Igreja Bom Jesus de Matosinhos
1. IDENTIFICAÇÃO
| Designação | Igreja Bom Jesus de Matosinhos |
| Localização | R. Silva Cunha 107, 4450-222 Matosinhos |
| Cronologia | Séc. XVIII (1743) |
| Autor(es) | Nicolau Nasoni |
| Classificação | Imóvel de Interesse Público |
2. ESTADO DA ARTEArquitetura de fachada profundamente barroca, de grandes dimensões e com um impacto cénico requerido à época (séc. XVIII), com jogos de luz e sombra, através de um estilo próprio do grande arquiteto Nicolau Nasoni, adequado ao gosto nacional. O trabalho de Nicolau Nasoni, juntamente com a riqueza de materiais, nomeadamente a partir do uso de talha dourada, que reveste grande parte do interior da igreja, tornam o monumento um exemplar incontornável da arte barroca do país.
3. ENQUADRAMENTOIrmandade da Santa casa da Misericórdia do Bom Jesus de Matosinhos
4. DESCRIÇÃOA igreja do Bom Jesus de Matosinhos encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1982 (Dec. nº 28/82, DR 47 de 26 fevereiro 1982), e constitui um exemplo significativo do Barroco do Norte de Portugal. Localiza-se na freguesia de Matosinhos, numa elevação na margem esquerda do rio Leça, sobranceira ao porto de Leixões e é acedida a partir da Avenida D. Afonso Henriques, que abrange a principal área de influência das famosas festas do Senhor de Matosinhos. A igreja data da segunda metade do século XVI, construída por iniciativa da Universidade de Coimbra. Do templo Renascentista, que substituiu uma igreja medieval em decadência (que se erguia na região de Bouças), pouco se conhece. A atual igreja resultou de um plano de renovação do século XVIII, que ficou a cargo do célebre arquiteto e símbolo do barroco português: Nicolau Nasoni.
Segundo a lenda, o culto do senhor crucificado de Bouças remonta até ao ano 124 A.D. quando a imagem milagrosa do Bom Jesus apareceu na praia desse nome. Fizeram-lhe, em tempos remotos, uma capela à margem do rio Leça, na região de Bouças, a algumas centenas de metros de distância da igreja atual, que eventualmente foi aumentada para servir de matriz da vila, tornando-se um espaço de peregrinação muito procurado. Em 1542, os direitos de padroado de Salvador de Bouças foram doados à universidade de Coimbra, que se encarregou de começar as obras para uma nova igreja, não em Bouças, mas em Matosinhos, que seria o ponto de vista administrativo e da dinâmica social e económica do povoado, e para onde passou a sede da paróquia e a imagem do Bom Jesus de Bouças que, pouco a pouco, foi perdendo tal designação em favor da de Senhor de Matosinhos.
Entre 1559 e 1579, a obra de construção do novo templo renascentista ficou entregue ao mestre arquiteto e escultor João de Ruão a quem, depois, se juntou o seu discípulo Tomé Velho. O facto de a responsabilidade de construção pertencer à Universidade de Coimbra, motivou as influências artísticas e arquitetónicas da quinhentista escola coimbrã, de que João de Ruão foi um dos expoentes máximos. No entanto, desta fase de construção, significativamente alterada no século XVIII pouco sobra, à exceção das colunas jónicas que dividem as três naves e que suportam a cobertura da igreja.
Existem registos de sucessivas intervenções com objetivo de atualizar o equipamento litúrgico da igreja, embora as suas dimensões não tenham sido alteradas significativamente.
Já no século XVIII, durante o período Barroco, o grande florescimento da talha dourada era, do ponto de vista artístico-religioso, a grande moda. Moda incentivada pelo aparente enriquecimento do reino com o ouro e as pedras preciosas que chegavam do Brasil. As novas ideias visavam a captação dos fiéis através do impacto emocional criado pela teatralidade, movimento, e pela sumptuosidade. Perante a desatualizada capela-mor, com “nuas” paredes em cantaria, os irmãos da Irmandade do Bom Jesus de Bouças decidem, em 1726, proceder a profundas obras de reconstrução, adaptadas aos novos tempos.
Em 3 de Julho de 1743, a irmandade de Matosinhos chegou a um acordo com o representante da universidade para ampliar a escala da obra, e os trabalhos de Nicolau Nasoni entraram em vigor.
A principal contribuição de Nasoni foi a fachada principal. Pela primeira e única vez na arquitetura religiosa, foi erguida uma composição horizontal no estilo de certas grandes fachadas italianas.
O esquema é essencialmente um desenho de um só andar, encimado por torres laterais, de composição e remates semelhantes àqueles de outra notável obra do artista, o Palácio de Mateus.
A fachada é enriquecida com remates e detalhes escultóricos, com jogos de volutas e curvas contorcidas e ritmada por pilastras jónicas, talvez inspiradas pelas imponentes colunas renascentistas da nave, que separam os dois campanários laterais do corpo central, terminado em frontão interrompido, ladeado por quatro fogaréus. Nas torres abrem-se nichos com estátuas representativas dos santos Paulo e Pedro, com as respetivas inscrições que os identificam, que terão sido, provavelmente, desenhados pelo próprio arquiteto.
Três portais retilíneos, encimados por frontões interrompidos por cartelas, abrem-se para um interior dividido três naves e cinco tramos, separados com arcos de volta perfeita assentes nas colunas jónicas renascentistas, que suportam um teto revestido em caixotões de madeira.
Da planta da igreja quinhentista não se alterou muito com a intervenção do século XVIII. O arquiteto italiano apenas prolongou ligeiramente o templo, grosso modo à área correspondente à fachada e ao coro alto e acrescentou duas capelas laterais. Em duas colunas foram anexados dois púlpitos quadrangulares, revestidos em talha dourada.
Acessibilidade:
A28 (Viana do Castelo/Matosinhos)/ Av. D. Afonso Henriques;
A4 (Vila Real/Matosinhos)/ Av. da Liberdade/ Av. D. Afonso Henriques;
Metro do Porto: Linha A (Azul).
Património Integrado:
Revestidos em talha dourada destacam-se a Capela-mor de autoria do entalhador portuense Luís Pereira da Costa. No transepto, os retábulos da Capela do Santíssimo Sacramento (Norte), e a Capela do Senhor dos Passos (Sul), de autoria do entalhador portuense Domingos Martins Moreira (1746), assim como a obra de talha dos quatro retábulos laterais e a talha e douramento dos dois púlpitos.
Referências Bibliográficas:
- Largo da igreja do Bom Jesus de Matosinhos e parque 25 de Abril, Câmara Municipal de Matosinhos, https://www.cm-matosinhos.pt/
- PIN, Museus e Património cultural na área metropolitana do porto (AMP); https://pin.amp.pt/recurso/210
- Paróquia de Matosinhos; https://paroquiadematosinhos.pt/igreja-paroquial/
- SERENO, Isabel 1994; NOÉ, Paula 1996, Igreja Paroquial de Matosinhos / Igreja do Salvador / Igreja do Bom Jesus de Matosinhos; Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA), http://www.monumentos.gov.pt/
- SMITH, Robert C., (1966). NICOLAU NASONI — ARQUITECTO DO PORTO. Livros Horizonte. Lisboa