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Utilizador:Alchimista/teste

Fonte: Porto Barroco
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O mosteiro de Santa Maria em Arouca é fruto das diversas construções e reconstruções que ocorreram ao longo do tempo. Esta instituição, responsável pelo desenvolvimento desta região, tem suas origens no século X. Embora a informação acerca da fase inicial seja escassa, sabe-se que a antiga igreja ficava onde atualmente se situa o coro. No século XIII, o mosteiro ganha destaque quando passa paraa propriedade da rainha D. Mafalda, neta do primeiro rei de Portugal. Através desta ação, o mosteiro adere à ordem de Cister em uma comunidade que se torna exclusivamente feminina como parte da sua renovação. O túmulo de D. Mafalda está em uma capela na igreja do mesmo. A presença da rainha no mosteiro atraiu a mais alta nobreza e muitas filhas de nobres passaram a ingressar na comunidade monástica. A presença desta classe contribuiu para a sua economia pujante e importância administrativa, se tornando o mais rico e influente mosteiro feminino português.

Descrição

As principais renovações no mosteiro, que ditam sua forma atual, vão desde a nobilitação dos materiais construtivos até a atualização das expressões estéticas ao Barroco. As obras se iniciam nos finais do século XVII e perduram por mais de um século, começando com o projeto de Carlos Gimac que renova a fachada ocidental (onde é hoje a entrada do Museu da Arte Sacra). O arquiteto maltês organiza-a com uma nova portaria central que se destaca pela verticalidade, além da distribuição uniforme de janelas para as clausuras individuais e divisão dos níveis por cornijas e pilastras contínuas. A fachada ocidental passa então a servir como modelo para as reconstruções posteriores das fachadas norte e sul, criando assim uma imagem palaciana homogênea no mosteiro.

O projeto de Carlos Gimac se expande e multiplica os espaços do mosteiro, aplicando seus conhecimentos científicos e estéticos para elaboração de toda composição do espaço, agora com a nova igreja e coro, ambos inaugurados em 1718. Após esta data, é construída a ala ligando o coro ao torreão norte. Um incêndio em 1725 faz necessária a renovação da fachada sul, chamada “fachada de Mafra” pelo trabalho realizado por pedreiros vindos de Mafra, acrecenta também um novo torreão paralelo ao da fachada norte. Em 1740, as expansões seguem com a construção do celeiro e uma sumptuosa escadaria de dois lances que se estende para alem do novo torreão, delimitando assim o terreiro que abriga a casa dos padres, atual Biblioteca Municipal de Arouca, em frente à portaria. Após 30 anos, se dá a construção da ala nascente, conectando a fachada sul ao coro, nela instala-se a casa do capítulo, cozinha e refeitório, ligados ao claustro que fora finalizado apenas no século XX pelas intervenções da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.

A riqueza da ornamentação se renova e multiplica juntamente com os espaços no séc. XVIII, tornando o edifício um verdadeiro templo Barroco, seja pelo conhecimento humanista aplicado a arquitetura com o uso racional da luz e das formas ou pela rica escultura e pintura encomendada pelas monjas do mosteiro que buscaram os melhores artistas e artificies disponíveis para nobilitar seu espaço.


É na igreja e no coro onde essa riqueza material e intelectual se faz mais evidente. Começando pelo coro onde a luz banha o cadeiral da nave central, reluzindo a sua talha dourada feita pelos entalhadores portuenses António Gomes e Filipe da Silva em 1722, e iluminando suas pinturas nos espaldares. As esculturas de pedra de Ançã esculpidas por Jacinto Vieira cercam o espaço pela galeria do primeiro piso, na altura das tribunas por onde as monjas assistiam as cerimónias. Um grande arco gradeado separa o coro da igreja e acima dele o coro-alto que da acesso ao majestoso órgão com 1352 tubos encostado à galeria, ornamentado com ouro e uma pintura representanto a padroeira dos músicos Santa Cecília, construído em 1739 é um dos exemplares barrocos mais bem conservados em Portugal.

Alçado norte do Claustro com fonte

Na igreja as esculturas de Jacinto Vieira seguem no nível das tribunas e a talha dourada se espalha pela nave, da capela-mor até as oito capelas, uma delas com o tumulo de D. Mafalda. Os retábulos executados por Miguel Francisco da Silva em 1738 (com exceção dos que ladeiam a capela-mor) preenchem o espaço até a capela-mor, que conta com o imponente retábulo joanino realizado por Luís Vieira da Silva, onde a talha se expande pra as galerias laterais, servindo como moldura para as pinturas no nível da abóboda, com autoria de André Gonçalves, um dos maiores pintores do Barroco nacional. No centro do retábulo econtra-se o trono eucarístico, para onde as linhas do espaço convertem e denotam sua grandiosidade. Em 1834 as ordens religiosas são extintas em Portugal e em 1886 morre a última monja em Arouca. Os patrimónios artísticos do mosteiro são preservados pela Real Irmandade Rainha Santa Mafalda que evita sua dispersão. As obras mantidas, que antes faziam parte do mosteiro, se encontram atualmente no Museu da Arte Sacra localizado em parte nos antigos dormitórios das monjas no mosteiro, abrigando a riquíssima ourivesaria, esculturas e pinturas de mestres portugueses como Diogo Teixeira e Josefa d’Óbidos, como tambem as pinturas representando a rainha Santa Mafalda de autoria do italiano Giovanni Odazzi.