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Casa das Sereias: diferenças entre revisões

Fonte: Porto Barroco
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= Identificação =
=== 1. IDENTIFICAÇÃO ===
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|'''Designação'''
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|Casa Nobre /Arquitetura  Civil Não Classificado  
|Casa Nobre /Arquitetura  Civil Não Classificado  
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|'''Como chegar'''
|A casa localizada na Rua  da Bandeirinha possui o seguinte meio de transporte para chegar neste local:  a partir dos autocarros da STCP que podem ser pegos no centro da cidade no  qual deixam na paragem do Hospital Santo Antônio, levando cerca de 6 minutos  andando para chegar ao Palácio, sendo 200, 201, 208, 301, 302, 303, 501 e 801  os respetivos números dos autocarros.
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= Estado da Arte =
=== 2. ESTADO DA ARTE ===
A Casa das Sereias é mencionada pela sua importância na obra “''A casa nobre no Porto nos séculos XVII e XVIII''” de Joaquim Jaime Ferreira Alves e trabalhada com especificidade nas obras do Tripeiro na série nova, ano VIII, n° 11/12 (pp. 373 - 374) e na série 7, ano XXI, n° 12. Porto (pp. 356 - 358).  Nas três fontes é visto o destaque dado a habitação nobre de meados do século XVIII que apresenta tanto na sua fachada principal quanto na traseira o cariz barroco.   
A Casa das Sereias é mencionada pela sua importância na obra “''A casa nobre no Porto nos séculos XVII e XVIII''” de Joaquim Jaime Ferreira Alves e trabalhada com especificidade nas obras do Tripeiro na série nova, ano VIII, n° 11/12 (pp. 373 - 374) e na série 7, ano XXI, n° 12. Porto (pp. 356 - 358).  Nas três fontes é visto o destaque dado a habitação nobre de meados do século XVIII que apresenta tanto na sua fachada principal quanto na traseira o cariz barroco.   


= Enquadramento =
=== '''3. ENQUADRAMENTO''' ===
Próximo da Casa das Sereias é visto outros objetos patrimoniais como Casa de São João Novo, Igreja de São João Novo e Igreja do Carmo.
Próximo da Casa das Sereias é visto outros objetos patrimoniais como Casa de São João Novo, Igreja de São João Novo e Igreja do Carmo.


= Descrição =
=== 4. DESCRIÇÃO ===


=== '''Objeto arquitetónico''' ===
==== '''Objeto arquitetónico''' ====
A Casa das Sereias tem sua cronologia em meados do século XVIII, onde inicialmente era a moradia nobre de uma família de origem asturiana chamada Portocarrero. Entretanto, a morte de João da Cunha de Araújo Portocarrero causada com a invasão de Soult sobre o Porto, levou a família escolher desabitar a casa.
A Casa das Sereias inicia sua cronologia em meados do século XVIII como moradia da família nobre de origem asturiana Portocarrero. Entretanto, a morte de João da Cunha de Araújo Portocarrero causada na sequência da invasão do Porto por Soult, levou a família escolher desabitar a casa.


Após o espaço ser abandonado por gerações, o local é assumido pelo Instituto das Filhas da Caridade Canossianas, no qual inicialmente ocuparam a casa com o intuito de terem estadia temporária, porém ao estabelecerem o funcionamento do espaço que se encontrava precário, acabaram por se fixar ajudando as pessoas mais necessitadas da freguesia de Miragaia tendo o foco principal nas crianças e jovens, trazendo atividades recreativas e pedagógicas baseadas para uma formação cristã.     
Após o espaço ser abandonado por gerações, o local é assumido pelo Instituto das Filhas da Caridade Canossianas. Inicialmente ocuparam a casa com o intuito de terem estadia temporária. Porém ao estabelecerem o funcionamento do espaço que se encontrava precário, acabaram por se fixar ajudando as pessoas mais necessitadas da freguesia de Miragaia. Tinham o foco principal nas crianças e jovens, trazendo atividades recreativas e pedagógicas baseadas numa formação cristã.     


A instituição se encontra presente até aos dias atuais, sendo vista como uma entidade que possui valência de Creche e Educação Pré-escolar.
Atulamente, esta entidade possui valência de Creche e Educação Pré-escolar.  


A arquitetura do espaço merece o mesmo destaque que sua história pelo influência que trouxe para o barroco portuense, nomeadamente de Nicolau Nasoni, pelaa harmonia do conjunto e por certos pormenores esculturais terem a presença do arquiteto italiano.


O edifício apresenta uma planta retangular alongada dividida em três níveis. Sua fachada é centralizada no piso térreo com o portal de granito que traz a origem do nome da casa pelas duas estípites de sereias que o ladeiam, podendo ser alusivas ao “real de água” - tributo imposto a toda a embarcação que pretendesse fazer a subida do rio, e do qual os senhores da Casa eram arrendatários.


Além da importante história do espaço para entender sua funcionalidade ao longo do tempo, também sua arquitetura merece o mesmo destaque pelo realce que trouxe para o barroco portuense, podendo ter tido influência de Nicolau Nasoni em razão da harmonia do conjunto e de certos pormenores esculturais terem a presença do arquiteto italiano.       
No centro da casa é visível duas janelas balaustradas no segundo piso. Acima destas, no terceiro nível, há uma varanda também balaustrada apoiada por três mísulas de pedra lavrada. Seu grande destaque é dado pelos elementos decorativos em redor, como o remate superior pelo frontão recurvado. Nessa fachada também é notório a repetição de vãos de iluminação - no piso térreo existem aberturas retangulares gradeadas; nos outros dois pisos há janelas de peito que, ao chegar no terceiro andar, se decoram na parte superior por volutas nas quais são rematadas por conchas. E nas laterais do edifício, é ligeiramente erguido uma simulação de torreões por serem encimadas por ameias de pedra nua.         
 
Dessa maneira, o edifício apresenta uma planta retangular alongada dividida em três níveis, sendo sua fachada centralizada no piso térreo com o portal de granito que traz a origem do nome da casa pelas duas estípites de sereias que o ladeiam, podendo ser alusivas ao “real de água” (tributo imposto a toda a embarcação que pretendesse fazer a subida do rio, e do qual os senhores da Casa eram arrendatários).
 
Na centralidade da casa, é visto no segundo piso duas janelas balaustradas, enquanto acima destas, no seu terceiro nível, há uma varanda também balaustrada apoiada por três mísulas de pedra lavrada, possuindo grande destaque pelos elementos decorativos ao seu redor, como o remate superior pelo frontão recurvado. Nessa fachada também é notório a repetição de vãos de iluminação, sendo no piso térreo aberturas retangulares gradeadas, enquanto nos outros dois pisos há janelas de peito que, ao chegar no terceiro andar, são decoradas na parte superior por volutas nas quais são rematadas por conchas. E nas laterais do edifício, é ligeiramente erguido uma simulação de torreões por serem encimadas por ameias de pedra nua.         


A traseira da casa é desenvolvida por um terreno retangular, onde em sua entrada um imponente portão de ferro é erguido. Há também a presença das armas da família com coronel, sendo ele ladeado por janelas gradeadas.
A traseira da casa é desenvolvida por um terreno retangular, onde em sua entrada um imponente portão de ferro é erguido. Há também a presença das armas da família com coronel, sendo ele ladeado por janelas gradeadas.


Segundo O Tripeiro, o seu interior não possui o mesmo esplendor de quando a família Portocarrero vivia no espaço. Apenas sendo mantido pelo Instituto das Filhas da Caridade Canossianas a divisão dos cômodos, os tetos de estuque trabalhado e claraboias que ajudam na iluminação dos corredores. Apenas nos anos 60 e 70 ocorre a construção de refeitórios e garagem anexos à casa, construção de corpo destinado ao dormitório das Irmãs na quinta anexa e o posto médico.


O seu interior, segundo O Tripeiro, não possui o mesmo esplendor de quando a família Portocarrero vivia no espaço. Apenas sendo mantido pelo Instituto das Filhas da Caridade Canossianas a divisão dos cômodos, os tetos de estuque trabalhado e claraboias que ajudam na iluminação dos corredores. Apenas nos anos 60 e 70 ocorre a construção de refeitórios e garagem anexos à casa, construção de corpo destinado ao dormitório das Irmãs na quinta anexa e o posto médico.
==== '''Património integrado''' ====
 
Neste edifício tem destaque como património integrado as esculturas encontradas tanto na sua fachada principal quanto em seu portão traseiro, compreendido pelas sereias em granito, a decoração com motivos rococó e o grandioso brasão que estão virados para o Rio Douro. Do lado oposto, face à rampa que leva para o Largo de Viriato, há o portão com motivos decorativos alusivos ao mar e, novamente, o brasão da família com coronel, ladeado por pequenas sereias.
=== '''Património integrado''' ===
Neste edifício património integrado relacionado às esculturas encontradas tanto na sua fachada principal quanto em seu portão traseiro, como é entendido pelas sereias em granito, a decoração com motivos rococó e o grandioso brasão que estão virados para o Rio Douro. Enquanto do lado oposto, face à rampa que leva para o Largo de Viriato, há o portão com motivos decorativos que trazem alusão ao mar e, novamente, o brasão da família com coronel que é ladeado por pequenas sereias.


=== '''Objeto ou conjunto em destaque''' ===
==== '''Objeto ou conjunto em destaque''' ====
O portal ganha mais destaque por ser encimado com frontão curvo no qual apresenta o brasão de armas das famílias Portocarrero, Osório, Cunha e Coutinho que é arrematado com um coronel de nobreza. Além das sereias que ladeiam a entrada, trazendo centralidade para o edifício.
O portal ganha mais destaque através do frontão curvo que o encima. Nesse frontão apresenta o brasão de armas das famílias Portocarrero, Osório, Cunha e Coutinho, arrematado com um coronel de nobreza. As sereias que ladeiam a entrada, trazem a centralidade para o edifício.





Edição atual desde as 07h35min de 9 de dezembro de 2025

1. IDENTIFICAÇÃO[editar | editar código-fonte]

Designação Casa das Sereias / Palácio da Bandeirinha
Localização Rua da Bandeirinha, n° 27, 4050-088 – Miragaia, Porto
Cronologia Séc. XVIII
Autor(es) Provavelmente Nicolau Nasoni
Classificação Casa Nobre /Arquitetura Civil Não Classificado

2. ESTADO DA ARTE[editar | editar código-fonte]

A Casa das Sereias é mencionada pela sua importância na obra “A casa nobre no Porto nos séculos XVII e XVIII” de Joaquim Jaime Ferreira Alves e trabalhada com especificidade nas obras do Tripeiro na série nova, ano VIII, n° 11/12 (pp. 373 - 374) e na série 7, ano XXI, n° 12. Porto (pp. 356 - 358).  Nas três fontes é visto o destaque dado a habitação nobre de meados do século XVIII que apresenta tanto na sua fachada principal quanto na traseira o cariz barroco.

3. ENQUADRAMENTO[editar | editar código-fonte]

Próximo da Casa das Sereias é visto outros objetos patrimoniais como Casa de São João Novo, Igreja de São João Novo e Igreja do Carmo.

4. DESCRIÇÃO[editar | editar código-fonte]

Objeto arquitetónico[editar | editar código-fonte]

A Casa das Sereias inicia sua cronologia em meados do século XVIII como moradia da família nobre de origem asturiana Portocarrero. Entretanto, a morte de João da Cunha de Araújo Portocarrero causada na sequência da invasão do Porto por Soult, levou a família escolher desabitar a casa.

Após o espaço ser abandonado por gerações, o local é assumido pelo Instituto das Filhas da Caridade Canossianas. Inicialmente ocuparam a casa com o intuito de terem estadia temporária. Porém ao estabelecerem o funcionamento do espaço que se encontrava precário, acabaram por se fixar ajudando as pessoas mais necessitadas da freguesia de Miragaia. Tinham o foco principal nas crianças e jovens, trazendo atividades recreativas e pedagógicas baseadas numa formação cristã.

Atulamente, esta entidade possui valência de Creche e Educação Pré-escolar.

A arquitetura do espaço merece o mesmo destaque que sua história pelo influência que trouxe para o barroco portuense, nomeadamente de Nicolau Nasoni, pelaa harmonia do conjunto e por certos pormenores esculturais terem a presença do arquiteto italiano.

O edifício apresenta uma planta retangular alongada dividida em três níveis. Sua fachada é centralizada no piso térreo com o portal de granito que traz a origem do nome da casa pelas duas estípites de sereias que o ladeiam, podendo ser alusivas ao “real de água” - tributo imposto a toda a embarcação que pretendesse fazer a subida do rio, e do qual os senhores da Casa eram arrendatários.

No centro da casa é visível duas janelas balaustradas no segundo piso. Acima destas, no terceiro nível, há uma varanda também balaustrada apoiada por três mísulas de pedra lavrada. Seu grande destaque é dado pelos elementos decorativos em redor, como o remate superior pelo frontão recurvado. Nessa fachada também é notório a repetição de vãos de iluminação - no piso térreo existem aberturas retangulares gradeadas; nos outros dois pisos há janelas de peito que, ao chegar no terceiro andar, se decoram na parte superior por volutas nas quais são rematadas por conchas. E nas laterais do edifício, é ligeiramente erguido uma simulação de torreões por serem encimadas por ameias de pedra nua.

A traseira da casa é desenvolvida por um terreno retangular, onde em sua entrada um imponente portão de ferro é erguido. Há também a presença das armas da família com coronel, sendo ele ladeado por janelas gradeadas.

Segundo O Tripeiro, o seu interior não possui o mesmo esplendor de quando a família Portocarrero vivia no espaço. Apenas sendo mantido pelo Instituto das Filhas da Caridade Canossianas a divisão dos cômodos, os tetos de estuque trabalhado e claraboias que ajudam na iluminação dos corredores. Apenas nos anos 60 e 70 ocorre a construção de refeitórios e garagem anexos à casa, construção de corpo destinado ao dormitório das Irmãs na quinta anexa e o posto médico.

Património integrado[editar | editar código-fonte]

Neste edifício tem destaque como património integrado as esculturas encontradas tanto na sua fachada principal quanto em seu portão traseiro, compreendido pelas sereias em granito, a decoração com motivos rococó e o grandioso brasão que estão virados para o Rio Douro. Do lado oposto, face à rampa que leva para o Largo de Viriato, há o portão com motivos decorativos alusivos ao mar e, novamente, o brasão da família com coronel, ladeado por pequenas sereias.

Objeto ou conjunto em destaque[editar | editar código-fonte]

O portal ganha mais destaque através do frontão curvo que o encima. Nesse frontão apresenta o brasão de armas das famílias Portocarrero, Osório, Cunha e Coutinho, arrematado com um coronel de nobreza. As sereias que ladeiam a entrada, trazem a centralidade para o edifício.


Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CASA MADALENA DE CANOSSA. A Comunidade Canossiana no Porto. [Consult. 15 Abril 2024] Disponível em WWW: https://cmcanossa.com/canossianas-no-porto/
  • LANGFORD, Helena. Um Palácio Setecentista nas Arribas do Douro: A Casa das Sereias. O Tripeiro: 7° série, ano XXI, n° 12. Porto (2002).
  • MACHADO, João Afonso. O Palácio das Sereias na Rua da Bandeirinha. O Tripeiro: série nova, ano VIII, n° 11/12. Porto (1989).
  • QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho. Inventário Artístico de Portugal: Cidade do Porto. Editor: Academia Nacional das Belas-Artes, dezembro de 1995.
  • SISTEMA DE INFORMAÇÃO PARA O PATRIMÓNIO ARQUITETÓNICO. Palácio das Sereias. [Consult. 15 Abril 2024] Disponível em WWW: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5551