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	<title>Porto Barroco - Contribuições do utilizador [pt]</title>
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	<updated>2026-06-15T21:35:25Z</updated>
	<subtitle>Contribuições do utilizador</subtitle>
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		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=616</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
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		<updated>2025-05-23T11:57:35Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: /* Fundação */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
O estudo da Igreja de Nossa Senhora do Terço e do antigo convento beneditino de Barcelos tem merecido, até ao momento, uma abordagem relativamente esparsa na historiografia portuguesa, com predominância de contributos de caráter local e memorialista. Entre os trabalhos mais relevantes destacam-se &#039;&#039;Silva Minhota&#039;&#039; (1956), de Leonídio de Abreu, que apresenta uma descrição pormenorizada baseada em tradições orais e elementos históricos, e a &#039;&#039;Notícia Descritiva de Barcelos&#039;&#039; (1866), de Amaral Ribeiro, que reúne informações de natureza histórica e arquitetônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma análise mais recente e sistematizada encontra-se na obra do Padre Manuel Avelino de Sousa, &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço – Barcelos&#039;&#039; (2001), a qual se dedica especificamente a este conjunto monástico, oferecendo uma inventariação detalhada e uma contextualização histórica, artística e patrimonial da igreja e do antigo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
A Igreja da Nossa Senhora do Terço localiza-se na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, no centro histórico de Barcelos, Portugal (Coordenadas: 41.534200, -8.619500). Nas imediações situam-se diversos edifícios de relevo histórico e cultural, nomeadamente a Igreja Matriz de Barcelos (41.532462, -8.618856), o Paço dos Condes de Barcelos, atual Museu Arqueológico (41.533123, -8.618735), a Câmara Municipal de Barcelos (41.532356, -8.620407) e o antigo Convento do Menino Deus dos Maristas (41.531800, -8.621900).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A poucos metros encontra-se o Templo do Bom Jesus da Cruz (41.535416, -8.617325), erguido no início do século XVIII, exemplar da arquitetura barroca. Este templo é central nas celebrações da Festa das Cruzes, festividade emblemática do concelho.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fundação ==&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade de freiras beneditinas que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em Monção. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela Guerra da Restauração, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, D. Pedro II determinou o acolhimento provisório das religiosas no Seminário de São Pedro, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao Arcebispo Primaz de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a 14 de agosto de 1707, e ficou concluída em 1713, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a 11 de julho de 1713, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a 12 mil cruzados. Em 1707, foi nomeado Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em grande quadrilátero, implantado no atual Largo 5 de Outubro (antigo Campo dos Touros), onde se localizavam a portaria e o acesso à cerca. A ala sul acompanhava o traçado da atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, destacando-se o frontispício da igreja, voltado para o antigo Campo da Feira. No extremo sul, erguiam-se dois mirantes, sendo o do lado poente construído em ângulo reto entre o convento, o largo e a antiga estrada. Ao centro, dispunha-se um claustro, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma cerca com cerca de seis metros de altura, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Inauguração e permanência ==&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos pertencia ao ramo das chamadas &amp;quot;Gertrudinas Adoradoras&amp;quot;, corrente espiritual originada no século XIV com as reformas introduzidas por Santa Gertrudes, que promoveu a adoração eucarística contínua no seio da Ordem de São Bento. Esta corrente distinguia-se da tradição conservadora das &amp;quot;Escolásticas&amp;quot;, mantendo-se fiel à regra primitiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Saída das religiosas e destruição do Mosteiro ==&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, D. Pedro IV decretou, em 1834, a extinção das ordens religiosas em Portugal. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro Beneditino de Barcelos foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em Espanha, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em 1842, apenas duas religiosas permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de Viana do Castelo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por D. Maria II, confirma a realização de um leilão a 20 de novembro de 1843.&lt;br /&gt;
[[File:Claustro terco.png|thumb|Pátio atual ]]&lt;br /&gt;
Após a desamortização, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A cerca sul foi demolida para dar lugar à atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2004, foi inaugurado o Centro Comercial e Hotel do Terço, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas quatro arcos de volta perfeita, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo claustro, hoje integrados no pátio do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um andar superior em galeria, com cobertura em madeira suportada por colunas toscanas sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os vãos de portas e janelas quadrangulares, com emolduramentos em cantaria, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exterior ===&lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|Remate do portal]]&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta de disposição retangular e transversal, integrando diversos espaços funcionais alinhados ao longo de um eixo longitudinal: antigas dependências do convento, coro, nave única, capela mor profunda e sacristia. A volumetria destaca-se pela orientação horizontal, conferindo equilíbrio e sobriedade ao conjunto arquitetônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada principal, de traço simples e harmonioso, é rebocada e pintada de branco, assente sobre uma base de cantaria. Organiza-se em dois registos distintos e é rematada, ao centro, por uma cruz latina de braços trilobados. No registo inferior, sobressai o portal principal em arco de volta perfeita, construído em cantaria granítica e decorado com as armas reais na pedra de fecho. Este é ladeado por pilastras toscanas que sustentam um entablamento sóbrio, sobre o qual se encontra um nicho com a imagem da Virgem. Este nicho prolonga-se para o registo superior, sendo enquadrado por aletas e pináculos decorativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À esquerda, existe um segundo portal, também em arco de volta perfeita, mais modesto, ladeado por pilastras com pináculos e rematado por uma cornija semicircular encimada por uma cruz. Em redor encontram-se cartelas com inscrições comemorativas, adornadas com molduras volutadas típicas do barroco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No registo superior, abrem-se janelas gradeadas em capialço, incluindo uma janela de sacada com guarda em ferro forjado. O portal principal constitui o elemento de maior destaque, com arco de volta perfeita, pilastras simples, entablamento discreto e cornija proeminente. Sobre esta, dois pináculos bulbosos enquadram um nicho concheado com a escultura em pedra de Nossa Senhora da Conceição, adornado com volutas invertidas de desenho invulgar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima do portal, observa-se um brasão de armas de Portugal esculpido em alto-relevo, encimado por coroa real e inserido numa cartela em forma de couro. Sobre a balaustrada, ergue-se uma cruz em granito. No extremo leste da fachada, localiza-se uma sineira geminada de feição simples.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Programa artístico e seu ator ====&lt;br /&gt;
[[File:Pintura 1.png|thumb|Pintura a óleo ]]&lt;br /&gt;
O programa artístico da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja do convento das beneditinas de Barcelos, é geralmente atribuído a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731), um dos mais importantes mestres da azulejaria portuguesa do final do século XVII e início do século XVIII. Reconhecido pela sua versatilidade e pelo papel central na consolidação de uma escola de pintura sobre azulejo, Bernardes também se destacou na pintura a óleo sobre madeira, tela e barro. A sua oficina viria a formar diversos artistas, incluindo os seus filhos, Policarpo e Inácio Bernardes, que deram continuidade ao legado artístico da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja do Terço, a autoria de Bernardes é atribuída tanto ao conjunto de azulejos como a outras componentes decorativas do interior, num projeto coeso que parece ter sido concebido em sua totalidade pelo mestre ou sob a sua supervisão. Integradas nesse programa decorativo encontram-se seis telas de grandes dimensões com molduras douradas. Quatro permanecem na nave central e uma, de especial valor artístico, representa o regresso da Sagrada Família do Egito, colocada na capela mor. Duas outras telas originalmente pertencentes à capela mor terão desaparecido durante as Invasões Francesas, tendo os seus espaços sido preenchidos por composições em gesso de época posterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas a óleo do teto da nave principal, executadas sobre madeira nobre, apresentam afinidades estilísticas com os painéis de azulejo e são também atribuídas a António de Oliveira Bernardes. No entanto, pequenas variações formais sugerem a colaboração de outros membros da oficina, algo comum nas práticas artísticas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo notável desta colaboração é o par de painéis da capela mor que representam o lançamento da primeira pedra e a inauguração da igreja, assinados com as iniciais “P. M. P.”, de autor ainda não identificado. A assinatura completa poderá ter sido ocultada por um altar lateral posteriormente adicionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Azulejo ====&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo 2.jpg|thumb|Pormenor de azulejo]]&lt;br /&gt;
Datado de 1713, conforme inscrição identificada num friso de azulejos, o conjunto azulejar da Igreja de Nossa Senhora do Terço é atribuído a António de Oliveira Bernardes, um dos mais destacados mestres da azulejaria barroca portuguesa. Este programa decorativo integra-se plenamente na tradição artística e pedagógica do barroco, articulando espiritualidade, narrativa e simbolismo visual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os painéis de azulejos retratam episódios da vida de São Bento, enfatizando momentos da sua juventude, milagres e cenas que ilustram os princípios da Regra Beneditina, como a oração, o trabalho e a disciplina. As composições apresentam grande dimensão e forte impacto visual, revestindo integralmente os muros da nave da igreja. O cromatismo dominante é o azul cobalto sobre fundo branco, característico da azulejaria portuguesa do período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado sul, destacam-se janelas fingidas que simulam vãos reais, criando um efeito ilusionista acentuado por reflexos amarelados que imitam a luz solar. Este recurso decorativo contribui para uma atmosfera envolvente no espaço interior, reforçando a unidade simbólica do conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O programa iconográfico inclui ainda um ciclo de emblemas inspirados nas obras do beneditino Frei João dos Prazeres: &#039;&#039;O Príncipe dos Patriarcas S. Bento&#039;&#039; (1683) e &#039;&#039;Segundo Tomo de sua Vida&#039;&#039; (1690)&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;N.º  Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema  / Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  do Coro&lt;br /&gt;
|1  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|S.  Bento recebe pastores e jovens que desejam seguir o seu exemplo de vida  austera e solitária.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|2  (Centro)&lt;br /&gt;
|S.  Bento rola-se nos silvedos, em penitência, para dominar as tentações da  carne.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|3  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|O  corvo, seu companheiro, leva um pão envenenado para longe, evitando o atentado  de Florêncio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  Norte&lt;br /&gt;
|4  (Junto ao Coro)&lt;br /&gt;
|Monges  constroem um mosteiro. Um demónio torna uma pedra pesada; S. Bento  exorciza-o.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|5  (Antes do Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tentativa  de envenenamento com uma bilha. S. Bento abençoa-a, dela sai uma serpente.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|6  (Sobre o Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tótila  envia um falso rei. S. Bento reconhece a farsa e desmascara o impostor.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|7  (Sobre o Altar)&lt;br /&gt;
|Tótila  visita S. Bento, é perdoado e o santo profetiza-lhe o futuro (9 anos de  reinado).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|8  (Depois do Púlpito)&lt;br /&gt;
|O  lema “Ora et labora” ilustrado com monges a orar e a trabalhar no Monte  Cassino.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Capela-Mor&lt;br /&gt;
|9  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|Lançamento  da 1.ª pedra do convento por D. Rodrigo de Moura Teles, em 14 de agosto de  1707.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|10  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|Inauguração  do convento em 1713, com cortejo das freiras e presença figurada de D. João  V.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|11  (Parte superior de ambas as paredes)&lt;br /&gt;
|Espaço  decorativo com fundo de gesso e desenhos entre janelas, reais e fingidas.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lições&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Interpretação Final&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1 - O  Dragão das Sete Cabeças&lt;br /&gt;
|Non  extingvetvr igne. = Não se extingue nem com o fogo.  Só com o amor  divino se extingue o amor profano.&lt;br /&gt;
|O dragão  é o amor profano, os vícios capitais; só o amor divino pode vencê-lo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2 - O  Meu Vestuário&lt;br /&gt;
|A gosto,  e à medida.  A eleição do hábito há de ser voluntária.&lt;br /&gt;
|O hábito  simboliza a vocação, que deve ser bem escolhida e vivida com entusiasmo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3 - O  Feio Pássaro&lt;br /&gt;
|Ne  pereat immunitas. = Para que não pereça a perfeita clausura.  O sagrado  da clausura não se viola só pelas portas.&lt;br /&gt;
|O  pássaro é o demónio tentador, e a clausura protege contra tentações internas  e externas.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4 - O  Sol, Atracção das Águias&lt;br /&gt;
|Probantur  ut coronentur. = São provadas para serem coroadas.  A observância da  regra de S. Bento é caminho de salvação.&lt;br /&gt;
|O Sol é  Deus e as almas virtuosas voam para Ele como prêmio da vida santa.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5 - O  Galo Vaidoso&lt;br /&gt;
|Se ipsum  conspurcat. = Suja-se a si mesmo.  Só se compõem bem quem se vê ao  Divino Espelho.&lt;br /&gt;
|A  vaidade afasta-nos de Deus; o verdadeiro espelho é Cristo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6 - A  Árvore e a Ovelha&lt;br /&gt;
|Adumbrat  et alit. = Dá sombra e alimenta.  O Religioso tudo tem na Religião.&lt;br /&gt;
|A árvore  é o convento que sustenta espiritualmente os seus membros, como a Providência  sustenta os fiéis.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|7 - O  Rapaz do Copo Quebrado&lt;br /&gt;
|Facile  conciliantur. = Facilmente se conciliam.  Na Religião não há de haver  ódios.&lt;br /&gt;
|O vaso  representa a harmonia; deve haver reconciliação fácil na vida religiosa e  social.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|8 - O  Chicote e o Freio&lt;br /&gt;
|Non  sufficit unum. = Não basta um só.  Não se pode conservar a Religião sem  castigo.&lt;br /&gt;
|O freio  representa a correção e o chicote a punição quando há desobediência.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|9 - A  Foucinha Cega&lt;br /&gt;
|Impossibilia  superat. = Supera o impossível.  A obediência há de ser cega.&lt;br /&gt;
|A  foucinha cega simboliza a obediência perfeita, sem hesitações ou dúvidas  interiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|10 - As  Flores Perfumadas&lt;br /&gt;
|Quia  olet. = Porque cheira bem.  A inveja na Religião há de ser para imitar e  não para destruir.&lt;br /&gt;
|As  virtudes devem inspirar imitação e não inveja destrutiva.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel  / Lição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Latim)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Tradução)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  2&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  Final (Resumo)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|11.°  - O SOL NÃO DESCANSA&lt;br /&gt;
|Non  Qviescit&lt;br /&gt;
|Não  descansa&lt;br /&gt;
|Na  Religião não há de haver ociosidade&lt;br /&gt;
|Trabalho  é honra e ordem do Criador; símbolo da atividade constante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|12.°  - CHOVEM RAIOS E TEMPESTADES&lt;br /&gt;
|Fortior  in Adversarios&lt;br /&gt;
|Mais  forte contra os adversários&lt;br /&gt;
|Quanto  as tentações forem mais fortes, mais forte há de ser a resistência&lt;br /&gt;
|A  alma deve resistir com força aos inimigos; milícia é a vida do homem&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|13.°  - UMA AVE VOANDO&lt;br /&gt;
|Né  sucvmbat&lt;br /&gt;
|Para  que não sucumba&lt;br /&gt;
|Há  de voar o espírito para o corpo não sentir os rigores da Religião&lt;br /&gt;
|A  alma Religiosa eleva-se até Deus; exemplo de Santa Teresa e S. João da Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|14.°  - UM CHAFARIZ A PRESSÃO&lt;br /&gt;
|Quo  pressa altivs&lt;br /&gt;
|Quanto  mais oprimida mais alto sobe&lt;br /&gt;
|A  humildade na Religião é a que faz avultar a virtude&lt;br /&gt;
|Humildade  é base da santidade; mais pressão, maior elevação espiritual&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|15.°  - NUTRIDA OVELHA ATRAI CHACAIS&lt;br /&gt;
|In  odorem cvrrimvs&lt;br /&gt;
|Corremos  atraídos pelo bom cheiro&lt;br /&gt;
|A  Religião há de se buscar pela fama da sua virtude&lt;br /&gt;
|Virtude  atrai os outros à fé; como S. Bento atraiu muitos à religião&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|16.°  - A VACA DO LAVRADOR&lt;br /&gt;
|Tv  cede&lt;br /&gt;
|Tu  cede&lt;br /&gt;
|Não  há de o Religioso querer que toda a gente ande ao seu passo&lt;br /&gt;
|Aceitar  as diferenças; ajudar os mais lentos com paciência e caridade&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|17.°  - CASA SEM COBERTURA&lt;br /&gt;
|Sine  cvlmine corrvit&lt;br /&gt;
|Sem  o cume desmorona-se&lt;br /&gt;
|Não  se conserva a virtude sem a oração&lt;br /&gt;
|Sem  oração, tudo desmorona; oração é vida da perfeição&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|18.°  - O SOL QUE ILUMINA E PENETRA&lt;br /&gt;
|Non  oltra vires&lt;br /&gt;
|Não  além das forças de cada qual&lt;br /&gt;
|O  superior deve tomar conhecimento individual dos súbditos&lt;br /&gt;
|Superior  deve conhecer os seus para orientá-los segundo suas capacidades&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|19.°  - O SOL DA LADEIRA&lt;br /&gt;
|Allevat  et vexat&lt;br /&gt;
|Eleva  e humilha&lt;br /&gt;
|O  superior, assim como castiga, há de premiar&lt;br /&gt;
|Superior  deve agir com justiça e equilíbrio entre castigo e prémio&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|20.°  - O FLORIDO ARBUSTO&lt;br /&gt;
|Non  ex omni flore cárpitv mel&lt;br /&gt;
|Nem  de toda a flor se colhe mel&lt;br /&gt;
|Nem  sempre há de achar o superior igual procedimento nos súbditos&lt;br /&gt;
|Nem  todos os súbditos procedem da mesma forma; usar compreensão e realismo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens devocionais ====&lt;br /&gt;
As imagens e elementos decorativos do interior da igreja exercem uma dupla função: evidenciam, por um lado, um notável valor estético e patrimonial, refletindo o cuidado artístico da época barroca; por outro, assumem uma função devocional, ao inspirarem fé, recolhimento e ligação ao sagrado entre os fiéis que ali acorrem para oração.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Nome  da Imagem&lt;br /&gt;
|Material  / Estilo / Datação&lt;br /&gt;
|Altura  (m)&lt;br /&gt;
|Observações&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. dir.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada e dourada; séc. XVII (1.ª metade)&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Padroeira  primitiva&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. centro&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; meados do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Abadia&lt;br /&gt;
|Pedra  policromada; séc. XV-XVI, influência francesa&lt;br /&gt;
|1,00&lt;br /&gt;
|Proveniente  das muralhas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|São  Vicente Ferrer&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada com mulher aos pés; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – junto ao sacrário&lt;br /&gt;
|Coração  de Jesus e São José&lt;br /&gt;
|Terracota;  2.ª metade do séc. XX&lt;br /&gt;
|0,63&lt;br /&gt;
|Imagens  provisórias&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – porta do sacrário&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão (alto-relevo)&lt;br /&gt;
|Madeira;  alto-relevo&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Ressuscitado  e triunfal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – sobre o sacrário&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – centro&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada, policromada; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,97&lt;br /&gt;
|Titular  desde 1846&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (grande)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; dourado antigo; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,76&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (pequena)&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,33&lt;br /&gt;
|Muito  apreciada&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – centro&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,18&lt;br /&gt;
|Segundo  titular&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  – imagem adicional&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|1,55&lt;br /&gt;
|Substituída  após obras&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Escolástica&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada com ouro; finais séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,08&lt;br /&gt;
|Irmã  de S. Bento&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – centro&lt;br /&gt;
|Senhor  do Perdão&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo gótico; séc. XV&lt;br /&gt;
|1,90  x 1,70&lt;br /&gt;
|Expressão  comovente&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – lado&lt;br /&gt;
|São  João Evangelista&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; início do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Discípulo  amado&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – centro (em alto)&lt;br /&gt;
|Santíssima  Trindade&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,90&lt;br /&gt;
|Sobre  oratório do mesmo século&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – no oratório&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora (Virgem e Mãe)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Muito  bela&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna&lt;br /&gt;
|Senhor  da Cana Verde&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|1,16&lt;br /&gt;
|Escarnecido  pelos soldados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – sobre cómoda&lt;br /&gt;
|São  Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,66&lt;br /&gt;
|Fundador  dos Franciscanos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna alta&lt;br /&gt;
|Busto  de São Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada, articulado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Desfeito  após 1970&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – cómoda&lt;br /&gt;
|Santa  Filomena&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|Virgem  e mártir&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto&lt;br /&gt;
|Crucifixo  Semana Santa&lt;br /&gt;
|Madeira  (cruz recente); imagem antiga&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Muito  expressivo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Coração  de Maria&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,35&lt;br /&gt;
|Sobre  peanha&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|São  José&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada&lt;br /&gt;
|0,25&lt;br /&gt;
|Muito  pequeno&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|3  Crucifixos e castiçais&lt;br /&gt;
|Madeira  dourada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,50  (cruzes), 0,70 (pés)&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Presépio  com 10 figuras&lt;br /&gt;
|Terracota;  cenário reaproveitado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Gruta  original do sacrário&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Senhor  da Boa Morte&lt;br /&gt;
|Madeira;  estilo gótico&lt;br /&gt;
|Tamanho  natural&lt;br /&gt;
|Rosto  suave&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – frontispício&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Com  coroa e escudo reais&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – portaria do convento&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Escudo  aos pés&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – capela / oratório&lt;br /&gt;
|Senhor  dos Aflitos&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|1,15  (imagem); 2,00 x 1,00 (cruz)&lt;br /&gt;
|Crucifixo  devocional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura no teto da igreja ====&lt;br /&gt;
O teto em caixotões da nave principal da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja conventual beneditina em Barcelos, constitui um dos elementos mais notáveis do seu programa decorativo. Executado em painéis de madeira nobre, encontra-se revestido por pinturas a óleo de temática religiosa, representando episódios da vida de São Bento e outras cenas devocionais.&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|thumb|Pintura no teto da igreja]]&lt;br /&gt;
Estas pinturas são geralmente atribuídas a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731) ou ao seu círculo próximo, com base em semelhanças estilísticas com os painéis de azulejo da mesma igreja. A obra revela um traço delicado e meticuloso, evocando por vezes o espírito das iluminuras medievais, com influência de modelos como o Beato Angélico. O uso de cores vivas, bem conservadas, e a qualidade técnica geral evidenciam a mestria dos artistas envolvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A excecional preservação destas pinturas foi já destacada em fontes do século XIX e reafirmada por técnicos da Direção-Geral dos Monumentos Nacionais durante os trabalhos de restauro realizados na década de 1970. A simples remoção de sujidade revelou a riqueza cromática e a integridade dos caixotões pintados, demonstrando a durabilidade da técnica empregue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste, as pinturas originais do teto da capela-mor foram cobertas com cal em data incerta, o que comprometeu grande parte do seu valor artístico. Intervenções de recuperação no século XX permitiram a remoção parcial da cal e a aplicação de cera protetora, embora muitos danos sejam considerados irreversíveis. Procedimentos semelhantes foram aplicados à sacristia e áreas anexas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tetos dos coros, inferior e superior, não apresentam decoração pictórica. Originalmente pintados com tinta cinzenta, foram restaurados com tratamento a cera, refletindo uma estética sóbria e alinhada com o ideal monástico de humildade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura devocional ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Título / Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Descrição / Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor / Escola&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Data / Época&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Regresso da Sagrada Família do Egito&lt;br /&gt;
|Pintura com grande expressividade, cores vivas,  vestes esvoaçantes. Representa a Divina Pastora.&lt;br /&gt;
|Possivelmente António de Oliveira Bernardes ou  escola&lt;br /&gt;
|Início do século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte&lt;br /&gt;
|Santa Gertrudes&lt;br /&gt;
|Beneditina, reformadora, representada com o Menino  Jesus no coração.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul&lt;br /&gt;
|Santa Escolástica&lt;br /&gt;
|Irmã de São Bento, cofundadora das Beneditinas.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Arcanjo do Juízo Final&lt;br /&gt;
|Inspirado na carta aos Tessalonicenses (1 Tsl. 4,  12-27).&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Morte de Santa Teresa de Jesus&lt;br /&gt;
|Santa espanhola, reformadora do Carmelo. Pintura  italiana.&lt;br /&gt;
|Atribuído a Bernini por crítico da Fundação  Gulbenkian&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|O Rosto do Senhor (Véu da Verónica)&lt;br /&gt;
|Reprodução autenticada pelo Vaticano.&lt;br /&gt;
|Reprodução&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Ex-voto de S. Bento da Portaria&lt;br /&gt;
|Relata milagre de cura a António José.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Baixo&lt;br /&gt;
|Santa Águeda&lt;br /&gt;
|Pintura em tábua, virgem e mártir da província de  Catânia.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|séc. XVII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Santa Luzia&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Ascenção do Senhor&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Talha ====&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço, destaca-se pelo seu valioso conjunto de talha dourada, considerado um dos mais significativos da arte sacra portuguesa do início do século XVIII. Este conjunto tem sido objeto de estudo por diversos investigadores, entre os quais se destaca Robert Smith, especialista em arte portuguesa, que atribuiu a autoria da talha a Ambrósio Coelho, entalhador natural da freguesia de São Paio de Carvalhal, no concelho de Barcelos. &lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|Púlpito ]]&lt;br /&gt;
O estilo decorativo da talha é descrito pelo Cónego Dr. Luciano dos Santos, presidente da Comissão de Arte Sacra de Braga, como pertencente a um “renascimento muito ornamentado”. Apesar de algumas interpretações sugerirem uma fase de transição entre o Renascimento e o Barroco, a maioria dos estudiosos considera que a talha se insere no estilo joanino, do reinado de D. João V. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os retábulos colaterais, dispostos em ângulo nas paredes laterais da nave, apresentam planta côncava e eixo único, sendo rematados por arquivoltas com decoração vegetalista. Cada retábulo possui um nicho central com imaginária, enquadrado por colunas pseudosalomónicas, características do barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela mor é coberta por abóbada semelhante à da nave e apresenta um retábulo-mor em talha dourada, de planta côncava, também com eixo único e remate em arquivolta. No centro, encontra-se a tribuna com trono, enquadrada por colunas pseudosalomónicas, entre as quais se dispõem peanhas com imagens devocionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pisos ====&lt;br /&gt;
A Igreja desenvolve-se num único piso ao nível do rés-do-chão, originalmente revestido com lajedo de pedra. Este revestimento estendia-se também à sacristia e aos corredores laterais da capela mor, onde se encontra cantaria mais elaborada, possivelmente com acabamento mais fino, condizente com o embasamento das escadas e da base do altar. Durante a década de 1930, o pavimento em pedra foi coberto com soalho de madeira, numa tentativa de melhorar o conforto térmico no interior do templo.&lt;br /&gt;
[[File:Coro.png|thumb|286x286px|Coro baixo e alto]]&lt;br /&gt;
O coro baixo, reservado à participação litúrgica das religiosas em clausura, não apresenta lajedo original, o que sugere uma construção posterior ou com finalidade diferente. Conservam-se ainda elementos associados à prática da reconciliação penitencial, como pequenas janelas embutidas na parede norte. Estes vãos permitiam o contacto entre as religiosas e o confessor, mantendo a separação imposta pela clausura. Alguns desses vãos foram reabertos durante as intervenções realizadas no século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto é de grandes dimensões, projetado para acomodar mais de uma centena de religiosas. Possui pavimento em madeira e um falso teto que separa os dois coros. Durante os trabalhos de restauro do edifício, foi proposta a substituição do soalho do coro alto por uma laje de cimento revestida a madeira, com o objetivo de reforçar a estrutura e preservar a harmonia estética do espaço. Esta intervenção visava também resolver problemas funcionais relacionados com a existência de um armazém arrendado sob o coro, situação considerada inadequada do ponto de vista litúrgico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modificações estilísticas na Igreja de Nossa Senhora do Terço ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções e Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Influência das modas e  intervenções passadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados (séc. XX)  pintados de branco, quebrando a harmonia arquitetónica. - “Capacetes” de  madeira substituíram baldaquinos de damasco.- No séc. XIX, acrescentaram-se  sanefas e elementos decorativos em madeira nos arcos triunfais, obscurecendo  a estrutura original.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções de 1966 a 1970 –  Recuperação da traça original&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Retirada de elementos estranhos  ao estilo original: sanefas, guarnições de madeira, topo do sacrário  substituído por gruta com figuras em terracota. - Peças de pouca qualidade  recolhidas e armazenadas no coro e compartimentos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Altares vazados e frontais&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados transferidos para  o coro. - Perda dos frontais originais; um possivelmente reaproveitado na  capela de São Bento da Buraquinha. - Novos frontais construídos em madeira de  castanho, pintados em sintonia com a paleta cromática da igreja.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Adaptação às normas do Concílio  Vaticano II&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Centralização do culto no novo  Altar do Sacrifício. - Mesas dos três altares cortadas e reutilizadas como  nichos no novo altar central. - Grade da comunhão removida.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tribuna e elementos decorativos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Pinturas florais no fundo do  retábulo refeitas com base em vestígios originais (tons de cinzento com  flores discretas). - Telão do Coração de Jesus e Santa Margarida Maria  Alacoque removido por destoar estilisticamente; degraus restaurados e  pintados de dourado.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Uso da tribuna pelas religiosas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- A tribuna foi usada como espaço  de exposição do Santíssimo Sacramento, acessível pela porta inferior. - Não  se sabe ao certo desde quando essa prática ocorria.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Restauro geral e cuidados  estéticos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Limpeza dos tetos, recuperação  das cantarias, portas interiores, balaustradas, ferragens, candeeiros e  tintas escolhidas com critério estético e histórico.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Imagens sacras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Imagem moderna de São Bento  deslocada para o coro, substituída por escultura antiga. - Imagem de Santa  Luzia restaurada em Braga.- Imagens do Coração de Jesus e de São José  adaptadas antes da colocação.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Aspirações futuras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Recuperação do lajedo da nave  principal ainda pendente. - Novo Altar do Sacrifício destaca-se pela  simplicidade e contribui para a beleza do conjunto.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia dos Restauros ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Ano/Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções Realizadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1966&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início da campanha de restauro  para devolver à igreja o estilo original. - Retirada de sanefas e guarnições  de madeira que ocultavam elementos arquitetónicos. - Substituição da peça  superior do sacrário por uma gruta com figuras em terracota.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1967–1968&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Retirada dos altares vazados do  início do séc. XX e transferência para o coro. - Confeção de dois frontais em  madeira de castanho para os altares laterais, pintados conforme as cores  dominantes da igreja. - Substituição de imagens modernas por outras antigas  de valor artístico (ex.: imagem antiga de S. Bento).&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1969&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Preparação para o restauro  estrutural profundo. - Envolvimento da Delegação Norte dos Monumentos  Nacionais (Arq. Silva Bessa). - Obra autorizada a ser feita “a jornal” por  mestres locais após desistência de empreiteiros.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Verão de 1970&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início oficial das grandes obras.  - Nova cobertura em placa de cimento armado. - Instalação de telhados novos  em telha especial patinada.- Verificação da boa conservação das estruturas de  madeira originais. - Travamento das paredes com anéis de ferro, cimento e  cabos de aço.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1971&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Reboque e pintura da fachada  sul com materiais adequados. - Restauro do coro alto (escadas novas, reboco e  enceramento do teto). - Confeção de cinco portas exteriores em madeira de  castanho envelhecido. - Nova porta da sacristia em madeira de mimosa seca.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Primavera de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Conclusão da 2.ª fase das obras.  - Construção do novo Altar do Sacrifício ao centro da capela-mor, conforme o  Concílio Vaticano II.- Retirada da grade da comunhão e adaptação do arco cruzeiro.  - Lavagens profundas da cantaria e construção de armários laterais de apoio.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1 de julho de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Visita oficial do Arcebispo  Primaz, D. Francisco Maria da Silva. - Planeamento da 3.ª fase: colocação da  placa do coro alto e instalação de iluminação museológica.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  Fontes e Bibliografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Recursos Digitais ==&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural. Disponível em: https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/igreja-da-nossa-senhora-do-terco-barcelos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Confraria da Nossa Senhora do Terço. Disponível em: https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Câmara Municipal de Barcelos. Disponível em: https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Paroquia de Barcelos de Santa Maria Maior. Disponível em: https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site do Instituto Público Património Cultural. Disponível em: https://imovel.patrimoniocultural.gov.pt/detalhes.php?code=73204&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=483</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=483"/>
		<updated>2025-05-19T16:25:07Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: /* GALERIA */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
O estudo da Igreja de Nossa Senhora do Terço e do antigo convento beneditino de Barcelos tem merecido, até ao momento, uma abordagem relativamente esparsa na historiografia portuguesa, com predominância de contributos de caráter local e memorialista. Entre os trabalhos mais relevantes destacam-se &#039;&#039;Silva Minhota&#039;&#039; (1956), de Leonídio de Abreu, que apresenta uma descrição pormenorizada baseada em tradições orais e elementos históricos, e a &#039;&#039;Notícia Descritiva de Barcelos&#039;&#039; (1866), de Amaral Ribeiro, que reúne informações de natureza histórica e arquitetônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma análise mais recente e sistematizada encontra-se na obra do Padre Manuel Avelino de Sousa, &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço – Barcelos&#039;&#039; (2001), a qual se dedica especificamente a este conjunto monástico, oferecendo uma inventariação detalhada e uma contextualização histórica, artística e patrimonial da igreja e do antigo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
A Igreja da Nossa Senhora do Terço localiza-se na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, no centro histórico de Barcelos, Portugal (Coordenadas: 41.534200, -8.619500). Nas imediações situam-se diversos edifícios de relevo histórico e cultural, nomeadamente a Igreja Matriz de Barcelos (41.532462, -8.618856), o Paço dos Condes de Barcelos, atual Museu Arqueológico (41.533123, -8.618735), a Câmara Municipal de Barcelos (41.532356, -8.620407) e o antigo Convento do Menino Deus dos Maristas (41.531800, -8.621900).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A poucos metros encontra-se o Templo do Bom Jesus da Cruz (41.535416, -8.617325), erguido no início do século XVIII, exemplar da arquitetura barroca. Este templo é central nas celebrações da Festa das Cruzes, festividade emblemática do concelho.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fundação ==&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade de freiras beneditinas que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em Monção. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela Guerra da Restauração, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, D. Pedro II determinou o acolhimento provisório das religiosas no Seminário de São Pedro, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao Arcebispo Primaz de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a 14 de agosto de 1707, e ficou concluída em 1713, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a 11 de julho de 1713, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a 12 mil cruzados. Em 1707, foi nomeado Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em grande quadrilátero, implantado no atual Largo 5 de Outubro (antigo Campo dos Touros), onde se localizavam a portaria e o acesso à cerca. A ala sul acompanhava o traçado da atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, destacando-se o frontispício da igreja, voltado para o antigo Campo da Feira. No extremo sul, erguiam-se dois mirantes, sendo o do lado poente construído em ângulo reto entre o convento, o largo e a antiga estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao centro, dispunha-se um claustro, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma cerca com cerca de seis metros de altura, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Inauguração e permanência ==&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos pertencia ao ramo das chamadas &amp;quot;Gertrudinas Adoradoras&amp;quot;, corrente espiritual originada no século XIV com as reformas introduzidas por Santa Gertrudes, que promoveu a adoração eucarística contínua no seio da Ordem de São Bento. Esta corrente distinguia-se da tradição conservadora das &amp;quot;Escolásticas&amp;quot;, mantendo-se fiel à regra primitiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Saída das religiosas e destruição do Mosteiro ==&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, D. Pedro IV decretou, em 1834, a extinção das ordens religiosas em Portugal. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro Beneditino de Barcelos foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em Espanha, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em 1842, apenas duas religiosas permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de Viana do Castelo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por D. Maria II, confirma a realização de um leilão a 20 de novembro de 1843.&lt;br /&gt;
[[File:Claustro terco.png|thumb|Pátio atual ]]&lt;br /&gt;
Após a desamortização, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A cerca sul foi demolida para dar lugar à atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2004, foi inaugurado o Centro Comercial e Hotel do Terço, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas quatro arcos de volta perfeita, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo claustro, hoje integrados no pátio do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um andar superior em galeria, com cobertura em madeira suportada por colunas toscanas sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os vãos de portas e janelas quadrangulares, com emolduramentos em cantaria, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exterior ===&lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|Remate do portal]]&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta de disposição retangular e transversal, integrando diversos espaços funcionais alinhados ao longo de um eixo longitudinal: antigas dependências do convento, coro, nave única, capela mor profunda e sacristia. A volumetria destaca-se pela orientação horizontal, conferindo equilíbrio e sobriedade ao conjunto arquitetônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada principal, de traço simples e harmonioso, é rebocada e pintada de branco, assente sobre uma base de cantaria. Organiza-se em dois registos distintos e é rematada, ao centro, por uma cruz latina de braços trilobados. No registo inferior, sobressai o portal principal em arco de volta perfeita, construído em cantaria granítica e decorado com as armas reais na pedra de fecho. Este é ladeado por pilastras toscanas que sustentam um entablamento sóbrio, sobre o qual se encontra um nicho com a imagem da Virgem. Este nicho prolonga-se para o registo superior, sendo enquadrado por aletas e pináculos decorativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À esquerda, existe um segundo portal, também em arco de volta perfeita, mais modesto, ladeado por pilastras com pináculos e rematado por uma cornija semicircular encimada por uma cruz. Em redor encontram-se cartelas com inscrições comemorativas, adornadas com molduras volutadas típicas do barroco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No registo superior, abrem-se janelas gradeadas em capialço, incluindo uma janela de sacada com guarda em ferro forjado. O portal principal constitui o elemento de maior destaque, com arco de volta perfeita, pilastras simples, entablamento discreto e cornija proeminente. Sobre esta, dois pináculos bulbosos enquadram um nicho concheado com a escultura em pedra de Nossa Senhora da Conceição, adornado com volutas invertidas de desenho invulgar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima do portal, observa-se um brasão de armas de Portugal esculpido em alto-relevo, encimado por coroa real e inserido numa cartela em forma de couro. Sobre a balaustrada, ergue-se uma cruz em granito. No extremo leste da fachada, localiza-se uma sineira geminada de feição simples.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Programa artístico e seu ator ====&lt;br /&gt;
[[File:Pintura 1.png|thumb|Pintura a óleo ]]&lt;br /&gt;
O programa artístico da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja do convento das beneditinas de Barcelos, é geralmente atribuído a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731), um dos mais importantes mestres da azulejaria portuguesa do final do século XVII e início do século XVIII. Reconhecido pela sua versatilidade e pelo papel central na consolidação de uma escola de pintura sobre azulejo, Bernardes também se destacou na pintura a óleo sobre madeira, tela e barro. A sua oficina viria a formar diversos artistas, incluindo os seus filhos, Policarpo e Inácio Bernardes, que deram continuidade ao legado artístico da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja do Terço, a autoria de Bernardes é atribuída tanto ao conjunto de azulejos como a outras componentes decorativas do interior, num projeto coeso que parece ter sido concebido em sua totalidade pelo mestre ou sob a sua supervisão. Integradas nesse programa decorativo encontram-se seis telas de grandes dimensões com molduras douradas. Quatro permanecem na nave central e uma, de especial valor artístico, representa o regresso da Sagrada Família do Egito, colocada na capela mor. Duas outras telas originalmente pertencentes à capela mor terão desaparecido durante as Invasões Francesas, tendo os seus espaços sido preenchidos por composições em gesso de época posterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas a óleo do teto da nave principal, executadas sobre madeira nobre, apresentam afinidades estilísticas com os painéis de azulejo e são também atribuídas a António de Oliveira Bernardes. No entanto, pequenas variações formais sugerem a colaboração de outros membros da oficina, algo comum nas práticas artísticas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo notável desta colaboração é o par de painéis da capela mor que representam o lançamento da primeira pedra e a inauguração da igreja, assinados com as iniciais “P. M. P.”, de autor ainda não identificado. A assinatura completa poderá ter sido ocultada por um altar lateral posteriormente adicionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Azulejo ====&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo 2.jpg|thumb|Pormenor de azulejo]]&lt;br /&gt;
Datado de 1713, conforme inscrição identificada num friso de azulejos, o conjunto azulejar da Igreja de Nossa Senhora do Terço é atribuído a António de Oliveira Bernardes, um dos mais destacados mestres da azulejaria barroca portuguesa. Este programa decorativo integra-se plenamente na tradição artística e pedagógica do barroco, articulando espiritualidade, narrativa e simbolismo visual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os painéis de azulejos retratam episódios da vida de São Bento, enfatizando momentos da sua juventude, milagres e cenas que ilustram os princípios da Regra Beneditina, como a oração, o trabalho e a disciplina. As composições apresentam grande dimensão e forte impacto visual, revestindo integralmente os muros da nave da igreja. O cromatismo dominante é o azul cobalto sobre fundo branco, característico da azulejaria portuguesa do período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado sul, destacam-se janelas fingidas que simulam vãos reais, criando um efeito ilusionista acentuado por reflexos amarelados que imitam a luz solar. Este recurso decorativo contribui para uma atmosfera envolvente no espaço interior, reforçando a unidade simbólica do conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O programa iconográfico inclui ainda um ciclo de emblemas inspirados nas obras do beneditino Frei João dos Prazeres: &#039;&#039;O Príncipe dos Patriarcas S. Bento&#039;&#039; (1683) e &#039;&#039;Segundo Tomo de sua Vida&#039;&#039; (1690)&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;N.º  Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema  / Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  do Coro&lt;br /&gt;
|1  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|S.  Bento recebe pastores e jovens que desejam seguir o seu exemplo de vida  austera e solitária.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|2  (Centro)&lt;br /&gt;
|S.  Bento rola-se nos silvedos, em penitência, para dominar as tentações da  carne.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|3  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|O  corvo, seu companheiro, leva um pão envenenado para longe, evitando o atentado  de Florêncio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  Norte&lt;br /&gt;
|4  (Junto ao Coro)&lt;br /&gt;
|Monges  constroem um mosteiro. Um demónio torna uma pedra pesada; S. Bento  exorciza-o.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|5  (Antes do Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tentativa  de envenenamento com uma bilha. S. Bento abençoa-a, dela sai uma serpente.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|6  (Sobre o Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tótila  envia um falso rei. S. Bento reconhece a farsa e desmascara o impostor.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|7  (Sobre o Altar)&lt;br /&gt;
|Tótila  visita S. Bento, é perdoado e o santo profetiza-lhe o futuro (9 anos de  reinado).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|8  (Depois do Púlpito)&lt;br /&gt;
|O  lema “Ora et labora” ilustrado com monges a orar e a trabalhar no Monte  Cassino.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Capela-Mor&lt;br /&gt;
|9  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|Lançamento  da 1.ª pedra do convento por D. Rodrigo de Moura Teles, em 14 de agosto de  1707.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|10  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|Inauguração  do convento em 1713, com cortejo das freiras e presença figurada de D. João  V.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|11  (Parte superior de ambas as paredes)&lt;br /&gt;
|Espaço  decorativo com fundo de gesso e desenhos entre janelas, reais e fingidas.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lições&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Interpretação Final&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1 - O  Dragão das Sete Cabeças&lt;br /&gt;
|Non  extingvetvr igne. = Não se extingue nem com o fogo.  Só com o amor  divino se extingue o amor profano.&lt;br /&gt;
|O dragão  é o amor profano, os vícios capitais; só o amor divino pode vencê-lo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2 - O  Meu Vestuário&lt;br /&gt;
|A gosto,  e à medida.  A eleição do hábito há de ser voluntária.&lt;br /&gt;
|O hábito  simboliza a vocação, que deve ser bem escolhida e vivida com entusiasmo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3 - O  Feio Pássaro&lt;br /&gt;
|Ne  pereat immunitas. = Para que não pereça a perfeita clausura.  O sagrado  da clausura não se viola só pelas portas.&lt;br /&gt;
|O  pássaro é o demónio tentador, e a clausura protege contra tentações internas  e externas.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4 - O  Sol, Atracção das Águias&lt;br /&gt;
|Probantur  ut coronentur. = São provadas para serem coroadas.  A observância da  regra de S. Bento é caminho de salvação.&lt;br /&gt;
|O Sol é  Deus e as almas virtuosas voam para Ele como prêmio da vida santa.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5 - O  Galo Vaidoso&lt;br /&gt;
|Se ipsum  conspurcat. = Suja-se a si mesmo.  Só se compõem bem quem se vê ao  Divino Espelho.&lt;br /&gt;
|A  vaidade afasta-nos de Deus; o verdadeiro espelho é Cristo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6 - A  Árvore e a Ovelha&lt;br /&gt;
|Adumbrat  et alit. = Dá sombra e alimenta.  O Religioso tudo tem na Religião.&lt;br /&gt;
|A árvore  é o convento que sustenta espiritualmente os seus membros, como a Providência  sustenta os fiéis.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|7 - O  Rapaz do Copo Quebrado&lt;br /&gt;
|Facile  conciliantur. = Facilmente se conciliam.  Na Religião não há de haver  ódios.&lt;br /&gt;
|O vaso  representa a harmonia; deve haver reconciliação fácil na vida religiosa e  social.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|8 - O  Chicote e o Freio&lt;br /&gt;
|Non  sufficit unum. = Não basta um só.  Não se pode conservar a Religião sem  castigo.&lt;br /&gt;
|O freio  representa a correção e o chicote a punição quando há desobediência.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|9 - A  Foucinha Cega&lt;br /&gt;
|Impossibilia  superat. = Supera o impossível.  A obediência há de ser cega.&lt;br /&gt;
|A  foucinha cega simboliza a obediência perfeita, sem hesitações ou dúvidas  interiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|10 - As  Flores Perfumadas&lt;br /&gt;
|Quia  olet. = Porque cheira bem.  A inveja na Religião há de ser para imitar e  não para destruir.&lt;br /&gt;
|As  virtudes devem inspirar imitação e não inveja destrutiva.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel  / Lição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Latim)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Tradução)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  2&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  Final (Resumo)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|11.°  - O SOL NÃO DESCANSA&lt;br /&gt;
|Non  Qviescit&lt;br /&gt;
|Não  descansa&lt;br /&gt;
|Na  Religião não há de haver ociosidade&lt;br /&gt;
|Trabalho  é honra e ordem do Criador; símbolo da atividade constante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|12.°  - CHOVEM RAIOS E TEMPESTADES&lt;br /&gt;
|Fortior  in Adversarios&lt;br /&gt;
|Mais  forte contra os adversários&lt;br /&gt;
|Quanto  as tentações forem mais fortes, mais forte há de ser a resistência&lt;br /&gt;
|A  alma deve resistir com força aos inimigos; milícia é a vida do homem&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|13.°  - UMA AVE VOANDO&lt;br /&gt;
|Né  sucvmbat&lt;br /&gt;
|Para  que não sucumba&lt;br /&gt;
|Há  de voar o espírito para o corpo não sentir os rigores da Religião&lt;br /&gt;
|A  alma Religiosa eleva-se até Deus; exemplo de Santa Teresa e S. João da Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|14.°  - UM CHAFARIZ A PRESSÃO&lt;br /&gt;
|Quo  pressa altivs&lt;br /&gt;
|Quanto  mais oprimida mais alto sobe&lt;br /&gt;
|A  humildade na Religião é a que faz avultar a virtude&lt;br /&gt;
|Humildade  é base da santidade; mais pressão, maior elevação espiritual&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|15.°  - NUTRIDA OVELHA ATRAI CHACAIS&lt;br /&gt;
|In  odorem cvrrimvs&lt;br /&gt;
|Corremos  atraídos pelo bom cheiro&lt;br /&gt;
|A  Religião há de se buscar pela fama da sua virtude&lt;br /&gt;
|Virtude  atrai os outros à fé; como S. Bento atraiu muitos à religião&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|16.°  - A VACA DO LAVRADOR&lt;br /&gt;
|Tv  cede&lt;br /&gt;
|Tu  cede&lt;br /&gt;
|Não  há de o Religioso querer que toda a gente ande ao seu passo&lt;br /&gt;
|Aceitar  as diferenças; ajudar os mais lentos com paciência e caridade&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|17.°  - CASA SEM COBERTURA&lt;br /&gt;
|Sine  cvlmine corrvit&lt;br /&gt;
|Sem  o cume desmorona-se&lt;br /&gt;
|Não  se conserva a virtude sem a oração&lt;br /&gt;
|Sem  oração, tudo desmorona; oração é vida da perfeição&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|18.°  - O SOL QUE ILUMINA E PENETRA&lt;br /&gt;
|Non  oltra vires&lt;br /&gt;
|Não  além das forças de cada qual&lt;br /&gt;
|O  superior deve tomar conhecimento individual dos súbditos&lt;br /&gt;
|Superior  deve conhecer os seus para orientá-los segundo suas capacidades&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|19.°  - O SOL DA LADEIRA&lt;br /&gt;
|Allevat  et vexat&lt;br /&gt;
|Eleva  e humilha&lt;br /&gt;
|O  superior, assim como castiga, há de premiar&lt;br /&gt;
|Superior  deve agir com justiça e equilíbrio entre castigo e prémio&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|20.°  - O FLORIDO ARBUSTO&lt;br /&gt;
|Non  ex omni flore cárpitv mel&lt;br /&gt;
|Nem  de toda a flor se colhe mel&lt;br /&gt;
|Nem  sempre há de achar o superior igual procedimento nos súbditos&lt;br /&gt;
|Nem  todos os súbditos procedem da mesma forma; usar compreensão e realismo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens devocionais ====&lt;br /&gt;
As imagens e elementos decorativos do interior da igreja exercem uma dupla função: evidenciam, por um lado, um notável valor estético e patrimonial, refletindo o cuidado artístico da época barroca; por outro, assumem uma função devocional, ao inspirarem fé, recolhimento e ligação ao sagrado entre os fiéis que ali acorrem para oração.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Nome  da Imagem&lt;br /&gt;
|Material  / Estilo / Datação&lt;br /&gt;
|Altura  (m)&lt;br /&gt;
|Observações&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. dir.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada e dourada; séc. XVII (1.ª metade)&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Padroeira  primitiva&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. centro&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; meados do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Abadia&lt;br /&gt;
|Pedra  policromada; séc. XV-XVI, influência francesa&lt;br /&gt;
|1,00&lt;br /&gt;
|Proveniente  das muralhas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|São  Vicente Ferrer&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada com mulher aos pés; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – junto ao sacrário&lt;br /&gt;
|Coração  de Jesus e São José&lt;br /&gt;
|Terracota;  2.ª metade do séc. XX&lt;br /&gt;
|0,63&lt;br /&gt;
|Imagens  provisórias&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – porta do sacrário&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão (alto-relevo)&lt;br /&gt;
|Madeira;  alto-relevo&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Ressuscitado  e triunfal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – sobre o sacrário&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – centro&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada, policromada; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,97&lt;br /&gt;
|Titular  desde 1846&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (grande)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; dourado antigo; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,76&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (pequena)&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,33&lt;br /&gt;
|Muito  apreciada&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – centro&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,18&lt;br /&gt;
|Segundo  titular&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  – imagem adicional&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|1,55&lt;br /&gt;
|Substituída  após obras&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Escolástica&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada com ouro; finais séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,08&lt;br /&gt;
|Irmã  de S. Bento&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – centro&lt;br /&gt;
|Senhor  do Perdão&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo gótico; séc. XV&lt;br /&gt;
|1,90  x 1,70&lt;br /&gt;
|Expressão  comovente&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – lado&lt;br /&gt;
|São  João Evangelista&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; início do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Discípulo  amado&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – centro (em alto)&lt;br /&gt;
|Santíssima  Trindade&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,90&lt;br /&gt;
|Sobre  oratório do mesmo século&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – no oratório&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora (Virgem e Mãe)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Muito  bela&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna&lt;br /&gt;
|Senhor  da Cana Verde&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|1,16&lt;br /&gt;
|Escarnecido  pelos soldados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – sobre cómoda&lt;br /&gt;
|São  Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,66&lt;br /&gt;
|Fundador  dos Franciscanos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna alta&lt;br /&gt;
|Busto  de São Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada, articulado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Desfeito  após 1970&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – cómoda&lt;br /&gt;
|Santa  Filomena&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|Virgem  e mártir&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto&lt;br /&gt;
|Crucifixo  Semana Santa&lt;br /&gt;
|Madeira  (cruz recente); imagem antiga&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Muito  expressivo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Coração  de Maria&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,35&lt;br /&gt;
|Sobre  peanha&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|São  José&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada&lt;br /&gt;
|0,25&lt;br /&gt;
|Muito  pequeno&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|3  Crucifixos e castiçais&lt;br /&gt;
|Madeira  dourada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,50  (cruzes), 0,70 (pés)&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Presépio  com 10 figuras&lt;br /&gt;
|Terracota;  cenário reaproveitado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Gruta  original do sacrário&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Senhor  da Boa Morte&lt;br /&gt;
|Madeira;  estilo gótico&lt;br /&gt;
|Tamanho  natural&lt;br /&gt;
|Rosto  suave&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – frontispício&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Com  coroa e escudo reais&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – portaria do convento&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Escudo  aos pés&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – capela / oratório&lt;br /&gt;
|Senhor  dos Aflitos&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|1,15  (imagem); 2,00 x 1,00 (cruz)&lt;br /&gt;
|Crucifixo  devocional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura no teto da igreja ====&lt;br /&gt;
O teto em caixotões da nave principal da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja conventual beneditina em Barcelos, constitui um dos elementos mais notáveis do seu programa decorativo. Executado em painéis de madeira nobre, encontra-se revestido por pinturas a óleo de temática religiosa, representando episódios da vida de São Bento e outras cenas devocionais.&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|thumb|Pintura no teto da igreja]]&lt;br /&gt;
Estas pinturas são geralmente atribuídas a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731) ou ao seu círculo próximo, com base em semelhanças estilísticas com os painéis de azulejo da mesma igreja. A obra revela um traço delicado e meticuloso, evocando por vezes o espírito das iluminuras medievais, com influência de modelos como o Beato Angélico. O uso de cores vivas, bem conservadas, e a qualidade técnica geral evidenciam a mestria dos artistas envolvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A excecional preservação destas pinturas foi já destacada em fontes do século XIX e reafirmada por técnicos da Direção-Geral dos Monumentos Nacionais durante os trabalhos de restauro realizados na década de 1970. A simples remoção de sujidade revelou a riqueza cromática e a integridade dos caixotões pintados, demonstrando a durabilidade da técnica empregue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste, as pinturas originais do teto da capela-mor foram cobertas com cal em data incerta, o que comprometeu grande parte do seu valor artístico. Intervenções de recuperação no século XX permitiram a remoção parcial da cal e a aplicação de cera protetora, embora muitos danos sejam considerados irreversíveis. Procedimentos semelhantes foram aplicados à sacristia e áreas anexas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tetos dos coros, inferior e superior, não apresentam decoração pictórica. Originalmente pintados com tinta cinzenta, foram restaurados com tratamento a cera, refletindo uma estética sóbria e alinhada com o ideal monástico de humildade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura devocional ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Título / Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Descrição / Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor / Escola&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Data / Época&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Regresso da Sagrada Família do Egito&lt;br /&gt;
|Pintura com grande expressividade, cores vivas,  vestes esvoaçantes. Representa a Divina Pastora.&lt;br /&gt;
|Possivelmente António de Oliveira Bernardes ou  escola&lt;br /&gt;
|Início do século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte&lt;br /&gt;
|Santa Gertrudes&lt;br /&gt;
|Beneditina, reformadora, representada com o Menino  Jesus no coração.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul&lt;br /&gt;
|Santa Escolástica&lt;br /&gt;
|Irmã de São Bento, cofundadora das Beneditinas.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Arcanjo do Juízo Final&lt;br /&gt;
|Inspirado na carta aos Tessalonicenses (1 Tsl. 4,  12-27).&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Morte de Santa Teresa de Jesus&lt;br /&gt;
|Santa espanhola, reformadora do Carmelo. Pintura  italiana.&lt;br /&gt;
|Atribuído a Bernini por crítico da Fundação  Gulbenkian&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|O Rosto do Senhor (Véu da Verónica)&lt;br /&gt;
|Reprodução autenticada pelo Vaticano.&lt;br /&gt;
|Reprodução&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Ex-voto de S. Bento da Portaria&lt;br /&gt;
|Relata milagre de cura a António José.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Baixo&lt;br /&gt;
|Santa Águeda&lt;br /&gt;
|Pintura em tábua, virgem e mártir da província de  Catânia.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|séc. XVII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Santa Luzia&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Ascenção do Senhor&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Talha ====&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço, destaca-se pelo seu valioso conjunto de talha dourada, considerado um dos mais significativos da arte sacra portuguesa do início do século XVIII. Este conjunto tem sido objeto de estudo por diversos investigadores, entre os quais se destaca Robert Smith, especialista em arte portuguesa, que atribuiu a autoria da talha a Ambrósio Coelho, entalhador natural da freguesia de São Paio de Carvalhal, no concelho de Barcelos. &lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|Púlpito ]]&lt;br /&gt;
O estilo decorativo da talha é descrito pelo Cónego Dr. Luciano dos Santos, presidente da Comissão de Arte Sacra de Braga, como pertencente a um “renascimento muito ornamentado”. Apesar de algumas interpretações sugerirem uma fase de transição entre o Renascimento e o Barroco, a maioria dos estudiosos considera que a talha se insere no estilo joanino, do reinado de D. João V. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os retábulos colaterais, dispostos em ângulo nas paredes laterais da nave, apresentam planta côncava e eixo único, sendo rematados por arquivoltas com decoração vegetalista. Cada retábulo possui um nicho central com imaginária, enquadrado por colunas pseudosalomónicas, características do barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela mor é coberta por abóbada semelhante à da nave e apresenta um retábulo-mor em talha dourada, de planta côncava, também com eixo único e remate em arquivolta. No centro, encontra-se a tribuna com trono, enquadrada por colunas pseudosalomónicas, entre as quais se dispõem peanhas com imagens devocionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pisos ====&lt;br /&gt;
A Igreja desenvolve-se num único piso ao nível do rés-do-chão, originalmente revestido com lajedo de pedra. Este revestimento estendia-se também à sacristia e aos corredores laterais da capela mor, onde se encontra cantaria mais elaborada, possivelmente com acabamento mais fino, condizente com o embasamento das escadas e da base do altar. Durante a década de 1930, o pavimento em pedra foi coberto com soalho de madeira, numa tentativa de melhorar o conforto térmico no interior do templo.&lt;br /&gt;
[[File:Coro.png|thumb|286x286px|Coro baixo e alto]]&lt;br /&gt;
O coro baixo, reservado à participação litúrgica das religiosas em clausura, não apresenta lajedo original, o que sugere uma construção posterior ou com finalidade diferente. Conservam-se ainda elementos associados à prática da reconciliação penitencial, como pequenas janelas embutidas na parede norte. Estes vãos permitiam o contacto entre as religiosas e o confessor, mantendo a separação imposta pela clausura. Alguns desses vãos foram reabertos durante as intervenções realizadas no século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto é de grandes dimensões, projetado para acomodar mais de uma centena de religiosas. Possui pavimento em madeira e um falso teto que separa os dois coros. Durante os trabalhos de restauro do edifício, foi proposta a substituição do soalho do coro alto por uma laje de cimento revestida a madeira, com o objetivo de reforçar a estrutura e preservar a harmonia estética do espaço. Esta intervenção visava também resolver problemas funcionais relacionados com a existência de um armazém arrendado sob o coro, situação considerada inadequada do ponto de vista litúrgico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modificações estilísticas na Igreja de Nossa Senhora do Terço ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções e Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Influência das modas e  intervenções passadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados (séc. XX)  pintados de branco, quebrando a harmonia arquitetónica. - “Capacetes” de  madeira substituíram baldaquinos de damasco.- No séc. XIX, acrescentaram-se  sanefas e elementos decorativos em madeira nos arcos triunfais, obscurecendo  a estrutura original.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções de 1966 a 1970 –  Recuperação da traça original&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Retirada de elementos estranhos  ao estilo original: sanefas, guarnições de madeira, topo do sacrário  substituído por gruta com figuras em terracota. - Peças de pouca qualidade  recolhidas e armazenadas no coro e compartimentos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Altares vazados e frontais&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados transferidos para  o coro. - Perda dos frontais originais; um possivelmente reaproveitado na  capela de São Bento da Buraquinha. - Novos frontais construídos em madeira de  castanho, pintados em sintonia com a paleta cromática da igreja.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Adaptação às normas do Concílio  Vaticano II&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Centralização do culto no novo  Altar do Sacrifício. - Mesas dos três altares cortadas e reutilizadas como  nichos no novo altar central. - Grade da comunhão removida.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tribuna e elementos decorativos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Pinturas florais no fundo do  retábulo refeitas com base em vestígios originais (tons de cinzento com  flores discretas). - Telão do Coração de Jesus e Santa Margarida Maria  Alacoque removido por destoar estilisticamente; degraus restaurados e  pintados de dourado.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Uso da tribuna pelas religiosas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- A tribuna foi usada como espaço  de exposição do Santíssimo Sacramento, acessível pela porta inferior. - Não  se sabe ao certo desde quando essa prática ocorria.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Restauro geral e cuidados  estéticos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Limpeza dos tetos, recuperação  das cantarias, portas interiores, balaustradas, ferragens, candeeiros e  tintas escolhidas com critério estético e histórico.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Imagens sacras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Imagem moderna de São Bento  deslocada para o coro, substituída por escultura antiga. - Imagem de Santa  Luzia restaurada em Braga.- Imagens do Coração de Jesus e de São José  adaptadas antes da colocação.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Aspirações futuras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Recuperação do lajedo da nave  principal ainda pendente. - Novo Altar do Sacrifício destaca-se pela  simplicidade e contribui para a beleza do conjunto.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia dos Restauros ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Ano/Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções Realizadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1966&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início da campanha de restauro  para devolver à igreja o estilo original. - Retirada de sanefas e guarnições  de madeira que ocultavam elementos arquitetónicos. - Substituição da peça  superior do sacrário por uma gruta com figuras em terracota.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1967–1968&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Retirada dos altares vazados do  início do séc. XX e transferência para o coro. - Confeção de dois frontais em  madeira de castanho para os altares laterais, pintados conforme as cores  dominantes da igreja. - Substituição de imagens modernas por outras antigas  de valor artístico (ex.: imagem antiga de S. Bento).&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1969&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Preparação para o restauro  estrutural profundo. - Envolvimento da Delegação Norte dos Monumentos  Nacionais (Arq. Silva Bessa). - Obra autorizada a ser feita “a jornal” por  mestres locais após desistência de empreiteiros.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Verão de 1970&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início oficial das grandes obras.  - Nova cobertura em placa de cimento armado. - Instalação de telhados novos  em telha especial patinada.- Verificação da boa conservação das estruturas de  madeira originais. - Travamento das paredes com anéis de ferro, cimento e  cabos de aço.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1971&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Reboque e pintura da fachada  sul com materiais adequados. - Restauro do coro alto (escadas novas, reboco e  enceramento do teto). - Confeção de cinco portas exteriores em madeira de  castanho envelhecido. - Nova porta da sacristia em madeira de mimosa seca.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Primavera de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Conclusão da 2.ª fase das obras.  - Construção do novo Altar do Sacrifício ao centro da capela-mor, conforme o  Concílio Vaticano II.- Retirada da grade da comunhão e adaptação do arco cruzeiro.  - Lavagens profundas da cantaria e construção de armários laterais de apoio.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1 de julho de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Visita oficial do Arcebispo  Primaz, D. Francisco Maria da Silva. - Planeamento da 3.ª fase: colocação da  placa do coro alto e instalação de iluminação museológica.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  Fontes e Bibliografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Recursos Digitais ==&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural. Disponível em: https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/igreja-da-nossa-senhora-do-terco-barcelos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Confraria da Nossa Senhora do Terço. Disponível em: https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Câmara Municipal de Barcelos. Disponível em: https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Paroquia de Barcelos de Santa Maria Maior. Disponível em: https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site do Instituto Público Património Cultural. Disponível em: https://imovel.patrimoniocultural.gov.pt/detalhes.php?code=73204&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=482</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=482"/>
		<updated>2025-05-19T16:24:13Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
O estudo da Igreja de Nossa Senhora do Terço e do antigo convento beneditino de Barcelos tem merecido, até ao momento, uma abordagem relativamente esparsa na historiografia portuguesa, com predominância de contributos de caráter local e memorialista. Entre os trabalhos mais relevantes destacam-se &#039;&#039;Silva Minhota&#039;&#039; (1956), de Leonídio de Abreu, que apresenta uma descrição pormenorizada baseada em tradições orais e elementos históricos, e a &#039;&#039;Notícia Descritiva de Barcelos&#039;&#039; (1866), de Amaral Ribeiro, que reúne informações de natureza histórica e arquitetônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma análise mais recente e sistematizada encontra-se na obra do Padre Manuel Avelino de Sousa, &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço – Barcelos&#039;&#039; (2001), a qual se dedica especificamente a este conjunto monástico, oferecendo uma inventariação detalhada e uma contextualização histórica, artística e patrimonial da igreja e do antigo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
A Igreja da Nossa Senhora do Terço localiza-se na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, no centro histórico de Barcelos, Portugal (Coordenadas: 41.534200, -8.619500). Nas imediações situam-se diversos edifícios de relevo histórico e cultural, nomeadamente a Igreja Matriz de Barcelos (41.532462, -8.618856), o Paço dos Condes de Barcelos, atual Museu Arqueológico (41.533123, -8.618735), a Câmara Municipal de Barcelos (41.532356, -8.620407) e o antigo Convento do Menino Deus dos Maristas (41.531800, -8.621900).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A poucos metros encontra-se o Templo do Bom Jesus da Cruz (41.535416, -8.617325), erguido no início do século XVIII, exemplar da arquitetura barroca. Este templo é central nas celebrações da Festa das Cruzes, festividade emblemática do concelho.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fundação ==&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade de freiras beneditinas que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em Monção. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela Guerra da Restauração, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, D. Pedro II determinou o acolhimento provisório das religiosas no Seminário de São Pedro, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao Arcebispo Primaz de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a 14 de agosto de 1707, e ficou concluída em 1713, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a 11 de julho de 1713, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a 12 mil cruzados. Em 1707, foi nomeado Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em grande quadrilátero, implantado no atual Largo 5 de Outubro (antigo Campo dos Touros), onde se localizavam a portaria e o acesso à cerca. A ala sul acompanhava o traçado da atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, destacando-se o frontispício da igreja, voltado para o antigo Campo da Feira. No extremo sul, erguiam-se dois mirantes, sendo o do lado poente construído em ângulo reto entre o convento, o largo e a antiga estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao centro, dispunha-se um claustro, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma cerca com cerca de seis metros de altura, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Inauguração e permanência ==&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos pertencia ao ramo das chamadas &amp;quot;Gertrudinas Adoradoras&amp;quot;, corrente espiritual originada no século XIV com as reformas introduzidas por Santa Gertrudes, que promoveu a adoração eucarística contínua no seio da Ordem de São Bento. Esta corrente distinguia-se da tradição conservadora das &amp;quot;Escolásticas&amp;quot;, mantendo-se fiel à regra primitiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Saída das religiosas e destruição do Mosteiro ==&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, D. Pedro IV decretou, em 1834, a extinção das ordens religiosas em Portugal. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro Beneditino de Barcelos foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em Espanha, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em 1842, apenas duas religiosas permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de Viana do Castelo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por D. Maria II, confirma a realização de um leilão a 20 de novembro de 1843.&lt;br /&gt;
[[File:Claustro terco.png|thumb|Pátio atual ]]&lt;br /&gt;
Após a desamortização, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A cerca sul foi demolida para dar lugar à atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2004, foi inaugurado o Centro Comercial e Hotel do Terço, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas quatro arcos de volta perfeita, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo claustro, hoje integrados no pátio do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um andar superior em galeria, com cobertura em madeira suportada por colunas toscanas sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os vãos de portas e janelas quadrangulares, com emolduramentos em cantaria, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exterior ===&lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|Remate do portal]]&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta de disposição retangular e transversal, integrando diversos espaços funcionais alinhados ao longo de um eixo longitudinal: antigas dependências do convento, coro, nave única, capela mor profunda e sacristia. A volumetria destaca-se pela orientação horizontal, conferindo equilíbrio e sobriedade ao conjunto arquitetônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada principal, de traço simples e harmonioso, é rebocada e pintada de branco, assente sobre uma base de cantaria. Organiza-se em dois registos distintos e é rematada, ao centro, por uma cruz latina de braços trilobados. No registo inferior, sobressai o portal principal em arco de volta perfeita, construído em cantaria granítica e decorado com as armas reais na pedra de fecho. Este é ladeado por pilastras toscanas que sustentam um entablamento sóbrio, sobre o qual se encontra um nicho com a imagem da Virgem. Este nicho prolonga-se para o registo superior, sendo enquadrado por aletas e pináculos decorativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À esquerda, existe um segundo portal, também em arco de volta perfeita, mais modesto, ladeado por pilastras com pináculos e rematado por uma cornija semicircular encimada por uma cruz. Em redor encontram-se cartelas com inscrições comemorativas, adornadas com molduras volutadas típicas do barroco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No registo superior, abrem-se janelas gradeadas em capialço, incluindo uma janela de sacada com guarda em ferro forjado. O portal principal constitui o elemento de maior destaque, com arco de volta perfeita, pilastras simples, entablamento discreto e cornija proeminente. Sobre esta, dois pináculos bulbosos enquadram um nicho concheado com a escultura em pedra de Nossa Senhora da Conceição, adornado com volutas invertidas de desenho invulgar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima do portal, observa-se um brasão de armas de Portugal esculpido em alto-relevo, encimado por coroa real e inserido numa cartela em forma de couro. Sobre a balaustrada, ergue-se uma cruz em granito. No extremo leste da fachada, localiza-se uma sineira geminada de feição simples.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Programa artístico e seu ator ====&lt;br /&gt;
[[File:Pintura 1.png|thumb|Pintura a óleo ]]&lt;br /&gt;
O programa artístico da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja do convento das beneditinas de Barcelos, é geralmente atribuído a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731), um dos mais importantes mestres da azulejaria portuguesa do final do século XVII e início do século XVIII. Reconhecido pela sua versatilidade e pelo papel central na consolidação de uma escola de pintura sobre azulejo, Bernardes também se destacou na pintura a óleo sobre madeira, tela e barro. A sua oficina viria a formar diversos artistas, incluindo os seus filhos, Policarpo e Inácio Bernardes, que deram continuidade ao legado artístico da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja do Terço, a autoria de Bernardes é atribuída tanto ao conjunto de azulejos como a outras componentes decorativas do interior, num projeto coeso que parece ter sido concebido em sua totalidade pelo mestre ou sob a sua supervisão. Integradas nesse programa decorativo encontram-se seis telas de grandes dimensões com molduras douradas. Quatro permanecem na nave central e uma, de especial valor artístico, representa o regresso da Sagrada Família do Egito, colocada na capela mor. Duas outras telas originalmente pertencentes à capela mor terão desaparecido durante as Invasões Francesas, tendo os seus espaços sido preenchidos por composições em gesso de época posterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas a óleo do teto da nave principal, executadas sobre madeira nobre, apresentam afinidades estilísticas com os painéis de azulejo e são também atribuídas a António de Oliveira Bernardes. No entanto, pequenas variações formais sugerem a colaboração de outros membros da oficina, algo comum nas práticas artísticas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo notável desta colaboração é o par de painéis da capela mor que representam o lançamento da primeira pedra e a inauguração da igreja, assinados com as iniciais “P. M. P.”, de autor ainda não identificado. A assinatura completa poderá ter sido ocultada por um altar lateral posteriormente adicionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Azulejo ====&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo 2.jpg|thumb|Pormenor de azulejo]]&lt;br /&gt;
Datado de 1713, conforme inscrição identificada num friso de azulejos, o conjunto azulejar da Igreja de Nossa Senhora do Terço é atribuído a António de Oliveira Bernardes, um dos mais destacados mestres da azulejaria barroca portuguesa. Este programa decorativo integra-se plenamente na tradição artística e pedagógica do barroco, articulando espiritualidade, narrativa e simbolismo visual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os painéis de azulejos retratam episódios da vida de São Bento, enfatizando momentos da sua juventude, milagres e cenas que ilustram os princípios da Regra Beneditina, como a oração, o trabalho e a disciplina. As composições apresentam grande dimensão e forte impacto visual, revestindo integralmente os muros da nave da igreja. O cromatismo dominante é o azul cobalto sobre fundo branco, característico da azulejaria portuguesa do período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado sul, destacam-se janelas fingidas que simulam vãos reais, criando um efeito ilusionista acentuado por reflexos amarelados que imitam a luz solar. Este recurso decorativo contribui para uma atmosfera envolvente no espaço interior, reforçando a unidade simbólica do conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O programa iconográfico inclui ainda um ciclo de emblemas inspirados nas obras do beneditino Frei João dos Prazeres: &#039;&#039;O Príncipe dos Patriarcas S. Bento&#039;&#039; (1683) e &#039;&#039;Segundo Tomo de sua Vida&#039;&#039; (1690)&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;N.º  Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema  / Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  do Coro&lt;br /&gt;
|1  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|S.  Bento recebe pastores e jovens que desejam seguir o seu exemplo de vida  austera e solitária.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|2  (Centro)&lt;br /&gt;
|S.  Bento rola-se nos silvedos, em penitência, para dominar as tentações da  carne.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|3  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|O  corvo, seu companheiro, leva um pão envenenado para longe, evitando o atentado  de Florêncio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  Norte&lt;br /&gt;
|4  (Junto ao Coro)&lt;br /&gt;
|Monges  constroem um mosteiro. Um demónio torna uma pedra pesada; S. Bento  exorciza-o.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|5  (Antes do Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tentativa  de envenenamento com uma bilha. S. Bento abençoa-a, dela sai uma serpente.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|6  (Sobre o Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tótila  envia um falso rei. S. Bento reconhece a farsa e desmascara o impostor.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|7  (Sobre o Altar)&lt;br /&gt;
|Tótila  visita S. Bento, é perdoado e o santo profetiza-lhe o futuro (9 anos de  reinado).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|8  (Depois do Púlpito)&lt;br /&gt;
|O  lema “Ora et labora” ilustrado com monges a orar e a trabalhar no Monte  Cassino.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Capela-Mor&lt;br /&gt;
|9  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|Lançamento  da 1.ª pedra do convento por D. Rodrigo de Moura Teles, em 14 de agosto de  1707.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|10  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|Inauguração  do convento em 1713, com cortejo das freiras e presença figurada de D. João  V.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|11  (Parte superior de ambas as paredes)&lt;br /&gt;
|Espaço  decorativo com fundo de gesso e desenhos entre janelas, reais e fingidas.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lições&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Interpretação Final&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1 - O  Dragão das Sete Cabeças&lt;br /&gt;
|Non  extingvetvr igne. = Não se extingue nem com o fogo.  Só com o amor  divino se extingue o amor profano.&lt;br /&gt;
|O dragão  é o amor profano, os vícios capitais; só o amor divino pode vencê-lo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2 - O  Meu Vestuário&lt;br /&gt;
|A gosto,  e à medida.  A eleição do hábito há de ser voluntária.&lt;br /&gt;
|O hábito  simboliza a vocação, que deve ser bem escolhida e vivida com entusiasmo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3 - O  Feio Pássaro&lt;br /&gt;
|Ne  pereat immunitas. = Para que não pereça a perfeita clausura.  O sagrado  da clausura não se viola só pelas portas.&lt;br /&gt;
|O  pássaro é o demónio tentador, e a clausura protege contra tentações internas  e externas.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4 - O  Sol, Atracção das Águias&lt;br /&gt;
|Probantur  ut coronentur. = São provadas para serem coroadas.  A observância da  regra de S. Bento é caminho de salvação.&lt;br /&gt;
|O Sol é  Deus e as almas virtuosas voam para Ele como prêmio da vida santa.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5 - O  Galo Vaidoso&lt;br /&gt;
|Se ipsum  conspurcat. = Suja-se a si mesmo.  Só se compõem bem quem se vê ao  Divino Espelho.&lt;br /&gt;
|A  vaidade afasta-nos de Deus; o verdadeiro espelho é Cristo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6 - A  Árvore e a Ovelha&lt;br /&gt;
|Adumbrat  et alit. = Dá sombra e alimenta.  O Religioso tudo tem na Religião.&lt;br /&gt;
|A árvore  é o convento que sustenta espiritualmente os seus membros, como a Providência  sustenta os fiéis.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|7 - O  Rapaz do Copo Quebrado&lt;br /&gt;
|Facile  conciliantur. = Facilmente se conciliam.  Na Religião não há de haver  ódios.&lt;br /&gt;
|O vaso  representa a harmonia; deve haver reconciliação fácil na vida religiosa e  social.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|8 - O  Chicote e o Freio&lt;br /&gt;
|Non  sufficit unum. = Não basta um só.  Não se pode conservar a Religião sem  castigo.&lt;br /&gt;
|O freio  representa a correção e o chicote a punição quando há desobediência.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|9 - A  Foucinha Cega&lt;br /&gt;
|Impossibilia  superat. = Supera o impossível.  A obediência há de ser cega.&lt;br /&gt;
|A  foucinha cega simboliza a obediência perfeita, sem hesitações ou dúvidas  interiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|10 - As  Flores Perfumadas&lt;br /&gt;
|Quia  olet. = Porque cheira bem.  A inveja na Religião há de ser para imitar e  não para destruir.&lt;br /&gt;
|As  virtudes devem inspirar imitação e não inveja destrutiva.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel  / Lição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Latim)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Tradução)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  2&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  Final (Resumo)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|11.°  - O SOL NÃO DESCANSA&lt;br /&gt;
|Non  Qviescit&lt;br /&gt;
|Não  descansa&lt;br /&gt;
|Na  Religião não há de haver ociosidade&lt;br /&gt;
|Trabalho  é honra e ordem do Criador; símbolo da atividade constante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|12.°  - CHOVEM RAIOS E TEMPESTADES&lt;br /&gt;
|Fortior  in Adversarios&lt;br /&gt;
|Mais  forte contra os adversários&lt;br /&gt;
|Quanto  as tentações forem mais fortes, mais forte há de ser a resistência&lt;br /&gt;
|A  alma deve resistir com força aos inimigos; milícia é a vida do homem&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|13.°  - UMA AVE VOANDO&lt;br /&gt;
|Né  sucvmbat&lt;br /&gt;
|Para  que não sucumba&lt;br /&gt;
|Há  de voar o espírito para o corpo não sentir os rigores da Religião&lt;br /&gt;
|A  alma Religiosa eleva-se até Deus; exemplo de Santa Teresa e S. João da Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|14.°  - UM CHAFARIZ A PRESSÃO&lt;br /&gt;
|Quo  pressa altivs&lt;br /&gt;
|Quanto  mais oprimida mais alto sobe&lt;br /&gt;
|A  humildade na Religião é a que faz avultar a virtude&lt;br /&gt;
|Humildade  é base da santidade; mais pressão, maior elevação espiritual&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|15.°  - NUTRIDA OVELHA ATRAI CHACAIS&lt;br /&gt;
|In  odorem cvrrimvs&lt;br /&gt;
|Corremos  atraídos pelo bom cheiro&lt;br /&gt;
|A  Religião há de se buscar pela fama da sua virtude&lt;br /&gt;
|Virtude  atrai os outros à fé; como S. Bento atraiu muitos à religião&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|16.°  - A VACA DO LAVRADOR&lt;br /&gt;
|Tv  cede&lt;br /&gt;
|Tu  cede&lt;br /&gt;
|Não  há de o Religioso querer que toda a gente ande ao seu passo&lt;br /&gt;
|Aceitar  as diferenças; ajudar os mais lentos com paciência e caridade&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|17.°  - CASA SEM COBERTURA&lt;br /&gt;
|Sine  cvlmine corrvit&lt;br /&gt;
|Sem  o cume desmorona-se&lt;br /&gt;
|Não  se conserva a virtude sem a oração&lt;br /&gt;
|Sem  oração, tudo desmorona; oração é vida da perfeição&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|18.°  - O SOL QUE ILUMINA E PENETRA&lt;br /&gt;
|Non  oltra vires&lt;br /&gt;
|Não  além das forças de cada qual&lt;br /&gt;
|O  superior deve tomar conhecimento individual dos súbditos&lt;br /&gt;
|Superior  deve conhecer os seus para orientá-los segundo suas capacidades&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|19.°  - O SOL DA LADEIRA&lt;br /&gt;
|Allevat  et vexat&lt;br /&gt;
|Eleva  e humilha&lt;br /&gt;
|O  superior, assim como castiga, há de premiar&lt;br /&gt;
|Superior  deve agir com justiça e equilíbrio entre castigo e prémio&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|20.°  - O FLORIDO ARBUSTO&lt;br /&gt;
|Non  ex omni flore cárpitv mel&lt;br /&gt;
|Nem  de toda a flor se colhe mel&lt;br /&gt;
|Nem  sempre há de achar o superior igual procedimento nos súbditos&lt;br /&gt;
|Nem  todos os súbditos procedem da mesma forma; usar compreensão e realismo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens devocionais ====&lt;br /&gt;
As imagens e elementos decorativos do interior da igreja exercem uma dupla função: evidenciam, por um lado, um notável valor estético e patrimonial, refletindo o cuidado artístico da época barroca; por outro, assumem uma função devocional, ao inspirarem fé, recolhimento e ligação ao sagrado entre os fiéis que ali acorrem para oração.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Nome  da Imagem&lt;br /&gt;
|Material  / Estilo / Datação&lt;br /&gt;
|Altura  (m)&lt;br /&gt;
|Observações&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. dir.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada e dourada; séc. XVII (1.ª metade)&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Padroeira  primitiva&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. centro&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; meados do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Abadia&lt;br /&gt;
|Pedra  policromada; séc. XV-XVI, influência francesa&lt;br /&gt;
|1,00&lt;br /&gt;
|Proveniente  das muralhas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|São  Vicente Ferrer&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada com mulher aos pés; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – junto ao sacrário&lt;br /&gt;
|Coração  de Jesus e São José&lt;br /&gt;
|Terracota;  2.ª metade do séc. XX&lt;br /&gt;
|0,63&lt;br /&gt;
|Imagens  provisórias&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – porta do sacrário&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão (alto-relevo)&lt;br /&gt;
|Madeira;  alto-relevo&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Ressuscitado  e triunfal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – sobre o sacrário&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – centro&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada, policromada; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,97&lt;br /&gt;
|Titular  desde 1846&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (grande)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; dourado antigo; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,76&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (pequena)&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,33&lt;br /&gt;
|Muito  apreciada&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – centro&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,18&lt;br /&gt;
|Segundo  titular&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  – imagem adicional&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|1,55&lt;br /&gt;
|Substituída  após obras&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Escolástica&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada com ouro; finais séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,08&lt;br /&gt;
|Irmã  de S. Bento&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – centro&lt;br /&gt;
|Senhor  do Perdão&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo gótico; séc. XV&lt;br /&gt;
|1,90  x 1,70&lt;br /&gt;
|Expressão  comovente&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – lado&lt;br /&gt;
|São  João Evangelista&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; início do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Discípulo  amado&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – centro (em alto)&lt;br /&gt;
|Santíssima  Trindade&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,90&lt;br /&gt;
|Sobre  oratório do mesmo século&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – no oratório&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora (Virgem e Mãe)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Muito  bela&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna&lt;br /&gt;
|Senhor  da Cana Verde&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|1,16&lt;br /&gt;
|Escarnecido  pelos soldados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – sobre cómoda&lt;br /&gt;
|São  Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,66&lt;br /&gt;
|Fundador  dos Franciscanos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna alta&lt;br /&gt;
|Busto  de São Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada, articulado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Desfeito  após 1970&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – cómoda&lt;br /&gt;
|Santa  Filomena&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|Virgem  e mártir&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto&lt;br /&gt;
|Crucifixo  Semana Santa&lt;br /&gt;
|Madeira  (cruz recente); imagem antiga&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Muito  expressivo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Coração  de Maria&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,35&lt;br /&gt;
|Sobre  peanha&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|São  José&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada&lt;br /&gt;
|0,25&lt;br /&gt;
|Muito  pequeno&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|3  Crucifixos e castiçais&lt;br /&gt;
|Madeira  dourada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,50  (cruzes), 0,70 (pés)&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Presépio  com 10 figuras&lt;br /&gt;
|Terracota;  cenário reaproveitado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Gruta  original do sacrário&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Senhor  da Boa Morte&lt;br /&gt;
|Madeira;  estilo gótico&lt;br /&gt;
|Tamanho  natural&lt;br /&gt;
|Rosto  suave&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – frontispício&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Com  coroa e escudo reais&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – portaria do convento&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Escudo  aos pés&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – capela / oratório&lt;br /&gt;
|Senhor  dos Aflitos&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|1,15  (imagem); 2,00 x 1,00 (cruz)&lt;br /&gt;
|Crucifixo  devocional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura no teto da igreja ====&lt;br /&gt;
O teto em caixotões da nave principal da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja conventual beneditina em Barcelos, constitui um dos elementos mais notáveis do seu programa decorativo. Executado em painéis de madeira nobre, encontra-se revestido por pinturas a óleo de temática religiosa, representando episódios da vida de São Bento e outras cenas devocionais.&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|thumb|Pintura no teto da igreja]]&lt;br /&gt;
Estas pinturas são geralmente atribuídas a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731) ou ao seu círculo próximo, com base em semelhanças estilísticas com os painéis de azulejo da mesma igreja. A obra revela um traço delicado e meticuloso, evocando por vezes o espírito das iluminuras medievais, com influência de modelos como o Beato Angélico. O uso de cores vivas, bem conservadas, e a qualidade técnica geral evidenciam a mestria dos artistas envolvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A excecional preservação destas pinturas foi já destacada em fontes do século XIX e reafirmada por técnicos da Direção-Geral dos Monumentos Nacionais durante os trabalhos de restauro realizados na década de 1970. A simples remoção de sujidade revelou a riqueza cromática e a integridade dos caixotões pintados, demonstrando a durabilidade da técnica empregue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste, as pinturas originais do teto da capela-mor foram cobertas com cal em data incerta, o que comprometeu grande parte do seu valor artístico. Intervenções de recuperação no século XX permitiram a remoção parcial da cal e a aplicação de cera protetora, embora muitos danos sejam considerados irreversíveis. Procedimentos semelhantes foram aplicados à sacristia e áreas anexas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tetos dos coros, inferior e superior, não apresentam decoração pictórica. Originalmente pintados com tinta cinzenta, foram restaurados com tratamento a cera, refletindo uma estética sóbria e alinhada com o ideal monástico de humildade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura devocional ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Título / Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Descrição / Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor / Escola&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Data / Época&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Regresso da Sagrada Família do Egito&lt;br /&gt;
|Pintura com grande expressividade, cores vivas,  vestes esvoaçantes. Representa a Divina Pastora.&lt;br /&gt;
|Possivelmente António de Oliveira Bernardes ou  escola&lt;br /&gt;
|Início do século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte&lt;br /&gt;
|Santa Gertrudes&lt;br /&gt;
|Beneditina, reformadora, representada com o Menino  Jesus no coração.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul&lt;br /&gt;
|Santa Escolástica&lt;br /&gt;
|Irmã de São Bento, cofundadora das Beneditinas.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Arcanjo do Juízo Final&lt;br /&gt;
|Inspirado na carta aos Tessalonicenses (1 Tsl. 4,  12-27).&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Morte de Santa Teresa de Jesus&lt;br /&gt;
|Santa espanhola, reformadora do Carmelo. Pintura  italiana.&lt;br /&gt;
|Atribuído a Bernini por crítico da Fundação  Gulbenkian&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|O Rosto do Senhor (Véu da Verónica)&lt;br /&gt;
|Reprodução autenticada pelo Vaticano.&lt;br /&gt;
|Reprodução&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Ex-voto de S. Bento da Portaria&lt;br /&gt;
|Relata milagre de cura a António José.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Baixo&lt;br /&gt;
|Santa Águeda&lt;br /&gt;
|Pintura em tábua, virgem e mártir da província de  Catânia.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|séc. XVII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Santa Luzia&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Ascenção do Senhor&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Talha ====&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço, destaca-se pelo seu valioso conjunto de talha dourada, considerado um dos mais significativos da arte sacra portuguesa do início do século XVIII. Este conjunto tem sido objeto de estudo por diversos investigadores, entre os quais se destaca Robert Smith, especialista em arte portuguesa, que atribuiu a autoria da talha a Ambrósio Coelho, entalhador natural da freguesia de São Paio de Carvalhal, no concelho de Barcelos. &lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|Púlpito ]]&lt;br /&gt;
O estilo decorativo da talha é descrito pelo Cónego Dr. Luciano dos Santos, presidente da Comissão de Arte Sacra de Braga, como pertencente a um “renascimento muito ornamentado”. Apesar de algumas interpretações sugerirem uma fase de transição entre o Renascimento e o Barroco, a maioria dos estudiosos considera que a talha se insere no estilo joanino, do reinado de D. João V. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os retábulos colaterais, dispostos em ângulo nas paredes laterais da nave, apresentam planta côncava e eixo único, sendo rematados por arquivoltas com decoração vegetalista. Cada retábulo possui um nicho central com imaginária, enquadrado por colunas pseudosalomónicas, características do barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela mor é coberta por abóbada semelhante à da nave e apresenta um retábulo-mor em talha dourada, de planta côncava, também com eixo único e remate em arquivolta. No centro, encontra-se a tribuna com trono, enquadrada por colunas pseudosalomónicas, entre as quais se dispõem peanhas com imagens devocionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pisos ====&lt;br /&gt;
A Igreja desenvolve-se num único piso ao nível do rés-do-chão, originalmente revestido com lajedo de pedra. Este revestimento estendia-se também à sacristia e aos corredores laterais da capela mor, onde se encontra cantaria mais elaborada, possivelmente com acabamento mais fino, condizente com o embasamento das escadas e da base do altar. Durante a década de 1930, o pavimento em pedra foi coberto com soalho de madeira, numa tentativa de melhorar o conforto térmico no interior do templo.&lt;br /&gt;
[[File:Coro.png|thumb|286x286px|Coro baixo e alto]]&lt;br /&gt;
O coro baixo, reservado à participação litúrgica das religiosas em clausura, não apresenta lajedo original, o que sugere uma construção posterior ou com finalidade diferente. Conservam-se ainda elementos associados à prática da reconciliação penitencial, como pequenas janelas embutidas na parede norte. Estes vãos permitiam o contacto entre as religiosas e o confessor, mantendo a separação imposta pela clausura. Alguns desses vãos foram reabertos durante as intervenções realizadas no século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto é de grandes dimensões, projetado para acomodar mais de uma centena de religiosas. Possui pavimento em madeira e um falso teto que separa os dois coros. Durante os trabalhos de restauro do edifício, foi proposta a substituição do soalho do coro alto por uma laje de cimento revestida a madeira, com o objetivo de reforçar a estrutura e preservar a harmonia estética do espaço. Esta intervenção visava também resolver problemas funcionais relacionados com a existência de um armazém arrendado sob o coro, situação considerada inadequada do ponto de vista litúrgico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modificações estilísticas na Igreja de Nossa Senhora do Terço ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções e Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Influência das modas e  intervenções passadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados (séc. XX)  pintados de branco, quebrando a harmonia arquitetónica. - “Capacetes” de  madeira substituíram baldaquinos de damasco.- No séc. XIX, acrescentaram-se  sanefas e elementos decorativos em madeira nos arcos triunfais, obscurecendo  a estrutura original.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções de 1966 a 1970 –  Recuperação da traça original&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Retirada de elementos estranhos  ao estilo original: sanefas, guarnições de madeira, topo do sacrário  substituído por gruta com figuras em terracota. - Peças de pouca qualidade  recolhidas e armazenadas no coro e compartimentos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Altares vazados e frontais&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados transferidos para  o coro. - Perda dos frontais originais; um possivelmente reaproveitado na  capela de São Bento da Buraquinha. - Novos frontais construídos em madeira de  castanho, pintados em sintonia com a paleta cromática da igreja.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Adaptação às normas do Concílio  Vaticano II&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Centralização do culto no novo  Altar do Sacrifício. - Mesas dos três altares cortadas e reutilizadas como  nichos no novo altar central. - Grade da comunhão removida.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tribuna e elementos decorativos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Pinturas florais no fundo do  retábulo refeitas com base em vestígios originais (tons de cinzento com  flores discretas). - Telão do Coração de Jesus e Santa Margarida Maria  Alacoque removido por destoar estilisticamente; degraus restaurados e  pintados de dourado.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Uso da tribuna pelas religiosas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- A tribuna foi usada como espaço  de exposição do Santíssimo Sacramento, acessível pela porta inferior. - Não  se sabe ao certo desde quando essa prática ocorria.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Restauro geral e cuidados  estéticos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Limpeza dos tetos, recuperação  das cantarias, portas interiores, balaustradas, ferragens, candeeiros e  tintas escolhidas com critério estético e histórico.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Imagens sacras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Imagem moderna de São Bento  deslocada para o coro, substituída por escultura antiga. - Imagem de Santa  Luzia restaurada em Braga.- Imagens do Coração de Jesus e de São José  adaptadas antes da colocação.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Aspirações futuras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Recuperação do lajedo da nave  principal ainda pendente. - Novo Altar do Sacrifício destaca-se pela  simplicidade e contribui para a beleza do conjunto.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia dos Restauros ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Ano/Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções Realizadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1966&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início da campanha de restauro  para devolver à igreja o estilo original. - Retirada de sanefas e guarnições  de madeira que ocultavam elementos arquitetónicos. - Substituição da peça  superior do sacrário por uma gruta com figuras em terracota.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1967–1968&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Retirada dos altares vazados do  início do séc. XX e transferência para o coro. - Confeção de dois frontais em  madeira de castanho para os altares laterais, pintados conforme as cores  dominantes da igreja. - Substituição de imagens modernas por outras antigas  de valor artístico (ex.: imagem antiga de S. Bento).&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1969&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Preparação para o restauro  estrutural profundo. - Envolvimento da Delegação Norte dos Monumentos  Nacionais (Arq. Silva Bessa). - Obra autorizada a ser feita “a jornal” por  mestres locais após desistência de empreiteiros.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Verão de 1970&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início oficial das grandes obras.  - Nova cobertura em placa de cimento armado. - Instalação de telhados novos  em telha especial patinada.- Verificação da boa conservação das estruturas de  madeira originais. - Travamento das paredes com anéis de ferro, cimento e  cabos de aço.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1971&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Reboque e pintura da fachada  sul com materiais adequados. - Restauro do coro alto (escadas novas, reboco e  enceramento do teto). - Confeção de cinco portas exteriores em madeira de  castanho envelhecido. - Nova porta da sacristia em madeira de mimosa seca.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Primavera de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Conclusão da 2.ª fase das obras.  - Construção do novo Altar do Sacrifício ao centro da capela-mor, conforme o  Concílio Vaticano II.- Retirada da grade da comunhão e adaptação do arco cruzeiro.  - Lavagens profundas da cantaria e construção de armários laterais de apoio.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1 de julho de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Visita oficial do Arcebispo  Primaz, D. Francisco Maria da Silva. - Planeamento da 3.ª fase: colocação da  placa do coro alto e instalação de iluminação museológica.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  Fontes e Bibliografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Recursos Digitais ==&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural. Disponível em: https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/igreja-da-nossa-senhora-do-terco-barcelos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Confraria da Nossa Senhora do Terço. Disponível em: https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Câmara Municipal de Barcelos. Disponível em: https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Paroquia de Barcelos de Santa Maria Maior. Disponível em: https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site do Instituto Público Património Cultural. Disponível em: https://imovel.patrimoniocultural.gov.pt/detalhes.php?code=73204&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=481</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=481"/>
		<updated>2025-05-19T16:21:56Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: /* Fundação */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
O estudo da Igreja de Nossa Senhora do Terço e do antigo convento beneditino de Barcelos tem merecido, até ao momento, uma abordagem relativamente esparsa na historiografia portuguesa, com predominância de contributos de caráter local e memorialista. Entre os trabalhos mais relevantes destacam-se &#039;&#039;Silva Minhota&#039;&#039; (1956), de Leonídio de Abreu, que apresenta uma descrição pormenorizada baseada em tradições orais e elementos históricos, e a &#039;&#039;Notícia Descritiva de Barcelos&#039;&#039; (1866), de Amaral Ribeiro, que reúne informações de natureza histórica e arquitetônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma análise mais recente e sistematizada encontra-se na obra do Padre Manuel Avelino de Sousa, &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço – Barcelos&#039;&#039; (2001), a qual se dedica especificamente a este conjunto monástico, oferecendo uma inventariação detalhada e uma contextualização histórica, artística e patrimonial da igreja e do antigo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
A Igreja da Nossa Senhora do Terço localiza-se na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, no centro histórico de Barcelos, Portugal (Coordenadas: 41.534200, -8.619500). Nas imediações situam-se diversos edifícios de relevo histórico e cultural, nomeadamente a Igreja Matriz de Barcelos (41.532462, -8.618856), o Paço dos Condes de Barcelos, atual Museu Arqueológico (41.533123, -8.618735), a Câmara Municipal de Barcelos (41.532356, -8.620407) e o antigo Convento do Menino Deus dos Maristas (41.531800, -8.621900).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A poucos metros encontra-se o Templo do Bom Jesus da Cruz (41.535416, -8.617325), erguido no início do século XVIII, exemplar da arquitetura barroca. Este templo é central nas celebrações da Festa das Cruzes, festividade emblemática do concelho.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fundação ==&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade de freiras beneditinas que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em Monção. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela Guerra da Restauração, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, D. Pedro II determinou o acolhimento provisório das religiosas no Seminário de São Pedro, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao Arcebispo Primaz de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a 14 de agosto de 1707, e ficou concluída em 1713, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a 11 de julho de 1713, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a 12 mil cruzados. Em 1707, foi nomeado Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em grande quadrilátero, implantado no atual Largo 5 de Outubro (antigo Campo dos Touros), onde se localizavam a portaria e o acesso à cerca. A ala sul acompanhava o traçado da atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, destacando-se o frontispício da igreja, voltado para o antigo Campo da Feira. No extremo sul, erguiam-se dois mirantes, sendo o do lado poente construído em ângulo reto entre o convento, o largo e a antiga estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao centro, dispunha-se um claustro, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma cerca com cerca de seis metros de altura, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Inauguração e permanência ==&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos pertencia ao ramo das chamadas &amp;quot;Gertrudinas Adoradoras&amp;quot;, corrente espiritual originada no século XIV com as reformas introduzidas por Santa Gertrudes, que promoveu a adoração eucarística contínua no seio da Ordem de São Bento. Esta corrente distinguia-se da tradição conservadora das &amp;quot;Escolásticas&amp;quot;, mantendo-se fiel à regra primitiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Saída das religiosas e destruição do Mosteiro ==&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, D. Pedro IV decretou, em 1834, a extinção das ordens religiosas em Portugal. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro Beneditino de Barcelos foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em Espanha, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em 1842, apenas duas religiosas permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de Viana do Castelo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por D. Maria II, confirma a realização de um leilão a 20 de novembro de 1843.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a desamortização, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A cerca sul foi demolida para dar lugar à atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2004, foi inaugurado o Centro Comercial e Hotel do Terço, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas quatro arcos de volta perfeita, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo claustro, hoje integrados no pátio do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um andar superior em galeria, com cobertura em madeira suportada por colunas toscanas sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os vãos de portas e janelas quadrangulares, com emolduramentos em cantaria, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exterior ===&lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|Remate do portal]]&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta de disposição retangular e transversal, integrando diversos espaços funcionais alinhados ao longo de um eixo longitudinal: antigas dependências do convento, coro, nave única, capela mor profunda e sacristia. A volumetria destaca-se pela orientação horizontal, conferindo equilíbrio e sobriedade ao conjunto arquitetônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada principal, de traço simples e harmonioso, é rebocada e pintada de branco, assente sobre uma base de cantaria. Organiza-se em dois registos distintos e é rematada, ao centro, por uma cruz latina de braços trilobados. No registo inferior, sobressai o portal principal em arco de volta perfeita, construído em cantaria granítica e decorado com as armas reais na pedra de fecho. Este é ladeado por pilastras toscanas que sustentam um entablamento sóbrio, sobre o qual se encontra um nicho com a imagem da Virgem. Este nicho prolonga-se para o registo superior, sendo enquadrado por aletas e pináculos decorativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À esquerda, existe um segundo portal, também em arco de volta perfeita, mais modesto, ladeado por pilastras com pináculos e rematado por uma cornija semicircular encimada por uma cruz. Em redor encontram-se cartelas com inscrições comemorativas, adornadas com molduras volutadas típicas do barroco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No registo superior, abrem-se janelas gradeadas em capialço, incluindo uma janela de sacada com guarda em ferro forjado. O portal principal constitui o elemento de maior destaque, com arco de volta perfeita, pilastras simples, entablamento discreto e cornija proeminente. Sobre esta, dois pináculos bulbosos enquadram um nicho concheado com a escultura em pedra de Nossa Senhora da Conceição, adornado com volutas invertidas de desenho invulgar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima do portal, observa-se um brasão de armas de Portugal esculpido em alto-relevo, encimado por coroa real e inserido numa cartela em forma de couro. Sobre a balaustrada, ergue-se uma cruz em granito. No extremo leste da fachada, localiza-se uma sineira geminada de feição simples.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Programa artístico e seu ator ====&lt;br /&gt;
[[File:Pintura 1.png|thumb|Pintura a óleo ]]&lt;br /&gt;
O programa artístico da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja do convento das beneditinas de Barcelos, é geralmente atribuído a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731), um dos mais importantes mestres da azulejaria portuguesa do final do século XVII e início do século XVIII. Reconhecido pela sua versatilidade e pelo papel central na consolidação de uma escola de pintura sobre azulejo, Bernardes também se destacou na pintura a óleo sobre madeira, tela e barro. A sua oficina viria a formar diversos artistas, incluindo os seus filhos, Policarpo e Inácio Bernardes, que deram continuidade ao legado artístico da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja do Terço, a autoria de Bernardes é atribuída tanto ao conjunto de azulejos como a outras componentes decorativas do interior, num projeto coeso que parece ter sido concebido em sua totalidade pelo mestre ou sob a sua supervisão. Integradas nesse programa decorativo encontram-se seis telas de grandes dimensões com molduras douradas. Quatro permanecem na nave central e uma, de especial valor artístico, representa o regresso da Sagrada Família do Egito, colocada na capela mor. Duas outras telas originalmente pertencentes à capela mor terão desaparecido durante as Invasões Francesas, tendo os seus espaços sido preenchidos por composições em gesso de época posterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas a óleo do teto da nave principal, executadas sobre madeira nobre, apresentam afinidades estilísticas com os painéis de azulejo e são também atribuídas a António de Oliveira Bernardes. No entanto, pequenas variações formais sugerem a colaboração de outros membros da oficina, algo comum nas práticas artísticas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo notável desta colaboração é o par de painéis da capela mor que representam o lançamento da primeira pedra e a inauguração da igreja, assinados com as iniciais “P. M. P.”, de autor ainda não identificado. A assinatura completa poderá ter sido ocultada por um altar lateral posteriormente adicionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Azulejo ====&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo 2.jpg|thumb|Pormenor de azulejo]]&lt;br /&gt;
Datado de 1713, conforme inscrição identificada num friso de azulejos, o conjunto azulejar da Igreja de Nossa Senhora do Terço é atribuído a António de Oliveira Bernardes, um dos mais destacados mestres da azulejaria barroca portuguesa. Este programa decorativo integra-se plenamente na tradição artística e pedagógica do barroco, articulando espiritualidade, narrativa e simbolismo visual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os painéis de azulejos retratam episódios da vida de São Bento, enfatizando momentos da sua juventude, milagres e cenas que ilustram os princípios da Regra Beneditina, como a oração, o trabalho e a disciplina. As composições apresentam grande dimensão e forte impacto visual, revestindo integralmente os muros da nave da igreja. O cromatismo dominante é o azul cobalto sobre fundo branco, característico da azulejaria portuguesa do período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado sul, destacam-se janelas fingidas que simulam vãos reais, criando um efeito ilusionista acentuado por reflexos amarelados que imitam a luz solar. Este recurso decorativo contribui para uma atmosfera envolvente no espaço interior, reforçando a unidade simbólica do conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O programa iconográfico inclui ainda um ciclo de emblemas inspirados nas obras do beneditino Frei João dos Prazeres: &#039;&#039;O Príncipe dos Patriarcas S. Bento&#039;&#039; (1683) e &#039;&#039;Segundo Tomo de sua Vida&#039;&#039; (1690)&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;N.º  Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema  / Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  do Coro&lt;br /&gt;
|1  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|S.  Bento recebe pastores e jovens que desejam seguir o seu exemplo de vida  austera e solitária.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|2  (Centro)&lt;br /&gt;
|S.  Bento rola-se nos silvedos, em penitência, para dominar as tentações da  carne.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|3  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|O  corvo, seu companheiro, leva um pão envenenado para longe, evitando o atentado  de Florêncio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  Norte&lt;br /&gt;
|4  (Junto ao Coro)&lt;br /&gt;
|Monges  constroem um mosteiro. Um demónio torna uma pedra pesada; S. Bento  exorciza-o.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|5  (Antes do Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tentativa  de envenenamento com uma bilha. S. Bento abençoa-a, dela sai uma serpente.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|6  (Sobre o Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tótila  envia um falso rei. S. Bento reconhece a farsa e desmascara o impostor.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|7  (Sobre o Altar)&lt;br /&gt;
|Tótila  visita S. Bento, é perdoado e o santo profetiza-lhe o futuro (9 anos de  reinado).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|8  (Depois do Púlpito)&lt;br /&gt;
|O  lema “Ora et labora” ilustrado com monges a orar e a trabalhar no Monte  Cassino.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Capela-Mor&lt;br /&gt;
|9  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|Lançamento  da 1.ª pedra do convento por D. Rodrigo de Moura Teles, em 14 de agosto de  1707.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|10  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|Inauguração  do convento em 1713, com cortejo das freiras e presença figurada de D. João  V.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|11  (Parte superior de ambas as paredes)&lt;br /&gt;
|Espaço  decorativo com fundo de gesso e desenhos entre janelas, reais e fingidas.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lições&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Interpretação Final&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1 - O  Dragão das Sete Cabeças&lt;br /&gt;
|Non  extingvetvr igne. = Não se extingue nem com o fogo.  Só com o amor  divino se extingue o amor profano.&lt;br /&gt;
|O dragão  é o amor profano, os vícios capitais; só o amor divino pode vencê-lo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2 - O  Meu Vestuário&lt;br /&gt;
|A gosto,  e à medida.  A eleição do hábito há de ser voluntária.&lt;br /&gt;
|O hábito  simboliza a vocação, que deve ser bem escolhida e vivida com entusiasmo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3 - O  Feio Pássaro&lt;br /&gt;
|Ne  pereat immunitas. = Para que não pereça a perfeita clausura.  O sagrado  da clausura não se viola só pelas portas.&lt;br /&gt;
|O  pássaro é o demónio tentador, e a clausura protege contra tentações internas  e externas.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4 - O  Sol, Atracção das Águias&lt;br /&gt;
|Probantur  ut coronentur. = São provadas para serem coroadas.  A observância da  regra de S. Bento é caminho de salvação.&lt;br /&gt;
|O Sol é  Deus e as almas virtuosas voam para Ele como prêmio da vida santa.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5 - O  Galo Vaidoso&lt;br /&gt;
|Se ipsum  conspurcat. = Suja-se a si mesmo.  Só se compõem bem quem se vê ao  Divino Espelho.&lt;br /&gt;
|A  vaidade afasta-nos de Deus; o verdadeiro espelho é Cristo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6 - A  Árvore e a Ovelha&lt;br /&gt;
|Adumbrat  et alit. = Dá sombra e alimenta.  O Religioso tudo tem na Religião.&lt;br /&gt;
|A árvore  é o convento que sustenta espiritualmente os seus membros, como a Providência  sustenta os fiéis.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|7 - O  Rapaz do Copo Quebrado&lt;br /&gt;
|Facile  conciliantur. = Facilmente se conciliam.  Na Religião não há de haver  ódios.&lt;br /&gt;
|O vaso  representa a harmonia; deve haver reconciliação fácil na vida religiosa e  social.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|8 - O  Chicote e o Freio&lt;br /&gt;
|Non  sufficit unum. = Não basta um só.  Não se pode conservar a Religião sem  castigo.&lt;br /&gt;
|O freio  representa a correção e o chicote a punição quando há desobediência.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|9 - A  Foucinha Cega&lt;br /&gt;
|Impossibilia  superat. = Supera o impossível.  A obediência há de ser cega.&lt;br /&gt;
|A  foucinha cega simboliza a obediência perfeita, sem hesitações ou dúvidas  interiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|10 - As  Flores Perfumadas&lt;br /&gt;
|Quia  olet. = Porque cheira bem.  A inveja na Religião há de ser para imitar e  não para destruir.&lt;br /&gt;
|As  virtudes devem inspirar imitação e não inveja destrutiva.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel  / Lição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Latim)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Tradução)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  2&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  Final (Resumo)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|11.°  - O SOL NÃO DESCANSA&lt;br /&gt;
|Non  Qviescit&lt;br /&gt;
|Não  descansa&lt;br /&gt;
|Na  Religião não há de haver ociosidade&lt;br /&gt;
|Trabalho  é honra e ordem do Criador; símbolo da atividade constante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|12.°  - CHOVEM RAIOS E TEMPESTADES&lt;br /&gt;
|Fortior  in Adversarios&lt;br /&gt;
|Mais  forte contra os adversários&lt;br /&gt;
|Quanto  as tentações forem mais fortes, mais forte há de ser a resistência&lt;br /&gt;
|A  alma deve resistir com força aos inimigos; milícia é a vida do homem&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|13.°  - UMA AVE VOANDO&lt;br /&gt;
|Né  sucvmbat&lt;br /&gt;
|Para  que não sucumba&lt;br /&gt;
|Há  de voar o espírito para o corpo não sentir os rigores da Religião&lt;br /&gt;
|A  alma Religiosa eleva-se até Deus; exemplo de Santa Teresa e S. João da Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|14.°  - UM CHAFARIZ A PRESSÃO&lt;br /&gt;
|Quo  pressa altivs&lt;br /&gt;
|Quanto  mais oprimida mais alto sobe&lt;br /&gt;
|A  humildade na Religião é a que faz avultar a virtude&lt;br /&gt;
|Humildade  é base da santidade; mais pressão, maior elevação espiritual&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|15.°  - NUTRIDA OVELHA ATRAI CHACAIS&lt;br /&gt;
|In  odorem cvrrimvs&lt;br /&gt;
|Corremos  atraídos pelo bom cheiro&lt;br /&gt;
|A  Religião há de se buscar pela fama da sua virtude&lt;br /&gt;
|Virtude  atrai os outros à fé; como S. Bento atraiu muitos à religião&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|16.°  - A VACA DO LAVRADOR&lt;br /&gt;
|Tv  cede&lt;br /&gt;
|Tu  cede&lt;br /&gt;
|Não  há de o Religioso querer que toda a gente ande ao seu passo&lt;br /&gt;
|Aceitar  as diferenças; ajudar os mais lentos com paciência e caridade&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|17.°  - CASA SEM COBERTURA&lt;br /&gt;
|Sine  cvlmine corrvit&lt;br /&gt;
|Sem  o cume desmorona-se&lt;br /&gt;
|Não  se conserva a virtude sem a oração&lt;br /&gt;
|Sem  oração, tudo desmorona; oração é vida da perfeição&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|18.°  - O SOL QUE ILUMINA E PENETRA&lt;br /&gt;
|Non  oltra vires&lt;br /&gt;
|Não  além das forças de cada qual&lt;br /&gt;
|O  superior deve tomar conhecimento individual dos súbditos&lt;br /&gt;
|Superior  deve conhecer os seus para orientá-los segundo suas capacidades&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|19.°  - O SOL DA LADEIRA&lt;br /&gt;
|Allevat  et vexat&lt;br /&gt;
|Eleva  e humilha&lt;br /&gt;
|O  superior, assim como castiga, há de premiar&lt;br /&gt;
|Superior  deve agir com justiça e equilíbrio entre castigo e prémio&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|20.°  - O FLORIDO ARBUSTO&lt;br /&gt;
|Non  ex omni flore cárpitv mel&lt;br /&gt;
|Nem  de toda a flor se colhe mel&lt;br /&gt;
|Nem  sempre há de achar o superior igual procedimento nos súbditos&lt;br /&gt;
|Nem  todos os súbditos procedem da mesma forma; usar compreensão e realismo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens devocionais ====&lt;br /&gt;
As imagens e elementos decorativos do interior da igreja exercem uma dupla função: evidenciam, por um lado, um notável valor estético e patrimonial, refletindo o cuidado artístico da época barroca; por outro, assumem uma função devocional, ao inspirarem fé, recolhimento e ligação ao sagrado entre os fiéis que ali acorrem para oração.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Nome  da Imagem&lt;br /&gt;
|Material  / Estilo / Datação&lt;br /&gt;
|Altura  (m)&lt;br /&gt;
|Observações&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. dir.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada e dourada; séc. XVII (1.ª metade)&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Padroeira  primitiva&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. centro&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; meados do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Abadia&lt;br /&gt;
|Pedra  policromada; séc. XV-XVI, influência francesa&lt;br /&gt;
|1,00&lt;br /&gt;
|Proveniente  das muralhas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|São  Vicente Ferrer&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada com mulher aos pés; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – junto ao sacrário&lt;br /&gt;
|Coração  de Jesus e São José&lt;br /&gt;
|Terracota;  2.ª metade do séc. XX&lt;br /&gt;
|0,63&lt;br /&gt;
|Imagens  provisórias&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – porta do sacrário&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão (alto-relevo)&lt;br /&gt;
|Madeira;  alto-relevo&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Ressuscitado  e triunfal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – sobre o sacrário&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – centro&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada, policromada; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,97&lt;br /&gt;
|Titular  desde 1846&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (grande)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; dourado antigo; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,76&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (pequena)&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,33&lt;br /&gt;
|Muito  apreciada&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – centro&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,18&lt;br /&gt;
|Segundo  titular&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  – imagem adicional&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|1,55&lt;br /&gt;
|Substituída  após obras&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Escolástica&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada com ouro; finais séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,08&lt;br /&gt;
|Irmã  de S. Bento&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – centro&lt;br /&gt;
|Senhor  do Perdão&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo gótico; séc. XV&lt;br /&gt;
|1,90  x 1,70&lt;br /&gt;
|Expressão  comovente&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – lado&lt;br /&gt;
|São  João Evangelista&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; início do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Discípulo  amado&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – centro (em alto)&lt;br /&gt;
|Santíssima  Trindade&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,90&lt;br /&gt;
|Sobre  oratório do mesmo século&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – no oratório&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora (Virgem e Mãe)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Muito  bela&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna&lt;br /&gt;
|Senhor  da Cana Verde&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|1,16&lt;br /&gt;
|Escarnecido  pelos soldados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – sobre cómoda&lt;br /&gt;
|São  Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,66&lt;br /&gt;
|Fundador  dos Franciscanos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna alta&lt;br /&gt;
|Busto  de São Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada, articulado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Desfeito  após 1970&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – cómoda&lt;br /&gt;
|Santa  Filomena&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|Virgem  e mártir&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto&lt;br /&gt;
|Crucifixo  Semana Santa&lt;br /&gt;
|Madeira  (cruz recente); imagem antiga&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Muito  expressivo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Coração  de Maria&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,35&lt;br /&gt;
|Sobre  peanha&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|São  José&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada&lt;br /&gt;
|0,25&lt;br /&gt;
|Muito  pequeno&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|3  Crucifixos e castiçais&lt;br /&gt;
|Madeira  dourada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,50  (cruzes), 0,70 (pés)&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Presépio  com 10 figuras&lt;br /&gt;
|Terracota;  cenário reaproveitado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Gruta  original do sacrário&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Senhor  da Boa Morte&lt;br /&gt;
|Madeira;  estilo gótico&lt;br /&gt;
|Tamanho  natural&lt;br /&gt;
|Rosto  suave&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – frontispício&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Com  coroa e escudo reais&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – portaria do convento&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Escudo  aos pés&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – capela / oratório&lt;br /&gt;
|Senhor  dos Aflitos&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|1,15  (imagem); 2,00 x 1,00 (cruz)&lt;br /&gt;
|Crucifixo  devocional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura no teto da igreja ====&lt;br /&gt;
O teto em caixotões da nave principal da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja conventual beneditina em Barcelos, constitui um dos elementos mais notáveis do seu programa decorativo. Executado em painéis de madeira nobre, encontra-se revestido por pinturas a óleo de temática religiosa, representando episódios da vida de São Bento e outras cenas devocionais.&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|thumb|Pintura no teto da igreja]]&lt;br /&gt;
Estas pinturas são geralmente atribuídas a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731) ou ao seu círculo próximo, com base em semelhanças estilísticas com os painéis de azulejo da mesma igreja. A obra revela um traço delicado e meticuloso, evocando por vezes o espírito das iluminuras medievais, com influência de modelos como o Beato Angélico. O uso de cores vivas, bem conservadas, e a qualidade técnica geral evidenciam a mestria dos artistas envolvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A excecional preservação destas pinturas foi já destacada em fontes do século XIX e reafirmada por técnicos da Direção-Geral dos Monumentos Nacionais durante os trabalhos de restauro realizados na década de 1970. A simples remoção de sujidade revelou a riqueza cromática e a integridade dos caixotões pintados, demonstrando a durabilidade da técnica empregue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste, as pinturas originais do teto da capela-mor foram cobertas com cal em data incerta, o que comprometeu grande parte do seu valor artístico. Intervenções de recuperação no século XX permitiram a remoção parcial da cal e a aplicação de cera protetora, embora muitos danos sejam considerados irreversíveis. Procedimentos semelhantes foram aplicados à sacristia e áreas anexas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tetos dos coros, inferior e superior, não apresentam decoração pictórica. Originalmente pintados com tinta cinzenta, foram restaurados com tratamento a cera, refletindo uma estética sóbria e alinhada com o ideal monástico de humildade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura devocional ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Título / Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Descrição / Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor / Escola&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Data / Época&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Regresso da Sagrada Família do Egito&lt;br /&gt;
|Pintura com grande expressividade, cores vivas,  vestes esvoaçantes. Representa a Divina Pastora.&lt;br /&gt;
|Possivelmente António de Oliveira Bernardes ou  escola&lt;br /&gt;
|Início do século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte&lt;br /&gt;
|Santa Gertrudes&lt;br /&gt;
|Beneditina, reformadora, representada com o Menino  Jesus no coração.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul&lt;br /&gt;
|Santa Escolástica&lt;br /&gt;
|Irmã de São Bento, cofundadora das Beneditinas.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Arcanjo do Juízo Final&lt;br /&gt;
|Inspirado na carta aos Tessalonicenses (1 Tsl. 4,  12-27).&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Morte de Santa Teresa de Jesus&lt;br /&gt;
|Santa espanhola, reformadora do Carmelo. Pintura  italiana.&lt;br /&gt;
|Atribuído a Bernini por crítico da Fundação  Gulbenkian&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|O Rosto do Senhor (Véu da Verónica)&lt;br /&gt;
|Reprodução autenticada pelo Vaticano.&lt;br /&gt;
|Reprodução&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Ex-voto de S. Bento da Portaria&lt;br /&gt;
|Relata milagre de cura a António José.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Baixo&lt;br /&gt;
|Santa Águeda&lt;br /&gt;
|Pintura em tábua, virgem e mártir da província de  Catânia.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|séc. XVII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Santa Luzia&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Ascenção do Senhor&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Talha ====&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço, destaca-se pelo seu valioso conjunto de talha dourada, considerado um dos mais significativos da arte sacra portuguesa do início do século XVIII. Este conjunto tem sido objeto de estudo por diversos investigadores, entre os quais se destaca Robert Smith, especialista em arte portuguesa, que atribuiu a autoria da talha a Ambrósio Coelho, entalhador natural da freguesia de São Paio de Carvalhal, no concelho de Barcelos. &lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|Púlpito ]]&lt;br /&gt;
O estilo decorativo da talha é descrito pelo Cónego Dr. Luciano dos Santos, presidente da Comissão de Arte Sacra de Braga, como pertencente a um “renascimento muito ornamentado”. Apesar de algumas interpretações sugerirem uma fase de transição entre o Renascimento e o Barroco, a maioria dos estudiosos considera que a talha se insere no estilo joanino, do reinado de D. João V. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os retábulos colaterais, dispostos em ângulo nas paredes laterais da nave, apresentam planta côncava e eixo único, sendo rematados por arquivoltas com decoração vegetalista. Cada retábulo possui um nicho central com imaginária, enquadrado por colunas pseudosalomónicas, características do barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela mor é coberta por abóbada semelhante à da nave e apresenta um retábulo-mor em talha dourada, de planta côncava, também com eixo único e remate em arquivolta. No centro, encontra-se a tribuna com trono, enquadrada por colunas pseudosalomónicas, entre as quais se dispõem peanhas com imagens devocionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pisos ====&lt;br /&gt;
A Igreja desenvolve-se num único piso ao nível do rés-do-chão, originalmente revestido com lajedo de pedra. Este revestimento estendia-se também à sacristia e aos corredores laterais da capela mor, onde se encontra cantaria mais elaborada, possivelmente com acabamento mais fino, condizente com o embasamento das escadas e da base do altar. Durante a década de 1930, o pavimento em pedra foi coberto com soalho de madeira, numa tentativa de melhorar o conforto térmico no interior do templo.&lt;br /&gt;
[[File:Coro.png|thumb|286x286px|Coro baixo e alto]]&lt;br /&gt;
O coro baixo, reservado à participação litúrgica das religiosas em clausura, não apresenta lajedo original, o que sugere uma construção posterior ou com finalidade diferente. Conservam-se ainda elementos associados à prática da reconciliação penitencial, como pequenas janelas embutidas na parede norte. Estes vãos permitiam o contacto entre as religiosas e o confessor, mantendo a separação imposta pela clausura. Alguns desses vãos foram reabertos durante as intervenções realizadas no século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto é de grandes dimensões, projetado para acomodar mais de uma centena de religiosas. Possui pavimento em madeira e um falso teto que separa os dois coros. Durante os trabalhos de restauro do edifício, foi proposta a substituição do soalho do coro alto por uma laje de cimento revestida a madeira, com o objetivo de reforçar a estrutura e preservar a harmonia estética do espaço. Esta intervenção visava também resolver problemas funcionais relacionados com a existência de um armazém arrendado sob o coro, situação considerada inadequada do ponto de vista litúrgico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modificações estilísticas na Igreja de Nossa Senhora do Terço ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções e Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Influência das modas e  intervenções passadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados (séc. XX)  pintados de branco, quebrando a harmonia arquitetónica. - “Capacetes” de  madeira substituíram baldaquinos de damasco.- No séc. XIX, acrescentaram-se  sanefas e elementos decorativos em madeira nos arcos triunfais, obscurecendo  a estrutura original.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções de 1966 a 1970 –  Recuperação da traça original&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Retirada de elementos estranhos  ao estilo original: sanefas, guarnições de madeira, topo do sacrário  substituído por gruta com figuras em terracota. - Peças de pouca qualidade  recolhidas e armazenadas no coro e compartimentos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Altares vazados e frontais&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados transferidos para  o coro. - Perda dos frontais originais; um possivelmente reaproveitado na  capela de São Bento da Buraquinha. - Novos frontais construídos em madeira de  castanho, pintados em sintonia com a paleta cromática da igreja.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Adaptação às normas do Concílio  Vaticano II&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Centralização do culto no novo  Altar do Sacrifício. - Mesas dos três altares cortadas e reutilizadas como  nichos no novo altar central. - Grade da comunhão removida.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tribuna e elementos decorativos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Pinturas florais no fundo do  retábulo refeitas com base em vestígios originais (tons de cinzento com  flores discretas). - Telão do Coração de Jesus e Santa Margarida Maria  Alacoque removido por destoar estilisticamente; degraus restaurados e  pintados de dourado.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Uso da tribuna pelas religiosas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- A tribuna foi usada como espaço  de exposição do Santíssimo Sacramento, acessível pela porta inferior. - Não  se sabe ao certo desde quando essa prática ocorria.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Restauro geral e cuidados  estéticos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Limpeza dos tetos, recuperação  das cantarias, portas interiores, balaustradas, ferragens, candeeiros e  tintas escolhidas com critério estético e histórico.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Imagens sacras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Imagem moderna de São Bento  deslocada para o coro, substituída por escultura antiga. - Imagem de Santa  Luzia restaurada em Braga.- Imagens do Coração de Jesus e de São José  adaptadas antes da colocação.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Aspirações futuras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Recuperação do lajedo da nave  principal ainda pendente. - Novo Altar do Sacrifício destaca-se pela  simplicidade e contribui para a beleza do conjunto.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia dos Restauros ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Ano/Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções Realizadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1966&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início da campanha de restauro  para devolver à igreja o estilo original. - Retirada de sanefas e guarnições  de madeira que ocultavam elementos arquitetónicos. - Substituição da peça  superior do sacrário por uma gruta com figuras em terracota.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1967–1968&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Retirada dos altares vazados do  início do séc. XX e transferência para o coro. - Confeção de dois frontais em  madeira de castanho para os altares laterais, pintados conforme as cores  dominantes da igreja. - Substituição de imagens modernas por outras antigas  de valor artístico (ex.: imagem antiga de S. Bento).&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1969&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Preparação para o restauro  estrutural profundo. - Envolvimento da Delegação Norte dos Monumentos  Nacionais (Arq. Silva Bessa). - Obra autorizada a ser feita “a jornal” por  mestres locais após desistência de empreiteiros.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Verão de 1970&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início oficial das grandes obras.  - Nova cobertura em placa de cimento armado. - Instalação de telhados novos  em telha especial patinada.- Verificação da boa conservação das estruturas de  madeira originais. - Travamento das paredes com anéis de ferro, cimento e  cabos de aço.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1971&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Reboque e pintura da fachada  sul com materiais adequados. - Restauro do coro alto (escadas novas, reboco e  enceramento do teto). - Confeção de cinco portas exteriores em madeira de  castanho envelhecido. - Nova porta da sacristia em madeira de mimosa seca.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Primavera de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Conclusão da 2.ª fase das obras.  - Construção do novo Altar do Sacrifício ao centro da capela-mor, conforme o  Concílio Vaticano II.- Retirada da grade da comunhão e adaptação do arco cruzeiro.  - Lavagens profundas da cantaria e construção de armários laterais de apoio.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1 de julho de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Visita oficial do Arcebispo  Primaz, D. Francisco Maria da Silva. - Planeamento da 3.ª fase: colocação da  placa do coro alto e instalação de iluminação museológica.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  Fontes e Bibliografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Recursos Digitais ==&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural. Disponível em: https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/igreja-da-nossa-senhora-do-terco-barcelos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Confraria da Nossa Senhora do Terço. Disponível em: https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Câmara Municipal de Barcelos. Disponível em: https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Paroquia de Barcelos de Santa Maria Maior. Disponível em: https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site do Instituto Público Património Cultural. Disponível em: https://imovel.patrimoniocultural.gov.pt/detalhes.php?code=73204&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=480</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
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		<updated>2025-05-19T16:17:59Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
O estudo da Igreja de Nossa Senhora do Terço e do antigo convento beneditino de Barcelos tem merecido, até ao momento, uma abordagem relativamente esparsa na historiografia portuguesa, com predominância de contributos de caráter local e memorialista. Entre os trabalhos mais relevantes destacam-se &#039;&#039;Silva Minhota&#039;&#039; (1956), de Leonídio de Abreu, que apresenta uma descrição pormenorizada baseada em tradições orais e elementos históricos, e a &#039;&#039;Notícia Descritiva de Barcelos&#039;&#039; (1866), de Amaral Ribeiro, que reúne informações de natureza histórica e arquitetônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma análise mais recente e sistematizada encontra-se na obra do Padre Manuel Avelino de Sousa, &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço – Barcelos&#039;&#039; (2001), a qual se dedica especificamente a este conjunto monástico, oferecendo uma inventariação detalhada e uma contextualização histórica, artística e patrimonial da igreja e do antigo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
A Igreja da Nossa Senhora do Terço localiza-se na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, no centro histórico de Barcelos, Portugal (Coordenadas: 41.534200, -8.619500). Nas imediações situam-se diversos edifícios de relevo histórico e cultural, nomeadamente a Igreja Matriz de Barcelos (41.532462, -8.618856), o Paço dos Condes de Barcelos, atual Museu Arqueológico (41.533123, -8.618735), a Câmara Municipal de Barcelos (41.532356, -8.620407) e o antigo Convento do Menino Deus dos Maristas (41.531800, -8.621900).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A poucos metros encontra-se o Templo do Bom Jesus da Cruz (41.535416, -8.617325), erguido no início do século XVIII, exemplar da arquitetura barroca. Este templo é central nas celebrações da Festa das Cruzes, festividade emblemática do concelho.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fundação ==&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade das freiras beneditinas que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em Monção. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela Guerra da Restauração, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, D. Pedro II determinou o acolhimento provisório das religiosas no Seminário de São Pedro, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao Arcebispo Primaz de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a 14 de agosto de 1707, e ficou concluída em 1713, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a 11 de julho de 1713, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a 12 mil cruzados. Em 1707, foi nomeado Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em grande quadrilátero, implantado no atual Largo 5 de Outubro (antigo Campo dos Touros), onde se localizavam a portaria e o acesso à cerca. A ala sul acompanhava o traçado da atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, destacando-se o frontispício da igreja, voltado para o antigo Campo da Feira. No extremo sul, erguiam-se dois mirantes, sendo o do lado poente construído em ângulo reto entre o convento, o largo e a antiga estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao centro, dispunha-se um claustro, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma cerca com cerca de seis metros de altura, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Inauguração e permanência ==&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos pertencia ao ramo das chamadas &amp;quot;Gertrudinas Adoradoras&amp;quot;, corrente espiritual originada no século XIV com as reformas introduzidas por Santa Gertrudes, que promoveu a adoração eucarística contínua no seio da Ordem de São Bento. Esta corrente distinguia-se da tradição conservadora das &amp;quot;Escolásticas&amp;quot;, mantendo-se fiel à regra primitiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Saída das religiosas e destruição do Mosteiro ==&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, D. Pedro IV decretou, em 1834, a extinção das ordens religiosas em Portugal. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro Beneditino de Barcelos foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em Espanha, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em 1842, apenas duas religiosas permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de Viana do Castelo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por D. Maria II, confirma a realização de um leilão a 20 de novembro de 1843.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a desamortização, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A cerca sul foi demolida para dar lugar à atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2004, foi inaugurado o Centro Comercial e Hotel do Terço, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas quatro arcos de volta perfeita, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo claustro, hoje integrados no pátio do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um andar superior em galeria, com cobertura em madeira suportada por colunas toscanas sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os vãos de portas e janelas quadrangulares, com emolduramentos em cantaria, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exterior ===&lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|Remate do portal]]&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta de disposição retangular e transversal, integrando diversos espaços funcionais alinhados ao longo de um eixo longitudinal: antigas dependências do convento, coro, nave única, capela mor profunda e sacristia. A volumetria destaca-se pela orientação horizontal, conferindo equilíbrio e sobriedade ao conjunto arquitetônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada principal, de traço simples e harmonioso, é rebocada e pintada de branco, assente sobre uma base de cantaria. Organiza-se em dois registos distintos e é rematada, ao centro, por uma cruz latina de braços trilobados. No registo inferior, sobressai o portal principal em arco de volta perfeita, construído em cantaria granítica e decorado com as armas reais na pedra de fecho. Este é ladeado por pilastras toscanas que sustentam um entablamento sóbrio, sobre o qual se encontra um nicho com a imagem da Virgem. Este nicho prolonga-se para o registo superior, sendo enquadrado por aletas e pináculos decorativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À esquerda, existe um segundo portal, também em arco de volta perfeita, mais modesto, ladeado por pilastras com pináculos e rematado por uma cornija semicircular encimada por uma cruz. Em redor encontram-se cartelas com inscrições comemorativas, adornadas com molduras volutadas típicas do barroco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No registo superior, abrem-se janelas gradeadas em capialço, incluindo uma janela de sacada com guarda em ferro forjado. O portal principal constitui o elemento de maior destaque, com arco de volta perfeita, pilastras simples, entablamento discreto e cornija proeminente. Sobre esta, dois pináculos bulbosos enquadram um nicho concheado com a escultura em pedra de Nossa Senhora da Conceição, adornado com volutas invertidas de desenho invulgar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima do portal, observa-se um brasão de armas de Portugal esculpido em alto-relevo, encimado por coroa real e inserido numa cartela em forma de couro. Sobre a balaustrada, ergue-se uma cruz em granito. No extremo leste da fachada, localiza-se uma sineira geminada de feição simples.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Programa artístico e seu ator ====&lt;br /&gt;
[[File:Pintura 1.png|thumb|Pintura a óleo ]]&lt;br /&gt;
O programa artístico da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja do convento das beneditinas de Barcelos, é geralmente atribuído a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731), um dos mais importantes mestres da azulejaria portuguesa do final do século XVII e início do século XVIII. Reconhecido pela sua versatilidade e pelo papel central na consolidação de uma escola de pintura sobre azulejo, Bernardes também se destacou na pintura a óleo sobre madeira, tela e barro. A sua oficina viria a formar diversos artistas, incluindo os seus filhos, Policarpo e Inácio Bernardes, que deram continuidade ao legado artístico da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja do Terço, a autoria de Bernardes é atribuída tanto ao conjunto de azulejos como a outras componentes decorativas do interior, num projeto coeso que parece ter sido concebido em sua totalidade pelo mestre ou sob a sua supervisão. Integradas nesse programa decorativo encontram-se seis telas de grandes dimensões com molduras douradas. Quatro permanecem na nave central e uma, de especial valor artístico, representa o regresso da Sagrada Família do Egito, colocada na capela mor. Duas outras telas originalmente pertencentes à capela mor terão desaparecido durante as Invasões Francesas, tendo os seus espaços sido preenchidos por composições em gesso de época posterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas a óleo do teto da nave principal, executadas sobre madeira nobre, apresentam afinidades estilísticas com os painéis de azulejo e são também atribuídas a António de Oliveira Bernardes. No entanto, pequenas variações formais sugerem a colaboração de outros membros da oficina, algo comum nas práticas artísticas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo notável desta colaboração é o par de painéis da capela mor que representam o lançamento da primeira pedra e a inauguração da igreja, assinados com as iniciais “P. M. P.”, de autor ainda não identificado. A assinatura completa poderá ter sido ocultada por um altar lateral posteriormente adicionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Azulejo ====&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo 2.jpg|thumb|Pormenor de azulejo]]&lt;br /&gt;
Datado de 1713, conforme inscrição identificada num friso de azulejos, o conjunto azulejar da Igreja de Nossa Senhora do Terço é atribuído a António de Oliveira Bernardes, um dos mais destacados mestres da azulejaria barroca portuguesa. Este programa decorativo integra-se plenamente na tradição artística e pedagógica do barroco, articulando espiritualidade, narrativa e simbolismo visual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os painéis de azulejos retratam episódios da vida de São Bento, enfatizando momentos da sua juventude, milagres e cenas que ilustram os princípios da Regra Beneditina, como a oração, o trabalho e a disciplina. As composições apresentam grande dimensão e forte impacto visual, revestindo integralmente os muros da nave da igreja. O cromatismo dominante é o azul cobalto sobre fundo branco, característico da azulejaria portuguesa do período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado sul, destacam-se janelas fingidas que simulam vãos reais, criando um efeito ilusionista acentuado por reflexos amarelados que imitam a luz solar. Este recurso decorativo contribui para uma atmosfera envolvente no espaço interior, reforçando a unidade simbólica do conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O programa iconográfico inclui ainda um ciclo de emblemas inspirados nas obras do beneditino Frei João dos Prazeres: &#039;&#039;O Príncipe dos Patriarcas S. Bento&#039;&#039; (1683) e &#039;&#039;Segundo Tomo de sua Vida&#039;&#039; (1690)&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;N.º  Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema  / Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  do Coro&lt;br /&gt;
|1  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|S.  Bento recebe pastores e jovens que desejam seguir o seu exemplo de vida  austera e solitária.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|2  (Centro)&lt;br /&gt;
|S.  Bento rola-se nos silvedos, em penitência, para dominar as tentações da  carne.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|3  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|O  corvo, seu companheiro, leva um pão envenenado para longe, evitando o atentado  de Florêncio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  Norte&lt;br /&gt;
|4  (Junto ao Coro)&lt;br /&gt;
|Monges  constroem um mosteiro. Um demónio torna uma pedra pesada; S. Bento  exorciza-o.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|5  (Antes do Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tentativa  de envenenamento com uma bilha. S. Bento abençoa-a, dela sai uma serpente.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|6  (Sobre o Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tótila  envia um falso rei. S. Bento reconhece a farsa e desmascara o impostor.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|7  (Sobre o Altar)&lt;br /&gt;
|Tótila  visita S. Bento, é perdoado e o santo profetiza-lhe o futuro (9 anos de  reinado).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|8  (Depois do Púlpito)&lt;br /&gt;
|O  lema “Ora et labora” ilustrado com monges a orar e a trabalhar no Monte  Cassino.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Capela-Mor&lt;br /&gt;
|9  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|Lançamento  da 1.ª pedra do convento por D. Rodrigo de Moura Teles, em 14 de agosto de  1707.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|10  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|Inauguração  do convento em 1713, com cortejo das freiras e presença figurada de D. João  V.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|11  (Parte superior de ambas as paredes)&lt;br /&gt;
|Espaço  decorativo com fundo de gesso e desenhos entre janelas, reais e fingidas.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lições&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Interpretação Final&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1 - O  Dragão das Sete Cabeças&lt;br /&gt;
|Non  extingvetvr igne. = Não se extingue nem com o fogo.  Só com o amor  divino se extingue o amor profano.&lt;br /&gt;
|O dragão  é o amor profano, os vícios capitais; só o amor divino pode vencê-lo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2 - O  Meu Vestuário&lt;br /&gt;
|A gosto,  e à medida.  A eleição do hábito há de ser voluntária.&lt;br /&gt;
|O hábito  simboliza a vocação, que deve ser bem escolhida e vivida com entusiasmo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3 - O  Feio Pássaro&lt;br /&gt;
|Ne  pereat immunitas. = Para que não pereça a perfeita clausura.  O sagrado  da clausura não se viola só pelas portas.&lt;br /&gt;
|O  pássaro é o demónio tentador, e a clausura protege contra tentações internas  e externas.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4 - O  Sol, Atracção das Águias&lt;br /&gt;
|Probantur  ut coronentur. = São provadas para serem coroadas.  A observância da  regra de S. Bento é caminho de salvação.&lt;br /&gt;
|O Sol é  Deus e as almas virtuosas voam para Ele como prêmio da vida santa.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5 - O  Galo Vaidoso&lt;br /&gt;
|Se ipsum  conspurcat. = Suja-se a si mesmo.  Só se compõem bem quem se vê ao  Divino Espelho.&lt;br /&gt;
|A  vaidade afasta-nos de Deus; o verdadeiro espelho é Cristo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6 - A  Árvore e a Ovelha&lt;br /&gt;
|Adumbrat  et alit. = Dá sombra e alimenta.  O Religioso tudo tem na Religião.&lt;br /&gt;
|A árvore  é o convento que sustenta espiritualmente os seus membros, como a Providência  sustenta os fiéis.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|7 - O  Rapaz do Copo Quebrado&lt;br /&gt;
|Facile  conciliantur. = Facilmente se conciliam.  Na Religião não há de haver  ódios.&lt;br /&gt;
|O vaso  representa a harmonia; deve haver reconciliação fácil na vida religiosa e  social.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|8 - O  Chicote e o Freio&lt;br /&gt;
|Non  sufficit unum. = Não basta um só.  Não se pode conservar a Religião sem  castigo.&lt;br /&gt;
|O freio  representa a correção e o chicote a punição quando há desobediência.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|9 - A  Foucinha Cega&lt;br /&gt;
|Impossibilia  superat. = Supera o impossível.  A obediência há de ser cega.&lt;br /&gt;
|A  foucinha cega simboliza a obediência perfeita, sem hesitações ou dúvidas  interiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|10 - As  Flores Perfumadas&lt;br /&gt;
|Quia  olet. = Porque cheira bem.  A inveja na Religião há de ser para imitar e  não para destruir.&lt;br /&gt;
|As  virtudes devem inspirar imitação e não inveja destrutiva.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel  / Lição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Latim)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Tradução)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  2&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  Final (Resumo)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|11.°  - O SOL NÃO DESCANSA&lt;br /&gt;
|Non  Qviescit&lt;br /&gt;
|Não  descansa&lt;br /&gt;
|Na  Religião não há de haver ociosidade&lt;br /&gt;
|Trabalho  é honra e ordem do Criador; símbolo da atividade constante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|12.°  - CHOVEM RAIOS E TEMPESTADES&lt;br /&gt;
|Fortior  in Adversarios&lt;br /&gt;
|Mais  forte contra os adversários&lt;br /&gt;
|Quanto  as tentações forem mais fortes, mais forte há de ser a resistência&lt;br /&gt;
|A  alma deve resistir com força aos inimigos; milícia é a vida do homem&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|13.°  - UMA AVE VOANDO&lt;br /&gt;
|Né  sucvmbat&lt;br /&gt;
|Para  que não sucumba&lt;br /&gt;
|Há  de voar o espírito para o corpo não sentir os rigores da Religião&lt;br /&gt;
|A  alma Religiosa eleva-se até Deus; exemplo de Santa Teresa e S. João da Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|14.°  - UM CHAFARIZ A PRESSÃO&lt;br /&gt;
|Quo  pressa altivs&lt;br /&gt;
|Quanto  mais oprimida mais alto sobe&lt;br /&gt;
|A  humildade na Religião é a que faz avultar a virtude&lt;br /&gt;
|Humildade  é base da santidade; mais pressão, maior elevação espiritual&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|15.°  - NUTRIDA OVELHA ATRAI CHACAIS&lt;br /&gt;
|In  odorem cvrrimvs&lt;br /&gt;
|Corremos  atraídos pelo bom cheiro&lt;br /&gt;
|A  Religião há de se buscar pela fama da sua virtude&lt;br /&gt;
|Virtude  atrai os outros à fé; como S. Bento atraiu muitos à religião&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|16.°  - A VACA DO LAVRADOR&lt;br /&gt;
|Tv  cede&lt;br /&gt;
|Tu  cede&lt;br /&gt;
|Não  há de o Religioso querer que toda a gente ande ao seu passo&lt;br /&gt;
|Aceitar  as diferenças; ajudar os mais lentos com paciência e caridade&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|17.°  - CASA SEM COBERTURA&lt;br /&gt;
|Sine  cvlmine corrvit&lt;br /&gt;
|Sem  o cume desmorona-se&lt;br /&gt;
|Não  se conserva a virtude sem a oração&lt;br /&gt;
|Sem  oração, tudo desmorona; oração é vida da perfeição&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|18.°  - O SOL QUE ILUMINA E PENETRA&lt;br /&gt;
|Non  oltra vires&lt;br /&gt;
|Não  além das forças de cada qual&lt;br /&gt;
|O  superior deve tomar conhecimento individual dos súbditos&lt;br /&gt;
|Superior  deve conhecer os seus para orientá-los segundo suas capacidades&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|19.°  - O SOL DA LADEIRA&lt;br /&gt;
|Allevat  et vexat&lt;br /&gt;
|Eleva  e humilha&lt;br /&gt;
|O  superior, assim como castiga, há de premiar&lt;br /&gt;
|Superior  deve agir com justiça e equilíbrio entre castigo e prémio&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|20.°  - O FLORIDO ARBUSTO&lt;br /&gt;
|Non  ex omni flore cárpitv mel&lt;br /&gt;
|Nem  de toda a flor se colhe mel&lt;br /&gt;
|Nem  sempre há de achar o superior igual procedimento nos súbditos&lt;br /&gt;
|Nem  todos os súbditos procedem da mesma forma; usar compreensão e realismo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens devocionais ====&lt;br /&gt;
As imagens e elementos decorativos do interior da igreja exercem uma dupla função: evidenciam, por um lado, um notável valor estético e patrimonial, refletindo o cuidado artístico da época barroca; por outro, assumem uma função devocional, ao inspirarem fé, recolhimento e ligação ao sagrado entre os fiéis que ali acorrem para oração.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Nome  da Imagem&lt;br /&gt;
|Material  / Estilo / Datação&lt;br /&gt;
|Altura  (m)&lt;br /&gt;
|Observações&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. dir.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada e dourada; séc. XVII (1.ª metade)&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Padroeira  primitiva&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. centro&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; meados do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Abadia&lt;br /&gt;
|Pedra  policromada; séc. XV-XVI, influência francesa&lt;br /&gt;
|1,00&lt;br /&gt;
|Proveniente  das muralhas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|São  Vicente Ferrer&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada com mulher aos pés; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – junto ao sacrário&lt;br /&gt;
|Coração  de Jesus e São José&lt;br /&gt;
|Terracota;  2.ª metade do séc. XX&lt;br /&gt;
|0,63&lt;br /&gt;
|Imagens  provisórias&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – porta do sacrário&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão (alto-relevo)&lt;br /&gt;
|Madeira;  alto-relevo&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Ressuscitado  e triunfal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – sobre o sacrário&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – centro&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada, policromada; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,97&lt;br /&gt;
|Titular  desde 1846&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (grande)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; dourado antigo; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,76&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (pequena)&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,33&lt;br /&gt;
|Muito  apreciada&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – centro&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,18&lt;br /&gt;
|Segundo  titular&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  – imagem adicional&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|1,55&lt;br /&gt;
|Substituída  após obras&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Escolástica&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada com ouro; finais séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,08&lt;br /&gt;
|Irmã  de S. Bento&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – centro&lt;br /&gt;
|Senhor  do Perdão&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo gótico; séc. XV&lt;br /&gt;
|1,90  x 1,70&lt;br /&gt;
|Expressão  comovente&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – lado&lt;br /&gt;
|São  João Evangelista&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; início do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Discípulo  amado&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – centro (em alto)&lt;br /&gt;
|Santíssima  Trindade&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,90&lt;br /&gt;
|Sobre  oratório do mesmo século&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – no oratório&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora (Virgem e Mãe)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Muito  bela&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna&lt;br /&gt;
|Senhor  da Cana Verde&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|1,16&lt;br /&gt;
|Escarnecido  pelos soldados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – sobre cómoda&lt;br /&gt;
|São  Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,66&lt;br /&gt;
|Fundador  dos Franciscanos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna alta&lt;br /&gt;
|Busto  de São Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada, articulado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Desfeito  após 1970&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – cómoda&lt;br /&gt;
|Santa  Filomena&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|Virgem  e mártir&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto&lt;br /&gt;
|Crucifixo  Semana Santa&lt;br /&gt;
|Madeira  (cruz recente); imagem antiga&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Muito  expressivo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Coração  de Maria&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,35&lt;br /&gt;
|Sobre  peanha&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|São  José&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada&lt;br /&gt;
|0,25&lt;br /&gt;
|Muito  pequeno&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|3  Crucifixos e castiçais&lt;br /&gt;
|Madeira  dourada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,50  (cruzes), 0,70 (pés)&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Presépio  com 10 figuras&lt;br /&gt;
|Terracota;  cenário reaproveitado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Gruta  original do sacrário&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Senhor  da Boa Morte&lt;br /&gt;
|Madeira;  estilo gótico&lt;br /&gt;
|Tamanho  natural&lt;br /&gt;
|Rosto  suave&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – frontispício&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Com  coroa e escudo reais&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – portaria do convento&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Escudo  aos pés&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – capela / oratório&lt;br /&gt;
|Senhor  dos Aflitos&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|1,15  (imagem); 2,00 x 1,00 (cruz)&lt;br /&gt;
|Crucifixo  devocional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura no teto da igreja ====&lt;br /&gt;
O teto em caixotões da nave principal da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja conventual beneditina em Barcelos, constitui um dos elementos mais notáveis do seu programa decorativo. Executado em painéis de madeira nobre, encontra-se revestido por pinturas a óleo de temática religiosa, representando episódios da vida de São Bento e outras cenas devocionais.&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|thumb|Pintura no teto da igreja]]&lt;br /&gt;
Estas pinturas são geralmente atribuídas a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731) ou ao seu círculo próximo, com base em semelhanças estilísticas com os painéis de azulejo da mesma igreja. A obra revela um traço delicado e meticuloso, evocando por vezes o espírito das iluminuras medievais, com influência de modelos como o Beato Angélico. O uso de cores vivas, bem conservadas, e a qualidade técnica geral evidenciam a mestria dos artistas envolvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A excecional preservação destas pinturas foi já destacada em fontes do século XIX e reafirmada por técnicos da Direção-Geral dos Monumentos Nacionais durante os trabalhos de restauro realizados na década de 1970. A simples remoção de sujidade revelou a riqueza cromática e a integridade dos caixotões pintados, demonstrando a durabilidade da técnica empregue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste, as pinturas originais do teto da capela-mor foram cobertas com cal em data incerta, o que comprometeu grande parte do seu valor artístico. Intervenções de recuperação no século XX permitiram a remoção parcial da cal e a aplicação de cera protetora, embora muitos danos sejam considerados irreversíveis. Procedimentos semelhantes foram aplicados à sacristia e áreas anexas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tetos dos coros, inferior e superior, não apresentam decoração pictórica. Originalmente pintados com tinta cinzenta, foram restaurados com tratamento a cera, refletindo uma estética sóbria e alinhada com o ideal monástico de humildade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura devocional ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Título / Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Descrição / Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor / Escola&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Data / Época&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Regresso da Sagrada Família do Egito&lt;br /&gt;
|Pintura com grande expressividade, cores vivas,  vestes esvoaçantes. Representa a Divina Pastora.&lt;br /&gt;
|Possivelmente António de Oliveira Bernardes ou  escola&lt;br /&gt;
|Início do século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte&lt;br /&gt;
|Santa Gertrudes&lt;br /&gt;
|Beneditina, reformadora, representada com o Menino  Jesus no coração.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul&lt;br /&gt;
|Santa Escolástica&lt;br /&gt;
|Irmã de São Bento, cofundadora das Beneditinas.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Arcanjo do Juízo Final&lt;br /&gt;
|Inspirado na carta aos Tessalonicenses (1 Tsl. 4,  12-27).&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Morte de Santa Teresa de Jesus&lt;br /&gt;
|Santa espanhola, reformadora do Carmelo. Pintura  italiana.&lt;br /&gt;
|Atribuído a Bernini por crítico da Fundação  Gulbenkian&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|O Rosto do Senhor (Véu da Verónica)&lt;br /&gt;
|Reprodução autenticada pelo Vaticano.&lt;br /&gt;
|Reprodução&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Ex-voto de S. Bento da Portaria&lt;br /&gt;
|Relata milagre de cura a António José.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Baixo&lt;br /&gt;
|Santa Águeda&lt;br /&gt;
|Pintura em tábua, virgem e mártir da província de  Catânia.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|séc. XVII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Santa Luzia&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Ascenção do Senhor&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Talha ====&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço, destaca-se pelo seu valioso conjunto de talha dourada, considerado um dos mais significativos da arte sacra portuguesa do início do século XVIII. Este conjunto tem sido objeto de estudo por diversos investigadores, entre os quais se destaca Robert Smith, especialista em arte portuguesa, que atribuiu a autoria da talha a Ambrósio Coelho, entalhador natural da freguesia de São Paio de Carvalhal, no concelho de Barcelos. &lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|Púlpito ]]&lt;br /&gt;
O estilo decorativo da talha é descrito pelo Cónego Dr. Luciano dos Santos, presidente da Comissão de Arte Sacra de Braga, como pertencente a um “renascimento muito ornamentado”. Apesar de algumas interpretações sugerirem uma fase de transição entre o Renascimento e o Barroco, a maioria dos estudiosos considera que a talha se insere no estilo joanino, do reinado de D. João V. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os retábulos colaterais, dispostos em ângulo nas paredes laterais da nave, apresentam planta côncava e eixo único, sendo rematados por arquivoltas com decoração vegetalista. Cada retábulo possui um nicho central com imaginária, enquadrado por colunas pseudosalomónicas, características do barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela mor é coberta por abóbada semelhante à da nave e apresenta um retábulo-mor em talha dourada, de planta côncava, também com eixo único e remate em arquivolta. No centro, encontra-se a tribuna com trono, enquadrada por colunas pseudosalomónicas, entre as quais se dispõem peanhas com imagens devocionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pisos ====&lt;br /&gt;
A Igreja desenvolve-se num único piso ao nível do rés-do-chão, originalmente revestido com lajedo de pedra. Este revestimento estendia-se também à sacristia e aos corredores laterais da capela mor, onde se encontra cantaria mais elaborada, possivelmente com acabamento mais fino, condizente com o embasamento das escadas e da base do altar. Durante a década de 1930, o pavimento em pedra foi coberto com soalho de madeira, numa tentativa de melhorar o conforto térmico no interior do templo.&lt;br /&gt;
[[File:Coro.png|thumb|286x286px|Coro baixo e alto]]&lt;br /&gt;
O coro baixo, reservado à participação litúrgica das religiosas em clausura, não apresenta lajedo original, o que sugere uma construção posterior ou com finalidade diferente. Conservam-se ainda elementos associados à prática da reconciliação penitencial, como pequenas janelas embutidas na parede norte. Estes vãos permitiam o contacto entre as religiosas e o confessor, mantendo a separação imposta pela clausura. Alguns desses vãos foram reabertos durante as intervenções realizadas no século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto é de grandes dimensões, projetado para acomodar mais de uma centena de religiosas. Possui pavimento em madeira e um falso teto que separa os dois coros. Durante os trabalhos de restauro do edifício, foi proposta a substituição do soalho do coro alto por uma laje de cimento revestida a madeira, com o objetivo de reforçar a estrutura e preservar a harmonia estética do espaço. Esta intervenção visava também resolver problemas funcionais relacionados com a existência de um armazém arrendado sob o coro, situação considerada inadequada do ponto de vista litúrgico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modificações estilísticas na Igreja de Nossa Senhora do Terço ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções e Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Influência das modas e  intervenções passadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados (séc. XX)  pintados de branco, quebrando a harmonia arquitetónica. - “Capacetes” de  madeira substituíram baldaquinos de damasco.- No séc. XIX, acrescentaram-se  sanefas e elementos decorativos em madeira nos arcos triunfais, obscurecendo  a estrutura original.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções de 1966 a 1970 –  Recuperação da traça original&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Retirada de elementos estranhos  ao estilo original: sanefas, guarnições de madeira, topo do sacrário  substituído por gruta com figuras em terracota. - Peças de pouca qualidade  recolhidas e armazenadas no coro e compartimentos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Altares vazados e frontais&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados transferidos para  o coro. - Perda dos frontais originais; um possivelmente reaproveitado na  capela de São Bento da Buraquinha. - Novos frontais construídos em madeira de  castanho, pintados em sintonia com a paleta cromática da igreja.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Adaptação às normas do Concílio  Vaticano II&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Centralização do culto no novo  Altar do Sacrifício. - Mesas dos três altares cortadas e reutilizadas como  nichos no novo altar central. - Grade da comunhão removida.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tribuna e elementos decorativos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Pinturas florais no fundo do  retábulo refeitas com base em vestígios originais (tons de cinzento com  flores discretas). - Telão do Coração de Jesus e Santa Margarida Maria  Alacoque removido por destoar estilisticamente; degraus restaurados e  pintados de dourado.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Uso da tribuna pelas religiosas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- A tribuna foi usada como espaço  de exposição do Santíssimo Sacramento, acessível pela porta inferior. - Não  se sabe ao certo desde quando essa prática ocorria.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Restauro geral e cuidados  estéticos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Limpeza dos tetos, recuperação  das cantarias, portas interiores, balaustradas, ferragens, candeeiros e  tintas escolhidas com critério estético e histórico.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Imagens sacras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Imagem moderna de São Bento  deslocada para o coro, substituída por escultura antiga. - Imagem de Santa  Luzia restaurada em Braga.- Imagens do Coração de Jesus e de São José  adaptadas antes da colocação.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Aspirações futuras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Recuperação do lajedo da nave  principal ainda pendente. - Novo Altar do Sacrifício destaca-se pela  simplicidade e contribui para a beleza do conjunto.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia dos Restauros ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Ano/Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções Realizadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1966&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início da campanha de restauro  para devolver à igreja o estilo original. - Retirada de sanefas e guarnições  de madeira que ocultavam elementos arquitetónicos. - Substituição da peça  superior do sacrário por uma gruta com figuras em terracota.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1967–1968&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Retirada dos altares vazados do  início do séc. XX e transferência para o coro. - Confeção de dois frontais em  madeira de castanho para os altares laterais, pintados conforme as cores  dominantes da igreja. - Substituição de imagens modernas por outras antigas  de valor artístico (ex.: imagem antiga de S. Bento).&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1969&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Preparação para o restauro  estrutural profundo. - Envolvimento da Delegação Norte dos Monumentos  Nacionais (Arq. Silva Bessa). - Obra autorizada a ser feita “a jornal” por  mestres locais após desistência de empreiteiros.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Verão de 1970&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início oficial das grandes obras.  - Nova cobertura em placa de cimento armado. - Instalação de telhados novos  em telha especial patinada.- Verificação da boa conservação das estruturas de  madeira originais. - Travamento das paredes com anéis de ferro, cimento e  cabos de aço.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1971&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Reboque e pintura da fachada  sul com materiais adequados. - Restauro do coro alto (escadas novas, reboco e  enceramento do teto). - Confeção de cinco portas exteriores em madeira de  castanho envelhecido. - Nova porta da sacristia em madeira de mimosa seca.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Primavera de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Conclusão da 2.ª fase das obras.  - Construção do novo Altar do Sacrifício ao centro da capela-mor, conforme o  Concílio Vaticano II.- Retirada da grade da comunhão e adaptação do arco cruzeiro.  - Lavagens profundas da cantaria e construção de armários laterais de apoio.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1 de julho de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Visita oficial do Arcebispo  Primaz, D. Francisco Maria da Silva. - Planeamento da 3.ª fase: colocação da  placa do coro alto e instalação de iluminação museológica.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  Fontes e Bibliografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Recursos Digitais ==&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural. Disponível em: https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/igreja-da-nossa-senhora-do-terco-barcelos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Confraria da Nossa Senhora do Terço. Disponível em: https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Câmara Municipal de Barcelos. Disponível em: https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Paroquia de Barcelos de Santa Maria Maior. Disponível em: https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site do Instituto Público Património Cultural. Disponível em: https://imovel.patrimoniocultural.gov.pt/detalhes.php?code=73204&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=455</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=455"/>
		<updated>2025-05-16T22:11:14Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: /* Talha */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação ====&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade das freiras beneditinas que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em Monção. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela Guerra da Restauração, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, D. Pedro II determinou o acolhimento provisório das religiosas no Seminário de São Pedro, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao Arcebispo Primaz de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a 14 de agosto de 1707, e ficou concluída em 1713, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a 11 de julho de 1713, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a 12 mil cruzados. Em 1707, foi nomeado Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em grande quadrilátero, implantado no atual Largo 5 de Outubro (antigo Campo dos Touros), onde se localizavam a portaria e o acesso à cerca. A ala sul acompanhava o traçado da atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, destacando-se o frontispício da igreja, voltado para o antigo Campo da Feira. No extremo sul, erguiam-se dois mirantes, sendo o do lado poente construído em ângulo reto entre o convento, o largo e a antiga estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao centro, dispunha-se um claustro, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma cerca com cerca de seis metros de altura, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Inauguração e permanência ====&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos pertencia ao ramo das chamadas &amp;quot;Gertrudinas Adoradoras&amp;quot;, corrente espiritual originada no século XIV com as reformas introduzidas por Santa Gertrudes, que promoveu a adoração eucarística contínua no seio da Ordem de São Bento. Esta corrente distinguia-se da tradição conservadora das &amp;quot;Escolásticas&amp;quot;, mantendo-se fiel à regra primitiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Saída das religiosas e destruição do Mosteiro ====&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, D. Pedro IV decretou, em 1834, a extinção das ordens religiosas em Portugal. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro Beneditino de Barcelos foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em Espanha, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em 1842, apenas duas religiosas permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de Viana do Castelo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por D. Maria II, confirma a realização de um leilão a 20 de novembro de 1843.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a desamortização, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A cerca sul foi demolida para dar lugar à atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2004, foi inaugurado o Centro Comercial e Hotel do Terço, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas quatro arcos de volta perfeita, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo claustro, hoje integrados no pátio do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um andar superior em galeria, com cobertura em madeira suportada por colunas toscanas sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os vãos de portas e janelas quadrangulares, com emolduramentos em cantaria, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
A Igreja da Nossa Senhora do Terço localiza-se na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, no centro histórico de Barcelos, Portugal (Coordenadas: 41.534200, -8.619500). Nas imediações situam-se diversos edifícios de relevo histórico e cultural, nomeadamente a Igreja Matriz de Barcelos (41.532462, -8.618856), o Paço dos Condes de Barcelos, atual Museu Arqueológico (41.533123, -8.618735), a Câmara Municipal de Barcelos (41.532356, -8.620407) e o antigo Convento do Menino Deus dos Maristas (41.531800, -8.621900).  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A poucos metros encontra-se o Templo do Bom Jesus da Cruz (41.535416, -8.617325), erguido no início do século XVIII, exemplar da arquitetura barroca. Este templo é central nas celebrações da Festa das Cruzes, festividade emblemática do concelho.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exterior ===&lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|Remate do portal]]&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta de disposição retangular e transversal, integrando diversos espaços funcionais alinhados ao longo de um eixo longitudinal: antigas dependências do convento, coro, nave única, capela mor profunda e sacristia. A volumetria destaca-se pela orientação horizontal, conferindo equilíbrio e sobriedade ao conjunto arquitetônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada principal, de traço simples e harmonioso, é rebocada e pintada de branco, assente sobre uma base de cantaria. Organiza-se em dois registos distintos e é rematada, ao centro, por uma cruz latina de braços trilobados. No registo inferior, sobressai o portal principal em arco de volta perfeita, construído em cantaria granítica e decorado com as armas reais na pedra de fecho. Este é ladeado por pilastras toscanas que sustentam um entablamento sóbrio, sobre o qual se encontra um nicho com a imagem da Virgem. Este nicho prolonga-se para o registo superior, sendo enquadrado por aletas e pináculos decorativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À esquerda, existe um segundo portal, também em arco de volta perfeita, mais modesto, ladeado por pilastras com pináculos e rematado por uma cornija semicircular encimada por uma cruz. Em redor encontram-se cartelas com inscrições comemorativas, adornadas com molduras volutadas típicas do barroco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No registo superior, abrem-se janelas gradeadas em capialço, incluindo uma janela de sacada com guarda em ferro forjado. O portal principal constitui o elemento de maior destaque, com arco de volta perfeita, pilastras simples, entablamento discreto e cornija proeminente. Sobre esta, dois pináculos bulbosos enquadram um nicho concheado com a escultura em pedra de Nossa Senhora da Conceição, adornado com volutas invertidas de desenho invulgar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima do portal, observa-se um brasão de armas de Portugal esculpido em alto-relevo, encimado por coroa real e inserido numa cartela em forma de couro. Sobre a balaustrada, ergue-se uma cruz em granito. No extremo leste da fachada, localiza-se uma sineira geminada de feição simples.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Programa artístico e seu ator ====&lt;br /&gt;
[[File:Pintura 1.png|thumb|Pintura a óleo ]]&lt;br /&gt;
O programa artístico da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja do convento das beneditinas de Barcelos, é geralmente atribuído a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731), um dos mais importantes mestres da azulejaria portuguesa do final do século XVII e início do século XVIII. Reconhecido pela sua versatilidade e pelo papel central na consolidação de uma escola de pintura sobre azulejo, Bernardes também se destacou na pintura a óleo sobre madeira, tela e barro. A sua oficina viria a formar diversos artistas, incluindo os seus filhos, Policarpo e Inácio Bernardes, que deram continuidade ao legado artístico da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja do Terço, a autoria de Bernardes é atribuída tanto ao conjunto de azulejos como a outras componentes decorativas do interior, num projeto coeso que parece ter sido concebido em sua totalidade pelo mestre ou sob a sua supervisão. Integradas nesse programa decorativo encontram-se seis telas de grandes dimensões com molduras douradas. Quatro permanecem na nave central e uma, de especial valor artístico, representa o regresso da Sagrada Família do Egito, colocada na capela mor. Duas outras telas originalmente pertencentes à capela mor terão desaparecido durante as Invasões Francesas, tendo os seus espaços sido preenchidos por composições em gesso de época posterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas a óleo do teto da nave principal, executadas sobre madeira nobre, apresentam afinidades estilísticas com os painéis de azulejo e são também atribuídas a António de Oliveira Bernardes. No entanto, pequenas variações formais sugerem a colaboração de outros membros da oficina, algo comum nas práticas artísticas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo notável desta colaboração é o par de painéis da capela mor que representam o lançamento da primeira pedra e a inauguração da igreja, assinados com as iniciais “P. M. P.”, de autor ainda não identificado. A assinatura completa poderá ter sido ocultada por um altar lateral posteriormente adicionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Azulejo ====&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo 2.jpg|thumb|Pormenor de azulejo]]&lt;br /&gt;
Datado de 1713, conforme inscrição identificada num friso de azulejos, o conjunto azulejar da Igreja de Nossa Senhora do Terço é atribuído a António de Oliveira Bernardes, um dos mais destacados mestres da azulejaria barroca portuguesa. Este programa decorativo integra-se plenamente na tradição artística e pedagógica do barroco, articulando espiritualidade, narrativa e simbolismo visual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os painéis de azulejos retratam episódios da vida de São Bento, enfatizando momentos da sua juventude, milagres e cenas que ilustram os princípios da Regra Beneditina, como a oração, o trabalho e a disciplina. As composições apresentam grande dimensão e forte impacto visual, revestindo integralmente os muros da nave da igreja. O cromatismo dominante é o azul cobalto sobre fundo branco, característico da azulejaria portuguesa do período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado sul, destacam-se janelas fingidas que simulam vãos reais, criando um efeito ilusionista acentuado por reflexos amarelados que imitam a luz solar. Este recurso decorativo contribui para uma atmosfera envolvente no espaço interior, reforçando a unidade simbólica do conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O programa iconográfico inclui ainda um ciclo de emblemas inspirados nas obras do beneditino Frei João dos Prazeres: &#039;&#039;O Príncipe dos Patriarcas S. Bento&#039;&#039; (1683) e &#039;&#039;Segundo Tomo de sua Vida&#039;&#039; (1690)&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;N.º  Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema  / Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  do Coro&lt;br /&gt;
|1  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|S.  Bento recebe pastores e jovens que desejam seguir o seu exemplo de vida  austera e solitária.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|2  (Centro)&lt;br /&gt;
|S.  Bento rola-se nos silvedos, em penitência, para dominar as tentações da  carne.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|3  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|O  corvo, seu companheiro, leva um pão envenenado para longe, evitando o atentado  de Florêncio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  Norte&lt;br /&gt;
|4  (Junto ao Coro)&lt;br /&gt;
|Monges  constroem um mosteiro. Um demónio torna uma pedra pesada; S. Bento  exorciza-o.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|5  (Antes do Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tentativa  de envenenamento com uma bilha. S. Bento abençoa-a, dela sai uma serpente.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|6  (Sobre o Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tótila  envia um falso rei. S. Bento reconhece a farsa e desmascara o impostor.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|7  (Sobre o Altar)&lt;br /&gt;
|Tótila  visita S. Bento, é perdoado e o santo profetiza-lhe o futuro (9 anos de  reinado).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|8  (Depois do Púlpito)&lt;br /&gt;
|O  lema “Ora et labora” ilustrado com monges a orar e a trabalhar no Monte  Cassino.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Capela-Mor&lt;br /&gt;
|9  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|Lançamento  da 1.ª pedra do convento por D. Rodrigo de Moura Teles, em 14 de agosto de  1707.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|10  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|Inauguração  do convento em 1713, com cortejo das freiras e presença figurada de D. João  V.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|11  (Parte superior de ambas as paredes)&lt;br /&gt;
|Espaço  decorativo com fundo de gesso e desenhos entre janelas, reais e fingidas.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lições&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Interpretação Final&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1 - O  Dragão das Sete Cabeças&lt;br /&gt;
|Non  extingvetvr igne. = Não se extingue nem com o fogo.  Só com o amor  divino se extingue o amor profano.&lt;br /&gt;
|O dragão  é o amor profano, os vícios capitais; só o amor divino pode vencê-lo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2 - O  Meu Vestuário&lt;br /&gt;
|A gosto,  e à medida.  A eleição do hábito há de ser voluntária.&lt;br /&gt;
|O hábito  simboliza a vocação, que deve ser bem escolhida e vivida com entusiasmo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3 - O  Feio Pássaro&lt;br /&gt;
|Ne  pereat immunitas. = Para que não pereça a perfeita clausura.  O sagrado  da clausura não se viola só pelas portas.&lt;br /&gt;
|O  pássaro é o demónio tentador, e a clausura protege contra tentações internas  e externas.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4 - O  Sol, Atracção das Águias&lt;br /&gt;
|Probantur  ut coronentur. = São provadas para serem coroadas.  A observância da  regra de S. Bento é caminho de salvação.&lt;br /&gt;
|O Sol é  Deus e as almas virtuosas voam para Ele como prêmio da vida santa.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5 - O  Galo Vaidoso&lt;br /&gt;
|Se ipsum  conspurcat. = Suja-se a si mesmo.  Só se compõem bem quem se vê ao  Divino Espelho.&lt;br /&gt;
|A  vaidade afasta-nos de Deus; o verdadeiro espelho é Cristo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6 - A  Árvore e a Ovelha&lt;br /&gt;
|Adumbrat  et alit. = Dá sombra e alimenta.  O Religioso tudo tem na Religião.&lt;br /&gt;
|A árvore  é o convento que sustenta espiritualmente os seus membros, como a Providência  sustenta os fiéis.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|7 - O  Rapaz do Copo Quebrado&lt;br /&gt;
|Facile  conciliantur. = Facilmente se conciliam.  Na Religião não há de haver  ódios.&lt;br /&gt;
|O vaso  representa a harmonia; deve haver reconciliação fácil na vida religiosa e  social.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|8 - O  Chicote e o Freio&lt;br /&gt;
|Non  sufficit unum. = Não basta um só.  Não se pode conservar a Religião sem  castigo.&lt;br /&gt;
|O freio  representa a correção e o chicote a punição quando há desobediência.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|9 - A  Foucinha Cega&lt;br /&gt;
|Impossibilia  superat. = Supera o impossível.  A obediência há de ser cega.&lt;br /&gt;
|A  foucinha cega simboliza a obediência perfeita, sem hesitações ou dúvidas  interiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|10 - As  Flores Perfumadas&lt;br /&gt;
|Quia  olet. = Porque cheira bem.  A inveja na Religião há de ser para imitar e  não para destruir.&lt;br /&gt;
|As  virtudes devem inspirar imitação e não inveja destrutiva.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel  / Lição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Latim)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Tradução)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  2&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  Final (Resumo)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|11.°  - O SOL NÃO DESCANSA&lt;br /&gt;
|Non  Qviescit&lt;br /&gt;
|Não  descansa&lt;br /&gt;
|Na  Religião não há de haver ociosidade&lt;br /&gt;
|Trabalho  é honra e ordem do Criador; símbolo da atividade constante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|12.°  - CHOVEM RAIOS E TEMPESTADES&lt;br /&gt;
|Fortior  in Adversarios&lt;br /&gt;
|Mais  forte contra os adversários&lt;br /&gt;
|Quanto  as tentações forem mais fortes, mais forte há de ser a resistência&lt;br /&gt;
|A  alma deve resistir com força aos inimigos; milícia é a vida do homem&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|13.°  - UMA AVE VOANDO&lt;br /&gt;
|Né  sucvmbat&lt;br /&gt;
|Para  que não sucumba&lt;br /&gt;
|Há  de voar o espírito para o corpo não sentir os rigores da Religião&lt;br /&gt;
|A  alma Religiosa eleva-se até Deus; exemplo de Santa Teresa e S. João da Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|14.°  - UM CHAFARIZ A PRESSÃO&lt;br /&gt;
|Quo  pressa altivs&lt;br /&gt;
|Quanto  mais oprimida mais alto sobe&lt;br /&gt;
|A  humildade na Religião é a que faz avultar a virtude&lt;br /&gt;
|Humildade  é base da santidade; mais pressão, maior elevação espiritual&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|15.°  - NUTRIDA OVELHA ATRAI CHACAIS&lt;br /&gt;
|In  odorem cvrrimvs&lt;br /&gt;
|Corremos  atraídos pelo bom cheiro&lt;br /&gt;
|A  Religião há de se buscar pela fama da sua virtude&lt;br /&gt;
|Virtude  atrai os outros à fé; como S. Bento atraiu muitos à religião&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|16.°  - A VACA DO LAVRADOR&lt;br /&gt;
|Tv  cede&lt;br /&gt;
|Tu  cede&lt;br /&gt;
|Não  há de o Religioso querer que toda a gente ande ao seu passo&lt;br /&gt;
|Aceitar  as diferenças; ajudar os mais lentos com paciência e caridade&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|17.°  - CASA SEM COBERTURA&lt;br /&gt;
|Sine  cvlmine corrvit&lt;br /&gt;
|Sem  o cume desmorona-se&lt;br /&gt;
|Não  se conserva a virtude sem a oração&lt;br /&gt;
|Sem  oração, tudo desmorona; oração é vida da perfeição&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|18.°  - O SOL QUE ILUMINA E PENETRA&lt;br /&gt;
|Non  oltra vires&lt;br /&gt;
|Não  além das forças de cada qual&lt;br /&gt;
|O  superior deve tomar conhecimento individual dos súbditos&lt;br /&gt;
|Superior  deve conhecer os seus para orientá-los segundo suas capacidades&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|19.°  - O SOL DA LADEIRA&lt;br /&gt;
|Allevat  et vexat&lt;br /&gt;
|Eleva  e humilha&lt;br /&gt;
|O  superior, assim como castiga, há de premiar&lt;br /&gt;
|Superior  deve agir com justiça e equilíbrio entre castigo e prémio&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|20.°  - O FLORIDO ARBUSTO&lt;br /&gt;
|Non  ex omni flore cárpitv mel&lt;br /&gt;
|Nem  de toda a flor se colhe mel&lt;br /&gt;
|Nem  sempre há de achar o superior igual procedimento nos súbditos&lt;br /&gt;
|Nem  todos os súbditos procedem da mesma forma; usar compreensão e realismo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens devocionais ====&lt;br /&gt;
As imagens e elementos decorativos do interior da igreja exercem uma dupla função: evidenciam, por um lado, um notável valor estético e patrimonial, refletindo o cuidado artístico da época barroca; por outro, assumem uma função devocional, ao inspirarem fé, recolhimento e ligação ao sagrado entre os fiéis que ali acorrem para oração.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Nome  da Imagem&lt;br /&gt;
|Material  / Estilo / Datação&lt;br /&gt;
|Altura  (m)&lt;br /&gt;
|Observações&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. dir.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada e dourada; séc. XVII (1.ª metade)&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Padroeira  primitiva&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. centro&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; meados do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Abadia&lt;br /&gt;
|Pedra  policromada; séc. XV-XVI, influência francesa&lt;br /&gt;
|1,00&lt;br /&gt;
|Proveniente  das muralhas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|São  Vicente Ferrer&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada com mulher aos pés; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – junto ao sacrário&lt;br /&gt;
|Coração  de Jesus e São José&lt;br /&gt;
|Terracota;  2.ª metade do séc. XX&lt;br /&gt;
|0,63&lt;br /&gt;
|Imagens  provisórias&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – porta do sacrário&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão (alto-relevo)&lt;br /&gt;
|Madeira;  alto-relevo&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Ressuscitado  e triunfal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – sobre o sacrário&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – centro&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada, policromada; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,97&lt;br /&gt;
|Titular  desde 1846&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (grande)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; dourado antigo; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,76&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (pequena)&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,33&lt;br /&gt;
|Muito  apreciada&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – centro&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,18&lt;br /&gt;
|Segundo  titular&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  – imagem adicional&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|1,55&lt;br /&gt;
|Substituída  após obras&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Escolástica&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada com ouro; finais séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,08&lt;br /&gt;
|Irmã  de S. Bento&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – centro&lt;br /&gt;
|Senhor  do Perdão&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo gótico; séc. XV&lt;br /&gt;
|1,90  x 1,70&lt;br /&gt;
|Expressão  comovente&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – lado&lt;br /&gt;
|São  João Evangelista&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; início do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Discípulo  amado&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – centro (em alto)&lt;br /&gt;
|Santíssima  Trindade&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,90&lt;br /&gt;
|Sobre  oratório do mesmo século&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – no oratório&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora (Virgem e Mãe)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Muito  bela&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna&lt;br /&gt;
|Senhor  da Cana Verde&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|1,16&lt;br /&gt;
|Escarnecido  pelos soldados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – sobre cómoda&lt;br /&gt;
|São  Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,66&lt;br /&gt;
|Fundador  dos Franciscanos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna alta&lt;br /&gt;
|Busto  de São Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada, articulado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Desfeito  após 1970&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – cómoda&lt;br /&gt;
|Santa  Filomena&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|Virgem  e mártir&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto&lt;br /&gt;
|Crucifixo  Semana Santa&lt;br /&gt;
|Madeira  (cruz recente); imagem antiga&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Muito  expressivo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Coração  de Maria&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,35&lt;br /&gt;
|Sobre  peanha&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|São  José&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada&lt;br /&gt;
|0,25&lt;br /&gt;
|Muito  pequeno&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|3  Crucifixos e castiçais&lt;br /&gt;
|Madeira  dourada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,50  (cruzes), 0,70 (pés)&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Presépio  com 10 figuras&lt;br /&gt;
|Terracota;  cenário reaproveitado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Gruta  original do sacrário&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Senhor  da Boa Morte&lt;br /&gt;
|Madeira;  estilo gótico&lt;br /&gt;
|Tamanho  natural&lt;br /&gt;
|Rosto  suave&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – frontispício&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Com  coroa e escudo reais&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – portaria do convento&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Escudo  aos pés&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – capela / oratório&lt;br /&gt;
|Senhor  dos Aflitos&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|1,15  (imagem); 2,00 x 1,00 (cruz)&lt;br /&gt;
|Crucifixo  devocional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura no teto da igreja ====&lt;br /&gt;
O teto em caixotões da nave principal da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja conventual beneditina em Barcelos, constitui um dos elementos mais notáveis do seu programa decorativo. Executado em painéis de madeira nobre, encontra-se revestido por pinturas a óleo de temática religiosa, representando episódios da vida de São Bento e outras cenas devocionais.&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|thumb|Pintura no teto da igreja]]&lt;br /&gt;
Estas pinturas são geralmente atribuídas a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731) ou ao seu círculo próximo, com base em semelhanças estilísticas com os painéis de azulejo da mesma igreja. A obra revela um traço delicado e meticuloso, evocando por vezes o espírito das iluminuras medievais, com influência de modelos como o Beato Angélico. O uso de cores vivas, bem conservadas, e a qualidade técnica geral evidenciam a mestria dos artistas envolvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A excecional preservação destas pinturas foi já destacada em fontes do século XIX e reafirmada por técnicos da Direção-Geral dos Monumentos Nacionais durante os trabalhos de restauro realizados na década de 1970. A simples remoção de sujidade revelou a riqueza cromática e a integridade dos caixotões pintados, demonstrando a durabilidade da técnica empregue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste, as pinturas originais do teto da capela-mor foram cobertas com cal em data incerta, o que comprometeu grande parte do seu valor artístico. Intervenções de recuperação no século XX permitiram a remoção parcial da cal e a aplicação de cera protetora, embora muitos danos sejam considerados irreversíveis. Procedimentos semelhantes foram aplicados à sacristia e áreas anexas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tetos dos coros, inferior e superior, não apresentam decoração pictórica. Originalmente pintados com tinta cinzenta, foram restaurados com tratamento a cera, refletindo uma estética sóbria e alinhada com o ideal monástico de humildade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura devocional ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Título / Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Descrição / Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor / Escola&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Data / Época&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Regresso da Sagrada Família do Egito&lt;br /&gt;
|Pintura com grande expressividade, cores vivas,  vestes esvoaçantes. Representa a Divina Pastora.&lt;br /&gt;
|Possivelmente António de Oliveira Bernardes ou  escola&lt;br /&gt;
|Início do século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte&lt;br /&gt;
|Santa Gertrudes&lt;br /&gt;
|Beneditina, reformadora, representada com o Menino  Jesus no coração.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul&lt;br /&gt;
|Santa Escolástica&lt;br /&gt;
|Irmã de São Bento, cofundadora das Beneditinas.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Arcanjo do Juízo Final&lt;br /&gt;
|Inspirado na carta aos Tessalonicenses (1 Tsl. 4,  12-27).&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Morte de Santa Teresa de Jesus&lt;br /&gt;
|Santa espanhola, reformadora do Carmelo. Pintura  italiana.&lt;br /&gt;
|Atribuído a Bernini por crítico da Fundação  Gulbenkian&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|O Rosto do Senhor (Véu da Verónica)&lt;br /&gt;
|Reprodução autenticada pelo Vaticano.&lt;br /&gt;
|Reprodução&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Ex-voto de S. Bento da Portaria&lt;br /&gt;
|Relata milagre de cura a António José.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Baixo&lt;br /&gt;
|Santa Águeda&lt;br /&gt;
|Pintura em tábua, virgem e mártir da província de  Catânia.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|séc. XVII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Santa Luzia&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Ascenção do Senhor&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Talha ====&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço, destaca-se pelo seu valioso conjunto de talha dourada, considerado um dos mais significativos da arte sacra portuguesa do início do século XVIII. Este conjunto tem sido objeto de estudo por diversos investigadores, entre os quais se destaca Robert Smith, especialista em arte portuguesa, que atribuiu a autoria da talha a Ambrósio Coelho, entalhador natural da freguesia de São Paio de Carvalhal, no concelho de Barcelos. &lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|Púlpito ]]&lt;br /&gt;
O estilo decorativo da talha é descrito pelo Cónego Dr. Luciano dos Santos, presidente da Comissão de Arte Sacra de Braga, como pertencente a um “renascimento muito ornamentado”. Apesar de algumas interpretações sugerirem uma fase de transição entre o Renascimento e o Barroco, a maioria dos estudiosos considera que a talha se insere no estilo joanino, do reinado de D. João V. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os retábulos colaterais, dispostos em ângulo nas paredes laterais da nave, apresentam planta côncava e eixo único, sendo rematados por arquivoltas com decoração vegetalista. Cada retábulo possui um nicho central com imaginária, enquadrado por colunas pseudosalomónicas, características do barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela mor é coberta por abóbada semelhante à da nave e apresenta um retábulo-mor em talha dourada, de planta côncava, também com eixo único e remate em arquivolta. No centro, encontra-se a tribuna com trono, enquadrada por colunas pseudosalomónicas, entre as quais se dispõem peanhas com imagens devocionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pisos ====&lt;br /&gt;
A Igreja desenvolve-se num único piso ao nível do rés-do-chão, originalmente revestido com lajedo de pedra. Este revestimento estendia-se também à sacristia e aos corredores laterais da capela mor, onde se encontra cantaria mais elaborada, possivelmente com acabamento mais fino, condizente com o embasamento das escadas e da base do altar. Durante a década de 1930, o pavimento em pedra foi coberto com soalho de madeira, numa tentativa de melhorar o conforto térmico no interior do templo.&lt;br /&gt;
[[File:Coro.png|thumb|286x286px|Coro baixo e alto]]&lt;br /&gt;
O coro baixo, reservado à participação litúrgica das religiosas em clausura, não apresenta lajedo original, o que sugere uma construção posterior ou com finalidade diferente. Conservam-se ainda elementos associados à prática da reconciliação penitencial, como pequenas janelas embutidas na parede norte. Estes vãos permitiam o contacto entre as religiosas e o confessor, mantendo a separação imposta pela clausura. Alguns desses vãos foram reabertos durante as intervenções realizadas no século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto é de grandes dimensões, projetado para acomodar mais de uma centena de religiosas. Possui pavimento em madeira e um falso teto que separa os dois coros. Durante os trabalhos de restauro do edifício, foi proposta a substituição do soalho do coro alto por uma laje de cimento revestida a madeira, com o objetivo de reforçar a estrutura e preservar a harmonia estética do espaço. Esta intervenção visava também resolver problemas funcionais relacionados com a existência de um armazém arrendado sob o coro, situação considerada inadequada do ponto de vista litúrgico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modificações estilísticas na Igreja de Nossa Senhora do Terço ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções e Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Influência das modas e  intervenções passadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados (séc. XX)  pintados de branco, quebrando a harmonia arquitetónica. - “Capacetes” de  madeira substituíram baldaquinos de damasco.- No séc. XIX, acrescentaram-se  sanefas e elementos decorativos em madeira nos arcos triunfais, obscurecendo  a estrutura original.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções de 1966 a 1970 –  Recuperação da traça original&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Retirada de elementos estranhos  ao estilo original: sanefas, guarnições de madeira, topo do sacrário  substituído por gruta com figuras em terracota. - Peças de pouca qualidade  recolhidas e armazenadas no coro e compartimentos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Altares vazados e frontais&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados transferidos para  o coro. - Perda dos frontais originais; um possivelmente reaproveitado na  capela de São Bento da Buraquinha. - Novos frontais construídos em madeira de  castanho, pintados em sintonia com a paleta cromática da igreja.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Adaptação às normas do Concílio  Vaticano II&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Centralização do culto no novo  Altar do Sacrifício. - Mesas dos três altares cortadas e reutilizadas como  nichos no novo altar central. - Grade da comunhão removida.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tribuna e elementos decorativos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Pinturas florais no fundo do  retábulo refeitas com base em vestígios originais (tons de cinzento com  flores discretas). - Telão do Coração de Jesus e Santa Margarida Maria  Alacoque removido por destoar estilisticamente; degraus restaurados e  pintados de dourado.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Uso da tribuna pelas religiosas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- A tribuna foi usada como espaço  de exposição do Santíssimo Sacramento, acessível pela porta inferior. - Não  se sabe ao certo desde quando essa prática ocorria.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Restauro geral e cuidados  estéticos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Limpeza dos tetos, recuperação  das cantarias, portas interiores, balaustradas, ferragens, candeeiros e  tintas escolhidas com critério estético e histórico.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Imagens sacras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Imagem moderna de São Bento  deslocada para o coro, substituída por escultura antiga. - Imagem de Santa  Luzia restaurada em Braga.- Imagens do Coração de Jesus e de São José  adaptadas antes da colocação.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Aspirações futuras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Recuperação do lajedo da nave  principal ainda pendente. - Novo Altar do Sacrifício destaca-se pela  simplicidade e contribui para a beleza do conjunto.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia dos Restauros ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Ano/Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções Realizadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1966&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início da campanha de restauro  para devolver à igreja o estilo original. - Retirada de sanefas e guarnições  de madeira que ocultavam elementos arquitetónicos. - Substituição da peça  superior do sacrário por uma gruta com figuras em terracota.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1967–1968&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Retirada dos altares vazados do  início do séc. XX e transferência para o coro. - Confeção de dois frontais em  madeira de castanho para os altares laterais, pintados conforme as cores  dominantes da igreja. - Substituição de imagens modernas por outras antigas  de valor artístico (ex.: imagem antiga de S. Bento).&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1969&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Preparação para o restauro  estrutural profundo. - Envolvimento da Delegação Norte dos Monumentos  Nacionais (Arq. Silva Bessa). - Obra autorizada a ser feita “a jornal” por  mestres locais após desistência de empreiteiros.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Verão de 1970&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início oficial das grandes obras.  - Nova cobertura em placa de cimento armado. - Instalação de telhados novos  em telha especial patinada.- Verificação da boa conservação das estruturas de  madeira originais. - Travamento das paredes com anéis de ferro, cimento e  cabos de aço.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1971&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Reboque e pintura da fachada  sul com materiais adequados. - Restauro do coro alto (escadas novas, reboco e  enceramento do teto). - Confeção de cinco portas exteriores em madeira de  castanho envelhecido. - Nova porta da sacristia em madeira de mimosa seca.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Primavera de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Conclusão da 2.ª fase das obras.  - Construção do novo Altar do Sacrifício ao centro da capela-mor, conforme o  Concílio Vaticano II.- Retirada da grade da comunhão e adaptação do arco cruzeiro.  - Lavagens profundas da cantaria e construção de armários laterais de apoio.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1 de julho de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Visita oficial do Arcebispo  Primaz, D. Francisco Maria da Silva. - Planeamento da 3.ª fase: colocação da  placa do coro alto e instalação de iluminação museológica.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  Fontes e Bibliografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Recursos Digitais ==&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural. Disponível em: https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/igreja-da-nossa-senhora-do-terco-barcelos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Confraria da Nossa Senhora do Terço. Disponível em: https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Câmara Municipal de Barcelos. Disponível em: https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Paroquia de Barcelos de Santa Maria Maior. Disponível em: https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site do Instituto Público Património Cultural. Disponível em: https://imovel.patrimoniocultural.gov.pt/detalhes.php?code=73204&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=452</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=452"/>
		<updated>2025-05-16T17:05:10Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: /* Azulejo */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação ====&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade das freiras beneditinas que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em Monção. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela Guerra da Restauração, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, D. Pedro II determinou o acolhimento provisório das religiosas no Seminário de São Pedro, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao Arcebispo Primaz de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a 14 de agosto de 1707, e ficou concluída em 1713, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a 11 de julho de 1713, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a 12 mil cruzados. Em 1707, foi nomeado Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em grande quadrilátero, implantado no atual Largo 5 de Outubro (antigo Campo dos Touros), onde se localizavam a portaria e o acesso à cerca. A ala sul acompanhava o traçado da atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, destacando-se o frontispício da igreja, voltado para o antigo Campo da Feira. No extremo sul, erguiam-se dois mirantes, sendo o do lado poente construído em ângulo reto entre o convento, o largo e a antiga estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao centro, dispunha-se um claustro, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma cerca com cerca de seis metros de altura, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Inauguração e permanência ====&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos pertencia ao ramo das chamadas &amp;quot;Gertrudinas Adoradoras&amp;quot;, corrente espiritual originada no século XIV com as reformas introduzidas por Santa Gertrudes, que promoveu a adoração eucarística contínua no seio da Ordem de São Bento. Esta corrente distinguia-se da tradição conservadora das &amp;quot;Escolásticas&amp;quot;, mantendo-se fiel à regra primitiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Saída das religiosas e destruição do Mosteiro ====&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, D. Pedro IV decretou, em 1834, a extinção das ordens religiosas em Portugal. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro Beneditino de Barcelos foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em Espanha, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em 1842, apenas duas religiosas permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de Viana do Castelo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por D. Maria II, confirma a realização de um leilão a 20 de novembro de 1843.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a desamortização, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A cerca sul foi demolida para dar lugar à atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2004, foi inaugurado o Centro Comercial e Hotel do Terço, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas quatro arcos de volta perfeita, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo claustro, hoje integrados no pátio do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um andar superior em galeria, com cobertura em madeira suportada por colunas toscanas sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os vãos de portas e janelas quadrangulares, com emolduramentos em cantaria, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
A Igreja da Nossa Senhora do Terço localiza-se na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, no centro histórico de Barcelos, Portugal (Coordenadas: 41.534200, -8.619500). Nas imediações situam-se diversos edifícios de relevo histórico e cultural, nomeadamente a Igreja Matriz de Barcelos (41.532462, -8.618856), o Paço dos Condes de Barcelos, atual Museu Arqueológico (41.533123, -8.618735), a Câmara Municipal de Barcelos (41.532356, -8.620407) e o antigo Convento do Menino Deus dos Maristas (41.531800, -8.621900).  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A poucos metros encontra-se o Templo do Bom Jesus da Cruz (41.535416, -8.617325), erguido no início do século XVIII, exemplar da arquitetura barroca. Este templo é central nas celebrações da Festa das Cruzes, festividade emblemática do concelho.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exterior ===&lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|Remate do portal]]&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta de disposição retangular e transversal, integrando diversos espaços funcionais alinhados ao longo de um eixo longitudinal: antigas dependências do convento, coro, nave única, capela mor profunda e sacristia. A volumetria destaca-se pela orientação horizontal, conferindo equilíbrio e sobriedade ao conjunto arquitetônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada principal, de traço simples e harmonioso, é rebocada e pintada de branco, assente sobre uma base de cantaria. Organiza-se em dois registos distintos e é rematada, ao centro, por uma cruz latina de braços trilobados. No registo inferior, sobressai o portal principal em arco de volta perfeita, construído em cantaria granítica e decorado com as armas reais na pedra de fecho. Este é ladeado por pilastras toscanas que sustentam um entablamento sóbrio, sobre o qual se encontra um nicho com a imagem da Virgem. Este nicho prolonga-se para o registo superior, sendo enquadrado por aletas e pináculos decorativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À esquerda, existe um segundo portal, também em arco de volta perfeita, mais modesto, ladeado por pilastras com pináculos e rematado por uma cornija semicircular encimada por uma cruz. Em redor encontram-se cartelas com inscrições comemorativas, adornadas com molduras volutadas típicas do barroco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No registo superior, abrem-se janelas gradeadas em capialço, incluindo uma janela de sacada com guarda em ferro forjado. O portal principal constitui o elemento de maior destaque, com arco de volta perfeita, pilastras simples, entablamento discreto e cornija proeminente. Sobre esta, dois pináculos bulbosos enquadram um nicho concheado com a escultura em pedra de Nossa Senhora da Conceição, adornado com volutas invertidas de desenho invulgar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima do portal, observa-se um brasão de armas de Portugal esculpido em alto-relevo, encimado por coroa real e inserido numa cartela em forma de couro. Sobre a balaustrada, ergue-se uma cruz em granito. No extremo leste da fachada, localiza-se uma sineira geminada de feição simples.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Programa artístico e seu ator ====&lt;br /&gt;
[[File:Pintura 1.png|thumb|Pintura a óleo ]]&lt;br /&gt;
O programa artístico da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja do convento das beneditinas de Barcelos, é geralmente atribuído a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731), um dos mais importantes mestres da azulejaria portuguesa do final do século XVII e início do século XVIII. Reconhecido pela sua versatilidade e pelo papel central na consolidação de uma escola de pintura sobre azulejo, Bernardes também se destacou na pintura a óleo sobre madeira, tela e barro. A sua oficina viria a formar diversos artistas, incluindo os seus filhos, Policarpo e Inácio Bernardes, que deram continuidade ao legado artístico da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja do Terço, a autoria de Bernardes é atribuída tanto ao conjunto de azulejos como a outras componentes decorativas do interior, num projeto coeso que parece ter sido concebido em sua totalidade pelo mestre ou sob a sua supervisão. Integradas nesse programa decorativo encontram-se seis telas de grandes dimensões com molduras douradas. Quatro permanecem na nave central e uma, de especial valor artístico, representa o regresso da Sagrada Família do Egito, colocada na capela mor. Duas outras telas originalmente pertencentes à capela mor terão desaparecido durante as Invasões Francesas, tendo os seus espaços sido preenchidos por composições em gesso de época posterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas a óleo do teto da nave principal, executadas sobre madeira nobre, apresentam afinidades estilísticas com os painéis de azulejo e são também atribuídas a António de Oliveira Bernardes. No entanto, pequenas variações formais sugerem a colaboração de outros membros da oficina, algo comum nas práticas artísticas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo notável desta colaboração é o par de painéis da capela mor que representam o lançamento da primeira pedra e a inauguração da igreja, assinados com as iniciais “P. M. P.”, de autor ainda não identificado. A assinatura completa poderá ter sido ocultada por um altar lateral posteriormente adicionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Azulejo ====&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo 2.jpg|thumb|Pormenor de azulejo]]&lt;br /&gt;
Datado de 1713, conforme inscrição identificada num friso de azulejos, o conjunto azulejar da Igreja de Nossa Senhora do Terço é atribuído a António de Oliveira Bernardes, um dos mais destacados mestres da azulejaria barroca portuguesa. Este programa decorativo integra-se plenamente na tradição artística e pedagógica do barroco, articulando espiritualidade, narrativa e simbolismo visual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os painéis de azulejos retratam episódios da vida de São Bento, enfatizando momentos da sua juventude, milagres e cenas que ilustram os princípios da Regra Beneditina, como a oração, o trabalho e a disciplina. As composições apresentam grande dimensão e forte impacto visual, revestindo integralmente os muros da nave da igreja. O cromatismo dominante é o azul cobalto sobre fundo branco, característico da azulejaria portuguesa do período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado sul, destacam-se janelas fingidas que simulam vãos reais, criando um efeito ilusionista acentuado por reflexos amarelados que imitam a luz solar. Este recurso decorativo contribui para uma atmosfera envolvente no espaço interior, reforçando a unidade simbólica do conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O programa iconográfico inclui ainda um ciclo de emblemas inspirados nas obras do beneditino Frei João dos Prazeres: &#039;&#039;O Príncipe dos Patriarcas S. Bento&#039;&#039; (1683) e &#039;&#039;Segundo Tomo de sua Vida&#039;&#039; (1690)&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;N.º  Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema  / Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  do Coro&lt;br /&gt;
|1  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|S.  Bento recebe pastores e jovens que desejam seguir o seu exemplo de vida  austera e solitária.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|2  (Centro)&lt;br /&gt;
|S.  Bento rola-se nos silvedos, em penitência, para dominar as tentações da  carne.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|3  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|O  corvo, seu companheiro, leva um pão envenenado para longe, evitando o atentado  de Florêncio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  Norte&lt;br /&gt;
|4  (Junto ao Coro)&lt;br /&gt;
|Monges  constroem um mosteiro. Um demónio torna uma pedra pesada; S. Bento  exorciza-o.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|5  (Antes do Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tentativa  de envenenamento com uma bilha. S. Bento abençoa-a, dela sai uma serpente.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|6  (Sobre o Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tótila  envia um falso rei. S. Bento reconhece a farsa e desmascara o impostor.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|7  (Sobre o Altar)&lt;br /&gt;
|Tótila  visita S. Bento, é perdoado e o santo profetiza-lhe o futuro (9 anos de  reinado).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|8  (Depois do Púlpito)&lt;br /&gt;
|O  lema “Ora et labora” ilustrado com monges a orar e a trabalhar no Monte  Cassino.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Capela-Mor&lt;br /&gt;
|9  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|Lançamento  da 1.ª pedra do convento por D. Rodrigo de Moura Teles, em 14 de agosto de  1707.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|10  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|Inauguração  do convento em 1713, com cortejo das freiras e presença figurada de D. João  V.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|11  (Parte superior de ambas as paredes)&lt;br /&gt;
|Espaço  decorativo com fundo de gesso e desenhos entre janelas, reais e fingidas.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lições&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Interpretação Final&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1 - O  Dragão das Sete Cabeças&lt;br /&gt;
|Non  extingvetvr igne. = Não se extingue nem com o fogo.  Só com o amor  divino se extingue o amor profano.&lt;br /&gt;
|O dragão  é o amor profano, os vícios capitais; só o amor divino pode vencê-lo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2 - O  Meu Vestuário&lt;br /&gt;
|A gosto,  e à medida.  A eleição do hábito há de ser voluntária.&lt;br /&gt;
|O hábito  simboliza a vocação, que deve ser bem escolhida e vivida com entusiasmo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3 - O  Feio Pássaro&lt;br /&gt;
|Ne  pereat immunitas. = Para que não pereça a perfeita clausura.  O sagrado  da clausura não se viola só pelas portas.&lt;br /&gt;
|O  pássaro é o demónio tentador, e a clausura protege contra tentações internas  e externas.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4 - O  Sol, Atracção das Águias&lt;br /&gt;
|Probantur  ut coronentur. = São provadas para serem coroadas.  A observância da  regra de S. Bento é caminho de salvação.&lt;br /&gt;
|O Sol é  Deus e as almas virtuosas voam para Ele como prêmio da vida santa.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5 - O  Galo Vaidoso&lt;br /&gt;
|Se ipsum  conspurcat. = Suja-se a si mesmo.  Só se compõem bem quem se vê ao  Divino Espelho.&lt;br /&gt;
|A  vaidade afasta-nos de Deus; o verdadeiro espelho é Cristo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6 - A  Árvore e a Ovelha&lt;br /&gt;
|Adumbrat  et alit. = Dá sombra e alimenta.  O Religioso tudo tem na Religião.&lt;br /&gt;
|A árvore  é o convento que sustenta espiritualmente os seus membros, como a Providência  sustenta os fiéis.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|7 - O  Rapaz do Copo Quebrado&lt;br /&gt;
|Facile  conciliantur. = Facilmente se conciliam.  Na Religião não há de haver  ódios.&lt;br /&gt;
|O vaso  representa a harmonia; deve haver reconciliação fácil na vida religiosa e  social.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|8 - O  Chicote e o Freio&lt;br /&gt;
|Non  sufficit unum. = Não basta um só.  Não se pode conservar a Religião sem  castigo.&lt;br /&gt;
|O freio  representa a correção e o chicote a punição quando há desobediência.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|9 - A  Foucinha Cega&lt;br /&gt;
|Impossibilia  superat. = Supera o impossível.  A obediência há de ser cega.&lt;br /&gt;
|A  foucinha cega simboliza a obediência perfeita, sem hesitações ou dúvidas  interiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|10 - As  Flores Perfumadas&lt;br /&gt;
|Quia  olet. = Porque cheira bem.  A inveja na Religião há de ser para imitar e  não para destruir.&lt;br /&gt;
|As  virtudes devem inspirar imitação e não inveja destrutiva.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel  / Lição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Latim)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Tradução)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  2&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  Final (Resumo)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|11.°  - O SOL NÃO DESCANSA&lt;br /&gt;
|Non  Qviescit&lt;br /&gt;
|Não  descansa&lt;br /&gt;
|Na  Religião não há de haver ociosidade&lt;br /&gt;
|Trabalho  é honra e ordem do Criador; símbolo da atividade constante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|12.°  - CHOVEM RAIOS E TEMPESTADES&lt;br /&gt;
|Fortior  in Adversarios&lt;br /&gt;
|Mais  forte contra os adversários&lt;br /&gt;
|Quanto  as tentações forem mais fortes, mais forte há de ser a resistência&lt;br /&gt;
|A  alma deve resistir com força aos inimigos; milícia é a vida do homem&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|13.°  - UMA AVE VOANDO&lt;br /&gt;
|Né  sucvmbat&lt;br /&gt;
|Para  que não sucumba&lt;br /&gt;
|Há  de voar o espírito para o corpo não sentir os rigores da Religião&lt;br /&gt;
|A  alma Religiosa eleva-se até Deus; exemplo de Santa Teresa e S. João da Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|14.°  - UM CHAFARIZ A PRESSÃO&lt;br /&gt;
|Quo  pressa altivs&lt;br /&gt;
|Quanto  mais oprimida mais alto sobe&lt;br /&gt;
|A  humildade na Religião é a que faz avultar a virtude&lt;br /&gt;
|Humildade  é base da santidade; mais pressão, maior elevação espiritual&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|15.°  - NUTRIDA OVELHA ATRAI CHACAIS&lt;br /&gt;
|In  odorem cvrrimvs&lt;br /&gt;
|Corremos  atraídos pelo bom cheiro&lt;br /&gt;
|A  Religião há de se buscar pela fama da sua virtude&lt;br /&gt;
|Virtude  atrai os outros à fé; como S. Bento atraiu muitos à religião&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|16.°  - A VACA DO LAVRADOR&lt;br /&gt;
|Tv  cede&lt;br /&gt;
|Tu  cede&lt;br /&gt;
|Não  há de o Religioso querer que toda a gente ande ao seu passo&lt;br /&gt;
|Aceitar  as diferenças; ajudar os mais lentos com paciência e caridade&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|17.°  - CASA SEM COBERTURA&lt;br /&gt;
|Sine  cvlmine corrvit&lt;br /&gt;
|Sem  o cume desmorona-se&lt;br /&gt;
|Não  se conserva a virtude sem a oração&lt;br /&gt;
|Sem  oração, tudo desmorona; oração é vida da perfeição&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|18.°  - O SOL QUE ILUMINA E PENETRA&lt;br /&gt;
|Non  oltra vires&lt;br /&gt;
|Não  além das forças de cada qual&lt;br /&gt;
|O  superior deve tomar conhecimento individual dos súbditos&lt;br /&gt;
|Superior  deve conhecer os seus para orientá-los segundo suas capacidades&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|19.°  - O SOL DA LADEIRA&lt;br /&gt;
|Allevat  et vexat&lt;br /&gt;
|Eleva  e humilha&lt;br /&gt;
|O  superior, assim como castiga, há de premiar&lt;br /&gt;
|Superior  deve agir com justiça e equilíbrio entre castigo e prémio&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|20.°  - O FLORIDO ARBUSTO&lt;br /&gt;
|Non  ex omni flore cárpitv mel&lt;br /&gt;
|Nem  de toda a flor se colhe mel&lt;br /&gt;
|Nem  sempre há de achar o superior igual procedimento nos súbditos&lt;br /&gt;
|Nem  todos os súbditos procedem da mesma forma; usar compreensão e realismo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens devocionais ====&lt;br /&gt;
As imagens e elementos decorativos do interior da igreja exercem uma dupla função: evidenciam, por um lado, um notável valor estético e patrimonial, refletindo o cuidado artístico da época barroca; por outro, assumem uma função devocional, ao inspirarem fé, recolhimento e ligação ao sagrado entre os fiéis que ali acorrem para oração.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Nome  da Imagem&lt;br /&gt;
|Material  / Estilo / Datação&lt;br /&gt;
|Altura  (m)&lt;br /&gt;
|Observações&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. dir.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada e dourada; séc. XVII (1.ª metade)&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Padroeira  primitiva&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. centro&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; meados do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Abadia&lt;br /&gt;
|Pedra  policromada; séc. XV-XVI, influência francesa&lt;br /&gt;
|1,00&lt;br /&gt;
|Proveniente  das muralhas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|São  Vicente Ferrer&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada com mulher aos pés; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – junto ao sacrário&lt;br /&gt;
|Coração  de Jesus e São José&lt;br /&gt;
|Terracota;  2.ª metade do séc. XX&lt;br /&gt;
|0,63&lt;br /&gt;
|Imagens  provisórias&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – porta do sacrário&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão (alto-relevo)&lt;br /&gt;
|Madeira;  alto-relevo&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Ressuscitado  e triunfal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – sobre o sacrário&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – centro&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada, policromada; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,97&lt;br /&gt;
|Titular  desde 1846&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (grande)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; dourado antigo; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,76&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (pequena)&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,33&lt;br /&gt;
|Muito  apreciada&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – centro&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,18&lt;br /&gt;
|Segundo  titular&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  – imagem adicional&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|1,55&lt;br /&gt;
|Substituída  após obras&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Escolástica&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada com ouro; finais séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,08&lt;br /&gt;
|Irmã  de S. Bento&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – centro&lt;br /&gt;
|Senhor  do Perdão&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo gótico; séc. XV&lt;br /&gt;
|1,90  x 1,70&lt;br /&gt;
|Expressão  comovente&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – lado&lt;br /&gt;
|São  João Evangelista&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; início do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Discípulo  amado&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – centro (em alto)&lt;br /&gt;
|Santíssima  Trindade&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,90&lt;br /&gt;
|Sobre  oratório do mesmo século&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – no oratório&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora (Virgem e Mãe)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Muito  bela&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna&lt;br /&gt;
|Senhor  da Cana Verde&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|1,16&lt;br /&gt;
|Escarnecido  pelos soldados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – sobre cómoda&lt;br /&gt;
|São  Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,66&lt;br /&gt;
|Fundador  dos Franciscanos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna alta&lt;br /&gt;
|Busto  de São Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada, articulado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Desfeito  após 1970&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – cómoda&lt;br /&gt;
|Santa  Filomena&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|Virgem  e mártir&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto&lt;br /&gt;
|Crucifixo  Semana Santa&lt;br /&gt;
|Madeira  (cruz recente); imagem antiga&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Muito  expressivo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Coração  de Maria&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,35&lt;br /&gt;
|Sobre  peanha&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|São  José&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada&lt;br /&gt;
|0,25&lt;br /&gt;
|Muito  pequeno&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|3  Crucifixos e castiçais&lt;br /&gt;
|Madeira  dourada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,50  (cruzes), 0,70 (pés)&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Presépio  com 10 figuras&lt;br /&gt;
|Terracota;  cenário reaproveitado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Gruta  original do sacrário&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Senhor  da Boa Morte&lt;br /&gt;
|Madeira;  estilo gótico&lt;br /&gt;
|Tamanho  natural&lt;br /&gt;
|Rosto  suave&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – frontispício&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Com  coroa e escudo reais&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – portaria do convento&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Escudo  aos pés&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – capela / oratório&lt;br /&gt;
|Senhor  dos Aflitos&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|1,15  (imagem); 2,00 x 1,00 (cruz)&lt;br /&gt;
|Crucifixo  devocional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura no teto da igreja ====&lt;br /&gt;
O teto em caixotões da nave principal da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja conventual beneditina em Barcelos, constitui um dos elementos mais notáveis do seu programa decorativo. Executado em painéis de madeira nobre, encontra-se revestido por pinturas a óleo de temática religiosa, representando episódios da vida de São Bento e outras cenas devocionais.&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|thumb|Pintura no teto da igreja]]&lt;br /&gt;
Estas pinturas são geralmente atribuídas a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731) ou ao seu círculo próximo, com base em semelhanças estilísticas com os painéis de azulejo da mesma igreja. A obra revela um traço delicado e meticuloso, evocando por vezes o espírito das iluminuras medievais, com influência de modelos como o Beato Angélico. O uso de cores vivas, bem conservadas, e a qualidade técnica geral evidenciam a mestria dos artistas envolvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A excecional preservação destas pinturas foi já destacada em fontes do século XIX e reafirmada por técnicos da Direção-Geral dos Monumentos Nacionais durante os trabalhos de restauro realizados na década de 1970. A simples remoção de sujidade revelou a riqueza cromática e a integridade dos caixotões pintados, demonstrando a durabilidade da técnica empregue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste, as pinturas originais do teto da capela-mor foram cobertas com cal em data incerta, o que comprometeu grande parte do seu valor artístico. Intervenções de recuperação no século XX permitiram a remoção parcial da cal e a aplicação de cera protetora, embora muitos danos sejam considerados irreversíveis. Procedimentos semelhantes foram aplicados à sacristia e áreas anexas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tetos dos coros, inferior e superior, não apresentam decoração pictórica. Originalmente pintados com tinta cinzenta, foram restaurados com tratamento a cera, refletindo uma estética sóbria e alinhada com o ideal monástico de humildade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura devocional ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Título / Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Descrição / Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor / Escola&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Data / Época&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Regresso da Sagrada Família do Egito&lt;br /&gt;
|Pintura com grande expressividade, cores vivas,  vestes esvoaçantes. Representa a Divina Pastora.&lt;br /&gt;
|Possivelmente António de Oliveira Bernardes ou  escola&lt;br /&gt;
|Início do século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte&lt;br /&gt;
|Santa Gertrudes&lt;br /&gt;
|Beneditina, reformadora, representada com o Menino  Jesus no coração.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul&lt;br /&gt;
|Santa Escolástica&lt;br /&gt;
|Irmã de São Bento, cofundadora das Beneditinas.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Arcanjo do Juízo Final&lt;br /&gt;
|Inspirado na carta aos Tessalonicenses (1 Tsl. 4,  12-27).&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Morte de Santa Teresa de Jesus&lt;br /&gt;
|Santa espanhola, reformadora do Carmelo. Pintura  italiana.&lt;br /&gt;
|Atribuído a Bernini por crítico da Fundação  Gulbenkian&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|O Rosto do Senhor (Véu da Verónica)&lt;br /&gt;
|Reprodução autenticada pelo Vaticano.&lt;br /&gt;
|Reprodução&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Ex-voto de S. Bento da Portaria&lt;br /&gt;
|Relata milagre de cura a António José.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Baixo&lt;br /&gt;
|Santa Águeda&lt;br /&gt;
|Pintura em tábua, virgem e mártir da província de  Catânia.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|séc. XVII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Santa Luzia&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Ascenção do Senhor&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Talha ====&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço,destaca-se pelo seu valioso conjunto de talha dourada, considerado um dos mais significativos da arte sacra portuguesa do início do século XVIII. Este conjunto tem sido objeto de estudo por diversos investigadores, entre os quais se destaca Robert Smith, especialista em arte portuguesa, que atribuiu a autoria da talha a Ambrósio Coelho, entalhador natural da freguesia de São Paio de Carvalhal, no concelho de Barcelos. &lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|Púlpito ]]&lt;br /&gt;
O estilo decorativo da talha é descrito pelo Cónego Dr. Luciano dos Santos, presidente da Comissão de Arte Sacra de Braga, como pertencente a um “renascimento muito ornamentado”. Apesar de algumas interpretações sugerirem uma fase de transição entre o Renascimento e o Barroco, a maioria dos estudiosos considera que a talha se insere no estilo joanino, do reinado de D. João V. Esta classificação é reforçada pela presença de motivos imperiais, como as águias esculpidas nos altares e no púlpito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os retábulos colaterais, dispostos em ângulo nas paredes laterais da nave, apresentam planta côncava e eixo único, sendo rematados por arquivoltas com decoração vegetalista. Cada retábulo possui um nicho central com imaginária, enquadrado por colunas pseudosalomónicas, características do barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela mor é coberta por abóbada semelhante à da nave e apresenta um retábulo-mor em talha dourada, de planta côncava, também com eixo único e remate em arquivolta. No centro, encontra-se a tribuna com trono, enquadrada por colunas pseudosalomónicas, entre as quais se dispõem peanhas com imagens devocionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pisos ====&lt;br /&gt;
A Igreja desenvolve-se num único piso ao nível do rés-do-chão, originalmente revestido com lajedo de pedra. Este revestimento estendia-se também à sacristia e aos corredores laterais da capela mor, onde se encontra cantaria mais elaborada, possivelmente com acabamento mais fino, condizente com o embasamento das escadas e da base do altar. Durante a década de 1930, o pavimento em pedra foi coberto com soalho de madeira, numa tentativa de melhorar o conforto térmico no interior do templo.&lt;br /&gt;
[[File:Coro.png|thumb|286x286px|Coro baixo e alto]]&lt;br /&gt;
O coro baixo, reservado à participação litúrgica das religiosas em clausura, não apresenta lajedo original, o que sugere uma construção posterior ou com finalidade diferente. Conservam-se ainda elementos associados à prática da reconciliação penitencial, como pequenas janelas embutidas na parede norte. Estes vãos permitiam o contacto entre as religiosas e o confessor, mantendo a separação imposta pela clausura. Alguns desses vãos foram reabertos durante as intervenções realizadas no século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto é de grandes dimensões, projetado para acomodar mais de uma centena de religiosas. Possui pavimento em madeira e um falso teto que separa os dois coros. Durante os trabalhos de restauro do edifício, foi proposta a substituição do soalho do coro alto por uma laje de cimento revestida a madeira, com o objetivo de reforçar a estrutura e preservar a harmonia estética do espaço. Esta intervenção visava também resolver problemas funcionais relacionados com a existência de um armazém arrendado sob o coro, situação considerada inadequada do ponto de vista litúrgico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modificações estilísticas na Igreja de Nossa Senhora do Terço ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções e Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Influência das modas e  intervenções passadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados (séc. XX)  pintados de branco, quebrando a harmonia arquitetónica. - “Capacetes” de  madeira substituíram baldaquinos de damasco.- No séc. XIX, acrescentaram-se  sanefas e elementos decorativos em madeira nos arcos triunfais, obscurecendo  a estrutura original.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções de 1966 a 1970 –  Recuperação da traça original&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Retirada de elementos estranhos  ao estilo original: sanefas, guarnições de madeira, topo do sacrário  substituído por gruta com figuras em terracota. - Peças de pouca qualidade  recolhidas e armazenadas no coro e compartimentos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Altares vazados e frontais&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados transferidos para  o coro. - Perda dos frontais originais; um possivelmente reaproveitado na  capela de São Bento da Buraquinha. - Novos frontais construídos em madeira de  castanho, pintados em sintonia com a paleta cromática da igreja.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Adaptação às normas do Concílio  Vaticano II&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Centralização do culto no novo  Altar do Sacrifício. - Mesas dos três altares cortadas e reutilizadas como  nichos no novo altar central. - Grade da comunhão removida.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tribuna e elementos decorativos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Pinturas florais no fundo do  retábulo refeitas com base em vestígios originais (tons de cinzento com  flores discretas). - Telão do Coração de Jesus e Santa Margarida Maria  Alacoque removido por destoar estilisticamente; degraus restaurados e  pintados de dourado.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Uso da tribuna pelas religiosas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- A tribuna foi usada como espaço  de exposição do Santíssimo Sacramento, acessível pela porta inferior. - Não  se sabe ao certo desde quando essa prática ocorria.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Restauro geral e cuidados  estéticos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Limpeza dos tetos, recuperação  das cantarias, portas interiores, balaustradas, ferragens, candeeiros e  tintas escolhidas com critério estético e histórico.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Imagens sacras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Imagem moderna de São Bento  deslocada para o coro, substituída por escultura antiga. - Imagem de Santa  Luzia restaurada em Braga.- Imagens do Coração de Jesus e de São José  adaptadas antes da colocação.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Aspirações futuras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Recuperação do lajedo da nave  principal ainda pendente. - Novo Altar do Sacrifício destaca-se pela  simplicidade e contribui para a beleza do conjunto.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia dos Restauros ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Ano/Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções Realizadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1966&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início da campanha de restauro  para devolver à igreja o estilo original. - Retirada de sanefas e guarnições  de madeira que ocultavam elementos arquitetónicos. - Substituição da peça  superior do sacrário por uma gruta com figuras em terracota.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1967–1968&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Retirada dos altares vazados do  início do séc. XX e transferência para o coro. - Confeção de dois frontais em  madeira de castanho para os altares laterais, pintados conforme as cores  dominantes da igreja. - Substituição de imagens modernas por outras antigas  de valor artístico (ex.: imagem antiga de S. Bento).&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1969&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Preparação para o restauro  estrutural profundo. - Envolvimento da Delegação Norte dos Monumentos  Nacionais (Arq. Silva Bessa). - Obra autorizada a ser feita “a jornal” por  mestres locais após desistência de empreiteiros.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Verão de 1970&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início oficial das grandes obras.  - Nova cobertura em placa de cimento armado. - Instalação de telhados novos  em telha especial patinada.- Verificação da boa conservação das estruturas de  madeira originais. - Travamento das paredes com anéis de ferro, cimento e  cabos de aço.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1971&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Reboque e pintura da fachada  sul com materiais adequados. - Restauro do coro alto (escadas novas, reboco e  enceramento do teto). - Confeção de cinco portas exteriores em madeira de  castanho envelhecido. - Nova porta da sacristia em madeira de mimosa seca.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Primavera de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Conclusão da 2.ª fase das obras.  - Construção do novo Altar do Sacrifício ao centro da capela-mor, conforme o  Concílio Vaticano II.- Retirada da grade da comunhão e adaptação do arco cruzeiro.  - Lavagens profundas da cantaria e construção de armários laterais de apoio.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1 de julho de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Visita oficial do Arcebispo  Primaz, D. Francisco Maria da Silva. - Planeamento da 3.ª fase: colocação da  placa do coro alto e instalação de iluminação museológica.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  Fontes e Bibliografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Recursos Digitais ==&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural. Disponível em: https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/igreja-da-nossa-senhora-do-terco-barcelos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Confraria da Nossa Senhora do Terço. Disponível em: https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Câmara Municipal de Barcelos. Disponível em: https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Paroquia de Barcelos de Santa Maria Maior. Disponível em: https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site do Instituto Público Património Cultural. Disponível em: https://imovel.patrimoniocultural.gov.pt/detalhes.php?code=73204&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=451</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
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		<updated>2025-05-16T17:04:09Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação ====&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade das freiras beneditinas que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em Monção. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela Guerra da Restauração, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, D. Pedro II determinou o acolhimento provisório das religiosas no Seminário de São Pedro, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao Arcebispo Primaz de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a 14 de agosto de 1707, e ficou concluída em 1713, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a 11 de julho de 1713, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a 12 mil cruzados. Em 1707, foi nomeado Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em grande quadrilátero, implantado no atual Largo 5 de Outubro (antigo Campo dos Touros), onde se localizavam a portaria e o acesso à cerca. A ala sul acompanhava o traçado da atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, destacando-se o frontispício da igreja, voltado para o antigo Campo da Feira. No extremo sul, erguiam-se dois mirantes, sendo o do lado poente construído em ângulo reto entre o convento, o largo e a antiga estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao centro, dispunha-se um claustro, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma cerca com cerca de seis metros de altura, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Inauguração e permanência ====&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos pertencia ao ramo das chamadas &amp;quot;Gertrudinas Adoradoras&amp;quot;, corrente espiritual originada no século XIV com as reformas introduzidas por Santa Gertrudes, que promoveu a adoração eucarística contínua no seio da Ordem de São Bento. Esta corrente distinguia-se da tradição conservadora das &amp;quot;Escolásticas&amp;quot;, mantendo-se fiel à regra primitiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Saída das religiosas e destruição do Mosteiro ====&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, D. Pedro IV decretou, em 1834, a extinção das ordens religiosas em Portugal. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro Beneditino de Barcelos foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em Espanha, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em 1842, apenas duas religiosas permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de Viana do Castelo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por D. Maria II, confirma a realização de um leilão a 20 de novembro de 1843.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a desamortização, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A cerca sul foi demolida para dar lugar à atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2004, foi inaugurado o Centro Comercial e Hotel do Terço, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas quatro arcos de volta perfeita, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo claustro, hoje integrados no pátio do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um andar superior em galeria, com cobertura em madeira suportada por colunas toscanas sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os vãos de portas e janelas quadrangulares, com emolduramentos em cantaria, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
A Igreja da Nossa Senhora do Terço localiza-se na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, no centro histórico de Barcelos, Portugal (Coordenadas: 41.534200, -8.619500). Nas imediações situam-se diversos edifícios de relevo histórico e cultural, nomeadamente a Igreja Matriz de Barcelos (41.532462, -8.618856), o Paço dos Condes de Barcelos, atual Museu Arqueológico (41.533123, -8.618735), a Câmara Municipal de Barcelos (41.532356, -8.620407) e o antigo Convento do Menino Deus dos Maristas (41.531800, -8.621900).  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A poucos metros encontra-se o Templo do Bom Jesus da Cruz (41.535416, -8.617325), erguido no início do século XVIII, exemplar da arquitetura barroca. Este templo é central nas celebrações da Festa das Cruzes, festividade emblemática do concelho.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exterior ===&lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|Remate do portal]]&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta de disposição retangular e transversal, integrando diversos espaços funcionais alinhados ao longo de um eixo longitudinal: antigas dependências do convento, coro, nave única, capela mor profunda e sacristia. A volumetria destaca-se pela orientação horizontal, conferindo equilíbrio e sobriedade ao conjunto arquitetônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada principal, de traço simples e harmonioso, é rebocada e pintada de branco, assente sobre uma base de cantaria. Organiza-se em dois registos distintos e é rematada, ao centro, por uma cruz latina de braços trilobados. No registo inferior, sobressai o portal principal em arco de volta perfeita, construído em cantaria granítica e decorado com as armas reais na pedra de fecho. Este é ladeado por pilastras toscanas que sustentam um entablamento sóbrio, sobre o qual se encontra um nicho com a imagem da Virgem. Este nicho prolonga-se para o registo superior, sendo enquadrado por aletas e pináculos decorativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À esquerda, existe um segundo portal, também em arco de volta perfeita, mais modesto, ladeado por pilastras com pináculos e rematado por uma cornija semicircular encimada por uma cruz. Em redor encontram-se cartelas com inscrições comemorativas, adornadas com molduras volutadas típicas do barroco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No registo superior, abrem-se janelas gradeadas em capialço, incluindo uma janela de sacada com guarda em ferro forjado. O portal principal constitui o elemento de maior destaque, com arco de volta perfeita, pilastras simples, entablamento discreto e cornija proeminente. Sobre esta, dois pináculos bulbosos enquadram um nicho concheado com a escultura em pedra de Nossa Senhora da Conceição, adornado com volutas invertidas de desenho invulgar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima do portal, observa-se um brasão de armas de Portugal esculpido em alto-relevo, encimado por coroa real e inserido numa cartela em forma de couro. Sobre a balaustrada, ergue-se uma cruz em granito. No extremo leste da fachada, localiza-se uma sineira geminada de feição simples.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Programa artístico e seu ator ====&lt;br /&gt;
[[File:Pintura 1.png|thumb|Pintura a óleo ]]&lt;br /&gt;
O programa artístico da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja do convento das beneditinas de Barcelos, é geralmente atribuído a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731), um dos mais importantes mestres da azulejaria portuguesa do final do século XVII e início do século XVIII. Reconhecido pela sua versatilidade e pelo papel central na consolidação de uma escola de pintura sobre azulejo, Bernardes também se destacou na pintura a óleo sobre madeira, tela e barro. A sua oficina viria a formar diversos artistas, incluindo os seus filhos, Policarpo e Inácio Bernardes, que deram continuidade ao legado artístico da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja do Terço, a autoria de Bernardes é atribuída tanto ao conjunto de azulejos como a outras componentes decorativas do interior, num projeto coeso que parece ter sido concebido em sua totalidade pelo mestre ou sob a sua supervisão. Integradas nesse programa decorativo encontram-se seis telas de grandes dimensões com molduras douradas. Quatro permanecem na nave central e uma, de especial valor artístico, representa o regresso da Sagrada Família do Egito, colocada na capela mor. Duas outras telas originalmente pertencentes à capela mor terão desaparecido durante as Invasões Francesas, tendo os seus espaços sido preenchidos por composições em gesso de época posterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas a óleo do teto da nave principal, executadas sobre madeira nobre, apresentam afinidades estilísticas com os painéis de azulejo e são também atribuídas a António de Oliveira Bernardes. No entanto, pequenas variações formais sugerem a colaboração de outros membros da oficina, algo comum nas práticas artísticas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo notável desta colaboração é o par de painéis da capela mor que representam o lançamento da primeira pedra e a inauguração da igreja, assinados com as iniciais “P. M. P.”, de autor ainda não identificado. A assinatura completa poderá ter sido ocultada por um altar lateral posteriormente adicionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Azulejo ====&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo 2.jpg|thumb|Pormenor de azulejo]]&lt;br /&gt;
Datado de 1713, conforme inscrição identificada num friso de azulejos, o conjunto azulejar da Igreja de Barcelos é atribuído a António de Oliveira Bernardes, um dos mais destacados mestres da azulejaria barroca portuguesa. Este programa decorativo integra-se plenamente na tradição artística e pedagógica do barroco, articulando espiritualidade, narrativa e simbolismo visual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os painéis de azulejos retratam episódios da vida de São Bento, enfatizando momentos da sua juventude, milagres e cenas que ilustram os princípios da Regra Beneditina, como a oração, o trabalho e a disciplina. As composições apresentam grande dimensão e forte impacto visual, revestindo integralmente os muros da nave da igreja. O cromatismo dominante é o azul cobalto sobre fundo branco, característico da azulejaria portuguesa do período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado sul, destacam-se janelas fingidas que simulam vãos reais, criando um efeito ilusionista acentuado por reflexos amarelados que imitam a luz solar. Este recurso decorativo contribui para uma atmosfera envolvente no espaço interior, reforçando a unidade simbólica do conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O programa iconográfico inclui ainda um ciclo de emblemas inspirados nas obras do beneditino Frei João dos Prazeres: &#039;&#039;O Príncipe dos Patriarcas S. Bento&#039;&#039; (1683) e &#039;&#039;Segundo Tomo de sua Vida&#039;&#039; (1690)&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;N.º  Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema  / Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  do Coro&lt;br /&gt;
|1  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|S.  Bento recebe pastores e jovens que desejam seguir o seu exemplo de vida  austera e solitária.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|2  (Centro)&lt;br /&gt;
|S.  Bento rola-se nos silvedos, em penitência, para dominar as tentações da  carne.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|3  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|O  corvo, seu companheiro, leva um pão envenenado para longe, evitando o atentado  de Florêncio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  Norte&lt;br /&gt;
|4  (Junto ao Coro)&lt;br /&gt;
|Monges  constroem um mosteiro. Um demónio torna uma pedra pesada; S. Bento  exorciza-o.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|5  (Antes do Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tentativa  de envenenamento com uma bilha. S. Bento abençoa-a, dela sai uma serpente.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|6  (Sobre o Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tótila  envia um falso rei. S. Bento reconhece a farsa e desmascara o impostor.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|7  (Sobre o Altar)&lt;br /&gt;
|Tótila  visita S. Bento, é perdoado e o santo profetiza-lhe o futuro (9 anos de  reinado).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|8  (Depois do Púlpito)&lt;br /&gt;
|O  lema “Ora et labora” ilustrado com monges a orar e a trabalhar no Monte  Cassino.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Capela-Mor&lt;br /&gt;
|9  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|Lançamento  da 1.ª pedra do convento por D. Rodrigo de Moura Teles, em 14 de agosto de  1707.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|10  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|Inauguração  do convento em 1713, com cortejo das freiras e presença figurada de D. João  V.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|11  (Parte superior de ambas as paredes)&lt;br /&gt;
|Espaço  decorativo com fundo de gesso e desenhos entre janelas, reais e fingidas.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lições&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Interpretação Final&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1 - O  Dragão das Sete Cabeças&lt;br /&gt;
|Non  extingvetvr igne. = Não se extingue nem com o fogo.  Só com o amor  divino se extingue o amor profano.&lt;br /&gt;
|O dragão  é o amor profano, os vícios capitais; só o amor divino pode vencê-lo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2 - O  Meu Vestuário&lt;br /&gt;
|A gosto,  e à medida.  A eleição do hábito há de ser voluntária.&lt;br /&gt;
|O hábito  simboliza a vocação, que deve ser bem escolhida e vivida com entusiasmo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3 - O  Feio Pássaro&lt;br /&gt;
|Ne  pereat immunitas. = Para que não pereça a perfeita clausura.  O sagrado  da clausura não se viola só pelas portas.&lt;br /&gt;
|O  pássaro é o demónio tentador, e a clausura protege contra tentações internas  e externas.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4 - O  Sol, Atracção das Águias&lt;br /&gt;
|Probantur  ut coronentur. = São provadas para serem coroadas.  A observância da  regra de S. Bento é caminho de salvação.&lt;br /&gt;
|O Sol é  Deus e as almas virtuosas voam para Ele como prêmio da vida santa.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5 - O  Galo Vaidoso&lt;br /&gt;
|Se ipsum  conspurcat. = Suja-se a si mesmo.  Só se compõem bem quem se vê ao  Divino Espelho.&lt;br /&gt;
|A  vaidade afasta-nos de Deus; o verdadeiro espelho é Cristo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6 - A  Árvore e a Ovelha&lt;br /&gt;
|Adumbrat  et alit. = Dá sombra e alimenta.  O Religioso tudo tem na Religião.&lt;br /&gt;
|A árvore  é o convento que sustenta espiritualmente os seus membros, como a Providência  sustenta os fiéis.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|7 - O  Rapaz do Copo Quebrado&lt;br /&gt;
|Facile  conciliantur. = Facilmente se conciliam.  Na Religião não há de haver  ódios.&lt;br /&gt;
|O vaso  representa a harmonia; deve haver reconciliação fácil na vida religiosa e  social.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|8 - O  Chicote e o Freio&lt;br /&gt;
|Non  sufficit unum. = Não basta um só.  Não se pode conservar a Religião sem  castigo.&lt;br /&gt;
|O freio  representa a correção e o chicote a punição quando há desobediência.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|9 - A  Foucinha Cega&lt;br /&gt;
|Impossibilia  superat. = Supera o impossível.  A obediência há de ser cega.&lt;br /&gt;
|A  foucinha cega simboliza a obediência perfeita, sem hesitações ou dúvidas  interiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|10 - As  Flores Perfumadas&lt;br /&gt;
|Quia  olet. = Porque cheira bem.  A inveja na Religião há de ser para imitar e  não para destruir.&lt;br /&gt;
|As  virtudes devem inspirar imitação e não inveja destrutiva.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel  / Lição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Latim)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Tradução)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  2&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  Final (Resumo)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|11.°  - O SOL NÃO DESCANSA&lt;br /&gt;
|Non  Qviescit&lt;br /&gt;
|Não  descansa&lt;br /&gt;
|Na  Religião não há de haver ociosidade&lt;br /&gt;
|Trabalho  é honra e ordem do Criador; símbolo da atividade constante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|12.°  - CHOVEM RAIOS E TEMPESTADES&lt;br /&gt;
|Fortior  in Adversarios&lt;br /&gt;
|Mais  forte contra os adversários&lt;br /&gt;
|Quanto  as tentações forem mais fortes, mais forte há de ser a resistência&lt;br /&gt;
|A  alma deve resistir com força aos inimigos; milícia é a vida do homem&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|13.°  - UMA AVE VOANDO&lt;br /&gt;
|Né  sucvmbat&lt;br /&gt;
|Para  que não sucumba&lt;br /&gt;
|Há  de voar o espírito para o corpo não sentir os rigores da Religião&lt;br /&gt;
|A  alma Religiosa eleva-se até Deus; exemplo de Santa Teresa e S. João da Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|14.°  - UM CHAFARIZ A PRESSÃO&lt;br /&gt;
|Quo  pressa altivs&lt;br /&gt;
|Quanto  mais oprimida mais alto sobe&lt;br /&gt;
|A  humildade na Religião é a que faz avultar a virtude&lt;br /&gt;
|Humildade  é base da santidade; mais pressão, maior elevação espiritual&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|15.°  - NUTRIDA OVELHA ATRAI CHACAIS&lt;br /&gt;
|In  odorem cvrrimvs&lt;br /&gt;
|Corremos  atraídos pelo bom cheiro&lt;br /&gt;
|A  Religião há de se buscar pela fama da sua virtude&lt;br /&gt;
|Virtude  atrai os outros à fé; como S. Bento atraiu muitos à religião&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|16.°  - A VACA DO LAVRADOR&lt;br /&gt;
|Tv  cede&lt;br /&gt;
|Tu  cede&lt;br /&gt;
|Não  há de o Religioso querer que toda a gente ande ao seu passo&lt;br /&gt;
|Aceitar  as diferenças; ajudar os mais lentos com paciência e caridade&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|17.°  - CASA SEM COBERTURA&lt;br /&gt;
|Sine  cvlmine corrvit&lt;br /&gt;
|Sem  o cume desmorona-se&lt;br /&gt;
|Não  se conserva a virtude sem a oração&lt;br /&gt;
|Sem  oração, tudo desmorona; oração é vida da perfeição&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|18.°  - O SOL QUE ILUMINA E PENETRA&lt;br /&gt;
|Non  oltra vires&lt;br /&gt;
|Não  além das forças de cada qual&lt;br /&gt;
|O  superior deve tomar conhecimento individual dos súbditos&lt;br /&gt;
|Superior  deve conhecer os seus para orientá-los segundo suas capacidades&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|19.°  - O SOL DA LADEIRA&lt;br /&gt;
|Allevat  et vexat&lt;br /&gt;
|Eleva  e humilha&lt;br /&gt;
|O  superior, assim como castiga, há de premiar&lt;br /&gt;
|Superior  deve agir com justiça e equilíbrio entre castigo e prémio&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|20.°  - O FLORIDO ARBUSTO&lt;br /&gt;
|Non  ex omni flore cárpitv mel&lt;br /&gt;
|Nem  de toda a flor se colhe mel&lt;br /&gt;
|Nem  sempre há de achar o superior igual procedimento nos súbditos&lt;br /&gt;
|Nem  todos os súbditos procedem da mesma forma; usar compreensão e realismo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens devocionais ====&lt;br /&gt;
As imagens e elementos decorativos do interior da igreja exercem uma dupla função: evidenciam, por um lado, um notável valor estético e patrimonial, refletindo o cuidado artístico da época barroca; por outro, assumem uma função devocional, ao inspirarem fé, recolhimento e ligação ao sagrado entre os fiéis que ali acorrem para oração.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Nome  da Imagem&lt;br /&gt;
|Material  / Estilo / Datação&lt;br /&gt;
|Altura  (m)&lt;br /&gt;
|Observações&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. dir.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada e dourada; séc. XVII (1.ª metade)&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Padroeira  primitiva&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. centro&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; meados do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Abadia&lt;br /&gt;
|Pedra  policromada; séc. XV-XVI, influência francesa&lt;br /&gt;
|1,00&lt;br /&gt;
|Proveniente  das muralhas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|São  Vicente Ferrer&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada com mulher aos pés; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – junto ao sacrário&lt;br /&gt;
|Coração  de Jesus e São José&lt;br /&gt;
|Terracota;  2.ª metade do séc. XX&lt;br /&gt;
|0,63&lt;br /&gt;
|Imagens  provisórias&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – porta do sacrário&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão (alto-relevo)&lt;br /&gt;
|Madeira;  alto-relevo&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Ressuscitado  e triunfal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – sobre o sacrário&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – centro&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada, policromada; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,97&lt;br /&gt;
|Titular  desde 1846&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (grande)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; dourado antigo; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,76&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (pequena)&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,33&lt;br /&gt;
|Muito  apreciada&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – centro&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,18&lt;br /&gt;
|Segundo  titular&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  – imagem adicional&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|1,55&lt;br /&gt;
|Substituída  após obras&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Escolástica&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada com ouro; finais séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,08&lt;br /&gt;
|Irmã  de S. Bento&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – centro&lt;br /&gt;
|Senhor  do Perdão&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo gótico; séc. XV&lt;br /&gt;
|1,90  x 1,70&lt;br /&gt;
|Expressão  comovente&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – lado&lt;br /&gt;
|São  João Evangelista&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; início do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Discípulo  amado&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – centro (em alto)&lt;br /&gt;
|Santíssima  Trindade&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,90&lt;br /&gt;
|Sobre  oratório do mesmo século&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – no oratório&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora (Virgem e Mãe)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Muito  bela&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna&lt;br /&gt;
|Senhor  da Cana Verde&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|1,16&lt;br /&gt;
|Escarnecido  pelos soldados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – sobre cómoda&lt;br /&gt;
|São  Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,66&lt;br /&gt;
|Fundador  dos Franciscanos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna alta&lt;br /&gt;
|Busto  de São Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada, articulado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Desfeito  após 1970&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – cómoda&lt;br /&gt;
|Santa  Filomena&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|Virgem  e mártir&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto&lt;br /&gt;
|Crucifixo  Semana Santa&lt;br /&gt;
|Madeira  (cruz recente); imagem antiga&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Muito  expressivo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Coração  de Maria&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,35&lt;br /&gt;
|Sobre  peanha&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|São  José&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada&lt;br /&gt;
|0,25&lt;br /&gt;
|Muito  pequeno&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|3  Crucifixos e castiçais&lt;br /&gt;
|Madeira  dourada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,50  (cruzes), 0,70 (pés)&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Presépio  com 10 figuras&lt;br /&gt;
|Terracota;  cenário reaproveitado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Gruta  original do sacrário&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Senhor  da Boa Morte&lt;br /&gt;
|Madeira;  estilo gótico&lt;br /&gt;
|Tamanho  natural&lt;br /&gt;
|Rosto  suave&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – frontispício&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Com  coroa e escudo reais&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – portaria do convento&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Escudo  aos pés&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – capela / oratório&lt;br /&gt;
|Senhor  dos Aflitos&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|1,15  (imagem); 2,00 x 1,00 (cruz)&lt;br /&gt;
|Crucifixo  devocional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura no teto da igreja ====&lt;br /&gt;
O teto em caixotões da nave principal da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja conventual beneditina em Barcelos, constitui um dos elementos mais notáveis do seu programa decorativo. Executado em painéis de madeira nobre, encontra-se revestido por pinturas a óleo de temática religiosa, representando episódios da vida de São Bento e outras cenas devocionais.&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|thumb|Pintura no teto da igreja]]&lt;br /&gt;
Estas pinturas são geralmente atribuídas a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731) ou ao seu círculo próximo, com base em semelhanças estilísticas com os painéis de azulejo da mesma igreja. A obra revela um traço delicado e meticuloso, evocando por vezes o espírito das iluminuras medievais, com influência de modelos como o Beato Angélico. O uso de cores vivas, bem conservadas, e a qualidade técnica geral evidenciam a mestria dos artistas envolvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A excecional preservação destas pinturas foi já destacada em fontes do século XIX e reafirmada por técnicos da Direção-Geral dos Monumentos Nacionais durante os trabalhos de restauro realizados na década de 1970. A simples remoção de sujidade revelou a riqueza cromática e a integridade dos caixotões pintados, demonstrando a durabilidade da técnica empregue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste, as pinturas originais do teto da capela-mor foram cobertas com cal em data incerta, o que comprometeu grande parte do seu valor artístico. Intervenções de recuperação no século XX permitiram a remoção parcial da cal e a aplicação de cera protetora, embora muitos danos sejam considerados irreversíveis. Procedimentos semelhantes foram aplicados à sacristia e áreas anexas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tetos dos coros, inferior e superior, não apresentam decoração pictórica. Originalmente pintados com tinta cinzenta, foram restaurados com tratamento a cera, refletindo uma estética sóbria e alinhada com o ideal monástico de humildade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura devocional ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Título / Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Descrição / Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor / Escola&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Data / Época&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Regresso da Sagrada Família do Egito&lt;br /&gt;
|Pintura com grande expressividade, cores vivas,  vestes esvoaçantes. Representa a Divina Pastora.&lt;br /&gt;
|Possivelmente António de Oliveira Bernardes ou  escola&lt;br /&gt;
|Início do século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte&lt;br /&gt;
|Santa Gertrudes&lt;br /&gt;
|Beneditina, reformadora, representada com o Menino  Jesus no coração.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul&lt;br /&gt;
|Santa Escolástica&lt;br /&gt;
|Irmã de São Bento, cofundadora das Beneditinas.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Arcanjo do Juízo Final&lt;br /&gt;
|Inspirado na carta aos Tessalonicenses (1 Tsl. 4,  12-27).&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Morte de Santa Teresa de Jesus&lt;br /&gt;
|Santa espanhola, reformadora do Carmelo. Pintura  italiana.&lt;br /&gt;
|Atribuído a Bernini por crítico da Fundação  Gulbenkian&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|O Rosto do Senhor (Véu da Verónica)&lt;br /&gt;
|Reprodução autenticada pelo Vaticano.&lt;br /&gt;
|Reprodução&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Ex-voto de S. Bento da Portaria&lt;br /&gt;
|Relata milagre de cura a António José.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Baixo&lt;br /&gt;
|Santa Águeda&lt;br /&gt;
|Pintura em tábua, virgem e mártir da província de  Catânia.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|séc. XVII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Santa Luzia&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Ascenção do Senhor&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Talha ====&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço,destaca-se pelo seu valioso conjunto de talha dourada, considerado um dos mais significativos da arte sacra portuguesa do início do século XVIII. Este conjunto tem sido objeto de estudo por diversos investigadores, entre os quais se destaca Robert Smith, especialista em arte portuguesa, que atribuiu a autoria da talha a Ambrósio Coelho, entalhador natural da freguesia de São Paio de Carvalhal, no concelho de Barcelos. &lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|Púlpito ]]&lt;br /&gt;
O estilo decorativo da talha é descrito pelo Cónego Dr. Luciano dos Santos, presidente da Comissão de Arte Sacra de Braga, como pertencente a um “renascimento muito ornamentado”. Apesar de algumas interpretações sugerirem uma fase de transição entre o Renascimento e o Barroco, a maioria dos estudiosos considera que a talha se insere no estilo joanino, do reinado de D. João V. Esta classificação é reforçada pela presença de motivos imperiais, como as águias esculpidas nos altares e no púlpito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os retábulos colaterais, dispostos em ângulo nas paredes laterais da nave, apresentam planta côncava e eixo único, sendo rematados por arquivoltas com decoração vegetalista. Cada retábulo possui um nicho central com imaginária, enquadrado por colunas pseudosalomónicas, características do barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela mor é coberta por abóbada semelhante à da nave e apresenta um retábulo-mor em talha dourada, de planta côncava, também com eixo único e remate em arquivolta. No centro, encontra-se a tribuna com trono, enquadrada por colunas pseudosalomónicas, entre as quais se dispõem peanhas com imagens devocionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pisos ====&lt;br /&gt;
A Igreja desenvolve-se num único piso ao nível do rés-do-chão, originalmente revestido com lajedo de pedra. Este revestimento estendia-se também à sacristia e aos corredores laterais da capela mor, onde se encontra cantaria mais elaborada, possivelmente com acabamento mais fino, condizente com o embasamento das escadas e da base do altar. Durante a década de 1930, o pavimento em pedra foi coberto com soalho de madeira, numa tentativa de melhorar o conforto térmico no interior do templo.&lt;br /&gt;
[[File:Coro.png|thumb|286x286px|Coro baixo e alto]]&lt;br /&gt;
O coro baixo, reservado à participação litúrgica das religiosas em clausura, não apresenta lajedo original, o que sugere uma construção posterior ou com finalidade diferente. Conservam-se ainda elementos associados à prática da reconciliação penitencial, como pequenas janelas embutidas na parede norte. Estes vãos permitiam o contacto entre as religiosas e o confessor, mantendo a separação imposta pela clausura. Alguns desses vãos foram reabertos durante as intervenções realizadas no século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto é de grandes dimensões, projetado para acomodar mais de uma centena de religiosas. Possui pavimento em madeira e um falso teto que separa os dois coros. Durante os trabalhos de restauro do edifício, foi proposta a substituição do soalho do coro alto por uma laje de cimento revestida a madeira, com o objetivo de reforçar a estrutura e preservar a harmonia estética do espaço. Esta intervenção visava também resolver problemas funcionais relacionados com a existência de um armazém arrendado sob o coro, situação considerada inadequada do ponto de vista litúrgico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modificações estilísticas na Igreja de Nossa Senhora do Terço ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções e Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Influência das modas e  intervenções passadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados (séc. XX)  pintados de branco, quebrando a harmonia arquitetónica. - “Capacetes” de  madeira substituíram baldaquinos de damasco.- No séc. XIX, acrescentaram-se  sanefas e elementos decorativos em madeira nos arcos triunfais, obscurecendo  a estrutura original.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções de 1966 a 1970 –  Recuperação da traça original&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Retirada de elementos estranhos  ao estilo original: sanefas, guarnições de madeira, topo do sacrário  substituído por gruta com figuras em terracota. - Peças de pouca qualidade  recolhidas e armazenadas no coro e compartimentos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Altares vazados e frontais&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados transferidos para  o coro. - Perda dos frontais originais; um possivelmente reaproveitado na  capela de São Bento da Buraquinha. - Novos frontais construídos em madeira de  castanho, pintados em sintonia com a paleta cromática da igreja.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Adaptação às normas do Concílio  Vaticano II&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Centralização do culto no novo  Altar do Sacrifício. - Mesas dos três altares cortadas e reutilizadas como  nichos no novo altar central. - Grade da comunhão removida.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tribuna e elementos decorativos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Pinturas florais no fundo do  retábulo refeitas com base em vestígios originais (tons de cinzento com  flores discretas). - Telão do Coração de Jesus e Santa Margarida Maria  Alacoque removido por destoar estilisticamente; degraus restaurados e  pintados de dourado.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Uso da tribuna pelas religiosas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- A tribuna foi usada como espaço  de exposição do Santíssimo Sacramento, acessível pela porta inferior. - Não  se sabe ao certo desde quando essa prática ocorria.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Restauro geral e cuidados  estéticos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Limpeza dos tetos, recuperação  das cantarias, portas interiores, balaustradas, ferragens, candeeiros e  tintas escolhidas com critério estético e histórico.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Imagens sacras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Imagem moderna de São Bento  deslocada para o coro, substituída por escultura antiga. - Imagem de Santa  Luzia restaurada em Braga.- Imagens do Coração de Jesus e de São José  adaptadas antes da colocação.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Aspirações futuras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Recuperação do lajedo da nave  principal ainda pendente. - Novo Altar do Sacrifício destaca-se pela  simplicidade e contribui para a beleza do conjunto.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia dos Restauros ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Ano/Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções Realizadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1966&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início da campanha de restauro  para devolver à igreja o estilo original. - Retirada de sanefas e guarnições  de madeira que ocultavam elementos arquitetónicos. - Substituição da peça  superior do sacrário por uma gruta com figuras em terracota.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1967–1968&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Retirada dos altares vazados do  início do séc. XX e transferência para o coro. - Confeção de dois frontais em  madeira de castanho para os altares laterais, pintados conforme as cores  dominantes da igreja. - Substituição de imagens modernas por outras antigas  de valor artístico (ex.: imagem antiga de S. Bento).&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1969&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Preparação para o restauro  estrutural profundo. - Envolvimento da Delegação Norte dos Monumentos  Nacionais (Arq. Silva Bessa). - Obra autorizada a ser feita “a jornal” por  mestres locais após desistência de empreiteiros.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Verão de 1970&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início oficial das grandes obras.  - Nova cobertura em placa de cimento armado. - Instalação de telhados novos  em telha especial patinada.- Verificação da boa conservação das estruturas de  madeira originais. - Travamento das paredes com anéis de ferro, cimento e  cabos de aço.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1971&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Reboque e pintura da fachada  sul com materiais adequados. - Restauro do coro alto (escadas novas, reboco e  enceramento do teto). - Confeção de cinco portas exteriores em madeira de  castanho envelhecido. - Nova porta da sacristia em madeira de mimosa seca.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Primavera de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Conclusão da 2.ª fase das obras.  - Construção do novo Altar do Sacrifício ao centro da capela-mor, conforme o  Concílio Vaticano II.- Retirada da grade da comunhão e adaptação do arco cruzeiro.  - Lavagens profundas da cantaria e construção de armários laterais de apoio.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1 de julho de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Visita oficial do Arcebispo  Primaz, D. Francisco Maria da Silva. - Planeamento da 3.ª fase: colocação da  placa do coro alto e instalação de iluminação museológica.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  Fontes e Bibliografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Recursos Digitais ==&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural. Disponível em: https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/igreja-da-nossa-senhora-do-terco-barcelos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Confraria da Nossa Senhora do Terço. Disponível em: https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Câmara Municipal de Barcelos. Disponível em: https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Paroquia de Barcelos de Santa Maria Maior. Disponível em: https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site do Instituto Público Património Cultural. Disponível em: https://imovel.patrimoniocultural.gov.pt/detalhes.php?code=73204&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=450</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
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		<updated>2025-05-16T16:57:26Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação ====&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade das freiras beneditinas que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em Monção. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela Guerra da Restauração, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, D. Pedro II determinou o acolhimento provisório das religiosas no Seminário de São Pedro, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao Arcebispo Primaz de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a 14 de agosto de 1707, e ficou concluída em 1713, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a 11 de julho de 1713, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a 12 mil cruzados. Em 1707, foi nomeado Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em grande quadrilátero, implantado no atual Largo 5 de Outubro (antigo Campo dos Touros), onde se localizavam a portaria e o acesso à cerca. A ala sul acompanhava o traçado da atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, destacando-se o frontispício da igreja, voltado para o antigo Campo da Feira. No extremo sul, erguiam-se dois mirantes, sendo o do lado poente construído em ângulo reto entre o convento, o largo e a antiga estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao centro, dispunha-se um claustro, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma cerca com cerca de seis metros de altura, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Inauguração e permanência ====&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos pertencia ao ramo das chamadas &amp;quot;Gertrudinas Adoradoras&amp;quot;, corrente espiritual originada no século XIV com as reformas introduzidas por Santa Gertrudes, que promoveu a adoração eucarística contínua no seio da Ordem de São Bento. Esta corrente distinguia-se da tradição conservadora das &amp;quot;Escolásticas&amp;quot;, mantendo-se fiel à regra primitiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Saída das religiosas e destruição do Mosteiro ====&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, D. Pedro IV decretou, em 1834, a extinção das ordens religiosas em Portugal. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro Beneditino de Barcelos foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em Espanha, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em 1842, apenas duas religiosas permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de Viana do Castelo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por D. Maria II, confirma a realização de um leilão a 20 de novembro de 1843.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a desamortização, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A cerca sul foi demolida para dar lugar à atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2004, foi inaugurado o Centro Comercial e Hotel do Terço, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas quatro arcos de volta perfeita, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo claustro, hoje integrados no pátio do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um andar superior em galeria, com cobertura em madeira suportada por colunas toscanas sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os vãos de portas e janelas quadrangulares, com emolduramentos em cantaria, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
A Igreja da Nossa Senhora do Terço localiza-se na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, no centro histórico de Barcelos, Portugal (Coordenadas: 41.534200, -8.619500). Nas imediações situam-se diversos edifícios de relevo histórico e cultural, nomeadamente a Igreja Matriz de Barcelos (41.532462, -8.618856), o Paço dos Condes de Barcelos, atual Museu Arqueológico (41.533123, -8.618735), a Câmara Municipal de Barcelos (41.532356, -8.620407) e o antigo Convento do Menino Deus dos Maristas (41.531800, -8.621900).  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A poucos metros encontra-se o Templo do Bom Jesus da Cruz (41.535416, -8.617325), erguido no início do século XVIII, exemplar da arquitetura barroca. Este templo é central nas celebrações da Festa das Cruzes, festividade emblemática do concelho.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exterior ===&lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|Remate do portal]]&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta de disposição retangular e transversal, integrando diversos espaços funcionais alinhados ao longo de um eixo longitudinal: antigas dependências do convento, coro, nave única, capela mor profunda e sacristia. A volumetria destaca-se pela orientação horizontal, conferindo equilíbrio e sobriedade ao conjunto arquitetônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada principal, de traço simples e harmonioso, é rebocada e pintada de branco, assente sobre uma base de cantaria. Organiza-se em dois registos distintos e é rematada, ao centro, por uma cruz latina de braços trilobados. No registo inferior, sobressai o portal principal em arco de volta perfeita, construído em cantaria granítica e decorado com as armas reais na pedra de fecho. Este é ladeado por pilastras toscanas que sustentam um entablamento sóbrio, sobre o qual se encontra um nicho com a imagem da Virgem. Este nicho prolonga-se para o registo superior, sendo enquadrado por aletas e pináculos decorativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À esquerda, existe um segundo portal, também em arco de volta perfeita, mais modesto, ladeado por pilastras com pináculos e rematado por uma cornija semicircular encimada por uma cruz. Em redor encontram-se cartelas com inscrições comemorativas, adornadas com molduras volutadas típicas do barroco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No registo superior, abrem-se janelas gradeadas em capialço, incluindo uma janela de sacada com guarda em ferro forjado. O portal principal constitui o elemento de maior destaque, com arco de volta perfeita, pilastras simples, entablamento discreto e cornija proeminente. Sobre esta, dois pináculos bulbosos enquadram um nicho concheado com a escultura em pedra de Nossa Senhora da Conceição, adornado com volutas invertidas de desenho invulgar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima do portal, observa-se um brasão de armas de Portugal esculpido em alto-relevo, encimado por coroa real e inserido numa cartela em forma de couro. Sobre a balaustrada, ergue-se uma cruz em granito. No extremo leste da fachada, localiza-se uma sineira geminada de feição simples.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Programa artístico e seu ator ====&lt;br /&gt;
[[File:Pintura 1.png|thumb|Pintura a óleo ]]&lt;br /&gt;
O programa artístico da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja do convento das beneditinas de Barcelos, é geralmente atribuído a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731), um dos mais importantes mestres da azulejaria portuguesa do final do século XVII e início do século XVIII. Reconhecido pela sua versatilidade e pelo papel central na consolidação de uma escola de pintura sobre azulejo, Bernardes também se destacou na pintura a óleo sobre madeira, tela e barro. A sua oficina viria a formar diversos artistas, incluindo os seus filhos, Policarpo e Inácio Bernardes, que deram continuidade ao legado artístico da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja do Terço, a autoria de Bernardes é atribuída tanto ao conjunto de azulejos como a outras componentes decorativas do interior, num projeto coeso que parece ter sido concebido em sua totalidade pelo mestre ou sob a sua supervisão. Integradas nesse programa decorativo encontram-se seis telas de grandes dimensões com molduras douradas. Quatro permanecem na nave central e uma, de especial valor artístico, representa o regresso da Sagrada Família do Egito, colocada na capela mor. Duas outras telas originalmente pertencentes à capela mor terão desaparecido durante as Invasões Francesas, tendo os seus espaços sido preenchidos por composições em gesso de época posterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas a óleo do teto da nave principal, executadas sobre madeira nobre, apresentam afinidades estilísticas com os painéis de azulejo e são também atribuídas a António de Oliveira Bernardes. No entanto, pequenas variações formais sugerem a colaboração de outros membros da oficina, algo comum nas práticas artísticas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo notável desta colaboração é o par de painéis da capela mor que representam o lançamento da primeira pedra e a inauguração da igreja, assinados com as iniciais “P. M. P.”, de autor ainda não identificado. A assinatura completa poderá ter sido ocultada por um altar lateral posteriormente adicionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Azulejo ====&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo 2.jpg|thumb|Pormenor de azulejo]]&lt;br /&gt;
Datado de 1713, conforme inscrição identificada num friso de azulejos, o conjunto azulejar da Igreja de Barcelos é atribuído a António de Oliveira Bernardes, um dos mais destacados mestres da azulejaria barroca portuguesa. Este programa decorativo integra-se plenamente na tradição artística e pedagógica do barroco, articulando espiritualidade, narrativa e simbolismo visual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os painéis de azulejos retratam episódios da vida de São Bento, enfatizando momentos da sua juventude, milagres e cenas que ilustram os princípios da Regra Beneditina, como a oração, o trabalho e a disciplina. As composições apresentam grande dimensão e forte impacto visual, revestindo integralmente os muros da nave da igreja. O cromatismo dominante é o azul cobalto sobre fundo branco, característico da azulejaria portuguesa do período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado sul, destacam-se janelas fingidas que simulam vãos reais, criando um efeito ilusionista acentuado por reflexos amarelados que imitam a luz solar. Este recurso decorativo contribui para uma atmosfera envolvente no espaço interior, reforçando a unidade simbólica do conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O programa iconográfico inclui ainda um ciclo de emblemas inspirados nas obras do beneditino Frei João dos Prazeres: &#039;&#039;O Príncipe dos Patriarcas S. Bento&#039;&#039; (1683) e &#039;&#039;Segundo Tomo de sua Vida&#039;&#039; (1690)&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;N.º  Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema  / Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  do Coro&lt;br /&gt;
|1  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|S.  Bento recebe pastores e jovens que desejam seguir o seu exemplo de vida  austera e solitária.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|2  (Centro)&lt;br /&gt;
|S.  Bento rola-se nos silvedos, em penitência, para dominar as tentações da  carne.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|3  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|O  corvo, seu companheiro, leva um pão envenenado para longe, evitando o atentado  de Florêncio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  Norte&lt;br /&gt;
|4  (Junto ao Coro)&lt;br /&gt;
|Monges  constroem um mosteiro. Um demónio torna uma pedra pesada; S. Bento  exorciza-o.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|5  (Antes do Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tentativa  de envenenamento com uma bilha. S. Bento abençoa-a, dela sai uma serpente.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|6  (Sobre o Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tótila  envia um falso rei. S. Bento reconhece a farsa e desmascara o impostor.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|7  (Sobre o Altar)&lt;br /&gt;
|Tótila  visita S. Bento, é perdoado e o santo profetiza-lhe o futuro (9 anos de  reinado).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|8  (Depois do Púlpito)&lt;br /&gt;
|O  lema “Ora et labora” ilustrado com monges a orar e a trabalhar no Monte  Cassino.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Capela-Mor&lt;br /&gt;
|9  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|Lançamento  da 1.ª pedra do convento por D. Rodrigo de Moura Teles, em 14 de agosto de  1707.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|10  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|Inauguração  do convento em 1713, com cortejo das freiras e presença figurada de D. João  V.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|11  (Parte superior de ambas as paredes)&lt;br /&gt;
|Espaço  decorativo com fundo de gesso e desenhos entre janelas, reais e fingidas.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lições&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Interpretação Final&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1 - O  Dragão das Sete Cabeças&lt;br /&gt;
|Non  extingvetvr igne. = Não se extingue nem com o fogo.  Só com o amor  divino se extingue o amor profano.&lt;br /&gt;
|O dragão  é o amor profano, os vícios capitais; só o amor divino pode vencê-lo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2 - O  Meu Vestuário&lt;br /&gt;
|A gosto,  e à medida.  A eleição do hábito há de ser voluntária.&lt;br /&gt;
|O hábito  simboliza a vocação, que deve ser bem escolhida e vivida com entusiasmo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3 - O  Feio Pássaro&lt;br /&gt;
|Ne  pereat immunitas. = Para que não pereça a perfeita clausura.  O sagrado  da clausura não se viola só pelas portas.&lt;br /&gt;
|O  pássaro é o demónio tentador, e a clausura protege contra tentações internas  e externas.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4 - O  Sol, Atracção das Águias&lt;br /&gt;
|Probantur  ut coronentur. = São provadas para serem coroadas.  A observância da  regra de S. Bento é caminho de salvação.&lt;br /&gt;
|O Sol é  Deus e as almas virtuosas voam para Ele como prêmio da vida santa.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5 - O  Galo Vaidoso&lt;br /&gt;
|Se ipsum  conspurcat. = Suja-se a si mesmo.  Só se compõem bem quem se vê ao  Divino Espelho.&lt;br /&gt;
|A  vaidade afasta-nos de Deus; o verdadeiro espelho é Cristo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6 - A  Árvore e a Ovelha&lt;br /&gt;
|Adumbrat  et alit. = Dá sombra e alimenta.  O Religioso tudo tem na Religião.&lt;br /&gt;
|A árvore  é o convento que sustenta espiritualmente os seus membros, como a Providência  sustenta os fiéis.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|7 - O  Rapaz do Copo Quebrado&lt;br /&gt;
|Facile  conciliantur. = Facilmente se conciliam.  Na Religião não há de haver  ódios.&lt;br /&gt;
|O vaso  representa a harmonia; deve haver reconciliação fácil na vida religiosa e  social.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|8 - O  Chicote e o Freio&lt;br /&gt;
|Non  sufficit unum. = Não basta um só.  Não se pode conservar a Religião sem  castigo.&lt;br /&gt;
|O freio  representa a correção e o chicote a punição quando há desobediência.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|9 - A  Foucinha Cega&lt;br /&gt;
|Impossibilia  superat. = Supera o impossível.  A obediência há de ser cega.&lt;br /&gt;
|A  foucinha cega simboliza a obediência perfeita, sem hesitações ou dúvidas  interiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|10 - As  Flores Perfumadas&lt;br /&gt;
|Quia  olet. = Porque cheira bem.  A inveja na Religião há de ser para imitar e  não para destruir.&lt;br /&gt;
|As  virtudes devem inspirar imitação e não inveja destrutiva.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel  / Lição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Latim)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Tradução)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  2&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  Final (Resumo)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|11.°  - O SOL NÃO DESCANSA&lt;br /&gt;
|Non  Qviescit&lt;br /&gt;
|Não  descansa&lt;br /&gt;
|Na  Religião não há de haver ociosidade&lt;br /&gt;
|Trabalho  é honra e ordem do Criador; símbolo da atividade constante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|12.°  - CHOVEM RAIOS E TEMPESTADES&lt;br /&gt;
|Fortior  in Adversarios&lt;br /&gt;
|Mais  forte contra os adversários&lt;br /&gt;
|Quanto  as tentações forem mais fortes, mais forte há de ser a resistência&lt;br /&gt;
|A  alma deve resistir com força aos inimigos; milícia é a vida do homem&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|13.°  - UMA AVE VOANDO&lt;br /&gt;
|Né  sucvmbat&lt;br /&gt;
|Para  que não sucumba&lt;br /&gt;
|Há  de voar o espírito para o corpo não sentir os rigores da Religião&lt;br /&gt;
|A  alma Religiosa eleva-se até Deus; exemplo de Santa Teresa e S. João da Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|14.°  - UM CHAFARIZ A PRESSÃO&lt;br /&gt;
|Quo  pressa altivs&lt;br /&gt;
|Quanto  mais oprimida mais alto sobe&lt;br /&gt;
|A  humildade na Religião é a que faz avultar a virtude&lt;br /&gt;
|Humildade  é base da santidade; mais pressão, maior elevação espiritual&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|15.°  - NUTRIDA OVELHA ATRAI CHACAIS&lt;br /&gt;
|In  odorem cvrrimvs&lt;br /&gt;
|Corremos  atraídos pelo bom cheiro&lt;br /&gt;
|A  Religião há de se buscar pela fama da sua virtude&lt;br /&gt;
|Virtude  atrai os outros à fé; como S. Bento atraiu muitos à religião&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|16.°  - A VACA DO LAVRADOR&lt;br /&gt;
|Tv  cede&lt;br /&gt;
|Tu  cede&lt;br /&gt;
|Não  há de o Religioso querer que toda a gente ande ao seu passo&lt;br /&gt;
|Aceitar  as diferenças; ajudar os mais lentos com paciência e caridade&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|17.°  - CASA SEM COBERTURA&lt;br /&gt;
|Sine  cvlmine corrvit&lt;br /&gt;
|Sem  o cume desmorona-se&lt;br /&gt;
|Não  se conserva a virtude sem a oração&lt;br /&gt;
|Sem  oração, tudo desmorona; oração é vida da perfeição&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|18.°  - O SOL QUE ILUMINA E PENETRA&lt;br /&gt;
|Non  oltra vires&lt;br /&gt;
|Não  além das forças de cada qual&lt;br /&gt;
|O  superior deve tomar conhecimento individual dos súbditos&lt;br /&gt;
|Superior  deve conhecer os seus para orientá-los segundo suas capacidades&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|19.°  - O SOL DA LADEIRA&lt;br /&gt;
|Allevat  et vexat&lt;br /&gt;
|Eleva  e humilha&lt;br /&gt;
|O  superior, assim como castiga, há de premiar&lt;br /&gt;
|Superior  deve agir com justiça e equilíbrio entre castigo e prémio&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|20.°  - O FLORIDO ARBUSTO&lt;br /&gt;
|Non  ex omni flore cárpitv mel&lt;br /&gt;
|Nem  de toda a flor se colhe mel&lt;br /&gt;
|Nem  sempre há de achar o superior igual procedimento nos súbditos&lt;br /&gt;
|Nem  todos os súbditos procedem da mesma forma; usar compreensão e realismo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens devocionais ====&lt;br /&gt;
As imagens e elementos decorativos do interior da igreja exercem uma dupla função: evidenciam, por um lado, um notável valor estético e patrimonial, refletindo o cuidado artístico da época barroca; por outro, assumem uma função devocional, ao inspirarem fé, recolhimento e ligação ao sagrado entre os fiéis que ali acorrem para oração.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Nome  da Imagem&lt;br /&gt;
|Material  / Estilo / Datação&lt;br /&gt;
|Altura  (m)&lt;br /&gt;
|Observações&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. dir.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada e dourada; séc. XVII (1.ª metade)&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Padroeira  primitiva&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. centro&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; meados do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Abadia&lt;br /&gt;
|Pedra  policromada; séc. XV-XVI, influência francesa&lt;br /&gt;
|1,00&lt;br /&gt;
|Proveniente  das muralhas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|São  Vicente Ferrer&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada com mulher aos pés; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – junto ao sacrário&lt;br /&gt;
|Coração  de Jesus e São José&lt;br /&gt;
|Terracota;  2.ª metade do séc. XX&lt;br /&gt;
|0,63&lt;br /&gt;
|Imagens  provisórias&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – porta do sacrário&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão (alto-relevo)&lt;br /&gt;
|Madeira;  alto-relevo&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Ressuscitado  e triunfal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – sobre o sacrário&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – centro&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada, policromada; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,97&lt;br /&gt;
|Titular  desde 1846&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (grande)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; dourado antigo; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,76&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (pequena)&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,33&lt;br /&gt;
|Muito  apreciada&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – centro&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,18&lt;br /&gt;
|Segundo  titular&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  – imagem adicional&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|1,55&lt;br /&gt;
|Substituída  após obras&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Escolástica&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada com ouro; finais séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,08&lt;br /&gt;
|Irmã  de S. Bento&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – centro&lt;br /&gt;
|Senhor  do Perdão&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo gótico; séc. XV&lt;br /&gt;
|1,90  x 1,70&lt;br /&gt;
|Expressão  comovente&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – lado&lt;br /&gt;
|São  João Evangelista&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; início do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Discípulo  amado&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – centro (em alto)&lt;br /&gt;
|Santíssima  Trindade&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,90&lt;br /&gt;
|Sobre  oratório do mesmo século&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – no oratório&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora (Virgem e Mãe)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Muito  bela&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna&lt;br /&gt;
|Senhor  da Cana Verde&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|1,16&lt;br /&gt;
|Escarnecido  pelos soldados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – sobre cómoda&lt;br /&gt;
|São  Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,66&lt;br /&gt;
|Fundador  dos Franciscanos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna alta&lt;br /&gt;
|Busto  de São Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada, articulado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Desfeito  após 1970&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – cómoda&lt;br /&gt;
|Santa  Filomena&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|Virgem  e mártir&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto&lt;br /&gt;
|Crucifixo  Semana Santa&lt;br /&gt;
|Madeira  (cruz recente); imagem antiga&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Muito  expressivo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Coração  de Maria&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,35&lt;br /&gt;
|Sobre  peanha&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|São  José&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada&lt;br /&gt;
|0,25&lt;br /&gt;
|Muito  pequeno&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|3  Crucifixos e castiçais&lt;br /&gt;
|Madeira  dourada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,50  (cruzes), 0,70 (pés)&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Presépio  com 10 figuras&lt;br /&gt;
|Terracota;  cenário reaproveitado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Gruta  original do sacrário&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Senhor  da Boa Morte&lt;br /&gt;
|Madeira;  estilo gótico&lt;br /&gt;
|Tamanho  natural&lt;br /&gt;
|Rosto  suave&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – frontispício&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Com  coroa e escudo reais&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – portaria do convento&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Escudo  aos pés&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – capela / oratório&lt;br /&gt;
|Senhor  dos Aflitos&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|1,15  (imagem); 2,00 x 1,00 (cruz)&lt;br /&gt;
|Crucifixo  devocional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura no teto da igreja ====&lt;br /&gt;
O teto em caixotões da nave principal da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja conventual beneditina em Barcelos, constitui um dos elementos mais notáveis do seu programa decorativo. Executado em painéis de madeira nobre, encontra-se revestido por pinturas a óleo de temática religiosa, representando episódios da vida de São Bento e outras cenas devocionais.&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|thumb|Pintura no teto da igreja]]&lt;br /&gt;
Estas pinturas são geralmente atribuídas a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731) ou ao seu círculo próximo, com base em semelhanças estilísticas com os painéis de azulejo da mesma igreja. A obra revela um traço delicado e meticuloso, evocando por vezes o espírito das iluminuras medievais, com influência de modelos como o Beato Angélico. O uso de cores vivas, bem conservadas, e a qualidade técnica geral evidenciam a mestria dos artistas envolvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A excecional preservação destas pinturas foi já destacada em fontes do século XIX e reafirmada por técnicos da Direção-Geral dos Monumentos Nacionais durante os trabalhos de restauro realizados na década de 1970. A simples remoção de sujidade revelou a riqueza cromática e a integridade dos caixotões pintados, demonstrando a durabilidade da técnica empregue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste, as pinturas originais do teto da capela-mor foram cobertas com cal em data incerta, o que comprometeu grande parte do seu valor artístico. Intervenções de recuperação no século XX permitiram a remoção parcial da cal e a aplicação de cera protetora, embora muitos danos sejam considerados irreversíveis. Procedimentos semelhantes foram aplicados à sacristia e áreas anexas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tetos dos coros, inferior e superior, não apresentam decoração pictórica. Originalmente pintados com tinta cinzenta, foram restaurados com tratamento a cera, refletindo uma estética sóbria e alinhada com o ideal monástico de humildade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura devocional ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Título / Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Descrição / Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor / Escola&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Data / Época&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Regresso da Sagrada Família do Egito&lt;br /&gt;
|Pintura com grande expressividade, cores vivas,  vestes esvoaçantes. Representa a Divina Pastora.&lt;br /&gt;
|Possivelmente António de Oliveira Bernardes ou  escola&lt;br /&gt;
|Início do século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte&lt;br /&gt;
|Santa Gertrudes&lt;br /&gt;
|Beneditina, reformadora, representada com o Menino  Jesus no coração.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul&lt;br /&gt;
|Santa Escolástica&lt;br /&gt;
|Irmã de São Bento, cofundadora das Beneditinas.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Arcanjo do Juízo Final&lt;br /&gt;
|Inspirado na carta aos Tessalonicenses (1 Tsl. 4,  12-27).&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Morte de Santa Teresa de Jesus&lt;br /&gt;
|Santa espanhola, reformadora do Carmelo. Pintura  italiana.&lt;br /&gt;
|Atribuído a Bernini por crítico da Fundação  Gulbenkian&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|O Rosto do Senhor (Véu da Verónica)&lt;br /&gt;
|Reprodução autenticada pelo Vaticano.&lt;br /&gt;
|Reprodução&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Ex-voto de S. Bento da Portaria&lt;br /&gt;
|Relata milagre de cura a António José.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Baixo&lt;br /&gt;
|Santa Águeda&lt;br /&gt;
|Pintura em tábua, virgem e mártir da província de  Catânia.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|séc. XVII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Santa Luzia&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Ascenção do Senhor&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Talha ====&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço,destaca-se pelo seu valioso conjunto de talha dourada, considerado um dos mais significativos da arte sacra portuguesa do início do século XVIII. Este conjunto tem sido objeto de estudo por diversos investigadores, entre os quais se destaca Robert Smith, especialista em arte portuguesa, que atribuiu a autoria da talha a Ambrósio Coelho, entalhador natural da freguesia de São Paio de Carvalhal, no concelho de Barcelos. &lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|Púlpito ]]&lt;br /&gt;
O estilo decorativo da talha é descrito pelo Cónego Dr. Luciano dos Santos, presidente da Comissão de Arte Sacra de Braga, como pertencente a um “renascimento muito ornamentado”. Apesar de algumas interpretações sugerirem uma fase de transição entre o Renascimento e o Barroco, a maioria dos estudiosos considera que a talha se insere no estilo joanino, do reinado de D. João V. Esta classificação é reforçada pela presença de motivos imperiais, como as águias esculpidas nos altares e no púlpito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os retábulos colaterais, dispostos em ângulo nas paredes laterais da nave, apresentam planta côncava e eixo único, sendo rematados por arquivoltas com decoração vegetalista. Cada retábulo possui um nicho central com imaginária, enquadrado por colunas pseudosalomónicas, características do barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela mor é coberta por abóbada semelhante à da nave e apresenta um retábulo-mor em talha dourada, de planta côncava, também com eixo único e remate em arquivolta. No centro, encontra-se a tribuna com trono, enquadrada por colunas pseudosalomónicas, entre as quais se dispõem peanhas com imagens devocionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pisos ====&lt;br /&gt;
A Igreja desenvolve-se num único piso ao nível do rés-do-chão, originalmente revestido com lajedo de pedra. Este revestimento estendia-se também à sacristia e aos corredores laterais da capela mor, onde se encontra cantaria mais elaborada, possivelmente com acabamento mais fino, condizente com o embasamento das escadas e da base do altar. Durante a década de 1930, o pavimento em pedra foi coberto com soalho de madeira, numa tentativa de melhorar o conforto térmico no interior do templo.&lt;br /&gt;
[[File:Coro.png|thumb|286x286px|Coro baixo e alto]]&lt;br /&gt;
O coro baixo, reservado à participação litúrgica das religiosas em clausura, não apresenta lajedo original, o que sugere uma construção posterior ou com finalidade diferente. Conservam-se ainda elementos associados à prática da reconciliação penitencial, como pequenas janelas embutidas na parede norte. Estes vãos permitiam o contacto entre as religiosas e o confessor, mantendo a separação imposta pela clausura. Alguns desses vãos foram reabertos durante as intervenções realizadas no século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto é de grandes dimensões, projetado para acomodar mais de uma centena de religiosas. Possui pavimento em madeira e um falso teto que separa os dois coros. Durante os trabalhos de restauro do edifício, foi proposta a substituição do soalho do coro alto por uma laje de cimento revestida a madeira, com o objetivo de reforçar a estrutura e preservar a harmonia estética do espaço. Esta intervenção visava também resolver problemas funcionais relacionados com a existência de um armazém arrendado sob o coro, situação considerada inadequada do ponto de vista litúrgico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modificações estilísticas na Igreja de Nossa Senhora do Terço ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções e Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Influência das modas e  intervenções passadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados (séc. XX)  pintados de branco, quebrando a harmonia arquitetónica. - “Capacetes” de  madeira substituíram baldaquinos de damasco.- No séc. XIX, acrescentaram-se  sanefas e elementos decorativos em madeira nos arcos triunfais, obscurecendo  a estrutura original.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções de 1966 a 1970 –  Recuperação da traça original&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Retirada de elementos estranhos  ao estilo original: sanefas, guarnições de madeira, topo do sacrário  substituído por gruta com figuras em terracota. - Peças de pouca qualidade  recolhidas e armazenadas no coro e compartimentos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Altares vazados e frontais&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados transferidos para  o coro. - Perda dos frontais originais; um possivelmente reaproveitado na  capela de São Bento da Buraquinha. - Novos frontais construídos em madeira de  castanho, pintados em sintonia com a paleta cromática da igreja.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Adaptação às normas do Concílio  Vaticano II&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Centralização do culto no novo  Altar do Sacrifício. - Mesas dos três altares cortadas e reutilizadas como  nichos no novo altar central. - Grade da comunhão removida.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tribuna e elementos decorativos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Pinturas florais no fundo do  retábulo refeitas com base em vestígios originais (tons de cinzento com  flores discretas). - Telão do Coração de Jesus e Santa Margarida Maria  Alacoque removido por destoar estilisticamente; degraus restaurados e  pintados de dourado.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Uso da tribuna pelas religiosas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- A tribuna foi usada como espaço  de exposição do Santíssimo Sacramento, acessível pela porta inferior. - Não  se sabe ao certo desde quando essa prática ocorria.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Restauro geral e cuidados  estéticos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Limpeza dos tetos, recuperação  das cantarias, portas interiores, balaustradas, ferragens, candeeiros e  tintas escolhidas com critério estético e histórico.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Imagens sacras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Imagem moderna de São Bento  deslocada para o coro, substituída por escultura antiga. - Imagem de Santa  Luzia restaurada em Braga.- Imagens do Coração de Jesus e de São José  adaptadas antes da colocação.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Aspirações futuras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Recuperação do lajedo da nave  principal ainda pendente. - Novo Altar do Sacrifício destaca-se pela  simplicidade e contribui para a beleza do conjunto.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia dos Restauros ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Ano/Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções Realizadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1966&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início da campanha de restauro  para devolver à igreja o estilo original. - Retirada de sanefas e guarnições  de madeira que ocultavam elementos arquitetónicos. - Substituição da peça  superior do sacrário por uma gruta com figuras em terracota.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1967–1968&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Retirada dos altares vazados do  início do séc. XX e transferência para o coro. - Confeção de dois frontais em  madeira de castanho para os altares laterais, pintados conforme as cores  dominantes da igreja. - Substituição de imagens modernas por outras antigas  de valor artístico (ex.: imagem antiga de S. Bento).&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1969&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Preparação para o restauro  estrutural profundo. - Envolvimento da Delegação Norte dos Monumentos  Nacionais (Arq. Silva Bessa). - Obra autorizada a ser feita “a jornal” por  mestres locais após desistência de empreiteiros.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Verão de 1970&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início oficial das grandes obras.  - Nova cobertura em placa de cimento armado. - Instalação de telhados novos  em telha especial patinada.- Verificação da boa conservação das estruturas de  madeira originais. - Travamento das paredes com anéis de ferro, cimento e  cabos de aço.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1971&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Reboque e pintura da fachada  sul com materiais adequados. - Restauro do coro alto (escadas novas, reboco e  enceramento do teto). - Confeção de cinco portas exteriores em madeira de  castanho envelhecido. - Nova porta da sacristia em madeira de mimosa seca.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Primavera de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Conclusão da 2.ª fase das obras.  - Construção do novo Altar do Sacrifício ao centro da capela-mor, conforme o  Concílio Vaticano II.- Retirada da grade da comunhão e adaptação do arco cruzeiro.  - Lavagens profundas da cantaria e construção de armários laterais de apoio.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1 de julho de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Visita oficial do Arcebispo  Primaz, D. Francisco Maria da Silva. - Planeamento da 3.ª fase: colocação da  placa do coro alto e instalação de iluminação museológica.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  Fontes e Bibliografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Recursos Digitais ==&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Confraria da Nossa Senhora do Terço. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Câmara Municipal de Barcelos. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Paroquia de Barcelos de Santa Maria Maior. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=449</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=449"/>
		<updated>2025-05-16T16:47:07Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da Arte ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação ====&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade das freiras beneditinas que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em Monção. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela Guerra da Restauração, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, D. Pedro II determinou o acolhimento provisório das religiosas no Seminário de São Pedro, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao Arcebispo Primaz de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a 14 de agosto de 1707, e ficou concluída em 1713, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a 11 de julho de 1713, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a 12 mil cruzados. Em 1707, foi nomeado Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em grande quadrilátero, implantado no atual Largo 5 de Outubro (antigo Campo dos Touros), onde se localizavam a portaria e o acesso à cerca. A ala sul acompanhava o traçado da atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, destacando-se o frontispício da igreja, voltado para o antigo Campo da Feira. No extremo sul, erguiam-se dois mirantes, sendo o do lado poente construído em ângulo reto entre o convento, o largo e a antiga estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao centro, dispunha-se um claustro, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma cerca com cerca de seis metros de altura, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Inauguração e permanência ====&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos pertencia ao ramo das chamadas &amp;quot;Gertrudinas Adoradoras&amp;quot;, corrente espiritual originada no século XIV com as reformas introduzidas por Santa Gertrudes, que promoveu a adoração eucarística contínua no seio da Ordem de São Bento. Esta corrente distinguia-se da tradição conservadora das &amp;quot;Escolásticas&amp;quot;, mantendo-se fiel à regra primitiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Saída das religiosas e destruição do Mosteiro ====&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, D. Pedro IV decretou, em 1834, a extinção das ordens religiosas em Portugal. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro Beneditino de Barcelos foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em Espanha, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em 1842, apenas duas religiosas permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de Viana do Castelo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por D. Maria II, confirma a realização de um leilão a 20 de novembro de 1843.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a desamortização, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A cerca sul foi demolida para dar lugar à atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2004, foi inaugurado o Centro Comercial e Hotel do Terço, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas quatro arcos de volta perfeita, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo claustro, hoje integrados no pátio do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um andar superior em galeria, com cobertura em madeira suportada por colunas toscanas sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os vãos de portas e janelas quadrangulares, com emolduramentos em cantaria, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
A Igreja da Nossa Senhora do Terço localiza-se na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, no centro histórico de Barcelos, Portugal (Coordenadas: 41.534200, -8.619500). Nas imediações situam-se diversos edifícios de relevo histórico e cultural, nomeadamente a Igreja Matriz de Barcelos (41.532462, -8.618856), o Paço dos Condes de Barcelos, atual Museu Arqueológico (41.533123, -8.618735), a Câmara Municipal de Barcelos (41.532356, -8.620407) e o antigo Convento do Menino Deus dos Maristas (41.531800, -8.621900).  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A poucos metros encontra-se o Templo do Bom Jesus da Cruz (41.535416, -8.617325), erguido no início do século XVIII, exemplar da arquitetura barroca. Este templo é central nas celebrações da Festa das Cruzes, festividade emblemática do concelho.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exterior ===&lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|Remate do portal]]&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta de disposição retangular e transversal, integrando diversos espaços funcionais alinhados ao longo de um eixo longitudinal: antigas dependências do convento, coro, nave única, capela mor profunda e sacristia. A volumetria destaca-se pela orientação horizontal, conferindo equilíbrio e sobriedade ao conjunto arquitetônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada principal, de traço simples e harmonioso, é rebocada e pintada de branco, assente sobre uma base de cantaria. Organiza-se em dois registos distintos e é rematada, ao centro, por uma cruz latina de braços trilobados. No registo inferior, sobressai o portal principal em arco de volta perfeita, construído em cantaria granítica e decorado com as armas reais na pedra de fecho. Este é ladeado por pilastras toscanas que sustentam um entablamento sóbrio, sobre o qual se encontra um nicho com a imagem da Virgem. Este nicho prolonga-se para o registo superior, sendo enquadrado por aletas e pináculos decorativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À esquerda, existe um segundo portal, também em arco de volta perfeita, mais modesto, ladeado por pilastras com pináculos e rematado por uma cornija semicircular encimada por uma cruz. Em redor encontram-se cartelas com inscrições comemorativas, adornadas com molduras volutadas típicas do barroco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No registo superior, abrem-se janelas gradeadas em capialço, incluindo uma janela de sacada com guarda em ferro forjado. O portal principal constitui o elemento de maior destaque, com arco de volta perfeita, pilastras simples, entablamento discreto e cornija proeminente. Sobre esta, dois pináculos bulbosos enquadram um nicho concheado com a escultura em pedra de Nossa Senhora da Conceição, adornado com volutas invertidas de desenho invulgar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima do portal, observa-se um brasão de armas de Portugal esculpido em alto-relevo, encimado por coroa real e inserido numa cartela em forma de couro. Sobre a balaustrada, ergue-se uma cruz em granito. No extremo leste da fachada, localiza-se uma sineira geminada de feição simples.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Programa artístico e seu ator ====&lt;br /&gt;
[[File:Pintura 1.png|thumb|Pintura a óleo ]]&lt;br /&gt;
O programa artístico da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja do convento das beneditinas de Barcelos, é geralmente atribuído a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731), um dos mais importantes mestres da azulejaria portuguesa do final do século XVII e início do século XVIII. Reconhecido pela sua versatilidade e pelo papel central na consolidação de uma escola de pintura sobre azulejo, Bernardes também se destacou na pintura a óleo sobre madeira, tela e barro. A sua oficina viria a formar diversos artistas, incluindo os seus filhos, Policarpo e Inácio Bernardes, que deram continuidade ao legado artístico da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja do Terço, a autoria de Bernardes é atribuída tanto ao conjunto de azulejos como a outras componentes decorativas do interior, num projeto coeso que parece ter sido concebido em sua totalidade pelo mestre ou sob a sua supervisão. Integradas nesse programa decorativo encontram-se seis telas de grandes dimensões com molduras douradas. Quatro permanecem na nave central e uma, de especial valor artístico, representa o regresso da Sagrada Família do Egito, colocada na capela mor. Duas outras telas originalmente pertencentes à capela mor terão desaparecido durante as Invasões Francesas, tendo os seus espaços sido preenchidos por composições em gesso de época posterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas a óleo do teto da nave principal, executadas sobre madeira nobre, apresentam afinidades estilísticas com os painéis de azulejo e são também atribuídas a António de Oliveira Bernardes. No entanto, pequenas variações formais sugerem a colaboração de outros membros da oficina, algo comum nas práticas artísticas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo notável desta colaboração é o par de painéis da capela mor que representam o lançamento da primeira pedra e a inauguração da igreja, assinados com as iniciais “P. M. P.”, de autor ainda não identificado. A assinatura completa poderá ter sido ocultada por um altar lateral posteriormente adicionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Azulejo ====&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo 2.jpg|thumb|Pormenor de azulejo]]&lt;br /&gt;
Datado de 1713, conforme inscrição identificada num friso de azulejos, o conjunto azulejar da Igreja de Barcelos é atribuído a António de Oliveira Bernardes, um dos mais destacados mestres da azulejaria barroca portuguesa. Este programa decorativo integra-se plenamente na tradição artística e pedagógica do barroco, articulando espiritualidade, narrativa e simbolismo visual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os painéis de azulejos retratam episódios da vida de São Bento, enfatizando momentos da sua juventude, milagres e cenas que ilustram os princípios da Regra Beneditina, como a oração, o trabalho e a disciplina. As composições apresentam grande dimensão e forte impacto visual, revestindo integralmente os muros da nave da igreja. O cromatismo dominante é o azul cobalto sobre fundo branco, característico da azulejaria portuguesa do período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado sul, destacam-se janelas fingidas que simulam vãos reais, criando um efeito ilusionista acentuado por reflexos amarelados que imitam a luz solar. Este recurso decorativo contribui para uma atmosfera envolvente no espaço interior, reforçando a unidade simbólica do conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O programa iconográfico inclui ainda um ciclo de emblemas inspirados nas obras do beneditino Frei João dos Prazeres: &#039;&#039;O Príncipe dos Patriarcas S. Bento&#039;&#039; (1683) e &#039;&#039;Segundo Tomo de sua Vida&#039;&#039; (1690)&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;N.º  Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema  / Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  do Coro&lt;br /&gt;
|1  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|S.  Bento recebe pastores e jovens que desejam seguir o seu exemplo de vida  austera e solitária.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|2  (Centro)&lt;br /&gt;
|S.  Bento rola-se nos silvedos, em penitência, para dominar as tentações da  carne.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|3  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|O  corvo, seu companheiro, leva um pão envenenado para longe, evitando o atentado  de Florêncio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  Norte&lt;br /&gt;
|4  (Junto ao Coro)&lt;br /&gt;
|Monges  constroem um mosteiro. Um demónio torna uma pedra pesada; S. Bento  exorciza-o.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|5  (Antes do Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tentativa  de envenenamento com uma bilha. S. Bento abençoa-a, dela sai uma serpente.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|6  (Sobre o Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tótila  envia um falso rei. S. Bento reconhece a farsa e desmascara o impostor.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|7  (Sobre o Altar)&lt;br /&gt;
|Tótila  visita S. Bento, é perdoado e o santo profetiza-lhe o futuro (9 anos de  reinado).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|8  (Depois do Púlpito)&lt;br /&gt;
|O  lema “Ora et labora” ilustrado com monges a orar e a trabalhar no Monte  Cassino.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Capela-Mor&lt;br /&gt;
|9  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|Lançamento  da 1.ª pedra do convento por D. Rodrigo de Moura Teles, em 14 de agosto de  1707.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|10  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|Inauguração  do convento em 1713, com cortejo das freiras e presença figurada de D. João  V.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|11  (Parte superior de ambas as paredes)&lt;br /&gt;
|Espaço  decorativo com fundo de gesso e desenhos entre janelas, reais e fingidas.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lições&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Interpretação Final&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1 - O  Dragão das Sete Cabeças&lt;br /&gt;
|Non  extingvetvr igne. = Não se extingue nem com o fogo.  Só com o amor  divino se extingue o amor profano.&lt;br /&gt;
|O dragão  é o amor profano, os vícios capitais; só o amor divino pode vencê-lo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2 - O  Meu Vestuário&lt;br /&gt;
|A gosto,  e à medida.  A eleição do hábito há de ser voluntária.&lt;br /&gt;
|O hábito  simboliza a vocação, que deve ser bem escolhida e vivida com entusiasmo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3 - O  Feio Pássaro&lt;br /&gt;
|Ne  pereat immunitas. = Para que não pereça a perfeita clausura.  O sagrado  da clausura não se viola só pelas portas.&lt;br /&gt;
|O  pássaro é o demónio tentador, e a clausura protege contra tentações internas  e externas.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4 - O  Sol, Atracção das Águias&lt;br /&gt;
|Probantur  ut coronentur. = São provadas para serem coroadas.  A observância da  regra de S. Bento é caminho de salvação.&lt;br /&gt;
|O Sol é  Deus e as almas virtuosas voam para Ele como prêmio da vida santa.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5 - O  Galo Vaidoso&lt;br /&gt;
|Se ipsum  conspurcat. = Suja-se a si mesmo.  Só se compõem bem quem se vê ao  Divino Espelho.&lt;br /&gt;
|A  vaidade afasta-nos de Deus; o verdadeiro espelho é Cristo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6 - A  Árvore e a Ovelha&lt;br /&gt;
|Adumbrat  et alit. = Dá sombra e alimenta.  O Religioso tudo tem na Religião.&lt;br /&gt;
|A árvore  é o convento que sustenta espiritualmente os seus membros, como a Providência  sustenta os fiéis.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|7 - O  Rapaz do Copo Quebrado&lt;br /&gt;
|Facile  conciliantur. = Facilmente se conciliam.  Na Religião não há de haver  ódios.&lt;br /&gt;
|O vaso  representa a harmonia; deve haver reconciliação fácil na vida religiosa e  social.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|8 - O  Chicote e o Freio&lt;br /&gt;
|Non  sufficit unum. = Não basta um só.  Não se pode conservar a Religião sem  castigo.&lt;br /&gt;
|O freio  representa a correção e o chicote a punição quando há desobediência.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|9 - A  Foucinha Cega&lt;br /&gt;
|Impossibilia  superat. = Supera o impossível.  A obediência há de ser cega.&lt;br /&gt;
|A  foucinha cega simboliza a obediência perfeita, sem hesitações ou dúvidas  interiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|10 - As  Flores Perfumadas&lt;br /&gt;
|Quia  olet. = Porque cheira bem.  A inveja na Religião há de ser para imitar e  não para destruir.&lt;br /&gt;
|As  virtudes devem inspirar imitação e não inveja destrutiva.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel  / Lição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Latim)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Tradução)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  2&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  Final (Resumo)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|11.°  - O SOL NÃO DESCANSA&lt;br /&gt;
|Non  Qviescit&lt;br /&gt;
|Não  descansa&lt;br /&gt;
|Na  Religião não há de haver ociosidade&lt;br /&gt;
|Trabalho  é honra e ordem do Criador; símbolo da atividade constante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|12.°  - CHOVEM RAIOS E TEMPESTADES&lt;br /&gt;
|Fortior  in Adversarios&lt;br /&gt;
|Mais  forte contra os adversários&lt;br /&gt;
|Quanto  as tentações forem mais fortes, mais forte há de ser a resistência&lt;br /&gt;
|A  alma deve resistir com força aos inimigos; milícia é a vida do homem&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|13.°  - UMA AVE VOANDO&lt;br /&gt;
|Né  sucvmbat&lt;br /&gt;
|Para  que não sucumba&lt;br /&gt;
|Há  de voar o espírito para o corpo não sentir os rigores da Religião&lt;br /&gt;
|A  alma Religiosa eleva-se até Deus; exemplo de Santa Teresa e S. João da Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|14.°  - UM CHAFARIZ A PRESSÃO&lt;br /&gt;
|Quo  pressa altivs&lt;br /&gt;
|Quanto  mais oprimida mais alto sobe&lt;br /&gt;
|A  humildade na Religião é a que faz avultar a virtude&lt;br /&gt;
|Humildade  é base da santidade; mais pressão, maior elevação espiritual&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|15.°  - NUTRIDA OVELHA ATRAI CHACAIS&lt;br /&gt;
|In  odorem cvrrimvs&lt;br /&gt;
|Corremos  atraídos pelo bom cheiro&lt;br /&gt;
|A  Religião há de se buscar pela fama da sua virtude&lt;br /&gt;
|Virtude  atrai os outros à fé; como S. Bento atraiu muitos à religião&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|16.°  - A VACA DO LAVRADOR&lt;br /&gt;
|Tv  cede&lt;br /&gt;
|Tu  cede&lt;br /&gt;
|Não  há de o Religioso querer que toda a gente ande ao seu passo&lt;br /&gt;
|Aceitar  as diferenças; ajudar os mais lentos com paciência e caridade&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|17.°  - CASA SEM COBERTURA&lt;br /&gt;
|Sine  cvlmine corrvit&lt;br /&gt;
|Sem  o cume desmorona-se&lt;br /&gt;
|Não  se conserva a virtude sem a oração&lt;br /&gt;
|Sem  oração, tudo desmorona; oração é vida da perfeição&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|18.°  - O SOL QUE ILUMINA E PENETRA&lt;br /&gt;
|Non  oltra vires&lt;br /&gt;
|Não  além das forças de cada qual&lt;br /&gt;
|O  superior deve tomar conhecimento individual dos súbditos&lt;br /&gt;
|Superior  deve conhecer os seus para orientá-los segundo suas capacidades&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|19.°  - O SOL DA LADEIRA&lt;br /&gt;
|Allevat  et vexat&lt;br /&gt;
|Eleva  e humilha&lt;br /&gt;
|O  superior, assim como castiga, há de premiar&lt;br /&gt;
|Superior  deve agir com justiça e equilíbrio entre castigo e prémio&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|20.°  - O FLORIDO ARBUSTO&lt;br /&gt;
|Non  ex omni flore cárpitv mel&lt;br /&gt;
|Nem  de toda a flor se colhe mel&lt;br /&gt;
|Nem  sempre há de achar o superior igual procedimento nos súbditos&lt;br /&gt;
|Nem  todos os súbditos procedem da mesma forma; usar compreensão e realismo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens devocionais ====&lt;br /&gt;
As imagens e elementos decorativos do interior da igreja exercem uma dupla função: evidenciam, por um lado, um notável valor estético e patrimonial, refletindo o cuidado artístico da época barroca; por outro, assumem uma função devocional, ao inspirarem fé, recolhimento e ligação ao sagrado entre os fiéis que ali acorrem para oração.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Nome  da Imagem&lt;br /&gt;
|Material  / Estilo / Datação&lt;br /&gt;
|Altura  (m)&lt;br /&gt;
|Observações&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. dir.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada e dourada; séc. XVII (1.ª metade)&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Padroeira  primitiva&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. centro&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; meados do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Abadia&lt;br /&gt;
|Pedra  policromada; séc. XV-XVI, influência francesa&lt;br /&gt;
|1,00&lt;br /&gt;
|Proveniente  das muralhas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|São  Vicente Ferrer&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada com mulher aos pés; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – junto ao sacrário&lt;br /&gt;
|Coração  de Jesus e São José&lt;br /&gt;
|Terracota;  2.ª metade do séc. XX&lt;br /&gt;
|0,63&lt;br /&gt;
|Imagens  provisórias&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – porta do sacrário&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão (alto-relevo)&lt;br /&gt;
|Madeira;  alto-relevo&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Ressuscitado  e triunfal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – sobre o sacrário&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – centro&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada, policromada; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,97&lt;br /&gt;
|Titular  desde 1846&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (grande)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; dourado antigo; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,76&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (pequena)&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,33&lt;br /&gt;
|Muito  apreciada&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – centro&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,18&lt;br /&gt;
|Segundo  titular&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  – imagem adicional&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|1,55&lt;br /&gt;
|Substituída  após obras&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Escolástica&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada com ouro; finais séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,08&lt;br /&gt;
|Irmã  de S. Bento&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – centro&lt;br /&gt;
|Senhor  do Perdão&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo gótico; séc. XV&lt;br /&gt;
|1,90  x 1,70&lt;br /&gt;
|Expressão  comovente&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – lado&lt;br /&gt;
|São  João Evangelista&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; início do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Discípulo  amado&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – centro (em alto)&lt;br /&gt;
|Santíssima  Trindade&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,90&lt;br /&gt;
|Sobre  oratório do mesmo século&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – no oratório&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora (Virgem e Mãe)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Muito  bela&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna&lt;br /&gt;
|Senhor  da Cana Verde&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|1,16&lt;br /&gt;
|Escarnecido  pelos soldados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – sobre cómoda&lt;br /&gt;
|São  Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,66&lt;br /&gt;
|Fundador  dos Franciscanos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna alta&lt;br /&gt;
|Busto  de São Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada, articulado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Desfeito  após 1970&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – cómoda&lt;br /&gt;
|Santa  Filomena&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|Virgem  e mártir&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto&lt;br /&gt;
|Crucifixo  Semana Santa&lt;br /&gt;
|Madeira  (cruz recente); imagem antiga&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Muito  expressivo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Coração  de Maria&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,35&lt;br /&gt;
|Sobre  peanha&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|São  José&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada&lt;br /&gt;
|0,25&lt;br /&gt;
|Muito  pequeno&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|3  Crucifixos e castiçais&lt;br /&gt;
|Madeira  dourada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,50  (cruzes), 0,70 (pés)&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Presépio  com 10 figuras&lt;br /&gt;
|Terracota;  cenário reaproveitado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Gruta  original do sacrário&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Senhor  da Boa Morte&lt;br /&gt;
|Madeira;  estilo gótico&lt;br /&gt;
|Tamanho  natural&lt;br /&gt;
|Rosto  suave&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – frontispício&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Com  coroa e escudo reais&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – portaria do convento&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Escudo  aos pés&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – capela / oratório&lt;br /&gt;
|Senhor  dos Aflitos&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|1,15  (imagem); 2,00 x 1,00 (cruz)&lt;br /&gt;
|Crucifixo  devocional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura no teto da igreja ====&lt;br /&gt;
O teto da nave principal da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja conventual beneditina em Barcelos, constitui um dos elementos mais notáveis do seu programa decorativo. Executado em painéis de madeira nobre, encontra-se revestido por pinturas a óleo de temática religiosa, representando episódios da vida de São Bento e outras cenas devocionais.&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|thumb|Pintura no teto da igreja]]&lt;br /&gt;
Estas pinturas são geralmente atribuídas a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731) ou ao seu círculo próximo, com base em semelhanças estilísticas com os painéis de azulejo da mesma igreja. A obra revela um traço delicado e meticuloso, evocando por vezes o espírito das iluminuras medievais, com influência de modelos como o Beato Angélico. O uso de cores vivas, bem conservadas, e a qualidade técnica geral evidenciam a mestria dos artistas envolvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A excecional preservação destas pinturas foi já destacada em fontes do século XIX e reafirmada por técnicos da Direção-Geral dos Monumentos Nacionais durante os trabalhos de restauro realizados na década de 1970. A simples remoção de sujidade revelou a riqueza cromática e a integridade dos caixotões pintados, demonstrando a durabilidade da técnica empregue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste, as pinturas originais do teto da capela-mor foram cobertas com cal em data incerta, o que comprometeu grande parte do seu valor artístico. Intervenções de recuperação no século XX permitiram a remoção parcial da cal e a aplicação de cera protetora, embora muitos danos sejam considerados irreversíveis. Procedimentos semelhantes foram aplicados à sacristia e áreas anexas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tetos dos coros, inferior e superior, não apresentam decoração pictórica. Originalmente pintados com tinta cinzenta, foram restaurados com tratamento a cera, refletindo uma estética sóbria e alinhada com o ideal monástico de humildade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura devocional ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Título / Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Descrição / Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor / Escola&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Data / Época&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Regresso da Sagrada Família do Egito&lt;br /&gt;
|Pintura com grande expressividade, cores vivas,  vestes esvoaçantes. Representa a Divina Pastora.&lt;br /&gt;
|Possivelmente António de Oliveira Bernardes ou  escola&lt;br /&gt;
|Início do século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte&lt;br /&gt;
|Santa Gertrudes&lt;br /&gt;
|Beneditina, reformadora, representada com o Menino  Jesus no coração.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul&lt;br /&gt;
|Santa Escolástica&lt;br /&gt;
|Irmã de São Bento, cofundadora das Beneditinas.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Arcanjo do Juízo Final&lt;br /&gt;
|Inspirado na carta aos Tessalonicenses (1 Tsl. 4,  12-27).&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Morte de Santa Teresa de Jesus&lt;br /&gt;
|Santa espanhola, reformadora do Carmelo. Pintura  italiana.&lt;br /&gt;
|Atribuído a Bernini por crítico da Fundação  Gulbenkian&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|O Rosto do Senhor (Véu da Verónica)&lt;br /&gt;
|Reprodução autenticada pelo Vaticano.&lt;br /&gt;
|Reprodução&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Ex-voto de S. Bento da Portaria&lt;br /&gt;
|Relata milagre de cura a António José.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Baixo&lt;br /&gt;
|Santa Águeda&lt;br /&gt;
|Pintura em tábua, virgem e mártir da província de  Catânia.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|séc. XVII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Santa Luzia&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Ascenção do Senhor&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Talha ====&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço,destaca-se pelo seu valioso conjunto de talha dourada, considerado um dos mais significativos da arte sacra portuguesa do início do século XVIII. Este conjunto tem sido objeto de estudo por diversos investigadores, entre os quais se destaca Robert Smith, especialista em arte portuguesa, que atribuiu a autoria da talha a Ambrósio Coelho, entalhador natural da freguesia de São Paio de Carvalhal, no concelho de Barcelos. &lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|Púlpito ]]&lt;br /&gt;
O estilo decorativo da talha é descrito pelo Cónego Dr. Luciano dos Santos, presidente da Comissão de Arte Sacra de Braga, como pertencente a um “renascimento muito ornamentado”. Apesar de algumas interpretações sugerirem uma fase de transição entre o Renascimento e o Barroco, a maioria dos estudiosos considera que a talha se insere no estilo joanino, do reinado de D. João V. Esta classificação é reforçada pela presença de motivos imperiais, como as águias esculpidas nos altares e no púlpito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os retábulos colaterais, dispostos em ângulo nas paredes laterais da nave, apresentam planta côncava e eixo único, sendo rematados por arquivoltas com decoração vegetalista. Cada retábulo possui um nicho central com imaginária, enquadrado por colunas pseudosalomónicas, características do barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela mor é coberta por abóbada semelhante à da nave e apresenta um retábulo-mor em talha dourada, de planta côncava, também com eixo único e remate em arquivolta. No centro, encontra-se a tribuna com trono, enquadrada por colunas pseudosalomónicas, entre as quais se dispõem peanhas com imagens devocionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pisos ====&lt;br /&gt;
A Igreja desenvolve-se num único piso ao nível do rés-do-chão, originalmente revestido com lajedo de pedra. Este revestimento estendia-se também à sacristia e aos corredores laterais da capela mor, onde se encontra cantaria mais elaborada, possivelmente com acabamento mais fino, condizente com o embasamento das escadas e da base do altar. Durante a década de 1930, o pavimento em pedra foi coberto com soalho de madeira, numa tentativa de melhorar o conforto térmico no interior do templo.&lt;br /&gt;
[[File:Coro.png|thumb|286x286px|Coro baixo e alto]]&lt;br /&gt;
O coro baixo, reservado à participação litúrgica das religiosas em clausura, não apresenta lajedo original, o que sugere uma construção posterior ou com finalidade diferente. Conservam-se ainda elementos associados à prática da reconciliação penitencial, como pequenas janelas embutidas na parede norte. Estes vãos permitiam o contacto entre as religiosas e o confessor, mantendo a separação imposta pela clausura. Alguns desses vãos foram reabertos durante as intervenções realizadas no século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto é de grandes dimensões, projetado para acomodar mais de uma centena de religiosas. Possui pavimento em madeira e um falso teto que separa os dois coros. Durante os trabalhos de restauro do edifício, foi proposta a substituição do soalho do coro alto por uma laje de cimento revestida a madeira, com o objetivo de reforçar a estrutura e preservar a harmonia estética do espaço. Esta intervenção visava também resolver problemas funcionais relacionados com a existência de um armazém arrendado sob o coro, situação considerada inadequada do ponto de vista litúrgico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modificações estilísticas na Igreja de Nossa Senhora do Terço ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções e Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Influência das modas e  intervenções passadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados (séc. XX)  pintados de branco, quebrando a harmonia arquitetónica. - “Capacetes” de  madeira substituíram baldaquinos de damasco.- No séc. XIX, acrescentaram-se  sanefas e elementos decorativos em madeira nos arcos triunfais, obscurecendo  a estrutura original.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções de 1966 a 1970 –  Recuperação da traça original&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Retirada de elementos estranhos  ao estilo original: sanefas, guarnições de madeira, topo do sacrário  substituído por gruta com figuras em terracota. - Peças de pouca qualidade  recolhidas e armazenadas no coro e compartimentos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Altares vazados e frontais&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados transferidos para  o coro. - Perda dos frontais originais; um possivelmente reaproveitado na  capela de São Bento da Buraquinha. - Novos frontais construídos em madeira de  castanho, pintados em sintonia com a paleta cromática da igreja.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Adaptação às normas do Concílio  Vaticano II&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Centralização do culto no novo  Altar do Sacrifício. - Mesas dos três altares cortadas e reutilizadas como  nichos no novo altar central. - Grade da comunhão removida.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tribuna e elementos decorativos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Pinturas florais no fundo do  retábulo refeitas com base em vestígios originais (tons de cinzento com  flores discretas). - Telão do Coração de Jesus e Santa Margarida Maria  Alacoque removido por destoar estilisticamente; degraus restaurados e  pintados de dourado.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Uso da tribuna pelas religiosas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- A tribuna foi usada como espaço  de exposição do Santíssimo Sacramento, acessível pela porta inferior. - Não  se sabe ao certo desde quando essa prática ocorria.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Restauro geral e cuidados  estéticos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Limpeza dos tetos, recuperação  das cantarias, portas interiores, balaustradas, ferragens, candeeiros e  tintas escolhidas com critério estético e histórico.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Imagens sacras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Imagem moderna de São Bento  deslocada para o coro, substituída por escultura antiga. - Imagem de Santa  Luzia restaurada em Braga.- Imagens do Coração de Jesus e de São José  adaptadas antes da colocação.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Aspirações futuras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Recuperação do lajedo da nave  principal ainda pendente. - Novo Altar do Sacrifício destaca-se pela  simplicidade e contribui para a beleza do conjunto.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia dos Restauros ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Ano/Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções Realizadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1966&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início da campanha de restauro  para devolver à igreja o estilo original. - Retirada de sanefas e guarnições  de madeira que ocultavam elementos arquitetónicos. - Substituição da peça  superior do sacrário por uma gruta com figuras em terracota.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1967–1968&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Retirada dos altares vazados do  início do séc. XX e transferência para o coro. - Confeção de dois frontais em  madeira de castanho para os altares laterais, pintados conforme as cores  dominantes da igreja. - Substituição de imagens modernas por outras antigas  de valor artístico (ex.: imagem antiga de S. Bento).&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1969&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Preparação para o restauro  estrutural profundo. - Envolvimento da Delegação Norte dos Monumentos  Nacionais (Arq. Silva Bessa). - Obra autorizada a ser feita “a jornal” por  mestres locais após desistência de empreiteiros.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Verão de 1970&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início oficial das grandes obras.  - Nova cobertura em placa de cimento armado. - Instalação de telhados novos  em telha especial patinada.- Verificação da boa conservação das estruturas de  madeira originais. - Travamento das paredes com anéis de ferro, cimento e  cabos de aço.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1971&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Reboque e pintura da fachada  sul com materiais adequados. - Restauro do coro alto (escadas novas, reboco e  enceramento do teto). - Confeção de cinco portas exteriores em madeira de  castanho envelhecido. - Nova porta da sacristia em madeira de mimosa seca.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Primavera de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Conclusão da 2.ª fase das obras.  - Construção do novo Altar do Sacrifício ao centro da capela-mor, conforme o  Concílio Vaticano II.- Retirada da grade da comunhão e adaptação do arco cruzeiro.  - Lavagens profundas da cantaria e construção de armários laterais de apoio.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1 de julho de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Visita oficial do Arcebispo  Primaz, D. Francisco Maria da Silva. - Planeamento da 3.ª fase: colocação da  placa do coro alto e instalação de iluminação museológica.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  Fontes e Bibliografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Recursos Digitais ==&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Confraria da Nossa Senhora do Terço. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Câmara Municipal de Barcelos. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da Paroquia de Barcelos de Santa Maria Maior. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Ficheiro:Coro.png&amp;diff=448</id>
		<title>Ficheiro:Coro.png</title>
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		<updated>2025-05-16T16:35:08Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;coro&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Ficheiro:Pintura_1.png&amp;diff=447</id>
		<title>Ficheiro:Pintura 1.png</title>
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		<updated>2025-05-16T16:31:06Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;pintura&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=446</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=446"/>
		<updated>2025-05-16T16:09:55Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|[http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362 Fachada da Igreja]]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da arte ==&lt;br /&gt;
A Igreja de Nossa Senhora do Terço, localizada em Barcelos, Portugal, é um edifício religioso classificado como Imóvel de Interesse Público. A igreja integra o antigo complexo monástico beneditino e constitui um dos mais importantes testemunhos do barroco setecentista na região do Minho. Construída para as religiosas beneditinas, destaca-se pelos azulejos representando a vida de São Bento e pelos altares em talha dourada. Após a extinção das ordens religiosas, a Confraria de Nossa Senhora do Terço assegurou a continuidade do culto e a preservação do seu património. A relevância histórica e artística da igreja é amplamente documentada por Manuel Avelino Ferreira na obra &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;. (1982)  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação ====&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade das freiras beneditinas que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em Monção. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela Guerra da Restauração, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, D. Pedro II determinou o acolhimento provisório das religiosas no Seminário de São Pedro, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao Arcebispo Primaz de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a 14 de agosto de 1707, e ficou concluída em 1713, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a 11 de julho de 1713, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a 12 mil cruzados. Em 1707, foi nomeado Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em grande quadrilátero, implantado no atual Largo 5 de Outubro (antigo Campo dos Touros), onde se localizavam a portaria e o acesso à cerca. A ala sul acompanhava o traçado da atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, destacando-se o frontispício da igreja, voltado para o antigo Campo da Feira. No extremo sul, erguiam-se dois mirantes, sendo o do lado poente construído em ângulo reto entre o convento, o largo e a antiga estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao centro, dispunha-se um claustro, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma cerca com cerca de seis metros de altura, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Inauguração e permanência ====&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos pertencia ao ramo das chamadas &amp;quot;Gertrudinas Adoradoras&amp;quot;, corrente espiritual originada no século XIV com as reformas introduzidas por Santa Gertrudes, que promoveu a adoração eucarística contínua no seio da Ordem de São Bento. Esta corrente distinguia-se da tradição conservadora das &amp;quot;Escolásticas&amp;quot;, mantendo-se fiel à regra primitiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Saída das religiosas e destruição do Mosteiro ====&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, D. Pedro IV decretou, em 1834, a extinção das ordens religiosas em Portugal. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro Beneditino de Barcelos foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em Espanha, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em 1842, apenas duas religiosas permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de Viana do Castelo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por D. Maria II, confirma a realização de um leilão a 20 de novembro de 1843.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a desamortização, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A cerca sul foi demolida para dar lugar à atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2004, foi inaugurado o Centro Comercial e Hotel do Terço, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas quatro arcos de volta perfeita, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo claustro, hoje integrados no pátio-esplanada do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um andar superior em galeria, com cobertura em madeira suportada por colunas toscanas sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os vãos de portas e janelas quadrangulares, com emolduramentos em cantaria, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exterior ===&lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|[http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362 Remate do portal]]]&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta de disposição retangular e transversal, integrando diversos espaços funcionais alinhados ao longo de um eixo longitudinal: antigas dependências do convento, coro, nave única, capela-mor profunda e sacristia. A volumetria destaca-se pela orientação horizontal, conferindo equilíbrio e sobriedade ao conjunto arquitetônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada principal, de traço simples e harmonioso, é rebocada e pintada de branco, assente sobre uma base de cantaria. Organiza-se em dois registos distintos e é rematada, ao centro, por uma cruz latina de braços trilobados. No registo inferior, sobressai o portal principal em arco de volta perfeita, construído em cantaria granítica e decorado com as armas reais na pedra de fecho. Este é ladeado por pilastras toscanas que sustentam um entablamento sóbrio, sobre o qual se encontra um nicho com a imagem da Virgem. Este nicho prolonga-se para o registo superior, sendo enquadrado por aletas e pináculos decorativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À esquerda, existe um segundo portal, também em arco de volta perfeita, mais modesto, ladeado por pilastras com pináculos e rematado por uma cornija semicircular encimada por uma cruz. Em redor encontram-se cartelas com inscrições comemorativas, adornadas com molduras volutadas típicas do barroco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No registo superior, abrem-se janelas gradeadas em capialço, incluindo uma janela de sacada com guarda em ferro forjado. O portal principal constitui o elemento de maior destaque, com arco de volta perfeita, pilastras simples, entablamento discreto e cornija proeminente. Sobre esta, dois pináculos bulbosos enquadram um nicho concheado com a escultura em pedra de Nossa Senhora da Conceição, adornado com volutas invertidas de desenho invulgar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima do portal, observa-se um brasão de armas de Portugal esculpido em alto-relevo, encimado por coroa real e inserido numa cartela em forma de couro. Sobre a balaustrada, ergue-se uma cruz em granito. No extremo leste da fachada, localiza-se uma sineira geminada de feição simples.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Programa artístico e seu ator ====&lt;br /&gt;
O programa artístico da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja do convento das beneditinas de Barcelos, é geralmente atribuído a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731), um dos mais importantes mestres da azulejaria portuguesa do final do século XVII e início do século XVIII. Reconhecido pela sua versatilidade e pelo papel central na consolidação de uma escola de pintura sobre azulejo, Bernardes também se destacou na pintura a óleo sobre madeira, tela e barro. A sua oficina viria a formar diversos artistas, incluindo os seus filhos, Policarpo e Inácio Bernardes, que deram continuidade ao legado artístico da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja do Terço, a autoria de Bernardes é atribuída tanto ao conjunto de azulejos como a outras componentes decorativas do interior, num projeto coeso que parece ter sido concebido em sua totalidade pelo mestre ou sob a sua supervisão. Integradas nesse programa decorativo encontram-se seis telas de grandes dimensões com molduras douradas. Quatro permanecem na nave central e uma, de especial valor artístico, representa o regresso da Sagrada Família do Egito, colocada na capela mor. Duas outras telas originalmente pertencentes à capela mor terão desaparecido durante as Invasões Francesas, tendo os seus espaços sido preenchidos por composições em gesso de época posterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas a óleo do teto da nave principal, executadas sobre madeira nobre, apresentam afinidades estilísticas com os painéis de azulejo e são também atribuídas a António de Oliveira Bernardes. No entanto, pequenas variações formais sugerem a colaboração de outros membros da oficina, algo comum nas práticas artísticas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo notável desta colaboração é o par de painéis da capela mor que representam o lançamento da primeira pedra e a inauguração da igreja, assinados com as iniciais “P. M. P.”, de autor ainda não identificado. A assinatura completa poderá ter sido ocultada por um altar lateral posteriormente adicionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Azulejo ====&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo 2.jpg|thumb|Pormenor de azulejo]]&lt;br /&gt;
Datado de 1713, conforme inscrição identificada num friso de azulejos, o conjunto azulejar da Igreja de Barcelos é atribuído a António de Oliveira Bernardes, um dos mais destacados mestres da azulejaria barroca portuguesa. Este programa decorativo integra-se plenamente na tradição artística e pedagógica do barroco, articulando espiritualidade, narrativa e simbolismo visual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os painéis de azulejos retratam episódios da vida de São Bento, enfatizando momentos da sua juventude, milagres e cenas que ilustram os princípios da Regra Beneditina, como a oração, o trabalho e a disciplina. As composições apresentam grande dimensão e forte impacto visual, revestindo integralmente os muros da nave da igreja. O cromatismo dominante é o azul cobalto sobre fundo branco, característico da azulejaria portuguesa do período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado sul, destacam-se janelas fingidas que simulam vãos reais, criando um efeito ilusionista acentuado por reflexos amarelados que imitam a luz solar. Este recurso decorativo contribui para uma atmosfera envolvente no espaço interior, reforçando a unidade simbólica do conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O programa iconográfico inclui ainda um ciclo de emblemas inspirados nas obras do beneditino Frei João dos Prazeres: &#039;&#039;O Príncipe dos Patriarcas S. Bento&#039;&#039; (1683) e &#039;&#039;Segundo Tomo de sua Vida&#039;&#039; (1690)&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;N.º  Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema  / Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  do Coro&lt;br /&gt;
|1  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|S.  Bento recebe pastores e jovens que desejam seguir o seu exemplo de vida  austera e solitária.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|2  (Centro)&lt;br /&gt;
|S.  Bento rola-se nos silvedos, em penitência, para dominar as tentações da  carne.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|3  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|O  corvo, seu companheiro, leva um pão envenenado para longe, evitando o atentado  de Florêncio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  Norte&lt;br /&gt;
|4  (Junto ao Coro)&lt;br /&gt;
|Monges  constroem um mosteiro. Um demónio torna uma pedra pesada; S. Bento  exorciza-o.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|5  (Antes do Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tentativa  de envenenamento com uma bilha. S. Bento abençoa-a, dela sai uma serpente.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|6  (Sobre o Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tótila  envia um falso rei. S. Bento reconhece a farsa e desmascara o impostor.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|7  (Sobre o Altar)&lt;br /&gt;
|Tótila  visita S. Bento, é perdoado e o santo profetiza-lhe o futuro (9 anos de  reinado).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|8  (Depois do Púlpito)&lt;br /&gt;
|O  lema “Ora et labora” ilustrado com monges a orar e a trabalhar no Monte  Cassino.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Capela-Mor&lt;br /&gt;
|9  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|Lançamento  da 1.ª pedra do convento por D. Rodrigo de Moura Teles, em 14 de agosto de  1707.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|10  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|Inauguração  do convento em 1713, com cortejo das freiras e presença figurada de D. João  V.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|11  (Parte superior de ambas as paredes)&lt;br /&gt;
|Espaço  decorativo com fundo de gesso e desenhos entre janelas, reais e fingidas.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lições&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Interpretação Final&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1 - O  Dragão das Sete Cabeças&lt;br /&gt;
|Non  extingvetvr igne. = Não se extingue nem com o fogo.  Só com o amor  divino se extingue o amor profano.&lt;br /&gt;
|O dragão  é o amor profano, os vícios capitais; só o amor divino pode vencê-lo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2 - O  Meu Vestuário&lt;br /&gt;
|A gosto,  e à medida.  A eleição do hábito há de ser voluntária.&lt;br /&gt;
|O hábito  simboliza a vocação, que deve ser bem escolhida e vivida com entusiasmo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3 - O  Feio Pássaro&lt;br /&gt;
|Ne  pereat immunitas. = Para que não pereça a perfeita clausura.  O sagrado  da clausura não se viola só pelas portas.&lt;br /&gt;
|O  pássaro é o demónio tentador, e a clausura protege contra tentações internas  e externas.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4 - O  Sol, Atracção das Águias&lt;br /&gt;
|Probantur  ut coronentur. = São provadas para serem coroadas.  A observância da  regra de S. Bento é caminho de salvação.&lt;br /&gt;
|O Sol é  Deus e as almas virtuosas voam para Ele como prêmio da vida santa.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5 - O  Galo Vaidoso&lt;br /&gt;
|Se ipsum  conspurcat. = Suja-se a si mesmo.  Só se compõem bem quem se vê ao  Divino Espelho.&lt;br /&gt;
|A  vaidade afasta-nos de Deus; o verdadeiro espelho é Cristo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6 - A  Árvore e a Ovelha&lt;br /&gt;
|Adumbrat  et alit. = Dá sombra e alimenta.  O Religioso tudo tem na Religião.&lt;br /&gt;
|A árvore  é o convento que sustenta espiritualmente os seus membros, como a Providência  sustenta os fiéis.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|7 - O  Rapaz do Copo Quebrado&lt;br /&gt;
|Facile  conciliantur. = Facilmente se conciliam.  Na Religião não há de haver  ódios.&lt;br /&gt;
|O vaso  representa a harmonia; deve haver reconciliação fácil na vida religiosa e  social.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|8 - O  Chicote e o Freio&lt;br /&gt;
|Non  sufficit unum. = Não basta um só.  Não se pode conservar a Religião sem  castigo.&lt;br /&gt;
|O freio  representa a correção e o chicote a punição quando há desobediência.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|9 - A  Foucinha Cega&lt;br /&gt;
|Impossibilia  superat. = Supera o impossível.  A obediência há de ser cega.&lt;br /&gt;
|A  foucinha cega simboliza a obediência perfeita, sem hesitações ou dúvidas  interiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|10 - As  Flores Perfumadas&lt;br /&gt;
|Quia  olet. = Porque cheira bem.  A inveja na Religião há de ser para imitar e  não para destruir.&lt;br /&gt;
|As  virtudes devem inspirar imitação e não inveja destrutiva.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel  / Lição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Latim)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Tradução)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  2&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  Final (Resumo)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|11.°  - O SOL NÃO DESCANSA&lt;br /&gt;
|Non  Qviescit&lt;br /&gt;
|Não  descansa&lt;br /&gt;
|Na  Religião não há de haver ociosidade&lt;br /&gt;
|Trabalho  é honra e ordem do Criador; símbolo da atividade constante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|12.°  - CHOVEM RAIOS E TEMPESTADES&lt;br /&gt;
|Fortior  in Adversarios&lt;br /&gt;
|Mais  forte contra os adversários&lt;br /&gt;
|Quanto  as tentações forem mais fortes, mais forte há de ser a resistência&lt;br /&gt;
|A  alma deve resistir com força aos inimigos; milícia é a vida do homem&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|13.°  - UMA AVE VOANDO&lt;br /&gt;
|Né  sucvmbat&lt;br /&gt;
|Para  que não sucumba&lt;br /&gt;
|Há  de voar o espírito para o corpo não sentir os rigores da Religião&lt;br /&gt;
|A  alma Religiosa eleva-se até Deus; exemplo de Santa Teresa e S. João da Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|14.°  - UM CHAFARIZ A PRESSÃO&lt;br /&gt;
|Quo  pressa altivs&lt;br /&gt;
|Quanto  mais oprimida mais alto sobe&lt;br /&gt;
|A  humildade na Religião é a que faz avultar a virtude&lt;br /&gt;
|Humildade  é base da santidade; mais pressão, maior elevação espiritual&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|15.°  - NUTRIDA OVELHA ATRAI CHACAIS&lt;br /&gt;
|In  odorem cvrrimvs&lt;br /&gt;
|Corremos  atraídos pelo bom cheiro&lt;br /&gt;
|A  Religião há de se buscar pela fama da sua virtude&lt;br /&gt;
|Virtude  atrai os outros à fé; como S. Bento atraiu muitos à religião&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|16.°  - A VACA DO LAVRADOR&lt;br /&gt;
|Tv  cede&lt;br /&gt;
|Tu  cede&lt;br /&gt;
|Não  há de o Religioso querer que toda a gente ande ao seu passo&lt;br /&gt;
|Aceitar  as diferenças; ajudar os mais lentos com paciência e caridade&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|17.°  - CASA SEM COBERTURA&lt;br /&gt;
|Sine  cvlmine corrvit&lt;br /&gt;
|Sem  o cume desmorona-se&lt;br /&gt;
|Não  se conserva a virtude sem a oração&lt;br /&gt;
|Sem  oração, tudo desmorona; oração é vida da perfeição&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|18.°  - O SOL QUE ILUMINA E PENETRA&lt;br /&gt;
|Non  oltra vires&lt;br /&gt;
|Não  além das forças de cada qual&lt;br /&gt;
|O  superior deve tomar conhecimento individual dos súbditos&lt;br /&gt;
|Superior  deve conhecer os seus para orientá-los segundo suas capacidades&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|19.°  - O SOL DA LADEIRA&lt;br /&gt;
|Allevat  et vexat&lt;br /&gt;
|Eleva  e humilha&lt;br /&gt;
|O  superior, assim como castiga, há de premiar&lt;br /&gt;
|Superior  deve agir com justiça e equilíbrio entre castigo e prémio&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|20.°  - O FLORIDO ARBUSTO&lt;br /&gt;
|Non  ex omni flore cárpitv mel&lt;br /&gt;
|Nem  de toda a flor se colhe mel&lt;br /&gt;
|Nem  sempre há de achar o superior igual procedimento nos súbditos&lt;br /&gt;
|Nem  todos os súbditos procedem da mesma forma; usar compreensão e realismo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens devocionais ====&lt;br /&gt;
As imagens e elementos decorativos do interior da igreja exercem uma &#039;&#039;&#039;dupla função&#039;&#039;&#039;: evidenciam, por um lado, um notável valor estético e patrimonial, refletindo o cuidado artístico da época barroca; por outro, assumem uma função &#039;&#039;&#039;devocional&#039;&#039;&#039;, ao inspirarem fé, recolhimento e ligação ao sagrado entre os fiéis que ali acorrem para oração.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Nome  da Imagem&lt;br /&gt;
|Material  / Estilo / Datação&lt;br /&gt;
|Altura  (m)&lt;br /&gt;
|Observações&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. dir.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada e dourada; séc. XVII (1.ª metade)&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Padroeira  primitiva&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. centro&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; meados do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Abadia&lt;br /&gt;
|Pedra  policromada; séc. XV-XVI, influência francesa&lt;br /&gt;
|1,00&lt;br /&gt;
|Proveniente  das muralhas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|São  Vicente Ferrer&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada com mulher aos pés; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – junto ao sacrário&lt;br /&gt;
|Coração  de Jesus e São José&lt;br /&gt;
|Terracota;  2.ª metade do séc. XX&lt;br /&gt;
|0,63&lt;br /&gt;
|Imagens  provisórias&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – porta do sacrário&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão (alto-relevo)&lt;br /&gt;
|Madeira;  alto-relevo&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Ressuscitado  e triunfal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – sobre o sacrário&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – centro&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada, policromada; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,97&lt;br /&gt;
|Titular  desde 1846&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (grande)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; dourado antigo; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,76&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (pequena)&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,33&lt;br /&gt;
|Muito  apreciada&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – centro&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,18&lt;br /&gt;
|Segundo  titular&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  – imagem adicional&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|1,55&lt;br /&gt;
|Substituída  após obras&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Escolástica&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada com ouro; finais séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,08&lt;br /&gt;
|Irmã  de S. Bento&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – centro&lt;br /&gt;
|Senhor  do Perdão&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo gótico; séc. XV&lt;br /&gt;
|1,90  x 1,70&lt;br /&gt;
|Expressão  comovente&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – lado&lt;br /&gt;
|São  João Evangelista&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; início do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Discípulo  amado&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – centro (em alto)&lt;br /&gt;
|Santíssima  Trindade&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,90&lt;br /&gt;
|Sobre  oratório do mesmo século&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – no oratório&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora (Virgem e Mãe)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Muito  bela&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna&lt;br /&gt;
|Senhor  da Cana Verde&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|1,16&lt;br /&gt;
|Escarnecido  pelos soldados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – sobre cómoda&lt;br /&gt;
|São  Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,66&lt;br /&gt;
|Fundador  dos Franciscanos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna alta&lt;br /&gt;
|Busto  de São Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada, articulado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Desfeito  após 1970&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – cómoda&lt;br /&gt;
|Santa  Filomena&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|Virgem  e mártir&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto&lt;br /&gt;
|Crucifixo  Semana Santa&lt;br /&gt;
|Madeira  (cruz recente); imagem antiga&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Muito  expressivo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Coração  de Maria&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,35&lt;br /&gt;
|Sobre  peanha&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|São  José&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada&lt;br /&gt;
|0,25&lt;br /&gt;
|Muito  pequeno&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|3  Crucifixos e castiçais&lt;br /&gt;
|Madeira  dourada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,50  (cruzes), 0,70 (pés)&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Presépio  com 10 figuras&lt;br /&gt;
|Terracota;  cenário reaproveitado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Gruta  original do sacrário&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Senhor  da Boa Morte&lt;br /&gt;
|Madeira;  estilo gótico&lt;br /&gt;
|Tamanho  natural&lt;br /&gt;
|Rosto  suave&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – frontispício&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Com  coroa e escudo reais&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – portaria do convento&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Escudo  aos pés&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – capela / oratório&lt;br /&gt;
|Senhor  dos Aflitos&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|1,15  (imagem); 2,00 x 1,00 (cruz)&lt;br /&gt;
|Crucifixo  devocional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura no teto da igreja ====&lt;br /&gt;
O teto da nave principal da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja conventual beneditina em Barcelos, constitui um dos elementos mais notáveis do seu programa decorativo. Executado em painéis de madeira nobre, encontra-se revestido por pinturas a óleo de temática religiosa, representando episódios da vida de São Bento e outras cenas devocionais.&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|thumb|Pintura no teto da igreja]]&lt;br /&gt;
Estas pinturas são geralmente atribuídas a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731) ou ao seu círculo próximo, com base em semelhanças estilísticas com os painéis de azulejo da mesma igreja. A obra revela um traço delicado e meticuloso, evocando por vezes o espírito das iluminuras medievais, com influência de modelos como o Beato Angélico. O uso de cores vivas, bem conservadas, e a qualidade técnica geral evidenciam a mestria dos artistas envolvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A excecional preservação destas pinturas foi já destacada em fontes do século XIX e reafirmada por técnicos da Direção-Geral dos Monumentos Nacionais durante os trabalhos de restauro realizados na década de 1970. A simples remoção de sujidade revelou a riqueza cromática e a integridade dos caixotões pintados, demonstrando a durabilidade da técnica empregue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste, as pinturas originais do teto da capela-mor foram cobertas com cal em data incerta, o que comprometeu grande parte do seu valor artístico. Intervenções de recuperação no século XX permitiram a remoção parcial da cal e a aplicação de cera protetora, embora muitos danos sejam considerados irreversíveis. Procedimentos semelhantes foram aplicados à sacristia e áreas anexas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tetos dos coros, inferior e superior, não apresentam decoração pictórica. Originalmente pintados com tinta cinzenta, foram restaurados com tratamento a cera, refletindo uma estética sóbria e alinhada com o ideal monástico de humildade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura devocional ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Título / Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Descrição / Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor / Escola&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Data / Época&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Regresso da Sagrada Família do Egito&lt;br /&gt;
|Pintura com grande expressividade, cores vivas,  vestes esvoaçantes. Representa a Divina Pastora.&lt;br /&gt;
|Possivelmente António de Oliveira Bernardes ou  escola&lt;br /&gt;
|Início do século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte&lt;br /&gt;
|Santa Gertrudes&lt;br /&gt;
|Beneditina, reformadora, representada com o Menino  Jesus no coração.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul&lt;br /&gt;
|Santa Escolástica&lt;br /&gt;
|Irmã de São Bento, cofundadora das Beneditinas.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Arcanjo do Juízo Final&lt;br /&gt;
|Inspirado na carta aos Tessalonicenses (1 Tsl. 4,  12-27).&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Morte de Santa Teresa de Jesus&lt;br /&gt;
|Santa espanhola, reformadora do Carmelo. Pintura  italiana.&lt;br /&gt;
|Atribuído a Bernini por crítico da Fundação  Gulbenkian&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|O Rosto do Senhor (Véu da Verónica)&lt;br /&gt;
|Reprodução autenticada pelo Vaticano.&lt;br /&gt;
|Reprodução&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Ex-voto de S. Bento da Portaria&lt;br /&gt;
|Relata milagre de cura a António José.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Baixo&lt;br /&gt;
|Santa Águeda&lt;br /&gt;
|Pintura em tábua, virgem e mártir da província de  Catânia.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|séc. XVII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Santa Luzia&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Ascenção do Senhor&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Talha ====&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço,destaca-se pelo seu valioso conjunto de talha dourada, considerado um dos mais significativos da arte sacra portuguesa do início do século XVIII. Este conjunto tem sido objeto de estudo por diversos investigadores, entre os quais se destaca Robert Smith, especialista em arte portuguesa, que atribuiu a autoria da talha a Ambrósio Coelho, entalhador natural da freguesia de São Paio de Carvalhal, no concelho de Barcelos. &lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|[http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362 Púlpito] ]]&lt;br /&gt;
O estilo decorativo da talha é descrito pelo Cónego Dr. Luciano dos Santos, presidente da Comissão de Arte Sacra de Braga, como pertencente a um “renascimento muito ornamentado”. Apesar de algumas interpretações sugerirem uma fase de transição entre o Renascimento e o Barroco, a maioria dos estudiosos considera que a talha se insere no estilo joanino, do reinado de D. João V. Esta classificação é reforçada pela presença de motivos imperiais, como as águias esculpidas nos altares e no púlpito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os retábulos colaterais, dispostos em ângulo nas paredes laterais da nave, apresentam planta côncava e eixo único, sendo rematados por arquivoltas com decoração vegetalista. Cada retábulo possui um nicho central com imaginária, enquadrado por colunas pseudosalomónicas, características do barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela mor é coberta por abóbada semelhante à da nave e apresenta um retábulo-mor em talha dourada, de planta côncava, também com eixo único e remate em arquivolta. No centro, encontra-se a tribuna com trono, enquadrada por colunas pseudosalomónicas, entre as quais se dispõem peanhas com imagens devocionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pisos ====&lt;br /&gt;
A Igreja desenvolve-se num único piso ao nível do rés-do-chão, originalmente revestido com lajedo de pedra. Este revestimento estendia-se também à sacristia e aos corredores laterais da capela mor, onde se encontra cantaria mais elaborada, possivelmente com acabamento mais fino, condizente com o embasamento das escadas e da base do altar. Durante a década de 1930, o pavimento em pedra foi coberto com soalho de madeira, numa tentativa de melhorar o conforto térmico no interior do templo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro-baixo, reservado à participação litúrgica das religiosas em clausura, não apresenta lajedo original, o que sugere uma construção posterior ou com finalidade diferente. Conservam-se ainda elementos associados à prática da reconciliação penitencial, como pequenas janelas embutidas na parede norte. Estes vãos permitiam o contacto entre as religiosas e o confessor, mantendo a separação imposta pela clausura. Alguns desses vãos foram reabertos durante as intervenções realizadas no século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto é de grandes dimensões, projetado para acomodar mais de uma centena de religiosas. Possui pavimento em madeira e um falso teto que separa os dois coros. Durante os trabalhos de restauro do edifício, foi proposta a substituição do soalho do coro alto por uma laje de cimento revestida a madeira, com o objetivo de reforçar a estrutura e preservar a harmonia estética do espaço. Esta intervenção visava também resolver problemas funcionais relacionados com a existência de um armazém arrendado sob o coro, situação considerada inadequada do ponto de vista litúrgico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modificações estilísticas na Igreja de Nossa Senhora do Terço ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções e Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Influência das modas e  intervenções passadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados (séc. XX)  pintados de branco, quebrando a harmonia arquitetónica. - “Capacetes” de  madeira substituíram baldaquinos de damasco.- No séc. XIX, acrescentaram-se  sanefas e elementos decorativos em madeira nos arcos triunfais, obscurecendo  a estrutura original.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções de 1966 a 1970 –  Recuperação da traça original&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Retirada de elementos estranhos  ao estilo original: sanefas, guarnições de madeira, topo do sacrário  substituído por gruta com figuras em terracota. - Peças de pouca qualidade  recolhidas e armazenadas no coro e compartimentos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Altares vazados e frontais&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados transferidos para  o coro. - Perda dos frontais originais; um possivelmente reaproveitado na  capela de São Bento da Buraquinha. - Novos frontais construídos em madeira de  castanho, pintados em sintonia com a paleta cromática da igreja.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Adaptação às normas do Concílio  Vaticano II&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Centralização do culto no novo  Altar do Sacrifício. - Mesas dos três altares cortadas e reutilizadas como  nichos no novo altar central. - Grade da comunhão removida.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tribuna e elementos decorativos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Pinturas florais no fundo do  retábulo refeitas com base em vestígios originais (tons de cinzento com  flores discretas). - Telão do Coração de Jesus e Santa Margarida Maria  Alacoque removido por destoar estilisticamente; degraus restaurados e  pintados de dourado.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Uso da tribuna pelas religiosas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- A tribuna foi usada como espaço  de exposição do Santíssimo Sacramento, acessível pela porta inferior. - Não  se sabe ao certo desde quando essa prática ocorria.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Restauro geral e cuidados  estéticos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Limpeza dos tetos, recuperação  das cantarias, portas interiores, balaustradas, ferragens, candeeiros e  tintas escolhidas com critério estético e histórico.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Imagens sacras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Imagem moderna de São Bento  deslocada para o coro, substituída por escultura antiga. - Imagem de Santa  Luzia restaurada em Braga.- Imagens do Coração de Jesus e de São José  adaptadas antes da colocação.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Aspirações futuras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Recuperação do lajedo da nave  principal ainda pendente. - Novo Altar do Sacrifício destaca-se pela  simplicidade e contribui para a beleza do conjunto.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia dos Restauros ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Ano/Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções Realizadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1966&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início da campanha de restauro  para devolver à igreja o estilo original. - Retirada de sanefas e guarnições  de madeira que ocultavam elementos arquitetónicos. - Substituição da peça  superior do sacrário por uma gruta com figuras em terracota.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1967–1968&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Retirada dos altares vazados do  início do séc. XX e transferência para o coro. - Confeção de dois frontais em  madeira de castanho para os altares laterais, pintados conforme as cores  dominantes da igreja. - Substituição de imagens modernas por outras antigas  de valor artístico (ex.: imagem antiga de S. Bento).&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1969&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Preparação para o restauro  estrutural profundo. - Envolvimento da Delegação Norte dos Monumentos  Nacionais (Arq. Silva Bessa). - Obra autorizada a ser feita “a jornal” por  mestres locais após desistência de empreiteiros.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Verão de 1970&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início oficial das grandes obras.  - Nova cobertura em placa de cimento armado. - Instalação de telhados novos  em telha especial patinada.- Verificação da boa conservação das estruturas de  madeira originais. - Travamento das paredes com anéis de ferro, cimento e  cabos de aço.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1971&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Reboque e pintura da fachada  sul com materiais adequados. - Restauro do coro alto (escadas novas, reboco e  enceramento do teto). - Confeção de cinco portas exteriores em madeira de  castanho envelhecido. - Nova porta da sacristia em madeira de mimosa seca.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Primavera de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Conclusão da 2.ª fase das obras.  - Construção do novo Altar do Sacrifício ao centro da capela-mor, conforme o  Concílio Vaticano II.- Retirada da grade da comunhão e adaptação do arco cruzeiro.  - Lavagens profundas da cantaria e construção de armários laterais de apoio.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1 de julho de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Visita oficial do Arcebispo  Primaz, D. Francisco Maria da Silva. - Planeamento da 3.ª fase: colocação da  placa do coro alto e instalação de iluminação museológica.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Tetos.png&lt;br /&gt;
File:Planta.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  BIBLIOGRAFIA ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA:&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Câmara Municipal de Barcelos: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=445</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=445"/>
		<updated>2025-05-16T16:06:41Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|[http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362 Fachada da Igreja]]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da arte ==&lt;br /&gt;
A &#039;&#039;&#039;Igreja de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;&#039;, localizada em &#039;&#039;&#039;Barcelos&#039;&#039;&#039;, Portugal, é um edifício religioso classificado como &#039;&#039;&#039;Imóvel de Interesse Público&#039;&#039;&#039;. A igreja integra o antigo complexo monástico beneditino e constitui um dos mais importantes testemunhos do barroco setecentista na região do Minho. Construída para as religiosas beneditinas, destaca-se pelos azulejos representando a vida de São Bento e pelos altares em talha dourada. Após a extinção das ordens religiosas, a Confraria de Nossa Senhora do Terço assegurou a continuidade do culto e a preservação do seu património. A relevância histórica e artística da igreja é amplamente documentada por Manuel Avelino Ferreira na obra &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;. (1982)  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação ====&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade das freiras beneditinas que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em Monção. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela Guerra da Restauração, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, D. Pedro II determinou o acolhimento provisório das religiosas no Seminário de São Pedro, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao Arcebispo Primaz de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a 14 de agosto de 1707, e ficou concluída em 1713, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a 11 de julho de 1713, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a 12 mil cruzados. Em 1707, foi nomeado Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em grande quadrilátero, implantado no atual Largo 5 de Outubro (antigo Campo dos Touros), onde se localizavam a portaria e o acesso à cerca. A ala sul acompanhava o traçado da atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, destacando-se o frontispício da igreja, voltado para o antigo Campo da Feira. No extremo sul, erguiam-se dois mirantes, sendo o do lado poente construído em ângulo reto entre o convento, o largo e a antiga estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao centro, dispunha-se um claustro, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma cerca com cerca de seis metros de altura, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Inauguração e permanência ====&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos pertencia ao ramo das chamadas &amp;quot;Gertrudinas Adoradoras&amp;quot;, corrente espiritual originada no século XIV com as reformas introduzidas por Santa Gertrudes, que promoveu a adoração eucarística contínua no seio da Ordem de São Bento. Esta corrente distinguia-se da tradição conservadora das &amp;quot;Escolásticas&amp;quot;, mantendo-se fiel à regra primitiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Saída das religiosas e destruição do Mosteiro ====&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, D. Pedro IV decretou, em 1834, a extinção das ordens religiosas em Portugal. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro Beneditino de Barcelos foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em Espanha, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em 1842, apenas duas religiosas permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de Viana do Castelo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por D. Maria II, confirma a realização de um leilão a 20 de novembro de 1843.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a desamortização, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A cerca sul foi demolida para dar lugar à atual Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2004, foi inaugurado o Centro Comercial e Hotel do Terço, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas quatro arcos de volta perfeita, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo claustro, hoje integrados no pátio-esplanada do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um andar superior em galeria, com cobertura em madeira suportada por colunas toscanas sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os vãos de portas e janelas quadrangulares, com emolduramentos em cantaria, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exterior ===&lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|[http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362 Remate do portal]]]&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta de disposição retangular e transversal, integrando diversos espaços funcionais alinhados ao longo de um eixo longitudinal: antigas dependências do convento, coro, nave única, capela-mor profunda e sacristia. A volumetria destaca-se pela orientação horizontal, conferindo equilíbrio e sobriedade ao conjunto arquitetônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada principal, de traço simples e harmonioso, é rebocada e pintada de branco, assente sobre uma base de cantaria. Organiza-se em dois registos distintos e é rematada, ao centro, por uma cruz latina de braços trilobados. No registo inferior, sobressai o portal principal em arco de volta perfeita, construído em cantaria granítica e decorado com as armas reais na pedra de fecho. Este é ladeado por pilastras toscanas que sustentam um entablamento sóbrio, sobre o qual se encontra um nicho com a imagem da Virgem. Este nicho prolonga-se para o registo superior, sendo enquadrado por aletas e pináculos decorativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À esquerda, existe um segundo portal, também em arco de volta perfeita, mais modesto, ladeado por pilastras com pináculos e rematado por uma cornija semicircular encimada por uma cruz. Em redor encontram-se cartelas com inscrições comemorativas, adornadas com molduras volutadas típicas do barroco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No registo superior, abrem-se janelas gradeadas em capialço, incluindo uma janela de sacada com guarda em ferro forjado. O portal principal constitui o elemento de maior destaque, com arco de volta perfeita, pilastras simples, entablamento discreto e cornija proeminente. Sobre esta, dois pináculos bulbosos enquadram um nicho concheado com a escultura em pedra de Nossa Senhora da Conceição, adornado com volutas invertidas de desenho invulgar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima do portal, observa-se um brasão de armas de Portugal esculpido em alto-relevo, encimado por coroa real e inserido numa cartela em forma de couro. Sobre a balaustrada, ergue-se uma cruz em granito. No extremo leste da fachada, localiza-se uma sineira geminada de feição simples.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Programa artístico e seu ator ====&lt;br /&gt;
O programa artístico da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja do convento das beneditinas de Barcelos, é geralmente atribuído a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731), um dos mais importantes mestres da azulejaria portuguesa do final do século XVII e início do século XVIII. Reconhecido pela sua versatilidade e pelo papel central na consolidação de uma escola de pintura sobre azulejo, Bernardes também se destacou na pintura a óleo sobre madeira, tela e barro. A sua oficina viria a formar diversos artistas, incluindo os seus filhos, Policarpo e Inácio Bernardes, que deram continuidade ao legado artístico da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja do Terço, a autoria de Bernardes é atribuída tanto ao conjunto de azulejos como a outras componentes decorativas do interior, num projeto coeso que parece ter sido concebido em sua totalidade pelo mestre ou sob a sua supervisão. Integradas nesse programa decorativo encontram-se seis telas de grandes dimensões com molduras douradas. Quatro permanecem na nave central e uma, de especial valor artístico, representa o regresso da Sagrada Família do Egito, colocada na capela mor. Duas outras telas originalmente pertencentes à capela mor terão desaparecido durante as Invasões Francesas, tendo os seus espaços sido preenchidos por composições em gesso de época posterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas a óleo do teto da nave principal, executadas sobre madeira nobre, apresentam afinidades estilísticas com os painéis de azulejo e são também atribuídas a António de Oliveira Bernardes. No entanto, pequenas variações formais sugerem a colaboração de outros membros da oficina, algo comum nas práticas artísticas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo notável desta colaboração é o par de painéis da capela mor que representam o lançamento da primeira pedra e a inauguração da igreja, assinados com as iniciais “P. M. P.”, de autor ainda não identificado. A assinatura completa poderá ter sido ocultada por um altar lateral posteriormente adicionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Azulejo ====&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo 2.jpg|thumb|Pormenor de azulejo]]&lt;br /&gt;
Datado de 1713, conforme inscrição identificada num friso de azulejos, o conjunto azulejar da Igreja de Barcelos é atribuído a António de Oliveira Bernardes, um dos mais destacados mestres da azulejaria barroca portuguesa. Este programa decorativo integra-se plenamente na tradição artística e pedagógica do barroco, articulando espiritualidade, narrativa e simbolismo visual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os painéis de azulejos retratam episódios da vida de São Bento, enfatizando momentos da sua juventude, milagres e cenas que ilustram os princípios da Regra Beneditina, como a oração, o trabalho e a disciplina. As composições apresentam grande dimensão e forte impacto visual, revestindo integralmente os muros da nave da igreja. O cromatismo dominante é o azul cobalto sobre fundo branco, característico da azulejaria portuguesa do período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado sul, destacam-se janelas fingidas que simulam vãos reais, criando um efeito ilusionista acentuado por reflexos amarelados que imitam a luz solar. Este recurso decorativo contribui para uma atmosfera envolvente no espaço interior, reforçando a unidade simbólica do conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O programa iconográfico inclui ainda um ciclo de emblemas inspirados nas obras do beneditino Frei João dos Prazeres: &#039;&#039;O Príncipe dos Patriarcas S. Bento&#039;&#039; (1683) e &#039;&#039;Segundo Tomo de sua Vida&#039;&#039; (1690)&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;N.º  Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema  / Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  do Coro&lt;br /&gt;
|1  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|S.  Bento recebe pastores e jovens que desejam seguir o seu exemplo de vida  austera e solitária.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|2  (Centro)&lt;br /&gt;
|S.  Bento rola-se nos silvedos, em penitência, para dominar as tentações da  carne.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|3  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|O  corvo, seu companheiro, leva um pão envenenado para longe, evitando o atentado  de Florêncio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  Norte&lt;br /&gt;
|4  (Junto ao Coro)&lt;br /&gt;
|Monges  constroem um mosteiro. Um demónio torna uma pedra pesada; S. Bento  exorciza-o.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|5  (Antes do Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tentativa  de envenenamento com uma bilha. S. Bento abençoa-a, dela sai uma serpente.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|6  (Sobre o Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tótila  envia um falso rei. S. Bento reconhece a farsa e desmascara o impostor.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|7  (Sobre o Altar)&lt;br /&gt;
|Tótila  visita S. Bento, é perdoado e o santo profetiza-lhe o futuro (9 anos de  reinado).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|8  (Depois do Púlpito)&lt;br /&gt;
|O  lema “Ora et labora” ilustrado com monges a orar e a trabalhar no Monte  Cassino.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Capela-Mor&lt;br /&gt;
|9  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|Lançamento  da 1.ª pedra do convento por D. Rodrigo de Moura Teles, em 14 de agosto de  1707.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|10  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|Inauguração  do convento em 1713, com cortejo das freiras e presença figurada de D. João  V.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|11  (Parte superior de ambas as paredes)&lt;br /&gt;
|Espaço  decorativo com fundo de gesso e desenhos entre janelas, reais e fingidas.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lições&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Interpretação Final&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1 - O  Dragão das Sete Cabeças&lt;br /&gt;
|Non  extingvetvr igne. = Não se extingue nem com o fogo.  Só com o amor  divino se extingue o amor profano.&lt;br /&gt;
|O dragão  é o amor profano, os vícios capitais; só o amor divino pode vencê-lo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2 - O  Meu Vestuário&lt;br /&gt;
|A gosto,  e à medida.  A eleição do hábito há de ser voluntária.&lt;br /&gt;
|O hábito  simboliza a vocação, que deve ser bem escolhida e vivida com entusiasmo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3 - O  Feio Pássaro&lt;br /&gt;
|Ne  pereat immunitas. = Para que não pereça a perfeita clausura.  O sagrado  da clausura não se viola só pelas portas.&lt;br /&gt;
|O  pássaro é o demónio tentador, e a clausura protege contra tentações internas  e externas.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4 - O  Sol, Atracção das Águias&lt;br /&gt;
|Probantur  ut coronentur. = São provadas para serem coroadas.  A observância da  regra de S. Bento é caminho de salvação.&lt;br /&gt;
|O Sol é  Deus e as almas virtuosas voam para Ele como prêmio da vida santa.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5 - O  Galo Vaidoso&lt;br /&gt;
|Se ipsum  conspurcat. = Suja-se a si mesmo.  Só se compõem bem quem se vê ao  Divino Espelho.&lt;br /&gt;
|A  vaidade afasta-nos de Deus; o verdadeiro espelho é Cristo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6 - A  Árvore e a Ovelha&lt;br /&gt;
|Adumbrat  et alit. = Dá sombra e alimenta.  O Religioso tudo tem na Religião.&lt;br /&gt;
|A árvore  é o convento que sustenta espiritualmente os seus membros, como a Providência  sustenta os fiéis.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|7 - O  Rapaz do Copo Quebrado&lt;br /&gt;
|Facile  conciliantur. = Facilmente se conciliam.  Na Religião não há de haver  ódios.&lt;br /&gt;
|O vaso  representa a harmonia; deve haver reconciliação fácil na vida religiosa e  social.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|8 - O  Chicote e o Freio&lt;br /&gt;
|Non  sufficit unum. = Não basta um só.  Não se pode conservar a Religião sem  castigo.&lt;br /&gt;
|O freio  representa a correção e o chicote a punição quando há desobediência.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|9 - A  Foucinha Cega&lt;br /&gt;
|Impossibilia  superat. = Supera o impossível.  A obediência há de ser cega.&lt;br /&gt;
|A  foucinha cega simboliza a obediência perfeita, sem hesitações ou dúvidas  interiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|10 - As  Flores Perfumadas&lt;br /&gt;
|Quia  olet. = Porque cheira bem.  A inveja na Religião há de ser para imitar e  não para destruir.&lt;br /&gt;
|As  virtudes devem inspirar imitação e não inveja destrutiva.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel  / Lição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Latim)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Tradução)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  2&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  Final (Resumo)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|11.°  - O SOL NÃO DESCANSA&lt;br /&gt;
|Non  Qviescit&lt;br /&gt;
|Não  descansa&lt;br /&gt;
|Na  Religião não há de haver ociosidade&lt;br /&gt;
|Trabalho  é honra e ordem do Criador; símbolo da atividade constante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|12.°  - CHOVEM RAIOS E TEMPESTADES&lt;br /&gt;
|Fortior  in Adversarios&lt;br /&gt;
|Mais  forte contra os adversários&lt;br /&gt;
|Quanto  as tentações forem mais fortes, mais forte há de ser a resistência&lt;br /&gt;
|A  alma deve resistir com força aos inimigos; milícia é a vida do homem&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|13.°  - UMA AVE VOANDO&lt;br /&gt;
|Né  sucvmbat&lt;br /&gt;
|Para  que não sucumba&lt;br /&gt;
|Há  de voar o espírito para o corpo não sentir os rigores da Religião&lt;br /&gt;
|A  alma Religiosa eleva-se até Deus; exemplo de Santa Teresa e S. João da Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|14.°  - UM CHAFARIZ A PRESSÃO&lt;br /&gt;
|Quo  pressa altivs&lt;br /&gt;
|Quanto  mais oprimida mais alto sobe&lt;br /&gt;
|A  humildade na Religião é a que faz avultar a virtude&lt;br /&gt;
|Humildade  é base da santidade; mais pressão, maior elevação espiritual&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|15.°  - NUTRIDA OVELHA ATRAI CHACAIS&lt;br /&gt;
|In  odorem cvrrimvs&lt;br /&gt;
|Corremos  atraídos pelo bom cheiro&lt;br /&gt;
|A  Religião há de se buscar pela fama da sua virtude&lt;br /&gt;
|Virtude  atrai os outros à fé; como S. Bento atraiu muitos à religião&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|16.°  - A VACA DO LAVRADOR&lt;br /&gt;
|Tv  cede&lt;br /&gt;
|Tu  cede&lt;br /&gt;
|Não  há de o Religioso querer que toda a gente ande ao seu passo&lt;br /&gt;
|Aceitar  as diferenças; ajudar os mais lentos com paciência e caridade&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|17.°  - CASA SEM COBERTURA&lt;br /&gt;
|Sine  cvlmine corrvit&lt;br /&gt;
|Sem  o cume desmorona-se&lt;br /&gt;
|Não  se conserva a virtude sem a oração&lt;br /&gt;
|Sem  oração, tudo desmorona; oração é vida da perfeição&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|18.°  - O SOL QUE ILUMINA E PENETRA&lt;br /&gt;
|Non  oltra vires&lt;br /&gt;
|Não  além das forças de cada qual&lt;br /&gt;
|O  superior deve tomar conhecimento individual dos súbditos&lt;br /&gt;
|Superior  deve conhecer os seus para orientá-los segundo suas capacidades&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|19.°  - O SOL DA LADEIRA&lt;br /&gt;
|Allevat  et vexat&lt;br /&gt;
|Eleva  e humilha&lt;br /&gt;
|O  superior, assim como castiga, há de premiar&lt;br /&gt;
|Superior  deve agir com justiça e equilíbrio entre castigo e prémio&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|20.°  - O FLORIDO ARBUSTO&lt;br /&gt;
|Non  ex omni flore cárpitv mel&lt;br /&gt;
|Nem  de toda a flor se colhe mel&lt;br /&gt;
|Nem  sempre há de achar o superior igual procedimento nos súbditos&lt;br /&gt;
|Nem  todos os súbditos procedem da mesma forma; usar compreensão e realismo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens devocionais ====&lt;br /&gt;
As imagens e elementos decorativos do interior da igreja exercem uma &#039;&#039;&#039;dupla função&#039;&#039;&#039;: evidenciam, por um lado, um notável valor estético e patrimonial, refletindo o cuidado artístico da época barroca; por outro, assumem uma função &#039;&#039;&#039;devocional&#039;&#039;&#039;, ao inspirarem fé, recolhimento e ligação ao sagrado entre os fiéis que ali acorrem para oração.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Nome  da Imagem&lt;br /&gt;
|Material  / Estilo / Datação&lt;br /&gt;
|Altura  (m)&lt;br /&gt;
|Observações&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. dir.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada e dourada; séc. XVII (1.ª metade)&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Padroeira  primitiva&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. centro&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; meados do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Abadia&lt;br /&gt;
|Pedra  policromada; séc. XV-XVI, influência francesa&lt;br /&gt;
|1,00&lt;br /&gt;
|Proveniente  das muralhas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|São  Vicente Ferrer&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada com mulher aos pés; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – junto ao sacrário&lt;br /&gt;
|Coração  de Jesus e São José&lt;br /&gt;
|Terracota;  2.ª metade do séc. XX&lt;br /&gt;
|0,63&lt;br /&gt;
|Imagens  provisórias&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – porta do sacrário&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão (alto-relevo)&lt;br /&gt;
|Madeira;  alto-relevo&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Ressuscitado  e triunfal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – sobre o sacrário&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – centro&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada, policromada; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,97&lt;br /&gt;
|Titular  desde 1846&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (grande)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; dourado antigo; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,76&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (pequena)&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,33&lt;br /&gt;
|Muito  apreciada&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – centro&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,18&lt;br /&gt;
|Segundo  titular&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  – imagem adicional&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|1,55&lt;br /&gt;
|Substituída  após obras&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Escolástica&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada com ouro; finais séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,08&lt;br /&gt;
|Irmã  de S. Bento&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – centro&lt;br /&gt;
|Senhor  do Perdão&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo gótico; séc. XV&lt;br /&gt;
|1,90  x 1,70&lt;br /&gt;
|Expressão  comovente&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – lado&lt;br /&gt;
|São  João Evangelista&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; início do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Discípulo  amado&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – centro (em alto)&lt;br /&gt;
|Santíssima  Trindade&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,90&lt;br /&gt;
|Sobre  oratório do mesmo século&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – no oratório&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora (Virgem e Mãe)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Muito  bela&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna&lt;br /&gt;
|Senhor  da Cana Verde&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|1,16&lt;br /&gt;
|Escarnecido  pelos soldados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – sobre cómoda&lt;br /&gt;
|São  Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,66&lt;br /&gt;
|Fundador  dos Franciscanos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna alta&lt;br /&gt;
|Busto  de São Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada, articulado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Desfeito  após 1970&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – cómoda&lt;br /&gt;
|Santa  Filomena&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|Virgem  e mártir&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto&lt;br /&gt;
|Crucifixo  Semana Santa&lt;br /&gt;
|Madeira  (cruz recente); imagem antiga&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Muito  expressivo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Coração  de Maria&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,35&lt;br /&gt;
|Sobre  peanha&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|São  José&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada&lt;br /&gt;
|0,25&lt;br /&gt;
|Muito  pequeno&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|3  Crucifixos e castiçais&lt;br /&gt;
|Madeira  dourada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,50  (cruzes), 0,70 (pés)&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Presépio  com 10 figuras&lt;br /&gt;
|Terracota;  cenário reaproveitado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Gruta  original do sacrário&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Senhor  da Boa Morte&lt;br /&gt;
|Madeira;  estilo gótico&lt;br /&gt;
|Tamanho  natural&lt;br /&gt;
|Rosto  suave&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – frontispício&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Com  coroa e escudo reais&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – portaria do convento&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Escudo  aos pés&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – capela / oratório&lt;br /&gt;
|Senhor  dos Aflitos&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|1,15  (imagem); 2,00 x 1,00 (cruz)&lt;br /&gt;
|Crucifixo  devocional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura no teto da igreja ====&lt;br /&gt;
O teto da nave principal da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja conventual beneditina em Barcelos, constitui um dos elementos mais notáveis do seu programa decorativo. Executado em painéis de madeira nobre, encontra-se revestido por pinturas a óleo de temática religiosa, representando episódios da vida de São Bento e outras cenas devocionais.&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|thumb|Pintura no teto da igreja]]&lt;br /&gt;
Estas pinturas são geralmente atribuídas a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731) ou ao seu círculo próximo, com base em semelhanças estilísticas com os painéis de azulejo da mesma igreja. A obra revela um traço delicado e meticuloso, evocando por vezes o espírito das iluminuras medievais, com influência de modelos como o Beato Angélico. O uso de cores vivas, bem conservadas, e a qualidade técnica geral evidenciam a mestria dos artistas envolvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A excecional preservação destas pinturas foi já destacada em fontes do século XIX e reafirmada por técnicos da Direção-Geral dos Monumentos Nacionais durante os trabalhos de restauro realizados na década de 1970. A simples remoção de sujidade revelou a riqueza cromática e a integridade dos caixotões pintados, demonstrando a durabilidade da técnica empregue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste, as pinturas originais do teto da capela-mor foram cobertas com cal em data incerta, o que comprometeu grande parte do seu valor artístico. Intervenções de recuperação no século XX permitiram a remoção parcial da cal e a aplicação de cera protetora, embora muitos danos sejam considerados irreversíveis. Procedimentos semelhantes foram aplicados à sacristia e áreas anexas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tetos dos coros, inferior e superior, não apresentam decoração pictórica. Originalmente pintados com tinta cinzenta, foram restaurados com tratamento a cera, refletindo uma estética sóbria e alinhada com o ideal monástico de humildade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura devocional ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Título / Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Descrição / Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor / Escola&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Data / Época&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Regresso da Sagrada Família do Egito&lt;br /&gt;
|Pintura com grande expressividade, cores vivas,  vestes esvoaçantes. Representa a Divina Pastora.&lt;br /&gt;
|Possivelmente António de Oliveira Bernardes ou  escola&lt;br /&gt;
|Início do século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte&lt;br /&gt;
|Santa Gertrudes&lt;br /&gt;
|Beneditina, reformadora, representada com o Menino  Jesus no coração.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul&lt;br /&gt;
|Santa Escolástica&lt;br /&gt;
|Irmã de São Bento, cofundadora das Beneditinas.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Arcanjo do Juízo Final&lt;br /&gt;
|Inspirado na carta aos Tessalonicenses (1 Tsl. 4,  12-27).&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Morte de Santa Teresa de Jesus&lt;br /&gt;
|Santa espanhola, reformadora do Carmelo. Pintura  italiana.&lt;br /&gt;
|Atribuído a Bernini por crítico da Fundação  Gulbenkian&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|O Rosto do Senhor (Véu da Verónica)&lt;br /&gt;
|Reprodução autenticada pelo Vaticano.&lt;br /&gt;
|Reprodução&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Ex-voto de S. Bento da Portaria&lt;br /&gt;
|Relata milagre de cura a António José.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Baixo&lt;br /&gt;
|Santa Águeda&lt;br /&gt;
|Pintura em tábua, virgem e mártir da província de  Catânia.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|séc. XVII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Santa Luzia&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Ascenção do Senhor&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Talha ====&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço,destaca-se pelo seu valioso conjunto de talha dourada, considerado um dos mais significativos da arte sacra portuguesa do início do século XVIII. Este conjunto tem sido objeto de estudo por diversos investigadores, entre os quais se destaca Robert Smith, especialista em arte portuguesa, que atribuiu a autoria da talha a Ambrósio Coelho, entalhador natural da freguesia de São Paio de Carvalhal, no concelho de Barcelos. &lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|[http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362 Púlpito] ]]&lt;br /&gt;
O estilo decorativo da talha é descrito pelo Cónego Dr. Luciano dos Santos, presidente da Comissão de Arte Sacra de Braga, como pertencente a um “renascimento muito ornamentado”. Apesar de algumas interpretações sugerirem uma fase de transição entre o Renascimento e o Barroco, a maioria dos estudiosos considera que a talha se insere no estilo joanino, do reinado de D. João V. Esta classificação é reforçada pela presença de motivos imperiais, como as águias esculpidas nos altares e no púlpito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os retábulos colaterais, dispostos em ângulo nas paredes laterais da nave, apresentam planta côncava e eixo único, sendo rematados por arquivoltas com decoração vegetalista. Cada retábulo possui um nicho central com imaginária, enquadrado por colunas pseudosalomónicas, características do barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela mor é coberta por abóbada semelhante à da nave e apresenta um retábulo-mor em talha dourada, de planta côncava, também com eixo único e remate em arquivolta. No centro, encontra-se a tribuna com trono, enquadrada por colunas pseudosalomónicas, entre as quais se dispõem peanhas com imagens devocionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pisos ====&lt;br /&gt;
A Igreja desenvolve-se num único piso ao nível do rés-do-chão, originalmente revestido com lajedo de pedra. Este revestimento estendia-se também à sacristia e aos corredores laterais da capela mor, onde se encontra cantaria mais elaborada, possivelmente com acabamento mais fino, condizente com o embasamento das escadas e da base do altar. Durante a década de 1930, o pavimento em pedra foi coberto com soalho de madeira, numa tentativa de melhorar o conforto térmico no interior do templo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro-baixo, reservado à participação litúrgica das religiosas em clausura, não apresenta lajedo original, o que sugere uma construção posterior ou com finalidade diferente. Conservam-se ainda elementos associados à prática da reconciliação penitencial, como pequenas janelas embutidas na parede norte. Estes vãos permitiam o contacto entre as religiosas e o confessor, mantendo a separação imposta pela clausura. Alguns desses vãos foram reabertos durante as intervenções realizadas no século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto é de grandes dimensões, projetado para acomodar mais de uma centena de religiosas. Possui pavimento em madeira e um falso teto que separa os dois coros. Durante os trabalhos de restauro do edifício, foi proposta a substituição do soalho do coro alto por uma laje de cimento revestida a madeira, com o objetivo de reforçar a estrutura e preservar a harmonia estética do espaço. Esta intervenção visava também resolver problemas funcionais relacionados com a existência de um armazém arrendado sob o coro, situação considerada inadequada do ponto de vista litúrgico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modificações estilísticas na Igreja de Nossa Senhora do Terço ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções e Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Influência das modas e  intervenções passadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados (séc. XX)  pintados de branco, quebrando a harmonia arquitetónica. - “Capacetes” de  madeira substituíram baldaquinos de damasco.- No séc. XIX, acrescentaram-se  sanefas e elementos decorativos em madeira nos arcos triunfais, obscurecendo  a estrutura original.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções de 1966 a 1970 –  Recuperação da traça original&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Retirada de elementos estranhos  ao estilo original: sanefas, guarnições de madeira, topo do sacrário  substituído por gruta com figuras em terracota. - Peças de pouca qualidade  recolhidas e armazenadas no coro e compartimentos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Altares vazados e frontais&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados transferidos para  o coro. - Perda dos frontais originais; um possivelmente reaproveitado na  capela de São Bento da Buraquinha. - Novos frontais construídos em madeira de  castanho, pintados em sintonia com a paleta cromática da igreja.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Adaptação às normas do Concílio  Vaticano II&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Centralização do culto no novo  Altar do Sacrifício. - Mesas dos três altares cortadas e reutilizadas como  nichos no novo altar central. - Grade da comunhão removida.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tribuna e elementos decorativos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Pinturas florais no fundo do  retábulo refeitas com base em vestígios originais (tons de cinzento com  flores discretas). - Telão do Coração de Jesus e Santa Margarida Maria  Alacoque removido por destoar estilisticamente; degraus restaurados e  pintados de dourado.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Uso da tribuna pelas religiosas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- A tribuna foi usada como espaço  de exposição do Santíssimo Sacramento, acessível pela porta inferior. - Não  se sabe ao certo desde quando essa prática ocorria.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Restauro geral e cuidados  estéticos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Limpeza dos tetos, recuperação  das cantarias, portas interiores, balaustradas, ferragens, candeeiros e  tintas escolhidas com critério estético e histórico.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Imagens sacras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Imagem moderna de São Bento  deslocada para o coro, substituída por escultura antiga. - Imagem de Santa  Luzia restaurada em Braga.- Imagens do Coração de Jesus e de São José  adaptadas antes da colocação.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Aspirações futuras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Recuperação do lajedo da nave  principal ainda pendente. - Novo Altar do Sacrifício destaca-se pela  simplicidade e contribui para a beleza do conjunto.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia dos Restauros ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Ano/Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções Realizadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1966&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início da campanha de restauro  para devolver à igreja o estilo original. - Retirada de sanefas e guarnições  de madeira que ocultavam elementos arquitetónicos. - Substituição da peça  superior do sacrário por uma gruta com figuras em terracota.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1967–1968&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Retirada dos altares vazados do  início do séc. XX e transferência para o coro. - Confeção de dois frontais em  madeira de castanho para os altares laterais, pintados conforme as cores  dominantes da igreja. - Substituição de imagens modernas por outras antigas  de valor artístico (ex.: imagem antiga de S. Bento).&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1969&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Preparação para o restauro  estrutural profundo. - Envolvimento da Delegação Norte dos Monumentos  Nacionais (Arq. Silva Bessa). - Obra autorizada a ser feita “a jornal” por  mestres locais após desistência de empreiteiros.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Verão de 1970&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início oficial das grandes obras.  - Nova cobertura em placa de cimento armado. - Instalação de telhados novos  em telha especial patinada.- Verificação da boa conservação das estruturas de  madeira originais. - Travamento das paredes com anéis de ferro, cimento e  cabos de aço.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1971&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Reboque e pintura da fachada  sul com materiais adequados. - Restauro do coro alto (escadas novas, reboco e  enceramento do teto). - Confeção de cinco portas exteriores em madeira de  castanho envelhecido. - Nova porta da sacristia em madeira de mimosa seca.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Primavera de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Conclusão da 2.ª fase das obras.  - Construção do novo Altar do Sacrifício ao centro da capela-mor, conforme o  Concílio Vaticano II.- Retirada da grade da comunhão e adaptação do arco cruzeiro.  - Lavagens profundas da cantaria e construção de armários laterais de apoio.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1 de julho de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Visita oficial do Arcebispo  Primaz, D. Francisco Maria da Silva. - Planeamento da 3.ª fase: colocação da  placa do coro alto e instalação de iluminação museológica.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Tetos.png&lt;br /&gt;
File:Planta.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  BIBLIOGRAFIA ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA:&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Câmara Municipal de Barcelos: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=444</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
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		<updated>2025-05-16T15:58:50Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|[http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362 Fachada da Igreja]]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da arte ==&lt;br /&gt;
A &#039;&#039;&#039;Igreja de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;&#039;, localizada em &#039;&#039;&#039;Barcelos&#039;&#039;&#039;, Portugal, é um edifício religioso classificado como &#039;&#039;&#039;Imóvel de Interesse Público&#039;&#039;&#039;. A igreja integra o antigo complexo monástico beneditino e constitui um dos mais importantes testemunhos do barroco setecentista na região do Minho. Construída para as religiosas beneditinas, destaca-se pelos azulejos representando a vida de São Bento e pelos altares em talha dourada. Após a extinção das ordens religiosas, a Confraria de Nossa Senhora do Terço assegurou a continuidade do culto e a preservação do seu património. A relevância histórica e artística da igreja é amplamente documentada por Manuel Avelino Ferreira na obra &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;. (1982)  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade das &#039;&#039;&#039;freiras beneditinas&#039;&#039;&#039; que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em &#039;&#039;&#039;Monção&#039;&#039;&#039;. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela &#039;&#039;&#039;Guerra da Restauração&#039;&#039;&#039;, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, &#039;&#039;&#039;D. Pedro II&#039;&#039;&#039; determinou o acolhimento provisório das religiosas no &#039;&#039;&#039;Seminário de São Pedro&#039;&#039;&#039;, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao &#039;&#039;&#039;Arcebispo Primaz de Braga&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;D. Rodrigo de Moura Teles&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a &#039;&#039;&#039;14 de agosto de 1707&#039;&#039;&#039;, e ficou concluída em &#039;&#039;&#039;1713&#039;&#039;&#039;, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a &#039;&#039;&#039;11 de julho de 1713&#039;&#039;&#039;, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a &#039;&#039;&#039;12 mil cruzados&#039;&#039;&#039;. Em 1707, foi nomeado &#039;&#039;&#039;Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro&#039;&#039;&#039; como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em &#039;&#039;&#039;grande quadrilátero&#039;&#039;&#039;, implantado no atual &#039;&#039;&#039;Largo 5 de Outubro&#039;&#039;&#039; (antigo &#039;&#039;&#039;Campo dos Touros&#039;&#039;&#039;), onde se localizavam a &#039;&#039;&#039;portaria&#039;&#039;&#039; e o acesso à cerca. A &#039;&#039;&#039;ala sul&#039;&#039;&#039; acompanhava o traçado da atual &#039;&#039;&#039;Avenida dos Combatentes da Grande Guerra&#039;&#039;&#039;, destacando-se o &#039;&#039;&#039;frontispício da igreja&#039;&#039;&#039;, voltado para o antigo &#039;&#039;&#039;Campo da Feira&#039;&#039;&#039;. No extremo sul, erguiam-se dois &#039;&#039;&#039;mirantes&#039;&#039;&#039;, sendo o do lado poente construído em &#039;&#039;&#039;ângulo reto&#039;&#039;&#039; entre o convento, o largo e a antiga estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao centro, dispunha-se um &#039;&#039;&#039;claustro&#039;&#039;&#039;, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma &#039;&#039;&#039;cerca com cerca de seis metros de altura&#039;&#039;&#039;, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, &#039;&#039;&#039;D. Pedro IV&#039;&#039;&#039; decretou, em &#039;&#039;&#039;1834&#039;&#039;&#039;, a &#039;&#039;&#039;extinção das ordens religiosas em Portugal&#039;&#039;&#039;. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;Mosteiro Beneditino de Barcelos&#039;&#039;&#039; foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em &#039;&#039;&#039;Espanha&#039;&#039;&#039;, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em &#039;&#039;&#039;1842&#039;&#039;&#039;, apenas &#039;&#039;&#039;duas religiosas&#039;&#039;&#039; permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de &#039;&#039;&#039;Viana do Castelo&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por &#039;&#039;&#039;D. Maria II&#039;&#039;&#039;, confirma a realização de um leilão a &#039;&#039;&#039;20 de novembro de 1843&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a &#039;&#039;&#039;desamortização&#039;&#039;&#039;, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A &#039;&#039;&#039;cerca sul&#039;&#039;&#039; foi demolida para dar lugar à atual &#039;&#039;&#039;Avenida dos Combatentes da Grande Guerra&#039;&#039;&#039;, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em &#039;&#039;&#039;2004&#039;&#039;&#039;, foi inaugurado o &#039;&#039;&#039;Centro Comercial e Hotel do Terço&#039;&#039;&#039;, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas &#039;&#039;&#039;quatro arcos de volta perfeita&#039;&#039;&#039;, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo &#039;&#039;&#039;claustro&#039;&#039;&#039;, hoje integrados no pátio-esplanada do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um &#039;&#039;&#039;andar superior em galeria&#039;&#039;&#039;, com &#039;&#039;&#039;cobertura em madeira&#039;&#039;&#039; suportada por &#039;&#039;&#039;colunas toscanas&#039;&#039;&#039; sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os &#039;&#039;&#039;vãos de portas e janelas quadrangulares&#039;&#039;&#039;, com &#039;&#039;&#039;emolduramentos em cantaria&#039;&#039;&#039;, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exterior ===&lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|[http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362 Remate do portal]]]&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta de disposição retangular e transversal, integrando diversos espaços funcionais alinhados ao longo de um eixo longitudinal: antigas dependências do convento, coro, nave única, capela-mor profunda e sacristia. A volumetria destaca-se pela orientação horizontal, conferindo equilíbrio e sobriedade ao conjunto arquitetônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada principal, de traço simples e harmonioso, é rebocada e pintada de branco, assente sobre uma base de cantaria. Organiza-se em dois registos distintos e é rematada, ao centro, por uma cruz latina de braços trilobados. No registo inferior, sobressai o portal principal em arco de volta perfeita, construído em cantaria granítica e decorado com as armas reais na pedra de fecho. Este é ladeado por pilastras toscanas que sustentam um entablamento sóbrio, sobre o qual se encontra um nicho com a imagem da Virgem. Este nicho prolonga-se para o registo superior, sendo enquadrado por aletas e pináculos decorativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À esquerda, existe um segundo portal, também em arco de volta perfeita, mais modesto, ladeado por pilastras com pináculos e rematado por uma cornija semicircular encimada por uma cruz. Em redor encontram-se cartelas com inscrições comemorativas, adornadas com molduras volutadas típicas do barroco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No registo superior, abrem-se janelas gradeadas em capialço, incluindo uma janela de sacada com guarda em ferro forjado. O portal principal constitui o elemento de maior destaque, com arco de volta perfeita, pilastras simples, entablamento discreto e cornija proeminente. Sobre esta, dois pináculos bulbosos enquadram um nicho concheado com a escultura em pedra de Nossa Senhora da Conceição, adornado com volutas invertidas de desenho invulgar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima do portal, observa-se um brasão de armas de Portugal esculpido em alto-relevo, encimado por coroa real e inserido numa cartela em forma de couro. Sobre a balaustrada, ergue-se uma cruz em granito. No extremo leste da fachada, localiza-se uma sineira geminada de feição simples.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Programa artístico e seu ator ====&lt;br /&gt;
O programa artístico da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja do convento das beneditinas de Barcelos, é geralmente atribuído a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731), um dos mais importantes mestres da azulejaria portuguesa do final do século XVII e início do século XVIII. Reconhecido pela sua versatilidade e pelo papel central na consolidação de uma escola de pintura sobre azulejo, Bernardes também se destacou na pintura a óleo sobre madeira, tela e barro. A sua oficina viria a formar diversos artistas, incluindo os seus filhos, Policarpo e Inácio Bernardes, que deram continuidade ao legado artístico da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja do Terço, a autoria de Bernardes é atribuída tanto ao conjunto de azulejos como a outras componentes decorativas do interior, num projeto coeso que parece ter sido concebido em sua totalidade pelo mestre ou sob a sua supervisão. Integradas nesse programa decorativo encontram-se seis telas de grandes dimensões com molduras douradas. Quatro permanecem na nave central e uma, de especial valor artístico, representa o regresso da Sagrada Família do Egito, colocada na capela mor. Duas outras telas originalmente pertencentes à capela mor terão desaparecido durante as Invasões Francesas, tendo os seus espaços sido preenchidos por composições em gesso de época posterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas a óleo do teto da nave principal, executadas sobre madeira nobre, apresentam afinidades estilísticas com os painéis de azulejo e são também atribuídas a António de Oliveira Bernardes. No entanto, pequenas variações formais sugerem a colaboração de outros membros da oficina, algo comum nas práticas artísticas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo notável desta colaboração é o par de painéis da capela mor que representam o lançamento da primeira pedra e a inauguração da igreja, assinados com as iniciais “P. M. P.”, de autor ainda não identificado. A assinatura completa poderá ter sido ocultada por um altar lateral posteriormente adicionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Azulejo ====&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo 2.jpg|thumb|Pormenor de azulejo]]&lt;br /&gt;
Datado de 1713, conforme inscrição identificada num friso de azulejos, o conjunto azulejar da Igreja de Barcelos é atribuído a António de Oliveira Bernardes, um dos mais destacados mestres da azulejaria barroca portuguesa. Este programa decorativo integra-se plenamente na tradição artística e pedagógica do barroco, articulando espiritualidade, narrativa e simbolismo visual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os painéis de azulejos retratam episódios da vida de São Bento, enfatizando momentos da sua juventude, milagres e cenas que ilustram os princípios da Regra Beneditina, como a oração, o trabalho e a disciplina. As composições apresentam grande dimensão e forte impacto visual, revestindo integralmente os muros da nave da igreja. O cromatismo dominante é o azul cobalto sobre fundo branco, característico da azulejaria portuguesa do período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado sul, destacam-se janelas fingidas que simulam vãos reais, criando um efeito ilusionista acentuado por reflexos amarelados que imitam a luz solar. Este recurso decorativo contribui para uma atmosfera envolvente no espaço interior, reforçando a unidade simbólica do conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O programa iconográfico inclui ainda um ciclo de emblemas inspirados nas obras do beneditino Frei João dos Prazeres: &#039;&#039;O Príncipe dos Patriarcas S. Bento&#039;&#039; (1683) e &#039;&#039;Segundo Tomo de sua Vida&#039;&#039; (1690)&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;N.º  Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema  / Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  do Coro&lt;br /&gt;
|1  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|S.  Bento recebe pastores e jovens que desejam seguir o seu exemplo de vida  austera e solitária.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|2  (Centro)&lt;br /&gt;
|S.  Bento rola-se nos silvedos, em penitência, para dominar as tentações da  carne.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|3  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|O  corvo, seu companheiro, leva um pão envenenado para longe, evitando o atentado  de Florêncio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  Norte&lt;br /&gt;
|4  (Junto ao Coro)&lt;br /&gt;
|Monges  constroem um mosteiro. Um demónio torna uma pedra pesada; S. Bento  exorciza-o.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|5  (Antes do Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tentativa  de envenenamento com uma bilha. S. Bento abençoa-a, dela sai uma serpente.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|6  (Sobre o Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tótila  envia um falso rei. S. Bento reconhece a farsa e desmascara o impostor.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|7  (Sobre o Altar)&lt;br /&gt;
|Tótila  visita S. Bento, é perdoado e o santo profetiza-lhe o futuro (9 anos de  reinado).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|8  (Depois do Púlpito)&lt;br /&gt;
|O  lema “Ora et labora” ilustrado com monges a orar e a trabalhar no Monte  Cassino.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Capela-Mor&lt;br /&gt;
|9  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|Lançamento  da 1.ª pedra do convento por D. Rodrigo de Moura Teles, em 14 de agosto de  1707.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|10  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|Inauguração  do convento em 1713, com cortejo das freiras e presença figurada de D. João  V.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|11  (Parte superior de ambas as paredes)&lt;br /&gt;
|Espaço  decorativo com fundo de gesso e desenhos entre janelas, reais e fingidas.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lições&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Interpretação Final&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1 - O  Dragão das Sete Cabeças&lt;br /&gt;
|Non  extingvetvr igne. = Não se extingue nem com o fogo.  Só com o amor  divino se extingue o amor profano.&lt;br /&gt;
|O dragão  é o amor profano, os vícios capitais; só o amor divino pode vencê-lo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2 - O  Meu Vestuário&lt;br /&gt;
|A gosto,  e à medida.  A eleição do hábito há de ser voluntária.&lt;br /&gt;
|O hábito  simboliza a vocação, que deve ser bem escolhida e vivida com entusiasmo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3 - O  Feio Pássaro&lt;br /&gt;
|Ne  pereat immunitas. = Para que não pereça a perfeita clausura.  O sagrado  da clausura não se viola só pelas portas.&lt;br /&gt;
|O  pássaro é o demónio tentador, e a clausura protege contra tentações internas  e externas.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4 - O  Sol, Atracção das Águias&lt;br /&gt;
|Probantur  ut coronentur. = São provadas para serem coroadas.  A observância da  regra de S. Bento é caminho de salvação.&lt;br /&gt;
|O Sol é  Deus e as almas virtuosas voam para Ele como prêmio da vida santa.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5 - O  Galo Vaidoso&lt;br /&gt;
|Se ipsum  conspurcat. = Suja-se a si mesmo.  Só se compõem bem quem se vê ao  Divino Espelho.&lt;br /&gt;
|A  vaidade afasta-nos de Deus; o verdadeiro espelho é Cristo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6 - A  Árvore e a Ovelha&lt;br /&gt;
|Adumbrat  et alit. = Dá sombra e alimenta.  O Religioso tudo tem na Religião.&lt;br /&gt;
|A árvore  é o convento que sustenta espiritualmente os seus membros, como a Providência  sustenta os fiéis.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|7 - O  Rapaz do Copo Quebrado&lt;br /&gt;
|Facile  conciliantur. = Facilmente se conciliam.  Na Religião não há de haver  ódios.&lt;br /&gt;
|O vaso  representa a harmonia; deve haver reconciliação fácil na vida religiosa e  social.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|8 - O  Chicote e o Freio&lt;br /&gt;
|Non  sufficit unum. = Não basta um só.  Não se pode conservar a Religião sem  castigo.&lt;br /&gt;
|O freio  representa a correção e o chicote a punição quando há desobediência.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|9 - A  Foucinha Cega&lt;br /&gt;
|Impossibilia  superat. = Supera o impossível.  A obediência há de ser cega.&lt;br /&gt;
|A  foucinha cega simboliza a obediência perfeita, sem hesitações ou dúvidas  interiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|10 - As  Flores Perfumadas&lt;br /&gt;
|Quia  olet. = Porque cheira bem.  A inveja na Religião há de ser para imitar e  não para destruir.&lt;br /&gt;
|As  virtudes devem inspirar imitação e não inveja destrutiva.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel  / Lição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Latim)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Tradução)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  2&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  Final (Resumo)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|11.°  - O SOL NÃO DESCANSA&lt;br /&gt;
|Non  Qviescit&lt;br /&gt;
|Não  descansa&lt;br /&gt;
|Na  Religião não há de haver ociosidade&lt;br /&gt;
|Trabalho  é honra e ordem do Criador; símbolo da atividade constante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|12.°  - CHOVEM RAIOS E TEMPESTADES&lt;br /&gt;
|Fortior  in Adversarios&lt;br /&gt;
|Mais  forte contra os adversários&lt;br /&gt;
|Quanto  as tentações forem mais fortes, mais forte há de ser a resistência&lt;br /&gt;
|A  alma deve resistir com força aos inimigos; milícia é a vida do homem&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|13.°  - UMA AVE VOANDO&lt;br /&gt;
|Né  sucvmbat&lt;br /&gt;
|Para  que não sucumba&lt;br /&gt;
|Há  de voar o espírito para o corpo não sentir os rigores da Religião&lt;br /&gt;
|A  alma Religiosa eleva-se até Deus; exemplo de Santa Teresa e S. João da Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|14.°  - UM CHAFARIZ A PRESSÃO&lt;br /&gt;
|Quo  pressa altivs&lt;br /&gt;
|Quanto  mais oprimida mais alto sobe&lt;br /&gt;
|A  humildade na Religião é a que faz avultar a virtude&lt;br /&gt;
|Humildade  é base da santidade; mais pressão, maior elevação espiritual&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|15.°  - NUTRIDA OVELHA ATRAI CHACAIS&lt;br /&gt;
|In  odorem cvrrimvs&lt;br /&gt;
|Corremos  atraídos pelo bom cheiro&lt;br /&gt;
|A  Religião há de se buscar pela fama da sua virtude&lt;br /&gt;
|Virtude  atrai os outros à fé; como S. Bento atraiu muitos à religião&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|16.°  - A VACA DO LAVRADOR&lt;br /&gt;
|Tv  cede&lt;br /&gt;
|Tu  cede&lt;br /&gt;
|Não  há de o Religioso querer que toda a gente ande ao seu passo&lt;br /&gt;
|Aceitar  as diferenças; ajudar os mais lentos com paciência e caridade&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|17.°  - CASA SEM COBERTURA&lt;br /&gt;
|Sine  cvlmine corrvit&lt;br /&gt;
|Sem  o cume desmorona-se&lt;br /&gt;
|Não  se conserva a virtude sem a oração&lt;br /&gt;
|Sem  oração, tudo desmorona; oração é vida da perfeição&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|18.°  - O SOL QUE ILUMINA E PENETRA&lt;br /&gt;
|Non  oltra vires&lt;br /&gt;
|Não  além das forças de cada qual&lt;br /&gt;
|O  superior deve tomar conhecimento individual dos súbditos&lt;br /&gt;
|Superior  deve conhecer os seus para orientá-los segundo suas capacidades&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|19.°  - O SOL DA LADEIRA&lt;br /&gt;
|Allevat  et vexat&lt;br /&gt;
|Eleva  e humilha&lt;br /&gt;
|O  superior, assim como castiga, há de premiar&lt;br /&gt;
|Superior  deve agir com justiça e equilíbrio entre castigo e prémio&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|20.°  - O FLORIDO ARBUSTO&lt;br /&gt;
|Non  ex omni flore cárpitv mel&lt;br /&gt;
|Nem  de toda a flor se colhe mel&lt;br /&gt;
|Nem  sempre há de achar o superior igual procedimento nos súbditos&lt;br /&gt;
|Nem  todos os súbditos procedem da mesma forma; usar compreensão e realismo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens devocionais ====&lt;br /&gt;
As imagens e elementos decorativos do interior da igreja exercem uma &#039;&#039;&#039;dupla função&#039;&#039;&#039;: evidenciam, por um lado, um notável valor estético e patrimonial, refletindo o cuidado artístico da época barroca; por outro, assumem uma função &#039;&#039;&#039;devocional&#039;&#039;&#039;, ao inspirarem fé, recolhimento e ligação ao sagrado entre os fiéis que ali acorrem para oração.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Nome  da Imagem&lt;br /&gt;
|Material  / Estilo / Datação&lt;br /&gt;
|Altura  (m)&lt;br /&gt;
|Observações&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. dir.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada e dourada; séc. XVII (1.ª metade)&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Padroeira  primitiva&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. centro&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; meados do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Abadia&lt;br /&gt;
|Pedra  policromada; séc. XV-XVI, influência francesa&lt;br /&gt;
|1,00&lt;br /&gt;
|Proveniente  das muralhas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|São  Vicente Ferrer&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada com mulher aos pés; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – junto ao sacrário&lt;br /&gt;
|Coração  de Jesus e São José&lt;br /&gt;
|Terracota;  2.ª metade do séc. XX&lt;br /&gt;
|0,63&lt;br /&gt;
|Imagens  provisórias&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – porta do sacrário&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão (alto-relevo)&lt;br /&gt;
|Madeira;  alto-relevo&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Ressuscitado  e triunfal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – sobre o sacrário&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – centro&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada, policromada; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,97&lt;br /&gt;
|Titular  desde 1846&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (grande)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; dourado antigo; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,76&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (pequena)&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,33&lt;br /&gt;
|Muito  apreciada&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – centro&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,18&lt;br /&gt;
|Segundo  titular&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  – imagem adicional&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|1,55&lt;br /&gt;
|Substituída  após obras&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Escolástica&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada com ouro; finais séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,08&lt;br /&gt;
|Irmã  de S. Bento&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – centro&lt;br /&gt;
|Senhor  do Perdão&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo gótico; séc. XV&lt;br /&gt;
|1,90  x 1,70&lt;br /&gt;
|Expressão  comovente&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – lado&lt;br /&gt;
|São  João Evangelista&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; início do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Discípulo  amado&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – centro (em alto)&lt;br /&gt;
|Santíssima  Trindade&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,90&lt;br /&gt;
|Sobre  oratório do mesmo século&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – no oratório&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora (Virgem e Mãe)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Muito  bela&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna&lt;br /&gt;
|Senhor  da Cana Verde&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|1,16&lt;br /&gt;
|Escarnecido  pelos soldados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – sobre cómoda&lt;br /&gt;
|São  Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,66&lt;br /&gt;
|Fundador  dos Franciscanos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna alta&lt;br /&gt;
|Busto  de São Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada, articulado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Desfeito  após 1970&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – cómoda&lt;br /&gt;
|Santa  Filomena&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|Virgem  e mártir&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto&lt;br /&gt;
|Crucifixo  Semana Santa&lt;br /&gt;
|Madeira  (cruz recente); imagem antiga&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Muito  expressivo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Coração  de Maria&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,35&lt;br /&gt;
|Sobre  peanha&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|São  José&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada&lt;br /&gt;
|0,25&lt;br /&gt;
|Muito  pequeno&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|3  Crucifixos e castiçais&lt;br /&gt;
|Madeira  dourada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,50  (cruzes), 0,70 (pés)&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Presépio  com 10 figuras&lt;br /&gt;
|Terracota;  cenário reaproveitado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Gruta  original do sacrário&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Senhor  da Boa Morte&lt;br /&gt;
|Madeira;  estilo gótico&lt;br /&gt;
|Tamanho  natural&lt;br /&gt;
|Rosto  suave&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – frontispício&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Com  coroa e escudo reais&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – portaria do convento&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Escudo  aos pés&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – capela / oratório&lt;br /&gt;
|Senhor  dos Aflitos&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|1,15  (imagem); 2,00 x 1,00 (cruz)&lt;br /&gt;
|Crucifixo  devocional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura no teto da igreja ====&lt;br /&gt;
O teto da nave principal da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja conventual beneditina em Barcelos, constitui um dos elementos mais notáveis do seu programa decorativo. Executado em painéis de madeira nobre, encontra-se revestido por pinturas a óleo de temática religiosa, representando episódios da vida de São Bento e outras cenas devocionais.&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|thumb|Pintura no teto da igreja]]&lt;br /&gt;
Estas pinturas são geralmente atribuídas a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731) ou ao seu círculo próximo, com base em semelhanças estilísticas com os painéis de azulejo da mesma igreja. A obra revela um traço delicado e meticuloso, evocando por vezes o espírito das iluminuras medievais, com influência de modelos como o Beato Angélico. O uso de cores vivas, bem conservadas, e a qualidade técnica geral evidenciam a mestria dos artistas envolvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A excecional preservação destas pinturas foi já destacada em fontes do século XIX e reafirmada por técnicos da Direção-Geral dos Monumentos Nacionais durante os trabalhos de restauro realizados na década de 1970. A simples remoção de sujidade revelou a riqueza cromática e a integridade dos caixotões pintados, demonstrando a durabilidade da técnica empregue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste, as pinturas originais do teto da capela-mor foram cobertas com cal em data incerta, o que comprometeu grande parte do seu valor artístico. Intervenções de recuperação no século XX permitiram a remoção parcial da cal e a aplicação de cera protetora, embora muitos danos sejam considerados irreversíveis. Procedimentos semelhantes foram aplicados à sacristia e áreas anexas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tetos dos coros, inferior e superior, não apresentam decoração pictórica. Originalmente pintados com tinta cinzenta, foram restaurados com tratamento a cera, refletindo uma estética sóbria e alinhada com o ideal monástico de humildade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura devocional ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Título / Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Descrição / Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor / Escola&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Data / Época&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Regresso da Sagrada Família do Egito&lt;br /&gt;
|Pintura com grande expressividade, cores vivas,  vestes esvoaçantes. Representa a Divina Pastora.&lt;br /&gt;
|Possivelmente António de Oliveira Bernardes ou  escola&lt;br /&gt;
|Início do século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte&lt;br /&gt;
|Santa Gertrudes&lt;br /&gt;
|Beneditina, reformadora, representada com o Menino  Jesus no coração.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul&lt;br /&gt;
|Santa Escolástica&lt;br /&gt;
|Irmã de São Bento, cofundadora das Beneditinas.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Arcanjo do Juízo Final&lt;br /&gt;
|Inspirado na carta aos Tessalonicenses (1 Tsl. 4,  12-27).&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Morte de Santa Teresa de Jesus&lt;br /&gt;
|Santa espanhola, reformadora do Carmelo. Pintura  italiana.&lt;br /&gt;
|Atribuído a Bernini por crítico da Fundação  Gulbenkian&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|O Rosto do Senhor (Véu da Verónica)&lt;br /&gt;
|Reprodução autenticada pelo Vaticano.&lt;br /&gt;
|Reprodução&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Ex-voto de S. Bento da Portaria&lt;br /&gt;
|Relata milagre de cura a António José.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Baixo&lt;br /&gt;
|Santa Águeda&lt;br /&gt;
|Pintura em tábua, virgem e mártir da província de  Catânia.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|séc. XVII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Santa Luzia&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Ascenção do Senhor&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Talha ====&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço,destaca-se pelo seu valioso conjunto de talha dourada, considerado um dos mais significativos da arte sacra portuguesa do início do século XVIII. Este conjunto tem sido objeto de estudo por diversos investigadores, entre os quais se destaca Robert Smith, especialista em arte portuguesa, que atribuiu a autoria da talha a Ambrósio Coelho, entalhador natural da freguesia de São Paio de Carvalhal, no concelho de Barcelos. &lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|[http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362 Púlpito] ]]&lt;br /&gt;
O estilo decorativo da talha é descrito pelo Cónego Dr. Luciano dos Santos, presidente da Comissão de Arte Sacra de Braga, como pertencente a um “renascimento muito ornamentado”. Apesar de algumas interpretações sugerirem uma fase de transição entre o Renascimento e o Barroco, a maioria dos estudiosos considera que a talha se insere no estilo joanino, do reinado de D. João V. Esta classificação é reforçada pela presença de motivos imperiais, como as águias esculpidas nos altares e no púlpito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os retábulos colaterais, dispostos em ângulo nas paredes laterais da nave, apresentam planta côncava e eixo único, sendo rematados por arquivoltas com decoração vegetalista. Cada retábulo possui um nicho central com imaginária, enquadrado por colunas pseudosalomónicas, características do barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela mor é coberta por abóbada semelhante à da nave e apresenta um retábulo-mor em talha dourada, de planta côncava, também com eixo único e remate em arquivolta. No centro, encontra-se a tribuna com trono, enquadrada por colunas pseudosalomónicas, entre as quais se dispõem peanhas com imagens devocionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pisos ====&lt;br /&gt;
A Igreja desenvolve-se num único piso ao nível do rés-do-chão, originalmente revestido com lajedo de pedra. Este revestimento estendia-se também à sacristia e aos corredores laterais da capela mor, onde se encontra cantaria mais elaborada, possivelmente com acabamento mais fino, condizente com o embasamento das escadas e da base do altar. Durante a década de 1930, o pavimento em pedra foi coberto com soalho de madeira, numa tentativa de melhorar o conforto térmico no interior do templo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro-baixo, reservado à participação litúrgica das religiosas em clausura, não apresenta lajedo original, o que sugere uma construção posterior ou com finalidade diferente. Conservam-se ainda elementos associados à prática da reconciliação penitencial, como pequenas janelas embutidas na parede norte. Estes vãos permitiam o contacto entre as religiosas e o confessor, mantendo a separação imposta pela clausura. Alguns desses vãos foram reabertos durante as intervenções realizadas no século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto é de grandes dimensões, projetado para acomodar mais de uma centena de religiosas. Possui pavimento em madeira e um falso teto que separa os dois coros. Durante os trabalhos de restauro do edifício, foi proposta a substituição do soalho do coro alto por uma laje de cimento revestida a madeira, com o objetivo de reforçar a estrutura e preservar a harmonia estética do espaço. Esta intervenção visava também resolver problemas funcionais relacionados com a existência de um armazém arrendado sob o coro, situação considerada inadequada do ponto de vista litúrgico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modificações estilísticas na Igreja de Nossa Senhora do Terço ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções e Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Influência das modas e  intervenções passadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados (séc. XX)  pintados de branco, quebrando a harmonia arquitetónica. - “Capacetes” de  madeira substituíram baldaquinos de damasco.- No séc. XIX, acrescentaram-se  sanefas e elementos decorativos em madeira nos arcos triunfais, obscurecendo  a estrutura original.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções de 1966 a 1970 –  Recuperação da traça original&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Retirada de elementos estranhos  ao estilo original: sanefas, guarnições de madeira, topo do sacrário  substituído por gruta com figuras em terracota. - Peças de pouca qualidade  recolhidas e armazenadas no coro e compartimentos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Altares vazados e frontais&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados transferidos para  o coro. - Perda dos frontais originais; um possivelmente reaproveitado na  capela de São Bento da Buraquinha. - Novos frontais construídos em madeira de  castanho, pintados em sintonia com a paleta cromática da igreja.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Adaptação às normas do Concílio  Vaticano II&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Centralização do culto no novo  Altar do Sacrifício. - Mesas dos três altares cortadas e reutilizadas como  nichos no novo altar central. - Grade da comunhão removida.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tribuna e elementos decorativos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Pinturas florais no fundo do  retábulo refeitas com base em vestígios originais (tons de cinzento com  flores discretas). - Telão do Coração de Jesus e Santa Margarida Maria  Alacoque removido por destoar estilisticamente; degraus restaurados e  pintados de dourado.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Uso da tribuna pelas religiosas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- A tribuna foi usada como espaço  de exposição do Santíssimo Sacramento, acessível pela porta inferior. - Não  se sabe ao certo desde quando essa prática ocorria.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Restauro geral e cuidados  estéticos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Limpeza dos tetos, recuperação  das cantarias, portas interiores, balaustradas, ferragens, candeeiros e  tintas escolhidas com critério estético e histórico.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Imagens sacras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Imagem moderna de São Bento  deslocada para o coro, substituída por escultura antiga. - Imagem de Santa  Luzia restaurada em Braga.- Imagens do Coração de Jesus e de São José  adaptadas antes da colocação.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Aspirações futuras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Recuperação do lajedo da nave  principal ainda pendente. - Novo Altar do Sacrifício destaca-se pela  simplicidade e contribui para a beleza do conjunto.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia dos Restauros ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Ano/Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções Realizadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1966&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início da campanha de restauro  para devolver à igreja o estilo original. - Retirada de sanefas e guarnições  de madeira que ocultavam elementos arquitetónicos. - Substituição da peça  superior do sacrário por uma gruta com figuras em terracota.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1967–1968&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Retirada dos altares vazados do  início do séc. XX e transferência para o coro. - Confeção de dois frontais em  madeira de castanho para os altares laterais, pintados conforme as cores  dominantes da igreja. - Substituição de imagens modernas por outras antigas  de valor artístico (ex.: imagem antiga de S. Bento).&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1969&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Preparação para o restauro  estrutural profundo. - Envolvimento da Delegação Norte dos Monumentos  Nacionais (Arq. Silva Bessa). - Obra autorizada a ser feita “a jornal” por  mestres locais após desistência de empreiteiros.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Verão de 1970&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início oficial das grandes obras.  - Nova cobertura em placa de cimento armado. - Instalação de telhados novos  em telha especial patinada.- Verificação da boa conservação das estruturas de  madeira originais. - Travamento das paredes com anéis de ferro, cimento e  cabos de aço.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1971&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Reboque e pintura da fachada  sul com materiais adequados. - Restauro do coro alto (escadas novas, reboco e  enceramento do teto). - Confeção de cinco portas exteriores em madeira de  castanho envelhecido. - Nova porta da sacristia em madeira de mimosa seca.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Primavera de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Conclusão da 2.ª fase das obras.  - Construção do novo Altar do Sacrifício ao centro da capela-mor, conforme o  Concílio Vaticano II.- Retirada da grade da comunhão e adaptação do arco cruzeiro.  - Lavagens profundas da cantaria e construção de armários laterais de apoio.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1 de julho de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Visita oficial do Arcebispo  Primaz, D. Francisco Maria da Silva. - Planeamento da 3.ª fase: colocação da  placa do coro alto e instalação de iluminação museológica.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Tetos.png&lt;br /&gt;
File:Planta.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  BIBLIOGRAFIA ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA:&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Câmara Municipal de Barcelos: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=443</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=443"/>
		<updated>2025-05-16T15:58:05Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|[http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362 Fachada da Igreja]]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estado da arte ==&lt;br /&gt;
A &#039;&#039;&#039;Igreja de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;&#039;, localizada em &#039;&#039;&#039;Barcelos&#039;&#039;&#039;, Portugal, é um edifício religioso classificado como &#039;&#039;&#039;Imóvel de Interesse Público&#039;&#039;&#039;. A igreja integra o antigo complexo monástico beneditino e constitui um dos mais importantes testemunhos do barroco setecentista na região do Minho. Construída para as religiosas beneditinas, destaca-se pelos azulejos representando a vida de São Bento e pelos altares em talha dourada. Após a extinção das ordens religiosas, a Confraria de Nossa Senhora do Terço assegurou a continuidade do culto e a preservação do seu património. A relevância histórica e artística da igreja é amplamente documentada por Manuel Avelino Ferreira na obra &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;. (1982)  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Enquadramento ==&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade das &#039;&#039;&#039;freiras beneditinas&#039;&#039;&#039; que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em &#039;&#039;&#039;Monção&#039;&#039;&#039;. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela &#039;&#039;&#039;Guerra da Restauração&#039;&#039;&#039;, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, &#039;&#039;&#039;D. Pedro II&#039;&#039;&#039; determinou o acolhimento provisório das religiosas no &#039;&#039;&#039;Seminário de São Pedro&#039;&#039;&#039;, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao &#039;&#039;&#039;Arcebispo Primaz de Braga&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;D. Rodrigo de Moura Teles&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a &#039;&#039;&#039;14 de agosto de 1707&#039;&#039;&#039;, e ficou concluída em &#039;&#039;&#039;1713&#039;&#039;&#039;, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a &#039;&#039;&#039;11 de julho de 1713&#039;&#039;&#039;, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a &#039;&#039;&#039;12 mil cruzados&#039;&#039;&#039;. Em 1707, foi nomeado &#039;&#039;&#039;Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro&#039;&#039;&#039; como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em &#039;&#039;&#039;grande quadrilátero&#039;&#039;&#039;, implantado no atual &#039;&#039;&#039;Largo 5 de Outubro&#039;&#039;&#039; (antigo &#039;&#039;&#039;Campo dos Touros&#039;&#039;&#039;), onde se localizavam a &#039;&#039;&#039;portaria&#039;&#039;&#039; e o acesso à cerca. A &#039;&#039;&#039;ala sul&#039;&#039;&#039; acompanhava o traçado da atual &#039;&#039;&#039;Avenida dos Combatentes da Grande Guerra&#039;&#039;&#039;, destacando-se o &#039;&#039;&#039;frontispício da igreja&#039;&#039;&#039;, voltado para o antigo &#039;&#039;&#039;Campo da Feira&#039;&#039;&#039;. No extremo sul, erguiam-se dois &#039;&#039;&#039;mirantes&#039;&#039;&#039;, sendo o do lado poente construído em &#039;&#039;&#039;ângulo reto&#039;&#039;&#039; entre o convento, o largo e a antiga estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao centro, dispunha-se um &#039;&#039;&#039;claustro&#039;&#039;&#039;, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma &#039;&#039;&#039;cerca com cerca de seis metros de altura&#039;&#039;&#039;, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, &#039;&#039;&#039;D. Pedro IV&#039;&#039;&#039; decretou, em &#039;&#039;&#039;1834&#039;&#039;&#039;, a &#039;&#039;&#039;extinção das ordens religiosas em Portugal&#039;&#039;&#039;. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;Mosteiro Beneditino de Barcelos&#039;&#039;&#039; foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em &#039;&#039;&#039;Espanha&#039;&#039;&#039;, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em &#039;&#039;&#039;1842&#039;&#039;&#039;, apenas &#039;&#039;&#039;duas religiosas&#039;&#039;&#039; permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de &#039;&#039;&#039;Viana do Castelo&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por &#039;&#039;&#039;D. Maria II&#039;&#039;&#039;, confirma a realização de um leilão a &#039;&#039;&#039;20 de novembro de 1843&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a &#039;&#039;&#039;desamortização&#039;&#039;&#039;, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A &#039;&#039;&#039;cerca sul&#039;&#039;&#039; foi demolida para dar lugar à atual &#039;&#039;&#039;Avenida dos Combatentes da Grande Guerra&#039;&#039;&#039;, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em &#039;&#039;&#039;2004&#039;&#039;&#039;, foi inaugurado o &#039;&#039;&#039;Centro Comercial e Hotel do Terço&#039;&#039;&#039;, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas &#039;&#039;&#039;quatro arcos de volta perfeita&#039;&#039;&#039;, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo &#039;&#039;&#039;claustro&#039;&#039;&#039;, hoje integrados no pátio-esplanada do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um &#039;&#039;&#039;andar superior em galeria&#039;&#039;&#039;, com &#039;&#039;&#039;cobertura em madeira&#039;&#039;&#039; suportada por &#039;&#039;&#039;colunas toscanas&#039;&#039;&#039; sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os &#039;&#039;&#039;vãos de portas e janelas quadrangulares&#039;&#039;&#039;, com &#039;&#039;&#039;emolduramentos em cantaria&#039;&#039;&#039;, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Descrição ==&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exterior ===&lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|[http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362 Remate do portal]]]&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta de disposição retangular e transversal, integrando diversos espaços funcionais alinhados ao longo de um eixo longitudinal: antigas dependências do convento, coro, nave única, capela-mor profunda e sacristia. A volumetria destaca-se pela orientação horizontal, conferindo equilíbrio e sobriedade ao conjunto arquitetônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada principal, de traço simples e harmonioso, é rebocada e pintada de branco, assente sobre uma base de cantaria. Organiza-se em dois registos distintos e é rematada, ao centro, por uma cruz latina de braços trilobados. No registo inferior, sobressai o portal principal em arco de volta perfeita, construído em cantaria granítica e decorado com as armas reais na pedra de fecho. Este é ladeado por pilastras toscanas que sustentam um entablamento sóbrio, sobre o qual se encontra um nicho com a imagem da Virgem. Este nicho prolonga-se para o registo superior, sendo enquadrado por aletas e pináculos decorativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À esquerda, existe um segundo portal, também em arco de volta perfeita, mais modesto, ladeado por pilastras com pináculos e rematado por uma cornija semicircular encimada por uma cruz. Em redor encontram-se cartelas com inscrições comemorativas, adornadas com molduras volutadas típicas do barroco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No registo superior, abrem-se janelas gradeadas em capialço, incluindo uma janela de sacada com guarda em ferro forjado. O portal principal constitui o elemento de maior destaque, com arco de volta perfeita, pilastras simples, entablamento discreto e cornija proeminente. Sobre esta, dois pináculos bulbosos enquadram um nicho concheado com a escultura em pedra de Nossa Senhora da Conceição, adornado com volutas invertidas de desenho invulgar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima do portal, observa-se um brasão de armas de Portugal esculpido em alto-relevo, encimado por coroa real e inserido numa cartela em forma de couro. Sobre a balaustrada, ergue-se uma cruz em granito. No extremo leste da fachada, localiza-se uma sineira geminada de feição simples.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Programa artístico e seu ator ====&lt;br /&gt;
O programa artístico da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja do convento das beneditinas de Barcelos, é geralmente atribuído a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731), um dos mais importantes mestres da azulejaria portuguesa do final do século XVII e início do século XVIII. Reconhecido pela sua versatilidade e pelo papel central na consolidação de uma escola de pintura sobre azulejo, Bernardes também se destacou na pintura a óleo sobre madeira, tela e barro. A sua oficina viria a formar diversos artistas, incluindo os seus filhos, Policarpo e Inácio Bernardes, que deram continuidade ao legado artístico da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja do Terço, a autoria de Bernardes é atribuída tanto ao conjunto de azulejos como a outras componentes decorativas do interior, num projeto coeso que parece ter sido concebido em sua totalidade pelo mestre ou sob a sua supervisão. Integradas nesse programa decorativo encontram-se seis telas de grandes dimensões com molduras douradas. Quatro permanecem na nave central e uma, de especial valor artístico, representa o regresso da Sagrada Família do Egito, colocada na capela mor. Duas outras telas originalmente pertencentes à capela mor terão desaparecido durante as Invasões Francesas, tendo os seus espaços sido preenchidos por composições em gesso de época posterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas a óleo do teto da nave principal, executadas sobre madeira nobre, apresentam afinidades estilísticas com os painéis de azulejo e são também atribuídas a António de Oliveira Bernardes. No entanto, pequenas variações formais sugerem a colaboração de outros membros da oficina, algo comum nas práticas artísticas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo notável desta colaboração é o par de painéis da capela mor que representam o lançamento da primeira pedra e a inauguração da igreja, assinados com as iniciais “P. M. P.”, de autor ainda não identificado. A assinatura completa poderá ter sido ocultada por um altar lateral posteriormente adicionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Azulejo ====&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo 2.jpg|thumb|Pormenor de azulejo]]&lt;br /&gt;
Datado de 1713, conforme inscrição identificada num friso de azulejos, o conjunto azulejar da Igreja de Barcelos é atribuído a António de Oliveira Bernardes, um dos mais destacados mestres da azulejaria barroca portuguesa. Este programa decorativo integra-se plenamente na tradição artística e pedagógica do barroco, articulando espiritualidade, narrativa e simbolismo visual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os painéis de azulejos retratam episódios da vida de São Bento, enfatizando momentos da sua juventude, milagres e cenas que ilustram os princípios da Regra Beneditina, como a oração, o trabalho e a disciplina. As composições apresentam grande dimensão e forte impacto visual, revestindo integralmente os muros da nave da igreja. O cromatismo dominante é o azul cobalto sobre fundo branco, característico da azulejaria portuguesa do período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado sul, destacam-se janelas fingidas que simulam vãos reais, criando um efeito ilusionista acentuado por reflexos amarelados que imitam a luz solar. Este recurso decorativo contribui para uma atmosfera envolvente no espaço interior, reforçando a unidade simbólica do conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O programa iconográfico inclui ainda um ciclo de emblemas inspirados nas obras do beneditino Frei João dos Prazeres: &#039;&#039;O Príncipe dos Patriarcas S. Bento&#039;&#039; (1683) e &#039;&#039;Segundo Tomo de sua Vida&#039;&#039; (1690)&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;N.º  Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema  / Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  do Coro&lt;br /&gt;
|1  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|S.  Bento recebe pastores e jovens que desejam seguir o seu exemplo de vida  austera e solitária.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|2  (Centro)&lt;br /&gt;
|S.  Bento rola-se nos silvedos, em penitência, para dominar as tentações da  carne.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|3  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|O  corvo, seu companheiro, leva um pão envenenado para longe, evitando o atentado  de Florêncio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  Norte&lt;br /&gt;
|4  (Junto ao Coro)&lt;br /&gt;
|Monges  constroem um mosteiro. Um demónio torna uma pedra pesada; S. Bento  exorciza-o.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|5  (Antes do Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tentativa  de envenenamento com uma bilha. S. Bento abençoa-a, dela sai uma serpente.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|6  (Sobre o Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tótila  envia um falso rei. S. Bento reconhece a farsa e desmascara o impostor.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|7  (Sobre o Altar)&lt;br /&gt;
|Tótila  visita S. Bento, é perdoado e o santo profetiza-lhe o futuro (9 anos de  reinado).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|8  (Depois do Púlpito)&lt;br /&gt;
|O  lema “Ora et labora” ilustrado com monges a orar e a trabalhar no Monte  Cassino.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Capela-Mor&lt;br /&gt;
|9  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|Lançamento  da 1.ª pedra do convento por D. Rodrigo de Moura Teles, em 14 de agosto de  1707.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|10  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|Inauguração  do convento em 1713, com cortejo das freiras e presença figurada de D. João  V.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|11  (Parte superior de ambas as paredes)&lt;br /&gt;
|Espaço  decorativo com fundo de gesso e desenhos entre janelas, reais e fingidas.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lições&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Interpretação Final&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1 - O  Dragão das Sete Cabeças&lt;br /&gt;
|Non  extingvetvr igne. = Não se extingue nem com o fogo.  Só com o amor  divino se extingue o amor profano.&lt;br /&gt;
|O dragão  é o amor profano, os vícios capitais; só o amor divino pode vencê-lo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2 - O  Meu Vestuário&lt;br /&gt;
|A gosto,  e à medida.  A eleição do hábito há de ser voluntária.&lt;br /&gt;
|O hábito  simboliza a vocação, que deve ser bem escolhida e vivida com entusiasmo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3 - O  Feio Pássaro&lt;br /&gt;
|Ne  pereat immunitas. = Para que não pereça a perfeita clausura.  O sagrado  da clausura não se viola só pelas portas.&lt;br /&gt;
|O  pássaro é o demónio tentador, e a clausura protege contra tentações internas  e externas.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4 - O  Sol, Atracção das Águias&lt;br /&gt;
|Probantur  ut coronentur. = São provadas para serem coroadas.  A observância da  regra de S. Bento é caminho de salvação.&lt;br /&gt;
|O Sol é  Deus e as almas virtuosas voam para Ele como prêmio da vida santa.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5 - O  Galo Vaidoso&lt;br /&gt;
|Se ipsum  conspurcat. = Suja-se a si mesmo.  Só se compõem bem quem se vê ao  Divino Espelho.&lt;br /&gt;
|A  vaidade afasta-nos de Deus; o verdadeiro espelho é Cristo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6 - A  Árvore e a Ovelha&lt;br /&gt;
|Adumbrat  et alit. = Dá sombra e alimenta.  O Religioso tudo tem na Religião.&lt;br /&gt;
|A árvore  é o convento que sustenta espiritualmente os seus membros, como a Providência  sustenta os fiéis.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|7 - O  Rapaz do Copo Quebrado&lt;br /&gt;
|Facile  conciliantur. = Facilmente se conciliam.  Na Religião não há de haver  ódios.&lt;br /&gt;
|O vaso  representa a harmonia; deve haver reconciliação fácil na vida religiosa e  social.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|8 - O  Chicote e o Freio&lt;br /&gt;
|Non  sufficit unum. = Não basta um só.  Não se pode conservar a Religião sem  castigo.&lt;br /&gt;
|O freio  representa a correção e o chicote a punição quando há desobediência.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|9 - A  Foucinha Cega&lt;br /&gt;
|Impossibilia  superat. = Supera o impossível.  A obediência há de ser cega.&lt;br /&gt;
|A  foucinha cega simboliza a obediência perfeita, sem hesitações ou dúvidas  interiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|10 - As  Flores Perfumadas&lt;br /&gt;
|Quia  olet. = Porque cheira bem.  A inveja na Religião há de ser para imitar e  não para destruir.&lt;br /&gt;
|As  virtudes devem inspirar imitação e não inveja destrutiva.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel  / Lição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Latim)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Tradução)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  2&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  Final (Resumo)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|11.°  - O SOL NÃO DESCANSA&lt;br /&gt;
|Non  Qviescit&lt;br /&gt;
|Não  descansa&lt;br /&gt;
|Na  Religião não há de haver ociosidade&lt;br /&gt;
|Trabalho  é honra e ordem do Criador; símbolo da atividade constante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|12.°  - CHOVEM RAIOS E TEMPESTADES&lt;br /&gt;
|Fortior  in Adversarios&lt;br /&gt;
|Mais  forte contra os adversários&lt;br /&gt;
|Quanto  as tentações forem mais fortes, mais forte há de ser a resistência&lt;br /&gt;
|A  alma deve resistir com força aos inimigos; milícia é a vida do homem&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|13.°  - UMA AVE VOANDO&lt;br /&gt;
|Né  sucvmbat&lt;br /&gt;
|Para  que não sucumba&lt;br /&gt;
|Há  de voar o espírito para o corpo não sentir os rigores da Religião&lt;br /&gt;
|A  alma Religiosa eleva-se até Deus; exemplo de Santa Teresa e S. João da Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|14.°  - UM CHAFARIZ A PRESSÃO&lt;br /&gt;
|Quo  pressa altivs&lt;br /&gt;
|Quanto  mais oprimida mais alto sobe&lt;br /&gt;
|A  humildade na Religião é a que faz avultar a virtude&lt;br /&gt;
|Humildade  é base da santidade; mais pressão, maior elevação espiritual&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|15.°  - NUTRIDA OVELHA ATRAI CHACAIS&lt;br /&gt;
|In  odorem cvrrimvs&lt;br /&gt;
|Corremos  atraídos pelo bom cheiro&lt;br /&gt;
|A  Religião há de se buscar pela fama da sua virtude&lt;br /&gt;
|Virtude  atrai os outros à fé; como S. Bento atraiu muitos à religião&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|16.°  - A VACA DO LAVRADOR&lt;br /&gt;
|Tv  cede&lt;br /&gt;
|Tu  cede&lt;br /&gt;
|Não  há de o Religioso querer que toda a gente ande ao seu passo&lt;br /&gt;
|Aceitar  as diferenças; ajudar os mais lentos com paciência e caridade&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|17.°  - CASA SEM COBERTURA&lt;br /&gt;
|Sine  cvlmine corrvit&lt;br /&gt;
|Sem  o cume desmorona-se&lt;br /&gt;
|Não  se conserva a virtude sem a oração&lt;br /&gt;
|Sem  oração, tudo desmorona; oração é vida da perfeição&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|18.°  - O SOL QUE ILUMINA E PENETRA&lt;br /&gt;
|Non  oltra vires&lt;br /&gt;
|Não  além das forças de cada qual&lt;br /&gt;
|O  superior deve tomar conhecimento individual dos súbditos&lt;br /&gt;
|Superior  deve conhecer os seus para orientá-los segundo suas capacidades&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|19.°  - O SOL DA LADEIRA&lt;br /&gt;
|Allevat  et vexat&lt;br /&gt;
|Eleva  e humilha&lt;br /&gt;
|O  superior, assim como castiga, há de premiar&lt;br /&gt;
|Superior  deve agir com justiça e equilíbrio entre castigo e prémio&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|20.°  - O FLORIDO ARBUSTO&lt;br /&gt;
|Non  ex omni flore cárpitv mel&lt;br /&gt;
|Nem  de toda a flor se colhe mel&lt;br /&gt;
|Nem  sempre há de achar o superior igual procedimento nos súbditos&lt;br /&gt;
|Nem  todos os súbditos procedem da mesma forma; usar compreensão e realismo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Imagens devocionais ====&lt;br /&gt;
As imagens e elementos decorativos do interior da igreja exercem uma &#039;&#039;&#039;dupla função&#039;&#039;&#039;: evidenciam, por um lado, um notável valor estético e patrimonial, refletindo o cuidado artístico da época barroca; por outro, assumem uma função &#039;&#039;&#039;devocional&#039;&#039;&#039;, ao inspirarem fé, recolhimento e ligação ao sagrado entre os fiéis que ali acorrem para oração.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Nome  da Imagem&lt;br /&gt;
|Material  / Estilo / Datação&lt;br /&gt;
|Altura  (m)&lt;br /&gt;
|Observações&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. dir.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada e dourada; séc. XVII (1.ª metade)&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Padroeira  primitiva&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. centro&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; meados do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Abadia&lt;br /&gt;
|Pedra  policromada; séc. XV-XVI, influência francesa&lt;br /&gt;
|1,00&lt;br /&gt;
|Proveniente  das muralhas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|São  Vicente Ferrer&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada com mulher aos pés; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – junto ao sacrário&lt;br /&gt;
|Coração  de Jesus e São José&lt;br /&gt;
|Terracota;  2.ª metade do séc. XX&lt;br /&gt;
|0,63&lt;br /&gt;
|Imagens  provisórias&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – porta do sacrário&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão (alto-relevo)&lt;br /&gt;
|Madeira;  alto-relevo&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Ressuscitado  e triunfal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – sobre o sacrário&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – centro&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada, policromada; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,97&lt;br /&gt;
|Titular  desde 1846&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (grande)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; dourado antigo; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,76&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (pequena)&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,33&lt;br /&gt;
|Muito  apreciada&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – centro&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,18&lt;br /&gt;
|Segundo  titular&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  – imagem adicional&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|1,55&lt;br /&gt;
|Substituída  após obras&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Escolástica&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada com ouro; finais séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,08&lt;br /&gt;
|Irmã  de S. Bento&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – centro&lt;br /&gt;
|Senhor  do Perdão&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo gótico; séc. XV&lt;br /&gt;
|1,90  x 1,70&lt;br /&gt;
|Expressão  comovente&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – lado&lt;br /&gt;
|São  João Evangelista&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; início do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Discípulo  amado&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – centro (em alto)&lt;br /&gt;
|Santíssima  Trindade&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,90&lt;br /&gt;
|Sobre  oratório do mesmo século&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – no oratório&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora (Virgem e Mãe)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Muito  bela&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna&lt;br /&gt;
|Senhor  da Cana Verde&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|1,16&lt;br /&gt;
|Escarnecido  pelos soldados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – sobre cómoda&lt;br /&gt;
|São  Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,66&lt;br /&gt;
|Fundador  dos Franciscanos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna alta&lt;br /&gt;
|Busto  de São Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada, articulado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Desfeito  após 1970&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – cómoda&lt;br /&gt;
|Santa  Filomena&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|Virgem  e mártir&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto&lt;br /&gt;
|Crucifixo  Semana Santa&lt;br /&gt;
|Madeira  (cruz recente); imagem antiga&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Muito  expressivo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Coração  de Maria&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,35&lt;br /&gt;
|Sobre  peanha&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|São  José&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada&lt;br /&gt;
|0,25&lt;br /&gt;
|Muito  pequeno&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|3  Crucifixos e castiçais&lt;br /&gt;
|Madeira  dourada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,50  (cruzes), 0,70 (pés)&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Presépio  com 10 figuras&lt;br /&gt;
|Terracota;  cenário reaproveitado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Gruta  original do sacrário&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Senhor  da Boa Morte&lt;br /&gt;
|Madeira;  estilo gótico&lt;br /&gt;
|Tamanho  natural&lt;br /&gt;
|Rosto  suave&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – frontispício&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Com  coroa e escudo reais&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – portaria do convento&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Escudo  aos pés&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – capela / oratório&lt;br /&gt;
|Senhor  dos Aflitos&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|1,15  (imagem); 2,00 x 1,00 (cruz)&lt;br /&gt;
|Crucifixo  devocional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura no teto da igreja ====&lt;br /&gt;
O teto da nave principal da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja conventual beneditina em Barcelos, constitui um dos elementos mais notáveis do seu programa decorativo. Executado em painéis de madeira nobre, encontra-se revestido por pinturas a óleo de temática religiosa, representando episódios da vida de São Bento e outras cenas devocionais.&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|thumb|Pintura no teto da igreja]]&lt;br /&gt;
Estas pinturas são geralmente atribuídas a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731) ou ao seu círculo próximo, com base em semelhanças estilísticas com os painéis de azulejo da mesma igreja. A obra revela um traço delicado e meticuloso, evocando por vezes o espírito das iluminuras medievais, com influência de modelos como o Beato Angélico. O uso de cores vivas, bem conservadas, e a qualidade técnica geral evidenciam a mestria dos artistas envolvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A excecional preservação destas pinturas foi já destacada em fontes do século XIX e reafirmada por técnicos da Direção-Geral dos Monumentos Nacionais durante os trabalhos de restauro realizados na década de 1970. A simples remoção de sujidade revelou a riqueza cromática e a integridade dos caixotões pintados, demonstrando a durabilidade da técnica empregue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste, as pinturas originais do teto da capela-mor foram cobertas com cal em data incerta, o que comprometeu grande parte do seu valor artístico. Intervenções de recuperação no século XX permitiram a remoção parcial da cal e a aplicação de cera protetora, embora muitos danos sejam considerados irreversíveis. Procedimentos semelhantes foram aplicados à sacristia e áreas anexas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tetos dos coros, inferior e superior, não apresentam decoração pictórica. Originalmente pintados com tinta cinzenta, foram restaurados com tratamento a cera, refletindo uma estética sóbria e alinhada com o ideal monástico de humildade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Pintura devocional ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Título / Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Descrição / Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor / Escola&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Data / Época&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Regresso da Sagrada Família do Egito&lt;br /&gt;
|Pintura com grande expressividade, cores vivas,  vestes esvoaçantes. Representa a Divina Pastora.&lt;br /&gt;
|Possivelmente António de Oliveira Bernardes ou  escola&lt;br /&gt;
|Início do século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte&lt;br /&gt;
|Santa Gertrudes&lt;br /&gt;
|Beneditina, reformadora, representada com o Menino  Jesus no coração.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul&lt;br /&gt;
|Santa Escolástica&lt;br /&gt;
|Irmã de São Bento, cofundadora das Beneditinas.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Arcanjo do Juízo Final&lt;br /&gt;
|Inspirado na carta aos Tessalonicenses (1 Tsl. 4,  12-27).&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Morte de Santa Teresa de Jesus&lt;br /&gt;
|Santa espanhola, reformadora do Carmelo. Pintura  italiana.&lt;br /&gt;
|Atribuído a Bernini por crítico da Fundação  Gulbenkian&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|O Rosto do Senhor (Véu da Verónica)&lt;br /&gt;
|Reprodução autenticada pelo Vaticano.&lt;br /&gt;
|Reprodução&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Ex-voto de S. Bento da Portaria&lt;br /&gt;
|Relata milagre de cura a António José.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Baixo&lt;br /&gt;
|Santa Águeda&lt;br /&gt;
|Pintura em tábua, virgem e mártir da província de  Catânia.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|séc. XVII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Santa Luzia&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Ascenção do Senhor&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Talha ====&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço,destaca-se pelo seu valioso conjunto de talha dourada, considerado um dos mais significativos da arte sacra portuguesa do início do século XVIII. Este conjunto tem sido objeto de estudo por diversos investigadores, entre os quais se destaca Robert Smith, especialista em arte portuguesa, que atribuiu a autoria da talha a Ambrósio Coelho, entalhador natural da freguesia de São Paio de Carvalhal, no concelho de Barcelos. &lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|[http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362 Púlpito] ]]&lt;br /&gt;
O estilo decorativo da talha é descrito pelo Cónego Dr. Luciano dos Santos, presidente da Comissão de Arte Sacra de Braga, como pertencente a um “renascimento muito ornamentado”. Apesar de algumas interpretações sugerirem uma fase de transição entre o Renascimento e o Barroco, a maioria dos estudiosos considera que a talha se insere no estilo joanino, do reinado de D. João V. Esta classificação é reforçada pela presença de motivos imperiais, como as águias esculpidas nos altares e no púlpito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os retábulos colaterais, dispostos em ângulo nas paredes laterais da nave, apresentam planta côncava e eixo único, sendo rematados por arquivoltas com decoração vegetalista. Cada retábulo possui um nicho central com imaginária, enquadrado por colunas pseudosalomónicas, características do barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela mor é coberta por abóbada semelhante à da nave e apresenta um retábulo-mor em talha dourada, de planta côncava, também com eixo único e remate em arquivolta. No centro, encontra-se a tribuna com trono, enquadrada por colunas pseudosalomónicas, entre as quais se dispõem peanhas com imagens devocionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pisos ===&lt;br /&gt;
A Igreja desenvolve-se num único piso ao nível do rés-do-chão, originalmente revestido com lajedo de pedra. Este revestimento estendia-se também à sacristia e aos corredores laterais da capela mor, onde se encontra cantaria mais elaborada, possivelmente com acabamento mais fino, condizente com o embasamento das escadas e da base do altar. Durante a década de 1930, o pavimento em pedra foi coberto com soalho de madeira, numa tentativa de melhorar o conforto térmico no interior do templo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro-baixo, reservado à participação litúrgica das religiosas em clausura, não apresenta lajedo original, o que sugere uma construção posterior ou com finalidade diferente. Conservam-se ainda elementos associados à prática da reconciliação penitencial, como pequenas janelas embutidas na parede norte. Estes vãos permitiam o contacto entre as religiosas e o confessor, mantendo a separação imposta pela clausura. Alguns desses vãos foram reabertos durante as intervenções realizadas no século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto é de grandes dimensões, projetado para acomodar mais de uma centena de religiosas. Possui pavimento em madeira e um falso teto que separa os dois coros. Durante os trabalhos de restauro do edifício, foi proposta a substituição do soalho do coro alto por uma laje de cimento revestida a madeira, com o objetivo de reforçar a estrutura e preservar a harmonia estética do espaço. Esta intervenção visava também resolver problemas funcionais relacionados com a existência de um armazém arrendado sob o coro, situação considerada inadequada do ponto de vista litúrgico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modificações estilísticas na Igreja de Nossa Senhora do Terço ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções e Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Influência das modas e  intervenções passadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados (séc. XX)  pintados de branco, quebrando a harmonia arquitetónica. - “Capacetes” de  madeira substituíram baldaquinos de damasco.- No séc. XIX, acrescentaram-se  sanefas e elementos decorativos em madeira nos arcos triunfais, obscurecendo  a estrutura original.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções de 1966 a 1970 –  Recuperação da traça original&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Retirada de elementos estranhos  ao estilo original: sanefas, guarnições de madeira, topo do sacrário  substituído por gruta com figuras em terracota. - Peças de pouca qualidade  recolhidas e armazenadas no coro e compartimentos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Altares vazados e frontais&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados transferidos para  o coro. - Perda dos frontais originais; um possivelmente reaproveitado na  capela de São Bento da Buraquinha. - Novos frontais construídos em madeira de  castanho, pintados em sintonia com a paleta cromática da igreja.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Adaptação às normas do Concílio  Vaticano II&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Centralização do culto no novo  Altar do Sacrifício. - Mesas dos três altares cortadas e reutilizadas como  nichos no novo altar central. - Grade da comunhão removida.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tribuna e elementos decorativos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Pinturas florais no fundo do  retábulo refeitas com base em vestígios originais (tons de cinzento com  flores discretas). - Telão do Coração de Jesus e Santa Margarida Maria  Alacoque removido por destoar estilisticamente; degraus restaurados e  pintados de dourado.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Uso da tribuna pelas religiosas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- A tribuna foi usada como espaço  de exposição do Santíssimo Sacramento, acessível pela porta inferior. - Não  se sabe ao certo desde quando essa prática ocorria.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Restauro geral e cuidados  estéticos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Limpeza dos tetos, recuperação  das cantarias, portas interiores, balaustradas, ferragens, candeeiros e  tintas escolhidas com critério estético e histórico.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Imagens sacras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Imagem moderna de São Bento  deslocada para o coro, substituída por escultura antiga. - Imagem de Santa  Luzia restaurada em Braga.- Imagens do Coração de Jesus e de São José  adaptadas antes da colocação.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Aspirações futuras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Recuperação do lajedo da nave  principal ainda pendente. - Novo Altar do Sacrifício destaca-se pela  simplicidade e contribui para a beleza do conjunto.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cronologia dos Restauros ==&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Ano/Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções Realizadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1966&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início da campanha de restauro  para devolver à igreja o estilo original. - Retirada de sanefas e guarnições  de madeira que ocultavam elementos arquitetónicos. - Substituição da peça  superior do sacrário por uma gruta com figuras em terracota.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1967–1968&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Retirada dos altares vazados do  início do séc. XX e transferência para o coro. - Confeção de dois frontais em  madeira de castanho para os altares laterais, pintados conforme as cores  dominantes da igreja. - Substituição de imagens modernas por outras antigas  de valor artístico (ex.: imagem antiga de S. Bento).&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1969&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Preparação para o restauro  estrutural profundo. - Envolvimento da Delegação Norte dos Monumentos  Nacionais (Arq. Silva Bessa). - Obra autorizada a ser feita “a jornal” por  mestres locais após desistência de empreiteiros.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Verão de 1970&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início oficial das grandes obras.  - Nova cobertura em placa de cimento armado. - Instalação de telhados novos  em telha especial patinada.- Verificação da boa conservação das estruturas de  madeira originais. - Travamento das paredes com anéis de ferro, cimento e  cabos de aço.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1971&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Reboque e pintura da fachada  sul com materiais adequados. - Restauro do coro alto (escadas novas, reboco e  enceramento do teto). - Confeção de cinco portas exteriores em madeira de  castanho envelhecido. - Nova porta da sacristia em madeira de mimosa seca.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Primavera de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Conclusão da 2.ª fase das obras.  - Construção do novo Altar do Sacrifício ao centro da capela-mor, conforme o  Concílio Vaticano II.- Retirada da grade da comunhão e adaptação do arco cruzeiro.  - Lavagens profundas da cantaria e construção de armários laterais de apoio.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1 de julho de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Visita oficial do Arcebispo  Primaz, D. Francisco Maria da Silva. - Planeamento da 3.ª fase: colocação da  placa do coro alto e instalação de iluminação museológica.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Tetos.png&lt;br /&gt;
File:Planta.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  BIBLIOGRAFIA ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA:&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Câmara Municipal de Barcelos: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=442</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
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		<updated>2025-05-16T14:46:40Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|[http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362 Fachada da Igreja]]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ESTADO DA ARTE ==&lt;br /&gt;
A &#039;&#039;&#039;Igreja de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;&#039;, localizada em &#039;&#039;&#039;Barcelos&#039;&#039;&#039;, Portugal, é um edifício religioso classificado como &#039;&#039;&#039;Imóvel de Interesse Público&#039;&#039;&#039;. A igreja integra o antigo complexo monástico beneditino e constitui um dos mais importantes testemunhos do barroco setecentista na região do Minho. Construída para as religiosas beneditinas, destaca-se pelos azulejos representando a vida de São Bento e pelos altares em talha dourada. Após a extinção das ordens religiosas, a Confraria de Nossa Senhora do Terço assegurou a continuidade do culto e a preservação do seu património. A relevância histórica e artística da igreja é amplamente documentada por Manuel Avelino Ferreira na obra &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;. (1982)  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ENQUADRAMENTO ==&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade das &#039;&#039;&#039;freiras beneditinas&#039;&#039;&#039; que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em &#039;&#039;&#039;Monção&#039;&#039;&#039;. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela &#039;&#039;&#039;Guerra da Restauração&#039;&#039;&#039;, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, &#039;&#039;&#039;D. Pedro II&#039;&#039;&#039; determinou o acolhimento provisório das religiosas no &#039;&#039;&#039;Seminário de São Pedro&#039;&#039;&#039;, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao &#039;&#039;&#039;Arcebispo Primaz de Braga&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;D. Rodrigo de Moura Teles&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a &#039;&#039;&#039;14 de agosto de 1707&#039;&#039;&#039;, e ficou concluída em &#039;&#039;&#039;1713&#039;&#039;&#039;, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a &#039;&#039;&#039;11 de julho de 1713&#039;&#039;&#039;, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a &#039;&#039;&#039;12 mil cruzados&#039;&#039;&#039;. Em 1707, foi nomeado &#039;&#039;&#039;Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro&#039;&#039;&#039; como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em &#039;&#039;&#039;grande quadrilátero&#039;&#039;&#039;, implantado no atual &#039;&#039;&#039;Largo 5 de Outubro&#039;&#039;&#039; (antigo &#039;&#039;&#039;Campo dos Touros&#039;&#039;&#039;), onde se localizavam a &#039;&#039;&#039;portaria&#039;&#039;&#039; e o acesso à cerca. A &#039;&#039;&#039;ala sul&#039;&#039;&#039; acompanhava o traçado da atual &#039;&#039;&#039;Avenida dos Combatentes da Grande Guerra&#039;&#039;&#039;, destacando-se o &#039;&#039;&#039;frontispício da igreja&#039;&#039;&#039;, voltado para o antigo &#039;&#039;&#039;Campo da Feira&#039;&#039;&#039;. No extremo sul, erguiam-se dois &#039;&#039;&#039;mirantes&#039;&#039;&#039;, sendo o do lado poente construído em &#039;&#039;&#039;ângulo reto&#039;&#039;&#039; entre o convento, o largo e a antiga estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao centro, dispunha-se um &#039;&#039;&#039;claustro&#039;&#039;&#039;, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma &#039;&#039;&#039;cerca com cerca de seis metros de altura&#039;&#039;&#039;, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, &#039;&#039;&#039;D. Pedro IV&#039;&#039;&#039; decretou, em &#039;&#039;&#039;1834&#039;&#039;&#039;, a &#039;&#039;&#039;extinção das ordens religiosas em Portugal&#039;&#039;&#039;. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;Mosteiro Beneditino de Barcelos&#039;&#039;&#039; foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em &#039;&#039;&#039;Espanha&#039;&#039;&#039;, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em &#039;&#039;&#039;1842&#039;&#039;&#039;, apenas &#039;&#039;&#039;duas religiosas&#039;&#039;&#039; permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de &#039;&#039;&#039;Viana do Castelo&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por &#039;&#039;&#039;D. Maria II&#039;&#039;&#039;, confirma a realização de um leilão a &#039;&#039;&#039;20 de novembro de 1843&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a &#039;&#039;&#039;desamortização&#039;&#039;&#039;, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A &#039;&#039;&#039;cerca sul&#039;&#039;&#039; foi demolida para dar lugar à atual &#039;&#039;&#039;Avenida dos Combatentes da Grande Guerra&#039;&#039;&#039;, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em &#039;&#039;&#039;2004&#039;&#039;&#039;, foi inaugurado o &#039;&#039;&#039;Centro Comercial e Hotel do Terço&#039;&#039;&#039;, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas &#039;&#039;&#039;quatro arcos de volta perfeita&#039;&#039;&#039;, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo &#039;&#039;&#039;claustro&#039;&#039;&#039;, hoje integrados no pátio-esplanada do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um &#039;&#039;&#039;andar superior em galeria&#039;&#039;&#039;, com &#039;&#039;&#039;cobertura em madeira&#039;&#039;&#039; suportada por &#039;&#039;&#039;colunas toscanas&#039;&#039;&#039; sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os &#039;&#039;&#039;vãos de portas e janelas quadrangulares&#039;&#039;&#039;, com &#039;&#039;&#039;emolduramentos em cantaria&#039;&#039;&#039;, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== &#039;&#039;&#039;DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039; ==&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== EXTERIOR ===&lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|[http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362 Remate do portal]]]&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta de disposição retangular e transversal, integrando diversos espaços funcionais alinhados ao longo de um eixo longitudinal: antigas dependências do convento, coro, nave única, capela-mor profunda e sacristia. A volumetria destaca-se pela orientação horizontal, conferindo equilíbrio e sobriedade ao conjunto arquitetônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada principal, de traço simples e harmonioso, é rebocada e pintada de branco, assente sobre uma base de cantaria. Organiza-se em dois registos distintos e é rematada, ao centro, por uma cruz latina de braços trilobados. No registo inferior, sobressai o portal principal em arco de volta perfeita, construído em cantaria granítica e decorado com as armas reais na pedra de fecho. Este é ladeado por pilastras toscanas que sustentam um entablamento sóbrio, sobre o qual se encontra um nicho com a imagem da Virgem. Este nicho prolonga-se para o registo superior, sendo enquadrado por aletas e pináculos decorativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À esquerda, existe um segundo portal, também em arco de volta perfeita, mais modesto, ladeado por pilastras com pináculos e rematado por uma cornija semicircular encimada por uma cruz. Em redor encontram-se cartelas com inscrições comemorativas, adornadas com molduras volutadas típicas do barroco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No registo superior, abrem-se janelas gradeadas em capialço, incluindo uma janela de sacada com guarda em ferro forjado. O portal principal constitui o elemento de maior destaque, com arco de volta perfeita, pilastras simples, entablamento discreto e cornija proeminente. Sobre esta, dois pináculos bulbosos enquadram um nicho concheado com a escultura em pedra de Nossa Senhora da Conceição, adornado com volutas invertidas de desenho invulgar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima do portal, observa-se um brasão de armas de Portugal esculpido em alto-relevo, encimado por coroa real e inserido numa cartela em forma de couro. Sobre a balaustrada, ergue-se uma cruz em granito. No extremo leste da fachada, localiza-se uma sineira geminada de feição simples.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== PLANO ARTISTICO E SEU AUTOR ====&lt;br /&gt;
O programa artístico da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja do convento das beneditinas de Barcelos, é geralmente atribuído a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731), um dos mais importantes mestres da azulejaria portuguesa do final do século XVII e início do século XVIII. Reconhecido pela sua versatilidade e pelo papel central na consolidação de uma escola de pintura sobre azulejo, Bernardes também se destacou na pintura a óleo sobre madeira, tela e barro. A sua oficina viria a formar diversos artistas, incluindo os seus filhos, Policarpo e Inácio Bernardes, que deram continuidade ao legado artístico da família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Igreja do Terço, a autoria de Bernardes é atribuída tanto ao conjunto de azulejos como a outras componentes decorativas do interior, num projeto coeso que parece ter sido concebido em sua totalidade pelo mestre ou sob a sua supervisão. Integradas nesse programa decorativo encontram-se seis telas de grandes dimensões com molduras douradas. Quatro permanecem na nave central e uma, de especial valor artístico, representa o regresso da Sagrada Família do Egito, colocada na capela mor. Duas outras telas originalmente pertencentes à capela mor terão desaparecido durante as Invasões Francesas, tendo os seus espaços sido preenchidos por composições em gesso de época posterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas a óleo do teto da nave principal, executadas sobre madeira nobre, apresentam afinidades estilísticas com os painéis de azulejo e são também atribuídas a António de Oliveira Bernardes. No entanto, pequenas variações formais sugerem a colaboração de outros membros da oficina, algo comum nas práticas artísticas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um exemplo notável desta colaboração é o par de painéis da capela mor que representam o lançamento da primeira pedra e a inauguração da igreja, assinados com as iniciais “P. M. P.”, de autor ainda não identificado. A assinatura completa poderá ter sido ocultada por um altar lateral posteriormente adicionado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== AZULEJO ====&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo 2.jpg|thumb|Pormenor de azulejo]]&lt;br /&gt;
Datado de 1713, conforme inscrição identificada num friso de azulejos, o conjunto azulejar da Igreja de Barcelos é atribuído a António de Oliveira Bernardes, um dos mais destacados mestres da azulejaria barroca portuguesa. Este programa decorativo integra-se plenamente na tradição artística e pedagógica do barroco, articulando espiritualidade, narrativa e simbolismo visual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os painéis de azulejos retratam episódios da vida de São Bento, enfatizando momentos da sua juventude, milagres e cenas que ilustram os princípios da Regra Beneditina, como a oração, o trabalho e a disciplina. As composições apresentam grande dimensão e forte impacto visual, revestindo integralmente os muros da nave da igreja. O cromatismo dominante é o azul cobalto sobre fundo branco, característico da azulejaria portuguesa do período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado sul, destacam-se janelas fingidas que simulam vãos reais, criando um efeito ilusionista acentuado por reflexos amarelados que imitam a luz solar. Este recurso decorativo contribui para uma atmosfera envolvente no espaço interior, reforçando a unidade simbólica do conjunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O programa iconográfico inclui ainda um ciclo de emblemas inspirados nas obras do beneditino Frei João dos Prazeres: &#039;&#039;O Príncipe dos Patriarcas S. Bento&#039;&#039; (1683) e &#039;&#039;Segundo Tomo de sua Vida&#039;&#039; (1690)&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;N.º  Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema  / Descrição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  do Coro&lt;br /&gt;
|1  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|S.  Bento recebe pastores e jovens que desejam seguir o seu exemplo de vida  austera e solitária.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|2  (Centro)&lt;br /&gt;
|S.  Bento rola-se nos silvedos, em penitência, para dominar as tentações da  carne.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|3  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|O  corvo, seu companheiro, leva um pão envenenado para longe, evitando o atentado  de Florêncio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede  Norte&lt;br /&gt;
|4  (Junto ao Coro)&lt;br /&gt;
|Monges  constroem um mosteiro. Um demónio torna uma pedra pesada; S. Bento  exorciza-o.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|5  (Antes do Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tentativa  de envenenamento com uma bilha. S. Bento abençoa-a, dela sai uma serpente.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|6  (Sobre o Púlpito)&lt;br /&gt;
|Tótila  envia um falso rei. S. Bento reconhece a farsa e desmascara o impostor.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|7  (Sobre o Altar)&lt;br /&gt;
|Tótila  visita S. Bento, é perdoado e o santo profetiza-lhe o futuro (9 anos de  reinado).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|8  (Depois do Púlpito)&lt;br /&gt;
|O  lema “Ora et labora” ilustrado com monges a orar e a trabalhar no Monte  Cassino.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Capela-Mor&lt;br /&gt;
|9  (Lado Norte)&lt;br /&gt;
|Lançamento  da 1.ª pedra do convento por D. Rodrigo de Moura Teles, em 14 de agosto de  1707.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|10  (Lado Sul)&lt;br /&gt;
|Inauguração  do convento em 1713, com cortejo das freiras e presença figurada de D. João  V.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|11  (Parte superior de ambas as paredes)&lt;br /&gt;
|Espaço  decorativo com fundo de gesso e desenhos entre janelas, reais e fingidas.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lições&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Interpretação Final&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|1 - O  Dragão das Sete Cabeças&lt;br /&gt;
|Non  extingvetvr igne. = Não se extingue nem com o fogo.  Só com o amor  divino se extingue o amor profano.&lt;br /&gt;
|O dragão  é o amor profano, os vícios capitais; só o amor divino pode vencê-lo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|2 - O  Meu Vestuário&lt;br /&gt;
|A gosto,  e à medida.  A eleição do hábito há de ser voluntária.&lt;br /&gt;
|O hábito  simboliza a vocação, que deve ser bem escolhida e vivida com entusiasmo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|3 - O  Feio Pássaro&lt;br /&gt;
|Ne  pereat immunitas. = Para que não pereça a perfeita clausura.  O sagrado  da clausura não se viola só pelas portas.&lt;br /&gt;
|O  pássaro é o demónio tentador, e a clausura protege contra tentações internas  e externas.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|4 - O  Sol, Atracção das Águias&lt;br /&gt;
|Probantur  ut coronentur. = São provadas para serem coroadas.  A observância da  regra de S. Bento é caminho de salvação.&lt;br /&gt;
|O Sol é  Deus e as almas virtuosas voam para Ele como prêmio da vida santa.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|5 - O  Galo Vaidoso&lt;br /&gt;
|Se ipsum  conspurcat. = Suja-se a si mesmo.  Só se compõem bem quem se vê ao  Divino Espelho.&lt;br /&gt;
|A  vaidade afasta-nos de Deus; o verdadeiro espelho é Cristo.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|6 - A  Árvore e a Ovelha&lt;br /&gt;
|Adumbrat  et alit. = Dá sombra e alimenta.  O Religioso tudo tem na Religião.&lt;br /&gt;
|A árvore  é o convento que sustenta espiritualmente os seus membros, como a Providência  sustenta os fiéis.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|7 - O  Rapaz do Copo Quebrado&lt;br /&gt;
|Facile  conciliantur. = Facilmente se conciliam.  Na Religião não há de haver  ódios.&lt;br /&gt;
|O vaso  representa a harmonia; deve haver reconciliação fácil na vida religiosa e  social.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|8 - O  Chicote e o Freio&lt;br /&gt;
|Non  sufficit unum. = Não basta um só.  Não se pode conservar a Religião sem  castigo.&lt;br /&gt;
|O freio  representa a correção e o chicote a punição quando há desobediência.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|9 - A  Foucinha Cega&lt;br /&gt;
|Impossibilia  superat. = Supera o impossível.  A obediência há de ser cega.&lt;br /&gt;
|A  foucinha cega simboliza a obediência perfeita, sem hesitações ou dúvidas  interiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|10 - As  Flores Perfumadas&lt;br /&gt;
|Quia  olet. = Porque cheira bem.  A inveja na Religião há de ser para imitar e  não para destruir.&lt;br /&gt;
|As  virtudes devem inspirar imitação e não inveja destrutiva.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Painel  / Lição&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Latim)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  1 (Tradução)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  2&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Lição  Final (Resumo)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|11.°  - O SOL NÃO DESCANSA&lt;br /&gt;
|Non  Qviescit&lt;br /&gt;
|Não  descansa&lt;br /&gt;
|Na  Religião não há de haver ociosidade&lt;br /&gt;
|Trabalho  é honra e ordem do Criador; símbolo da atividade constante&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|12.°  - CHOVEM RAIOS E TEMPESTADES&lt;br /&gt;
|Fortior  in Adversarios&lt;br /&gt;
|Mais  forte contra os adversários&lt;br /&gt;
|Quanto  as tentações forem mais fortes, mais forte há de ser a resistência&lt;br /&gt;
|A  alma deve resistir com força aos inimigos; milícia é a vida do homem&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|13.°  - UMA AVE VOANDO&lt;br /&gt;
|Né  sucvmbat&lt;br /&gt;
|Para  que não sucumba&lt;br /&gt;
|Há  de voar o espírito para o corpo não sentir os rigores da Religião&lt;br /&gt;
|A  alma Religiosa eleva-se até Deus; exemplo de Santa Teresa e S. João da Cruz&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|14.°  - UM CHAFARIZ A PRESSÃO&lt;br /&gt;
|Quo  pressa altivs&lt;br /&gt;
|Quanto  mais oprimida mais alto sobe&lt;br /&gt;
|A  humildade na Religião é a que faz avultar a virtude&lt;br /&gt;
|Humildade  é base da santidade; mais pressão, maior elevação espiritual&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|15.°  - NUTRIDA OVELHA ATRAI CHACAIS&lt;br /&gt;
|In  odorem cvrrimvs&lt;br /&gt;
|Corremos  atraídos pelo bom cheiro&lt;br /&gt;
|A  Religião há de se buscar pela fama da sua virtude&lt;br /&gt;
|Virtude  atrai os outros à fé; como S. Bento atraiu muitos à religião&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|16.°  - A VACA DO LAVRADOR&lt;br /&gt;
|Tv  cede&lt;br /&gt;
|Tu  cede&lt;br /&gt;
|Não  há de o Religioso querer que toda a gente ande ao seu passo&lt;br /&gt;
|Aceitar  as diferenças; ajudar os mais lentos com paciência e caridade&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|17.°  - CASA SEM COBERTURA&lt;br /&gt;
|Sine  cvlmine corrvit&lt;br /&gt;
|Sem  o cume desmorona-se&lt;br /&gt;
|Não  se conserva a virtude sem a oração&lt;br /&gt;
|Sem  oração, tudo desmorona; oração é vida da perfeição&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|18.°  - O SOL QUE ILUMINA E PENETRA&lt;br /&gt;
|Non  oltra vires&lt;br /&gt;
|Não  além das forças de cada qual&lt;br /&gt;
|O  superior deve tomar conhecimento individual dos súbditos&lt;br /&gt;
|Superior  deve conhecer os seus para orientá-los segundo suas capacidades&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|19.°  - O SOL DA LADEIRA&lt;br /&gt;
|Allevat  et vexat&lt;br /&gt;
|Eleva  e humilha&lt;br /&gt;
|O  superior, assim como castiga, há de premiar&lt;br /&gt;
|Superior  deve agir com justiça e equilíbrio entre castigo e prémio&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|20.°  - O FLORIDO ARBUSTO&lt;br /&gt;
|Non  ex omni flore cárpitv mel&lt;br /&gt;
|Nem  de toda a flor se colhe mel&lt;br /&gt;
|Nem  sempre há de achar o superior igual procedimento nos súbditos&lt;br /&gt;
|Nem  todos os súbditos procedem da mesma forma; usar compreensão e realismo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== IMAGENS DEVOCIONAIS ====&lt;br /&gt;
As imagens e elementos decorativos do interior da igreja exercem uma &#039;&#039;&#039;dupla função&#039;&#039;&#039;: evidenciam, por um lado, um notável valor estético e patrimonial, refletindo o cuidado artístico da época barroca; por outro, assumem uma função &#039;&#039;&#039;devocional&#039;&#039;&#039;, ao inspirarem fé, recolhimento e ligação ao sagrado entre os fiéis que ali acorrem para oração.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|Localização&lt;br /&gt;
|Nome  da Imagem&lt;br /&gt;
|Material  / Estilo / Datação&lt;br /&gt;
|Altura  (m)&lt;br /&gt;
|Observações&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. dir.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada e dourada; séc. XVII (1.ª metade)&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Padroeira  primitiva&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. centro&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; meados do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 1.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Abadia&lt;br /&gt;
|Pedra  policromada; séc. XV-XVI, influência francesa&lt;br /&gt;
|1,00&lt;br /&gt;
|Proveniente  das muralhas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – 2.º plano sup. esq.&lt;br /&gt;
|São  Vicente Ferrer&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada com mulher aos pés; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – junto ao sacrário&lt;br /&gt;
|Coração  de Jesus e São José&lt;br /&gt;
|Terracota;  2.ª metade do séc. XX&lt;br /&gt;
|0,63&lt;br /&gt;
|Imagens  provisórias&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – porta do sacrário&lt;br /&gt;
|Senhor  da Ascensão (alto-relevo)&lt;br /&gt;
|Madeira;  alto-relevo&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Ressuscitado  e triunfal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar-mor  – sobre o sacrário&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,70&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – centro&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|Madeira  estofada, policromada; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,97&lt;br /&gt;
|Titular  desde 1846&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (grande)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; dourado antigo; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,76&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Norte – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Luzia (pequena)&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVIII&lt;br /&gt;
|0,33&lt;br /&gt;
|Muito  apreciada&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – centro&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,18&lt;br /&gt;
|Segundo  titular&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  – imagem adicional&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|1,55&lt;br /&gt;
|Substituída  após obras&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Altar  Lateral Sul – lado&lt;br /&gt;
|Santa  Escolástica&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada com ouro; finais séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,08&lt;br /&gt;
|Irmã  de S. Bento&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – centro&lt;br /&gt;
|Senhor  do Perdão&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; estilo gótico; séc. XV&lt;br /&gt;
|1,90  x 1,70&lt;br /&gt;
|Expressão  comovente&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Baixo – lado&lt;br /&gt;
|São  João Evangelista&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; início do séc. XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Discípulo  amado&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – centro (em alto)&lt;br /&gt;
|Santíssima  Trindade&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,90&lt;br /&gt;
|Sobre  oratório do mesmo século&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – no oratório&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora (Virgem e Mãe)&lt;br /&gt;
|Madeira  policromada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|1,20&lt;br /&gt;
|Muito  bela&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna&lt;br /&gt;
|Senhor  da Cana Verde&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|1,16&lt;br /&gt;
|Escarnecido  pelos soldados&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – sobre cómoda&lt;br /&gt;
|São  Francisco de Assis&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVII&lt;br /&gt;
|0,66&lt;br /&gt;
|Fundador  dos Franciscanos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – em coluna alta&lt;br /&gt;
|Busto  de São Bento&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada, articulado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Desfeito  após 1970&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto – cómoda&lt;br /&gt;
|Santa  Filomena&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,60&lt;br /&gt;
|Virgem  e mártir&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro  Alto&lt;br /&gt;
|Crucifixo  Semana Santa&lt;br /&gt;
|Madeira  (cruz recente); imagem antiga&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Muito  expressivo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Crucifixo&lt;br /&gt;
|Madeira;  séc. XVII-XVIII&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Coração  de Maria&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XX&lt;br /&gt;
|0,35&lt;br /&gt;
|Sobre  peanha&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|São  José&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada&lt;br /&gt;
|0,25&lt;br /&gt;
|Muito  pequeno&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|3  Crucifixos e castiçais&lt;br /&gt;
|Madeira  dourada; estilo D. Maria II; séc. XIX&lt;br /&gt;
|0,50  (cruzes), 0,70 (pés)&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Presépio  com 10 figuras&lt;br /&gt;
|Terracota;  cenário reaproveitado&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Gruta  original do sacrário&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Senhor  da Boa Morte&lt;br /&gt;
|Madeira;  estilo gótico&lt;br /&gt;
|Tamanho  natural&lt;br /&gt;
|Rosto  suave&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – frontispício&lt;br /&gt;
|Nossa  Senhora da Conceição&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Com  coroa e escudo reais&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – portaria do convento&lt;br /&gt;
|São  Bento&lt;br /&gt;
|Pedra&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;-&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|Escudo  aos pés&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Exterior  – capela / oratório&lt;br /&gt;
|Senhor  dos Aflitos&lt;br /&gt;
|Madeira  pintada; séc. XVIII&lt;br /&gt;
|1,15  (imagem); 2,00 x 1,00 (cruz)&lt;br /&gt;
|Crucifixo  devocional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== PINTURA NO TETO DA IGREJA ====&lt;br /&gt;
O teto da nave principal da Igreja da Senhora do Terço, antiga igreja conventual beneditina em Barcelos, constitui um dos elementos mais notáveis do seu programa decorativo. Executado em painéis de madeira nobre, encontra-se revestido por pinturas a óleo de temática religiosa, representando episódios da vida de São Bento e outras cenas devocionais.&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|thumb|Pintura no teto da igreja]]&lt;br /&gt;
Estas pinturas são geralmente atribuídas a António de Oliveira Bernardes (c. 1660–1731) ou ao seu círculo próximo, com base em semelhanças estilísticas com os painéis de azulejo da mesma igreja. A obra revela um traço delicado e meticuloso, evocando por vezes o espírito das iluminuras medievais, com influência de modelos como o Beato Angélico. O uso de cores vivas, bem conservadas, e a qualidade técnica geral evidenciam a mestria dos artistas envolvidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A excecional preservação destas pinturas foi já destacada em fontes do século XIX e reafirmada por técnicos da Direção-Geral dos Monumentos Nacionais durante os trabalhos de restauro realizados na década de 1970. A simples remoção de sujidade revelou a riqueza cromática e a integridade dos caixotões pintados, demonstrando a durabilidade da técnica empregue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste, as pinturas originais do teto da capela-mor foram cobertas com cal em data incerta, o que comprometeu grande parte do seu valor artístico. Intervenções de recuperação no século XX permitiram a remoção parcial da cal e a aplicação de cera protetora, embora muitos danos sejam considerados irreversíveis. Procedimentos semelhantes foram aplicados à sacristia e áreas anexas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tetos dos coros, inferior e superior, não apresentam decoração pictórica. Originalmente pintados com tinta cinzenta, foram restaurados com tratamento a cera, refletindo uma estética sóbria e alinhada com o ideal monástico de humildade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== PINTURA DEVOCIONAL ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Título / Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Descrição / Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor / Escola&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Data / Época&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Regresso da Sagrada Família do Egito&lt;br /&gt;
|Pintura com grande expressividade, cores vivas,  vestes esvoaçantes. Representa a Divina Pastora.&lt;br /&gt;
|Possivelmente António de Oliveira Bernardes ou  escola&lt;br /&gt;
|Início do século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Norte&lt;br /&gt;
|Santa Gertrudes&lt;br /&gt;
|Beneditina, reformadora, representada com o Menino  Jesus no coração.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul&lt;br /&gt;
|Santa Escolástica&lt;br /&gt;
|Irmã de São Bento, cofundadora das Beneditinas.&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Parede Sul (junto ao coro)&lt;br /&gt;
|Arcanjo do Juízo Final&lt;br /&gt;
|Inspirado na carta aos Tessalonicenses (1 Tsl. 4,  12-27).&lt;br /&gt;
|Possivelmente da escola de Bernardes&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Morte de Santa Teresa de Jesus&lt;br /&gt;
|Santa espanhola, reformadora do Carmelo. Pintura  italiana.&lt;br /&gt;
|Atribuído a Bernini por crítico da Fundação  Gulbenkian&lt;br /&gt;
|séc. XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|O Rosto do Senhor (Véu da Verónica)&lt;br /&gt;
|Reprodução autenticada pelo Vaticano.&lt;br /&gt;
|Reprodução&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Sacristia&lt;br /&gt;
|Ex-voto de S. Bento da Portaria&lt;br /&gt;
|Relata milagre de cura a António José.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Baixo&lt;br /&gt;
|Santa Águeda&lt;br /&gt;
|Pintura em tábua, virgem e mártir da província de  Catânia.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|séc. XVII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Santa Luzia&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Coro Alto&lt;br /&gt;
|Ascenção do Senhor&lt;br /&gt;
|Quadro médio em tela.&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|—&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;TALHA&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço,destaca-se pelo seu valioso conjunto de talha dourada, considerado um dos mais significativos da arte sacra portuguesa do início do século XVIII. Este conjunto tem sido objeto de estudo por diversos investigadores, entre os quais se destaca Robert Smith, especialista em arte portuguesa, que atribuiu a autoria da talha a Ambrósio Coelho, entalhador natural da freguesia de São Paio de Carvalhal, no concelho de Barcelos. &lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|[http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362 Púlpito] ]]&lt;br /&gt;
O estilo decorativo da talha é descrito pelo Cónego Dr. Luciano dos Santos, presidente da Comissão de Arte Sacra de Braga, como pertencente a um “renascimento muito ornamentado”. Apesar de algumas interpretações sugerirem uma fase de transição entre o Renascimento e o Barroco, a maioria dos estudiosos considera que a talha se insere no estilo joanino, do reinado de D. João V. Esta classificação é reforçada pela presença de motivos imperiais, como as águias esculpidas nos altares e no púlpito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os retábulos colaterais, dispostos em ângulo nas paredes laterais da nave, apresentam planta côncava e eixo único, sendo rematados por arquivoltas com decoração vegetalista. Cada retábulo possui um nicho central com imaginária, enquadrado por colunas pseudosalomónicas, características do barroco português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela mor é coberta por abóbada semelhante à da nave e apresenta um retábulo-mor em talha dourada, de planta côncava, também com eixo único e remate em arquivolta. No centro, encontra-se a tribuna com trono, enquadrada por colunas pseudosalomónicas, entre as quais se dispõem peanhas com imagens devocionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== PISOS ===&lt;br /&gt;
A Igreja desenvolve-se num único piso ao nível do rés-do-chão, originalmente revestido com lajedo de pedra. Este revestimento estendia-se também à sacristia e aos corredores laterais da capela mor, onde se encontra cantaria mais elaborada, possivelmente com acabamento mais fino, condizente com o embasamento das escadas e da base do altar. Durante a década de 1930, o pavimento em pedra foi coberto com soalho de madeira, numa tentativa de melhorar o conforto térmico no interior do templo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro-baixo, reservado à participação litúrgica das religiosas em clausura, não apresenta lajedo original, o que sugere uma construção posterior ou com finalidade diferente. Conservam-se ainda elementos associados à prática da reconciliação penitencial, como pequenas janelas embutidas na parede norte. Estes vãos permitiam o contacto entre as religiosas e o confessor, mantendo a separação imposta pela clausura. Alguns desses vãos foram reabertos durante as intervenções realizadas no século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O coro alto é de grandes dimensões, projetado para acomodar mais de uma centena de religiosas. Possui pavimento em madeira e um falso teto que separa os dois coros. Durante os trabalhos de restauro do edifício, foi proposta a substituição do soalho do coro alto por uma laje de cimento revestida a madeira, com o objetivo de reforçar a estrutura e preservar a harmonia estética do espaço. Esta intervenção visava também resolver problemas funcionais relacionados com a existência de um armazém arrendado sob o coro, situação considerada inadequada do ponto de vista litúrgico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== MODIFICAÇÕES ESTILÍSTICAS NA IGREJA DE NOSSA SENHORA DO TERÇO ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tema&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções e Observações&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Influência das modas e  intervenções passadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados (séc. XX)  pintados de branco, quebrando a harmonia arquitetónica. - “Capacetes” de  madeira substituíram baldaquinos de damasco.- No séc. XIX, acrescentaram-se  sanefas e elementos decorativos em madeira nos arcos triunfais, obscurecendo  a estrutura original.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções de 1966 a 1970 –  Recuperação da traça original&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Retirada de elementos estranhos  ao estilo original: sanefas, guarnições de madeira, topo do sacrário  substituído por gruta com figuras em terracota. - Peças de pouca qualidade  recolhidas e armazenadas no coro e compartimentos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Altares vazados e frontais&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Altares vazados transferidos para  o coro. - Perda dos frontais originais; um possivelmente reaproveitado na  capela de São Bento da Buraquinha. - Novos frontais construídos em madeira de  castanho, pintados em sintonia com a paleta cromática da igreja.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Adaptação às normas do Concílio  Vaticano II&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Centralização do culto no novo  Altar do Sacrifício. - Mesas dos três altares cortadas e reutilizadas como  nichos no novo altar central. - Grade da comunhão removida.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Tribuna e elementos decorativos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Pinturas florais no fundo do  retábulo refeitas com base em vestígios originais (tons de cinzento com  flores discretas). - Telão do Coração de Jesus e Santa Margarida Maria  Alacoque removido por destoar estilisticamente; degraus restaurados e  pintados de dourado.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Uso da tribuna pelas religiosas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- A tribuna foi usada como espaço  de exposição do Santíssimo Sacramento, acessível pela porta inferior. - Não  se sabe ao certo desde quando essa prática ocorria.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Restauro geral e cuidados  estéticos&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Limpeza dos tetos, recuperação  das cantarias, portas interiores, balaustradas, ferragens, candeeiros e  tintas escolhidas com critério estético e histórico.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Imagens sacras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Imagem moderna de São Bento  deslocada para o coro, substituída por escultura antiga. - Imagem de Santa  Luzia restaurada em Braga.- Imagens do Coração de Jesus e de São José  adaptadas antes da colocação.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Aspirações futuras&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Recuperação do lajedo da nave  principal ainda pendente. - Novo Altar do Sacrifício destaca-se pela  simplicidade e contribui para a beleza do conjunto.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== CRONOLOGIA DOS RESTAUROS ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Ano/Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Intervenções Realizadas&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1966&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início da campanha de restauro  para devolver à igreja o estilo original. - Retirada de sanefas e guarnições  de madeira que ocultavam elementos arquitetónicos. - Substituição da peça  superior do sacrário por uma gruta com figuras em terracota.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1967–1968&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Retirada dos altares vazados do  início do séc. XX e transferência para o coro. - Confeção de dois frontais em  madeira de castanho para os altares laterais, pintados conforme as cores  dominantes da igreja. - Substituição de imagens modernas por outras antigas  de valor artístico (ex.: imagem antiga de S. Bento).&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1969&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Preparação para o restauro  estrutural profundo. - Envolvimento da Delegação Norte dos Monumentos  Nacionais (Arq. Silva Bessa). - Obra autorizada a ser feita “a jornal” por  mestres locais após desistência de empreiteiros.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Verão de 1970&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Início oficial das grandes obras.  - Nova cobertura em placa de cimento armado. - Instalação de telhados novos  em telha especial patinada.- Verificação da boa conservação das estruturas de  madeira originais. - Travamento das paredes com anéis de ferro, cimento e  cabos de aço.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1971&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Reboque e pintura da fachada  sul com materiais adequados. - Restauro do coro alto (escadas novas, reboco e  enceramento do teto). - Confeção de cinco portas exteriores em madeira de  castanho envelhecido. - Nova porta da sacristia em madeira de mimosa seca.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Primavera de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Conclusão da 2.ª fase das obras.  - Construção do novo Altar do Sacrifício ao centro da capela-mor, conforme o  Concílio Vaticano II.- Retirada da grade da comunhão e adaptação do arco cruzeiro.  - Lavagens profundas da cantaria e construção de armários laterais de apoio.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;1 de julho de 1972&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|&amp;lt;nowiki&amp;gt;- Visita oficial do Arcebispo  Primaz, D. Francisco Maria da Silva. - Planeamento da 3.ª fase: colocação da  placa do coro alto e instalação de iluminação museológica.&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Tetos.png&lt;br /&gt;
File:Planta.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  BIBLIOGRAFIA ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA:&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Câmara Municipal de Barcelos: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Ficheiro:Azulejo_2.jpg&amp;diff=441</id>
		<title>Ficheiro:Azulejo 2.jpg</title>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;azulejo&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
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		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
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		<updated>2025-05-16T12:14:17Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ESTADO DA ARTE ==&lt;br /&gt;
A &#039;&#039;&#039;Igreja de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;&#039;, localizada em &#039;&#039;&#039;Barcelos&#039;&#039;&#039;, Portugal, é um edifício religioso classificado como &#039;&#039;&#039;Imóvel de Interesse Público&#039;&#039;&#039;. A igreja integra o antigo complexo monástico beneditino e constitui um dos mais importantes testemunhos do barroco setecentista na região do Minho. Construída para as religiosas beneditinas, destaca-se pelos azulejos representando a vida de São Bento e pelos altares em talha dourada. Após a extinção das ordens religiosas, a Confraria de Nossa Senhora do Terço assegurou a continuidade do culto e a preservação do seu património. A relevância histórica e artística da igreja é amplamente documentada por Manuel Avelino Ferreira na obra &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;. (1982)  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ENQUADRAMENTO ==&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade das &#039;&#039;&#039;freiras beneditinas&#039;&#039;&#039; que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em &#039;&#039;&#039;Monção&#039;&#039;&#039;. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela &#039;&#039;&#039;Guerra da Restauração&#039;&#039;&#039;, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, &#039;&#039;&#039;D. Pedro II&#039;&#039;&#039; determinou o acolhimento provisório das religiosas no &#039;&#039;&#039;Seminário de São Pedro&#039;&#039;&#039;, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao &#039;&#039;&#039;Arcebispo Primaz de Braga&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;D. Rodrigo de Moura Teles&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a &#039;&#039;&#039;14 de agosto de 1707&#039;&#039;&#039;, e ficou concluída em &#039;&#039;&#039;1713&#039;&#039;&#039;, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a &#039;&#039;&#039;11 de julho de 1713&#039;&#039;&#039;, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a &#039;&#039;&#039;12 mil cruzados&#039;&#039;&#039;. Em 1707, foi nomeado &#039;&#039;&#039;Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro&#039;&#039;&#039; como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em &#039;&#039;&#039;grande quadrilátero&#039;&#039;&#039;, implantado no atual &#039;&#039;&#039;Largo 5 de Outubro&#039;&#039;&#039; (antigo &#039;&#039;&#039;Campo dos Touros&#039;&#039;&#039;), onde se localizavam a &#039;&#039;&#039;portaria&#039;&#039;&#039; e o acesso à cerca. A &#039;&#039;&#039;ala sul&#039;&#039;&#039; acompanhava o traçado da atual &#039;&#039;&#039;Avenida dos Combatentes da Grande Guerra&#039;&#039;&#039;, destacando-se o &#039;&#039;&#039;frontispício da igreja&#039;&#039;&#039;, voltado para o antigo &#039;&#039;&#039;Campo da Feira&#039;&#039;&#039;. No extremo sul, erguiam-se dois &#039;&#039;&#039;mirantes&#039;&#039;&#039;, sendo o do lado poente construído em &#039;&#039;&#039;ângulo reto&#039;&#039;&#039; entre o convento, o largo e a antiga estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao centro, dispunha-se um &#039;&#039;&#039;claustro&#039;&#039;&#039;, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma &#039;&#039;&#039;cerca com cerca de seis metros de altura&#039;&#039;&#039;, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, &#039;&#039;&#039;D. Pedro IV&#039;&#039;&#039; decretou, em &#039;&#039;&#039;1834&#039;&#039;&#039;, a &#039;&#039;&#039;extinção das ordens religiosas em Portugal&#039;&#039;&#039;. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;Mosteiro Beneditino de Barcelos&#039;&#039;&#039; foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em &#039;&#039;&#039;Espanha&#039;&#039;&#039;, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em &#039;&#039;&#039;1842&#039;&#039;&#039;, apenas &#039;&#039;&#039;duas religiosas&#039;&#039;&#039; permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de &#039;&#039;&#039;Viana do Castelo&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por &#039;&#039;&#039;D. Maria II&#039;&#039;&#039;, confirma a realização de um leilão a &#039;&#039;&#039;20 de novembro de 1843&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a &#039;&#039;&#039;desamortização&#039;&#039;&#039;, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A &#039;&#039;&#039;cerca sul&#039;&#039;&#039; foi demolida para dar lugar à atual &#039;&#039;&#039;Avenida dos Combatentes da Grande Guerra&#039;&#039;&#039;, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em &#039;&#039;&#039;2004&#039;&#039;&#039;, foi inaugurado o &#039;&#039;&#039;Centro Comercial e Hotel do Terço&#039;&#039;&#039;, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas &#039;&#039;&#039;quatro arcos de volta perfeita&#039;&#039;&#039;, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo &#039;&#039;&#039;claustro&#039;&#039;&#039;, hoje integrados no pátio-esplanada do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um &#039;&#039;&#039;andar superior em galeria&#039;&#039;&#039;, com &#039;&#039;&#039;cobertura em madeira&#039;&#039;&#039; suportada por &#039;&#039;&#039;colunas toscanas&#039;&#039;&#039; sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os &#039;&#039;&#039;vãos de portas e janelas quadrangulares&#039;&#039;&#039;, com &#039;&#039;&#039;emolduramentos em cantaria&#039;&#039;&#039;, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4. DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A planta da igreja é retangular e desenvolve-se num eixo longitudinal, com nave única, coro, capela-mor e sacristia, refletindo a sua origem monástica. A entrada lateral é típica das igrejas femininas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada, simples mas equilibrada, é pintada de branco e marcada por um portal principal em arco de volta perfeita, ricamente decorado com pilastras, entablamento e um nicho com a imagem da Virgem. Sobre o arco, destaca-se um brasão de armas de Portugal, ladeado por elementos decorativos barrocos. Há ainda um segundo portal lateral, menor, e uma sineira de traço simples no extremo leste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja preserva uma notável decoração original, com forte presença simbólica ligada à espiritualidade beneditina. O conjunto transmite sobriedade e unidade estética, revelando o equilíbrio entre função religiosa e expressão artística do barroco. A construção teve início em 1707, como indicado nas inscrições comemorativas junto ao portal principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é um verdadeiro tesouro da arte portuguesa do século XVIII, onde diferentes expressões artísticas se unem de forma harmoniosa. O interior é ricamente decorado com azulejos azuis e brancos que cobrem por completo as paredes e contam episódios da vida de São Bento, criando uma envolvente narrativa visual de forte impacto. Estes painéis, atribuídos a António de Oliveira Bernardes, apresentam cenas detalhadas e realistas, complementadas por elementos ilusionistas como falsas janelas que reforçam a sensação de profundidade e luz. Nos tetos da nave principal, destacam-se pinturas a óleo sobre madeira nobre, que retratam também momentos da vida de São Bento, com grande qualidade técnica e impressionante estado de conservação, demonstrando o talento do mestre e da sua oficina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este conjunto artístico não é apenas decorativo: cada elemento tem um papel na criação de um ambiente propício à oração e ao recolhimento. A talha dourada, atribuída a mestres locais como Ambrósio Coelho e Gabriel Rodrigues Alves, serve de moldura a imagens e cenas religiosas centrais na devoção beneditina. As escolhas estéticas, desde a cor intensa dos azulejos, passando pela luz sugerida nas janelas fingidas, até à riqueza escultórica dos altares, foram pensadas para envolver os fiéis num ambiente simbólico e emocional, elevando a experiência espiritual de quem entra na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus, em Lisboa. Esta peça sintetiza o requinte técnico e simbólico do barroco religioso português, sendo um testemunho vivo da arte sacra como expressão de poder, fé e beleza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Tetos.png&lt;br /&gt;
File:Planta.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  BIBLIOGRAFIA ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA:&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Câmara Municipal de Barcelos: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=439</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
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		<updated>2025-05-16T12:00:04Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ESTADO DA ARTE ==&lt;br /&gt;
A &#039;&#039;&#039;Igreja de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;&#039;, localizada em &#039;&#039;&#039;Barcelos&#039;&#039;&#039;, Portugal, é um edifício religioso classificado como &#039;&#039;&#039;Imóvel de Interesse Público&#039;&#039;&#039;. A igreja integra o antigo complexo monástico beneditino e constitui um dos mais importantes testemunhos do barroco setecentista na região do Minho. Construída para as religiosas beneditinas, destaca-se pelos azulejos representando a vida de São Bento e pelos altares em talha dourada. Após a extinção das ordens religiosas, a Confraria de Nossa Senhora do Terço assegurou a continuidade do culto e a preservação do seu património. A relevância histórica e artística da igreja é amplamente documentada por Manuel Avelino Ferreira na obra &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;. (1982)  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ENQUADRAMENTO ==&lt;br /&gt;
A fundação da igreja e do respetivo mosteiro remonta ao início do século XVIII, com o objetivo de acolher a comunidade das &#039;&#039;&#039;freiras beneditinas&#039;&#039;&#039; que se viram forçadas a abandonar o seu mosteiro em &#039;&#039;&#039;Monção&#039;&#039;&#039;. Esta deslocação deveu-se à instabilidade provocada pela &#039;&#039;&#039;Guerra da Restauração&#039;&#039;&#039;, que levou à demolição de várias estruturas extramuros na vila de Monção para reforço das suas defesas militares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Face à situação, &#039;&#039;&#039;D. Pedro II&#039;&#039;&#039; determinou o acolhimento provisório das religiosas no &#039;&#039;&#039;Seminário de São Pedro&#039;&#039;&#039;, em Braga. Em 1704, a transferência das freiras para Barcelos foi decidida, após várias localidades da região Minho apresentarem petições ao rei com o intuito de receber a nova fundação monástica. Barcelos foi a cidade escolhida, por decisão régia, sendo a fundação do novo mosteiro confiada ao &#039;&#039;&#039;Arcebispo Primaz de Braga&#039;&#039;&#039;, &#039;&#039;&#039;D. Rodrigo de Moura Teles&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento e da igreja iniciou-se oficialmente com o lançamento da primeira pedra a &#039;&#039;&#039;14 de agosto de 1707&#039;&#039;&#039;, e ficou concluída em &#039;&#039;&#039;1713&#039;&#039;&#039;, num período de apenas seis anos. A inauguração teve lugar a &#039;&#039;&#039;11 de julho de 1713&#039;&#039;&#039;, data da entrada oficial das religiosas no novo convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo de Barcelos contribuiu ativamente para o projeto. A 8 de setembro de 1704, foram feitos donativos à Câmara Municipal, e foi imposto um tributo sobre as sisas para apoio financeiro à obra. De acordo com registos da época, nomeadamente livros da Câmara Municipal datados de 1704 e 1707, o valor angariado ascendeu a &#039;&#039;&#039;12 mil cruzados&#039;&#039;&#039;. Em 1707, foi nomeado &#039;&#039;&#039;Dr. Domingos Gonçalves Ribeiro&#039;&#039;&#039; como superintendente das obras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Convento Beneditino de Barcelos apresentava uma planta em &#039;&#039;&#039;grande quadrilátero&#039;&#039;&#039;, implantado no atual &#039;&#039;&#039;Largo 5 de Outubro&#039;&#039;&#039; (antigo &#039;&#039;&#039;Campo dos Touros&#039;&#039;&#039;), onde se localizavam a &#039;&#039;&#039;portaria&#039;&#039;&#039; e o acesso à cerca. A &#039;&#039;&#039;ala sul&#039;&#039;&#039; acompanhava o traçado da atual &#039;&#039;&#039;Avenida dos Combatentes da Grande Guerra&#039;&#039;&#039;, destacando-se o &#039;&#039;&#039;frontispício da igreja&#039;&#039;&#039;, voltado para o antigo &#039;&#039;&#039;Campo da Feira&#039;&#039;&#039;. No extremo sul, erguiam-se dois &#039;&#039;&#039;mirantes&#039;&#039;&#039;, sendo o do lado poente construído em &#039;&#039;&#039;ângulo reto&#039;&#039;&#039; entre o convento, o largo e a antiga estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao centro, dispunha-se um &#039;&#039;&#039;claustro&#039;&#039;&#039;, em torno do qual se organizavam as diversas dependências conventuais. Todo o conjunto era delimitado por uma &#039;&#039;&#039;cerca com cerca de seis metros de altura&#039;&#039;&#039;, concebida para garantir o resguardo e a clausura da comunidade religiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A comunidade beneditina instalou-se em Barcelos a 8 de julho de 1713, com a chegada de mais de uma centena de religiosas provenientes de Braga, após uma viagem em liteiras iniciada de madrugada e acompanhada por cerimónias religiosas. À chegada, realizou-se um cortejo solene até à portaria do convento, estrutura ainda existente e associada à veneração local de São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A procissão foi liderada pela Madre Abadessa D. Francisca de Santo António e contou com a presença do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, autoridades locais e numerosos fiéis. A entrada no convento foi marcada pela entoação do &#039;&#039;Te Deum&#039;&#039; e por um tríduo de celebrações religiosas, culminando a 11 de julho, dia de São Bento, com a inauguração solene do mosteiro e a trasladação pública de relíquias beneditinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto da consolidação do regime liberal, &#039;&#039;&#039;D. Pedro IV&#039;&#039;&#039; decretou, em &#039;&#039;&#039;1834&#039;&#039;&#039;, a &#039;&#039;&#039;extinção das ordens religiosas em Portugal&#039;&#039;&#039;. Esta medida resultou na expropriação dos bens da Igreja, no encerramento de conventos e mosteiros, e na expulsão das comunidades religiosas. As freiras foram autorizadas a permanecer nos conventos por razões de idade ou saúde, mas sem possibilidade de receber novas vocações. A decisão inseria-se numa política de laicização do Estado e de reestruturação do património nacional, com vista à modernização e ao equilíbrio das finanças públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O &#039;&#039;&#039;Mosteiro Beneditino de Barcelos&#039;&#039;&#039; foi um dos muitos afetados por esta política. Algumas religiosas refugiaram-se em &#039;&#039;&#039;Espanha&#039;&#039;&#039;, outras foram acolhidas por familiares ou amigas, frequentemente em condições precárias. Em &#039;&#039;&#039;1842&#039;&#039;&#039;, apenas &#039;&#039;&#039;duas religiosas&#039;&#039;&#039; permaneciam no convento, sendo mais tarde transferidas para o convento de &#039;&#039;&#039;Viana do Castelo&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, o mosteiro foi entregue ao Estado com o objetivo de ser vendido. Um documento oficial, assinado por &#039;&#039;&#039;D. Maria II&#039;&#039;&#039;, confirma a realização de um leilão a &#039;&#039;&#039;20 de novembro de 1843&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a &#039;&#039;&#039;desamortização&#039;&#039;&#039;, o interior do antigo complexo monástico foi progressivamente descaracterizado. As suas dependências foram convertidas em habitações, armazéns e outros usos, o que contribuiu para o seu abandono e ruína. A &#039;&#039;&#039;cerca sul&#039;&#039;&#039; foi demolida para dar lugar à atual &#039;&#039;&#039;Avenida dos Combatentes da Grande Guerra&#039;&#039;&#039;, e outras estruturas foram adaptadas ou desapareceram com o tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em &#039;&#039;&#039;2004&#039;&#039;&#039;, foi inaugurado o &#039;&#039;&#039;Centro Comercial e Hotel do Terço&#039;&#039;&#039;, construído sobre a zona ocidental do antigo convento. Do edifício original restam apenas &#039;&#039;&#039;quatro arcos de volta perfeita&#039;&#039;&#039;, apoiados em pilastras com cornijas, correspondentes a uma secção do antigo &#039;&#039;&#039;claustro&#039;&#039;&#039;, hoje integrados no pátio-esplanada do empreendimento contemporâneo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotografias anteriores à renovação revelam que o claustro possuía um &#039;&#039;&#039;andar superior em galeria&#039;&#039;&#039;, com &#039;&#039;&#039;cobertura em madeira&#039;&#039;&#039; suportada por &#039;&#039;&#039;colunas toscanas&#039;&#039;&#039; sobre altos plintos. Esta configuração foi respeitada na reabilitação, sendo atualmente reproduzida por um corredor metálico moderno. Os &#039;&#039;&#039;vãos de portas e janelas quadrangulares&#039;&#039;&#039;, com &#039;&#039;&#039;emolduramentos em cantaria&#039;&#039;&#039;, aparentam ser elementos originais do edifício.        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|Remate do Portal]]&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4. DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A planta da igreja é retangular e desenvolve-se num eixo longitudinal, com nave única, coro, capela-mor e sacristia, refletindo a sua origem monástica. A entrada lateral é típica das igrejas femininas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada, simples mas equilibrada, é pintada de branco e marcada por um portal principal em arco de volta perfeita, ricamente decorado com pilastras, entablamento e um nicho com a imagem da Virgem. Sobre o arco, destaca-se um brasão de armas de Portugal, ladeado por elementos decorativos barrocos. Há ainda um segundo portal lateral, menor, e uma sineira de traço simples no extremo leste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja preserva uma notável decoração original, com forte presença simbólica ligada à espiritualidade beneditina. O conjunto transmite sobriedade e unidade estética, revelando o equilíbrio entre função religiosa e expressão artística do barroco. A construção teve início em 1707, como indicado nas inscrições comemorativas junto ao portal principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é um verdadeiro tesouro da arte portuguesa do século XVIII, onde diferentes expressões artísticas se unem de forma harmoniosa. O interior é ricamente decorado com azulejos azuis e brancos que cobrem por completo as paredes e contam episódios da vida de São Bento, criando uma envolvente narrativa visual de forte impacto. Estes painéis, atribuídos a António de Oliveira Bernardes, apresentam cenas detalhadas e realistas, complementadas por elementos ilusionistas como falsas janelas que reforçam a sensação de profundidade e luz. Nos tetos da nave principal, destacam-se pinturas a óleo sobre madeira nobre, que retratam também momentos da vida de São Bento, com grande qualidade técnica e impressionante estado de conservação, demonstrando o talento do mestre e da sua oficina.&lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|342x342px|Púlpito ]]&lt;br /&gt;
Este conjunto artístico não é apenas decorativo: cada elemento tem um papel na criação de um ambiente propício à oração e ao recolhimento. A talha dourada, atribuída a mestres locais como Ambrósio Coelho e Gabriel Rodrigues Alves, serve de moldura a imagens e cenas religiosas centrais na devoção beneditina. As escolhas estéticas, desde a cor intensa dos azulejos, passando pela luz sugerida nas janelas fingidas, até à riqueza escultórica dos altares, foram pensadas para envolver os fiéis num ambiente simbólico e emocional, elevando a experiência espiritual de quem entra na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus, em Lisboa. Esta peça sintetiza o requinte técnico e simbólico do barroco religioso português, sendo um testemunho vivo da arte sacra como expressão de poder, fé e beleza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Tetos.png&lt;br /&gt;
File:Planta.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  BIBLIOGRAFIA ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA:&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Câmara Municipal de Barcelos: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=438</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
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		<updated>2025-05-16T11:37:11Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
A &#039;&#039;&#039;Igreja de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;&#039;, localizada em &#039;&#039;&#039;Barcelos&#039;&#039;&#039;, Portugal, é um edifício religioso classificado como &#039;&#039;&#039;Imóvel de Interesse Público&#039;&#039;&#039;. A igreja integra o antigo complexo monástico beneditino e constitui um dos mais importantes testemunhos do barroco setecentista na região do Minho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ESTADO DA ARTE ==&lt;br /&gt;
A Igreja de Nossa Senhora do Terço, em Barcelos, é um exemplar notável do barroco português dos séculos XVII e XVIII, combinando arte e espiritualidade. Construída para as religiosas beneditinas, destaca-se pelos azulejos representando a vida de São Bento e pelos altares em talha dourada. Após a extinção das ordens religiosas, a Confraria de Nossa Senhora do Terço assegurou a continuidade do culto e a preservação do seu património. A relevância histórica e artística da igreja é amplamente documentada por Manuel Avelino Ferreira na obra &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;. (1982) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3. ENQUADRAMENTO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Localizado na zona urbana, na extremidade superior do Campo da Feira, o edifício encontra-se adossado às antigas instalações do mosteiro, atualmente ocupadas por um centro comercial. &lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|Remate do Portal]]&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4. DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A planta da igreja é retangular e desenvolve-se num eixo longitudinal, com nave única, coro, capela-mor e sacristia, refletindo a sua origem monástica. A entrada lateral é típica das igrejas femininas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada, simples mas equilibrada, é pintada de branco e marcada por um portal principal em arco de volta perfeita, ricamente decorado com pilastras, entablamento e um nicho com a imagem da Virgem. Sobre o arco, destaca-se um brasão de armas de Portugal, ladeado por elementos decorativos barrocos. Há ainda um segundo portal lateral, menor, e uma sineira de traço simples no extremo leste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja preserva uma notável decoração original, com forte presença simbólica ligada à espiritualidade beneditina. O conjunto transmite sobriedade e unidade estética, revelando o equilíbrio entre função religiosa e expressão artística do barroco. A construção teve início em 1707, como indicado nas inscrições comemorativas junto ao portal principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é um verdadeiro tesouro da arte portuguesa do século XVIII, onde diferentes expressões artísticas se unem de forma harmoniosa. O interior é ricamente decorado com azulejos azuis e brancos que cobrem por completo as paredes e contam episódios da vida de São Bento, criando uma envolvente narrativa visual de forte impacto. Estes painéis, atribuídos a António de Oliveira Bernardes, apresentam cenas detalhadas e realistas, complementadas por elementos ilusionistas como falsas janelas que reforçam a sensação de profundidade e luz. Nos tetos da nave principal, destacam-se pinturas a óleo sobre madeira nobre, que retratam também momentos da vida de São Bento, com grande qualidade técnica e impressionante estado de conservação, demonstrando o talento do mestre e da sua oficina.&lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|342x342px|Púlpito ]]&lt;br /&gt;
Este conjunto artístico não é apenas decorativo: cada elemento tem um papel na criação de um ambiente propício à oração e ao recolhimento. A talha dourada, atribuída a mestres locais como Ambrósio Coelho e Gabriel Rodrigues Alves, serve de moldura a imagens e cenas religiosas centrais na devoção beneditina. As escolhas estéticas, desde a cor intensa dos azulejos, passando pela luz sugerida nas janelas fingidas, até à riqueza escultórica dos altares, foram pensadas para envolver os fiéis num ambiente simbólico e emocional, elevando a experiência espiritual de quem entra na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus, em Lisboa. Esta peça sintetiza o requinte técnico e simbólico do barroco religioso português, sendo um testemunho vivo da arte sacra como expressão de poder, fé e beleza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Tetos.png&lt;br /&gt;
File:Planta.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  BIBLIOGRAFIA ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA:&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Câmara Municipal de Barcelos: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
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		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=437</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ESTADO DA ARTE ==&lt;br /&gt;
A Igreja de Nossa Senhora do Terço, em Barcelos, é um exemplar notável do barroco português dos séculos XVII e XVIII, combinando arte e espiritualidade. Construída para as religiosas beneditinas, destaca-se pelos azulejos representando a vida de São Bento e pelos altares em talha dourada. Após a extinção das ordens religiosas, a Confraria de Nossa Senhora do Terço assegurou a continuidade do culto e a preservação do seu património. A relevância histórica e artística da igreja é amplamente documentada por Manuel Avelino Ferreira na obra &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;. (1982) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3. ENQUADRAMENTO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Localizado na zona urbana, na extremidade superior do Campo da Feira, o edifício encontra-se adossado às antigas instalações do mosteiro, atualmente ocupadas por um centro comercial. &lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|Remate do Portal]]&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4. DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A planta da igreja é retangular e desenvolve-se num eixo longitudinal, com nave única, coro, capela-mor e sacristia, refletindo a sua origem monástica. A entrada lateral é típica das igrejas femininas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada, simples mas equilibrada, é pintada de branco e marcada por um portal principal em arco de volta perfeita, ricamente decorado com pilastras, entablamento e um nicho com a imagem da Virgem. Sobre o arco, destaca-se um brasão de armas de Portugal, ladeado por elementos decorativos barrocos. Há ainda um segundo portal lateral, menor, e uma sineira de traço simples no extremo leste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja preserva uma notável decoração original, com forte presença simbólica ligada à espiritualidade beneditina. O conjunto transmite sobriedade e unidade estética, revelando o equilíbrio entre função religiosa e expressão artística do barroco. A construção teve início em 1707, como indicado nas inscrições comemorativas junto ao portal principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é um verdadeiro tesouro da arte portuguesa do século XVIII, onde diferentes expressões artísticas se unem de forma harmoniosa. O interior é ricamente decorado com azulejos azuis e brancos que cobrem por completo as paredes e contam episódios da vida de São Bento, criando uma envolvente narrativa visual de forte impacto. Estes painéis, atribuídos a António de Oliveira Bernardes, apresentam cenas detalhadas e realistas, complementadas por elementos ilusionistas como falsas janelas que reforçam a sensação de profundidade e luz. Nos tetos da nave principal, destacam-se pinturas a óleo sobre madeira nobre, que retratam também momentos da vida de São Bento, com grande qualidade técnica e impressionante estado de conservação, demonstrando o talento do mestre e da sua oficina.&lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|342x342px|Púlpito ]]&lt;br /&gt;
Este conjunto artístico não é apenas decorativo: cada elemento tem um papel na criação de um ambiente propício à oração e ao recolhimento. A talha dourada, atribuída a mestres locais como Ambrósio Coelho e Gabriel Rodrigues Alves, serve de moldura a imagens e cenas religiosas centrais na devoção beneditina. As escolhas estéticas, desde a cor intensa dos azulejos, passando pela luz sugerida nas janelas fingidas, até à riqueza escultórica dos altares, foram pensadas para envolver os fiéis num ambiente simbólico e emocional, elevando a experiência espiritual de quem entra na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus, em Lisboa. Esta peça sintetiza o requinte técnico e simbólico do barroco religioso português, sendo um testemunho vivo da arte sacra como expressão de poder, fé e beleza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== GALERIA ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Tetos.png&lt;br /&gt;
File:Planta.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==  BIBLIOGRAFIA ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA:&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Câmara Municipal de Barcelos: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== &#039;&#039;&#039;ESTADO DA ARTE&#039;&#039;&#039; ==&lt;br /&gt;
A Igreja de Nossa Senhora do Terço, em Barcelos, é um exemplar notável do barroco português dos séculos XVII e XVIII, combinando arte e espiritualidade. Construída para as religiosas beneditinas, destaca-se pelos azulejos representando a vida de São Bento e pelos altares em talha dourada. Após a extinção das ordens religiosas, a Confraria de Nossa Senhora do Terço assegurou a continuidade do culto e a preservação do seu património. A relevância histórica e artística da igreja é amplamente documentada por Manuel Avelino Ferreira na obra &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;. (1982) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3. ENQUADRAMENTO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Localizado na zona urbana, na extremidade superior do Campo da Feira, o edifício encontra-se adossado às antigas instalações do mosteiro, atualmente ocupadas por um centro comercial. &lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|Remate do Portal]]&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4. DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A planta da igreja é retangular e desenvolve-se num eixo longitudinal, com nave única, coro, capela-mor e sacristia, refletindo a sua origem monástica. A entrada lateral é típica das igrejas femininas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada, simples mas equilibrada, é pintada de branco e marcada por um portal principal em arco de volta perfeita, ricamente decorado com pilastras, entablamento e um nicho com a imagem da Virgem. Sobre o arco, destaca-se um brasão de armas de Portugal, ladeado por elementos decorativos barrocos. Há ainda um segundo portal lateral, menor, e uma sineira de traço simples no extremo leste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja preserva uma notável decoração original, com forte presença simbólica ligada à espiritualidade beneditina. O conjunto transmite sobriedade e unidade estética, revelando o equilíbrio entre função religiosa e expressão artística do barroco. A construção teve início em 1707, como indicado nas inscrições comemorativas junto ao portal principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é um verdadeiro tesouro da arte portuguesa do século XVIII, onde diferentes expressões artísticas se unem de forma harmoniosa. O interior é ricamente decorado com azulejos azuis e brancos que cobrem por completo as paredes e contam episódios da vida de São Bento, criando uma envolvente narrativa visual de forte impacto. Estes painéis, atribuídos a António de Oliveira Bernardes, apresentam cenas detalhadas e realistas, complementadas por elementos ilusionistas como falsas janelas que reforçam a sensação de profundidade e luz. Nos tetos da nave principal, destacam-se pinturas a óleo sobre madeira nobre, que retratam também momentos da vida de São Bento, com grande qualidade técnica e impressionante estado de conservação, demonstrando o talento do mestre e da sua oficina.&lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|342x342px|Púlpito ]]&lt;br /&gt;
Este conjunto artístico não é apenas decorativo: cada elemento tem um papel na criação de um ambiente propício à oração e ao recolhimento. A talha dourada, atribuída a mestres locais como Ambrósio Coelho e Gabriel Rodrigues Alves, serve de moldura a imagens e cenas religiosas centrais na devoção beneditina. As escolhas estéticas, desde a cor intensa dos azulejos, passando pela luz sugerida nas janelas fingidas, até à riqueza escultórica dos altares, foram pensadas para envolver os fiéis num ambiente simbólico e emocional, elevando a experiência espiritual de quem entra na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus, em Lisboa. Esta peça sintetiza o requinte técnico e simbólico do barroco religioso português, sendo um testemunho vivo da arte sacra como expressão de poder, fé e beleza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Azulejo.png&lt;br /&gt;
File:Tetos.png&lt;br /&gt;
File:Planta.png&lt;br /&gt;
File:Claustro terco.png&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;6. FONTES E BIBLIOGRAFIA&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA:&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Câmara Municipal de Barcelos: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
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		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
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		<updated>2025-05-16T09:32:56Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;2. ESTADO DA ARTE&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja de Nossa Senhora do Terço, em Barcelos, é um exemplar notável do barroco português dos séculos XVII e XVIII, combinando arte e espiritualidade. Construída para as religiosas beneditinas, destaca-se pelos azulejos representando a vida de São Bento e pelos altares em talha dourada. Após a extinção das ordens religiosas, a Confraria de Nossa Senhora do Terço assegurou a continuidade do culto e a preservação do seu património. A relevância histórica e artística da igreja é amplamente documentada por Manuel Avelino Ferreira na obra &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;. (1982) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3. ENQUADRAMENTO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Localizado na zona urbana, na extremidade superior do Campo da Feira, o edifício encontra-se adossado às antigas instalações do mosteiro, atualmente ocupadas por um centro comercial. &lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|Remate do Portal]]&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4. DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A planta da igreja é retangular e desenvolve-se num eixo longitudinal, com nave única, coro, capela-mor e sacristia, refletindo a sua origem monástica. A entrada lateral é típica das igrejas femininas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada, simples mas equilibrada, é pintada de branco e marcada por um portal principal em arco de volta perfeita, ricamente decorado com pilastras, entablamento e um nicho com a imagem da Virgem. Sobre o arco, destaca-se um brasão de armas de Portugal, ladeado por elementos decorativos barrocos. Há ainda um segundo portal lateral, menor, e uma sineira de traço simples no extremo leste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja preserva uma notável decoração original, com forte presença simbólica ligada à espiritualidade beneditina. O conjunto transmite sobriedade e unidade estética, revelando o equilíbrio entre função religiosa e expressão artística do barroco. A construção teve início em 1707, como indicado nas inscrições comemorativas junto ao portal principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é um verdadeiro tesouro da arte portuguesa do século XVIII, onde diferentes expressões artísticas se unem de forma harmoniosa. O interior é ricamente decorado com azulejos azuis e brancos que cobrem por completo as paredes e contam episódios da vida de São Bento, criando uma envolvente narrativa visual de forte impacto. Estes painéis, atribuídos a António de Oliveira Bernardes, apresentam cenas detalhadas e realistas, complementadas por elementos ilusionistas como falsas janelas que reforçam a sensação de profundidade e luz. Nos tetos da nave principal, destacam-se pinturas a óleo sobre madeira nobre, que retratam também momentos da vida de São Bento, com grande qualidade técnica e impressionante estado de conservação, demonstrando o talento do mestre e da sua oficina.&lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|342x342px|Púlpito ]]&lt;br /&gt;
Este conjunto artístico não é apenas decorativo: cada elemento tem um papel na criação de um ambiente propício à oração e ao recolhimento. A talha dourada, atribuída a mestres locais como Ambrósio Coelho e Gabriel Rodrigues Alves, serve de moldura a imagens e cenas religiosas centrais na devoção beneditina. As escolhas estéticas, desde a cor intensa dos azulejos, passando pela luz sugerida nas janelas fingidas, até à riqueza escultórica dos altares, foram pensadas para envolver os fiéis num ambiente simbólico e emocional, elevando a experiência espiritual de quem entra na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus, em Lisboa. Esta peça sintetiza o requinte técnico e simbólico do barroco religioso português, sendo um testemunho vivo da arte sacra como expressão de poder, fé e beleza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Planta.png|left|thumb|Planta da Igreja de Nossa Senhora do Terço]]&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|left|thumb|Tetos da Igreja de Nossa Senhora do Terço]]&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo.png|center|thumb|350x350px|Programa Azulejar da Igreja de Nossa Senhora do Terço]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;6. FONTES E BIBLIOGRAFIA&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA:&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Câmara Municipal de Barcelos: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=396</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
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		<updated>2025-05-15T12:28:04Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição/ Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;2. ESTADO DA ARTE&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja de Nossa Senhora do Terço, em Barcelos, é um exemplar notável do barroco português dos séculos XVII e XVIII, combinando arte e espiritualidade. Construída para as religiosas beneditinas, destaca-se pelos azulejos representando a vida de São Bento e pelos altares em talha dourada. Após a extinção das ordens religiosas, a Confraria de Nossa Senhora do Terço assegurou a continuidade do culto e a preservação do seu património. A relevância histórica e artística da igreja é amplamente documentada por Manuel Avelino Ferreira na obra &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3. ENQUADRAMENTO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Localizado na zona urbana, na extremidade superior do Campo da Feira, o edifício encontra-se adossado às antigas instalações do mosteiro, atualmente ocupadas por um centro comercial. &lt;br /&gt;
[[File:Remate.png|thumb|Remate do Portal]]&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4. DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A planta da igreja é retangular e desenvolve-se num eixo longitudinal, com nave única, coro, capela-mor e sacristia, refletindo a sua origem monástica. A entrada lateral é típica das igrejas femininas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada, simples mas equilibrada, é pintada de branco e marcada por um portal principal em arco de volta perfeita, ricamente decorado com pilastras, entablamento e um nicho com a imagem da Virgem. Sobre o arco, destaca-se um brasão de armas de Portugal, ladeado por elementos decorativos barrocos. Há ainda um segundo portal lateral, menor, e uma sineira de traço simples no extremo leste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja preserva uma notável decoração original, com forte presença simbólica ligada à espiritualidade beneditina. O conjunto transmite sobriedade e unidade estética, revelando o equilíbrio entre função religiosa e expressão artística do barroco. A construção teve início em 1707, como indicado nas inscrições comemorativas junto ao portal principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é um verdadeiro tesouro da arte portuguesa do século XVIII, onde diferentes expressões artísticas se unem de forma harmoniosa. O interior é ricamente decorado com azulejos azuis e brancos que cobrem por completo as paredes e contam episódios da vida de São Bento, criando uma envolvente narrativa visual de forte impacto. Estes painéis, atribuídos a António de Oliveira Bernardes, apresentam cenas detalhadas e realistas, complementadas por elementos ilusionistas como falsas janelas que reforçam a sensação de profundidade e luz. Nos tetos da nave principal, destacam-se pinturas a óleo sobre madeira nobre, que retratam também momentos da vida de São Bento, com grande qualidade técnica e impressionante estado de conservação, demonstrando o talento do mestre e da sua oficina.&lt;br /&gt;
[[File:Igreja-de-Nossa-Sra.-do-Terço-768x1024.jpg|thumb|342x342px|Púlpito ]]&lt;br /&gt;
Este conjunto artístico não é apenas decorativo: cada elemento tem um papel na criação de um ambiente propício à oração e ao recolhimento. A talha dourada, atribuída a mestres locais como Ambrósio Coelho e Gabriel Rodrigues Alves, serve de moldura a imagens e cenas religiosas centrais na devoção beneditina. As escolhas estéticas, desde a cor intensa dos azulejos, passando pela luz sugerida nas janelas fingidas, até à riqueza escultórica dos altares, foram pensadas para envolver os fiéis num ambiente simbólico e emocional, elevando a experiência espiritual de quem entra na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus, em Lisboa. Esta peça sintetiza o requinte técnico e simbólico do barroco religioso português, sendo um testemunho vivo da arte sacra como expressão de poder, fé e beleza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Planta.png|left|thumb|Planta da Igreja de Nossa Senhora do Terço]]&lt;br /&gt;
[[File:Tetos.png|left|thumb|Tetos da Igreja de Nossa Senhora do Terço]]&lt;br /&gt;
[[File:Azulejo.png|center|thumb|350x350px|Programa Azulejar da Igreja de Nossa Senhora do Terço]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;6. FONTES E BIBLIOGRAFIA&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA:&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Câmara Municipal de Barcelos: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{| class=&amp;quot;wikitable mw-collapsible&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição/ Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:SIPA.jpg|thumb|Fachada da Igreja]]&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;2. ESTADO DA ARTE&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja de Nossa Senhora do Terço, em Barcelos, é um exemplar notável do barroco português dos séculos XVII e XVIII, combinando arte e espiritualidade. Construída para as religiosas beneditinas, destaca-se pelos azulejos representando a vida de São Bento e pelos altares em talha dourada. Após a extinção das ordens religiosas, a Confraria de Nossa Senhora do Terço assegurou a continuidade do culto e a preservação do seu património. A relevância histórica e artística da igreja é amplamente documentada por Manuel Avelino Ferreira na obra &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3. ENQUADRAMENTO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Localizado na zona urbana, na extremidade superior do Campo da Feira, o edifício encontra-se adossado às antigas instalações do mosteiro, atualmente ocupadas por um centro comercial. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4. DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A planta da igreja é retangular e desenvolve-se num eixo longitudinal, com nave única, coro, capela-mor e sacristia, refletindo a sua origem monástica. A entrada lateral é típica das igrejas femininas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada, simples mas equilibrada, é pintada de branco e marcada por um portal principal em arco de volta perfeita, ricamente decorado com pilastras, entablamento e um nicho com a imagem da Virgem. Sobre o arco, destaca-se um brasão de armas de Portugal, ladeado por elementos decorativos barrocos. Há ainda um segundo portal lateral, menor, e uma sineira de traço simples no extremo leste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja preserva uma notável decoração original, com forte presença simbólica ligada à espiritualidade beneditina. O conjunto transmite sobriedade e unidade estética, revelando o equilíbrio entre função religiosa e expressão artística do barroco. A construção teve início em 1707, como indicado nas inscrições comemorativas junto ao portal principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é um verdadeiro tesouro da arte portuguesa do século XVIII, onde diferentes expressões artísticas se unem de forma harmoniosa. O interior é ricamente decorado com azulejos azuis e brancos que cobrem por completo as paredes e contam episódios da vida de São Bento, criando uma envolvente narrativa visual de forte impacto. Estes painéis, atribuídos a António de Oliveira Bernardes, apresentam cenas detalhadas e realistas, complementadas por elementos ilusionistas como falsas janelas que reforçam a sensação de profundidade e luz. Nos tetos da nave principal, destacam-se pinturas a óleo sobre madeira nobre, que retratam também momentos da vida de São Bento, com grande qualidade técnica e impressionante estado de conservação, demonstrando o talento do mestre e da sua oficina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este conjunto artístico não é apenas decorativo: cada elemento tem um papel na criação de um ambiente propício à oração e ao recolhimento. A talha dourada, atribuída a mestres locais como Ambrósio Coelho e Gabriel Rodrigues Alves, serve de moldura a imagens e cenas religiosas centrais na devoção beneditina. As escolhas estéticas, desde a cor intensa dos azulejos, passando pela luz sugerida nas janelas fingidas, até à riqueza escultórica dos altares, foram pensadas para envolver os fiéis num ambiente simbólico e emocional, elevando a experiência espiritual de quem entra na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus, em Lisboa. Esta peça sintetiza o requinte técnico e simbólico do barroco religioso português, sendo um testemunho vivo da arte sacra como expressão de poder, fé e beleza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mapas, plantas, alçados, fotografias recentes / antigas, estampas, etc., com legenda individual que identifique o autor ou da fonte da imagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;6. FONTES E BIBLIOGRAFIA&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA:&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Câmara Municipal de Barcelos: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
	</entry>
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		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Mosteiro_de_Nossa_Senhora_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_/_Igreja_de_Nossa_Senhora_do_Ter%C3%A7o&amp;diff=388</id>
		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
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		<updated>2025-05-15T11:46:12Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição/ Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;2. ESTADO DA ARTE&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja de Nossa Senhora do Terço, em Barcelos, é um exemplar notável do barroco português dos séculos XVII e XVIII, combinando arte e espiritualidade. Construída para as religiosas beneditinas, destaca-se pelos azulejos representando a vida de São Bento e pelos altares em talha dourada. Após a extinção das ordens religiosas, a Confraria de Nossa Senhora do Terço assegurou a continuidade do culto e a preservação do seu património. A relevância histórica e artística da igreja é amplamente documentada por Manuel Avelino Ferreira na obra &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3. ENQUADRAMENTO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Localizado na zona urbana, na extremidade superior do Campo da Feira, o edifício encontra-se adossado às antigas instalações do mosteiro, atualmente ocupadas por um centro comercial. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4. DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A planta da igreja é retangular e desenvolve-se num eixo longitudinal, com nave única, coro, capela-mor e sacristia, refletindo a sua origem monástica. A entrada lateral é típica das igrejas femininas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada, simples mas equilibrada, é pintada de branco e marcada por um portal principal em arco de volta perfeita, ricamente decorado com pilastras, entablamento e um nicho com a imagem da Virgem. Sobre o arco, destaca-se um brasão de armas de Portugal, ladeado por elementos decorativos barrocos. Há ainda um segundo portal lateral, menor, e uma sineira de traço simples no extremo leste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja preserva uma notável decoração original, com forte presença simbólica ligada à espiritualidade beneditina. O conjunto transmite sobriedade e unidade estética, revelando o equilíbrio entre função religiosa e expressão artística do barroco. A construção teve início em 1707, como indicado nas inscrições comemorativas junto ao portal principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é um verdadeiro tesouro da arte portuguesa do século XVIII, onde diferentes expressões artísticas se unem de forma harmoniosa. O interior é ricamente decorado com azulejos azuis e brancos que cobrem por completo as paredes e contam episódios da vida de São Bento, criando uma envolvente narrativa visual de forte impacto. Estes painéis, atribuídos a António de Oliveira Bernardes, apresentam cenas detalhadas e realistas, complementadas por elementos ilusionistas como falsas janelas que reforçam a sensação de profundidade e luz. Nos tetos da nave principal, destacam-se pinturas a óleo sobre madeira nobre, que retratam também momentos da vida de São Bento, com grande qualidade técnica e impressionante estado de conservação, demonstrando o talento do mestre e da sua oficina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este conjunto artístico não é apenas decorativo: cada elemento tem um papel na criação de um ambiente propício à oração e ao recolhimento. A talha dourada, atribuída a mestres locais como Ambrósio Coelho e Gabriel Rodrigues Alves, serve de moldura a imagens e cenas religiosas centrais na devoção beneditina. As escolhas estéticas, desde a cor intensa dos azulejos, passando pela luz sugerida nas janelas fingidas, até à riqueza escultórica dos altares, foram pensadas para envolver os fiéis num ambiente simbólico e emocional, elevando a experiência espiritual de quem entra na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus, em Lisboa. Esta peça sintetiza o requinte técnico e simbólico do barroco religioso português, sendo um testemunho vivo da arte sacra como expressão de poder, fé e beleza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mapas, plantas, alçados, fotografias recentes / antigas, estampas, etc., com legenda individual que identifique o autor ou da fonte da imagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;6. FONTES E BIBLIOGRAFIA&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA:&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Câmara Municipal de Barcelos: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
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		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;TRABALHO DE PESQUISA&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1. IDENTIFICAÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Topo da Torre dos Clérigos no Porto Portugal Patricia Laraia.jpg|thumb]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição/ Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;2. ESTADO DA ARTE&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja de Nossa Senhora do Terço, em Barcelos, é um exemplar notável do barroco português dos séculos XVII e XVIII, combinando arte e espiritualidade. Construída para as religiosas beneditinas, destaca-se pelos azulejos representando a vida de São Bento e pelos altares em talha dourada. Após a extinção das ordens religiosas, a Confraria de Nossa Senhora do Terço assegurou a continuidade do culto e a preservação do seu património. A relevância histórica e artística da igreja é amplamente documentada por Manuel Avelino Ferreira na obra &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3. ENQUADRAMENTO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Localizado na zona urbana, na extremidade superior do Campo da Feira, o edifício encontra-se adossado às antigas instalações do mosteiro, atualmente ocupadas por um centro comercial. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4. DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A planta da igreja é retangular e desenvolve-se num eixo longitudinal, com nave única, coro, capela-mor e sacristia, refletindo a sua origem monástica. A entrada lateral é típica das igrejas femininas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada, simples mas equilibrada, é pintada de branco e marcada por um portal principal em arco de volta perfeita, ricamente decorado com pilastras, entablamento e um nicho com a imagem da Virgem. Sobre o arco, destaca-se um brasão de armas de Portugal, ladeado por elementos decorativos barrocos. Há ainda um segundo portal lateral, menor, e uma sineira de traço simples no extremo leste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja preserva uma notável decoração original, com forte presença simbólica ligada à espiritualidade beneditina. O conjunto transmite sobriedade e unidade estética, revelando o equilíbrio entre função religiosa e expressão artística do barroco. A construção teve início em 1707, como indicado nas inscrições comemorativas junto ao portal principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é um verdadeiro tesouro da arte portuguesa do século XVIII, onde diferentes expressões artísticas se unem de forma harmoniosa. O interior é ricamente decorado com azulejos azuis e brancos que cobrem por completo as paredes e contam episódios da vida de São Bento, criando uma envolvente narrativa visual de forte impacto. Estes painéis, atribuídos a António de Oliveira Bernardes, apresentam cenas detalhadas e realistas, complementadas por elementos ilusionistas como falsas janelas que reforçam a sensação de profundidade e luz. Nos tetos da nave principal, destacam-se pinturas a óleo sobre madeira nobre, que retratam também momentos da vida de São Bento, com grande qualidade técnica e impressionante estado de conservação, demonstrando o talento do mestre e da sua oficina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este conjunto artístico não é apenas decorativo: cada elemento tem um papel na criação de um ambiente propício à oração e ao recolhimento. A talha dourada, atribuída a mestres locais como Ambrósio Coelho e Gabriel Rodrigues Alves, serve de moldura a imagens e cenas religiosas centrais na devoção beneditina. As escolhas estéticas, desde a cor intensa dos azulejos, passando pela luz sugerida nas janelas fingidas, até à riqueza escultórica dos altares, foram pensadas para envolver os fiéis num ambiente simbólico e emocional, elevando a experiência espiritual de quem entra na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus, em Lisboa. Esta peça sintetiza o requinte técnico e simbólico do barroco religioso português, sendo um testemunho vivo da arte sacra como expressão de poder, fé e beleza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mapas, plantas, alçados, fotografias recentes / antigas, estampas, etc., com legenda individual que identifique o autor ou da fonte da imagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;6. FONTES E BIBLIOGRAFIA&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA:&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Câmara Municipal de Barcelos: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
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		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição / Igreja de Nossa Senhora do Terço</title>
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		<updated>2025-05-15T11:37:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;TRABALHO DE PESQUISA&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1. IDENTIFICAÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Topo da Torre dos Clérigos no Porto Portugal Patricia Laraia.jpg|thumb]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição/ Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Avenida dos Combatentes da Grande Guerra 240/272, 4750-279 Barcelos&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Entalhadores: Ambrósio Coelho (atr. retábulos), Gabriel Rodrigues Álvares (púlpito); Pintor: António Oliveira Bernardes (azulejos).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP Imóvel de Interesse Público pelo Decreto 47 508, DG 20, de 24-01-1967&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;2. ESTADO DA ARTE&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
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A Igreja de Nossa Senhora do Terço, em Barcelos, é um exemplar notável do barroco português dos séculos XVII e XVIII, combinando arte e espiritualidade. Construída para as religiosas beneditinas, destaca-se pelos azulejos representando a vida de São Bento e pelos altares em talha dourada. Após a extinção das ordens religiosas, a Confraria de Nossa Senhora do Terço assegurou a continuidade do culto e a preservação do seu património. A relevância histórica e artística da igreja é amplamente documentada por Manuel Avelino Ferreira na obra &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço&#039;&#039;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3. ENQUADRAMENTO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Localizado na zona urbana, na extremidade superior do Campo da Feira, o edifício encontra-se adossado às antigas instalações do mosteiro, atualmente ocupadas por um centro comercial. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4. DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja Beneditina da Senhora do Terço é um exemplo marcante da arte barroca portuguesa, concebida como uma “obra de arte total”, onde arquitetura, escultura, pintura e azulejaria se integram de forma harmoniosa. Dedicada a Nossa Senhora do Terço, a igreja celebra também a Ordem Beneditina e o seu fundador, São Bento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A planta da igreja é retangular e desenvolve-se num eixo longitudinal, com nave única, coro, capela-mor e sacristia, refletindo a sua origem monástica. A entrada lateral é típica das igrejas femininas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fachada, simples mas equilibrada, é pintada de branco e marcada por um portal principal em arco de volta perfeita, ricamente decorado com pilastras, entablamento e um nicho com a imagem da Virgem. Sobre o arco, destaca-se um brasão de armas de Portugal, ladeado por elementos decorativos barrocos. Há ainda um segundo portal lateral, menor, e uma sineira de traço simples no extremo leste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja preserva uma notável decoração original, com forte presença simbólica ligada à espiritualidade beneditina. O conjunto transmite sobriedade e unidade estética, revelando o equilíbrio entre função religiosa e expressão artística do barroco. A construção teve início em 1707, como indicado nas inscrições comemorativas junto ao portal principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja é um verdadeiro tesouro da arte portuguesa do século XVIII, onde diferentes expressões artísticas se unem de forma harmoniosa. O interior é ricamente decorado com azulejos azuis e brancos que cobrem por completo as paredes e contam episódios da vida de São Bento, criando uma envolvente narrativa visual de forte impacto. Estes painéis, atribuídos a António de Oliveira Bernardes, apresentam cenas detalhadas e realistas, complementadas por elementos ilusionistas como falsas janelas que reforçam a sensação de profundidade e luz. Nos tetos da nave principal, destacam-se pinturas a óleo sobre madeira nobre, que retratam também momentos da vida de São Bento, com grande qualidade técnica e impressionante estado de conservação, demonstrando o talento do mestre e da sua oficina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este conjunto artístico não é apenas decorativo: cada elemento tem um papel na criação de um ambiente propício à oração e ao recolhimento. A talha dourada, atribuída a mestres locais como Ambrósio Coelho e Gabriel Rodrigues Alves, serve de moldura a imagens e cenas religiosas centrais na devoção beneditina. As escolhas estéticas, desde a cor intensa dos azulejos, passando pela luz sugerida nas janelas fingidas, até à riqueza escultórica dos altares, foram pensadas para envolver os fiéis num ambiente simbólico e emocional, elevando a experiência espiritual de quem entra na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre todos os elementos do interior, o púlpito merece um destaque especial. Criado por Gabriel Rodrigues Alves, é considerado uma das obras-primas da talha portuguesa do século XVIII. Posicionado do lado do Evangelho, apresenta uma composição exuberante com anjos, volutas e uma águia imperial, símbolo do rei D. João V. O baldaquino, ricamente esculpido e encimado por figuras celestiais, confere-lhe uma imponência rara, que levou especialistas como Robert Smith a compará-lo ao célebre púlpito da Igreja da Madre de Deus, em Lisboa. Esta peça sintetiza o requinte técnico e simbólico do barroco religioso português, sendo um testemunho vivo da arte sacra como expressão de poder, fé e beleza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mapas, plantas, alçados, fotografias recentes / antigas, estampas, etc., com legenda individual que identifique o autor ou da fonte da imagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;6. FONTES E BIBLIOGRAFIA&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Arquiv@ Património Cultural:&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/capela-de-santo-antonio-de-torre-de-moncorvo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA:&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=362&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://cnstercobarcelos.blogspot.com/p/historia-da-igreja-beneditina-de-nossa.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Câmara Municipal de Barcelos: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.cm-barcelos.pt/items/igreja-de-nossa-senhora-do-terco/&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.paroquiadebarcelos.org/?pg=53&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferreira, P. M. A. (1982). &#039;&#039;A Igreja Beneditina de Nossa Senhora do Terço: História duma igreja na história de Barcelos&#039;&#039;. Barcelos: Edição da Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Terço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
García Arranz, J. J. (2018). Unos emblemata monásticos en azulejos: el programa jeroglífico de la iglesia conventual de Nossa Senhora do Terço, en Barcelos (Portugal). Quintana: revista do Departamento de Historia da Arte, 17, Art. 4179&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assis, F., &amp;amp; Encarnação, M. (2004, 29 de janeiro). Igreja de Nossa Senhora do Terço: uma jóia de estilo barroco. &#039;&#039;Diário do Minho&#039;&#039;, 22–26.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faria, R. P. (2006, 8 de junho). Descobertas sepulturas junto à Igreja do Terço. &#039;&#039;Barcelos Popular&#039;&#039;, p. 6.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
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		<updated>2025-05-15T11:13:07Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Bruno Azevedo Miranda: &lt;/p&gt;
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&lt;div&gt;Fachada da Igreja de Nossa Senhora do Terço&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Bruno Azevedo Miranda</name></author>
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