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Igreja dos Terceiros do Carmo

Fonte: Porto Barroco
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1. IDENTIFICAÇÃO

Designação Igreja da Venerável Ordem Terceira do Carmo
Localização Cruzamento entre a Praça Carlos Alberto e a Rua do Carmo ; Vitória; Porto
Cronologia 1756-1768
Autor(es) José de Figueiredo Seixas (arquiteto)
Classificação Monumento Nacional- 3 de Maio de 2013
Como chegar Autocarros: 200( descer na paragem “Carmo”), 208, 300,500,600,601

Metro: linhas A,B,C,E,F ( descer na estação da “Trindade”) ; Linha D ( descer na estação “Aliados”)


2. ESTADO DA ARTE

Tendo por base, sobretudo a tese de licenciatura apresentada em 1974 por Maria Luisa Cachapuz sobre a Igreja dos Terceiros do Carmo , e o texto de Diogo Alcoforado sobre o estudo da fachada desta mesma igreja, foi possível desenvolver esse trabalho. Com apoio no primeiro texto, com mais apoio documental e descrição histórica da construção da igreja, permitiu-se uma abordagem não encontrada em outras plataformas de pesquisa, como a wikipedia. Sendo um dos elementos mais marcantes deste edifício, a sua fachada torna-se um importante tópico de estudo, através do levado a capo por Diogo Alcoforado foi dado o devido destaque no texto.


3. ENQUADRAMENTO

Conjunta à igreja dos Terceiros do Carmo está a Igreja dos Carmelitas, está última com a sua construção finalizada em 1650, o que distancia ambas por praticamente um século. À frente deste conjunto está o edifício da Reitoria da Universidade do Porto, contudo não contemporâneo, sendo o seu período de construção, sobretudo, o século XIX.


4. DESCRIÇÃO

A Ordem terceira do Carmo no Porto foi constituída em 13 de Julho de 1736 com sede na igreja dos Carmelitas. Os carmelitas por escritura de 13 de Maio de 1756, cederam aos terceiros o terreno e umas casas para estes construirem a sua capela e casa da secretaria. Contudo, foi somente em 29 de Agosto de 1756 que o bispo de Tanger e deão da capela ducal de Vila Viçosa, D. João Ferreira da Silva, governador apostólico da diocese do Porto, lançou a primeira pedra da igreja, projetada pelo arquiteto, pintor e escultor, José de Figueiredo Seixas. Com certos desentendimentos entre a Mesa e o arquiteto, sendo corrente as influências e pareceres de Nicolau Nasoni na obra, o plano executado seguiu sendo o de José Figueiredo Seixas.

A igreja possui uma planta longitudinal com uma nave, com três capelas de cada lado em sua extensão. A fachada do edifício, de uma fase estilística conhecida como o “rocaille, marcado por um jogo de planos favorável aos efeitos lumínicos , divide-se em três partes, sendo os divisores duas cornijas. O primeiro nível, em cada lado, presenta pilastras gémeas e, ao centro, o portal acompanhado de dois nichos, dentro dos quais se encontram as imagens dos profetas Elias e Eliseu, relacionados a mítica história de fundação da Ordem do Carmo. A componente decorativa desta primeira parte da fachada é reservada sobretudo aos componentes arquitetónicos, ou seja, os capitéis nas pilastras, as bordas nos nichos e remate. Na segunda parte, prolongam-se as pilastras debaixo, mas com um remate da capitel compósito com motivos florais a estender-se desde o capitel ao longo do fuste, de modo a assemelhar-se a um encadeamento de flores. No prolongamento dos nichos, encontram-se dois janelões e, ao centro, um nicho com a imagem de Santa Ana em jaspe, encimado por um óculo. No último nível, em seguimento às pilastras no extremo dos lados do edifício, são rematadas por acrotérios; as pilastras centrais suportam o frontão e as imagens dos quatro evangelistas que rematam a composição ao lado da cruz, que marca o centro da composição da fachada. No frontão se destacam, em suas extremidades, motivos vegetalistas que ladeiam o brasão da Ordem dos carmelitas descalços.

A fachada lateral como a conhecemos hoje não é contemporânea com o restante da construção. A cobertura de azulejos, tão famosa atualmente, foi completada em 1912. Com desenho e composição de Silvestre Silvestri e pintura de Carlos Branco, foi executada nas fábricas do Senhor d’Além e da Torrinha.

No interior, a igreja possui uma capela-mor e uma só nave, com seis altares, três de cada lado, separados por pilastras. A capela-mor contém um retábulo em talha dourada feito em 1773, por Francisco Pereira Campanhã. Neste retábulo se encontram a imagem de Cristo crucificado ( Nosso Senhor da Agonia) no nicho central sobre um trono escalonado, também as imagens de Santa Ana e da Nossa Senhora do Carmo, encontradas junto das colunas torsas, ou salomónicas. No arco triunfal se encontra o brasão da Ordem encimado por uma coroa e no remate do arco cruzeiro, junto dos fustes, encontram-se imagens vindas de Itália de S. José e S. Joaquim. A nave, como já referido, está em sua extensão repleta de altares, todos construídos em 1771. Do lado direito da entrada estão os altares do Senhor preso à coluna, do Senhor preso e do Senhor no Horto; do lado esquerdo, o do Senhor dos Passos, do Ecce Homo (também conhecido como a Varanda de Pilatos) e do Senhor coroado.


Património integrado

O retábulo-mor desta igreja, realizado pelo entalhador portuense Francisco Pereira Campanhã, é claramente uma obra de estilo rococó, finalizada em 1776. No nicho central sobre o trono escalonado encontra-se a imagem de Cristo crucificado, tendo em sua volta colunas torsas, três de cada lado, e, abaixo delas, imagens de Santa Ana e Nossa Senhora do Carmo. Se percebe nesta obra, o jogo entre volumes, através da sobreposição de linhas curvas de modo que, segundo Maria Luísa Cachapuz, se assemelham a ondas no mar.


Objeto ou conjunto em destaque

Foi dado destaque ao retábulo-mor desta igreja, devido à importância deste no ritual litúrgico é, portanto, mais trabalhado plasticamente.