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O Palácio de São João Novo

Fonte: Porto Barroco
Revisão em 06h23min de 28 de fevereiro de 2025 por Giovanna.brinco (discussão | contribs)

Identificação

Fachada do Palácio de São João Novo
Designação Palácio/Casa de São João Novo
Localização Largo de São João Novo, n°11, 4050-280 – Miragaia, Porto
Cronologia Século XVIII
Autor(es) Arquiteto António Pereira
Classificação Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 129/77, DR, 1ª série, n.º 226, de 29 setembro 1977 (esteve sob os cuidados da DRCNorte, mas agora é gerido pela Câmara Municipal do Porto)
Como chegar Localizado numa região de fácil acesso, é possível chegar à Casa de São João Novo de várias maneiras, a partir da estação de metro da Trindade, através da linha D (amarela), descendo na estação de São Bento e caminhando por volta de 10 minutos. Se estiver próximo ao Passeio das Virtudes ou da Alfândega do Porto, é possível fazer o caminho a pé em 5 minutos.

Link Google Maps: https://maps.app.goo.gl/LpiwfhVztFWVJzQ5A

Estado da Arte

Porta principal do Palácio de São João Novo com destaque para o brasão de armas da família

A Casa de São João Novo é um marco na arquitetura civil portuense e se destaca como uma das melhores fachadas barrocas da cidade em relação a arquiteturas da mesma época por conta de sua monumentalidade e grandiosidade. (FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime - A Casa Nobre no Porto na Época Moderna. Lisboa: Edições Inapa, 2001.)

Enquadramento

O Palácio de São João Novo fica localizado no Largo de São João Novo, centro histórico da cidade do Porto, em frente a Igreja e antigo convento de São João Novo, próximo ao Passeio das Virtudes e a Alfândega do Porto.

Descrição

O Palácio de São João Novo, está localizado em Miragaia no Largo de São João Novo em frente a Igreja de São João Novo, região central da cidade do Porto, na união das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória.

Comumente conhecido por “palácio”, essa designação está equivocada, pois não possui características suficientes para ser considerado um palácio, mas sim uma casa nobre. Porém, é referido dessa forma por conta de sua grande dimensão, monumentalidade e status social de seus antigos proprietários.

Foi construído por volta de 1725 a mando de Pedro da Costa Lima, administrador e superintendente das Fábricas da Ribeira do Ouro da Cidade do Porto, e sua segunda mulher, D. Maria Teresa de Melo. Eram provenientes de Viana do Castelo e fixaram residência no Porto. Sua fachada terá sido erguida em 1726 indicando que a finalização da obra tenha ocorrido em 1727.

Durante muitos anos, a autoria do edifício foi atribuída a Nicolau Nasoni, arquiteto italiano que teve grande destaque em Portugal. Porém, essa informação foi refutada pelo historiador e professor Jaime Ferreira Alves que, através do contrato de execução da obra, descobriu que o mestre de estuques e arquiteto António Pereira, mestre de obras da Sé do Porto, foi o responsável pelo projeto do palácio. Com auxílio dos mestres de pedraria António da Silva, Domingos Pinto e Pedro Pereira.

Sua arquitetura apresenta as principais características de uma casa nobre em estilo barroco com monumentalidade em sua fachada principal. É dividida verticalmente em três partes por pilastras de ordem dórica com dois panos de parede simétricos que acompanham um pano central onde se encontra a porta principal. A pedra de armas da família e a grande janela com sacada marcam o andar nobre da casa e apresentam um frontão interrompido.

Os dois panos laterais são compostos por janelas menores com sacada e portas que são acompanhadas de um óculo ovalado (abertura em formato oval), além de um modelo de frontão invertido que também foi utilizado na Sé do Porto. As aberturas ligam-se entre si por conjuntos verticais e uma barra de pedra percorre toda a fachada horizontalmente marcando o nível do andar nobre.

Os frontões aplicados na fachada constituem uma novidade na arquitetura portuense da época, pois apresentavam formas onduladas, invertidas e até interrompidas, o que transmite uma sensação de movimento característica da arquitetura barroca.

Sua planta é em L e o interior é composto por rés-do-chão, segundo piso, andar nobre e quarto piso. Dentre este conjunto, é necessário destacar o átrio e a escadaria principal pela qual se tem acesso ao mezanino e ao andar nobre.

O átrio possui grandes proporções, sendo formado por um arco abatido que ao centro se vê uma espécie de concha espalmada, invertida e em formato de leque, esse motivo decorativo era muito utilizado por António Pereira em seus projetos. Por baixo do arco abatido, tem-se acesso à escadaria, que se sobressai na arquitetura por criar um efeito cenográfico, composta por dois lances de escadas que levam a um patamar com portas de entrada para as salas do mezanino. Este mesmo patamar está ligado a mais um lance de escada que leva ao andar nobre.

Com o passar dos anos, o edifício foi sofrendo algumas pequenas modificações em sua arquitetura, mas nada que seja necessário ressaltar. Contudo, em 1945, passou a abrigar o Museu de Etnologia e História do Douro Litoral, organizado pelo etnógrafo Dr. Pedro Vitorino que expôs objetos e peças regionais com o intuito de reconstituir ambientes tradicionais das províncias da região litoral do Douro. Porém, em 1984, um incêndio atingiu uma das áreas ocupadas pelo museu que acabou por ser fechado ao público no ano de 1992 e se encontra encerrado desde então.

A gestão do edifício estava sob responsabilidade da Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) que, depois de alguns acordos, foi transferida para os cuidados da Câmara Municipal do Porto, que passará a ser mais um núcleo do Museu do Porto e virá abrigar o Museu do Livro. A abertura está prevista para 2024.

Brasão da família de Pedro da Costa Lima, antigo proprietário do Palácio de São João Novo

Objeto em destaque

Brasão de armas da família esculpido em pedra que fica sobre a porta principal, ao lado direito do brasão temos a heráldica da família de Pedro da Costa Lima e ao lado esquerdo de sua segunda esposa, Teresa de Melo e Alvim.

Fontes

  • MARÇAL, Horácio – O Largo de S. João Novo. BASTO, A. de Magalhães – O Tripeiro. Porto: Tipografia Empresa Guedes, n.º 9, V série, ano XII (janeiro de 1957), p. 291-297.
  • SISTEMA DE INFORMAÇÃO PARA O PATRIMÓNIO ARQUITETÓNICO. Palácio de São João Novo / Museu de Etnografia e História / Museu de Etnologia do Porto. [Consult. 04 Abril 2024] Disponível em WWW: http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=1082
  • CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO. [Consult. 04 Abril 2024] Câmara pretende reabilitar o Palácio de São João Novo. Disponível em WWW: https://www.porto.pt/pt/noticia/camara-pretende-reabilitar-o-palacio-de-sao-joao-novo

Bibliografia

  • FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime - A Casa Nobre no Porto na Época Moderna. Lisboa: Edições Inapa. (2001)
  • QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho - Inventário Artístico de Portugal: Cidade do Porto. Editor: Academia Nacional das Belas-Artes. (dezembro de 1995)
  • SMITH, Robert C. - O Palácio de S. João Novo. Separata da Revista de Etnografia, n.º 21. Porto: Junta Distrital do Porto. (1969)