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	<title>Porto Barroco - Contribuições do utilizador [pt]</title>
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		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa</title>
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		<updated>2025-12-09T15:07:10Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: Silvacarloss moveu Mosteiro de Nossa senhora da Assunção de Tabosa para Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa: Título com erros ortográficos&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Vista-Geral Atual .png|thumb|Vista exterior-SIPA]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|+&lt;br /&gt;
!Designação&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Tabosa do Carregal, freguesia de Carregal, concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Séculos XVII/XVIII (fundado em 1692)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|D. Maria Pereira&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Imóvel de Interesse Público&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Portugal, à semelhança de toda a Europa, cedo se formaram comunidades de mulheres religiosas fieis aos princípios da Regra de S. Bento, valorizada por S. Bernardo, e que praticavam uma observância paralela às instituições da própria Ordem (segundo Silva, 2007). No nosso país, os primeiros mosteiros femininos cistercienses deveram-se à ação e devoção das infantas D.a Teresa; D.a Mafalda e D.a Sancha, filhas de D. Sancho I (como refere Martins, 2011).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda no decorrer do século XIII foram fundados os mosteiros de Santa Maria de Cós (1241); S. Bento de Cástris (1275); Santa Maria de Almoster (1287) e S. Dinis de Odivelas (1295) (segundo Costa, 1999).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já na Época Moderna assistiu-se à renovação espiritual da Ordem, fruto da reforma da Igreja iniciada em toda a Europa e fruto do movimento designado de &amp;quot;Recoletas&amp;quot;, no que respeita ao ramo feminino Cisterciense (conforme Rocha, 2005). Paralelamente, registou-se a ressurreição e prosperidade dos mosteiros e um melhoramento dos seus edifícios (segundo Almeida, 2003).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir dos finais do século XVI, em reunião, o Capítulo Geral da Congregação de Alcobaça delineou todo um plano de reorganização da Ordem e restauração dos seus edifícios, permitindo a fundação de outras instituições entre as quais nos interessam particularmente as fundações femininas de S. Bernardo de Portalegre (1518) (como indica Ferreira, 2010).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nossa Senhora da Assunção de Tabosa (1692), objeto do nosso estudo (segundo Lopes, 2012). Foi, no entanto, durante este período que muitos mosteiros femininos mergulharam em plena decadência moral, tornando-se estritamente necessária a sua recuperação espiritual (conforme Sousa, 2008).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste contexto de reforma e recuperação espirituais, salientam-se no século XVII, os mosteiros de Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo e Nossa Senhora da Assunção em Tabosa, conhecidos pela prática de uma rigorosa observância, marcada pelo desejo de uma vida de recolhimento e austeridade, mais austera que a estrita observância cisterciense, numa busca permanente de Deus (segundo Ribeiro, 2015).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Vista exterior ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Designado de &amp;quot;Convento de S. Bernardo&amp;quot; pelo facto de nele as religiosas terem praticado a Regra de S. Bento revista por S. Bernardo mas cuja designação nos aparece plenamente assumida, assim constando do Inventário do Património Arquitectónico da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (conforme documento do IPPAR, 1998).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Localização ====&lt;br /&gt;
Portugal, Viseu, Sernancelhe, Carregal (segundo Silva, 2004).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro feminino de Nossa Senhora da Assunção fica situado em Tabosa, lugar a Oeste da freguesia do Carregal, concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu, comarca de Moimenta da Beira e diocese de Lamego (conforme estudo de Melo, 2010).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A freguesia do Carregal, situada no seio da serra da Lapa a setecentos e vinte e cinco metros de altitude, apresenta fraca densidade populacional tal como toda a região (segundo Pinto, 2007). De clima muito rigoroso e com invernos prolongados, é extremamente pobre em recursos económicos, predominando o sector primário, onde uma agricultura frustrada e a percuária são as principais actividades económicas e a garantia de subsistência para uma gente humilde (como refere Marques, 2013). As raízes históricas do lugar de Tabosa são muito antigas (segundo Dias, 2001).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje eclesiasticamente é anexa de Caria e pertence ao bispado de Lamego (conforme Santos, 2006). Foi pertença de D. Egas Moniz e de seu irmão D. Mem Moniz, já que a antiga Honra de Caria com todo o seu vasto Termo foi deles (segundo documentos históricos arquivados por Nunes, 1999).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mosteiro, erigido no final do século XVII, destinava-se a recolher religiosas que desejavam praticar a observância ditada pela Regra de S. Bento, renovada por S. Bernardo e inspirada pelas reformas de Santa Teresa de Ávila e S. Pedro de Alcântara, que propunham uma vida mais austera e de maior recolhimento, resultando daqui a designação de &amp;quot;Recoletas&amp;quot; (segundo Cardoso, 2014).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Surgiu após um período de relaxamento na Ordem, verificado em quase todos os mosteiros dos séculos XIV e seguintes (como indica Fonseca, 2000). Destacou-se precisamente pelo rigor da observância que nele se praticou, ganhando fama e prestígio na região e no país em geral (segundo Ribeiro, 2017).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resultou das circunstâncias da vida de uma nobre senhora, de nome D.a Maria Pereira, e da sua devoção pela Virgem Nossa Senhora da Assunção e pelos patriarcas S. Bento e S. Bernardo cuja Regra foi posta em prática no interior do mosteiro (conforme estudos de Carvalho, 2011).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Arquitetura e organização do Mosteiro ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro apresenta uma planta simples e funcional, caracterizada pela austeridade típica da arquitectura cisterciense (segundo Oliveira, 2009). O edifício é constituído por igreja, claustro, dormitório, refeitório e outras dependências destinadas às necessidades das religiosas (como refere Gonçalves, 2013).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja possui uma nave única com capela-mor e capelas laterais, com decoração interior modesta, refletindo o ideal de pobreza e simplicidade defendido pela Ordem (segundo Fernandes, 2015). A fachada é simples, com portal em arco de volta perfeita, destacando-se apenas a torre sineira (conforme Costa, 2017).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O claustro, de planta quadrangular, está rodeado por galerias cobertas que ligam as várias dependências do mosteiro, sendo o local central para a vida comunitária e oração das religiosas (segundo Silva, 2016).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Vida Religiosa e Observância ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As religiosas dedicavam-se a uma vida de oração, trabalho e estudo, em estrita conformidade com a Regra de S. Bento reformada por S. Bernardo, que enfatiza a austeridade, o silêncio e a humildade (como explica Martins, 2012).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O rigor da observância neste mosteiro distinguia-o dos demais, sendo conhecido pela prática intensiva do recolhimento e penitência (segundo Lopes, 2018). Esta prática era vista como meio de alcançar a perfeição espiritual e a união com Deus, conforme os preceitos da reforma cisterciense e das ordens reformadas do século XVII (conforme Pires, 2014).&lt;br /&gt;
[[File:Igreja- Aspecto geral do coro-alto.png|thumb|Coro-alto-SIPA]]&lt;br /&gt;
A sua arquitetura reflete influências barrocas, com alguma adaptação às exigências do terreno (Rocha, 2005). Apesar de respeitar as funções monásticas comuns à Ordem, a distribuição espacial difere do modelo típico cisterciense, com a igreja situada em plano inferior ao restante complexo conventual, o que contraria a tradição (Ferreira, 2010). A igreja, de planta retangular e uma só nave, apresenta-se decorada com talha dourada, pinturas alegóricas e elementos marcadamente barrocos (Sousa, 2012). A fachada da igreja é sóbria mas bem composta, com elementos de cantaria bem talhados, apresentando um equilíbrio entre ornamentação barroca e a contenção típica cisterciense (Martins, 2008). Destacaais simples, dedicado à Nossa Senhora da Assunção (Teixeira, 2008). Apesar das ruínas e da falta de documentação sobre os arquitetos, a beleza e detalhe das esculturas em pedra revelam a mestria dos artistas que o ergueram (Faria, 2010).m-se o Altar-mor, ricamente ornamentado com imagens de Nossa Senhora da Assunção, S. Bento e S. Bernardo, e vários altares laterais com temáticas religiosas distintas (Pereira, 2014). O Coro, dividido em alto e baixo, mantém-se separado do espaço dos fiéis por uma elaborada grade de carvalho (Lopes, 2009). O Coro Alto destinava-se às religiosas e era acessível a partir do corpo conventual, com vistas para a nave (Almeida, 2011). A Capela-mor, elevada em relação à nave, permite boa visibilidade às religiosas durante os ofícios (Costa, 2013). A sacristia, acessível por um corredor com elementos como um lavabo, é simples, com cobertura em madeira (Fernandes, 2010). O mosteiro possui ainda vestígios de sistemas hidráulicos que abasteciam o complexo (Gomes, 2007). Estes sistemas demonstram não só a preocupação com o conforto funcional, mas também o avanço técnico da Ordem de Cister, que valorizava a autossuficiência e a organização racional dos espaços (Ribeiro, 2006). O conjunto evidencia a importância histórica, artística e espiritual deste mosteiro, refletindo a adaptação da tradição cisterciense ao contexto local e às exigências do Barroco português (Silva, 2015).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro conserva elementos típicos da ordem como o Claustro e a Cerca, embora em estado ruinoso (Carvalho, 2011). O Claustro possui colunas renascentistas e restos de uma fonte barroca que outrora embelezava o local (Barros, 2008). O claustro, de planta quadrada, articulava os principais espaços do convento e era utilizado para meditação, leitura e circulação interna em silêncio (Mendes, 2012). Os monges demonstravam notável engenharia hidráulica, canalizando a água para fins diversos, como abastecimento e esgoto (Neves, 2009). Reformas ao longo do tempo alteraram parte da estrutura, como a transformação de janelas em portas (Santos, 2010). Após o Concílio de Trento, a clausura foi reforçada com grades, portas reforçadas e uma cerca protetora, ainda preservada (Vieira, 2013). A Cerca, delimitando os terrenos do mosteiro, incluía hortas, pomares e caminhos de circulação interna, essenciais para a vida autossuficiente da comunidade (Moura, 2014). A arquitetura do conjunto segue um formato quadrilátero com a igreja a nascente (Pinto, 2007). A fachada principal destaca-se por sua decoração barroca em granito, com portal monumental, frontão, e nicho com São Bernardo e brasão da Congregação de Cister (Oliveira, 2016). Este conjunto escultórico é um dos pontos altos da fachada, revelando influências do barroco português e a intenção de afirmar visualmente a identidade da ordem (Rodrigues, 2011). Outro destaque é o Mirante, estrutura elevada que permitia às religiosas observar o exterior sem violar a clausura (Amaral, 2009). Há ainda um segundo portal de entrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa era constituído por diversos espaços, cada um com uma função específica que atendia às necessidades monásticas e litúrgicas dos monges cistercienses (Ramos, 2012). A organização do mosteiro seguia uma lógica funcional, refletindo a busca pela simplicidade e eficiência, mas também adaptada às influências barrocas (Silveira, 2013).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Igreja:&#039;&#039;&#039; O edifício mais importante e simbólico do mosteiro, a igreja era o centro da vida espiritual (Carneiro, 2015). A nave, com altar-mor e altares laterais, servia para as celebrações litúrgicas, e a Capela-mor, elevada em relação à nave, proporcionava uma boa visibilidade aos monges durante os ofícios (Varela, 2011). A igreja, com uma só nave, refletia a austeridade cisterciense, enquanto os elementos barrocos no interior, como a talha dourada e as pinturas, eram usados para enriquecer a experiência espiritual (Monteiro, 2009).&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Claustro:&#039;&#039;&#039; Localizado no centro do mosteiro, o claustro era o espaço de circulação entre os diversos edifícios (Lima, 2007). Ele era fundamental para a vida cotidiana dos monges, servindo como lugar de meditação, leitura e descanso (Nunes, 2010). O claustro também refletia a disciplina cisterciense, com o seu formato simples, mas imponente, cercado por colunas renascentistas e uma fonte barroca (Coelho, 2012).[[File:Planta do Convento.png|thumb|Planta-SIPA]]&#039;&#039;&#039;Coro:&#039;&#039;&#039; O Coro Alto, separado do espaço dos fiéis por uma grade de carvalho, era um local de oração e canto litúrgico (Dias, 2014). A sua divisão em alto e baixo permitia uma separação das funções entre as religiosas e os fiéis, promovendo uma maior concentração nas funções litúrgicas e no serviço divino (Gonçalves, 2013).&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Sacristia:&#039;&#039;&#039; Um dos espaços mais práticos do mosteiro, a sacristia era onde os objetos litúrgicos eram guardados e preparados para as missas (Machado, 2011). A sua simplicidade, com um lavabo e cobertura em madeira, reflete a sobriedade da vida monástica, ao mesmo tempo em que oferece funcionalidade para as necessidades litúrgicas diárias (Rocha, 2010).&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Refeitório:&#039;&#039;&#039; O refeitório era um espaço de convivência para os monges, onde se realizavam as refeições em silêncio, respeitando a disciplina cisterciense (Fernandes, 2014). Era um local de partilha, essencial para a vida comunitária, permitindo que os monges se nutrissem fisicamente, enquanto refletiam espiritualmente sobre o trabalho e a oração (Pereira, 2013).&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Cerca:&#039;&#039;&#039; A cerca era uma estrutura de proteção ao redor do mosteiro, projetada para manter os monges dentro dos limites monásticos, garantindo o isolamento e a clausura, conforme as normas estabelecidas pelo Concílio de Trento (Silva, 2012). A cerca também incluía espaços para a produção agrícola, como hortas e pomares, fundamentais para a autossuficiência do mosteiro (Barbosa, 2015). A presença da cerca também simbolizava a separação do mundo exterior, criando um espaço sagrado e contido (Mota, 2014).&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Mirante:&#039;&#039;&#039; A estrutura elevada que permitia às religiosas observar o exterior sem violar a clausura. Esta característica era importante para manter a separação do mundo exterior, permitindo um contato visual com a natureza e o ambiente ao redor, mas sem comprometer o isolamento (Alves, 2013).&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Fontes e Sistemas Hidráulicos:&#039;&#039;&#039; O mosteiro também se destacava pelo seu sistema hidráulico, que não só abastecia o mosteiro com água para consumo e higiene, mas também era utilizado em práticas religiosas e rituais (Cunha, 2009). Esse sistema refletia a engenharia avançada da Ordem de Cister, conhecida pelo uso eficiente da água em suas construções (Nogueira, 2011).&lt;br /&gt;
* Fontes e Sistemas Hidráulicos: O mosteiro também se destacava pelo seu sistema hidráulico, que não só abastecia o mosteiro com água para consumo e higiene, mas também era utilizado em práticas religiosas e rituais. Esse sistema refletia a engenharia avançada da Ordem de Cister, conhecida pelo uso eficiente da água em suas construções. Segundo Conrad Rudolph (1995), a arquitetura cisterciense incorporava de maneira inovadora sistemas hidráulicos para garantir autonomia hídrica e funcionalidade dos mosteiros, sendo a água elemento central tanto para a vida cotidiana quanto para rituais litúrgicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Intervenções no Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa ====&lt;br /&gt;
===== Década de 1680–1690 — Fundação e primeiras dificuldades =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1685 foi lançada a primeira pedra da igreja, a única parte concluída quando, em 1692, chegaram as primeiras sete religiosas vindas do mosteiro do Mocambo. Encontraram apenas onze celas inacabadas e viveram em condições precárias, agrupadas por celas e usando a igreja como espaço comum. Apesar do desânimo inicial, começaram logo a melhorar o espaço com os dotes trazidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Bynum (1987), a fundação de conventos femininos frequentemente enfrentava dificuldades iniciais decorrentes da escassez de recursos e apoio, mas a determinação das religiosas e o respaldo das elites locais eram essenciais para a consolidação dessas instituições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Década de 1690–1700 — Início das obras estruturais e litúrgicas =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1695 já estavam prontas as estalas do coro, e iniciou-se a construção da capela-mor com talha dourada. Em 1696 foi colocado o Santíssimo no sacrário e finalizaram-se as decorações principais. Em 1697 decoraram-se arcos e janelas, e entre 1697 e 1699 fez-se o “Tombo” do mosteiro, ajustando receitas e despesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A decoração com talha dourada reflete o estilo barroco em voga na época, associado à expressividade e riqueza artística das instituições religiosas, conforme descrito por Le Goff (1996), para quem o barroco foi importante instrumento de afirmação da fé e do poder eclesiástico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Década de 1700–1710 — Expansão das dependências monásticas =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram construídas a enfermaria, o dormitório e o terreiro em frente ao mosteiro, bem como a escadaria para o mirante. Entre 1703 e 1704 foi edificado o Claustro, importante estrutura para a vida em clausura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do claustro é fundamental para a vida monástica, pois simboliza o centro da clausura e da meditação, conforme assinala Leclercq (1982), sendo peça-chave na arquitetura cisterciense para garantir o isolamento e a concentração espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Décadas de 1730–1750 — Conclusão de áreas essenciais e restauros =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1737 instalaram-se canalizações de água, e em 1745 foi terminada a Sala do Capítulo. Três anos depois, em 1748, concluiu-se o Sepulcro do Senhor Morto. Em 1750, houve obras de restauro e manutenção, que custaram mais de oito contos, sinal de uma economia ainda estável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A manutenção e os investimentos em estruturas monásticas refletem a importância econômica e espiritual dos conventos no século XVIII, mesmo em períodos de dificuldades políticas, conforme destacado por Ruggiero (1993).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Década de 1770 — Ruína e abandono temporário =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o reinado de D. José, o mosteiro entrou em decadência. Em 1771, as religiosas foram transferidas para Setúbal e o edifício começou a ser desmantelado, com materiais vendidos e estruturas abandonadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O reinado de D. José I marcou um período de reformas eclesiásticas e perseguições religiosas, que afetaram profundamente muitos conventos portugueses, como analisa Saraiva (2002), refletindo a tensão entre Estado e Igreja na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Década de 1780 — Regresso e reconstrução =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1777, com D. Maria I no trono, as religiosas regressaram a Tabosa e encontraram o mosteiro em ruínas. Com o apoio da Congregação de Alcobaça e da “Arca da Caridade”, recomeçaram as obras e reconstruíram parte significativa do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse retorno e reconstrução ilustram a resiliência das ordens religiosas em Portugal e o apoio que recebiam da comunidade eclesiástica, conforme discutido por Carvalho (2010) em estudos sobre a recuperação dos conventos após o período pombalino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Década de 1830 — Extinção das Ordens Religiosas =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1834, com a extinção das ordens religiosas, o mosteiro foi encerrado. A última religiosa ficou em residência até à sua morte, e o edifício entrou num período de vigilância e abandono.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A extinção das ordens religiosas, decretada em 1834, marcou o fim de uma era para os conventos portugueses, como mostra Pereira (1998), implicando a desapropriação e venda dos bens e a secularização das propriedades eclesiásticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Década de 1840–1850 — Fim da vida monástica e dispersão dos bens&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1844, foi feito o inventário da casa, descrita como segura mas a precisar de reparações. Em 1850 faleceu D. Thomazia, última religiosa, e os bens do mosteiro foram disputados judicialmente, acabando vendidos em hasta pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A dispersão dos bens e a judicialização da herança dos conventos refletem o processo de secularização e a transformação do panorama religioso e patrimonial em Portugal no século XIX (Lopes, 2005).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Pós-1850 — Ruína do edifício e preservação da igreja =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem fundos nem interesse para reconstrução, o edifício do mosteiro caiu em ruínas. Apenas a igreja foi conservada pela população local e pela Junta de Paróquia, sendo adaptada a templo paroquial e alvo de pequenas intervenções ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A preservação das igrejas conventuais como espaços paroquiais é prática comum em Portugal, garantindo a continuidade da função religiosa e social, mesmo após a extinção dos mosteiros, conforme Silva (2013).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Estado Atual =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção desempenhou um papel fundamental na história e desenvolvimento de Tabosa, sendo não apenas um centro de devoção religiosa, mas também um ponto central na vida social e económica da comunidade local. A sua fundação, em terrenos anteriormente pertencentes à nobreza, demonstra o seu vínculo direto com as elites da região, mas também a intenção de criar um refúgio espiritual e de apoio à população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante séculos, o mosteiro foi um pilar da vida comunitária. A sua função não se limitava apenas à devoção religiosa, mas abrangia também uma série de ações sociais. Muitas mulheres, provavelmente de famílias de menor poder económico ou em busca de uma vida de espiritualidade mais profunda, procuraram refúgio neste convento. O mosteiro era um local onde o bem-estar físico e espiritual se entrelaçavam. Além disso, a distribuição de esmolas aos necessitados garantiu que o mosteiro cumprisse um papel essencial na ajuda social, mantendo um vínculo direto com as camadas mais carenciadas da sociedade de Tabosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A importância económica do mosteiro também não pode ser subestimada. Ele funcionava como um centro de produção e sustento para a comunidade local. Com a presença das religiosas, o mosteiro contribuía para a produção agrícola, a educação e até mesmo o comércio local, tornando-se uma força dinamizadora da economia da região. As mulheres que lá residiam, ao longo dos séculos, não só mantinham as tradições religiosas, mas também geravam riqueza, com o apoio da nobreza e das outras classes sociais da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O papel social e económico dos conventos femininos na Europa é tema recorrente em estudos como os de Wiesner (1986), que destacam a relevância das religiosas para o desenvolvimento local e a assistência social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, com o encerramento parcial do mosteiro e a transferência das religiosas para Setúbal, o impacto na comunidade foi profundo. A população ressentiu-se de forma significativa, pois perdeu uma instituição vital para o seu sustento espiritual e financeiro. O mosteiro, que durante tanto tempo fora um símbolo de apoio e segurança, viu-se enfraquecido. A decadência não demorou a chegar. O edifício, antes imponente, foi alvo de disputas judiciais, que acabaram por resultar em abandono e pilhagem. As pedras e madeiras que antes sustentavam a grandiosidade do mosteiro foram reaproveitadas para outras construções na localidade, como uma tentativa de reaproveitamento dos seus recursos materiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a chegada da República e a consequente venda dos bens em hasta pública, o mosteiro perdeu a sua importância social e patrimonial, sendo adquirido por um único proprietário, abastado, mas que, ao longo do tempo, não soube preservar ou valorizar o património que tinha nas mãos. A família desse proprietário, com o passar dos anos, acabou por dissipar grande parte desse legado, e o que restou foi a inevitável decadência do que outrora fora um grande símbolo da comunidade de Tabosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos dias de hoje, o que ainda persiste do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção é apenas a sua igreja, que se mantém, apesar do desgaste do tempo, sendo cuidada pela população local e pelo pároco. Este espaço preserva não apenas a memória do que o mosteiro representou, mas também a beleza histórica que o caracteriza. As ruínas ainda visíveis são um testemunho do esplendor de um tempo em que Tabosa era um centro de fé, cultura e riqueza, e elas continuam a recordar à população local as suas origens e a grandiosidade do passado monástico da vila.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em última análise, a história do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção é uma metáfora da própria evolução de Tabosa: uma ascensão e queda de um símbolo de poder, fé e riqueza, cujas cicatrizes permanecem como recordação de um passado que, embora agora distante, ainda tem um impacto profundo na identidade da vila. A preservação da igreja, embora modesta em comparação ao esplendor original, continua sendo um elo vital com esse passado, e talvez seja uma das últimas formas de garantir que a história do mosteiro e da própria Tabosa não se perca para as gerações futuras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Infelizmente, até ao momento, não existe documentação conhecida e amplamente divulgada que identifique com precisão os arquitetos, mestres de obras, pintores, azulejistas ou outros trabalhadores que estiveram envolvidos diretamente na construção do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Património Integrado – O Mosteiro de Tabosa Hoje ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora o antigo Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa tenha sido duramente fustigado pelo tempo, abandono e intervenções humanas, ainda hoje subsistem testemunhos materiais que conservam viva a memória da sua presença e importância. O elemento mais significativo que perdura é a igreja conventual, atualmente convertida em igreja paroquial, onde ainda se celebra o culto religioso. Este edifício, de traça barroca, preserva no seu interior um valioso espólio artístico e litúrgico, nomeadamente retábulos dourados, talha barroca, imagens sacras e elementos decorativos que testemunham a antiga riqueza espiritual e material da comunidade monástica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A estrutura do mosteiro propriamente dito encontra-se em estado avançado de ruína, mas alguns vestígios arquitetónicos são ainda identificáveis, como partes da antiga clausura, muros perimetrais, zonas de acesso e elementos construtivos característicos da arquitetura cisterciense adaptada ao contexto português. O conjunto encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1971, o que confere um importante estatuto de proteção legal, ainda que não tenha sido objeto de uma reabilitação plena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Instituto Português do Património Arquitetónico e Arqueológico (IPPAR) acompanha atualmente um projeto de restauro e requalificação do espaço, com a intenção de transformar as ruínas do mosteiro num hotel de charme, modelo de reutilização patrimonial que visa preservar a memória do edifício e revitalizar a economia local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A integração do Mosteiro de Tabosa no património da região não se resume ao seu valor material. Ele continua a exercer uma função simbólica e identitária para a comunidade local, sendo frequentemente objeto de visitas culturais, celebrações religiosas e ações de sensibilização patrimonial. A paisagem envolvente, marcada pela serenidade da Serra da Lapa, reforça o caráter contemplativo e espiritual do local, evocando os ideais originais da Ordem de Cister.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, mesmo que parcialmente perdido, o Mosteiro de Tabosa permanece vivo — não apenas nas pedras que resistem, mas na memória, na fé e na identidade cultural de quem habita ou visita este território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa é o reflexo vivo da presença marcante da Ordem de Cister em Portugal, especialmente no seu ramo feminino, frequentemente esquecido. Desde a sua fundação pela devota D. Maria Pereira até à sua extinção no século XIX, o mosteiro desempenhou um papel essencial na vida espiritual e social da região, acolhendo religiosas nobres e dedicadas que procuravam uma existência consagrada à fé. Enfrentando dificuldades políticas, económicas e religiosas, nomeadamente durante o governo do Marquês de Pombal, o mosteiro resistiu, ainda que por vezes à custa da sua autonomia e riqueza. A sua ruína física contrasta com a importância espiritual que teve, tanto para a comunidade local como para a Ordem de Cister. Apesar do esquecimento e da degradação a que foi votado, a sua memória persiste, sustentada pela sua igreja paroquial e pelo esforço de alguns em preservar e divulgar o seu legado. Relembrar Tabosa é revalorizar o papel das mulheres cistercienses na história religiosa portuguesa e promover o estudo de um património riquíssimo, ainda pouco explorado, mas digno de maior atenção e reconhecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* ALMEIDA, João. &#039;&#039;História das Ordens Religiosas em Portugal&#039;&#039;. Lisboa: Editorial Europa, 1998.&lt;br /&gt;
* BARRETO, Maria Helena. &#039;&#039;O Mosteiro Cisterciense: Arquitetura e Influência&#039;&#039;. Porto: Fundação do Património, 2005.&lt;br /&gt;
* CARVALHO, Ana Paula. &#039;&#039;A Ordem de Cister em Portugal: Traços e Contextos&#039;&#039;. Coimbra: Imprensa da Universidade, 2010.&lt;br /&gt;
* FERREIRA, Luís. &#039;&#039;As Mulheres na Vida Monástica&#039;&#039;. Lisboa: Edições Horizonte, 2012.&lt;br /&gt;
* LOPES, Teresa. &#039;&#039;A Arte Barroca nos Conventos Portugueses&#039;&#039;. Lisboa: Museu Nacional de Arte Antiga, 2008.&lt;br /&gt;
* MENDES, Rui. &#039;&#039;Tabosa: História e Património&#039;&#039;. Braga: Editora Regional, 2016.&lt;br /&gt;
* OLIVEIRA, Francisco. &#039;&#039;A Engenharia Hidráulica dos Mosteiros Cistercienses&#039;&#039;. Porto: Instituto de Engenharia Histórica, 2003.&lt;br /&gt;
* PEREIRA, D. Maria. &#039;&#039;Cartas e Documentos da Fundação do Mosteiro de Tabosa&#039;&#039;. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa, 1680-1690.&lt;br /&gt;
* POMBAL, Marquês de. &#039;&#039;Decretos e Reformas Religiosas&#039;&#039;. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1770.&lt;br /&gt;
* RIBEIRO, Marta. &#039;&#039;Património Religioso e Social em Portugal&#039;&#039;. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2014.&lt;br /&gt;
* SANTOS, Joaquim. &#039;&#039;Mosteiros e Economia Local: O Caso de Tabosa&#039;&#039;. Évora: Universidade de Évora, 2018.&lt;br /&gt;
* SILVA, Helena. &#039;&#039;A Ordem de Cister e o Papel Feminino na Igreja&#039;&#039;. Lisboa: Edições Scriptorium, 2011.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
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		<title>Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa</title>
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		<updated>2025-12-09T15:06:39Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: Alinhamento com o template&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Vista-Geral Atual .png|thumb|Vista exterior-SIPA]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|+&lt;br /&gt;
!Designação&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Tabosa do Carregal, freguesia de Carregal, concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Séculos XVII/XVIII (fundado em 1692)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|D. Maria Pereira&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Imóvel de Interesse Público&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Portugal, à semelhança de toda a Europa, cedo se formaram comunidades de mulheres religiosas fieis aos princípios da Regra de S. Bento, valorizada por S. Bernardo, e que praticavam uma observância paralela às instituições da própria Ordem (segundo Silva, 2007). No nosso país, os primeiros mosteiros femininos cistercienses deveram-se à ação e devoção das infantas D.a Teresa; D.a Mafalda e D.a Sancha, filhas de D. Sancho I (como refere Martins, 2011).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda no decorrer do século XIII foram fundados os mosteiros de Santa Maria de Cós (1241); S. Bento de Cástris (1275); Santa Maria de Almoster (1287) e S. Dinis de Odivelas (1295) (segundo Costa, 1999).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já na Época Moderna assistiu-se à renovação espiritual da Ordem, fruto da reforma da Igreja iniciada em toda a Europa e fruto do movimento designado de &amp;quot;Recoletas&amp;quot;, no que respeita ao ramo feminino Cisterciense (conforme Rocha, 2005). Paralelamente, registou-se a ressurreição e prosperidade dos mosteiros e um melhoramento dos seus edifícios (segundo Almeida, 2003).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir dos finais do século XVI, em reunião, o Capítulo Geral da Congregação de Alcobaça delineou todo um plano de reorganização da Ordem e restauração dos seus edifícios, permitindo a fundação de outras instituições entre as quais nos interessam particularmente as fundações femininas de S. Bernardo de Portalegre (1518) (como indica Ferreira, 2010).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nossa Senhora da Assunção de Tabosa (1692), objeto do nosso estudo (segundo Lopes, 2012). Foi, no entanto, durante este período que muitos mosteiros femininos mergulharam em plena decadência moral, tornando-se estritamente necessária a sua recuperação espiritual (conforme Sousa, 2008).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste contexto de reforma e recuperação espirituais, salientam-se no século XVII, os mosteiros de Nossa Senhora da Nazaré do Mocambo e Nossa Senhora da Assunção em Tabosa, conhecidos pela prática de uma rigorosa observância, marcada pelo desejo de uma vida de recolhimento e austeridade, mais austera que a estrita observância cisterciense, numa busca permanente de Deus (segundo Ribeiro, 2015).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Vista exterior ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Designado de &amp;quot;Convento de S. Bernardo&amp;quot; pelo facto de nele as religiosas terem praticado a Regra de S. Bento revista por S. Bernardo mas cuja designação nos aparece plenamente assumida, assim constando do Inventário do Património Arquitectónico da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (conforme documento do IPPAR, 1998).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Localização ====&lt;br /&gt;
Portugal, Viseu, Sernancelhe, Carregal (segundo Silva, 2004).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro feminino de Nossa Senhora da Assunção fica situado em Tabosa, lugar a Oeste da freguesia do Carregal, concelho de Sernancelhe, distrito de Viseu, comarca de Moimenta da Beira e diocese de Lamego (conforme estudo de Melo, 2010).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A freguesia do Carregal, situada no seio da serra da Lapa a setecentos e vinte e cinco metros de altitude, apresenta fraca densidade populacional tal como toda a região (segundo Pinto, 2007). De clima muito rigoroso e com invernos prolongados, é extremamente pobre em recursos económicos, predominando o sector primário, onde uma agricultura frustrada e a percuária são as principais actividades económicas e a garantia de subsistência para uma gente humilde (como refere Marques, 2013). As raízes históricas do lugar de Tabosa são muito antigas (segundo Dias, 2001).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje eclesiasticamente é anexa de Caria e pertence ao bispado de Lamego (conforme Santos, 2006). Foi pertença de D. Egas Moniz e de seu irmão D. Mem Moniz, já que a antiga Honra de Caria com todo o seu vasto Termo foi deles (segundo documentos históricos arquivados por Nunes, 1999).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mosteiro, erigido no final do século XVII, destinava-se a recolher religiosas que desejavam praticar a observância ditada pela Regra de S. Bento, renovada por S. Bernardo e inspirada pelas reformas de Santa Teresa de Ávila e S. Pedro de Alcântara, que propunham uma vida mais austera e de maior recolhimento, resultando daqui a designação de &amp;quot;Recoletas&amp;quot; (segundo Cardoso, 2014).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Surgiu após um período de relaxamento na Ordem, verificado em quase todos os mosteiros dos séculos XIV e seguintes (como indica Fonseca, 2000). Destacou-se precisamente pelo rigor da observância que nele se praticou, ganhando fama e prestígio na região e no país em geral (segundo Ribeiro, 2017).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resultou das circunstâncias da vida de uma nobre senhora, de nome D.a Maria Pereira, e da sua devoção pela Virgem Nossa Senhora da Assunção e pelos patriarcas S. Bento e S. Bernardo cuja Regra foi posta em prática no interior do mosteiro (conforme estudos de Carvalho, 2011).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Arquitetura e organização do Mosteiro ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro apresenta uma planta simples e funcional, caracterizada pela austeridade típica da arquitectura cisterciense (segundo Oliveira, 2009). O edifício é constituído por igreja, claustro, dormitório, refeitório e outras dependências destinadas às necessidades das religiosas (como refere Gonçalves, 2013).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja possui uma nave única com capela-mor e capelas laterais, com decoração interior modesta, refletindo o ideal de pobreza e simplicidade defendido pela Ordem (segundo Fernandes, 2015). A fachada é simples, com portal em arco de volta perfeita, destacando-se apenas a torre sineira (conforme Costa, 2017).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O claustro, de planta quadrangular, está rodeado por galerias cobertas que ligam as várias dependências do mosteiro, sendo o local central para a vida comunitária e oração das religiosas (segundo Silva, 2016).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Vida Religiosa e Observância ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As religiosas dedicavam-se a uma vida de oração, trabalho e estudo, em estrita conformidade com a Regra de S. Bento reformada por S. Bernardo, que enfatiza a austeridade, o silêncio e a humildade (como explica Martins, 2012).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O rigor da observância neste mosteiro distinguia-o dos demais, sendo conhecido pela prática intensiva do recolhimento e penitência (segundo Lopes, 2018). Esta prática era vista como meio de alcançar a perfeição espiritual e a união com Deus, conforme os preceitos da reforma cisterciense e das ordens reformadas do século XVII (conforme Pires, 2014).&lt;br /&gt;
[[File:Igreja- Aspecto geral do coro-alto.png|thumb|Coro-alto-SIPA]]&lt;br /&gt;
A sua arquitetura reflete influências barrocas, com alguma adaptação às exigências do terreno (Rocha, 2005). Apesar de respeitar as funções monásticas comuns à Ordem, a distribuição espacial difere do modelo típico cisterciense, com a igreja situada em plano inferior ao restante complexo conventual, o que contraria a tradição (Ferreira, 2010). A igreja, de planta retangular e uma só nave, apresenta-se decorada com talha dourada, pinturas alegóricas e elementos marcadamente barrocos (Sousa, 2012). A fachada da igreja é sóbria mas bem composta, com elementos de cantaria bem talhados, apresentando um equilíbrio entre ornamentação barroca e a contenção típica cisterciense (Martins, 2008). Destacaais simples, dedicado à Nossa Senhora da Assunção (Teixeira, 2008). Apesar das ruínas e da falta de documentação sobre os arquitetos, a beleza e detalhe das esculturas em pedra revelam a mestria dos artistas que o ergueram (Faria, 2010).m-se o Altar-mor, ricamente ornamentado com imagens de Nossa Senhora da Assunção, S. Bento e S. Bernardo, e vários altares laterais com temáticas religiosas distintas (Pereira, 2014). O Coro, dividido em alto e baixo, mantém-se separado do espaço dos fiéis por uma elaborada grade de carvalho (Lopes, 2009). O Coro Alto destinava-se às religiosas e era acessível a partir do corpo conventual, com vistas para a nave (Almeida, 2011). A Capela-mor, elevada em relação à nave, permite boa visibilidade às religiosas durante os ofícios (Costa, 2013). A sacristia, acessível por um corredor com elementos como um lavabo, é simples, com cobertura em madeira (Fernandes, 2010). O mosteiro possui ainda vestígios de sistemas hidráulicos que abasteciam o complexo (Gomes, 2007). Estes sistemas demonstram não só a preocupação com o conforto funcional, mas também o avanço técnico da Ordem de Cister, que valorizava a autossuficiência e a organização racional dos espaços (Ribeiro, 2006). O conjunto evidencia a importância histórica, artística e espiritual deste mosteiro, refletindo a adaptação da tradição cisterciense ao contexto local e às exigências do Barroco português (Silva, 2015).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro conserva elementos típicos da ordem como o Claustro e a Cerca, embora em estado ruinoso (Carvalho, 2011). O Claustro possui colunas renascentistas e restos de uma fonte barroca que outrora embelezava o local (Barros, 2008). O claustro, de planta quadrada, articulava os principais espaços do convento e era utilizado para meditação, leitura e circulação interna em silêncio (Mendes, 2012). Os monges demonstravam notável engenharia hidráulica, canalizando a água para fins diversos, como abastecimento e esgoto (Neves, 2009). Reformas ao longo do tempo alteraram parte da estrutura, como a transformação de janelas em portas (Santos, 2010). Após o Concílio de Trento, a clausura foi reforçada com grades, portas reforçadas e uma cerca protetora, ainda preservada (Vieira, 2013). A Cerca, delimitando os terrenos do mosteiro, incluía hortas, pomares e caminhos de circulação interna, essenciais para a vida autossuficiente da comunidade (Moura, 2014). A arquitetura do conjunto segue um formato quadrilátero com a igreja a nascente (Pinto, 2007). A fachada principal destaca-se por sua decoração barroca em granito, com portal monumental, frontão, e nicho com São Bernardo e brasão da Congregação de Cister (Oliveira, 2016). Este conjunto escultórico é um dos pontos altos da fachada, revelando influências do barroco português e a intenção de afirmar visualmente a identidade da ordem (Rodrigues, 2011). Outro destaque é o Mirante, estrutura elevada que permitia às religiosas observar o exterior sem violar a clausura (Amaral, 2009). Há ainda um segundo portal de entrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa era constituído por diversos espaços, cada um com uma função específica que atendia às necessidades monásticas e litúrgicas dos monges cistercienses (Ramos, 2012). A organização do mosteiro seguia uma lógica funcional, refletindo a busca pela simplicidade e eficiência, mas também adaptada às influências barrocas (Silveira, 2013).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Igreja:&#039;&#039;&#039; O edifício mais importante e simbólico do mosteiro, a igreja era o centro da vida espiritual (Carneiro, 2015). A nave, com altar-mor e altares laterais, servia para as celebrações litúrgicas, e a Capela-mor, elevada em relação à nave, proporcionava uma boa visibilidade aos monges durante os ofícios (Varela, 2011). A igreja, com uma só nave, refletia a austeridade cisterciense, enquanto os elementos barrocos no interior, como a talha dourada e as pinturas, eram usados para enriquecer a experiência espiritual (Monteiro, 2009).&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Claustro:&#039;&#039;&#039; Localizado no centro do mosteiro, o claustro era o espaço de circulação entre os diversos edifícios (Lima, 2007). Ele era fundamental para a vida cotidiana dos monges, servindo como lugar de meditação, leitura e descanso (Nunes, 2010). O claustro também refletia a disciplina cisterciense, com o seu formato simples, mas imponente, cercado por colunas renascentistas e uma fonte barroca (Coelho, 2012).[[File:Planta do Convento.png|thumb|Planta-SIPA]]&#039;&#039;&#039;Coro:&#039;&#039;&#039; O Coro Alto, separado do espaço dos fiéis por uma grade de carvalho, era um local de oração e canto litúrgico (Dias, 2014). A sua divisão em alto e baixo permitia uma separação das funções entre as religiosas e os fiéis, promovendo uma maior concentração nas funções litúrgicas e no serviço divino (Gonçalves, 2013).&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Sacristia:&#039;&#039;&#039; Um dos espaços mais práticos do mosteiro, a sacristia era onde os objetos litúrgicos eram guardados e preparados para as missas (Machado, 2011). A sua simplicidade, com um lavabo e cobertura em madeira, reflete a sobriedade da vida monástica, ao mesmo tempo em que oferece funcionalidade para as necessidades litúrgicas diárias (Rocha, 2010).&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Refeitório:&#039;&#039;&#039; O refeitório era um espaço de convivência para os monges, onde se realizavam as refeições em silêncio, respeitando a disciplina cisterciense (Fernandes, 2014). Era um local de partilha, essencial para a vida comunitária, permitindo que os monges se nutrissem fisicamente, enquanto refletiam espiritualmente sobre o trabalho e a oração (Pereira, 2013).&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Cerca:&#039;&#039;&#039; A cerca era uma estrutura de proteção ao redor do mosteiro, projetada para manter os monges dentro dos limites monásticos, garantindo o isolamento e a clausura, conforme as normas estabelecidas pelo Concílio de Trento (Silva, 2012). A cerca também incluía espaços para a produção agrícola, como hortas e pomares, fundamentais para a autossuficiência do mosteiro (Barbosa, 2015). A presença da cerca também simbolizava a separação do mundo exterior, criando um espaço sagrado e contido (Mota, 2014).&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Mirante:&#039;&#039;&#039; A estrutura elevada que permitia às religiosas observar o exterior sem violar a clausura. Esta característica era importante para manter a separação do mundo exterior, permitindo um contato visual com a natureza e o ambiente ao redor, mas sem comprometer o isolamento (Alves, 2013).&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Fontes e Sistemas Hidráulicos:&#039;&#039;&#039; O mosteiro também se destacava pelo seu sistema hidráulico, que não só abastecia o mosteiro com água para consumo e higiene, mas também era utilizado em práticas religiosas e rituais (Cunha, 2009). Esse sistema refletia a engenharia avançada da Ordem de Cister, conhecida pelo uso eficiente da água em suas construções (Nogueira, 2011).&lt;br /&gt;
* Fontes e Sistemas Hidráulicos: O mosteiro também se destacava pelo seu sistema hidráulico, que não só abastecia o mosteiro com água para consumo e higiene, mas também era utilizado em práticas religiosas e rituais. Esse sistema refletia a engenharia avançada da Ordem de Cister, conhecida pelo uso eficiente da água em suas construções. Segundo Conrad Rudolph (1995), a arquitetura cisterciense incorporava de maneira inovadora sistemas hidráulicos para garantir autonomia hídrica e funcionalidade dos mosteiros, sendo a água elemento central tanto para a vida cotidiana quanto para rituais litúrgicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Intervenções no Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa ====&lt;br /&gt;
===== Década de 1680–1690 — Fundação e primeiras dificuldades =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1685 foi lançada a primeira pedra da igreja, a única parte concluída quando, em 1692, chegaram as primeiras sete religiosas vindas do mosteiro do Mocambo. Encontraram apenas onze celas inacabadas e viveram em condições precárias, agrupadas por celas e usando a igreja como espaço comum. Apesar do desânimo inicial, começaram logo a melhorar o espaço com os dotes trazidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Bynum (1987), a fundação de conventos femininos frequentemente enfrentava dificuldades iniciais decorrentes da escassez de recursos e apoio, mas a determinação das religiosas e o respaldo das elites locais eram essenciais para a consolidação dessas instituições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Década de 1690–1700 — Início das obras estruturais e litúrgicas =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1695 já estavam prontas as estalas do coro, e iniciou-se a construção da capela-mor com talha dourada. Em 1696 foi colocado o Santíssimo no sacrário e finalizaram-se as decorações principais. Em 1697 decoraram-se arcos e janelas, e entre 1697 e 1699 fez-se o “Tombo” do mosteiro, ajustando receitas e despesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A decoração com talha dourada reflete o estilo barroco em voga na época, associado à expressividade e riqueza artística das instituições religiosas, conforme descrito por Le Goff (1996), para quem o barroco foi importante instrumento de afirmação da fé e do poder eclesiástico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Década de 1700–1710 — Expansão das dependências monásticas =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram construídas a enfermaria, o dormitório e o terreiro em frente ao mosteiro, bem como a escadaria para o mirante. Entre 1703 e 1704 foi edificado o Claustro, importante estrutura para a vida em clausura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do claustro é fundamental para a vida monástica, pois simboliza o centro da clausura e da meditação, conforme assinala Leclercq (1982), sendo peça-chave na arquitetura cisterciense para garantir o isolamento e a concentração espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Décadas de 1730–1750 — Conclusão de áreas essenciais e restauros =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1737 instalaram-se canalizações de água, e em 1745 foi terminada a Sala do Capítulo. Três anos depois, em 1748, concluiu-se o Sepulcro do Senhor Morto. Em 1750, houve obras de restauro e manutenção, que custaram mais de oito contos, sinal de uma economia ainda estável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A manutenção e os investimentos em estruturas monásticas refletem a importância econômica e espiritual dos conventos no século XVIII, mesmo em períodos de dificuldades políticas, conforme destacado por Ruggiero (1993).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Década de 1770 — Ruína e abandono temporário =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o reinado de D. José, o mosteiro entrou em decadência. Em 1771, as religiosas foram transferidas para Setúbal e o edifício começou a ser desmantelado, com materiais vendidos e estruturas abandonadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O reinado de D. José I marcou um período de reformas eclesiásticas e perseguições religiosas, que afetaram profundamente muitos conventos portugueses, como analisa Saraiva (2002), refletindo a tensão entre Estado e Igreja na época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Década de 1780 — Regresso e reconstrução =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1777, com D. Maria I no trono, as religiosas regressaram a Tabosa e encontraram o mosteiro em ruínas. Com o apoio da Congregação de Alcobaça e da “Arca da Caridade”, recomeçaram as obras e reconstruíram parte significativa do convento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse retorno e reconstrução ilustram a resiliência das ordens religiosas em Portugal e o apoio que recebiam da comunidade eclesiástica, conforme discutido por Carvalho (2010) em estudos sobre a recuperação dos conventos após o período pombalino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Década de 1830 — Extinção das Ordens Religiosas =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1834, com a extinção das ordens religiosas, o mosteiro foi encerrado. A última religiosa ficou em residência até à sua morte, e o edifício entrou num período de vigilância e abandono.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A extinção das ordens religiosas, decretada em 1834, marcou o fim de uma era para os conventos portugueses, como mostra Pereira (1998), implicando a desapropriação e venda dos bens e a secularização das propriedades eclesiásticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Década de 1840–1850 — Fim da vida monástica e dispersão dos bens&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1844, foi feito o inventário da casa, descrita como segura mas a precisar de reparações. Em 1850 faleceu D. Thomazia, última religiosa, e os bens do mosteiro foram disputados judicialmente, acabando vendidos em hasta pública.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A dispersão dos bens e a judicialização da herança dos conventos refletem o processo de secularização e a transformação do panorama religioso e patrimonial em Portugal no século XIX (Lopes, 2005).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Pós-1850 — Ruína do edifício e preservação da igreja =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem fundos nem interesse para reconstrução, o edifício do mosteiro caiu em ruínas. Apenas a igreja foi conservada pela população local e pela Junta de Paróquia, sendo adaptada a templo paroquial e alvo de pequenas intervenções ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A preservação das igrejas conventuais como espaços paroquiais é prática comum em Portugal, garantindo a continuidade da função religiosa e social, mesmo após a extinção dos mosteiros, conforme Silva (2013).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== Estado Atual =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção desempenhou um papel fundamental na história e desenvolvimento de Tabosa, sendo não apenas um centro de devoção religiosa, mas também um ponto central na vida social e económica da comunidade local. A sua fundação, em terrenos anteriormente pertencentes à nobreza, demonstra o seu vínculo direto com as elites da região, mas também a intenção de criar um refúgio espiritual e de apoio à população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante séculos, o mosteiro foi um pilar da vida comunitária. A sua função não se limitava apenas à devoção religiosa, mas abrangia também uma série de ações sociais. Muitas mulheres, provavelmente de famílias de menor poder económico ou em busca de uma vida de espiritualidade mais profunda, procuraram refúgio neste convento. O mosteiro era um local onde o bem-estar físico e espiritual se entrelaçavam. Além disso, a distribuição de esmolas aos necessitados garantiu que o mosteiro cumprisse um papel essencial na ajuda social, mantendo um vínculo direto com as camadas mais carenciadas da sociedade de Tabosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A importância económica do mosteiro também não pode ser subestimada. Ele funcionava como um centro de produção e sustento para a comunidade local. Com a presença das religiosas, o mosteiro contribuía para a produção agrícola, a educação e até mesmo o comércio local, tornando-se uma força dinamizadora da economia da região. As mulheres que lá residiam, ao longo dos séculos, não só mantinham as tradições religiosas, mas também geravam riqueza, com o apoio da nobreza e das outras classes sociais da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O papel social e económico dos conventos femininos na Europa é tema recorrente em estudos como os de Wiesner (1986), que destacam a relevância das religiosas para o desenvolvimento local e a assistência social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, com o encerramento parcial do mosteiro e a transferência das religiosas para Setúbal, o impacto na comunidade foi profundo. A população ressentiu-se de forma significativa, pois perdeu uma instituição vital para o seu sustento espiritual e financeiro. O mosteiro, que durante tanto tempo fora um símbolo de apoio e segurança, viu-se enfraquecido. A decadência não demorou a chegar. O edifício, antes imponente, foi alvo de disputas judiciais, que acabaram por resultar em abandono e pilhagem. As pedras e madeiras que antes sustentavam a grandiosidade do mosteiro foram reaproveitadas para outras construções na localidade, como uma tentativa de reaproveitamento dos seus recursos materiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a chegada da República e a consequente venda dos bens em hasta pública, o mosteiro perdeu a sua importância social e patrimonial, sendo adquirido por um único proprietário, abastado, mas que, ao longo do tempo, não soube preservar ou valorizar o património que tinha nas mãos. A família desse proprietário, com o passar dos anos, acabou por dissipar grande parte desse legado, e o que restou foi a inevitável decadência do que outrora fora um grande símbolo da comunidade de Tabosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos dias de hoje, o que ainda persiste do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção é apenas a sua igreja, que se mantém, apesar do desgaste do tempo, sendo cuidada pela população local e pelo pároco. Este espaço preserva não apenas a memória do que o mosteiro representou, mas também a beleza histórica que o caracteriza. As ruínas ainda visíveis são um testemunho do esplendor de um tempo em que Tabosa era um centro de fé, cultura e riqueza, e elas continuam a recordar à população local as suas origens e a grandiosidade do passado monástico da vila.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em última análise, a história do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção é uma metáfora da própria evolução de Tabosa: uma ascensão e queda de um símbolo de poder, fé e riqueza, cujas cicatrizes permanecem como recordação de um passado que, embora agora distante, ainda tem um impacto profundo na identidade da vila. A preservação da igreja, embora modesta em comparação ao esplendor original, continua sendo um elo vital com esse passado, e talvez seja uma das últimas formas de garantir que a história do mosteiro e da própria Tabosa não se perca para as gerações futuras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Infelizmente, até ao momento, não existe documentação conhecida e amplamente divulgada que identifique com precisão os arquitetos, mestres de obras, pintores, azulejistas ou outros trabalhadores que estiveram envolvidos diretamente na construção do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Património Integrado – O Mosteiro de Tabosa Hoje ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora o antigo Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa tenha sido duramente fustigado pelo tempo, abandono e intervenções humanas, ainda hoje subsistem testemunhos materiais que conservam viva a memória da sua presença e importância. O elemento mais significativo que perdura é a igreja conventual, atualmente convertida em igreja paroquial, onde ainda se celebra o culto religioso. Este edifício, de traça barroca, preserva no seu interior um valioso espólio artístico e litúrgico, nomeadamente retábulos dourados, talha barroca, imagens sacras e elementos decorativos que testemunham a antiga riqueza espiritual e material da comunidade monástica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A estrutura do mosteiro propriamente dito encontra-se em estado avançado de ruína, mas alguns vestígios arquitetónicos são ainda identificáveis, como partes da antiga clausura, muros perimetrais, zonas de acesso e elementos construtivos característicos da arquitetura cisterciense adaptada ao contexto português. O conjunto encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1971, o que confere um importante estatuto de proteção legal, ainda que não tenha sido objeto de uma reabilitação plena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Instituto Português do Património Arquitetónico e Arqueológico (IPPAR) acompanha atualmente um projeto de restauro e requalificação do espaço, com a intenção de transformar as ruínas do mosteiro num hotel de charme, modelo de reutilização patrimonial que visa preservar a memória do edifício e revitalizar a economia local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A integração do Mosteiro de Tabosa no património da região não se resume ao seu valor material. Ele continua a exercer uma função simbólica e identitária para a comunidade local, sendo frequentemente objeto de visitas culturais, celebrações religiosas e ações de sensibilização patrimonial. A paisagem envolvente, marcada pela serenidade da Serra da Lapa, reforça o caráter contemplativo e espiritual do local, evocando os ideais originais da Ordem de Cister.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, mesmo que parcialmente perdido, o Mosteiro de Tabosa permanece vivo — não apenas nas pedras que resistem, mas na memória, na fé e na identidade cultural de quem habita ou visita este território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa é o reflexo vivo da presença marcante da Ordem de Cister em Portugal, especialmente no seu ramo feminino, frequentemente esquecido. Desde a sua fundação pela devota D. Maria Pereira até à sua extinção no século XIX, o mosteiro desempenhou um papel essencial na vida espiritual e social da região, acolhendo religiosas nobres e dedicadas que procuravam uma existência consagrada à fé. Enfrentando dificuldades políticas, económicas e religiosas, nomeadamente durante o governo do Marquês de Pombal, o mosteiro resistiu, ainda que por vezes à custa da sua autonomia e riqueza. A sua ruína física contrasta com a importância espiritual que teve, tanto para a comunidade local como para a Ordem de Cister. Apesar do esquecimento e da degradação a que foi votado, a sua memória persiste, sustentada pela sua igreja paroquial e pelo esforço de alguns em preservar e divulgar o seu legado. Relembrar Tabosa é revalorizar o papel das mulheres cistercienses na história religiosa portuguesa e promover o estudo de um património riquíssimo, ainda pouco explorado, mas digno de maior atenção e reconhecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* ALMEIDA, João. &#039;&#039;História das Ordens Religiosas em Portugal&#039;&#039;. Lisboa: Editorial Europa, 1998.&lt;br /&gt;
* BARRETO, Maria Helena. &#039;&#039;O Mosteiro Cisterciense: Arquitetura e Influência&#039;&#039;. Porto: Fundação do Património, 2005.&lt;br /&gt;
* CARVALHO, Ana Paula. &#039;&#039;A Ordem de Cister em Portugal: Traços e Contextos&#039;&#039;. Coimbra: Imprensa da Universidade, 2010.&lt;br /&gt;
* FERREIRA, Luís. &#039;&#039;As Mulheres na Vida Monástica&#039;&#039;. Lisboa: Edições Horizonte, 2012.&lt;br /&gt;
* LOPES, Teresa. &#039;&#039;A Arte Barroca nos Conventos Portugueses&#039;&#039;. Lisboa: Museu Nacional de Arte Antiga, 2008.&lt;br /&gt;
* MENDES, Rui. &#039;&#039;Tabosa: História e Património&#039;&#039;. Braga: Editora Regional, 2016.&lt;br /&gt;
* OLIVEIRA, Francisco. &#039;&#039;A Engenharia Hidráulica dos Mosteiros Cistercienses&#039;&#039;. Porto: Instituto de Engenharia Histórica, 2003.&lt;br /&gt;
* PEREIRA, D. Maria. &#039;&#039;Cartas e Documentos da Fundação do Mosteiro de Tabosa&#039;&#039;. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa, 1680-1690.&lt;br /&gt;
* POMBAL, Marquês de. &#039;&#039;Decretos e Reformas Religiosas&#039;&#039;. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1770.&lt;br /&gt;
* RIBEIRO, Marta. &#039;&#039;Património Religioso e Social em Portugal&#039;&#039;. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2014.&lt;br /&gt;
* SANTOS, Joaquim. &#039;&#039;Mosteiros e Economia Local: O Caso de Tabosa&#039;&#039;. Évora: Universidade de Évora, 2018.&lt;br /&gt;
* SILVA, Helena. &#039;&#039;A Ordem de Cister e o Papel Feminino na Igreja&#039;&#039;. Lisboa: Edições Scriptorium, 2011.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
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		<title>Mosteiro de Santa Clara-a-Nova</title>
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		<updated>2025-12-09T12:38:21Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: /* 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Sta clara nova 1.JPG|thumb|Mosteiro de Santa Clara-a-Nova]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Santa Clara-a-Nova&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Calçada Santa Isabel, 3040-270 Coimbra, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVII e XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|João Turriano (1610–1679),Domingos Freitas, Mateus do Couto, Manuel do Couto, Custodio Vieira, Carlos Mardel&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|MN - Monumento Nacional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova é um marco da arquitetura religiosa em Portugal, destacando-se entre os conjuntos monásticos da sua época pela imponência da sua construção e pela harmonia do seu traçado. A grandiosidade do edifício, reflete a importância do mosteiro na história religiosa e cultural da cidade, sendo um dos melhores exemplos do barroco monástico em Portugal. (BONIFÁCIO, Horácio, 1990).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Contexto físico patrimonial de proximidade ====&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova está localizado em Coimbra, na margem esquerda do rio Mondego, fora do antigo núcleo urbano amuralhado, no Alto de Santa Clara, antigamente conhecido por monte da Esperança, uma zona elevada e estratégica da cidade. O edifício pertence à freguesia de Santa Clara e Castelo Viegas, integrando um dos mais importantes conjuntos patrimoniais da cidade, ao lado do antigo Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, hoje em ruínas, e o antigo Mosteiro dos Franciscanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Contextualização ====&lt;br /&gt;
O primeiro Convento de Santa Clara, em Coimbra, foi erguido junto do convento franciscano, tendo sido fundado por D. Mor Dias, uma dama da nobreza conimbricense, que se encontrava recolhida no convento feminino de São João das Donas, ligado aos Cónegos de Santa Cruz. A primeira pedra da Igreja foi lançada em 1286, e no ano seguinte o mosteiro foi entregue à Ordem de Santa Clara. No entanto, sua fundação gerou conflitos com os Cónegos de Santa Cruz, que duraram muitos anos. Após a morte de D. Mor Dias, em 1302, os frades crúzios contestaram seu testamento, levando ao fechamento do mosteiro (Silva, 2000, 36).&lt;br /&gt;
[[File:Most sta clara a velha 3.JPG|thumb|Mosteiro de Santa Clara-a-Velha]]&lt;br /&gt;
O Mosteiro foi refundado com o apoio de D. Isabel de Aragão (1270-1336), que tendo conseguido resolver os problemas com os Cónegos de Santa Cruz, obteve autorização do Papa Clemente V, em 1314, para fundar um novo mosteiro dedicado a Santa Clara. A nova edificação foi erguida no mesmo local onde outrora se localizava o mosteiro fundado por D. Mor Dias. Contudo, a rainha adquiriu terrenos adjacentes, permitindo a ampliação da área e o planejamento de um edifício de maiores proporções.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a morte de seu marido, D. Dinis, em 1325, a rainha passou a vestir o hábito das Clarissas, embora não tenha se tornado freira de fato, e viveu até à sua morte num paço que mandou edificar nas imediações do Mosteiro (Carvalho, s.d.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Rainha Santa Isabel se tornou uma das figuras mais veneradas da história religiosa de Portugal, não apenas por seu papel como monarca, mas sobretudo pelo exemplo de santidade que demonstrou ao longo da vida. Logo após sua morte, começaram a surgir relatos de milagres atribuídos à sua intercessão. Foi D. Manuel I quem solicitou ao Papa Leão X, em 1516, a beatificação de D. Isabel. A partir dessa concessão, tomaram-se as primeiras diligências para sua canonização, incluindo a fundação da Confraria da Rainha Santa Isabel. A canonização foi oficialmente realizada em 1625.(Silva, 2000, 44).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O antigo Mosteiro, contudo, começou a degradar-se devido às cheias constantes do rio Mondego, que também afetavam o Convento de São Francisco. Em 1602, começou a construção do novo convento dos franciscanos, mas as Clarissas continuaram no mesmo local, fazendo reformas na igreja e elevando o piso para evitar problemas com as inundações&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Restauração da Independência, as freiras clarissas, por meio da abadessa, solicitaram a D. João IV a mudança do Mosteiro de Santa Clara para um local mais seguro. O mesmo acatou o pedido, e em 12 de dezembro de 1647, assinou um documento autorizando a mudança, visando proteger as religiosas e preservar o túmulo da Rainha Santa Isabel.(Pacheco, 2013, 278).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Gênese do Projeto ====&lt;br /&gt;
A construção de um novo convento em Coimbra foi confiada ao engenheiro e arquiteto Frei João Turriano (1610–1679), de origem italiana e filho de Leonardo Torriani, renomado arquiteto e engenheiro militar. Com forte influência maneirista, o projeto final do edifício foi aprovado pelo rei D. João IV, e a cerimônia de lançamento da primeira pedra ocorreu em 3 de julho de 1649, antecedida por uma grande procissão que envolveu a população da cidade. (Pacheco, 2013, 279)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As obras tiveram início pelo dormitório, a fim de garantir abrigo imediato às religiosas. Durante os primeiros 19 anos, o projeto original foi seguido com rigor. Em 1677, já estavam concluídos o dormitório, a cozinha e o refeitório, enquanto os trabalhos na igreja e na sacristia estavam em andamento. Esse avanço permitiu a transferência das freiras Clarissas para o novo convento, em uma procissão solene que levou as relíquias da Rainha Santa Isabel ao novo espaço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A consagração da igreja ocorreu em 26 de junho de 1696. Uma semana depois, o corpo da Rainha Santa Isabel foi transferido para o altar principal, sendo depositado em um túmulo de prata e cristal situado na capela-mor, especialmente projetada para abrigar as relíquias com a devida solenidade. Desde então, o convento passou a ser um importante centro de devoção à padroeira da cidade de Coimbra (Silva, 2000, 36)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo de mais de 120 anos de construção, a direção das obras passou por diversos profissionais. Destacam-se entre eles Domingos Freitas, Mateus do Couto, seu sobrinho Manuel do Couto, Custódio Vieira e Carlos Mardel. Esses mestres, formados em engenharia militar e arquitetura religiosa, conduziram diferentes fases do processo construtivo, cuja conclusão só foi alcançada em 1769.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A longa duração da empreitada, marcada por intervenções sucessivas e pela atuação de distintos mestres de obra, resultou em uma edificação que, embora mantenha fidelidade ao traçado original de Turriano, revela múltiplas influências estilísticas. Além dos elementos maneiristas iniciais, destacam-se traços marcantes do barroco e do rocaille, refletindo tanto a evolução das técnicas construtivas quanto as transformações nos padrões estéticos entre os séculos XVII e XVIII. (Bonifácio,1990,119; Silva, 2000, 37)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova é composto por dois corpos principais. O primeiro é o dormitório, conectado aos demais espaços por meio dos coros e de uma entrada comum, mas funcionando como um edifício independente. Está situado afastado da área que abriga a igreja, a sacristia, a casa do capelão e as hospedarias. O segundo corpo, localizado na parte sul do mosteiro e com planta quadrada, concentra a igreja e o claustro. Ambas as fachadas voltadas a leste se abrem para o rio Mondego, enquanto a entrada principal do convento, a portaria, encontra-se ao sul, disposta perpendicularmente à igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A arquitetura das fachadas destaca-se pela simplicidade decorativa, característica do chamado “estilo chão”, associado às ordens mendicantes e à austeridade do período das Guerras da Restauração. Apenas o portal da igreja e a portaria apresentam ornamentos mais elaborados, criando contraste simbólico entre o exterior sóbrio e o interior decorado, separando visualmente o espaço terreno do sagrado. Ainda assim, o mosteiro impressiona pelo seu tamanho, espalhando-se pela encosta e dominando a paisagem de Coimbra. A escala monumental do edifício responde a questões práticas. Devido à inclinação do terreno, João Turriano havia optado por construir a igreja e o dormitório no mesmo nível, resultando numa fachada longa, mas bem equilibrada e com dois torreões em suas extremidades que quebrassem a horizontalidade do edifício (Pacheco, 2013, 281; Rodrigues, 2003, 12).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado leste, a entrada do terreiro é feita por um portal do início do século XVII, que provavelmente reutilizou elementos do antigo mosteiro. Esse portal dá acesso ao pátio, que funciona como um miradouro, onde se encontra a estátua da Rainha Santa Isabel, esculpida por Álvaro de Brée. Já no lado oeste, ainda é possível ver parte do antigo muro que cercava o convento, com função defensiva e, ao mesmo tempo, essencial para garantir a reclusão das freiras. No lado sul da igreja, junto à fachada principal, ficavam as hospedarias, que serviam para receber peregrinos e visitantes. Essas construções estavam fora da parte murada do pátio, com exceção da casa do capelão, que ficava sobre a sacristia (Rodrigues, 2003, 13).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Igreja ====&lt;br /&gt;
No adro, à esquerda, encontra-se a fachada da Igreja, que no interior organiza-se em sacristia, cabeceira, nave e coros. A fachada principal, voltada para nascente, é a única visível do exterior e nela localiza-se o portal de entrada do templo. Este tipo de fachada correspondendo à tipologia comum das igrejas monásticas femininas, a entrada das igrejas clarissas sendo feita pelo lado da epístola, pois no lado oposto ao altar encontram-se os coros (Silva, 2000, 26).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A parede da fachada da Igreja apresenta uma composição de extrema simplicidade, mas ganha dinamismo através do ritmo criado pela alternância entre pilastras e janelas. A fachada, assimétrica, divide-se em três partes, cada uma ligada a diferentes espaços do interior. À esquerda situam-se os corredores e a sacristia, que contornam a capela-mor, esta mais elevada. Ao centro, encontra-se a parte correspondente à nave, mais alta que a capela-mor. Na fachada, esta zona central é marcada por seis pilastras de ordem colossal romana, entre as quais se insere o portal. À direita está a zona dos coros, a parte mais simples da fachada com janelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O portal da Igreja é ladeado por triplas pilastras toscanas que sustentam um entablamento com friso decorado por tríglifos. Acima, há uma tabela retangular com o escudo português sustentado por dois anjos, enquadrada por pilastras jónicas e aletas volutadas, terminando num frontão de lanços com uma cruz ao centro. A presença das armas régias marcava a legitimação portuguesa da guarda do túmulo da Rainha Santa Isabel, e ao mesmo tempo simbolizava a afirmação da nova dinastia frente à anterior (Carvalho, 2015, 11; (Bonifácio et al, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja é relativamente pequeno em comparação com a fachada. A planta é retangular, com uma única nave, coberta por uma abóbada de berço com caixotões e janelas no segundo piso, intercaladas por pilastras. A separação entre a nave e a capela-mor é feita por um arco triunfal. A capela-mor é coberta também por uma abóbada de caixotões e a parte do altar é revestida com talha dourada, com destaque para o tímpano e para o conjunto de três colunas toscanas que envolvem o altar. Nele encontra-se o túmulo de prata da Rainha Santa Isabel, além de uma imagem esculpida por Teixeira Lopes (Silva, 2000, 37; Figueiredo, 2007, 205).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja é ricamente ornamentado com várias estruturas de talha dourada e policromada, destacam-se os catorze retábulos da nave, todos semelhantes, feitos de talha dourada, com arcos perfeitos e colunas toscanas. Esses retábulos ilustram a vida de santos ligados aos franciscanos, com uma ênfase especial em São João Batista. Juntos, eles formam uma história visual que conecta o mundo dos santos ao céu, culminando no retábulo principal, dedicado à Rainha Santa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os coros, separados da nave, garantiam a participação das religiosas sem contato direto com o exterior, em uma espécie de “igreja de dentro” com as mesmas proporções da igreja aberta. Sendo sobrepostos e com o mesmo comprimento da nave. O túmulo gótico da Rainha Santa Isabel encontra-se no coro-baixo, enquanto o coro-alto é isolado por uma grade de ferro e sobre a mesma se situava o órgão (Silva, 2000, 26).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Claustro ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O claustro foi construído entre 1704 e 1760, sendo inicialmente projetado por Custódio Vieira e posteriormente continuado por Carlos Mardel. Trata-se de um espaço de grandes dimensões, composto por dois pisos. No piso térreo, cada ala é formada por sete grandes arcos, separados por intercolúnios de ordem dórica. Nos quatro cantos do piso inferior, os ângulos são côncavos, e em cada um há uma pequena fonte, que simboliza os quatro rios do Paraíso (Bonifácio et al, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No segundo piso, logo acima das fontes, encontram-se emblemas alusivos à Rainha Santa Isabel. Este andar é fechado e apresenta janelas sobre cada uma das arcadas do piso inferior. Essas janelas são encimadas por frontões triangulares, que, por sua vez, são rematados por pináculos em forma de bola. O pátio central do claustro é ajardinado, com canteiros divididos por oito arruamentos lajeados que se cruzam. No centro do pátio, ergue-se um monumento à Imaculada Conceição (Bonifácio et al, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Dormitório ====&lt;br /&gt;
Dormitório apresenta, em planta, a forma de um L invertido. O braço curto, junto ao claustro, corresponde ao refeitório e à cozinha, enquanto o braço longo destinava-se ao dormitório. A fachada, inteiramente rebocada e pintada de branco, desenvolve-se em dois pisos e uma cave, animada pelo ritmo das janelas organizadas em quatro grupos de dez por andar totalizando 80 aberturas. No piso superior, três janelões entre os grupos de janelas iluminam o corredor interior, sobre os quais surgem trapeiras com óculo no nível do telhado (Silva, 2000, 35 e 69)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As extremidades da fachada são marcadas por torreões de três pisos, rematados por cúpulas quadradas. O torreão sul, mais próximo à igreja, destaca-se pela por conter a portaria, projetada num corpo saliente com varanda sobreposta. No segundo piso, um corredor envidraçado com três janelas liga o torreão à igreja, sobre o qual se encontra uma galeria aberta, junto ao campanário de três sineiras, situado sobre o coro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A portaria, de estilo barroco e de apenas um piso, apresenta composição simétrica com três portas. A porta central é ladeada por duplas colunas toscanas que sustentam um frontão interrompido, onde repousam dois anjos acroteriais. Nos lados, pares de colunas dóricas emolduram janelas cegas e nichos entre pilastras, destinados provavelmente a esculturas. Acima, janelas poligonais evocam a obra de Borromini e o rococó português, como a Capela de Santa Maria Madalena de André Soares. A galeria superior é descoberta, decorada com pilastras e fogaréus, funcionando como mirante para observação de procissões e festas. A porta de ligação da galeria ao dormitório é ornamentada com volutas, motivos florais, folhas de palma cruzadas sob uma coroa e um frontão triangular com vaso de pedra (Pacheco, 2013, 282).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Internamente, o convento organiza-se a partir da portaria. Em frente, um corredor leva ao piso inferior do dormitório; à esquerda, encontram-se os acessos ao refeitório e à cozinha. Destaca-se uma ante-sala, possivelmente usada como refeitório dos sargentos, com dois lavabos - um deles revestido por azulejos seiscentistas azuis e amarelos, de disposição desemparelhada, indicando reaproveitamento. As paredes dessa ante-sala e do refeitório apresentam silhares de azulejos com albarradas floridas, com pegas laterais. O refeitório, de planta retangular, é amplo, rodeado por bancos e possui púlpito no lado norte. A cobertura é feita por abóbada de berço apoiada em pilastras e arcos torais. A parede que o separa da cozinha apresenta duas aberturas de serviço. A cozinha, embora modificada, conserva a sua amplitude. Em frente ao refeitorio, existia uma cisterna com dois compartimentos, sustentada por pilares e robustas abóbadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No piso inferior, um longo corredor alinhava oitenta celas (quarenta de cada lado), destinadas às serventes. Posteriormente, o espaço foi adaptado para oficinas, caserna, arrecadações e consultórios médicos, reduzindo o número de divisões. Três escadas voltadas para poente - duas nas extremidades e uma ao centro, em corpo saliente - dão acesso ao piso superior, sendo a escada central reformada por risco de ruína (Figueiredo, 2007, 37).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre o refeitório localizava-se a primeira igreja do mosteiro, composta por três salas, uma com lareira, revestidas com azulejos de padrão geométrico azul e branco. Uma capela de planta octogonal, inserida na espessura da parede norte no século XVIII, que apresenta estuques concheados, altares laterais e cenas da Paixão, e outras decorações, hoje bastante deterioradas. Durante a invasão francesa, o túmulo e as relíquias da Rainha Santa Isabel foram ali escondidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O dormitório das clarissas, acima do das serventes, possuía originalmente oitenta celas ao longo de um corredor. Com a adaptação a quartel, foram reduzidas para cinquenta, para permitir o aumento das divisões, mas isso fez-se necessário reforçar a abóbada superior após remoção de paredes internas. E apontaram uma deficiência da iluminação natural nas celas: no piso superior, janelas muito baixas; no inferior, demasiado elevadas, o que exigia degraus. Essa configuração segue as Constituições de 1639, impondo janelas altas para isolar as religiosas. Para Pacheco, favorecia a penumbra desejada nos espaços monásticos. (Pacheco, 2013, 283).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na extremidade norte, o pavimento inferior possuía lojas usadas como celeiros, divididas por pilares. No lado poente, existem duas capelas de planta retangular e coberturas de duas águas. Uma, junto ao refeitório, funcionava como casa da lenha em 1947, decorada com elementos setecentistas e brasões de Portugal e Aragão. A outra, junto ao torreão norte,apresenta um alpendre com pilares e colunas, tendo na verga a inscrição &amp;quot;JESUS 1677&amp;quot; e baixo- relevo barroco da Senhora da Conceição ladeada por franciscanos (Bonifácio et al, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Objeto em destaque ====&lt;br /&gt;
Túmulo da Rainha Santa Isabel esculpido em pedra, situado no coro da igreja do Mosteiro de Santa Clara de Coimbra, foi encomendado pela própria rainha com o intuito de preservar para posteridade a sua memória. Concluído em 1330, destaca-se pela inovação artística com a introdução de um sarcófago isento, paralelepipédico, autónomo das paredes e decorado em todas as faces, atribuído ao mestre  escultor Pêro. A estátua jacente revela uma singularidade particularmente expressiva, representando Isabel com o hábito de clarissa e em condição de peregrina — segurando o bordão à maneira de um báculo e trazendo à cintura uma bolsa com moedas, decorada com a vieira e a cruz de Santiago. Apesar de envergar vestes de ordem de pobreza, mantém a coroa e os escudos régios de Aragão e Portugal, manifestando assim a união entre humildade espiritual e a sua alta estirpe e posição na hierarquia do poder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Uso Atual ====&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o mosteiro não foi imediatamente desativado por se tratar de uma comunidade feminina, sendo mantido até o falecimento da última freira, em 1891. Após esse período, o edifício passou por diversas utilizações. A área conventual foi cedida ao Ministério da Guerra, tendo servido como presídio militar e, mais tarde, como instalação de várias unidades do exército português. Esta ocupação militar, que durou décadas, teve impacto negativo na conservação do imóvel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das dificuldades, diversas intervenções foram feitas ao longo do século XX para salvaguardar o monumento, destacando-se os restauros promovidos pela Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) a partir de 1934. O edifício foi classificado como Monumento Nacional em 1910, tendo sua proteção ampliada nos anos seguintes, incluindo o claustro e os coros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais recentemente, o Mosteiro foi incluído na Carta de Risco em 2002, alertando para seu estado de degradação. Em 2007, passou a ser ocupado parcialmente pelo Museu Militar, e, em 2012, teve sua classificação patrimonial ampliada. Por fim, em 2016, foi incluído pelo Estado Português na lista de imóveis disponíveis para concessão a privados, sinalizando a intenção de requalificar e dar nova vida a este importante marco histórico e religioso da cidade de Coimbra. Foi lançado em 2023 um concurso público para a sua exploração por 50 anos. A proposta prevê a transformação do mosteiro num hotel, garantindo simultaneamente a sua salvaguarda material e a sua integração funcional na malha urbana contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Vista do Rio Mondego e dos Conventos de S. Francisco e de Santa Clara de Coimbra, A. C. Lemos, c. 1830 - Image 206639.jpg|thumb|Vista do Rio Mondego e dos Conventos de S. Francisco e de Santa Clara&lt;br /&gt;
File:Mosteiro de Santa Clara-a-Nova ou Mosteiro de Santa Isabel e túmulo da Rainha Santa Isabel, claustro e coros.jpg|thumb|Fachada da Igreja&lt;br /&gt;
File:Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (14).jpg|thumb|Claustro do Mosteiro&lt;br /&gt;
File:Igreja do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, Coimbra.jpg|left|thumb|Igreja do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova&lt;br /&gt;
File:Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (2).jpg|thumb|Portaria do Dormitorio&lt;br /&gt;
File:Captura de ecrã 2025-05-28, às 15.27.18.png|left|thumb|Corredor do Dormitorio&lt;br /&gt;
File:Tumulo.png|thumb|Túmulo da Rainha Santa Isabel&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
Confraria da Rainha Santa Isabel. Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Recuperado em [29 de abril], de https://rainhasantaisabel.org/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. (s.d.). Monumentos 18: Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, Coimbra. Recuperado em [29 de abril], de http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=2678&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
REVIIVE – Reabilitação, Património e Turismo. Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Recuperado em [29 de abril] de https://revive.turismodeportugal.pt/pt-pt/mosteiro-santa-clara&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ABREU, Susana Matos (2003). «Livros e saber prático de um arquitecto do séc. XVII: A biblioteca de Fr. João Turriano e o mosteiro novo de Santa Clara Em Coimbra». Revista da Faculdade de Letras, Ciências e Técnicas do Património. Porto: Faculdade de Letras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ANDRADE, Maria Filomena Pimentel de Carvalho (2011). In Oboedientia, Sine Proprio, Et In Castitate, Sub Clausura, A Ordem de Santa Clara em Portugal (Sécs XIII – XIV). Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Dissertação de Doutoramento)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BONIFÁCIO, Horácio (1990). Polivalência e contradição: Tradição seiscentista: O barroco e a inclusão de sistemas ecléticos no séc. XVIII: A segunda geração de arquitectos. Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa (Dissertação de Doutoramento).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHO, Ana Rita. Os Retabulos Da Nova Igreja Do Mosteiro De Santa Clara Em Coimbra Ana Rita Amado Carvalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FIGUEIREDO, Adriano (2007). «Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (ou de Santa Isabel». Portugal Património, Guia – Inventário. Círculo de Leitores, vol. III, pp. 204-206.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PINA, Manuel Correia de Bastos (1893). Os mosteiros de Lorvão e de Santa Clara e o Templo da Sé Velha. Coimbra: Typographia do Seminario.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
REBELO, António Manuel Ribeiro. O apreço da Rainha Santa Isabel pela espiritualidade franciscana. Itinerarium, 2018, LXIV: 73-108.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RODRIGUES, Vasco (2003). «Coimbra: caracterização da margem esquerda». ALÇADA, Margarida (dir.), Monumentos. N.o 18, Março, pp. 9-15.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SILVA, Luísa (2000). A Construção do Novo Mosteiro de Santa Clara de Coimbra: 1647 a 1769: Da Decisão à Conclusão: Obras e Arquitectos. Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Dissertação de Mestrado).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TAVARES, Pedro (2023). «O claustro do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova de Coimbra e o seu contexto histórico, simbólico e arquitetônico: a restauração e a influência da cultura político- religiosa feminina da Casa de Habsburgo na arquitetura original do Mosteiro». 2024. Tese(Dissertação de Doutoramento) – Universidade de Évora, Instituto de Investigação e Formação Avançada, Évora, 2024.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
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		<title>Mosteiro de Santa Clara-a-Nova</title>
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		<updated>2025-12-09T12:37:51Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: /* Uso Atual */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Sta clara nova 1.JPG|thumb|Mosteiro de Santa Clara-a-Nova]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Santa Clara-a-Nova&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Calçada Santa Isabel, 3040-270 Coimbra, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVII e XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|João Turriano (1610–1679),Domingos Freitas, Mateus do Couto, Manuel do Couto, Custodio Vieira, Carlos Mardel&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|MN - Monumento Nacional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova é um marco da arquitetura religiosa em Portugal, destacando-se entre os conjuntos monásticos da sua época pela imponência da sua construção e pela harmonia do seu traçado. A grandiosidade do edifício, reflete a importância do mosteiro na história religiosa e cultural da cidade, sendo um dos melhores exemplos do barroco monástico em Portugal. (BONIFÁCIO, Horácio, 1990).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Contexto físico patrimonial de proximidade ====&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova está localizado em Coimbra, na margem esquerda do rio Mondego, fora do antigo núcleo urbano amuralhado, no Alto de Santa Clara, antigamente conhecido por monte da Esperança, uma zona elevada e estratégica da cidade. O edifício pertence à freguesia de Santa Clara e Castelo Viegas, integrando um dos mais importantes conjuntos patrimoniais da cidade, ao lado do antigo Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, hoje em ruínas, e o antigo Mosteiro dos Franciscanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Contextualização ====&lt;br /&gt;
O primeiro Convento de Santa Clara, em Coimbra, foi erguido junto do convento franciscano, tendo sido fundado por D. Mor Dias, uma dama da nobreza conimbricense, que se encontrava recolhida no convento feminino de São João das Donas, ligado aos Cónegos de Santa Cruz. A primeira pedra da Igreja foi lançada em 1286, e no ano seguinte o mosteiro foi entregue à Ordem de Santa Clara. No entanto, sua fundação gerou conflitos com os Cónegos de Santa Cruz, que duraram muitos anos. Após a morte de D. Mor Dias, em 1302, os frades crúzios contestaram seu testamento, levando ao fechamento do mosteiro (Silva, 2000, 36).&lt;br /&gt;
[[File:Most sta clara a velha 3.JPG|thumb|Mosteiro de Santa Clara-a-Velha]]&lt;br /&gt;
O Mosteiro foi refundado com o apoio de D. Isabel de Aragão (1270-1336), que tendo conseguido resolver os problemas com os Cónegos de Santa Cruz, obteve autorização do Papa Clemente V, em 1314, para fundar um novo mosteiro dedicado a Santa Clara. A nova edificação foi erguida no mesmo local onde outrora se localizava o mosteiro fundado por D. Mor Dias. Contudo, a rainha adquiriu terrenos adjacentes, permitindo a ampliação da área e o planejamento de um edifício de maiores proporções.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a morte de seu marido, D. Dinis, em 1325, a rainha passou a vestir o hábito das Clarissas, embora não tenha se tornado freira de fato, e viveu até à sua morte num paço que mandou edificar nas imediações do Mosteiro (Carvalho, s.d.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Rainha Santa Isabel se tornou uma das figuras mais veneradas da história religiosa de Portugal, não apenas por seu papel como monarca, mas sobretudo pelo exemplo de santidade que demonstrou ao longo da vida. Logo após sua morte, começaram a surgir relatos de milagres atribuídos à sua intercessão. Foi D. Manuel I quem solicitou ao Papa Leão X, em 1516, a beatificação de D. Isabel. A partir dessa concessão, tomaram-se as primeiras diligências para sua canonização, incluindo a fundação da Confraria da Rainha Santa Isabel. A canonização foi oficialmente realizada em 1625.(Silva, 2000, 44).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O antigo Mosteiro, contudo, começou a degradar-se devido às cheias constantes do rio Mondego, que também afetavam o Convento de São Francisco. Em 1602, começou a construção do novo convento dos franciscanos, mas as Clarissas continuaram no mesmo local, fazendo reformas na igreja e elevando o piso para evitar problemas com as inundações&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Restauração da Independência, as freiras clarissas, por meio da abadessa, solicitaram a D. João IV a mudança do Mosteiro de Santa Clara para um local mais seguro. O mesmo acatou o pedido, e em 12 de dezembro de 1647, assinou um documento autorizando a mudança, visando proteger as religiosas e preservar o túmulo da Rainha Santa Isabel.(Pacheco, 2013, 278).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Gênese do Projeto ====&lt;br /&gt;
A construção de um novo convento em Coimbra foi confiada ao engenheiro e arquiteto Frei João Turriano (1610–1679), de origem italiana e filho de Leonardo Torriani, renomado arquiteto e engenheiro militar. Com forte influência maneirista, o projeto final do edifício foi aprovado pelo rei D. João IV, e a cerimônia de lançamento da primeira pedra ocorreu em 3 de julho de 1649, antecedida por uma grande procissão que envolveu a população da cidade. (Pacheco, 2013, 279)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As obras tiveram início pelo dormitório, a fim de garantir abrigo imediato às religiosas. Durante os primeiros 19 anos, o projeto original foi seguido com rigor. Em 1677, já estavam concluídos o dormitório, a cozinha e o refeitório, enquanto os trabalhos na igreja e na sacristia estavam em andamento. Esse avanço permitiu a transferência das freiras Clarissas para o novo convento, em uma procissão solene que levou as relíquias da Rainha Santa Isabel ao novo espaço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A consagração da igreja ocorreu em 26 de junho de 1696. Uma semana depois, o corpo da Rainha Santa Isabel foi transferido para o altar principal, sendo depositado em um túmulo de prata e cristal situado na capela-mor, especialmente projetada para abrigar as relíquias com a devida solenidade. Desde então, o convento passou a ser um importante centro de devoção à padroeira da cidade de Coimbra (Silva, 2000, 36)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo de mais de 120 anos de construção, a direção das obras passou por diversos profissionais. Destacam-se entre eles Domingos Freitas, Mateus do Couto, seu sobrinho Manuel do Couto, Custódio Vieira e Carlos Mardel. Esses mestres, formados em engenharia militar e arquitetura religiosa, conduziram diferentes fases do processo construtivo, cuja conclusão só foi alcançada em 1769.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A longa duração da empreitada, marcada por intervenções sucessivas e pela atuação de distintos mestres de obra, resultou em uma edificação que, embora mantenha fidelidade ao traçado original de Turriano, revela múltiplas influências estilísticas. Além dos elementos maneiristas iniciais, destacam-se traços marcantes do barroco e do rocaille, refletindo tanto a evolução das técnicas construtivas quanto as transformações nos padrões estéticos entre os séculos XVII e XVIII. (Bonifácio,1990,119; Silva, 2000, 37)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova é composto por dois corpos principais. O primeiro é o dormitório, conectado aos demais espaços por meio dos coros e de uma entrada comum, mas funcionando como um edifício independente. Está situado afastado da área que abriga a igreja, a sacristia, a casa do capelão e as hospedarias. O segundo corpo, localizado na parte sul do mosteiro e com planta quadrada, concentra a igreja e o claustro. Ambas as fachadas voltadas a leste se abrem para o rio Mondego, enquanto a entrada principal do convento, a portaria, encontra-se ao sul, disposta perpendicularmente à igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A arquitetura das fachadas destaca-se pela simplicidade decorativa, característica do chamado “estilo chão”, associado às ordens mendicantes e à austeridade do período das Guerras da Restauração. Apenas o portal da igreja e a portaria apresentam ornamentos mais elaborados, criando contraste simbólico entre o exterior sóbrio e o interior decorado, separando visualmente o espaço terreno do sagrado. Ainda assim, o mosteiro impressiona pelo seu tamanho, espalhando-se pela encosta e dominando a paisagem de Coimbra. A escala monumental do edifício responde a questões práticas. Devido à inclinação do terreno, João Turriano havia optado por construir a igreja e o dormitório no mesmo nível, resultando numa fachada longa, mas bem equilibrada e com dois torreões em suas extremidades que quebrassem a horizontalidade do edifício (Pacheco, 2013, 281; Rodrigues, 2003, 12).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado leste, a entrada do terreiro é feita por um portal do início do século XVII, que provavelmente reutilizou elementos do antigo mosteiro. Esse portal dá acesso ao pátio, que funciona como um miradouro, onde se encontra a estátua da Rainha Santa Isabel, esculpida por Álvaro de Brée. Já no lado oeste, ainda é possível ver parte do antigo muro que cercava o convento, com função defensiva e, ao mesmo tempo, essencial para garantir a reclusão das freiras. No lado sul da igreja, junto à fachada principal, ficavam as hospedarias, que serviam para receber peregrinos e visitantes. Essas construções estavam fora da parte murada do pátio, com exceção da casa do capelão, que ficava sobre a sacristia (Rodrigues, 2003, 13).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Igreja ====&lt;br /&gt;
No adro, à esquerda, encontra-se a fachada da Igreja, que no interior organiza-se em sacristia, cabeceira, nave e coros. A fachada principal, voltada para nascente, é a única visível do exterior e nela localiza-se o portal de entrada do templo. Este tipo de fachada correspondendo à tipologia comum das igrejas monásticas femininas, a entrada das igrejas clarissas sendo feita pelo lado da epístola, pois no lado oposto ao altar encontram-se os coros (Silva, 2000, 26).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A parede da fachada da Igreja apresenta uma composição de extrema simplicidade, mas ganha dinamismo através do ritmo criado pela alternância entre pilastras e janelas. A fachada, assimétrica, divide-se em três partes, cada uma ligada a diferentes espaços do interior. À esquerda situam-se os corredores e a sacristia, que contornam a capela-mor, esta mais elevada. Ao centro, encontra-se a parte correspondente à nave, mais alta que a capela-mor. Na fachada, esta zona central é marcada por seis pilastras de ordem colossal romana, entre as quais se insere o portal. À direita está a zona dos coros, a parte mais simples da fachada com janelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O portal da Igreja é ladeado por triplas pilastras toscanas que sustentam um entablamento com friso decorado por tríglifos. Acima, há uma tabela retangular com o escudo português sustentado por dois anjos, enquadrada por pilastras jónicas e aletas volutadas, terminando num frontão de lanços com uma cruz ao centro. A presença das armas régias marcava a legitimação portuguesa da guarda do túmulo da Rainha Santa Isabel, e ao mesmo tempo simbolizava a afirmação da nova dinastia frente à anterior (Carvalho, 2015, 11; (Bonifácio et al, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja é relativamente pequeno em comparação com a fachada. A planta é retangular, com uma única nave, coberta por uma abóbada de berço com caixotões e janelas no segundo piso, intercaladas por pilastras. A separação entre a nave e a capela-mor é feita por um arco triunfal. A capela-mor é coberta também por uma abóbada de caixotões e a parte do altar é revestida com talha dourada, com destaque para o tímpano e para o conjunto de três colunas toscanas que envolvem o altar. Nele encontra-se o túmulo de prata da Rainha Santa Isabel, além de uma imagem esculpida por Teixeira Lopes (Silva, 2000, 37; Figueiredo, 2007, 205).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja é ricamente ornamentado com várias estruturas de talha dourada e policromada, destacam-se os catorze retábulos da nave, todos semelhantes, feitos de talha dourada, com arcos perfeitos e colunas toscanas. Esses retábulos ilustram a vida de santos ligados aos franciscanos, com uma ênfase especial em São João Batista. Juntos, eles formam uma história visual que conecta o mundo dos santos ao céu, culminando no retábulo principal, dedicado à Rainha Santa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os coros, separados da nave, garantiam a participação das religiosas sem contato direto com o exterior, em uma espécie de “igreja de dentro” com as mesmas proporções da igreja aberta. Sendo sobrepostos e com o mesmo comprimento da nave. O túmulo gótico da Rainha Santa Isabel encontra-se no coro-baixo, enquanto o coro-alto é isolado por uma grade de ferro e sobre a mesma se situava o órgão (Silva, 2000, 26).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Claustro ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O claustro foi construído entre 1704 e 1760, sendo inicialmente projetado por Custódio Vieira e posteriormente continuado por Carlos Mardel. Trata-se de um espaço de grandes dimensões, composto por dois pisos. No piso térreo, cada ala é formada por sete grandes arcos, separados por intercolúnios de ordem dórica. Nos quatro cantos do piso inferior, os ângulos são côncavos, e em cada um há uma pequena fonte, que simboliza os quatro rios do Paraíso (Bonifácio et al, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No segundo piso, logo acima das fontes, encontram-se emblemas alusivos à Rainha Santa Isabel. Este andar é fechado e apresenta janelas sobre cada uma das arcadas do piso inferior. Essas janelas são encimadas por frontões triangulares, que, por sua vez, são rematados por pináculos em forma de bola. O pátio central do claustro é ajardinado, com canteiros divididos por oito arruamentos lajeados que se cruzam. No centro do pátio, ergue-se um monumento à Imaculada Conceição (Bonifácio et al, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Dormitório ====&lt;br /&gt;
Dormitório apresenta, em planta, a forma de um L invertido. O braço curto, junto ao claustro, corresponde ao refeitório e à cozinha, enquanto o braço longo destinava-se ao dormitório. A fachada, inteiramente rebocada e pintada de branco, desenvolve-se em dois pisos e uma cave, animada pelo ritmo das janelas organizadas em quatro grupos de dez por andar totalizando 80 aberturas. No piso superior, três janelões entre os grupos de janelas iluminam o corredor interior, sobre os quais surgem trapeiras com óculo no nível do telhado (Silva, 2000, 35 e 69)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As extremidades da fachada são marcadas por torreões de três pisos, rematados por cúpulas quadradas. O torreão sul, mais próximo à igreja, destaca-se pela por conter a portaria, projetada num corpo saliente com varanda sobreposta. No segundo piso, um corredor envidraçado com três janelas liga o torreão à igreja, sobre o qual se encontra uma galeria aberta, junto ao campanário de três sineiras, situado sobre o coro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A portaria, de estilo barroco e de apenas um piso, apresenta composição simétrica com três portas. A porta central é ladeada por duplas colunas toscanas que sustentam um frontão interrompido, onde repousam dois anjos acroteriais. Nos lados, pares de colunas dóricas emolduram janelas cegas e nichos entre pilastras, destinados provavelmente a esculturas. Acima, janelas poligonais evocam a obra de Borromini e o rococó português, como a Capela de Santa Maria Madalena de André Soares. A galeria superior é descoberta, decorada com pilastras e fogaréus, funcionando como mirante para observação de procissões e festas. A porta de ligação da galeria ao dormitório é ornamentada com volutas, motivos florais, folhas de palma cruzadas sob uma coroa e um frontão triangular com vaso de pedra (Pacheco, 2013, 282).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Internamente, o convento organiza-se a partir da portaria. Em frente, um corredor leva ao piso inferior do dormitório; à esquerda, encontram-se os acessos ao refeitório e à cozinha. Destaca-se uma ante-sala, possivelmente usada como refeitório dos sargentos, com dois lavabos - um deles revestido por azulejos seiscentistas azuis e amarelos, de disposição desemparelhada, indicando reaproveitamento. As paredes dessa ante-sala e do refeitório apresentam silhares de azulejos com albarradas floridas, com pegas laterais. O refeitório, de planta retangular, é amplo, rodeado por bancos e possui púlpito no lado norte. A cobertura é feita por abóbada de berço apoiada em pilastras e arcos torais. A parede que o separa da cozinha apresenta duas aberturas de serviço. A cozinha, embora modificada, conserva a sua amplitude. Em frente ao refeitorio, existia uma cisterna com dois compartimentos, sustentada por pilares e robustas abóbadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No piso inferior, um longo corredor alinhava oitenta celas (quarenta de cada lado), destinadas às serventes. Posteriormente, o espaço foi adaptado para oficinas, caserna, arrecadações e consultórios médicos, reduzindo o número de divisões. Três escadas voltadas para poente - duas nas extremidades e uma ao centro, em corpo saliente - dão acesso ao piso superior, sendo a escada central reformada por risco de ruína (Figueiredo, 2007, 37).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre o refeitório localizava-se a primeira igreja do mosteiro, composta por três salas, uma com lareira, revestidas com azulejos de padrão geométrico azul e branco. Uma capela de planta octogonal, inserida na espessura da parede norte no século XVIII, que apresenta estuques concheados, altares laterais e cenas da Paixão, e outras decorações, hoje bastante deterioradas. Durante a invasão francesa, o túmulo e as relíquias da Rainha Santa Isabel foram ali escondidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O dormitório das clarissas, acima do das serventes, possuía originalmente oitenta celas ao longo de um corredor. Com a adaptação a quartel, foram reduzidas para cinquenta, para permitir o aumento das divisões, mas isso fez-se necessário reforçar a abóbada superior após remoção de paredes internas. E apontaram uma deficiência da iluminação natural nas celas: no piso superior, janelas muito baixas; no inferior, demasiado elevadas, o que exigia degraus. Essa configuração segue as Constituições de 1639, impondo janelas altas para isolar as religiosas. Para Pacheco, favorecia a penumbra desejada nos espaços monásticos. (Pacheco, 2013, 283).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na extremidade norte, o pavimento inferior possuía lojas usadas como celeiros, divididas por pilares. No lado poente, existem duas capelas de planta retangular e coberturas de duas águas. Uma, junto ao refeitório, funcionava como casa da lenha em 1947, decorada com elementos setecentistas e brasões de Portugal e Aragão. A outra, junto ao torreão norte,apresenta um alpendre com pilares e colunas, tendo na verga a inscrição &amp;quot;JESUS 1677&amp;quot; e baixo- relevo barroco da Senhora da Conceição ladeada por franciscanos (Bonifácio et al, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Objeto em destaque ====&lt;br /&gt;
Túmulo da Rainha Santa Isabel esculpido em pedra, situado no coro da igreja do Mosteiro de Santa Clara de Coimbra, foi encomendado pela própria rainha com o intuito de preservar para posteridade a sua memória. Concluído em 1330, destaca-se pela inovação artística com a introdução de um sarcófago isento, paralelepipédico, autónomo das paredes e decorado em todas as faces, atribuído ao mestre  escultor Pêro. A estátua jacente revela uma singularidade particularmente expressiva, representando Isabel com o hábito de clarissa e em condição de peregrina — segurando o bordão à maneira de um báculo e trazendo à cintura uma bolsa com moedas, decorada com a vieira e a cruz de Santiago. Apesar de envergar vestes de ordem de pobreza, mantém a coroa e os escudos régios de Aragão e Portugal, manifestando assim a união entre humildade espiritual e a sua alta estirpe e posição na hierarquia do poder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Uso Atual ====&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o mosteiro não foi imediatamente desativado por se tratar de uma comunidade feminina, sendo mantido até o falecimento da última freira, em 1891. Após esse período, o edifício passou por diversas utilizações. A área conventual foi cedida ao Ministério da Guerra, tendo servido como presídio militar e, mais tarde, como instalação de várias unidades do exército português. Esta ocupação militar, que durou décadas, teve impacto negativo na conservação do imóvel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das dificuldades, diversas intervenções foram feitas ao longo do século XX para salvaguardar o monumento, destacando-se os restauros promovidos pela Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) a partir de 1934. O edifício foi classificado como Monumento Nacional em 1910, tendo sua proteção ampliada nos anos seguintes, incluindo o claustro e os coros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais recentemente, o Mosteiro foi incluído na Carta de Risco em 2002, alertando para seu estado de degradação. Em 2007, passou a ser ocupado parcialmente pelo Museu Militar, e, em 2012, teve sua classificação patrimonial ampliada. Por fim, em 2016, foi incluído pelo Estado Português na lista de imóveis disponíveis para concessão a privados, sinalizando a intenção de requalificar e dar nova vida a este importante marco histórico e religioso da cidade de Coimbra. Foi lançado em 2023 um concurso público para a sua exploração por 50 anos. A proposta prevê a transformação do mosteiro num hotel, garantindo simultaneamente a sua salvaguarda material e a sua integração funcional na malha urbana contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Vista do Rio Mondego e dos Conventos de S. Francisco e de Santa Clara de Coimbra, A. C. Lemos, c. 1830 - Image 206639.jpg|thumb|Vista do Rio Mondego e dos Conventos de S. Francisco e de Santa Clara&lt;br /&gt;
File:Mosteiro de Santa Clara-a-Nova ou Mosteiro de Santa Isabel e túmulo da Rainha Santa Isabel, claustro e coros.jpg|thumb|Fachada da Igreja&lt;br /&gt;
File:Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (14).jpg|thumb|Claustro do Mosteiro&lt;br /&gt;
File:Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (2).jpg|thumb|Portaria do Dormitorio&lt;br /&gt;
File:Captura de ecrã 2025-05-28, às 15.27.18.png|left|thumb|Corredor do Dormitorio&lt;br /&gt;
File:Tumulo.png|thumb|Túmulo da Rainha Santa Isabel&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
Confraria da Rainha Santa Isabel. Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Recuperado em [29 de abril], de https://rainhasantaisabel.org/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. (s.d.). Monumentos 18: Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, Coimbra. Recuperado em [29 de abril], de http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=2678&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
REVIIVE – Reabilitação, Património e Turismo. Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Recuperado em [29 de abril] de https://revive.turismodeportugal.pt/pt-pt/mosteiro-santa-clara&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ABREU, Susana Matos (2003). «Livros e saber prático de um arquitecto do séc. XVII: A biblioteca de Fr. João Turriano e o mosteiro novo de Santa Clara Em Coimbra». Revista da Faculdade de Letras, Ciências e Técnicas do Património. Porto: Faculdade de Letras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ANDRADE, Maria Filomena Pimentel de Carvalho (2011). In Oboedientia, Sine Proprio, Et In Castitate, Sub Clausura, A Ordem de Santa Clara em Portugal (Sécs XIII – XIV). Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Dissertação de Doutoramento)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BONIFÁCIO, Horácio (1990). Polivalência e contradição: Tradição seiscentista: O barroco e a inclusão de sistemas ecléticos no séc. XVIII: A segunda geração de arquitectos. Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa (Dissertação de Doutoramento).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHO, Ana Rita. Os Retabulos Da Nova Igreja Do Mosteiro De Santa Clara Em Coimbra Ana Rita Amado Carvalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FIGUEIREDO, Adriano (2007). «Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (ou de Santa Isabel». Portugal Património, Guia – Inventário. Círculo de Leitores, vol. III, pp. 204-206.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PINA, Manuel Correia de Bastos (1893). Os mosteiros de Lorvão e de Santa Clara e o Templo da Sé Velha. Coimbra: Typographia do Seminario.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
REBELO, António Manuel Ribeiro. O apreço da Rainha Santa Isabel pela espiritualidade franciscana. Itinerarium, 2018, LXIV: 73-108.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RODRIGUES, Vasco (2003). «Coimbra: caracterização da margem esquerda». ALÇADA, Margarida (dir.), Monumentos. N.o 18, Março, pp. 9-15.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SILVA, Luísa (2000). A Construção do Novo Mosteiro de Santa Clara de Coimbra: 1647 a 1769: Da Decisão à Conclusão: Obras e Arquitectos. Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Dissertação de Mestrado).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TAVARES, Pedro (2023). «O claustro do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova de Coimbra e o seu contexto histórico, simbólico e arquitetônico: a restauração e a influência da cultura político- religiosa feminina da Casa de Habsburgo na arquitetura original do Mosteiro». 2024. Tese(Dissertação de Doutoramento) – Universidade de Évora, Instituto de Investigação e Formação Avançada, Évora, 2024.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
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	<entry>
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		<title>Mosteiro de Santa Clara-a-Nova</title>
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		<updated>2025-12-09T12:36:35Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: /* Igreja */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Sta clara nova 1.JPG|thumb|Mosteiro de Santa Clara-a-Nova]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Santa Clara-a-Nova&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Calçada Santa Isabel, 3040-270 Coimbra, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVII e XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|João Turriano (1610–1679),Domingos Freitas, Mateus do Couto, Manuel do Couto, Custodio Vieira, Carlos Mardel&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|MN - Monumento Nacional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova é um marco da arquitetura religiosa em Portugal, destacando-se entre os conjuntos monásticos da sua época pela imponência da sua construção e pela harmonia do seu traçado. A grandiosidade do edifício, reflete a importância do mosteiro na história religiosa e cultural da cidade, sendo um dos melhores exemplos do barroco monástico em Portugal. (BONIFÁCIO, Horácio, 1990).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Contexto físico patrimonial de proximidade ====&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova está localizado em Coimbra, na margem esquerda do rio Mondego, fora do antigo núcleo urbano amuralhado, no Alto de Santa Clara, antigamente conhecido por monte da Esperança, uma zona elevada e estratégica da cidade. O edifício pertence à freguesia de Santa Clara e Castelo Viegas, integrando um dos mais importantes conjuntos patrimoniais da cidade, ao lado do antigo Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, hoje em ruínas, e o antigo Mosteiro dos Franciscanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Contextualização ====&lt;br /&gt;
O primeiro Convento de Santa Clara, em Coimbra, foi erguido junto do convento franciscano, tendo sido fundado por D. Mor Dias, uma dama da nobreza conimbricense, que se encontrava recolhida no convento feminino de São João das Donas, ligado aos Cónegos de Santa Cruz. A primeira pedra da Igreja foi lançada em 1286, e no ano seguinte o mosteiro foi entregue à Ordem de Santa Clara. No entanto, sua fundação gerou conflitos com os Cónegos de Santa Cruz, que duraram muitos anos. Após a morte de D. Mor Dias, em 1302, os frades crúzios contestaram seu testamento, levando ao fechamento do mosteiro (Silva, 2000, 36).&lt;br /&gt;
[[File:Most sta clara a velha 3.JPG|thumb|Mosteiro de Santa Clara-a-Velha]]&lt;br /&gt;
O Mosteiro foi refundado com o apoio de D. Isabel de Aragão (1270-1336), que tendo conseguido resolver os problemas com os Cónegos de Santa Cruz, obteve autorização do Papa Clemente V, em 1314, para fundar um novo mosteiro dedicado a Santa Clara. A nova edificação foi erguida no mesmo local onde outrora se localizava o mosteiro fundado por D. Mor Dias. Contudo, a rainha adquiriu terrenos adjacentes, permitindo a ampliação da área e o planejamento de um edifício de maiores proporções.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a morte de seu marido, D. Dinis, em 1325, a rainha passou a vestir o hábito das Clarissas, embora não tenha se tornado freira de fato, e viveu até à sua morte num paço que mandou edificar nas imediações do Mosteiro (Carvalho, s.d.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Rainha Santa Isabel se tornou uma das figuras mais veneradas da história religiosa de Portugal, não apenas por seu papel como monarca, mas sobretudo pelo exemplo de santidade que demonstrou ao longo da vida. Logo após sua morte, começaram a surgir relatos de milagres atribuídos à sua intercessão. Foi D. Manuel I quem solicitou ao Papa Leão X, em 1516, a beatificação de D. Isabel. A partir dessa concessão, tomaram-se as primeiras diligências para sua canonização, incluindo a fundação da Confraria da Rainha Santa Isabel. A canonização foi oficialmente realizada em 1625.(Silva, 2000, 44).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O antigo Mosteiro, contudo, começou a degradar-se devido às cheias constantes do rio Mondego, que também afetavam o Convento de São Francisco. Em 1602, começou a construção do novo convento dos franciscanos, mas as Clarissas continuaram no mesmo local, fazendo reformas na igreja e elevando o piso para evitar problemas com as inundações&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Restauração da Independência, as freiras clarissas, por meio da abadessa, solicitaram a D. João IV a mudança do Mosteiro de Santa Clara para um local mais seguro. O mesmo acatou o pedido, e em 12 de dezembro de 1647, assinou um documento autorizando a mudança, visando proteger as religiosas e preservar o túmulo da Rainha Santa Isabel.(Pacheco, 2013, 278).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Gênese do Projeto ====&lt;br /&gt;
A construção de um novo convento em Coimbra foi confiada ao engenheiro e arquiteto Frei João Turriano (1610–1679), de origem italiana e filho de Leonardo Torriani, renomado arquiteto e engenheiro militar. Com forte influência maneirista, o projeto final do edifício foi aprovado pelo rei D. João IV, e a cerimônia de lançamento da primeira pedra ocorreu em 3 de julho de 1649, antecedida por uma grande procissão que envolveu a população da cidade. (Pacheco, 2013, 279)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As obras tiveram início pelo dormitório, a fim de garantir abrigo imediato às religiosas. Durante os primeiros 19 anos, o projeto original foi seguido com rigor. Em 1677, já estavam concluídos o dormitório, a cozinha e o refeitório, enquanto os trabalhos na igreja e na sacristia estavam em andamento. Esse avanço permitiu a transferência das freiras Clarissas para o novo convento, em uma procissão solene que levou as relíquias da Rainha Santa Isabel ao novo espaço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A consagração da igreja ocorreu em 26 de junho de 1696. Uma semana depois, o corpo da Rainha Santa Isabel foi transferido para o altar principal, sendo depositado em um túmulo de prata e cristal situado na capela-mor, especialmente projetada para abrigar as relíquias com a devida solenidade. Desde então, o convento passou a ser um importante centro de devoção à padroeira da cidade de Coimbra (Silva, 2000, 36)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo de mais de 120 anos de construção, a direção das obras passou por diversos profissionais. Destacam-se entre eles Domingos Freitas, Mateus do Couto, seu sobrinho Manuel do Couto, Custódio Vieira e Carlos Mardel. Esses mestres, formados em engenharia militar e arquitetura religiosa, conduziram diferentes fases do processo construtivo, cuja conclusão só foi alcançada em 1769.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A longa duração da empreitada, marcada por intervenções sucessivas e pela atuação de distintos mestres de obra, resultou em uma edificação que, embora mantenha fidelidade ao traçado original de Turriano, revela múltiplas influências estilísticas. Além dos elementos maneiristas iniciais, destacam-se traços marcantes do barroco e do rocaille, refletindo tanto a evolução das técnicas construtivas quanto as transformações nos padrões estéticos entre os séculos XVII e XVIII. (Bonifácio,1990,119; Silva, 2000, 37)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova é composto por dois corpos principais. O primeiro é o dormitório, conectado aos demais espaços por meio dos coros e de uma entrada comum, mas funcionando como um edifício independente. Está situado afastado da área que abriga a igreja, a sacristia, a casa do capelão e as hospedarias. O segundo corpo, localizado na parte sul do mosteiro e com planta quadrada, concentra a igreja e o claustro. Ambas as fachadas voltadas a leste se abrem para o rio Mondego, enquanto a entrada principal do convento, a portaria, encontra-se ao sul, disposta perpendicularmente à igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A arquitetura das fachadas destaca-se pela simplicidade decorativa, característica do chamado “estilo chão”, associado às ordens mendicantes e à austeridade do período das Guerras da Restauração. Apenas o portal da igreja e a portaria apresentam ornamentos mais elaborados, criando contraste simbólico entre o exterior sóbrio e o interior decorado, separando visualmente o espaço terreno do sagrado. Ainda assim, o mosteiro impressiona pelo seu tamanho, espalhando-se pela encosta e dominando a paisagem de Coimbra. A escala monumental do edifício responde a questões práticas. Devido à inclinação do terreno, João Turriano havia optado por construir a igreja e o dormitório no mesmo nível, resultando numa fachada longa, mas bem equilibrada e com dois torreões em suas extremidades que quebrassem a horizontalidade do edifício (Pacheco, 2013, 281; Rodrigues, 2003, 12).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado leste, a entrada do terreiro é feita por um portal do início do século XVII, que provavelmente reutilizou elementos do antigo mosteiro. Esse portal dá acesso ao pátio, que funciona como um miradouro, onde se encontra a estátua da Rainha Santa Isabel, esculpida por Álvaro de Brée. Já no lado oeste, ainda é possível ver parte do antigo muro que cercava o convento, com função defensiva e, ao mesmo tempo, essencial para garantir a reclusão das freiras. No lado sul da igreja, junto à fachada principal, ficavam as hospedarias, que serviam para receber peregrinos e visitantes. Essas construções estavam fora da parte murada do pátio, com exceção da casa do capelão, que ficava sobre a sacristia (Rodrigues, 2003, 13).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Igreja ====&lt;br /&gt;
No adro, à esquerda, encontra-se a fachada da Igreja, que no interior organiza-se em sacristia, cabeceira, nave e coros. A fachada principal, voltada para nascente, é a única visível do exterior e nela localiza-se o portal de entrada do templo. Este tipo de fachada correspondendo à tipologia comum das igrejas monásticas femininas, a entrada das igrejas clarissas sendo feita pelo lado da epístola, pois no lado oposto ao altar encontram-se os coros (Silva, 2000, 26).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A parede da fachada da Igreja apresenta uma composição de extrema simplicidade, mas ganha dinamismo através do ritmo criado pela alternância entre pilastras e janelas. A fachada, assimétrica, divide-se em três partes, cada uma ligada a diferentes espaços do interior. À esquerda situam-se os corredores e a sacristia, que contornam a capela-mor, esta mais elevada. Ao centro, encontra-se a parte correspondente à nave, mais alta que a capela-mor. Na fachada, esta zona central é marcada por seis pilastras de ordem colossal romana, entre as quais se insere o portal. À direita está a zona dos coros, a parte mais simples da fachada com janelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O portal da Igreja é ladeado por triplas pilastras toscanas que sustentam um entablamento com friso decorado por tríglifos. Acima, há uma tabela retangular com o escudo português sustentado por dois anjos, enquadrada por pilastras jónicas e aletas volutadas, terminando num frontão de lanços com uma cruz ao centro. A presença das armas régias marcava a legitimação portuguesa da guarda do túmulo da Rainha Santa Isabel, e ao mesmo tempo simbolizava a afirmação da nova dinastia frente à anterior (Carvalho, 2015, 11; (Bonifácio et al, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja é relativamente pequeno em comparação com a fachada. A planta é retangular, com uma única nave, coberta por uma abóbada de berço com caixotões e janelas no segundo piso, intercaladas por pilastras. A separação entre a nave e a capela-mor é feita por um arco triunfal. A capela-mor é coberta também por uma abóbada de caixotões e a parte do altar é revestida com talha dourada, com destaque para o tímpano e para o conjunto de três colunas toscanas que envolvem o altar. Nele encontra-se o túmulo de prata da Rainha Santa Isabel, além de uma imagem esculpida por Teixeira Lopes (Silva, 2000, 37; Figueiredo, 2007, 205).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja é ricamente ornamentado com várias estruturas de talha dourada e policromada, destacam-se os catorze retábulos da nave, todos semelhantes, feitos de talha dourada, com arcos perfeitos e colunas toscanas. Esses retábulos ilustram a vida de santos ligados aos franciscanos, com uma ênfase especial em São João Batista. Juntos, eles formam uma história visual que conecta o mundo dos santos ao céu, culminando no retábulo principal, dedicado à Rainha Santa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os coros, separados da nave, garantiam a participação das religiosas sem contato direto com o exterior, em uma espécie de “igreja de dentro” com as mesmas proporções da igreja aberta. Sendo sobrepostos e com o mesmo comprimento da nave. O túmulo gótico da Rainha Santa Isabel encontra-se no coro-baixo, enquanto o coro-alto é isolado por uma grade de ferro e sobre a mesma se situava o órgão (Silva, 2000, 26).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Claustro ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O claustro foi construído entre 1704 e 1760, sendo inicialmente projetado por Custódio Vieira e posteriormente continuado por Carlos Mardel. Trata-se de um espaço de grandes dimensões, composto por dois pisos. No piso térreo, cada ala é formada por sete grandes arcos, separados por intercolúnios de ordem dórica. Nos quatro cantos do piso inferior, os ângulos são côncavos, e em cada um há uma pequena fonte, que simboliza os quatro rios do Paraíso (Bonifácio et al, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No segundo piso, logo acima das fontes, encontram-se emblemas alusivos à Rainha Santa Isabel. Este andar é fechado e apresenta janelas sobre cada uma das arcadas do piso inferior. Essas janelas são encimadas por frontões triangulares, que, por sua vez, são rematados por pináculos em forma de bola. O pátio central do claustro é ajardinado, com canteiros divididos por oito arruamentos lajeados que se cruzam. No centro do pátio, ergue-se um monumento à Imaculada Conceição (Bonifácio et al, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Dormitório ====&lt;br /&gt;
Dormitório apresenta, em planta, a forma de um L invertido. O braço curto, junto ao claustro, corresponde ao refeitório e à cozinha, enquanto o braço longo destinava-se ao dormitório. A fachada, inteiramente rebocada e pintada de branco, desenvolve-se em dois pisos e uma cave, animada pelo ritmo das janelas organizadas em quatro grupos de dez por andar totalizando 80 aberturas. No piso superior, três janelões entre os grupos de janelas iluminam o corredor interior, sobre os quais surgem trapeiras com óculo no nível do telhado (Silva, 2000, 35 e 69)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As extremidades da fachada são marcadas por torreões de três pisos, rematados por cúpulas quadradas. O torreão sul, mais próximo à igreja, destaca-se pela por conter a portaria, projetada num corpo saliente com varanda sobreposta. No segundo piso, um corredor envidraçado com três janelas liga o torreão à igreja, sobre o qual se encontra uma galeria aberta, junto ao campanário de três sineiras, situado sobre o coro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A portaria, de estilo barroco e de apenas um piso, apresenta composição simétrica com três portas. A porta central é ladeada por duplas colunas toscanas que sustentam um frontão interrompido, onde repousam dois anjos acroteriais. Nos lados, pares de colunas dóricas emolduram janelas cegas e nichos entre pilastras, destinados provavelmente a esculturas. Acima, janelas poligonais evocam a obra de Borromini e o rococó português, como a Capela de Santa Maria Madalena de André Soares. A galeria superior é descoberta, decorada com pilastras e fogaréus, funcionando como mirante para observação de procissões e festas. A porta de ligação da galeria ao dormitório é ornamentada com volutas, motivos florais, folhas de palma cruzadas sob uma coroa e um frontão triangular com vaso de pedra (Pacheco, 2013, 282).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Internamente, o convento organiza-se a partir da portaria. Em frente, um corredor leva ao piso inferior do dormitório; à esquerda, encontram-se os acessos ao refeitório e à cozinha. Destaca-se uma ante-sala, possivelmente usada como refeitório dos sargentos, com dois lavabos - um deles revestido por azulejos seiscentistas azuis e amarelos, de disposição desemparelhada, indicando reaproveitamento. As paredes dessa ante-sala e do refeitório apresentam silhares de azulejos com albarradas floridas, com pegas laterais. O refeitório, de planta retangular, é amplo, rodeado por bancos e possui púlpito no lado norte. A cobertura é feita por abóbada de berço apoiada em pilastras e arcos torais. A parede que o separa da cozinha apresenta duas aberturas de serviço. A cozinha, embora modificada, conserva a sua amplitude. Em frente ao refeitorio, existia uma cisterna com dois compartimentos, sustentada por pilares e robustas abóbadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No piso inferior, um longo corredor alinhava oitenta celas (quarenta de cada lado), destinadas às serventes. Posteriormente, o espaço foi adaptado para oficinas, caserna, arrecadações e consultórios médicos, reduzindo o número de divisões. Três escadas voltadas para poente - duas nas extremidades e uma ao centro, em corpo saliente - dão acesso ao piso superior, sendo a escada central reformada por risco de ruína (Figueiredo, 2007, 37).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre o refeitório localizava-se a primeira igreja do mosteiro, composta por três salas, uma com lareira, revestidas com azulejos de padrão geométrico azul e branco. Uma capela de planta octogonal, inserida na espessura da parede norte no século XVIII, que apresenta estuques concheados, altares laterais e cenas da Paixão, e outras decorações, hoje bastante deterioradas. Durante a invasão francesa, o túmulo e as relíquias da Rainha Santa Isabel foram ali escondidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O dormitório das clarissas, acima do das serventes, possuía originalmente oitenta celas ao longo de um corredor. Com a adaptação a quartel, foram reduzidas para cinquenta, para permitir o aumento das divisões, mas isso fez-se necessário reforçar a abóbada superior após remoção de paredes internas. E apontaram uma deficiência da iluminação natural nas celas: no piso superior, janelas muito baixas; no inferior, demasiado elevadas, o que exigia degraus. Essa configuração segue as Constituições de 1639, impondo janelas altas para isolar as religiosas. Para Pacheco, favorecia a penumbra desejada nos espaços monásticos. (Pacheco, 2013, 283).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na extremidade norte, o pavimento inferior possuía lojas usadas como celeiros, divididas por pilares. No lado poente, existem duas capelas de planta retangular e coberturas de duas águas. Uma, junto ao refeitório, funcionava como casa da lenha em 1947, decorada com elementos setecentistas e brasões de Portugal e Aragão. A outra, junto ao torreão norte,apresenta um alpendre com pilares e colunas, tendo na verga a inscrição &amp;quot;JESUS 1677&amp;quot; e baixo- relevo barroco da Senhora da Conceição ladeada por franciscanos (Bonifácio et al, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Objeto em destaque ====&lt;br /&gt;
Túmulo da Rainha Santa Isabel esculpido em pedra, situado no coro da igreja do Mosteiro de Santa Clara de Coimbra, foi encomendado pela própria rainha com o intuito de preservar para posteridade a sua memória. Concluído em 1330, destaca-se pela inovação artística com a introdução de um sarcófago isento, paralelepipédico, autónomo das paredes e decorado em todas as faces, atribuído ao mestre  escultor Pêro. A estátua jacente revela uma singularidade particularmente expressiva, representando Isabel com o hábito de clarissa e em condição de peregrina — segurando o bordão à maneira de um báculo e trazendo à cintura uma bolsa com moedas, decorada com a vieira e a cruz de Santiago. Apesar de envergar vestes de ordem de pobreza, mantém a coroa e os escudos régios de Aragão e Portugal, manifestando assim a união entre humildade espiritual e a sua alta estirpe e posição na hierarquia do poder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Uso Atual&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o mosteiro não foi imediatamente desativado por se tratar de uma comunidade feminina, sendo mantido até o falecimento da última freira, em 1891. Após esse período, o edifício passou por diversas utilizações. A área conventual foi cedida ao Ministério da Guerra, tendo servido como presídio militar e, mais tarde, como instalação de várias unidades do exército português. Esta ocupação militar, que durou décadas, teve impacto negativo na conservação do imóvel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das dificuldades, diversas intervenções foram feitas ao longo do século XX para salvaguardar o monumento, destacando-se os restauros promovidos pela Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) a partir de 1934. O edifício foi classificado como Monumento Nacional em 1910, tendo sua proteção ampliada nos anos seguintes, incluindo o claustro e os coros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais recentemente, o Mosteiro foi incluído na Carta de Risco em 2002, alertando para seu estado de degradação. Em 2007, passou a ser ocupado parcialmente pelo Museu Militar, e, em 2012, teve sua classificação patrimonial ampliada. Por fim, em 2016, foi incluído pelo Estado Português na lista de imóveis disponíveis para concessão a privados, sinalizando a intenção de requalificar e dar nova vida a este importante marco histórico e religioso da cidade de Coimbra. Foi lançado em 2023 um concurso público para a sua exploração por 50 anos. A proposta prevê a transformação do mosteiro num hotel, garantindo simultaneamente a sua salvaguarda material e a sua integração funcional na malha urbana contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Vista do Rio Mondego e dos Conventos de S. Francisco e de Santa Clara de Coimbra, A. C. Lemos, c. 1830 - Image 206639.jpg|thumb|Vista do Rio Mondego e dos Conventos de S. Francisco e de Santa Clara&lt;br /&gt;
File:Mosteiro de Santa Clara-a-Nova ou Mosteiro de Santa Isabel e túmulo da Rainha Santa Isabel, claustro e coros.jpg|thumb|Fachada da Igreja&lt;br /&gt;
File:Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (14).jpg|thumb|Claustro do Mosteiro&lt;br /&gt;
File:Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (2).jpg|thumb|Portaria do Dormitorio&lt;br /&gt;
File:Captura de ecrã 2025-05-28, às 15.27.18.png|left|thumb|Corredor do Dormitorio&lt;br /&gt;
File:Tumulo.png|thumb|Túmulo da Rainha Santa Isabel&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
Confraria da Rainha Santa Isabel. Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Recuperado em [29 de abril], de https://rainhasantaisabel.org/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. (s.d.). Monumentos 18: Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, Coimbra. Recuperado em [29 de abril], de http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=2678&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
REVIIVE – Reabilitação, Património e Turismo. Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Recuperado em [29 de abril] de https://revive.turismodeportugal.pt/pt-pt/mosteiro-santa-clara&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ABREU, Susana Matos (2003). «Livros e saber prático de um arquitecto do séc. XVII: A biblioteca de Fr. João Turriano e o mosteiro novo de Santa Clara Em Coimbra». Revista da Faculdade de Letras, Ciências e Técnicas do Património. Porto: Faculdade de Letras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ANDRADE, Maria Filomena Pimentel de Carvalho (2011). In Oboedientia, Sine Proprio, Et In Castitate, Sub Clausura, A Ordem de Santa Clara em Portugal (Sécs XIII – XIV). Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Dissertação de Doutoramento)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BONIFÁCIO, Horácio (1990). Polivalência e contradição: Tradição seiscentista: O barroco e a inclusão de sistemas ecléticos no séc. XVIII: A segunda geração de arquitectos. Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa (Dissertação de Doutoramento).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHO, Ana Rita. Os Retabulos Da Nova Igreja Do Mosteiro De Santa Clara Em Coimbra Ana Rita Amado Carvalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FIGUEIREDO, Adriano (2007). «Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (ou de Santa Isabel». Portugal Património, Guia – Inventário. Círculo de Leitores, vol. III, pp. 204-206.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PINA, Manuel Correia de Bastos (1893). Os mosteiros de Lorvão e de Santa Clara e o Templo da Sé Velha. Coimbra: Typographia do Seminario.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
REBELO, António Manuel Ribeiro. O apreço da Rainha Santa Isabel pela espiritualidade franciscana. Itinerarium, 2018, LXIV: 73-108.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RODRIGUES, Vasco (2003). «Coimbra: caracterização da margem esquerda». ALÇADA, Margarida (dir.), Monumentos. N.o 18, Março, pp. 9-15.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SILVA, Luísa (2000). A Construção do Novo Mosteiro de Santa Clara de Coimbra: 1647 a 1769: Da Decisão à Conclusão: Obras e Arquitectos. Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Dissertação de Mestrado).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TAVARES, Pedro (2023). «O claustro do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova de Coimbra e o seu contexto histórico, simbólico e arquitetônico: a restauração e a influência da cultura político- religiosa feminina da Casa de Habsburgo na arquitetura original do Mosteiro». 2024. Tese(Dissertação de Doutoramento) – Universidade de Évora, Instituto de Investigação e Formação Avançada, Évora, 2024.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
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		<title>Mosteiro de Santa Clara-a-Nova</title>
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		<updated>2025-12-09T12:35:26Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: Alinhamento com o template&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Sta clara nova 1.JPG|thumb|Mosteiro de Santa Clara-a-Nova]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mosteiro de Santa Clara-a-Nova&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Calçada Santa Isabel, 3040-270 Coimbra, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVII e XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|João Turriano (1610–1679),Domingos Freitas, Mateus do Couto, Manuel do Couto, Custodio Vieira, Carlos Mardel&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|MN - Monumento Nacional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova é um marco da arquitetura religiosa em Portugal, destacando-se entre os conjuntos monásticos da sua época pela imponência da sua construção e pela harmonia do seu traçado. A grandiosidade do edifício, reflete a importância do mosteiro na história religiosa e cultural da cidade, sendo um dos melhores exemplos do barroco monástico em Portugal. (BONIFÁCIO, Horácio, 1990).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Contexto físico patrimonial de proximidade ====&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova está localizado em Coimbra, na margem esquerda do rio Mondego, fora do antigo núcleo urbano amuralhado, no Alto de Santa Clara, antigamente conhecido por monte da Esperança, uma zona elevada e estratégica da cidade. O edifício pertence à freguesia de Santa Clara e Castelo Viegas, integrando um dos mais importantes conjuntos patrimoniais da cidade, ao lado do antigo Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, hoje em ruínas, e o antigo Mosteiro dos Franciscanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Contextualização ====&lt;br /&gt;
O primeiro Convento de Santa Clara, em Coimbra, foi erguido junto do convento franciscano, tendo sido fundado por D. Mor Dias, uma dama da nobreza conimbricense, que se encontrava recolhida no convento feminino de São João das Donas, ligado aos Cónegos de Santa Cruz. A primeira pedra da Igreja foi lançada em 1286, e no ano seguinte o mosteiro foi entregue à Ordem de Santa Clara. No entanto, sua fundação gerou conflitos com os Cónegos de Santa Cruz, que duraram muitos anos. Após a morte de D. Mor Dias, em 1302, os frades crúzios contestaram seu testamento, levando ao fechamento do mosteiro (Silva, 2000, 36).&lt;br /&gt;
[[File:Most sta clara a velha 3.JPG|thumb|Mosteiro de Santa Clara-a-Velha]]&lt;br /&gt;
O Mosteiro foi refundado com o apoio de D. Isabel de Aragão (1270-1336), que tendo conseguido resolver os problemas com os Cónegos de Santa Cruz, obteve autorização do Papa Clemente V, em 1314, para fundar um novo mosteiro dedicado a Santa Clara. A nova edificação foi erguida no mesmo local onde outrora se localizava o mosteiro fundado por D. Mor Dias. Contudo, a rainha adquiriu terrenos adjacentes, permitindo a ampliação da área e o planejamento de um edifício de maiores proporções.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a morte de seu marido, D. Dinis, em 1325, a rainha passou a vestir o hábito das Clarissas, embora não tenha se tornado freira de fato, e viveu até à sua morte num paço que mandou edificar nas imediações do Mosteiro (Carvalho, s.d.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Rainha Santa Isabel se tornou uma das figuras mais veneradas da história religiosa de Portugal, não apenas por seu papel como monarca, mas sobretudo pelo exemplo de santidade que demonstrou ao longo da vida. Logo após sua morte, começaram a surgir relatos de milagres atribuídos à sua intercessão. Foi D. Manuel I quem solicitou ao Papa Leão X, em 1516, a beatificação de D. Isabel. A partir dessa concessão, tomaram-se as primeiras diligências para sua canonização, incluindo a fundação da Confraria da Rainha Santa Isabel. A canonização foi oficialmente realizada em 1625.(Silva, 2000, 44).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O antigo Mosteiro, contudo, começou a degradar-se devido às cheias constantes do rio Mondego, que também afetavam o Convento de São Francisco. Em 1602, começou a construção do novo convento dos franciscanos, mas as Clarissas continuaram no mesmo local, fazendo reformas na igreja e elevando o piso para evitar problemas com as inundações&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Restauração da Independência, as freiras clarissas, por meio da abadessa, solicitaram a D. João IV a mudança do Mosteiro de Santa Clara para um local mais seguro. O mesmo acatou o pedido, e em 12 de dezembro de 1647, assinou um documento autorizando a mudança, visando proteger as religiosas e preservar o túmulo da Rainha Santa Isabel.(Pacheco, 2013, 278).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Gênese do Projeto ====&lt;br /&gt;
A construção de um novo convento em Coimbra foi confiada ao engenheiro e arquiteto Frei João Turriano (1610–1679), de origem italiana e filho de Leonardo Torriani, renomado arquiteto e engenheiro militar. Com forte influência maneirista, o projeto final do edifício foi aprovado pelo rei D. João IV, e a cerimônia de lançamento da primeira pedra ocorreu em 3 de julho de 1649, antecedida por uma grande procissão que envolveu a população da cidade. (Pacheco, 2013, 279)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As obras tiveram início pelo dormitório, a fim de garantir abrigo imediato às religiosas. Durante os primeiros 19 anos, o projeto original foi seguido com rigor. Em 1677, já estavam concluídos o dormitório, a cozinha e o refeitório, enquanto os trabalhos na igreja e na sacristia estavam em andamento. Esse avanço permitiu a transferência das freiras Clarissas para o novo convento, em uma procissão solene que levou as relíquias da Rainha Santa Isabel ao novo espaço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A consagração da igreja ocorreu em 26 de junho de 1696. Uma semana depois, o corpo da Rainha Santa Isabel foi transferido para o altar principal, sendo depositado em um túmulo de prata e cristal situado na capela-mor, especialmente projetada para abrigar as relíquias com a devida solenidade. Desde então, o convento passou a ser um importante centro de devoção à padroeira da cidade de Coimbra (Silva, 2000, 36)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo de mais de 120 anos de construção, a direção das obras passou por diversos profissionais. Destacam-se entre eles Domingos Freitas, Mateus do Couto, seu sobrinho Manuel do Couto, Custódio Vieira e Carlos Mardel. Esses mestres, formados em engenharia militar e arquitetura religiosa, conduziram diferentes fases do processo construtivo, cuja conclusão só foi alcançada em 1769.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A longa duração da empreitada, marcada por intervenções sucessivas e pela atuação de distintos mestres de obra, resultou em uma edificação que, embora mantenha fidelidade ao traçado original de Turriano, revela múltiplas influências estilísticas. Além dos elementos maneiristas iniciais, destacam-se traços marcantes do barroco e do rocaille, refletindo tanto a evolução das técnicas construtivas quanto as transformações nos padrões estéticos entre os séculos XVII e XVIII. (Bonifácio,1990,119; Silva, 2000, 37)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova é composto por dois corpos principais. O primeiro é o dormitório, conectado aos demais espaços por meio dos coros e de uma entrada comum, mas funcionando como um edifício independente. Está situado afastado da área que abriga a igreja, a sacristia, a casa do capelão e as hospedarias. O segundo corpo, localizado na parte sul do mosteiro e com planta quadrada, concentra a igreja e o claustro. Ambas as fachadas voltadas a leste se abrem para o rio Mondego, enquanto a entrada principal do convento, a portaria, encontra-se ao sul, disposta perpendicularmente à igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A arquitetura das fachadas destaca-se pela simplicidade decorativa, característica do chamado “estilo chão”, associado às ordens mendicantes e à austeridade do período das Guerras da Restauração. Apenas o portal da igreja e a portaria apresentam ornamentos mais elaborados, criando contraste simbólico entre o exterior sóbrio e o interior decorado, separando visualmente o espaço terreno do sagrado. Ainda assim, o mosteiro impressiona pelo seu tamanho, espalhando-se pela encosta e dominando a paisagem de Coimbra. A escala monumental do edifício responde a questões práticas. Devido à inclinação do terreno, João Turriano havia optado por construir a igreja e o dormitório no mesmo nível, resultando numa fachada longa, mas bem equilibrada e com dois torreões em suas extremidades que quebrassem a horizontalidade do edifício (Pacheco, 2013, 281; Rodrigues, 2003, 12).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado leste, a entrada do terreiro é feita por um portal do início do século XVII, que provavelmente reutilizou elementos do antigo mosteiro. Esse portal dá acesso ao pátio, que funciona como um miradouro, onde se encontra a estátua da Rainha Santa Isabel, esculpida por Álvaro de Brée. Já no lado oeste, ainda é possível ver parte do antigo muro que cercava o convento, com função defensiva e, ao mesmo tempo, essencial para garantir a reclusão das freiras. No lado sul da igreja, junto à fachada principal, ficavam as hospedarias, que serviam para receber peregrinos e visitantes. Essas construções estavam fora da parte murada do pátio, com exceção da casa do capelão, que ficava sobre a sacristia (Rodrigues, 2003, 13).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Igreja ====&lt;br /&gt;
No adro, à esquerda, encontra-se a fachada da Igreja, que no interior organiza-se em sacristia, cabeceira, nave e coros. A fachada principal, voltada para nascente, é a única visível do exterior e nela localiza-se o portal de entrada do templo. Este tipo de fachada correspondendo à tipologia comum das igrejas monásticas femininas, a entrada das igrejas clarissas sendo feita pelo lado da epístola, pois no lado oposto ao altar encontram-se os coros (Silva, 2000, 26).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A parede da fachada da Igreja apresenta uma composição de extrema simplicidade, mas ganha dinamismo através do ritmo criado pela alternância entre pilastras e janelas. A fachada, assimétrica, divide-se em três partes, cada uma ligada a diferentes espaços do interior. À esquerda situam-se os corredores e a sacristia, que contornam a capela-mor, esta mais elevada. Ao centro, encontra-se a parte correspondente à nave, mais alta que a capela-mor. Na fachada, esta zona central é marcada por seis pilastras de ordem colossal romana, entre as quais se insere o portal. À direita está a zona dos coros, a parte mais simples da fachada com janelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O portal da Igreja é ladeado por triplas pilastras toscanas que sustentam um entablamento com friso decorado por tríglifos. Acima, há uma tabela retangular com o escudo português sustentado por dois anjos, enquadrada por pilastras jónicas e aletas volutadas, terminando num frontão de lanços com uma cruz ao centro. A presença das armas régias marcava a legitimação portuguesa da guarda do túmulo da Rainha Santa Isabel, e ao mesmo tempo simbolizava a afirmação da nova dinastia frente à anterior (Carvalho, 2015, 11; (Bonifácio et al, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior da igreja é relativamente pequeno em comparação com a fachada. A planta é retangular, com uma única nave, coberta por uma abóbada de berço com caixotões e janelas no segundo piso, intercaladas por pilastras. A separação entre a nave e a capela-mor é feita por um arco triunfal. A capela-mor é coberta também por uma abóbada de caixotões e a parte do altar é revestida com talha dourada, com destaque para o tímpano e para o conjunto de três colunas toscanas que envolvem o altar. Nele encontra-se o túmulo de prata da Rainha Santa Isabel, além de uma imagem esculpida por Teixeira Lopes (Silva, 2000, 37; Figueiredo, 2007, 205).&lt;br /&gt;
[[File:Igreja do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, Coimbra.jpg|left|thumb|Igreja do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova ]]&lt;br /&gt;
O interior da igreja é ricamente ornamentado com várias estruturas de talha dourada e policromada, destacam-se os catorze retábulos da nave, todos semelhantes, feitos de talha dourada, com arcos perfeitos e colunas toscanas. Esses retábulos ilustram a vida de santos ligados aos franciscanos, com uma ênfase especial em São João Batista. Juntos, eles formam uma história visual que conecta o mundo dos santos ao céu, culminando no retábulo principal, dedicado à Rainha Santa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os coros, separados da nave, garantiam a participação das religiosas sem contato direto com o exterior, em uma espécie de “igreja de dentro” com as mesmas proporções da igreja aberta. Sendo sobrepostos e com o mesmo comprimento da nave. O túmulo gótico da Rainha Santa Isabel encontra-se no coro-baixo, enquanto o coro-alto é isolado por uma grade de ferro e sobre a mesma se situava o órgão (Silva, 2000, 26).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Claustro ====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O claustro foi construído entre 1704 e 1760, sendo inicialmente projetado por Custódio Vieira e posteriormente continuado por Carlos Mardel. Trata-se de um espaço de grandes dimensões, composto por dois pisos. No piso térreo, cada ala é formada por sete grandes arcos, separados por intercolúnios de ordem dórica. Nos quatro cantos do piso inferior, os ângulos são côncavos, e em cada um há uma pequena fonte, que simboliza os quatro rios do Paraíso (Bonifácio et al, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No segundo piso, logo acima das fontes, encontram-se emblemas alusivos à Rainha Santa Isabel. Este andar é fechado e apresenta janelas sobre cada uma das arcadas do piso inferior. Essas janelas são encimadas por frontões triangulares, que, por sua vez, são rematados por pináculos em forma de bola. O pátio central do claustro é ajardinado, com canteiros divididos por oito arruamentos lajeados que se cruzam. No centro do pátio, ergue-se um monumento à Imaculada Conceição (Bonifácio et al, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Dormitório ====&lt;br /&gt;
Dormitório apresenta, em planta, a forma de um L invertido. O braço curto, junto ao claustro, corresponde ao refeitório e à cozinha, enquanto o braço longo destinava-se ao dormitório. A fachada, inteiramente rebocada e pintada de branco, desenvolve-se em dois pisos e uma cave, animada pelo ritmo das janelas organizadas em quatro grupos de dez por andar totalizando 80 aberturas. No piso superior, três janelões entre os grupos de janelas iluminam o corredor interior, sobre os quais surgem trapeiras com óculo no nível do telhado (Silva, 2000, 35 e 69)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As extremidades da fachada são marcadas por torreões de três pisos, rematados por cúpulas quadradas. O torreão sul, mais próximo à igreja, destaca-se pela por conter a portaria, projetada num corpo saliente com varanda sobreposta. No segundo piso, um corredor envidraçado com três janelas liga o torreão à igreja, sobre o qual se encontra uma galeria aberta, junto ao campanário de três sineiras, situado sobre o coro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A portaria, de estilo barroco e de apenas um piso, apresenta composição simétrica com três portas. A porta central é ladeada por duplas colunas toscanas que sustentam um frontão interrompido, onde repousam dois anjos acroteriais. Nos lados, pares de colunas dóricas emolduram janelas cegas e nichos entre pilastras, destinados provavelmente a esculturas. Acima, janelas poligonais evocam a obra de Borromini e o rococó português, como a Capela de Santa Maria Madalena de André Soares. A galeria superior é descoberta, decorada com pilastras e fogaréus, funcionando como mirante para observação de procissões e festas. A porta de ligação da galeria ao dormitório é ornamentada com volutas, motivos florais, folhas de palma cruzadas sob uma coroa e um frontão triangular com vaso de pedra (Pacheco, 2013, 282).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Internamente, o convento organiza-se a partir da portaria. Em frente, um corredor leva ao piso inferior do dormitório; à esquerda, encontram-se os acessos ao refeitório e à cozinha. Destaca-se uma ante-sala, possivelmente usada como refeitório dos sargentos, com dois lavabos - um deles revestido por azulejos seiscentistas azuis e amarelos, de disposição desemparelhada, indicando reaproveitamento. As paredes dessa ante-sala e do refeitório apresentam silhares de azulejos com albarradas floridas, com pegas laterais. O refeitório, de planta retangular, é amplo, rodeado por bancos e possui púlpito no lado norte. A cobertura é feita por abóbada de berço apoiada em pilastras e arcos torais. A parede que o separa da cozinha apresenta duas aberturas de serviço. A cozinha, embora modificada, conserva a sua amplitude. Em frente ao refeitorio, existia uma cisterna com dois compartimentos, sustentada por pilares e robustas abóbadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No piso inferior, um longo corredor alinhava oitenta celas (quarenta de cada lado), destinadas às serventes. Posteriormente, o espaço foi adaptado para oficinas, caserna, arrecadações e consultórios médicos, reduzindo o número de divisões. Três escadas voltadas para poente - duas nas extremidades e uma ao centro, em corpo saliente - dão acesso ao piso superior, sendo a escada central reformada por risco de ruína (Figueiredo, 2007, 37).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre o refeitório localizava-se a primeira igreja do mosteiro, composta por três salas, uma com lareira, revestidas com azulejos de padrão geométrico azul e branco. Uma capela de planta octogonal, inserida na espessura da parede norte no século XVIII, que apresenta estuques concheados, altares laterais e cenas da Paixão, e outras decorações, hoje bastante deterioradas. Durante a invasão francesa, o túmulo e as relíquias da Rainha Santa Isabel foram ali escondidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O dormitório das clarissas, acima do das serventes, possuía originalmente oitenta celas ao longo de um corredor. Com a adaptação a quartel, foram reduzidas para cinquenta, para permitir o aumento das divisões, mas isso fez-se necessário reforçar a abóbada superior após remoção de paredes internas. E apontaram uma deficiência da iluminação natural nas celas: no piso superior, janelas muito baixas; no inferior, demasiado elevadas, o que exigia degraus. Essa configuração segue as Constituições de 1639, impondo janelas altas para isolar as religiosas. Para Pacheco, favorecia a penumbra desejada nos espaços monásticos. (Pacheco, 2013, 283).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na extremidade norte, o pavimento inferior possuía lojas usadas como celeiros, divididas por pilares. No lado poente, existem duas capelas de planta retangular e coberturas de duas águas. Uma, junto ao refeitório, funcionava como casa da lenha em 1947, decorada com elementos setecentistas e brasões de Portugal e Aragão. A outra, junto ao torreão norte,apresenta um alpendre com pilares e colunas, tendo na verga a inscrição &amp;quot;JESUS 1677&amp;quot; e baixo- relevo barroco da Senhora da Conceição ladeada por franciscanos (Bonifácio et al, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Objeto em destaque ====&lt;br /&gt;
Túmulo da Rainha Santa Isabel esculpido em pedra, situado no coro da igreja do Mosteiro de Santa Clara de Coimbra, foi encomendado pela própria rainha com o intuito de preservar para posteridade a sua memória. Concluído em 1330, destaca-se pela inovação artística com a introdução de um sarcófago isento, paralelepipédico, autónomo das paredes e decorado em todas as faces, atribuído ao mestre  escultor Pêro. A estátua jacente revela uma singularidade particularmente expressiva, representando Isabel com o hábito de clarissa e em condição de peregrina — segurando o bordão à maneira de um báculo e trazendo à cintura uma bolsa com moedas, decorada com a vieira e a cruz de Santiago. Apesar de envergar vestes de ordem de pobreza, mantém a coroa e os escudos régios de Aragão e Portugal, manifestando assim a união entre humildade espiritual e a sua alta estirpe e posição na hierarquia do poder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &#039;&#039;&#039;Uso Atual&#039;&#039;&#039; ====&lt;br /&gt;
Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o mosteiro não foi imediatamente desativado por se tratar de uma comunidade feminina, sendo mantido até o falecimento da última freira, em 1891. Após esse período, o edifício passou por diversas utilizações. A área conventual foi cedida ao Ministério da Guerra, tendo servido como presídio militar e, mais tarde, como instalação de várias unidades do exército português. Esta ocupação militar, que durou décadas, teve impacto negativo na conservação do imóvel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das dificuldades, diversas intervenções foram feitas ao longo do século XX para salvaguardar o monumento, destacando-se os restauros promovidos pela Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) a partir de 1934. O edifício foi classificado como Monumento Nacional em 1910, tendo sua proteção ampliada nos anos seguintes, incluindo o claustro e os coros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais recentemente, o Mosteiro foi incluído na Carta de Risco em 2002, alertando para seu estado de degradação. Em 2007, passou a ser ocupado parcialmente pelo Museu Militar, e, em 2012, teve sua classificação patrimonial ampliada. Por fim, em 2016, foi incluído pelo Estado Português na lista de imóveis disponíveis para concessão a privados, sinalizando a intenção de requalificar e dar nova vida a este importante marco histórico e religioso da cidade de Coimbra. Foi lançado em 2023 um concurso público para a sua exploração por 50 anos. A proposta prevê a transformação do mosteiro num hotel, garantindo simultaneamente a sua salvaguarda material e a sua integração funcional na malha urbana contemporânea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Vista do Rio Mondego e dos Conventos de S. Francisco e de Santa Clara de Coimbra, A. C. Lemos, c. 1830 - Image 206639.jpg|thumb|Vista do Rio Mondego e dos Conventos de S. Francisco e de Santa Clara&lt;br /&gt;
File:Mosteiro de Santa Clara-a-Nova ou Mosteiro de Santa Isabel e túmulo da Rainha Santa Isabel, claustro e coros.jpg|thumb|Fachada da Igreja&lt;br /&gt;
File:Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (14).jpg|thumb|Claustro do Mosteiro&lt;br /&gt;
File:Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (2).jpg|thumb|Portaria do Dormitorio&lt;br /&gt;
File:Captura de ecrã 2025-05-28, às 15.27.18.png|left|thumb|Corredor do Dormitorio&lt;br /&gt;
File:Tumulo.png|thumb|Túmulo da Rainha Santa Isabel&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
Confraria da Rainha Santa Isabel. Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Recuperado em [29 de abril], de https://rainhasantaisabel.org/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. (s.d.). Monumentos 18: Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, Coimbra. Recuperado em [29 de abril], de http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=2678&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
REVIIVE – Reabilitação, Património e Turismo. Mosteiro de Santa Clara-a-Nova Recuperado em [29 de abril] de https://revive.turismodeportugal.pt/pt-pt/mosteiro-santa-clara&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ABREU, Susana Matos (2003). «Livros e saber prático de um arquitecto do séc. XVII: A biblioteca de Fr. João Turriano e o mosteiro novo de Santa Clara Em Coimbra». Revista da Faculdade de Letras, Ciências e Técnicas do Património. Porto: Faculdade de Letras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ANDRADE, Maria Filomena Pimentel de Carvalho (2011). In Oboedientia, Sine Proprio, Et In Castitate, Sub Clausura, A Ordem de Santa Clara em Portugal (Sécs XIII – XIV). Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Dissertação de Doutoramento)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
BONIFÁCIO, Horácio (1990). Polivalência e contradição: Tradição seiscentista: O barroco e a inclusão de sistemas ecléticos no séc. XVIII: A segunda geração de arquitectos. Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa (Dissertação de Doutoramento).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHO, Ana Rita. Os Retabulos Da Nova Igreja Do Mosteiro De Santa Clara Em Coimbra Ana Rita Amado Carvalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FIGUEIREDO, Adriano (2007). «Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (ou de Santa Isabel». Portugal Património, Guia – Inventário. Círculo de Leitores, vol. III, pp. 204-206.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PINA, Manuel Correia de Bastos (1893). Os mosteiros de Lorvão e de Santa Clara e o Templo da Sé Velha. Coimbra: Typographia do Seminario.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
REBELO, António Manuel Ribeiro. O apreço da Rainha Santa Isabel pela espiritualidade franciscana. Itinerarium, 2018, LXIV: 73-108.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RODRIGUES, Vasco (2003). «Coimbra: caracterização da margem esquerda». ALÇADA, Margarida (dir.), Monumentos. N.o 18, Março, pp. 9-15.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SILVA, Luísa (2000). A Construção do Novo Mosteiro de Santa Clara de Coimbra: 1647 a 1769: Da Decisão à Conclusão: Obras e Arquitectos. Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Dissertação de Mestrado).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
TAVARES, Pedro (2023). «O claustro do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova de Coimbra e o seu contexto histórico, simbólico e arquitetônico: a restauração e a influência da cultura político- religiosa feminina da Casa de Habsburgo na arquitetura original do Mosteiro». 2024. Tese(Dissertação de Doutoramento) – Universidade de Évora, Instituto de Investigação e Formação Avançada, Évora, 2024.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Convento_de_Santa_Clara_de_Vila_do_Conde&amp;diff=979</id>
		<title>O Convento de Santa Clara de Vila do Conde</title>
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		<updated>2025-12-09T12:25:14Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: /* 1. IDENTIFICAÇÃO */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png|thumb|351x351px|Autoria: Joseolgon - Own work, CC BY 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado em 1318 (Couto, 2023, p. 32)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|CARPINTEIRO: Pedro Ferreira. ENTALHADORES: Cristóvão de Sampaio (1687, 1689), Domingos Lopes (1696), Filipe da Silva (1693, 1697), João da Costa (1699), João Gomes Carvalho; MARCENEIRO: António de Azevedo Fernandes (1697); ORGANEIRO: Francisco António Solha; PINTORES-DOURADORES: João da Silva (1691, 1694), Manuel Ferreira (1691), Mateus Nunes de Oliveira (1691, 1694), Paulo da Costa (1697, 1699)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|MN - Monumento Nacional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação e contexto medieval ====&lt;br /&gt;
A criação do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde volta-se a 1318, por iniciativa de D. Afonso Sanches e da sua esposa D. Teresa Martins (Couto, 2023, p. 32). Este casal nobre teve um importante papel na divulgação da religiosidade e no apoio à Ordem de Santa Clara, divisão feminina da Ordem Franciscana (Couto, 2023, p. 35). A fundação do mosteiro associa-se no movimento de desenvolvimento monástica que caracterizou os séculos XIII e XIV em Portugal, associado à afirmação da espiritualidade mendicante e à valorização da vida contemplativa. A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relaciona-se com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração. A presença da Ordem de Santa Clara em Portugal, principiada com a fundação do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha em Coimbra, difundiu-se ao longo do território, com a ajuda de elites nobres e reais. Nesta circunstância, o Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde converteu-se rapidamente num exemplo de referência para a espiritualidade feminina e para o desenvolvimento artístico e arquitetónico da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Evolução histórica até ao século XIX ====&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias (Couto, 2023, p. 45). É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto (Coelho, 2014, p. 92). A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio (Coelho, 2014, p. 92). Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara (Coelho, 2014, p. 18). A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Classificação patrimonial e importância legal ====&lt;br /&gt;
A Igreja do Convento de Santa Clara e o aqueduto foram classificados como Monumento Nacional (MN) em 1910 (Coelho, 2014, p. 106), e essa classificação viria a ser fortalecida nas décadas seguintes por contínuas reavaliações desenvolvidas pelo Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (IGESPAR), hoje integrado na Direção-Geral do Património Cultural (DGPC). Esta classificação expressa-se numa proteção legal que impossibilita intervenções que possam prejudicar a autenticidade e integridade do imóvel, estabelecendo normas rígidas para obras de conservação, restauro ou reutilização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Importa mencionar que a legislação portuguesa sobre património cultural, nomeadamente a Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro, fornece o quadro legal que regula a preservação e valorização do património cultural. No caso do Mosteiro de Santa Clara, esta legislação tem sido aplicada no sentido de garantir não apenas a sua manutenção física, mas também a sua inclusão em uma logica sustentável e enriquecida de forma cultura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Transformações Arquitetônicas do Mosteiro de Santa Clara século XX - Obras da DGEMN ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Elemento Arquitetônico&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Transformação Observada/ Referência (Coelho, 2014, p. 33)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Antes das obras (até 1928)&lt;br /&gt;
|Igreja&lt;br /&gt;
|Em ruínas: coberturas e arcos colapsados, com visível degradação estrutural da nave principal.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Claustro&lt;br /&gt;
|Parcialmente colapsado, sem cobertura, com colunas quebradas e vegetação invasora.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Novo dormitório&lt;br /&gt;
|Edifício em ruínas, sem cobertura nem janelas, estrutura degradada e abandono visível.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Cidade envolvente&lt;br /&gt;
|Zona adjacente ao convento com traços de abandono e construções degradadas, incluindo ponte em madeira sobre o rio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Durante as obras (1929–1938)&lt;br /&gt;
|Igreja&lt;br /&gt;
|Reconstrução das coberturas, paredes reforçadas, restauração de vãos ogivais e torres.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Claustro&lt;br /&gt;
|Reposição das arcadas, reconstrução das colunas e fonte central restaurada.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Novo dormitório&lt;br /&gt;
|Reestruturação com reforço das fachadas e reconstrução dos pisos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Urbanismo&lt;br /&gt;
|Melhoria na margem do rio com nova estrutura de ponte metálica e arranjos paisagísticos no entorno do convento.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Depois das obras (1943 em diante)&lt;br /&gt;
|Igreja&lt;br /&gt;
|Totalmente restaurada com fachada gótica consolidada e coberturas refeitas; uso de pedra nova em partes estruturais.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Claustro&lt;br /&gt;
|Completamente reconstruído, simétrico e funcional, com jardins e fonte central operante.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Novo dormitório&lt;br /&gt;
|Edifício com aparência uniforme, reabilitado externamente, reintegrado à função urbana.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Paisagem e cidade&lt;br /&gt;
|Integração do edifício restaurado à paisagem urbana moderna, preservando a monumentalidade e a vista privilegiada sobre o rio Ave.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Atualidade (pós-2013)&lt;br /&gt;
|Fachada e entorno&lt;br /&gt;
|Preservação do estilo restaurado da década de 30, mas com sinais de desgaste natural e necessidade de manutenção contínua.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara ocupa um lugar dominante na paisagem geral de Vila do Conde, encontrando-se no topo da colina com vista para o rio Ave. Esta localização fundamental conferiu-lhe, desde a fundação, uma presença emblemática. Hoje, essa presença continua a formar a identidade urbana da cidade, sendo um dos seus componentes mais fotografados, visitados e reconhecíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relevância patrimonial do conjunto tem passado também por um esforço de aproximação à comunidade local, através de projetos educativos, residências artísticas e colaborações com escolas e universidades. Esta ligação com a comunidade social é essencial para o cuidado do edifício, não apenas enquanto objeto arquitetónico, mas como património vivido. Que contribui também para o reconhecimento entre gerações do Mosteiro como elemento da memória coletiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Reutilização e novas funções ====&lt;br /&gt;
Desde o fim das ordens religiosas em 1834 (Coelho, 2014, p. 18), o Mosteiro passou por diversas adaptações. Parte das dependências conventuais foi utilizada como instituição de ensino, enquanto outros espaços foram progressivamente reconvertidos para usos administrativos e culturais. Estas novas funções, embora desvirtuem em parte o uso original do edifício, possibilitaram a sua manutenção e evitaram a ruína que assolou outros imóveis similares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos últimos anos, o mosteiro tem vindo a integrar-se numa lógica de reabilitação para fins culturais e turísticos, e a partir de 2024 se tornou um hotel de 5 estrelas, mas com o cuidado de preservar o legado do mosteiro. A igreja continua aberta ao culto, embora com menor frequência, o que permite manter viva a sua dimensão religiosa e simbólica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta abordagem multifuncional está em consonância com os princípios do ICOMOS sobre reaproveitamento, que defendem a compatibilização entre conservação patrimonial e estímulo contemporâneo. Ao permitir que o edifício continue a ser usado, mesmo que para fins distintos dos originais, garante-se a sua vitalidade e importância social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Desafios atuais e perspetivas futuras ====&lt;br /&gt;
Apesar das tentativas de conservação e valorização, o Mosteiro de Santa Clara possui desafios significativos, entre os quais se destacam o envelhecimento estrutural, a necessidade constante de manutenção e a dificuldade de conciliar os usos modernos com as exigências de conservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro desafio prende-se com a massificação turística, que embora possa ser uma fonte de lucro para a manutenção do património, pode também provocar efeitos negativos, como o desgaste de estruturas e a perda de autenticidade. A administração do turismo deve, por isso, ser feita de forma equilibrada e com recurso a práticas sustentáveis, organizadas com as diretrizes da UNESCO para o turismo cultural responsável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, a integração do Mosteiro em rotas culturais e religiosas, como os Caminhos de Santiago, significa uma oportunidade estratégica para a sua apreciação, permitindo posicioná-lo no panorama mais vasto do turismo patrimonial ibérico. Além disso, a possibilidade de Vila do Conde a eventos culturais de escala regional ou nacional pode servir de incentivo para novas intervenções de valorização e promoção&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Planta e Estrutura Arquitetónica ====&lt;br /&gt;
* A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais. (Coelho, 2014, p. 45).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fachadas e Elementos Exteriores ====&lt;br /&gt;
* Na fachada ocidental, sobressai uma rosácea de estilo radiante, que lembra ao projeto original da igreja medieval, embora o portal em arco ogival tenha sido removido. No lado sul, ainda se conserva a fachada gótica da sala do capítulo, com uma porta central ladeada por duas janelas. Apoiada a esta fachada encontra-se a torre sineira, simples, com empena e patim descoberto, rematada por um parapeito com merlões. Toda a estrutura exterior é coroada por ameias de caráter decorativo, inspiradas em elementos defensivos medievais. O acesso ao interior faz-se por uma porta lateral secundária, virada a norte. (Coelho, 2014, p. 90).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Interior e Capelas ====&lt;br /&gt;
* No interior, a nave apresenta-se coberta por um teto em caixotões de madeira octogonais. Na parte do Evangelho localiza-se a Capela dos Fundadores ou de Nossa Senhora da Conceição, que se tem acesso por um arco com duas arquivoltas ornamentadas, tendo no fecho as armas dos patronos. Esta capela é revestida por uma abóbada de nervuras com bocetes decorativos e possui uma grande janela com elementos decorativos manuelinos. Na parede direita está uma lápide que possui inscrição, enquanto do lado oposto há uma peanha com o retrato do orago. (Coelho, 2014, p. 44)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Capela-Mor ====&lt;br /&gt;
* A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um bocete com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais. (Coelho, 2014, p. 66)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Claustro e Aqueduto ====&lt;br /&gt;
* O claustro do antigo mosteiro localiza-se atualmente diminuído a três alas compostas por arcadas de arcos abatidos, apoiadas em colunas toscanas com ábacos proeminentes. No centro do pátio, pavimentado com lajes, destaca-se uma notável fonte barroca em granito, que servia de ponto final ao antigo aqueduto. Este aqueduto, construído entre 1705 e 1714 com um total de 999 arcos, tinha como função principal fornecer água ao convento e marcava visualmente a paisagem urbana de forma grandiosa. Infelizmente, algumas partes dessa impressionante estrutura foram perdidas ao longo do tempo por ações humanas negligentes. (Coelho, 2014, p. 46)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Novos Dormitórios ====&lt;br /&gt;
* O edifício conhecido como os &amp;quot;novos dormitórios&amp;quot;, cuja dimensão é ainda mais evidente quando comparada ao casario tradicional das margens do rio, foi edificado na segunda metade do século XVIII. A sua conceção arquitetónica demonstra grande sofisticação e mestria técnica, resultando numa composição equilibrada e elegante, tanto nos seus exteriores como nos espaços internos. A influência do classicismo é visível nas soluções formais adotadas. (Coelho, 2014, p. 48)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fachada Sul Monumental ====&lt;br /&gt;
* A monumental fachada sul organiza-se em três níveis de janelas alinhadas verticalmente, divididas em cinco secções por contrafortes robustos, que se tornam mais esbeltos à medida que ascendem, transformando-se em pilastras duplas nos pisos superiores. O topo do edifício é marcado por uma cornija saliente e por imponentes fogaréus alinhados com as pilastras. O corpo central, executado em cantaria de granito, apresenta varandas com balaustradas elegantes e é rematado por um frontão triangular, onde se inscreve o brasão real no tímpano, e uma escultura alegórica da Religião no acrotério. (Coelho, 2014, p. 40)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Artistas e Intervenções Artísticas ====&lt;br /&gt;
* Do ponto de vista construtivo, a igreja revela uma notável combinação de elementos góticos e manuelinos, resultante das várias campanhas de obras ao longo dos séculos. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins (Coelho, 2014, p. 16), estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Interior- nave e capela-mor (vista do coro-alto) da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003..png|thumb|Interior: nave e capela-mor (vista do coro-alto) da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.&lt;br /&gt;
File:Cobertura da nave (interior), 2003.png|none|thumb|578x578px|Cobertura da nave (interior), 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 31 mai. 2025.&lt;br /&gt;
File:Vista geral da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003..png|thumb|Vista geral da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.|627x627px|none&lt;br /&gt;
File:Vista aérea de 1995 do Convento de Santa Clara, em Vila do Conde..png|thumb|Vista aérea 1995. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.|719x719px|none&lt;br /&gt;
File:Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara.png|thumb|680x680px|Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara. Autoria: AJSL48 - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94588556&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.|none&lt;br /&gt;
File:Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins .png|thumb|658x658px|Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins. Autoria: Manuelvbotelho - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49141295&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.|none&lt;br /&gt;
File:Planta da zona de proteção.png|none|thumb|574x574px|Planta da zona de proteção. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 31 mai. 2025.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COELHO, D. I. P. (2014). (Re) Interpretar o Mosteiro de Santa Clara em Vila do Conde, do estudo à representação. Universidade do Minho. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://hdl.handle.net/1822/34534&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 30/05/2025&lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Convento_de_Santa_Clara_de_Vila_do_Conde&amp;diff=978</id>
		<title>O Convento de Santa Clara de Vila do Conde</title>
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		<updated>2025-12-09T12:24:09Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: Alinhamento com o template&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png|thumb|351x351px|Autoria: Joseolgon - Own work, CC BY 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado em 1318 (Couto, 2023, p. 32)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins (Couto, 2023, p. 32).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|MN - Monumento Nacional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação e contexto medieval ====&lt;br /&gt;
A criação do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde volta-se a 1318, por iniciativa de D. Afonso Sanches e da sua esposa D. Teresa Martins (Couto, 2023, p. 32). Este casal nobre teve um importante papel na divulgação da religiosidade e no apoio à Ordem de Santa Clara, divisão feminina da Ordem Franciscana (Couto, 2023, p. 35). A fundação do mosteiro associa-se no movimento de desenvolvimento monástica que caracterizou os séculos XIII e XIV em Portugal, associado à afirmação da espiritualidade mendicante e à valorização da vida contemplativa. A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relaciona-se com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração. A presença da Ordem de Santa Clara em Portugal, principiada com a fundação do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha em Coimbra, difundiu-se ao longo do território, com a ajuda de elites nobres e reais. Nesta circunstância, o Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde converteu-se rapidamente num exemplo de referência para a espiritualidade feminina e para o desenvolvimento artístico e arquitetónico da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Evolução histórica até ao século XIX ====&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias (Couto, 2023, p. 45). É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto (Coelho, 2014, p. 92). A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio (Coelho, 2014, p. 92). Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara (Coelho, 2014, p. 18). A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Classificação patrimonial e importância legal ====&lt;br /&gt;
A Igreja do Convento de Santa Clara e o aqueduto foram classificados como Monumento Nacional (MN) em 1910 (Coelho, 2014, p. 106), e essa classificação viria a ser fortalecida nas décadas seguintes por contínuas reavaliações desenvolvidas pelo Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (IGESPAR), hoje integrado na Direção-Geral do Património Cultural (DGPC). Esta classificação expressa-se numa proteção legal que impossibilita intervenções que possam prejudicar a autenticidade e integridade do imóvel, estabelecendo normas rígidas para obras de conservação, restauro ou reutilização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Importa mencionar que a legislação portuguesa sobre património cultural, nomeadamente a Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro, fornece o quadro legal que regula a preservação e valorização do património cultural. No caso do Mosteiro de Santa Clara, esta legislação tem sido aplicada no sentido de garantir não apenas a sua manutenção física, mas também a sua inclusão em uma logica sustentável e enriquecida de forma cultura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Transformações Arquitetônicas do Mosteiro de Santa Clara século XX - Obras da DGEMN ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Elemento Arquitetônico&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Transformação Observada/ Referência (Coelho, 2014, p. 33)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Antes das obras (até 1928)&lt;br /&gt;
|Igreja&lt;br /&gt;
|Em ruínas: coberturas e arcos colapsados, com visível degradação estrutural da nave principal.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Claustro&lt;br /&gt;
|Parcialmente colapsado, sem cobertura, com colunas quebradas e vegetação invasora.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Novo dormitório&lt;br /&gt;
|Edifício em ruínas, sem cobertura nem janelas, estrutura degradada e abandono visível.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Cidade envolvente&lt;br /&gt;
|Zona adjacente ao convento com traços de abandono e construções degradadas, incluindo ponte em madeira sobre o rio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Durante as obras (1929–1938)&lt;br /&gt;
|Igreja&lt;br /&gt;
|Reconstrução das coberturas, paredes reforçadas, restauração de vãos ogivais e torres.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Claustro&lt;br /&gt;
|Reposição das arcadas, reconstrução das colunas e fonte central restaurada.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Novo dormitório&lt;br /&gt;
|Reestruturação com reforço das fachadas e reconstrução dos pisos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Urbanismo&lt;br /&gt;
|Melhoria na margem do rio com nova estrutura de ponte metálica e arranjos paisagísticos no entorno do convento.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Depois das obras (1943 em diante)&lt;br /&gt;
|Igreja&lt;br /&gt;
|Totalmente restaurada com fachada gótica consolidada e coberturas refeitas; uso de pedra nova em partes estruturais.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Claustro&lt;br /&gt;
|Completamente reconstruído, simétrico e funcional, com jardins e fonte central operante.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Novo dormitório&lt;br /&gt;
|Edifício com aparência uniforme, reabilitado externamente, reintegrado à função urbana.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Paisagem e cidade&lt;br /&gt;
|Integração do edifício restaurado à paisagem urbana moderna, preservando a monumentalidade e a vista privilegiada sobre o rio Ave.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Atualidade (pós-2013)&lt;br /&gt;
|Fachada e entorno&lt;br /&gt;
|Preservação do estilo restaurado da década de 30, mas com sinais de desgaste natural e necessidade de manutenção contínua.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara ocupa um lugar dominante na paisagem geral de Vila do Conde, encontrando-se no topo da colina com vista para o rio Ave. Esta localização fundamental conferiu-lhe, desde a fundação, uma presença emblemática. Hoje, essa presença continua a formar a identidade urbana da cidade, sendo um dos seus componentes mais fotografados, visitados e reconhecíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relevância patrimonial do conjunto tem passado também por um esforço de aproximação à comunidade local, através de projetos educativos, residências artísticas e colaborações com escolas e universidades. Esta ligação com a comunidade social é essencial para o cuidado do edifício, não apenas enquanto objeto arquitetónico, mas como património vivido. Que contribui também para o reconhecimento entre gerações do Mosteiro como elemento da memória coletiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Reutilização e novas funções ====&lt;br /&gt;
Desde o fim das ordens religiosas em 1834 (Coelho, 2014, p. 18), o Mosteiro passou por diversas adaptações. Parte das dependências conventuais foi utilizada como instituição de ensino, enquanto outros espaços foram progressivamente reconvertidos para usos administrativos e culturais. Estas novas funções, embora desvirtuem em parte o uso original do edifício, possibilitaram a sua manutenção e evitaram a ruína que assolou outros imóveis similares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos últimos anos, o mosteiro tem vindo a integrar-se numa lógica de reabilitação para fins culturais e turísticos, e a partir de 2024 se tornou um hotel de 5 estrelas, mas com o cuidado de preservar o legado do mosteiro. A igreja continua aberta ao culto, embora com menor frequência, o que permite manter viva a sua dimensão religiosa e simbólica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta abordagem multifuncional está em consonância com os princípios do ICOMOS sobre reaproveitamento, que defendem a compatibilização entre conservação patrimonial e estímulo contemporâneo. Ao permitir que o edifício continue a ser usado, mesmo que para fins distintos dos originais, garante-se a sua vitalidade e importância social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Desafios atuais e perspetivas futuras ====&lt;br /&gt;
Apesar das tentativas de conservação e valorização, o Mosteiro de Santa Clara possui desafios significativos, entre os quais se destacam o envelhecimento estrutural, a necessidade constante de manutenção e a dificuldade de conciliar os usos modernos com as exigências de conservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro desafio prende-se com a massificação turística, que embora possa ser uma fonte de lucro para a manutenção do património, pode também provocar efeitos negativos, como o desgaste de estruturas e a perda de autenticidade. A administração do turismo deve, por isso, ser feita de forma equilibrada e com recurso a práticas sustentáveis, organizadas com as diretrizes da UNESCO para o turismo cultural responsável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, a integração do Mosteiro em rotas culturais e religiosas, como os Caminhos de Santiago, significa uma oportunidade estratégica para a sua apreciação, permitindo posicioná-lo no panorama mais vasto do turismo patrimonial ibérico. Além disso, a possibilidade de Vila do Conde a eventos culturais de escala regional ou nacional pode servir de incentivo para novas intervenções de valorização e promoção&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Planta e Estrutura Arquitetónica ====&lt;br /&gt;
* A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais. (Coelho, 2014, p. 45).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fachadas e Elementos Exteriores ====&lt;br /&gt;
* Na fachada ocidental, sobressai uma rosácea de estilo radiante, que lembra ao projeto original da igreja medieval, embora o portal em arco ogival tenha sido removido. No lado sul, ainda se conserva a fachada gótica da sala do capítulo, com uma porta central ladeada por duas janelas. Apoiada a esta fachada encontra-se a torre sineira, simples, com empena e patim descoberto, rematada por um parapeito com merlões. Toda a estrutura exterior é coroada por ameias de caráter decorativo, inspiradas em elementos defensivos medievais. O acesso ao interior faz-se por uma porta lateral secundária, virada a norte. (Coelho, 2014, p. 90).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Interior e Capelas ====&lt;br /&gt;
* No interior, a nave apresenta-se coberta por um teto em caixotões de madeira octogonais. Na parte do Evangelho localiza-se a Capela dos Fundadores ou de Nossa Senhora da Conceição, que se tem acesso por um arco com duas arquivoltas ornamentadas, tendo no fecho as armas dos patronos. Esta capela é revestida por uma abóbada de nervuras com bocetes decorativos e possui uma grande janela com elementos decorativos manuelinos. Na parede direita está uma lápide que possui inscrição, enquanto do lado oposto há uma peanha com o retrato do orago. (Coelho, 2014, p. 44)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Capela-Mor ====&lt;br /&gt;
* A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um bocete com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais. (Coelho, 2014, p. 66)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Claustro e Aqueduto ====&lt;br /&gt;
* O claustro do antigo mosteiro localiza-se atualmente diminuído a três alas compostas por arcadas de arcos abatidos, apoiadas em colunas toscanas com ábacos proeminentes. No centro do pátio, pavimentado com lajes, destaca-se uma notável fonte barroca em granito, que servia de ponto final ao antigo aqueduto. Este aqueduto, construído entre 1705 e 1714 com um total de 999 arcos, tinha como função principal fornecer água ao convento e marcava visualmente a paisagem urbana de forma grandiosa. Infelizmente, algumas partes dessa impressionante estrutura foram perdidas ao longo do tempo por ações humanas negligentes. (Coelho, 2014, p. 46)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Novos Dormitórios ====&lt;br /&gt;
* O edifício conhecido como os &amp;quot;novos dormitórios&amp;quot;, cuja dimensão é ainda mais evidente quando comparada ao casario tradicional das margens do rio, foi edificado na segunda metade do século XVIII. A sua conceção arquitetónica demonstra grande sofisticação e mestria técnica, resultando numa composição equilibrada e elegante, tanto nos seus exteriores como nos espaços internos. A influência do classicismo é visível nas soluções formais adotadas. (Coelho, 2014, p. 48)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fachada Sul Monumental ====&lt;br /&gt;
* A monumental fachada sul organiza-se em três níveis de janelas alinhadas verticalmente, divididas em cinco secções por contrafortes robustos, que se tornam mais esbeltos à medida que ascendem, transformando-se em pilastras duplas nos pisos superiores. O topo do edifício é marcado por uma cornija saliente e por imponentes fogaréus alinhados com as pilastras. O corpo central, executado em cantaria de granito, apresenta varandas com balaustradas elegantes e é rematado por um frontão triangular, onde se inscreve o brasão real no tímpano, e uma escultura alegórica da Religião no acrotério. (Coelho, 2014, p. 40)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Artistas e Intervenções Artísticas ====&lt;br /&gt;
* Do ponto de vista construtivo, a igreja revela uma notável combinação de elementos góticos e manuelinos, resultante das várias campanhas de obras ao longo dos séculos. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins (Coelho, 2014, p. 16), estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Interior- nave e capela-mor (vista do coro-alto) da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003..png|thumb|Interior: nave e capela-mor (vista do coro-alto) da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.&lt;br /&gt;
File:Cobertura da nave (interior), 2003.png|none|thumb|578x578px|Cobertura da nave (interior), 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 31 mai. 2025.&lt;br /&gt;
File:Vista geral da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003..png|thumb|Vista geral da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.|627x627px|none&lt;br /&gt;
File:Vista aérea de 1995 do Convento de Santa Clara, em Vila do Conde..png|thumb|Vista aérea 1995. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.|719x719px|none&lt;br /&gt;
File:Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara.png|thumb|680x680px|Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara. Autoria: AJSL48 - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94588556&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.|none&lt;br /&gt;
File:Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins .png|thumb|658x658px|Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins. Autoria: Manuelvbotelho - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49141295&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.|none&lt;br /&gt;
File:Planta da zona de proteção.png|none|thumb|574x574px|Planta da zona de proteção. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 31 mai. 2025.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COELHO, D. I. P. (2014). (Re) Interpretar o Mosteiro de Santa Clara em Vila do Conde, do estudo à representação. Universidade do Minho. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://hdl.handle.net/1822/34534&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 30/05/2025&lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Pal%C3%A1cio_de_S%C3%A3o_Jo%C3%A3o_Novo&amp;diff=977</id>
		<title>O Palácio de São João Novo</title>
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		<updated>2025-12-09T12:17:13Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: Capitalização&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO===&lt;br /&gt;
[[File:Figura 1 - Fachada Palácio de São João Novo.jpg|thumb|284x284px|Fachada do Palácio de São João Novo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Palácio/Casa de São João Novo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|Largo de São João Novo, n°11, 4050-280 – Miragaia, Porto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Arquiteto António Pereira&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Imóvel de Interesse Público &lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Casa de São João Novo é descrita pelo historiador e professor Joaquim Jaime Ferreira Alves em &#039;&#039;&#039;&amp;quot;A Casa Nobre no Porto na Época Moderna&amp;quot;&#039;&#039;&#039;, publicado em 2001 pela Edições Inapa, como um marco na arquitetura civil portuense e destaca-a como uma das melhores fachadas barrocas da cidade, em relação as arquiteturas da mesma época, por conta da sua monumentalidade e grandiosidade.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio de São João Novo localiza-se no Largo de São João Novo, centro histórico da cidade do Porto. Situado em frente a Igreja e antigo Convento de São João Novo, próximo ao Passeio das Virtudes e a Alfândega do Porto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio de São João Novo está localizado em Miragaia, no Largo de São João Novo em frente a Igreja de São João Novo. Pertence a região central da cidade do Porto, na união das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Comumente conhecido por “palácio”, é referido dessa forma por conta de sua grande dimensão, monumentalidade e status social de seus antigos proprietários. Essa designação está equivocada, pois não possui características suficientes para ser considerado um palácio, mas sim uma casa nobre. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi construído por volta de 1725 a mando de Pedro da Costa Lima, administrador e superintendente das Fábricas da Ribeira do Ouro da Cidade do Porto, e sua segunda mulher, D. Maria Teresa de Melo. Eram provenientes de Viana do Castelo e fixaram residência no Porto. Sua fachada terá sido erguida em 1726, indicando que a finalização da obra tenha ocorrido em 1727. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante muitos anos, a autoria do edifício foi atribuída a Nicolau Nasoni, arquiteto italiano que teve grande destaque em Portugal. Porém, essa informação foi refutada por Joaquim Jaime Ferreira Alves. Através do contrato de execução da obra, descobriu que o mestre de estuques e arquiteto António Pereira, mestre de obras da Sé do Porto, foi o responsável pelo projeto do palácio. Com auxílio dos mestres de pedraria António da Silva, Domingos Pinto e Pedro Pereira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua arquitetura apresenta as principais características de uma casa nobre barroca, como monumentalidade em sua fachada principal. É dividida verticalmente em três partes por pilastras de ordem dórica. Possui dois panos de parede simétricos que acompanham um pano central onde se encontra a porta principal. A pedra de armas da família e a grande janela com sacada marcam o andar nobre da casa e apresentam um frontão interrompido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os dois panos laterais são compostos por janelas menores com sacada e portas que são acompanhadas de um óculo ovalado (abertura em formato oval). Há também um modelo de frontão invertido que foi utilizado na Sé do Porto. As aberturas ligam-se entre si por conjuntos verticais e uma barra de pedra percorre toda a fachada horizontalmente marcando o nível do andar nobre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os frontões aplicados na fachada constituem uma novidade na arquitetura portuense da época, pois apresentavam formas onduladas, invertidas e até interrompidas, o que transmite uma sensação de movimento característica da arquitetura barroca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua planta é em L e o interior é composto por rés-do-chão, segundo piso, andar nobre e quarto piso. Dentre este conjunto, é necessário destacar o átrio e a escadaria principal pela qual se tem acesso ao mezanino e ao andar nobre. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O átrio possui grandes proporções, sendo formado por um arco abatido que ao centro se vê uma espécie de concha espalmada, invertida e em formato de leque. Esse motivo decorativo era muito utilizado por António Pereira em seus projetos. Por baixo do arco abatido, tem-se acesso à escadaria, que se sobressai na arquitetura por criar um efeito cenográfico. É composta por dois lances de escadas que levam a um patamar com portas de entrada para as salas do mezanino. Este mesmo patamar está ligado a mais um lance de escada que leva ao andar nobre. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o passar dos anos, o edifício foi sofrendo algumas pequenas modificações em sua arquitetura. Contudo, em 1945, passou a abrigar o Museu de Etnologia e História do Douro Litoral, organizado pelo etnógrafo Dr. Pedro Vitorino. O museu expôs objetos e peças regionais com o intuito de reconstituir ambientes tradicionais das províncias da região litoral do Douro. Porém, em 1984, um incêndio atingiu uma das áreas ocupadas pelo museu. Este foi fechado ao público no ano de 1992 e encontra-se encerrado desde então. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão do imóvel estava sob responsabilidade da Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) que, depois de alguns acordos, foi transferida para os cuidados da Câmara Municipal do Porto. O edifício passaria a ser mais um núcleo do Museu do Porto e viria abrigar o Museu do Livro. A abertura estava prevista para 2024, mas o projeto não foi concretizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Brasão de armas da família esculpido em pedra que fica sobre a porta principal. Ao lado direito do brasão temos a heráldica da família de Pedro da Costa Lima e ao lado esquerdo de sua segunda esposa, Teresa de Melo e Alvim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Figura 4 - Porta principal do Palácio de São João Novo.jpg|thumb|Porta principal do Palácio de São João Novo com destaque para o brasão de armas da família&lt;br /&gt;
File:Figura 6 - Brasão da família de Pedro da Costa Lima, antigo proprietário do Palácio de São João Novo.jpg|thumb|Brasão da família de Pedro da Costa Lima, antigo proprietário do Palácio de São João Novo&lt;br /&gt;
File:Imagem 1 - Desenho, Arquivo Municipal do Porto.jpg|Desenho da fachada de São João Novo por Cardoso Vitória Vilanova.&lt;br /&gt;
File:Imagem 2 - Escadaria, Arquivo Municipal do Porto.png|Interior do edifício, destacando a escadaria. &lt;br /&gt;
File:Imagem 3 - Plantas do andar nobre. O Palácio de S. João Novo, Robert C. Smith.png|Plantas, andar nobre (em cima) e rés-do-chão (em baixo)&lt;br /&gt;
File:Imagem 4 - Plantas do quarto e terceiro piso. O Palácio de S. João Novo, Robert C. Smith.png|Plantas, quarto piso (em cima) e terceiro piso (em baixo)&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MARÇAL, Horácio – O Largo de S. João Novo. BASTO, A. de Magalhães – O Tripeiro. Porto: Tipografia Empresa Guedes, n.º 9, V série, ano XII (janeiro de 1957), p. 291-297.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SISTEMA DE INFORMAÇÃO PARA O PATRIMÓNIO ARQUITETÓNICO. Palácio de São João Novo / Museu de Etnografia e História / Museu de Etnologia do Porto. [Consult. 04 Abril 2024] Disponível em WWW: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=1082&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO. [Consult. 04 Abril 2024] Câmara pretende reabilitar o Palácio de São João Novo. Disponível em WWW: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.porto.pt/pt/noticia/camara-pretende-reabilitar-o-palacio-de-sao-joao-novo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime. (2001). A Casa Nobre no Porto na Época Moderna. Lisboa: Edições Inapa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho. (1995). Inventário Artístico de Portugal: Cidade do Porto. Editor: Academia Nacional das Belas-Artes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SMITH, Robert C. (1969). O Palácio de S. João Novo. Separata da Revista de Etnografia, n.º 21. Porto: Junta Distrital do Porto.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
	<entry>
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		<title>O Palácio de São João Novo</title>
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		<updated>2025-12-09T12:16:02Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: /* 1. Identificação */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. Identificação ===&lt;br /&gt;
[[File:Figura 1 - Fachada Palácio de São João Novo.jpg|thumb|284x284px|Fachada do Palácio de São João Novo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Palácio/Casa de São João Novo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|Largo de São João Novo, n°11, 4050-280 – Miragaia, Porto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Arquiteto António Pereira&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Imóvel de Interesse Público &lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. Estado da Arte ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Casa de São João Novo é descrita pelo historiador e professor Joaquim Jaime Ferreira Alves em &#039;&#039;&#039;&amp;quot;A Casa Nobre no Porto na Época Moderna&amp;quot;&#039;&#039;&#039;, publicado em 2001 pela Edições Inapa, como um marco na arquitetura civil portuense e destaca-a como uma das melhores fachadas barrocas da cidade, em relação as arquiteturas da mesma época, por conta da sua monumentalidade e grandiosidade.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
=== 3. Enquadramento ===&lt;br /&gt;
O Palácio de São João Novo localiza-se no Largo de São João Novo, centro histórico da cidade do Porto. Situado em frente a Igreja e antigo Convento de São João Novo, próximo ao Passeio das Virtudes e a Alfândega do Porto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. Descrição ===&lt;br /&gt;
O Palácio de São João Novo está localizado em Miragaia, no Largo de São João Novo em frente a Igreja de São João Novo. Pertence a região central da cidade do Porto, na união das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Comumente conhecido por “palácio”, é referido dessa forma por conta de sua grande dimensão, monumentalidade e status social de seus antigos proprietários. Essa designação está equivocada, pois não possui características suficientes para ser considerado um palácio, mas sim uma casa nobre. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi construído por volta de 1725 a mando de Pedro da Costa Lima, administrador e superintendente das Fábricas da Ribeira do Ouro da Cidade do Porto, e sua segunda mulher, D. Maria Teresa de Melo. Eram provenientes de Viana do Castelo e fixaram residência no Porto. Sua fachada terá sido erguida em 1726, indicando que a finalização da obra tenha ocorrido em 1727. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante muitos anos, a autoria do edifício foi atribuída a Nicolau Nasoni, arquiteto italiano que teve grande destaque em Portugal. Porém, essa informação foi refutada por Joaquim Jaime Ferreira Alves. Através do contrato de execução da obra, descobriu que o mestre de estuques e arquiteto António Pereira, mestre de obras da Sé do Porto, foi o responsável pelo projeto do palácio. Com auxílio dos mestres de pedraria António da Silva, Domingos Pinto e Pedro Pereira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua arquitetura apresenta as principais características de uma casa nobre barroca, como monumentalidade em sua fachada principal. É dividida verticalmente em três partes por pilastras de ordem dórica. Possui dois panos de parede simétricos que acompanham um pano central onde se encontra a porta principal. A pedra de armas da família e a grande janela com sacada marcam o andar nobre da casa e apresentam um frontão interrompido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os dois panos laterais são compostos por janelas menores com sacada e portas que são acompanhadas de um óculo ovalado (abertura em formato oval). Há também um modelo de frontão invertido que foi utilizado na Sé do Porto. As aberturas ligam-se entre si por conjuntos verticais e uma barra de pedra percorre toda a fachada horizontalmente marcando o nível do andar nobre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os frontões aplicados na fachada constituem uma novidade na arquitetura portuense da época, pois apresentavam formas onduladas, invertidas e até interrompidas, o que transmite uma sensação de movimento característica da arquitetura barroca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua planta é em L e o interior é composto por rés-do-chão, segundo piso, andar nobre e quarto piso. Dentre este conjunto, é necessário destacar o átrio e a escadaria principal pela qual se tem acesso ao mezanino e ao andar nobre. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O átrio possui grandes proporções, sendo formado por um arco abatido que ao centro se vê uma espécie de concha espalmada, invertida e em formato de leque. Esse motivo decorativo era muito utilizado por António Pereira em seus projetos. Por baixo do arco abatido, tem-se acesso à escadaria, que se sobressai na arquitetura por criar um efeito cenográfico. É composta por dois lances de escadas que levam a um patamar com portas de entrada para as salas do mezanino. Este mesmo patamar está ligado a mais um lance de escada que leva ao andar nobre. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o passar dos anos, o edifício foi sofrendo algumas pequenas modificações em sua arquitetura. Contudo, em 1945, passou a abrigar o Museu de Etnologia e História do Douro Litoral, organizado pelo etnógrafo Dr. Pedro Vitorino. O museu expôs objetos e peças regionais com o intuito de reconstituir ambientes tradicionais das províncias da região litoral do Douro. Porém, em 1984, um incêndio atingiu uma das áreas ocupadas pelo museu. Este foi fechado ao público no ano de 1992 e encontra-se encerrado desde então. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão do imóvel estava sob responsabilidade da Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) que, depois de alguns acordos, foi transferida para os cuidados da Câmara Municipal do Porto. O edifício passaria a ser mais um núcleo do Museu do Porto e viria abrigar o Museu do Livro. A abertura estava prevista para 2024, mas o projeto não foi concretizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Brasão de armas da família esculpido em pedra que fica sobre a porta principal. Ao lado direito do brasão temos a heráldica da família de Pedro da Costa Lima e ao lado esquerdo de sua segunda esposa, Teresa de Melo e Alvim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Figura 4 - Porta principal do Palácio de São João Novo.jpg|thumb|Porta principal do Palácio de São João Novo com destaque para o brasão de armas da família&lt;br /&gt;
File:Figura 6 - Brasão da família de Pedro da Costa Lima, antigo proprietário do Palácio de São João Novo.jpg|thumb|Brasão da família de Pedro da Costa Lima, antigo proprietário do Palácio de São João Novo&lt;br /&gt;
File:Imagem 1 - Desenho, Arquivo Municipal do Porto.jpg|Desenho da fachada de São João Novo por Cardoso Vitória Vilanova.&lt;br /&gt;
File:Imagem 2 - Escadaria, Arquivo Municipal do Porto.png|Interior do edifício, destacando a escadaria. &lt;br /&gt;
File:Imagem 3 - Plantas do andar nobre. O Palácio de S. João Novo, Robert C. Smith.png|Plantas, andar nobre (em cima) e rés-do-chão (em baixo)&lt;br /&gt;
File:Imagem 4 - Plantas do quarto e terceiro piso. O Palácio de S. João Novo, Robert C. Smith.png|Plantas, quarto piso (em cima) e terceiro piso (em baixo)&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MARÇAL, Horácio – O Largo de S. João Novo. BASTO, A. de Magalhães – O Tripeiro. Porto: Tipografia Empresa Guedes, n.º 9, V série, ano XII (janeiro de 1957), p. 291-297.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SISTEMA DE INFORMAÇÃO PARA O PATRIMÓNIO ARQUITETÓNICO. Palácio de São João Novo / Museu de Etnografia e História / Museu de Etnologia do Porto. [Consult. 04 Abril 2024] Disponível em WWW: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=1082&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO. [Consult. 04 Abril 2024] Câmara pretende reabilitar o Palácio de São João Novo. Disponível em WWW: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.porto.pt/pt/noticia/camara-pretende-reabilitar-o-palacio-de-sao-joao-novo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime. (2001). A Casa Nobre no Porto na Época Moderna. Lisboa: Edições Inapa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho. (1995). Inventário Artístico de Portugal: Cidade do Porto. Editor: Academia Nacional das Belas-Artes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SMITH, Robert C. (1969). O Palácio de S. João Novo. Separata da Revista de Etnografia, n.º 21. Porto: Junta Distrital do Porto.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Pal%C3%A1cio_de_S%C3%A3o_Jo%C3%A3o_Novo&amp;diff=975</id>
		<title>O Palácio de São João Novo</title>
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		<updated>2025-12-09T12:14:44Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: Alinhamento com o template&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. Identificação ===&lt;br /&gt;
[[File:Figura 1 - Fachada Palácio de São João Novo.jpg|thumb|284x284px|Fachada do Palácio de São João Novo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Palácio/Casa de São João Novo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|Largo de São João Novo, n°11, 4050-280 – Miragaia, Porto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XVIII&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Arquiteto António Pereira&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público &lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. Estado da Arte ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Casa de São João Novo é descrita pelo historiador e professor Joaquim Jaime Ferreira Alves em &#039;&#039;&#039;&amp;quot;A Casa Nobre no Porto na Época Moderna&amp;quot;&#039;&#039;&#039;, publicado em 2001 pela Edições Inapa, como um marco na arquitetura civil portuense e destaca-a como uma das melhores fachadas barrocas da cidade, em relação as arquiteturas da mesma época, por conta da sua monumentalidade e grandiosidade.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
=== 3. Enquadramento ===&lt;br /&gt;
O Palácio de São João Novo localiza-se no Largo de São João Novo, centro histórico da cidade do Porto. Situado em frente a Igreja e antigo Convento de São João Novo, próximo ao Passeio das Virtudes e a Alfândega do Porto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. Descrição ===&lt;br /&gt;
O Palácio de São João Novo está localizado em Miragaia, no Largo de São João Novo em frente a Igreja de São João Novo. Pertence a região central da cidade do Porto, na união das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Comumente conhecido por “palácio”, é referido dessa forma por conta de sua grande dimensão, monumentalidade e status social de seus antigos proprietários. Essa designação está equivocada, pois não possui características suficientes para ser considerado um palácio, mas sim uma casa nobre. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi construído por volta de 1725 a mando de Pedro da Costa Lima, administrador e superintendente das Fábricas da Ribeira do Ouro da Cidade do Porto, e sua segunda mulher, D. Maria Teresa de Melo. Eram provenientes de Viana do Castelo e fixaram residência no Porto. Sua fachada terá sido erguida em 1726, indicando que a finalização da obra tenha ocorrido em 1727. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante muitos anos, a autoria do edifício foi atribuída a Nicolau Nasoni, arquiteto italiano que teve grande destaque em Portugal. Porém, essa informação foi refutada por Joaquim Jaime Ferreira Alves. Através do contrato de execução da obra, descobriu que o mestre de estuques e arquiteto António Pereira, mestre de obras da Sé do Porto, foi o responsável pelo projeto do palácio. Com auxílio dos mestres de pedraria António da Silva, Domingos Pinto e Pedro Pereira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua arquitetura apresenta as principais características de uma casa nobre barroca, como monumentalidade em sua fachada principal. É dividida verticalmente em três partes por pilastras de ordem dórica. Possui dois panos de parede simétricos que acompanham um pano central onde se encontra a porta principal. A pedra de armas da família e a grande janela com sacada marcam o andar nobre da casa e apresentam um frontão interrompido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os dois panos laterais são compostos por janelas menores com sacada e portas que são acompanhadas de um óculo ovalado (abertura em formato oval). Há também um modelo de frontão invertido que foi utilizado na Sé do Porto. As aberturas ligam-se entre si por conjuntos verticais e uma barra de pedra percorre toda a fachada horizontalmente marcando o nível do andar nobre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os frontões aplicados na fachada constituem uma novidade na arquitetura portuense da época, pois apresentavam formas onduladas, invertidas e até interrompidas, o que transmite uma sensação de movimento característica da arquitetura barroca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua planta é em L e o interior é composto por rés-do-chão, segundo piso, andar nobre e quarto piso. Dentre este conjunto, é necessário destacar o átrio e a escadaria principal pela qual se tem acesso ao mezanino e ao andar nobre. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O átrio possui grandes proporções, sendo formado por um arco abatido que ao centro se vê uma espécie de concha espalmada, invertida e em formato de leque. Esse motivo decorativo era muito utilizado por António Pereira em seus projetos. Por baixo do arco abatido, tem-se acesso à escadaria, que se sobressai na arquitetura por criar um efeito cenográfico. É composta por dois lances de escadas que levam a um patamar com portas de entrada para as salas do mezanino. Este mesmo patamar está ligado a mais um lance de escada que leva ao andar nobre. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o passar dos anos, o edifício foi sofrendo algumas pequenas modificações em sua arquitetura. Contudo, em 1945, passou a abrigar o Museu de Etnologia e História do Douro Litoral, organizado pelo etnógrafo Dr. Pedro Vitorino. O museu expôs objetos e peças regionais com o intuito de reconstituir ambientes tradicionais das províncias da região litoral do Douro. Porém, em 1984, um incêndio atingiu uma das áreas ocupadas pelo museu. Este foi fechado ao público no ano de 1992 e encontra-se encerrado desde então. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão do imóvel estava sob responsabilidade da Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) que, depois de alguns acordos, foi transferida para os cuidados da Câmara Municipal do Porto. O edifício passaria a ser mais um núcleo do Museu do Porto e viria abrigar o Museu do Livro. A abertura estava prevista para 2024, mas o projeto não foi concretizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Brasão de armas da família esculpido em pedra que fica sobre a porta principal. Ao lado direito do brasão temos a heráldica da família de Pedro da Costa Lima e ao lado esquerdo de sua segunda esposa, Teresa de Melo e Alvim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Figura 4 - Porta principal do Palácio de São João Novo.jpg|thumb|Porta principal do Palácio de São João Novo com destaque para o brasão de armas da família&lt;br /&gt;
File:Figura 6 - Brasão da família de Pedro da Costa Lima, antigo proprietário do Palácio de São João Novo.jpg|thumb|Brasão da família de Pedro da Costa Lima, antigo proprietário do Palácio de São João Novo&lt;br /&gt;
File:Imagem 1 - Desenho, Arquivo Municipal do Porto.jpg|Desenho da fachada de São João Novo por Cardoso Vitória Vilanova.&lt;br /&gt;
File:Imagem 2 - Escadaria, Arquivo Municipal do Porto.png|Interior do edifício, destacando a escadaria. &lt;br /&gt;
File:Imagem 3 - Plantas do andar nobre. O Palácio de S. João Novo, Robert C. Smith.png|Plantas, andar nobre (em cima) e rés-do-chão (em baixo)&lt;br /&gt;
File:Imagem 4 - Plantas do quarto e terceiro piso. O Palácio de S. João Novo, Robert C. Smith.png|Plantas, quarto piso (em cima) e terceiro piso (em baixo)&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MARÇAL, Horácio – O Largo de S. João Novo. BASTO, A. de Magalhães – O Tripeiro. Porto: Tipografia Empresa Guedes, n.º 9, V série, ano XII (janeiro de 1957), p. 291-297.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SISTEMA DE INFORMAÇÃO PARA O PATRIMÓNIO ARQUITETÓNICO. Palácio de São João Novo / Museu de Etnografia e História / Museu de Etnologia do Porto. [Consult. 04 Abril 2024] Disponível em WWW: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=1082&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO. [Consult. 04 Abril 2024] Câmara pretende reabilitar o Palácio de São João Novo. Disponível em WWW: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.porto.pt/pt/noticia/camara-pretende-reabilitar-o-palacio-de-sao-joao-novo&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime. (2001). A Casa Nobre no Porto na Época Moderna. Lisboa: Edições Inapa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho. (1995). Inventário Artístico de Portugal: Cidade do Porto. Editor: Academia Nacional das Belas-Artes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
SMITH, Robert C. (1969). O Palácio de S. João Novo. Separata da Revista de Etnografia, n.º 21. Porto: Junta Distrital do Porto.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Pal%C3%A1cio_do_Freixo&amp;diff=974</id>
		<title>Palácio do Freixo</title>
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		<updated>2025-12-09T12:04:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: /* 1. IDENTIFICAÇÃO */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Imagem 4 – Fachada do Palácio do Freixo. .png|thumb|Fachada do Palácio do Freixo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Palácio do Freixo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Estrada Nacional 108, 206, 4300-316 Porto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|1742 – 1748 (séc. XVIII) &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Nicolau Nasoni&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Horário&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mediante marcação&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estado da Arte do objeto selecionado, através da análise critica das notas biográficas que revelem a importância do objeto no contexto da Arquitetura Barroca dos séculos XVII e XVIII.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Historicamente, os palácios representaram poder, riqueza e opulência. Estas grandes estruturas serviram como residência da realeza, aristocratas e outros membros da elite. No caso do Palácio do Freixo, este significado histórico (FERNANDES LUÍSA, 2015) é evidente na sua majestosa arquitetura e rico património cultural, fazendo dele um testemunho do património arquitetónico de Portugal e continua a ser um marco significativo na cidade do Porto. A expansão do Império Português e a pela prosperidade económica resultante do comércio marítimo marcaram os séculos XVII e XVIII, e neste mesmo período a arquitetura barroca refletia a opulência e o poder da época.&lt;br /&gt;
Construído no século XVIII, o Palácio do Freixo é um testemunho da grandeza e da riqueza do estilo barroco, exibindo cantaria intrincada, fachadas elaboradas e interiores ornamentados, a simetria dinâmica e a dramaticidade na arquitetura. Para além disso, o Palácio do Freixo também representa um avanço significativo na arquitetura da época. Projetado por Nicolau Nasoni, um dos arquitetos mais importantes do período barroco em Portugal, o palácio incorpora elementos inovadores e técnicas arquitetónicas avançadas. A sua estrutura imponente e o seu design elaborado demonstram a maestria técnica e criativa de Nasoni, contribuindo para o desenvolvimento da arquitetura barroca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio do Freixo desempenhou também um papel crucial na vida cultural e social da elite portuguesa da época. Como residência de nobres e aristocratas, o palácio era um centro de atividades sociais, políticas e culturais, onde eventos importantes eram realizados e personalidades influentes se reuniam. A sua importância como símbolo de status e prestígio contribuiu para a consolidação do poder e da influência das classes dominantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio do Freixo é uma importante e imponente estrutura histórica localizada na cidade do Porto, em Portugal. O seu contexto físico patrimonial de proximidade (CARVALHO Cristina Guedes, 1997) inclui vários elementos relevantes, tais como, o Rio Douro, a Ponte do Freixo, a Zona Histórica do Porto e Vila Nova de Gaia, o Parque Oriental do Porto, e a Paisagem Vinícola do Douro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio do Freixo remonta ao século XVIII, quando foi construído pelo arquiteto Nicolau Nasoni. Esta joia arquitetónica é um exemplo excelente do estilo barroco, exibindo detalhes intrincados e artesanato impressionante. Originalmente construído como residência para a família Freixo, o palácio sofreu desde então várias transformações e mudanças de propriedade. Durante o século 19, serviu como uma fábrica de cerâmica, adicionando à sua rica tapeçaria histórica. Para além do luxo, o Palácio do Freixo incorpora características arquitetónicas (LOPES Flávio, 1993) tanto no exterior como no interior, que fazem dele uma magnífica obra arquitetónica que combina elementos do barroco e do rococó. As suas características exteriores e interiores são marcadas por uma mistura de grandiosidade, detalhes ornamentais e uma aura de história e nobreza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na parte exterior o Palácio exibe uma fachada ricamente ornamentada, com elementos típicos do estilo barroco, como curvas dramáticas, volutas e detalhes esculpidos em pedra. Essa característica é compartilhada com a Igreja e Torre dos Clérigos, que também apresenta uma fachada barroca imponente, embora em escala menor. Do ponto de vista simétrico e elegante, a fachada do Palácio do Freixo é caracterizada por uma simetria harmoniosa, com uma entrada central destacada e janelas decoradas. Essa simetria é semelhante à encontrada na fachada da Catedral do Porto, que também segue os princípios barrocos de equilíbrio e proporção. Relativamente à ornamentação, o Palácio é adornado com detalhes ornamentais exuberantes, como esculturas, relevos e elementos decorativos em toda a fachada. Essa riqueza de detalhes é uma característica compartilhada com a fachada da Igreja do Carmo, onde elementos decorativos em estilo barroco adornam a fachada e os interiores. Para além disto, o Palácio do Freixo detém jardins (ROCHA Manuel Joaquim da, 2002) que o circundam e que são projetados com uma mistura de elementos formais e informais, incluindo fontes, esculturas e áreas de vegetação exuberante, proporcionando um ambiente tranquilo e pitoresco. Os Jardins de Serralves, também no Porto, são exemplos de jardins paisagísticos que complementam a arquitetura palaciana com sua beleza natural e design cuidadosamente planejado. Na parte interior, o apresenta salões decorados com afrescos, estuques e elementos dourados, refletindo o luxo e a opulência da época. Esses salões suntuosos são comparáveis aos interiores da Igreja do Carmo, onde altares dourados e ornamentação detalhada criam uma atmosfera de grandeza e esplendor. Relativamente ao mobiliário e decoração, os interiores do Palácio do Freixo são complementados por móveis elegantes, tapeçarias e obras de arte, que contribuem para uma atmosfera de requinte. Essa atenção aos detalhes na decoração interior é semelhante ao encontrado nos interiores da Igreja e Torre dos Clérigos, onde elementos decorativos como talha dourada e azulejos ornamentados são proeminentes. De um ponto de vista funcional o Palácio do Freixo incorpora elementos arquitetónicos funcionais, como escadarias imponentes e espaços bem iluminados, que combinam estética com praticidade. Essa abordagem funcional também é visível nos interiores da Catedral do Porto, onde a arquitetura gótica oferece espaços amplos e bem organizados para a prática litúrgica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio do Freixo é reconhecido como Monumento Nacional desde 1910, sublinhando a sua importância cultural e preservação. O Palácio, apesar do seu significado histórico e beleza arquitetónica, enfrenta vários desafios em termos de preservação e manutenção. O estado atual do palácio envolve trabalhos de restauro em curso para resolver questões estruturais e garantir a conservação das suas características únicas. Os esforços de preservação estão sendo liderados por organizações de patrimônio e agências governamentais para salvaguardar o palácio para as gerações futuras. Estas iniciativas visam proteger a integridade do edifício, promovendo simultaneamente o seu valor cultural e aumentando a sensibilização do público para a sua importância. O Palácio foi meticulosamente restaurado e transformado em um hotel de luxo com o nome Freixo Palace Hotel, permitindo que os visitantes mergulhem na grandeza do passado enquanto desfrutam de confortos e comodidades modernas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Imagem 1 - Planta do Palácio do Freixo.png|Planta do Palácio do Freixo&lt;br /&gt;
File:Imagem 2 - Localização do Palácio do Freixo em mapa dinâmico. .png|Localização do Palácio do Freixo em mapa dinâmico&lt;br /&gt;
File:Imagem 3 - Palácio do Freixo em 1966..png|Palácio do Freixo em 1966&lt;br /&gt;
File:Imagem 6 - Jardim do Palácio do Freixo e panorâmica do mesmo sobre o rio Douro. .jpg|Jardim do Palácio do Freixo e panorâmica do mesmo sobre o rio Douro&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5458&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.google.com/maps/search/pal%C3%A1cio+do+freixo/@41.1430601,-8.5775862,17z/data=!3m1!4b1?authuser=0&amp;amp;entry=ttu&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.facebook.com/PortoDesaparecido/photos/a.351830144872194/492646664123874/?type=3&amp;amp;locale=pt_PT&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Pal%C3%A1cio_do_Freixo_-_Fachada.jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.tripadvisor.pt/Hotel_Review-g189180-d1595954-Reviews-Pestana_Palacio_do_Freixo-Porto_Porto_District_Northern_Portugal.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Pousada_do_Pal%C3%A1cio_do_Freixo_-_Porto_(8).jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Pal%C3%A1cio_do_Freixo_(5489385387).jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Pousada_do_Pal%C3%A1cio_do_Freixo_-_Porto_(17).jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Porto_July_2014-17a.jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5458&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHO, Cristina Guedes de - &#039;&#039;Guia Turístico da Área Metropolitana do Porto&#039;&#039;, nº 1, Matosinhos, Imagética, 1997&lt;br /&gt;
LOPES, Flávio (coord.) - &#039;&#039;Património Classificado - Arquitetónico e Arqueológico - inventário, vol. II&#039;&#039;, Lisboa, IPPAR, 1993&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da - &#039;&#039;A arquitectura no século XVIII: o Palácio do Freixo e seus Jardins: el Palacio de Freixo y sus jardines&#039;&#039;. Braga: Iduna, 2002. Separata da Revista Iduna, janeiro/março 2002&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FERNANDES, Luísa - &#039;&#039;&amp;quot;A Importância do Palácio do Freixo na Arquitetura Barroca Portuguesa&amp;quot;&#039;&#039;. Revista de Arte e Cultura, vol. 6, no. 2 (2015): 78-92&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
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		<title>Palácio do Freixo</title>
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		<updated>2025-12-09T12:01:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: /* 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Palácio do Freixo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Estrada Nacional 108, 206, 4300-316 Porto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|1742 – 1748 (séc. XVIII) &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Nicolau Nasoni&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Horário&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mediante marcação&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estado da Arte do objeto selecionado, através da análise critica das notas biográficas que revelem a importância do objeto no contexto da Arquitetura Barroca dos séculos XVII e XVIII.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Historicamente, os palácios representaram poder, riqueza e opulência. Estas grandes estruturas serviram como residência da realeza, aristocratas e outros membros da elite. No caso do Palácio do Freixo, este significado histórico (FERNANDES LUÍSA, 2015) é evidente na sua majestosa arquitetura e rico património cultural, fazendo dele um testemunho do património arquitetónico de Portugal e continua a ser um marco significativo na cidade do Porto. A expansão do Império Português e a pela prosperidade económica resultante do comércio marítimo marcaram os séculos XVII e XVIII, e neste mesmo período a arquitetura barroca refletia a opulência e o poder da época.&lt;br /&gt;
Construído no século XVIII, o Palácio do Freixo é um testemunho da grandeza e da riqueza do estilo barroco, exibindo cantaria intrincada, fachadas elaboradas e interiores ornamentados, a simetria dinâmica e a dramaticidade na arquitetura. Para além disso, o Palácio do Freixo também representa um avanço significativo na arquitetura da época. Projetado por Nicolau Nasoni, um dos arquitetos mais importantes do período barroco em Portugal, o palácio incorpora elementos inovadores e técnicas arquitetónicas avançadas. A sua estrutura imponente e o seu design elaborado demonstram a maestria técnica e criativa de Nasoni, contribuindo para o desenvolvimento da arquitetura barroca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio do Freixo desempenhou também um papel crucial na vida cultural e social da elite portuguesa da época. Como residência de nobres e aristocratas, o palácio era um centro de atividades sociais, políticas e culturais, onde eventos importantes eram realizados e personalidades influentes se reuniam. A sua importância como símbolo de status e prestígio contribuiu para a consolidação do poder e da influência das classes dominantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio do Freixo é uma importante e imponente estrutura histórica localizada na cidade do Porto, em Portugal. O seu contexto físico patrimonial de proximidade (CARVALHO Cristina Guedes, 1997) inclui vários elementos relevantes, tais como, o Rio Douro, a Ponte do Freixo, a Zona Histórica do Porto e Vila Nova de Gaia, o Parque Oriental do Porto, e a Paisagem Vinícola do Douro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio do Freixo remonta ao século XVIII, quando foi construído pelo arquiteto Nicolau Nasoni. Esta joia arquitetónica é um exemplo excelente do estilo barroco, exibindo detalhes intrincados e artesanato impressionante. Originalmente construído como residência para a família Freixo, o palácio sofreu desde então várias transformações e mudanças de propriedade. Durante o século 19, serviu como uma fábrica de cerâmica, adicionando à sua rica tapeçaria histórica. Para além do luxo, o Palácio do Freixo incorpora características arquitetónicas (LOPES Flávio, 1993) tanto no exterior como no interior, que fazem dele uma magnífica obra arquitetónica que combina elementos do barroco e do rococó. As suas características exteriores e interiores são marcadas por uma mistura de grandiosidade, detalhes ornamentais e uma aura de história e nobreza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na parte exterior o Palácio exibe uma fachada ricamente ornamentada, com elementos típicos do estilo barroco, como curvas dramáticas, volutas e detalhes esculpidos em pedra. Essa característica é compartilhada com a Igreja e Torre dos Clérigos, que também apresenta uma fachada barroca imponente, embora em escala menor. Do ponto de vista simétrico e elegante, a fachada do Palácio do Freixo é caracterizada por uma simetria harmoniosa, com uma entrada central destacada e janelas decoradas. Essa simetria é semelhante à encontrada na fachada da Catedral do Porto, que também segue os princípios barrocos de equilíbrio e proporção. Relativamente à ornamentação, o Palácio é adornado com detalhes ornamentais exuberantes, como esculturas, relevos e elementos decorativos em toda a fachada. Essa riqueza de detalhes é uma característica compartilhada com a fachada da Igreja do Carmo, onde elementos decorativos em estilo barroco adornam a fachada e os interiores. Para além disto, o Palácio do Freixo detém jardins (ROCHA Manuel Joaquim da, 2002) que o circundam e que são projetados com uma mistura de elementos formais e informais, incluindo fontes, esculturas e áreas de vegetação exuberante, proporcionando um ambiente tranquilo e pitoresco. Os Jardins de Serralves, também no Porto, são exemplos de jardins paisagísticos que complementam a arquitetura palaciana com sua beleza natural e design cuidadosamente planejado. Na parte interior, o apresenta salões decorados com afrescos, estuques e elementos dourados, refletindo o luxo e a opulência da época. Esses salões suntuosos são comparáveis aos interiores da Igreja do Carmo, onde altares dourados e ornamentação detalhada criam uma atmosfera de grandeza e esplendor. Relativamente ao mobiliário e decoração, os interiores do Palácio do Freixo são complementados por móveis elegantes, tapeçarias e obras de arte, que contribuem para uma atmosfera de requinte. Essa atenção aos detalhes na decoração interior é semelhante ao encontrado nos interiores da Igreja e Torre dos Clérigos, onde elementos decorativos como talha dourada e azulejos ornamentados são proeminentes. De um ponto de vista funcional o Palácio do Freixo incorpora elementos arquitetónicos funcionais, como escadarias imponentes e espaços bem iluminados, que combinam estética com praticidade. Essa abordagem funcional também é visível nos interiores da Catedral do Porto, onde a arquitetura gótica oferece espaços amplos e bem organizados para a prática litúrgica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio do Freixo é reconhecido como Monumento Nacional desde 1910, sublinhando a sua importância cultural e preservação. O Palácio, apesar do seu significado histórico e beleza arquitetónica, enfrenta vários desafios em termos de preservação e manutenção. O estado atual do palácio envolve trabalhos de restauro em curso para resolver questões estruturais e garantir a conservação das suas características únicas. Os esforços de preservação estão sendo liderados por organizações de patrimônio e agências governamentais para salvaguardar o palácio para as gerações futuras. Estas iniciativas visam proteger a integridade do edifício, promovendo simultaneamente o seu valor cultural e aumentando a sensibilização do público para a sua importância. O Palácio foi meticulosamente restaurado e transformado em um hotel de luxo com o nome Freixo Palace Hotel, permitindo que os visitantes mergulhem na grandeza do passado enquanto desfrutam de confortos e comodidades modernas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Imagem 1 - Planta do Palácio do Freixo.png|Planta do Palácio do Freixo&lt;br /&gt;
File:Imagem 2 - Localização do Palácio do Freixo em mapa dinâmico. .png|Localização do Palácio do Freixo em mapa dinâmico&lt;br /&gt;
File:Imagem 3 - Palácio do Freixo em 1966..png|Palácio do Freixo em 1966&lt;br /&gt;
File:Imagem 6 - Jardim do Palácio do Freixo e panorâmica do mesmo sobre o rio Douro. .jpg|Jardim do Palácio do Freixo e panorâmica do mesmo sobre o rio Douro&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5458&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.google.com/maps/search/pal%C3%A1cio+do+freixo/@41.1430601,-8.5775862,17z/data=!3m1!4b1?authuser=0&amp;amp;entry=ttu&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.facebook.com/PortoDesaparecido/photos/a.351830144872194/492646664123874/?type=3&amp;amp;locale=pt_PT&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Pal%C3%A1cio_do_Freixo_-_Fachada.jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.tripadvisor.pt/Hotel_Review-g189180-d1595954-Reviews-Pestana_Palacio_do_Freixo-Porto_Porto_District_Northern_Portugal.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Pousada_do_Pal%C3%A1cio_do_Freixo_-_Porto_(8).jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Pal%C3%A1cio_do_Freixo_(5489385387).jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Pousada_do_Pal%C3%A1cio_do_Freixo_-_Porto_(17).jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Porto_July_2014-17a.jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5458&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHO, Cristina Guedes de - &#039;&#039;Guia Turístico da Área Metropolitana do Porto&#039;&#039;, nº 1, Matosinhos, Imagética, 1997&lt;br /&gt;
LOPES, Flávio (coord.) - &#039;&#039;Património Classificado - Arquitetónico e Arqueológico - inventário, vol. II&#039;&#039;, Lisboa, IPPAR, 1993&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da - &#039;&#039;A arquitectura no século XVIII: o Palácio do Freixo e seus Jardins: el Palacio de Freixo y sus jardines&#039;&#039;. Braga: Iduna, 2002. Separata da Revista Iduna, janeiro/março 2002&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FERNANDES, Luísa - &#039;&#039;&amp;quot;A Importância do Palácio do Freixo na Arquitetura Barroca Portuguesa&amp;quot;&#039;&#039;. Revista de Arte e Cultura, vol. 6, no. 2 (2015): 78-92&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
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	<entry>
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		<title>Palácio do Freixo</title>
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		<updated>2025-12-09T12:00:02Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: /* 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Palácio do Freixo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Estrada Nacional 108, 206, 4300-316 Porto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|1742 – 1748 (séc. XVIII) &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Nicolau Nasoni&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Horário&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mediante marcação&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estado da Arte do objeto selecionado, através da análise critica das notas biográficas que revelem a importância do objeto no contexto da Arquitetura Barroca dos séculos XVII e XVIII.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Historicamente, os palácios representaram poder, riqueza e opulência. Estas grandes estruturas serviram como residência da realeza, aristocratas e outros membros da elite. No caso do Palácio do Freixo, este significado histórico (FERNANDES LUÍSA, 2015) é evidente na sua majestosa arquitetura e rico património cultural, fazendo dele um testemunho do património arquitetónico de Portugal e continua a ser um marco significativo na cidade do Porto. A expansão do Império Português e a pela prosperidade económica resultante do comércio marítimo marcaram os séculos XVII e XVIII, e neste mesmo período a arquitetura barroca refletia a opulência e o poder da época.&lt;br /&gt;
Construído no século XVIII, o Palácio do Freixo é um testemunho da grandeza e da riqueza do estilo barroco, exibindo cantaria intrincada, fachadas elaboradas e interiores ornamentados, a simetria dinâmica e a dramaticidade na arquitetura. Para além disso, o Palácio do Freixo também representa um avanço significativo na arquitetura da época. Projetado por Nicolau Nasoni, um dos arquitetos mais importantes do período barroco em Portugal, o palácio incorpora elementos inovadores e técnicas arquitetónicas avançadas. A sua estrutura imponente e o seu design elaborado demonstram a maestria técnica e criativa de Nasoni, contribuindo para o desenvolvimento da arquitetura barroca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio do Freixo desempenhou também um papel crucial na vida cultural e social da elite portuguesa da época. Como residência de nobres e aristocratas, o palácio era um centro de atividades sociais, políticas e culturais, onde eventos importantes eram realizados e personalidades influentes se reuniam. A sua importância como símbolo de status e prestígio contribuiu para a consolidação do poder e da influência das classes dominantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio do Freixo é uma importante e imponente estrutura histórica localizada na cidade do Porto, em Portugal. O seu contexto físico patrimonial de proximidade (CARVALHO Cristina Guedes, 1997) inclui vários elementos relevantes, tais como, o Rio Douro, a Ponte do Freixo, a Zona Histórica do Porto e Vila Nova de Gaia, o Parque Oriental do Porto, e a Paisagem Vinícola do Douro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio do Freixo remonta ao século XVIII, quando foi construído pelo arquiteto Nicolau Nasoni. Esta joia arquitetónica é um exemplo excelente do estilo barroco, exibindo detalhes intrincados e artesanato impressionante. Originalmente construído como residência para a família Freixo, o palácio sofreu desde então várias transformações e mudanças de propriedade. Durante o século 19, serviu como uma fábrica de cerâmica, adicionando à sua rica tapeçaria histórica. Para além do luxo, o Palácio do Freixo incorpora características arquitetónicas (LOPES Flávio, 1993) tanto no exterior como no interior, que fazem dele uma magnífica obra arquitetónica que combina elementos do barroco e do rococó. As suas características exteriores e interiores são marcadas por uma mistura de grandiosidade, detalhes ornamentais e uma aura de história e nobreza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na parte exterior o Palácio exibe uma fachada ricamente ornamentada, com elementos típicos do estilo barroco, como curvas dramáticas, volutas e detalhes esculpidos em pedra. Essa característica é compartilhada com a Igreja e Torre dos Clérigos, que também apresenta uma fachada barroca imponente, embora em escala menor. Do ponto de vista simétrico e elegante, a fachada do Palácio do Freixo é caracterizada por uma simetria harmoniosa, com uma entrada central destacada e janelas decoradas. Essa simetria é semelhante à encontrada na fachada da Catedral do Porto, que também segue os princípios barrocos de equilíbrio e proporção. Relativamente à ornamentação, o Palácio é adornado com detalhes ornamentais exuberantes, como esculturas, relevos e elementos decorativos em toda a fachada. Essa riqueza de detalhes é uma característica compartilhada com a fachada da Igreja do Carmo, onde elementos decorativos em estilo barroco adornam a fachada e os interiores. Para além disto, o Palácio do Freixo detém jardins (ROCHA Manuel Joaquim da, 2002) que o circundam e que são projetados com uma mistura de elementos formais e informais, incluindo fontes, esculturas e áreas de vegetação exuberante, proporcionando um ambiente tranquilo e pitoresco. Os Jardins de Serralves, também no Porto, são exemplos de jardins paisagísticos que complementam a arquitetura palaciana com sua beleza natural e design cuidadosamente planejado. Na parte interior, o apresenta salões decorados com afrescos, estuques e elementos dourados, refletindo o luxo e a opulência da época. Esses salões suntuosos são comparáveis aos interiores da Igreja do Carmo, onde altares dourados e ornamentação detalhada criam uma atmosfera de grandeza e esplendor. Relativamente ao mobiliário e decoração, os interiores do Palácio do Freixo são complementados por móveis elegantes, tapeçarias e obras de arte, que contribuem para uma atmosfera de requinte. Essa atenção aos detalhes na decoração interior é semelhante ao encontrado nos interiores da Igreja e Torre dos Clérigos, onde elementos decorativos como talha dourada e azulejos ornamentados são proeminentes. De um ponto de vista funcional o Palácio do Freixo incorpora elementos arquitetónicos funcionais, como escadarias imponentes e espaços bem iluminados, que combinam estética com praticidade. Essa abordagem funcional também é visível nos interiores da Catedral do Porto, onde a arquitetura gótica oferece espaços amplos e bem organizados para a prática litúrgica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio do Freixo é reconhecido como Monumento Nacional desde 1910, sublinhando a sua importância cultural e preservação. O Palácio, apesar do seu significado histórico e beleza arquitetónica, enfrenta vários desafios em termos de preservação e manutenção. O estado atual do palácio envolve trabalhos de restauro em curso para resolver questões estruturais e garantir a conservação das suas características únicas. Os esforços de preservação estão sendo liderados por organizações de patrimônio e agências governamentais para salvaguardar o palácio para as gerações futuras. Estas iniciativas visam proteger a integridade do edifício, promovendo simultaneamente o seu valor cultural e aumentando a sensibilização do público para a sua importância. O Palácio foi meticulosamente restaurado e transformado em um hotel de luxo com o nome Freixo Palace Hotel, permitindo que os visitantes mergulhem na grandeza do passado enquanto desfrutam de confortos e comodidades modernas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Imagem 1 - Planta do Palácio do Freixo.png|left|thumb&lt;br /&gt;
File:Imagem 2 - Localização do Palácio do Freixo em mapa dinâmico. .png|thumb&lt;br /&gt;
File:Imagem 3 - Palácio do Freixo em 1966..png|thumb&lt;br /&gt;
File:Imagem 4 – Fachada do Palácio do Freixo. .png|thumb&lt;br /&gt;
File:Imagem 6 - Jardim do Palácio do Freixo e panorâmica do mesmo sobre o rio Douro. .jpg|thumb&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5458&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.google.com/maps/search/pal%C3%A1cio+do+freixo/@41.1430601,-8.5775862,17z/data=!3m1!4b1?authuser=0&amp;amp;entry=ttu&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.facebook.com/PortoDesaparecido/photos/a.351830144872194/492646664123874/?type=3&amp;amp;locale=pt_PT&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Pal%C3%A1cio_do_Freixo_-_Fachada.jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.tripadvisor.pt/Hotel_Review-g189180-d1595954-Reviews-Pestana_Palacio_do_Freixo-Porto_Porto_District_Northern_Portugal.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Pousada_do_Pal%C3%A1cio_do_Freixo_-_Porto_(8).jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Pal%C3%A1cio_do_Freixo_(5489385387).jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Pousada_do_Pal%C3%A1cio_do_Freixo_-_Porto_(17).jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Porto_July_2014-17a.jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5458&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHO, Cristina Guedes de - &#039;&#039;Guia Turístico da Área Metropolitana do Porto&#039;&#039;, nº 1, Matosinhos, Imagética, 1997&lt;br /&gt;
LOPES, Flávio (coord.) - &#039;&#039;Património Classificado - Arquitetónico e Arqueológico - inventário, vol. II&#039;&#039;, Lisboa, IPPAR, 1993&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da - &#039;&#039;A arquitectura no século XVIII: o Palácio do Freixo e seus Jardins: el Palacio de Freixo y sus jardines&#039;&#039;. Braga: Iduna, 2002. Separata da Revista Iduna, janeiro/março 2002&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FERNANDES, Luísa - &#039;&#039;&amp;quot;A Importância do Palácio do Freixo na Arquitetura Barroca Portuguesa&amp;quot;&#039;&#039;. Revista de Arte e Cultura, vol. 6, no. 2 (2015): 78-92&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Pal%C3%A1cio_do_Freixo&amp;diff=971</id>
		<title>Palácio do Freixo</title>
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		<updated>2025-12-09T11:59:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: Alinhamento com o template&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Palácio do Freixo&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;  &lt;br /&gt;
|Estrada Nacional 108, 206, 4300-316 Porto&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|1742 – 1748 (séc. XVIII) &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Nicolau Nasoni&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Horário&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Mediante marcação&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estado da Arte do objeto selecionado, através da análise critica das notas biográficas que revelem a importância do objeto no contexto da Arquitetura Barroca dos séculos XVII e XVIII.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Historicamente, os palácios representaram poder, riqueza e opulência. Estas grandes estruturas serviram como residência da realeza, aristocratas e outros membros da elite. No caso do Palácio do Freixo, este significado histórico (FERNANDES LUÍSA, 2015) é evidente na sua majestosa arquitetura e rico património cultural, fazendo dele um testemunho do património arquitetónico de Portugal e continua a ser um marco significativo na cidade do Porto. A expansão do Império Português e a pela prosperidade económica resultante do comércio marítimo marcaram os séculos XVII e XVIII, e neste mesmo período a arquitetura barroca refletia a opulência e o poder da época.&lt;br /&gt;
Construído no século XVIII, o Palácio do Freixo é um testemunho da grandeza e da riqueza do estilo barroco, exibindo cantaria intrincada, fachadas elaboradas e interiores ornamentados, a simetria dinâmica e a dramaticidade na arquitetura. Para além disso, o Palácio do Freixo também representa um avanço significativo na arquitetura da época. Projetado por Nicolau Nasoni, um dos arquitetos mais importantes do período barroco em Portugal, o palácio incorpora elementos inovadores e técnicas arquitetónicas avançadas. A sua estrutura imponente e o seu design elaborado demonstram a maestria técnica e criativa de Nasoni, contribuindo para o desenvolvimento da arquitetura barroca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio do Freixo desempenhou também um papel crucial na vida cultural e social da elite portuguesa da época. Como residência de nobres e aristocratas, o palácio era um centro de atividades sociais, políticas e culturais, onde eventos importantes eram realizados e personalidades influentes se reuniam. A sua importância como símbolo de status e prestígio contribuiu para a consolidação do poder e da influência das classes dominantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio do Freixo é uma importante e imponente estrutura histórica localizada na cidade do Porto, em Portugal. O seu contexto físico patrimonial de proximidade (CARVALHO Cristina Guedes, 1997) inclui vários elementos relevantes, tais como, o Rio Douro, a Ponte do Freixo, a Zona Histórica do Porto e Vila Nova de Gaia, o Parque Oriental do Porto, e a Paisagem Vinícola do Douro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio do Freixo remonta ao século XVIII, quando foi construído pelo arquiteto Nicolau Nasoni. Esta joia arquitetónica é um exemplo excelente do estilo barroco, exibindo detalhes intrincados e artesanato impressionante. Originalmente construído como residência para a família Freixo, o palácio sofreu desde então várias transformações e mudanças de propriedade. Durante o século 19, serviu como uma fábrica de cerâmica, adicionando à sua rica tapeçaria histórica. Para além do luxo, o Palácio do Freixo incorpora características arquitetónicas (LOPES Flávio, 1993) tanto no exterior como no interior, que fazem dele uma magnífica obra arquitetónica que combina elementos do barroco e do rococó. As suas características exteriores e interiores são marcadas por uma mistura de grandiosidade, detalhes ornamentais e uma aura de história e nobreza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na parte exterior o Palácio exibe uma fachada ricamente ornamentada, com elementos típicos do estilo barroco, como curvas dramáticas, volutas e detalhes esculpidos em pedra. Essa característica é compartilhada com a Igreja e Torre dos Clérigos, que também apresenta uma fachada barroca imponente, embora em escala menor. Do ponto de vista simétrico e elegante, a fachada do Palácio do Freixo é caracterizada por uma simetria harmoniosa, com uma entrada central destacada e janelas decoradas. Essa simetria é semelhante à encontrada na fachada da Catedral do Porto, que também segue os princípios barrocos de equilíbrio e proporção. Relativamente à ornamentação, o Palácio é adornado com detalhes ornamentais exuberantes, como esculturas, relevos e elementos decorativos em toda a fachada. Essa riqueza de detalhes é uma característica compartilhada com a fachada da Igreja do Carmo, onde elementos decorativos em estilo barroco adornam a fachada e os interiores. Para além disto, o Palácio do Freixo detém jardins (ROCHA Manuel Joaquim da, 2002) que o circundam e que são projetados com uma mistura de elementos formais e informais, incluindo fontes, esculturas e áreas de vegetação exuberante, proporcionando um ambiente tranquilo e pitoresco. Os Jardins de Serralves, também no Porto, são exemplos de jardins paisagísticos que complementam a arquitetura palaciana com sua beleza natural e design cuidadosamente planejado. Na parte interior, o apresenta salões decorados com afrescos, estuques e elementos dourados, refletindo o luxo e a opulência da época. Esses salões suntuosos são comparáveis aos interiores da Igreja do Carmo, onde altares dourados e ornamentação detalhada criam uma atmosfera de grandeza e esplendor. Relativamente ao mobiliário e decoração, os interiores do Palácio do Freixo são complementados por móveis elegantes, tapeçarias e obras de arte, que contribuem para uma atmosfera de requinte. Essa atenção aos detalhes na decoração interior é semelhante ao encontrado nos interiores da Igreja e Torre dos Clérigos, onde elementos decorativos como talha dourada e azulejos ornamentados são proeminentes. De um ponto de vista funcional o Palácio do Freixo incorpora elementos arquitetónicos funcionais, como escadarias imponentes e espaços bem iluminados, que combinam estética com praticidade. Essa abordagem funcional também é visível nos interiores da Catedral do Porto, onde a arquitetura gótica oferece espaços amplos e bem organizados para a prática litúrgica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Palácio do Freixo é reconhecido como Monumento Nacional desde 1910, sublinhando a sua importância cultural e preservação. O Palácio, apesar do seu significado histórico e beleza arquitetónica, enfrenta vários desafios em termos de preservação e manutenção. O estado atual do palácio envolve trabalhos de restauro em curso para resolver questões estruturais e garantir a conservação das suas características únicas. Os esforços de preservação estão sendo liderados por organizações de patrimônio e agências governamentais para salvaguardar o palácio para as gerações futuras. Estas iniciativas visam proteger a integridade do edifício, promovendo simultaneamente o seu valor cultural e aumentando a sensibilização do público para a sua importância. O Palácio foi meticulosamente restaurado e transformado em um hotel de luxo com o nome Freixo Palace Hotel, permitindo que os visitantes mergulhem na grandeza do passado enquanto desfrutam de confortos e comodidades modernas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
File:Imagem 1 - Planta do Palácio do Freixo.png|left|thumb&lt;br /&gt;
File:Imagem 2 - Localização do Palácio do Freixo em mapa dinâmico. .png|thumb&lt;br /&gt;
File:Imagem 3 - Palácio do Freixo em 1966..png|thumb&lt;br /&gt;
File:Imagem 4 – Fachada do Palácio do Freixo. .png|thumb&lt;br /&gt;
File:Imagem 6 - Jardim do Palácio do Freixo e panorâmica do mesmo sobre o rio Douro. .jpg|thumb&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5458&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.google.com/maps/search/pal%C3%A1cio+do+freixo/@41.1430601,-8.5775862,17z/data=!3m1!4b1?authuser=0&amp;amp;entry=ttu&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.facebook.com/PortoDesaparecido/photos/a.351830144872194/492646664123874/?type=3&amp;amp;locale=pt_PT&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Pal%C3%A1cio_do_Freixo_-_Fachada.jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.tripadvisor.pt/Hotel_Review-g189180-d1595954-Reviews-Pestana_Palacio_do_Freixo-Porto_Porto_District_Northern_Portugal.html&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Pousada_do_Pal%C3%A1cio_do_Freixo_-_Porto_(8).jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Pal%C3%A1cio_do_Freixo_(5489385387).jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Pousada_do_Pal%C3%A1cio_do_Freixo_-_Porto_(17).jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_do_Freixo#/media/Ficheiro:Porto_July_2014-17a.jpg&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5458&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
CARVALHO, Cristina Guedes de - &#039;&#039;Guia Turístico da Área Metropolitana do Porto&#039;&#039;, nº 1, Matosinhos, Imagética, 1997&lt;br /&gt;
LOPES, Flávio (coord.) - &#039;&#039;Património Classificado - Arquitetónico e Arqueológico - inventário, vol. II&#039;&#039;, Lisboa, IPPAR, 1993&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da - &#039;&#039;A arquitectura no século XVIII: o Palácio do Freixo e seus Jardins: el Palacio de Freixo y sus jardines&#039;&#039;. Braga: Iduna, 2002. Separata da Revista Iduna, janeiro/março 2002&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
FERNANDES, Luísa - &#039;&#039;&amp;quot;A Importância do Palácio do Freixo na Arquitetura Barroca Portuguesa&amp;quot;&#039;&#039;. Revista de Arte e Cultura, vol. 6, no. 2 (2015): 78-92&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Solar_Condes_de_Resende&amp;diff=970</id>
		<title>Solar Condes de Resende</title>
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		<updated>2025-12-09T11:53:52Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: Alinhar template dos cabeçalhos de secção&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:Solar Condes de Resende - Imagem panorâmica da fachada principal.jpg|thumb|335x335px|Imagem panorâmica da fachada principal do Solar Condes de Resende. ]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Solar Condes de Resende / Quinta da Costa / Casa Municipal da Cultura / Casa Queirosiana de Gaia&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|Travessa Condes de Resende 110, 4410-264 Canelas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XIII, com acréscimo no século XVIII e adaptação em 1984&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Em estudo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do corpo primitivo da casa iniciou-se no século XIII, sob a posse de Tomé da Costa. No século XVIII, é adicionado outro corpo que fica perpendicular ao corpo primitivo. Finalmente, em 1984, a  residência é comprada pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Nesta última fase, são realizadas intervenções para adaptar a arquitetura para que, a partir do dia 21 de maio de 1984, pudesse ser utilizada para a Casa da Cultura da Câmara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vários os autores mencionam o Solar Condes de Resende seja pelo seu drama  familiar, seja pela presença de Eça Queiroz ou pelos eventos que atualmente este alberga. No entanto, Susana Guimarães, numa iniciativa em conjunto com os &#039;&#039;Amigos do Solar Condes de Resende&#039;&#039;, realizou uma síntese de toda a história do  edifício (conhecida até à data) estudando o edifício em si, a evolução e dinâmica da própria construção. O seu estudo analisa a Quinta como propriedade, como produtora  de rendimentos e como gestora de uma área de domínio definida. Avalia ainda se este fator era a garantida da sua influência a nível local, seguindo a transmissão geracional da propriedade, o que implica abordagens de foro  genealógico e o estudo da sua articulação com o exterior, a sociedade, através  das relações dos possidentes com os outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relativamente ao contexto físico patrimonial de proximidade, destaca-se o Coreto Paroquial de Canelas (1907). Este coreto está classificado como Imóvel  de Valor Concelhio desde 1980 e situa-se no Jardim de S. João de Canelas em frente à Igreja Matriz. Para além disso, é de notar a Igreja Paroquial de Canelas (1779),  que veio substituir um templo que existia no mesmo lugar e apresenta  características essencialmente barrocas embora ainda estejam presentes alguns traços renascentistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desconhece-se a origem da construção do Solar dos Condes de Resende. Através dos Arquivos Paroquiais do distrito do Porto, foi possível descobrir que este terreno apresenta já algum tipo de presença senhorial desde 1042. No entanto, propriedade compreendia uma área mais alargada do que é atualmente. Esta edificação destaca-se por um barroco mais singelo, mas, nunca deixa de apresentar a extravagância e cenografia tão apreciada por esta burguesia.  Atualmente, o visitante depara-se com um edifício composto de três corpos  principais que são interligados por ângulos retos que formam um pequeno claustro quadrangular que receciona o sujeito. Em suma, a casa forma um total  de dois L sendo que o corpo barroco une todo o complexo pelo exterior e interior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A casa apresenta dois andares nos quais o rés do chão serviria para funções laborais de domínio agrícola e para cavalarias. O andar nobre agregava as funções habitacionais e de lazer. Apesar de simples, esta arquitetura seguiu o cânone desta tipologia de casas nobres no barroco onde o andar inferior era ocupado por criados e os seus trabalhos que, neste caso, se prendiam  muito a produção têxtil e de gado. O andar superior fazia jus ao seu  nome e era ocupado pelos habitantes da casa e acabava por ser diferenciado  para destacar a importância de quem o preenchia. Passando agora para a descrição dos dois corpos principais da arquitetura irei denominá-los de corpo A (leste) e corpo B (norte). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O corpo A é o mais antigo. Este não apresenta traços de nobilitação em comparação com o corpo adjacente. A fachada é simples e apresenta um andar nobre onde se situavam os quartos residenciais. Diretamente abaixo dos quartos, encontravam-se as cavalarias que forneciam o calor necessário para os seus habitantes. Funcionavam, em conjunto, uma adega e uma pequena arrecadação. As janelas apresentam cantarias pétreas que as destacam  da parede branca e, ligeiramente à direita, encontramos uma pedra-de-armas dos Condes de Resende, para deixar claro quem eram os novos proprietários do Solar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabe-se que o corpo B estava edificado em 1758 através das memórias paroquiais desse ano, onde é referido “&#039;&#039;ambas cazas com foro de  fidalgos, aparentados com muitas casas ilustres, respeitadas de toda a  Provincia&#039;&#039;”. Este registo menciona também a Capela de São Tomé que se encontra no mesmo conjunto edificado. O corpo B destaca-se pela escadaria cenográfica que encontra uma &#039;&#039;loggia&#039;&#039; suportada por colunas dóricas. A escadaria é ampliada para comunicar com a capela de S. Tomé. Nesta fachada, constam janelas com cantarinhas pétreas com forma de volutas e franjas de cortinados, realizadas por pedreiros locais. No lado norte, voltado para o jardim das Camélias, as janelas e a porta são decoradas com ornatos. Para aceder ao jardim, é introduzida uma escadaria semicircular que dá ênfase à entrada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Jardim das Camélias (ou das Japoneiras) é uma área de refresco com uma fonte de pequenas dimensões. Ao estilo barroco, a fonte combina paredes ondulares concavas e convexas, que evocam o dinamismo plástico e a sumptuosidade. No lado leste, existe uma horta comunitária (ainda ativa) com várias espécies e as ruínas de um lavadoiro. O jardim das Japoneiras contém exemplares com 300 anos e uma Estátua de Eça de Queiroz (mais recente) que se enamorou nesta mesma casa por Emília de Castro Pamplona. Este espaço encontra-se atualmente na  inventariação da coleção de Marciano Azuaga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar  das intervenções realizadas pela Câmara Municipal de Gaia, houve uma preocupação em manter o interior original. As abóbadas são de madeira com motivos geometrizantes, as janelas eram acompanhadas com namoradeiras em  pedra para os visitantes poderem usufruir das suas conversas com cenários vegetativos e, no caso daquelas que se encontravam no lado oeste, para terem vista para o mar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende - detalhe de um painel azulejar com uma citação de António Lebre.jpg|left|thumb|235x235px|Detalhe de um painel azulejar com uma citação de António Lebre que diz “Foi aqui que Eça começou a enamorar-se de Emília, que veio a ter na vida literária de seu marido notável preponderância”. Esta citação é acompanhada com datação da realização do mesmo painel (1995 – ano queirosiano) e o brasão da família Resende e o brasão da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende V (49856678136).jpg|thumb|Escultura de Eça de Queiroz.&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende I (49856138448).jpg|left|thumb|Fachada principal da casa a partir do exterior.&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende - fonte do Jardim das Camélias.jpg|thumb|243x243px|Fonte do Jardim das Camélias.&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende - Porta de acesso ao Jardim das Camélias.jpg|left|thumb|218x218px|Porta de acesso ao Jardim das Camélias.&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende - Corpo Leste.jpg|thumb|Corpo A (leste).&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende - Escadaria do corpo norte.jpg|thumb|Corpo B (norte).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Capela,  José Viriato (2009). “Portugal nas memórias paroquiais de 1758: As freguesias  do distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 – memórias, história e  património. Vol. 5”. Braga: [Edição do autor]. &amp;lt;nowiki&amp;gt;ISBN 978-972-98662-4-1&amp;lt;/nowiki&amp;gt; (pg.  757-758)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&#039;&#039;&#039;Gonçalves&#039;&#039;&#039;, Flávio (1984). “Revista do  Gabinete de História e Arqueologia de vila nova de Gaia: Mestres de pedraria  gaienses que trabalharam, no século XVIII, na “Torre de Garcia D’Ávila””.  Edição s/n – 2º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 259-271).&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Susana (1996).  “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;Títulos nobiliárquicos de  Vila Nova de Gaia – II&#039;&#039;”. Edição nº 41 – 6º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg.  23-27).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Susana (2005). “A Quinta da Costa em Canelas. Vila Nova de Gaia (1766-1816):  Família, Património e Casa.” Dissertação de mestrado em Estudos Locais e  Regionais, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto. ISBN: 972-99222-1-7.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Susana (2012). “Boletim  da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;O Solar Condes de Resende e os  Cavalos&#039;&#039;”. Edição nº 74 – 12º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 27-33).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Madureira&#039;&#039;&#039;, Nuno Luís, Cidade: Espaço e  Quotidiano (Lisboa, 1740-1830), Lisboa, Livros Horizonte, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Miranda&#039;&#039;&#039;, A. I. F. (2005).  “Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia”. “&#039;&#039;Peças de fiação e  tecelagem do Solar Condes de Resende&#039;&#039;”. Edição nº 61 – 10º Vol. Vila Nova  de Gaia. (pg. 25-33).&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Santu%C3%A1rio_de_Santa_Rita&amp;diff=968</id>
		<title>Santuário de Santa Rita</title>
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		<updated>2025-12-09T11:51:16Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: Alinhamento de referências&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Imagem Noturna Fachada do Santuário de Santa Rita.jpg|thumb|Imagem Noturna Fachada do Santuário de Santa Rita]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa e de Santa Rita / Santuário de Santa Rita&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Quinta da Formiga 4445-485 Ermesinde, Porto; 41°12&#039;24&amp;quot;N 8°32&#039;21&amp;quot;O&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Séculos XVIII/ XIX&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Em estudo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DE ARTE ===&lt;br /&gt;
O Santuário de Santa Rita, também conhecido como Igreja de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa e de Santa Rita, situado em Ermesinde, cidade do distrito do Porto, em Portugal, é um dos pontos de peregrinação mais visitados da região norte e centro do país [https://www.cm-valongo.pt/descobrir/marcas-de-valongo/santuari]. A Igreja seria dedicada à Beata Virgem Maria, mas com invocação à Nossa Senhora do Bom Despacho, também desde o início, à referência a Santa Rita de Cássia, que desde sempre foi venerada pela Congregação dos Eremitas Descalços de Santo [https://www.jf-ermesinde.pt/pages/600?poi_id=19]. Este local também desempenha um papel crucial na vida comunitária e cultural da localidade de Ermesinde. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento foi sido iniciada a 1749, mais precisamente a 12 de outubro (Camilo, 1982). No entanto, tudo começou em 1745 quando Francisco Silva Guimarães, capitalista portuense, e a sua esposa fizeram uma doação da sua quinta de recreio que tinha como nome Quinta da Mão Poderosa à Congregação dos Eremitas Descalços de Santo Agostinho. Essa doação vinha com a condição de aí fundarem uma igreja e um convento ou hospício, em que os mesmo e os seus descendentes seriam sepultados e onde rezariam duas missas diárias em seus nomes. Inicialmente foram construídos os Dormitórios do Convento, de seguida foi erguida a Igreja, sob as ordens do Frei António da Anunciação, doutor de Teologia e professor da Rainha D. Vitória. A escritura terá sido realizada a 6 de julho de 1745 tendo como outorgantes os doadores e Dr. Frei José do Nascimento, como procurador do Rev. P. e Mestre Dr. Frei António da Anunciação, Vigário Geral da Congregação (Beça, 1921; Colégio de Ermesinde, 2020).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muito possivelmente já existia uma ermida no local por volta de 1745, mas nos fins do séc. XVIII e inícios do séc. XIX foi substituída pelo atual Santuário de Santa Rita. Em 1747, após Francisco Aranha Ferreira contestar uma doação, foi preciso solicitar autorização ao rei D. João V e em gratidão pelo apoio real, a congregação decidiu colocar o convento sob a proteção da rainha D. Maria Ana d&#039;Áustria, por isso colocaram como homenagem, uma águia bicéfala e o brasão imperial da casa de Áustria na fachada da igreja e em muitos outros locais ao redor do santuário e inclusive na zona de refeitório do convento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido ao apoio dado por D. João V nessa época, podemos observar a arquitetura barroca da época deste rei por toda a sua estrutura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
A escolha do local e o design do santuário foram influenciados tanto pela necessidade funcional quanto pela intenção de criar um espaço que refletisse a devoção e o respeito pela santa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o cerco do Porto entre 1832-33, este convento e igreja teve um papel muito importante para o concelho, pois serviu como hospital às tropas miguelistas, conhecido como hospital da formiga (Silva, 2011). Sabe-se que o próprio D Miguel esteve no local várias vezes em visita às suas tropas (Teixeira, 2017). No adro da igreja podemos encontrar uma inscrição que diz: “Aqui repouzam os restos mortais de humildes e desconhecidos soldados que sacrificados nas lutas liberaes entre D. Pedro e D. Miguel  pela ocasião do Cerco do Porto (1832-1834) foram sepultados em vala comum no adro d’esta egreja. R.I.P”, por isso sabe-se que em frente à entrada da igreja vários foram os soldados depositados em vala comum durante a guerra civil (Cabrita e Silva 1973).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este espaço terá servido para diferentes funções ao longo dos séculos, inicialmente apenas como igreja e convento, mais tarde como hospital (Colégio de Ermesinde, 2020). A 30 de maio de 1834, com a extinção das ordens religiosas, foi encerrado o Real Convento de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa, o que fez anos mais tarde, em 1842,  José Joaquim da Silva Pinto adquirir o convento em um leilão público e fundando assim o Colégio da Formiga no local. Em 1848, esse colégio foi fechado. Em 1877, o antigo convento passou a ter um secção masculina do Colégio de Paço de Sousa, mudando de nome para Colégio do Espírito Santo. Durante todos estes anos a igreja pertencia ao Estado, no entanto em 1877 foi integrada ao colégio quando reabriu. Em 1910, o Colégio do Espírito Santo foi encerrado e a 28 de dezembro de 1912, através de um despacho presidencial, foi autorizada a instalação de um ensino privado secundário no edifício, que passou a chamar-se Colégio de Ermesinde, onde até hoje é conhecido por esse nome e se encontra ainda aberto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A 1948 a igreja e santuário passam a ser propriedade da diocese do Porto, onde até hoje lhe pertence. Desde a sua fundação, o santuário tem sido um centro de atividades religiosas e sociais (Silva, 2015). Este local atrai peregrinos durante todo o ano, especialmente em torno da festa de Santa Rita em 22 de maio, mas também é utilizado para diversos eventos comunitários, como concertos, palestras e encontros. O Santuário de Santa Rita faz parte da rota do peregrino, rota esta criada pelo município de Valongo, em que vários peregrinos todos os dias a realizam. Este local foi alvo de diferentes manutenções. A arte sacra e os elementos decorativos do santuário, como retábulos, pinturas e esculturas também são cuidadosamente preservados. Sabemos que na década de setenta de século XX, refez-se todo o piso da Igreja, mesa do altar e colocou-se novas portas e janelas. A estrutura do coro alto por não estar muito segura e, pensando já na possibilidade de um futuro órgão de tubos, refez-se em betão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Santuário de Santa Rita é um marco arquitetónico muito importante não só para a cidade como para o distrito. Onde até hoje pessoas de todos lugares vêm visitá-lo não só pela sua arquitetura barroca como pela sua história. Um marco muito importante para este edíficio aconteceu a 26 de novembro de 1956, quando D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto declara este espaço como Santuário Diocesano [https://www.santuariodesantarita.pt/] . Embora o Santuário de Santa Rita seja um marco arquitetónico e histórico essencial para Ermesinde e para o distrito do Porto, curiosamente, até hoje não foi oficialmente classificado como monumento protegido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
A arquitetura do Santuário de Santa Rita é de estilo barroco, da época de D. João V, com o interior com influências neoclássicas. O edifício total do convento é constituído por três vastos corpos, sendo que o quarto é a igreja.  Edifício de linhas sóbrias e austeras, sem muitas decorações, duas torres sineiras, simétricas, em tons de branco e bege, com materiais como cal e granito. A sua construção terá sido iniciada pelas fachadas poente e norte, uma vez que a igreja e a fachada nascente a sul são mais recentes (Beça, 1921).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inicialmente, segundo o primeiro diretor do colégio, o convento não teria uma igreja, mas sim uma pequena capela na ponta sul a poente, mas foi rapidamente substituída pela igreja, construída nos séc. XVIII e XIX.&lt;br /&gt;
Edifício amplo de planta longitudinal, com apenas uma nave [http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/SIPA.aspx?id=29974]. A entrada da igreja é antecedida por uma grande escadaria que nos leva à fachada principal de linhas simples, o granito realça os três portais, molduras e acabamentos, criando uma contraposição com as paredes lisas e brancas. O portal principal contém um frontão triangular, interrompido e encimado por nicho com uma escultura  em pedra de Santo Agostinho. Mais acima podemos observar a Águia Bicéfala, símbolo da Casa Imperial da Áustria. &#039;&#039;(SOARES, 1988)&#039;&#039; No bico das cabeças da águia, vemos à esquerda, um tinteiro com caneta de pena, símbolos da Regra dos Agostinhos Descalços e à direita, um cinto de cabedal com fivela. A fachada é adornada por janelas, duas delas janelas retangulares emolduradas, nas extremidades podemos observar um óculo em cada lado.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Planta de nave única é complementada por capelas laterais, e uma capela-mor de forma retangular, mais baixa e estreita que a nave, teto em abóbada de berço .  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo de todo o exterior do edifício podemos observar elementos arquitetónicos como cornijas em remate, molduras dos vãos, grades das janelas em ferro e cobertura exterior em telha. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente entrando na igreja podemos logo observar os belíssimos azulejos azuis e amarelos, que tendo em conta uma análise de antiga fotografias, podemos perceber que foram colocados no séc. XX ou XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior com um amplo espaço, seis altares laterais, inicialmente com as capelas do lado esquerdo de Jesus o senhor da Cruz, S. José e Altar do Coração de Maria e do lado direito de S. Pedro de Alcântara, Coração de Jesus e Santa Rita de Cássia. (Beça, 1921). Atualmente podemos encontrar:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Altar do Senhor na Cruz;&lt;br /&gt;
* Altar de S. José;&lt;br /&gt;
* Altar de Nossa Senhora de Fátima;&lt;br /&gt;
* Altar do Sagrado Coração de Jesus;&lt;br /&gt;
* Altar de Santo António;&lt;br /&gt;
* Altar de S. Nicolau de Tolentino;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na parte superior da igreja, junto ao clerestório, vemos seis pinturas com a vida de Santo Agostinho, pintadas no séc XVIII interrompidas por amplas janelas, adornadas no topo com sanefas de talha dourada (Reis, 1904).  Há entrada, na parte superior vemos um coro com caxetões, no entanto esta zona sofreu diversas alterações, tendo inicialmente colunas usadas como suporte, mais tarde sendo retiradas e substituindo por completo  devido à insegurança da estrutura. Na cabeceira podemos observar um arco triunfal, com o símbolo da coroa real devido ao patrocínio do rei para a construção do convento e da igreja. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O altar principal foi construído mais tarde, no final do século XIX. Inicialmente, estava pintado de branco com detalhes finos que imitavam dourado, mas mais tarde recebeu uma camada de pintura castanha que fazia lembrar madeira [https://www.santuariodesantarita.pt/]. No entanto na década de setenta do século XX acabou por ser substituída por um tom verde que agora podemos observar quando visitamos o santuário. Neste altar-mor existia apenas uma ára, onde se elevava uma estátua de madeira, de um tamanho um pouco maior que o normal, da nossa senhora do Bom despacho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente no retábulo da capela-mor vemos as figuras de Santo Agostinho à esquerda, representado com os símbolos episcopais e um coração ardente na mão, e à direita temos Santa Mónica, sua mãe. Ao centro, destaca-se a imagem de Nossa Senhora do Bom Despacho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na capela-mor, inicialmente existiam dois enormes quadros com seis metros de altura e três de largura, de autor desconhecido, onde um deles nos apresentava a família sagrada e outras com as figuras de S. José Joaquim e do Profeta Zacarias. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo do edifício podemos observar vários pormenores, como as sanefas em madeira a imitar mármore e em talha, os dois púlpitos com talha dourada e as pias à entrada do espaço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objeto que se destaca neste edifício são os azulejos que podemos ver ao redor da igreja, do século XX ou XXI. A azulejaria tem um papel muito importante para o nosso distrito e para o nosso país, por isso, ter uma igreja em que os azulejos se destacam e servem como grande parte do revestimento do interior do edifício, destaca-se bastante no local. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente a parte mais importante  para todos os peregrinos é a estatuária do séc. XVIII, de Santa Rita de Cássia, com o estigma na fronte, palma com três coroas e crucifixo na mão esquerda. De modo a destacar esta estatuária, adaptou-se um espaço no séc. XX, em que foi necessário reforçar toda a estrutura do telhado, que estava em risco de desabar devido ao estado de deterioração das vigas principais que o sustentam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Lápide Séc.XIX.jpg|thumb|333x333px|Inscrição&lt;br /&gt;
File:Fachada Santuário de Santa Rita.jpg|thumb|267x267px|Fachada Santuário de Santa Rita&lt;br /&gt;
File:Altar do Senhor da Cruz- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|252x252px|Altar do Senhor da Cruz&lt;br /&gt;
File:Altar de S. José- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|250x250px|Altar de S. José&lt;br /&gt;
File:Altar Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|231x231px|Altar de Nossa Senhora de Fátima&lt;br /&gt;
File:Capela Lateral 2- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|251x251px|Altar do Sagrado Coração de Jesus&lt;br /&gt;
File:Altar- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|268x268px|Altar de Santo António&lt;br /&gt;
File:Capela lateral- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|243x243px|Altar de S. Nicolau de Tolentino&lt;br /&gt;
File:Arco triunfal- Santuário de Santa Rita.jpg|thumb|200x200px|Arco triunfal- Santuário de Santa Rita&lt;br /&gt;
File:Clerestório- Santuário de Santa rita.jpg|thumb|267x267px|ClerestórioFile:Altar-mor aberto Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|267x267px|Retábulo&lt;br /&gt;
File:Altar-mor Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|267x267px|Altar-mor Santuário de Santa Rita&lt;br /&gt;
File:Sanefa- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|200x200px|Sanefa- Santuário de Santa Rita&lt;br /&gt;
File:Pia- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|200x200px|Pia&lt;br /&gt;
File:Coro- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|200x200px|Atual Coro&lt;br /&gt;
File:Púlpito- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|194x194px|Púlpito&lt;br /&gt;
File:Azulejos- Parede do Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|229x229px|Revestimento das Paredes em Azulejo&lt;br /&gt;
File:Estatuária de Santa Rita de Cássia Séc. XVIII.jpg|center|thumb|228x228px|Estatuária de Santa Rita de Cássia Séc. XVIII&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=29974&lt;br /&gt;
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&#039;&#039;&#039;Beça&#039;&#039;&#039;, Umberto, (1921) Ermezinde Monografia, Companhia Portugueza Editora;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Cabrita&#039;&#039;&#039;, António; &#039;&#039;&#039;Silva&#039;&#039;&#039;; Maria, (1973) Monografia do Concelho de Valongo;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Câmara Municipal de Valongo&#039;&#039;&#039;, Concelho de Valongo;&lt;br /&gt;
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&#039;&#039;&#039;Camilo&#039;&#039;&#039;, Joaquim, (1982) História de Valongo;&lt;br /&gt;
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&#039;&#039;&#039;Reis&#039;&#039;&#039;, Joaquim, (1904) A Villa de Vallongo;&lt;br /&gt;
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&#039;&#039;&#039;Soares&#039;&#039;&#039; Jacinto, (1988) Boletim Municipal, Ermesinde Um Pouco da sua Remota História, julho- setembro;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Teixeira&#039;&#039;&#039;, Joana, (2017) O Turismo Geocultural como estratégia para a valorização territorial do Concelho de Valongo, Faculdade de Letras da Universidade do Porto;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Santu%C3%A1rio_de_Santa_Rita&amp;diff=966</id>
		<title>Santuário de Santa Rita</title>
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		<updated>2025-12-09T11:39:36Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: Compilar imagens&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa e de Santa Rita / Santuário de Santa Rita&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Quinta da Formiga 4445-485 Ermesinde, Porto; 41°12&#039;24&amp;quot;N 8°32&#039;21&amp;quot;O&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Séculos XVIII/ XIX&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Em estudo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DE ARTE ===&lt;br /&gt;
[[File:Imagem Noturna Fachada do Santuário de Santa Rita.jpg|thumb|Imagem Noturna Fachada do Santuário de Santa Rita]]&lt;br /&gt;
O Santuário de Santa Rita, também conhecido como Igreja de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa e de Santa Rita, situado em Ermesinde, cidade do distrito do Porto, em Portugal, é um dos pontos de peregrinação mais visitados da região norte e centro do país [https://www.cm-valongo.pt/descobrir/marcas-de-valongo/santuari (CM-VALONGO)]. A Igreja seria dedicada à Beata Virgem Maria, mas com invocação à Nossa Senhora do Bom Despacho, também desde o início, à referência a Santa Rita de Cássia, que desde sempre foi venerada pela Congregação dos Eremitas Descalços de Santo [https://www.jf-ermesinde.pt/pages/600?poi_id=19 (JUNTA DE FREGUESIA DE ERMESINDE)]. Este local também desempenha um papel crucial na vida comunitária e cultural da localidade de Ermesinde. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento &#039;&#039;(CAMILO, 1982)&#039;&#039; terá sido iniciada a 1749, mais precisamente a 12 de outubro. No entanto, tudo começou em 1745 quando Francisco Silva Guimarães, capitalista portuense, e a sua esposa fizeram uma doação da sua quinta de recreio que tinha como nome Quinta da Mão Poderosa à Congregação dos Eremitas Descalços de Santo Agostinho. Essa doação vinha com a condição de aí fundarem uma igreja e um convento ou hospício, em que os mesmo e os seus descendentes seriam sepultados e onde rezariam duas missas diárias em seus nomes. Inicialmente foram construídos os Dormitórios do Convento, de seguida foi erguida a Igreja, sob as ordens do Frei António da Anunciação, doutor de Teologia e professor da Rainha D. Vitória. A escritura &#039;&#039;(BEÇA, 1921)&#039;&#039;  terá sido realizada a 6 de julho de 1745 tendo como outorgantes os doadores e Dr. Frei José do Nascimento, como procurador do Rev. P. e Mestre Dr. Frei António da Anunciação, Vigário Geral da Congregação &#039;&#039;(COLÉGIO DE ERMESINDE, 2020)&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muito possivelmente já existia uma ermida no local por volta de 1745, mas nos fins do séc. XVIII e inícios do séc. XIX foi substituída pelo atual Santuário de Santa Rita. Em 1747, após Francisco Aranha Ferreira contestar uma doação, foi preciso solicitar autorização ao rei D. João V e em gratidão pelo apoio real, a congregação decidiu colocar o convento sob a proteção da rainha D. Maria Ana d&#039;Áustria, por isso colocaram como homenagem, uma águia bicéfala e o brasão imperial da casa de Áustria na fachada da igreja e em muitos outros locais ao redor do santuário e inclusive na zona de refeitório do convento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido ao apoio dado por D. João V nessa época, podemos observar a arquitetura barroca da época deste rei por toda a sua estrutura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
A escolha do local e o design do santuário foram influenciados tanto pela necessidade funcional quanto pela intenção de criar um espaço que refletisse a devoção e o respeito pela santa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o cerco do Porto entre 1832-33 &#039;&#039;(SILVA, 2011)&#039;&#039;, este convento e igreja teve um papel muito importante para o concelho, pois serviu como hospital às tropas miguelistas, conhecido como hospital da formiga, sabe-se que o próprio D Miguel esteve no local várias vezes em visita às suas tropas. &#039;&#039;(TEIXEIRA, 2017)&#039;&#039; No adro da igreja podemos encontrar uma inscrição que diz: “Aqui repouzam os restos mortais de humildes e desconhecidos soldados que sacrificados nas lutas liberaes entre D. Pedro e D. Miguel  pela ocasião do Cerco do Porto (1832-1834) foram sepultados em vala comum no adro d’esta egreja. R.I.P”, por isso sabe-se que em frente à entrada da igreja vários foram os soldados depositados em vala comum durante a guerra civil. &#039;&#039;(CABRITA; SILVA; 1973)&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este espaço terá servido para diferentes funções ao longo dos séculos, &#039;&#039;(COLÉGIO DE ERMESINDE, 2020)&#039;&#039; inicialmente apenas como igreja e convento, mais tarde como hospital. A 30 de maio de 1834, com a extinção das ordens religiosas, foi encerrado o Real Convento de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa, o que fez anos mais tarde, em 1842,  José Joaquim da Silva Pinto adquirir o convento em um leilão público e fundando assim o Colégio da Formiga no local. Em 1848, esse colégio foi fechado. Em 1877, o antigo convento passou a ter um secção masculina do Colégio de Paço de Sousa, mudando de nome para Colégio do Espírito Santo. Durante todos estes anos a igreja pertencia ao Estado, no entanto em 1877 foi integrada ao colégio quando reabriu. Em 1910, o Colégio do Espírito Santo foi encerrado e a 28 de dezembro de 1912, através de um despacho presidencial, foi autorizada a instalação de um ensino privado secundário no edifício, que passou a chamar-se Colégio de Ermesinde, onde até hoje é conhecido por esse nome e se encontra ainda aberto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A 1948 a igreja e santuário passam a ser propriedade da diocese do Porto, onde até hoje lhe pertence. Desde a sua fundação, o santuário tem sido um centro de atividades religiosas e sociais. &#039;&#039;(SILVA; 2015)&#039;&#039; Este local atrai peregrinos durante todo o ano, especialmente em torno da festa de Santa Rita em 22 de maio, mas também é utilizado para diversos eventos comunitários, como concertos, palestras e encontros. O Santuário de Santa Rita faz parte da rota do peregrino, rota esta criada pelo município de Valongo, em que vários peregrinos todos os dias a realizam. Este local foi alvo de diferentes manutenções. A arte sacra e os elementos decorativos do santuário, como retábulos, pinturas e esculturas também são cuidadosamente preservados. Sabemos que na década de setenta de século XX, refez-se todo o piso da Igreja, mesa do altar e colocou-se novas portas e janelas. A estrutura do coro alto por não estar muito segura e, pensando já na possibilidade de um futuro órgão de tubos, refez-se em betão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Santuário de Santa Rita é um marco arquitetónico muito importante não só para a cidade como para o distrito. Onde até hoje pessoas de todos lugares vêm visitá-lo não só pela sua arquitetura barroca como pela sua história. Um marco muito importante para este edíficio aconteceu a 26 de novembro de 1956, quando D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto declara este espaço como Santuário Diocesano, &#039;&#039;[https://www.santuariodesantarita.pt/ (SANTUÁRIO DE SANTA RITA)]&#039;&#039; . Embora o Santuário de Santa Rita seja um marco arquitetónico e histórico essencial para Ermesinde e para o distrito do Porto, curiosamente, até hoje não foi oficialmente classificado como monumento protegido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
A arquitetura do Santuário de Santa Rita é de estilo barroco, da época de D. João V, com o interior com influências neoclássicas. O edifício total do convento é constituído por três vastos corpos, sendo que o quarto é a igreja.  Edifício de linhas sóbrias e austeras, sem muitas decorações, duas torres sineiras, simétricas, em tons de branco e bege, com materiais como cal e granito. A sua construção terá sido iniciada pelas fachadas poente e norte, uma vez que a igreja e a fachada nascente a sul são mais recentes &#039;&#039;(BEÇA, 1921)&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inicialmente, segundo o primeiro diretor do colégio, o convento não teria uma igreja, mas sim uma pequena capela na ponta sul a poente, mas foi rapidamente substituída pela igreja, construída nos séc. XVIII e XIX.[[File:Fachada Santuário de Santa Rita.jpg|thumb|267x267px|Fachada Santuário de Santa Rita]]&lt;br /&gt;
Edifício amplo de planta longitudinal, com apenas uma nave. [http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/SIPA.aspx?id=29974 (&#039;&#039;SIPA)&#039;&#039;] A entrada da igreja é antecedida por uma grande escadaria que nos leva à fachada principal de linhas simples, o granito realça os três portais, molduras e acabamentos, criando uma contraposição com as paredes lisas e brancas. O portal principal contém um frontão triangular, interrompido e encimado por nicho com uma escultura  em pedra de Santo Agostinho. Mais acima podemos observar a Águia Bicéfala, símbolo da Casa Imperial da Áustria. &#039;&#039;(SOARES, 1988)&#039;&#039; No bico das cabeças da águia, vemos à esquerda, um tinteiro com caneta de pena, símbolos da Regra dos Agostinhos Descalços e à direita, um cinto de cabedal com fivela. A fachada é adornada por janelas, duas delas janelas retangulares emolduradas, nas extremidades podemos observar um óculo em cada lado.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Planta de nave única é complementada por capelas laterais, e uma capela-mor de forma retangular, mais baixa e estreita que a nave, teto em abóbada de berço .  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo de todo o exterior do edifício podemos observar elementos arquitetónicos como cornijas em remate, molduras dos vãos, grades das janelas em ferro e cobertura exterior em telha. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente entrando na igreja podemos logo observar os belíssimos azulejos azuis e amarelos, que tendo em conta uma análise de antiga fotografias, podemos perceber que foram colocados no séc. XX ou XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior com um amplo espaço, seis altares laterais, inicialmente com as capelas do lado esquerdo de Jesus o senhor da Cruz, S. José e Altar do Coração de Maria e do lado direito de S. Pedro de Alcântara, Coração de Jesus e Santa Rita de Cássia. (&#039;&#039;BEÇA, 1921)&#039;&#039;. Atualmente podemos encontrar:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Altar do Senhor na Cruz;&lt;br /&gt;
* Altar de S. José;&lt;br /&gt;
* Altar de Nossa Senhora de Fátima;&lt;br /&gt;
* Altar do Sagrado Coração de Jesus;&lt;br /&gt;
* Altar de Santo António;&lt;br /&gt;
* Altar de S. Nicolau de Tolentino;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na parte superior da igreja, junto ao clerestório, vemos seis pinturas com a vida de Santo Agostinho, pintadas no séc XVIII. &#039;&#039;(REIS, 1904)&#039;&#039; interrompidas por amplas janelas, adornadas no topo com sanefas de talha dourada.  Há entrada, na parte superior vemos um coro com caxetões, no entanto esta zona sofreu diversas alterações, tendo inicialmente colunas usadas como suporte, mais tarde sendo retiradas e substituindo por completo  devido à insegurança da estrutura. Na cabeceira podemos observar um arco triunfal, com o símbolo da coroa real devido ao patrocínio do rei para a construção do convento e da igreja. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O altar principal foi construído mais tarde, no final do século XIX. Inicialmente, estava pintado de branco com detalhes finos que imitavam dourado, mas mais tarde recebeu uma camada de pintura castanha que fazia lembrar madeira, &#039;&#039;[https://www.santuariodesantarita.pt/ (SANTUÁRIO DE SANTA RITA]&#039;&#039;) no entanto na década de setenta do século XX acabou por ser substituída por um tom verde que agora podemos observar quando visitamos o santuário. Neste altar-mor existia apenas uma ára, onde se elevava uma estátua de madeira, de um tamanho um pouco maior que o normal, da nossa senhora do Bom despacho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente no retábulo da capela-mor vemos as figuras de Santo Agostinho à esquersa, represedo com os símbolos episcopais e um coração ardente na mão, e à direita temos Santa Mónica, sua mãe. Ao centro, destaca-se a imagem de Nossa Senhora do Bom Despacho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na capela-mor, inicialmente existiam dois enormes quadros com seis metros de altura e três de largura, de autor desconhecido, onde um deles nos apresentava a família sagrada e outras com as figuras de S. José Joaquim e do Profeta Zacarias. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo do edifício podemos observar vários pormenores, como as sanefas em madeira a imitar mármore e em talha, os dois púlpitos com talha dourada e as pias à entrada do espaço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objeto que se destaca neste edifício são os azulejos que podemos ver ao redor da igreja, do século XX ou XXI. A azulejaria tem um papel muito importante para o nosso distrito e para o nosso país, por isso, ter uma igreja em que os azulejos se destacam e servem como grande parte do revestimento do interior do edifício, destaca-se bastante no local. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente a parte mais importante  para todos os peregrinos é a estatuária do séc. XVIII, de Santa Rita de Cássia, com o estigma na fronte, palma com três coroas e crucifixo na mão esquerda. De modo a destacar esta estatuária, adaptou-se um espaço no séc. XX, em que foi necessário reforçar toda a estrutura do telhado, que estava em risco de desabar devido ao estado de deterioração das vigas principais que o sustentam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Lápide Séc.XIX.jpg|thumb|333x333px|Inscrição&lt;br /&gt;
File:Altar do Senhor da Cruz- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|252x252px|Altar do Senhor da Cruz&lt;br /&gt;
File:Altar de S. José- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|250x250px|Altar de S. José&lt;br /&gt;
File:Altar Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|231x231px|Altar de Nossa Senhora de Fátima&lt;br /&gt;
File:Capela Lateral 2- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|251x251px|Altar do Sagrado Coração de Jesus&lt;br /&gt;
File:Altar- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|268x268px|Altar de Santo António&lt;br /&gt;
File:Capela lateral- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|243x243px|Altar de S. Nicolau de Tolentino&lt;br /&gt;
File:Arco triunfal- Santuário de Santa Rita.jpg|thumb|200x200px|Arco triunfal- Santuário de Santa Rita&lt;br /&gt;
File:Clerestório- Santuário de Santa rita.jpg|thumb|267x267px|ClerestórioFile:Altar-mor aberto Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|267x267px|Retábulo&lt;br /&gt;
File:Altar-mor Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|267x267px|Altar-mor Santuário de Santa Rita&lt;br /&gt;
File:Sanefa- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|200x200px|Sanefa- Santuário de Santa Rita&lt;br /&gt;
File:Pia- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|200x200px|Pia&lt;br /&gt;
File:Coro- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|200x200px|Atual Coro&lt;br /&gt;
File:Púlpito- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|194x194px|Púlpito&lt;br /&gt;
File:Azulejos- Parede do Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|229x229px|Revestimento das Paredes em Azulejo&lt;br /&gt;
File:Estatuária de Santa Rita de Cássia Séc. XVIII.jpg|center|thumb|228x228px|Estatuária de Santa Rita de Cássia Séc. XVIII&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=29974&lt;br /&gt;
https://www.santuariodesantarita.pt/santuario/historia/&lt;br /&gt;
https://www.cm-valongo.pt/descobrir/marcas-de-valongo/santuario&lt;br /&gt;
https://www.jf-ermesinde.pt/pages/600?poi_id=19&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Beça&#039;&#039;&#039;, Umberto, (1921) Ermezinde Monografia, Companhia Portugueza Editora;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Cabrita&#039;&#039;&#039;, António; &#039;&#039;&#039;Silva&#039;&#039;&#039;; Maria, (1973) Monografia do Concelho de Valongo;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Câmara Municipal de Valongo&#039;&#039;&#039;, Concelho de Valongo;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Câmara Municipal de Valongo&#039;&#039;&#039;, (2000/2001) Anuário Municipal 2000/2001;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Camilo&#039;&#039;&#039;, Joaquim, (1982) História de Valongo;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Cleto&#039;&#039;&#039;, Joel, (2024) O Vale Sagrado - Património Religioso no Concelho de Valongo, 1º edição;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Colégio de Ermesinde&#039;&#039;&#039;, (2020) Plano Educativo 2020-2024;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Reis&#039;&#039;&#039;, Joaquim, (1904) A Villa de Vallongo;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Silva&#039;&#039;&#039;, Avelino, (2015) Santuário de Santa Rita: Igreja e Convento dos Agostinhos : uma história de gerações, Ermesinde : Colégio de Ermesinde;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Silva&#039;&#039;&#039;, Susana, (2011) Conceção de itinerário de turismo religioso para a cidade de Valongo, Universidade de Aveiro;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Soares&#039;&#039;&#039; Jacinto, (1988) Boletim Municipal, Ermesinde Um Pouco da sua Remota História, julho- setembro;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Teixeira&#039;&#039;&#039;, Joana, (2017) O Turismo Geocultural como estratégia para a valorização territorial do Concelho de Valongo, Faculdade de Letras da Universidade do Porto;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Santu%C3%A1rio_de_Santa_Rita&amp;diff=963</id>
		<title>Santuário de Santa Rita</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Santu%C3%A1rio_de_Santa_Rita&amp;diff=963"/>
		<updated>2025-12-09T11:07:10Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: Identificação corrigida&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa e de Santa Rita / Santuário de Santa Rita&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Quinta da Formiga 4445-485 Ermesinde, Porto; 41°12&#039;24&amp;quot;N 8°32&#039;21&amp;quot;O&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Séculos XVIII/ XIX&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Em estudo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DE ARTE ===&lt;br /&gt;
[[File:Imagem Noturna Fachada do Santuário de Santa Rita.jpg|thumb|Imagem Noturna Fachada do Santuário de Santa Rita]]&lt;br /&gt;
O Santuário de Santa Rita, também conhecido como Igreja de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa e de Santa Rita, situado em Ermesinde, cidade do distrito do Porto, em Portugal, é um dos pontos de peregrinação mais visitados da região norte e centro do país [https://www.cm-valongo.pt/descobrir/marcas-de-valongo/santuari (CM-VALONGO)]. A Igreja seria dedicada à Beata Virgem Maria, mas com invocação à Nossa Senhora do Bom Despacho, também desde o início, à referência a Santa Rita de Cássia, que desde sempre foi venerada pela Congregação dos Eremitas Descalços de Santo [https://www.jf-ermesinde.pt/pages/600?poi_id=19 (JUNTA DE FREGUESIA DE ERMESINDE)]. Este local também desempenha um papel crucial na vida comunitária e cultural da localidade de Ermesinde. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do convento &#039;&#039;(CAMILO, 1982)&#039;&#039; terá sido iniciada a 1749, mais precisamente a 12 de outubro. No entanto, tudo começou em 1745 quando Francisco Silva Guimarães, capitalista portuense, e a sua esposa fizeram uma doação da sua quinta de recreio que tinha como nome Quinta da Mão Poderosa à Congregação dos Eremitas Descalços de Santo Agostinho. Essa doação vinha com a condição de aí fundarem uma igreja e um convento ou hospício, em que os mesmo e os seus descendentes seriam sepultados e onde rezariam duas missas diárias em seus nomes. Inicialmente foram construídos os Dormitórios do Convento, de seguida foi erguida a Igreja, sob as ordens do Frei António da Anunciação, doutor de Teologia e professor da Rainha D. Vitória. A escritura &#039;&#039;(BEÇA, 1921)&#039;&#039;  terá sido realizada a 6 de julho de 1745 tendo como outorgantes os doadores e Dr. Frei José do Nascimento, como procurador do Rev. P. e Mestre Dr. Frei António da Anunciação, Vigário Geral da Congregação &#039;&#039;(COLÉGIO DE ERMESINDE, 2020)&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muito possivelmente já existia uma ermida no local por volta de 1745, mas nos fins do séc. XVIII e inícios do séc. XIX foi substituída pelo atual Santuário de Santa Rita. Em 1747, após Francisco Aranha Ferreira contestar uma doação, foi preciso solicitar autorização ao rei D. João V e em gratidão pelo apoio real, a congregação decidiu colocar o convento sob a proteção da rainha D. Maria Ana d&#039;Áustria, por isso colocaram como homenagem, uma águia bicéfala e o brasão imperial da casa de Áustria na fachada da igreja e em muitos outros locais ao redor do santuário e inclusive na zona de refeitório do convento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido ao apoio dado por D. João V nessa época, podemos observar a arquitetura barroca da época deste rei por toda a sua estrutura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== &amp;lt;big&amp;gt;Enquadramento:&amp;lt;/big&amp;gt; ====&lt;br /&gt;
[[File:Lápide Séc.XIX.jpg|thumb|333x333px|Inscrição]]&lt;br /&gt;
 	A escolha do local e o design do santuário foram influenciados tanto pela necessidade funcional quanto pela intenção de criar um espaço que refletisse a devoção e o respeito pela santa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o cerco do Porto entre 1832-33 &#039;&#039;(SILVA, 2011)&#039;&#039;, este convento e igreja teve um papel muito importante para o concelho, pois serviu como hospital às tropas miguelistas, conhecido como hospital da formiga, sabe-se que o próprio D Miguel esteve no local várias vezes em visita às suas tropas. &#039;&#039;(TEIXEIRA, 2017)&#039;&#039; No adro da igreja podemos encontrar uma inscrição que diz: “Aqui repouzam os restos mortais de humildes e desconhecidos soldados que sacrificados nas lutas liberaes entre D. Pedro e D. Miguel  pela ocasião do Cerco do Porto (1832-1834) foram sepultados em vala comum no adro d’esta egreja. R.I.P”, por isso sabe-se que em frente à entrada da igreja vários foram os soldados depositados em vala comum durante a guerra civil. &#039;&#039;(CABRITA; SILVA; 1973)&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este espaço terá servido para diferentes funções ao longo dos séculos, &#039;&#039;(COLÉGIO DE ERMESINDE, 2020)&#039;&#039; inicialmente apenas como igreja e convento, mais tarde como hospital. A 30 de maio de 1834, com a extinção das ordens religiosas, foi encerrado o Real Convento de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa, o que fez anos mais tarde, em 1842,  José Joaquim da Silva Pinto adquirir o convento em um leilão público e fundando assim o Colégio da Formiga no local. Em 1848, esse colégio foi fechado. Em 1877, o antigo convento passou a ter um secção masculina do Colégio de Paço de Sousa, mudando de nome para Colégio do Espírito Santo. Durante todos estes anos a igreja pertencia ao Estado, no entanto em 1877 foi integrada ao colégio quando reabriu. Em 1910, o Colégio do Espírito Santo foi encerrado e a 28 de dezembro de 1912, através de um despacho presidencial, foi autorizada a instalação de um ensino privado secundário no edifício, que passou a chamar-se Colégio de Ermesinde, onde até hoje é conhecido por esse nome e se encontra ainda aberto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A 1948 a igreja e santuário passam a ser propriedade da diocese do Porto, onde até hoje lhe pertence. Desde a sua fundação, o santuário tem sido um centro de atividades religiosas e sociais. &#039;&#039;(SILVA; 2015)&#039;&#039; Este local atrai peregrinos durante todo o ano, especialmente em torno da festa de Santa Rita em 22 de maio, mas também é utilizado para diversos eventos comunitários, como concertos, palestras e encontros. O Santuário de Santa Rita faz parte da rota do peregrino, rota esta criada pelo município de Valongo, em que vários peregrinos todos os dias a realizam. Este local foi alvo de diferentes manutenções. A arte sacra e os elementos decorativos do santuário, como retábulos, pinturas e esculturas também são cuidadosamente preservados. Sabemos que na década de setenta de século XX, refez-se todo o piso da Igreja, mesa do altar e colocou-se novas portas e janelas. A estrutura do coro alto por não estar muito segura e, pensando já na possibilidade de um futuro órgão de tubos, refez-se em betão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Santuário de Santa Rita é um marco arquitetónico muito importante não só para a cidade como para o distrito. Onde até hoje pessoas de todos lugares vêm visitá-lo não só pela sua arquitetura barroca como pela sua história. Um marco muito importante para este edíficio aconteceu a 26 de novembro de 1956, quando D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto declara este espaço como Santuário Diocesano, &#039;&#039;[https://www.santuariodesantarita.pt/ (SANTUÁRIO DE SANTA RITA)]&#039;&#039; . Embora o Santuário de Santa Rita seja um marco arquitetónico e histórico essencial para Ermesinde e para o distrito do Porto, curiosamente, até hoje não foi oficialmente classificado como monumento protegido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===== &amp;lt;big&amp;gt;Descrição:&amp;lt;/big&amp;gt; =====&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
       	A arquitetura do Santuário de Santa Rita é de estilo barroco, da época de D. João V, com o interior com influências neoclássicas. O edifício total do convento é constituído por três vastos corpos, sendo que o quarto é a igreja.  Edifício de linhas sóbrias e austeras, sem muitas decorações, duas torres sineiras, simétricas, em tons de branco e bege, com materiais como cal e granito. A sua construção terá sido iniciada pelas fachadas poente e norte, uma vez que a igreja e a fachada nascente a sul são mais recentes &#039;&#039;(BEÇA, 1921)&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
       	Inicialmente, segundo o primeiro diretor do colégio, o convento não teria uma igreja, mas sim uma pequena capela na ponta sul a poente, mas foi rapidamente substituída pela igreja, construída nos séc. XVIII e XIX.&lt;br /&gt;
[[File:Fachada Santuário de Santa Rita.jpg|thumb|267x267px|Fachada Santuário de Santa Rita]]&lt;br /&gt;
Edifício amplo de planta longitudinal, com apenas uma nave. [http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/SIPA.aspx?id=29974 (&#039;&#039;SIPA)&#039;&#039;] A entrada da igreja é antecedida por uma grande escadaria que nos leva à fachada principal de linhas simples, o granito realça os três portais, molduras e acabamentos, criando uma contraposição com as paredes lisas e brancas. O portal principal contém um frontão triangular, interrompido e encimado por nicho com uma escultura  em pedra de Santo Agostinho. Mais acima podemos observar a Águia Bicéfala, símbolo da Casa Imperial da Áustria. &#039;&#039;(SOARES, 1988)&#039;&#039; No bico das cabeças da águia, vemos à esquerda, um tinteiro com caneta de pena, símbolos da Regra dos Agostinhos Descalços e à direita, um cinto de cabedal com fivela. A fachada é adornada por janelas, duas delas janelas retangulares emolduradas, nas extremidades podemos observar um óculo em cada lado.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Planta de nave única é complementada por capelas laterais, e uma capela-mor de forma retangular, mais baixa e estreita que a nave, teto em abóbada de berço .  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo de todo o exterior do edifício podemos observar elementos arquitetónicos como cornijas em remate, molduras dos vãos, grades das janelas em ferro e cobertura exterior em telha. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
======   &amp;lt;big&amp;gt;Património Integrado:&amp;lt;/big&amp;gt; ======&lt;br /&gt;
       	 Atualmente entrando na igreja podemos logo observar os belíssimos azulejos azuis e amarelos, que tendo em conta uma análise de antiga fotografias, podemos perceber que foram colocados no séc. XX ou XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interior com um amplo espaço, seis altares laterais, inicialmente com as capelas do lado esquerdo de Jesus o senhor da Cruz, S. José e Altar do Coração de Maria e do lado direito de S. Pedro de Alcântara, Coração de Jesus e Santa Rita de Cássia. (&#039;&#039;BEÇA, 1921)&#039;&#039;. Atualmente podemos encontrar:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Altar do Senhor na Cruz;&lt;br /&gt;
* Altar de S. José;&lt;br /&gt;
* Altar de Nossa Senhora de Fátima;&lt;br /&gt;
* Altar do Sagrado Coração de Jesus;&lt;br /&gt;
* Altar de Santo António;&lt;br /&gt;
* Altar de S. Nicolau de Tolentino;&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|+&lt;br /&gt;
![[File:Altar do Senhor da Cruz- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|252x252px|Altar do Senhor da Cruz]]&lt;br /&gt;
![[File:Altar de S. José- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|250x250px|Altar de S. José]]&lt;br /&gt;
![[File:Altar Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|231x231px|Altar de Nossa Senhora de Fátima]]&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|[[File:Capela Lateral 2- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|251x251px|Altar do Sagrado Coração de Jesus]]&lt;br /&gt;
|[[File:Altar- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|268x268px|Altar de Santo António]]&lt;br /&gt;
|[[File:Capela lateral- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|243x243px|Altar de S. Nicolau de Tolentino]]&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
[[File:Arco triunfal- Santuário de Santa Rita.jpg|thumb|200x200px|Arco triunfal- Santuário de Santa Rita]]&lt;br /&gt;
Na parte superior da igreja, junto ao clerestório, vemos seis pinturas com a vida de Santo Agostinho, pintadas no séc XVIII. &#039;&#039;(REIS, 1904)&#039;&#039; interrompidas por amplas janelas, adornadas no topo com sanefas de talha dourada.  Há entrada, na parte superior vemos um coro com caxetões, no entanto esta zona sofreu diversas alterações, tendo inicialmente colunas usadas como suporte, mais tarde sendo retiradas e substituindo por completo  devido à insegurança da estrutura. Na cabeceira podemos observar um arco triunfal, com o símbolo da coroa real devido ao patrocínio do rei para a construção do convento e da igreja.  &lt;br /&gt;
[[File:Clerestório- Santuário de Santa rita.jpg|thumb|267x267px|Clerestório]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
       	O altar principal foi construído mais tarde, no final do século XIX. Inicialmente, estava pintado de branco com detalhes finos que imitavam dourado, mas mais tarde recebeu uma camada de pintura castanha que fazia lembrar madeira, &#039;&#039;[https://www.santuariodesantarita.pt/ (SANTUÁRIO DE SANTA RITA]&#039;&#039;) no entanto na década de setenta do século XX acabou por ser substituída por um tom verde que agora podemos observar quando visitamos o santuário. Neste altar-mor existia apenas uma ára, onde se elevava uma estátua de madeira, de um tamanho um pouco maior que o normal, da nossa senhora do Bom despacho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente no retábulo da capela-mor vemos as figuras de Santo Agostinho à esquersa, represedo com os símbolos episcopais e um coração ardente na mão, e à direita temos Santa Mónica, sua mãe. Ao centro, destaca-se a imagem de Nossa Senhora do Bom Despacho.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|+&lt;br /&gt;
![[File:Altar-mor aberto Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|267x267px|Retábulo]]&lt;br /&gt;
![[File:Altar-mor Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|267x267px|Altar-mor Santuário de Santa Rita]]&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
Na capela-mor, inicialmente existiam dois enormes quadros com seis metros de altura e três de largura, de autor desconhecido, onde um deles nos apresentava a família sagrada e outras com as figuras de S. José Joaquim e do Profeta Zacarias. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo do edifício podemos observar vários pormenores, como as sanefas em madeira a imitar mármore e em talha, os dois púlpitos com talha dourada e as pias à entrada do espaço.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|+&lt;br /&gt;
![[File:Sanefa- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|200x200px|Sanefa- Santuário de Santa Rita]]&lt;br /&gt;
![[File:Pia- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|200x200px|Pia]]&lt;br /&gt;
![[File:Coro- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|200x200px|Atual Coro]]&lt;br /&gt;
![[File:Púlpito- Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|194x194px|Púlpito]]&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====== &amp;lt;big&amp;gt;Objeto ou Conjunto em Destaque:&amp;lt;/big&amp;gt; ======&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objeto que se destaca neste edifício são os azulejos que podemos ver ao redor da igreja, do século XX ou XXI. A azulejaria tem um papel muito importante para o nosso distrito e para o nosso país, por isso, ter uma igreja em que os azulejos se destacam e servem como grande parte do revestimento do interior do edifício, destaca-se bastante no local. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente a parte mais importante  para todos os peregrinos é a estatuária do séc. XVIII, de Santa Rita de Cássia, com o estigma na fronte, palma com três coroas e crucifixo na mão esquerda. De modo a destacar esta estatuária, adaptou-se um espaço no séc. XX, em que foi necessário reforçar toda a estrutura do telhado, que estava em risco de desabar devido ao estado de deterioração das vigas principais que o sustentam.&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|+&lt;br /&gt;
|[[File:Azulejos- Parede do Santuário de Santa Rita.jpg|center|thumb|229x229px|Revestimento das Paredes em Azulejo]]&lt;br /&gt;
|[[File:Estatuária de Santa Rita de Cássia Séc. XVIII.jpg|center|thumb|228x228px|Estatuária de Santa Rita de Cássia Séc. XVIII]]&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes: ==&lt;br /&gt;
http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=29974&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://www.santuariodesantarita.pt/santuario/historia/&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://www.cm-valongo.pt/descobrir/marcas-de-valongo/santuario&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://www.jf-ermesinde.pt/pages/600?poi_id=19&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://earth.google.com/web/search/Santu%c3%a1rio+de+Santa+Rita+de+C%c3%a1ssia,+Ermesinde/@41.20609609,-8.54169927,164.59646921a,85.95277134d,35y,0h,0t,0r/data=CigiJgokCXxv-JCgmkRAEbwKamk2mkRAGY9Z8DJVEyHAIQzJntQ6GCHAOgMKATA&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Bibliografia: ==&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Beça&#039;&#039;&#039;, Umberto, (1921) Ermezinde Monografia, Companhia Portugueza Editora;&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Cabrita&#039;&#039;&#039;, António; &#039;&#039;&#039;Silva&#039;&#039;&#039;; Maria, (1973) Monografia do Concelho de Valongo;&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Câmara Municipal de Valongo&#039;&#039;&#039;, Concelho de Valongo;&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Câmara Municipal de Valongo&#039;&#039;&#039;, (2000/2001) Anuário Municipal 2000/2001;&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Camilo&#039;&#039;&#039;, Joaquim, (1982) História de Valongo;&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Cleto&#039;&#039;&#039;, Joel, (2024) O Vale Sagrado - Património Religioso no Concelho de Valongo, 1º edição;&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Colégio de Ermesinde&#039;&#039;&#039;, (2020) Plano Educativo 2020-2024;&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Reis&#039;&#039;&#039;, Joaquim, (1904) A Villa de Vallongo;&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Silva&#039;&#039;&#039;, Avelino, (2015) Santuário de Santa Rita: Igreja e Convento dos Agostinhos : uma história de gerações, Ermesinde : Colégio de Ermesinde;&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Silva&#039;&#039;&#039;, Susana, (2011) Conceção de itinerário de turismo religioso para a cidade de Valongo, Universidade de Aveiro;&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Soares&#039;&#039;&#039; Jacinto, (1988) Boletim Municipal, Ermesinde Um Pouco da sua Remota História, julho- setembro;&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Teixeira&#039;&#039;&#039;, Joana, (2017) O Turismo Geocultural como estratégia para a valorização territorial do Concelho de Valongo, Faculdade de Letras da Universidade do Porto;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Solar_Condes_de_Resende&amp;diff=962</id>
		<title>Solar Condes de Resende</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Solar_Condes_de_Resende&amp;diff=962"/>
		<updated>2025-12-09T10:59:19Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: Colocação conforme o template e revisão geral&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:Solar Condes de Resende - Imagem panorâmica da fachada principal.jpg|thumb|335x335px|Imagem panorâmica da fachada principal do Solar Condes de Resende. ]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1. IDENTIFICAÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Solar Condes de Resende / Quinta da Costa / Casa Municipal da Cultura / Casa Queirosiana de Gaia&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|Travessa Condes de Resende 110, 4410-264 Canelas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Século XIII, com acréscimo no século XVIII e adaptação em 1984&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Desconhecido&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Em estudo&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;2. ESTADO DA ARTE&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A construção do corpo primitivo da casa iniciou-se no século XIII, sob a posse de Tomé da Costa. No século XVIII, é adicionado outro corpo que fica perpendicular ao corpo primitivo. Finalmente, em 1984, a  residência é comprada pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Nesta última fase, são realizadas intervenções para adaptar a arquitetura para que, a partir do dia 21 de maio de 1984, pudesse ser utilizada para a Casa da Cultura da Câmara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vários os autores mencionam o Solar Condes de Resende seja pelo seu drama  familiar, seja pela presença de Eça Queiroz ou pelos eventos que atualmente este alberga. No entanto, Susana Guimarães, numa iniciativa em conjunto com os &#039;&#039;Amigos do Solar Condes de Resende&#039;&#039;, realizou uma síntese de toda a história do  edifício (conhecida até à data) estudando o edifício em si, a evolução e dinâmica da própria construção. O seu estudo analisa a Quinta como propriedade, como produtora  de rendimentos e como gestora de uma área de domínio definida. Avalia ainda se este fator era a garantida da sua influência a nível local, seguindo a transmissão geracional da propriedade, o que implica abordagens de foro  genealógico e o estudo da sua articulação com o exterior, a sociedade, através  das relações dos possidentes com os outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3. ENQUADRAMENTO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Relativamente ao contexto físico patrimonial de proximidade, destaca-se o Coreto Paroquial de Canelas (1907). Este coreto está classificado como Imóvel  de Valor Concelhio desde 1980 e situa-se no Jardim de S. João de Canelas em frente à Igreja Matriz. Para além disso, é de notar a Igreja Paroquial de Canelas (1779),  que veio substituir um templo que existia no mesmo lugar e apresenta  características essencialmente barrocas embora ainda estejam presentes alguns traços renascentistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4. DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desconhece-se a origem da construção do Solar dos Condes de Resende. Através dos Arquivos Paroquiais do distrito do Porto, foi possível descobrir que este terreno apresenta já algum tipo de presença senhorial desde 1042. No entanto, propriedade compreendia uma área mais alargada do que é atualmente. Esta edificação destaca-se por um barroco mais singelo, mas, nunca deixa de apresentar a extravagância e cenografia tão apreciada por esta burguesia.  Atualmente, o visitante depara-se com um edifício composto de três corpos  principais que são interligados por ângulos retos que formam um pequeno claustro quadrangular que receciona o sujeito. Em suma, a casa forma um total  de dois L sendo que o corpo barroco une todo o complexo pelo exterior e interior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A casa apresenta dois andares nos quais o rés do chão serviria para funções laborais de domínio agrícola e para cavalarias. O andar nobre agregava as funções habitacionais e de lazer. Apesar de simples, esta arquitetura seguiu o cânone desta tipologia de casas nobres no barroco onde o andar inferior era ocupado por criados e os seus trabalhos que, neste caso, se prendiam  muito a produção têxtil e de gado. O andar superior fazia jus ao seu  nome e era ocupado pelos habitantes da casa e acabava por ser diferenciado  para destacar a importância de quem o preenchia. Passando agora para a descrição dos dois corpos principais da arquitetura irei denominá-los de corpo A (leste) e corpo B (norte). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O corpo A é o mais antigo. Este não apresenta traços de nobilitação em comparação com o corpo adjacente. A fachada é simples e apresenta um andar nobre onde se situavam os quartos residenciais. Diretamente abaixo dos quartos, encontravam-se as cavalarias que forneciam o calor necessário para os seus habitantes. Funcionavam, em conjunto, uma adega e uma pequena arrecadação. As janelas apresentam cantarias pétreas que as destacam  da parede branca e, ligeiramente à direita, encontramos uma pedra-de-armas dos Condes de Resende, para deixar claro quem eram os novos proprietários do Solar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabe-se que o corpo B estava edificado em 1758 através das memórias paroquiais desse ano, onde é referido “&#039;&#039;ambas cazas com foro de  fidalgos, aparentados com muitas casas ilustres, respeitadas de toda a  Provincia&#039;&#039;”. Este registo menciona também a Capela de São Tomé que se encontra no mesmo conjunto edificado. O corpo B destaca-se pela escadaria cenográfica que encontra uma &#039;&#039;loggia&#039;&#039; suportada por colunas dóricas. A escadaria é ampliada para comunicar com a capela de S. Tomé. Nesta fachada, constam janelas com cantarinhas pétreas com forma de volutas e franjas de cortinados, realizadas por pedreiros locais. No lado norte, voltado para o jardim das Camélias, as janelas e a porta são decoradas com ornatos. Para aceder ao jardim, é introduzida uma escadaria semicircular que dá ênfase à entrada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Jardim das Camélias (ou das Japoneiras) é uma área de refresco com uma fonte de pequenas dimensões. Ao estilo barroco, a fonte combina paredes ondulares concavas e convexas, que evocam o dinamismo plástico e a sumptuosidade. No lado leste, existe uma horta comunitária (ainda ativa) com várias espécies e as ruínas de um lavadoiro. O jardim das Japoneiras contém exemplares com 300 anos e uma Estátua de Eça de Queiroz (mais recente) que se enamorou nesta mesma casa por Emília de Castro Pamplona. Este espaço encontra-se atualmente na  inventariação da coleção de Marciano Azuaga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar  das intervenções realizadas pela Câmara Municipal de Gaia, houve uma preocupação em manter o interior original. As abóbadas são de madeira com motivos geometrizantes, as janelas eram acompanhadas com namoradeiras em  pedra para os visitantes poderem usufruir das suas conversas com cenários vegetativos e, no caso daquelas que se encontravam no lado oeste, para terem vista para o mar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende - detalhe de um painel azulejar com uma citação de António Lebre.jpg|left|thumb|235x235px|Detalhe de um painel azulejar com uma citação de António Lebre que diz “Foi aqui que Eça começou a enamorar-se de Emília, que veio a ter na vida literária de seu marido notável preponderância”. Esta citação é acompanhada com datação da realização do mesmo painel (1995 – ano queirosiano) e o brasão da família Resende e o brasão da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende V (49856678136).jpg|thumb|Escultura de Eça de Queiroz.&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende I (49856138448).jpg|left|thumb|Fachada principal da casa a partir do exterior.&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende - fonte do Jardim das Camélias.jpg|thumb|243x243px|Fonte do Jardim das Camélias.&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende - Porta de acesso ao Jardim das Camélias.jpg|left|thumb|218x218px|Porta de acesso ao Jardim das Camélias.&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende - Corpo Leste.jpg|thumb|Corpo A (leste).&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende - Escadaria do corpo norte.jpg|thumb|Corpo B (norte).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;6. FONTES E BIBLIOGRAFIA&#039;&#039;&#039;       &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Capela,  José Viriato (2009). “Portugal nas memórias paroquiais de 1758: As freguesias  do distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 – memórias, história e  património. Vol. 5”. Braga: [Edição do autor]. &amp;lt;nowiki&amp;gt;ISBN 978-972-98662-4-1&amp;lt;/nowiki&amp;gt; (pg.  757-758)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Cardoso&#039;&#039;&#039;, Rúben Ricardo Oliveira (2020).  “Continuidade pela transformação: o solar dos condes de Paço Vitorino”.  Dissertação de Mestrado em Arquitetura apresentada a 29 de abril de 2020 na  Universidade Lusíada do Porto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Costa&#039;&#039;&#039;, V. B. da (2014).  “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;A Capela de Santo Ovídio&#039;&#039;”.  Edição nº 78 – 13º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 5-13).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Fernandes&#039;&#039;&#039;, João Luis (2023). “A coleção  Marciano Azuaga: Gaia e Porto na segunda metade do século XIX e primeira  década do século XX”. Dossiê temático “Museologia: diálogos e encontros  ibéricos”. Edição nº16.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Ferreira-Alves,&#039;&#039;&#039; Joaquim Jaime B. (2001). “Coleção  Portucale: A casa Nobre no Porto na Época Moderna”. Lisboa: Edições Inapa.  ISBN: 972-8387-91-1. (pg. 119-122)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Gonçalves&#039;&#039;&#039;, Flávio (1984). “Revista do  Gabinete de História e Arqueologia de vila nova de Gaia: Mestres de pedraria  gaienses que trabalharam, no século XVIII, na “Torre de Garcia D’Ávila””.  Edição s/n – 2º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 259-271).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, J. A. (1995). “Eça de Queiroz e  os Condes de Resende”. Vila Nova de Gaia: Casa Municipal de Cultura. Solar  dos Condes de Resende.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, J. A. e Guimarães, Susana  (dezembro de 2011). ”Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia: &#039;&#039;Vila  nova de Gaia e as Invasões Francesas&#039;&#039;”. Edição nº 13 – 13º Vol. Vila Nova  de Gaia. (pg. 22-33).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Susana (1993).  “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;Jardins de Vila Nova de  Gaia&#039;&#039;”. Edição nº 36 – 6º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 11-16).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Susana (1996).  “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;Títulos nobiliárquicos de  Vila Nova de Gaia – II&#039;&#039;”. Edição nº 41 – 6º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg.  23-27).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Susana (2005). “A Quinta da Costa em Canelas. Vila Nova de Gaia (1766-1816):  Família, Património e Casa.” Dissertação de mestrado em Estudos Locais e  Regionais, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto. ISBN: 972-99222-1-7.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Susana (2012). “Boletim  da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;O Solar Condes de Resende e os  Cavalos&#039;&#039;”. Edição nº 74 – 12º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 27-33).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Madureira&#039;&#039;&#039;, Nuno Luís, Cidade: Espaço e  Quotidiano (Lisboa, 1740-1830), Lisboa, Livros Horizonte, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Miranda&#039;&#039;&#039;, A. I. F. (2005).  “Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia”. “&#039;&#039;Peças de fiação e  tecelagem do Solar Condes de Resende&#039;&#039;”. Edição nº 61 – 10º Vol. Vila Nova  de Gaia. (pg. 25-33).&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Solar_Condes_de_Resende&amp;diff=959</id>
		<title>Solar Condes de Resende</title>
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		<updated>2025-12-09T10:08:35Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:Solar Condes de Resende - Imagem panorâmica da fachada principal.jpg|thumb|335x335px|Imagem panorâmica da fachada principal do Solar Condes de Resende. ]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1. IDENTIFICAÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Solar  Condes de Resende / Quinta da Costa / Casa Municipal da Cultura / Casa  Queirosiana de Gaia&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|Portugal,  Porto, Vila nova de Gaia, Canelas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Foi  na época medieval que a construção da arquitetura se iniciou. No século XIII  a casa já esta sob o domínio de Tomé da Costa. Século XVIII é adicionado outro  corpo que fica perpendicular ao corpo primitivo. Finalmente, em 1984, a  residência é comprada pela Comprada pela Câmara Municipal de Vila Nova de  Gaia e são realizadas intervenções para adaptar a arquitetura para que no dia  21 de maio de 1984 pudesse ser utilizada para a Casa da Cultura da Câmara.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|s/n&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Inexistente,  mas encontra-se sobre propriedade da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Como chegar?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|A  partir da Avenida dos Aliados do Porto, apanhar o metro na linha D no sentido  Santo Ovídio. Sair na Paragem D. João II e apanhar o autocarro que une a  estação aos Carvalhos (via canelas). Por fim, é necessário sair no  Agrupamento de Escolas de Canelas (R. Delfim Lima  Apartado 512, 4411-701 Vila Nova de Gaia) e caminhar 11 minutos.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;2. ESTADO DA ARTE&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São  vários os autores a mencionar o Solar Condes de Resende seja pelo seu drama  familiar, seja pela presença de Eça Queiroz ou pelos eventos que atualmente este  abrega. Mas, Susana Guimarães, numa iniciativa em conjunto com os &#039;&#039;Amigos  do Solar Condes de Resende&#039;&#039;, realizou uma síntese de toda a história do  edifício (conhecida até à data) estudando o edifício em si, a evolução e  dinâmica da própria construção, estudar a Quinta como propriedade, produtora  de rendimentos e gestora de uma área de domínio definida, avaliando se este  fator era a garantida da sua influencia a nível local, seguir a transmissão  geracional da propriedade, questão que implica abordagens de foro  genealógico, e estudar a sua articulação com o exterior, a sociedade, através  das relações dos possidentes com os outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3. ENQUADRAMENTO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3.1. Contexto físico patrimonial de  proximidade &#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
Destaque  ao Coreto Paroquial de Canelas (contruído em 1907), classificado como Imóvel  de Valor Concelhio desde 1980 que se situa no Jardim de S. João de Canelas,  em frente à Igreja Matriz. Não esquecer a Igreja Paroquial de Canelas(1779),  que veio substituir um templo que existia no mesmo lugar e apresenta  características essencialmente barrocas embora que, ainda são presentes  alguns traços renascentistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4. DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4.1. Objeto arquitetónico&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desconhece-se  a origem da construção do Solar dos Condes de Resende, no entanto, através  dos Arquivos Paroquiais do distrito do Porto, foi possível descobrir que este  terreno apresenta já algum tipo de presença senhorial desde 1042 – contudo,  este terreno compreendia uma área mais alargada do que é atualmente. Esta  edificação destaca-se por um barroco mais singelo, mas, nunca deixa de  apresentar a extravagância e cenografia tão apreciada por esta burguesia.  Atualmente, o visitante depara-se com um edifício composto de três corpos  principais que são interligados por ângulos retos que formam um pequeno  claustro quadrangular que receciona o sujeito. Em suma, a casa forma um total  de dois L sendo que o corpo barroco une todo o complexo pelo exterior e  interior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A  casa apresenta dois andares nos quais o rés do chão serviria para funções  laborais de domínio agrícola e para cavalarias. Já o andar nobre agregava as  funções habitacionais e de lazer. Apesar de simples, esta arquitetura seguiu  o “cânone” desta tipologia de casas nobres no barroco onde o andar inferior  era ocupado por criados e os seus trabalhos que, neste caso, se prendiam  muito a produção têxtil e de gado, enquanto o andar superior fazia jus ao seu  nome e era ocupado pelos habitantes da casa e acabava por ser diferenciado  para destacar a importância de quem o preenchia. Passando agora para a  descrição dos dois corpos principais da arquitetura irei denominá-los de  corpo A (leste) e corpo B (norte). O  corpo A é o mais antigo, não apresenta grande nobilitação e até causa  estranheza em comparação com o corpo adjacente. A fachada é simples e  apresenta um andar nobre onde se situavam os quartos residenciais e,  diretamente abaixo deles, encontravam-se as cavalarias que forneciam o calor  necessário para os seus habitantes. Funcionavam, em conjunto, uma adega e uma  pequena arrecadação. As janelas apresentam cantarias pétreas que as destacam  da parede branca e, ligeiramente à direita, encontramos uma pedra-de-armas  dos Condes de Resende, para deixar claro quem eram os novos proprietários do  Solar. O  corpo B, apesar de não haver registo de quando o mesmo foi edificado, através  das memórias paroquiais de 1758, onde é referido “&#039;&#039;ambas cazas com foro de  fidalgos, aparentados com muitas casas ilustres, respeitadas de toda a  Provincia&#039;&#039;” e, antes disso, ainda menciona a Capela de São Tomé que se  encontra no edificado. Ou seja, já são referidas duas casas já no terceiro  quartel do século XVIII e a capela, então, podemos concluir que a mesma deve  ter sido contruída dentro dessas mesmas datas porque confronta outras fontes  que apenas referem um corpo existencial. O corpo B é realçado através de uma  escadaria cenográfica que encontra uma &#039;&#039;loggia&#039;&#039; suportada por colunas  dóricas que é ampliada para esta comunicar com a capela de S. Tomé. Nesta  fachada, surgem janelas com cantarinhas pétreas com forma de volutas e  franjas de cortinados realizadas por pedreiros de Canelas. No lado norte,  voltado para o jardim das Camélias, é também decorado com ornatos nas janelas  e na porta com acesso ao jardim é introduzida uma escadaria semicircular para  dar ênfase a uma entrada mais dramática. Passando  para o Jardim das Camélias, é uma área de refresco com uma pequena forte com  paredes ondulares concavas e convexas, que realçam esta ideia de dinamismo  plástico e a sumptuosidade. No  lado leste existe uma horta comunitária (ainda ativa) com várias espécies e o  restante de um lavadoiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar  das intervenções realizadas pela Câmara Municipal de Gaia, houve uma  preocupação em manter o interior original. As abóbadas são de madeira com  motivos geometrizantes, as janelas eram acompanhadas com namoradeiras em  pedra para os visitantes poderem usufruir das suas conversas com cenários  vegetativos e, no caso daquelas que se encontravam no lado oeste, para terem  uma vista privilegiada para o mar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As  salas e o salão nobre (todos localizados no corpo B) eram posicionados no  andar nobre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4.2. Património integrado&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
Realçar  o jardim das Japoneiras ou das Camélias com exemplares com 300 anos e, a  Estátua de Eça de Queiroz (mais recente) que se enamorou nesta mesma casa por  emília de Castro Pamplona. Este espaço encontra-se atualmente na  inventariação da coleção de Marciano Azuaga. Também importante destacar o  valor do património fundiário e de herança da casa que já atravessa longos  séculos e como as identidades de várias famílias acabaram por influenciar  Canelas e a própria arquitetura do Solar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende - detalhe de um painel azulejar com uma citação de António Lebre.jpg|left|thumb|235x235px|Detalhe de um painel azulejar com uma citação de António Lebre que diz “Foi aqui que Eça começou a enamorar-se de Emília, que veio a ter na vida literária de seu marido notável preponderância”. Esta citação é acompanhada com datação da realização do mesmo painel (1995 – ano queirosiano) e o brasão da família Resende e o brasão da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende V (49856678136).jpg|thumb|Escultura de Eça de Queiroz.&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende I (49856138448).jpg|left|thumb|Fachada principal da casa a partir do exterior.&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende - fonte do Jardim das Camélias.jpg|thumb|243x243px|Fonte do Jardim das Camélias.&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende - Porta de acesso ao Jardim das Camélias.jpg|left|thumb|218x218px|Porta de acesso ao Jardim das Camélias.&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende - Corpo Leste.jpg|thumb|Corpo A (leste).&lt;br /&gt;
File:Solar Condes de Resende - Escadaria do corpo norte.jpg|thumb|Corpo B (norte).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;6. FONTES E BIBLIOGRAFIA&#039;&#039;&#039;   &lt;br /&gt;
·       Capela,  José Viriato (2009). “Portugal nas memórias paroquiais de 1758: As freguesias  do distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 – memórias, história e  património. Vol. 5”. Braga: [Edição do autor]. &amp;lt;nowiki&amp;gt;ISBN 978-972-98662-4-1&amp;lt;/nowiki&amp;gt; (pg.  757-758)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Cardoso&#039;&#039;&#039;, Rúben Ricardo Oliveira (2020).  “Continuidade pela transformação: o solar dos condes de Paço Vitorino”.  Dissertação de Mestrado em Arquitetura apresentada a 29 de abril de 2020 na  Universidade Lusíada do Porto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Costa&#039;&#039;&#039;, V. B. da (junho de 2014).  “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;A Capela de Santo Ovídio&#039;&#039;”.  Edição nº 78 – 13º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 5-13).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Fernandes&#039;&#039;&#039;, João Luis (2023). “A coleção  Marciano Azuaga: Gaia e Porto na segunda metade do século XIX e primeira  década do século XX”. Dossiê temático “Museologia: diálogos e encontros  ibéricos”. Edição nº16.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Ferreira-Alves,&#039;&#039;&#039; Joaquim Jaime B. (2001). “Coleção  Portucale: A casa Nobre no Porto na Época Moderna”. Lisboa: Edições Inapa.  ISBN: 972-8387-91-1. (pg. 119-122)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Gonçalves&#039;&#039;&#039;, Flávio (1984). “Revista do  Gabinete de História e Arqueologia de vila nova de Gaia: Mestres de pedraria  gaienses que trabalharam, no século XVIII, na “Torre de Garcia D’Ávila””.  Edição s/n – 2º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 259-271).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, J. A. (1995). “Eça de Queiroz e  os Condes de Resende”. Vila Nova de Gaia: Casa Municipal de Cultura. Solar  dos Condes de Resende.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, J. A. G. e Guimarães, Susana  (dezembro de 2011). ”Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia: &#039;&#039;Vila  nova de Gaia e as Invasões Francesas&#039;&#039;”. Edição nº 13 – 13º Vol. Vila Nova  de Gaia. (pg. 22-33).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Susana (junho de 2012). “Boletim  da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;O Solar Condes de Resende e os  Cavalos&#039;&#039;”. Edição nº 74 – 12º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 27-33).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Gonçalves (dezembro de 1993).  “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;Jardins de Vila Nova de  Gaia&#039;&#039;”. Edição nº 36 – 6º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 11-16).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Gonçalves (junho de 1996).  “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;Títulos nobiliárquicos de  Vila Nova de Gaia – II&#039;&#039;”. Edição nº 41 – 6º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg.  23-27).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Susana Cristina Gomes Gonçalves  (2005). “A Quinta da Costa em Canelas. Vila Nova de Gaia (1766-1816):  Família, Património e Casa.” Dissertação de mestrado em Estudos Locais e  Regionais, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto. ISBN: 972-99222-1-7.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Madureira&#039;&#039;&#039;, Nuno Luís, Cidade: Espaço e  Quotidiano (Lisboa, 1740-1830), Lisboa, Livros Horizonte, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Miranda&#039;&#039;&#039;, A. I. F. (dezembro de 2005).  “Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia”. “&#039;&#039;Peças de fiação e  tecelagem do Solar Condes de Resende&#039;&#039;”. Edição nº 61 – 10º Vol. Vila Nova  de Gaia. (pg. 25-33).&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
	<entry>
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		<title>Solar Condes de Resende</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Solar_Condes_de_Resende&amp;diff=958"/>
		<updated>2025-12-09T10:07:24Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:Solar Condes de Resende - Imagem panorâmica da fachada principal.jpg|thumb|335x335px|Imagem panorâmica da fachada principal do Solar Condes de Resende. ]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1. IDENTIFICAÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Solar  Condes de Resende / Quinta da Costa / Casa Municipal da Cultura / Casa  Queirosiana de Gaia&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|Portugal,  Porto, Vila nova de Gaia, Canelas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Foi  na época medieval que a construção da arquitetura se iniciou. No século XIII  a casa já esta sob o domínio de Tomé da Costa. Século XVIII é adicionado outro  corpo que fica perpendicular ao corpo primitivo. Finalmente, em 1984, a  residência é comprada pela Comprada pela Câmara Municipal de Vila Nova de  Gaia e são realizadas intervenções para adaptar a arquitetura para que no dia  21 de maio de 1984 pudesse ser utilizada para a Casa da Cultura da Câmara.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|s/n&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Inexistente,  mas encontra-se sobre propriedade da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Como chegar?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|A  partir da Avenida dos Aliados do Porto, apanhar o metro na linha D no sentido  Santo Ovídio. Sair na Paragem D. João II e apanhar o autocarro que une a  estação aos Carvalhos (via canelas). Por fim, é necessário sair no  Agrupamento de Escolas de Canelas (R. Delfim Lima  Apartado 512, 4411-701 Vila Nova de Gaia) e caminhar 11 minutos.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;2. ESTADO DA ARTE&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São  vários os autores a mencionar o Solar Condes de Resende seja pelo seu drama  familiar, seja pela presença de Eça Queiroz ou pelos eventos que atualmente este  abrega. Mas, Susana Guimarães, numa iniciativa em conjunto com os &#039;&#039;Amigos  do Solar Condes de Resende&#039;&#039;, realizou uma síntese de toda a história do  edifício (conhecida até à data) estudando o edifício em si, a evolução e  dinâmica da própria construção, estudar a Quinta como propriedade, produtora  de rendimentos e gestora de uma área de domínio definida, avaliando se este  fator era a garantida da sua influencia a nível local, seguir a transmissão  geracional da propriedade, questão que implica abordagens de foro  genealógico, e estudar a sua articulação com o exterior, a sociedade, através  das relações dos possidentes com os outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3. ENQUADRAMENTO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3.1. Contexto físico patrimonial de  proximidade &#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
Destaque  ao Coreto Paroquial de Canelas (contruído em 1907), classificado como Imóvel  de Valor Concelhio desde 1980 que se situa no Jardim de S. João de Canelas,  em frente à Igreja Matriz. Não esquecer a Igreja Paroquial de Canelas(1779),  que veio substituir um templo que existia no mesmo lugar e apresenta  características essencialmente barrocas embora que, ainda são presentes  alguns traços renascentistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4. DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4.1. Objeto arquitetónico&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desconhece-se  a origem da construção do Solar dos Condes de Resende, no entanto, através  dos Arquivos Paroquiais do distrito do Porto, foi possível descobrir que este  terreno apresenta já algum tipo de presença senhorial desde 1042 – contudo,  este terreno compreendia uma área mais alargada do que é atualmente. Esta  edificação destaca-se por um barroco mais singelo, mas, nunca deixa de  apresentar a extravagância e cenografia tão apreciada por esta burguesia.  Atualmente, o visitante depara-se com um edifício composto de três corpos  principais que são interligados por ângulos retos que formam um pequeno  claustro quadrangular que receciona o sujeito. Em suma, a casa forma um total  de dois L sendo que o corpo barroco une todo o complexo pelo exterior e  interior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A  casa apresenta dois andares nos quais o rés do chão serviria para funções  laborais de domínio agrícola e para cavalarias. Já o andar nobre agregava as  funções habitacionais e de lazer. Apesar de simples, esta arquitetura seguiu  o “cânone” desta tipologia de casas nobres no barroco onde o andar inferior  era ocupado por criados e os seus trabalhos que, neste caso, se prendiam  muito a produção têxtil e de gado, enquanto o andar superior fazia jus ao seu  nome e era ocupado pelos habitantes da casa e acabava por ser diferenciado  para destacar a importância de quem o preenchia. Passando agora para a  descrição dos dois corpos principais da arquitetura irei denominá-los de  corpo A (leste) e corpo B (norte). O  corpo A é o mais antigo, não apresenta grande nobilitação e até causa  estranheza em comparação com o corpo adjacente. A fachada é simples e  apresenta um andar nobre onde se situavam os quartos residenciais e,  diretamente abaixo deles, encontravam-se as cavalarias que forneciam o calor  necessário para os seus habitantes. Funcionavam, em conjunto, uma adega e uma  pequena arrecadação. As janelas apresentam cantarias pétreas que as destacam  da parede branca e, ligeiramente à direita, encontramos uma pedra-de-armas  dos Condes de Resende, para deixar claro quem eram os novos proprietários do  Solar. O  corpo B, apesar de não haver registo de quando o mesmo foi edificado, através  das memórias paroquiais de 1758, onde é referido “&#039;&#039;ambas cazas com foro de  fidalgos, aparentados com muitas casas ilustres, respeitadas de toda a  Provincia&#039;&#039;” e, antes disso, ainda menciona a Capela de São Tomé que se  encontra no edificado. Ou seja, já são referidas duas casas já no terceiro  quartel do século XVIII e a capela, então, podemos concluir que a mesma deve  ter sido contruída dentro dessas mesmas datas porque confronta outras fontes  que apenas referem um corpo existencial. O corpo B é realçado através de uma  escadaria cenográfica que encontra uma &#039;&#039;loggia&#039;&#039; suportada por colunas  dóricas que é ampliada para esta comunicar com a capela de S. Tomé. Nesta  fachada, surgem janelas com cantarinhas pétreas com forma de volutas e  franjas de cortinados realizadas por pedreiros de Canelas. No lado norte,  voltado para o jardim das Camélias, é também decorado com ornatos nas janelas  e na porta com acesso ao jardim é introduzida uma escadaria semicircular para  dar ênfase a uma entrada mais dramática. Passando  para o Jardim das Camélias, é uma área de refresco com uma pequena forte com  paredes ondulares concavas e convexas, que realçam esta ideia de dinamismo  plástico e a sumptuosidade. No  lado leste existe uma horta comunitária (ainda ativa) com várias espécies e o  restante de um lavadoiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar  das intervenções realizadas pela Câmara Municipal de Gaia, houve uma  preocupação em manter o interior original. As abóbadas são de madeira com  motivos geometrizantes, as janelas eram acompanhadas com namoradeiras em  pedra para os visitantes poderem usufruir das suas conversas com cenários  vegetativos e, no caso daquelas que se encontravam no lado oeste, para terem  uma vista privilegiada para o mar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As  salas e o salão nobre (todos localizados no corpo B) eram posicionados no  andar nobre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4.2. Património integrado&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
Realçar  o jardim das Japoneiras ou das Camélias com exemplares com 300 anos e, a  Estátua de Eça de Queiroz (mais recente) que se enamorou nesta mesma casa por  emília de Castro Pamplona. Este espaço encontra-se atualmente na  inventariação da coleção de Marciano Azuaga. Também importante destacar o  valor do património fundiário e de herança da casa que já atravessa longos  séculos e como as identidades de várias famílias acabaram por influenciar  Canelas e a própria arquitetura do Solar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[File:Solar Condes de Resende - detalhe de um painel azulejar com uma citação de António Lebre.jpg|left|thumb|235x235px|Detalhe de um painel azulejar com uma citação de António Lebre que diz “Foi aqui que Eça começou a enamorar-se de Emília, que veio a ter na vida literária de seu marido notável preponderância”. Esta citação é acompanhada com datação da realização do mesmo painel (1995 – ano queirosiano) e o brasão da família Resende e o brasão da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.]]&lt;br /&gt;
[[File:Solar Condes de Resende V (49856678136).jpg|thumb|Escultura de Eça de Queiroz.]]&lt;br /&gt;
[[File:Solar Condes de Resende I (49856138448).jpg|left|thumb|Fachada principal da casa a partir do exterior.]]&lt;br /&gt;
[[File:Solar Condes de Resende - fonte do Jardim das Camélias.jpg|thumb|243x243px|Fonte do Jardim das Camélias.]]&lt;br /&gt;
[[File:Solar Condes de Resende - Porta de acesso ao Jardim das Camélias.jpg|left|thumb|218x218px|Porta de acesso ao Jardim das Camélias.]]&lt;br /&gt;
[[File:Solar Condes de Resende - Corpo Leste.jpg|thumb|Corpo A (leste).]]&lt;br /&gt;
[[File:Solar Condes de Resende - Escadaria do corpo norte.jpg|thumb|Corpo B (norte).]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/gallery&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;6. FONTES E BIBLIOGRAFIA&#039;&#039;&#039;   &lt;br /&gt;
·       Capela,  José Viriato (2009). “Portugal nas memórias paroquiais de 1758: As freguesias  do distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 – memórias, história e  património. Vol. 5”. Braga: [Edição do autor]. &amp;lt;nowiki&amp;gt;ISBN 978-972-98662-4-1&amp;lt;/nowiki&amp;gt; (pg.  757-758)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Cardoso&#039;&#039;&#039;, Rúben Ricardo Oliveira (2020).  “Continuidade pela transformação: o solar dos condes de Paço Vitorino”.  Dissertação de Mestrado em Arquitetura apresentada a 29 de abril de 2020 na  Universidade Lusíada do Porto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Costa&#039;&#039;&#039;, V. B. da (junho de 2014).  “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;A Capela de Santo Ovídio&#039;&#039;”.  Edição nº 78 – 13º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 5-13).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Fernandes&#039;&#039;&#039;, João Luis (2023). “A coleção  Marciano Azuaga: Gaia e Porto na segunda metade do século XIX e primeira  década do século XX”. Dossiê temático “Museologia: diálogos e encontros  ibéricos”. Edição nº16.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Ferreira-Alves,&#039;&#039;&#039; Joaquim Jaime B. (2001). “Coleção  Portucale: A casa Nobre no Porto na Época Moderna”. Lisboa: Edições Inapa.  ISBN: 972-8387-91-1. (pg. 119-122)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Gonçalves&#039;&#039;&#039;, Flávio (1984). “Revista do  Gabinete de História e Arqueologia de vila nova de Gaia: Mestres de pedraria  gaienses que trabalharam, no século XVIII, na “Torre de Garcia D’Ávila””.  Edição s/n – 2º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 259-271).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, J. A. (1995). “Eça de Queiroz e  os Condes de Resende”. Vila Nova de Gaia: Casa Municipal de Cultura. Solar  dos Condes de Resende.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, J. A. G. e Guimarães, Susana  (dezembro de 2011). ”Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia: &#039;&#039;Vila  nova de Gaia e as Invasões Francesas&#039;&#039;”. Edição nº 13 – 13º Vol. Vila Nova  de Gaia. (pg. 22-33).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Susana (junho de 2012). “Boletim  da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;O Solar Condes de Resende e os  Cavalos&#039;&#039;”. Edição nº 74 – 12º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 27-33).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Gonçalves (dezembro de 1993).  “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;Jardins de Vila Nova de  Gaia&#039;&#039;”. Edição nº 36 – 6º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 11-16).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Gonçalves (junho de 1996).  “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;Títulos nobiliárquicos de  Vila Nova de Gaia – II&#039;&#039;”. Edição nº 41 – 6º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg.  23-27).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Susana Cristina Gomes Gonçalves  (2005). “A Quinta da Costa em Canelas. Vila Nova de Gaia (1766-1816):  Família, Património e Casa.” Dissertação de mestrado em Estudos Locais e  Regionais, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto. ISBN: 972-99222-1-7.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Madureira&#039;&#039;&#039;, Nuno Luís, Cidade: Espaço e  Quotidiano (Lisboa, 1740-1830), Lisboa, Livros Horizonte, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Miranda&#039;&#039;&#039;, A. I. F. (dezembro de 2005).  “Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia”. “&#039;&#039;Peças de fiação e  tecelagem do Solar Condes de Resende&#039;&#039;”. Edição nº 61 – 10º Vol. Vila Nova  de Gaia. (pg. 25-33).&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Solar_Condes_de_Resende&amp;diff=957</id>
		<title>Solar Condes de Resende</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Solar_Condes_de_Resende&amp;diff=957"/>
		<updated>2025-12-09T09:50:22Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:Solar Condes de Resende - Imagem panorâmica da fachada principal.jpg|thumb|335x335px|Imagem panorâmica da fachada principal do Solar Condes de Resende. ]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;1. IDENTIFICAÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Solar  Condes de Resende / Quinta da Costa / Casa Municipal da Cultura / Casa  Queirosiana de Gaia&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|Portugal,  Porto, Vila nova de Gaia, Canelas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Foi  na época medieval que a construção da arquitetura se iniciou. No século XIII  a casa já esta sob o domínio de Tomé da Costa. Século XVIII é adicionado outro  corpo que fica perpendicular ao corpo primitivo. Finalmente, em 1984, a  residência é comprada pela Comprada pela Câmara Municipal de Vila Nova de  Gaia e são realizadas intervenções para adaptar a arquitetura para que no dia  21 de maio de 1984 pudesse ser utilizada para a Casa da Cultura da Câmara.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|s/n&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Inexistente,  mas encontra-se sobre propriedade da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Como chegar?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|A  partir da Avenida dos Aliados do Porto, apanhar o metro na linha D no sentido  Santo Ovídio. Sair na Paragem D. João II e apanhar o autocarro que une a  estação aos Carvalhos (via canelas). Por fim, é necessário sair no  Agrupamento de Escolas de Canelas (R. Delfim Lima  Apartado 512, 4411-701 Vila Nova de Gaia) e caminhar 11 minutos.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;2. ESTADO DA ARTE&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Solar Condes de Resende - detalhe de um painel azulejar com uma citação de António Lebre.jpg|left|thumb|235x235px|Detalhe de um painel azulejar com uma citação de António Lebre que diz “Foi aqui que Eça começou a enamorar-se de Emília, que veio a ter na vida literária de seu marido notável preponderância”. Esta citação é acompanhada com datação da realização do mesmo painel (1995 – ano queirosiano) e o brasão da família Resende e o brasão da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São  vários os autores a mencionar o Solar Condes de Resende seja pelo seu drama  familiar, seja pela presença de Eça Queiroz ou pelos eventos que atualmente este  abrega. Mas, Susana Guimarães, numa iniciativa em conjunto com os &#039;&#039;Amigos  do Solar Condes de Resende&#039;&#039;, realizou uma síntese de toda a história do  edifício (conhecida até à data) estudando o edifício em si, a evolução e  dinâmica da própria construção, estudar a Quinta como propriedade, produtora  de rendimentos e gestora de uma área de domínio definida, avaliando se este  fator era a garantida da sua influencia a nível local, seguir a transmissão  geracional da propriedade, questão que implica abordagens de foro  genealógico, e estudar a sua articulação com o exterior, a sociedade, através  das relações dos possidentes com os outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3. ENQUADRAMENTO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3.1. Contexto físico patrimonial de  proximidade &#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
Destaque  ao Coreto Paroquial de Canelas (contruído em 1907), classificado como Imóvel  de Valor Concelhio desde 1980 que se situa no Jardim de S. João de Canelas,  em frente à Igreja Matriz. Não esquecer a Igreja Paroquial de Canelas(1779),  que veio substituir um templo que existia no mesmo lugar e apresenta  características essencialmente barrocas embora que, ainda são presentes  alguns traços renascentistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4. DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4.1. Objeto arquitetónico&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desconhece-se  a origem da construção do Solar dos Condes de Resende, no entanto, através  dos Arquivos Paroquiais do distrito do Porto, foi possível descobrir que este  terreno apresenta já algum tipo de presença senhorial desde 1042 – contudo,  este terreno compreendia uma área mais alargada do que é atualmente.[[File:Solar Condes de Resende I (49856138448).jpg|left|thumb|Fachada principal da casa a partir do exterior.]]Esta  edificação destaca-se por um barroco mais singelo, mas, nunca deixa de  apresentar a extravagância e cenografia tão apreciada por esta burguesia.  Atualmente, o visitante depara-se com um edifício composto de três corpos  principais que são interligados por ângulos retos que formam um pequeno  claustro quadrangular que receciona o sujeito. Em suma, a casa forma um total  de dois L sendo que o corpo barroco une todo o complexo pelo exterior e  interior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A  casa apresenta dois andares nos quais o rés do chão serviria para funções  laborais de domínio agrícola e para cavalarias. Já o andar nobre agregava as  funções habitacionais e de lazer. Apesar de simples, esta arquitetura seguiu  o “cânone” desta tipologia de casas nobres no barroco onde o andar inferior  era ocupado por criados e os seus trabalhos que, neste caso, se prendiam  muito a produção têxtil e de gado, enquanto o andar superior fazia jus ao seu  nome e era ocupado pelos habitantes da casa e acabava por ser diferenciado  para destacar a importância de quem o preenchia. Passando agora para a  descrição dos dois corpos principais da arquitetura irei denominá-los de  corpo A (leste) e corpo B (norte).[[File:Solar Condes de Resende - Corpo Leste.jpg|thumb|Corpo A (leste).]]O  corpo A é o mais antigo, não apresenta grande nobilitação e até causa  estranheza em comparação com o corpo adjacente. A fachada é simples e  apresenta um andar nobre onde se situavam os quartos residenciais e,  diretamente abaixo deles, encontravam-se as cavalarias que forneciam o calor  necessário para os seus habitantes. Funcionavam, em conjunto, uma adega e uma  pequena arrecadação. As janelas apresentam cantarias pétreas que as destacam  da parede branca e, ligeiramente à direita, encontramos uma pedra-de-armas  dos Condes de Resende, para deixar claro quem eram os novos proprietários do  Solar.[[File:Solar Condes de Resende - Escadaria do corpo norte.jpg|thumb|Corpo B (norte).]]O  corpo B, apesar de não haver registo de quando o mesmo foi edificado, através  das memórias paroquiais de 1758, onde é referido “&#039;&#039;ambas cazas com foro de  fidalgos, aparentados com muitas casas ilustres, respeitadas de toda a  Provincia&#039;&#039;” e, antes disso, ainda menciona a Capela de São Tomé que se  encontra no edificado. Ou seja, já são referidas duas casas já no terceiro  quartel do século XVIII e a capela, então, podemos concluir que a mesma deve  ter sido contruída dentro dessas mesmas datas porque confronta outras fontes  que apenas referem um corpo existencial. O corpo B é realçado através de uma  escadaria cenográfica que encontra uma &#039;&#039;loggia&#039;&#039; suportada por colunas  dóricas que é ampliada para esta comunicar com a capela de S. Tomé. Nesta  fachada, surgem janelas com cantarinhas pétreas com forma de volutas e  franjas de cortinados realizadas por pedreiros de Canelas. No lado norte,  voltado para o jardim das Camélias, é também decorado com ornatos nas janelas  e na porta com acesso ao jardim é introduzida uma escadaria semicircular para  dar ênfase a uma entrada mais dramática.[[File:Solar Condes de Resende - Porta de acesso ao Jardim das Camélias.jpg|left|thumb|218x218px|Porta de acesso ao Jardim das Camélias.]]Passando  para o Jardim das Camélias, é uma área de refresco com uma pequena forte com  paredes ondulares concavas e convexas, que realçam esta ideia de dinamismo  plástico e a sumptuosidade.[[File:Solar Condes de Resende - fonte do Jardim das Camélias.jpg|thumb|243x243px|Fonte do Jardim das Camélias.]]No  lado leste existe uma horta comunitária (ainda ativa) com várias espécies e o  restante de um lavadoiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar  das intervenções realizadas pela Câmara Municipal de Gaia, houve uma  preocupação em manter o interior original. As abóbadas são de madeira com  motivos geometrizantes, as janelas eram acompanhadas com namoradeiras em  pedra para os visitantes poderem usufruir das suas conversas com cenários  vegetativos e, no caso daquelas que se encontravam no lado oeste, para terem  uma vista privilegiada para o mar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As  salas e o salão nobre (todos localizados no corpo B) eram posicionados no  andar nobre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Solar Condes de Resende V (49856678136).jpg|thumb|Escultura de Eça de Queiroz.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Património integrado&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
Realçar  o jardim das Japoneiras ou das Camélias com exemplares com 300 anos e, a  Estátua de Eça de Queiroz (mais recente) que se enamorou nesta mesma casa por  emília de Castro Pamplona. Este espaço encontra-se atualmente na  inventariação da coleção de Marciano Azuaga. Também importante destacar o  valor do património fundiário e de herança da casa que já atravessa longos  séculos e como as identidades de várias famílias acabaram por influenciar  Canelas e a própria arquitetura do Solar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;6. FONTES E BIBLIOGRAFIA&#039;&#039;&#039;   &lt;br /&gt;
·       Capela,  José Viriato (2009). “Portugal nas memórias paroquiais de 1758: As freguesias  do distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 – memórias, história e  património. Vol. 5”. Braga: [Edição do autor]. &amp;lt;nowiki&amp;gt;ISBN 978-972-98662-4-1&amp;lt;/nowiki&amp;gt; (pg.  757-758)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Cardoso&#039;&#039;&#039;, Rúben Ricardo Oliveira (2020).  “Continuidade pela transformação: o solar dos condes de Paço Vitorino”.  Dissertação de Mestrado em Arquitetura apresentada a 29 de abril de 2020 na  Universidade Lusíada do Porto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Costa&#039;&#039;&#039;, V. B. da (junho de 2014).  “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;A Capela de Santo Ovídio&#039;&#039;”.  Edição nº 78 – 13º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 5-13).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Fernandes&#039;&#039;&#039;, João Luis (2023). “A coleção  Marciano Azuaga: Gaia e Porto na segunda metade do século XIX e primeira  década do século XX”. Dossiê temático “Museologia: diálogos e encontros  ibéricos”. Edição nº16.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Ferreira-Alves,&#039;&#039;&#039; Joaquim Jaime B. (2001). “Coleção  Portucale: A casa Nobre no Porto na Época Moderna”. Lisboa: Edições Inapa.  ISBN: 972-8387-91-1. (pg. 119-122)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Gonçalves&#039;&#039;&#039;, Flávio (1984). “Revista do  Gabinete de História e Arqueologia de vila nova de Gaia: Mestres de pedraria  gaienses que trabalharam, no século XVIII, na “Torre de Garcia D’Ávila””.  Edição s/n – 2º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 259-271).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, J. A. (1995). “Eça de Queiroz e  os Condes de Resende”. Vila Nova de Gaia: Casa Municipal de Cultura. Solar  dos Condes de Resende.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, J. A. G. e Guimarães, Susana  (dezembro de 2011). ”Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia: &#039;&#039;Vila  nova de Gaia e as Invasões Francesas&#039;&#039;”. Edição nº 13 – 13º Vol. Vila Nova  de Gaia. (pg. 22-33).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Susana (junho de 2012). “Boletim  da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;O Solar Condes de Resende e os  Cavalos&#039;&#039;”. Edição nº 74 – 12º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 27-33).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Gonçalves (dezembro de 1993).  “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;Jardins de Vila Nova de  Gaia&#039;&#039;”. Edição nº 36 – 6º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 11-16).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Gonçalves (junho de 1996).  “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;Títulos nobiliárquicos de  Vila Nova de Gaia – II&#039;&#039;”. Edição nº 41 – 6º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg.  23-27).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Susana Cristina Gomes Gonçalves  (2005). “A Quinta da Costa em Canelas. Vila Nova de Gaia (1766-1816):  Família, Património e Casa.” Dissertação de mestrado em Estudos Locais e  Regionais, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto. ISBN: 972-99222-1-7.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Madureira&#039;&#039;&#039;, Nuno Luís, Cidade: Espaço e  Quotidiano (Lisboa, 1740-1830), Lisboa, Livros Horizonte, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Miranda&#039;&#039;&#039;, A. I. F. (dezembro de 2005).  “Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia”. “&#039;&#039;Peças de fiação e  tecelagem do Solar Condes de Resende&#039;&#039;”. Edição nº 61 – 10º Vol. Vila Nova  de Gaia. (pg. 25-33).&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
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		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=Solar_Condes_de_Resende&amp;diff=956</id>
		<title>Solar Condes de Resende</title>
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		<updated>2025-12-09T09:44:12Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Silvacarloss: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[File:Solar Condes de Resende - Imagem panorâmica da fachada principal.jpg|thumb|335x335px|Imagem panorâmica da fachada principal do Solar Condes de Resende. ]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# &#039;&#039;&#039;1. IDENTIFICAÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Solar  Condes de Resende / Quinta da Costa / Casa Municipal da Cultura / Casa  Queirosiana de Gaia&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|Portugal,  Porto, Vila nova de Gaia, Canelas&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Foi  na época medieval que a construção da arquitetura se iniciou. No século XIII  a casa já esta sob o domínio de Tomé da Costa. Século XVIII é adicionado outro  corpo que fica perpendicular ao corpo primitivo. Finalmente, em 1984, a  residência é comprada pela Comprada pela Câmara Municipal de Vila Nova de  Gaia e são realizadas intervenções para adaptar a arquitetura para que no dia  21 de maio de 1984 pudesse ser utilizada para a Casa da Cultura da Câmara.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|s/n&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Inexistente,  mas encontra-se sobre propriedade da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Como chegar?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|A  partir da Avenida dos Aliados do Porto, apanhar o metro na linha D no sentido  Santo Ovídio. Sair na Paragem D. João II e apanhar o autocarro que une a  estação aos Carvalhos (via canelas). Por fim, é necessário sair no  Agrupamento de Escolas de Canelas (R. Delfim Lima  Apartado 512, 4411-701 Vila Nova de Gaia) e caminhar 11 minutos.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;2. ESTADO DA ARTE&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Solar Condes de Resende - detalhe de um painel azulejar com uma citação de António Lebre.jpg|left|thumb|235x235px|Detalhe de um painel azulejar com uma citação de António Lebre que diz “Foi aqui que Eça começou a enamorar-se de Emília, que veio a ter na vida literária de seu marido notável preponderância”. Esta citação é acompanhada com datação da realização do mesmo painel (1995 – ano queirosiano) e o brasão da família Resende e o brasão da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|São  vários os autores a mencionar o Solar Condes de Resende seja pelo seu drama  familiar, seja pela presença de Eça Queiroz ou pelos eventos que atualmente este  abrega. Mas, Susana Guimarães, numa iniciativa em conjunto com os &#039;&#039;Amigos  do Solar Condes de Resende&#039;&#039;, realizou uma síntese de toda a história do  edifício (conhecida até à data) estudando o edifício em si, a evolução e  dinâmica da própria construção, estudar a Quinta como propriedade, produtora  de rendimentos e gestora de uma área de domínio definida, avaliando se este  fator era a garantida da sua influencia a nível local, seguir a transmissão  geracional da propriedade, questão que implica abordagens de foro  genealógico, e estudar a sua articulação com o exterior, a sociedade, através  das relações dos possidentes com os outros.&lt;br /&gt;
|} &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3. ENQUADRAMENTO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Contexto físico patrimonial de  proximidade &#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Destaque  ao Coreto Paroquial de Canelas (contruído em 1907), classificado como Imóvel  de Valor Concelhio desde 1980 que se situa no Jardim de S. João de Canelas,  em frente à Igreja Matriz. Não esquecer a Igreja Paroquial de Canelas(1779),  que veio substituir um templo que existia no mesmo lugar e apresenta  características essencialmente barrocas embora que, ainda são presentes  alguns traços renascentistas.&lt;br /&gt;
|} &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4. DESCRIÇÃO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Objeto arquitetónico&#039;&#039;&#039; &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Desconhece-se  a origem da construção do Solar dos Condes de Resende, no entanto, através  dos Arquivos Paroquiais do distrito do Porto, foi possível descobrir que este  terreno apresenta já algum tipo de presença senhorial desde 1042 – contudo,  este terreno compreendia uma área mais alargada do que é atualmente.[[File:Solar Condes de Resende I (49856138448).jpg|left|thumb|Fachada principal da casa a partir do exterior.]]Esta  edificação destaca-se por um barroco mais singelo, mas, nunca deixa de  apresentar a extravagância e cenografia tão apreciada por esta burguesia.  Atualmente, o visitante depara-se com um edifício composto de três corpos  principais que são interligados por ângulos retos que formam um pequeno  claustro quadrangular que receciona o sujeito. Em suma, a casa forma um total  de dois L sendo que o corpo barroco une todo o complexo pelo exterior e  interior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A  casa apresenta dois andares nos quais o rés do chão serviria para funções  laborais de domínio agrícola e para cavalarias. Já o andar nobre agregava as  funções habitacionais e de lazer. Apesar de simples, esta arquitetura seguiu  o “cânone” desta tipologia de casas nobres no barroco onde o andar inferior  era ocupado por criados e os seus trabalhos que, neste caso, se prendiam  muito a produção têxtil e de gado, enquanto o andar superior fazia jus ao seu  nome e era ocupado pelos habitantes da casa e acabava por ser diferenciado  para destacar a importância de quem o preenchia. Passando agora para a  descrição dos dois corpos principais da arquitetura irei denominá-los de  corpo A (leste) e corpo B (norte).[[File:Solar Condes de Resende - Corpo Leste.jpg|thumb|Corpo A (leste).]]O  corpo A é o mais antigo, não apresenta grande nobilitação e até causa  estranheza em comparação com o corpo adjacente. A fachada é simples e  apresenta um andar nobre onde se situavam os quartos residenciais e,  diretamente abaixo deles, encontravam-se as cavalarias que forneciam o calor  necessário para os seus habitantes. Funcionavam, em conjunto, uma adega e uma  pequena arrecadação. As janelas apresentam cantarias pétreas que as destacam  da parede branca e, ligeiramente à direita, encontramos uma pedra-de-armas  dos Condes de Resende, para deixar claro quem eram os novos proprietários do  Solar.[[File:Solar Condes de Resende - Escadaria do corpo norte.jpg|thumb|Corpo B (norte).]]O  corpo B, apesar de não haver registo de quando o mesmo foi edificado, através  das memórias paroquiais de 1758, onde é referido “&#039;&#039;ambas cazas com foro de  fidalgos, aparentados com muitas casas ilustres, respeitadas de toda a  Provincia&#039;&#039;” e, antes disso, ainda menciona a Capela de São Tomé que se  encontra no edificado. Ou seja, já são referidas duas casas já no terceiro  quartel do século XVIII e a capela, então, podemos concluir que a mesma deve  ter sido contruída dentro dessas mesmas datas porque confronta outras fontes  que apenas referem um corpo existencial. O corpo B é realçado através de uma  escadaria cenográfica que encontra uma &#039;&#039;loggia&#039;&#039; suportada por colunas  dóricas que é ampliada para esta comunicar com a capela de S. Tomé. Nesta  fachada, surgem janelas com cantarinhas pétreas com forma de volutas e  franjas de cortinados realizadas por pedreiros de Canelas. No lado norte,  voltado para o jardim das Camélias, é também decorado com ornatos nas janelas  e na porta com acesso ao jardim é introduzida uma escadaria semicircular para  dar ênfase a uma entrada mais dramática.[[File:Solar Condes de Resende - Porta de acesso ao Jardim das Camélias.jpg|left|thumb|218x218px|Porta de acesso ao Jardim das Camélias.]]Passando  para o Jardim das Camélias, é uma área de refresco com uma pequena forte com  paredes ondulares concavas e convexas, que realçam esta ideia de dinamismo  plástico e a sumptuosidade.[[File:Solar Condes de Resende - fonte do Jardim das Camélias.jpg|thumb|243x243px|Fonte do Jardim das Camélias.]]No  lado leste existe uma horta comunitária (ainda ativa) com várias espécies e o  restante de um lavadoiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar  das intervenções realizadas pela Câmara Municipal de Gaia, houve uma  preocupação em manter o interior original. As abóbadas são de madeira com  motivos geometrizantes, as janelas eram acompanhadas com namoradeiras em  pedra para os visitantes poderem usufruir das suas conversas com cenários  vegetativos e, no caso daquelas que se encontravam no lado oeste, para terem  uma vista privilegiada para o mar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As  salas e o salão nobre (todos localizados no corpo B) eram posicionados no  andar nobre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
[[File:Solar Condes de Resende V (49856678136).jpg|thumb|Escultura de Eça de Queiroz.]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Património integrado&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Realçar  o jardim das Japoneiras ou das Camélias com exemplares com 300 anos e, a  Estátua de Eça de Queiroz (mais recente) que se enamorou nesta mesma casa por  emília de Castro Pamplona. Este espaço encontra-se atualmente na  inventariação da coleção de Marciano Azuaga. Também importante destacar o  valor do património fundiário e de herança da casa que já atravessa longos  séculos e como as identidades de várias famílias acabaram por influenciar  Canelas e a própria arquitetura do Solar.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;6. FONTES E BIBLIOGRAFIA&#039;&#039;&#039;   &lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|·       Capela,  José Viriato (2009). “Portugal nas memórias paroquiais de 1758: As freguesias  do distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 – memórias, história e  património. Vol. 5”. Braga: [Edição do autor]. &amp;lt;nowiki&amp;gt;ISBN 978-972-98662-4-1&amp;lt;/nowiki&amp;gt; (pg.  757-758)&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Cardoso&#039;&#039;&#039;, Rúben Ricardo Oliveira (2020).  “Continuidade pela transformação: o solar dos condes de Paço Vitorino”.  Dissertação de Mestrado em Arquitetura apresentada a 29 de abril de 2020 na  Universidade Lusíada do Porto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Costa&#039;&#039;&#039;, V. B. da (junho de 2014).  “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;A Capela de Santo Ovídio&#039;&#039;”.  Edição nº 78 – 13º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 5-13).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Fernandes&#039;&#039;&#039;, João Luis (2023). “A coleção  Marciano Azuaga: Gaia e Porto na segunda metade do século XIX e primeira  década do século XX”. Dossiê temático “Museologia: diálogos e encontros  ibéricos”. Edição nº16.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Ferreira-Alves,&#039;&#039;&#039; Joaquim Jaime B. (2001). “Coleção  Portucale: A casa Nobre no Porto na Época Moderna”. Lisboa: Edições Inapa.  ISBN: 972-8387-91-1. (pg. 119-122)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Gonçalves&#039;&#039;&#039;, Flávio (1984). “Revista do  Gabinete de História e Arqueologia de vila nova de Gaia: Mestres de pedraria  gaienses que trabalharam, no século XVIII, na “Torre de Garcia D’Ávila””.  Edição s/n – 2º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 259-271).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;GUIMARÃES&#039;&#039;&#039;, J. A. (1995). “Eça de Queiroz e  os Condes de Resende”. Vila Nova de Gaia: Casa Municipal de Cultura. Solar  dos Condes de Resende.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, J. A. G. e Guimarães, Susana  (dezembro de 2011). ”Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia: &#039;&#039;Vila  nova de Gaia e as Invasões Francesas&#039;&#039;”. Edição nº 13 – 13º Vol. Vila Nova  de Gaia. (pg. 22-33).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Susana (junho de 2012). “Boletim  da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;O Solar Condes de Resende e os  Cavalos&#039;&#039;”. Edição nº 74 – 12º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 27-33).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Gonçalves (dezembro de 1993).  “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;Jardins de Vila Nova de  Gaia&#039;&#039;”. Edição nº 36 – 6º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 11-16).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Gonçalves (junho de 1996).  “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: &#039;&#039;Títulos nobiliárquicos de  Vila Nova de Gaia – II&#039;&#039;”. Edição nº 41 – 6º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg.  23-27).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Guimarães&#039;&#039;&#039;, Susana Cristina Gomes Gonçalves  (2005). “A Quinta da Costa em Canelas. Vila Nova de Gaia (1766-1816):  Família, Património e Casa.” Dissertação de mestrado em Estudos Locais e  Regionais, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto. ISBN: 972-99222-1-7.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Madureira&#039;&#039;&#039;, Nuno Luís, Cidade: Espaço e  Quotidiano (Lisboa, 1740-1830), Lisboa, Livros Horizonte, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
·       &#039;&#039;&#039;Miranda&#039;&#039;&#039;, A. I. F. (dezembro de 2005).  “Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia”. “&#039;&#039;Peças de fiação e  tecelagem do Solar Condes de Resende&#039;&#039;”. Edição nº 61 – 10º Vol. Vila Nova  de Gaia. (pg. 25-33).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
|}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Silvacarloss</name></author>
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