Igreja São Cristóvão de Louredo
A atual igreja de São Cristóvão de Louredo, construída no século XVIII, foi classificada como Monumento de Interesse Público em 2011, ano em que foram feitas algumas obras para melhor preservação da mesma. Substituiu uma igreja anterior, pois essa não poderia ser aumentada, localizada noutro local, como indicado pela escritura do retábulo-mor datada de 1715, quando a capela-mor ainda estava a ser construída.
A Igreja de São Cristóvão de Louredo fica localizada na Avenida Padre Amadeu, na freguesia de Louredo, no concelho de Paredes pertencente ao distrito do Porto, é de fácil acesso inserindo-se numa zona rural, cercada por campos e rodeada apenas pelo Cemitério de Louredo, pela Associação Social e Cultural de Louredo e pelo Núcleo Museológico, que foi inaugurado relativamente recentemente, no ano de 2019.
Tendo por base os Registos de Visitações, presentes no arquivo do Seminário Maior do Porto, conseguimos situar a construção da Igreja Paroquial entre 1714 e 1719, conhece-se apenas o nome do entalhador que seria Manuel Machado de Miranda e do Abade Adriano Peixoto de Andrade.
É uma igreja emblemática para a história barroca da cidade do Porto, no entanto, não é tão conhecida como as restantes na área metropolitana do Porto, daí decidir estudá-la para dar a conhecer uma arquitetura religiosa que se destaca pelo seu sumptuoso interior contando com cinco retábulos revestidos em talha dourada e caracterizados pelas suas colunas torsas e arcos semi-circulares, que vale a pena visitar.
É uma igreja de planta retangular composta apenas por uma nave, capela-mor, anexos e pequenas torres sineiras adossadas às fachadas laterais, a sua cobertura é em telhado de duas águas, sendo em coruchéu piramidal de cantaria nas torres. As suas fachadas são rebocadas e pintadas de branco, flanqueadas por cunhais apilastrados, firmados por pináculos piramidais com bola, e rematadas em frisos e cornijas. A fachada principal é virada para Norte, rematada com frontão triangular com cruz latina sobre um plinto e uma esfera no vértice, tem um pormenor de um nicho com uma pequena figura escultórica do orago padroeiro São Cristóvão. É composta pelo portal principal de verga reta e moldura simples, tendo socos inferiores, encimado por uma cornija de cantaria e nicho em abóbada de concha, assente em pilastras almofadadas, envolvido por aletas volutadas e assente em cornija.
As laterais das fachadas apresentam uma semelhança, com portas transversais de moldura simples e verga reta, bem como janelas retangulares emolduradas por capitéis. Além disso, há dois anexos, ambos com telhados em empena, adornados com cruzes latinas nos cantos e janelas retangulares com capitéis. O corpo da capela-mor é composto por janelas em capialço de cada lado com molduras de cantaria.
No retábulo-mor encontramos representações de S.Cristovão e de S.Tiago e é de Estilo Barroco Nacional. Nos quatro retábulos laterais, o primeiro é dedicado às Santas Mães, com a Virgem Maria e Santa Ana com o menino no seu colo e ainda São José e São Joaquim, um segundo dedicado a Santo António, o terceiro representa Cristo crucificado e o quarto é dedicado a Nossa Senhora do Rosário, incluindo representações de São Francisco de Assis e de São Domingos. Junto às portas laterais no interior da igreja, em dois nichos, encontram-se duas figuras escultóricas, representando São Manuel e São Cristóvão. Mesmo à entrada, também em nichos, do lado direito encontramos uma pia batismal com uma pintura referente ao batismo do Senhor e do lado esquerdo temos uma pintura de Cristo crucificado. Ainda no interior encontramos também dois púlpitos que serviriam para os sermões e um arco triunfal que contém o ano 1725, possível ano da pintura, assente em pilastras toscanas com pinturas murais numa tentativa de imitar o mármore, num estilo grotesco e com motivos vegetalistas, já no teto da capela-mor, encontramos uma pintura representativa de um momento de adoração em que anjos incensam o Santíssimo Sacramento. As portas e janelas são emolduradas por elaboradas sanefas esculpidas e douradas, enriquecidas com lambrequins ornamentais. Contém também um coro que dá acesso às torres sineiras.