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	<title>Porto Barroco - Contribuições do utilizador [pt]</title>
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		<title>Convento da Madre de Deus Guimarães</title>
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		<updated>2025-05-27T09:31:58Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.103.34: legendas anexos&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|+&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
!Convento da Madre de Deus - Guimarães&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Rua de D. Domingos da Silva Gonçalves&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Cronologia&lt;br /&gt;
|Séculos XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Arquiteto&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Classificação&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 8/83, DR, I Série, 19 de 24 janeiro 1983 / Incluído na Zona Especial de Proteção do Núcleo Urbano da Cidade de Guimarães (v. PT010308340101)&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A historiografia e o lugar do Convento na História da Arte ==&lt;br /&gt;
A arquitetura religiosa feminina em Portugal desempenhou, sobretudo a partir do Concílio de Trento, um papel fundamental na organização do espaço urbano, na afirmação simbólica do catolicismo e na gestão social da clausura. O Convento da Madre de Deus de Guimarães inscreve-se nesse universo, revelando, na sua trajetória arquitetónica e funcional, os mecanismos de poder espiritual, familiar e urbano que moldaram o património monástico ao longo da modernidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A historiografia dos conventos femininos em Portugal evoluiu de meros registos patrimoniais para abordagens críticas mais integradas, que hoje reconhecem o valor arquitetónico, social e simbólico destas instituições. (Pereira 2020. pp. 124-131) O interesse pelos conventos femininos começou muitas vezes por motivos práticos: inventários patrimoniais (especialmente após extinção das ordens religiosas em 1834) para registar bens e obras de arte. Posteriormente, nos séculos XIX-XX, começou-se a olhar para estes conventos não apenas como “depósitos” de arte, mas como elementos arquitetónicos e sociais. Atualmente há alguns estudos mais críticos que ligam os conventos à história urbana, ao papel das mulheres e às dinâmicas de poder. No entanto, os conventos femininos ainda estão menos estudados que os masculinos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As determinações do Concílio de Trento (1545–1563) instituíram um novo modelo para a vida religiosa feminina, impondo clausura rigorosa como forma de garantir a pureza doutrinal e moral. Esta mudança refletiu-se profundamente na arquitetura conventual, que passou a privilegiar espaços fechados, controlando o contacto com o exterior (Conde 2015, pp. 235-257). Em Portugal, país marcadamente católico, essas orientações foram seguidas com grande zelo, levando à adaptação de conventos existentes e à fundação de novas casas segundo os princípios tridentinos (Jacquinet 2015, pp. 4-23). As ordens religiosas femininas ganharam novo protagonismo, funcionando como agentes de ortodoxia e como espaços de contenção social. As mulheres da nobreza, frequentemente destinadas à vida religiosa por motivos de devoção ou conveniência familiar, eram acolhidas em conventos que asseguravam educação básica, reforço moral e prestígio social às suas famílias. Servindo muitas vezes como &amp;quot;depósito&amp;quot; de filhas de famílias nobres que não casavam, garantindo alianças políticas e económicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A extinção das ordens religiosas em 1834 (Oliveira 2015, p.17; Silva 2000), decretada no contexto das reformas liberais que colocaram fim ao Antigo Regime, marcou um ponto de rutura na história do Convento da Madre de Deus de Guimarães. As ordens, tanto masculinas como femininas, foram progressivamente extintas, os seus bens confiscados e os espaços conventuais encerrados (Veiga 2019, pp. 113-120). Como em muitas outras casas religiosas, os bens móveis (livros, imagens, objetos litúrgicos) foram dispersos, vendidos ou simplesmente pilhados. A partir da segunda metade do século XIX, muitos conventos foram adaptados a funções civis (escolas, quartéis, prisões, armazéns ou habitação). Estas reutilizações, quase sempre alheias a qualquer preocupação de preservação histórica, resultaram em descaracterizações graves. A história do convento espelha, de forma paradigmática, os ciclos ideológicos que moldaram Portugal. Nos séculos XVII e XVIII, a construção conventual atinge o seu auge, alimentada por uma religiosidade oficial que servia também a construção de uma identidade nacional. Com a ascensão do Liberalismo no século XIX, verifica-se uma ofensiva sobre o património religioso, enquanto símbolo de um poder a combater.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Bases históricas para a análise arquitetónica ==&lt;br /&gt;
[[File:Claustro Convento da Madre de Deus de Guimarães.jpg|alt=Claustro Convento|thumb|Claustro Convento |268x268px]]&lt;br /&gt;
O Convento da Madre de Deus, localizado em Guimarães, atravessou diversas fases marcadas por sucessivas transformações e intervenções, impulsionadas por figuras de grande relevância. Em junho de 1672, D. Catarina de Chagas chegou a Vale de Donas, acompanhada de um grupo de religiosas, iniciando então a recolha de fundos que possibilitaram, em 1683, a sua instalação definitiva no local, então conhecido como Rosal de Santa Isabel (Caldas 1881, p. 206; Oliveira 2011, vol. I, p. 379). Com o objetivo de conferir uma regra canónica à comunidade, partiu para Roma entre 1690 e 1693, disfarçada com trajes masculinos, na tentativa de obter a Regra de Santa Clara. No entanto, faleceu durante a viagem de regresso e as normas por si adquiridas nunca chegaram a ser implementadas. Mais tarde, em janeiro de 1716, através de Breve D. Rodrigo de Moura Teles, arcebispo de Braga, figura de grande influência e promotor de várias instituições religiosas no norte do país (Rocha 2009, p. 172), envolvendo também membros da nobreza e da alta burguesia urbana, como era comum, motivados tanto pela salvação da alma como pelo prestígio social, nomeia, sua irmã Soror Luísa Maria da Conceição (então recolhida no Mosteiro da Madre de Deus de Lisboa), primeira abadessa da nova fundação ([http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1924 SIPA] 2025; Oliveira 2011, vol. I, p. 379). A sua entrada solene no convento de Guimarães ocorreu a 13 de abril do mesmo ano. Até ao seu falecimento, a 1 de abril de 1739, dedicou-se intensamente ao engrandecimento do edifício, promovendo ampliações e melhorias que permitiram elevar o número de recolhidas a trinta e três. A vida conventual era marcada pela clausura rigorosa, a oração e a educação feminina básica (Silva 2019, p. 352), esta prática de fundação conventual respondia ao modelo pós-tridentino, onde o mecenato religioso reforçava a autoridade familiar e a devoção institucional.                        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XIX marcou o início do seu declínio. A interdição do noviciado, em 1833, e a consequente incorporação do convento nos bens da Fazenda Nacional, no ano seguinte, levaram à redução progressiva da comunidade. O falecimento da última religiosa, Soror Maria de São José, em 1888, marcou o encerramento da vida conventual ([https://digitarq.arquivos.pt/documentDetails/3d147f7410b740718a2ff9ae5c5d34a4 DIGITARQ] 2025). O edifício permaneceu ao abandono, sofrendo atos de vandalismo em 1910. Foi apenas em 1918 que o espaço conheceu nova função, quando D. Domingos da Silva Gonçalves, fundador das Oficinas de São José, arrendou o antigo convento com a intenção de o transformar num internato para jovens rapazes em situação de carência (SIPA 2025). Em 1983, o edifício foi classificado como Imóvel de Interesse Público, nos termos do Decreto n.º 8/83, publicado no &#039;&#039;Diário da República&#039;&#039;, n.º 19, de 24 de janeiro (Oliveira 2011, vol. I, p. 383). Sob a liderança de D. Domingos, realizaram-se obras significativas de reabilitação e ampliação, adaptando o conjunto às novas exigências pedagógicas. À data da sua morte, a 4 de junho de 1960, o convento encontrava-se em pleno funcionamento, albergando diversas atividades formativas e educativas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Arquitetura ==&lt;br /&gt;
[[File:Porta lateral igreja.jpg|thumb|Porta de acesso à igreja|267x267px]]&lt;br /&gt;
O Convento, é também conhecido como Igreja do Convento das Capuchinhas ou Centro Juvenil de S. José, atualmente classificado pelo SIPA e protegido como Imóvel de Interesse Público. Está ainda incluído na Zona Especial de Proteção do Núcleo Urbano da Cidade de Guimarães.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Constata-se que, do antigo convento, apenas a igreja e o claustro subsistem sem alterações significativas. As restantes áreas foram alvo de sucessivas transformações, adequando-se às novas funções impostas pelo uso contemporâneo do espaço. O edifício apresenta uma arquitetura de traço austero, refletindo os princípios da chamada &#039;&#039;Arquitetura Chã&#039;&#039;, uma linguagem formal marcada pela simplicidade volumétrica, pela contenção decorativa e pelo funcionalismo. George Kubler teorizou esta tendência em &#039;&#039;A Arquitectura Portuguesa Chã – Entre as Especiarias e os Diamantes – 1521-1706&#039;&#039;, relacionando-a com os ideais pós-tridentinos de modéstia e recato, especialmente evidentes nas ordens religiosas femininas reformadas (Paiva 2014, p. 73). Esta linguagem, amplamente disseminada na arquitetura religiosa portuguesa, distingue-se por uma depuração formal, ausência de ornamentos supérfluos e soluções construtivas sóbrias (Pereira 1992, p. 24). Tais características estão bem evidenciadas no Convento da Madre de Deus, cuja planta retangular, volumes simples e fachadas despojadas conferem expressividade sobretudo pelo equilíbrio e proporção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta longitudinal, com nave única e capela-mor mais estreita e ligeiramente elevada. A configuração corresponde ao tipo de “igreja-caixa” da &#039;&#039;Arquitetura Chã&#039;&#039;, caracterizada por volumes paralelepipédicos e ausência de compartimentação interna, com cobertura em abóbada e transição entre nave e capela-mor marcada por um arco triunfal. Este último elemento, de origem clássica, desempenha uma função simbólica significativa, assinalando a passagem entre espaços de estatuto litúrgico distinto (Rocha 2017, p. 95). O teto da nave é constituído por caixotões de madeira pintados. O púlpito, utilizado para a pregação, localiza-se do lado da Epístola e assenta numa mísula de cantaria, com guarda plena em madeira. De acordo com Pedro Miguel Oliveira Paiva, existiria um acesso direto entre a sacristia e o púlpito, posteriormente entaipado. “&#039;&#039;A igreja teria perdido o acesso ao púlpito e duas janelas da capela-mor em virtude da construção das escadas de acesso para o segundo piso&#039;&#039;” (Paiva 2014, p. 95). Entre a sacristia e a capela-mor encontra-se uma pia de pedra destinada à purificação ritual das mãos pelo celebrante antes do momento da consagração litúrgica. A capela-mor, centro simbólico do espaço sagrado, acolhe o momento da transubstanciação, ou seja, a conversão do pão e do vinho no corpo e sangue de Cristo, num ritual exclusivamente mediado pelo clero masculino (Rocha 2017, p. 95).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Exteriormente, o edifício distingue-se pela predominância de panos murários lisos, sem elementos decorativos, à exceção do portal principal. Este apresenta uma composição mais elaborada, com volutas, pináculos e espaldar de cantaria encimado por uma cruz latina, sinalizando uma discreta influência do gosto barroco. A estrutura decorativa da entrada revela referências à arquitetura clássica, entablamento e cornija saliente, com pilastras de capitéis que reinterpretam a ordem toscana. O portal principal, com verga saliente, insere-se numa composição simétrica, sendo ladeado por duas janelas gradeadas de verga recta. Sobre o portal, ergue-se um nicho em arco de volta perfeita, que acolhe uma imagem devocional, rematado lateralmente por dois pináculos de cantaria que conferem verticalidade e sobriedade ao conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos conventos femininos, o acesso à igreja pelas religiosas fazia-se geralmente por um percurso autónomo, a partir do interior do claustro, conduzindo ao coro-alto (em certos casos, ao coro-baixo). Estas estruturas permitiam às religiosas assistir à missa através de grades, preservando o anonimato e a clausura, sem contacto direto com os fiéis que acediam pela entrada lateral da igreja (Paiva 2014, p. 165).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O conjunto de equipamentos organiza-se em torno de um claustro central de planta retangular. No piso térreo, apresenta arcadas retas com fachadas em granito aparente; no piso superior, abrem-se janelas com varandins em ferro. O claustro assume aqui o seu papel tradicional de espaço de recolhimento, silêncio e oração (Rocha 2017, p. 93). No seu centro destaca-se um chafariz em pedra, datado do século XVIII. Este elemento cumpre funções simbólicas e práticas: além do abastecimento de água, representava purificação e, segundo Pereira (1992, p. 82), reforçava o dramatismo cénico próprio da estética barroca. A estrutura conventual articulava-se em torno deste núcleo, com acesso às diversas dependências (dormitórios, refeitório, cozinha, enfermaria e noviciado), que foram adaptadas ao longo do tempo, sem anular completamente a memória das suas funções originais (Paiva 2014, p. 45).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há ainda a referir, a existência de um terreiro com um cruzeiro datado de 1775, alinhado com a antiga Calçada das Capuchinhas, e pátios ajardinados que integram fontes decoradas com motivos fitomórficos, testemunho discreto da linguagem barroca. No contexto do Barroco, os cruzeiros assumiam-se como elementos de forte carga simbólica, demarcando o território da fé e integrando o espaço público enquanto sinais da presença religiosa, muitas vezes com funções devocionais e cenográficas (Pereira 2022, p. 20). A fachada orientada a nordeste, estabelecia uma ligação visual direta com a muralha e com a torre da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, reforçando o papel simbólico do convento na paisagem monumental de Guimarães (Paiva 2014, p. 71). Esta intencionalidade espacial foi comprometida, no século XIX, pela chegada da linha férrea e pela construção de pavilhões industriais que obscureceram a leitura urbana do edifício. A arquitetura conventual, mais do que mera funcionalidade, deve ser entendida como um discurso simbólico, um verdadeiro “texto tridimensional” que articula valores religiosos, sociais e políticos através do espaço construído.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Mestres de obra identificados ==&lt;br /&gt;
Atualmente podem observar-se marcas que remetem para as várias fases e épocas construtivas que o edifício atravessou. O edifício preserva, na sua estrutura, os vestígios das intervenções sucessivas de mestres-de-obras, arquitetos e pedreiros, que ao longo do tempo foram moldando o traçado, os volumes e a forma do conjunto, testemunhando assim as diversas fases de transformação e adaptação que marcaram a sua história. Embora não existam documentos que nos consigam levar ao conhecimento do arquiteto responsável pela obra, a tese de doutoramento de António José de Oliveira “Clientelas e Artistas em Guimarães nos séculos XVII e XVIII” (2011), permite identificar os principais mestres construtores responsáveis pelas campanhas construtivas mais relevantes do convento durante os séculos XVII e XVIII.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;André Machado&#039;&#039;&#039;, mestre pedreiro de Arões, foi contratado em 1701 para &amp;quot;&#039;&#039;acabar e aperfeiçoar toda a obra de pedraria que faltava por acabar neste convento&#039;&#039;&amp;quot;, incluindo paredes, portas, janelas, pilares e escadas, segundo a traça definida pelas religiosas. A pedra seria proveniente da Quinta de Vila Nova ou do Montinho de São Roque. O contrato previa uma remuneração de &#039;&#039;&#039;450$000 réis&#039;&#039;&#039;, com cláusulas específicas de prazo, qualidade e penalizações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;António de Oliveira&#039;&#039;&#039;, pedreiro residente no lugar da Cividade (freguesia de São Salvador de Joane), foi contratado em 1719 para a construção de um novo dormitório conventual, pelo valor de &#039;&#039;&#039;615$000 réis&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Manuel da Silva&#039;&#039;&#039;, carpinteiro residente na freguesia de Ruivães, assumiu a execução da carpintaria do mesmo dormitório (portas, janelas, ferragens), pelo valor de &#039;&#039;&#039;385$000 réis&#039;&#039;&#039;. Ambos os contratos mencionam a existência de plantas e apontamentos fornecidos pelas religiosas, e a necessidade de revisão da obra por outros oficiais antes do pagamento final.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O património integrado do Convento da Madre de Deus de Guimarães ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento é um exemplo de como a articulação entre arquitetura religiosa e património integrado, entendendo-se este último como o conjunto de bens cuja existência e função estão intrinsecamente ligadas ao edifício onde se encontram inseridos, formam com ele uma unidade indivisível (Calado et al. 2003, p. 5). Entre os elementos integrados mais relevantes, que estão conservados no convento, sobressai o conjunto de azulejaria figurativa setecentista da capela-mor. Composto por seis grandes painéis azuis e brancos, que representam episódios centrais da vida da Sagrada Família (Paiva 2014, p. 99): a Anunciação, o Sonho de São José, a Apresentação no Templo, a Fuga para o Egipto, o Casamento da Virgem e a Adoração dos Pastores e dos Magos (Oliveira 2011, vol. I, p. 382). Estes painéis não só exemplificam a qualidade técnica da produção azulejar lisboeta do século XVIII (Paiva 2014, p. 167), como revelam uma clara intenção pedagógica e devocional, em linha com os ideais pós-tridentinos de catequese visual.[[File:Retábulo capela mor.jpg|thumb|Retábulo Capela-Mor|268x268px]]O &#039;&#039;retábulo-mor&#039;&#039;, em talha policroma a branco, cinza e dourado, apresenta uma composição tripartida, com tribuna central, colunas coríntias e decoração vegetalista (SIPA 2025), adaptado à sensibilidade franciscana capucha. A presença deste elemento exibe uma contenção ornamental equilibrada com a solenidade litúrgica, preservando o ideal de pobreza decorativa sem abdicar do esplendor do espaço sagrado. Outros &#039;&#039;retábulos dourados&#039;&#039; atualmente existentes nas laterais da nave pintados por António Luís e Luís Lopes Pimenta (1739) (Oliveira 2011, p. 382) — dedicados a &#039;&#039;São José&#039;&#039; e a &#039;&#039;Santa Clara&#039;&#039;, não são originais do convento, tendo sido transferidos da Igreja de Santa Clara de Guimarães no século XX (Oliveira 2011, vol. I, p. 382). Ainda assim, a sua integração posterior mostra bem os desafios contemporâneos na gestão e salvaguarda do património integrado: como defende o IPPAR, a dispersão ou substituição destes bens compromete a coerência simbólica e material do espaço arquitetónico (Calado et al. 2003, p. 14).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A compreensão do património integrado do convento exige também uma consciência crítica dos processos históricos de perda e alienação de bens, particularmente após a extinção das ordens religiosas em 1834. Neste contexto, muitos objetos litúrgicos e artísticos foram removidos ou substituídos, comprometendo a “alma do monumento” — isto é, a unidade simbólica entre espaço, objeto e função (Calado et al. 2003, p. 8). A manutenção e valorização dos elementos ainda preservados, como os azulejos e o retábulo-mor, assume, por isso, particular importância no reconhecimento da identidade do edifício. Neste sentido, o Convento da Madre de Deus de Guimarães oferece-se hoje como um exemplo de património religioso onde a persistência de elementos integrados (apesar das vicissitudes institucionais e funcionais), permite ainda uma leitura coerente da sua função original, simbólica e artística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Do &#039;&#039;Complexo de Noé&#039;&#039; à mercantilização: o património entre memória e função ==&lt;br /&gt;
A intervenção no edificado, ilustra de forma clara as tensões entre a preservação patrimonial e a funcionalização contemporânea de edifícios históricos. Ao longo do século XX, alterações urbanas como a abertura de novas avenidas e a formação de núcleos industriais contribuíram para a descaracterização do entorno conventual. O edifício perdeu a sua relação visual e simbólica com o centro histórico, especialmente com a torre da Colegiada da Oliveira, uma rutura paisagística que compromete o valor monumental da sua implantação original. Internamente, o edifício sofreu intervenções que levantam dilemas clássicos do restauro: conservar o original ou reconstituir o passado? A introdução de betão armado e divisórias em materiais modernos, apontam para uma lógica de adaptação funcional, mais do que de conservação criteriosa. Esta realidade insere-se numa crítica mais ampla à chamada “mercantilização do património”, onde edifícios históricos são descontextualizados em nome da utilidade contemporânea. Por outro lado, alguns teóricos apontam ainda para o &#039;&#039;Complexo de Noé&#039;&#039;, ou seja, a tendência de querer salvar tudo sem qualquer hierarquia de valores, (Zerbetto 2007) poderia diluir o verdadeiro significado do património. A reconversão do Convento insere-se numa tendência mais ampla de reutilização de património religioso desativado, comum em Portugal com abordagens diversas, oscilando entre a conservação e a descaracterização profunda. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Convento como palimpsesto: Leitura crítica do espaço atual ==&lt;br /&gt;
O edificado configura-se hoje como um verdadeiro palimpsesto arquitetónico, (Quintão 2023, pp. 29-34) no qual elementos barrocos originais coexistem com intervenções contemporâneas, ora integradas com sensibilidade, ora contrastantes ou dissonantes. A arquitetura contemporânea sobreposta ao espaço conventual manifesta uma relação dialética com a pré-existência: nalguns pontos, respeita a memória do lugar; noutros, obscurece ou apaga os seus significados. Este fenómeno coloca em causa os princípios da intervenção patrimonial, como os estabelecidos na &#039;&#039;&#039;Carta de Veneza&#039;&#039;&#039; ou nas teorias do restauro crítico, que defendem a distinção clara entre o novo e o antigo, preservando a legibilidade histórica dos conjuntos. Neste sentido, o convento pode ser lido como um espaço de memória em disputa, onde algumas marcas resistem (a estrutura, a função simbólica da clausura, os vestígios artísticos), enquanto outras se perderam ou foram reinterpretadas.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Inserção urbana e função social do convento na cidade de Guimarães ==&lt;br /&gt;
Inserido no denso tecido urbano de Guimarães (cidade de forte tradição religiosa e sede de numerosos conventos masculinos e femininos), o Convento da Madre de Deus não funcionava apenas como espaço de clausura, mas também como instrumento de ordenação social, moral e simbólica. A sua localização, ainda que integrada na malha urbana, criava uma espécie de “&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;ilha de clausura&#039;&#039;&#039;&#039;&#039;”, separada fisicamente, mas influente espiritualmente. De acordo com alguns autores (Oliveira 2011, pp. 379–387), este tipo de conventos femininos reforçava a autoridade da Igreja sobre o espaço urbano, projetando valores de disciplina, recolhimento e pureza sobre o quotidiano das populações. Esta rede prolongava-se até Braga, sede do arcebispado, onde figuras como D. Rodrigo de Moura Teles promoveram ativamente fundações religiosas. O convento de Guimarães poderá assim ser entendido como parte de uma estratégia episcopal mais ampla, com objetivos devocionais, sociais e políticos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Centro Juvenil São José 2025 ==&lt;br /&gt;
O [https://www.cjsj.pt/ Centro Juvenil de São José (CJSJ)] é atualmente uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) sem fins lucrativos, cuja origem remonta às antigas Oficinas de São José, fundadas em 1915 no Convento das Capuchinhas, em Guimarães.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, o CJSJ dedica-se ao acolhimento e à inserção social de crianças e jovens sem apoio familiar ou em risco de exclusão social. As suas principais respostas sociais incluem uma Casa de Acolhimento e um Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental (CAFAP), ambos sediados em Guimarães, bem como uma creche localizada em Felgueiras. Paralelamente, desenvolve projetos como o “Bons Pais, Bons Filhos” e mantém um Alojamento Local (AL), cujas receitas contribuem para a sustentabilidade das suas atividades sociais. Este AL, tem como objetivo principal apoiar jovens oriundos dos PALOP, que se encontram em dificuldades financeiras, ajudando-os a ajustarem-se à realidade económica e social portuguesa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A missão do Centro assenta na intervenção para a reintegração social, colocando as necessidades da criança e do jovem no centro da sua ação, promovendo a sua inclusão e bem-estar. Embora o edifício tenha perdido o seu contexto religioso original, permanece impregnado de espiritualidade e do compromisso com o próximo, valores fundamentais da doutrina cristã que continuam vivos. Este espaço assume-se, assim, como um lugar de memória histórica, sustentado por princípios de fé, de purificação da alma e de amor ao próximo.&amp;lt;gallery class=&amp;quot;[[File:Sepultura Soror Soror Luísa Maria da Conceição.jpg|thumb|]]&amp;quot; style=&amp;quot;[[File:Sepultura Soror Soror Luísa Maria da Conceição.jpg|thumb|]]&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Sala Interior Oficinas de São José.jpg|&#039;&#039;Sala Interior Oficinas de São José&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Interior Oficinas de São José (Corredor).jpg|&#039;&#039;Interior Oficinas de São José (Corredor)&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Refeitório Oficinas de São José.jpg|&#039;&#039;Refeitório Oficinas de São José&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Galeria Convento: ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Sacristia - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Sacristia&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Nave - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Nave&#039;&#039; &lt;br /&gt;
File:Cruzeiro - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Cruzeiro&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Chafariz - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Chafariz&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Púlpito - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Púlpito&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Pia Sacristia - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Pia Sacristia&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Painéis azulejares - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Painéis Azulejares&#039;&#039; &lt;br /&gt;
File:Capela-mor - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Capela-mor&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Retábulo São José - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Retábulo de São José&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Retábulo Santa Clara - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Retábulo Santa Clara&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Túmulo D. Domingos - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Túmulo D. Domingos&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Grade Coro-Alto - Convento da Madre de Deus - Guimarães.jpg|&#039;&#039;Grade Coro-Alto&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Sepultura Soror Soror Luísa Maria da Conceição.jpg|&#039;&#039;Sepultura Soror Luísa Maria da Conceição&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Placa sepultura.jpg|&#039;&#039;Placa sepultura&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Anexos imagens: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
© PAIVA, Pedro Miguel Oliveira (2014).&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Estudo de vãos.jpg|1.  &#039;&#039;Estudo de Vãos&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Desenhos 3d.jpg|2. &#039;&#039;Desenhos 3D&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Fig- 32, 33, 34.jpg|3. &#039;&#039;Estudos (desenhos)&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Desenho baixo relevo.jpg|4. &#039;&#039;Desenho baixo-relevo&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Vista aérea convento desenho.jpg|5 - &#039;&#039;Vista aérea&#039;&#039;&lt;br /&gt;
File:Manuscrito e cartografia.jpg|6 - Manuscrito do Livro de atas da Câmara&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
© OLIVEIRA, António José de (2011).&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Pag. 128.jpg|Documentos de pedraria e carpintaria&lt;br /&gt;
File:Pag. 129.jpg&lt;br /&gt;
File:Pag. 130.jpg&lt;br /&gt;
File:Pag. 131.jpg&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Bibliografia e Fontes: ==&lt;br /&gt;
ALVES-FERREIRA, Natália M. (2009). Os Franciscanos no Mundo Português. Artistas e Obras I. CEPESE.  ISBN: 978-989-95922-8-5. ROCHA, Manuel Joaquim (2009). Panorama Artístico no Século XVIII dos Conventos Franciscanos Femininos em Braga. Tópicos para uma Abordagem. pp. 170-176.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
CALDAS, Padre Antonio José Ferreira  (1881). Guimarães: Apontamentos para a sua história. Volume I. Porto - Typ. de A. J. da Silva Teixeira - 31761071501647 - &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://archive.org/details/guimaresaponta01ferr/mode/2up&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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VEIGA, Francisca Branco (2019). 1832–1834: Regência de D. Pedro em nome de sua filha D. Maria da Glória: fim do governo temporal da Igreja Católica e das Ordens Religiosas em Portugal. In: SOARES, Clara Moura; MALTA, Marize (eds.). D. Maria II, princesa do Brasil, rainha de Portugal: Arte, Património e Identidade. Lisboa: Palácio Nacional da Ajuda, pp. 113–120. ISBN: 978-972-27-1234-7.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Archeevo - &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://archeevo.amap.pt/descriptions/306585&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA - &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1924&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Torre do Tombo: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=4224358&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.103.34</name></author>
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		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa</title>
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		<updated>2025-05-27T08:15:15Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.103.34: /* Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Em Portugal, à semelhança de toda a Europa, cedo se formaram comunidades de mulheres religiosas fieis aos princípios da Regra de S. Bento, valorizada por S. Bernardo, e que praticavam uma observância paralela às instituições da própria Ordem. No nosso país, os primeiros mosteiros femininos cistercienses deveram-se à ação e devoção das infantas D.a Teresa; D.a Mafalda e D.a Sancha, filhas de D. Sancho I. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda no decorrer do século XIII foram fundados os mosteiros de Santa Maria de Cós (1241); S. Bento de Cástris (1275); Santa Maria de Almoster (1287) e S. Dinis de Odivelas (1295)38 .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já na Época Moderna assistiu-se à renovação espiritual da Ordem, fruto da reforma da Igreja iniciada em toda a Europa e fruto do movimento designado de &amp;quot;Recoletas&amp;quot;, no que respeita ao ramo feminino Cisterciense. Paralelamente, registou-se a ressurreição e prosperidade dos mosteiros e um melhoramento dos seus edifícios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir dos finais do século XVI, em reunião, o Capítulo Geral da Congregação de Alcobaça delineou todo um plano de reorganização da Ordem e restauração dos seus edifícios, permitindo a fundação de outras instituições entre as quais nos interessam particularmente as fundações femininas de S. Bernardo de Portalegre (1518).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Parte I &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquadramento&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nossa Senhora da Assunção de Tabosa (1692), objeto do nosso estudo. Foi, no entanto, durante este período que muitos mosteiros femininos mergulharam em plena decadência moral, tornando-se estritamente necessária a sua recuperação espiritual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste contexto de reforma e recuperação espirituais, salientam-se no século XVII, os mosteiros de Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo e Nossa Senhora da Assunção em Tabosa, conhecidos pela prática de uma rigorosa observância, marcada pelo desejo de uma vida de recolhimento e austeridade, mais austera que a estrita observância cisterciense, numa busca permanente de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Designado de &amp;quot;Convento de S. Bernardo&amp;quot; pelo facto de nele as religiosas terem praticado a Regra de S. Bento revista por S. Bernardo mas cuja designação nos aparece plenamente assumida, assim constando do Inventário do Património Arquitectónico da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Localização&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Portugal, Viseu, Sernancelhe, Carregal&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro feminino de Nossa Senhora da Assunção 42 fica situado em Tabosa, lugar a Oeste da freguesia do Carregal, concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu, comarca de Moimenta da Beira e diocese de Lamego.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A freguesia do Carregal, situada no seio da serra da Lapa a setecentos e vinte e cinco metros de altitude, apresenta fraca densidade populacional tal como toda a região. De clima muito rigoroso e com invernos prolongados, é extremamente pobre em recursos económicos, predominando o sector primário, onde uma agricultura frustrada e a percuária são as principais actividades económicas e a garantia de subsistência para uma gente humilde. As raízes históricas do lugar de Tabosa são muito antigas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje eclesiasticamente é anexa de Caria e pertence ao bispado de Lamego. Foi pertença de D. Egas Moniz e de seu irmão D. Mem Moniz, já que a antiga Honra de Caria com todo o seu vasto Termo foi deles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fundação &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mosteiro, erigido no final do século XVII, destinava-se a recolher religiosas que desejavam praticar a observância ditada pela Regra de S. Bento, renovada por S. Bernardo e inspirada pelas reformas de Santa Teresa de Ávila e S. Pedro de Alcântara, que propunham uma vida mais austera e de maior recolhimento, resultando daqui a designação de &amp;quot;Recoletas&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Surgiu após um período de relaxamento na Ordem, verificado em quase todos os mosteiros dos séculos XIV e seguintes. Destacou-se precisamente pelo rigor da observância que nele se praticou, ganhando fama e prestígio na região e no país em geral. Resultou das circunstâncias da vida de uma nobre senhora, de nome D.a Maria Pereira, e da sua devoção pela Virgem Nossa Senhora da Assunção e pelos patriarcas S. Bento e S. Bernardo cuja Regra foi posta em prática no interior do mosteiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi a partir da  devoção da fundadora à Senhora da Assunção, que resultou que o mosteiro, assim como, a igreja fossem postos sob o patrocínio de Maria, Senhora da Assunção. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Longe estava o tempo em que a formação da nacionalidade se entrecruzava com a fundação de mosteiros nesta região, pois deles e da ação dos seus monges dependiam o aproveitamento e povoamento das terras que então se conquistavam aos Mouros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegados ao período do Antigo Regime, nada justificava a edificação de um mosteiro sem um objectivo verdadeiramente fundamentado em terras tão distantes de tudo e de pouca importância para o desenvolvimento do país, não fora o facto deste mosteiro ser inteiramente suportado na sua construção e sustento das religiosas pela sua fundadora que nele aplicou todos os seus bens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Indagamos por isso os motivos que originaram a sua aprovação por parte das instituições e autoridades responsáveis, isto é, a Congregação de Alcobaça, o rei i D. Pedro II e ao bispo de Lamego D. José de Menezes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Doação, Dotação e Motivação&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
D.a Maria Pereira era filha de Francisco Rebelo de Carvalho e de Maria Rebela Pereira, casal aristocrata e de prestígio na região. Senhora de sólida formação moral que se refletiu fortemente na sua vida, era natural de Sernancelhe, moradora no Carregal no lugar de Tabosa, na Quinta da Luz, herança de seu primeiro marido Diogo Ribeiro Homem, por morte deste . &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contraíra segundas núpcias com Paulo Homem Teles, senhor de ditoso estatuto social, pois era fidalgo da Casa Real, Tenente-General de Cavalaria e Governador das Armas da Província da Beira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dotada de muitas virtudes religiosas e humanas, abastada de bens herdados de seus pais e parentes, e outros que lhe couberam das partilhas feitas com os respectivos herdeiros de seus maridos, respeitada pelos moradores do Carregal, quer pela sua riqueza e ascendência, quer pelo cargo público de seu segundo marido, quis o destino deixar de novo viúva D.a Maria Pereira e sem herdeiros legítimos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resolveu a senhora entregar-se à fundação de obras pias pelo que manifestou o desejo de edificar na sua Quinta um mosteiro. Nascia assim o mosteiro de Nossa Senhora da Assunção, produto das circunstâncias da vida da fundadora e, sobretudo, produto da sua grande fé e devoção pelos entendimentos de S. Bento, S. Bernardo e Senhora da Assunção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estavam devidamente documentados com procurações que lhes conferiam os poderes e competências necessárias para em nome da Congregação assinarem a &#039;Escritura&amp;quot; da fundação do mosteiro e tomarem todas as medidas e decisões que entendessem convenientes para a sua efetuação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para a instituição de qualquer mosteiro era necessário o consentimento da Congregação, do rei e do Prelado diocesano. Sendo assim, D.a Maria Pereira enviou à Congregação de Alcobaça e ao rei uma &amp;quot;Petição&amp;quot;, a fim de obter a respetiva licença para fundação do mosteiro na sua terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E &amp;quot;logo pel los ditos Padres Dons Abades (...) foi dito (...) que eles em nome do dito Reverendíssimo Padre Dom Abade Geral e de toda a Congregação (...) podiam e deviam de direito aceitar (...) a Doação e Dotação (...) com todos os encargos, clausulas, condições e obrigações nesta Escritura declaradas&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sendo as ordens estabelecidas por D.a Maria Pereira para a fundação do mosteiro aceites. O despacho da Congregação foi favorável ao pedido da fundadora e exarado em 1/05/1691.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mosteiro de Nossa Senhora da Assunção surge-nos como uma forma de consolidação do poder e prestígio pessoal da fundadora, perpetuando no tempo a sua memória mas também como forma de afirmar a sua fé e devoção, motivos que, na verdade, estiveram na origem da fundação do mosteiro. Em 1685 iniciaram-se as obras de construção da igreja de Nossa Senhora da Assunção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ingresso e Interesse Aristocrático&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mosteiro servia os interesses da aristocracia provinciana na medida em que preocupada com a educação das suas filhas, encontrava nele o local onde podia colocá-las, podendo estas optar entre seguir a vida religiosa ou abandoná-la. Servia como refúgio das jovens que por qualquer motivo não tinham contraído matrimónio e optaram por &amp;quot;casar&amp;quot; com Deus. Servia para todas as jovens e senhoras que por devoção nele queriam ingressar, desde que reunissem as condições necessárias para o fazerem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Numa carta de 13/07/1689 o Corregedor informou o rei, &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
que &amp;quot;(...) entre os &amp;quot;Officiais da Câmara, nobreza dela epovo do dito concelho (...), entre todos não houve um que he de haver inconveniente a se fazer o dito mosteiro, antes sim que era conveniência o houvessem para o que os ditos homens nobres daquelle concelho pudessem com menos custos acomodar nelle suas filhas e irmãs e os pobres houvessem remédio a suas necessidades com as mais esmolas que ali farão as religiosas (...)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A data da fundação do mosteiro, a região e o local de edificação do mesmo, satisfaziam plenamente as necessidades das futuras religiosas que aqui encontravam o silêncio e isolamento necessários para a preparação do seu espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;(...) que tem mais de frio que de quente era um local com muita quantidade de águas (...), grande largueza para cercas, com bosques de árvores frutíferas, e terras para hortaliça com águas nativas dentro das mesmas cercas, (...) era terra provida de alimentos ...)&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O solo dentro da cerca era muito fértil e assegurava diretamente o sustento da comunidade religiosa, contudo, acrescentava o Corregedor, que, tendo conhecimento que a observância praticada pelas religiosas as impedia de consumir carne, tinham estas o peixe fresco que chegava com facilidade aos mercados da região, sobretudo ao mercado da Lapa, trazido do Porto e do rio Douro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, em 15/11/1689 D.a Maria Pereira viu satisfeito o seu almejado desejo através da concessão do poder régio por D. Pedro II. Abriu-se, deste modo, uma nova página na História do último mosteiro feminino cisterciense em Portugal, com a formalização e oficialização da sua fundação instituída pela &amp;quot;Escritura&amp;quot; realizada em 22/04/1692.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os vários bens que D.a Maria Pereira doou para a fundação do mosteiro de Tabosa podemos mencionar os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bens Doados Para Edificação e Conservação do Mosteiro&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aproximadamente um total de rendimento de 91 #920 reis por ano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Processo de Encerramento&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi autorizada em 14/05/1771 a transferência das religiosas e rendas do mosteiro para o Colégio de S. Francisco Xavier em Setúbal bem como a integração dos seus bens nos &amp;quot;próprios&amp;quot; da Coroa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O  reinado correspondeu a uma época de mudança mental e de valores, marcada pela ação dos &amp;quot;filósofos&amp;quot; que, à sua maneira, se tornaram os principais inimigos da Igreja. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No nosso país mandava o Marquês de Pombal, ministro do rei, muito empenhado em destruir a Companhia de Jesus e expulsar os Jesuítas, acusados de constituírem um obstáculo à afirmação da soberania da Coroa portuguesa sobre as colónias. É neste contexto de &amp;quot;revolução mental&amp;quot; que, pressionado, o Abade Dom Manuel de Mendonça se mostra empenhado em fazer um Inventário dos bens e rendimentos de todos os mosteiros aferindo a viabilidade do sustento das religiosas e a subsistência das próprias casas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na perspectiva do Abade o exame dos rendimentos e bens dos mosteiros da Congregação mostrava-lhe que os mosteiros de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa e Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo não reuniam condições para subsistirem divididos. Não possuíam a renda necessária ao sustento das religiosas, cuja alimentação sujeita a uma dieta rigorosa, estava em causa, nomeadamente em Tabosa, e que certamente em Setúbal junto ao rio Sado e beira-mar, não lhes faltaria. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi a postura de Dom Manuel de Mendonça, ao declarar extintos vários mosteiros e retirar os seus bens, caíram muito mal no seio da comunidade cisterciense custando-lhe posteriormente a destituição do cargo sob a acusação de traição e conspiração relativamente ao governo da Ordem de Cister em Portugal e sua exagerada cumplicidade com o governo do ministro de D. José, o Marquês de Pombal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A transferência das religiosas para Setúbal com todas as suas rendas e bens foi concretizada e esteve na origem do processo de ruína do mosteiro que, de repente, se viu votado ao abandono.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O encerramento definitivo iria se prolongar por algum tempo mas, devido à ação da rainha D.a Maria I, que entretanto subiu ao trono e pode proceder-se à reabertura deste e outros mosteiros extintos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, a população de Tabosa, essencialmente ocupadas no trabalho duro do campo, viram-se desejosos para ouvirem a palavra de Deus na igreja de Nossa Senhora, ansiando pela reabertura do mosteiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando as religiosas chegaram de novo a Tabosa não possuíam rendas e os dotes já se haviam esgotado, canalizados para a conclusão do mosteiro de Setúbal. Passaram a viver na dependência das esmolas de quase todos os mosteiros da Ordem, ou seja, da solidariedade institucional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A rainha foi contactada por responsáveis da Ordem para que intercedesse a seu favor no sentido de deporem do cargo o Abade Geral Dom Manuel de Mendonça que durante nove anos ocupou o cargo de Abade Geral da Congregação, a quem acusavam, de &amp;quot;maus procedimentos no governo da Ordem pelo que, lhe deviam ser abolidos todos os privilégios, graças e isenções e o deviam meter em reclusão na sua cela &amp;quot;. Em 01/11/1777 iniciou-se em Alcobaça uma importante reunião.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O restauro dos mosteiros de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa, foi concretizado devido às verbas, que resultavam das contribuições que cada mosteiro era obrigado a pagar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o final do reinado de D.a Maria I Portugal entrava num período político conturbado que conduziria ao fim do Antigo Regime e ao encerramento definitivo dos mosteiros em 1834 ou após a morte da última religiosa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 27/03/1850 faleceu a Madre Thomazia Rita, última religiosa que vivia no mosteiro. Em conformidade com decreto, os bens pertenciam a partir desta data à Fazenda Pública Nacional. O mosteiro encerrou definitivamente as suas portas e foi sendo desmantelado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XIX ficou conhecido como o século da exclaustração no domínio da Igreja religiosa, levando ao encerramento definitivo dos mosteiros portugueses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Parte II &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ARQUITETURA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquitetura e Ornamentação do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa: Entre a Tradição Cisterciense e a Expressividade Barroca&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A chamada &amp;quot;Arte Cisterciense&amp;quot; não constitui propriamente um estilo artístico com características específicas adaptadas a cada país. Pelo contrário, apresenta grande uniformidade, sendo marcada por sobriedade, austeridade e espiritualidade, em oposição ao luxo decorativo. Essa abordagem reflete os ideais da Ordem de Cister, especialmente os de São Bernardo, que rejeitava a ornamentação na arquitetura religiosa por considerá-la desnecessária à vivência espiritual. Embora se fale em &amp;quot;Arte Cisterciense&amp;quot;, muitos estudiosos preferem o termo &amp;quot;tipologia cisterciense&amp;quot;, dado que a arte da Ordem manifesta-se mais na forma arquitetónica do que em elementos decorativos. A planta dos mosteiros seguia um modelo típico, com estruturas como igreja, sacristia, claustro, refeitório, entre outras, organizadas de modo funcional e austero. Os edifícios eram geralmente dispostos em torno do claustro principal, que servia como o coração do mosteiro, promovendo silêncio e recolhimento. Os materiais predominantes eram locais, como pedra granítica, e a construção evitava o uso de elementos supérfluos, em favor de proporções equilibradas, iluminação natural suave e linhas retas. Com o tempo, especialmente nos séculos XVII e XVIII, muitos mosteiros, como o de Tabosa, sofreram influências barrocas, incorporando talha dourada, azulejos e pinturas, distanciando-se dos princípios originais de simplicidade. Ainda assim, essas intervenções interiores não descaracterizaram totalmente a tipologia cisterciense.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Tabosa é um exemplo dessa evolução. De menor dimensão e com planta simples, mantém traços da tradição cisterciense, mas com desvios notáveis, como a disposição das dependências monásticas a oeste e em nível superior ao da igreja — o que contraria os padrões habituais da Ordem. O Mosteiro está situado na região de Lamego, insere-se na tradição cisterciense, embora com particularidades que o distinguem. Fundado no século XVII, num período de renovação espiritual e artística da Ordem de Cister em Portugal, foi construído num terreno doado pela fundadora, obedecendo às suas condições topográficas. A orientação do edifício, o aproveitamento do relevo e a escolha dos materiais foram diretamente influenciados pelas características do local, o que demonstra uma adaptação prática sem perder de vista os princípios monásticos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sua arquitetura reflete influências barrocas, com alguma adaptação às exigências do terreno. Apesar de respeitar as funções monásticas comuns à Ordem, a distribuição espacial difere do modelo típico cisterciense, com a igreja situada em plano inferior ao restante complexo conventual, o que contraria a tradição. A igreja, de planta retangular e uma só nave, apresenta-se decorada com talha dourada, pinturas alegóricas e elementos marcadamente barrocos. A fachada da igreja é sóbria mas bem composta, com elementos de cantaria bem talhados, apresentando um equilíbrio entre ornamentação barroca e a contenção típica cisterciense. Destacam-se o Altar-mor, ricamente ornamentado com imagens de Nossa Senhora da Assunção, S. Bento e S. Bernardo, e vários altares laterais com temáticas religiosas distintas. O Coro, dividido em alto e baixo, mantém-se separado do espaço dos fiéis por uma elaborada grade de carvalho. O Coro Alto destinava-se às religiosas era acessível a partir do corpo conventual, com vistas para a nave. A Capela-mor, elevada em relação à nave, permite boa visibilidade às religiosas durante os ofícios. A sacristia, acessível por um corredor com elementos como um lavabo, é simples, com cobertura em madeira. O mosteiro possui ainda vestígios de sistemas hidráulicos que abasteciam o complexo. Estes sistemas demonstram não só a preocupação com o conforto funcional, mas também o avanço técnico da Ordem de Cister, que valorizava a autossuficiência e a organização racional dos espaços. O conjunto evidencia a importância histórica, artística e espiritual deste mosteiro, refletindo a adaptação da tradição cisterciense ao contexto local e às exigências do Barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro conserva elementos típicos da ordem como o Claustro e a Cerca, embora em estado ruinoso. O Claustro possui colunas renascentistas e restos de uma fonte barroca que outrora embelezava o local. O claustro, de planta quadrada, articulava os principais espaços do convento e era utilizado para meditação, leitura e circulação interna em silêncio. Os monges demonstravam notável engenharia hidráulica, canalizando a água para fins diversos, como abastecimento e esgoto. Reformas ao longo do tempo alteraram parte da estrutura, como a transformação de janelas em portas. Após o Concílio de Trento, a clausura foi reforçada com grades, portas reforçadas e uma cerca protetora, ainda preservada. A Cerca, delimitando os terrenos do mosteiro, incluía hortas, pomares e caminhos de circulação interna, essenciais para a vida autossuficiente da comunidade. A arquitetura do conjunto segue um formato quadrilátero com a igreja a nascente. A fachada principal destaca-se por sua decoração barroca em granito, com portal monumental, frontão, e nicho com São Bernardo e brasão da Congregação de Cister. Este conjunto escultórico é um dos pontos altos da fachada, revelando influências do barroco português e a intenção de afirmar visualmente a identidade da ordem. Outro destaque é o Mirante, estrutura elevada que permitia às religiosas observar o exterior sem violar a clausura. Há ainda um segundo portal de entrada mais simples, dedicado à Nossa Senhora da Assunção. Apesar das ruínas e da falta de documentação sobre os arquitetos, a beleza e detalhe das esculturas em pedra revelam a mestria dos artistas que o ergueram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Constituição do Mosteiro e Função de Cada Espaço&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa era constituído por diversos espaços, cada um com uma função específica que atendia às necessidades monásticas e litúrgicas dos monges cistercienses. A organização do mosteiro seguia uma lógica funcional, refletindo a busca pela simplicidade e eficiência, mas também adaptada às influências barrocas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Igreja: O edifício mais importante e simbólico do mosteiro, a igreja era o centro da vida espiritual. A nave, com altar-mor e altares laterais, servia para as celebrações litúrgicas, e a Capela-mor, elevada em relação à nave, proporcionava uma boa visibilidade aos monges durante os ofícios. A igreja, com uma só nave, refletia a austeridade cisterciense, enquanto os elementos barrocos no interior, como a talha dourada e as pinturas, eram usados para enriquecer a experiência espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Claustro: Localizado no centro do mosteiro, o claustro era o espaço de circulação entre os diversos edifícios. Ele era fundamental para a vida cotidiana dos monges, servindo como lugar de meditação, leitura e descanso. O claustro também refletia a disciplina cisterciense, com o seu formato simples, mas imponente, cercado por colunas renascentistas e uma fonte barroca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Coro: O Coro Alto, separado do espaço dos fiéis por uma grade de carvalho, era um local de oração e canto litúrgico. A sua divisão em alto e baixo permitia uma separação das funções entre as religiosas e os fiéis, promovendo uma maior concentração nas funções litúrgicas e no serviço divino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sacristia: Um dos espaços mais práticos do mosteiro, a sacristia era onde os objetos litúrgicos eram guardados e preparados para as missas. A sua simplicidade, com um lavabo e cobertura em madeira, reflete a sobriedade da vida monástica, ao mesmo tempo em que oferece funcionalidade para as necessidades litúrgicas diárias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Refeitório: O refeitório era um espaço de convivência para os monges, onde se realizavam as refeições em silêncio, respeitando a disciplina cisterciense. Era um local de partilha, essencial para a vida comunitária, permitindo que os monges se nutrissem fisicamente, enquanto refletiam espiritualmente sobre o trabalho e a oração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca: A cerca era uma estrutura de proteção ao redor do mosteiro, projetada para manter os monges dentro dos limites monásticos, garantindo o isolamento e a clausura, conforme as normas estabelecidas pelo Concílio de Trento. A cerca também incluía espaços para a produção agrícola, como hortas e pomares, fundamentais para a autossuficiência do mosteiro. A presença da cerca também simbolizava a separação do mundo exterior, criando um espaço sagrado e contido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mirante: A estrutura elevada que permitia às religiosas observar o exterior sem violar a clausura. Esta característica era importante para manter a separação do mundo exterior, permitindo um contato visual com a natureza e o ambiente ao redor, mas sem comprometer o isolamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fontes e Sistemas Hidráulicos: O mosteiro também se destacava pelo seu sistema hidráulico, que não só abastecia o mosteiro com água para consumo e higiene, mas também era utilizado em práticas religiosas e rituais. Esse sistema refletia a engenharia avançada da Ordem de Cister, conhecida pelo uso eficiente da água em suas construções.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Intervenções no Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Década de 1680–1690 — Fundação e primeiras dificuldades&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1685 foi lançada a primeira pedra da igreja, a única parte concluída quando, em 1692, chegaram as primeiras sete religiosas vindas do mosteiro do Mocambo. Encontraram apenas onze celas inacabadas e viveram em condições precárias, agrupadas por celas e usando a igreja como espaço comum. Apesar do desânimo inicial, começaram logo a melhorar o espaço com os dotes trazidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Década de 1690–1700 — Início das obras estruturais e litúrgicas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1695 já estavam prontas as estalas do coro, e iniciou-se a construção da capela-mor com talha dourada. Em 1696 foi colocado o Santíssimo no sacrário e finalizaram-se as decorações principais. Em 1697 decoraram-se arcos e janelas, e entre 1697 e 1699 fez-se o “Tombo” do mosteiro, ajustando receitas e despesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Década de 1700–1710 — Expansão das dependências monásticas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram construídas a enfermaria, o dormitório e o terreiro em frente ao mosteiro, bem como a escadaria para o mirante. Entre 1703 e 1704 foi edificado o Claustro, importante estrutura para a vida em clausura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Décadas de 1730–1750 — Conclusão de áreas essenciais e restauros&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1737 instalaram-se canalizações de água, e em 1745 foi terminada a Sala do Capítulo. Três anos depois, em 1748, concluiu-se o Sepulcro do Senhor Morto. Em 1750, houve obras de restauro e manutenção, que custaram mais de oito contos, sinal de uma economia ainda estável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Década de 1770 — Ruína e abandono temporário&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o reinado de D. José, o mosteiro entrou em decadência. Em 1771, as religiosas foram transferidas para Setúbal e o edifício começou a ser desmantelado, com materiais vendidos e estruturas abandonadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Década de 1780 — Regresso e reconstrução&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1777, com D. Maria I no trono, as religiosas regressaram a Tabosa e encontraram o mosteiro em ruínas. Com o apoio da Congregação de Alcobaça e da “Arca da Caridade”, recomeçaram as obras e reconstruíram parte significativa do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Década de 1830 — Extinção das Ordens Religiosas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1834, com a extinção das ordens religiosas, o mosteiro foi encerrado. A última religiosa ficou em residência até à sua morte, e o edifício entrou num período de vigilância e abandono.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Década de 1840–1850 — Fim da vida monástica e dispersão dos bens&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1844, foi feito o inventário da casa, descrita como segura mas a precisar de reparações. Em 1850 faleceu D. Thomazia, última religiosa, e os bens do mosteiro foram disputados judicialmente, acabando vendidos em hasta pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pós-1850 — Ruína do edifício e preservação da igreja&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem fundos nem interesse para reconstrução, o edifício do mosteiro caiu em ruínas. Apenas a igreja foi conservada pela população local e pela Junta de Paróquia, sendo adaptada a templo paroquial e alvo de pequenas intervenções ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estado Atual&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção desempenhou um papel fundamental na história e desenvolvimento de Tabosa, sendo não apenas um centro de devoção religiosa, mas também um ponto central na vida social e económica da comunidade local. A sua fundação, em terrenos anteriormente pertencentes à nobreza, demonstra o seu vínculo direto com as elites da região, mas também a intenção de criar um refúgio espiritual e de apoio à população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante séculos, o mosteiro foi um pilar da vida comunitária. A sua função não se limitava apenas à devoção religiosa, mas abrangia também uma série de ações sociais. Muitas mulheres, provavelmente de famílias de menor poder económico ou em busca de uma vida de espiritualidade mais profunda, procuraram refúgio neste convento. O mosteiro era um local onde o bem-estar físico e espiritual se entrelaçavam. Além disso, a distribuição de esmolas aos necessitados garantiu que o mosteiro cumprisse um papel essencial na ajuda social, mantendo um vínculo direto com as camadas mais carenciadas da sociedade de Tabosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A importância económica do mosteiro também não pode ser subestimada. Ele funcionava como um centro de produção e sustento para a comunidade local. Com a presença das religiosas, o mosteiro contribuía para a produção agrícola, a educação e até mesmo o comércio local, tornando-se uma força dinamizadora da economia da região. As mulheres que lá residiam, ao longo dos séculos, não só mantinham as tradições religiosas, mas também geravam riqueza, com o apoio da nobreza e das outras classes sociais da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, com o encerramento parcial do mosteiro e a transferência das religiosas para Setúbal, o impacto na comunidade foi profundo. A população ressentiu-se de forma significativa, pois perdeu uma instituição vital para o seu sustento espiritual e financeiro. O mosteiro, que durante tanto tempo fora um símbolo de apoio e segurança, viu-se enfraquecido. A decadência não demorou a chegar. O edifício, antes imponente, foi alvo de disputas judiciais, que acabaram por resultar em abandono e pilhagem. As pedras e madeiras que antes sustentavam a grandiosidade do mosteiro foram reaproveitadas para outras construções na localidade, como uma tentativa de reaproveitamento dos seus recursos materiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a chegada da República e a consequente venda dos bens em hasta pública, o mosteiro perdeu a sua importância social e patrimonial, sendo adquirido por um único proprietário, abastado, mas que, ao longo do tempo, não soube preservar ou valorizar o património que tinha nas mãos. A família desse proprietário, com o passar dos anos, acabou por dissipar grande parte desse legado, e o que restou foi a inevitável decadência do que outrora fora um grande símbolo da comunidade de Tabosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos dias de hoje, o que ainda persiste do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção é apenas a sua igreja, que se mantém, apesar do desgaste do tempo, sendo cuidada pela população local e pelo pároco. Este espaço preserva não apenas a memória do que o mosteiro representou, mas também a beleza histórica que o caracteriza. As ruínas ainda visíveis são um testemunho do esplendor de um tempo em que Tabosa era um centro de fé, cultura e riqueza, e elas continuam a recordar à população local as suas origens e a grandiosidade do passado monástico da vila.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em última análise, a história do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção é uma metáfora da própria evolução de Tabosa: uma ascensão e queda de um símbolo de poder, fé e riqueza, cujas cicatrizes permanecem como recordação de um passado que, embora agora distante, ainda tem um impacto profundo na identidade da vila. A preservação da igreja, embora modesta em comparação ao esplendor original, continua sendo um elo vital com esse passado, e talvez seja uma das últimas formas de garantir que a história do mosteiro e da própria Tabosa não se perca para as gerações futuras. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Infelizmente, até ao momento, não existe documentação conhecida e amplamente divulgada que identifique com precisão os arquitetos, mestres de obras, pintores, azulejistas ou outros trabalhadores que estiveram envolvidos diretamente na construção do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Património Integrado – O Mosteiro de Tabosa Hoje&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora o antigo Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa tenha sido duramente fustigado pelo tempo, abandono e intervenções humanas, ainda hoje subsistem testemunhos materiais que conservam viva a memória da sua presença e importância. O elemento mais significativo que perdura é a igreja conventual, atualmente convertida em igreja paroquial, onde ainda se celebra o culto religioso. Este edifício, de traça barroca, preserva no seu interior um valioso espólio artístico e litúrgico, nomeadamente retábulos dourados, talha barroca, imagens sacras e elementos decorativos que testemunham a antiga riqueza espiritual e material da comunidade monástica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A estrutura do mosteiro propriamente dito encontra-se em estado avançado de ruína, mas alguns vestígios arquitetónicos são ainda identificáveis, como partes da antiga clausura, muros perimetrais, zonas de acesso e elementos construtivos característicos da arquitetura cisterciense adaptada ao contexto português. O conjunto encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1971, o que confere um importante estatuto de proteção legal, ainda que não tenha sido objeto de uma reabilitação plena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Instituto Português do Património Arquitetónico e Arqueológico (IPPAR) acompanha atualmente um projeto de restauro e requalificação do espaço, com a intenção de transformar as ruínas do mosteiro num hotel de charme, modelo de reutilização patrimonial que visa preservar a memória do edifício e revitalizar a economia local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A integração do Mosteiro de Tabosa no património da região não se resume ao seu valor material. Ele continua a exercer uma função simbólica e identitária para a comunidade local, sendo frequentemente objeto de visitas culturais, celebrações religiosas e ações de sensibilização patrimonial. A paisagem envolvente, marcada pela serenidade da Serra da Lapa, reforça o caráter contemplativo e espiritual do local, evocando os ideais originais da Ordem de Cister.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, mesmo que parcialmente perdido, o Mosteiro de Tabosa permanece vivo — não apenas nas pedras que resistem, mas na memória, na fé e na identidade cultural de quem habita ou visita este território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conclusão &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa é o reflexo vivo da presença marcante da Ordem de Cister em Portugal, especialmente no seu ramo feminino, frequentemente esquecido. Desde a sua fundação pela devota D. Maria Pereira até à sua extinção no século XIX, o mosteiro desempenhou um papel essencial na vida espiritual e social da região, acolhendo religiosas nobres e dedicadas que procuravam uma existência consagrada à fé. Enfrentando dificuldades políticas, económicas e religiosas, nomeadamente durante o governo do Marquês de Pombal, o mosteiro resistiu, ainda que por vezes à custa da sua autonomia e riqueza. A sua ruína física contrasta com a importância espiritual que teve, tanto para a comunidade local como para a Ordem de Cister. Apesar do esquecimento e da degradação a que foi votado, a sua memória persiste, sustentada pela sua igreja paroquial e pelo esforço de alguns em preservar e divulgar o seu legado. Relembrar Tabosa é revalorizar o papel das mulheres cistercienses na história religiosa portuguesa e promover o estudo de um património riquíssimo, ainda pouco explorado, mas digno de maior atenção e reconhecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bibliografia &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fontes Clássicas e Historiografia Antiga:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ALMEIDA, Fortunato de – História da Igreja em Portugal, Coimbra, 1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BRITO, Fr. Bernardo de; BRANDÃO, Fr. António – Monarquia Lusitana, Lisboa, 1715.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BOTELHO, M. Mattos – Sermão de S. Bernardo..., Coimbra, Oficina de Joseph Ferreyra, 1698.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FIGUEIREDO, Frei Manuel de – História Chorográfica da Comarca de Alcobaça, 1785.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudos em Portugal:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SANTOS, Maria Luísa Gil dos – O Ciclo Vivencial do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DIAS, Geraldo Coelho – “Cister no Vale do Douro – Irradiação da Espiritualidade e Cultura”, Ed. Afrontamento, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DIAS, Geraldo Coelho – Perspectivas Bíblicas da Mulher e Monaquismo Medieval Feminino, Porto, Revista de História, Série II, Vol. XII, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GOMES, Saúl António; SOUSA, Cristina Maria André Pina – Intimidade e Encanto: O Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Cós, Leiria, Magno, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHEIRA, Ana Margarida Gonçalves – “Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Aguiar”, in Terras do Côa: os valores do Côa, Agência Estrela-Côa, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Manuel Gonçalves – História do Bispado e Cidade de Lamego, Lamego, s.d., vol. V.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Manuel Gonçalves – Convento de S. João de Tarouca: roteiro, Lamego, 1982.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa[[File:Vista-Geral Atual .png|thumb|Vista exterior]]&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa foi um convento feminino da Ordem de Cister localizado em Tabosa, freguesia de Carregal, concelho de Sernancelhe, no distrito de Viseu, Portugal. Fundado em 1692 por iniciativa de D. Maria Pereira, o mosteiro destacou-se pela sua austeridade espiritual e pelo rigor da observância religiosa, inserindo-se no movimento das Recoletas, ramo reformado do cistercismo feminino durante a Época Moderna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Fundação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fundação do mosteiro insere-se no contexto de renovação espiritual da Ordem de Cister no final do século XVII. D. Maria Pereira, viúva abastada e devota, sem descendência direta, decidiu empregar os seus bens na criação de um convento destinado a mulheres que desejassem seguir a Regra de São Bento, reformada por São Bernardo. A fundação teve o apoio da Congregação de Alcobaça, do rei D. Pedro II e do bispo de Lamego, D. José de Menezes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escritura da fundação foi oficializada a 22 de abril de 1692. O convento foi edificado na Quinta da Luz, propriedade da fundadora, e recebeu sete religiosas vindas do Mosteiro da Nazaré do Mocambo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Arquitetura&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Planta do Convento.png|thumb|Planta do Convento ]]&lt;br /&gt;
O edifício conjuga elementos da tradição cisterciense com influências barrocas, comuns à arquitetura religiosa portuguesa dos séculos XVII e XVIII. A planta do mosteiro é simples, mas apresenta particularidades notáveis, como a disposição das dependências conventuais num plano superior ao da igreja, contrariando a tipologia tradicional da Ordem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja, de nave única, é decorada com talha dourada, altares laterais e pinturas de temática religiosa. O coro alto, acessível às religiosas, é separado do espaço dos fiéis por uma grade de carvalho. O claustro, de planta quadrada, possui colunas renascentistas e vestígios de uma fonte barroca. A cerca conventual incluía hortas, pomares e sistemas de abastecimento de água. Outros elementos de relevo incluem o mirante, que permitia observar o exterior sem violar a clausura, e a sacristia, com cobertura de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Igreja- Aspecto geral do coro-alto.png|left|thumb|Aspeto atual do Coro-Alto]]&lt;br /&gt;
[[File:Claustro igreja.png|center|thumb|Claustro]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Estado Atual&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a extinção da comunidade monástica, o edifício entrou num longo processo de ruína. Apenas a igreja conventual foi preservada, sendo atualmente utilizada como igreja paroquial. O restante complexo encontra-se em estado de degradação avançada, embora se mantenham elementos identificáveis da arquitetura original.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde 1971, o conjunto está classificado como Imóvel de Interesse Público. Está em análise um projeto de requalificação que visa a transformação das ruínas do mosteiro num equipamento turístico-cultural, preservando a memória patrimonial e revitalizando a economia local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Importância Patrimonial&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Tabosa representa um testemunho da presença da espiritualidade cisterciense feminina em Portugal. Constitui um exemplo da arquitetura religiosa barroca adaptada aos princípios da austeridade monástica, merecendo reconhecimento e valorização no âmbito do património cultural português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Bibliografia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Fontes Clássicas e Historiografia Antiga:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ALMEIDA, Fortunato de – &#039;&#039;História da Igreja em Portugal&#039;&#039;, Coimbra, 1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BRITO, Fr. Bernardo de; BRANDÃO, Fr. António – &#039;&#039;Monarquia Lusitana&#039;&#039;, Lisboa, 1715.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BOTELHO, M. Mattos – &#039;&#039;Sermão de S. Bernardo...&#039;&#039;, Coimbra, Oficina de Joseph Ferreyra, 1698.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FIGUEIREDO, Frei Manuel de – &#039;&#039;História Chorográfica da Comarca de Alcobaça&#039;&#039;, 1785.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Estudos em Portugal:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SANTOS, Maria Luísa Gil dos – &#039;&#039;O Ciclo Vivencial do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DIAS, Geraldo Coelho – “Cister no Vale do Douro – Irradiação da Espiritualidade e Cultura”, Ed. Afrontamento, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
DIAS, Geraldo Coelho – &#039;&#039;Perspectivas Bíblicas da Mulher e Monaquismo Medieval Feminino&#039;&#039;, Porto, Revista de História, Série II, Vol. XII, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GOMES, Saúl António; SOUSA, Cristina Maria André Pina – &#039;&#039;Intimidade e Encanto: O Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Cós&#039;&#039;, Leiria, Magno, 1999&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHEIRA, Ana Margarida Gonçalves – “Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Aguiar”, in &#039;&#039;Terras do Côa: os valores do Côa&#039;&#039;, Agência Estrela-Côa, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Manuel Gonçalves – &#039;&#039;História do Bispado e Cidade de Lamego&#039;&#039;, Lamego, s.d., vol. V&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
COSTA, Manuel Gonçalves – &#039;&#039;Convento de S. João de Tarouca: roteiro&#039;&#039;, Lamego, 1982.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.103.34</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Os_Conventos_Franciscanos_que_o_Tempo_Apagou&amp;diff=617</id>
		<title>Os Conventos Franciscanos que o Tempo Apagou</title>
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		<updated>2025-05-24T17:15:30Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.103.34: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{DISPLAYTITLE:Os Conventos Franciscanos Femininos que o Tempo Apagou}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;Introdução&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
Este artigo narra a história e estuda a arquitetura de três conventos femininos franciscanos que nos dias de hoje estão em ruínas ou já se encontram totalmente desaparecidos. Estes cenóbios estão inseridos no norte de Portugal, sendo estes o Convento de Santa Clara de Amarante, o Convento de Nossa Senhora dos Remédios de Braga e o Convento da Madre de Deus de Monchique, no Porto.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O estudo deste tema é fundamental para a compreensão da história das unidades monásticas portuguesas e torna-se um contributo para a preservação da memória das casas religiosas que não sobreviveram após a extinção das ordens monásticas em 1834, ou às Invasões Napoleónicas e à Guerra Civil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Convento de Santa Clara de Amarante ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Identificação ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Convento de Santa Clara de Amarante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Largo de Santa Clara, Amarante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Séc. XII (fundação), Sécs. XVI/XVII/XVIII (restauro e criação de novos espaços)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Em ruínas&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Estado da Arte ====&lt;br /&gt;
A pesquisa realizada sobre o Convento de Santa Clara de Amarante foi essencialmente baseada na dissertação de mestrado em História de Daniel Ribeiro, intitulada de “Mosteiro de Santa Clara de Amarante: História, Património e Musealização” e no artigo do mesmo autor com o título de “Os Espaços Monásticos de Santa Clara de Amarante na Época Moderna”, ambos trabalhos bastante completos e fundamentais para a criação deste breve trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tese de mestrado foi útil para uma compreensão mais geral e total do contexto socioeconómico e histórico deste cenóbio ao longo dos séculos, desde a sua criação à sua destruição e estado atual. Já o artigo apresentou-se fundamental para a descrição detalhada dos espaços monásticos na época moderna, sendo assim possível criar uma imagem mental da dimensão do Convento de Santa Clara de Amarante. Também foi aqui mencionado o destino das variadas dependências deste local religioso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, por último, ainda é importante referir os websites do SIPA, importante para o entendimento da cronologia do convento, do Amarante Tourism, embora mais generalizado importante para uma primeira abordagem do trabalho e, ainda o blog Amarante Magazine, com um artigo publicado por Daniel Ribeiro, intitulado de O Mosteiro de Santa Clara de Amarante, bastante mais completo a nível de informação que o anteriormente referido, sendo fundamental para um entendimento mais abrangente do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Enquadramento&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O convento de Santa Clara de Amarante, situado relativamente próximo do centro histórico da cidade e do Mosteiro de São Gonçalo de Amarante, teve a sua origem, segundo a tradição, ainda no século XII, onde foi fundado por Dona Mafalda, infanta de Portugal. No seu início era apenas um pequeno grupo de mantelatas&amp;lt;sup&amp;gt;[1]&amp;lt;/sup&amp;gt; sendo depois convertido para a Ordem de Santa Clara. Devido às várias transformações e destruições sucessivas ao longo dos séculos, hoje passa totalmente despercebido, mesmo com a sua aparição no traçado urbano, causando o desconhecimento deste monumento aos visitantes desta cidade.&lt;br /&gt;
----&amp;lt;small&amp;gt;[1] As mantelatas tiverem a sua origem na idade média, tendo sido a primeira santa desta ordem a Santa Juliana Falconieri, descendente de uma família importante de Florença. Ficaram reconhecidas por este nome devido ao hábito que utilizavam, um manto sobre a cabeça.&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&amp;lt;br /&amp;gt;Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A arquitetura do Convento de Santa Clara de Amarante é definida pelo reflexo da evolução estilística que se foi desenvolvendo ao longo dos séculos. A estrutura inicial deste cenóbio contava com um traço gótico, apresentando-se na atualidade bastante transformado com a predominância de elementos maneiristas e barrocos, resultado de intervenções posteriores. A fachada sul da igreja (virada para o atual Largo de Santa Clara), era caracterizada pela sua simplicidade sendo composta pelo portal de entrada, como em todos os conventos femininos estava presente na lateral do edifício, emoldurado por duas colunas torsas e encimado por um nicho, e três janelões retangulares. No seu perímetro estava presente uma cornija.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No seu interior, a capela-mor era antecedida por um arco cruzeiro que continha o escudo de armas de D. Tomé de Sousa, símbolo desta família que hipotecou a Quinta de Ponte de Veiga, em Unhão (Felgueiras), para a construção da zona mais sagrada da igreja. Neste mesmo local, estava presente um retábulo em talha dourada, com sacrário e tribuna. Estariam presentes as imagens de Santa Clara, Nossa Senhora da Conceição e do Menino Jesus. Também é fundamental realçar a decoração do teto  deste edifício, sendo esto abobadado com rompentes (leão figurado, no escudo, de perfil e aprumado), espigão ao centro e florões nos painéis tudo em pedra escodada e fina (RIBEIRO, 2013, 8).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta dependência representa tanta importância nesta breve análise e contextualização do Convento de Santa Clara de Amarante pois é uma das únicas partes que ainda subsiste &#039;&#039;in loco&#039;&#039; até aos dias de hoje, nomeadamente os restos renascentistas da capela lateral a Norte, uma pequena memória deste espaço monástico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Extinção e desaparecimento ====&lt;br /&gt;
O Convento de Santa Clara de Amarante sofreu um incêndio ateado pelos franceses, no momento das invasões que realizavam ao país, no dia 18 de abril de 1809, sobrevivendo apenas a igreja do espaço monástico. A extinção das ordens monásticas em 1834 também contribuiu para o desaparecimento parcial deste cenóbio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens e iconografia do objeto ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Convento de Nossa Senhora dos Remédios de Braga ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Identificação ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Convento de Nossa Senhora dos Remédios, Piedade e Madre de Deus&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Braga&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVI&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Religiosa. Arquitetura conventual feminina&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Estado da arte ====&lt;br /&gt;
No âmbito do estudo sobre o antigo Convento de Nossa Senhora dos Remédios, o artigo &#039;&#039;O legado do extinto Convento de Nossa Senhora da Piedade e dos Remédios&#039;&#039;, da autoria de Rui Ferreira e publicado em 2014, revelou-se uma referência fundamental e constitui um contributo significativo para o conhecimento do Convento dos Remédios, abordando diversos aspetos, desde a sua fundação até à extinção, incluindo ainda uma ficha de inventário do seu património móvel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A obra &#039;&#039;Em lembrança da extinta Igreja dos Remédios de Braga&#039;&#039;, publicada por Martins Capella, um irmão da Confraria do Santíssimo Sacramento, em 1913, representa um dos primeiros esforços sistemáticos de preservação da memória deste edifício religioso desaparecido do contexto bracarense. Escrita num tom evocativo e memorialista, reflete o interesse histórico do autor, mas também a sensibilidade de uma época preocupada com a perda do património religioso e urbano, ao reunir descrições, documentos e testemunhos visuais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O artigo &#039;&#039;A adoção do barroco nas igrejas conventuais femininas de Braga no pontificado de D. Rodrigo de Moura Teles: diálogos artísticos&#039;&#039;, de Manuel Joaquim Moreira da Rocha, publicado em 2001, constitui um estudo essencial para compreender a evolução artística e arquitetónica de três instituições religiosas femininas de Braga – Remédios, Salvador e Conceição – no início século XVIII. Ao se centrar no papel reformador e encomendador de D. Rodrigo de Moura Teles, o autor analisa os mecanismos de difusão do barroco no contexto conventual feminino, articulando a arquitetura com os programas decorativos e o património integrado. Esta abordagem permite compreender não só as opções estéticas da época, mas também os discursos simbólicos e funcionais subjacentes à configuração dos espaços sagrados femininos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Enquadramento ====&lt;br /&gt;
O Convento de Nossa Senhora dos Remédios foi o primeiro convento feminino erigido na cidade de Braga, destinado a uma nova comunidade religiosa que seguia a regra de S. Francisco de Assis. Mais tarde, o convento seria incorporado na Ordem Terceira da Penitência de São Francisco, e as suas religiosas teriam de fazer votos de obediência, castidade, pobreza e de clausura.&amp;lt;sup&amp;gt;[1]&amp;lt;/sup&amp;gt; De acordo com uma visita do arcebispo D. José de Bragança, concretizada em 1743, o convento contava com 101 religiosas, o que lhe tornava no recolhimento mais populoso de Braga.&amp;lt;sup&amp;gt;[2]&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este instituto religioso foi erguido nas imediações da cidade, extramuros, no espaço de um dos palácios em que residia o bispo fundador e em outros terrenos por ele adquiridos, os quais proporcionaram a área necessária para a construção da igreja e das restantes oficinas conventuais. Localizava-se no antigo rossio de São Marcos, junto à porta de São João e ocupava quase todo o recinto demarcado pelas ruas de São Marcos, a norte, das Águas, atual Avenida da Liberdade, a este, do Campo dos Remédios, atual largo Carlos Amarante, a oeste, e pela cangosta da rua das Águas, a sul, uma via inexistente no atual cenário urbano. A sua vasta frontaria preenchia todo o lado oriental do Campo dos Remédios, desde a rua de São Marcos, até à atual de São Lázaro.&amp;lt;sup&amp;gt;[3]&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
----&amp;lt;small&amp;gt;[1] RIBEIRO, Vítor Manuel Pereira, 2015. A Contabilidade no Convento de Nossa Senhora dos Remédios em Braga nos Séculos XVIII e XIX, 59&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[2] FERREIRA, Rui, 2014. O legado do extinto Convento de Nossa Senhora da Piedade e dos Remédios, 94&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[3] FERREIRA, op. cit, 95-96&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Descrição ====&lt;br /&gt;
A entrada principal nas igrejas conventuais femininas é sempre feita por uma porta lateral, uma vez que o espaço oposto à capela-mor é ocupado pelo coro, onde as religiosas assistem ao ofício litúrgico sem quebrarem a sua clausura, permanecendo ocultas aos fiéis que assistem à celebração na nave. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O portal da fachada lateral da igreja dos Remédios possuía uma estrutura complexa, disposto em três andares.&amp;lt;sup&amp;gt;[4]&amp;lt;/sup&amp;gt; A porta, retangular e bem proporcionada, era flanqueada por um par de colunas torsas com capitéis compósitos. Nos intercolúnios encontravam-se imagens em granito de religiosas terciárias, coroadas e assentes em mísulas: à direita de quem entra, a de Santa Isabel, rainha de Hungria e matriarca da Ordem, com o livro da regra na mão; à esquerda, a de Santa Isabel, rainha de Portugal, com o olhar voltado para o regaço onde, segundo a lenda, as esmolas se transformaram em rosas.&amp;lt;sup&amp;gt;[5]&amp;lt;/sup&amp;gt; O segundo registo mantém o estilo do corpo anterior, com quatro colunas torsas a ladear janelas e um nicho central em arco, onde se encontrava uma imagem da Piedade em calcário, flanqueada por duas outras imagens de granito: à direita, a de São João Evangelista; à esquerda, a de São João Batista. O último andar dispunha unicamente de um par de colunas torsas que delimitavam um nicho enquadrado por aletas, no qual se encontrava uma imagem em granito de São Francisco de Assis. O remate do conjunto do portal ultrapassava a cornija do edifício, e era composto pela pedra de armas de São Francisco de Assis, ornamentada com motivos vegetalistas, volutas e uma concha, e ladeada por anjos de feição barroquizante, do tipo &#039;&#039;putti&#039;&#039;, que seguravam uma grinalda de flores.&amp;lt;sup&amp;gt;[6]&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja dos Remédios seguia uma estrutura volumétrica e planimétrica semelhante à das restantes igrejas conventuais femininas. Estes templos estruturam-se em torno de um eixo central que conecta os coros, a nave, a capela-mor e a sacristia, evidenciando uma espacialidade longitudinal. A planta resulta da justaposição de vários retângulos, dos quais o que define o corpo da igreja constitui o paralelepípedo de maior volume.&amp;lt;sup&amp;gt;[7]&amp;lt;/sup&amp;gt; A igreja dos Remédios, de nave única, estendia-se de norte a sul, com a sua fachada e entrada principal voltada a oeste.&amp;lt;sup&amp;gt;[8]&amp;lt;/sup&amp;gt; &lt;br /&gt;
----&amp;lt;small&amp;gt;[4] ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da, 2001. A adoção do barroco nas igrejas conventuais femininas de Braga no pontificado de D. Rodrigo de Moura Teles: diálogos artísticos, 53-54&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[5] CAPELLA, Martins, 1913. Em lembrança da extinta Igreja dos Remédios de Braga, 55-56&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[6] ROCHA, A adoção do barroco nas igrejas conventuais femininas de Braga no pontificado de D. Rodrigo de Moura Teles: diálogos artísticos, 54 e FERREIRA, Rui, 2014. O legado do extinto Convento de Nossa Senhora da Piedade e dos Remédios, 115-117&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[7] ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da, 2001. A adoção do barroco nas igrejas conventuais femininas de Braga no pontificado de D. Rodrigo de Moura Teles: diálogos artísticos, 52-53&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[8] &#039;&#039;Ibidem&#039;&#039;, 55&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Património Integrado ====&lt;br /&gt;
A capela-mor dispunha de um retábulo-mor e tribuna em madeira dourada, de arquitetura antiga, com a imagem de Nossa Senhora da Piedade ladeada pelas de Nossa Senhora da Graça e de São Francisco. As suas paredes laterais eram forradas por quatro painéis da autoria de Carlos Antonio Leoni&amp;lt;sup&amp;gt;[9]&amp;lt;/sup&amp;gt; que representavam os passos da vida de Nossa Senhora. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Junto ao muro do arco cruzeiro existiam ainda dois retábulos colaterais: num venerava-se a imagem do Seráfico Patriarca, São Francisco de Assis, e no outro, a de São João Evangelista.&amp;lt;sup&amp;gt;[10]&amp;lt;/sup&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As paredes laterais da nave estavam revestidas, até meia altura, com azulejos que representavam alguns episódios da vida de São Francisco de Assis. Até à cornija do templo, encontravam-se quadros que ilustravam os principais atos de santidade do Santo enquanto Penitente, dispostos entre as janelas, decoradas com madeira recortada e dourada.&amp;lt;sup&amp;gt;[11]&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Parte do espólio da Igreja e do Convento dos Remédios encontra-se disperso em alguns locais da cidade de Braga, assegurando a sua preservação física e herança artística. Esta dispersão contribui para a manutenção da memória do convento, ainda que de forma descentralizada, uma vez que a população pode ter contacto com fragmentos do passado, mesmo fora do seu enquadramento original.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|+&#039;&#039;&#039;O legado do Convento dos Remédios disperso pela cidade de Braga&amp;lt;small&amp;gt;[12]&amp;lt;/small&amp;gt;&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Proveniência&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autoria&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Época&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Local atual&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Esculturas graníticas da Rainha Santa Isabel da Hungria, da Rainha Santa Isabel de Portugal, de São João Evangelista e de São Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Fachada nobre da Igreja dos Remédios&lt;br /&gt;
|Desconhecida&lt;br /&gt;
|1724-25&lt;br /&gt;
|[https://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_da_Ponte Parque da Ponte], junto ao cruzeiro de de D. Frei Bartolomeu dos Mártires&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Conjunto arquitetónico de São João Batista&lt;br /&gt;
|Fachada nobre da Igreja dos Remédios&lt;br /&gt;
|Desconhecida&lt;br /&gt;
|1724-25&lt;br /&gt;
|Fachada posterior da [http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=17245 capela de São João da Ponte]&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Escultura de calcário (?) da Nossa Senhora da Piedade&lt;br /&gt;
|Fachada nobre da Igreja dos Remédios&lt;br /&gt;
|Desconhecida &lt;br /&gt;
|1724-25&lt;br /&gt;
|[https://pt.wikipedia.org/wiki/Tesouro-Museu_da_Sé_de_Braga Tesouro-Museu da Sé de Braga]&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Retábulo mor, tribuna e sanefas&lt;br /&gt;
|Capela-mor da Igreja dos Remédios&lt;br /&gt;
|Marceliano de Araújo, com Francisco Machado de Landim, Bento Ferreira e Manuel Silva&lt;br /&gt;
|1726-27&lt;br /&gt;
|[https://pt.wikipedia.org/wiki/Capela_de_Santa_Marta_do_Leão Capela de Santa Marta do Leão] na Falperra&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Conjunto de quatro painéis dos Passos de Nossas Senhora &lt;br /&gt;
|Capela-mor da Igreja dos Remédios&lt;br /&gt;
|Carlos Antonio Leoni&lt;br /&gt;
|1733-41&lt;br /&gt;
|[https://pt.wikipedia.org/wiki/Arquivo_Distrital_de_Braga Arquivo Distrital de Braga]&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Figuras de Nossa Senhora das Graças, de São Francisco Xavier e de São Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Igreja dos Remédios, Altar de Nossa Senhora &lt;br /&gt;
|Desconhecida&lt;br /&gt;
|Século XIX&lt;br /&gt;
|Capela de Santa Rita de Cássia, [https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_do_Pópulo Igreja do Pópulo]&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Fonte de Santa Bárbara&lt;br /&gt;
|Claustro do Convento dos Remédios&lt;br /&gt;
|Desconhecida&lt;br /&gt;
|1725-1750&lt;br /&gt;
|[https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipédia:Página_principal Jardim de Santa Bárbara]&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&amp;lt;small&amp;gt;[9] «Pintor florentino que exerceu a sua actividade em Lisboa, no século XVIII, no reinado de D. José I, e já porventura no de D. João V. Parece ter-se dedicado especialmente ao retrato, como o provam diversas composições suas n&#039;este género.» (VITERBO, 1903, 99)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[10] ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da, 2001. A adoção do barroco nas igrejas conventuais femininas de Braga no pontificado de D. Rodrigo de Moura Teles: diálogos artísticos, 61-62&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[11] &#039;&#039;Ibidem&#039;&#039;, 67&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[12] Esta tabela foi elaborada tendo em base a obra de FERREIRA, RUI, 2014. O legado do extinto Convento de Nossa Senhora da Piedade e dos Remédios, 110-120&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Extinção e desaparecimento ====&lt;br /&gt;
A 30 de maio de 1834, foi aprovado pelo ministro da Justiça, Joaquim António de Aguiar, um decreto que determinou a extinção de todas as casas das ordens religiosas regulares e a incorporação dos seus bens na Fazenda Nacional. As comunidades masculinas foram imediatamente abolidas, enquanto as ordens femininas seriam extintas com o óbito da última freira professa. Em 1890, ainda sobreviviam duas freiras no convento dos Remédios. A extinção do convento dos Remédios deu-se a 7 de maio de 1898, com o óbito da Madre Narcisa Emília Leite.&amp;lt;sup&amp;gt;[13]&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda antes do falecimento da última freira, em 1896, o Estado cedeu o convento à Câmara Municipal de Braga para a instalação de um asilo de expostos e cegos, embora tal obra assistencial nunca tenha chegado a concretizar-se no local.&amp;lt;sup&amp;gt;[14]&amp;lt;/sup&amp;gt; Anos mais tarde, no ano administrativo de 1907-1908, a Câmara Municipal delineava um plano de diversos melhoramentos para a cidade, que incluía a abertura de uma avenida de nome Concelheiro João Franco, o que exigia o alargamento da antiga rua das Águas e da rua da Ponte. Para executar o projeto era necessário que os terrenos do Convento dos Remédios fossem cedidos à Câmara. A 7 de setembro de 1907, o governo promulgou um decreto com força de lei, concedendo à Câmara os edifícios, a cerca e as dependências do dito convento para a ampliação e alinhamento da Rua do Concelheiro João Franco.&amp;lt;sup&amp;gt;[15]&amp;lt;/sup&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Câmara planeava igualmente abrir uma rua transversal pela cerca do convento, desde a avenida João Franco até ao Largo Carlos Amarante. Para que esta artéria ficasse alinhada com a fachada da igreja de São Marcos, seria necessário cortar a igreja dos Remédios ao meio, o que comprometia gravemente a integridade desta estrutura arquitetónica.&amp;lt;sup&amp;gt;[16]&amp;lt;/sup&amp;gt; A demolição deste complexo monástico exemplifica como, no início do século XX, as decisões urbanísticas privilegiaram o desenvolvimento urbano e a modernização da cidade em detrimento da conservação do património histórico. A 3 de abril de 1911, celebrou-se a última missa e, pouco tempo depois, consumou-se o processo de demolição.&amp;lt;sup&amp;gt;[17]&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sua destruição permitiu a construção de novos edifícios, como o Teatro Circo, cuja edificação teve início em 1911 e terminou em 1915, no gaveto da Rua Gonçalo Sampaio com a Avenida da Liberdade, e o Shopping Santa Cruz, situado na esquina entre a mesma rua e o Largo Carlos Amarante. Voltados para o largo encontram-se ainda o edifício da Junta de Freguesia de S. José de S. Lázaro e S. João do Souto, bem como diversos estabelecimentos comerciais.  &lt;br /&gt;
----&amp;lt;small&amp;gt;[13] FERREIRA, Rui, 2014. O legado do extinto Convento de Nossa Senhora da Piedade e dos Remédios, 96 e 107&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[14] OLIVEIRA, Eduardo Pires de, 1999. Arte religiosa e artistas em Braga e sua região (1870-1920), 103&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[15] CASTRO, Maria de Fátima, 2005. O princípio e o fim do Convento dos Remédios, 135-137&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[16] FERREIRA, RUI, 2014. O legado do extinto Convento de Nossa Senhora da Piedade e dos Remédios, 107. Esta artéria seria a atual Rua Dr. Gonçalo Sampaio.&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[17] &#039;&#039;Ibidem&#039;&#039;, 108&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens e iconografia do objeto ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Convento da Madre de Deus de Monchique ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Identificação ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Convento da Madre de Deus de Monchique&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Porto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVI&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Diogo de Castilho&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Em ruínas&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Estado da arte ====&lt;br /&gt;
O estudo do Convento da Madre de Deus de Monchique foi significativamente baseado no artigo de Joaquim Jaime Ferreira Alves &#039;&#039;Elementos para a história do Convento da Madre de Deus de Monchique,&#039;&#039; publicado em 2002 no primeiro volume da Revista da Faculdade de Letras, no Porto. Por sua vez, Joaquim Jaime recorreu a documentação como o contrato de construção emitido em 1533 e a descrições como as de João Baptista Ribeiro. A compreensão histórica e cronológica do monumento tornou-se possível através da leitura do artigo &#039;&#039;O Desenho Digital e as Paisagens Patrimoniais: Convento da Madre de Deus de Monchique, no Porto&#039;&#039; de Tiago Trindade Cruz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nível de recursos digitais, é empírico referir a consulta realizada à plataforma SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitetónico, de onde foram retirados dados arquitectónicos do convento e a plataforma Digital Heritage, que permitiu uma melhor compreensão visual de como seria, no seu tempo, a unidade conventual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Enquadramento ====&lt;br /&gt;
Fundado na primeira metade do séc. XVI, pertenceu à Ordem de São Francisco, tendo sido a sua fundação autorizada a 12 de novembro de 1535 pelo Papa Paulo III&amp;lt;sup&amp;gt;[1]&amp;lt;/sup&amp;gt;. Os seus fundadores, Pedro da Cunha Coutinho e sua mulher D. Beatriz de Vilhena, eram grandes nobres residentes na cidade do Porto, sendo a base do edifício conventual primitivo a casa senhorial dos mesmos&amp;lt;sup&amp;gt;[2]&amp;lt;/sup&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na realidade, o local escolhido para erguer o convento em estudo já seria previamente santificado, tendo dado lugar (antes da construção do paço nobre dos fundadores), a uma sinagoga. Esta sinagoga marcava o epicentro de uma comunidade judaica no séc. XIV&amp;lt;sup&amp;gt;[3]&amp;lt;/sup&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a dissolução das ordens religiosas, no ano de 1834, as monjas foram realojadas no Convento de São Bento de Ave-maria&amp;lt;sup&amp;gt;[4]&amp;lt;/sup&amp;gt;, marcando assim a desocupação do Convento da Madre de Deus de Monchique. Observaram-se, no entanto, o aparecimento de outros usos como o comércio e a indústria, sendo que alguns elementos arruinados convivem atualmente com uma unidade hoteleira recente&amp;lt;sup&amp;gt;[5]&amp;lt;/sup&amp;gt; .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Retirando a cronologia presente na entrada deste monumento na plataforma SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico, entrada esta escrita por Ana Filipe em 2008, conseguimos focalizar algumas datas que ajudam à construção da história do objeto em estudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|+&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;1503&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|D. Manuel I autoriza Pedro Coutinho a viver na cidade, através de carta enviada à Câmara do Porto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!1533&lt;br /&gt;
|É pedida autorização ao papa para a fundação de um convento feminino no lugar de Monchique. Antes de chegar a autorização papal, é assinado contrato com Diogo de Castilho para construção da igreja e são iniciadas as obras necessárias para transformar a casa nobre dos Cunha Coutinho em residência conventual&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!1669&lt;br /&gt;
|Assinatura de contrato com o mestre Manuel Vieira para transformação da capela-mor. Morte de Manuel Vieira&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!1700&lt;br /&gt;
|Assinatura de um novo contrato com Manuel Moreira e João Moreira para as obras da capela-mor. Na primeira metade do séc. XVII, dá-se o revestimento do interior com talha dourada&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!1870&lt;br /&gt;
|Requerimento da Confraria de S. Pedro de Miragaia a solicitar ao rei D. Luís a talha que restava na igreja do convento de Monchique para a igreja de Miragaia&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!1872&lt;br /&gt;
|O convento é vendido em hasta pública&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!1887&lt;br /&gt;
|Segundo Pinho Leal, nesta data a igreja servia de serralharia&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!1908&lt;br /&gt;
|D. Ignez Martins Guimarães, capitalista portuense, compra grande parte dos edifícios do convento; é instalada em parte do convento uma fábrica ligada à produção de cortiça de Clemente Menéres, Ldª que se mantém até hoje&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!2009&lt;br /&gt;
|Realização de um projeto para a recuperação do Convento de Monchique prevê a construção de uma unidade hoteleira, integrada naquela zona nobre da cidade. O projeto é da autoria do arquitecto José Paulo dos Santos&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&amp;lt;sup&amp;gt;[1] FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime (2002). Elementos para a história do Convento da Madre de Deus de Monchique. &#039;&#039;Revista da Faculdade de Letras: Ciências e Técnicas do Património, vol. 1,&#039;&#039; p.130&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;[2] Idem. &#039;&#039;Ibidem&#039;&#039;&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;[3]&amp;lt;/sup&amp;gt;  &amp;lt;sup&amp;gt;Idem. &#039;&#039;Ibidem&#039;&#039;&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;[4]&amp;lt;/sup&amp;gt;   &amp;lt;sup&amp;gt;CRUZ, Tiago Trindade (2021). O desenho digital e as paisagens patrimoniais. Convento da Madre Deus de Monchique, no Porto. &#039;&#039;CEM Cultura, Espaço e Memória&#039;&#039;. p. 62 e 63&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;[5] FILIPE, Ana (2008). SIPA http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25034&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Descrição ====&lt;br /&gt;
Recorrendo à plataforma SIPA e ao texto de Ana Filipe sabemos que o convento teria grandes dimensões, com uma planta composta e volumes escalonados, sendo que os diferentes níveis do edifício comunicavam entre si através de escadas.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O conjunto conventual era composto por uma igreja de planta longitudinal, nave única iluminada por quatro janelas e cobertura em abóbada de cruzaria de ogivas, e capela-mor retangular. O seu coro era alto e baixo e ligava-se à nave através de dois arcos sobrepostos. Contava ainda com uma sacristia e um campanário. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pórtico principal da igreja era manuelino de arco pleno, emoldurado por pilastras e colunas. Era ainda rematado por um frontão triangular interrompido com duas coroas de espinhos colocadas junto dos vértices do triângulo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O edifício conventual era de planta retangular e tinha três pisos, sendo o primeiro destinado ao refeitório que contava com cerca de quarenta metros de comprimento e três naves formadas por duas alas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta obra contava com dois claustros, estando o principal localizado nas costas do coro da igreja. O segundo claustro, de menores dimensões, contava também com arcos e colunas (de tijolo), e tinha um chafariz ao centro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Património Integrado ====&lt;br /&gt;
Apesar do seu estado atual não nos permitir uma compreensão total do seu interior, há relatos e contratos nos quais nos podemos apoiar para uma leitura fiel do património integrado que em tempos integrou o Convento da Madre de Deus de Monchique. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos que em 1669, a 24 de setembro, se deu a contração de um contrato com o mestre pedreiro Manuel Vieira, que intencionava a reforma da capela-mor&amp;lt;sup&amp;gt;[1]&amp;lt;/sup&amp;gt;: “Em primeiro lugar, teriam que levantar uma parede «tosqua» de forma a isolar a nave da capela-mor, da qual retiraria o azulejo que a revestia, «com sentido que não quebre e se arumara em parte segura», assim como o retábulo «que he de pedra».” (FERREIRA-ALVES, 2002), informação que nos remete para a existência de azulejaria e retábulos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
João Baptista Ribeiro (1790-1868), descreve o interior da igreja da seguinte forma: “Mal se pode explicar a summa profusão de riqueza que ostenta esta igreja; toda ella he recamada de lavor em qye a paciencia, o genio e o dinheiro se reunirão para fazer prova do que podem. Contém sete altares de jum carater riquíssimo pelo immenso lavor de talha, irnatos, relevos e figuras que apresenta, sendo quaze tudo dourado e o resto pintado e estofado por modos mui variados. (…) Notão-se quatro tribunas do lado poente, tapadas com grades de ferro fingindo renda (…)”.&amp;lt;sup&amp;gt;[2]&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo uma descrição de Sousa Reis, os coros tinham: “as paredes em que se firmão as grades de ferro, igualmente cobertas de molduras de madeira dourada no gosto, forma e disposição de todo o templo (…) Note-se porem que esta entalha apenas chega até ao pinto das paredes, aonde começa a soberba e bem construída abobeda de pedra.”&amp;lt;sup&amp;gt;[3]&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
----&amp;lt;sup&amp;gt;[1]&amp;lt;/sup&amp;gt; &amp;lt;sup&amp;gt;FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime (2002). Elementos para a história do Convento da Madre de Deus de Monchique. &#039;&#039;Revista da Faculdade de Letras: Ciências e Técnicas do Património, vol. 1,&#039;&#039; p.136 e 137&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;[2]&amp;lt;/sup&amp;gt; &amp;lt;sup&amp;gt;VITORINO, Pedro (1927). Monchique. Notabilizava-se sobremaneira pela obra de talha da sua igreja. O Tripeiro, 3ª série, nº44 (164), p. 313&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;[3]&amp;lt;/sup&amp;gt; &amp;lt;sup&amp;gt;FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime (2002). Elementos para a história do Convento da Madre de Deus de Monchique. &#039;&#039;Revista da Faculdade de Letras: Ciências e Técnicas do Património, vol. 1,&#039;&#039; p.146&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens e iconografia do objeto ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fontes e Bibliografia ===&lt;br /&gt;
CAPELA, José Viriato, MATOS, Henrique, BORRALHEIRO, Rogério, 2009. &#039;&#039;As freguesias do Distrito do Porto, nas Memórias Paroquiais de 1758&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CRUZ, Tiago Trindade, 2021&#039;&#039;. O desenho digital e as paisagens patrimoniais. Convento da Madre Deus de Monchique, no Porto.&#039;&#039; CEM Cultura, Espaço &amp;amp; Memória&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ESPERANÇA, Frei Manuel da, 1666. &#039;&#039;História Seráfica dos frades menores de S. Francisco na província de Portugal.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime (2002). Elementos para a história do Convento da Madre de Deus de Monchique. &#039;&#039;Revista da Faculdade de Letras: Ciências e Técnicas do Património, vol. 1&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, Daniel José Soares, 2011. &#039;&#039;Mosteiro de Santa Clara de Amarante. História, Património e Musealização&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, Daniel José Soares, 2013. &#039;&#039;Os Espaços Monásticos de Santa Clara de Amarante na Época Moderna&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da, e MONTERO, Juan Manuel Monterroso, coord., 2023, &#039;&#039;História da Arquitetura. Perspetivas Temáticas (II). Mosteiros e Conventos: Formas de (e para) Habitar&#039;&#039;. Porto: CITCEM. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
VITORINO, Pedro (1927). Monchique. Notabilizava-se sobremaneira pela obra de talha da sua igreja. &#039;&#039;O Tripeiro, 3ª série, nº44 (164)&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Webgrafia ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://amarantetourism.com/poi/convento-de-santa-clara/&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 16 de abril de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://amarantemagazine.sapo.pt/sociedade/o-mosteiro-de-santa-clara-de-amarante/&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 16 de abril de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=4822&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 16 de abril de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://dicionario.priberam.org/cen%C3%B3bio&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 16 de abril de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://imovel.patrimoniocultural.gov.pt/detalhes.php?code=74102&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 17 de abril de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://archive.org/details/historia_serafica_dos_frades_menores-tomo5/historia_serafica_dos_frades_menores-tomo1/&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 17 de abril de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Extin%C3%A7%C3%A3o_das_ordens_religiosas#A_extin%C3%A7%C3%A3o_das_Ordens_Religiosas&amp;lt;/nowiki&amp;gt; consultado em 02 de maio de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/rompente&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 29 de abril de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://ensina.rtp.pt/explicador/invasoes-francesas-e-ideias-liberais-em-portugal-h63/&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 30 de abril de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25034&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 24 de abril de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitalheritage.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 24 de abril de 2025&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.103.34</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Os_Conventos_Franciscanos_que_o_Tempo_Apagou&amp;diff=524</id>
		<title>Os Conventos Franciscanos que o Tempo Apagou</title>
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		<updated>2025-05-22T18:48:44Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;172.68.103.34: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{DISPLAYTITLE:Os Conventos Franciscanos Femininos que o Tempo Apagou}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== &#039;&#039;&#039;Introdução&#039;&#039;&#039; ===&lt;br /&gt;
Este artigo narra a história e estuda a arquitetura de três conventos femininos franciscanos que nos dias de hoje estão em ruínas ou já se encontram totalmente desaparecidos. Estes cenóbios estão inseridos no norte de Portugal, sendo estes o Convento de Santa Clara de Amarante, o Convento de Nossa Senhora dos Remédios de Braga e o Convento da Madre de Deus de Monchique, no Porto.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O estudo deste tema é fundamental para a compreensão da história das unidades monásticas portuguesas e torna-se um contributo para a preservação da memória das casas religiosas que não sobreviveram após a extinção das ordens monásticas em 1834, ou às Invasões Napoleónicas e à Guerra Civil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Convento de Santa Clara de Amarante ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Identificação ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Convento de Santa Clara de Amarante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Largo de Santa Clara, Amarante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Séc. XII (fundação), Sécs. XVI/XVII/XVIII (restauro e criação de novos espaços)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Em ruínas&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Estado da Arte ====&lt;br /&gt;
A pesquisa realizada sobre o Convento de Santa Clara de Amarante foi essencialmente baseada na dissertação de mestrado em História de Daniel Ribeiro, intitulada de “Mosteiro de Santa Clara de Amarante: História, Património e Musealização” e no artigo do mesmo autor com o título de “Os Espaços Monásticos de Santa Clara de Amarante na Época Moderna”, ambos trabalhos bastante completos e fundamentais para a criação deste breve trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tese de mestrado foi útil para uma compreensão mais geral e total do contexto socioeconómico e histórico deste cenóbio ao longo dos séculos, desde a sua criação à sua destruição e estado atual. Já o artigo apresentou-se fundamental para a descrição detalhada dos espaços monásticos na época moderna, sendo assim possível criar uma imagem mental da dimensão do Convento de Santa Clara de Amarante. Também foi aqui mencionado o destino das variadas dependências deste local religioso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, por último, ainda é importante referir os websites do SIPA, importante para o entendimento da cronologia do convento, do Amarante Tourism, embora mais generalizado importante para uma primeira abordagem do trabalho e, ainda o blog Amarante Magazine, com um artigo publicado por Daniel Ribeiro, intitulado de O Mosteiro de Santa Clara de Amarante, bastante mais completo a nível de informação que o anteriormente referido, sendo fundamental para um entendimento mais abrangente do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Enquadramento&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O convento de Santa Clara de Amarante, situado relativamente próximo do centro histórico da cidade e do Mosteiro de São Gonçalo de Amarante, teve a sua origem, segundo a tradição, ainda no século XII, onde foi fundado por Dona Mafalda, infanta de Portugal. No seu início era apenas um pequeno grupo de mantelatas [1] sendo depois convertido para a Ordem de Santa Clara. Devido às várias transformações e destruições sucessivas ao longo dos séculos, hoje passa totalmente despercebido, mesmo com a sua aparição no traçado urbano, causando o desconhecimento deste monumento aos visitantes desta cidade.&lt;br /&gt;
----[1] As mantelatas tiverem a sua origem na idade média, tendo sido a primeira santa desta ordem a Santa Juliana Falconieri, descendente de uma família importante de Florença. Ficaram reconhecidas por este nome devido ao hábito que utilizavam, um manto sobre a cabeça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;&amp;lt;br /&amp;gt;Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A arquitetura do Convento de Santa Clara de Amarante é definida pelo reflexo da evolução estilística que se foi desenvolvendo ao longo dos séculos. A estrutura inicial deste cenóbio contava com um traço gótico, apresentando-se na atualidade bastante transformado com a predominância de elementos maneiristas e barrocos, resultado de intervenções posteriores. A fachada sul da igreja (virada para o atual Largo de Santa Clara), era caracterizada pela sua simplicidade sendo composta pelo portal de entrada, como em todos os conventos femininos estava presente na lateral do edifício, emoldurado por duas colunas torsas e encimado por um nicho, e três janelões retangulares. No seu perímetro estava presente uma cornija.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No seu interior, a capela-mor era antecedida por um arco cruzeiro que continha o escudo de armas de D. Tomé de Sousa, símbolo desta família que hipotecou a Quinta de Ponte de Veiga, em Unhão (Felgueiras), para a construção da zona mais sagrada da igreja. Neste mesmo local, estava presente um retábulo em talha dourada, com sacrário e tribuna. Estariam presentes as imagens de Santa Clara, Nossa Senhora da Conceição e do Menino Jesus. Também é fundamental realçar a decoração do teto  deste edifício, sendo esto abobadado com rompentes (leão figurado, no escudo, de perfil e aprumado), espigão ao centro e florões nos painéis tudo em pedra escodada e fina (RIBEIRO, 2013, 8).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta dependência representa tanta importância nesta breve análise e contextualização do Convento de Santa Clara de Amarante pois é uma das únicas partes que ainda subsiste &#039;&#039;in loco&#039;&#039; até aos dias de hoje, nomeadamente os restos renascentistas da capela lateral a Norte, uma pequena memória deste espaço monástico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Extinção e desaparecimento ====&lt;br /&gt;
O Convento de Santa Clara de Amarante sofreu um incêndio ateado pelos franceses, no momento das invasões que realizavam ao país, no dia 18 de abril de 1809, sobrevivendo apenas a igreja do espaço monástico. A extinção das ordens monásticas em 1834 também contribuiu para o desaparecimento parcial deste cenóbio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens e iconografia do objeto ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Convento de Nossa Senhora dos Remédios de Braga ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Identificação ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Convento de Nossa Senhora dos Remédios, Piedade e Madre de Deus&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Braga&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVI&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Religiosa. Arquitetura conventual feminina&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Estado da arte ====&lt;br /&gt;
No âmbito do estudo sobre o antigo Convento de Nossa Senhora dos Remédios, o artigo &#039;&#039;O legado do extinto Convento de Nossa Senhora da Piedade e dos Remédios&#039;&#039;, da autoria de Rui Ferreira e publicado em 2014, revelou-se uma referência fundamental e constitui um contributo significativo para o conhecimento do Convento dos Remédios, abordando diversos aspetos, desde a sua fundação até à extinção, incluindo ainda uma ficha de inventário do seu património móvel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A obra &#039;&#039;Em lembrança da extinta Igreja dos Remédios de Braga&#039;&#039;, publicada por Martins Capella, um irmão da Confraria do Santíssimo Sacramento, em 1913, representa um dos primeiros esforços sistemáticos de preservação da memória deste edifício religioso desaparecido do contexto bracarense. Escrita num tom evocativo e memorialista, reflete o interesse histórico do autor, mas também a sensibilidade de uma época preocupada com a perda do património religioso e urbano, ao reunir descrições, documentos e testemunhos visuais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O artigo &#039;&#039;A adoção do barroco nas igrejas conventuais femininas de Braga no pontificado de D. Rodrigo de Moura Teles: diálogos artísticos&#039;&#039;, de Manuel Joaquim Moreira da Rocha, publicado em 2001, constitui um estudo essencial para compreender a evolução artística e arquitetónica de três instituições religiosas femininas de Braga – Remédios, Salvador e Conceição – no início século XVIII. Ao se centrar no papel reformador e encomendador de D. Rodrigo de Moura Teles, o autor analisa os mecanismos de difusão do barroco no contexto conventual feminino, articulando a arquitetura com os programas decorativos e o património integrado. Esta abordagem permite compreender não só as opções estéticas da época, mas também os discursos simbólicos e funcionais subjacentes à configuração dos espaços sagrados femininos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Enquadramento ====&lt;br /&gt;
O Convento de Nossa Senhora dos Remédios foi o primeiro convento feminino erigido na cidade de Braga, destinado a uma nova comunidade religiosa que seguia a regra de S. Francisco de Assis. Mais tarde, o convento seria incorporado na Ordem Terceira da Penitência de São Francisco, e as suas religiosas teriam de fazer votos de obediência, castidade, pobreza e de clausura.&amp;lt;sup&amp;gt;[1]&amp;lt;/sup&amp;gt; De acordo com uma visita do arcebispo D. José de Bragança, concretizada em 1743, o convento contava com 101 religiosas, o que lhe tornava no recolhimento mais populoso de Braga.&amp;lt;sup&amp;gt;[2]&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este instituto religioso foi erguido nas imediações da cidade, embora extramuros, no espaço de um dos palácios em que residia o bispo fundador e em outros terrenos por ele adquiridos, os quais proporcionaram a área necessária para a construção da igreja e das restantes oficinas conventuais. Localizava-se no antigo rossio de São Marcos, junto à porta de São João e ocupava quase todo o recinto demarcado pelas ruas de São Marcos, a norte, das Águas, atual Avenida da Liberdade, a este, do Campo dos Remédios, atual largo Carlos Amarante, a oeste, e pela cangosta da rua das Águas, a sul, uma via inexistente no atual cenário urbano. A sua vasta frontaria preenchia todo o lado oriental do Campo dos Remédios, desde a rua de São Marcos, até à atual de São Lázaro.&amp;lt;sup&amp;gt;[3]&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
----&amp;lt;small&amp;gt;[1] RIBEIRO, Vítor Manuel Pereira, 2015. A Contabilidade no Convento de Nossa Senhora dos Remédios em Braga nos Séculos XVIII e XIX, 59&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[2] FERREIRA, Rui, 2014. O legado do extinto Convento de Nossa Senhora da Piedade e dos Remédios, 94&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[3] FERREIRA, op. cit, 95-96&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Descrição ====&lt;br /&gt;
A entrada principal nas igrejas conventuais femininas é sempre feita por uma porta lateral, uma vez que o espaço oposto à capela-mor é ocupado pelo coro, onde as religiosas assistem ao ofício litúrgico sem quebrarem a sua clausura, permanecendo ocultas aos fiéis que assistem à celebração na nave. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O portal da fachada lateral da igreja dos Remédios possuía uma estrutura complexa, disposto em três andares.&amp;lt;sup&amp;gt;[4]&amp;lt;/sup&amp;gt; A porta, retangular e bem proporcionada, era flanqueada por um par de colunas torsas com capitéis compósitos. Nos intercolúnios encontravam-se imagens em granito de religiosas terciárias, coroadas e assentes em mísulas: à direita de quem entra, a de Santa Isabel, rainha de Hungria e matriarca da Ordem, com o livro da regra na mão; à esquerda, a de Santa Isabel, rainha de Portugal, com o olhar voltado para o regaço onde, segundo a lenda, as esmolas se transformaram em rosas.&amp;lt;sup&amp;gt;[5]&amp;lt;/sup&amp;gt; O segundo registo mantém o estilo do corpo anterior, com quatro colunas torsas a ladear janelas e um nicho central em arco, onde se encontrava uma imagem da Piedade em calcário, flanqueada por duas outras imagens de granito: à direita, a de São João Evangelista; à esquerda, a de São João Batista. O último andar dispunha unicamente de um par de colunas torsas que delimitavam um nicho enquadrado por aletas, no qual se encontrava uma imagem em granito de São Francisco de Assis. O remate do conjunto do portal ultrapassava a cornija do edifício, e era composto pela pedra de armas de São Francisco de Assis, ornamentada com motivos vegetalistas, volutas e uma concha, e ladeada por anjos de feição barroquizante, do tipo &#039;&#039;putti&#039;&#039;, que seguravam uma grinalda de flores.&amp;lt;sup&amp;gt;[6]&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja dos Remédios seguia uma estrutura volumétrica e planimétrica semelhante à das restantes igrejas conventuais femininas. Estes templos estruturam-se em torno de um eixo central que conecta os coros, a nave, a capela-mor e a sacristia, evidenciando uma espacialidade longitudinal. A planta resulta da justaposição de vários retângulos, dos quais o que define o corpo da igreja constitui o paralelepípedo de maior volume.&amp;lt;sup&amp;gt;[7]&amp;lt;/sup&amp;gt; A igreja dos Remédios, de nave única, estendia-se de norte a sul, com a sua fachada e entrada principal voltada a oeste.&amp;lt;sup&amp;gt;[8]&amp;lt;/sup&amp;gt; &lt;br /&gt;
----&amp;lt;small&amp;gt;[4] ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da, 2001. A adoção do barroco nas igrejas conventuais femininas de Braga no pontificado de D. Rodrigo de Moura Teles: diálogos artísticos, 53-54&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[5] CAPELLA, Martins, 1913. Em lembrança da extinta Igreja dos Remédios de Braga, 55-56&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[6] ROCHA, A adoção do barroco nas igrejas conventuais femininas de Braga no pontificado de D. Rodrigo de Moura Teles: diálogos artísticos, 54 e FERREIRA, Rui, 2014. O legado do extinto Convento de Nossa Senhora da Piedade e dos Remédios, 115-117&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[7] ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da, 2001. A adoção do barroco nas igrejas conventuais femininas de Braga no pontificado de D. Rodrigo de Moura Teles: diálogos artísticos, 52-53&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[8] &#039;&#039;Ibidem&#039;&#039;, 55&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Património Integrado ====&lt;br /&gt;
A capela-mor dispunha de um retábulo-mor e tribuna em madeira dourada, de arquitetura antiga, com a imagem de Nossa Senhora da Piedade ladeada pelas de Nossa Senhora da Graça e de São Francisco. As suas paredes laterais eram forradas por quatro painéis da autoria de Carlos Antonio Leoni&amp;lt;sup&amp;gt;[9]&amp;lt;/sup&amp;gt; que representavam os passos da vida de Nossa Senhora. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Junto ao muro do arco cruzeiro existiam ainda dois retábulos colaterais: num venerava-se a imagem do Seráfico Patriarca, São Francisco de Assis, e no outro, a de São João Evangelista.&amp;lt;sup&amp;gt;[10]&amp;lt;/sup&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As paredes laterais da nave estavam revestidas, até meia altura, com azulejos que representavam alguns episódios da vida de São Francisco de Assis. Até à cornija do templo, encontravam-se quadros que ilustravam os principais atos de santidade do Santo enquanto Penitente, dispostos entre as janelas, decoradas com madeira recortada e dourada.&amp;lt;sup&amp;gt;[11]&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
----&amp;lt;small&amp;gt;[9] «Pintor florentino que exerceu a sua actividade em Lisboa, no século XVIII, no reinado de D. José I, e já porventura no de D. João V. Parece ter-se dedicado especialmente ao retrato, como o provam diversas composições suas n&#039;este género.» (VITERBO, 1903, 99)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[10] ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da, 2001. A adoção do barroco nas igrejas conventuais femininas de Braga no pontificado de D. Rodrigo de Moura Teles: diálogos artísticos, 61-62&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[11] &#039;&#039;Ibidem&#039;&#039;, 67&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Extinção e desaparecimento ====&lt;br /&gt;
A 30 de maio de 1834, foi aprovado pelo ministro da Justiça, Joaquim António de Aguiar, um decreto que determinou a extinção de todas as casas das ordens religiosas regulares e a incorporação dos seus bens na Fazenda Nacional. As comunidades masculinas foram imediatamente abolidas, enquanto as ordens femininas seriam extintas com o óbito da última freira professa. Em 1890, ainda sobreviviam duas freiras no convento dos Remédios. A extinção do convento dos Remédios deu-se a 7 de maio de 1898, com o óbito da Madre Narcisa Emília Leite.&amp;lt;sup&amp;gt;[12]&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda antes do falecimento da última freira, em 1896, o Estado cedeu o convento à Câmara Municipal de Braga para a instalação de um asilo de expostos e cegos, embora tal obra assistencial nunca tenha chegado a concretizar-se no local.&amp;lt;sup&amp;gt;[13]&amp;lt;/sup&amp;gt; Anos mais tarde, no ano administrativo de 1907-1908, a Câmara Municipal delineava um plano de diversos melhoramentos para a cidade, que incluía a abertura de uma avenida de nome Concelheiro João Franco, o que exigia o alargamento da antiga rua das Águas e da rua da Ponte. Para executar o projeto era necessário que os terrenos do Convento dos Remédios fossem cedidos à Câmara. A 7 de setembro de 1907, o governo promulgou um decreto com força de lei, concedendo à Câmara os edifícios, a cerca e as dependências do dito convento para a ampliação e alinhamento da Rua do Concelheiro João Franco.&amp;lt;sup&amp;gt;[14]&amp;lt;/sup&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Câmara planeava igualmente abrir uma rua transversal pela cerca do convento, desde a avenida João Franco até ao Largo Carlos Amarante. Para que esta artéria ficasse alinhada com a fachada da igreja de São Marcos, seria necessário cortar a igreja dos Remédios ao meio, o que comprometia gravemente a integridade desta estrutura arquitetónica.&amp;lt;sup&amp;gt;[15]&amp;lt;/sup&amp;gt; A demolição deste complexo monástico exemplifica como, no início do século XX, as decisões urbanísticas privilegiaram o desenvolvimento urbano e a modernização da cidade em detrimento da conservação do património histórico. A 3 de abril de 1911, celebrou-se a última missa e, pouco tempo depois, consumou-se o processo de demolição.&amp;lt;sup&amp;gt;[16]&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sua destruição permitiu a construção de novos edifícios, como o Teatro Circo, cuja edificação teve início em 1911 e terminou em 1915, no gaveto da Rua Gonçalo Sampaio com a Avenida da Liberdade, e o Shopping Santa Cruz, situado na esquina entre a mesma rua e o Largo Carlos Amarante. Voltados para o largo encontram-se ainda o edifício da Junta de Freguesia de S. José de S. Lázaro e S. João do Souto, bem como diversos estabelecimentos comerciais. &lt;br /&gt;
----&amp;lt;small&amp;gt;[12] FERREIRA, Rui, 2014. O legado do extinto Convento de Nossa Senhora da Piedade e dos Remédios, 96 e 107&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[13] OLIVEIRA, Eduardo Pires de, 1999. Arte religiosa e artistas em Braga e sua região (1870-1920), 103&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[14] CASTRO, Maria de Fátima, 2005. O princípio e o fim do Convento dos Remédios, 135-137&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[15] FERREIRA, RUI, 2014. O legado do extinto Convento de Nossa Senhora da Piedade e dos Remédios, 107. Esta artéria seria a atual Rua Dr. Gonçalo Sampaio.&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[16] &#039;&#039;Ibidem&#039;&#039;, 108&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens e iconografia do objeto ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Convento da Madre de Deus de Monchique ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Identificação ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|template&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Localizaçao&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
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|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Estado da arte ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Enquadramento ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Descrição ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Extinção e desaparecimento ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens e iconografia do objeto ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fontes e Bibliografia ====&lt;br /&gt;
RIBEIRO, Daniel José Soares, 2011. &#039;&#039;Mosteiro de Santa Clara de Amarante. História, Património e Musealização&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RIBEIRO, Daniel José Soares, 2013. &#039;&#039;Os Espaços Monásticos de Santa Clara de Amarante na Época Moderna&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CAPELA, José Viriato, MATOS, Henrique, BORRALHEIRO, Rogério, 2009. &#039;&#039;As freguesias do Distrito do Porto, nas Memórias Paroquiais de 1758&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ESPERANÇA, Frei Manuel da, 1666. &#039;&#039;História Seráfica dos frades menores de S. Francisco na província de Portugal.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da, e MONTERO, Juan Manuel Monterroso, coord., 2023, &#039;&#039;História da Arquitetura. Perspetivas Temáticas (II). Mosteiros e Conventos: Formas de (e para) Habitar&#039;&#039;. Porto: CITCEM. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Webgrafia ====&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://amarantetourism.com/poi/convento-de-santa-clara/&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 16 de abril de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://amarantemagazine.sapo.pt/sociedade/o-mosteiro-de-santa-clara-de-amarante/&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 16 de abril de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=4822&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 16 de abril de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://dicionario.priberam.org/cen%C3%B3bio&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 16 de abril de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://imovel.patrimoniocultural.gov.pt/detalhes.php?code=74102&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 17 de abril de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://archive.org/details/historia_serafica_dos_frades_menores-tomo5/historia_serafica_dos_frades_menores-tomo1/&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 17 de abril de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Extin%C3%A7%C3%A3o_das_ordens_religiosas#A_extin%C3%A7%C3%A3o_das_Ordens_Religiosas&amp;lt;/nowiki&amp;gt; consultado em 02 de maio de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/rompente&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 29 de abril de 2025&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://ensina.rtp.pt/explicador/invasoes-francesas-e-ideias-liberais-em-portugal-h63/&amp;lt;/nowiki&amp;gt; visitado em 30 de abril de 2025&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>172.68.103.34</name></author>
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