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Igreja do Corpo Santo de Massarelos

Fonte: Porto Barroco
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Vista Exterior da Igreja do Corpo Santo de Massarelos
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Fachada da Igreja do Corpo Santo de Massarelos
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Pormenor de uma das duas torres sineiras da Igreja do Corpo Santo de Massarelos
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Pormenor de uma das torres sineiras da Igreja do Corpo Santo de Massarelos
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Pormenor da entrada para a Igreja do Corpo Santo de Massarelos
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S. Pedro Gonçalves Telmo, sobre o frontão interrompido da Igreja de Massarelos
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Pormenor dos Azulejos na Igreja do Corpo Santo de Massarelos
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Sacristia da Igreja do Corpo Santo de Massarelos
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Pormenor do painel de Azulejos proveniente da "Fábrica de Louça de Devezas"
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Parte exterior da Igreja do Corpo Santo de Massarelos voltada ao Rio Douro
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Vista interior da Igreja do Corpo Santo de Massarelos
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Pormenor do orgão presente no templo religioso
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Pormenor do teto no interior da Igreja do Corpo Santo de Massarelos
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Pormenor da vista interior da Igreja
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Pormenor a granito da divisão da nave e da capela-mor
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Interior da Igreja do Corpo Santo de Massarelos, Lado do Evangelho
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Interior da Igreja do Corpo Santo de Massarelos, Lado da Epístola
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Capela de N. Srª. de Fátima, Transepto
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Capela de S. José, Transepto
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Capela de N. Srª. das Dores, Lado do Evangelho
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Capela do Sagrado Coração de Jesus, Lado do Evangelho
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Capela da Imaculada Conceição, Lado da Epístola
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Capela de Stº. António, Lado da Epístola
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Retábulo da capela-mor revestido a talha dourada
Ficheiro:Pormenor do orgão presente no templo religioso.jpg
Pormenor do orgão presente no templo religioso
Ficheiro:Pintura a óleo com a representação de S. Pedro Gonçalves Telmo, presente no templo religioso de Massarelos.jpg
Pintura a óleo com a representação de S. Pedro Gonçalves Telmo, presente no templo religioso de Massarelos

IDENTIFICAÇÃO

Designação Igreja do Corpo Santo de Massarelos
Localização Rua da Restauração, 4050-467 -

Massarelos, Largo do Adro, Porto

Cronologia Fundação: Século XIV ; Intervenção Barroca: Século XVIII
Autor(es) Desconhecido
Classificação Zona Histórica da cidade do Porto
Horário de Funcionamento Terça-Feira e Sábado


ESTADO DA ARTE

A Igreja do Corpo Santo de Massarelos, como objeto de estudo teve o seu maior enfoque nos finais do século XX e inícios do século XXI, em que teses de mestrado como a de Jorge Rodrigues, datada de 2002 faz uma menção especial neste campo de estudo, com a dissertação “A Confraria das Almas do Corpo Santo de Massarelos e suas Congéneres de Mareantes”.

Obras como o “Inventário Artístico de Portugal, Cidade do Porto” (1995), pertencente à Academia Nacional de Belas Artes, revelou-se de grande interesse, bem como as memórias paroquiais remetentes a 1778, mostraram-se ser uma importante fonte pela abordagem histórica das vivências em torno da confraria e do templo.

A revista “O Tripeiro”, que continua a publicar anualmente, possui um artigo referente à Igreja do Corpo Santo de Massarelos, datada de 1958 e permitiu criar um ponto entre o passado e o Contemporâneo, vivenciado atualmente, à semelhança da obra "Descrição Topográfica e Histórica da Cidade do Porto" de Agostino Rebello da Costa do ano de 1788.

A obra consultada mais recentemente é da autoria de Germano Silva intitulada de Porto Nos Atalhos da História (2009), porém, apenas dispõe de onde uma breve menção ao templo religioso, tal como é comum nas restantes obras consultadas, revelando assim falta de bibliografia integral contemporânea sobre a arquitetura.

Finalizando com a obra de Natália Alves, “A Arte da Talha no Porto na época Barroca” importante para o estudo do interior da igreja, também pouco estudado e abordado, pois deu-se a conhecer o nome de um dos artistas que trabalharam no retábulo do altar-mor.


ENQUADRAMENTO

Museu do Carro Elétrico do Porto


DESCRIÇÃO

Situada com vista para o rio Douro, a Igreja do Corpo Santo ergue-se junto à margem, no Largo do Adro, na freguesia de Massarelos, com uma história que remonta para o século XIV, em que tudo terá começado com um milagre e uma promessa.

Em 1394, o galeão S. Pedro que transportava vinte e sete homens, vindos de Londres com destino à cidade do Porto, foi surpreendido por uma tempestade. Para superar essa dificuldade, os marinheiros devotos recorreram a S. Telmo, advogado dos mareantes e marinheiros para que ele os ajudasse. Tendo as suas preces sido ouvidas e resultado assim na bonança, os marinheiros eventualmente descobriram terra segura e consequentemente conseguiram aportar.

No dia seguinte à tormenta ultrapassada, foram a Tuy, descalços, pedir esmola e diante do corpo de S. Telmo juraram edificar um pequeno templo de devoção pelo milagre ocorrido, caso chegassem à cidade do Porto, em Portugal, seguros.

A 20 de dezembro de 1394 chegaram ao Porto e uma pequena e humilde ermida foi erguida num terreno pertencente ao Capitão do Galeão, com S. Pedro Gonçalves Telmo, como santo padroeiro. Para além desta ermida, posteriormente foi criada uma confraria com a mesma invocação, para tratarem e cuidarem da capela e dos marinheiros.

A confraria do Corpo Santo de Massarelos era recordada pelos serviços de apoio prestados não só aos náufragos, como aos marinheiros falecidos no decorrer das suas atividades marítimas e aos menos afortunados em posses, como viúvas e órfãos, que dispunham de uma caixa de esmolas dentro da igreja.

Esta vertente humanitária e o espírito de solidariedade, não só aos mareantes associados às confrarias, mas também a pessoas em necessidade, fez com que a Confraria das Almas estivesse ligada a instituições como Cruz Vermelha, Bombeiros Voluntários e Socorro a Náufragos.

No decorrer da sua longa atividade, foram feitas duas grandes intervenções em torno da igreja, para além da construção primária da ermida. Durante a sua história de funcionamento, foram cedidos vários favores e virtudes, quer de Papas ou Reis e a sua segunda intervenção, remetente a uma ampliação e requalificação, foi realizada já no decorrer do século XVI.

Para além de favores, geralmente ligados aos navios da confraria, como é o caso do privilégio e isenção marítima aos navios que ancorasse o “pavilhão das Almas do Corpo Santo, em todos os nossos portos e seus domínios”, (Lanhoso, 1958), concebido a 6 de maio de 1643 pelo rei D. João IV,  também ofertas e promessas eram feitas.

As mais significantes remetem para a promessa feita no ano de 1797 pela rainha D. Maria I de Portugal, que prometeu oferecer à imagem de Nossa Senhora da Conceição o seu manto real e a promessa de D. Luiz de Athayde, realizada em 1579, cuja oferta dirigiu-se também à Nossa Senhora da Conceição, sendo-lhe concedida um colar com pérolas e uma cruz de safiras, revelando assim a longa longevidade desta figura devocional nesta igreja.

A terceira intervenção ocorreu em 1776, já no final do século XVIII e foi realizada a ampliação do antigo templo e como consequência, a construção da estrutura da Igreja do Corpo Santo de Massarelos que atualmente pode ser observada, começou a surgir. Isto coloca a Igreja numa cronologia barroca por excelência em termos construtivos e ornamentais.

Os arquitetos responsáveis pelas alterações permanecem sem identificação, tal como acontece nas intervenções anteriores. Esta reforma terá sido trabalhada e executada com a ajuda dos integrantes da confraria, “sob a direção do Juiz e do Provedor”, (Lanhoso, 1958).

Fruto desta grande última reconstrução, sobressai-se uma nave única de planta longitudinal com uma capela-mor retangular visível das margens do rio Douro e volumes diferenciados articulados entre si e com um telhado de duas águas.

A fachada principal apresenta-se coberta de azulejos azuis e brancos com motivos geométricos, posteriormente colocados. Destaca-se ainda duas torres sineiras com remates ondulantes, cuja ornamentação faz-se acompanhar pelas seis janelas gradeadas e um óculo central também ele decorado com granito. O destaque da fachada é remetido para a porta de entrada, ressaltando-se um frontão interrompido com uma pequena escultura de S. Telmo, colocada sobre o centro, protegida através de um vidro.

Junto ao corpo principal da igreja, que já se encontra despido de azulejos, destaca-se a casa da sacristia, aumentada posteriormente, cujo granito é enfatizado nesta composição. Já na parte virada ao rio Douro salienta-se a capela-mor com uma cruz azul assinalada sobre um painel de azulejos proveniente da "Fábrica de Louça de Devezas" e assinado por Mendes da Silva. Este painel retrata a figura do infante D. Henrique, associado ao milagre do Galeão de S. Pedro,  num ambiente marítimo, remetendo para o local em que o milagre terá sucedido, com a aparição de S. Telmo, o benfeitor do milagre.

O interior da Igreja do Corpo Santo de Massarelos é destacado pelo teto pintado com pormenores de estuque ornamentados por motivos vegetalistas e geométricos combinados na cor azul.

Ainda na leitura do espaço interior, destacam-se duas capelas no lado do Evangelho, com o Orago sendo o Sagrado Coração de Jesus e a Nossa Senhora das Dores. Já no lado da Epístola, dispõe de outros dois altares com a invocação de Santo António e a Imaculada Conceição da Virgem Maria. Estes altares possuem talha dourada, sem exceção. Já a ornamentação parece comunicar entre si, com colunas a ladear cada altar, algumas delas torsas e elementos ondulantes acentuando a cenografia das capelas.

Quanto ao transepto, revela-se inscrito com pormenores decorativos e trabalhados a granito, sobressaindo-se um óculo de iluminação quadriforme e dois nichos com remate concheado na composição. Este transepto também dispõe de dois altares, um referente à Nossa Senhora de Fátima com dois pastorinhos e o outro a S. José.

A capela-mor retangular é rematada com um retábulo proeminente todo revestido de talha dourada, remetente ao estilo Joanino. Ainda com uma menção do pintor Francisco Mesquista, (Alves, 1989) que eventualmente terá trabalhado no duramente do retábulo mor.

Dispõe de pormenores ondulantes por toda a composição e o Espírito Santo ladeado por dois anjos no plano superior do retábulo, um a segurar uma cruz e o outro uma âncora, simbolizando assim a confraria de marinheiros e mareantes indissociáveis deste templo.

Ainda no interior da igreja do Corpo Santo de Massarelos é importante relevar a existência de um orgão e de um quadro a óleo situado no lado do Evangelho. Nesta pintura pode ser lido: “Triumpho da Grassa sobre ANatureza”. Representa então a separação do terreno e do divino com Cristo sentado ao lado direito de Deus a segurar uma cruz com o espírito santo ao meio, simbolizando assim a Santíssima Trindade.

Destaca-se ainda uma figura feminina a segurar uma âncora fazendo ligação com o lado terreno em que S. Pedro Gonçalves Telmo apresenta-se a segurar a corda desta âncora. No lado inferior do quadro é visível uma custódia e uma chama que pode ser associada ao “fogo de S. Telmo.”

A Igreja do Corpo Santo de Massarelos sempre usufruiu de um cargo importante, não só pela confraria responsável pelo templo, como também pelos milagres realizados por S. Telmo e as suas relíquias, atraindo desde cedo peregrinos, tal como nas Memórias Paroquiais de 1758 descreve, “Vem de romagem a este santo muita gente, com ofertas grandiosas, especialmente os marítimos”.

No final do século XVIII, foi requerido pelos confrades ao bispo de Tuy uma relíquia do Corpo Santo de S. Telmo, um desejo que lhes foi satisfeito e por fim, em 1862, após a igreja da Boa Viagem, possuidora do cargo de Igreja Matriz, ameaçar ruína, a Igreja do Corpo Santo passou a ser a Igreja Paroquial de Massarelos, como à muito era desejado pela confraria, porém em 1924 deixou de possuir esse cargo.

Atualmente a Igreja está sobre a alçada da proteção remetida aos edifícios incluídos na Zona Histórica do Porto, onde encontra-se aberta ao público às Terças-Feiras e Sábados, possuindo um Núcleo Museológico visitável a cargo da Confraria das Almas.


FONTES E BIBLIOGRAFIA

Academia Nacional de Belas Artes. (1995). Inventário Artístico de Portugal, Cidade do Porto. Lisboa;

ALVES, Natália M. F., A Arte da Talha no Porto na época Barroca (Artistas e Clientela, Materiais e Técnica), I Volume, Arquivo Histórico Câmara Municipal do Porto;

CAPELA, J. V. & BORRALHEIRO, H. M. R.. (2009). AS FREGUESIAS DO DISTRITO DO PORTO NAS MEMÓRIAS PAROQUIAIS DE 1758: Memórias, História e Património. Vol. 5, Braga;

COSTA, Agostino Rebello da. (1788). Descrição Topográfica e Histórica da Cidade do Porto, Oficina Antonio Alvarez Ribeiro, p. 111;

JOAQUIM, Jaime B. F. A.. (2005). Ensaio sobre a arquitectura barroca e neoclássica a norte da bacia do Douro, Revista da Faculdade de Letras Ciências e Técnicas do Património, Porto;

LAMEIRA, Francisco. (2013). O retábulo no mundo português: tipologias e modelos compositivos Francisco Lameira FCHS, Universidade do Algarve, CHAIA, Universidade de Évora, 2013.

LANHOSO, Adriano Coutinho. (Janeiro, 1958). A Confraria das Almas do Corpo Santo , de Massarelos, in O Tripeiro, V Série, Ano XIII, nº9;

LEAL, Augusto S. A. B. Pinho. (1875). Portugal Antigo e Moderno, Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, p. 121;

PEREIRA, Paulo. (1989). Dicionário da Arte Barroca em Portugal. Lisboa: Editorial Presença;

RODRIGUES, Jorge M. C., A. (2002). Confraria das Almas do Corpo Santo de Massarelos e suas Congéneres de Mareantes, Porto.

SALTEIRO, Ilídio O. P. S.. (2005). Do Retábulo, Ainda aos Novos Modos de o Fazer e Pensar, Universidade de Lisboa;

SILVA, Germano. (2009). Porto nos Atalhos da História, Casa das Letras.


Observações

S. Pedro Gonçalves Telmo ou Corpo Santo, como também é conhecido, apareceu em Portugal com influência do culto galego lá prestado. Após a sua canonização e associação a Guimarães e Tuy, tornou-se numa devoção ainda mais cultuada em Portugal.

O Padroeiro da Igreja do Corpo Santo de Massarelos estaria ligado a um milagre, em que terá ordenado aos ventos para pararem durante uma das suas pregações, ficando assim associado aos ventos e tempestades que muitas vezes atormentavam os marinheiros.