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	<title>Porto Barroco - Contribuições do utilizador [pt]</title>
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	<subtitle>Contribuições do utilizador</subtitle>
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		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Convento_de_Santa_Clara_de_Vila_do_Conde&amp;diff=918</id>
		<title>O Convento de Santa Clara de Vila do Conde</title>
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		<updated>2025-05-31T13:13:46Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png|thumb|351x351px|Autoria: Joseolgon - Own work, CC BY 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado em 1318 (Couto, 2023, p. 32)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins (Couto, 2023, p. 32).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional desde 1910 (apenas a igreja e o aqueduto) (Coelho, 2014 , p. 106).&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação e contexto medieval ====&lt;br /&gt;
A criação do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde volta-se a 1318, por iniciativa de D. Afonso Sanches e da sua esposa D. Teresa Martins (Couto, 2023, p. 32). Este casal nobre teve um importante papel na divulgação da religiosidade e no apoio à Ordem de Santa Clara, divisão feminina da Ordem Franciscana (Couto, 2023, p. 35). A fundação do mosteiro associa-se no movimento de desenvolvimento monástica que caracterizou os séculos XIII e XIV em Portugal, associado à afirmação da espiritualidade mendicante e à valorização da vida contemplativa. A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relaciona-se com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração. A presença da Ordem de Santa Clara em Portugal, principiada com a fundação do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha em Coimbra, difundiu-se ao longo do território, com a ajuda de elites nobres e reais. Nesta circunstância, o Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde converteu-se rapidamente num exemplo de referência para a espiritualidade feminina e para o desenvolvimento artístico e arquitetónico da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Evolução histórica até ao século XIX ====&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias (Couto, 2023, p. 45). É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto (Coelho, 2014, p. 92). A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio (Coelho, 2014, p. 92). Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara (Coelho, 2014, p. 18). A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Classificação patrimonial e importância legal ====&lt;br /&gt;
A Igreja do Convento de Santa Clara e o aqueduto foram classificados como Monumento Nacional (MN) em 1910 (Coelho, 2014, p. 106), e essa classificação viria a ser fortalecida nas décadas seguintes por contínuas reavaliações desenvolvidas pelo Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (IGESPAR), hoje integrado na Direção-Geral do Património Cultural (DGPC). Esta classificação expressa-se numa proteção legal que impossibilita intervenções que possam prejudicar a autenticidade e integridade do imóvel, estabelecendo normas rígidas para obras de conservação, restauro ou reutilização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Importa mencionar que a legislação portuguesa sobre património cultural, nomeadamente a Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro, fornece o quadro legal que regula a preservação e valorização do património cultural. No caso do Mosteiro de Santa Clara, esta legislação tem sido aplicada no sentido de garantir não apenas a sua manutenção física, mas também a sua inclusão em uma logica sustentável e enriquecida de forma cultura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Transformações Arquitetônicas do Mosteiro de Santa Clara século XX - Obras da DGEMN ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Elemento Arquitetônico&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Transformação Observada/ Referência (Coelho, 2014, p. 33)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Antes das obras (até 1928)&lt;br /&gt;
|Igreja&lt;br /&gt;
|Em ruínas: coberturas e arcos colapsados, com visível degradação estrutural da nave principal.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Claustro&lt;br /&gt;
|Parcialmente colapsado, sem cobertura, com colunas quebradas e vegetação invasora.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Novo dormitório&lt;br /&gt;
|Edifício em ruínas, sem cobertura nem janelas, estrutura degradada e abandono visível.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Cidade envolvente&lt;br /&gt;
|Zona adjacente ao convento com traços de abandono e construções degradadas, incluindo ponte em madeira sobre o rio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Durante as obras (1929–1938)&lt;br /&gt;
|Igreja&lt;br /&gt;
|Reconstrução das coberturas, paredes reforçadas, restauração de vãos ogivais e torres.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Claustro&lt;br /&gt;
|Reposição das arcadas, reconstrução das colunas e fonte central restaurada.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Novo dormitório&lt;br /&gt;
|Reestruturação com reforço das fachadas e reconstrução dos pisos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Urbanismo&lt;br /&gt;
|Melhoria na margem do rio com nova estrutura de ponte metálica e arranjos paisagísticos no entorno do convento.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Depois das obras (1943 em diante)&lt;br /&gt;
|Igreja&lt;br /&gt;
|Totalmente restaurada com fachada gótica consolidada e coberturas refeitas; uso de pedra nova em partes estruturais.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Claustro&lt;br /&gt;
|Completamente reconstruído, simétrico e funcional, com jardins e fonte central operante.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Novo dormitório&lt;br /&gt;
|Edifício com aparência uniforme, reabilitado externamente, reintegrado à função urbana.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Paisagem e cidade&lt;br /&gt;
|Integração do edifício restaurado à paisagem urbana moderna, preservando a monumentalidade e a vista privilegiada sobre o rio Ave.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Atualidade (pós-2013)&lt;br /&gt;
|Fachada e entorno&lt;br /&gt;
|Preservação do estilo restaurado da década de 30, mas com sinais de desgaste natural e necessidade de manutenção contínua.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara ocupa um lugar dominante na paisagem geral de Vila do Conde, encontrando-se no topo da colina com vista para o rio Ave. Esta localização fundamental conferiu-lhe, desde a fundação, uma presença emblemática. Hoje, essa presença continua a formar a identidade urbana da cidade, sendo um dos seus componentes mais fotografados, visitados e reconhecíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relevância patrimonial do conjunto tem passado também por um esforço de aproximação à comunidade local, através de projetos educativos, residências artísticas e colaborações com escolas e universidades. Esta ligação com a comunidade social é essencial para o cuidado do edifício, não apenas enquanto objeto arquitetónico, mas como património vivido. Que contribui também para o reconhecimento entre gerações do Mosteiro como elemento da memória coletiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Reutilização e novas funções ====&lt;br /&gt;
Desde o fim das ordens religiosas em 1834 (Coelho, 2014, p. 18), o Mosteiro passou por diversas adaptações. Parte das dependências conventuais foi utilizada como instituição de ensino, enquanto outros espaços foram progressivamente reconvertidos para usos administrativos e culturais. Estas novas funções, embora desvirtuem em parte o uso original do edifício, possibilitaram a sua manutenção e evitaram a ruína que assolou outros imóveis similares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos últimos anos, o mosteiro tem vindo a integrar-se numa lógica de reabilitação para fins culturais e turísticos, e a partir de 2024 se tornou um hotel de 5 estrelas, mas com o cuidado de preservar o legado do mosteiro. A igreja continua aberta ao culto, embora com menor frequência, o que permite manter viva a sua dimensão religiosa e simbólica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta abordagem multifuncional está em consonância com os princípios do ICOMOS sobre reaproveitamento, que defendem a compatibilização entre conservação patrimonial e estímulo contemporâneo. Ao permitir que o edifício continue a ser usado, mesmo que para fins distintos dos originais, garante-se a sua vitalidade e importância social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Desafios atuais e perspetivas futuras ====&lt;br /&gt;
Apesar das tentativas de conservação e valorização, o Mosteiro de Santa Clara possui desafios significativos, entre os quais se destacam o envelhecimento estrutural, a necessidade constante de manutenção e a dificuldade de conciliar os usos modernos com as exigências de conservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro desafio prende-se com a massificação turística, que embora possa ser uma fonte de lucro para a manutenção do património, pode também provocar efeitos negativos, como o desgaste de estruturas e a perda de autenticidade. A administração do turismo deve, por isso, ser feita de forma equilibrada e com recurso a práticas sustentáveis, organizadas com as diretrizes da UNESCO para o turismo cultural responsável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, a integração do Mosteiro em rotas culturais e religiosas, como os Caminhos de Santiago, significa uma oportunidade estratégica para a sua apreciação, permitindo posicioná-lo no panorama mais vasto do turismo patrimonial ibérico. Além disso, a possibilidade de Vila do Conde a eventos culturais de escala regional ou nacional pode servir de incentivo para novas intervenções de valorização e promoção&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Planta e Estrutura Arquitetónica ====&lt;br /&gt;
* A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais. (Coelho, 2014, p. 45).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fachadas e Elementos Exteriores ====&lt;br /&gt;
* Na fachada ocidental, sobressai uma rosácea de estilo radiante, que lembra ao projeto original da igreja medieval, embora o portal em arco ogival tenha sido removido. No lado sul, ainda se conserva a fachada gótica da sala do capítulo, com uma porta central ladeada por duas janelas. Apoiada a esta fachada encontra-se a torre sineira, simples, com empena e patim descoberto, rematada por um parapeito com merlões. Toda a estrutura exterior é coroada por ameias de caráter decorativo, inspiradas em elementos defensivos medievais. O acesso ao interior faz-se por uma porta lateral secundária, virada a norte. (Coelho, 2014, p. 90).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Interior e Capelas ====&lt;br /&gt;
* No interior, a nave apresenta-se coberta por um teto em caixotões de madeira octogonais. Na parte do Evangelho localiza-se a Capela dos Fundadores ou de Nossa Senhora da Conceição, que se tem acesso por um arco com duas arquivoltas ornamentadas, tendo no fecho as armas dos patronos. Esta capela é revestida por uma abóbada de nervuras com bocetes decorativos e possui uma grande janela com elementos decorativos manuelinos. Na parede direita está uma lápide que possui inscrição, enquanto do lado oposto há uma peanha com o retrato do orago. (Coelho, 2014, p. 44)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Capela-Mor ====&lt;br /&gt;
* A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um bocete com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais. (Coelho, 2014, p. 66)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Claustro e Aqueduto ====&lt;br /&gt;
* O claustro do antigo mosteiro localiza-se atualmente diminuído a três alas compostas por arcadas de arcos abatidos, apoiadas em colunas toscanas com ábacos proeminentes. No centro do pátio, pavimentado com lajes, destaca-se uma notável fonte barroca em granito, que servia de ponto final ao antigo aqueduto. Este aqueduto, construído entre 1705 e 1714 com um total de 999 arcos, tinha como função principal fornecer água ao convento e marcava visualmente a paisagem urbana de forma grandiosa. Infelizmente, algumas partes dessa impressionante estrutura foram perdidas ao longo do tempo por ações humanas negligentes. (Coelho, 2014, p. 46)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Novos Dormitórios ====&lt;br /&gt;
* O edifício conhecido como os &amp;quot;novos dormitórios&amp;quot;, cuja dimensão é ainda mais evidente quando comparada ao casario tradicional das margens do rio, foi edificado na segunda metade do século XVIII. A sua conceção arquitetónica demonstra grande sofisticação e mestria técnica, resultando numa composição equilibrada e elegante, tanto nos seus exteriores como nos espaços internos. A influência do classicismo é visível nas soluções formais adotadas. (Coelho, 2014, p. 48)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fachada Sul Monumental ====&lt;br /&gt;
* A monumental fachada sul organiza-se em três níveis de janelas alinhadas verticalmente, divididas em cinco secções por contrafortes robustos, que se tornam mais esbeltos à medida que ascendem, transformando-se em pilastras duplas nos pisos superiores. O topo do edifício é marcado por uma cornija saliente e por imponentes fogaréus alinhados com as pilastras. O corpo central, executado em cantaria de granito, apresenta varandas com balaustradas elegantes e é rematado por um frontão triangular, onde se inscreve o brasão real no tímpano, e uma escultura alegórica da Religião no acrotério. (Coelho, 2014, p. 40)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Artistas e Intervenções Artísticas ====&lt;br /&gt;
* Do ponto de vista construtivo, a igreja revela uma notável combinação de elementos góticos e manuelinos, resultante das várias campanhas de obras ao longo dos séculos. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins (Coelho, 2014, p. 16), estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
[[File:Interior- nave e capela-mor (vista do coro-alto) da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003..png|thumb|Interior: nave e capela-mor (vista do coro-alto) da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
|750x750px|none]]&lt;br /&gt;
[[File:Cobertura da nave (interior), 2003.png|none|thumb|578x578px|Cobertura da nave (interior), 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 31 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
[[File:Vista geral da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003..png|thumb|Vista geral da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.|627x627px|none]]&lt;br /&gt;
[[File:Vista aérea de 1995 do Convento de Santa Clara, em Vila do Conde..png|thumb|Vista aérea 1995. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.|719x719px|none]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara.png|thumb|680x680px|Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara. Autoria: AJSL48 - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94588556&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.|none]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins .png|thumb|658x658px|Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins. Autoria: Manuelvbotelho - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49141295&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.|none]]&lt;br /&gt;
[[File:Planta da zona de proteção.png|none|thumb|574x574px|Planta da zona de proteção. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 31 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COELHO, D. I. P. (2014). (Re) Interpretar o Mosteiro de Santa Clara em Vila do Conde, do estudo à representação. Universidade do Minho. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://hdl.handle.net/1822/34534&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 30/05/2025&lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Convento_de_Santa_Clara_de_Vila_do_Conde&amp;diff=917</id>
		<title>O Convento de Santa Clara de Vila do Conde</title>
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		<updated>2025-05-31T13:12:36Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png|thumb|458x458px|Autoria: Joseolgon - Own work, CC BY 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado em 1318 (Couto, 2023, p. 32)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins (Couto, 2023, p. 32).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional desde 1910 (apenas a igreja e o aqueduto) (Coelho, 2014 , p. 106).&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação e contexto medieval ====&lt;br /&gt;
A criação do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde volta-se a 1318, por iniciativa de D. Afonso Sanches e da sua esposa D. Teresa Martins (Couto, 2023, p. 32). Este casal nobre teve um importante papel na divulgação da religiosidade e no apoio à Ordem de Santa Clara, divisão feminina da Ordem Franciscana (Couto, 2023, p. 35). A fundação do mosteiro associa-se no movimento de desenvolvimento monástica que caracterizou os séculos XIII e XIV em Portugal, associado à afirmação da espiritualidade mendicante e à valorização da vida contemplativa. A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relaciona-se com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração. A presença da Ordem de Santa Clara em Portugal, principiada com a fundação do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha em Coimbra, difundiu-se ao longo do território, com a ajuda de elites nobres e reais. Nesta circunstância, o Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde converteu-se rapidamente num exemplo de referência para a espiritualidade feminina e para o desenvolvimento artístico e arquitetónico da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Evolução histórica até ao século XIX ====&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias (Couto, 2023, p. 45). É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto (Coelho, 2014, p. 92). A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio (Coelho, 2014, p. 92). Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara (Coelho, 2014, p. 18). A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Classificação patrimonial e importância legal ====&lt;br /&gt;
A Igreja do Convento de Santa Clara e o aqueduto foram classificados como Monumento Nacional (MN) em 1910 (Coelho, 2014, p. 106), e essa classificação viria a ser fortalecida nas décadas seguintes por contínuas reavaliações desenvolvidas pelo Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (IGESPAR), hoje integrado na Direção-Geral do Património Cultural (DGPC). Esta classificação expressa-se numa proteção legal que impossibilita intervenções que possam prejudicar a autenticidade e integridade do imóvel, estabelecendo normas rígidas para obras de conservação, restauro ou reutilização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Importa mencionar que a legislação portuguesa sobre património cultural, nomeadamente a Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro, fornece o quadro legal que regula a preservação e valorização do património cultural. No caso do Mosteiro de Santa Clara, esta legislação tem sido aplicada no sentido de garantir não apenas a sua manutenção física, mas também a sua inclusão em uma logica sustentável e enriquecida de forma cultura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Transformações Arquitetônicas do Mosteiro de Santa Clara século XX - Obras da DGEMN ====&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Período&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Elemento Arquitetônico&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
!&#039;&#039;&#039;Transformação Observada/ Referência (Coelho, 2014, p. 33)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Antes das obras (até 1928)&lt;br /&gt;
|Igreja&lt;br /&gt;
|Em ruínas: coberturas e arcos colapsados, com visível degradação estrutural da nave principal.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Claustro&lt;br /&gt;
|Parcialmente colapsado, sem cobertura, com colunas quebradas e vegetação invasora.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Novo dormitório&lt;br /&gt;
|Edifício em ruínas, sem cobertura nem janelas, estrutura degradada e abandono visível.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Cidade envolvente&lt;br /&gt;
|Zona adjacente ao convento com traços de abandono e construções degradadas, incluindo ponte em madeira sobre o rio.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Durante as obras (1929–1938)&lt;br /&gt;
|Igreja&lt;br /&gt;
|Reconstrução das coberturas, paredes reforçadas, restauração de vãos ogivais e torres.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Claustro&lt;br /&gt;
|Reposição das arcadas, reconstrução das colunas e fonte central restaurada.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Novo dormitório&lt;br /&gt;
|Reestruturação com reforço das fachadas e reconstrução dos pisos superiores.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Urbanismo&lt;br /&gt;
|Melhoria na margem do rio com nova estrutura de ponte metálica e arranjos paisagísticos no entorno do convento.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Depois das obras (1943 em diante)&lt;br /&gt;
|Igreja&lt;br /&gt;
|Totalmente restaurada com fachada gótica consolidada e coberturas refeitas; uso de pedra nova em partes estruturais.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Claustro&lt;br /&gt;
|Completamente reconstruído, simétrico e funcional, com jardins e fonte central operante.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Novo dormitório&lt;br /&gt;
|Edifício com aparência uniforme, reabilitado externamente, reintegrado à função urbana.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|Paisagem e cidade&lt;br /&gt;
|Integração do edifício restaurado à paisagem urbana moderna, preservando a monumentalidade e a vista privilegiada sobre o rio Ave.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|Atualidade (pós-2013)&lt;br /&gt;
|Fachada e entorno&lt;br /&gt;
|Preservação do estilo restaurado da década de 30, mas com sinais de desgaste natural e necessidade de manutenção contínua.&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara ocupa um lugar dominante na paisagem geral de Vila do Conde, encontrando-se no topo da colina com vista para o rio Ave. Esta localização fundamental conferiu-lhe, desde a fundação, uma presença emblemática. Hoje, essa presença continua a formar a identidade urbana da cidade, sendo um dos seus componentes mais fotografados, visitados e reconhecíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relevância patrimonial do conjunto tem passado também por um esforço de aproximação à comunidade local, através de projetos educativos, residências artísticas e colaborações com escolas e universidades. Esta ligação com a comunidade social é essencial para o cuidado do edifício, não apenas enquanto objeto arquitetónico, mas como património vivido. Que contribui também para o reconhecimento entre gerações do Mosteiro como elemento da memória coletiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Reutilização e novas funções ====&lt;br /&gt;
Desde o fim das ordens religiosas em 1834 (Coelho, 2014, p. 18), o Mosteiro passou por diversas adaptações. Parte das dependências conventuais foi utilizada como instituição de ensino, enquanto outros espaços foram progressivamente reconvertidos para usos administrativos e culturais. Estas novas funções, embora desvirtuem em parte o uso original do edifício, possibilitaram a sua manutenção e evitaram a ruína que assolou outros imóveis similares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos últimos anos, o mosteiro tem vindo a integrar-se numa lógica de reabilitação para fins culturais e turísticos, e a partir de 2024 se tornou um hotel de 5 estrelas, mas com o cuidado de preservar o legado do mosteiro. A igreja continua aberta ao culto, embora com menor frequência, o que permite manter viva a sua dimensão religiosa e simbólica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta abordagem multifuncional está em consonância com os princípios do ICOMOS sobre reaproveitamento, que defendem a compatibilização entre conservação patrimonial e estímulo contemporâneo. Ao permitir que o edifício continue a ser usado, mesmo que para fins distintos dos originais, garante-se a sua vitalidade e importância social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Desafios atuais e perspetivas futuras ====&lt;br /&gt;
Apesar das tentativas de conservação e valorização, o Mosteiro de Santa Clara possui desafios significativos, entre os quais se destacam o envelhecimento estrutural, a necessidade constante de manutenção e a dificuldade de conciliar os usos modernos com as exigências de conservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro desafio prende-se com a massificação turística, que embora possa ser uma fonte de lucro para a manutenção do património, pode também provocar efeitos negativos, como o desgaste de estruturas e a perda de autenticidade. A administração do turismo deve, por isso, ser feita de forma equilibrada e com recurso a práticas sustentáveis, organizadas com as diretrizes da UNESCO para o turismo cultural responsável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, a integração do Mosteiro em rotas culturais e religiosas, como os Caminhos de Santiago, significa uma oportunidade estratégica para a sua apreciação, permitindo posicioná-lo no panorama mais vasto do turismo patrimonial ibérico. Além disso, a possibilidade de Vila do Conde a eventos culturais de escala regional ou nacional pode servir de incentivo para novas intervenções de valorização e promoção&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Planta e Estrutura Arquitetónica ====&lt;br /&gt;
* A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais. (Coelho, 2014, p. 45).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fachadas e Elementos Exteriores ====&lt;br /&gt;
* Na fachada ocidental, sobressai uma rosácea de estilo radiante, que lembra ao projeto original da igreja medieval, embora o portal em arco ogival tenha sido removido. No lado sul, ainda se conserva a fachada gótica da sala do capítulo, com uma porta central ladeada por duas janelas. Apoiada a esta fachada encontra-se a torre sineira, simples, com empena e patim descoberto, rematada por um parapeito com merlões. Toda a estrutura exterior é coroada por ameias de caráter decorativo, inspiradas em elementos defensivos medievais. O acesso ao interior faz-se por uma porta lateral secundária, virada a norte. (Coelho, 2014, p. 90).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Interior e Capelas ====&lt;br /&gt;
* No interior, a nave apresenta-se coberta por um teto em caixotões de madeira octogonais. Na parte do Evangelho localiza-se a Capela dos Fundadores ou de Nossa Senhora da Conceição, que se tem acesso por um arco com duas arquivoltas ornamentadas, tendo no fecho as armas dos patronos. Esta capela é revestida por uma abóbada de nervuras com bocetes decorativos e possui uma grande janela com elementos decorativos manuelinos. Na parede direita está uma lápide que possui inscrição, enquanto do lado oposto há uma peanha com o retrato do orago. (Coelho, 2014, p. 44)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Capela-Mor ====&lt;br /&gt;
* A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um bocete com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais. (Coelho, 2014, p. 66)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Claustro e Aqueduto ====&lt;br /&gt;
* O claustro do antigo mosteiro localiza-se atualmente diminuído a três alas compostas por arcadas de arcos abatidos, apoiadas em colunas toscanas com ábacos proeminentes. No centro do pátio, pavimentado com lajes, destaca-se uma notável fonte barroca em granito, que servia de ponto final ao antigo aqueduto. Este aqueduto, construído entre 1705 e 1714 com um total de 999 arcos, tinha como função principal fornecer água ao convento e marcava visualmente a paisagem urbana de forma grandiosa. Infelizmente, algumas partes dessa impressionante estrutura foram perdidas ao longo do tempo por ações humanas negligentes. (Coelho, 2014, p. 46)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Novos Dormitórios ====&lt;br /&gt;
* O edifício conhecido como os &amp;quot;novos dormitórios&amp;quot;, cuja dimensão é ainda mais evidente quando comparada ao casario tradicional das margens do rio, foi edificado na segunda metade do século XVIII. A sua conceção arquitetónica demonstra grande sofisticação e mestria técnica, resultando numa composição equilibrada e elegante, tanto nos seus exteriores como nos espaços internos. A influência do classicismo é visível nas soluções formais adotadas. (Coelho, 2014, p. 48)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fachada Sul Monumental ====&lt;br /&gt;
* A monumental fachada sul organiza-se em três níveis de janelas alinhadas verticalmente, divididas em cinco secções por contrafortes robustos, que se tornam mais esbeltos à medida que ascendem, transformando-se em pilastras duplas nos pisos superiores. O topo do edifício é marcado por uma cornija saliente e por imponentes fogaréus alinhados com as pilastras. O corpo central, executado em cantaria de granito, apresenta varandas com balaustradas elegantes e é rematado por um frontão triangular, onde se inscreve o brasão real no tímpano, e uma escultura alegórica da Religião no acrotério. (Coelho, 2014, p. 40)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Artistas e Intervenções Artísticas ====&lt;br /&gt;
* Do ponto de vista construtivo, a igreja revela uma notável combinação de elementos góticos e manuelinos, resultante das várias campanhas de obras ao longo dos séculos. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins (Coelho, 2014, p. 16), estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
[[File:Interior- nave e capela-mor (vista do coro-alto) da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003..png|thumb|Interior: nave e capela-mor (vista do coro-alto) da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
|750x750px|none]]&lt;br /&gt;
[[File:Cobertura da nave (interior), 2003.png|none|thumb|578x578px|Cobertura da nave (interior), 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 31 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
[[File:Vista geral da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003..png|thumb|Vista geral da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.|627x627px|none]]&lt;br /&gt;
[[File:Vista aérea de 1995 do Convento de Santa Clara, em Vila do Conde..png|thumb|Vista aérea 1995. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.|719x719px|none]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara.png|thumb|680x680px|Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara. Autoria: AJSL48 - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94588556&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.|none]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins .png|thumb|658x658px|Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins. Autoria: Manuelvbotelho - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49141295&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.|none]]&lt;br /&gt;
[[File:Planta da zona de proteção.png|none|thumb|574x574px|Planta da zona de proteção. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 31 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COELHO, D. I. P. (2014). (Re) Interpretar o Mosteiro de Santa Clara em Vila do Conde, do estudo à representação. Universidade do Minho. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://hdl.handle.net/1822/34534&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 30/05/2025&lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
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		<title>Ficheiro:Cobertura da nave (interior), 2003.png</title>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Cobertura da nave (interior), 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102. Acesso em: 31 mai. 2025.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Planta da zona de proteção. Imagem disponível em SIPA/DGPC.&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102. Acesso&lt;br /&gt;
em: 31 mai. 2025.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
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		<title>O Convento de Santa Clara de Vila do Conde</title>
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		<updated>2025-05-31T02:34:39Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png|thumb|371x371px|Autoria: Joseolgon - Own work, CC BY 4.0. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479. Acesso em: 27 mai. 2025]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado em 1318 (Couto, 2023, p. 32)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins (Couto, 2023, p. 32).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional desde 1910 (apenas a igreja e o aqueduto) (Coelho, 2014 , p. 106).&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação e contexto medieval ====&lt;br /&gt;
A criação do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde volta-se a 1318, por iniciativa de D. Afonso Sanches e da sua esposa D. Teresa Martins (Couto, 2023, p. 32). Este casal nobre teve um importante papel na divulgação da religiosidade e no apoio à Ordem de Santa Clara, divisão feminina da Ordem Franciscana (Couto, 2023, p. 35). A fundação do mosteiro associa-se no movimento de desenvolvimento monástica que caracterizou os séculos XIII e XIV em Portugal, associado à afirmação da espiritualidade mendicante e à valorização da vida contemplativa. A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relaciona-se com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração. A presença da Ordem de Santa Clara em Portugal, principiada com a fundação do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha em Coimbra, difundiu-se ao longo do território, com a ajuda de elites nobres e reais. Nesta circunstância, o Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde converteu-se rapidamente num exemplo de referência para a espiritualidade feminina e para o desenvolvimento artístico e arquitetónico da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Evolução histórica até ao século XIX ====&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias (Couto, 2023, p. 45). É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto (Coelho, 2014, p. 92). A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio (Coelho, 2014, p. 92). Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara (Coelho, 2014, p. 18). A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Classificação patrimonial e importância legal ====&lt;br /&gt;
A Igreja do Convento de Santa Clara e o aqueduto foram classificados como Monumento Nacional (MN) em 1910 (Coelho, 2014, p. 106), e essa classificação viria a ser fortalecida nas décadas seguintes por contínuas reavaliações desenvolvidas pelo Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (IGESPAR), hoje integrado na Direção-Geral do Património Cultural (DGPC). Esta classificação expressa-se numa proteção legal que impossibilita intervenções que possam prejudicar a autenticidade e integridade do imóvel, estabelecendo normas rígidas para obras de conservação, restauro ou reutilização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Importa mencionar que a legislação portuguesa sobre património cultural, nomeadamente a Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro, fornece o quadro legal que regula a preservação e valorização do património cultural. No caso do Mosteiro de Santa Clara, esta legislação tem sido aplicada no sentido de garantir não apenas a sua manutenção física, mas também a sua inclusão em uma logica sustentável e enriquecida de forma cultura.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara ocupa um lugar dominante na paisagem geral de Vila do Conde, encontrando-se no topo da colina com vista para o rio Ave. Esta localização fundamental conferiu-lhe, desde a fundação, uma presença emblemática. Hoje, essa presença continua a formar a identidade urbana da cidade, sendo um dos seus componentes mais fotografados, visitados e reconhecíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relevância patrimonial do conjunto tem passado também por um esforço de aproximação à comunidade local, através de projetos educativos, residências artísticas e colaborações com escolas e universidades. Esta ligação com a comunidade social é essencial para o cuidado do edifício, não apenas enquanto objeto arquitetónico, mas como património vivido. Que contribui também para o reconhecimento entre gerações do Mosteiro como elemento da memória coletiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Reutilização e novas funções ====&lt;br /&gt;
Desde o fim das ordens religiosas em 1834 (Coelho, 2014, p. 18), o Mosteiro passou por diversas adaptações. Parte das dependências conventuais foi utilizada como instituição de ensino, enquanto outros espaços foram progressivamente reconvertidos para usos administrativos e culturais. Estas novas funções, embora desvirtuem em parte o uso original do edifício, possibilitaram a sua manutenção e evitaram a ruína que assolou outros imóveis similares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos últimos anos, o mosteiro tem vindo a integrar-se numa lógica de reabilitação para fins culturais e turísticos, e a partir de 2024 se tornou um hotel de 5 estrelas, mas com o cuidado de preservar o legado do mosteiro. A igreja continua aberta ao culto, embora com menor frequência, o que permite manter viva a sua dimensão religiosa e simbólica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta abordagem multifuncional está em consonância com os princípios do ICOMOS sobre reaproveitamento, que defendem a compatibilização entre conservação patrimonial e estímulo contemporâneo. Ao permitir que o edifício continue a ser usado, mesmo que para fins distintos dos originais, garante-se a sua vitalidade e importância social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Desafios atuais e perspetivas futuras ====&lt;br /&gt;
Apesar das tentativas de conservação e valorização, o Mosteiro de Santa Clara possui desafios significativos, entre os quais se destacam o envelhecimento estrutural, a necessidade constante de manutenção e a dificuldade de conciliar os usos modernos com as exigências de conservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro desafio prende-se com a massificação turística, que embora possa ser uma fonte de lucro para a manutenção do património, pode também provocar efeitos negativos, como o desgaste de estruturas e a perda de autenticidade. A administração do turismo deve, por isso, ser feita de forma equilibrada e com recurso a práticas sustentáveis, organizadas com as diretrizes da UNESCO para o turismo cultural responsável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, a integração do Mosteiro em rotas culturais e religiosas, como os Caminhos de Santiago, significa uma oportunidade estratégica para a sua apreciação, permitindo posicioná-lo no panorama mais vasto do turismo patrimonial ibérico. Além disso, a possibilidade de Vila do Conde a eventos culturais de escala regional ou nacional pode servir de incentivo para novas intervenções de valorização e promoção&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Planta e Estrutura Arquitetónica ====&lt;br /&gt;
* A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais. (Coelho, 2014, p. 45).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fachadas e Elementos Exteriores ====&lt;br /&gt;
* Na fachada ocidental, sobressai uma rosácea de estilo radiante, que lembra ao projeto original da igreja medieval, embora o portal em arco ogival tenha sido removido. No lado sul, ainda se conserva a fachada gótica da sala do capítulo, com uma porta central ladeada por duas janelas. Apoiada a esta fachada encontra-se a torre sineira, simples, com empena e patim descoberto, rematada por um parapeito com merlões. Toda a estrutura exterior é coroada por ameias de caráter decorativo, inspiradas em elementos defensivos medievais. O acesso ao interior faz-se por uma porta lateral secundária, virada a norte. (Coelho, 2014, p. 90).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Interior e Capelas ====&lt;br /&gt;
* No interior, a nave apresenta-se coberta por um teto em caixotões de madeira octogonais. Na parte do Evangelho localiza-se a Capela dos Fundadores ou de Nossa Senhora da Conceição, que se tem acesso por um arco com duas arquivoltas ornamentadas, tendo no fecho as armas dos patronos. Esta capela é revestida por uma abóbada de nervuras com bocetes decorativos e possui uma grande janela com elementos decorativos manuelinos. Na parede direita está uma lápide que possui inscrição, enquanto do lado oposto há uma peanha com o retrato do orago. (Coelho, 2014, p. 44)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Capela-Mor ====&lt;br /&gt;
* A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um bocete com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais. (Coelho, 2014, p. 66)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Claustro e Aqueduto ====&lt;br /&gt;
* O claustro do antigo mosteiro localiza-se atualmente diminuído a três alas compostas por arcadas de arcos abatidos, apoiadas em colunas toscanas com ábacos proeminentes. No centro do pátio, pavimentado com lajes, destaca-se uma notável fonte barroca em granito, que servia de ponto final ao antigo aqueduto. Este aqueduto, construído entre 1705 e 1714 com um total de 999 arcos, tinha como função principal fornecer água ao convento e marcava visualmente a paisagem urbana de forma grandiosa. Infelizmente, algumas partes dessa impressionante estrutura foram perdidas ao longo do tempo por ações humanas negligentes. (Coelho, 2014, p. 46)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Novos Dormitórios ====&lt;br /&gt;
* O edifício conhecido como os &amp;quot;novos dormitórios&amp;quot;, cuja dimensão é ainda mais evidente quando comparada ao casario tradicional das margens do rio, foi edificado na segunda metade do século XVIII. A sua conceção arquitetónica demonstra grande sofisticação e mestria técnica, resultando numa composição equilibrada e elegante, tanto nos seus exteriores como nos espaços internos. A influência do classicismo é visível nas soluções formais adotadas. (Coelho, 2014, p. 48)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fachada Sul Monumental ====&lt;br /&gt;
* A monumental fachada sul organiza-se em três níveis de janelas alinhadas verticalmente, divididas em cinco secções por contrafortes robustos, que se tornam mais esbeltos à medida que ascendem, transformando-se em pilastras duplas nos pisos superiores. O topo do edifício é marcado por uma cornija saliente e por imponentes fogaréus alinhados com as pilastras. O corpo central, executado em cantaria de granito, apresenta varandas com balaustradas elegantes e é rematado por um frontão triangular, onde se inscreve o brasão real no tímpano, e uma escultura alegórica da Religião no acrotério. (Coelho, 2014, p. 40)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Artistas e Intervenções Artísticas ====&lt;br /&gt;
* Do ponto de vista construtivo, a igreja revela uma notável combinação de elementos góticos e manuelinos, resultante das várias campanhas de obras ao longo dos séculos. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins (Coelho, 2014, p. 16), estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
[[File:Vista aérea de 1995 do Convento de Santa Clara, em Vila do Conde..png|thumb|Vista aérea 1995. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Interior- nave e capela-mor (vista do coro-alto) da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003..png|thumb|Interior: nave e capela-mor (vista do coro-alto) da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
[[File:Vista geral da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003..png|thumb|Vista geral da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara.png|thumb|384x384px|Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara. Autoria: AJSL48 - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94588556&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins .png|thumb|517x517px|Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins. Autoria: Manuelvbotelho - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49141295&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COELHO, D. I. P. (2014). (Re) Interpretar o Mosteiro de Santa Clara em Vila do Conde, do estudo à representação. Universidade do Minho. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://hdl.handle.net/1822/34534&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 30/05/2025&lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
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		<title>O Convento de Santa Clara de Vila do Conde</title>
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		<updated>2025-05-31T02:15:50Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png|thumb|371x371px|Autoria: Joseolgon - Own work, CC BY 4.0. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479. Acesso em: 27 mai. 2025]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado em 1318 (Couto, 2023, p. 32)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins (Couto, 2023, p. 32).&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional desde 1910 (apenas a igreja e o aqueduto) (Coelho, 2014 , p. 106).&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fundação e contexto medieval ====&lt;br /&gt;
A criação do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde volta-se a 1318, por iniciativa de D. Afonso Sanches e da sua esposa D. Teresa Martins (Couto, 2023, p. 32). Este casal nobre teve um importante papel na divulgação da religiosidade e no apoio à Ordem de Santa Clara, divisão feminina da Ordem Franciscana (Couto, 2023, p. 35). A fundação do mosteiro associa-se no movimento de desenvolvimento monástica que caracterizou os séculos XIII e XIV em Portugal, associado à afirmação da espiritualidade mendicante e à valorização da vida contemplativa. A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relaciona-se com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração. A presença da Ordem de Santa Clara em Portugal, principiada com a fundação do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha em Coimbra, difundiu-se ao longo do território, com a ajuda de elites nobres e reais. Nesta circunstância, o Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde converteu-se rapidamente num exemplo de referência para a espiritualidade feminina e para o desenvolvimento artístico e arquitetónico da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Evolução histórica até ao século XIX ====&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias (Couto, 2023, p. 45). É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto (Coelho, 2014, p. 92). A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio (Coelho, 2014, p. 92). Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara (Coelho, 2014, p. 18). A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Classificação patrimonial e importância legal ====&lt;br /&gt;
A Igreja do Convento de Santa Clara e o aqueduto foram classificados como Monumento Nacional (MN) em 1910 (Coelho, 2014, p. 106), e essa classificação viria a ser fortalecida nas décadas seguintes por contínuas reavaliações desenvolvidas pelo Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (IGESPAR), hoje integrado na Direção-Geral do Património Cultural (DGPC). Esta classificação expressa-se numa proteção legal que impossibilita intervenções que possam prejudicar a autenticidade e integridade do imóvel, estabelecendo normas rígidas para obras de conservação, restauro ou reutilização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Importa mencionar que a legislação portuguesa sobre património cultural, nomeadamente a Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro, fornece o quadro legal que regula a preservação e valorização do património cultural. No caso do Mosteiro de Santa Clara, esta legislação tem sido aplicada no sentido de garantir não apenas a sua manutenção física, mas também a sua inclusão em uma logica sustentável e enriquecida de forma cultura.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
O Mosteiro de Santa Clara ocupa um lugar dominante na paisagem geral de Vila do Conde, encontrando-se no topo da colina com vista para o rio Ave. Esta localização fundamental conferiu-lhe, desde a fundação, uma presença emblemática. Hoje, essa presença continua a formar a identidade urbana da cidade, sendo um dos seus componentes mais fotografados, visitados e reconhecíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relevância patrimonial do conjunto tem passado também por um esforço de aproximação à comunidade local, através de projetos educativos, residências artísticas e colaborações com escolas e universidades. Esta ligação com a comunidade social é essencial para o cuidado do edifício, não apenas enquanto objeto arquitetónico, mas como património vivido. Que contribui também para o reconhecimento entre gerações do Mosteiro como elemento da memória coletiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Reutilização e novas funções ====&lt;br /&gt;
Desde o fim das ordens religiosas em 1834 (Coelho, 2014, p. 18), o Mosteiro passou por diversas adaptações. Parte das dependências conventuais foi utilizada como instituição de ensino, enquanto outros espaços foram progressivamente reconvertidos para usos administrativos e culturais. Estas novas funções, embora desvirtuem em parte o uso original do edifício, possibilitaram a sua manutenção e evitaram a ruína que assolou outros imóveis similares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos últimos anos, o mosteiro tem vindo a integrar-se numa lógica de reabilitação para fins culturais e turísticos, e a partir de 2024 se tornou um hotel de 5 estrelas, mas com o cuidado de preservar o legado do mosteiro. A igreja continua aberta ao culto, embora com menor frequência, o que permite manter viva a sua dimensão religiosa e simbólica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta abordagem multifuncional está em consonância com os princípios do ICOMOS sobre reaproveitamento, que defendem a compatibilização entre conservação patrimonial e estímulo contemporâneo. Ao permitir que o edifício continue a ser usado, mesmo que para fins distintos dos originais, garante-se a sua vitalidade e importância social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Desafios atuais e perspetivas futuras ====&lt;br /&gt;
Apesar das tentativas de conservação e valorização, o Mosteiro de Santa Clara possui desafios significativos, entre os quais se destacam o envelhecimento estrutural, a necessidade constante de manutenção e a dificuldade de conciliar os usos modernos com as exigências de conservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro desafio prende-se com a massificação turística, que embora possa ser uma fonte de lucro para a manutenção do património, pode também provocar efeitos negativos, como o desgaste de estruturas e a perda de autenticidade. A administração do turismo deve, por isso, ser feita de forma equilibrada e com recurso a práticas sustentáveis, organizadas com as diretrizes da UNESCO para o turismo cultural responsável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, a integração do Mosteiro em rotas culturais e religiosas, como os Caminhos de Santiago, significa uma oportunidade estratégica para a sua apreciação, permitindo posicioná-lo no panorama mais vasto do turismo patrimonial ibérico. Além disso, a possibilidade de Vila do Conde a eventos culturais de escala regional ou nacional pode servir de incentivo para novas intervenções de valorização e promoção&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Planta e Estrutura Arquitetónica ====&lt;br /&gt;
* A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais. (Coelho, 2014, p. 45).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fachadas e Elementos Exteriores ====&lt;br /&gt;
* Na fachada ocidental, sobressai uma rosácea de estilo radiante, que lembra ao projeto original da igreja medieval, embora o portal em arco ogival tenha sido removido. No lado sul, ainda se conserva a fachada gótica da sala do capítulo, com uma porta central ladeada por duas janelas. Apoiada a esta fachada encontra-se a torre sineira, simples, com empena e patim descoberto, rematada por um parapeito com merlões. Toda a estrutura exterior é coroada por ameias de caráter decorativo, inspiradas em elementos defensivos medievais. O acesso ao interior faz-se por uma porta lateral secundária, virada a norte. (Coelho, 2014, p. 90).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Interior e Capelas ====&lt;br /&gt;
* No interior, a nave apresenta-se coberta por um teto em caixotões de madeira octogonais. Na parte do Evangelho localiza-se a Capela dos Fundadores ou de Nossa Senhora da Conceição, que se tem acesso por um arco com duas arquivoltas ornamentadas, tendo no fecho as armas dos patronos. Esta capela é revestida por uma abóbada de nervuras com bocetes decorativos e possui uma grande janela com elementos decorativos manuelinos. Na parede direita está uma lápide que possui inscrição, enquanto do lado oposto há uma peanha com o retrato do orago. (Coelho, 2014, p. 44)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Capela-Mor ====&lt;br /&gt;
* A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um bocete com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais. (Coelho, 2014, p. 66)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Claustro e Aqueduto ====&lt;br /&gt;
* O claustro do antigo mosteiro localiza-se atualmente diminuído a três alas compostas por arcadas de arcos abatidos, apoiadas em colunas toscanas com ábacos proeminentes. No centro do pátio, pavimentado com lajes, destaca-se uma notável fonte barroca em granito, que servia de ponto final ao antigo aqueduto. Este aqueduto, construído entre 1705 e 1714 com um total de 999 arcos, tinha como função principal fornecer água ao convento e marcava visualmente a paisagem urbana de forma grandiosa. Infelizmente, algumas partes dessa impressionante estrutura foram perdidas ao longo do tempo por ações humanas negligentes. (Coelho, 2014, p. 46)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Novos Dormitórios ====&lt;br /&gt;
* O edifício conhecido como os &amp;quot;novos dormitórios&amp;quot;, cuja dimensão é ainda mais evidente quando comparada ao casario tradicional das margens do rio, foi edificado na segunda metade do século XVIII. A sua conceção arquitetónica demonstra grande sofisticação e mestria técnica, resultando numa composição equilibrada e elegante, tanto nos seus exteriores como nos espaços internos. A influência do classicismo é visível nas soluções formais adotadas. (Coelho, 2014, p. 48)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Fachada Sul Monumental ====&lt;br /&gt;
* A monumental fachada sul organiza-se em três níveis de janelas alinhadas verticalmente, divididas em cinco secções por contrafortes robustos, que se tornam mais esbeltos à medida que ascendem, transformando-se em pilastras duplas nos pisos superiores. O topo do edifício é marcado por uma cornija saliente e por imponentes fogaréus alinhados com as pilastras. O corpo central, executado em cantaria de granito, apresenta varandas com balaustradas elegantes e é rematado por um frontão triangular, onde se inscreve o brasão real no tímpano, e uma escultura alegórica da Religião no acrotério. (Coelho, 2014, p. 40)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Artistas e Intervenções Artísticas ====&lt;br /&gt;
* Do ponto de vista construtivo, a igreja revela uma notável combinação de elementos góticos e manuelinos, resultante das várias campanhas de obras ao longo dos séculos. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins (Coelho, 2014, p. 16), estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
[[File:Vista aérea de 1995 do Convento de Santa Clara, em Vila do Conde..png|thumb|Vista aérea 1995. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Interior- nave e capela-mor (vista do coro-alto) da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003..png|thumb|Interior: nave e capela-mor (vista do coro-alto) da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
[[File:Vista geral da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003..png|thumb|Vista geral da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 03 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara.png|thumb|384x384px|Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara. Autoria: AJSL48 - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94588556&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins .png|thumb|517x517px|Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins. Autoria: Manuelvbotelho - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49141295&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COELHO, D. I. P. (2014). (Re) Interpretar o Mosteiro de Santa Clara em Vila do Conde, do estudo à representação. Universidade do Minho. Disponível em: https://hdl.handle.net/1822/34534. Acesso em: 30/05/2025 &lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
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		<updated>2025-05-31T02:14:51Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Interior: nave e capela-mor (vista do coro-alto) da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC.&lt;br /&gt;
Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102. Acesso&lt;br /&gt;
em: 03 mai. 2025.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Vista geral da Igreja do Convento de Santa Clara, em 2003. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN /&lt;br /&gt;
DSID. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102. Acesso em: 03 mai. 2025.&lt;/div&gt;</summary>
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		<updated>2025-05-31T02:11:49Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Vista aérea 1995. Imagem disponível em SIPA/DGPC. Fonte: SIPA – IHRU: DGEMN / DSID. Disponível em:&lt;br /&gt;
http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102. Acesso em: 03 mai. 2025.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png|thumb|371x371px|Autoria: Joseolgon - Own work, CC BY 4.0. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479. Acesso em: 27 mai. 2025]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado em 1318 (Couto, 2023, p. 32)&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins (Couto, 2023, p. 32).&lt;br /&gt;
A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional desde 1910 (apenas a igreja e o aqueduto) (Coelho, 2014 , p. 106).&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias. É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto. A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio. Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara. A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relacionasse com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder. A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
* A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Na fachada ocidental, sobressai uma rosácea de estilo radiante, que lembra ao projeto original da igreja medieval, embora o portal em arco ogival tenha sido removido. No lado sul, ainda se conserva a fachada gótica da sala do capítulo, com uma porta central ladeada por duas janelas. Apoiada a esta fachada encontra-se a torre sineira, simples, com empena e patim descoberto, rematada por um parapeito com merlões. Toda a estrutura exterior é coroada por ameias de caráter decorativo, inspiradas em elementos defensivos medievais. O acesso ao interior faz-se por uma porta lateral secundária, virada a norte.&lt;br /&gt;
* No interior, a nave apresenta-se coberta por um teto em caixotões de madeira octogonais. Na parte do Evangelho localiza-se a Capela dos Fundadores ou de Nossa Senhora da Conceição, que se tem acesso por um arco com duas arquivoltas ornamentadas, tendo no fecho as armas dos patronos. Esta capela é revestida por uma abóbada de nervuras com bocetes decorativos e possui uma grande janela com elementos decorativos manuelinos. Na parede direita está uma lápide que possui inscrição, enquanto do lado oposto há uma peanha com o retrato do orago.&lt;br /&gt;
* A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um bocete com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais. &lt;br /&gt;
* O claustro do antigo mosteiro localiza-se atualmente diminuído a três alas compostas por arcadas de arcos abatidos, apoiadas em colunas toscanas com ábacos proeminentes. No centro do pátio, pavimentado com lajes, destaca-se uma notável fonte barroca em granito, que servia de ponto final ao antigo aqueduto. Este aqueduto, construído entre 1705 e 1714 com um total de 999 arcos, tinha como função principal fornecer água ao convento e marcava visualmente a paisagem urbana de forma grandiosa. Infelizmente, algumas partes dessa impressionante estrutura foram perdidas ao longo do tempo por ações humanas negligentes.&lt;br /&gt;
* O edifício conhecido como os &amp;quot;novos dormitórios&amp;quot;, cuja dimensão é ainda mais evidente quando comparada ao casario tradicional das margens do rio, foi edificado na segunda metade do século XVIII. A sua conceção arquitetónica demonstra grande sofisticação e mestria técnica, resultando numa composição equilibrada e elegante, tanto nos seus exteriores como nos espaços internos. A influência do classicismo é visível nas soluções formais adotadas.&lt;br /&gt;
* A monumental fachada sul organiza-se em três níveis de janelas alinhadas verticalmente, divididas em cinco secções por contrafortes robustos, que se tornam mais esbeltos à medida que ascendem, transformando-se em pilastras duplas nos pisos superiores. O topo do edifício é marcado por uma cornija saliente e por imponentes fogaréus alinhados com as pilastras. O corpo central, executado em cantaria de granito, apresenta varandas com balaustradas elegantes e é rematado por um frontão triangular, onde se inscreve o brasão real no tímpano, e uma escultura alegórica da Religião no acrotério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Objeto ou conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins, estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
[[File:Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara.png|thumb|384x384px|Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara. Autoria: AJSL48 - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94588556&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
[[File:Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins .png|thumb|517x517px|Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins. Autoria: Manuelvbotelho - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49141295&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
=== 6. BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Convento_de_Santa_Clara_de_Vila_do_Conde&amp;diff=800</id>
		<title>O Convento de Santa Clara de Vila do Conde</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Convento_de_Santa_Clara_de_Vila_do_Conde&amp;diff=800"/>
		<updated>2025-05-27T00:06:59Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png|thumb|371x371px|Autoria: Joseolgon - Own work, CC BY 4.0. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479. Acesso em: 27 mai. 2025]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado em 1318&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional desde 1910&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias. É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto. A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio. Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara. A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relacionasse com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder. A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
* A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Na fachada ocidental, sobressai uma rosácea de estilo radiante, que lembra ao projeto original da igreja medieval, embora o portal em arco ogival tenha sido removido. No lado sul, ainda se conserva a fachada gótica da sala do capítulo, com uma porta central ladeada por duas janelas. Apoiada a esta fachada encontra-se a torre sineira, simples, com empena e patim descoberto, rematada por um parapeito com merlões. Toda a estrutura exterior é coroada por ameias de caráter decorativo, inspiradas em elementos defensivos medievais. O acesso ao interior faz-se por uma porta lateral secundária, virada a norte.&lt;br /&gt;
* No interior, a nave apresenta-se coberta por um teto em caixotões de madeira octogonais. Na parte do Evangelho localiza-se a Capela dos Fundadores ou de Nossa Senhora da Conceição, que se tem acesso por um arco com duas arquivoltas ornamentadas, tendo no fecho as armas dos patronos. Esta capela é revestida por uma abóbada de nervuras com bocetes decorativos e possui uma grande janela com elementos decorativos manuelinos. Na parede direita está uma lápide que possui inscrição, enquanto do lado oposto há uma peanha com o retrato do orago.&lt;br /&gt;
* A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um bocete com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais. &lt;br /&gt;
* O claustro do antigo mosteiro localiza-se atualmente diminuído a três alas compostas por arcadas de arcos abatidos, apoiadas em colunas toscanas com ábacos proeminentes. No centro do pátio, pavimentado com lajes, destaca-se uma notável fonte barroca em granito, que servia de ponto final ao antigo aqueduto. Este aqueduto, construído entre 1705 e 1714 com um total de 999 arcos, tinha como função principal fornecer água ao convento e marcava visualmente a paisagem urbana de forma grandiosa. Infelizmente, algumas partes dessa impressionante estrutura foram perdidas ao longo do tempo por ações humanas negligentes.&lt;br /&gt;
* O edifício conhecido como os &amp;quot;novos dormitórios&amp;quot;, cuja dimensão é ainda mais evidente quando comparada ao casario tradicional das margens do rio, foi edificado na segunda metade do século XVIII. A sua conceção arquitetónica demonstra grande sofisticação e mestria técnica, resultando numa composição equilibrada e elegante, tanto nos seus exteriores como nos espaços internos. A influência do classicismo é visível nas soluções formais adotadas.&lt;br /&gt;
* A monumental fachada sul organiza-se em três níveis de janelas alinhadas verticalmente, divididas em cinco secções por contrafortes robustos, que se tornam mais esbeltos à medida que ascendem, transformando-se em pilastras duplas nos pisos superiores. O topo do edifício é marcado por uma cornija saliente e por imponentes fogaréus alinhados com as pilastras. O corpo central, executado em cantaria de granito, apresenta varandas com balaustradas elegantes e é rematado por um frontão triangular, onde se inscreve o brasão real no tímpano, e uma escultura alegórica da Religião no acrotério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Objeto ou conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins, estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
[[File:Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara.png|thumb|384x384px|Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara. Autoria: AJSL48 - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94588556&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
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[[File:Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins .png|thumb|517x517px|Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins. Autoria: Manuelvbotelho - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49141295&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
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=== 6. BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Convento_de_Santa_Clara_de_Vila_do_Conde&amp;diff=799</id>
		<title>O Convento de Santa Clara de Vila do Conde</title>
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		<updated>2025-05-27T00:05:31Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png|thumb|371x371px|Autoria: Joseolgon - Own work, CC BY 4.0. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479. Acesso em: 27 mai. 2025]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado em 1318&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional desde 1910&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias. É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto. A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio. Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara. A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relacionasse com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder. A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
* A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Na fachada ocidental, sobressai uma rosácea de estilo radiante, que lembra ao projeto original da igreja medieval, embora o portal em arco ogival tenha sido removido. No lado sul, ainda se conserva a fachada gótica da sala do capítulo, com uma porta central ladeada por duas janelas. Apoiada a esta fachada encontra-se a torre sineira, simples, com empena e patim descoberto, rematada por um parapeito com merlões. Toda a estrutura exterior é coroada por ameias de caráter decorativo, inspiradas em elementos defensivos medievais. O acesso ao interior faz-se por uma porta lateral secundária, virada a norte.&lt;br /&gt;
* No interior, a nave apresenta-se coberta por um teto em caixotões de madeira octogonais. Na parte do Evangelho localiza-se a Capela dos Fundadores ou de Nossa Senhora da Conceição, que se tem acesso por um arco com duas arquivoltas ornamentadas, tendo no fecho as armas dos patronos. Esta capela é revestida por uma abóbada de nervuras com bocetes decorativos e possui uma grande janela com elementos decorativos manuelinos. Na parede direita está uma lápide que possui inscrição, enquanto do lado oposto há uma peanha com o retrato do orago.&lt;br /&gt;
* A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um bocete com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais. &lt;br /&gt;
* O claustro do antigo mosteiro localiza-se atualmente diminuído a três alas compostas por arcadas de arcos abatidos, apoiadas em colunas toscanas com ábacos proeminentes. No centro do pátio, pavimentado com lajes, destaca-se uma notável fonte barroca em granito, que servia de ponto final ao antigo aqueduto. Este aqueduto, construído entre 1705 e 1714 com um total de 999 arcos, tinha como função principal fornecer água ao convento e marcava visualmente a paisagem urbana de forma grandiosa. Infelizmente, algumas partes dessa impressionante estrutura foram perdidas ao longo do tempo por ações humanas negligentes.&lt;br /&gt;
* O edifício conhecido como os &amp;quot;novos dormitórios&amp;quot;, cuja dimensão é ainda mais evidente quando comparada ao casario tradicional das margens do rio, foi edificado na segunda metade do século XVIII. A sua conceção arquitetónica demonstra grande sofisticação e mestria técnica, resultando numa composição equilibrada e elegante, tanto nos seus exteriores como nos espaços internos. A influência do classicismo é visível nas soluções formais adotadas.&lt;br /&gt;
* A monumental fachada sul organiza-se em três níveis de janelas alinhadas verticalmente, divididas em cinco secções por contrafortes robustos, que se tornam mais esbeltos à medida que ascendem, transformando-se em pilastras duplas nos pisos superiores. O topo do edifício é marcado por uma cornija saliente e por imponentes fogaréus alinhados com as pilastras. O corpo central, executado em cantaria de granito, apresenta varandas com balaustradas elegantes e é rematado por um frontão triangular, onde se inscreve o brasão real no tímpano, e uma escultura alegórica da Religião no acrotério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Objeto ou conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins, estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
[[File:Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins .png|thumb|517x517px|Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins. Autoria: Manuelvbotelho - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49141295&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara.png|thumb|384x384px|Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara. Autoria: AJSL48 - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94588556&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Convento_de_Santa_Clara_de_Vila_do_Conde&amp;diff=798</id>
		<title>O Convento de Santa Clara de Vila do Conde</title>
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		<updated>2025-05-27T00:04:53Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png|thumb|371x371px|Autoria: Joseolgon - Own work, CC BY 4.0. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479. Acesso em: 27 mai. 2025]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado em 1318&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional desde 1910&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias. É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto. A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio. Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara. A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relacionasse com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder. A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
* A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Na fachada ocidental, sobressai uma rosácea de estilo radiante, que lembra ao projeto original da igreja medieval, embora o portal em arco ogival tenha sido removido. No lado sul, ainda se conserva a fachada gótica da sala do capítulo, com uma porta central ladeada por duas janelas. Apoiada a esta fachada encontra-se a torre sineira, simples, com empena e patim descoberto, rematada por um parapeito com merlões. Toda a estrutura exterior é coroada por ameias de caráter decorativo, inspiradas em elementos defensivos medievais. O acesso ao interior faz-se por uma porta lateral secundária, virada a norte.&lt;br /&gt;
* No interior, a nave apresenta-se coberta por um teto em caixotões de madeira octogonais. Na parte do Evangelho localiza-se a Capela dos Fundadores ou de Nossa Senhora da Conceição, que se tem acesso por um arco com duas arquivoltas ornamentadas, tendo no fecho as armas dos patronos. Esta capela é revestida por uma abóbada de nervuras com bocetes decorativos e possui uma grande janela com elementos decorativos manuelinos. Na parede direita está uma lápide que possui inscrição, enquanto do lado oposto há uma peanha com o retrato do orago.&lt;br /&gt;
* A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um bocete com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais. &lt;br /&gt;
* O claustro do antigo mosteiro localiza-se atualmente diminuído a três alas compostas por arcadas de arcos abatidos, apoiadas em colunas toscanas com ábacos proeminentes. No centro do pátio, pavimentado com lajes, destaca-se uma notável fonte barroca em granito, que servia de ponto final ao antigo aqueduto. Este aqueduto, construído entre 1705 e 1714 com um total de 999 arcos, tinha como função principal fornecer água ao convento e marcava visualmente a paisagem urbana de forma grandiosa. Infelizmente, algumas partes dessa impressionante estrutura foram perdidas ao longo do tempo por ações humanas negligentes.&lt;br /&gt;
* O edifício conhecido como os &amp;quot;novos dormitórios&amp;quot;, cuja dimensão é ainda mais evidente quando comparada ao casario tradicional das margens do rio, foi edificado na segunda metade do século XVIII. A sua conceção arquitetónica demonstra grande sofisticação e mestria técnica, resultando numa composição equilibrada e elegante, tanto nos seus exteriores como nos espaços internos. A influência do classicismo é visível nas soluções formais adotadas.&lt;br /&gt;
* A monumental fachada sul organiza-se em três níveis de janelas alinhadas verticalmente, divididas em cinco secções por contrafortes robustos, que se tornam mais esbeltos à medida que ascendem, transformando-se em pilastras duplas nos pisos superiores. O topo do edifício é marcado por uma cornija saliente e por imponentes fogaréus alinhados com as pilastras. O corpo central, executado em cantaria de granito, apresenta varandas com balaustradas elegantes e é rematado por um frontão triangular, onde se inscreve o brasão real no tímpano, e uma escultura alegórica da Religião no acrotério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Objeto ou conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins, estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
[[File:Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins .png|thumb|517x517px|Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins. Autoria: Manuelvbotelho - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49141295&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara.png|thumb|384x384px|Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara. Autoria: AJSL48 - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94588556&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Convento_de_Santa_Clara_de_Vila_do_Conde&amp;diff=797</id>
		<title>O Convento de Santa Clara de Vila do Conde</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Convento_de_Santa_Clara_de_Vila_do_Conde&amp;diff=797"/>
		<updated>2025-05-27T00:03:37Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png|thumb|371x371px|Autoria: Joseolgon - Own work, CC BY 4.0. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479. Acesso em: 27 mai. 2025]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado em 1318&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional desde 1910&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias. É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto. A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio. Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara. A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relacionasse com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder. A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Na fachada ocidental, sobressai uma rosácea de estilo radiante, que lembra ao projeto original da igreja medieval, embora o portal em arco ogival tenha sido removido. No lado sul, ainda se conserva a fachada gótica da sala do capítulo, com uma porta central ladeada por duas janelas. Apoiada a esta fachada encontra-se a torre sineira, simples, com empena e patim descoberto, rematada por um parapeito com merlões. Toda a estrutura exterior é coroada por ameias de caráter decorativo, inspiradas em elementos defensivos medievais. O acesso ao interior faz-se por uma porta lateral secundária, virada a norte.&lt;br /&gt;
* No interior, a nave apresenta-se coberta por um teto em caixotões de madeira octogonais. Na parte do Evangelho localiza-se a Capela dos Fundadores ou de Nossa Senhora da Conceição, que se tem acesso por um arco com duas arquivoltas ornamentadas, tendo no fecho as armas dos patronos. Esta capela é revestida por uma abóbada de nervuras com bocetes decorativos e possui uma grande janela com elementos decorativos manuelinos. Na parede direita está uma lápide que possui inscrição, enquanto do lado oposto há uma peanha com o retrato do orago.&lt;br /&gt;
* A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um bocete com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais. &lt;br /&gt;
* O claustro do antigo mosteiro localiza-se atualmente diminuído a três alas compostas por arcadas de arcos abatidos, apoiadas em colunas toscanas com ábacos proeminentes. No centro do pátio, pavimentado com lajes, destaca-se uma notável fonte barroca em granito, que servia de ponto final ao antigo aqueduto. Este aqueduto, construído entre 1705 e 1714 com um total de 999 arcos, tinha como função principal fornecer água ao convento e marcava visualmente a paisagem urbana de forma grandiosa. Infelizmente, algumas partes dessa impressionante estrutura foram perdidas ao longo do tempo por ações humanas negligentes.&lt;br /&gt;
* O edifício conhecido como os &amp;quot;novos dormitórios&amp;quot;, cuja dimensão é ainda mais evidente quando comparada ao casario tradicional das margens do rio, foi edificado na segunda metade do século XVIII. A sua conceção arquitetónica demonstra grande sofisticação e mestria técnica, resultando numa composição equilibrada e elegante, tanto nos seus exteriores como nos espaços internos. A influência do classicismo é visível nas soluções formais adotadas.&lt;br /&gt;
* A monumental fachada sul organiza-se em três níveis de janelas alinhadas verticalmente, divididas em cinco secções por contrafortes robustos, que se tornam mais esbeltos à medida que ascendem, transformando-se em pilastras duplas nos pisos superiores. O topo do edifício é marcado por uma cornija saliente e por imponentes fogaréus alinhados com as pilastras. O corpo central, executado em cantaria de granito, apresenta varandas com balaustradas elegantes e é rematado por um frontão triangular, onde se inscreve o brasão real no tímpano, e uma escultura alegórica da Religião no acrotério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Objeto ou conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins, estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
[[File:Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins .png|thumb|517x517px|Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins. Autoria: Manuelvbotelho - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49141295&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
----&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara.png|thumb|384x384px|Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara. Autoria: AJSL48 - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94588556&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Convento_de_Santa_Clara_de_Vila_do_Conde&amp;diff=796</id>
		<title>O Convento de Santa Clara de Vila do Conde</title>
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		<updated>2025-05-27T00:02:26Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png|thumb|371x371px|Autoria: Joseolgon - Own work, CC BY 4.0. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479. Acesso em: 27 mai. 2025]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado em 1318&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional desde 1910&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias. É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto. A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio. Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara. A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relacionasse com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder. A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Na fachada ocidental, sobressai uma rosácea de estilo radiante, que lembra ao projeto original da igreja medieval, embora o portal em arco ogival tenha sido removido. No lado sul, ainda se conserva a fachada gótica da sala do capítulo, com uma porta central ladeada por duas janelas. Apoiada a esta fachada encontra-se a torre sineira, simples, com empena e patim descoberto, rematada por um parapeito com merlões. Toda a estrutura exterior é coroada por ameias de caráter decorativo, inspiradas em elementos defensivos medievais. O acesso ao interior faz-se por uma porta lateral secundária, virada a norte.&lt;br /&gt;
* No interior, a nave apresenta-se coberta por um teto em caixotões de madeira octogonais. Na parte do Evangelho localiza-se a Capela dos Fundadores ou de Nossa Senhora da Conceição, que se tem acesso por um arco com duas arquivoltas ornamentadas, tendo no fecho as armas dos patronos. Esta capela é revestida por uma abóbada de nervuras com bocetes decorativos e possui uma grande janela com elementos decorativos manuelinos. Na parede direita está uma lápide que possui inscrição, enquanto do lado oposto há uma peanha com o retrato do orago.&lt;br /&gt;
* A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um bocete com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais. &lt;br /&gt;
* O claustro do antigo mosteiro localiza-se atualmente diminuído a três alas compostas por arcadas de arcos abatidos, apoiadas em colunas toscanas com ábacos proeminentes. No centro do pátio, pavimentado com lajes, destaca-se uma notável fonte barroca em granito, que servia de ponto final ao antigo aqueduto. Este aqueduto, construído entre 1705 e 1714 com um total de 999 arcos, tinha como função principal fornecer água ao convento e marcava visualmente a paisagem urbana de forma grandiosa. Infelizmente, algumas partes dessa impressionante estrutura foram perdidas ao longo do tempo por ações humanas negligentes.&lt;br /&gt;
* O edifício conhecido como os &amp;quot;novos dormitórios&amp;quot;, cuja dimensão é ainda mais evidente quando comparada ao casario tradicional das margens do rio, foi edificado na segunda metade do século XVIII. A sua conceção arquitetónica demonstra grande sofisticação e mestria técnica, resultando numa composição equilibrada e elegante, tanto nos seus exteriores como nos espaços internos. A influência do classicismo é visível nas soluções formais adotadas.&lt;br /&gt;
* A monumental fachada sul organiza-se em três níveis de janelas alinhadas verticalmente, divididas em cinco secções por contrafortes robustos, que se tornam mais esbeltos à medida que ascendem, transformando-se em pilastras duplas nos pisos superiores. O topo do edifício é marcado por uma cornija saliente e por imponentes fogaréus alinhados com as pilastras. O corpo central, executado em cantaria de granito, apresenta varandas com balaustradas elegantes e é rematado por um frontão triangular, onde se inscreve o brasão real no tímpano, e uma escultura alegórica da Religião no acrotério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Objeto ou conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins, estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
----&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins .png|thumb|517x517px|Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins. Autoria: Manuelvbotelho - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49141295&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara.png|thumb|384x384px|Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara. Autoria: AJSL48 - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94588556&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Convento_de_Santa_Clara_de_Vila_do_Conde&amp;diff=795</id>
		<title>O Convento de Santa Clara de Vila do Conde</title>
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		<updated>2025-05-27T00:01:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png|thumb|371x371px|Autoria: Joseolgon - Own work, CC BY 4.0. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479. Acesso em: 27 mai. 2025]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado em 1318&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional desde 1910&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias. É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto. A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio. Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara. A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relacionasse com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder. A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Na fachada ocidental, sobressai uma rosácea de estilo radiante, que lembra ao projeto original da igreja medieval, embora o portal em arco ogival tenha sido removido. No lado sul, ainda se conserva a fachada gótica da sala do capítulo, com uma porta central ladeada por duas janelas. Apoiada a esta fachada encontra-se a torre sineira, simples, com empena e patim descoberto, rematada por um parapeito com merlões. Toda a estrutura exterior é coroada por ameias de caráter decorativo, inspiradas em elementos defensivos medievais. O acesso ao interior faz-se por uma porta lateral secundária, virada a norte.&lt;br /&gt;
* No interior, a nave apresenta-se coberta por um teto em caixotões de madeira octogonais. Na parte do Evangelho localiza-se a Capela dos Fundadores ou de Nossa Senhora da Conceição, que se tem acesso por um arco com duas arquivoltas ornamentadas, tendo no fecho as armas dos patronos. Esta capela é revestida por uma abóbada de nervuras com bocetes decorativos e possui uma grande janela com elementos decorativos manuelinos. Na parede direita está uma lápide que possui inscrição, enquanto do lado oposto há uma peanha com o retrato do orago.&lt;br /&gt;
* A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um bocete com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais. &lt;br /&gt;
* O claustro do antigo mosteiro localiza-se atualmente diminuído a três alas compostas por arcadas de arcos abatidos, apoiadas em colunas toscanas com ábacos proeminentes. No centro do pátio, pavimentado com lajes, destaca-se uma notável fonte barroca em granito, que servia de ponto final ao antigo aqueduto. Este aqueduto, construído entre 1705 e 1714 com um total de 999 arcos, tinha como função principal fornecer água ao convento e marcava visualmente a paisagem urbana de forma grandiosa. Infelizmente, algumas partes dessa impressionante estrutura foram perdidas ao longo do tempo por ações humanas negligentes.&lt;br /&gt;
* O edifício conhecido como os &amp;quot;novos dormitórios&amp;quot;, cuja dimensão é ainda mais evidente quando comparada ao casario tradicional das margens do rio, foi edificado na segunda metade do século XVIII. A sua conceção arquitetónica demonstra grande sofisticação e mestria técnica, resultando numa composição equilibrada e elegante, tanto nos seus exteriores como nos espaços internos. A influência do classicismo é visível nas soluções formais adotadas.&lt;br /&gt;
* A monumental fachada sul organiza-se em três níveis de janelas alinhadas verticalmente, divididas em cinco secções por contrafortes robustos, que se tornam mais esbeltos à medida que ascendem, transformando-se em pilastras duplas nos pisos superiores. O topo do edifício é marcado por uma cornija saliente e por imponentes fogaréus alinhados com as pilastras. O corpo central, executado em cantaria de granito, apresenta varandas com balaustradas elegantes e é rematado por um frontão triangular, onde se inscreve o brasão real no tímpano, e uma escultura alegórica da Religião no acrotério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Objeto ou conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins, estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
----&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins .png|thumb|517x517px|Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins. Autoria: Manuelvbotelho - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49141295&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
[[File:Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara.png|thumb|384x384px|Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara. Autoria: AJSL48 - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94588556&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Convento_de_Santa_Clara_de_Vila_do_Conde&amp;diff=791</id>
		<title>O Convento de Santa Clara de Vila do Conde</title>
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		<updated>2025-05-26T23:59:16Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png|thumb|371x371px|Autoria: Joseolgon - Own work, CC BY 4.0. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479. Acesso em: 27 mai. 2025]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado em 1318&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional desde 1910&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias. É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto. A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio. Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara. A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relacionasse com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder. A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Na fachada ocidental, sobressai uma rosácea de estilo radiante, que lembra ao projeto original da igreja medieval, embora o portal em arco ogival tenha sido removido. No lado sul, ainda se conserva a fachada gótica da sala do capítulo, com uma porta central ladeada por duas janelas. Apoiada a esta fachada encontra-se a torre sineira, simples, com empena e patim descoberto, rematada por um parapeito com merlões. Toda a estrutura exterior é coroada por ameias de caráter decorativo, inspiradas em elementos defensivos medievais. O acesso ao interior faz-se por uma porta lateral secundária, virada a norte.&lt;br /&gt;
* No interior, a nave apresenta-se coberta por um teto em caixotões de madeira octogonais. Na parte do Evangelho localiza-se a Capela dos Fundadores ou de Nossa Senhora da Conceição, que se tem acesso por um arco com duas arquivoltas ornamentadas, tendo no fecho as armas dos patronos. Esta capela é revestida por uma abóbada de nervuras com bocetes decorativos e possui uma grande janela com elementos decorativos manuelinos. Na parede direita está uma lápide que possui inscrição, enquanto do lado oposto há uma peanha com o retrato do orago.&lt;br /&gt;
* A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um bocete com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais. &lt;br /&gt;
* O claustro do antigo mosteiro localiza-se atualmente diminuído a três alas compostas por arcadas de arcos abatidos, apoiadas em colunas toscanas com ábacos proeminentes. No centro do pátio, pavimentado com lajes, destaca-se uma notável fonte barroca em granito, que servia de ponto final ao antigo aqueduto. Este aqueduto, construído entre 1705 e 1714 com um total de 999 arcos, tinha como função principal fornecer água ao convento e marcava visualmente a paisagem urbana de forma grandiosa. Infelizmente, algumas partes dessa impressionante estrutura foram perdidas ao longo do tempo por ações humanas negligentes.&lt;br /&gt;
* O edifício conhecido como os &amp;quot;novos dormitórios&amp;quot;, cuja dimensão é ainda mais evidente quando comparada ao casario tradicional das margens do rio, foi edificado na segunda metade do século XVIII. A sua conceção arquitetónica demonstra grande sofisticação e mestria técnica, resultando numa composição equilibrada e elegante, tanto nos seus exteriores como nos espaços internos. A influência do classicismo é visível nas soluções formais adotadas.&lt;br /&gt;
* A monumental fachada sul organiza-se em três níveis de janelas alinhadas verticalmente, divididas em cinco secções por contrafortes robustos, que se tornam mais esbeltos à medida que ascendem, transformando-se em pilastras duplas nos pisos superiores. O topo do edifício é marcado por uma cornija saliente e por imponentes fogaréus alinhados com as pilastras. O corpo central, executado em cantaria de granito, apresenta varandas com balaustradas elegantes e é rematado por um frontão triangular, onde se inscreve o brasão real no tímpano, e uma escultura alegórica da Religião no acrotério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Objeto ou conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins, estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
----&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins .png|thumb|517x517px|Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins. Autoria: Manuelvbotelho - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49141295&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
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[[File:Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara.png|thumb|420x420px|Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara. Autoria: AJSL48 - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94588556&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
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=== 6. BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Convento_de_Santa_Clara_de_Vila_do_Conde&amp;diff=790</id>
		<title>O Convento de Santa Clara de Vila do Conde</title>
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		<updated>2025-05-26T23:58:44Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png|thumb|371x371px|Autoria: Joseolgon - Own work, CC BY 4.0. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479. Acesso em: 27 mai. 2025]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado em 1318&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional desde 1910&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias. É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto. A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio. Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara. A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relacionasse com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder. A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Na fachada ocidental, sobressai uma rosácea de estilo radiante, que lembra ao projeto original da igreja medieval, embora o portal em arco ogival tenha sido removido. No lado sul, ainda se conserva a fachada gótica da sala do capítulo, com uma porta central ladeada por duas janelas. Apoiada a esta fachada encontra-se a torre sineira, simples, com empena e patim descoberto, rematada por um parapeito com merlões. Toda a estrutura exterior é coroada por ameias de caráter decorativo, inspiradas em elementos defensivos medievais. O acesso ao interior faz-se por uma porta lateral secundária, virada a norte.&lt;br /&gt;
* No interior, a nave apresenta-se coberta por um teto em caixotões de madeira octogonais. Na parte do Evangelho localiza-se a Capela dos Fundadores ou de Nossa Senhora da Conceição, que se tem acesso por um arco com duas arquivoltas ornamentadas, tendo no fecho as armas dos patronos. Esta capela é revestida por uma abóbada de nervuras com bocetes decorativos e possui uma grande janela com elementos decorativos manuelinos. Na parede direita está uma lápide que possui inscrição, enquanto do lado oposto há uma peanha com o retrato do orago.&lt;br /&gt;
* A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um bocete com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais. &lt;br /&gt;
* O claustro do antigo mosteiro localiza-se atualmente diminuído a três alas compostas por arcadas de arcos abatidos, apoiadas em colunas toscanas com ábacos proeminentes. No centro do pátio, pavimentado com lajes, destaca-se uma notável fonte barroca em granito, que servia de ponto final ao antigo aqueduto. Este aqueduto, construído entre 1705 e 1714 com um total de 999 arcos, tinha como função principal fornecer água ao convento e marcava visualmente a paisagem urbana de forma grandiosa. Infelizmente, algumas partes dessa impressionante estrutura foram perdidas ao longo do tempo por ações humanas negligentes.&lt;br /&gt;
* O edifício conhecido como os &amp;quot;novos dormitórios&amp;quot;, cuja dimensão é ainda mais evidente quando comparada ao casario tradicional das margens do rio, foi edificado na segunda metade do século XVIII. A sua conceção arquitetónica demonstra grande sofisticação e mestria técnica, resultando numa composição equilibrada e elegante, tanto nos seus exteriores como nos espaços internos. A influência do classicismo é visível nas soluções formais adotadas.&lt;br /&gt;
* A monumental fachada sul organiza-se em três níveis de janelas alinhadas verticalmente, divididas em cinco secções por contrafortes robustos, que se tornam mais esbeltos à medida que ascendem, transformando-se em pilastras duplas nos pisos superiores. O topo do edifício é marcado por uma cornija saliente e por imponentes fogaréus alinhados com as pilastras. O corpo central, executado em cantaria de granito, apresenta varandas com balaustradas elegantes e é rematado por um frontão triangular, onde se inscreve o brasão real no tímpano, e uma escultura alegórica da Religião no acrotério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Objeto ou conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins, estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
----&#039;&#039;&#039;5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
[[File:Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins .png|thumb|517x517px|Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins. Autoria: Manuelvbotelho - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49141295&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[File:Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara.png|thumb|420x420px|Fachada principal da Igreja do Convento de Santa Clara. Autoria: AJSL48 - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94588556&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em: 27 mai. 2025.]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 6. BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
	</entry>
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		<title>Ficheiro:Túmulos de D. Afonso Sanches e Teresa Martins .png</title>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Autoria: Manuelvbotelho - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=49141295. Acesso em: 27 mai. 2025.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Autoria: AJSL48 - Own work, CC BY-SA 4.0. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=94588556. Acesso em: 27 mai. 2025.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
[[File:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png|thumb|371x371px|Autoria: Joseolgon - Own work, CC BY 4.0. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479. Acesso em: 27 mai. 2025]]&lt;br /&gt;
{| class=&amp;quot;wikitable&amp;quot;&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado em 1318&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
|-&lt;br /&gt;
|&#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
|Monumento Nacional desde 1910&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias. É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto. A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio. Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara. A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relacionasse com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder. A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um ornamento central com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No interior, a nave apresenta-se coberta por um teto em caixotões de madeira octogonais. Na parte do Evangelho localiza-se a Capela dos Fundadores ou de Nossa Senhora da Conceição, que se tem acesso por um arco com duas arquivoltas ornamentadas, tendo no fecho as armas dos patronos. Esta capela é revestida por uma abóbada de nervuras com bocetes decorativos e possui uma grande janela com elementos decorativos manuelinos. Na parede direita está uma lápide que possui inscrição, enquanto do lado oposto há uma peanha com o retrato do orago.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Objeto ou conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins, estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. BIBLIOGRAFIA ===&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
	</entry>
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		<title>Ficheiro:Convento de Santa Clara de Vila do Conde.png</title>
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		<updated>2025-05-26T22:47:28Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;By Joseolgon - Own work, CC BY 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=151510479&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
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		<id>https://wikimedia.pt/portobarroco/index.php?title=O_Convento_de_Santa_Clara_de_Vila_do_Conde&amp;diff=739</id>
		<title>O Convento de Santa Clara de Vila do Conde</title>
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		<updated>2025-05-26T22:40:56Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Tauane: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;: Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;: Fundado em 1318 &lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;: Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;: Monumento Nacional desde 1910&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias. É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto. A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio. Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara. A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relacionasse com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder. A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um ornamento central com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Objeto ou conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins, estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 5. Referências Bibliográficas ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
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		<updated>2025-05-15T23:44:27Z</updated>

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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Designação&#039;&#039;&#039;: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Localização&#039;&#039;&#039;: Vila do Conde, Distrito do Porto, Portugal&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Cronologia&#039;&#039;&#039;: Fundado em 1318; transformações entre os séculos XIV e XVIII&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Autor(es)&#039;&#039;&#039;: Fundado por D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins. A execução artística e técnica do templo envolveu a colaboração de diversos mestres. A carpintaria foi dirigida por Pedro Ferreira. No campo da talha, trabalharam os entalhadores Cristóvão de Sampaio, ativo entre 1687 e 1689, Domingos Lopes, em 1696, Filipe da Silva, que trabalhou em 1693 e 1697, João da Costa, em 1699, e João Gomes Carvalho. A marcenaria foi responsabilidade de António de Azevedo Fernandes, que atuou em 1697, enquanto a construção do órgão foi realizada por Francisco António Solha. A pintura e o douramento da decoração ficaram a cargo de artistas como João da Silva, que trabalhou em 1691 e 1694, Manuel Ferreira, também ativo em 1691, Mateus Nunes de Oliveira, que teve intervenções em 1691 e 1694, e Paulo da Costa, que atuou entre 1697 e 1699.&lt;br /&gt;
* &#039;&#039;&#039;Classificação&#039;&#039;&#039;: Monumento Nacional desde 1910&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2. ESTADO DA ARTE ===&lt;br /&gt;
Ao longo dos séculos, o mosteiro vivenciou diversas fases de construção, ampliação e renovação, considerando as transformações do gosto artístico, as demandas funcionais e os meios económicos disponíveis. No decorrer dos séculos XV e XVI, o mosteiro recebeu obras financiadas por nobres locais e por benesses régias. É neste período que se observa à inclusão de elementos manuelinos e renascentistas na estrutura arquitetónica e decorativa do conjunto. A abastança do mosteiro durante a Época Moderna corresponde a acumulação de bens, propriedades e rendas, o que lhe permitiu manter um elevado grau de autonomia e influência na região. No século XVII, houve a introdução de elementos barrocos na decoração interior da igreja e a montagem de espaços complementares à vivência monástica, como o claustro, os dormitórios e as dependências de apoio. Este dinamismo construtivo continuou até ao século XVIII, quando o estilo rococó começa a deixar a sua marca na ornamentação e no mobiliário litúrgico. Já no século XIX, o processo de extinção das ordens religiosas em Portugal, iniciado com a legislação liberal de 1834, marcou o início de uma nova fase para o Mosteiro de Santa Clara. A comunidade religiosa foi dissolvida e o edifício passou por vários usos, desde armazém militar até escola, comprometendo a integridade do conjunto e pondo em risco a sua preservação patrimonial&lt;br /&gt;
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=== 3. ENQUADRAMENTO ===&lt;br /&gt;
A escolha de Vila do Conde como local para o novo mosteiro, relacionasse com a foz do rio Ave, a cidade era, à época, um essencial centro urbano e portuário, beneficiando tanto o isolamento necessário à vida monástica como a acessibilidade e os contactos com outras instituições religiosas e centros de poder. A origem do mosteiro está intensamente ligada à espiritualidade franciscana, caracterizada pela pobreza, humildade e dedicação à oração.&lt;br /&gt;
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=== 4. DESCRIÇÃO ===&lt;br /&gt;
A igreja apresenta uma planta em cruz latina, formada por uma única e ampla nave, destacando-se um transepto de grandes proporções e uma cabeceira tripla de forma poligonal. As capelas na cabeceira são bem estruturadas com abóbadas sólidas e iluminadas por frestas verticais. O edifício revela uma composição volumétrica articulada, com coberturas variadas e telhados inclinados de duas ou quatro águas. No exterior, o elemento mais impressionante é a cabeceira, voltada a leste, com contornos poligonais acentuados e reforçada por contrafortes robustos que estruturam tanto a abside central quanto as capelas laterais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capela-mor apresenta uma abóbada de pedra com nervuras múltiplas, onde se encontra um ornamento central com o brasão do príncipe criador. Esta capela é delimitada por um grande arco em granito ricamente decorado com figuras e motivos vegetais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==== Objeto ou conjunto em destaque ====&lt;br /&gt;
Os túmulos dos fundadores, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins, estão ricamente esculpidos, com inscrições emolduradas por elementos decorativos e tampas onde se representam os jacentes. As faces laterais das arcas ilustram episódios bíblicos: no túmulo de D. Afonso Sanches, à direita, estão representados o Nascimento de Jesus, a Adoração dos Magos e a Circuncisão; à esquerda, a Visitação, a Anunciação e a Fuga para o Egito; já na cabeceira, vê-se uma cena da invasão do Convento de Santa Clara pelos mouros, enquanto aos pés figuram as armas reais. No túmulo de D. Teresa Martins, aparecem, à direita, a chegada triunfal de Cristo em Jerusalém, a Última Ceia e o Lava-pés; à esquerda, Cristo no Horto, a sua prisão e o julgamento perante Pilatos; na cabeceira, São Francisco recebe os estigmas e, aos pés, vê-se o brasão da donatária. Na mesma capela há também dois sarcófagos menores pertencentes aos filhos do casal fundador.&lt;br /&gt;
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=== 5. Referências Bibliográficas ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* BARROCA, Mário Jorge – Epigrafia Medieval Portuguesa (862–1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000. &lt;br /&gt;
* CASTRO, Nuno – “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: notas sobre a sua história e património artístico”. Revista de História da Arte, n.º 12, 2015, pp. 45–68. &lt;br /&gt;
* COUTO, Sara. O Convento de Santa Clara de Vila do Conde nas plataformas digitais: mapeamento e acesso à informação. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://repositorioaberto.up.pt/handle/10216/153186&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Direção-Geral do Património Cultural – Inventário do Património Arquitectónico: Igreja e Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. [Em linha] Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.patrimoniocultural.gov.pt&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* Infopédia, Mosteiro de Santa Clara (Vila do Conde), Porto: Porto Editora. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.infopedia.pt/artigos/$mosteiro-de-santa-clara-(vila-do-conde)&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro – Bases da Política e do Regime de Proteção e Valorização do Património Cultural. Diário da República n.º 209/2001, Série I-A. &lt;br /&gt;
* MATTOSO, José – Religião e Cultura na Idade Média Portuguesa. Lisboa: Imprensa NacionalCasa da Moeda, 1997. &lt;br /&gt;
* NEJMEDDINE, Mafalda S. Os órgãos do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde: construção, manutenção e repertório. Opus: Revista eletrônica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música, [S.l.], [s.d.]. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://digitarq.arquivos.pt/details?id=1379555&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025. &lt;br /&gt;
* SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Igreja e Mosteiro de Santa Clara / Convento de Santa Clara. Lisboa: Direção-Geral do Património Cultural. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=1102&amp;lt;/nowiki&amp;gt;. Acesso em 3 de maio de 2025.&lt;br /&gt;
* VASCONCELOS E SOUSA, Bernardo de (dir.). Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Tauane</name></author>
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