela exploração do ouro do Brasil, ao buscar comparar-se à grandeza do Vaticano e à da corte papal. Através de doações, dotes conventuais e mecenas, o luxo e aparato instauram-se nas instituições religiosas, permitindo a aquisição de ilustres obras de arte. &lt;br /&gt;
[[File:Túmulo D. Gabriel de Lencastre.jpg|left|thumb|Túmulo de D. Gabriel de Lencastre]]&lt;br /&gt;
A ala poente do claustro é ampliada durante 1743 e 1744. Em 8 de julho de 1745, ocorre o sepultamento do sétimo duque de Aveiro, D. Gabriel de Lencastre, na Capela de Santo Agostinho. A Capela de Nossa Senhora do Rosário possui um altar em madeira dourada e policromada, com quatorze tábuas de pintura a óleo do século XVII de autoria de António André. Há um altar secundário decorado com baixos-relevos em cera e, ao centro, um conjunto escultórico da Sagrada Família em madeira policromada, albergando a imagem do Menino Jesus deitado em maquineta-relicário do século XVIII. As portas laterais permitiriam o acesso às capelas, aos oratórios e aos espaços de arrumação das alfaias religiosas. A invocação de Nossa Senhora do Rosário nesta capela é justificada por esta ser a invocação mariana predileta dos Dominicanos. (COSTA, 2008-2009). &lt;br /&gt;
[[File:Capela do Senhor dos Passos - Convento de Jesus de Aveiro.jpg|thumb|294x294px|Capela do Senhor dos Passos]]&lt;br /&gt;
A Capela do Senhor dos Passos é construída no século XVIII nas remodelações do convento e, em virtude da devoção pelos mistérios de Cristo terem destaque à época, uma imagem processional do Senhor dos Passos é albergada pelo retábulo (meados do XVIII) em talha dourada. Do lado direito uma porta dava acesso à desaparecida Capela de Santa Maria Madalena. A Sala do Capítulo Velho era o local onde as freiras se reuniam para decidir assuntos referentes à posse, compra, venda e administração dos bens conventuais. Nela recebiam-se as noviças, onde o hábito era tomado, realizavam-se as eleições para nomear a prioresa, local onde se lia a Regra e eram tratadas questões disciplinares. As &#039;&#039;espreitadeiras&#039;&#039; – janelas laterais, possibilitavam que o maior número de religiosas conseguissem assistir aos atos de maior participação. Foi também usado como capela com invocação a Nossa Senhora da Assunção. No interior os retábulos de talha dourada do século XVIII, o teto com molduras em talha dourada e pinturas alusivas à Virgem, foi o local de enterramento das fundadoras do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas por decreto de D. Pedro IV em 1834, o edificado é convertido em Colégio de Educação de meninas a partir de 1874 e transformado à posteriori em espaço museológico em 1911. Com o projeto de Alcino Soutinho, a reabertura ao público do Museu ocorre em 2008. No ano seguinte, em 2009, abre-se a nova Sala de Exposições Temporárias, a biblioteca e a Galeria da Pedra. Em 2015, a Assembleia Municipal de Aveiro delibera a &amp;quot;municipalização&amp;quot; do museu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Dependências do Convento de Jesus ==&lt;br /&gt;
[[File:Claustro - Convento de Jesus.jpg|alt=Claustro renascentista em forma retangular e em pedra de Ançã.|thumb|Claustro - Convento de Jesus]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Claustro -&#039;&#039;&#039; O claustro renascentista é “&#039;&#039;adintelado de dois pisos, desenvolvendo uma colunata jónica de fuste liso com correspondência de finas colunas pseudo-toscanas no piso superior e implantação central de chafariz com obelisco, em área rebaixada. Ao longo do piso térreo rasgam-se capelas de diferentes dimensões com portais arquivoltados e ogivais&#039;&#039;.” (SIPA).&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Refeitório -&#039;&#039;&#039; Localizado na ala nascente, o refeitório possui planta retangular, com um portal gótico-manuelino. Mantém a estrutura para leitura – a tribuna da leitora – é aberta em três vãos com balcão assente em duas colunas com capitéis anelares de folhagem e de lintéis cortados em arco rebaixado, possuindo acesso através de dois degraus. As paredes são revestidas por azulejo coimbrão do tipo rosácea, padrão azul e branco dos séculos XVII-XVIII, o teto é plano, conservando-se as mesas e bancos; a iluminação é feita por janelas em capialço.&lt;br /&gt;
[[File:Sala_de_Lavor_(entrada)_-_Convento_de_Jesus_de_Aveiro.jpg|thumb|Sala de Lavor - Convento de Jesus de Aveiro, atual Museu de Aveiro]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Sala de Lavor -&#039;&#039;&#039; A Sala de Lavor é atualmente revestida a talha e telas pintadas, que são divididas por cartelões. O local instituído desde o principio da clausura era destinado ao bordado de alfaias e paramentos utilizados no culto, ao “trabalho de lavor”. A Princesa Santa Joana é trazida para esse espaço quando adoeceu. Consequentemente é interrompida a sua função original, devido a permanência dela nesse até à sua morte. Posteriormente, o local passou a ser um cartório, onde foi reunida a documentação necessária para o processo canônico de beatificação, concluído em 1693. Um pequeno altar localiza-se na parede de frente à entrada, com uma tela representando a morte de Santa Joana, onde duas mísulas são ladeadas com imaginária. As pinturas narram à vida da Princesa: a chegada a Aveiro até à realização do seu cortejo fúnebre. Sua remodelação decorativa ocorre em 1734, como nos indica a data presente numa cartela da Casa de Lavor, convertendo a sala em capela-relicário.[[File:Fachada do Convento de Jesus de Aveiro, atual Museu de Aveiro (brasão).jpg|left|thumb|Fachada do Convento de Jesus de Aveiro|265x265px]]&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Fachada do Convento -&#039;&#039;&#039; A fachada principal reveste a estrutura primitiva e prolonga o corpo principal do edifício. Com dois registros, que estão divididos por frisos e cinco panos, há uma entrada central do portal nobre circunscrito por pilastras e frontão semicircular interrompido. Nota-se o escudo e coroa real. Enquanto o piso térreo caracteriza-se assimétrico em relação à abertura dos vãos por vezes entaipados, o piso superior com sistema de abertura de pares de janelões retangulares gradeados de frontões interrompidos. Há um entablamento dórico – friso com métopas e triglifos – na parte superior, com correspondência das pilastras da ordem colossal.&lt;br /&gt;
[[File:Igreja_de_Jesus_-_Convento_de_Jesus_de_Aveiro.jpg|thumb|Igreja de Jesus, vista superior a partir do coro alto - Museu de Aveiro]]&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Igreja de Jesus -&#039;&#039;&#039; A Igreja de Jesus possui nave retangular com cobertura em caixotões almofadados, com duas estruturas retabulares e silhar de azulejos decorativos. Órgão junto ao coro, porta de acesso à zona conventual, arco triunfal a pleno centro. A capela-mor é profunda e com cobertura em falsa abóbada de lunetas; portas de acesso às primitivas sacristias existentes nas paredes laterais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja de Jesus, localiza-se conforme texto de O &#039;&#039;Roteiro do Museu de Aveiro&#039;&#039; de 1960, nas páginas 56 à 59: “&#039;&#039;A pequena porta de acesso da capela de Santo Agostinho à igreja, entrevista da nave do templo, apresenta-se como obra mestra do ogival dos fins de quatrocentos. Enquadra-se nos trechos decorativos mais tardios de azulejo, pintura, talha e outra marcenaria, a formar sequente conjunto. Logo em frente a esta porta se depara o monumental órgão da igreja&#039;&#039;[...]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Coro-baixo -&#039;&#039;&#039; O Coro-baixo apresenta o túmulo da princesa Santa Joana, em mármores embutidos policromos ao gosto italiano. Obra realizada entre 1699 e 1711 do arquiteto régio João Antunes (1645-1712) – responsável pelas obras na Igreja de Santa Engrácia em Lisboa, o artista faz o risco e executa o túmulo para a princesa durante a reforma do espaço. Em pavimento de mosaico, a porta de acesso do ante-coro na sala é uma obra de marcenaria engradada e embrechada, com inspiração renascentista.[[File:Coro baixo.jpg|thumb|Coro-baixo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Túmulo da Princesa Santa Joana na Igreja de Jesus, no Convento de Jesus de Aveiro.jpg|thumb|Túmulo da Princesa Santa Joana]]&lt;br /&gt;
“O arquiteto João Antunes executa aqui uma das suas obras mais precoces, e uma verdadeira obra-prima. Usou os embrechados que na altura se acomodavam ao gosto cortesão e áulico português, por influência italiana. Antunes já experimentara esta solução com excelentes resultados no retábulo da Capela da Quinta do Calhariz, em Sesimbra (de 1683). Conhecedor da técnica e dos oficiais que dominavam a artesania do embutido de pedra-mármore, e certamente com base em algum modelo preexistente hoje difícil de encontrar, projeta a arca, instalando-a suspensa sobre quatro anjos em cada canto e com escultura de uma fênix no eixo. A arca é paralelepipédica, com emolduramento jônico e enrolamento em forma de consolas. No cimo e ao centro, põe um grupo de lavores heráldicos, oferecendo duas fachadas com volutas. O sentido de toda esta obra é, no entanto, mais do que heráldico: é emblemático. São emblemas os anjos que suportam o túmulo, bem como a fênix, símbolo da Ressurreição. Do mesmo modo, a ordem arquitetônica escolhida (o jônico), remete para o gênero feminino, como era de tradição vitruviana, traduzida embora de forma barroca. Do mesmo modo, a inexistência de qualquer imagem identificadora de Santa Joana, substituída pelas armas do reino, ou a de «desmaterialização» da inércia da pedra pela representação dos leves e inefáveis anjinhos-atlantes, perpetua o mistério sagrado que ali se encena: a incorruptibilidade de um corpo santo.” (Pereira, 2006).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferentes artistas foram chamados para executar obras na Igreja de Jesus de Aveiro após a morte da Princesa Joana entre os séculos XVI e XVIII. (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências ==&lt;br /&gt;
Borges, N. C. (1998). &#039;&#039;Arquitetura Monástica Portuguesa na Época Moderna (Notas de uma Investigação)&#039;&#039;. MUSEU, IV(7), 31–59. Círculo Dr. José de Figueiredo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cardoso da Costa, M. M. G. F.. (2011). &#039;&#039;A Colecção de Escultura do Museu de Aveiro – Historial, Proveniência, Constituição.&#039;&#039; 100 anos do Museu de Aveiro (ed. AMUSA).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira-Alves, N.M. (2014) &#039;&#039;A talha da Igreja do Convento de São Francisco do Porto: o forro da nave central e do transepto, 1732&#039;&#039;, &#039;&#039;Repositório Aberto da Universidade do Porto&#039;&#039;. Link: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://hdl.handle.net/10216/9050&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 15/12/2024.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira Alves, N. M. (2019). &#039;&#039;A apoteose do barroco nas igrejas dos conventos femininos portugueses&#039;&#039;. História: Revista Da Faculdade De Letras Da Universidade Do Porto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fernando, A. B. P. e Costa, M. C. (2025). &#039;&#039;Igreja e Convento de Jesus&#039;&#039; em &amp;quot;Discover Baroque Art&amp;quot;, Museum With No Frontiers.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
G. F. Cardoso da Costa, M. M. (2008-2009). &#039;&#039;A invocação de Nossa Senhora do Rosário no Convento de Jesus de Aveiro - Os Rosários nas coleções do Museu de Aveiro&#039;&#039;. MUSEU, IV(17), 153–170. Círculo Dr. José de Figueiredo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moiteiro, G. C. (2013). &#039;&#039;As dominicanas de Aveiro (c. 1450-1525): Memória e identidade de uma comunidade textual&#039;&#039;. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pereira, P. (2006). &#039;&#039;História da arte portuguesa&#039;&#039; (1a ed. reimpressão). Vol. III. Círculo de Leitores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pereira, M. T. L. (2017). Primeiras Jornadas de História “Os Dominicanos em Portugal (1216-2016)”. Aveiro, Museu Municipal, 29-30 de janeiro de 2016. Lusitania Sacra, (35), 302-304.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rocha, M. J. M. da, &amp;amp; Monterroso, M. J. M.. (2023). &#039;&#039;História da Arquitetura Perspetivas Temáticas (II). Mosteiros e Conventos: Formas de (e para) Habitar&#039;&#039;. CITCEM.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA). &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2255&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Último acesso em 03/05/2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Smith, R. C. (1962). &#039;&#039;A talha em Portugal&#039;&#039;. Livros Horizonte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Santos, D. M. G. dos. (1963). &#039;&#039;O Mosteiro de Jesus de Aveiro&#039;&#039;. Vol. 1/1. Companhia de Diamantes de Angola. Serviços Culturais.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.102.88</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Assun%C3%A7%C3%A3o_de_Tabosa&amp;diff=843</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Assun%C3%A7%C3%A3o_de_Tabosa&amp;diff=843"/>
		<updated>2025-05-27T08:56:46Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.102.88: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Em Portugal, à semelhança de toda a Europa, cedo se formaram comunidades de mulheres religiosas fieis aos princípios da Regra de S. Bento, valorizada por S. Bernardo, e que praticavam uma observância paralela às instituições da própria Ordem. No nosso país, os primeiros mosteiros femininos cistercienses deveram-se à ação e devoção das infantas D.a Teresa; D.a Mafalda e D.a Sancha, filhas de D. Sancho I. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda no decorrer do século XIII foram fundados os mosteiros de Santa Maria de Cós (1241); S. Bento de Cástris (1275); Santa Maria de Almoster (1287) e S. Dinis de Odivelas (1295)38 .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já na Época Moderna assistiu-se à renovação espiritual da Ordem, fruto da reforma da Igreja iniciada em toda a Europa e fruto do movimento designado de &amp;quot;Recoletas&amp;quot;, no que respeita ao ramo feminino Cisterciense. Paralelamente, registou-se a ressurreição e prosperidade dos mosteiros e um melhoramento dos seus edifícios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir dos finais do século XVI, em reunião, o Capítulo Geral da Congregação de Alcobaça delineou todo um plano de reorganização da Ordem e restauração dos seus edifícios, permitindo a fundação de outras instituições entre as quais nos interessam particularmente as fundações femininas de S. Bernardo de Portalegre (1518).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== &#039;&#039;&#039;Enquadramento&#039;&#039;&#039; ==&lt;br /&gt;
Nossa Senhora da Assunção de Tabosa (1692), objeto do nosso estudo. Foi, no entanto, durante este período que muitos mosteiros femininos mergulharam em plena decadência moral, tornando-se estritamente necessária a sua recuperação espiritual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste contexto de reforma e recuperação espirituais, salientam-se no século XVII, os mosteiros de Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo e Nossa Senhora da Assunção em Tabosa, conhecidos pela prática de uma rigorosa observância, marcada pelo desejo de uma vida de recolhimento e austeridade, mais austera que a estrita observância cisterciense, numa busca permanente de Deus.[[File:Vista-Geral Atual .png|thumb|Vista exterior]]Designado de &amp;quot;Convento de S. Bernardo&amp;quot; pelo facto de nele as religiosas terem praticado a Regra de S. Bento revista por S. Bernardo mas cuja designação nos aparece plenamente assumida, assim constando do Inventário do Património Arquitectónico da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Localização ====&lt;br /&gt;
Portugal, Viseu, Sernancelhe, Carregal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro feminino de Nossa Senhora da Assunção 42 fica situado em Tabosa, lugar a Oeste da freguesia do Carregal, concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu, comarca de Moimenta da Beira e diocese de Lamego.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A freguesia do Carregal, situada no seio da serra da Lapa a setecentos e vinte e cinco metros de altitude, apresenta fraca densidade populacional tal como toda a região. De clima muito rigoroso e com invernos prolongados, é extremamente pobre em recursos económicos, predominando o sector primário, onde uma agricultura frustrada e a percuária são as principais actividades económicas e a garantia de subsistência para uma gente humilde. As raízes históricas do lugar de Tabosa são muito antigas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje eclesiasticamente é anexa de Caria e pertence ao bispado de Lamego. Foi pertença de D. Egas Moniz e de seu irmão D. Mem Moniz, já que a antiga Honra de Caria com todo o seu vasto Termo foi deles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fundação ==&lt;br /&gt;
O mosteiro, erigido no final do século XVII, destinava-se a recolher religiosas que desejavam praticar a observância ditada pela Regra de S. Bento, renovada por S. Bernardo e inspirada pelas reformas de Santa Teresa de Ávila e S. Pedro de Alcântara, que propunham uma vida mais austera e de maior recolhimento, resultando daqui a designação de &amp;quot;Recoletas&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Surgiu após um período de relaxamento na Ordem, verificado em quase todos os mosteiros dos séculos XIV e seguintes. Destacou-se precisamente pelo rigor da observância que nele se praticou, ganhando fama e prestígio na região e no país em geral. Resultou das circunstâncias da vida de uma nobre senhora, de nome D.a Maria Pereira, e da sua devoção pela Virgem Nossa Senhora da Assunção e pelos patriarcas S. Bento e S. Bernardo cuja Regra foi posta em prática no interior do mosteiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi a partir da  devoção da fundadora à Senhora da Assunção, que resultou que o mosteiro, assim como, a igreja fossem postos sob o patrocínio de Maria, Senhora da Assunção. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Longe estava o tempo em que a formação da nacionalidade se entrecruzava com a fundação de mosteiros nesta região, pois deles e da ação dos seus monges dependiam o aproveitamento e povoamento das terras que então se conquistavam aos Mouros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegados ao período do Antigo Regime, nada justificava a edificação de um mosteiro sem um objetivo verdadeiramente fundamentado em terras tão distantes de tudo e de pouca importância para o desenvolvimento do país, não fora o facto deste mosteiro ser inteiramente suportado na sua construção e sustento das religiosas pela sua fundadora que nele aplicou todos os seus bens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Indagamos por isso os motivos que originaram a sua aprovação por parte das instituições e autoridades responsáveis, isto é, a Congregação de Alcobaça, o rei i D. Pedro II e ao bispo de Lamego D. José de Menezes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Doação, Dotação e Motivação ===&lt;br /&gt;
D.a Maria Pereira era filha de Francisco Rebelo de Carvalho e de Maria Rebela Pereira, casal aristocrata e de prestígio na região. Senhora de sólida formação moral que se refletiu fortemente na sua vida, era natural de Sernancelhe, moradora no Carregal no lugar de Tabosa, na Quinta da Luz, herança de seu primeiro marido Diogo Ribeiro Homem, por morte deste . &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contraíra segundas núpcias com Paulo Homem Teles, senhor de ditoso estatuto social, pois era fidalgo da Casa Real, Tenente-General de Cavalaria e Governador das Armas da Província da Beira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dotada de muitas virtudes religiosas e humanas, abastada de bens herdados de seus pais e parentes, e outros que lhe couberam das partilhas feitas com os respectivos herdeiros de seus maridos, respeitada pelos moradores do Carregal, quer pela sua riqueza e ascendência, quer pelo cargo público de seu segundo marido, quis o destino deixar de novo viúva D.a Maria Pereira e sem herdeiros legítimos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resolveu a senhora entregar-se à fundação de obras pias pelo que manifestou o desejo de edificar na sua Quinta um mosteiro. Nascia assim o mosteiro de Nossa Senhora da Assunção, produto das circunstâncias da vida da fundadora e, sobretudo, produto da sua grande fé e devoção pelos entendimentos de S. Bento, S. Bernardo e Senhora da Assunção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estavam devidamente documentados com procurações que lhes conferiam os poderes e competências necessárias para em nome da Congregação assinarem a &#039;Escritura&amp;quot; da fundação do mosteiro e tomarem todas as medidas e decisões que entendessem convenientes para a sua efetuação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para a instituição de qualquer mosteiro era necessário o consentimento da Congregação, do rei e do Prelado diocesano. Sendo assim, D.a Maria Pereira enviou à Congregação de Alcobaça e ao rei uma &amp;quot;Petição&amp;quot;, a fim de obter a respetiva licença para fundação do mosteiro na sua terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E &#039;&#039;&amp;quot;logo pel los ditos Padres Dons Abades (...) foi dito (...) que eles em nome do dito Reverendíssimo Padre Dom Abade Geral e de toda a Congregação (...) podiam e deviam de direito aceitar (...) a Doação e Dotação (...) com todos os encargos, clausulas, condições e obrigações nesta Escritura declaradas&amp;quot;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo as ordens estabelecidas por D.a Maria Pereira para a fundação do mosteiro aceites. O despacho da Congregação foi favorável ao pedido da fundadora e exarado em 1/05/1691.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mosteiro de Nossa Senhora da Assunção surge-nos como uma forma de consolidação do poder e prestígio pessoal da fundadora, perpetuando no tempo a sua memória mas também como forma de afirmar a sua fé e devoção, motivos que, na verdade, estiveram na origem da fundação do mosteiro. Em 1685 iniciaram-se as obras de construção da igreja de Nossa Senhora da Assunção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Ingresso e Interesse Aristocrático ===&lt;br /&gt;
O mosteiro servia os interesses da aristocracia provinciana na medida em que preocupada com a educação das suas filhas, encontrava nele o local onde podia colocá-las, podendo estas optar entre seguir a vida religiosa ou abandoná-la. Servia como refúgio das jovens que por qualquer motivo não tinham contraído matrimónio e optaram por &amp;quot;casar&amp;quot; com Deus. Servia para todas as jovens e senhoras que por devoção nele queriam ingressar, desde que reunissem as condições necessárias para o fazerem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Numa carta de 13/07/1689 o Corregedor informou o rei, &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
que &#039;&#039;&amp;quot;(...) entre os &amp;quot;Officiais da Câmara, nobreza dela epovo do dito concelho (...), entre todos não houve um que he de haver inconveniente a se fazer o dito mosteiro, antes sim que era conveniência o houvessem para o que os ditos homens nobres daquelle concelho pudessem com menos custos acomodar nelle suas filhas e irmãs e os pobres houvessem remédio a suas necessidades com as mais esmolas que ali farão as religiosas (...)&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A data da fundação do mosteiro, a região e o local de edificação do mesmo, satisfaziam plenamente as necessidades das futuras religiosas que aqui encontravam o silêncio e isolamento necessários para a preparação do seu espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&amp;quot;(...) que tem mais de frio que de quente era um local com muita quantidade de águas (...), grande largueza para cercas, com bosques de árvores frutíferas, e terras para hortaliça com águas nativas dentro das mesmas cercas, (...) era terra provida de alimentos ...)&amp;quot;.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O solo dentro da cerca era muito fértil e assegurava diretamente o sustento da comunidade religiosa, contudo, acrescentava o Corregedor, que, tendo conhecimento que a observância praticada pelas religiosas as impedia de consumir carne, tinham estas o peixe fresco que chegava com facilidade aos mercados da região, sobretudo ao mercado da Lapa, trazido do Porto e do rio Douro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, em 15/11/1689 D.a Maria Pereira viu satisfeito o seu almejado desejo através da concessão do poder régio por D. Pedro II. Abriu-se, deste modo, uma nova página na História do último mosteiro feminino cisterciense em Portugal, com a formalização e oficialização da sua fundação instituída pela &amp;quot;Escritura&amp;quot; realizada em 22/04/1692.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os vários bens que D.a Maria Pereira doou para a fundação do mosteiro de Tabosa podemos mencionar os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bens Doados Para Edificação e Conservação do Mosteiro&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aproximadamente um total de rendimento de 91 #920 reis por ano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Processo de Encerramento ===&lt;br /&gt;
Foi autorizada em 14/05/1771 a transferência das religiosas e rendas do mosteiro para o Colégio de S. Francisco Xavier em Setúbal bem como a integração dos seus bens nos &amp;quot;próprios&amp;quot; da Coroa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O  reinado correspondeu a uma época de mudança mental e de valores, marcada pela ação dos &amp;quot;filósofos&amp;quot; que, à sua maneira, se tornaram os principais inimigos da Igreja. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No nosso país mandava o Marquês de Pombal, ministro do rei, muito empenhado em destruir a Companhia de Jesus e expulsar os Jesuítas, acusados de constituírem um obstáculo à afirmação da soberania da Coroa portuguesa sobre as colónias. É neste contexto de &amp;quot;revolução mental&amp;quot; que, pressionado, o Abade Dom Manuel de Mendonça se mostra empenhado em fazer um Inventário dos bens e rendimentos de todos os mosteiros aferindo a viabilidade do sustento das religiosas e a subsistência das próprias casas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na perspetiva do Abade o exame dos rendimentos e bens dos mosteiros da Congregação mostrava-lhe que os mosteiros de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa e Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo não reuniam condições para subsistirem divididos. Não possuíam a renda necessária ao sustento das religiosas, cuja alimentação sujeita a uma dieta rigorosa, estava em causa, nomeadamente em Tabosa, e que certamente em Setúbal junto ao rio Sado e beira-mar, não lhes faltaria. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi a postura de Dom Manuel de Mendonça, ao declarar extintos vários mosteiros e retirar os seus bens, caíram muito mal no seio da comunidade cisterciense custando-lhe posteriormente a destituição do cargo sob a acusação de traição e conspiração relativamente ao governo da Ordem de Cister em Portugal e sua exagerada cumplicidade com o governo do ministro de D. José, o Marquês de Pombal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transferência das religiosas para Setúbal com todas as suas rendas e bens foi concretizada e esteve na origem do processo de ruína do mosteiro que, de repente, se viu votado ao abandono.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O encerramento definitivo iria se prolongar por algum tempo mas, devido à ação da rainha D.a Maria I, que entretanto subiu ao trono e pode proceder-se à reabertura deste e outros mosteiros extintos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, a população de Tabosa, essencialmente ocupadas no trabalho duro do campo, viram-se desejosos para ouvirem a palavra de Deus na igreja de Nossa Senhora, ansiando pela reabertura do mosteiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando as religiosas chegaram de novo a Tabosa não possuíam rendas e os dotes já se haviam esgotado, canalizados para a conclusão do mosteiro de Setúbal. Passaram a viver na dependência das esmolas de quase todos os mosteiros da Ordem, ou seja, da solidariedade institucional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A rainha foi contactada por responsáveis da Ordem para que intercedesse a seu favor no sentido de deporem do cargo o Abade Geral Dom Manuel de Mendonça que durante nove anos ocupou o cargo de Abade Geral da Congregação, a quem acusavam, de &amp;quot;maus procedimentos no governo da Ordem pelo que, lhe deviam ser abolidos todos os privilégios, graças e isenções e o deviam meter em reclusão na sua cela &amp;quot;. Em 01/11/1777 iniciou-se em Alcobaça uma importante reunião.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O restauro dos mosteiros de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa, foi concretizado devido às verbas, que resultavam das contribuições que cada mosteiro era obrigado a pagar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o final do reinado de D.a Maria I Portugal entrava num período político conturbado que conduziria ao fim do Antigo Regime e ao encerramento definitivo dos mosteiros em 1834 ou após a morte da última religiosa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 27/03/1850 faleceu a Madre Thomazia Rita, última religiosa que vivia no mosteiro. Em conformidade com decreto, os bens pertenciam a partir desta data à Fazenda Pública Nacional. O mosteiro encerrou definitivamente as suas portas e foi sendo desmantelado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XIX ficou conhecido como o século da exclaustração no domínio da Igreja religiosa, levando ao encerramento definitivo dos mosteiros portugueses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ARQUITETURA ==&lt;br /&gt;
Arquitetura e Ornamentação do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa: Entre a Tradição Cisterciense e a Expressividade Barroca&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A chamada &amp;quot;Arte Cisterciense&amp;quot; não constitui propriamente um estilo artístico com características específicas adaptadas a cada país. Pelo contrário, apresenta grande uniformidade, sendo marcada por sobriedade, austeridade e espiritualidade, em oposição ao luxo decorativo. Essa abordagem reflete os ideais da Ordem de Cister, especialmente os de São Bernardo, que rejeitava a ornamentação na arquitetura religiosa por considerá-la desnecessária à vivência espiritual. Embora se fale em &amp;quot;Arte Cisterciense&amp;quot;, muitos estudiosos preferem o termo &amp;quot;tipologia cisterciense&amp;quot;, dado que a arte da Ordem manifesta-se mais na forma arquitetónica do que em elementos decorativos. A planta dos mosteiros seguia um modelo típico, com estruturas como igreja, sacristia, claustro, refeitório, entre outras, organizadas de modo funcional e austero. Os edifícios eram geralmente dispostos em torno do claustro principal, que servia como o coração do mosteiro, promovendo silêncio e recolhimento. Os materiais predominantes eram locais, como pedra granítica, e a construção evitava o uso de elementos supérfluos, em favor de proporções equilibradas, iluminação natural suave e linhas retas. Com o tempo, especialmente nos séculos XVII e XVIII, muitos mosteiros, como o de Tabosa, sofreram influências barrocas, incorporando talha dourada, azulejos e pinturas, distanciando-se dos princípios originais de simplicidade. Ainda assim, essas intervenções interiores não descaracterizaram totalmente a tipologia cisterciense.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Tabosa é um exemplo dessa evolução. De menor dimensão e com planta simples, mantém traços da tradição cisterciense, mas com desvios notáveis, como a disposição das dependências monásticas a oeste e em nível superior ao da igreja — o que contraria os padrões habituais da Ordem. O Mosteiro está situado na região de Lamego, insere-se na tradição cisterciense, embora com particularidades que o distinguem. Fundado no século XVII, num período de renovação espiritual e artística da Ordem de Cister em Portugal, foi construído num terreno doado pela fundadora, obedecendo às suas condições topográficas. A orientação do edifício, o aproveitamento do relevo e a escolha dos materiais foram diretamente influenciados pelas características do local, o que demonstra uma adaptação prática sem perder de vista os princípios monásticos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sua arquitetura reflete influências barrocas, com alguma adaptação às exigências do terreno. Apesar de respeitar as funções monásticas comuns à Ordem, a distribuição espacial difere do modelo típico cisterciense, com a igreja situada em plano inferior ao restante complexo conventual, o que contraria a tradição. A igreja, de planta retangular e uma só nave, apresenta-se decorada com talha dourada, pinturas alegóricas e elementos marcadamente barrocos. A fachada da igreja é sóbria mas bem composta, com elementos de cantaria bem talhados, apresentando um equilíbrio entre ornamentação barroca e a contenção típica cisterciense. Destacam-se o Altar-mor, ricamente ornamentado com imagens de Nossa Senhora da Assunção, S. Bento e S. Bernardo, e vários altares laterais com temáticas religiosas distintas. O Coro, dividido em alto e baixo, mantém-se separado do espaço dos fiéis por uma elaborada grade de carvalho. O Coro Alto destinava-se às religiosas era acessível a partir do corpo conventual, com vistas para a nave. A Capela-mor, elevada em relação à nave, permite boa visibilidade às religiosas durante os ofícios. A sacristia, acessível por um corredor com elementos como um lavabo, é simples, com cobertura em madeira. O mosteiro possui ainda vestígios de sistemas hidráulicos que abasteciam o complexo. Estes sistemas demonstram não só a preocupação com o conforto funcional, mas também o avanço técnico da Ordem de Cister, que valorizava a autossuficiência e a organização racional dos espaços. O conjunto evidencia a importância histórica, artística e espiritual deste mosteiro, refletindo a adaptação da tradição cisterciense ao contexto local e às exigências do Barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro conserva elementos típicos da ordem como o Claustro e a Cerca, embora em estado ruinoso. O Claustro possui colunas renascentistas e restos de uma fonte barroca que outrora embelezava o local. O claustro, de planta quadrada, articulava os principais espaços do convento e era utilizado para meditação, leitura e circulação interna em silêncio. Os monges demonstravam notável engenharia hidráulica, canalizando a água para fins diversos, como abastecimento e esgoto. Reformas ao longo do tempo alteraram parte da estrutura, como a transformação de janelas em portas. Após o Concílio de Trento, a clausura foi reforçada com grades, portas reforçadas e uma cerca protetora, ainda preservada. A Cerca, delimitando os terrenos do mosteiro, incluía hortas, pomares e caminhos de circulação interna, essenciais para a vida autossuficiente da comunidade. A arquitetura do conjunto segue um formato quadrilátero com a igreja a nascente. A fachada principal destaca-se por sua decoração barroca em granito, com portal monumental, frontão, e nicho com São Bernardo e brasão da Congregação de Cister. Este conjunto escultórico é um dos pontos altos da fachada, revelando influências do barroco português e a intenção de afirmar visualmente a identidade da ordem. Outro destaque é o Mirante, estrutura elevada que permitia às religiosas observar o exterior sem violar a clausura. Há ainda um segundo portal de entrada mais simples, dedicado à Nossa Senhora da Assunção. Apesar das ruínas e da falta de documentação sobre os arquitetos, a beleza e detalhe das esculturas em pedra revelam a mestria dos artistas que o ergueram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Constituição do Mosteiro e Função de Cada Espaço ===&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa era constituído por diversos espaços, cada um com uma função específica que atendia às necessidades monásticas e litúrgicas dos monges cistercienses. A organização do mosteiro seguia uma lógica funcional, refletindo a busca pela simplicidade e eficiência, mas também adaptada às influências barrocas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Igreja:&#039;&#039;&#039; O edifício mais importante e simbólico do mosteiro, a igreja era o centro da vida espiritual. A nave, com altar-mor e altares laterais, servia para as celebrações litúrgicas, e a Capela-mor, elevada em relação à nave, proporcionava uma boa visibilidade aos monges durante os ofícios. A igreja, com uma só nave, refletia a austeridade cisterciense, enquanto os elementos barrocos no interior, como a talha dourada e as pinturas, eram usados para enriquecer a experiência espiritual.[[File:Claustro igreja.png|thumb|Claustro|left]]&#039;&#039;&#039;Claustro:&#039;&#039;&#039; Localizado no centro do mosteiro, o claustro era o espaço de circulação entre os diversos edifícios. Ele era fundamental para a vida cotidiana dos monges, servindo como lugar de meditação, leitura e descanso. O claustro também refletia a disciplina cisterciense, com o seu formato simples, mas imponente, cercado por colunas renascentistas e uma fonte barroca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Igreja- Aspecto geral do coro-alto.png|thumb|Aspeto atual do Coro-Alto]]&#039;&#039;&#039;Coro:&#039;&#039;&#039; O Coro Alto, separado do espaço dos fiéis por uma grade de carvalho, era um local de oração e canto litúrgico. A sua divisão em alto e baixo permitia uma separação das funções entre as religiosas e os fiéis, promovendo uma maior concentração nas funções litúrgicas e no serviço divino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Sacristia:&#039;&#039;&#039; Um dos espaços mais práticos do mosteiro, a sacristia era onde os objetos litúrgicos eram guardados e preparados para as missas. A sua simplicidade, com um lavabo e cobertura em madeira, reflete a sobriedade da vida monástica, ao mesmo tempo em que oferece funcionalidade para as necessidades litúrgicas diárias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Refeitório&#039;&#039;&#039;: O refeitório era um espaço de convivência para os monges, onde se realizavam as refeições em silêncio, respeitando a disciplina cisterciense. Era um local de partilha, essencial para a vida comunitária, permitindo que os monges se nutrissem fisicamente, enquanto refletiam espiritualmente sobre o trabalho e a oração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Cerca&#039;&#039;&#039;: A cerca era uma estrutura de proteção ao redor do mosteiro, projetada para manter os monges dentro dos limites monásticos, garantindo o isolamento e a clausura, conforme as normas estabelecidas pelo Concílio de Trento. A cerca também incluía espaços para a produção agrícola, como hortas e pomares, fundamentais para a autossuficiência do mosteiro. A presença da cerca também simbolizava a separação do mundo exterior, criando um espaço sagrado e contido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Mirante&#039;&#039;&#039;: A estrutura elevada que permitia às religiosas observar o exterior sem violar a clausura. Esta característica era importante para manter a separação do mundo exterior, permitindo um contato visual com a natureza e o ambiente ao redor, mas sem comprometer o isolamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fontes e Sistemas Hidráulicos: O mosteiro também se destacava pelo seu sistema hidráulico, que não só abastecia o mosteiro com água para consumo e higiene, mas também era utilizado em práticas religiosas e rituais. Esse sistema refletia a engenharia avançada da Ordem de Cister, conhecida pelo uso eficiente da água em suas construções.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Intervenções no Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa ===&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Década de 1680–1690&#039;&#039;&#039; — Fundação e primeiras dificuldades&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1685 foi lançada a primeira pedra da igreja, a única parte concluída quando, em 1692, chegaram as primeiras sete religiosas vindas do mosteiro do Mocambo. Encontraram apenas onze celas inacabadas e viveram em con&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
dições precárias, agrupadas por celas e usando a igreja como espaço comum. Apesar do desânimo inicial, começaram logo a melhorar o espaço com os dotes trazidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Década de 1690–1700&#039;&#039;&#039; — Início das obras estruturais e litúrgicas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1695 já estavam prontas as estalas do coro, e iniciou-se a construção da capela-mor com talha dourada. Em 1696 foi colocado o Santíssimo no sacrário e finalizaram-se as decorações principais. Em 1697 decoraram-se arcos e janelas, e entre 1697 e 1699 fez-se o “Tombo” do mosteiro, ajustando receitas e despesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Década de 1700–1710&#039;&#039;&#039; — Expansão das dependências monásticas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram construídas a enfermaria, o dormitório e o terreiro em frente ao mosteiro, bem como a escadaria para o mirante. Entre 1703 e 1704 foi edificado o Claustro, importante estrutura para a vida em clausura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Décadas de 1730–1750&#039;&#039;&#039; — Conclusão de áreas essenciais e restauros&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1737 instalaram-se canalizações de água, e em 1745 foi terminada a Sala do Capítulo. Três anos depois, em 1748, concluiu-se o Sepulcro do Senhor Morto. Em 1750, houve obras de restauro e manutenção, que custaram mais de oito contos, sinal de uma economia ainda estável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Década de 1770&#039;&#039;&#039; — Ruína e abandono temporário&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o reinado de D. José, o mosteiro entrou em decadência. Em 1771, as religiosas foram transferidas para Setúbal e o edifício começou a ser desmantelado, com materiais vendidos e estruturas abandonadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Década de 1780&#039;&#039;&#039; — Regresso e reconstrução&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1777, com D. Maria I no trono, as religiosas regressaram a Tabosa e encontraram o mosteiro em ruínas. Com o apoio da Congregação de Alcobaça e da “Arca da Caridade”, recomeçaram as obras e reconstruíram parte significativa do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Década de 1830&#039;&#039;&#039; — Extinção das Ordens Religiosas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1834, com a extinção das ordens religiosas, o mosteiro foi encerrado. A última religiosa ficou em residência até à sua morte, e o edifício entrou num período de vigilância e abandono.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Década de 1840–1850&#039;&#039;&#039; — Fim da vida monástica e dispersão dos bens&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Em 1844&#039;&#039;&#039;, foi feito o inventário da casa, descrita como segura mas a precisar de reparações. Em 1850 faleceu D. Thom&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
azia, última religiosa, e os bens do mosteiro foram disputados judicialmente, acabando vendidos em hasta pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Pós-1850&#039;&#039;&#039; — Ruína do edifício e preservação da igreja&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem fundos nem interesse para reconstrução, o edifício do mosteiro caiu em ruínas. Apenas a igreja foi conservada pela população local e pela Junta de Paróquia, sendo adaptada a templo paroquial e alvo de pequenas intervenções ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Estado Atual ===&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção desempenhou um papel fundamental na história e desenvolvimento de Tabosa, sendo não apenas um centro de devoção religiosa, mas também um ponto central na vida social e económica da comunidade local. A sua fundação, em terrenos anteriormente pertencentes à nobreza, demonstra o seu vínculo direto com as elites da região, mas também a intenção de criar um refúgio espiritual e de apoio à população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante séculos, o mosteiro foi um pilar da vida comunitária. A sua função não se limitava apenas à devoção religiosa, mas abrangia também uma série de ações sociais. Muitas mulheres, provavelmente de famílias de menor poder económico ou em busca de uma vida de espiritualidade mais profunda, procuraram refúgio neste convento. O mosteiro era um local onde o bem-estar físico e espiritual se entrelaçavam. Além disso, a distribuição de esmolas aos necessitados garantiu que o mosteiro cumprisse um papel essencial na ajuda social, mantendo um vínculo direto com as camadas mais carenciadas da sociedade de Tabosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A importância económica do mosteiro também não pode ser subestimada. Ele funcionava como um centro de produção e sustento para a comunidade local. Com a presença das religiosas, o mosteiro contribuía para a produção agrícola, a educação e até mesmo o comércio local, tornando-se uma força dinamizadora da economia da região. As mulheres que lá residiam, ao longo dos séculos, não só mantinham as tradições religiosas, mas também geravam riqueza, com o apoio da nobreza e das outras classes sociais da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, com o encerramento parcial do mosteiro e a transferência das religiosas para Setúbal, o impacto na comunidade foi profundo. A população ressentiu-se de forma significativa, pois perdeu uma instituição vital para o seu sustento espiritual e financeiro. O mosteiro, que durante tanto tempo fora um símbolo de apoio e segurança, viu-se enfraquecido. A decadência não demorou a chegar. O edifício, antes imponente, foi alvo de disputas judiciais, que acabaram por resultar em abandono e pilhagem. As pedras e madeiras que antes sustentavam a grandiosidade do mosteiro foram reaproveitadas para outras construções na localidade, como uma tentativa de reaproveitamento dos seus recursos materiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a chegada da República e a consequente venda dos bens em hasta pública, o mosteiro perdeu a sua importância social e patrimonial, sendo adquirido por um único proprietário, abastado, mas que, ao longo do tempo, não soube preservar ou valorizar o património que tinha nas mãos. A família desse proprietário, com o passar dos anos, acabou por dissipar grande parte desse legado, e o que restou foi a inevitável decadência do que outrora fora um grande símbolo da comunidade de Tabosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos dias de hoje, o que ainda persiste do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção é apenas a sua igreja, que se mantém, apesar do desgaste do tempo, sendo cuidada pela população local e pelo pároco. Este espaço preserva não apenas a memória do que o mosteiro representou, mas também a beleza histórica que o caracteriza. As ruínas ainda visíveis são um testemunho do esplendor de um tempo em que Tabosa era um centro de fé, cultura e riqueza, e elas continuam a recordar à população local as suas origens e a grandiosidade do passado monástico da vila.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em última análise, a história do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção é uma metáfora da própria evolução de Tabosa: uma ascensão e queda de um símbolo de poder, fé e riqueza, cujas cicatrizes permanecem como recordação de um passado que, embora agora distante, ainda tem um impacto profundo na identidade da vila. A preservação da igreja, embora modesta em comparação ao esplendor original, continua sendo um elo vital com esse passado, e talvez seja uma das últimas formas de garantir que a história do mosteiro e da própria Tabosa não se perca para as gerações futuras. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Infelizmente, até ao momento, não existe documentação conhecida e amplamente divulgada que identifique com precisão os arquitetos, mestres de obras, pintores, azulejistas ou outros trabalhadores que estiveram envolvidos diretamente na construção do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Património Integrado – O Mosteiro de Tabosa Hoje ==&lt;br /&gt;
Embora o antigo Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa tenha sido duramente fustigado pelo tempo, abandono e intervenções humanas, ainda hoje subsistem testemunhos materiais que conservam viva a memória da sua presença e importância. O elemento mais significativo que perdura é a igreja conventual, atualmente convertida em igreja paroquial, onde ainda se celebra o culto religioso. Este edifício, de traça barroca, preserva no seu interior um valioso espólio artístico e litúrgico, nomeadamente retábulos dourados, talha barroca, imagens sacras e elementos decorativos que testemunham a antiga riqueza espiritual e material da comunidade monástica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A estrutura do mosteiro propriamente dito encontra-se em estado avançado de ruína, mas alguns vestígios arquitetónicos são ainda identificáveis, como partes da antiga clausura, muros perimetrais, zonas de acesso e elementos construtivos característicos da arquitetura cisterciense adaptada ao contexto português. O conjunto encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1971, o que confere um importante estatuto de proteção legal, ainda que não tenha sido objeto de uma reabilitação plena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Instituto Português do Património Arquitetónico e Arqueológico (IPPAR) acompanha atualmente um projeto de restauro e requalificação do espaço, com a intenção de transformar as ruínas do mosteiro num hotel de charme, modelo de reutilização patrimonial que visa preservar a memória do edifício e revitalizar a economia local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A integração do Mosteiro de Tabosa no património da região não se resume ao seu valor material. Ele continua a exercer uma função simbólica e identitária para a comunidade local, sendo frequentemente objeto de visitas culturais, celebrações religiosas e ações de sensibilização patrimonial. A paisagem envolvente, marcada pela serenidade da Serra da Lapa, reforça o caráter contemplativo e espiritual do local, evocando os ideais originais da Ordem de Cister.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, mesmo que parcialmente perdido, o Mosteiro de Tabosa permanece vivo — não apenas nas pedras que resistem, mas na memória, na fé e na identidade cultural de quem habita ou visita este território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa é o reflexo vivo da presença marcante da Ordem de Cister em Portugal, especialmente no seu ramo feminino, frequentemente esquecido. Desde a sua fundação pela devota D. Maria Pereira até à sua extinção no século XIX, o mosteiro desempenhou um papel essencial na vida espiritual e social da região, acolhendo religiosas nobres e dedicadas que procuravam uma existência consagrada à fé. Enfrentando dificuldades políticas, económicas e religiosas, nomeadamente durante o governo do Marquês de Pombal, o mosteiro resistiu, ainda que por vezes à custa da sua autonomia e riqueza. A sua ruína física contrasta com a importância espiritual que teve, tanto para a comunidade local como para a Ordem de Cister. Apesar do esquecimento e da degradação a que foi votado, a sua memória persiste, sustentada pela sua igreja paroquial e pelo esforço de alguns em preservar e divulgar o seu legado. Relembrar Tabosa é revalorizar o papel das mulheres cistercienses na história religiosa portuguesa e promover o estudo de um património riquíssimo, ainda pouco explorado, mas digno de maior atenção e reconhecimento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Bibliografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fontes Clássicas e Historiografia Antiga: ===&lt;br /&gt;
ALMEIDA, Fortunato de – História da Igreja em Portugal, Coimbra, 1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BRITO, Fr. Bernardo de; BRANDÃO, Fr. António – Monarquia Lusitana, Lisboa, 1715.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BOTELHO, M. Mattos – Sermão de S. Bernardo..., Coimbra, Oficina de Joseph Ferreyra, 1698.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FIGUEIREDO, Frei Manuel de – História Chorográfica da Comarca de Alcobaça, 1785.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudos em Portugal:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SANTOS, Maria Luísa Gil dos – O Ciclo Vivencial do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DIAS, Geraldo Coelho – “Cister no Vale do Douro – Irradiação da Espiritualidade e Cultura”, Ed. Afrontamento, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DIAS, Geraldo Coelho – Perspectivas Bíblicas da Mulher e Monaquismo Medieval Feminino, Porto, Revista de História, Série II, Vol. XII, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GOMES, Saúl António; SOUSA, Cristina Maria André Pina – Intimidade e Encanto: O Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Cós, Leiria, Magno, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHEIRA, Ana Margarida Gonçalves – “Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Aguiar”, in Terras do Côa: os valores do Côa, Agência Estrela-Côa, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Manuel Gonçalves – História do Bispado e Cidade de Lamego, Lamego, s.d., vol. V.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Manuel Gonçalves – Convento de S. João de Tarouca: roteiro, Lamego, 1982.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa foi um convento feminino da Ordem de Cister localizado em Tabosa, freguesia de Carregal, concelho de Sernancelhe, no distrito de Viseu, Portugal. Fundado em 1692 por iniciativa de D. Maria Pereira, o mosteiro destacou-se pela sua austeridade espiritual e pelo rigor da observância religiosa, inserindo-se no movimento das Recoletas, ramo reformado do cistercismo feminino durante a Época Moderna.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.102.88</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_Jesus_de_Aveiro&amp;diff=801</id>
		<title>Convento de Jesus de Aveiro</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Convento_de_Jesus_de_Aveiro&amp;diff=801"/>
		<updated>2025-05-27T04:28:59Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.102.88: Ed8&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
[[File:Fachada_Convento_de_Jesus.jpg|thumb]]&lt;br /&gt;
O Convento de Jesus de Aveiro, também conhecido por Mosteiro de Jesus, localiza-se na União das freguesias de Glória e Vera Cruz, em Aveiro. É atualmente o Museu de Aveiro, também conhecido como Museu de Santa Joana. Nas suas imediações encontram-se a Sé de Aveiro (obra primitiva do século XV), Igreja da Misericórdia de Aveiro, Igreja Carmelita de Aveiro e um dos canais da cidade, da zona do Rossio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O local pertencente à Ordem Dominicana feminina, foi onde a Princesa Joana, filha de Afonso V de Portugal, viveu até morrer no dia 12 de maio (1490), data instituída como feriado municipal, em reconhecimento da sua importância enquanto padroeira da cidade e da diocese. O convento relaciona-se com o culto religioso devido à vida de santidade que a Princesa Joana levou até à sua beatificação em 1693. Mesmo com obras de melhoramento nos séculos seguintes, a clausura foi mantida até 1874. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O edificado? é monumento nacional desde 1911. O túmulo da Princesa Joana, a talha dourada preservada da Igreja de Jesus e o retrato da Princesa são obras que estão ligadas ao espaço, tornando-o numa das arquiteturas mais exemplares da arte portuguesa, principalmente na expressão artística do período Barroco. Existe uma coleção de arte religiosa do século XV ao século XX. A Igreja de Jesus possui um arco gótico próximo do púlpito como marca da continuação da estrutura primitiva. Diferentes linguagens estão presentes no seu revestimento, fruto dos investimentos de famílias nobres tais como os Tavares, os Duques de Aveiro e a Casa Real.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&lt;br /&gt;
=== &amp;lt;u&amp;gt;Convento  de Jesus de Aveiro&amp;lt;/u&amp;gt; ===&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Código SIPA&lt;br /&gt;
|IPA.00002255&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Ordem religiosa&lt;br /&gt;
|Ordem Dominicana feminina&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Outras nomenclaturas&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Jesus, Museu de  Santa Joana ou Museu de Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|País&lt;br /&gt;
|Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Cidade&lt;br /&gt;
|Aveiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Freguesia&lt;br /&gt;
|Freguesia de Glória e Vera  Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Localidade&lt;br /&gt;
|Av. Santa Joana, 3810-329&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coordenadas&lt;br /&gt;
|40.63933292904409,  -8.65095453441705&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
O Museu de Aveiro tem as suas diferentes partes documentadas no Roteiro do Museu desde 1960. O SIPA configura-se como a fonte para as datas referentes à evolução do monumento ao longo da diacronia e dos artifícies e artistas que nele trabalharam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Domingos Maurício Gomes dos Santos, na sua obra de 6 volumes intitulada &amp;quot;&#039;&#039;O Mosteiro de Jesus de Aveiro&#039;&#039;&amp;quot;, configura-se como um dos autores que reuniu o maior número de informações sobre esta arquitetura e a sua história, bem como das pessoas com ela relacionadas. Na dimensão do Barroco em edifícios religiosos, Natália Marinho Ferreira Alves disserta sobre o convento e a talha dourada presente na Igreja de Jesus na sua obra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contexto Histórico ==&lt;br /&gt;
Fundado por D. Brites Leitão e D. Mécia Pereira e construído após a autorização para instituição em 1461 por bula papal do Papa Pio II. Sabe-se que a clausura era existente em 1465 desde o princípio de janeiro. Acompanhadas de D. Catarina, essas figuras teriam chegado a Aveiro em 24 de novembro de 1458 e residido em casas junto à atual Catedral, ou seja, no Convento Dominicano ali existente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através do Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA), é possível obter uma sequência cronológica sobre os acontecimentos que envolveram o monumento em estudo. Quanto à sua edificação, destacam-se também os anos de 1459, em que casas na Rua Direita são vendidas a D. Mécia Pereira pelo cônego do Porto, Rodrigo Anes, para fundação do convento. As primeiras freiras desse, segundo esta fonte, teriam recebido o hábito de noviças a 25 dezembro de 1464. A ajuda régia ao local ocorre por esmola anual de 6 mil reais (unidade monetária da época), feita por D. Afonso V (1432-1481) e concedida em 1466.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fontes bibliográficas apontam a data de 1472 como aquela na qual a Princesa-Infanta D. Joana, nascida em 1452, entra no Convento, onde viveu até morrer. “Embora senhora da vila de Aveiro pelos finais do século XV, a infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, decidiu, contra a vontade do pai e da corte, professar como religiosa [...]. No entanto, impedida de o fazer por razões claramente políticas [...], Joana resistiu e manteve-se como secular no convento. [...] será apesar de tudo, após a coroação do irmão como D. João II, aceite finalmente na ordem, fazendo voto de castidade a 25 de novembro de 1481.” (PEREIRA, 2006) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 28 agosto 1472, “D. Afonso V compromete-se a pagar a Aires Gomes as casas que lhe tomara, para incorporar no Mosteiro, bem como o de cercar, madeirar, forrar e ladrilhar o edifício” &#039;&#039;&#039;(&#039;&#039;&#039;SIPA&#039;&#039;&#039;)&#039;&#039;&#039;. Há um testamento feito em 19 de março de 1490 por D. Joana, a aforrar seus escravos e deixando, todos os seus bens ao convento, com exceção de alguns legados. No dia 12 de maio do mesmo ano, falece na Sala ou Casa de Lavor, sendo de imediato reverenciada pelas freiras pela sua santidade, a qual apenas viria a ser oficialmente reconhecida em 1693, com a beatificação da Princesa Joana. D. António de Vasconcelos e Sousa, bispo de Coimbra, procede ao exame do corpo de Santa Joana em 1711 com outras religiosas e o Provincial da Ordem de São Domingos. Em 1777, D. José autoriza que as religiosas designem um juiz executor e um escrivão para a cobrança de rendas e foros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O decreto de 30 de maio de 1834, com Portaria de 4 de junho, durante o período do Liberalismo e com o crescente laicismo nas instituições de poder, dá-se a Extinção das Ordens Religiosas, o que faz com que a clausura termine em 1874 com a morte da última religiosa do local. Natália Marinho Ferreira Alves escreve sobre como os “conventos femininos portugueses nos dão hoje, uma imagem profundamente distorcida, não só do espírito que presidiu à sua fundação, mas também da evolução artística dos próprios edifícios. Para este facto contribuíram a cobiça, o vandalismo e a ignorância que golpearam as instituições religiosas a partir dos inícios do século XIX” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autora destaca a Extinção das Ordens como uma das principais causas para o estado atual das arquiteturas, caracterizando-as como: “Locais de grande prestígio, os conventos acolhiam senhoras da melhor nobreza, inclusivé de sangue real, encontrando-se entre os seus fundadores os próprios monarcas e, como protectoras por excelência, rainhas e infantas. Dispondo de rendimentos de diversa índole, e por vezes avultados, alguns deles, a partir do último quartel do século XVII e durante os dois primeiros terços do século XVIII, sofrem importantes obras de transformação nas suas dependências. Serão as suas igrejas que irão reflectir a feição magnífica e opulenta do barroco com os revestimentos a azulejo e nomeadamente a talha dourada, criando um espaço único, de que são paradigmas as de Jesus e de Santa Clara.” (ALVES, 2019). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O convento é convertido no Colégio de Santa Joana para educação de meninas a partir de Portaria do Governo de 30 de maio. Nos anos seguintes é criada a Irmandade de Santa Joana (1877) e o colégio funciona a partir de 1882 como externato para crianças pobres, sendo encerrado em 21 de junho de 1910, quando o local é “fechado e lacrado e os seus bens arrolados e transferidos para o Estado” (COSTA, 2008-2009). Em 1911 é classificado como monumento nacional e transformado em espaço museológico. A portaria de 7 de junho cria legalmente o Museu de Aveiro, sendo João Augusto Marques Gomes nomeado 1º diretor pela portaria a 24 de janeiro de 1915.  Afeto ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. em 29 de março de 2007, o imóvel foi inaugurado a 18 de dezembro de 2008, correspondendo à reabertura do Museu ao público, com um projeto do arquiteto Alcino Soutinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Alterações Arquitetônicas e intervenções Interiores ==&lt;br /&gt;
Em relação às alterações na estrutura do objeto de estudo antes da beatificação, juntamente com a adição de elementos artísticos à sua estrutura, revelam-se a reedificação da capela-mor em 1592 por Francisco de Tavares, [o contrato de 02 de novembro de 1685 para a obra de Domingos Lopes do forro da igreja e a criação de uma capela na Casa de Lavor em 1689 pelo simbolismo do local de falecimento da infanta D. Joana. A 12 de maio de 1694, as festividades em honra da beatificação da Princesa Santa Joana culminam com uma procissão. Logo em seguida ao feito, o arquiteto régio João Antunes realiza em 1699 o risco e executa o túmulo para a princesa na reforma do coro-baixo (RIBEIRO, 2013), perdurando até 1711. Em 23 de outubro deste ano é transladado o corpo da princesa para o túmulo e feitas as expensas a D. Pedro II.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o século XVIII, a linguagem do Barroco torna-se fortemente presente com a introdução da talha da capela-mor pelos entalhadores António Gomes e José Correia e com o douramento dela por Manuel da Silva, pintor de Coimbra, e António José Correia, pintor do Porto. Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. Os painéis laterais foram pintados em 1729 por Manuel Ferreira e Sousa, pintor portuense. Outros acontecimentos relevantes são: a produção do órgão da igreja (1739), as ampliações da ala poente do claustro (1743-1744) e a feitura do órgão do coro-alto (1792). Quanto à talha do convento, Robert C. Smith e Natália Alves dissertam sobre ela. “A influência de S. Pedro, de Miragaia, faz-se sentir na opulenta capela do convento de Jesus, em Aveiro, cuja talha foi principiada cerca de 1702, data que se encontra no arco cruzeiro.” (SMITH, 1962, p.84). “Nos anos seguintes [a 1685], a talha dourada prolifera, iniciando-se o processo que levará ao revestimento total do interior, concretizado no século seguinte. Datado de 1702 é o arco cruzeiro, sendo também contemporâneos os retábulos laterais desconhecendo-se, até ao momento, a sua autoria.” (ALVES, 2019). A riqueza da igreja de Jesus de Aveiro, ainda existe na atualidade, segundo Natália Alves “não corresponde de forma alguma à sobriedade da sua arquitectura”. Para ela, interessa “o período que medeia entre os reinados de D. Pedro II (1683-1706) e D. José I (1750-1777) sendo, no entanto, na época de D. João V (1707-1750) que se atingirá o máximo esplendor no interior das igrejas conventuais”. O rei D. João V, portanto, promove a difusão da influência portuguesa no Mundo, auxiliada pela exploração do ouro do Brasil, ao comparando-a à grandeza do Vaticano e à da corte papal. Através de doações, dotes conventuais e mecenas, o luxo e aparato instauram-se nas instituições religiosas, permitindo a aquisição de ilustres obras de arte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ala poente do claustro é ampliada durante 1743 e 1744. Em 8 de julho de 1745, ocorre o sepultamento do sétimo duque de Aveiro, D. Gabriel de Lencastre na Capela de Santo Agostinho. A Capela de Nossa Senhora do Rosário possui um altar em madeira dourada e policromada, com catorze tábuas de pintura a óleo do século XVII de autoria de António André. Há um altar secundário decorado com baixos-relevos em cera, ao centro há um conjunto escultórico da Sagrada Família em madeira policromada; albergando a imagem do Menino Jesus deitado em maquineta-relicário do século XVIII. As portas laterais permitiriam o acesso às capelas, aos oratórios e aos espaços de arrumação das alfaias religiosas. A invocação de Nossa Senhora do Rosário nesta capela é justificada por esta ser a invocação mariana predileta dos Dominicanos. (COSTA, 2008-2009). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Capela do Senhor dos Passos é construída no século XVIII nas remodelações do convento e, em virtude da devoção pelos mistérios de Cristo terem destaque à época, uma imagem processional do Senhor dos Passos é albergada pelo retábulo (meados do XVIII) em talha dourada. Do lado direito uma porta dava acesso à desaparecida Capela de Santa Maria Madalena. A Sala do Capítulo Velho era o local onde as freiras se reuniam para decidir assuntos referentes à posse, compra, venda e administração dos bens conventuais. Nela recebiam-se as noviças, onde o hábito era tomado, realizando-se as eleições para nomear a prioresa, local onde se lia a Regra e eram tratadas questões disciplinares. As &#039;&#039;espreitadeiras&#039;&#039; – janelas laterais, possibilitavam que o maior número de religiosas conseguissem assistir aos atos de maior participação. Foi também usado como capela com invocação a Nossa Senhora da Assunção. No interior os retábulos de talha dourada do século XVIII, o teto com molduras em talha dourada e pinturas alusivas à Virgem, foi o local de enterramento das fundadoras do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas por decreto de D. Pedro IV em 1834, o edificado é convertido em Colégio de Educação de meninas a partir de 1874 e transformado à posteriori em espaço museológico em 1911. Com o projeto de Alcino Soutinho, a reabertura ao público do Museu ocorre em 2008. No ano seguinte, em 2009, são inauguradas a nova Sala de Exposições Temporárias, a biblioteca e a Galeria da Pedra. Em 2015, a Assembleia Municipal de Aveiro delibera a &amp;quot;municipalização&amp;quot; do museu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Dependências do Convento de Jesus ==&lt;br /&gt;
[[File:Claustro - Convento de Jesus.jpg|alt=Claustro renascentista em forma retangular e em pedra de Ançã.|thumb|&#039;&#039;&#039;Claustro - Convento de Jesus&#039;&#039;&#039;]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Claustro -&#039;&#039;&#039; O claustro renascentista é “&#039;&#039;adintelado de dois pisos, desenvolvendo uma colunata jónica de fuste liso com correspondência de finas colunas pseudo-toscanas no piso superior e implantação central de chafariz com obelisco, em área rebaixada. Ao longo do piso térreo rasgam-se capelas de diferentes dimensões com portais arquivoltados e ogivais&#039;&#039;.” (SIPA).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Refeitório -&#039;&#039;&#039; Localizado na ala nascente, o refeitório possui planta retangular, com um portal gótico-manuelino. Mantém a estrutura para leitura – a tribuna da leitora – é aberta em três vãos com balcão assente em duas colunas com capitéis anelares de folhagem e de lintéis cortados em arco rebaixado, possuindo acesso através de dois degraus. As paredes são revestidas por azulejo coimbrão do tipo rosácea, padrão azul e branco dos séculos XVII-XVIII, o teto é plano, conservando-se as mesas e bancos; a iluminação é feita por janelas em capialço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Coro-baixo -&#039;&#039;&#039; O Coro-baixo apresenta o túmulo da princesa Santa Joana, em mármores embutidos policromos ao gosto italiano. Obra realizada entre 1699 e 1711 do arquiteto régio João Antunes (1645-1712) – responsável pelas obras na Igreja de Santa Engrácia em Lisboa, o artista faz o risco e executa o túmulo para a princesa durante a reforma do espaço. Em pavimento de mosaico, a porta de acesso do ante-coro na sala é uma obra de marcenaria engradada e embrechada, com inspiração renascentista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Paulo Pereira (2006): “[O arquiteto João Antunes] Usou os embrechados que na altura se acomodavam ao gosto cortesão e áulico português, por influência italiana. Antunes já experimentara esta solução com excelentes resultados no retábulo da Capela da Quinta do Calhariz, em Sesimbra (de 1683). Conhecedor da técnica e dos oficiais que dominavam a artesania do embutido de pedra-mármore, e certamente com base em algum modelo preexistente hoje difícil de encontrar, projeta a arca, instalando-a suspensa sobre quatro anjos em cada canto e com escultura de uma fênix no eixo. A arca é paralelepipédica, com emolduramento jônico e enrolamento em forma de consolas. No cimo e ao centro, põe um grupo de lavores heráldicos, oferecendo duas fachadas com volutas. O sentido de toda esta obra é, no entanto, mais do que heráldico: é emblemático. São emblemas os anjos que suportam o túmulo, bem como a fênix, símbolo da Ressurreição. Do mesmo modo, a ordem arquitetônica escolhida (o jônico), remete para o gênero feminino, como era de tradição vitruviana, traduzida embora de forma barroca. Do mesmo modo, a inexistência de qualquer imagem identificadora de Santa Joana, substituída pelas armas do reino, ou a de «desmaterialização» da inércia da pedra pela representação dos leves e inefáveis anjinhos-atlantes, perpetua o mistério sagrado que ali se encena: a incorruptibilidade de um corpo santo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Sala de Lavor -&#039;&#039;&#039; A Sala de Lavor é atualmente revestida a talha e telas pintadas, que são divididas por cartelões. O local instituído desde o principio da clausura era destinado ao bordado de alfaias e paramentos utilizados no culto, ao “trabalho de lavor”. A Princesa Santa Joana é trazida para esse espaço quando adoeceu. Consequentemente é interrompida a sua função original, Permaneceu aí até à sua morte. Posteriormente, o local passou a ser um cartório, onde foi reunida a documentação necessária para o processo canônico de beatificação, concluído em 1693. Um pequeno altar localiza-se na parede de frente à entrada, com uma tela representando a morte de Santa Joana, onde duas mísulas são ladeadas com imaginária. As pinturas narram à vida da Princesa: a chegada a Aveiro até à realização do seu cortejo fúnebre. Sua remodelação decorativa ocorre em 1734, como nos indica a data presente numa cartela da Casa de Lavor, convertendo a sala em capela-relicário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Fachada do Convento -&#039;&#039;&#039; A fachada principal reveste a estrutura primitiva e prolonga o corpo principal do edifício. Com dois registros, que estão divididos por frisos e cinco panos, há uma entrada central do portal nobre circunscrito por pilastras e frontão semicircular interrompido. Nota-se o escudo e coroa real. Enquanto o piso térreo caracteriza-se assimétrico em relação à abertura dos vãos por vezes entaipados, o piso superior com sistema de abertura de pares de janelões retangulares gradeados de frontões interrompidos. Há um entablamento dórico – friso com métopas e triglifos – na parte superior, com correspondência das pilastras da ordem colossal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Igreja de Jesus -&#039;&#039;&#039; A Igreja de Jesus possui nave retangular com cobertura em caixotões almofadados, com duas estruturas retabulares e silhar de azulejos decorativos. Órgão junto ao coro, porta de acesso à zona conventual, arco triunfal a pleno centro. A capela-mor é profunda e com cobertura em falsa abóbada de lunetas; portas de acesso às primitivas sacristias existentes nas paredes laterais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja de Jesus, localiza-se conforme texto de O &#039;&#039;Roteiro do Museu de Aveiro&#039;&#039; de 1960, nas páginas 56 à 59: “&#039;&#039;A pequena porta de acesso da capela de Santo Agostinho à igreja, entrevista da nave do templo, apresenta-se como obra mestra do ogival dos fins de quatrocentos. Enquadra-se nos trechos decorativos mais tardios de azulejo, pintura, talha e outra marcenaria, a formar sequente conjunto. Logo em frente a esta porta se depara o monumental órgão da igreja&#039;&#039;[...]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferentes artistas foram chamados para executar obras na Igreja de Jesus de Aveiro após a morte da Princesa Joana entre os séculos XVI e XVIII. (Tabela 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tabela 1 ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;4&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Obras e contratos da Igreja de  Jesus&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Obra&lt;br /&gt;
|Artista/Feitor  da obra&lt;br /&gt;
|Cronologia&lt;br /&gt;
|Custo  em real&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reedificação  da capela-mor&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares&lt;br /&gt;
|1592&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do retábulo-mor&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|24  janeiro de 1668&lt;br /&gt;
|90$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  da obra do forro da igreja&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes&lt;br /&gt;
|02  de novembro de 1685&lt;br /&gt;
|470$0000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Reforma  do coro-baixo e execução do túmulo para a princesa D. Joana&lt;br /&gt;
|João  Antunes&lt;br /&gt;
|1699  - 1711&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para a execução da talha da capela-mor   111&lt;br /&gt;
|António  Gomes e José Correia&lt;br /&gt;
|17  de  janeiro de 1725 &lt;br /&gt;
|3:000$300&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para recuo de dois degraus do adro do Convento para ampliação da capela-mor  da igreja &lt;br /&gt;
|Religiosos  de São Domingos&lt;br /&gt;
|10  de janeiro de 1726&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para feitura de várias vidraças&lt;br /&gt;
|Manuel  da Costa Vale&lt;br /&gt;
|30 de dezembro de 1727&lt;br /&gt;
|$060 casa palmo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Contrato  para o douramento da talha e pintura dos painéis laterais&lt;br /&gt;
|Manuel  da Silva e António José Correia (douramento); Manuel Ferreira e Sousa  (pintura dos painéis)&lt;br /&gt;
|02 de abril de 1729&lt;br /&gt;
|1.050$000&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Caixotões  do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1731 (data inscrita)&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura  do órgão da igreja&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|07 de maio de 1739&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Execução  do órgão&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1784&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Feitura do  órgão do coro-alto&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|1792&lt;br /&gt;
|_&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA. (*) : Obra não realizada. Real: moeda portuguesa à época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tabela 2 ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
| colspan=&amp;quot;2&amp;quot; |&#039;&#039;&#039;Artistas no Convento de Jesus  de Aveiro&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Artista&lt;br /&gt;
|Função&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Francisco  de Tavares &lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Domingos  Lopes (1685)&lt;br /&gt;
|Carpinteiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|João  Antunes (1699-1711)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  Gomes (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|José  Correia (1725)&lt;br /&gt;
|Entalhador&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Costa Vale (1727) &lt;br /&gt;
|Mestre  vidraceiro (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel da  Silva (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (de Coimbra)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|António  José Correia (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  dourador (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Manuel  Ferreira e Sousa (1729)&lt;br /&gt;
|Pintor  (do Porto)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Pedro  Guimarães (2003)&lt;br /&gt;
|Organeiro&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Alcino  Soutinho (séc. 21)&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA.&lt;br /&gt;
----Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA). &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2255&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Último acesso em 03/05/2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ribeiro, R. R. G. (2013). &#039;&#039;A atividade do arquiteto João Antunes no norte de Portugal&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o SIPA, “a obra seria à semelhança do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, no Porto”. A obra detalha da capela-mor da encontra-se concluída a data de 01 de maio de 1728.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pereira, Paulo (2006). &#039;&#039;História da arte portuguesa&#039;&#039; (1a ed. reimpressão). Vol. III. Círculo de Leitores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
G. F. Cardoso da Costa, M. M. (2008-2009). &#039;&#039;A invocação de Nossa Senhora do Rosário no Convento de Jesus de Aveiro - Os Rosários nas coleções do Museu de Aveiro&#039;&#039;. MUSEU, IV(17), 153–170. Círculo Dr. José de Figueiredo.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.102.88</name></author>
	</entry>
</feed>