Solar Condes de Resende: diferenças entre revisões
Sem resumo de edição |
Sem resumo de edição |
||
| Linha 52: | Linha 52: | ||
<gallery> | <gallery> | ||
File:Solar Condes de Resende - detalhe de um painel azulejar com uma citação de António Lebre.jpg|left|thumb|235x235px|Detalhe de um painel azulejar com uma citação de António Lebre que diz “Foi aqui que Eça começou a enamorar-se de Emília, que veio a ter na vida literária de seu marido notável preponderância”. Esta citação é acompanhada com datação da realização do mesmo painel (1995 – ano queirosiano) e o brasão da família Resende e o brasão da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. | |||
File:Solar Condes de Resende V (49856678136).jpg|thumb|Escultura de Eça de Queiroz. | |||
File:Solar Condes de Resende I (49856138448).jpg|left|thumb|Fachada principal da casa a partir do exterior. | |||
File:Solar Condes de Resende - fonte do Jardim das Camélias.jpg|thumb|243x243px|Fonte do Jardim das Camélias. | |||
File:Solar Condes de Resende - Porta de acesso ao Jardim das Camélias.jpg|left|thumb|218x218px|Porta de acesso ao Jardim das Camélias. | |||
File:Solar Condes de Resende - Corpo Leste.jpg|thumb|Corpo A (leste). | |||
File:Solar Condes de Resende - Escadaria do corpo norte.jpg|thumb|Corpo B (norte). | |||
</gallery> | </gallery> | ||
Revisão das 06h08min de 9 de dezembro de 2025

1. IDENTIFICAÇÃO
| Designação | Solar Condes de Resende / Quinta da Costa / Casa Municipal da Cultura / Casa Queirosiana de Gaia |
| Localização | Portugal, Porto, Vila nova de Gaia, Canelas |
| Cronologia | Foi na época medieval que a construção da arquitetura se iniciou. No século XIII a casa já esta sob o domínio de Tomé da Costa. Século XVIII é adicionado outro corpo que fica perpendicular ao corpo primitivo. Finalmente, em 1984, a residência é comprada pela Comprada pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e são realizadas intervenções para adaptar a arquitetura para que no dia 21 de maio de 1984 pudesse ser utilizada para a Casa da Cultura da Câmara. |
| Autor(es) | s/n |
| Classificação | Inexistente, mas encontra-se sobre propriedade da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia |
| Como chegar? | A partir da Avenida dos Aliados do Porto, apanhar o metro na linha D no sentido Santo Ovídio. Sair na Paragem D. João II e apanhar o autocarro que une a estação aos Carvalhos (via canelas). Por fim, é necessário sair no Agrupamento de Escolas de Canelas (R. Delfim Lima Apartado 512, 4411-701 Vila Nova de Gaia) e caminhar 11 minutos. |
2. ESTADO DA ARTE
São vários os autores a mencionar o Solar Condes de Resende seja pelo seu drama familiar, seja pela presença de Eça Queiroz ou pelos eventos que atualmente este abrega. Mas, Susana Guimarães, numa iniciativa em conjunto com os Amigos do Solar Condes de Resende, realizou uma síntese de toda a história do edifício (conhecida até à data) estudando o edifício em si, a evolução e dinâmica da própria construção, estudar a Quinta como propriedade, produtora de rendimentos e gestora de uma área de domínio definida, avaliando se este fator era a garantida da sua influencia a nível local, seguir a transmissão geracional da propriedade, questão que implica abordagens de foro genealógico, e estudar a sua articulação com o exterior, a sociedade, através das relações dos possidentes com os outros.
3. ENQUADRAMENTO
3.1. Contexto físico patrimonial de proximidade Destaque ao Coreto Paroquial de Canelas (contruído em 1907), classificado como Imóvel de Valor Concelhio desde 1980 que se situa no Jardim de S. João de Canelas, em frente à Igreja Matriz. Não esquecer a Igreja Paroquial de Canelas(1779), que veio substituir um templo que existia no mesmo lugar e apresenta características essencialmente barrocas embora que, ainda são presentes alguns traços renascentistas.
4. DESCRIÇÃO 4.1. Objeto arquitetónico
Desconhece-se a origem da construção do Solar dos Condes de Resende, no entanto, através dos Arquivos Paroquiais do distrito do Porto, foi possível descobrir que este terreno apresenta já algum tipo de presença senhorial desde 1042 – contudo, este terreno compreendia uma área mais alargada do que é atualmente. Esta edificação destaca-se por um barroco mais singelo, mas, nunca deixa de apresentar a extravagância e cenografia tão apreciada por esta burguesia. Atualmente, o visitante depara-se com um edifício composto de três corpos principais que são interligados por ângulos retos que formam um pequeno claustro quadrangular que receciona o sujeito. Em suma, a casa forma um total de dois L sendo que o corpo barroco une todo o complexo pelo exterior e interior.
A casa apresenta dois andares nos quais o rés do chão serviria para funções laborais de domínio agrícola e para cavalarias. Já o andar nobre agregava as funções habitacionais e de lazer. Apesar de simples, esta arquitetura seguiu o “cânone” desta tipologia de casas nobres no barroco onde o andar inferior era ocupado por criados e os seus trabalhos que, neste caso, se prendiam muito a produção têxtil e de gado, enquanto o andar superior fazia jus ao seu nome e era ocupado pelos habitantes da casa e acabava por ser diferenciado para destacar a importância de quem o preenchia. Passando agora para a descrição dos dois corpos principais da arquitetura irei denominá-los de corpo A (leste) e corpo B (norte). O corpo A é o mais antigo, não apresenta grande nobilitação e até causa estranheza em comparação com o corpo adjacente. A fachada é simples e apresenta um andar nobre onde se situavam os quartos residenciais e, diretamente abaixo deles, encontravam-se as cavalarias que forneciam o calor necessário para os seus habitantes. Funcionavam, em conjunto, uma adega e uma pequena arrecadação. As janelas apresentam cantarias pétreas que as destacam da parede branca e, ligeiramente à direita, encontramos uma pedra-de-armas dos Condes de Resende, para deixar claro quem eram os novos proprietários do Solar. O corpo B, apesar de não haver registo de quando o mesmo foi edificado, através das memórias paroquiais de 1758, onde é referido “ambas cazas com foro de fidalgos, aparentados com muitas casas ilustres, respeitadas de toda a Provincia” e, antes disso, ainda menciona a Capela de São Tomé que se encontra no edificado. Ou seja, já são referidas duas casas já no terceiro quartel do século XVIII e a capela, então, podemos concluir que a mesma deve ter sido contruída dentro dessas mesmas datas porque confronta outras fontes que apenas referem um corpo existencial. O corpo B é realçado através de uma escadaria cenográfica que encontra uma loggia suportada por colunas dóricas que é ampliada para esta comunicar com a capela de S. Tomé. Nesta fachada, surgem janelas com cantarinhas pétreas com forma de volutas e franjas de cortinados realizadas por pedreiros de Canelas. No lado norte, voltado para o jardim das Camélias, é também decorado com ornatos nas janelas e na porta com acesso ao jardim é introduzida uma escadaria semicircular para dar ênfase a uma entrada mais dramática. Passando para o Jardim das Camélias, é uma área de refresco com uma pequena forte com paredes ondulares concavas e convexas, que realçam esta ideia de dinamismo plástico e a sumptuosidade. No lado leste existe uma horta comunitária (ainda ativa) com várias espécies e o restante de um lavadoiro.
Apesar das intervenções realizadas pela Câmara Municipal de Gaia, houve uma preocupação em manter o interior original. As abóbadas são de madeira com motivos geometrizantes, as janelas eram acompanhadas com namoradeiras em pedra para os visitantes poderem usufruir das suas conversas com cenários vegetativos e, no caso daquelas que se encontravam no lado oeste, para terem uma vista privilegiada para o mar.
As salas e o salão nobre (todos localizados no corpo B) eram posicionados no andar nobre.
4.2. Património integrado Realçar o jardim das Japoneiras ou das Camélias com exemplares com 300 anos e, a Estátua de Eça de Queiroz (mais recente) que se enamorou nesta mesma casa por emília de Castro Pamplona. Este espaço encontra-se atualmente na inventariação da coleção de Marciano Azuaga. Também importante destacar o valor do património fundiário e de herança da casa que já atravessa longos séculos e como as identidades de várias famílias acabaram por influenciar Canelas e a própria arquitetura do Solar.
5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO
-
Detalhe de um painel azulejar com uma citação de António Lebre que diz “Foi aqui que Eça começou a enamorar-se de Emília, que veio a ter na vida literária de seu marido notável preponderância”. Esta citação é acompanhada com datação da realização do mesmo painel (1995 – ano queirosiano) e o brasão da família Resende e o brasão da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.
-
Escultura de Eça de Queiroz.
-
Fachada principal da casa a partir do exterior.
-
Fonte do Jardim das Camélias.
-
Porta de acesso ao Jardim das Camélias.
-
Corpo A (leste).
-
Corpo B (norte).
6. FONTES E BIBLIOGRAFIA · Capela, José Viriato (2009). “Portugal nas memórias paroquiais de 1758: As freguesias do distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 – memórias, história e património. Vol. 5”. Braga: [Edição do autor]. ISBN 978-972-98662-4-1 (pg. 757-758)
· Cardoso, Rúben Ricardo Oliveira (2020). “Continuidade pela transformação: o solar dos condes de Paço Vitorino”. Dissertação de Mestrado em Arquitetura apresentada a 29 de abril de 2020 na Universidade Lusíada do Porto.
· Costa, V. B. da (junho de 2014). “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: A Capela de Santo Ovídio”. Edição nº 78 – 13º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 5-13).
· Fernandes, João Luis (2023). “A coleção Marciano Azuaga: Gaia e Porto na segunda metade do século XIX e primeira década do século XX”. Dossiê temático “Museologia: diálogos e encontros ibéricos”. Edição nº16.
· Ferreira-Alves, Joaquim Jaime B. (2001). “Coleção Portucale: A casa Nobre no Porto na Época Moderna”. Lisboa: Edições Inapa. ISBN: 972-8387-91-1. (pg. 119-122)
· Gonçalves, Flávio (1984). “Revista do Gabinete de História e Arqueologia de vila nova de Gaia: Mestres de pedraria gaienses que trabalharam, no século XVIII, na “Torre de Garcia D’Ávila””. Edição s/n – 2º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 259-271).
· Guimarães, J. A. (1995). “Eça de Queiroz e os Condes de Resende”. Vila Nova de Gaia: Casa Municipal de Cultura. Solar dos Condes de Resende.
· Guimarães, J. A. G. e Guimarães, Susana (dezembro de 2011). ”Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia: Vila nova de Gaia e as Invasões Francesas”. Edição nº 13 – 13º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 22-33).
· Guimarães, Susana (junho de 2012). “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: O Solar Condes de Resende e os Cavalos”. Edição nº 74 – 12º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 27-33).
· Guimarães, Gonçalves (dezembro de 1993). “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: Jardins de Vila Nova de Gaia”. Edição nº 36 – 6º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 11-16).
· Guimarães, Gonçalves (junho de 1996). “Boletim da Associação Cultural amigos de Gaia: Títulos nobiliárquicos de Vila Nova de Gaia – II”. Edição nº 41 – 6º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 23-27).
· Guimarães, Susana Cristina Gomes Gonçalves (2005). “A Quinta da Costa em Canelas. Vila Nova de Gaia (1766-1816): Família, Património e Casa.” Dissertação de mestrado em Estudos Locais e Regionais, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto. ISBN: 972-99222-1-7.
· Madureira, Nuno Luís, Cidade: Espaço e Quotidiano (Lisboa, 1740-1830), Lisboa, Livros Horizonte, 1992.
· Miranda, A. I. F. (dezembro de 2005). “Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia”. “Peças de fiação e tecelagem do Solar Condes de Resende”. Edição nº 61 – 10º Vol. Vila Nova de Gaia. (pg. 25-33).