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Igreja dos Carmelitas Descalços: diferenças entre revisões

Fonte: Porto Barroco
djieshi
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1616 (autorização para a sua construção por D. Filipe II)
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Século 18
Século 18 Alteração da fachada atribuída a obras finais de Nicolau Nasoni
Alteração da fachada atribuída a obras finais de Nicolau Nasoni
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|Monumento nacional declarado ,num conjunto de igrejas (igreja dos Carmelitas Descalços e Igreja do Carmo), em 3 de Maio de 2013
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'''2. ESTADO DA ARTE'''
 
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O objeto encontra em si o exploramento dos movimentos maneirista, barroco e rococó quer no seu interior ou exterior sendo o exterior de relativa simplicidade comparativamente ao rococó demonstrado na fachada da Igreja do Carmo sendo considerado por Maria Clementina de Carvalho Quaresma uma arquitetura de um “Barroco Austero” equiparando-se a uma arquitetura chã onde a linearidade encontra a forma na sua execução. O barroco e o rococó encontram-se devidamente demonstrados pelo retábulo-mor, trabalho exemplar do  seu contemporâneo sendo considerado um exemplo revolucionário, produzido em talha dourada. Para o estudo deste retábulo foram recorridos os 4 volumes organizados por Domingos de Pinho Brandão em “Obra de Talha Dourada, Ensamblagem e Pintura na Cidade e na Diocese do Porto”.  
O objeto encontra em si o exploramento dos movimentos maneirista, barroco e rococó quer no seu interior ou exterior sendo o exterior de relativa simplicidade comparativamente ao rococó demonstrado na fachada da Igreja do Carmo sendo considerado por Maria Clementina de Carvalho Quaresma uma arquitetura de um “Barroco Austero” equiparando-se a uma arquitetura chã onde a linearidade encontra a forma na sua execução. O barroco e o rococó encontram-se devidamente demonstrados pelo retábulo-mor, trabalho exemplar do  seu contemporâneo sendo considerado um exemplo revolucionário, produzido em talha dourada. Para o estudo deste retábulo foram recorridos os 4 volumes organizados por Domingos de Pinho Brandão em “Obra de Talha Dourada, Ensamblagem e Pintura na Cidade e na Diocese do Porto”.  
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'''5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO'''
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[[File:Capela-mor_dos_carmelitas.jpg|thumb|Capela-mor da Igreja dos carmelitas]]
[[File:Capela-mor_dos_carmelitas.jpg|thumb|Capela-mor da Igreja dos carmelitas]]
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[[File:Altar_do_Transepto.jpg|thumb|Altar do Transepto]]





Edição atual desde as 18h09min de 28 de março de 2025

IDENTIFICAÇÃO

Designação Igreja dos Carmelitas/ Igreja dos Carmelitas Descalços
Localização Rua do Carmo/Praça de Gomes Teixeira, freguesia da Vitória
Cronologia Século 17

1616 (autorização para a sua construção por D. Filipe II) 1628 (conclusão da sua construção)1650 (conclusão do decoro interior)

Século 18 Alteração da fachada atribuída a obras finais de Nicolau Nasoni

Autor(es) Arquiteto Desconhecido; Nicolau Nasoni (fachada)
Classificação Monumento nacional declarado ,num conjunto de igrejas (igreja dos Carmelitas Descalços e Igreja do Carmo), em 3 de Maio de 2013
Fachada da Igreja dos Carmelitas Descalços


ESTADO DA ARTE

O objeto encontra em si o exploramento dos movimentos maneirista, barroco e rococó quer no seu interior ou exterior sendo o exterior de relativa simplicidade comparativamente ao rococó demonstrado na fachada da Igreja do Carmo sendo considerado por Maria Clementina de Carvalho Quaresma uma arquitetura de um “Barroco Austero” equiparando-se a uma arquitetura chã onde a linearidade encontra a forma na sua execução. O barroco e o rococó encontram-se devidamente demonstrados pelo retábulo-mor, trabalho exemplar do  seu contemporâneo sendo considerado um exemplo revolucionário, produzido em talha dourada. Para o estudo deste retábulo foram recorridos os 4 volumes organizados por Domingos de Pinho Brandão em “Obra de Talha Dourada, Ensamblagem e Pintura na Cidade e na Diocese do Porto”.

No seu contexto histórico a sua importância pode ser igualmente demonstrada já que enquadra-se no domínio filipino sobre o território ibérico. Sendo este domínio aplicado ,neste caso particular, à cidade do Porto no qual há o emergir de três ordens religiosas ( os eremitas de Santo Agostinho, os beneditinos e os Carmelitas) como é explicado na obra usada como bibliografia para a realização deste trabalho tendo como coordenador Luís A. de Oliveira Ramos em “História do Porto”.

Como fonte de entendimento da construção inserida em conjunto com a antiga parte do convento foi imprescindível a informação registada na Dissertação de Mestrado sob autoria de Ana Cristina da Cunha “Os Conventos do Porto: descontinuidades, transformação e reutilização” até porque nela estão inseridas plantas da construção em conjunto do convento e igreja dos carmelitas descalços. Informação que não se encontra disponível em linha em sites como o Sipa que se dedicam ao inventário de património arquitetônico.


3. ENQUADRAMENTO

A Igreja dos Carmelitas Descalços destaca-se num espaço urbano, na Rua do Carmo e perto da Praça de Gomes Teixeira, tendo a este a Igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo que se destaca pela sua fachada exuberante de um barroco com características do movimento rococó. O alçado principal da igreja dos Carmelitas revela um barroco mais contido sendo desta forma considerada uma arquitetura chã. A contenção presente na construção gera formas mais lineares em que não existe o destacamento profundo nas pilastras que dividem os diferentes registos verticais.

Entre as duas igrejas encontra-se desde já a Casa Escondida que serviu como elemento separador entre as duas igrejas já que as mesmas não deveriam estar juntas na sua totalidade.

A antiga parte do convento encontra-se agora, desde o abolimento das ordens religiosas, como propriedade da Guarda Nacional Republicana do Porto.

4. DESCRIÇÃO

Durante o domínio filipino foi construída a igreja dos carmelitas, sendo integrada numa série de três ordens religiosas que se ergueram na cidade do Porto aquando do domínio espanhol : Os eremitas de Santo Agostinho, os beneditinos e por fim os Carmelitas Descalços sendo que a sua presença encontra-se em Portugal desde o século XV . A construção desta mesma igreja foi autorizada por Filipe II de Portugal ,no ano de 1616, pois o mesmo possuía um grande apreço para com esta devoção e ordem. A construção não foi apoiada somente pelo monarca já que o duque de Lema endereçou à câmara do Porto uma carta de recomendação para a construção da mesma. As condições encontravam-se favoráveis para com a Ordem tendo, no entanto, como exceção o Bispo D. Gonçalo de Morais que se opôs à construção. Os vereadores portuenses apoiaram igualmente a ordem ao proporcionar o antigo terreno no campo de Olival para o assentamento da igreja e convento da ordem dos carmelitas.

 Em 1617 chegaram os primeiros religiosos da ordem que, devido à construção do edifício, viviam numa casa alugada por 100 cruzeiros anuais. A colocação da primeira pedra do conjunto da igreja e convento deu-se em 1619 no dia 5 de Maio.

No ano de 1622 deu-se como concluída a construção da parte do convento, sendo que os religiosos se deslocaram para a parte concluída, passados 6 anos a estrutura da igreja foi finalizada sendo que a mesma via-se no seu interior depurada de decoro que iria-se concluir posteriormente no ano de 1650. No ano de 1756 foi lançada a primeira pedra da igreja do Carmo que se encontra atualmente adjacente à igreja dos Carmelitas descalços tendo como elemento separador a “Casa Escondida”.

Com a extinção das ordens religiosas decorrentes no século XIX a parte dedicada ao convento vê-se utilizada até ao nosso quotidiano como quartel da Guarda Nacional Republicana.

Atualmente pertence desde já  à união das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória sendo a sua freguesia Vitória.

A mesma destaca-se num espaço urbano, na Rua do Carmo perto da Praça de Gomes Teixeira, tendo a este a Igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo que se destaca pela sua fachada exuberante de uma barroco como características do movimento rococó. O alçado principal da igreja dos Carmelitas revela um barroco mais contido sendo desta forma considerada uma arquitetura chã. A contenção presente na construção gera formas mais lineares em que não existe o destacamento profundo nas pilastras que dividem os diferentes registos verticais.

   O corpo principal da igreja salienta de certo modo uma organização tripartida sendo que no primeiro registo encontram-se três entradas encimadas por arcos de volta perfeita que revelam uma planificação idêntica aos arcos triunfais pois a central é a que mais se destaca. A entrada principal destaca num nicho uma imagem de Nossa Senhora do Carmo sendo a mesma ladeada por nichos abaixo, acima das entradas menores, que possuem as imagens de S. José e Santa Teresa de Jesus. As imagens foram inicialmente produzidas em barro e posteriormente pintadas de branco para que o material argiloso fingisse ser calcário numa arquitetura realizada em granito. Os nichos possuem frontões triangulares sendo que o central é encimado por um frontão dividido por uma forma convexa para assim destacar o janelão principal presente no segundo registo da igreja. As pilastras do primeiro piso continuam verticalmente no segundo registo conferindo uma verticalidade que é rematada por um frontão onde, ao centro, encontra-se o brasão da Ordem encimada pela coroa real. O frontão encontra-se rematado por uma cruz ladeada por três pináculos que se estendem ao longo da cornija pronunciada. A torre sineira possui 3 registros horizontais sendo o primeiro apresentado por um  portal complementado por um óculo, Os restantes registros são revestidos por azulejos de padrão sendo que no terceiro localiza-se o sino, a torre sineira é arrematada com uma cúpula em forma de bolbo. A arquitetura em si é seiscentista e além do mais atribuída ao arquiteto Joaquim Teixeira Guimarães , contudo,  o novo frontispício é atribuído a Nicolau Nasoni como sendo uma das suas últimas obras tendo sido realizada antes de 1754. Para além desta mudança realizada houve uma outra sendo esta relativa a torre que antes estaria ao lado da igreja do Carmo e que agora está presente para o lado do convento a oeste.

5. IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO

Interior da Igreja dos Carmelitas
Cúpula - Presença no Transepto
Órgão da Igreja dos Carmelitas
Capela-mor da Igreja dos carmelitas
Altar do Transepto


6. FONTES E BIBLIOGRAFIA

Brandão, Domingos de Pinho (1984-1987) Obra de Talha Dourada, Ensamblagem e Pintura na Cidade e na Diocese do Porto Vol 1: séculos XV a XVII (documentação)[Oficinas Gráficos Reunidos]

Brandão, Domingos de Pinho (1984-1987) Obra de Talha Dourada, Ensamblagem e Pintura na Cidade e na Diocese do Porto Vol 3: 1726 a 1750 (documentação)[Oficinas Gráficos Reunidos]

Brandão, Domingos de Pinho (1984-1987) Obra de Talha Dourada, Ensamblagem e Pintura na Cidade e na Diocese do Porto Vol 4(documentação)[Oficinas Gráficos Reunidos]

Cunha, Ana Cristina da (2007) Os Conventos do Porto: descontinuidades, transformação e reutilização [ Dissertação de Mestrado ] Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto.

Capela, José Viriato (2009) As Freguesias do Distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758: memórias, história e património [Edição do Autor]

Bastos, Carlos (1938) Nova Monografia do Porto [Companhia Portuguesa Editora]

Smith, Robert C. (1966) Nicolau Nasoni: arquiteto do Porto [Livros Horizonte]

Quaresma, Maria Clementina de Carvalho (1995) Cidade do Porto [Academia Nacional de Belas-Artes]

Ramos, Luís A. de Oliveira (1994) História do Porto [Porto Editora]

Público (2013/03/03) Duas igrejas geminadas no Porto receberam estatuto de monumento nacional  . Público Duas igrejas geminadas no Porto receberam estatuto de monumento nacional | Porto | PÚBLICO (publico.pt)

Sereno, Isabel e Noé, Paula (1996-1997) Igreja e Convento dos Carmelitas / Igreja e Convento dos Carmelitas Descalços Sistema de Informação para o Património Arquitetônico http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5497

Capela, José Viriato (2009) As Freguesias do Distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758: memórias, história e património [Edição do Autor]