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[[File:6DE06372-94E3-4386-AC8B-F88A949BBD81 1 105 c.jpg|left|thumb|304x304px|Capela de São José]] | |||
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Revisão das 07h08min de 27 de maio de 2025

O Convento de Santa Teresa, também referido como Convento das Teresinhas, devido a sua ocupação de religiosas Carmelitas Descalçadas, localiza-se na freguesia de São Vincente, pertencente a cidade e município de Braga, em Portugal.
Identificação
| designação | Convento de Santa Teresa, também conhecido por Convento das Teresinhas. Atualmente denominado como Asilo de São José |
| localização | freguesia de São Vicente, Braga, Portugal |
| cronologia | construção finalizada no ano 1766 - meados do Século XVIII |
| autor(es) | Desconhecido |
| classificação | nenhuma |
Estado da arte
Este edifício viu ainda pouco estudo, certamente causada por uma falta de documentação histórica tal como contemporânea deste espaço. Encontramos sua em menção em catálogos, dicionários e enciclopédias, como na obra de Pinho Leal, Portugal Antigo e Novo. Um outro caso mais contemporânea é a investigação de Flávia Oliveira, nomeada as Teresinhas: O Carmelo feminino da Braga moderna e contemporânea (1766‑1902), mesmo que assume uma investigação histórica, preocupando-se com as condições económicas, sociais e políticas , e não um olhar fundado nas preocupações visuais da historia da arte, e Lucas Ferreira Carneiro com sua obra A agulha e a folha: dimensões espaciais na construção de Braga setecentista.
Enquadramento
Em 1742, um recolhimento feminino é formado pelas religiosas Maria de Jesus e Isabel de Jesus, pertencentes a ordem dominicana, enquadrando-se no recinto da Igreja de São Vítor.. Foi planificado anexar o convento a essa mesma igreja. A passagem de ordem para a dos Carmelitas Descalçados é efetuada um ano depois, em dezembro, 1743, devido a forte devoção entre o recolhimento feminino. (1873, Leal, Pg. 438)
A promoção da edificação do Convento começa em 1756, por licença de Frei D. Aleixo de Miranda, e patrocínio de Pedro Fernandes. Com sua relocalização, as construções iniciam apenas 1763, pós a promoção de D. Gaspar de Bragança, Arcebispo Primaz de Braga. As construções são finalizadas três anos depois, em 1766. (2018, Carneiro, Pg. 174)
A morte da ultima religiosa que tinha ingressado dentro desta casa em 1902, por entanto, estando este complexo conventual na posse de Comendador Fernando Oliveira Guimarães, Governador de Braga, ainda em 1850, por decreto da extinção das ordens religiosas em Portugal no Século XIX, a casa conventual vê se transformada num espaço de solidariedade social. Passará a ser denominada, até período corrente, por Asilo de São José. (Lucas Carneiro, 2018)
Descrição
A estrutura é toda feita em granito, sendo esta de planta retangular, sendo esta coberta por um telhado em aguas furtadas, coberto por telha. A Portuária encontra-se na fachada sul a porta principal do antigo convento. No seu tímpano insere-se um nicho, uma estatua de São José, podemos deduzir, então, que esta foi uma potencialmente. Nota-se também a ondulação aqui presente no pináculo do frontão, e as conchas que encimam as volutas, já referentes ao emergente gosto rocaille. O seu entablamento, apoiado sobre pilastras, recebe um letreiro com o ano de acabamento da obra. Atravessando esta primeira porta leva-nos a um vestíbulo onde permaneceria uma religiosa porteira (no caso dos conventos femininos) guardando as duas entradas. Esta segunda porta segue para a arcada que daria acesso ao claustro, um lanço de escadas dava acesso ao segundo piso do convento. Tendo também um nível de austeridade típica do rigor severo da linguagem arquitetónica da Ordem do Carmo e subsequentes ramos.

Claustro
O Claustro é o espaço central da unidade monástica, todos os membros da casa conventual têm acesso a ele, por essa mesma razão, o espaço conventual vai se articular a volta de esta unidade, e todos as unidades principais poderiam ser acessada por este nexo, tendo elevação, no caso do Convento de Santa Teresa, esta em predominante contacto com o piso superior do convento. (2019, Silva, Pg. 11)
Descendo as escadas, encontra-se o ponto de acesso ao poço, donde provem um elemento vital para a vida monástica, pois grandes partes da limpeza dependeriam da sua utilidade, como a lavagem de louças e a lavagem das roupas, ofício destinado aos religiosos mais novos. A água que bebiam os habitantes desta casa também proviria deste mesmo local.
Encontramos neste espaço a única restante capela de devoção privada ainda no recinto interior do convento, sendo está consagrada a São Joaquim.
Celas
As celas eram locais de intendidos para o repouso, para o estudo e para a oração individual, compondo-se apenas dos moveis básicos para a vida quotidiana. Estes locais eram solitários e, por essa mesma razão, privados. Foram concebidos e propostos pelo Concilio de Trento com o âmbito de que cada religioso/a tenha um espaço individual para cumprir suas meditações, suas leituras, escrituras e penitências recebidas pós a confeção (2019, Silva, Pg. 14).
Os vãos de iluminação que afrentam o exterior do convento garantiam, com sua pequena dimensão e baixo posicionamento, o bom iluminamento das celas, enquanto mantinha as religiosas de ver fora do convento, tal como mantinha que estas sejam vistas. A torre mirante segue esta mesma lógica, sendo um espaço elevado com vão de elevação de maior dimensão que oferecem as religiosas maior visibilidade para o exterior, mas mantém quem esteja presente na torre ocultado a vista de qualquer transeunte ao exterior do convento.
Adega
Na adega, que é agora o museu asilando as mobílias permanecentes, estariam guardados todos elementos produzidos pela casa que necessitavam ser mantidas ao fresco. É neste mesmo local onde se encontra o confessionário, sendo este um elemento de três divisões em comunicação com a igreja anexada ao convento.
Igreja de Santa Teresa

A fachada do portal principal da Igreja de Santa Teresa é composta por um frontão aberto, composto por volutas que são interrompidas por um nicho arcado, onde insere-se o orago, sendo esta Santa Teresa de Jesus, cujo a estátua arquitetónica é assente sobre um trono. A metade desta cúpula corta segue a moldura de uma concha, sendo um dos vários elementos da iminente linguagem do rocaille que iremos encontrar nesta igreja, encimando esta, insere-se um cartucho onde é inserido o emblema da Ordem das Carmelitas Descalçadas. Este entablamento ira se repousar sobre a cornija de um frontão triangular, notamos em suas saliências a influencia do Barroco Italiano, e como afirmação e relembrança de sua presença de edificação deste local, encontramos no cartucho centrado no tímpano da moldura desta porta principal o brasão Arquiepiscopal de D. Gaspar de Bragança. Por natureza de ser uma igreja anexada a um convento feminino, a entrada para dentro do edifício é inserida na lateral.

Podemos definir este espaço como uma igreja ‘salão’. Para o Oeste da única nave, encontramos o confessionário em comunicação com o convento, sobre este esta o coro alto, onde eram sentados membros da alta hierarquia religiosa, este elemento de elevação, tal como as grades presentes entre o arco que separa a capela-mor do corpo da igreja, onde se assentava a audiência, assegurava a separação, durante a liturgia, entre os religiosos e os leigos. Alem de seu parapeito talhado, posicionaria os membros do clero presentes neste espaço ao mesmo nível do Santíssimo Sacramento. Aqui presente esta uma capela radiante consagrada a Nossa Senhora do Carmo, que vai espalhar o retábulo-mor, consagrado a mesma. Este local também daria acesso ao órgão principal, é anexado ao coro alto, onde o revestimento em escaiola é encarado com a logica de um embutido de pedra. Encimando seu pontiagudo frontão triangular, encontra-se no cartucho o brasão arquiepiscopal do Arcebispo Primaz de Braga, D. Gaspar de Bragança, com suporte de dois putti.
Estão presentes duas capelas radiantes no recinto da nave, uma consagrada a São José, presente na lateral Sul, e outra consagrada a Santo António, de estrutura espelhada, presente na lateral norte. Estes altares são inseridos num nicho onde o método da escaiola e da talha dourada são outra vez utilizados. Tendo estes um frontão quebrado, que termina num pináculo piramidal, seu entablamento é assente sobre pilastras onde figuras devocionais são inseridas em nichos. No nicho principal, encontra-se a figura a qual estes altars são consagradas.
O Púlpito é elevado na lateral sul da nave, encontrando-se quase ao centro deste espaço, sendo ele quadrangular, com acesso exterior a igreja, e assente sobre uma mísula. Sua teia saliente é revestida a escaiola e em talha dourada, onde seus ângulos convergentes são ornados com elementos vegetalistas. Ao centro, enquadrado com um baixo-relevo geométrico, encaixa-se a simbólica do olha da providencia rodeado por querubins. Um espaldar recortado e curvo é ornado pela figura do espírito santo, com as mesmas cromáticas escaiolas e talha dourada. Subiam aqui os oradores e os leitores durante a liturgia, estes transmitiam sermões e leituras litúrgicas.

O altar-mor é assente sobre um pódio, degraus são inseridos nesta abertura côncava de granito, flanqueado pelos avanços convexos deste patamar. É composto por um frontão duplo triangular, interrompido por avanços e recuos espelhados, com uma saliência em seu tímpano onde se insere uma grinalda forrada a talha dourada, tal como a cornija. É recortado por formas geometrizante de cromática azul e cor-de-rosa, ambos a tons de pastel. Esta estrutura tem como matéria principal o estuque, utilizando um acabamento em escaiola para ornamentar e nobilitar o material, seguindo a noção de que para deus, ou o divino (isto claramente incluindo os santos, cujo culto é exaltado em resposta as reformas) o melhor, o mais belo, o mais nobre. Em sua base está centrado o sacrário na mesa do altar, do plinto emergem misulas onde são assentes as figuras de Santa Teresa de Jesus e de São João da Cruz. Assente sobre este encontra-se uma arcada composta por uma coluna em eixo e uma pilastra, ambas de capitel compósito, que são espelhadas. Tudo este espaço é de um movimento curvilíneo. O retábulo-mor é consagrado a Nossa Senhora do Carmo.
O coro alto e baixo são ambos acessados pelo convento.

Como sistema de cobertura utilizado é a abobada de berço. Em ambos os espaços da Nave única e da capela-mor, encontramos pintura de teto, respetivamente retratando a transverberação de Santa Teresa e o emblema dos Carmelitas Descalçados. O mestre pintor destas obras é desconhecido.
A sacristia é acessada pela porta lateral da face sul da capela-mor, sendo esta uma peça onde eram guardados os trajes e utensílios litúrgicos. Um sacerdote dito ‘sacristão’ teria como dever guardar e manter o espaço, sabendo este os ritos sacramentais para cuidar dos utensílios necessitados durante as cerimónias. Por natureza do seu uso, e desta presença masculina, não era um espaço cujas religiosas teriam acesso.
Sob a viga das escadas encontra-se o lavabo, espaço de purificação. Com a água desta, os sacerdotes lavavam suas mãos num processo mundificador antes e depois de atender seus deveres litúrgicos. O altar presente tinha o mesmo efeito, sendo que um limpava o corpo, e o outro limpava a alma. O lavabo presente na Igreja de Santa Teresa é formado de pedra de granito, com seu respaldo curvilíneo que termina num pináculo triangular é encimado por uma concha, outra vez notamos aqui presentes soluções do rocaille. Pela esta unidade encontra-se o ponto de acesso para a tribuna.
Imagens



Fontes e Bibliografia
Convento das Teresinhas na base de dados SIPA da Direção-Geral do Património Cultural
Oliveira, Flavia (2017) As teresinhas: O Carmelo feminino da Braga moderna e contemporânea (1766‑1902)
Santana, José Pereira de (1745). Chronica dos Carmelitas da Antiga e Regular Observancia Nestes Reynos de Portugal, Algarves e Seus Dominios
Leal, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho (1873). Portugal Antigo e Moderno: diccionario geographico, estatistico, chorographico, heráldico, arqueológico, historico, biographico e etymologico de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande número de aldeias
Ferreira Carneiro, Lucas (2018). A agulha e a Folha, Dimensões Espaciais na Construção de Braga Setecentista - Livro I
Ferreira Carneiro, Lucas (2018). A agulha e a Folha, Dimensões Espaciais na Construção de Braga Setecentista - Livro II
Rocha, Manuel Joaquim Moreira da (2012). Arquitectura Religiosa Barroca em Braga (Minho): Entre a Tradição e a Modernidade
Silva, Alex Rogério (2019). Espaços de reclusão: a vida conventual feminina em Portugal nos séculos XVI e XVII