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Santuário de Santa Rita: diferenças entre revisões

Fonte: Porto Barroco
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Revisão das 13h02min de 26 de maio de 2024

Designação Igreja de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa e de Santa Rita / Santuário de Santa Rita
Localização Quinta da Formiga 4445-485 Ermesinde, Porto
Cronologia Séculos XVIII/ XIX
Autor(es) Desconhecido
Classificação Não tem
Informações: +info: 22 113 0232

E-mail: secretaria@santuariodesantarita.pt

Como chegar- Autocarros: 5011, 705 | Comboio: Direção Marco de Canaveses/ Penafiel

Horário Segunda- Sábado: 8:00-12:00h, 14:00-19:00h

Domingo: 7:00-12:00h, 14:00-19:00h

Estado da Arte

Imagem Noturna Fachada do Santuário de Santa Rita

O Santuário de Santa Rita, também conhecido como Igreja de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa e de Santa Rita, situado em Ermesinde, cidade do distrito do Porto, em Portugal, é um dos pontos de peregrinação mais visitados da região norte e centro do país. A Igreja seria dedicada à Beata Virgem Maria, mas com invocação à Nossa Senhora do Bom Despacho, também desde o início, à referência a Santa Rita de Cássia, que desde sempre foi venerada por esta Congregação e cujo nome sobrepôs o da invocação. Este local também desempenha um papel crucial na vida comunitária e cultural da localidade de Ermesinde.

A construção do convento terá sido iniciada a 1749, mais precisamente a 12 de outubro. No entanto, tudo começou em 1745 quando Francisco Silva Guimarães, capitalista portuense, e a sua esposa fizeram uma doação da sua quinta de recreio, com o nome de Quinta da Mão Poderosa, situada no Lugar da Formiga, na antiga freguesia de S. Lourenço de Asmes, atual freguesia de Ermesinde, à Congregação dos Eremitas Descalços de Santo Agostinho. Essa doação vinha com a condição de aí fundarem uma igreja e um convento ou hospício, em que os mesmo e os seus descendentes seriam sepultados e onde rezariam duas missas diárias em seus nomes. Inicialmente foram construídos os Dormitórios do Convento, de seguida foi erguida a Igreja, sob as ordens do Frei António da Anunciação, doutor de Teologia e professor da Rainha D. Vitória. A escritura terá sido realizada a 6 de julho de 1745 tendo como outorgantes os doadores e Dr. Frei José do Nascimento, como procurador do Rev. P.e Mestre Dr. Frei António da Anunciação, Vigário Geral da Congregação.

Muito possivelmente já existia uma ermida no local por volta de 1745, mas nos fins do séc. XVIII e inícios do séc. XIX foi substituída pelo atual Santuário de Santa Rita. Em 1747, após Francisco Aranha Ferreira contestar uma doação, foi preciso solicitar autorização ao rei D. João V e em gratidão pelo apoio real, a congregação religiosa decidiu colocar o convento sob a proteção da rainha D. Maria Ana d'Áustria, colocando como homenagem, uma águia bicéfala e o brasão imperial da casa de Áustria na fachada da igreja e em muitos outros locais ao redor do santuário. Por essa razão podemos observar a arquitetura barroca da época deste rei por toda a sua estrutura.

Enquadramento

Inscrição

  A escolha do local e o design do santuário foram influenciados tanto pela necessidade funcional quanto pela intenção de criar um espaço que refletisse a devoção e o respeito pela santa. Mais tarde, durante o cerco do Porto entre 1832-33, este convento e igreja teve um papel muito importante para o concelho, pois serviu como hospital às tropas miguelistas, conhecido como hospital da formiga, sabe-se que o próprio D Miguel esteve no local várias vezes em visita às suas tropas. No adro da igreja podemos encontrar uma inscrição que diz: “Aqui repouzam os restos mortais de humildes e desconhecidos soldados que sacrificados nas lutas liberaes entre D. Pedro e D. Miguel  pela ocasião do Cerco do Porto (1832-1834) foram sepultados em vala comum no adro d’esta egreja. R.I.P”, por isso sabe-se que em frente à entrada da igreja vários foram os soldados depositados em vala comum durante a guerra civil.

Este espaço terá servido para diferentes funções ao longo dos séculos, inicialmente apenas como igreja e convento, mais tarde como hospital. Mais tarde, a 30 de maio de 1834, com a extinção das ordens religiosas, foi encerrado o Real Convento de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa, o que fez anos mais tarde, em 1842,  José Joaquim da Silva Pinto adquirir o convento em um leilão público e fundando assim o Colégio da Formiga no local. Em 1848, esse colégio foi fechado. Em 1877, o antigo convento passou a sediar a secção masculina do Colégio de Paço de Sousa, mudando de nome para Colégio do Espírito Santo. Durante todos estes anos a igreja pertencia ao Estado, no entanto no mesmo ano foi integrada ao colégio reaberto. Em 1910, o Colégio do Espírito Santo foi encerrado e a 28 de dezembro de 1912, através de um despacho presidencial, foi autorizada a instalação de um ensino privado secundário no edifício, que passou a chamar-se Colégio de Ermesinde, onde até hoje é conhecido por esse nome e se encontra ainda aberto.

A 1948 a igreja e santuário passam a ser propriedade da diocese do Porto, onde até hoje lhe pertence. Desde a sua fundação, o santuário tem sido um centro de atividades religiosas e sociais. Este local atrai peregrinos durante todo o ano, especialmente em torno da festa de Santa Rita em 22 de maio, mas também é utilizado para diversos eventos comunitários, como concertos, palestras e encontros. O Santuário de Santa Rita faz parte da rota do peregrino, rota esta criada pelo município de Valongo, em que vários peregrinos todos os dias a realizam. Este local é alvo de diferentes manutenções. A arte sacra e os elementos decorativos do santuário, como retábulos, pinturas e esculturas também são cuidadosamente preservados.

O Santuário de Santa Rita é um marco arquitetónico muito importante não só para a

cidade como para o distrito. Onde até hoje pessoas de todos lugares vêm visitá-lo não só pela sua arquitetura barroca como pela sua história. Um marco muito importante para este edíficio aconteceu a 26 de novembro de 1956, quando D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto declara este espaço como Santuário Diocesano, marco muito importante para este local. Embora o Santuário de Santa Rita seja um marco arquitetónico e histórico essencial para Ermesinde e para o distrito do Porto, curiosamente, até hoje não foi oficialmente classificado como monumento protegido, o que ressalta a importância de conscientização sobre seu valor patrimonial e cultural.

Descrição

        A arquitetura do Santuário de Santa Rita é de estilo barroco, da época de D. João V, com o interior com influências neoclássicas. O edifício total do convento é constituído por três vastos corpos, sendo que o quarto é a igreja.  Edifício de linhas sóbrias e austeras, sem muitas decorações, duas torres sineiras, simétricas, em tons de branco e bege, com materiais como cal e granito. A sua construção terá sido iniciada pelas fachadas poente e norte, uma vez que a igreja e a fachada nascente a sul são mais recentes.

        Inicialmente, segundo o primeiro diretor do colégio, o convento não teria uma igreja, mas sim uma pequena capela na ponta sul a poente, mas foi rapidamente substituída pela igreja, construída nos séc. XVIII e XIX.

Fachada Santuário de Santa Rita

Edifício amplo de planta longitudinal, com apenas uma nave. A entrada da igreja é antecedida por uma grande escadaria que nos leva à fachada principal de linhas simples com um frontão triangular, interrompido e encimado por nicho com uma escultura  em pedra de Santo Agostinho. Mais acima podemos observar a Águia Bicéfala, símbolo da Casa Imperial da Áustria. Nas cabeças da águia seguram no bico, a da esquerda, um tinteiro com caneta de pena, símbolos da Regra dos Agostinhos Descalços: a Sabedoria e a Disciplina e a da direita, um cinto de cabedal com fivela.  Planta de nave única é complementada por capelas laterais, e uma capela-mor de forma retangular, mais baixa e estreita que a nave.  Ao longo de todo o exterior do edifício podemos observar elementos arquitetónicos como cornijas em remate, molduras dos vãos, grades das janelas em ferro e cobertura exterior em telha.

  Património Integrado

        Atualmente entrando na igreja podemos logo observar os belíssimos azulejos azuis e amarelos, que tendo em conta uma análise de antiga fotografias, podemos perceber que foram colocados no séc. XX ou XIX.

O interior com um amplo espaço, seis altares laterais, inicialmente com as capelas do lado esquerdo de Jesus o senhor da Cruz, S. José e Altar do Coração de Maria e do lado direito de S. Pedro de Alcântara, Coração de Jesus e Santa Rita de Cássia. Atualmente podemos encontrar:

  • Altar do Senhor na Cruz;
  • Altar de S. José;
  • Altar de Nossa Senhora de Fátima;
  • Altar do Sagrado Coração de Jesus;
  • Altar de Santo António;
  • Altar de S. Nicolau de Tolentino;
Altar Senhor da Cruz
Altar de S. José
Altar de Nossa Senhora de Fátima
Altar do Sagrado Coração de Jesus
Ficheiro:Altar- Santuário de Santa Rita.jpg
Altar de Santo António
Ficheiro:Capela lateral- Santuário de Santa Rita.jpg
Altar de S. Nicolau de Tolentino
Erro ao criar miniatura:
Arco triunfal- Santuário de Santa Rita

Na parte superior da igreja, junto ao clerestório, vemos seis pinturas com a vida de Santo Agostinho, pintadas no séc XVIII. Há entrada, na parte superior vemos um coro com caxetões, no entanto esta zona sofreu diversas alterações, tendo inicialmente colunas usadas como suporte, mais tarde sendo retiradas e substituindo por completo o coro devido à insegurança da estrutura. Na cabeceira podemos observar um arco triunfal, com o símbolo da coroa real devido ao patrocínio do rei para a construção do convento e da igreja.  

Ficheiro:Clerestório- Santuário de Santa rita.jpg
Clerestório

        O altar principal foi construído mais tarde, no final do século XIX. Inicialmente, estava pintado de branco com detalhes finos que imitavam dourado, mas mais tarde recebeu uma camada de pintura castanha que faz lembrar a madeira, no entanto na década de setenta do século XX acabou por ser substituída por um tom verde que agora podemos observar quando visitamos o santuário. Neste altar-mor existia apenas uma ára, onde se elevava uma estátua de madeira, de um tamanho um pouco maior que normal, da nossa senhora do Bom despacho.

Na capela-mor, inicialmente existiam dois enormes quadros com seis metros de altura e três de largura, de autor desconhecido, onde um deles nos apresentava a família sagrada e outras com as figuras de S. José Joaquim e do Profeta Zacarias. Atualmente no retábulo da capela-mor sobressaem as figuras de Santo Agostinho, representado com os símbolos episcopais e um coração ardente na mão, um ícone do amor por Jesus Cristo e de Santa Mónica, sua mãe. Ao centro, destaca-se a imagem de Nossa Senhora do Bom Despacho.

Ficheiro:Altar-mor Santuário de Santa Rita.jpg
Altar-mor Santuário de Santa Rita

Ao longo do edifício podemos observar vários pormenores, como as sanefas em madeira a imitar mármore e em talha, os dois púlpitos com talha dourada e as pias à entrada do espaço.

Ficheiro:Sanefa- Santuário de Santa Rita.jpg
Sanefa- Santuário de Santa Rita
Ficheiro:Pia- Santuário de Santa Rita.jpg
Pia
Ficheiro:Coro- Santuário de Santa Rita.jpg
Atual Coro
Erro ao criar miniatura:
Púlpito
Objeto ou Conjunto em Destaque

O objeto que se destaca neste edifício são os azulejos que podemos ver ao redor da igreja, do século XX ou XXI. A azulejaria tem um papel muito importante para o nosso distrito e para o nosso país, por isso, ter uma igreja em que os azulejos se destacam e servem como grande parte do revestimento do interior do edifício, destaca-se bastante no local.

Atualmente a parte mais importante  para todos os peregrinos é a estatuária do séc. XVIII, de Santa Rita de Cássia, com o estigma na fronte, palma com três coroas e crucifixo na mão esquerda. De modo a destacar esta estatuária, adaptou-se um espaço no séc. XX foi necessário reforçar toda a estrutura do telhado, que estava em risco de desabar devido ao estado de deterioração das vigas principais que o sustentam.

Ficheiro:Azulejos- Parede do Santuário de Santa Rita.jpg
Revestimento das Paredes em Azulejo
Erro ao criar miniatura:
Estatuária de Santa Rita de Cássia Séc. XVIII

Fontes:

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=29974

https://www.santuariodesantarita.pt/santuario/historia/

https://www.cm-valongo.pt/descobrir/marcas-de-valongo/santuario

https://www.jf-ermesinde.pt/pages/600?poi_id=19

https://earth.google.com/web/search/Santu%c3%a1rio+de+Santa+Rita+de+C%c3%a1ssia,+Ermesinde/@41.20609609,-8.54169927,164.59646921a,85.95277134d,35y,0h,0t,0r/data=CigiJgokCXxv-JCgmkRAEbwKamk2mkRAGY9Z8DJVEyHAIQzJntQ6GCHAOgMKATA Bibliografia:

Bibliografia:

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  • Cabrita, António; Silva; Maria, Monografia do Concelho de Valongo, 1973;
  • Câmara Municipal de Valongo, Concelho de Valongo;
  • Câmara Municipal de Valongo, Anuário Municipal 2000/2001; 2000/2001;
  • Camilo, Joaquim, História de Valongo, 1982;
  • Cleto, Joel, O Vale Sagrado - Património Religioso no Concelho de Valongo, 1º edição, 2024;
  • Colégio de Ermesinde, Plano Educativo 2020-2024; 2020;
  • Reis, Joaquim, A Villa de Vallongo; 1904;
  • Silva, Avelino, Santuário de Santa Rita: Igreja e Convento dos Agostinhos : uma história de gerações, Ermesinde : Colégio de Ermesinde, 2015;
  • Silva, Susana, Conceção de itinerário de turismo religioso para a cidade de Valongo, Universidade de Aveiro, 2011;
  • Soares Jacinto, Boletim Municipal, Ermesinde Um Pouco da sua Remota História, julho- setembro, 1988;
  • Teixeira, Joana, O Turismo Geocultural como estratégia para a valorização territorial do Concelho de Valongo, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2017;