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Igreja Nossa Senhora das Dores: diferenças entre revisões

Fonte: Porto Barroco
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=== Objeto Arquitetónico ===
=== Objeto Arquitetónico ===
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Arquitetonicamente falando, a fachada da Igreja, que apresenta uma estrutura em alvenaria de granito rebocado, pintada de branco, é “separada” em três corpos com a ajuda de cunhais apilastrados em granito. O corpo central é, ligeiramente mais avançado, sendo marcado pela sua verticalidade, conferida pela torre sineira. Neste corpo central temos uma única porta de entrada, que é encimada por um frontão ondulado quebrado, ornamentado por motivos vegetalistas. Este, por sua vez, é encimado por uma fenestra com vitral, que representa, iconograficamente, a Nossa Senhora das Dores e, que é circunvalado por uma moldura de pedra adornada por filetes com bordo curvo, característica imponente do barroco, com flores-de-lis. Superiormente, temos duas cornijas côncavas, que se encontram a meio, formando uma cornija convexa. Esta é encimada por um relógio, envolvido numa moldura de grinalda de flores, rematando no topo numa flor-de-lis. Superiormente a cornija lisa e saliente, é encimada pela parte superior da torre, onde encontramos um arco de volta perfeita, que no seu topo nos mostra, novamente, uma flor-de-lis, onde se encontra inscrito o sino, que é encimado por uma cornija lisa e saliente, em seguida balaustradas de granito e uma cúpula, que abriga a cruz e é ladeada por pináculos nos vértices. Já os corpos laterais, simétricos, são “rasgados” por janelas de sacadas, que são envolvidas por molduras de pedra, que apresentam no topo uma concha. Superiormente, apresenta-se a cornija lisa e saliente. De seguida, encontramos balaustradas de cantaria, ladeadas por pináculos.
Arquitetonicamente falando, a fachada da Igreja, que apresenta uma estrutura em alvenaria de granito rebocado, pintada de branco, é “separada” em três corpos com a ajuda de cunhais apilastrados em granito. O corpo central é, ligeiramente mais avançado, sendo marcado pela sua verticalidade, conferida pela torre sineira. Neste corpo central temos uma única porta de entrada, que é encimada por um frontão ondulado quebrado, ornamentado por motivos vegetalistas. Este, por sua vez, é encimado por uma fenestra com vitral, que representa, iconograficamente, a Nossa Senhora das Dores e, que é circunvalado por uma moldura de pedra adornada por filetes com bordo curvo, característica imponente do barroco, com flores-de-lis. Superiormente, temos duas cornijas côncavas, que se encontram a meio, formando uma cornija convexa. Esta é encimada por um relógio, envolvido numa moldura de grinalda de flores, rematando no topo numa flor-de-lis. Superiormente a cornija lisa e saliente, é encimada pela parte superior da torre, onde encontramos um arco de volta perfeita, que no seu topo nos mostra, novamente, uma flor-de-lis, onde se encontra inscrito o sino, que é encimado por uma cornija lisa e saliente, em seguida balaustradas de granito e uma cúpula, que abriga a cruz e é ladeada por pináculos nos vértices. Já os corpos laterais, simétricos, são “rasgados” por janelas de sacadas, que são envolvidas por molduras de pedra, que apresentam no topo uma concha. Superiormente, apresenta-se a cornija lisa e saliente. De seguida, encontramos balaustradas de cantaria, ladeadas por pináculos. (Ana Filipe, 2011).
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</gallery>É importante realçar que estas capelas devem ser lidas/observadas, de acordo com a ordem das dores que Maria enfrentou (ordem pela qual as enumerei acima), ou seja, caso estejamos virados para a fachada principal da Igreja, devemos começar o nosso percurso pelo lado direito, seguindo o caminho até ao lado esquerdo da Igreja, entrando e contemplando a sétima dor, no altar.
</gallery>É importante realçar que estas capelas devem ser lidas/observadas, de acordo com a ordem das dores que Maria enfrentou (ordem pela qual as enumerei acima), ou seja, caso estejamos virados para a fachada principal da Igreja, devemos começar o nosso percurso pelo lado direito, seguindo o caminho até ao lado esquerdo da Igreja, entrando e contemplando a sétima dor, no altar.


Após a sorte de conseguir dialogar com um elemento da confraria da Igreja Nossa Senhora das Dores, numa visita de campo que realizei, consegui entender a verdadeira essência por detrás destas capelas. Originalmente, concedidas com intuito de exibir as suas portas abertas, de forma a demonstrar, ao público, a beleza das estátuas, que representam as sete dores de Maria, as mesmas encontram-se fechadas, devido ao recorrente vandalismo, que enfrentaram durante diversos anos. Atualmente, as capelas encontram-se completamente fechadas, de forma a proteger as preciosas esculturas, tanto do clima, que pode ser brusco com as mesmas, quanto das maliciosas mãos humanas. Somente após uma cuidadosa deliberação, este elemento da confraria decide quando abrir as portas, ou melhor, quando abrir as grades que as protegem. Após uma pequena “discussão”, consegui entender que estas grades/portas serão abertas ou para a próxima semana (semana do 06-05-2024 a 12-05-2024), ou no início do próximo mês, junho, dependendo da qualidade do tempo. (Ana Filipe, 2011).
Após a sorte de conseguir dialogar com um elemento da confraria da Igreja Nossa Senhora das Dores, numa visita de campo que realizei, consegui entender a verdadeira essência por detrás destas capelas. Originalmente, concedidas com intuito de exibir as suas portas abertas, de forma a demonstrar, ao público, a beleza das estátuas, que representam as sete dores de Maria, as mesmas encontram-se fechadas, devido ao recorrente vandalismo, que enfrentaram durante diversos anos. Atualmente, as capelas encontram-se completamente fechadas, de forma a proteger as preciosas esculturas, tanto do clima, que pode ser brusco com as mesmas, quanto das maliciosas mãos humanas. Somente após uma cuidadosa deliberação, este elemento da confraria decide quando abrir as portas, ou melhor, quando abrir as grades que as protegem. Após uma pequena “discussão”, consegui entender que estas grades/portas serão abertas ou para a próxima semana (semana do 06-05-2024 a 12-05-2024), ou no início do próximo mês, junho, dependendo da qualidade do tempo.  


Durante este período de exposição, que se vai estender até setembro, as grades permanecerão abertas, permitindo que os fiéis e visitantes possam apreciar as esculturas com tranquilidade. Contudo, é somente no dia 8 de setembro (de todos os anos), ocasião em que se celebra e honra Nossa Senhora das Dores, que as portas serão completamente abertas, revelando as obras de arte ao público em toda a sua glória. Estas esculturas foram recentemente restauradas, uma vez que, anteriormente, abrigava cerca de sete camadas de tinta, quer de antigos restauros, quer de vandalismos. Assim, apresentam, atualmente, a sua pintura original. Daí, também, o imenso cuidado em as proteger.
Durante este período de exposição, que se vai estender até setembro, as grades permanecerão abertas, permitindo que os fiéis e visitantes possam apreciar as esculturas com tranquilidade. Contudo, é somente no dia 8 de setembro (de todos os anos), ocasião em que se celebra e honra Nossa Senhora das Dores, que as portas serão completamente abertas, revelando as obras de arte ao público em toda a sua glória. Estas esculturas foram recentemente restauradas, uma vez que, anteriormente, abrigava cerca de sete camadas de tinta, quer de antigos restauros, quer de vandalismos. Assim, apresentam, atualmente, a sua pintura original. Daí, também, o imenso cuidado em as proteger.
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Ao descermos, voltamos para o primeiro piso, onde encontramos uma beleza em talha dourada, que tal como mencionei anteriormente vou explorar no seguinte tópico-  “Património Integrado"
 
Ao descermos, voltamos para o primeiro piso, onde encontramos uma beleza em talha dourada, que tal como mencionei anteriormente vou explorar no seguinte tópico-  “Património Integrado”.


=== Património Integrado ===
=== Património Integrado ===
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=== Objeto ou Conjunto em Destaque ===
=== Objeto ou Conjunto em Destaque ===
Em todo o complexo da Igreja Nossa Senhora das Dores, acredito que o maior elemento de destaque, seja os retábulos adornados por talha dourada, devido à sua impressionante beleza e significado simbólico. Além de servirem como pontos focais de devoção, os retábulos representam a devoção religiosa que caracteriza a arquitetura sacra barroca. A talha dourada, com os seus detalhes delicados, reflete a luz de maneira majestosa, criando uma atmosfera de esplendor dentro deste espaço sagrado. Estes retábulos não enriquecem apenas, visualmente a igreja, como também narram histórias religiosas e oferecem um convite à contemplação e à adoração dos fiéis.
Em todo o complexo da Igreja Nossa Senhora das Dores, acredito que o maior elemento de destaque, sejam os retábulos adornados por talha dourada, devido à sua impressionante beleza e significado simbólico. Além de servirem como pontos focais de devoção, os retábulos representam a devoção religiosa que caracteriza a arquitetura sacra barroca. A talha dourada, com os seus detalhes delicados, reflete a luz de maneira majestosa, criando uma atmosfera de esplendor dentro deste espaço sagrado. Estes retábulos não enriquecem apenas, visualmente a igreja, como também narram histórias religiosas e oferecem um convite à contemplação e à adoração dos fiéis.


== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ==
== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA ==

Edição atual desde as 13h34min de 28 de maio de 2024

1. IDENTIFICAÇÃO[editar | editar código-fonte]

Designação Igreja Nossa Senhora das Dores (propriedade privada com utilização religiosa)
Localização A Igreja Nossa Senhora das Dores, ergue-se, majestosamente, numa isolada elevação, o que lhe confere uma posição distinta e imponente, de grande importância face ao espaço urbano da área. Tem como acesso uma grande e imponente escadaria diante da fachada principal. Localiza-se, no Largo das Dores, mais precisamente na Rua Sra. do Monte, na Póvoa de Varzim, Porto, Portugal (Coordenadas: 41.38248052126594, -8.758789418761479)
Cronologia A cronologia que traça a história desta majestosa Igreja remonta tempos de fundação desconhecidos/misteriosos, não havendo registos dos mesmos. Contudo os primeiros registos temporais tangíveis que se encontram registrados, datam o século XVIII, mais precisamente 1778, quando as fundações da arquitetura que hoje conhecemos foram iniciadas, até ao século XIX, quando os seus detalhes finais foram concluídos em 1880.

Ao longo desses séculos, a Igreja foi-se moldando num símbolo venerado de fé, arte e cultura.

Aponto aqui algumas datas que acredito serem importantes para uma maior compreensão da história arquitetônica da Igreja:

1768-Criação dos Estatutos da Irmandade de Nossa Senhora das Dores, que neste mesmo ano, em junho, colocaram uma imagem de Nossa Senhora das Dores na antiga capela de Nossa Senhora do Monte, que passou a designar-se Capela da Virgem Santíssima Senhora das Dores;

1778-Início da construção da arquitetura que atualmente conhecemos;

1779-Abandono de um plano “antigo” e, consequente, concretização de um novo plano para a arquitetura, que por sua vez apenas foi aprovado em 1812;

1866-Construção das capelas circundantes;

1880-Instalação do retábulo do altar-mor e, consequente, conclusão da construção da Igreja.

Autor(es) Na história arquitetônica do objeto em estudo, apenas se destaca a figura singular de António Gonçalves de Castro, entalhador que, não realizou apenas, o meticuloso trabalho de restauração do retábulo-mor, como também deixou sua marca na nave da igreja, criando dois belíssimos retábulos. A sua maestria artesanal estendeu-se além dos altares, criando alguns elementos de mobiliário que adornam o sagrado espaço interior da Igreja.
Classificação A Igreja Nossa Senhora das Dores na Póvoa de Varzim encontra-se, atualmente (3 de maio de 2024), categorizada como, Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 735/74, DG, 1.ª série, n.º 297 de 21 dezembro 1974.
Percurso Para chegarmos à Igreja Nossa Senhora das Dores e, tomando como ponto de partida a estação de metro "Trindade", devemos apanhar a linha vermelha (linha B) em direção à "Póvoa de Varzim". Permaneçamos no metro até a última paragem, intitulada: "Póvoa de Varzim". Após o desembarque, um agradável passeio, a pé, de cerca de 10 minutos nos levará até esta majestosa Igreja.
Horário A Igreja Nossa Senhora das Dores, na Póvoa de Varzim, encontra-se atualmente (3 de maio de 2024) aberta ao público e em pleno funcionamento. As missas são celebradas regularmente, seguindo os horários estabelecidos.

2. ESTADO DA ARTE[editar | editar código-fonte]

A construção da Igreja de Nossa Senhora das Dores, remonta ao século XVIII, encimando-se à antiga capela dedicada a Nossa Senhora do Monte, com origem desconhecida. Várias lendas cercam a sua história, mas é plausível que a mesma esteja vinculada à aparição de Nossa Senhora a uma pastorinha num monte, justificando a origem do nome e a devoção associada à mesma, tendo em conta a elevação onde a igreja está localizada. Contudo, a 24 de julho de 1768, o arcebispo da época autorizou um grupo de alunos da Gramática Latina a colocarem um ícone de Nossa Senhora das Dores nesta capela e, com ajuda dos moradores do concelho, estes alunos atingiram o seu objetivo de renomear a mesma, obtendo a denominação que conhecemos atualmente. Esta igreja celebra, então, a Nossa Senhora das Dores, aludindo às sete dores que Maria sofreu ao longo da sua vida. (Rosário Carvalho, 2008).

Em 1778, começou-se, então, a edificação da arquitetura da Igreja, supervisionada pelo padre José Pedro Baptista. Em 1779, trabalhava-se a construção de duas torres, na fachada, contudo, alguns problemas técnicos e financeiros motivaram a revisão do projeto, que, na opinião dos arquitetos, apresentava torres demasiado finas, tendo, assim, o arquiteto Joaquim da Costa Lima e Sampaio sido consultado, aconselhando a edificação de apenas uma torre, em 1805. Este conselho foi apenas aprovado em 1812, dando origem à fachada barroca que atualmente contemplamos.

A Igreja Nossa Senhora das Dores emerge como um emblema da arquitetura barroca, fundindo elementos arquitetônicos característicos da época, com uma profunda expressão espiritual. As paredes da igreja envolvem o fiel num espetáculo sensorial, onde a luz “brinca” com os contornos ornamentados, narrando de forma emocional as dores de Maria. Com ajuda das capelas laterais e dos retábulos presentes no interior da Igreja, que são adornados com esculturas meticulosamente esculpidas, os devotos mergulham na história sagrada, envolvendo-se com a arte sacra. Para além da sua beleza estética, a Igreja emerge como um farol do barroco, evidenciando-se como um símbolo de inovação arquitetônica e devoção religiosa. Cada detalhe transcende a mera forma física, proporcionando, uma visão de espiritualidade e emoção, que caracterizam o período barroco. (Rosário Carvalho, 2008).

3. ENQUADRAMENTO[editar | editar código-fonte]

A Igreja Nossa Senhora das Dores localiza-se na Rua Sra. do Monte, no Largo das Dores, Póvoa de Varzim (Coordenadas: 41.38248052126594, -8.758789418761479). Próximo deste local, encontramos a Escola Conde de Ferreira / Posto da GNR (41.383679487624136, -8.75795147805489); o Hospital Distrital da Póvoa de Varzim (41.38372416807627, -8.758660498914054); o Tribunal Judicial da Póvoa de Varzim (41.383224019167905, -8.760069030407728); entre outros.

Contudo, é nos edifícios emblemáticos deste mesmo largo e arredores que encontramos as verdadeiras jóias do patrimônio histórico, especialmente relevantes no contexto desta Unidade Curricular. Neste mesmo largo, na Rua do Conselheiro Abel de Andrade, encontramos a Igreja da Misericórdia (Coordenadas: 41.38336602355325, -8.759638044342472) que, apesar de ser, na sua maioria, neoclássica, alguns detalhes barrocos adornam a sua fachada. Numa curta caminhada, de 4 minutos, alcançamos a Rua da Igreja 28 , onde se destaca a imponente Igreja Matriz da Póvoa de Varzim (Coordenadas: 41.38114672939795, -8.75698190201321), que exibe o seu marcante estilo barroco.

Assim, o concelho da Póvoa de Varzim destaca-se na Época Moderna, especialmente durante a Era Barroca, evidenciada pela profusão de monumentos que personificam este estilo arquitetônico. Este destaque não se limita apenas ao concelho em si, mas também a esta localidade específica (arredores da Igreja Nossa Senhora das Dores).

4. DESCRIÇÃO[editar | editar código-fonte]

Objeto Arquitetónico[editar | editar código-fonte]

Fachada Principal da Igreja Nossa Senhora das Dores

Arquitetonicamente falando, a fachada da Igreja, que apresenta uma estrutura em alvenaria de granito rebocado, pintada de branco, é “separada” em três corpos com a ajuda de cunhais apilastrados em granito. O corpo central é, ligeiramente mais avançado, sendo marcado pela sua verticalidade, conferida pela torre sineira. Neste corpo central temos uma única porta de entrada, que é encimada por um frontão ondulado quebrado, ornamentado por motivos vegetalistas. Este, por sua vez, é encimado por uma fenestra com vitral, que representa, iconograficamente, a Nossa Senhora das Dores e, que é circunvalado por uma moldura de pedra adornada por filetes com bordo curvo, característica imponente do barroco, com flores-de-lis. Superiormente, temos duas cornijas côncavas, que se encontram a meio, formando uma cornija convexa. Esta é encimada por um relógio, envolvido numa moldura de grinalda de flores, rematando no topo numa flor-de-lis. Superiormente a cornija lisa e saliente, é encimada pela parte superior da torre, onde encontramos um arco de volta perfeita, que no seu topo nos mostra, novamente, uma flor-de-lis, onde se encontra inscrito o sino, que é encimado por uma cornija lisa e saliente, em seguida balaustradas de granito e uma cúpula, que abriga a cruz e é ladeada por pináculos nos vértices. Já os corpos laterais, simétricos, são “rasgados” por janelas de sacadas, que são envolvidas por molduras de pedra, que apresentam no topo uma concha. Superiormente, apresenta-se a cornija lisa e saliente. De seguida, encontramos balaustradas de cantaria, ladeadas por pináculos. (Ana Filipe, 2011).

Fachada Ocidental da Igreja Nossa Senhora das Dores
Fachada Oriental da Igreja Nossa Senhora das Dores







Já em 1866, foram adicionadas seis capelas laterais voltadas para o adro, que são rasgadas por portas de arco de volta perfeita com empena ondulada, rematadas por uma cruz no topo. No seu interior, abrigam esculturas de tamanho real, sendo estas uma das características que define esta igreja. Estas capelas são alusivas às dores da Virgem:

  • A profecia de Simeão sobre Jesus (Lucas, 2, 34-35);
  • A fuga da Sagrada Família para o Egito (Mateus, 2, 13-21);
  • O desaparecimento do Menino Jesus (Lucas, 2, 41-51);
  • O encontro de Maria e Jesus a caminho do Calvário (Lucas, 23, 27-31);
  • O sofrimento e morte de Jesus na Cruz (João, 19, 25-27);
  • Maria recebe o corpo do filho tirado da Cruz (Mateus, 27, 55-61);

A sétima dor da Virgem: O sepultamento do corpo do filho no Santo Sepulcro (Lucas, 23, 55-56), encontra-se no altar principal da Igreja, que apresenta planta hexagonal, centralizada.

É importante realçar que estas capelas devem ser lidas/observadas, de acordo com a ordem das dores que Maria enfrentou (ordem pela qual as enumerei acima), ou seja, caso estejamos virados para a fachada principal da Igreja, devemos começar o nosso percurso pelo lado direito, seguindo o caminho até ao lado esquerdo da Igreja, entrando e contemplando a sétima dor, no altar.

Após a sorte de conseguir dialogar com um elemento da confraria da Igreja Nossa Senhora das Dores, numa visita de campo que realizei, consegui entender a verdadeira essência por detrás destas capelas. Originalmente, concedidas com intuito de exibir as suas portas abertas, de forma a demonstrar, ao público, a beleza das estátuas, que representam as sete dores de Maria, as mesmas encontram-se fechadas, devido ao recorrente vandalismo, que enfrentaram durante diversos anos. Atualmente, as capelas encontram-se completamente fechadas, de forma a proteger as preciosas esculturas, tanto do clima, que pode ser brusco com as mesmas, quanto das maliciosas mãos humanas. Somente após uma cuidadosa deliberação, este elemento da confraria decide quando abrir as portas, ou melhor, quando abrir as grades que as protegem. Após uma pequena “discussão”, consegui entender que estas grades/portas serão abertas ou para a próxima semana (semana do 06-05-2024 a 12-05-2024), ou no início do próximo mês, junho, dependendo da qualidade do tempo.

Durante este período de exposição, que se vai estender até setembro, as grades permanecerão abertas, permitindo que os fiéis e visitantes possam apreciar as esculturas com tranquilidade. Contudo, é somente no dia 8 de setembro (de todos os anos), ocasião em que se celebra e honra Nossa Senhora das Dores, que as portas serão completamente abertas, revelando as obras de arte ao público em toda a sua glória. Estas esculturas foram recentemente restauradas, uma vez que, anteriormente, abrigava cerca de sete camadas de tinta, quer de antigos restauros, quer de vandalismos. Assim, apresentam, atualmente, a sua pintura original. Daí, também, o imenso cuidado em as proteger.

Já no interior da Igreja, somos recebidos com uma imensidão de azulejos juntamente a “famosa” talha dourada, elementos estes que explorarei no tópico seguinte- “Património Integrado”.

Entrada da Igreja Nossa Senhora das Dores

Ao adentrarmos a Igreja, somos confrontados com um “pára-vento de madeira”, que por sua vez é ladeado, no lado direito, por uma pia de água benta em forma de taça ovalada e gomada, sobre uma coluna cilíndrica. Já no lado esquerdo, observamos a porta de acesso ao coro, que encontra a sua localização e os seus pertences, atualmente (2024), no segundo andar. Este segundo andar encontra-se assente em duas colunas de base paralelepipédica, fuste liso e capitel coríntio, de cada lado, sendo no total 4 colunas que suportam o mesmo, que apresenta uma balaustrada de madeira, tendo no meio desta o símbolo de Nossa Senhora das Dores, um coração vermelho com sete espadas cravadas, três do lado esquerdo do observador e quadro do lado direto. Este segundo andar apresenta um arco abatido, que é ladeado por arandelas e, teto em falsa cúpula hexagonal, com abóbada de berço com caixotões com pinturas em "trompe l'oeil”. (Ana Filipe, 2011).

Encontramos, no teto, seis diferentes pinturas, sendo estas:

  • Barco, símbolo da Igreja como "arca da salvação", onde os fiéis encontram refúgio espiritual e proteção contra as tempestades da vida;
  • Balança, interpretada como uma metáfora para a avaliação espiritual das ações humanas;
  • Estrela, associação ao céu e ao divino, podendo representar a presença de Deus ou a proteção divina sobre aqueles que frequentam a igreja;
  • Cálice que abriga um coração encimado por uma coroa, simbolizando a devoção especial dedicada a Nossa Senhora das Dores, honrando as suas experiências dolorosas e o seu papel como mãe de Jesus;
  • Pomba a entrar numa torre, que simboliza a presença divina, a intercessão materna de Maria e a renovação espiritual dos fiéis.
  • A letra “M”, com um coração coroado, simbolizando a maternidade e intercessão de Maria, convidando os fiéis a contemplar o seu amor e proteção.

É essencial destacar que estes significados, embora sugeridos, não se encontram definitivamente comprovados e podem, na realidade, possuir interpretações diferentes. No entanto, após uma análise cuidadosa, encontrei coerência nesta relação simbólica.

Detalhes do Interior da Igreja Nossa Senhora das Dores
Detalhes do Teto da Igreja Nossa Senhora das Dores







Ao descermos, voltamos para o primeiro piso, onde encontramos uma beleza em talha dourada, que tal como mencionei anteriormente vou explorar no seguinte tópico- “Património Integrado"

Património Integrado[editar | editar código-fonte]

Ao descermos para o primeiro piso, somos deparados com retábulos que aludem a diferentes iconografias de Maria, temos dois do lado esquerdo, caso estejamos voltados para o altar-mor e apenas um, no lado direito. Todos eles feitos em talha dourada e, apenas dois deles são assentes em duas colunas, sendo uma delas com fuste liso e a outra com fuste decorado com motivos vegetalistas e com capitéis coríntios, as mesmas são intercaladas por mísulas e, no meio destas colunas encontramos esculturas alusivas a santos. As esculturas contidas pelos retábulos são, todas elas, colocadas sobre uma espécie de pedestal, de forma a elevar as mesmas. Todos os retábulos, são encimados por uma enorme flor-de-lis e, em baixo, na predela, encontramos diferentes elementos escultóricos. Assim, caso estivermos voltados para a capela-mor, temos no nosso lado direito, um retábulo referente a Nossa Senhora das Graças; no lado esquerdo, mais perto do altar, um retábulo que iconograficamente nos representa a Nossa Senhora com o Menino Jesus e, por fim, ainda no lado esquerdo, diferente dos outros dois retábulos, um retábulo escultóricamente mais simples com apenas uma coluna de ordem coríntia, de cada lado e, que abriga a escultura com iconografia tradicional de Nossa Senhora. Por último o retábulo mor é ladeado por um par de colunas, sendo as exteriores de fuste estriado, enquanto que as interiores por fuste envolvido por festões de flores. Estas colunas apresentam capitéis compósitos, sobre as quais assenta o entablamento, e sobre este os arcos do ático. As mesmas encontram-se assentes sobre pequenas bases cilíndricas. O retábulo mor apresenta ainda um nicho relativamente profundo e iluminado por luz artificial que, no seu fundo, apresenta uma pintura de Jerusalém. A escultura de Maria e a cruz do Calvário, estão assentes por um “trono” de três degraus. O retábulo mor é ladeado por azulejos figurativos alusivos a cenas marianas, enquanto que no lambri temos azulejo em ponta de diamante. Os azulejos não se encontram, unicamente, a decorar a capela mor, mas sim em todas as paredes da Igreja, contudo estes já não se podem chamar azulejos em ponta de diamante, mas sim azulejos de padrão.

Assim, a riqueza e complexidade dos retábulos e detalhes artísticos que se encontram presentes no interior da Igreja Nossa Senhora das Dores revelam, não apenas uma expressão de devoção mariana, mas também um testemunho da habilidade artística e do cuidado meticuloso na construção dos espaços sagrados. Cada elemento, desde os retábulos até aos azulejos, contribui para uma experiência estética e espiritual única, destacando a importância da arte na vivência religiosa. (Ana Filipe, 2011).

Objeto ou Conjunto em Destaque[editar | editar código-fonte]

Em todo o complexo da Igreja Nossa Senhora das Dores, acredito que o maior elemento de destaque, sejam os retábulos adornados por talha dourada, devido à sua impressionante beleza e significado simbólico. Além de servirem como pontos focais de devoção, os retábulos representam a devoção religiosa que caracteriza a arquitetura sacra barroca. A talha dourada, com os seus detalhes delicados, reflete a luz de maneira majestosa, criando uma atmosfera de esplendor dentro deste espaço sagrado. Estes retábulos não enriquecem apenas, visualmente a igreja, como também narram histórias religiosas e oferecem um convite à contemplação e à adoração dos fiéis.

6. FONTES E BIBLIOGRAFIA[editar | editar código-fonte]

Fontes[editar | editar código-fonte]

Visita de campo, onde se realizou uma análise minuciosa da arquitetura, tanto externa quanto interna, do objeto de estudo. Juntamente com um diálogo com um elemento da confraria da Igreja em questão que forneceu importantes informações que auxiliaram a realização de todo este trabalho.

Foi dedicada especial atenção à captura fotográfica, cujas imagens , adornam este trabalho, proporcionando uma visão detalhada e cativante da estrutura estudada.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Alexandrina de Balasar; Balasar e seus arredores: Na Capela da Senhora das Dores e na Matriz. Disponível em: http://alexandrinabalasar.free.fr/na_capela_da_senhora_das_dores.htm, consultado a 20-04-2024;

Arquivo Distrital do Porto, “Paróquia de Póvoa de Varzim”. Disponível em: https://pesquisa.adporto.arquivos.pt/details?id=491826, consultado a 20-04-2024;

Câmara Municipal, Póvoa de Varzim; Roteiro Religioso. Disponível em: https://www.cm-pvarzim.pt/content/uploads/2019/06/17-roteiro-religioso.pdf, consultado a 21-04-2023;

Carvalho, Rosário (2008); “Igreja Nossa Senhora das Dores-Póvoa de Varzim”, Ícones de Portugal: Património de Portugal. Disponível em: https://mjfs.wordpress.com/2008/12/11/igreja-de-nossa-senhora-das-dores-pvoa-de-varzim/, consultado a 20-04-2024;

Castro, Pedro (2015); “Igreja da Nossa Senhora das Dores”, VisitarPortugal: Enciclopédia das localidades Portuguesas. Disponível em: https://www.visitarportugal.pt/porto/povoa-varzim/povoa-varzim/igreja-nossa-senhora-dores, consultado a 20-04-2024;

Sereno, Isabel (1994); Noé, Paula 81996); Filipe, Ana (2011). Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5128, consultado a 20-04-2024

Wikipedia: The Free Encyclopedia; Church of Our Lady of Sorrows, Póvoa de Varzim. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Church_of_Our_Lady_of_Sorrows,_P%C3%B3voa_de_Varzim, consultado a 21-04-2024;

Capela, José; Matos, Henrique; Borralheiro, Rogério, Braga 2009; “As freguesias do distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758: Memórias, História e Património”-Coleção: Portugal nas Memórias Paroquiais. Disponível em: https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/11886/1/PORTO%20Livro%20das%20Mem%20Paroq.pdf, consultado a 20-04-2024