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Igreja de São Tomé de Bitarães

Fonte: Porto Barroco
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IDENTIFICAÇÃO

Designação Igreja Paroquial de São Tomé de Bitarães
Localização Avenida de São Tomé; Rua da Igreja. Portugal, Porto, Paredes. Coordenadas: 41° 13′ 29″ N, 8° 19′ 19″ O
Cronologia Século XII: construção da igreja, por D. Mafalda.

Século XVIII: reconstrução da atual igreja.

Autor(es) Desconhecido
Classificação Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 28/82, DR, 1ª série, n.º 47 de 26 fevereiro 1982
Como chegar Tendo como ponto de partida a cidade do Porto, deve-se apanhar o comboio, na estação de S. Bento, em direção a Penafiel ou Marco de Canaveses, sair na estação de Paredes e andar até a paragem de autocarro Paredes (Estação), apanhar o autocarro A V Pacense- 158 (Casas Novas), após cerca de 13 minutos de viajem, sair na paragem Bitarães, a cerca de 66 metros encontra-se a Igreja.


ESTADO DA ARTE

Relativamente à fortuna critica, destaca-se logo a bibliografia referente a Bitarães, disponibilizada para consulta na biblioteca municipal de Paredes: Pinto, R. (1996). Paredes - Jóia do Sousa... Paços Ferreira, e o Anuário de Bitarães de 1907, fontes essenciais para o entendimento da freguesia, do enquadramento e da fundação da paróquia. Mediatamente à igreja em si, foi consultado a obra de Serrão, V. (2003). História da Arte em Portugal: O barroco. Lisboa: Editorial Presença, o sítio ‘web’ governamental do SIPA, assim como a obra de Capela, J. V., Matos, H., & Borralheiro, R. (2000). As freguesias do Distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 - Memórias, História e Património. Braga: Universidade do Minho: estas obras oferecem uma descrição precisa da igreja e do conjunto arquitetônico, sendo fundamental a consulta da mesma para a realização do projeto. A página da Câmara Municipal de Paredes foi útil relativamente à localização da obra assim como o horário da mesma.

  Desta forma, apesar da falta e dificuldade de encontrar bibliografia especifica sobre esta obra, a referida anteriormente é essencial para o estudo desta Igreja, alertando para a importância da mesma.


ENQUADRAMENTO

No centro de um amplo adro plano, isolado e rural, está disposta a Igreja, cercada por um muro de cantaria, com pavimento em calçada portuguesa e adornada por árvores, alguns canteiros e bancos de cimento. No centro, ergue-se um cruzeiro composto por uma plataforma circular de três degraus, um plinto cilíndrico onde repousa uma coluna toscana e uma cruz latina.

  A Norte, localiza-se a casa paroquial, acessível pelo adro da igreja e a Sul, o cemitério.  

  A cerca de 11 minutos de distância, encontra-se a Capela da Nossa Senhora dos Chãos.


DESCRIÇÃO

Objeto arquitetónico

Bitarães trata-se de uma freguesia rural, essencialmente agrícola. A agricultura é o centro da atividade económica da freguesia, contudo, tem-se registado algumas alterações relativamente ao desenvolvimento industrial no local. Situada no limite com Penafiel, localizada em Paredes, na Rua da Igreja, 172, 4580-298, Bitarães. Esta freguesia data de tempos ancestrais, principalmente através do seu nome, o próprio topónimo confirma a sua antiguidade. Este local é essencialmente referido nos documentos das Inquisições, nomeadamente de 1258 e 1288, que determinam a estadia de D. Mendo, D. João Peres da Maia e os seus descendentes, nobres que possuíam bens na freguesia de Bitarães, assim como denotam a estadia da família senhorial dos Sousãos.

   Segundo as “Memórias Paroquiais” de 1758, apercebe-se que a igreja desde cedo é muito dotada. Sendo que já desde 1131, o seu padroado pertence à Sé do Porto. Do património religioso de Bitarães, enfatizamos a Igreja Paroquial, e a Capela da Senhora dos Chãos. Classificada como Imóvel de Interesse Público, é um templo construído no século XVIII. A Igreja Paroquial de Bitarães, da invocação de São Tomé, foi construída no local onde outro templo se erguera por iniciativa da infanta D. Mafalda, filha de D. Sancho, cujos vestígios medievais são, hoje, testemunhados pelos sarcófagos antropomórficos que ladeiam o exterior do corpo da igreja. Relativamente à planta: um edifício retangular composto por nave, capela-mor e anexos ligados às laterais, com volumes escalonados e telhados de duas águas. Numa visão geral sobre as fachadas, as mesmas são rebocadas e pintadas de branco, exceto a principal, que se apresenta revestida com azulejos policromados, seguindo o estilo seiscentista. Elas apresentam uma base de cantaria, cantos apilastrados, pináculos piramidais sobre altos plintos retangulares e um entablamento, finalizando com frisos e cornijas. A fachada principal tem uma estrutura retangular, com um portal simples e reto, ladeado por decorações em forma de volutas na parte inferior. No topo do portal, há um friso decorado com tríglifos e um florão central, no topo, um frontão quebrado com uma mísula ornamentada por festões, suportando a imagem do orago, ou seja, São Tomé. Ao redor, há dois óculos circulares, dispostos a ladear o orago, e um grande janelão retilíneo, com moldura detalhada e encimada por concheados e fecho de acantos. Esse janelão interrompe o remate num entablamento, de onde saem duas sineiras e um espaldar central, com uma cornija e fogaréus laterais. No topo, centralizada, está uma cruz latina, apoiada numa esfera e um plinto retangular ornado por um florão. As sineiras são idênticas e simétricas, irrompem o corpo da fachada, estão assentes nos cunhais e mísulas de cantaria, flanqueado por pilastras, o entablamento possui, friso, cornija e um frontão interrompido por fogaréus, sobrepujados por cata-ventos metálicos.

Património integrado

O interior é de nave única, com as paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por silhares de azulejo em padrão policromo, imitando a padronagem seiscentista. A cobertura em falsa abóbada de berço abatido de madeira, detém caixotões pintados com temática hagiográfica, referentes a cenas bíblicas e imagens de Apóstolos e Santos. O portal central é protegido por um guarda-vento de alvenaria. No lado esquerdo, encontra-se o batistério, acessado por um arco de volta perfeita, ornamentado por uma tela representando o Batismo de Cristo. No lado oposto, há outro arco de volta perfeita, decorado com pinturas murais representando cerimónias sacramentais. Em cada lado, estão dispostos dois arcos de volta perfeita, protegidos por estruturas de madeira, formando confessionários duplos. No lado esquerdo, encontra-se um púlpito quadrangular em cantaria, com uma mísula em forma humana, decorado com entalhes pintados em branco e dourado. Sobre o presbitério, capelas laterais inseridas em arcos de cantaria com molduras múltiplas, dedicadas à Senhora da Boa Morte (do lado do Evangelho) e a São José (do lado da Epístola). O arco triunfal, apoiado em pilastras dóricas ornamentadas, é rematado pelas armas episcopais do padroeiro. Flanqueado por capelas dedicadas ao Sagrado Coração de Jesus (no lado do Evangelho) e Nossa Senhora da Conceição (no lado da Epístola). A capela-mor tem paredes e cobertura semelhantes à nave, com um retábulo principal em talha pintada de branco e dourado, destacando-se por uma planta côncava e três eixos definidos por colunas lisas. As portas de acesso aos anexos são retilíneas e quebradas, com frisos e cornijas. Na sacristia, há um arcaz de madeira com um nicho com o Crucificado e um lavabo em cantaria com uma bica em forma de querubim.

Objeto ou conjunto em destaque

Uma das características mais predominantes nesta igreja, é o teto da nave é adornado por uma falsa abóbada de berço abatido, construída em madeira, onde se encontram caixotões pintados com motivos hagiográficos, enquanto molduras de madeira com florões dourados se destacam no centro de cada caixotão. Essas estruturas são sustentadas por frisos e cornijas de madeira, que repousam sobre mísulas equidistantes do mesmo material. As pinturas que cobrem integralmente o teto em padrão xadrez retratam cenas bíblicas na capela-mor, a representar a vida de Cristo e imagens de apóstolos e santos na nave.

  Logo, localizada no concelho de Paredes, Rua da Igreja, n.º 172, este edifício enfatiza-se pela sua característica barroca e pela sua basta história, assim como importância. Para visita à igreja está aberta entre terça e sexta, das 15h às 19h. Para chegar ao local, desde a estação de S. Bento, deve-se apanhar o comboio em direção a Marco de Canaveses e sair na paragem de Paredes, andar até à paragem de autocarro “Paredes (estação)” e apanhar o autocarro “158”, após cerca de 15 min, sair na paragem “Bitarães”.


BIBLIOGRAFIA

  • Bitarães, Anuário, 1907.
  • CAPELA, José Viriato, MATOS, Henrique e BORRALHEIRO, Rogério, As freguesias do Distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 - Memórias, História e Património, Braga, Universidade do Minho, 2000.
  • CM Paredes: https://www.cm-paredes.pt/pages/716?poi_id=27
  • PINTO, Dr. Ricardo, Paredes - Jóia do Sousa..., Paços Ferreira, 1996, edição sob o Alto Patrocínio da Câmara Municipal de Paredes, pág. 92-93.
  • SIPA: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5104
  • Serrão, V. - História da Arte em Portugal: O barroco. Lisboa: Editorial Presença, 2003.