O Palácio de São João Novo: diferenças entre revisões
Created page with "'''1. IDENTIFICAÇÃO''' {| class="wikitable" !'''Designação''' |Palácio/Casa de São João Novo |- !'''Localização''' |Largo de São João Novo, n°11, 4050-280 – Miragaia, Porto |- !'''Cronologia''' |Século XVIII |- !'''Autor(es)''' |Arquiteto António Pereira |- !'''Classificação''' |Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 129/77, DR, 1ª série, n.º 226, de 29 setembro 1977 (esteve sob os cuidados da DRCNorte, mas agora é gerido pela..." |
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[[File:Figura 1 - Fachada Palácio de São João Novo.jpg|thumb|284x284px|Fachada do Palácio de São João Novo]] | |||
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=== 2. ESTADO DA ARTE === | |||
'''3. ENQUADRAMENTO | A Casa de São João Novo é descrita pelo historiador e professor Joaquim Jaime Ferreira Alves em '''"A Casa Nobre no Porto na Época Moderna"''', publicado em 2001 pela Edições Inapa, como um marco na arquitetura civil portuense e destaca-a como uma das melhores fachadas barrocas da cidade, em relação as arquiteturas da mesma época, por conta da sua monumentalidade e grandiosidade. | ||
=== 3. ENQUADRAMENTO === | |||
O Palácio de São João Novo | O Palácio de São João Novo localiza-se no Largo de São João Novo, centro histórico da cidade do Porto. Situado em frente a Igreja e antigo Convento de São João Novo, próximo ao Passeio das Virtudes e a Alfândega do Porto. | ||
=== 4. DESCRIÇÃO === | |||
O Palácio de São João Novo | O Palácio de São João Novo está localizado em Miragaia, no Largo de São João Novo em frente a Igreja de São João Novo. Pertence a região central da cidade do Porto, na união das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória. | ||
Comumente conhecido por “palácio”, é referido dessa forma por conta de sua grande dimensão, monumentalidade e status social de seus antigos proprietários. Essa designação está equivocada, pois não possui características suficientes para ser considerado um palácio, mas sim uma casa nobre. | |||
Foi construído por volta de 1725 a mando de Pedro da Costa Lima, administrador e superintendente das Fábricas da Ribeira do Ouro da Cidade do Porto, e sua segunda mulher, D. Maria Teresa de Melo | Foi construído por volta de 1725 a mando de Pedro da Costa Lima, administrador e superintendente das Fábricas da Ribeira do Ouro da Cidade do Porto, e sua segunda mulher, D. Maria Teresa de Melo. Eram provenientes de Viana do Castelo e fixaram residência no Porto. Sua fachada terá sido erguida em 1726, indicando que a finalização da obra tenha ocorrido em 1727. | ||
Durante muitos anos, a autoria do edifício foi atribuída a Nicolau Nasoni, arquiteto italiano que teve grande destaque em Portugal, | Durante muitos anos, a autoria do edifício foi atribuída a Nicolau Nasoni, arquiteto italiano que teve grande destaque em Portugal. Porém, essa informação foi refutada por Joaquim Jaime Ferreira Alves. Através do contrato de execução da obra, descobriu que o mestre de estuques e arquiteto António Pereira, mestre de obras da Sé do Porto, foi o responsável pelo projeto do palácio. Com auxílio dos mestres de pedraria António da Silva, Domingos Pinto e Pedro Pereira. | ||
Sua arquitetura apresenta as principais características de uma casa nobre | Sua arquitetura apresenta as principais características de uma casa nobre barroca, como monumentalidade em sua fachada principal. É dividida verticalmente em três partes por pilastras de ordem dórica. Possui dois panos de parede simétricos que acompanham um pano central onde se encontra a porta principal. A pedra de armas da família e a grande janela com sacada marcam o andar nobre da casa e apresentam um frontão interrompido. | ||
Os dois panos laterais são compostos por janelas menores com sacada e portas que são acompanhadas de um óculo ovalado (abertura em formato oval) | Os dois panos laterais são compostos por janelas menores com sacada e portas que são acompanhadas de um óculo ovalado (abertura em formato oval). Há também um modelo de frontão invertido que foi utilizado na Sé do Porto. As aberturas ligam-se entre si por conjuntos verticais e uma barra de pedra percorre toda a fachada horizontalmente marcando o nível do andar nobre. | ||
Os frontões aplicados na fachada constituem uma novidade na arquitetura portuense da época, pois apresentavam formas onduladas, invertidas e até interrompidas, o que | Os frontões aplicados na fachada constituem uma novidade na arquitetura portuense da época, pois apresentavam formas onduladas, invertidas e até interrompidas, o que transmite uma sensação de movimento característica da arquitetura barroca. | ||
Sua planta é em L e o interior é composto por rés-do-chão, segundo piso, andar nobre e quarto piso. Dentre este conjunto, é necessário destacar o átrio e a escadaria principal pela qual se tem acesso ao mezanino e ao andar nobre. | Sua planta é em L e o interior é composto por rés-do-chão, segundo piso, andar nobre e quarto piso. Dentre este conjunto, é necessário destacar o átrio e a escadaria principal pela qual se tem acesso ao mezanino e ao andar nobre. | ||
O átrio possui grandes proporções, sendo formado por um arco abatido que ao centro se vê uma espécie de concha espalmada, invertida e em formato de leque | O átrio possui grandes proporções, sendo formado por um arco abatido que ao centro se vê uma espécie de concha espalmada, invertida e em formato de leque. Esse motivo decorativo era muito utilizado por António Pereira em seus projetos. Por baixo do arco abatido, tem-se acesso à escadaria, que se sobressai na arquitetura por criar um efeito cenográfico. É composta por dois lances de escadas que levam a um patamar com portas de entrada para as salas do mezanino. Este mesmo patamar está ligado a mais um lance de escada que leva ao andar nobre. | ||
Com o passar dos anos, o edifício foi sofrendo algumas pequenas modificações em sua arquitetura | Com o passar dos anos, o edifício foi sofrendo algumas pequenas modificações em sua arquitetura. Contudo, em 1945, passou a abrigar o Museu de Etnologia e História do Douro Litoral, organizado pelo etnógrafo Dr. Pedro Vitorino. O museu expôs objetos e peças regionais com o intuito de reconstituir ambientes tradicionais das províncias da região litoral do Douro. Porém, em 1984, um incêndio atingiu uma das áreas ocupadas pelo museu. Este foi fechado ao público no ano de 1992 e encontra-se encerrado desde então. | ||
A gestão do | A gestão do imóvel estava sob responsabilidade da Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) que, depois de alguns acordos, foi transferida para os cuidados da Câmara Municipal do Porto. O edifício passaria a ser mais um núcleo do Museu do Porto e viria abrigar o Museu do Livro. A abertura estava prevista para 2024, mas o projeto não foi concretizado. | ||
Brasão de armas da família esculpido em pedra que fica sobre a porta principal. Ao lado direito do brasão temos a heráldica da família de Pedro da Costa Lima e ao lado esquerdo de sua segunda esposa, Teresa de Melo e Alvim. | |||
=== 5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO === | |||
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File:Figura 4 - Porta principal do Palácio de São João Novo.jpg|thumb|Porta principal do Palácio de São João Novo com destaque para o brasão de armas da família | |||
File:Figura 6 - Brasão da família de Pedro da Costa Lima, antigo proprietário do Palácio de São João Novo.jpg|thumb|Brasão da família de Pedro da Costa Lima, antigo proprietário do Palácio de São João Novo | |||
File:Imagem 1 - Desenho, Arquivo Municipal do Porto.jpg|Desenho da fachada de São João Novo por Cardoso Vitória Vilanova. | |||
File:Imagem 2 - Escadaria, Arquivo Municipal do Porto.png|Interior do edifício, destacando a escadaria. | |||
File:Imagem 3 - Plantas do andar nobre. O Palácio de S. João Novo, Robert C. Smith.png|Plantas, andar nobre (em cima) e rés-do-chão (em baixo) | |||
File:Imagem 4 - Plantas do quarto e terceiro piso. O Palácio de S. João Novo, Robert C. Smith.png|Plantas, quarto piso (em cima) e terceiro piso (em baixo) | |||
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=== 6. FONTES E BIBLIOGRAFIA === | |||
MARÇAL, Horácio – O Largo de S. João Novo. BASTO, A. de Magalhães – O Tripeiro. Porto: Tipografia Empresa Guedes, n.º 9, V série, ano XII (janeiro de 1957), p. 291-297. | |||
SISTEMA DE INFORMAÇÃO PARA O PATRIMÓNIO ARQUITETÓNICO. Palácio de São João Novo / Museu de Etnografia e História / Museu de Etnologia do Porto. [Consult. 04 Abril 2024] Disponível em WWW: <nowiki>http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=1082</nowiki> | |||
CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO. [Consult. 04 Abril 2024] Câmara pretende reabilitar o Palácio de São João Novo. Disponível em WWW: <nowiki>https://www.porto.pt/pt/noticia/camara-pretende-reabilitar-o-palacio-de-sao-joao-novo</nowiki> | |||
FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime. (2001). A Casa Nobre no Porto na Época Moderna. Lisboa: Edições Inapa. | |||
QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho. (1995). Inventário Artístico de Portugal: Cidade do Porto. Editor: Academia Nacional das Belas-Artes. | |||
SMITH, Robert C. | SMITH, Robert C. (1969). O Palácio de S. João Novo. Separata da Revista de Etnografia, n.º 21. Porto: Junta Distrital do Porto. | ||
Edição atual desde as 08h17min de 9 de dezembro de 2025
1. IDENTIFICAÇÃO[editar | editar código-fonte]

| Designação | Palácio/Casa de São João Novo |
|---|---|
| Localização | Largo de São João Novo, n°11, 4050-280 – Miragaia, Porto |
| Cronologia | Século XVIII |
| Autor(es) | Arquiteto António Pereira |
| Classificação | Imóvel de Interesse Público |
2. ESTADO DA ARTE[editar | editar código-fonte]
A Casa de São João Novo é descrita pelo historiador e professor Joaquim Jaime Ferreira Alves em "A Casa Nobre no Porto na Época Moderna", publicado em 2001 pela Edições Inapa, como um marco na arquitetura civil portuense e destaca-a como uma das melhores fachadas barrocas da cidade, em relação as arquiteturas da mesma época, por conta da sua monumentalidade e grandiosidade.
3. ENQUADRAMENTO[editar | editar código-fonte]
O Palácio de São João Novo localiza-se no Largo de São João Novo, centro histórico da cidade do Porto. Situado em frente a Igreja e antigo Convento de São João Novo, próximo ao Passeio das Virtudes e a Alfândega do Porto.
4. DESCRIÇÃO[editar | editar código-fonte]
O Palácio de São João Novo está localizado em Miragaia, no Largo de São João Novo em frente a Igreja de São João Novo. Pertence a região central da cidade do Porto, na união das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória.
Comumente conhecido por “palácio”, é referido dessa forma por conta de sua grande dimensão, monumentalidade e status social de seus antigos proprietários. Essa designação está equivocada, pois não possui características suficientes para ser considerado um palácio, mas sim uma casa nobre.
Foi construído por volta de 1725 a mando de Pedro da Costa Lima, administrador e superintendente das Fábricas da Ribeira do Ouro da Cidade do Porto, e sua segunda mulher, D. Maria Teresa de Melo. Eram provenientes de Viana do Castelo e fixaram residência no Porto. Sua fachada terá sido erguida em 1726, indicando que a finalização da obra tenha ocorrido em 1727.
Durante muitos anos, a autoria do edifício foi atribuída a Nicolau Nasoni, arquiteto italiano que teve grande destaque em Portugal. Porém, essa informação foi refutada por Joaquim Jaime Ferreira Alves. Através do contrato de execução da obra, descobriu que o mestre de estuques e arquiteto António Pereira, mestre de obras da Sé do Porto, foi o responsável pelo projeto do palácio. Com auxílio dos mestres de pedraria António da Silva, Domingos Pinto e Pedro Pereira.
Sua arquitetura apresenta as principais características de uma casa nobre barroca, como monumentalidade em sua fachada principal. É dividida verticalmente em três partes por pilastras de ordem dórica. Possui dois panos de parede simétricos que acompanham um pano central onde se encontra a porta principal. A pedra de armas da família e a grande janela com sacada marcam o andar nobre da casa e apresentam um frontão interrompido.
Os dois panos laterais são compostos por janelas menores com sacada e portas que são acompanhadas de um óculo ovalado (abertura em formato oval). Há também um modelo de frontão invertido que foi utilizado na Sé do Porto. As aberturas ligam-se entre si por conjuntos verticais e uma barra de pedra percorre toda a fachada horizontalmente marcando o nível do andar nobre.
Os frontões aplicados na fachada constituem uma novidade na arquitetura portuense da época, pois apresentavam formas onduladas, invertidas e até interrompidas, o que transmite uma sensação de movimento característica da arquitetura barroca.
Sua planta é em L e o interior é composto por rés-do-chão, segundo piso, andar nobre e quarto piso. Dentre este conjunto, é necessário destacar o átrio e a escadaria principal pela qual se tem acesso ao mezanino e ao andar nobre.
O átrio possui grandes proporções, sendo formado por um arco abatido que ao centro se vê uma espécie de concha espalmada, invertida e em formato de leque. Esse motivo decorativo era muito utilizado por António Pereira em seus projetos. Por baixo do arco abatido, tem-se acesso à escadaria, que se sobressai na arquitetura por criar um efeito cenográfico. É composta por dois lances de escadas que levam a um patamar com portas de entrada para as salas do mezanino. Este mesmo patamar está ligado a mais um lance de escada que leva ao andar nobre.
Com o passar dos anos, o edifício foi sofrendo algumas pequenas modificações em sua arquitetura. Contudo, em 1945, passou a abrigar o Museu de Etnologia e História do Douro Litoral, organizado pelo etnógrafo Dr. Pedro Vitorino. O museu expôs objetos e peças regionais com o intuito de reconstituir ambientes tradicionais das províncias da região litoral do Douro. Porém, em 1984, um incêndio atingiu uma das áreas ocupadas pelo museu. Este foi fechado ao público no ano de 1992 e encontra-se encerrado desde então.
A gestão do imóvel estava sob responsabilidade da Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) que, depois de alguns acordos, foi transferida para os cuidados da Câmara Municipal do Porto. O edifício passaria a ser mais um núcleo do Museu do Porto e viria abrigar o Museu do Livro. A abertura estava prevista para 2024, mas o projeto não foi concretizado.
Brasão de armas da família esculpido em pedra que fica sobre a porta principal. Ao lado direito do brasão temos a heráldica da família de Pedro da Costa Lima e ao lado esquerdo de sua segunda esposa, Teresa de Melo e Alvim.
5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO[editar | editar código-fonte]
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Porta principal do Palácio de São João Novo com destaque para o brasão de armas da família
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Brasão da família de Pedro da Costa Lima, antigo proprietário do Palácio de São João Novo
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Desenho da fachada de São João Novo por Cardoso Vitória Vilanova.
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Interior do edifício, destacando a escadaria.
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Plantas, andar nobre (em cima) e rés-do-chão (em baixo)
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Plantas, quarto piso (em cima) e terceiro piso (em baixo)
6. FONTES E BIBLIOGRAFIA[editar | editar código-fonte]
MARÇAL, Horácio – O Largo de S. João Novo. BASTO, A. de Magalhães – O Tripeiro. Porto: Tipografia Empresa Guedes, n.º 9, V série, ano XII (janeiro de 1957), p. 291-297.
SISTEMA DE INFORMAÇÃO PARA O PATRIMÓNIO ARQUITETÓNICO. Palácio de São João Novo / Museu de Etnografia e História / Museu de Etnologia do Porto. [Consult. 04 Abril 2024] Disponível em WWW: http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=1082 CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO. [Consult. 04 Abril 2024] Câmara pretende reabilitar o Palácio de São João Novo. Disponível em WWW: https://www.porto.pt/pt/noticia/camara-pretende-reabilitar-o-palacio-de-sao-joao-novo
FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime. (2001). A Casa Nobre no Porto na Época Moderna. Lisboa: Edições Inapa.
QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho. (1995). Inventário Artístico de Portugal: Cidade do Porto. Editor: Academia Nacional das Belas-Artes.
SMITH, Robert C. (1969). O Palácio de S. João Novo. Separata da Revista de Etnografia, n.º 21. Porto: Junta Distrital do Porto.