Casa das Sereias: diferenças entre revisões
Sem resumo de edição |
|||
| (Há 7 revisões intermédias de 5 utilizadores que não estão a ser apresentadas) | |||
| Linha 1: | Linha 1: | ||
= | === 1. IDENTIFICAÇÃO === | ||
{| class="wikitable" | {| class="wikitable" | ||
|'''Designação''' | |'''Designação''' | ||
| Linha 15: | Linha 15: | ||
|'''Classificação''' | |'''Classificação''' | ||
|Casa Nobre /Arquitetura Civil Não Classificado | |Casa Nobre /Arquitetura Civil Não Classificado | ||
|} | |} | ||
= | === 2. ESTADO DA ARTE === | ||
A Casa das Sereias é mencionada pela sua importância na obra “''A casa nobre no Porto nos séculos XVII e XVIII''” de Joaquim Jaime Ferreira Alves e trabalhada com especificidade nas obras do Tripeiro na série nova, ano VIII, n° 11/12 (pp. 373 - 374) e na série 7, ano XXI, n° 12. Porto (pp. 356 - 358). Nas três fontes é visto o destaque dado a habitação nobre de meados do século XVIII que apresenta tanto na sua fachada principal quanto na traseira o cariz barroco. | A Casa das Sereias é mencionada pela sua importância na obra “''A casa nobre no Porto nos séculos XVII e XVIII''” de Joaquim Jaime Ferreira Alves e trabalhada com especificidade nas obras do Tripeiro na série nova, ano VIII, n° 11/12 (pp. 373 - 374) e na série 7, ano XXI, n° 12. Porto (pp. 356 - 358). Nas três fontes é visto o destaque dado a habitação nobre de meados do século XVIII que apresenta tanto na sua fachada principal quanto na traseira o cariz barroco. | ||
=== '''3. ENQUADRAMENTO''' === | |||
Próximo da Casa das Sereias é visto outros objetos patrimoniais como Casa de São João Novo, Igreja de São João Novo e Igreja do Carmo. | |||
=== 4. DESCRIÇÃO === | |||
==== '''Objeto arquitetónico''' ==== | |||
A Casa das Sereias inicia sua cronologia em meados do século XVIII como moradia da família nobre de origem asturiana Portocarrero. Entretanto, a morte de João da Cunha de Araújo Portocarrero causada na sequência da invasão do Porto por Soult, levou a família escolher desabitar a casa. | |||
Após o espaço ser abandonado por gerações, o local é assumido pelo Instituto das Filhas da Caridade Canossianas. Inicialmente ocuparam a casa com o intuito de terem estadia temporária. Porém ao estabelecerem o funcionamento do espaço que se encontrava precário, acabaram por se fixar ajudando as pessoas mais necessitadas da freguesia de Miragaia. Tinham o foco principal nas crianças e jovens, trazendo atividades recreativas e pedagógicas baseadas numa formação cristã. | |||
Atulamente, esta entidade possui valência de Creche e Educação Pré-escolar. | |||
A arquitetura do espaço merece o mesmo destaque que sua história pelo influência que trouxe para o barroco portuense, nomeadamente de Nicolau Nasoni, pelaa harmonia do conjunto e por certos pormenores esculturais terem a presença do arquiteto italiano. | |||
O edifício apresenta uma planta retangular alongada dividida em três níveis. Sua fachada é centralizada no piso térreo com o portal de granito que traz a origem do nome da casa pelas duas estípites de sereias que o ladeiam, podendo ser alusivas ao “real de água” - tributo imposto a toda a embarcação que pretendesse fazer a subida do rio, e do qual os senhores da Casa eram arrendatários. | |||
No centro da casa é visível duas janelas balaustradas no segundo piso. Acima destas, no terceiro nível, há uma varanda também balaustrada apoiada por três mísulas de pedra lavrada. Seu grande destaque é dado pelos elementos decorativos em redor, como o remate superior pelo frontão recurvado. Nessa fachada também é notório a repetição de vãos de iluminação - no piso térreo existem aberturas retangulares gradeadas; nos outros dois pisos há janelas de peito que, ao chegar no terceiro andar, se decoram na parte superior por volutas nas quais são rematadas por conchas. E nas laterais do edifício, é ligeiramente erguido uma simulação de torreões por serem encimadas por ameias de pedra nua. | |||
A traseira da casa é desenvolvida por um terreno retangular, onde em sua entrada um imponente portão de ferro é erguido. Há também a presença das armas da família com coronel, sendo ele ladeado por janelas gradeadas. | |||
Segundo O Tripeiro, o seu interior não possui o mesmo esplendor de quando a família Portocarrero vivia no espaço. Apenas sendo mantido pelo Instituto das Filhas da Caridade Canossianas a divisão dos cômodos, os tetos de estuque trabalhado e claraboias que ajudam na iluminação dos corredores. Apenas nos anos 60 e 70 ocorre a construção de refeitórios e garagem anexos à casa, construção de corpo destinado ao dormitório das Irmãs na quinta anexa e o posto médico. | |||
==== '''Património integrado''' ==== | |||
Neste edifício tem destaque como património integrado as esculturas encontradas tanto na sua fachada principal quanto em seu portão traseiro, compreendido pelas sereias em granito, a decoração com motivos rococó e o grandioso brasão que estão virados para o Rio Douro. Do lado oposto, face à rampa que leva para o Largo de Viriato, há o portão com motivos decorativos alusivos ao mar e, novamente, o brasão da família com coronel, ladeado por pequenas sereias. | |||
=== ''' | ==== '''Objeto ou conjunto em destaque''' ==== | ||
O portal ganha mais destaque através do frontão curvo que o encima. Nesse frontão apresenta o brasão de armas das famílias Portocarrero, Osório, Cunha e Coutinho, arrematado com um coronel de nobreza. As sereias que ladeiam a entrada, trazem a centralidade para o edifício. | |||
Edição atual desde as 07h35min de 9 de dezembro de 2025
1. IDENTIFICAÇÃO[editar | editar código-fonte]
| Designação | Casa das Sereias / Palácio da Bandeirinha |
| Localização | Rua da Bandeirinha, n° 27, 4050-088 – Miragaia, Porto |
| Cronologia | Séc. XVIII |
| Autor(es) | Provavelmente Nicolau Nasoni |
| Classificação | Casa Nobre /Arquitetura Civil Não Classificado |
2. ESTADO DA ARTE[editar | editar código-fonte]
A Casa das Sereias é mencionada pela sua importância na obra “A casa nobre no Porto nos séculos XVII e XVIII” de Joaquim Jaime Ferreira Alves e trabalhada com especificidade nas obras do Tripeiro na série nova, ano VIII, n° 11/12 (pp. 373 - 374) e na série 7, ano XXI, n° 12. Porto (pp. 356 - 358). Nas três fontes é visto o destaque dado a habitação nobre de meados do século XVIII que apresenta tanto na sua fachada principal quanto na traseira o cariz barroco.
3. ENQUADRAMENTO[editar | editar código-fonte]
Próximo da Casa das Sereias é visto outros objetos patrimoniais como Casa de São João Novo, Igreja de São João Novo e Igreja do Carmo.
4. DESCRIÇÃO[editar | editar código-fonte]
Objeto arquitetónico[editar | editar código-fonte]
A Casa das Sereias inicia sua cronologia em meados do século XVIII como moradia da família nobre de origem asturiana Portocarrero. Entretanto, a morte de João da Cunha de Araújo Portocarrero causada na sequência da invasão do Porto por Soult, levou a família escolher desabitar a casa.
Após o espaço ser abandonado por gerações, o local é assumido pelo Instituto das Filhas da Caridade Canossianas. Inicialmente ocuparam a casa com o intuito de terem estadia temporária. Porém ao estabelecerem o funcionamento do espaço que se encontrava precário, acabaram por se fixar ajudando as pessoas mais necessitadas da freguesia de Miragaia. Tinham o foco principal nas crianças e jovens, trazendo atividades recreativas e pedagógicas baseadas numa formação cristã.
Atulamente, esta entidade possui valência de Creche e Educação Pré-escolar.
A arquitetura do espaço merece o mesmo destaque que sua história pelo influência que trouxe para o barroco portuense, nomeadamente de Nicolau Nasoni, pelaa harmonia do conjunto e por certos pormenores esculturais terem a presença do arquiteto italiano.
O edifício apresenta uma planta retangular alongada dividida em três níveis. Sua fachada é centralizada no piso térreo com o portal de granito que traz a origem do nome da casa pelas duas estípites de sereias que o ladeiam, podendo ser alusivas ao “real de água” - tributo imposto a toda a embarcação que pretendesse fazer a subida do rio, e do qual os senhores da Casa eram arrendatários.
No centro da casa é visível duas janelas balaustradas no segundo piso. Acima destas, no terceiro nível, há uma varanda também balaustrada apoiada por três mísulas de pedra lavrada. Seu grande destaque é dado pelos elementos decorativos em redor, como o remate superior pelo frontão recurvado. Nessa fachada também é notório a repetição de vãos de iluminação - no piso térreo existem aberturas retangulares gradeadas; nos outros dois pisos há janelas de peito que, ao chegar no terceiro andar, se decoram na parte superior por volutas nas quais são rematadas por conchas. E nas laterais do edifício, é ligeiramente erguido uma simulação de torreões por serem encimadas por ameias de pedra nua.
A traseira da casa é desenvolvida por um terreno retangular, onde em sua entrada um imponente portão de ferro é erguido. Há também a presença das armas da família com coronel, sendo ele ladeado por janelas gradeadas.
Segundo O Tripeiro, o seu interior não possui o mesmo esplendor de quando a família Portocarrero vivia no espaço. Apenas sendo mantido pelo Instituto das Filhas da Caridade Canossianas a divisão dos cômodos, os tetos de estuque trabalhado e claraboias que ajudam na iluminação dos corredores. Apenas nos anos 60 e 70 ocorre a construção de refeitórios e garagem anexos à casa, construção de corpo destinado ao dormitório das Irmãs na quinta anexa e o posto médico.
Património integrado[editar | editar código-fonte]
Neste edifício tem destaque como património integrado as esculturas encontradas tanto na sua fachada principal quanto em seu portão traseiro, compreendido pelas sereias em granito, a decoração com motivos rococó e o grandioso brasão que estão virados para o Rio Douro. Do lado oposto, face à rampa que leva para o Largo de Viriato, há o portão com motivos decorativos alusivos ao mar e, novamente, o brasão da família com coronel, ladeado por pequenas sereias.
Objeto ou conjunto em destaque[editar | editar código-fonte]
O portal ganha mais destaque através do frontão curvo que o encima. Nesse frontão apresenta o brasão de armas das famílias Portocarrero, Osório, Cunha e Coutinho, arrematado com um coronel de nobreza. As sereias que ladeiam a entrada, trazem a centralidade para o edifício.
-
Visão da Casa das Sereias a partir da beira do Rio Douro
-
Fachada focada no portal da casa
-
Brasão da Família
-
Fachada com lateral que simula torreão
-
Estípite de sereia junto com o Brasão
-
Entrada traseira da casa
-
Brasão ladeado por sereias e encimado por coronel
Bibliografia[editar | editar código-fonte]
- CASA MADALENA DE CANOSSA. A Comunidade Canossiana no Porto. [Consult. 15 Abril 2024] Disponível em WWW: https://cmcanossa.com/canossianas-no-porto/
- LANGFORD, Helena. Um Palácio Setecentista nas Arribas do Douro: A Casa das Sereias. O Tripeiro: 7° série, ano XXI, n° 12. Porto (2002).
- MACHADO, João Afonso. O Palácio das Sereias na Rua da Bandeirinha. O Tripeiro: série nova, ano VIII, n° 11/12. Porto (1989).
- QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho. Inventário Artístico de Portugal: Cidade do Porto. Editor: Academia Nacional das Belas-Artes, dezembro de 1995.
- SISTEMA DE INFORMAÇÃO PARA O PATRIMÓNIO ARQUITETÓNICO. Palácio das Sereias. [Consult. 15 Abril 2024] Disponível em WWW: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5551