Mosteiro de Arouca
| Designação | Mosteiro de Santa Maria de Arouca / Museu da Arte Sacra |
| Localização | Largo Santa Mafalda, Arouca |
| Cronologia | Séc. XVII/XVIII |
| Autor | Carlos Gimac |
| Classificação | Monumento Nacional |
| Como Chegar | A 71 km da cidade do Porto, o deslocamento pode ser feito de carro pela via A32 e N326 ou pelos transportes da UNIR na linha 1007 que parte de São João da Madeira. |
| Horários | O museu e convento estão abertos todos os dias das 9:30 até as 17:00 (com exceções de segundas e terças de manhã, terceiro final de semana de cada mês e feriados) |
| Contexto físico patrimonial de proximidade |
| Calvário de Arouca e Igreja da Santa Misericórdia de Arouca. |

O atual mosteiro de Santa Maria em Arouca é fruto das diversas construções e reconstruções que ocorreram ao longo do tempo e responsável pelo desenvolvimento desta região, tem suas origens no século X, de qual pouco se sabe (sabemos, por exemplo, que a antiga igreja ficava onde atualmente se da o coro), mas é no séc. XIII que o mosteiro ganha destaque quando passa a propriedade da rainha D. Mafalda, neta do primeiro rei de Portugal, aderindo a ordem de Cister em uma comunidade que se torna exclusivamente feminina como parte da renovação do mosteiro, seu tumulo estando atualmente em um capela na igreja do mesmo. A presença da rainha no mosteiro atraiu a mais alta nobreza e muitas filhas de nobres passaram a ingressar a comunidade monástica, contribuindo para a sua economia pujante e importância administrativa, se tornando o mais rico e influente mosteiro feminino português.
Descrição
As principais renovações no mosteiro, que ditam sua forma atual vão desde a nobilitação dos materiais construtivos até a atualização das expressões estéticas ao Barroco, se iniciam nos finais do século XVII e perduram por mais de um século, começando com o projeto do arquiteto maltês Carlos Gimac que renova a fachada ocidental (onde é hoje a entrada do Museu da Arte Sacra) organizando-a com uma nova portaria central destacada pela verticalidade, distribuição uniforme de janelas para as clausuras individuais e divisão dos níveis por cornijas e pilastras contínuas, a fachada ocidental passa então a servir como modelo para as reconstruções posteriores das fachadas norte e sul, criando assim uma imagem palaciana homogénea para o mosteiro.
O projeto de Carlos Gimac passa então a multiplicar os espaços do mosteiro, aplicando seus conhecimentos científicos e estéticos para elaboração de toda composição do espaço com a nova igreja e coro, inaugurados em 1718, após esta data é construída a ala ligando o coro ao torreão norte, um incendio em 1725 faz necessária a renovação da fachada sul (chamada “fachada de Mafra” pelo trabalho dos pedreiros vindos de Mafra) aplicando o uso da pedra e erguendo um novo torreão paralelo ao da fachada norte, em 1740 as expansões seguem com a construção do celeiro e uma sumptuosa escadaria de dois lances que se estende para alem do novo torreão e delimita o terreiro, que abriga a casa do padres (atual Biblioteca Municipal de Arouca) em frente a portaria; após 30 anos se da a construção da ala nascente conectando a fachada sul ao coro e dando espaço a casa do capitulo, cozinha e refeitório ligados ao claustro que fora finalizado apenas no século XX com intervenções da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.

A riqueza da ornamentação se renova e multiplica juntamente com os espaços no séc. XVIII, tornando o edifício um verdadeiro templo Barroco, seja pelo conhecimento humanista aplicado a arquitetura com o uso racional da luz e das forma ou pela rica escultura e pintura encomendada pelas monjas do mosteiro que buscaram os melhores artistas e artificies disponíveis para nobilitar sue espaço.
É na igreja e no coro onde essa riqueza material e intelectual se faz mais presente, começando pelo coro onde a luz banha o cadeiral da nave central, reluzindo a sua talha dourada feita pelos entalhadores portuenses António Gomes e Filipe da Silva em 1722, e iluminando suas pinturas nos espaldares, as esculturas de pedra de Ançã esculpidas por Jacinto Vieira cercam o espaço pela galeria do primeiro piso, na altura das tribunas por onde as monjas assistiam as cerimónias, um grande arco gradeado separa o coro da igreja e acima dele o coro-alto que da acesso ao majestoso órgão de 1352 tubos encostado a galeria, ornamentado com ouro e uma pintura que representa a padroeira dos músicos Santa Cecília, construído em 1739 é um dos mais bem conservador em Portugal.
Na igreja as esculturas de Jacinto Vieira seguem no nível das tribunas e a talha dourada se espalha pela nave, da capela-mor até as oito capelas, uma delas com o tumulo de D. Mafalda, com retábulos executados por Miguel Francisco da Silva em 1738 (com exceção dos que ladeiam a capela-mor) até a capela-mor com seu imponente retábulo joanino realizado por Luís Vieira da Silva onde a talha se expande pra as galerias laterais servindo como moldura para as pinturas no nível da abóboda com autoria de André Gonçalves, um dos maiores pintores do Barroco nacional, no centro do retábulo o trono eucarístico onde as linhas convertem e denotam sua grandiosidade.
Em 1834 as ordens religiosas são extintas em Portugal e em 1886 morre a última monja em Arouca, porem os patrimónios artísticos do mosteiro são preservados pela Real Irmandade Rainha Santa Mafalda que evita sua dispersão, as obras que antes faziam parte do mosteiro se encontram atualmente no Museu da Arte Sacra localizado em parte nos antigos dormitórios e abriga a riquíssima ourivesaria, esculturas e pinturas de mestres portugueses como Diogo Teixeira e Josefa d’Óbidos, como tambem as pinturas da rainha Santa Mafalda de autoria do italiano Giovanni Odazzi.
Patrimonio Integrado
Do aparato arquitetónico até os azulejos do séc. XVIII que circundam a Casa do Capítulo, é a Igreja e o Coro que recebem a maior parte do património integrado, dando espaço as esculturas de pedra Ançã por Jacinto Vieira na galeria e a talha dourada que se prolifera dos espaldares do cadeiral do Coro até a Capela-mor.
Ambos espaços contam com capelas dedicadas a Virgem, a Cristo e aos Santos, seis na lateral do coro e oito ao redor da igreja, conjugando os elaborados retábulos de talha dourada com as esculturas policromadas em madeira, cada uma dessas capelas recebe uma atenção especial dos artistas, com ênfase na capela mortuária de D. Mafalda com sua urna ornamentada executada em ébano, prata e bronze. Na capela-mor a talha dourada se expande além do retábulo para as galerias laterais com molduras para as oito pinturas de André Gonçalves.
No Coro o cadeiral de madeira com motivos escultórios recebe talha dourada e pinturas em seus espaldares, no Coro-Alto um imenso órgão do século XVIII com 1325 tubos que conjuga a talha dourada e escultura com a pintura representando Santa Cecília e motivos de chinoiserie nos painéis adjacentes.
O cadeiral de madeira do Coro é indubitavelmente o objeto mais particular do convento, ele cerca as laterais da nave central do Coro e é constituído em dois níveis que dão espaço a 104 cadeiras, cada uma com um elemento escultórico único em sua misericórdia, em seu majestoso espaldar ricamente ornamentado a talha dourada serve como moldura para as pinturas, particularmente únicas as representações da vida de Santa Mafalda.
Estado da Arte
O mosteiro é mencionado com distinção pela sua arquitetura e espólio artístico em “Arouca - Notas Monográficas” de Domingos Brandão e Olímpia Loureiro publicado em 1991 pelo Centro de Estudos D. Domingos de Pinho Brandão, com informações dos dicionários geográficos, memorias paroquiais e documentos diocesanos sobre Arouca, todos do século XVIII.
A arquitetura do mosteiro, sua importância sociocultural e seu percurso pela história são extensamente exploradas por Manuel Moreira da Rocha em sua dissertação de doutoramento “Das Construções e Reconstruções, A memória de um Mosteiro: Santa Maria de Arouca (Séculos XVII-XX)” publicada como livro em 2011 pela editora Afrontamento.
Fontes e Bibliografia
ALÇADA, Margarida e RUÃO, Carlos – SIPA Mosteiro de Arouca / Museu de Arte Sacra de Arouca / Igreja Paroquial de Arouca / Igreja de São Bartolomeu. Em linha, verificado em 25/04/2024 http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=1039
AROUCA: Câmara Municipal de Arouca (2009) - O órgão do Mosteiro de Arouca: conservação e restauro do património musical, ISBN 978-972-8978-04-4
BRANDÃO, Domingos de Pinho e LOUREIRO, Olímpia (1991) - Arouca: notas monográficas 1. Arouca: Centro de Estudos D. Domingos de Pinho Brandão. (Centro de estudos D. Domingos de Pinho Brandão)
GOMES, Paulo Varela, Guia Mosteiro de Arouca, IPPAR, Lisboa, 2006
ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da (2011) - A memória de um mosteiro, Santa Maria de Arouca: (séculos XVII-XX): das construções e das reconstruções. Porto: Afrontamento. (Biblioteca das ciências sociais). ISBN 987-972-36-1134-2