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Convento de Nossa Senhora da Penha de França

Fonte: Porto Barroco
Revisão em 13h28min de 14 de maio de 2025 por 172.68.102.87 (discussão)
Convento da Nossa Senhora da Penha de França

IDENTIFICAÇÃO

Designação Convento de Nossa Senhora da Penha de França
Localização Avenida Central, freguesia de São José de São Lázaro e São João do Souto, Braga, Portugal.
Autor(es) Manuel António, Bento Correia, Manuel Fernandes da Silva, Estevão Moreira, Manuel Rebelo, João Ferreira Velho, Policarpo de Oliveira Bernardes.
Classificação Arquitetura religiosa barroca; arquitetura conventual feminina.

Cronologia

DATA ACONTECIMENTO OBSERVAÇÕES
Fevereiro de 1650 Lavrado contrato notarial por Pedro de Aguiar e Maria Vieira. Consignação de bens para construção de casa de recolhimento para mulheres beatas.
1652 Instituição do recolhimento para sete beatas capuchas. Donzelas ou viúvas; seguia a Terceira Regra de São Francisco.
Segunda metade do séc. XVII Fundação do Recolhimento das Beatas Capuchas. Destinado a donzelas e viúvas; capela dedicada a Nossa Senhora da Penha de França.
(Data não precisa) Testamento de Pedro de Aguiar e Maria Vieira. Deixam bens para eventual transformação em convento; condicionada a requisitos legais.
Cerca de 1719 Visita de D. Rodrigo de Moura Teles ao Recolhimento. Reacende o desejo de transformar o recolhimento em convento.
Cerca de 1719 Levantamento económico e estrutural por Custódio de Azevedo Proença. Avaliação da situação das beatas, espaço, materiais e fundos.
30 de junho de 1719 Primeiro recibo de pagamento das obras dos muros. Assinado pelo mestre Manuel António (Mestre Possas).
Julho 1719 - abril 1720 Recibos das obras da cerca. Assinados por Manuel António, Bento Correia e Custódio Antunes Barros.
4 de junho de 1720 Contrato de arrematação da igreja. Entre Madre Maria Sacramento e Manuel Fernandes da Silva; planta retangular conforme o Arcebispo.
7 de junho de 1720 Lançamento da primeira pedra da igreja. Cerimónia solene presidida por D. Rodrigo de Moura Teles.
3 de outubro de 1720 Relatório de balanço de pagamentos a mestres pedreiros. Indica valores pagos e por pagar.
18 de dezembro de 1721 Primeira missa na nova igreja. Celebrada pelo Arcebispo de Braga.
1721 Conclusão da 1.ª fase das obras. Igreja e cerca construídas.
Maio de 1723 Regente solicita à Misericórdia o legado de Maria Vieira. Para continuar as obras e adquirir arte sacra.
8 de setembro de 1725 Contrato com Estevão Moreira e Manuel Rebelo. Mestres pedreiros contratados para continuação das obras.
1725–1728 Segunda fase das obras do convento. Construção das dependências conventuais.
4 de agosto de 1727 Sagração da igreja. Cerimónia religiosa.
6 de julho de 1728 Pagamento final aos mestres pedreiros. Valor de 7 contos, 892 mil e 560 réis.
4 de junho de 1727 Entrada solene das religiosas no convento. Acompanhadas por senhoras, amigas e parentes.
Final da década de 1720 Encomenda de azulejos da capela-mor a Policarpo de Oliveira Bernardes. Provenientes de Lisboa.
Década de 1730 Provável construção do púlpito por Marceliano de Araújo. Obra artística.
Século XIX Execução do órgão. Sem data exata.
1833 Extinção das Ordens Religiosas. Resultado das reformas liberais em Portugal.
1879 Edifício conventual é cedido para o Asilo da Infância Desvalida D. Pedro V.

ESTADO DA ARTE

A investigação sobre o Convento de Nossa Senhora da Penha de França tem vindo a revelar uma riqueza de estudos que abordam a sua relevância no estudo da Arquitetura Barroca dos séculos XVII e XVIII.

A bibliografia existente explora desde a arquitetura e artes decorativas do edifício, a cronologia das intervenções feitas ao longo do tempo, os mestres e intervenientes diretos na conceção do mesmo detalhadamente, a intervenção de D Rodrigo Moura Teles como grande mecenas da obra, a vivencia conventual analisando a clausura e a organização interna dos conventos femininos e a sua implantação na malha urbana da cidade de Braga.

ENQUADRAMENTO

DESCRIÇÃO

Exterior

A igreja do convento segue a organização típica das igrejas conventuais femininas de Braga no século XVIII, com uma planta longitudinal e funcional. O espaço desenvolve-se a partir de um eixo central que liga os coros, a nave, a capela-mor e a sacristia. Esta disposição simples e linear é visível também do exterior.

A fachada principal, voltada a norte e pintada de branco, reflete uma estética maneirista, com pilastras encimadas por pináculos, cornija discreta e um portal de verga reta emoldurado por pilastras toscanas. Acima do portal, destaca-se uma edícula com a imagem de Nossa Senhora da Penha. A sobriedade da fachada é quebrada por elementos barrocos, como o frontão triangular da edícula e as armas do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles.

O edifício apresenta cobertura de duas águas, com exceção da capela-mor, onde se ergue uma pequena sineira com telhado de quatro águas.

Interior

O interior da igreja apresenta uma decoração barroca exuberante, contrastando com a sobriedade exterior. As paredes estão revestidas com azulejos figurativos azul e branco, organizados em dois registos. Do lado da Epístola figuram-se cenas como a Adoração dos Pastores, a Apresentação de Nossa Senhora e o Casamento da Virgem; do lado do Evangelho, a Anunciação, a Visitação e o Nascimento da Virgem.

A cobertura é em abóbada de berço, pintada de branco e azul. O pavimento é em soalho de madeira. O coro-alto possui balaustrada, armas do arcebispo e uma cartela com inscrição, bem como uma tribuna com imagem do Crucificado.

A nave é iluminada por janelões com sanefas em talha dourada, alguns dos quais foram entaipados e cobertos com azulejos. Inclui ainda elementos como um confessionário, pias de água benta, guarda-vento em madeira e dois retábulos laterais: um com a imagem do Sagrado Coração de Jesus e outro com Nossa Senhora da Penha.

Capela-mor e sacristia

A capela-mor, acessível por dois degraus de pedra, é coberta por uma abóbada estucada com elementos decorativos em branco e azul. Apresenta quatro janelões, sendo os do lado da Epístola entaipados e revestidos a azulejos. O retábulo-mor, em talha dourada e planta côncava, é ricamente ornamentado com motivos vegetalistas, anjos e as armas do arcebispo. Possui um trono eucarístico elevado, um sacrário decorado e altar com frontal trabalhado.

A sacristia tem teto de madeira, soalho e lambris com azulejos seiscentistas de padrão, colocados de forma aleatória. Contém ainda um arcaz em madeira.

Claustro

O claustro tem planta quadrada e dois pisos. No piso térreo, há uma arcaria com colunas toscanas e uma galeria interior decorada com azulejos industriais azuis. O piso superior possui janelas amplas. Ao centro, existe um jardim com um chafariz circular, composto por uma taça, urna e uma esfera armilar. Estão atualmente a decorrer obras de intervenção nesta área.

Estado atual

As restantes dependências conventuais foram significativamente alteradas ao longo do tempo, estando atualmente adaptadas a novas funções, distintas da sua utilização original.

IMAGENS E ICONOGRAFIA DO OBJETO

FONTES E BIBLIOGRAFIA

Fontes

SISTEMA DE INFORMAÇÃO PARA O PATRIMÓNIO ARQUITETÓNICO (SIPA). “Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Penha de França / Convento de Nossa Senhora da Conceição da Penha de França” – Monumentos.pt. (http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=11127)

ARQUIVO ONLINE DO PATRIMÓNIO CULTURAL, I.P. – MINISTÉRIO DA CULTURA (PORTUGAL). Disponível em: https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/index.php/recolhimento-de-nossa-senhora-da conceicao-da-penha-de-franca-convento-de-nossa-senhora-da-conceicao-da-penha-de-franca.

Bibliografia

ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da. Manuel Fernandes da Silva: Mestre e arquitecto de Braga, 1693–1751. 1.ª ed. Braga: Centro de Estudos D. Domingos de Pinho Brandão, 1996. (Colecção Centro de Estudos D. Domingos de Pinho Brandão; 4).

ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da. A adoção do Barroco nas igrejas conventuais femininas de Braga no pontificado de D. Rodrigo de Moura Teles: diálogos artísticos. Poligrafia, Braga: Centro de Estudos D. Domingos de Pinho Brandão, n. 9/10, 2000/2001.

ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da. Panorama artístico no século XVIII dos conventos franciscanos femininos em Braga. 2009.

BANDEIRA, Miguel Sopas de Melo. O espaço urbano de Braga em meados do século XVIII: a cidade reconstituída a partir do Mappa das Ruas de Braga e dos índices dos Prazos das Casas do Cabido. Revista da Faculdade de Letras – Geografia, Porto, v. IX. 1993

OLIVEIRA, Flávia. As teresinhas. O Carmelo feminino da Braga moderna e contemporânea (1766-1902). Misericórdia de Braga: Revista da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Braga, n. 13. 2017

SILVA, Manuel da. História dos Conventos de Braga. Braga: Tipografia Braga Press, 1982.

SERRÃO, Vítor. História da Arte em Portugal - o Barroco. Barcarena: Editorial Presença, 2003.

ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da. Panorama artístico no século XVIII dos conventos franciscanos femininos em Braga: tópicos para uma abordagem. In: FERREIRA-ALVES, Natália Marinho (Coord.). Os Franciscanos no Mundo Português: artistas e obras. I. Porto: CEPESE, 2009.