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Igreja de São Pedro de Miragaia

Fonte: Porto Barroco
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1.Introdução

Esta arquitetura religiosa datada entre o final do século XVII e o século XVIII é construída tal como o nome indica, em Miragaia na cidade do Porto. A nível de enquadramento, esta zona (Miragaia) pertencente à área metropolitana do Porto era maioritariamente piscatória de ofício, sendo o padroeiro dos pescadores São Pedro. Algo importante a referir também, é o facto de esta igreja conter os relicários de São Pantaleão que, originalmente teria sido o Santo padroeiro do Porto ao invés de São Pedro. Estas relíquias teriam sido alvo de adoração naquilo que seria a edificação prévia às obras previamente mencionada de 1740. Em 1499, o bispo D. Diogo de Sousa transladou o corpo para a Sé. De momento o único vestígio restante que ainda se encontra em São Pedro de Miragaia será um braço seu. O relicário original terá vindo de Constantinopla quando esta foi tomada pelo exército turco, sendo trazido por um grupo de Arménios cristãos que o depositaram em São Pedro de Miragaia. Este relicário terá tido uma grande influência a nível social e religioso de adoração pelo povo desta localização.

“A Historiografia portuense praticamente ignorou São Pantaleão até que, em 2003, uma cabeça-relicário suscitou interesse e promoveu uma discussão pluridisciplinar sobre aquele que, durante quase 500 anos, foi o santo-patrono da cidade do Porto.”1

O edifício em si data desde os tempos da Idade Média. 2.Ponto de Acesso

O seu ponto de acesso encontra-se no Largo de São Pedro de Miragaia, onde nos confrontamos com a entrada principal desta igreja.

3.Contexto

Esta edificação remete para o ano de 1672, no qual o bispo Nicolau Monteiro a reformou e para 1740 (não sendo conhecido o arquiteto que a trabalhou), ano em que foi demolida parte dela só sobraram duas partes fulcrais da sua construção; a capela-mor e transepto. No âmbito do Barroco em Portugal, já século XVIII foi redecorado o seu interior por um revestimento de talha dourada em estilo nacional e postumamente aplicação de azulejaria que reveste o exterior e interior da igreja e da torre sineira.

4.Descrição

Esta edificação tem uma planta composta em cruz latina. Apenas tendo uma nave, a principal, capela-mor e um transepto subtilmente saliente. Adossada do lado esquerdo da nave está uma torre sineira. A cobertura do edifício articula os diferentes espaços entre capela-mor e nave com um telhado de duas águas e o transepto com um telhado de quatro águas. A nível da fachada principal, a entrada principal é constituída por um pórtico com um frontão triangular interrompido pelo janelão acima deste. O janelão previamente mencionado é rematado por um emblema papal: a Tiara, Cruz e as Chaves de São Pedro.

Relativamente ao património integrado deste edifício, começando pela talha dourada que reveste a totalidade da capela-mor tanto nas paredes como no teto, data maioritariamente do século XVII, mas haverá já partes do século XVIII. Importante evidenciar que o teto em abóbada falsa tem um dos trabalhos em talha mais inovadores da zona norte da época, sendo referência e influência para a posterioridade. Dois altares da nave que ladeiam já a capela-mor também se encontram revestidos por talha dourada possuem elementos joaninos, este estilo em concreto tendo grandes influências italianas. De seguida, o retábulo-mor que iria inovar uma tipologia no Porto, sendo ela este constituir uma base alta de madeira na qual a talha é aplicada. Outro pormenor “diferenciado” foi nos fustes das colunas do mesmo, trazendo de volta o fuste canelado quinhentista. O painel principal deste apresenta a temática do Pentecostes, ladeado à esquerda por um painel de São João Batista e à direita por um painel de São Paulo. Na parte traseira está representada a Anunciação. Seria importante evidenciar o retábulo oriundo da capela da Nossa Senhora do Carmo em talha dourada do Convento de Monchique. Também podemos encontrar o painel do altar de Santa Rita. Outro elemento importante de referir, este de uma cronologia anterior, é o tríptico do artista flamengo Van Orley da capela do Espírito Santo da Escola Holandesa. Relativamente à azulejaria neste contexto, são um dos elementos cruciais à cronologia referida, sendo conjuntamente com a talha dourada uma combinação única e característica do barroco português, como pode ser visto através desta citação de Robert Smith.

“Constituem ambos uma combinação única na Europa, expressão originalíssima do génio artístico lusitano”.2

Algo importante a referir também, é o facto de esta igreja conter os relicários de São Pantaleão que, originalmente teria sido o Santo padroeiro do Porto ao invés de São Pedro. Estas relíquias teriam sido alvo de adoração naquilo que seria a edificação prévia às obras previamente mencionada de 1740. Em 1499, o bispo D. Diogo de Sousa transladou o corpo para a Sé. De momento o único vestígio restante que ainda se encontra em São Pedro de Miragaia será um braço seu. O relicário original terá vindo de Constantinopla quando esta foi tomada pelo exército turco, sendo trazido por um grupo de Arménios cristãos que o depositaram em São Pedro de Miragaia. Este relicário terá tido uma grande influência a nível social e religioso de adoração pelo povo desta localização.

“A Historiografia portuense praticamente ignorou São Pantaleão até que, em 2003, uma cabeça-relicário suscitou interesse e promoveu uma discussão pluridisciplinar sobre aquele que, durante quase 500 anos, foi o santo-patrono da cidade do Porto.”3


1 RESENDE, Nuno – «São Pantaleão «do Porto»: um paradigma de invenção de relíquias em finais da Idade Média»

2 BAFCG (Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian). Espólio de Robert Chester Smith, cx. 25, doc. 48, “Pesquisas sobre a Talha em Portugal”

3 RESENDE, Nuno – «São Pantaleão «do Porto»: um paradigma de invenção de relíquias em finais da Idade Média»