Quinta dos Cónegos: diferenças entre revisões
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Revisão das 20h49min de 26 de maio de 2024



1.Identificação
| Designação | Quinta dos Cónegos |
| Localização | Rua do Souto, Município da Maia, Maia |
| Cronologia | Século XVIII, 1727 a 1737 (construção da Quinta dos Cónegos) |
| Autor(es) | Desconhecida, Nicolau Nasoni (alguns autores cogitam a possibilidade de Nasoni ter sido o autor de alguns elementos arquitetônicos, nomeadamente, o Chafariz do Dragão) |
| Classificação | Desconhecida |
| Localização | Quinta dos Cónegos |
| Horário | Horário: 09:00 - 19:00,
Visitas guiadas: Primeiros sábados de cada mês a partir das 13:00. |
| Site | https://www.visitmaia.pt |
2.Estado Da Arte
A Quinta dos Cónegos ainda é uma arquitetura pouco estudada tanto a nível arquitetónico quanto a nível histórico. Logo, existe pouca produção científica sobre esta arquitetura, A Quinta dos Cónegos é primeiramente mencionada na obra Nicolau Nasoni: o arquiteto do Porto, da autoria de Robert C. Smith. A primeira edição do livro Nicolau Nasoni: arquiteto do Porto foi publicada no século XX, em 1966. Robert Smith foi um historiador da arte que estudou a vida e as obras tanto arquitetônicas quanto escultóricas de Nicolau Nasoni. Por causa dos estudos que Robert Smith fez acerca das arquiteturas de Nicolau Nasoni, Robert Smith levantou a hipótese de Nicolau Nasoni ter sido autor de alguns elementos arquitetônicos na Quinta dos Cónegos, tendo atribuindo a autoria do chafariz do dragão a Nicolau Nasoni.
Em 2012, um artigo científico foi publicado na revista TC: Tribuna de la construcción em que a Quinta dos Cónegos é estudada de um ponto de vista arquitetônico. O título do artigo científico é “Casa en la Quinta dos Cónegos” (2012), da autoria de João Álvaro Rocha. Posteriormente, Liliana Aguiar incluiu a Quinta dos Cónegos em um artigo científico para a revista Revista Cultural da Câmara da Maia. Neste artigo científico a Quinta dos Cónegos é analisada do ponto de vista arquitetônico, assim como o seu patrimônio integrado (a capela). Além disso, também explora brevemente a história da arquitetura. Para além de uma vasta compilação de arquiteturas barrocas que se localizam na Maia, a Quinta dos Cónegos foi a primeira a ser mencionada no artigo, devido a ser o ponto histórico de maior referência na Maia. O título do artigo científico mencionado é “O Barroco no Concelho da Maia: um património a (re)conhecer. Parte um.” (2018). 3.EnquadramentoApesar da Quinta dos Cónegos se localizar no que antigamente era uma zona rural, em termos de patrimônio físico na sua proximidade a Quinta dos Cónegos localiza-se perto da antiga linha férrea de Guimarães. perto da estação da Maia, que atualmente foi reclassificada e agora faz parte do Eco Caminho da Maia.
4.Descrição De um ponto de vista de análise formal, na fachada da Quinta dos Cónegos pode se ver uma das principais características do barroco nacional que era a sobriedade da fachada. Um dos elementos presentes na arquitetura é a presença do movimento, pois as seções laterais à entrada da casa encontram-se mais avançadas enquanto que o centro é mais recuado, criando assim a ilusão de movimento. A entrada da residência tem uma escadaria nobre, que monumentaliza a arquitetura e era um símbolo de poder, e traça o olhar do espectador para a porta principal. Ainda na entrada principal vê-se duas janelas e assim como a porta principal à volta destes elementos criaram-se uma espécie de molduras feitas de pedra que criam um contraste com o reboco branco do restante da fachada. A composição destas molduras envolve linhas retangulares nas laterais e no inferior das janelas, no entanto, no topo prevalece o uso da linha ondulada para criar ritmo a esta fachada. A emolduração das janelas repete-se por toda a fachada, não só no centro do edifício, o que cria harmonia. Contudo, este elemento não fica tão visível no lado esquerdo, pois é ofuscado devido as janelas encontrarem-se num plano mais recuado. Esta arquitetura é de dois registos, no primeiro vê-se arcos de volta perfeita e pilastras de ordem dórica de pequena dimensão que suportam as balaustradas da arquitetura. No segundo registo, existem três balaustradas que são repartidas por pilastras, ou seja, acontece a repetição dos mesmos elementos arquitetónicos do primeiro registo. A presença destas balaustradas demonstram a presença de elementos cenográficos na arquitetura barroca, pois existe uma semelhança estética entre um camarote, o espaço mais elevado no teatro relativamente à plateia. Já na fachada lateral existe uma certa harmonia na arquitetura, devido à repetição constante dos vãos de iluminação. As janelas são decoradas com balaustradas, um frontão composto puramente por linhas onduladas e a presença de espirais enquanto pormenor. Todos estes elementos demonstram a substituição da linha reta pela linha ondulada que aconteceu durante a transição do Renascimento para o período barroco. Toda a cantaria da fachada é composta pela mesma pedra, o que cria um contraste entre o reboco branco utilizado na fachada e os elementos decorativos da arquitetura. Outros elementos decorativos presentes na Quinta dos Cónegos são os pináculos presentes no topo do registo superior da arquitetura. Esta arquitetura é erroneamente designada como fazendo parte da escola de Nasoni, pois “Não há indícios de Nicolau Nasoni ter feito escola, no sentido de formar um grupo de alunos que sob a sua direção executasse um determinado número de obras.” (Smith, 1966, pp. 177), no entanto, existe uma clara presença da influência de Nicolau Nasoni. Contudo, também diversos historiadores de arte também propõem a hipótese de diversos elementos decorativos e arquitetônicos terem sido feitos por Nasoni.
Na quinta também encontra-se uma capela que invoca a sagrada família (José, Nossa Senhora e Jesus), que apesar de ser uma arquitetura bastante simples, de apenas uma nave e dimensões pequenas, o seu verdadeiro esplendor encontra-se no seu interior. No interior encontra-se um retábulo feito de talha dourada e imaginária do século XVII - são representações de José, Nossa Senhora e Jesus. A capela tem um frontão quebrado, com uma cruz presente no centro da capela. A Capela também é referida como a Capela da Sagrada Família, no topo a adornar a sua decoração existem quatro estruturas pinaculares, trabalho em cantaria. A pedra utilizada é o granito. No alçado da capela existe não existe um vão de iluminação, não tendo quaisquer elementos decorativos a não ser por um crucifixo no registo superior, atraindo o olhar para o eixo central, e dois pináculos que encontram-se num nível mais baixo, elevando a arquitetura.
Na Quinta dos Cónegos a única arquitetura que é realmente atribuída a Nicolau Nasoni é o chafariz do dragão, que encontra-se de frente para a quinta, especificamente, no eixo central, atraindo o olhar para o centro da arquitetura. O chafariz do dragão é uma demonstração da “arte total”, pois demonstra a perfeita união da escultura com a arquitetura. A iconografia deste chafariz demonstra como o barroco começou a incorporar elementos iconográficos de outras culturas, neste caso o dragão que é um símbolo bastante presente nas civilizações asiáticas. Para além do chafariz, um dos espelhos de água também incorpora elementos de outras civilizações, nomeadamente, o elemento de onde sai a água assemelha-se a uma máscara das civilizações da América Latina. Os jardins da Quinta do Cónego é o espaço que realmente chama a atenção do público, já que foram produzidos inúmeros artigos jornalísticos acerca do espaço e todos realçam os inúmeros chafarizes e espelhos de água que encontram-se na Quinta dos Cónegos.
5. Fontes e bibliografia
Aguiar, L., (2018, Julho e Dezembro). O Barroco no Concelho da Maia: um património a (re)conhecer. Parte um. Revista Cultural da Câmara da Maia, 3(2), pp. 7 - 26. Disponível em:https://www.cm-maia.pt/cmmaia/uploads/document/file/2828/revista_maia_3__2__issn_2183_8437.pdf.
Azevedo, A., (1939). A Terra da Maia (subsídios para a sua monografia). Porto: Imprensa Moderna, Lda.
Rocha, J. A., (2012). Casa en la Quinta dos Cónegos. TC: Tribuna de la construcción, 112(113), pp. 90 - 111. ISSN:1136-906 X.
Smith, R. C., (1966). Nicolau Nasoni: Arquiteto do Porto. Lisboa: Livros Horizonte.