Igreja de São Francisco de Azurara: diferenças entre revisões
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# CAMPOS, Adalgisa; S. Miguel as Amas do Purgatório e as balanças; U.F.M.G.; 2004; Vista do São Miguel, as Almas do Purgatório e as balanças (ufmg.br) | # CAMPOS, Adalgisa; S. Miguel as Amas do Purgatório e as balanças; U.F.M.G.; 2004; Vista do São Miguel, as Almas do Purgatório e as balanças (ufmg.br) | ||
# FERREIRA, Monsenhor José Augusto - Vila do Conde e o seu alfoz. Origens e Monumentos. Porto: 1923 | # FERREIRA, Monsenhor José Augusto - Vila do Conde e o seu alfoz. Origens e Monumentos. Porto: 1923 | ||
# FREITAS, Eugénio; Vila do conde, 1. Azurara; 1999 | # FREITAS, Eugénio; Vila do conde, 1. Azurara; 1999[[File:Interior da Igreja de S. Francisco.jpg|thumb|Interior da Igreja de S. Francisco de Azurara]] | ||
# FREITAS, Eugénio de Andrêa da Cunha e - «Talha e azulejos da primeira metade do século XVIII em Azurara (Vila do Conde)», in Separata da Revista Bracara Augusta. Braga: 1973, vol. XXVII, fasc. 63 | # FREITAS, Eugénio de Andrêa da Cunha e - «Talha e azulejos da primeira metade do século XVIII em Azurara (Vila do Conde)», in Separata da Revista Bracara Augusta. Braga: 1973, vol. XXVII, fasc. 63 | ||
# GONÇALVES, Flávio - A Talha no Concelho de Vila do Conde, Catálogo da Exposição Fotográfica. Vila do Conde: Câmara Municipal de Vila do Conde, 1968 | # GONÇALVES, Flávio - A Talha no Concelho de Vila do Conde, Catálogo da Exposição Fotográfica. Vila do Conde: Câmara Municipal de Vila do Conde, 1968 | ||
Revisão das 06h20min de 28 de maio de 2024
Não há documentação suficiente para um bom esclarecimento das suas origens, não havendo confirmação da tradição dos templários nesta localidade, estes que mais tarde surgem no convento dos capuchos. Apesar de nada se saber de verdade, o padre Serafim Gonçalves refere na possibilidade da origem do convento numa granja que João Pires da Maia doou aos padres do Bouro como se lê nas inquirições de D. Afonso em 1258, devido ao mosteiro estar no lugar da Granja onde segundo a tradição teve início a tradição de Azurara.

O edifício já existia em 1518, mantendo-se como a casa dos noviços até 1588, data em que o corpo do edifício levou à transferência dos noviços para São Frutuoso, em Braga, onde permaneceram até 1677. A 1674 a igreja é demolida e inicia-se a sua reconstrução que se conclui entre 1750 e 1755.
A igreja contém uma capela de S. Donato, protetor das gentes , estando a igreja muito próxima do mar. A capela contém o corpo oferecido pelo Papa Benedito IV e trazido por Frei Francisco de Azurara.
A 1834, aquando da extinção das ordens religiosas, o mosteiro é vendido a José Monteiro da Silva que doou a Ezequiel Carneiro Pizarro Monteiro, permanecendo na família desde 1930, sendo desde 1990 a igreja propriedade da Ordem Terceira de São Francisco de Azurara.
1. IDENTIFICAÇÃO
| Designação | Igreja e Convento de S. Francisco ( Nossa Senhora dos Anjos, Nossa Senhora da Assunção ou dos Franciscanos Capuchos) |
| Localização | Rua Francisco Gonçalves Monteiro,Azurara |
| Cronologia | Séc XVI, XVII, XVIII |
| Autor(es) | Domingos Carvalho de Santiago de Cossourado (séc. XVIII) |
| Classificação | Património Nacional. |
| Como chegar | https://www.bing.com/maps?osid=ab84d9e7-25e5-4d91-9ce5-bde5442b7a77&cp=41.352394~-8.746169&lvl=16&pi=0&v=2&sV=2&form=S00027 |
2. ESTADO DA ARTE
A igreja encontra-se em bom estado de conservação, não acontecendo o mesmo com o convento, que se encontra sem possibilidade de visitas. Sendo proprietários do convento a família Pizarro Monteiro, e desde 1990 a igreja é propriedade da Ordem Terceira de São Francisco de Azurara.
3. ENQUADRAMENTO
A igreja situa-se num local isolado, numa zona rural, com acesso por uma pequena travessa. Muito próximo do mar sendo S. Donato protetor das gentes do mar. Segundo a tradição aqui teve início a população de Azurara. Muito próximos do edifício existe a Capela de Nossa Senhora das Neves, a igreja Matriz de Azurara.
4. DESCRIÇÃO

A fachada da igreja encontra-se com três arcos de volta perfeita, sendo o vão central maior que os restantes (ambos os vãos protegidos por teias de madeira pintadas de verde). Unindo o vão central a um janelão encontra-se o brasão da ordem dos Franciscanos. O janelão encontra-se ladeado por dois nichos de abóbada de concha, assentes em frisos, com imagens de S. Francisco e S. António. Seguido do entablamento encontra-se no frontão contracurvado, a imagem da Santa Padroeira Nossa Senhora dos Anjos novamente num nicho em abóbada de concha, ladeada por pináculos em forma de balaústre. Numa outra parede, no lado direito, encontram-se duas janelas quadrangulares, com uma janela de sacada com moldura em cantaria e varanda em ferro forjado, de onde se vê a porta- janela em arco abatido. Sobre o remate, a dupla sineira de volta perfeita encontra-se dentro um frontão côncavo de inspiração borromínica, abaixo de uma cruz latina.
A fachada lateral direita, marcada pelo corpo da Capela de S Donato, é dotada por uma janela de capialço e rasgada por uma fresta na face O., tendo sobre o corpo um janela em leque que ilumina o transepto. No corpo da capela-mor há uma segunda janela, a fachada posterior com uma cruz latina no vértice, rasgada por janela retilínea de moldura simples, com mais 3 pináculos e uma janela central rodeada por colunas adossadas toscanas.
Do exterior denotam-se vãos retilíneos e abatidos de emolduramento simples de cantaria. A igreja tem fachadas rebocadas e pintadas de branco, ao correr de socos de cantaria, cercado por cunhais decorados com pilastras e rematados por cornijas.
O telhado é diferenciado entre 2 a 3 águas.
Relativamente ao convento, apresenta uma planta irregular, com alguns corpos da estrutura primitiva, com o claustro rodeado das estruturas à sua volta. De dois pisos, com janelas retilíneas, em arco abatido (estas setecentistas). A fachada principal, virada a N contém frisos em cantaria, cada um de 3 vãos de volta abatida, tendo o piso inferior uma porta e duas janelas no peitoral. Todos os vãos têm molduras simples e remates de pequenas molduras de concheados. A torre de granito rematada com ameias decorativas e contém janelas em eixo trilobado, tendo as do piso superior bíforas.
O edifício é de estrutura maneirista, com uma planta regular, com o convento do lado direito. O interior é coberto por fachadas rebocadas e pintadas de branco, de cobertura de falsa abóbada de berço, também rebocada e pintada. As janelas estão encimadas por sanefas de talha dourada, com lambrequins.
Inicialmente a Galilé apresenta uma cobertura em abóbada de arestas, seguida no interior da Igreja uma nave única encontra-se dividida por um presbitério (ladeado por 2 retábulos laterais colaterais a S Francisco e S. António), encontrando-se também com 4 confessionários embutidos na parede em vãos de volta perfeita.
A tribuna de arco rendilhado e de fundo dourado, depois de 3 degraus e eixos laterais com mísulas, (estas enquadradas em molduras, encimadas por concheado),criam um falso baldaquino tendo na base a porta de acesso à tribuna.
O transepto encontra-se inscrito, com capela de S. Donato adossada tendo vários corpos adossados, estando no lado S uma torre.
A capela de S. Donato, encontra-se depois de um arco de volta perfeita, (este assente em pilares toscanos e capitéis ornados de folhagem), abaixo de uma janela há um emolduramento decorado, com cobertura em abóbada de berço e estruturas de talha.).
A capela-mor encontra-se com pavimento lajeado e abóbada de berço, ornamentada com um enorme rosetão de talha dourada, e de base de 3 degraus. O coro com estante e cadeiral formado de 32 cadeiras, com espaldar retilíneo, encimadas por retábulos com retratos de franciscanos. A sacristia com teto em abóbada de aresta e vãos retilíneos, tal como os dois móveis em que os padres guardariam os amictos e sanguíneos depois das missas, tem a representação da Imaculada Conceição a esmagar a cabeça da serpente infernal, como também um oratório (altar em talha e painel a óleo), com imagem que pertencia a uma antiga capela demolida . No lado da epístola a chegada ao convento desenvolve-se através de um claustro quadrangular.
Património integrado
TALHA
A talha é utilizada para criar esculturas, entalhes e ornamentos em variados materiais como madeira, mármore e pedra. A talha no convento é setecentista, mais precisamente o joanino Tardio, entrando no rocaille. Sendo executada de 1760 até 1777, também por artistas de Landim e suas vizinhanças: João Correia, S. Paio de Seide e Inácio José de Sampaio de Landim, o dourador, um outro mestre Machado de Ruivães.
Em meados do séc. XVIII, as talhas joaninas restringem elementos simbólicos como forma de proveito estético, estrutural e forma de demonstrar grandiosidade e poder da igreja. Esta tendência de despojar os elementos do significado religioso atinge o gosto das irmandades. Assim sobressai pela monumentalidade, requinte e despojamento ornamental.
CAPELA DE S DONATO
De planta côncava. O retábulo de talha dourada com Nossa Senhora da Conceição, tem um eixo definido por 4 colunas salomónicas, assentes em plintos paralelepipédicos. Centralmente, nichos contracurvados e moldura saliente, contém relicários, com fundo pintado com motivos vegetalistas, enrolados e concheados. A estrutura da capela apresenta frisos nos relicários, fragmentos de frontão em espaldar flanqueados por quarteirões e florões, com frontão interrompido por concheada, contendo lambrequins.

RETÁBULOS COLATERAIS DA IGREJA

Estes encontram-se semelhantes com talha dourada, definida por duas colunas torsas, assentes em plintos.
S. Francisco, vestido como um eremita, segurando um crucifixo, que simboliza o amor salvífico de Cristo, crucificado e ressuscitado, impregnado para o caráter devocional. A caveira simboliza a vacuidade da vida, submete à ideia de Cristo morto, do culto e devoção e paixão de Cristo.
S. António, de hábito com no seu colo o menino Jesus em criança que representa a intimidade de Santo António com Cristo e um saco com pão representando o espírito caridoso do santo que distribuiria pão aos pobres.
Objeto ou conjunto em destaque
ALTAR MOR DA IGREJA
No centro em arco abatido com moldura dupla, cornija curva, o espaldar curvo, ornado por volutas. A estrutura mostra um espaldar decorado por enrolamentos e concheados, sobrepujados por UMA cornija. O retábulo mor de talha dourada, tem 3 eixos definidos por 4 colunas salomónicas, assentes em plintos.
Nossa Senhora dos Anjos encontra-se ladeada por São José e Santa Ana. Nossa Senhora dos Anjos é um dos muitos títulos e devoções à Virgem Maria. Era a Santa de devoção de S. Francisco de Assis. Uma pequena Igreja é escolhida pelo santo como sua casa devido a sua veneração pelos anjos e devoção a Maria, é dedicada a Nossa Senhora dos Anjos, numerosas igrejas e instituições Franciscanas são dedicadas a Santa Maria dos Anjos.
Bibliografia
- CAMPOS, Adalgisa; S. Miguel as Amas do Purgatório e as balanças; U.F.M.G.; 2004; Vista do São Miguel, as Almas do Purgatório e as balanças (ufmg.br)
- FERREIRA, Monsenhor José Augusto - Vila do Conde e o seu alfoz. Origens e Monumentos. Porto: 1923
- FREITAS, Eugénio; Vila do conde, 1. Azurara; 1999

Interior da Igreja de S. Francisco de Azurara - FREITAS, Eugénio de Andrêa da Cunha e - «Talha e azulejos da primeira metade do século XVIII em Azurara (Vila do Conde)», in Separata da Revista Bracara Augusta. Braga: 1973, vol. XXVII, fasc. 63
- GONÇALVES, Flávio - A Talha no Concelho de Vila do Conde, Catálogo da Exposição Fotográfica. Vila do Conde: Câmara Municipal de Vila do Conde, 1968
- NEVES, Serafim das - Azurara Vila do Conde - Breve notícia histórica e etnográfica. Vila do Conde: Gráfica Santa Clara, 1964
- NOGUEIRA, Victor; Azurara: Convento de S. Francisco, Kant o Photomático; 2014: https://kantophotomatico.blogspot.com/2014/09/azurara-convento-de-s-francisco.html?m=1
- s.a., MUSEUS E PATRIMÓNIO CULTURAL DA ÁREA METROPOLITANA DO PORTO SOBRE O PROJETO, s. d. PIN - Igreja de S. Francisco de Azurara (portodigital.pt)
- SERENO, Isabel; FIGUEIREDO, Paula; Convento de Nossa Senhora dos Anjos, SIPA; 1994, 2012 Monumentos