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Igreja Paroquial de Santa Marinha: diferenças entre revisões

Fonte: Porto Barroco
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== '''Descrição''' ==
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[[File:Visão do frontão da igreja.jpg|thumb|Fachada Norte da Igreja]]
A Igreja Paroquial foi construída  no século XVI, no local da antiga capela medieval, mas durante o século XVIII  e XIX foram realizadas reformas na fachada e no seu interior. As primeiras  reformas foram ordenadas pelo Cabido da Sè do Porto, em que a igreja era  vigairaria, e que teria a responsabilidade de a conservar, confiando este  trabalho no arquiteto Italiano de sua confiança, Nicolau Nasoni. As obras  estenderam-se durante, aproximadamente 17 a 20 anos, sendo que teriam  começado a 16 de novembro de 1745, que começou pelos trabalhos de  carpintaria, ferragem e telhados e em 1750 iniciam-se as obras na sacristia e  a construção de 5 altares na igreja.
A Igreja Paroquial foi construída  no século XVI, no local da antiga capela medieval, mas durante o século XVIII  e XIX foram realizadas reformas na fachada e no seu interior. As primeiras  reformas foram ordenadas pelo Cabido da Sè do Porto, em que a igreja era  vigairaria, e que teria a responsabilidade de a conservar, confiando este  trabalho no arquiteto Italiano de sua confiança, Nicolau Nasoni. As obras  estenderam-se durante, aproximadamente 17 a 20 anos, sendo que teriam  começado a 16 de novembro de 1745, que começou pelos trabalhos de  carpintaria, ferragem e telhados e em 1750 iniciam-se as obras na sacristia e  a construção de 5 altares na igreja.



Revisão das 13h41min de 26 de maio de 2024

Designação Igreja Paroquial de Santa Marinha
Localização Vila Nova de Gaia, União de Freguesias de Santa Marinha e São Pedro da Afurada, Largo Joaquim Magalhães, Rua de Santa Marinha.
Cronologia Século XVI, XVII - último quartel do século; XVIII – 1745 a 1766; Século XIX – 1883 a 1895
Autor(es) Nicolau Nasoni (arquiteto)
Classificação Imóvel de interesse público
Como Chegar Para visitar a igreja, é possível utilizar os autocarros 906 (Madalena) e 901 (Valadares) na Avenida dos Aliados e sair na paragem da GNR, sendo apenas necessário caminhar oito minutos para a Igreja. Outro caminho possível seria entrar no metro da Avenida dos Aliados, atravessar a Ponte Luís I, sair na paragem do Jardim do Morro e descer para o Cais de Gaia, que seria uma caminhada de 12 minutos.


https://maps.app.goo.gl/Zmn5xA8cZ2pjjWHM7

Contexto físico patrimonial de proximidade A igreja está inscrita na área das caves do vinho do porto, no cais de gaia. Também está próxima do Museu WOW (World od Wine), da Ponte Luís I e do Mosteiro da Serra do Pilar.

Descrição

Fachada Norte da Igreja

A Igreja Paroquial foi construída no século XVI, no local da antiga capela medieval, mas durante o século XVIII e XIX foram realizadas reformas na fachada e no seu interior. As primeiras reformas foram ordenadas pelo Cabido da Sè do Porto, em que a igreja era vigairaria, e que teria a responsabilidade de a conservar, confiando este trabalho no arquiteto Italiano de sua confiança, Nicolau Nasoni. As obras estenderam-se durante, aproximadamente 17 a 20 anos, sendo que teriam começado a 16 de novembro de 1745, que começou pelos trabalhos de carpintaria, ferragem e telhados e em 1750 iniciam-se as obras na sacristia e a construção de 5 altares na igreja.

A planta da igreja é composta pela nave única, capela-mor, a sacristia na fachada sul, um anexo adossado à fachada norte e uma torre sineira na lateral da fachada sul. O portal da fachada é rematado de um arco abatido saliente, encimado por um óculo com vidro policromado com um desenho de uma cruz. O óculo é enquadrado numa moldura com um par de volutas e, no topo, novamente um arco saliente. No cimo do frontão triangular, no centro de dois obeliscos, está colocada uma cruz trilobada sobre uma alta peanha de volutas.

Nos extremos da fachada estariam duas torres sineiras de planta poligonal, em que as suas bases foram construídas até ao nível da cornija da fachada. As bases das torres são um pouco recuadas da fachada, o que se pode atribuir a uma característica comum de construções ligadas à Ordem de São Bento. A raridade da utilização da forma poligonal das torres, suscita interesse e, por exemplo, o autor Robert Smith apresenta a possibilidade do plano das torres terem sido influenciadas pela igreja de São Francisco do Ouro Preto (Correia, 1994).

Devido à falta de ajuda monetária do cabido, as duas torres nunca foram concluídas, sendo apenas uma torre sineira finalizada no século XIX. Em 1883 foi apresentada a proposta da construção da torre sineira pelo Juiz Joaquim Augusto da Silva Magalhães e o desenho da mesma foi efetuado por Joaquim Pereira de Mattos. O projeto da torre incluía: a construção da torre segundo o alçado até à cúpula; a reforma dos velhos degraus com novas medidas; o fornecimento de uma porta nova de castanho pintada com a respectiva ferragem; a construção do telhado e o revestimento da cornija com argamassa de cimento e areia para impedir a infiltração de água. Em 1894, o projeto de Joaquim Pereira Mattos é finalizado, porém são aprovadas duas alterações ao projeto, adicionando-se o relógio sobre a torre e a realização de quatro mostradores (Correia, 1994).

O interior é constituído por uma longa nave coberta de abóbadas de berço, com arcos duplos de granito que assentam em frisos e cornijas de cantaria, que correspondem às pilastras dóricas nas paredes. A iluminação da nave é conseguida por um clerestório.

Na entrada da igreja, protegido por uma grade metálica com elementos vegetalistas dourados e, ao centro, uma concha com inscrição, está o batistério. Acima da estrada, está o coro-alto, uma estrutura já do século XIX, com balaustrada de madeira, porta de madeira adornada e pintada de branco e dourado com o acesso à torre sineira e o Órgão de tubos na lateral norte.

Ao longo das laterais da nave encontram-se quatro pequenas capelas, em que três delas são nichos contracurvados com molduras de elementos clássicos e vegetalistas, pintadas e adornadas de talha dourada. Nas suas laterais estão presentes esculturas de santos pousadas sobre peanhas. A última capela da lateral esquerda é profunda, fechada por um pequeno portão de madeira, em que no seu interior está um altar em forma de arco triunfal de volta perfeita, pintado a branco e adornado com talha dourada.  No centro está Cristo Crucificado e, aos seus pés, Nossa Senhora das Dores.

A capela-mor é coberta por uma falsa abóbada de berços com paredes pintadas de branco e, nas laterais, apresenta painéis azulejares figurativos, com cenas do Antigo Testamento. Por cima dos painéis estão vãos de iluminação gradeados e com balaustradas de madeira, envolvidos por molduras pintadas de branco e dourado. Entre os vãos foram colocados retábulos embutidos em molduras de motivos vegetalistas e talha dourada. O altar-mor é uma estrutura convexa, ricamente decorada com vários motivos, tais como elementos vegetalistas que cobrem as formas arquitetónicas, como as colunas salomónicas. No seu centro apresenta o retábulo, já do período neoclássico, sendo que o original desapareceu.

Património integrado

A nave da igreja, é revestida de azulejo de padrão azul de fundo branco com elementos vegetalistas e arquitetónicos. Três das quatro capelas são exuberantemente decoradas com molduras de talha dourada e detalhes vegetalistas como folhas de acanto, elementos clássicos e concheados, sendo que a quarta capela apresenta uma forma diferente, esta é profunda e o altar é em forma de arco triunfal de volta perfeita, decorado com folhas de acanto e elementos classicizantes como as colunas jónicas. O teto do batistério é decorado com estuque pintado de azul e dourado, e apresenta um retábulo com o Batismo de Cristo representado. O Órgão da Igreja apresenta “uma caixa de madeira decorada com pintura dourada, os tubos são de palheta e os tubos centrais são dispostos em leque, com a consola em janela, teclado e nove registos de cada lado” (Figueiredo, 2015).

A capela-mor é ricamente adornada com painéis azulejares nas laterais norte e sul. Ambos os painéis são emoldurados por uma cercadura de folhas de acanto, pequenos putti e albarradas e, são divididos entre a cena principal ao centro e, à esquerda e direita, a representação de dois dos quatro evangelistas. O painel na lateral Norte retrata a Coleta do Maná, acompanhada de São Mateus e São Marcos, enquanto o painel da lateral Sul apresenta o sacrifício de Melquisedeque, acompanhado por São João e São Lucas. Os quatro retábulos, inscritos nas molduras negras e douradas, são do século XVII anteriores às obras de Nasoni. Os retábulos na lateral Norte representam os episódios da fuga para o Egito e o Nascimento de Cristo, já na lateral Sul são representados a Anunciação e a Adoração dos Reis Magos.

O altar-mor cobre a parede leste da igreja e submerge a capela num tom dourado, devido à aplicação da talha na estrutura que emoldura o retábulo-mor. A estrutura é repleta de elementos vegetalistas e clássicos e, no céu centro, o retábulo de Manuel Araújo e António José da Silva, que representa a Circuncisão de Cristo.

Retábulo-mor

O objeto a destacar é o retábulo-mor, devido ao seu rico programa decorativo. O altar é uma estrutura convexa, embutida na parede leste da igreja, totalmente repleto de elementos vegetalistas e clássicos, salientando as folhas de acanto que adornam as colunas salomónicas, que relembram as colunas do Baldaquino de São Pedro em Roma, os frontões semicirculares e no entablamento ligado ao sacrário. Outros motivos decorativos incluem anjos no topo dos frontões, já referidos, e pequenas cabeças aladas de querubins. As esculturas dos quatro santos estão dispostas em peanhas.

O retábulo central, representa a Circuncisão de Cristo, um tema muito incomum nas igrejas de Portugal. Um dos detalhes interessantes na pintura é o Arcanjo São Miguel armado, na esquerda, que com a ajuda de outro anjo, seguram uma figura circular com a inscrição “IHS” e, também, no topo da pintura está a representação de Deus como um ancião e um elemento triangular na cabeça. Esta representação de Deus, faz uma relação direta com o triângulo radiante, no topo e centro da estrutura do altar-mor.  

Estado da Arte

A Igreja Paroquial de Santa Marinha é mencionada no volumes um, dois e quatro de “Obra de talha dourada, ensamblagem, e pintura na cidade e na diocese do Porto”, de Domingos de Pinho Brandão, em que se relatam os contratos efetuados para obras como retábulos, entalhamento e arranjo do órgão da igreja.

O primeiro volume do trabalho de Natália Marinho Ferreira Alves, “ A arte da talha no Porto na época barroca : artistas e clientela, materiais e técnicas”, refere o retábulo de Senhor Jesus.

A obra de Robert Smith sobre o trabalho de Nicolau Nasoni (1691-1773), como o título indica, relata os trabalhos produzidos pelo arquiteto, referindo em algumas páginas o início, os gastos, os mestres e o plano final da Igreja

Fontes e Bibliografia

ALVES, Natália Marinho Ferreira (1989). A arte da talha no Porto na época barroca : artistas e clientela, materiais e técnicas. Porto : Câmara Municipal do Porto. Arquivo Histórico. (Documentos e memórias para a história do Porto);

BRANDÃO, Domingos de Pinho (1984-1987). Obra de talha dourada, ensamblagem, e pintura na cidade e na diocese do Porto. Porto : [Oficinas Gráficos Reunidos].  (Diocese do Porto: subsídios para o seu estudo). Vol. 1: séculos XV a XVII (documentação) 394 – 98, 99-400;402 - 404 ; 872-73 ; vol. 2: 1700 a 1725 (documentação) 608, 652; vol.4: 1751 a 1775 (documentação) 241;

CORREIA, António Manuel da Cruz (1994). O centenário da torre sineira da Igreja de Santa Marinha de Gaia. Vila Nova de Gaia: Comissão de Festas da Paróquia de Santa Marinha;

SMITH, Robert C.(1973) - Nicolau Nasoni: 1691-1773. [Lisboa]: Livros Horizonte, imp.  (Estudos de arte);