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Fonte: Porto Barroco
Capela do Senhor da Pedra 1
Sem resumo de edição
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'''1. IDENTIFICAÇÃO'''
== Igreja de São Nicolau ==       
{| class="wikitable"
|'''Designação'''
|Capela Senhor da Pedra.
|-
|'''Localização''' 
|Praia de Miramar, Gulpilhares e  Valadares - Vila Nova de Gaia, Porto.
|-
|'''Cronologia'''
|Iniciada a construção no século  XVII e finalizada no século XVIII; Restauro no século XIX.
|-
|'''Autor(es)'''
|Arquiteto desconhecido, mas  acredita que pode ter sido um arquiteto de formação militar, por conta da  escolha de construir uma estrutura centralizada e projetada com reforços de  sistemas defensivos.
|-
|'''Classificação'''
|Capela; Construção religiosa.
|-
|'''Como chegar'''
|A partir do Aliados, poderá pegar  o autocarro 400; ou o autocarro 207, depois 7 minutos andando e pegar o  ZC/400 – todos em direção a Capela do Senhor da Pedra.
|-
| '''     Horário de funcionamento'''
|Segunda a Domingo das 8:30 a 12:30  e 14:00 as 18:00.
|}
'''2. ESTADO DA ARTE'''


Como mencionado na obra “A freguesia de Santa Maria de Gulpilhares” de Carlos Valle” pela sua importância para a freguesia, e trabalhado com especificidade na obra “Fundação da capela do Senhor da Pedra em Gulpilhares: um espaço centralizado junto ao mar” de Manuel Joaquim da Rocha, podemos afirmar que a capela teve um importante papel com a sua criação para a comunidade de Gulpilhares e religiosa.


A Capela do Senhor da Pedra durante os séculos XVII e XVIII, exerceu um papel importante na cultura barroca, sendo considerada após uma petição ocorrida pela comunidade de Gulpilhares e a acatada pelo Bispo do Porto, um local de paragem obrigatória de peregrinação e espaço privilegiado da expiação do poder interventivo e milagroso da imagem do Senhor Jesus. Tornando também o culto de origem pagão ao Senhor da Pedra, que estava relacionado a natureza, e posteriormente converte ao Cristianismo.
'''1. Introdução e localização'''


'''3. ENQUADRAMENTO'''
A Igreja de São Nicolau está localizada no centro histórico do Porto, classificado como Património Cultural da Humanidade, mais concretamente na Rua do Infante D. Henrique 93, 4050-298 da freguesia de São Nicolau, no Concelho do Porto, próximo ao Cais da Ribeira, podendo normalmente ser acessada entre 09:00–20:00 aos dias úteis e sábados e entre 09:00–11:00 aos domingos; às terça-feiras e nos feriados encontra-se fechada. Por sua vez, é uma arquitetura datada de 1758 da autoria do Frei Manuel de Jesus Maria, que desenhou a planta, e construída sob uma antiga igreja medieval, que foi parcialmente destruída por um incêndio. A antiga igreja foi aberta ao público em 6 de Setembro de 1676 “e consagrada com toda a solenidade pelo Bispo D. Fernando Correia de Lacerda” (GUERRA, 1961). A partir dos Aliados, o caminho mais rápido até à igreja passa por apanhar um dos autocarros das linhas 901 ou 906 e sair na paragem “Ribeira”. Por fim, no meu conhecimento, não é uma igreja classificada, por ora.


A Capela do Senhor da Pedra insere-se na Praia de Miramar, implantada junto ao mar e demarcada por avenidas e alamedas que são percorridas por moradias unifamiliares e privadas.


A sua construção por se localizar na praia e com um enorme areal juntamente com propriedades privadas não possui muitas construções de contexto publico; no entanto podemos encontrar uma outra construção religiosa, a Capela do Senhor dos Amarrados/Senhor dos Milagres, localizada na Alameda do Sr. da Pedra 185, que provavelmente insere-se no trajeto de peregrinação existente durante a criação da Capela do Senhor da Pedra.
'''2. Estado da arte'''


'''4. DESCRIÇÃO'''
Em primeiro lugar, interessa percorrer pelo estudo feito até à data da igreja, de modo que, após recorrer a fontes como as “Memórias Paroquiais do Distrito do Porto” ou “O Tripeiro”, baseei-me sobretudo no estudo de Jaime Ferreira Alves, Rui Moreira de Sá e Guerra e na obra co-autorada de Manuel de Sampaio Graça e Fernando Noronha, sobretudo. A bibliografia específica ainda é curta. Neste sentido, uma vez entendido o estado da arte, interessa também situar a igreja no contexto físico patrimonial de proximidade, influenciado, logicamente, pela sua posição privilegiada do centro histórico do Porto. Deste modo, rodeiam-na obras como o Palácio da Bolsa, a Sé do Porto e o Paço Episcopal do Porto, o Mercado Ferreira Borges, a Casa do Infante, a Igreja da Misericórdia, a Igreja de Santa Clara e o Mosteiro de São Bento da Vitória, por exemplo, todos eles classificados e pertencentes ao centro histórico da cidade do Porto.


'''4.1 Objeto arquitetônico'''


Como mencionada nas obras “ Fundação da capela do Senhor da Pedra em Gulpilhares: um espaço centralizado junto ao mar” e “ A arquitetura no século XVIII: a propósito de plantas centralizadas a Capela do Senhor da Pedra em Gulpilhares” ambas de Manuel Joaquim da Rocha, temos conhecimento que a Capela adota uma planta centralizada, pode ser associada a simbologia do absoluto e poder central, unitário e homogéneo de Deus; e essa tendências tratadistas para função religiosas iniciou em Portugal a partir do século XVII e prolongando para XVIII.
'''3. Análise do objeto'''


A Capela do Senhor da Pedra adota a forma centralizada como uma valorização do diálogo do mar e terra, sendo enquadrada juntamente ao mar e apoiada em uma plataforma sobre os densos rochedos, que se adapta ao declive do terreno por escadas e guardas de betão que cercam toda a estrutura; e o seu acesso é feito através de escadarias do areal a capela.
Por sua vez, cursando à descrição e investigação do objeto de estudo, a igreja de São Nicolau é uma obra de planta longitudinal com uma única nave retangular e uma capela-mor meramente estreita e mais baixa. O piso da nave é de madeira, enquanto o da capela-mor é de granito, e as paredes são rebocadas a branco, com azulejos no terço inferior. A fachada principal é revestida de azulejos policromados em azul, ainda que interrompidos por quatros pilastras toscanas, rematadas por capitéis dóricos, um entablamento, um frontão triangular e pináculos. Este par de pilastras toscanas  enquadram a fachada nos extremos e dão ritmo à fachada, que no centro do remate do frontão, encontra uma cruz e na extensão das respectivas pilastras, os plintos encimados pelos altos pináculos. No tímpano, encontra-se um mero óculo. O portal barroco é ricamente ordenado por arquitetura escultórica e é enquadrado por colunas sobre pilastras e por colunas coríntias sobre pedestais, sustentando um frontão triangular quebrado pela pedra de armas do bispo D. Frei António de Sousa. Acima do portal, encontra-se uma grande janela, ladeada por pilastras e urnas assentes em aletas de volutas, rematada por um frontão curvo também quebrado por um nicho com uma imagem do padroeiro. Por um lado, a fachada leste é composta pelo corpo da única nave, sendo dividida em dois registros por um friso de granito, de forma horizontal, e com um par de pilastras toscanas nos cantos do frontispício, de forma vertical, e portanto, o registo inferior é revestido de azulejos, enquanto o superior é rebocado a branco, com três janelas gradeadas. Por outro lado, a fachada da sacristia nova (a oeste) é mais baixa, com envasamento de granito, revestida de azulejos na sua totalidade e com duas pilastras que enquadram a porta e duas janelas superiores gradeadas. Há também um pano mais estreito, na extremidade sul, com porta sobreposta por uma janela quadrada e gradeada.  No seu interior, sente-se a axialidade da planta, uma vez que a única nave é dividida em três tramos por pilastras dóricas e um entablamento ao longo das paredes laterais, e que seguem até à parede da capela-mor, conferindo um ritmo e uma sequência ao interior. O teto é abobadado (abóbada de berço), decorado com florões em cada tramo. Os acabamentos incluem ainda um entablamento da ordem toscana nas fachadas laterais da nave e um entablamento com arquitrave da ordem compósita nas laterais da capela-mor, conjugados pela cornija. As fachadas dos topos da nave e da capela-mor têm empenas elevadas acima da cobertura, rematadas por uma cornija, sendo a empena do topo posterior da nave revestida de telha e uma cruz latina sobre um acrotério no vértice das empenas. Por fim, encontram-se vários retábulos, talhas, dois púlpitos e uma capela-mor puramente barroca. Nela, há um retábulo em talha dourada e uma tribuna em arco ultrapassado. Como dito, é uma reconstrução da antiga igreja medieval que havia sido incendiada, não restando nada da primitiva construção. No entanto, a reconstrução trouxe não apenas uma nova planta e fachada, como também o retábulo, em talha dourada, no estilo rococó, da autoria de Frei Manuel de Jesus Monteiro, bem como o painel do pintor João Glama. Posteriormente, no século XX, mais concretamente entre 1966 e 1969 sucedeu-se uma intervenção de substituição dos rebocos exteriores, de colocação de azulejos nas fachadas laterais e de reforço estrutural da parede cabeceira da igreja com vigas de ferro H.  


A sua estrutura apresenta uma planta hexagonal com o acrescento exterior para funcionar a sua sacristia adossada dos lados. O seu programa exterior arquitetônico apresenta-se contido, simplificado e rigoroso nas formas com a sua fachada rebocada e pintada em branco e os seus elementos construtivos e decorativos em cantaria de granito aparente. A sua entrada principal é precedida por alpendre e entablamento e cornija assentados em colunas lisas, que criam um curvamento nos elementos um eixo axial que forma um frontão aberto que sustenta, através do vértice ocupado por uma peanha, uma cruz, que é acompanhada nas laterais hexagonais do telhado por remates bolbosos e cilíndricos.


'''4.2 Património integrado'''
'''4. Património Integrado'''


No seu interior, o espaço é em hexágono e ocupada no final da capela por três lados com retábulos enfeudados à expressão rococó e decorativos vegetalistas rocailles, o central ladeado por dois retábulos em menores dimensões decorados com talha dourada e a presença da imagem de Santa Catarina (lado direita) e a Virgem (lado esquerdo) que estão inseridas no centro dos retábulos; e ambos os retábulos possuem imagens de outros santos apoiados na parte plana da estrutura. Os lados laterais da capela recebem portas que direcionam para serventias dos crentes e ligação à sacristia, e o lado do fronteiro ao altar-mor direcionado a entrada principal.  
Em jeito de conclusão, no seu património integrado entendemos a sua importância e riqueza artística, dado que inclui, no coro, um altar de N. Sra. de Fátima em talha dourada e marmoreada, com um retábulo de nicho central enquadrado por três pilastras compósitas; na nave, um altar de Santo Elói em talha dourada, de planta convexa; um altar de N. Sra. da Conceição; no arco triunfal, um altar de N. Sra. da Boa Nova em talha dourada. O retábulo-mor rococó, em talha dourada, do mestre entalhador José Teixeira Guimarães,  apresenta uma configuração típica do retábulo joanino, devido ao seu coroamento mais arranjado e expressivo, por exemplo. No entanto, seguem-se outras particularidades também aqui evidenciadas, como por exemplo a grande diversidade de elementos arquitetónicos como adereços cenográficos: frontões interrompidos, volutas folheadas, colunas torsas, etc. e a utilização de lambrequins e dosséis, que imitam um cortinado de franjas na parte superior do painel. Por sua vez, o retábulo apresenta uma notável expressividade de figuras, nomeadamente às duas estátuas presentes nas laterais, perfeitamente bem inseridas no objeto arquitetónicas. Não obstante, a presença de elementos vegetalistas de pequena ou média dimensão contribuem para dar mais vigor e ornamentação ao riquíssimo retábulo. Por fim, o painel centralizado, datado de 1756/1757, foi pintado pelo renomado João Glama, o autor da obra "Terramoto de 1755".
 
* [https://www.mediawiki.org/wiki/Special:MyLanguage/Manual:Configuration_settings Configuration settings list]
O seu retábulo mor é dominado por dois pares de colunas coríntias que servem de moldura à imagem do Senhor Cristo Crucificado, como se a imagem estivesse colocada em uma “simulação” de um baldaquino e ,inserida numa espécie de "camarim dentro do retábulo, que na sua parte superior possui nas laterais decorações com expressão rococó e decorativos vegetalistas rocailles com duas figuras, que podem ser interpretadas como anjos que seguram as "cortinas do palco"; e no centro possui “raios dourados” com o elemento de um triângulo, que simboliza a trindade e a presença do Espírito Santo.
* [https://www.mediawiki.org/wiki/Special:MyLanguage/Manual:FAQ MediaWiki FAQ]
 
* [https://lists.wikimedia.org/postorius/lists/mediawiki-announce.lists.wikimedia.org/ MediaWiki release mailing list]
E na lateral da entrada principal, possui uma escada em madeira em espiral, que transmite movimento para o edifício e representa barroquismo da decoração, e esse elemento direciona a uma balaustrada decorada com elementos em dourada e madeira com formas em espiral.
* [https://www.mediawiki.org/wiki/Special:MyLanguage/Localisation#Translation_resources Localise MediaWiki for your language]
 
* [https://www.mediawiki.org/wiki/Special:MyLanguage/Manual:Combating_spam Learn how to combat spam on your wiki]
'''4.3 Objeto ou conjunto em destaque'''
 
A Capela possui em cada lado da entrada principal, um conjunto de painéis em azulejos monocromáticos em azul com inscrições que se inserem no programa religioso da capela, e inserem a presença do divino para esse espaço religioso. E a sua entrada principal encontra -se a encimar a sua porta principal um friso e cornija que seguem a um vão polilóbulo e um remate contra curvado no seu friso. E a sua sineira possui divida em duas pilastras que se abrem em arco que sustenta o sino, e na qual o seu frontão o remate e interrompe o enrolamento central, sendo elementos que chamam a atenção do espectador ao visualizar a Capela ao longe, demostrando a presença de uma construção centralizada e austera, que domina os rochedos a sua volta e está em perfeita harmonia com o mar.
 
E na ao lado da porta de entrada principal, do lado direito da saída da capela, tem a presença de imagem de Santa Luzia, conhecida como protetora do olhos por conta do seu mártires estar relacionado com a retirarem do olhos; e provavelmente a presença da sua imagem na capela simboliza a devoção e fidelidade a Jesus; e simbolicamente dar a sua vida por Jesus Cristo e a não renegação da fé, sendo um exemplo de atitude que os fies devem espelhar-se.

Revisão das 10h27min de 24 de maio de 2024

Igreja de São Nicolau

1. Introdução e localização

A Igreja de São Nicolau está localizada no centro histórico do Porto, classificado como Património Cultural da Humanidade, mais concretamente na Rua do Infante D. Henrique 93, 4050-298 da freguesia de São Nicolau, no Concelho do Porto, próximo ao Cais da Ribeira, podendo normalmente ser acessada entre 09:00–20:00 aos dias úteis e sábados e entre 09:00–11:00 aos domingos; às terça-feiras e nos feriados encontra-se fechada. Por sua vez, é uma arquitetura datada de 1758 da autoria do Frei Manuel de Jesus Maria, que desenhou a planta, e construída sob uma antiga igreja medieval, que foi parcialmente destruída por um incêndio. A antiga igreja foi aberta ao público em 6 de Setembro de 1676 “e consagrada com toda a solenidade pelo Bispo D. Fernando Correia de Lacerda” (GUERRA, 1961). A partir dos Aliados, o caminho mais rápido até à igreja passa por apanhar um dos autocarros das linhas 901 ou 906 e sair na paragem “Ribeira”. Por fim, no meu conhecimento, não é uma igreja classificada, por ora.


2. Estado da arte

Em primeiro lugar, interessa percorrer pelo estudo feito até à data da igreja, de modo que, após recorrer a fontes como as “Memórias Paroquiais do Distrito do Porto” ou “O Tripeiro”, baseei-me sobretudo no estudo de Jaime Ferreira Alves, Rui Moreira de Sá e Guerra e na obra co-autorada de Manuel de Sampaio Graça e Fernando Noronha, sobretudo. A bibliografia específica ainda é curta. Neste sentido, uma vez entendido o estado da arte, interessa também situar a igreja no contexto físico patrimonial de proximidade, influenciado, logicamente, pela sua posição privilegiada do centro histórico do Porto. Deste modo, rodeiam-na obras como o Palácio da Bolsa, a Sé do Porto e o Paço Episcopal do Porto, o Mercado Ferreira Borges, a Casa do Infante, a Igreja da Misericórdia, a Igreja de Santa Clara e o Mosteiro de São Bento da Vitória, por exemplo, todos eles classificados e pertencentes ao centro histórico da cidade do Porto.


3. Análise do objeto

Por sua vez, cursando à descrição e investigação do objeto de estudo, a igreja de São Nicolau é uma obra de planta longitudinal com uma única nave retangular e uma capela-mor meramente estreita e mais baixa. O piso da nave é de madeira, enquanto o da capela-mor é de granito, e as paredes são rebocadas a branco, com azulejos no terço inferior. A fachada principal é revestida de azulejos policromados em azul, ainda que interrompidos por quatros pilastras toscanas, rematadas por capitéis dóricos, um entablamento, um frontão triangular e pináculos. Este par de pilastras toscanas  enquadram a fachada nos extremos e dão ritmo à fachada, que no centro do remate do frontão, encontra uma cruz e na extensão das respectivas pilastras, os plintos encimados pelos altos pináculos. No tímpano, encontra-se um mero óculo. O portal barroco é ricamente ordenado por arquitetura escultórica e é enquadrado por colunas sobre pilastras e por colunas coríntias sobre pedestais, sustentando um frontão triangular quebrado pela pedra de armas do bispo D. Frei António de Sousa. Acima do portal, encontra-se uma grande janela, ladeada por pilastras e urnas assentes em aletas de volutas, rematada por um frontão curvo também quebrado por um nicho com uma imagem do padroeiro. Por um lado, a fachada leste é composta pelo corpo da única nave, sendo dividida em dois registros por um friso de granito, de forma horizontal, e com um par de pilastras toscanas nos cantos do frontispício, de forma vertical, e portanto, o registo inferior é revestido de azulejos, enquanto o superior é rebocado a branco, com três janelas gradeadas. Por outro lado, a fachada da sacristia nova (a oeste) é mais baixa, com envasamento de granito, revestida de azulejos na sua totalidade e com duas pilastras que enquadram a porta e duas janelas superiores gradeadas. Há também um pano mais estreito, na extremidade sul, com porta sobreposta por uma janela quadrada e gradeada.  No seu interior, sente-se a axialidade da planta, uma vez que a única nave é dividida em três tramos por pilastras dóricas e um entablamento ao longo das paredes laterais, e que seguem até à parede da capela-mor, conferindo um ritmo e uma sequência ao interior. O teto é abobadado (abóbada de berço), decorado com florões em cada tramo. Os acabamentos incluem ainda um entablamento da ordem toscana nas fachadas laterais da nave e um entablamento com arquitrave da ordem compósita nas laterais da capela-mor, conjugados pela cornija. As fachadas dos topos da nave e da capela-mor têm empenas elevadas acima da cobertura, rematadas por uma cornija, sendo a empena do topo posterior da nave revestida de telha e uma cruz latina sobre um acrotério no vértice das empenas. Por fim, encontram-se vários retábulos, talhas, dois púlpitos e uma capela-mor puramente barroca. Nela, há um retábulo em talha dourada e uma tribuna em arco ultrapassado. Como dito, é uma reconstrução da antiga igreja medieval que havia sido incendiada, não restando nada da primitiva construção. No entanto, a reconstrução trouxe não apenas uma nova planta e fachada, como também o retábulo, em talha dourada, no estilo rococó, da autoria de Frei Manuel de Jesus Monteiro, bem como o painel do pintor João Glama. Posteriormente, no século XX, mais concretamente entre 1966 e 1969 sucedeu-se uma intervenção de substituição dos rebocos exteriores, de colocação de azulejos nas fachadas laterais e de reforço estrutural da parede cabeceira da igreja com vigas de ferro H.


4. Património Integrado

Em jeito de conclusão, no seu património integrado entendemos a sua importância e riqueza artística, dado que inclui, no coro, um altar de N. Sra. de Fátima em talha dourada e marmoreada, com um retábulo de nicho central enquadrado por três pilastras compósitas; na nave, um altar de Santo Elói em talha dourada, de planta convexa; um altar de N. Sra. da Conceição; no arco triunfal, um altar de N. Sra. da Boa Nova em talha dourada. O retábulo-mor rococó, em talha dourada, do mestre entalhador José Teixeira Guimarães,  apresenta uma configuração típica do retábulo joanino, devido ao seu coroamento mais arranjado e expressivo, por exemplo. No entanto, seguem-se outras particularidades também aqui evidenciadas, como por exemplo a grande diversidade de elementos arquitetónicos como adereços cenográficos: frontões interrompidos, volutas folheadas, colunas torsas, etc. e a utilização de lambrequins e dosséis, que imitam um cortinado de franjas na parte superior do painel. Por sua vez, o retábulo apresenta uma notável expressividade de figuras, nomeadamente às duas estátuas presentes nas laterais, perfeitamente bem inseridas no objeto arquitetónicas. Não obstante, a presença de elementos vegetalistas de pequena ou média dimensão contribuem para dar mais vigor e ornamentação ao riquíssimo retábulo. Por fim, o painel centralizado, datado de 1756/1757, foi pintado pelo renomado João Glama, o autor da obra "Terramoto de 1755".