Mosteiro de Santa Clara-a-Nova
IDENTIFICAÇÃO
| Designação | Mosteiro de Santa Clara-a-Nova |
| Localização | Calçada Santa Isabel, 3040-270 Coimbra, Portugal |
| Cronologia | Século XVII e XVIII |
| Autor(es) | João Turriano (1610–1679),Domingos Freitas, Mateus do Couto, Manuel do Couto, Custodio Vieira, Carlos Mardel |
| Classificação | Categoria: MN - Monumento Nacional,
Decreto de 20-05-1911, DG, n.º 119, de 23-05-1911 (determinou que a classificação compreende não só o túmulo, mas ainda o claustro e coros); Decreto n.º 31-A/2012, DR, 1.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012 (ampliou a área classificada e alterou a designação para "Mosteiro de Santa Clara-a-Nova") |
ESTADO DA ARTE
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova é um marco da arquitetura religiosa em Portugal, destacando-se entre os conjuntos monásticos da sua época pela imponência da sua construção e pela harmonia do seu traçado. A grandiosidade do edifício, reflete a importância do mosteiro na história religiosa e cultural da cidade, sendo um dos melhores exemplos do barroco monástico em Portugal. (BONIFÁCIO, Horácio, 1990).
ENQUADRAMENTO
Contexto físico patrimonial de proximidade
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova está localizado em Coimbra, na margem esquerda do rio Mondego, fora do antigo núcleo urbano amuralhado, no Alto de Santa Clara, antigamente conhecido por monte da Esperança, uma zona elevada e estratégica da cidade. O edifício pertence à freguesia de Santa Clara e Castelo Viegas, integrando um dos mais importantes conjuntos patrimoniais da cidade, ao lado do antigo Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, hoje em ruínas, e o antigo Mosteiro dos Franciscanos.
Contextualização
O primeiro Convento de Santa Clara, em Coimbra, foi erguido junto do convento franciscano, tendo sido fundado por D. Mor Dias, uma dama da nobreza conimbricense, que se encontrava recolhida no convento feminino de São João das Donas, ligado aos Cónegos de Santa Cruz. A primeira pedra da Igreja foi lançada em 1286, e no ano seguinte o mosteiro foi entregue à Ordem de Santa Clara. No entanto, sua fundação gerou conflitos com os Cónegos de Santa Cruz, que duraram muitos anos. Após a morte de D. Mor Dias, em 1302, os frades crúzios contestaram seu testamento, levando ao fechamento do mosteiro.
O Mosteiro foi refundado com o apoio de D. Isabel de Aragão (1270-1336), que tendo conseguido resolver os problemas com os Cónegos de Santa Cruz, obteve autorização do Papa Clemente V, em 1314, para fundar um novo mosteiro dedicado a Santa Clara. A nova edificação foi erguida no mesmo local onde outrora se localizava o mosteiro fundado por D. Mor Dias. Contudo, a rainha adquiriu terrenos adjacentes, permitindo a ampliação da área e o planejamento de um edifício de maiores proporções.
Após a morte de seu marido, D. Dinis, em 1325, a rainha passou a vestir o hábito das Clarissas, embora não tenha se tornado freira de fato, e viveu até à sua morte num paço que mandou edificar nas imediações do Mosteiro.
A Rainha Santa Isabel se tornou uma das figuras mais veneradas da história religiosa de Portugal, não apenas por seu papel como monarca, mas sobretudo pelo exemplo de santidade que demonstrou ao longo da vida. Logo após sua morte, começaram a surgir relatos de milagres atribuídos à sua intercessão. Foi D. Manuel I quem solicitou ao Papa Leão X, em 1516, a beatificação de D. Isabel. A partir dessa concessão, tomaram-se as primeiras diligências para sua canonização, incluindo a fundação da Confraria da Rainha Santa Isabel. A canonização foi oficialmente realizada em 1625.
O antigo Mosteiro, contudo, começou a degradar-se devido às cheias constantes do rio Mondego, que também afetavam o Convento de São Francisco. Em 1602, começou a construção do novo convento dos franciscanos, mas as Clarissas continuaram no mesmo local, fazendo reformas na igreja e elevando o piso para evitar problemas com as inundações
Após a Restauração da Independência, as freiras clarissas, por meio da abadessa, solicitaram a D. João IV a mudança do Mosteiro de Santa Clara para um local mais seguro. O mesmo acatou o pedido, e em 12 de dezembro de 1647, assinou um documento autorizando a mudança, visando proteger as religiosas e preservar o túmulo da Rainha Santa Isabel.
Gênese do Projeto
A construção de um novo convento em Coimbra foi confiada ao engenheiro e arquiteto Frei João Turriano (1610–1679), de origem italiana e filho de Leonardo Torriani, renomado arquiteto e engenheiro militar. Com forte influência maneirista, o projeto final do edifício foi aprovado pelo rei D. João IV, e a cerimônia de lançamento da primeira pedra ocorreu em 3 de julho de 1649, antecedida por uma grande procissão que envolveu a população da cidade.
As obras tiveram início pelo dormitório, a fim de garantir abrigo imediato às religiosas. Durante os primeiros 19 anos, o projeto original foi seguido com rigor. Em 1677, já estavam concluídos o dormitório, a cozinha e o refeitório, enquanto os trabalhos na igreja e na sacristia estavam em andamento. Esse avanço permitiu a transferência das freiras Clarissas para o novo convento, em uma procissão solene que levou as relíquias da Rainha Santa Isabel ao novo espaço.
A consagração da igreja ocorreu em 26 de junho de 1696. Uma semana depois, o corpo da Rainha Santa Isabel foi transferido para o altar principal, sendo depositado em um túmulo de prata e cristal situado na capela-mor, especialmente projetada para abrigar as relíquias com a devida solenidade. Desde então, o convento passou a ser um importante centro de devoção à padroeira da cidade de Coimbra.
Ao longo de mais de 120 anos de construção, a direção das obras passou por diversos profissionais. Destacam-se entre eles Domingos Freitas, Mateus do Couto, seu sobrinho Manuel do Couto, Custódio Vieira e Carlos Mardel. Esses mestres, formados em engenharia militar e arquitetura religiosa, conduziram diferentes fases do processo construtivo, cuja conclusão só foi alcançada em 1769.
A longa duração da empreitada, marcada por intervenções sucessivas e pela atuação de distintos mestres de obra, resultou em uma edificação que, embora mantenha fidelidade ao traçado original de Turriano, revela múltiplas influências estilísticas. Além dos elementos maneiristas iniciais, destacam-se traços marcantes do barroco e do rocaille, refletindo tanto a evolução das técnicas construtivas quanto as transformações nos padrões estéticos entre os séculos XVII e XVIII.
DESCRIÇÃO
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova é composto por dois corpos principais. O primeiro é o dormitório, conectado aos demais espaços por meio dos coros e de uma entrada comum, mas funcionando como um edifício independente. Está situado afastado da área que abriga a igreja, a sacristia, a casa do capelão e as hospedarias. O segundo corpo, localizado na parte sul do mosteiro e com planta quadrada, concentra a igreja e o claustro. Ambas as fachadas voltadas a leste se abrem para o rio Mondego, enquanto a entrada principal do convento, a portaria, encontra-se ao sul, disposta perpendicularmente à igreja.
A arquitetura das fachadas destaca-se pela simplicidade decorativa, característica do chamado “estilo chão”, associado às ordens mendicantes e à austeridade do período das Guerras da Restauração. Apenas o portal da igreja e a portaria apresentam ornamentos mais elaborados, criando contraste simbólico entre o exterior sóbrio e o interior decorado, separando visualmente o espaço terreno do sagrado. Ainda assim, o mosteiro impressiona pelo seu tamanho, espalhando-se pela encosta e dominando a paisagem de Coimbra. A escala monumental do edifício responde a questões práticas. Devido à inclinação do terreno, João Turriano havia optado por construir a igreja e o dormitório no mesmo nível, resultando numa fachada longa, mas bem equilibrada e com dois torreões em suas extremidades que quebrassem a horizontalidade do edifício (Pacheco, 2013, 281; Rodrigues, 2003, 12).
No lado leste, a entrada do terreiro é feita por um portal do início do século XVII, que provavelmente reutilizou elementos do antigo mosteiro. Esse portal dá acesso ao pátio, que funciona como um miradouro, onde se encontra a estátua da Rainha Santa Isabel, esculpida por Álvaro de Brée. Já no lado oeste, ainda é possível ver parte do antigo muro que cercava o convento, com função defensiva e, ao mesmo tempo, essencial para garantir a reclusão das freiras. No lado sul da igreja, junto à fachada principal, ficavam as hospedarias, que serviam para receber peregrinos e visitantes. Essas construções estavam fora da parte murada do pátio, com exceção da casa do capelão, que ficava sobre a sacristia (Rodrigues, 2003, 13).
Igreja
No adro, à esquerda, encontra-se a fachada da Igreja, que no interior organiza-se em sacristia, cabeceira, nave e coros. A fachada principal, voltada para nascente, é a única visível do exterior e nela localiza-se o portal de entrada do templo. Este tipo de fachada correspondendo à tipologia comum das igrejas monásticas femininas, a entrada das igrejas clarissas sendo feita pelo lado da epístola, pois no lado oposto ao altar encontram-se os coros (Silva, 2000, 26).
A parede da fachada da Igreja apresenta uma composição de extrema simplicidade, mas ganha dinamismo através do ritmo criado pela alternância entre pilastras e janelas. A fachada, assimétrica, divide-se em três partes, cada uma ligada a diferentes espaços do interior. À esquerda situam-se os corredores e a sacristia, que contornam a capela-mor, esta mais elevada. Ao centro, encontra-se a parte correspondente à nave, mais alta que a capela-mor. Na fachada, esta zona central é marcada por seis pilastras de ordem colossal romana, entre as quais se insere o portal. À direita está a zona dos coros, a parte mais simples da fachada com janelas.
O portal da Igreja é ladeado por triplas pilastras toscanas que sustentam um entablamento com friso decorado por tríglifos. Acima, há uma tabela retangular com o escudo português sustentado por dois anjos, enquadrada por pilastras jónicas e aletas volutadas, terminando num frontão de lanços com uma cruz ao centro. A presença das armas régias marcava a legitimação portuguesa da guarda do túmulo da Rainha Santa Isabel, e ao mesmo tempo simbolizava a afirmação da nova dinastia frente à anterior (Carvalho, 2015, 11; (Bonifácio et al, 1991).
O interior da igreja é relativamente pequeno em comparação com a fachada. A planta é retangular, com uma única nave, coberta por uma abóbada de berço com caixotões e janelas no segundo piso, intercaladas por pilastras. A separação entre a nave e a capela-mor é feita por um arco triunfal. A capela-mor é coberta também por uma abóbada de caixotões e a parte do altar é revestida com talha dourada, com destaque para o tímpano e para o conjunto de três colunas toscanas que envolvem o altar. Nele encontra-se o túmulo de prata da Rainha Santa Isabel, além de uma imagem esculpida por Teixeira Lopes (Silva, 2000, 37; Figueiredo, 2007, 205).
O interior da igreja é ricamente ornamentado com várias estruturas de talha dourada e policromada, destacam-se os catorze retábulos da nave, todos semelhantes, feitos de talha dourada, com arcos perfeitos e colunas toscanas. Esses retábulos ilustram a vida de santos ligados aos franciscanos, com uma ênfase especial em São João Batista. Juntos, eles formam uma história visual que conecta o mundo dos santos ao céu, culminando no retábulo principal, dedicado à Rainha Santa.
Os coros, separados da nave, garantiam a participação das religiosas sem contato direto com o exterior, em uma espécie de “igreja de dentro” com as mesmas proporções da igreja aberta. Sendo sobrepostos e com o mesmo comprimento da nave. O túmulo gótico da Rainha Santa Isabel encontra-se no coro-baixo, enquanto o coro-alto é isolado por uma grade de ferro e sobre a mesma se situava o órgão (Silva, 2000, 26).
Claustro
O claustro foi construído entre 1704 e 1760, sendo inicialmente projetado por Custódio Vieira e posteriormente continuado por Carlos Mardel. Trata-se de um espaço de grandes dimensões, composto por dois pisos. No piso térreo, cada ala é formada por sete grandes arcos, separados por intercolúnios de ordem dórica. Nos quatro cantos do piso inferior, os ângulos são côncavos, e em cada um há uma pequena fonte, que simboliza os quatro rios do Paraíso (Bonifácio et al, 1991).
No segundo piso, logo acima das fontes, encontram-se emblemas alusivos à Rainha Santa Isabel. Este andar é fechado e apresenta janelas sobre cada uma das arcadas do piso inferior. Essas janelas são encimadas por frontões triangulares, que, por sua vez, são rematados por pináculos em forma de bola. O pátio central do claustro é ajardinado, com canteiros divididos por oito arruamentos lajeados que se cruzam. No centro do pátio, ergue-se um monumento à Imaculada Conceição (Bonifácio et al, 1991).
Dormitório
Dormitório apresenta, em planta, a forma de um L invertido. O braço curto, junto ao claustro, corresponde ao refeitório e à cozinha, enquanto o braço longo destinava-se ao dormitório. A fachada, inteiramente rebocada e pintada de branco, desenvolve-se em dois pisos e uma cave, animada pelo ritmo das janelas organizadas em quatro grupos de dez por andar totalizando 80 aberturas. No piso superior, três janelões entre os grupos de janelas iluminam o corredor interior, sobre os quais surgem trapeiras com óculo no nível do telhado (Silva, 2000, 35 e 69)
As extremidades da fachada são marcadas por torreões de três pisos, rematados por cúpulas quadradas. O torreão sul, mais próximo à igreja, destaca-se pela por conter a portaria, projetada num corpo saliente com varanda sobreposta. No segundo piso, um corredor envidraçado com três janelas liga o torreão à igreja, sobre o qual se encontra uma galeria aberta, junto ao campanário de três sineiras, situado sobre o coro.
A portaria, de estilo barroco e de apenas um piso, apresenta composição simétrica com três portas. A porta central é ladeada por duplas colunas toscanas que sustentam um frontão interrompido, onde repousam dois anjos acroteriais. Nos lados, pares de colunas dóricas emolduram janelas cegas e nichos entre pilastras, destinados provavelmente a esculturas. Acima, janelas poligonais evocam a obra de Borromini e o rococó português, como a Capela de Santa Maria Madalena de André Soares. A galeria superior é descoberta, decorada com pilastras e fogaréus, funcionando como mirante para observação de procissões e festas. A porta de ligação da galeria ao dormitório é ornamentada com volutas, motivos florais, folhas de palma cruzadas sob uma coroa e um frontão triangular com vaso de pedra (Pacheco, 2013, 282).
Internamente, o convento organiza-se a partir da portaria. Em frente, um corredor leva ao piso inferior do dormitório; à esquerda, encontram-se os acessos ao refeitório e à cozinha. Destaca-se uma ante-sala, possivelmente usada como refeitório dos sargentos, com dois lavabos - um deles revestido por azulejos seiscentistas azuis e amarelos, de disposição desemparelhada, indicando reaproveitamento. As paredes dessa ante-sala e do refeitório apresentam silhares de azulejos com albarradas floridas, com pegas laterais. O refeitório, de planta retangular, é amplo, rodeado por bancos e possui púlpito no lado norte. A cobertura é feita por abóbada de berço apoiada em pilastras e arcos torais. A parede que o separa da cozinha apresenta duas aberturas de serviço. A cozinha, embora modificada, conserva a sua amplitude. Em frente ao refeitorio, existia uma cisterna com dois compartimentos, sustentada por pilares e robustas abóbadas.
No piso inferior, um longo corredor alinhava oitenta celas (quarenta de cada lado), destinadas às serventes. Posteriormente, o espaço foi adaptado para oficinas, caserna, arrecadações e consultórios médicos, reduzindo o número de divisões. Três escadas voltadas para poente - duas nas extremidades e uma ao centro, em corpo saliente - dão acesso ao piso superior, sendo a escada central reformada por risco de ruína (Figueiredo, 2007, 37).
Sobre o refeitório localizava-se a primeira igreja do mosteiro, composta por três salas, uma com lareira, revestidas com azulejos de padrão geométrico azul e branco. Uma capela de planta octogonal, inserida na espessura da parede norte no século XVIII, que apresenta estuques concheados, altares laterais e cenas da Paixão, e outras decorações, hoje bastante deterioradas. Durante a invasão francesa, o túmulo e as relíquias da Rainha Santa Isabel foram ali escondidos.
O dormitório das clarissas, acima do das serventes, possuía originalmente oitenta celas ao longo de um corredor. Com a adaptação a quartel, foram reduzidas para cinquenta, para permitir o aumento das divisões, mas isso fez-se necessário reforçar a abóbada superior após remoção de paredes internas. E apontaram uma deficiência da iluminação natural nas celas: no piso superior, janelas muito baixas; no inferior, demasiado elevadas, o que exigia degraus. Essa configuração segue as Constituições de 1639, impondo janelas altas para isolar as religiosas. Para Pacheco, favorecia a penumbra desejada nos espaços monásticos. (Pacheco, 2013, 283).
Na extremidade norte, o pavimento inferior possuía lojas usadas como celeiros, divididas por pilares. No lado poente, existem duas capelas de planta retangular e coberturas de duas águas. Uma, junto ao refeitório, funcionava como casa da lenha em 1947, decorada com elementos setecentistas e brasões de Portugal e Aragão. A outra, junto ao torreão norte,apresenta um alpendre com pilares e colunas, tendo na verga a inscrição "JESUS 1677" e baixo- relevo barroco da Senhora da Conceição ladeada por franciscanos (Bonifácio et al, 1991).
Uso Atual
Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o mosteiro não foi imediatamente desativado por se tratar de uma comunidade feminina, sendo mantido até o falecimento da última freira, em 1891. Após esse período, o edifício passou por diversas utilizações. A área conventual foi cedida ao Ministério da Guerra, tendo servido como presídio militar e, mais tarde, como instalação de várias unidades do exército português. Esta ocupação militar, que durou décadas, teve impacto negativo na conservação do imóvel.
Apesar das dificuldades, diversas intervenções foram feitas ao longo do século XX para salvaguardar o monumento, destacando-se os restauros promovidos pela Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) a partir de 1934. O edifício foi classificado como Monumento Nacional em 1910, tendo sua proteção ampliada nos anos seguintes, incluindo o claustro e os coros.
Mais recentemente, o Mosteiro foi incluído na Carta de Risco em 2002, alertando para seu estado de degradação. Em 2007, passou a ser ocupado parcialmente pelo Museu Militar, e, em 2012, teve sua classificação patrimonial ampliada. Por fim, em 2016, foi incluído pelo Estado Português na lista de imóveis disponíveis para concessão a privados, sinalizando a intenção de requalificar e dar nova vida a este importante marco histórico e religioso da cidade de Coimbra. Foi lançado em 2023 um concurso público para a sua exploração por 50 anos. A proposta prevê a transformação do mosteiro num hotel, garantindo simultaneamente a sua salvaguarda material e a sua integração funcional na malha urbana contemporânea.
Objeto em destaque
Túmulo da Rainha Santa Isabel esculpido em pedra, situado no coro da igreja do Mosteiro de Santa Clara de Coimbra, foi encomendado pela própria rainha com o intuito de preservar para posteridade a sua memória. Concluído em 1330, destaca-se pela inovação artística com a introdução de um sarcófago isento, paralelepipédico, autónomo das paredes e decorado em todas as faces, atribuído ao mestre escultor Pêro. A estátua jacente revela uma singularidade particularmente expressiva, representando Isabel com o hábito de clarissa e em condição de peregrina — segurando o bordão à maneira de um báculo e trazendo à cintura uma bolsa com moedas, decorada com a vieira e a cruz de Santiago. Apesar de envergar vestes de ordem de pobreza, mantém a coroa e os escudos régios de Aragão e Portugal, manifestando assim a união entre humildade espiritual e a sua alta estirpe e posição na hierarquia do poder.
Fontes
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Bibliografia
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