Mosteiro de Santa Clara-a-Nova: diferenças entre revisões
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Após a Restauração da Independência, as freiras clarissas, por meio da abadessa, solicitaram a D. João IV a mudança do Mosteiro de Santa Clara para um local mais seguro. O mesmo acatou o pedido, e em 12 de dezembro de 1647, assinou um documento autorizando a mudança, visando proteger as religiosas e preservar o túmulo da Rainha Santa Isabel. | Após a Restauração da Independência, as freiras clarissas, por meio da abadessa, solicitaram a D. João IV a mudança do Mosteiro de Santa Clara para um local mais seguro. O mesmo acatou o pedido, e em 12 de dezembro de 1647, assinou um documento autorizando a mudança, visando proteger as religiosas e preservar o túmulo da Rainha Santa Isabel. | ||
== DESCRIÇÃO == | == '''DESCRIÇÃO''' == | ||
Revisão das 19h31min de 17 de maio de 2025
IDENTIFICAÇÃO
| Designação | Mosteiro de Santa Clara-a-Nova |
| Localização | Calçada Santa Isabel, 3040-270 Coimbra, Portugal |
| Cronologia | Século XVII e XVIII |
| Autor(es) | João Turriano (1610–1679),Domingos Freitas, Mateus do Couto, Manuel do Couto, Custodio Vieira, Carlos Mardel |
| Classificação | Categoria: MN - Monumento Nacional,
Decreto de 20-05-1911, DG, n.º 119, de 23-05-1911 (determinou que a classificação compreende não só o túmulo, mas ainda o claustro e coros); Decreto n.º 31-A/2012, DR, 1.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012 (ampliou a área classificada e alterou a designação para "Mosteiro de Santa Clara-a-Nova") |
ESTADO DA ARTE
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova é um marco da arquitetura religiosa em Portugal, destacando-se entre os conjuntos monásticos da sua época pela imponência da sua construção e pela harmonia do seu traçado. A grandiosidade do edifício, reflete a importância do mosteiro na história religiosa e cultural da cidade, sendo um dos melhores exemplos do barroco monástico em Portugal. (BONIFÁCIO, Horácio, 1990).
ENQUADRAMENTO
Contexto físico patrimonial de proximidade
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova está localizado em Coimbra, na margem esquerda do rio Mondego, fora do antigo núcleo urbano amuralhado, no Alto de Santa Clara, antigamente conhecido por monte da Esperança, uma zona elevada e estratégica da cidade. O edifício pertence à freguesia de Santa Clara e Castelo Viegas, integrando um dos mais importantes conjuntos patrimoniais da cidade, ao lado do antigo Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, hoje em ruínas, e o antigo Mosteiro dos Franciscanos.
Contextualização
O primeiro Convento de Santa Clara, em Coimbra, foi erguido junto do convento franciscano, tendo sido fundado por D. Mor Dias, uma dama da nobreza conimbricense, que se encontrava recolhida no convento feminino de São João das Donas, ligado aos Cónegos de Santa Cruz. A primeira pedra da Igreja foi lançada em 1286, e no ano seguinte o mosteiro foi entregue à Ordem de Santa Clara. No entanto, sua fundação gerou conflitos com os Cónegos de Santa Cruz, que duraram muitos anos. Após a morte de D. Mor Dias, em 1302, os frades crúzios contestaram seu testamento, levando ao fechamento do mosteiro.
O Mosteiro foi refundado com o apoio de D. Isabel de Aragão (1270-1336), que tendo conseguido resolver os problemas com os Cónegos de Santa Cruz, obteve autorização do Papa Clemente V, em 1314, para fundar um novo mosteiro dedicado a Santa Clara. A nova edificação foi erguida no mesmo local onde outrora se localizava o mosteiro fundado por D. Mor Dias. Contudo, a rainha adquiriu terrenos adjacentes, permitindo a ampliação da área e o planejamento de um edifício de maiores proporções.
Após a morte de seu marido, D. Dinis, em 1325, a rainha passou a vestir o hábito das Clarissas, embora não tenha se tornado freira de fato, e viveu até à sua morte num paço que mandou edificar nas imediações do Mosteiro.
A Rainha Santa Isabel se tornou uma das figuras mais veneradas da história religiosa de Portugal, não apenas por seu papel como monarca, mas sobretudo pelo exemplo de santidade que demonstrou ao longo da vida. Logo após sua morte, começaram a surgir relatos de milagres atribuídos à sua intercessão. Foi D. Manuel I quem solicitou ao Papa Leão X, em 1516, a beatificação de D. Isabel. A partir dessa concessão, tomaram-se as primeiras diligências para sua canonização, incluindo a fundação da Confraria da Rainha Santa Isabel. A canonização foi oficialmente realizada em 1625.
O antigo Mosteiro, contudo, começou a degradar-se devido às cheias constantes do rio Mondego, que também afetavam o Convento de São Francisco. Em 1602, começou a construção do novo convento dos franciscanos, mas as Clarissas continuaram no mesmo local, fazendo reformas na igreja e elevando o piso para evitar problemas com as inundações
Após a Restauração da Independência, as freiras clarissas, por meio da abadessa, solicitaram a D. João IV a mudança do Mosteiro de Santa Clara para um local mais seguro. O mesmo acatou o pedido, e em 12 de dezembro de 1647, assinou um documento autorizando a mudança, visando proteger as religiosas e preservar o túmulo da Rainha Santa Isabel.