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Fonte da Praça da Ribeira: diferenças entre revisões

Fonte: Porto Barroco
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Os estudos sobre arquitetura e em específico a hidráulica têm raízes antigas, sendo o tratado de arquitetura de Vitrúvio o mais antigo que chegou até nós. Tanto o desenvolvimento da arquitetura da água quanto da hidráulica provém desde as estruturas romanas até os aquedutos, fontes e chafarizes da época moderna, sendo possível observa-se um notável processo evolutivo que se estende por toda a Europa. Essa evolução está ligada à necessidade de fornecimento de água e à complexidade dos sistemas de distribuição, frequentemente vistos também como símbolos de poder articulando-se com os espaços onde estão inseridos.  (Teixeira, 2011). Contribuindo para a estética de praças, parques, jardins e áreas urbanas e evocando também um sentimento de conexão com a natureza e com os ciclos da vida, as fontes e chafarizes são igualmente espaços de encontros e interação social da comunidade. Atualmente a praça é local de restauração e explanada sendo a praça e a Ribeira um todo foco da cidade e alvo de afluência da coletividade habitante e turista.
Os estudos sobre arquitetura e em específico a hidráulica têm raízes antigas, sendo o tratado de arquitetura de Vitrúvio o mais antigo que chegou até nós. Tanto o desenvolvimento da arquitetura da água quanto da hidráulica provém desde as estruturas romanas até os aquedutos, fontes e chafarizes da época moderna, sendo possível observa-se um notável processo evolutivo que se estende por toda a Europa. Essa evolução está ligada à necessidade de fornecimento de água e à complexidade dos sistemas de distribuição, frequentemente vistos também como símbolos de poder articulando-se com os espaços onde estão inseridos.  (Teixeira, 2011). Contribuindo para a estética de praças, parques, jardins e áreas urbanas e evocando também um sentimento de conexão com a natureza e com os ciclos da vida, as fontes e chafarizes são igualmente espaços de encontros e interação social da comunidade. Atualmente a praça é local de restauração e explanada sendo a praça e a Ribeira um todo foco da cidade e alvo de afluência da coletividade habitante e turista.


Anteriormente à fonte atual há registos escritos que nos dizem que antes da reforma da Praça da Ribeira haveria, ao centro, um chafariz. Enquanto as obras decorriam o chafariz referido foi mudado para junto à antiga Porta da Ribeira, porém por causar incomodo pela criação de lama, vazamento de água na via pública e o barulho em demasia dos aguadeiros, mandaram-na mudar de sítio construindo o chafariz que hoje se encontra no local. Do antigo chafariz mantiveram-se as ordenações. (Santos; Pacheco; Girão & Clare ,2017)
Anteriormente à fonte atual há registos escritos que nos dizem que antes da reforma da Praça da Ribeira haveria, ao centro, um chafariz. Enquanto as obras das renovações urbanísticas decorriam o chafariz, em causa, foi mudado para junto à antiga Porta da Ribeira, porém por causar incomodo pela criação de lama, vazamento de água na via pública e o barulho em demasia dos aguadeiros, mandaram-na mudar de sítio construindo o chafariz que hoje se encontra no local. Do antigo chafariz mantiveram-se as ordenações. (Santos; Pacheco; Girão & Clare ,2017).


A fonte atual é composta por um espaldar e um tanque, colocados junto a uma fachada monumental dividida horizontalmente em três partes. Esta fachada, por sua vez, é subdividida verticalmente por pilastras, rematadas por um entablamento dórico adornado com métopas embelezadas por rosetões, pertencentes à estrutura original. Destaca-se o brasão do rei D. João I, que tinha um grande apreço pela cidade. A fonte possui duas bicas de onde a água caía para cumprir sua função (Silva, 2000).  
A fonte atual é composta por um espaldar e um tanque, colocados junto a uma fachada monumental dividida horizontalmente em três partes. Esta fachada, por sua vez, é subdividida verticalmente por pilastras, rematadas por um entablamento dórico adornado com métopas embelezadas por rosetões, pertencentes à estrutura original. Destaca-se o brasão do rei D. João I, que tinha um grande apreço pela cidade, tendo sido o primeiro a instituir a primeira feira franca na cidade. A fonte possui duas bicas de onde a água caía para cumprir sua função (Silva, 2000).  


A fachada do chafariz segue a mesma lógica e ordem das casas do lado sul, apresentando uma tendência classicizante, evidenciada pelas linhas sóbrias de seu espaldar. Esta tendência posteriormente se acentuaria na cidade através do neopaladianismo. (Santos et al.,2017)  
A fachada do chafariz segue a mesma lógica e ordem das casas do lado sul, apresentando uma tendência classicizante, evidenciada pelas linhas sóbrias de seu espaldar. Esta tendência posteriormente se acentuaria na cidade através do neopaladianismo. (Santos et al.,2017)  
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'''Objeto em destaque'''
'''Objeto em destaque'''


No segundo piso correspondente, há um nicho central onde, originalmente, estava a imagem de São Pantaleão, que foi roubada. Este santo era o padroeiro anterior da cidade. Atualmente, no nicho, encontra-se a escultura de São João Batista, o santo padroeiro atual da cidade, criada pelo artista João Cutileiro. Com 2,30 metros de altura e utilizando mármore e bronze, a escultura representa o santo vestido com pele de cordeiro e segurando um cajado de pastor encimado por uma cruz. Notavelmente, ao contrário da tradição, o santo não segura o cordeiro no colo, pois o artista se inspirou na obra de Leonardo da Vinci (CMP,2021).  
No segundo piso correspondente, há um nicho central onde, originalmente, estava a imagem de São Pantaleão, que foi roubada. Este santo era o padroeiro anterior da cidade. Atualmente, no nicho, encontra-se a escultura de São João Batista, o santo padroeiro atual da cidade, criada pelo artista João Cutileiro. Com 2,30 metros de altura e utilizando mármore e bronze, a escultura representa o Santo vestido com pele de cordeiro segurando um cajado de pastor encimado por uma cruz. Notavelmente, ao contrário da tradição, o santo não segura o cordeiro no colo, pois o artista se inspirou na obra de Leonardo da Vinci (CMP,2021).  


'''5. FONTES E BIBLIOGRAFIA'''  
'''5. FONTES E BIBLIOGRAFIA'''  
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- Viriato Capela, J., Matos, H., & Borralheiro, R. (2009). As freguesias do distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 (Vol. 5, pp. 614–621).
- Viriato Capela, J., Matos, H., & Borralheiro, R. (2009). As freguesias do distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 (Vol. 5, pp. 614–621).


'''6. Imagens'''<gallery>
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File:Fonte da Praça da Ribeira - espaldar e tanque.jpg|Fig.1- Fonte da Praça da Ribeira ou Fonte de S. João.   
File:Fonte da Praça da Ribeira - espaldar e tanque.jpg|Fig.1- Fonte da Praça da Ribeira ou Fonte de S. João.   
File:Detalhe lateral da nomeação do local.jpg|Fig.2- Identificação da praça, na lateral da fonte.   
File:Detalhe lateral da nomeação do local.jpg|Fig.2- Identificação da praça, na lateral da fonte.   

Revisão das 16h30min de 27 de maio de 2024

1. IDENTIFICAÇÃO

Designação Fonte de S. João ou Fonte da Praça da Ribeira
Localização Praça da Ribeira; freguesia de S. Nicolau; cidade do Porto; distrito do Porto
Cronologia Século XVIII (1784/6)
Autor(es) Mandada fazer por João de Almada e Melo, sendo a praça desenhada por John Whithead e fonte executada pelo mestre pedreiro José Francisco.
Classificação Fonte como arquitetura Civil pública
Como chegar S. Bento, Trindade ou Aliados-

A pé- rua de Mouzinho da Silveira e/ou pela rua dos Mercadores

Autocarro- 500 da STCP

Trindade e Aliados

Metro - linha D (amarela)

Autocarros - 905 ou 904


(Ou seguir coordenadas do Google Maps)

Horário de funcionamento Arquitetura civil pública urbana possível visitar a qualquer hora do dia

2. ESTADO DA ARTE

Consulta de livros como: “As nossas memórias: as fontes do Porto” e “Fontes e chafarizes do Porto” revelam uma listagem das fontes mais importantes a nível histórico da cidade do Porto, descrevendo também a sua historia de produção e acontecimentos relevantes.

As memórias paroquiais “As freguesias do distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758”, divulgam a importância do local onde este se encontra (praça da ribeira) e não do objeto em específico já que este é posterior à escrita das memórias.

3. ENQUADRAMENTO

Contexto físico patrimonial de proximidade  

A fonte de S. João situa-se na praça da ribeira (uma longa extensão costeira no rio Douro), adossada ao prédio que se situa entre a rua dos Mercadores e a rua de S. João. À frente da fonte está “o Cubo”, uma obra de José Rodrigues. A praça atual é fruto das reformas urbanísticas de João de Almada e Melo, entre 1756-68, tendo sido esta traçada por John Whithead. O objeto encontra-se a 180m do museu da cidade- Casa do Infante; 300m do Palácio da Bolsa; 450m da Igreja de S. Lourenço e a 550m da Sé do Porto.

4. DESCRIÇÃO

Objeto arquitetónico

Os estudos sobre arquitetura e em específico a hidráulica têm raízes antigas, sendo o tratado de arquitetura de Vitrúvio o mais antigo que chegou até nós. Tanto o desenvolvimento da arquitetura da água quanto da hidráulica provém desde as estruturas romanas até os aquedutos, fontes e chafarizes da época moderna, sendo possível observa-se um notável processo evolutivo que se estende por toda a Europa. Essa evolução está ligada à necessidade de fornecimento de água e à complexidade dos sistemas de distribuição, frequentemente vistos também como símbolos de poder articulando-se com os espaços onde estão inseridos. (Teixeira, 2011). Contribuindo para a estética de praças, parques, jardins e áreas urbanas e evocando também um sentimento de conexão com a natureza e com os ciclos da vida, as fontes e chafarizes são igualmente espaços de encontros e interação social da comunidade. Atualmente a praça é local de restauração e explanada sendo a praça e a Ribeira um todo foco da cidade e alvo de afluência da coletividade habitante e turista.

Anteriormente à fonte atual há registos escritos que nos dizem que antes da reforma da Praça da Ribeira haveria, ao centro, um chafariz. Enquanto as obras das renovações urbanísticas decorriam o chafariz, em causa, foi mudado para junto à antiga Porta da Ribeira, porém por causar incomodo pela criação de lama, vazamento de água na via pública e o barulho em demasia dos aguadeiros, mandaram-na mudar de sítio construindo o chafariz que hoje se encontra no local. Do antigo chafariz mantiveram-se as ordenações. (Santos; Pacheco; Girão & Clare ,2017).

A fonte atual é composta por um espaldar e um tanque, colocados junto a uma fachada monumental dividida horizontalmente em três partes. Esta fachada, por sua vez, é subdividida verticalmente por pilastras, rematadas por um entablamento dórico adornado com métopas embelezadas por rosetões, pertencentes à estrutura original. Destaca-se o brasão do rei D. João I, que tinha um grande apreço pela cidade, tendo sido o primeiro a instituir a primeira feira franca na cidade. A fonte possui duas bicas de onde a água caía para cumprir sua função (Silva, 2000).

A fachada do chafariz segue a mesma lógica e ordem das casas do lado sul, apresentando uma tendência classicizante, evidenciada pelas linhas sóbrias de seu espaldar. Esta tendência posteriormente se acentuaria na cidade através do neopaladianismo. (Santos et al.,2017)

Objeto em destaque

No segundo piso correspondente, há um nicho central onde, originalmente, estava a imagem de São Pantaleão, que foi roubada. Este santo era o padroeiro anterior da cidade. Atualmente, no nicho, encontra-se a escultura de São João Batista, o santo padroeiro atual da cidade, criada pelo artista João Cutileiro. Com 2,30 metros de altura e utilizando mármore e bronze, a escultura representa o Santo vestido com pele de cordeiro segurando um cajado de pastor encimado por uma cruz. Notavelmente, ao contrário da tradição, o santo não segura o cordeiro no colo, pois o artista se inspirou na obra de Leonardo da Vinci (CMP,2021).

5. FONTES E BIBLIOGRAFIA

- Amorim, F. M. R. P. D. (2015). A reconfiguração da malha urbana de Lisboa pela arquitectura civil do abastecimento de água à cidade no século XVIII. Dissertação de mestrado de Arquitetura, apresentada à Faculdade de Arquitetura e Artes Da Lusíada de Lisboa. [Consultado a 25/04/2024] http://repositorio.ulusiada.pt/handle/11067/1551 .

- CMP. (2021, janeiro 10). Histórias da cidade: o escultor João Cutileiro deixou duas obras ao Porto. [Consultado a 25/04/2024]https://www.porto.pt/pt/noticia/historias-da-cidade-o-escultor-joao-cutileiro-deixou-duas-obras-ao-porto .

- Santos, A., Pacheco, L., Girão, M., & Clare, R. (2017). As nossas memórias: as fontes do Porto (Afrontamento, Ed.; Vol. II, pp. 40–44).

-Silva, G. (2000). Fontes e chafarizes do Porto (Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento do Porto, Ed.; pp. 90–94).

-Teixeira, D. (2011). O abastecimento de água na cidade do Porto nos séculos XVII e XVIII: aquedutos, fontes e chafarizes [s. n.], Dissertação de mestrado em História da Arte Portuguesa, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

- Viriato Capela, J., Matos, H., & Borralheiro, R. (2009). As freguesias do distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 (Vol. 5, pp. 614–621).

6. IMAGENS