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Casa e Quinta de São Gens/Casa e Quinta do Viso

Fonte: Porto Barroco

1. IDENTIFICAÇÃO

Designação Casa e Quinta de São Gens/Viso
Localização União das freguesias de São Mamede de Infesta e Senhora da Hora

Senhora da Hora, Rua do Senhor nº 14; Exterior da Circunvalação, nº 11846

Cronologia Século XVIII/XIX/XX
Autor(es) Arquiteto: Nicolau Nasoni (1746 / 1758). Arquiteto Paisagista: Ilídio de Araújo (séc. XX, anos 80). Engenheiro: Ruela (1930).
Classificação Em vias de classificação


2. ESTADO DA ARTE

A Casa e Quinta de São Gens/Viso é um monumento histórico de grande importância arquitetónica, associado ao arquiteto Nicolau Nasoni. No site do Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA), é possível encontrar informações detalhadas sobre este exemplar da arquitetura barroca em Portugal. O SIPA fornece dados sobre a classificação do património, descrições técnicas e históricas, bem como fotografias que permitem explorar visualmente a riqueza do monumento.


Além disso, obras de referência como o livro "Nicolau Nasoni: Arquiteto do Porto", de Robert Smith, oferecem uma análise profunda do legado arquitetónico de Nasoni, incluindo as suas contribuições para a Casa e Quinta de São Gens/Viso. Através das pesquisas e interpretações de Smith, é possível compreender melhor o contexto histórico, as técnicas construtivas e os elementos estilísticos presentes nesta obra.

3. ENQUADRAMENTO

Contexto físico patrimonial de proximidade  
Na proximidade deste edifício, temos outros exemplos de edifícios patrimoniais, como por exemplo, a Igreja Matriz da Senhora da Hora, construída no século XX; a Capela de São Gens, situada nas proximidades da Casa e Quinta de São Gens/Viso; a Quinta de Santiago de Ramalde e a Casa de Ramalde, uma casa senhorial que remonta aos séculos XVII e XVIII, e a

Igreja Paroquial de Ramalde, que remonta ao século XVIII e apresenta uma mistura de estilos arquitetónicos, incluindo elementos barrocos e neoclássicos.

4. DESCRIÇÃO

Objeto arquitetónico
A Casa e Quinta de São Gens é um complexo arquitetónico civil, também conhecida como a Quinta do Viso ou Quinta Jerónimo Leite Pereira do Viso, da autoria de Nicolau Nasoni sendo datável por volta do século XVIII, com intervenções de Ilídio Araújo no século XX, nos anos 80 e 90, a nível da arquitetura paisagística. Localiza-se na Senhora da Hora, Rua do Senhor nº 14; Exterior da Circunvalação, nº 11846.

A Quinta de São Gens é, atualmente, uma das quintas de apoio à ação da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte.

A Quinta do Viso, situada em Matosinhos, destaca-se como um exemplar significativo da arquitetura residencial na região. A sua construção combina elementos de diferentes estilos, incluindo o barroco, revivalista e eclético, resultando numa estrutura complexa e visualmente rica.

A casa principal apresenta uma planta retangular, com uma torre quadrangular integrada no centro da fachada posterior, seguindo o modelo arquitetónico casa-torre, à semelhança da Casa de Ramalde. As fachadas exibem uma mistura de características neorromânicas, neorrenascentistas e neobarrocas. Elementos decorativos em cantaria, como cunhais apilastrados, frisos de separação de registos, molduras de vãos e cornijas de remate, enriquecem a ornamentação da estrutura. O acesso principal é através de um portal amoriado, barroco, rasgado no muro da propriedade.

Destacam-se também os detalhes nas janelas, com motivos em arco pleno e perlados, além de balcões de guarda plena, sacadas e cornijas de remate, que exibem influências neobarrocas. A simetria e a proporção são características marcantes da fachada principal, com um portal em arco abatido no centro, encimado por uma janela de sacada com guarda em balaustrada de granito. Os pormenores nas janelas, como brincos e molduras recortadas, contribuem para a riqueza ornamentativa da estrutura. Lateralmente surgem janelas de peitoril e, nos topos portas, ao nível do primeiro registo, sendo as janelas do registo superior rematadas por cornija.

Coberturas diferenciadas em telhados de três e quatro águas. Fachadas de dois registos e quatro na torre, rebocadas e pintadas de amarelo, marcada por elementos em cantaria, nomeadamente, cunhais apilastrados, frisos de separação nos dois primeiros registos, embasamento, molduras dos vãos e cornija de remate, esta última sob duplo beiral, exceto na torre, antecedida por banda lombarda e sobrepujada por platibanda ritmada por merlões piramidais.

O jardim adjacente à casa também reflete a influência barroca, com a presença de fontes e estátuas, muitas das quais atribuídas ao renomado arquiteto Nicolau Nasoni. O muro que delimita a propriedade apresenta elementos característicos do estilo de Nasoni, como as grandiosas volutas na portada e os motivos de fantasia nas janelas. A composição equilibrada e simétrica do muro contribui para a harmonia visual do conjunto arquitetónico.

Mantém até os dias de hoje parte significativa das suas características originais. Entre as obras que permanecem preservadas, destaca-se a estrutura básica da casa, que conserva sua planta e muitos dos elementos arquitetónicos originais, o pátio murado, adornado com um portão armoriado e uma janela mural artisticamente enquadrada. No interior do pátio, podem ser admiradas cerca de uma dezena de esculturas em granito, incluindo um notável conjunto de quatro representações intituladas "Primavera", "Estio", "Outono" e "Inverno", que adicionam um elemento artístico e simbólico ao ambiente.

Além das esculturas, outras estruturas remanescentes incluem duas fontes, um cruzeiro e muros que ajudam a delimitar e adornar os espaços ao redor da casa. Uma fonte de uma bica, destacada pela sua simplicidade e elegância, encontra-se voltada para o centro do terraço, onde uma escultura representando uma quimera de mulher adiciona um toque de mistério e fantasia ao cenário.

O jardim que envolve a propriedade também preserva parte de sua beleza original, com um tanque-lago ocupando uma posição central e cercado por quatro bancos de pedra, oferecendo um local tranquilo e sereno para contemplação e relaxamento.

O interior é organizado, no primeiro piso, através de grande vestíbulo, ladeado por dois salões, ocupados por serviços administrativos, o do lado esquerdo de maiores dimensões. O vestíbulo é decorado por silhar de azulejos industriais de padrão, policromos a azul e amarelo. Pavimento em mosaico de grés policromo com motivos geométricos e florais. Teto em estuque decorado com apainelados. Na parede testeira rasga-se um vão retangular decorado por mascarões, de acesso à escadaria com guarda em balaustrada de madeira, de lanço reto com patamar intermédio de acesso a dois lanços paralelos, divergentes do primeiro. Esta zona apresenta teto de estuque com caixotões, alguns decorados por florões. No topo da escadaria surgem três portas.

Neste piso superior repetem-se três salas, voltadas à fachada principal, duas delas correspondendo ao salão nobre e à sala de reuniões dos serviços e uma escada secundária de dois lanços de acesso aos dois últimos pisos da torre ocupados com gabinetes. Os diferentes espaços apresentam pavimento em soalho e tetos estucados, alguns lisos e outros mais decorados, mas sempre com grande simplicidade.