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Igreja Paroquial de Santa Marinha: diferenças entre revisões

Fonte: Porto Barroco
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Diogo Rafael Pereira da Silva
{| class="wikitable"
|'''Designação'''
|Igreja Paroquial de Santa Marinha
|-
|'''Localização'''
|Vila Nova de Gaia, União de  Freguesias de Santa Marinha e São Pedro da Afurada, Largo Joaquim Magalhães,  Rua de Santa Marinha.
|-
|'''Cronologia'''
|Século XVI, XVII - último quartel  do século; XVIII – 1745 a 1766; Século XIX – 1883 a 1895
|-
|'''Autor(es)'''
|Nicolau Nasoni (arquiteto)
|-
|'''Classificação'''
|Imóvel de interesse público desde 30 novembro 1993
|-
|'''Como Chegar'''
|Para visitar a igreja, é possível  utilizar os autocarros 906 (Madalena) e 901 (Valadares) na Avenida dos  Aliados e sair na paragem da GNR, sendo apenas necessário caminhar oito  minutos para a Igreja. Outro caminho possível seria entrar no metro da  Avenida dos Aliados, atravessar a Ponte Luís I, sair na paragem do Jardim do Morro  e descer para o Cais de Gaia, que seria uma caminhada de 12 minutos.
 
 
<nowiki>https://maps.app.goo.gl/Zmn5xA8cZ2pjjWHM7</nowiki>
|-
|'''Contexto físico patrimonial de proximidade'''
|A igreja está inscrita na área das caves do vinho do  porto, no cais de gaia. Também está próxima do Museu WOW (World od Wine), da  Ponte Luís I e do Mosteiro da Serra do Pilar.
|}
 
== '''Estado da Arte''' ==
A Igreja Paroquial de Santa Marinha é mencionada no  volumes um, dois e quatro de “Obra de talha dourada, ensamblagem, e pintura  na cidade e na diocese do Porto”, de Domingos de Pinho Brandão, em que se  relatam os contratos efetuados para obras como retábulos, entalhamento e  arranjo do órgão da igreja.
 
O primeiro volume do trabalho de Natália Marinho Ferreira  Alves, “ A arte da talha no Porto na época barroca : artistas e clientela,  materiais e técnicas”, refere o retábulo de Senhor Jesus.
 
A obra de Robert Smith sobre o trabalho de Nicolau Nasoni  (1691-1773), como o título indica, relata os trabalhos produzidos pelo  arquiteto, referindo em algumas páginas o início, os gastos, os mestres e o  plano final da Igreja
 
== '''Descrição''' ==
[[File:Visão_do_frontão_da_igreja.jpg|thumb|Fachada Oeste da Igreja]]
A Igreja Paroquial foi construída  no século XVI, no local da antiga capela medieval, mas durante o século XVIII  e XIX foram realizadas reformas na fachada e no interior. As primeiras  reformas foram ordenadas pelo Cabido da Sé do Porto, em que a igreja era vigairaria.  Assim, eles teriam a responsabilidade de a conservar, confiando o trabalho de restauro no arquiteto Nicolau Nasoni. As obras estenderam-se durante 17 a 20 anos, sendo que teriam começado a 16 de novembro de 1745, com os trabalhos de carpintaria, ferragem e telhados. Já em 1750 iniciam-se as obras na sacristia e a construção dos 5 altares na igreja.
 
A planta da igreja é composta pela: nave única; capela-mor; sacristia na fachada sul; um anexo adossado à fachada norte e uma torre sineira na lateral da fachada sul. O portal da fachada é rematado de um arco abatido saliente, encimado por um óculo de vidro policromado com um desenho da cruz. O óculo é enquadrado numa moldura com um par de volutas e, no  topo, novamente um arco saliente. No cimo do frontão triangular, no centro de  dois obeliscos, está colocada uma cruz trilobada sobre uma alta peanha de volutas.
 
Nos extremos da fachada estariam duas torres sineiras de planta poligonal, em que as suas bases foram construídas até ao nível da cornija da fachada. As bases das torres são recuadas da fachada, o que se pode atribuir a uma característica comum de construções ligadas à Ordem de São Bento. A raridade da utilização da forma poligonal das torres, suscita interesse, o autor Robert Smith apresenta a possibilidade do plano das torres ser influenciado pela igreja de São Francisco de Ouro Preto, em Minas Gerais (Correia, 1994).
 
Devido à falta de ajuda monetária do cabido, as duas torres nunca foram concluídas, sendo apenas uma torre sineira finalizada no século XIX. Em 1883 foi apresentada a proposta da construção da torre sineira pelo Juiz Joaquim Augusto da Silva Magalhães e o desenho da mesma foi efetuado por Joaquim Pereira de Mattos. O projeto da torre incluía: a sua construção segundo o alçado até à cúpula; a reforma dos velhos degraus com novas medidas; o fornecimento de uma porta nova de castanho pintada com a respectiva ferragem; a construção do telhado e o revestimento da cornija com argamassa de cimento e areia para impedir a infiltração de água.  Em 1894, o projeto de Joaquim Pereira Mattos é finalizado, porém são aprovadas duas alterações ao projeto, adicionando-se o relógio sobre a torre e a realização de quatro mostradores (Correia, 1994).
 
O interior é constituído por uma longa nave coberta de abóbadas de berço, com arcos duplos de granito que assentam em frisos e cornijas de cantaria, suportados pelas pilastras dóricas adossadas às paredes laterias. A iluminação da nave é conseguida pelo clerestório.
 
Na entrada da igreja, protegido por uma grade metálica com elementos vegetalistas dourados e, ao centro, uma concha com inscrição, está o  batistério. Acima da entrada, está o coro-alto, uma estrutura já do século XIX, com balaustrada de madeira, porta de madeira adornada e pintada de branco e dourado com o acesso à torre sineira e o Órgão de tubos na lateral norte.
 
Ao longo das laterais da nave encontram-se quatro pequenas capelas, em que três delas são nichos contracurvados com molduras de elementos  clássicos e vegetalistas, pintadas e adornadas de talha dourada. Nas suas laterais estão presentes esculturas de santos pousadas sobre peanhas. A última capela da lateral esquerda é profunda, fechada por um pequeno portão de madeira, em que no seu interior  está um altar semelhante a um arco triunfal de volta perfeita, pintado a branco e adornado com talha dourada. No centro está Cristo Crucificado e aos seus pés Nossa Senhora das Dores.
 
A capela-mor é coberta por uma falsa abóbada de berços com paredes pintadas de branco e, nas  laterais, apresenta painéis azulejares figurativos, com cenas do Antigo Testamento. Por cima dos painéis estão vãos de iluminação gradeados com balaustradas de madeira, envolvidos por molduras pintadas de branco e dourado. Entre os vãos foram colocados  retábulos embutidos em molduras de motivos vegetalistas e talha dourada. O retábulo-mor é uma estrutura convexa, ricamente decorada com vários motivos, tais como elementos vegetalistas que cobrem as formas arquitetónicas, como as colunas salomónicas. No seu centro apresenta o retábulo, já do período neoclássico, sendo que o original desapareceu.<gallery mode="packed-hover">
File:Fachada Norte da igreja.jpg|Fachada Norte da igreja
File:Clerestório no interior da Igreja.jpg|Clerestório no interior da Igreja
File:Visão do coro-alto a partir da nave da Igreja.jpg|Visão do coro-alto a partir da nave da Igreja
File:Interior da Igreja a partir da capela-mor.jpg|Interior da Igreja a partir da capela-mor
File:Capela de Santa Luzia na Igreja de Santa Marinha.jpg|Capela de Santa Luzia na Igreja de Santa Marinha
File:Capela de Nossa Senhora da Purificação ou Nossa Senhora dos Socorros na Igreja de Santa Marinha.jpg|Capela de Nossa Senhora da Purificação ou Nossa Senhora dos Socorros na Igreja de Santa Marinha
File:Capela do Crucificado na Igreja de Santa Marinha.jpg|Capela do Crucificado na Igreja de Santa Marinha
File:Capela da Nossa Senhora das Dores.jpg|Capela de nossa Senhora das Dores na Igreja de Santa Marinha
File:Altar da Nossa Senhora da Conceição.jpg|Altar da Nossa Senhora da Conceição
File:Altar do Sagrado Coração de Jesus.jpg|Altar do Sagrado Coração de Jesus
</gallery>
 
=== '''Património integrado''' ===
A nave da igreja, é revestida de azulejo de padrão azul de fundo branco com elementos vegetalistas e arquitetónicos. Três das quatro capelas são  decoradas com molduras de talha dourada e detalhes vegetalistas como folhas de acanto, elementos clássicos e concheados, a quarta capela se destaca pela sua profundidade. O altar é semelhante a um arco triunfal de volta perfeita, decorado com folhas de acanto e elementos classicizantes como as colunas jónicas. O teto do batistério é decorado com estuque pintado de azul e dourado e apresenta um retábulo sobre o Batismo de Cristo. O Órgão da Igreja apresenta “uma caixa de madeira decorada com pintura  dourada, os tubos são de palheta e os tubos centrais são dispostos em leque,  com a consola em janela, teclado e nove registos de cada lado” (Figueiredo, 2015).
 
A capela-mor é ricamente adornada  com painéis azulejares nas laterais norte e sul. Ambos os painéis são emoldurados por uma cercadura de folhas de acanto, pequenos ''putti'' e albarradas e, são divididos  entre a cena principal ao centro e, à esquerda e direita, a representação de dois dos quatro evangelistas. O painel na lateral Norte retrata a Coleta do  Maná, acompanhada de São Mateus e São Marcos, enquanto o painel da lateral  Sul apresenta o sacrifício de Melquisedeque, acompanhado por São João e São  Lucas. Os quatro retábulos, inscritos nas molduras negras e douradas, são do século XVII anteriores às obras de Nasoni. Os retábulos na lateral Norte representam os episódios da fuga para o Egito e o Nascimento de Cristo, já na  lateral Sul são representados a Anunciação e a Adoração dos Reis Magos.
 
O retábulo-mor cobre a parede leste da igreja e submerge a capela num tom dourado, devido à aplicação da talha na estrutura que emoldura a pintura principal. A estrutura é repleta de elementos vegetalistas e clássicos e, no céu centro, a pintura de Manuel Araújo e  António José da Silva, que representa a Circuncisão de Cristo.<gallery mode="packed-hover">
File:Decoração em estuque do teto no batistério.jpg|Decoração em estuque do teto no batistério
File:Retábulo do interior do batistério.jpg|Retábulo do interior do batistério
File:Detalhe do azulejo de padrão no interior da Igreja.jpg|Detalhe do azulejo de padrão no interior da Igreja
File:Cristo Jacente na Capela do Crucificado.jpg|Cristo Jacente na Capela do Crucificado
File:Pequeno portão de madeira, para a capela de Nossa Senhora da Dores na Igreja de Santa Marinha.jpg|Pequeno portão de madeira, para a capela de Nossa Senhora da Dores na Igreja de Santa Marinha
File:Moldura e balaustrada de uma das janelas da capela-mor.jpg|Moldura e balaustrada de uma das janelas da capela-mor
File:Detalhe do painel azulejar da lateral sul da capela-mor.jpg|Detalhe do painel azulejar da lateral sul da capela-mor
File:Painel Azulejar sobre Coleta do Maná.jpg|Painel Azulejar sobre Coleta do Maná
File:Retábulo da Anunciação.jpg|Retábulo da Anunciação
File:Retábulo da Adoração dos Reis Magos.jpg|Retábulo da Adoração dos Reis Magos
File:Retábulo do Nascimento de Cristo ou Adoração dos pastores.jpg|Retábulo do Nascimento de Cristo ou Adoração dos pastores
File:Retábulo da Fuga para o Egito.jpg|Retábulo da Fuga para o Egito
</gallery>
 
=== Retábulo-mor ===
O objeto em destaque no complexo é o retábulo-mor, devido ao seu rico programa decorativo. O retábulo é uma estrutura convexa, embutida na parede leste da igreja, totalmente repleto de elementos vegetalistas e clássicos, como os frontões semicirculares e o entablamento ligado ao sacrário, salientando as folhas de acanto que adornam as colunas salomónicas e, relembram as colunas do Baldaquino de São Pedro em Roma. Outros motivos decorativos incluem anjos no topo dos frontões, já referidos, e pequenas cabeças aladas de querubins. As esculturas dos quatro santos estão dispostas em peanhas.
 
A pintura central, representa a Circuncisão de Cristo, um tema muito incomum nas igrejas de Portugal. Um dos detalhes interessantes na pintura é o Arcanjo São Miguel armado, na esquerda, que com a ajuda de outro anjo, seguram uma figura circular com a inscrição “IHS” e, também, no topo da pintura está a representação de Deus como um ancião e um elemento triangular na cabeça. Esta representação de Deus, faz uma relação direta com o triângulo radiante, no topo e centro da estrutura do retábulo.  <gallery mode="packed-hover">
File:Pintura da Circuncisão de Cristo no retábulo-mor.jpg|Pintura da Circuncisão de Cristo no retábulo-mor
File:Detalhe das colunas salomónicas do retábulo-mor e escultura de Santa Marinha e de uma Santo não identificado.jpg|Detalhe das colunas salomónicas do retábulo-mor e escultura de Santa Marinha e de uma Santo não identificado
File:Esculturas de Santa Eufémia e de uma Santo não identificado.jpg|Esculturas de Santa Eufémia e de uma Santo não identificado
File:Detalhe do Sacrário do retábulo-mor.jpg|Detalhe do Sacrário do retábulo-mor
File:Detalhe do retábulo-mor da representação de Deus como um triângulo radiante.jpg|Detalhe do retábulo-mor da representação de Deus como um triângulo radiante
File:Detalhe do retábulo-mor.jpg|Detalhe do retábulo-mor
File:Detalhe de uma peanha no retábulo-mor.jpg|Detalhe de uma peanha no retábulo-mor
</gallery>
 
== '''Fontes e Bibliografia''' ==
ALVES, Natália Marinho Ferreira (1989). A arte da talha no Porto na época barroca : artistas e clientela, materiais e técnicas. Porto : Câmara Municipal do Porto. Arquivo Histórico. (Documentos e memórias para a história do Porto);
 
BRANDÃO, Domingos de Pinho (1984-1987). Obra de talha dourada, ensamblagem, e pintura na cidade e na diocese do Porto. Porto : [Oficinas Gráficos Reunidos].  (Diocese do Porto: subsídios para o seu estudo). Vol. 1: séculos XV a XVII (documentação) 394 – 98, 99-400;402 - 404 ; 872-73 ; vol. 2: 1700 a 1725 (documentação) 608, 652; vol.4: 1751 a 1775 (documentação) 241;
 
CORREIA, António Manuel da Cruz (1994). O centenário da torre sineira da Igreja de Santa Marinha de Gaia. Vila Nova de Gaia: Comissão de Festas da Paróquia de Santa Marinha;
 
FIGUEIREDO, Paula, 2015, em SIPA “Igreja Paroquial de Santa Marinha / Igreja de Santa Marinha” , de <nowiki>http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5347</nowiki>, (consultado a 26-05-2024);
 
SMITH, Robert C.(1973) - Nicolau Nasoni: 1691-1773. [Lisboa]: Livros Horizonte, imp.  (Estudos de arte);

Edição atual desde as 07h31min de 28 de fevereiro de 2025

Designação Igreja Paroquial de Santa Marinha
Localização Vila Nova de Gaia, União de Freguesias de Santa Marinha e São Pedro da Afurada, Largo Joaquim Magalhães, Rua de Santa Marinha.
Cronologia Século XVI, XVII - último quartel do século; XVIII – 1745 a 1766; Século XIX – 1883 a 1895
Autor(es) Nicolau Nasoni (arquiteto)
Classificação Imóvel de interesse público desde 30 novembro 1993
Como Chegar Para visitar a igreja, é possível utilizar os autocarros 906 (Madalena) e 901 (Valadares) na Avenida dos Aliados e sair na paragem da GNR, sendo apenas necessário caminhar oito minutos para a Igreja. Outro caminho possível seria entrar no metro da Avenida dos Aliados, atravessar a Ponte Luís I, sair na paragem do Jardim do Morro e descer para o Cais de Gaia, que seria uma caminhada de 12 minutos.


https://maps.app.goo.gl/Zmn5xA8cZ2pjjWHM7

Contexto físico patrimonial de proximidade A igreja está inscrita na área das caves do vinho do porto, no cais de gaia. Também está próxima do Museu WOW (World od Wine), da Ponte Luís I e do Mosteiro da Serra do Pilar.

Estado da Arte[editar | editar código-fonte]

A Igreja Paroquial de Santa Marinha é mencionada no volumes um, dois e quatro de “Obra de talha dourada, ensamblagem, e pintura na cidade e na diocese do Porto”, de Domingos de Pinho Brandão, em que se relatam os contratos efetuados para obras como retábulos, entalhamento e arranjo do órgão da igreja.

O primeiro volume do trabalho de Natália Marinho Ferreira Alves, “ A arte da talha no Porto na época barroca : artistas e clientela, materiais e técnicas”, refere o retábulo de Senhor Jesus.

A obra de Robert Smith sobre o trabalho de Nicolau Nasoni (1691-1773), como o título indica, relata os trabalhos produzidos pelo arquiteto, referindo em algumas páginas o início, os gastos, os mestres e o plano final da Igreja

Descrição[editar | editar código-fonte]

Fachada Oeste da Igreja

A Igreja Paroquial foi construída no século XVI, no local da antiga capela medieval, mas durante o século XVIII e XIX foram realizadas reformas na fachada e no interior. As primeiras reformas foram ordenadas pelo Cabido da Sé do Porto, em que a igreja era vigairaria. Assim, eles teriam a responsabilidade de a conservar, confiando o trabalho de restauro no arquiteto Nicolau Nasoni. As obras estenderam-se durante 17 a 20 anos, sendo que teriam começado a 16 de novembro de 1745, com os trabalhos de carpintaria, ferragem e telhados. Já em 1750 iniciam-se as obras na sacristia e a construção dos 5 altares na igreja.

A planta da igreja é composta pela: nave única; capela-mor; sacristia na fachada sul; um anexo adossado à fachada norte e uma torre sineira na lateral da fachada sul. O portal da fachada é rematado de um arco abatido saliente, encimado por um óculo de vidro policromado com um desenho da cruz. O óculo é enquadrado numa moldura com um par de volutas e, no topo, novamente um arco saliente. No cimo do frontão triangular, no centro de dois obeliscos, está colocada uma cruz trilobada sobre uma alta peanha de volutas.

Nos extremos da fachada estariam duas torres sineiras de planta poligonal, em que as suas bases foram construídas até ao nível da cornija da fachada. As bases das torres são recuadas da fachada, o que se pode atribuir a uma característica comum de construções ligadas à Ordem de São Bento. A raridade da utilização da forma poligonal das torres, suscita interesse, o autor Robert Smith apresenta a possibilidade do plano das torres ser influenciado pela igreja de São Francisco de Ouro Preto, em Minas Gerais (Correia, 1994).

Devido à falta de ajuda monetária do cabido, as duas torres nunca foram concluídas, sendo apenas uma torre sineira finalizada no século XIX. Em 1883 foi apresentada a proposta da construção da torre sineira pelo Juiz Joaquim Augusto da Silva Magalhães e o desenho da mesma foi efetuado por Joaquim Pereira de Mattos. O projeto da torre incluía: a sua construção segundo o alçado até à cúpula; a reforma dos velhos degraus com novas medidas; o fornecimento de uma porta nova de castanho pintada com a respectiva ferragem; a construção do telhado e o revestimento da cornija com argamassa de cimento e areia para impedir a infiltração de água. Em 1894, o projeto de Joaquim Pereira Mattos é finalizado, porém são aprovadas duas alterações ao projeto, adicionando-se o relógio sobre a torre e a realização de quatro mostradores (Correia, 1994).

O interior é constituído por uma longa nave coberta de abóbadas de berço, com arcos duplos de granito que assentam em frisos e cornijas de cantaria, suportados pelas pilastras dóricas adossadas às paredes laterias. A iluminação da nave é conseguida pelo clerestório.

Na entrada da igreja, protegido por uma grade metálica com elementos vegetalistas dourados e, ao centro, uma concha com inscrição, está o batistério. Acima da entrada, está o coro-alto, uma estrutura já do século XIX, com balaustrada de madeira, porta de madeira adornada e pintada de branco e dourado com o acesso à torre sineira e o Órgão de tubos na lateral norte.

Ao longo das laterais da nave encontram-se quatro pequenas capelas, em que três delas são nichos contracurvados com molduras de elementos clássicos e vegetalistas, pintadas e adornadas de talha dourada. Nas suas laterais estão presentes esculturas de santos pousadas sobre peanhas. A última capela da lateral esquerda é profunda, fechada por um pequeno portão de madeira, em que no seu interior está um altar semelhante a um arco triunfal de volta perfeita, pintado a branco e adornado com talha dourada. No centro está Cristo Crucificado e aos seus pés Nossa Senhora das Dores.

A capela-mor é coberta por uma falsa abóbada de berços com paredes pintadas de branco e, nas laterais, apresenta painéis azulejares figurativos, com cenas do Antigo Testamento. Por cima dos painéis estão vãos de iluminação gradeados com balaustradas de madeira, envolvidos por molduras pintadas de branco e dourado. Entre os vãos foram colocados retábulos embutidos em molduras de motivos vegetalistas e talha dourada. O retábulo-mor é uma estrutura convexa, ricamente decorada com vários motivos, tais como elementos vegetalistas que cobrem as formas arquitetónicas, como as colunas salomónicas. No seu centro apresenta o retábulo, já do período neoclássico, sendo que o original desapareceu.

Património integrado[editar | editar código-fonte]

A nave da igreja, é revestida de azulejo de padrão azul de fundo branco com elementos vegetalistas e arquitetónicos. Três das quatro capelas são decoradas com molduras de talha dourada e detalhes vegetalistas como folhas de acanto, elementos clássicos e concheados, a quarta capela se destaca pela sua profundidade. O altar é semelhante a um arco triunfal de volta perfeita, decorado com folhas de acanto e elementos classicizantes como as colunas jónicas. O teto do batistério é decorado com estuque pintado de azul e dourado e apresenta um retábulo sobre o Batismo de Cristo. O Órgão da Igreja apresenta “uma caixa de madeira decorada com pintura dourada, os tubos são de palheta e os tubos centrais são dispostos em leque, com a consola em janela, teclado e nove registos de cada lado” (Figueiredo, 2015).

A capela-mor é ricamente adornada com painéis azulejares nas laterais norte e sul. Ambos os painéis são emoldurados por uma cercadura de folhas de acanto, pequenos putti e albarradas e, são divididos entre a cena principal ao centro e, à esquerda e direita, a representação de dois dos quatro evangelistas. O painel na lateral Norte retrata a Coleta do Maná, acompanhada de São Mateus e São Marcos, enquanto o painel da lateral Sul apresenta o sacrifício de Melquisedeque, acompanhado por São João e São Lucas. Os quatro retábulos, inscritos nas molduras negras e douradas, são do século XVII anteriores às obras de Nasoni. Os retábulos na lateral Norte representam os episódios da fuga para o Egito e o Nascimento de Cristo, já na lateral Sul são representados a Anunciação e a Adoração dos Reis Magos.

O retábulo-mor cobre a parede leste da igreja e submerge a capela num tom dourado, devido à aplicação da talha na estrutura que emoldura a pintura principal. A estrutura é repleta de elementos vegetalistas e clássicos e, no céu centro, a pintura de Manuel Araújo e António José da Silva, que representa a Circuncisão de Cristo.

Retábulo-mor[editar | editar código-fonte]

O objeto em destaque no complexo é o retábulo-mor, devido ao seu rico programa decorativo. O retábulo é uma estrutura convexa, embutida na parede leste da igreja, totalmente repleto de elementos vegetalistas e clássicos, como os frontões semicirculares e o entablamento ligado ao sacrário, salientando as folhas de acanto que adornam as colunas salomónicas e, relembram as colunas do Baldaquino de São Pedro em Roma. Outros motivos decorativos incluem anjos no topo dos frontões, já referidos, e pequenas cabeças aladas de querubins. As esculturas dos quatro santos estão dispostas em peanhas.

A pintura central, representa a Circuncisão de Cristo, um tema muito incomum nas igrejas de Portugal. Um dos detalhes interessantes na pintura é o Arcanjo São Miguel armado, na esquerda, que com a ajuda de outro anjo, seguram uma figura circular com a inscrição “IHS” e, também, no topo da pintura está a representação de Deus como um ancião e um elemento triangular na cabeça. Esta representação de Deus, faz uma relação direta com o triângulo radiante, no topo e centro da estrutura do retábulo.  

Fontes e Bibliografia[editar | editar código-fonte]

ALVES, Natália Marinho Ferreira (1989). A arte da talha no Porto na época barroca : artistas e clientela, materiais e técnicas. Porto : Câmara Municipal do Porto. Arquivo Histórico. (Documentos e memórias para a história do Porto);

BRANDÃO, Domingos de Pinho (1984-1987). Obra de talha dourada, ensamblagem, e pintura na cidade e na diocese do Porto. Porto : [Oficinas Gráficos Reunidos].  (Diocese do Porto: subsídios para o seu estudo). Vol. 1: séculos XV a XVII (documentação) 394 – 98, 99-400;402 - 404 ; 872-73 ; vol. 2: 1700 a 1725 (documentação) 608, 652; vol.4: 1751 a 1775 (documentação) 241;

CORREIA, António Manuel da Cruz (1994). O centenário da torre sineira da Igreja de Santa Marinha de Gaia. Vila Nova de Gaia: Comissão de Festas da Paróquia de Santa Marinha;

FIGUEIREDO, Paula, 2015, em SIPA “Igreja Paroquial de Santa Marinha / Igreja de Santa Marinha” , de http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5347, (consultado a 26-05-2024);

SMITH, Robert C.(1973) - Nicolau Nasoni: 1691-1773. [Lisboa]: Livros Horizonte, imp.  (Estudos de arte);