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Igreja Paroquial de Vilar do Paraíso

Fonte: Porto Barroco
Revisão em 16h48min de 27 de maio de 2024 por 172.64.236.146 (discussão)
  1. Identificação
Designação Igreja Paroquial de Vilar do Paraíso ou Igreja de São Pedro
Localização Rua Igreja do Paraíso 11, Vila Nova de Gaia
Cronologia A igreja era inicialmente uma Capela inserida numa Quinta, foi doada ao convento de Grijó em 1299, porém a arquitetura inicial do edifício religioso sofreu alterações devido a reconstruções dos séculos XVIII e XIX.
Autor O pintor dos azulejos presentes na nave foi Joaquim Lopes (1886-1956)
Classificação Monumento Nacional
Como chegar de transportes públicos A partir da estação de Porto-São Bento, apanhar o comboio em direção a Aveiro e sair em Valadares, Valadares apanhar o autocarro 901 e sair em Tv. Penedo de seguida caminhar certa de 20 minutos até a Igreja.
Coordenadas GPS 41.08704932395889, -8.62206982939231
Contactos Telefónico / Email 227110132 / paroquiavilardoparaiso@gmail.com

2. Estado da Arte

No século XVIII, as mudanças estruturais começaram a moldar a igreja e a paróquia. As obras de ampliação da nave e a gravação da data de 1707 no púlpito testemunham o crescimento contínuo da comunidade. No século XIX, novas mudanças ocorreram com a construção da torre sineira e do cemitério, bem como a demolição parcial do antigo Solar dos Camelos. O adro da igreja foi calcetado no início do século XX e nas décadas seguintes deram-se alterações no interior da igreja como o revestimento do interior da nave com azulejos este revestimento foi realizado pela Fábrica do Agueiro sob a autoria do mestre Joaquim Lopes. Em 1962, foi colocado soalho na nave da igreja e em 1971, um novo altar foi instalado. Na década de 1980, o coro-alto foi construído, criando assim um espaço para a música sacra e coral durante as celebrações. A arquitetura da igreja é uma fusão de estilos gótico e barroco. A planta longitudinal com a torre sineira na fachada, a capela-mor mais estreita e baixa, e a sacristia adossada a norte, demostra essa evolução gradual do edifício ao longo do tempo.


3. Enquadramento

Em torno da Igreja existe um imenso cemitério e na União de Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, em Vila Nova de Gaia existem ainda as Capelas de São Martinho e a de São Caetano.


4. Descrição

A Igreja Paroquial de Vilar do Paraíso ou Igreja de São Pedro localizada na antiga freguesia de Vilar do Paraíso que foi extinta em 2013 e hoje está na união de freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, em Vila Nova de Gaia. A freguesia pertenceu ao antigo Couto da Tarouquela que era propriedade de Dom Afonso Henriques e alguns anos depois do Mosteiro de Grijó. Desta forma, conseguimos ver o histórico milenar da freguesia. A Igreja de Vilar do Paraíso é a peça mais bem preservada do património religioso da paroquia. Esta igreja foi doada ao convento de Grijó em 1299, através de um contrato, em que o mosteiro de Grijó cede ao bispo do Porto, Dom Vicente, o padroado de Vilar do Paraíso. O seu nome atual surge já nos princípios do século XIV, quando o Censual do Cabido se refere á mesma como ecclaesia sacti Petri de Paraíso. A freguesia conta ainda com a Capela de São Martinho e a de São Caetano.

A arquitetura da igreja é uma fusão de estilos gótico e barroco. A planta longitudinal com a torre sineira na fachada, a capela-mor mais estreita e baixa, e a sacristia adossada a norte, demostra essa evolução gradual do edifício ao longo do tempo.

A igreja em si tem uma estrutura longa com uma torre sineira frente, uma capela-mor estreita e baixa, uma sacristia ao lado norte e uma antiga casa paroquial quadrangular ao fundo. A torre é destacada, porque contrasta com as grandes massas horizontais. O telhado da nave é em duas águas e possui coruchéus piramidais nos cantos e uma cruz latina ao centro. A capela-mor e a sacristia compartilham um telhado mais baixo de quatro águas. As paredes são rebocadas e pintadas de branco, com azulejos na fachada principal.

A fachada principal tem um embasamento de dois níveis, pilastras nos cantos e uma escada de quatro degraus que leva a uma porta com arco abatido, acima da qual há uma janela semelhante. A torre do sino na fachada norte tem uma janela sineira de cada lado e frontões curvos. A fachada norte também inclui a sacristia e a parte mais alta da casa paroquial. A fachada sul inclui a nave, a capela-mor e a residência paroquial. A capela-mor tem dois contrafortes nos cantos e uma fresta no centro. A parte inferior da residência paroquial tem uma pilastra que a separa da capela-mor. Dentro da igreja, há uma nave única com um coro alto e um teto em abóbada. A capela-mor é separada por arcos triunfais e a sacristia fica do lado do Evangelho.

No interior possui uma nave única com teto em abóbada abatida e o coro-alto assim como detalhes ornamentais, como os azulejos nas paredes da nave e os retábulos em talha branca e dourada na capela-mor que refletem a devoção e o cuidado artístico dedicado à igreja ao longo dos séculos.

As paredes são brancas, com azulejos nas da nave. Há um guarda-vento quadrangular e um coro alto com órgão. Na capela-mor, há um supedâneo elevado em três degraus, com uma abóbada de cruzaria de ogivas. Retábulos dedicados a Nossa Senhora do Rosário e ao Santíssimo estão presentes. Há também uma pia de água benta, um nicho com uma imagem e um antigo púlpito na nave.

           Os azulejos, como já foi referido, foram pintados por Joaquim Lopes (1886-1956) da Fábrica do Agueiro. Nas paredes laterais da nave existe um painel oval delimitado por folhas de acanto. Dentro desse painel, obras de arte sacra ganham vida: à esquerda, a cena da "Anunciação à Virgem" do Evangelho; à direita a "Adoração dos Pastores" da Epístola. Na área do coro vemos trifólios que se entrelaçam com folhas de acanto e abaixo destes temos um friso elaborado, também com acanto. No topo, as albarradas ornamentais juntam-se, formando uma grinalda. Acima do cruzeiro, a parede é revestida por um painel de azulejos adornada com acantos e albarradas. No centro desse painel esta retratada a “Ultima Ceia” que completa a sacralidade de todos os azulejos aplicados na Igreja Paroquial de Vilar do Paraíso.

           No que toca á ornamentação da Igreja, é comum ver o mesmo tipo de decoração com azulejos e talha dourada em muitas outras igrejas de Portugal, por exemplo, a Igreja se Santo Ildefonso possui também uma fachada decorada com azulejos e um interior ornamentado com talha dourada assim como a Igreja do Carmo ou a Capela das Almas, também no Porto.

5. Bibliografia

Alves, J. J. B. F. (2014). Ensaio sobre a arquitectura barroca e neoclássica a Norte da bacia do Douro. Revista da Faculdade de Letras: Ciências e Técnicas do Património, vol. 4 (2005), p. 135-153.

Baeta, R. E. (2010). O barroco, a arquitetura e a cidade nos séculos XVII e XVIII. SciELO-EDUFBA.

Bonifácio, H. M. P. (2010). As diferentes interpretações da arquitectura barroca em Portugal: notas para uma metodologia. Revista Arquitectura Lusíada, 177-186.

de Carvalho, R. S. Azulejo e arquitectura no período barroco (1675-1750).

Guimarães, G. (1986). Inventário do Património Cultural Construído da Freguesia de Vilar do Paraíso [Separata da Revista Gaia, Volume IV]. Vila Nova de Gaia, Portugal

http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=19979 (Consultado a: 02.05.2024)


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